Ficha Corrida

18/09/2016

Um powerpoint a cada ponto a menos no IBOPE do MiShell

ProvasnQuando o movimento multipartidário crescia com o Fora Temer, lá vem a turma do Memes do Powerpoint Folclórico – MPF. Para cada ponto a menos no IBOPE, novas investidas contra Lula. O diversionismo é uma operação fordiana.

A tv italina, RAI, reproduz todos os dias as 8:30 hs da manhã documentários com o título: “Un giorna nella storia”. Um dia destes passou o Risorgimento, focado no papel de Garibaldi. Dissecaram sua participação na unificação da Itália, com reportagens a respeito de sua passagem pela América Latina. Entrevistaram pessoas em Garibaldi e Rosário na Argentina.

Recentemente reproduziram um episódio sobre a ocupação alemã na Segunda Guerra. Na saída, depois que os aliados se uniram à Máfia e entraram pela Sicília, os alemães foram saindo e  detonando tudo o que podia. Com a chegada dos aliados, a “resistenza italiana” tomou corpo e começou a sabotar operações alemãs. Não lembro exatamente em que lugar, bastou o sequestro de um oficial alemão para que todos quanto possíveis italianos localizados naquela comunidade do sequestro foram presos e fuzilados. Era a retaliação como se vê agora utilizada por aqueles que, por vingança à derrota do primeiro a ser comido por um poste do Lula, o caçam obsessivamente.

Me lembrei deste modus operandi do exército alemão em retirada quando vi que há coincidência política toda vez que algum petardo atinge alguém do exército golpista. Se está para ser votado o golpe contra Dilma, lá vem powerpoint contra Lula. Se está para ser votado o afastamento do deus da plutocracia, Eduardo CUnha, sai mais um powerpoint contra Lula. Se Temer é vaiado onde quer que apareça, saem powerpoints aos borbotões.

Quando os movimentos sociais encontram uma pauta em comum, contra Temer e sua quadrilha, lá vem powerpoint. De onde vem este medo atávico que motiva essa caçada obsessiva ao grande molusco?! Do medo que José Serra perca os 23 milhões depositados pela Odebrecht em contas no exterior? Ou seria pela possibilidade de que sua eleição motivasse a continuidade do processo contra os donos dos 450 kg de argumentos que viraram pó?! Teria alguma relação com proteção aos que aparecem nas Lista de Furnas, Lista Odebrecht, Lista Falciani, Panama Papers, Operação Zelotes e CARF?

O último IBOPE que mostra Temer beijando o rodapé do gráfico do IBOPE coincide com a performance de guri do MPF nas telas da Rede Globo. E a coincidência envolve sempre os operários do MPF com as fontes de assassinato de reputação, Rede Globo & Veja.

A literatura jurídica me permite  confessar: “não tenho provas, mas tenho convicção”!!

Nos primórdios da civilização acreditou-se que a terra fosse plana. Não existiam provas, mas havia a convicção. Muitos foram jogados na fogueira e queimados vivos porque negavam a convicção.

mas a Ku Klux Kan tinha convicção. Ali Kamel, responsável pelas idiotices que a Rede Globo vende como informação, tem, apesar das provas que aparecem todos os dias, tem convicção de que “Não Somos Racistas”.

Um alemão, que os íntimos, como Eva Braum, chamavam de Adolf, afirmou que os judeus eram escória do mundo. Não havia prova, mas havia convicção. E aí veio a solução final. A solução final para a plutocracia que tomou o Planalto Central d assalto e manter a cleptocracia no poder é assassinar a reputação do Lula.

Desde criança aprendi que a palavra cão não morde. O massacre mafiomidiático só convence os convertidos. Quem usa o cérebro não compra pato por democracia.

Discretamente, no Ibope: apoio a Temer cai mais ainda nas capitais

Por Fernando Brito · 17/09/2016

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Menções ligeiras, mal publicadas na imprensa, à queda (ainda maior) de poularidade de Michel Temer foram recolhidas pelo diligente coleguinha Fernando Molica, em seu blog:

“A desaprovação ao governo Michel Temer aumentou entre os cariocas. Segundo pesquisa do Ibope, apenas 8% disseram que seu governo é ótimo (1%) ou bom (7%). No mês passado, o índice era de 12% (2% para ótimo e 10% para bom). (…)A reprovação a Temer saiu de 42% (13% ruim e 29% péssimo) no mês passado para 46% na nova pesquisa (14% ruim e 32% péssimo). O percentual dos que classificaram seu governo como regular caiu de 40% pra 32%. Dos entrevistados em setembro, 13% disseram não responderam ou afirmaram não ter como opinar, contra 6% em agosto”.

O Tijolaço foi buscar ,então, o de outras capitais:

São Paulo – Ótimo+ Bom= 11%/Ruim + Péssimo = 44%. Eram 13% e 41%, respectivamente.

Belo Horizonte – Ótimo+ Bom= 13%/Ruim + Péssimo = 43%. Eram 13% e 47%, respectivamente.

Fortaleza –  Ótimo+ Bom= 9%/Ruim + Péssimo = 53%. Eram 11% e 49%, respectivamente.

Salvador – Ótimo+ Bom= 6%/Ruim + Péssimo = 54%. Eram 8% e 53%, respectivamente.

Recife – Ótimo+ Bom= 8%/Ruim + Péssimo = 54%. Eram 12% e 48%, respectivamente.

Porto Alegre: Ótimo+ Bom= 13%/Ruim + Péssimo = 36%. Eram 10% e 42%, respectivamente.

Só na capital do Rio Grande do Sul, Temer  conseguiu uma pequena melhora.

No resto crescem, para usar o ditado gaúcho, como cola de cavalo: para baixo. E rápido, porque o intervalo entre as pesquisas é de menos de um mês e, afinal, ele se tornou “definitivo” com o afastamento final de Dilma Rousseff.

Temer está perto de cumprir o que prometeu: ser o homem capaz de unir o Brasil.

Contra ele.

Discretamente, no Ibope: apoio a Temer cai mais ainda nas capitais – TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

17/09/2016

Caçadores do grande molusco vendem “crime” por “excesso”

OBScena: Henfil já havia profetizado, nos anos 80, que Lula seria caçado para servir de diversão à cleptocracia.

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Mais ou menos assim. Houve um excesso do amigo do primeiro a ser comido em deixar seu heliPóptero para que seu funcionário borboletasse entre suas fazendas e hotéis, do Paraguai ao ES. 450 kg de cocaína só não seriam excesso se comparados às bagagens afundadas com o Titanic.

Não há crime, mas excesso de dinheiro depositados em conta de José Serra no exterior. Foram só 23 milhões de pixulecos… Não houve excesso quando o mais recente ministro defenestrado confessasse que Eliseu Rima Rica quer acabar blindar seus parceiros de golpe.

Desde a ditadura caçam Lula. Vasculharam a cesta de papel higiênico, a casa dos parentes dos amigos, as contas bancárias dos pais, filhos, netos e bisnetos. Gravaram suas conversas e confissões particulares. Sua intimidade foi devassada como proctologistas que investigam câncer na próstata. E aí ficam indignados porque a única coisa suja são seus instrumentos de análise, os dedos. Sobraram merda nos e convicções nos powerpoints. E aí a matilha que baba uma raiva hidrófoba, por despeito, mercenarismo ou “só” falta de caráter, com um ar fingido tratam crime como se fosse apenas excesso.

Enquanto isso, Eduardo CUnha, Cláudia Cruz, José Sarney, FHC Brasif, Tarja Preta, Andrea Neves continuam por aí borboleteando. Vasculham a próstata do Lula mas fingem não saber da metástase provada por Sérgio Machado. Aliás, se preocupam com a espinha no rosto enquanto deixam o câncer consumir os órgãos públicos.

Se há algo de inteligente na performance do Dallagnol foi a brilhante cortina de fumaça que ele criou. Por pelo menos um dia não se falou em Eduardo CUnha e no golpista traiçoeiro Michel Temer.

Excesso é a água que transborda o vaso, não o cocô que desce com a descarga.

 

As fingidas críticas do setor golpista aos excessos da Lava Jato

16 de setembro de 2016 Miguel do Rosário

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(Foto: Lucas Bois/ Jornalistas Livres)

Arpeggio – Coluna diária do editor

Por Miguel do Rosário, 16/09/2016

Chamou a atenção dos setores democráticos as críticas vindas de próceres do golpe – editorial da Folha, colunistas da Globo e Veja, o presidente da OAB, ou mesmo juízes do STF que há tempos se submeteram às ordens da armada golpista, como Toffoli – aos "excessos" dos procuradores da operação, durante a coletiva em que anunciaram o indiciamento de Lula como o "comandante máximo" da corrupção na Petrobrás.

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Vale notar que as críticas de Toffoli, por imprudência dele e da mídia que a multiplicou por aí, carregam uma pesada e irônica denúncia ao golpe e à ditadura midiático-judicial que vivemos. A expressão " o judiciário pode cometer o mesmo erro que os militares em 1964" remete a várias comparações constrangedoras e constitui quase que uma confissão, por parte de Toffoli, de que o judiciário foi protagonista do golpe atual.

Mas tudo não passa de jogo de cena, não necessariamente combinado, porque a organicidade do golpe nunca precisou de muita combinação.

A combinação, quando há, vem escrita nos editoriais dos jornalões.

As críticas são todas condescendentes, tratando os excessos dos procuradores como um "deslize" adolescente. Não há, em parte alguma, uma denúncia dura à infâmia, à agressão brutal à democracia, que é expor dessa maneira o principal quadro de todo um campo político, desperdiçando, em plena crise, e às vésperas de uma eleição, milhões de reais em recursos públicos para influenciar as urnas.

Não se trata de "excesso" e sim de um crime, cometido pelos procuradores da Lava Jato.

Os líderes do golpe estão apenas repetindo o que vem fazendo desde o início da operação. Quando notam que se avolumam as críticas a seu partidarismo, puxam o freio, vazam delação contra um tucano, logo esquecido em seguida, ou mesmo contra um membro do governo golpista. Nada muito grande, que comprometa a estabilidade do golpe -  o vazamento de Sergio Machado foi apenas o susto inicial necessário para o governo saber quem manda.

Enquanto isso, Sergio Moro, após todas as ilegalidades que protagonizou, está nos Estados Unidos, recebendo dinheiro e sendo tratado como "heroi" justamente por uma dessas organizações conservadoras de péssima fama democrática.

Recentemente, o Supremo aprovou uma nova regra que permite aos juízes receberem cachê de palestras sem terem de informar ao público o seu valor. É genial. A propina foi legalizada para o judiciário. Parece uma lei feita para beneficiar diretamente Sergio Moro.

Apesar da reação enorme das redes sociais, na forma de humor, desconstruindo o Power Point dos procuradores, não podemos subestimar o poder de fogo de um ataque simultâneo, concentrado, de todos os jornais, revistas, tvs e rádios, repetindo o dia inteiro a mesma manchete contra Lula.

O estrago no curto prazo, para as eleições que se realizam em duas semanas, está feito, e não é outra a razão da pressa dos procuradores. Eles precisavam seguir uma agenda, a qual exigia que essa denúncia precisava ser feita agora, para que seus desdobramentos pudessem atingir o ápice – a aceitação da denúncia por Sergio Moro – dias antes das eleições.

Uma eventual prisão de Lula, então, poderia ser cogitada poucos dias antes do segundo turno eleitoral, embora eu prefira acreditar que os operadores do golpe tenham ao menos o bom senso de prever que tal violência poderia se reverter contra eles.

Pode acontecer, portanto, que Sergio Moro aceite a denúncia, mas não prenda Lula. O mais inteligente, da parte do golpe, seria cozinhar essa denúncia durante meses e meses, juntamente com o vazamento seletivo de mais delações premiadas, e, por fim, condenar Lula em algum momento de 2017, para lhe tirar do jogo eleitoral através da ficha limpa.

O blogueiro Luis Nassif, em sua série de análises de xadrez, tem feito algumas especulações sobre o nascimento de conflitos no interior do núcleo golpista, sobretudo entre PMDB e PSDB.

Não acredito que essas brigas serão determinantes, e abalarão o equilíbrio do golpe, por uma razão simples: o golpe tem uma liderança bastante clara, que é a grande mídia, e um chefe, a Globo. Qualquer briga no interior do golpe pode ser rapidamente dirimida pela Globo, que é a representante maior das elites do dinheiro, além de ser não apenas uma representante, mas a própria elite do dinheiro, visto que a família Marinho é, segundo a Bloomberg, a mais rica do país.

A casta jurídico-policial é apenas o cão de guarda dessa mesma elite.

Não haverá grandes conflitos no golpe porque o butim é grande demais. Há recursos suficientes para todos se aproveitarem do saque aos bens públicos. Ao menos por um tempo.

A crise econômica não é problema para a elite brasileira, porque ela já se adaptou, desde a década de 80, a ganhar dinheiro com a crise, através de investimentos de risco no mercado financeiro que permitem ao investidor obter altíssimos lucros com inflação e juros. A crise, portanto, para alguns poderosos abutres do setor financeiro, é uma excelente oportunidade para lucrar mais.

A casta jurídica, por sua vez, está confortavelmente instalada na rede de proteção que construiu para si à força de chantagens cada vez mais brutais contra o poder político.

Em seu blog, Renato Rovai especula sobre o aumento da repressão a movimentos sociais após as eleições. Pode ser, mas devemos entender que a elite – financeira, midiática, burocrática – não precisa apelar à repressão.

No campo e áreas indígenas, a história é distinta. O golpe fez crescer, imediatamente, a violência.

Na cidade, quem deseja a repressão é a pequena burguesia, que sofre com as turbulências políticas e sociais e pressiona os órgãos de segurança.

A elite financeira, porém, não fica parada nos bloqueios de rua, não sofre com greves bancárias porque tem dinheiro no exterior, e, em última instância, pode assistir o circo pegar fogo de um hotel em Nova York.

Por isso mesmo, esse será o principal desafio da esquerda: terá de analisar objetivamente os métodos usados para pressionar o governo, de maneira a não provocar hostilidade de setores vulneráveis da pequena e média burguesia e da classe trabalhadora. Esses são os setores que estão sendo e serão mais diretamente atingidos pelo golpe e suas consequências.

Como conquistá-los, portanto, à causa democrática?

O dono de um restaurante, de um botequim, o proprietário de uma pequeno mercado na periferia, não podem ser vistos como representantes das mesmas classes abastadas que deram o golpe. Eles podem até pensar como eles, mas não pertencem à mesma classe.

Um membro da casta burocrática, um promotor, mesmo com renda similar a de um médio mercadista de periferia, goza de uma segurança financeira que está a anos luz da realidade do comerciante.

Uma das autocríticas mais responsáveis que emergiram nos últimos tempos é sobre o distanciamento entre as direções sindicais e o povo, que se reflete em manifestações até pouco tempo agendadas para o meio da tarde de dias da semana.

O golpe inaugura, além disso, uma era extraordinária, que pede medidas extraordinárias, originais mas não exóticas, responsáveis mas não estéreis, prudentes mas não covardes, ousadas mas não inconsequentes, ágeis mas não apressadas. E que considerem, objetivamente, as condições concretas em que se dará a luta.

A falta de liderança no campo popular hoje é sua maior vulnerabilidade, e por isso será necessário que ativemos, com urgência, processos democráticos de formação de novos líderes, voltados à atividade política geral e não à burocracia de partidos, sindicatos e organizações.

Os elementos que derrotarão o golpe, em seu devido tempo, serão suas próprias contradições – não exatamente o conflito entre os lacaios do golpe, mas as contradições conceituais das ideias defendidas por eles.

É um golpe, por exemplo, liderado por setores que se acreditam liberais, mas desprezam as principais – quiçá únicas – virtudes do liberalismo: a liberdade política, expressa no voto, e a liberdade jurídica, expressa nas garantias individuais que nos protegem dos arbítrios do Estado.

Ao final de seu livro A Radiografia do Golpe, Jessé Souza lamenta que não mais se "possa dizer onde está o limite entre o que é jurídico e o que é político no Brasil de hoje. Esse fato é gravíssimo, já que equivale a dizer que não temos, hoje em dia, mais justiça nem aparelho judicial independente".

Ainda no livro de Jessé, ele nos lembra de um ponto tão básico das liberdades civis modernas que custamos a acreditar esteja sendo atacado pelos golpistas de hoje:

"As regras e procedimentos jurídicos não são, como pensa o leigo, entraves à justiça rápida. Eles são entraves à injustiça".

É incrível que membros da própria casta jurídica, aqueles mesmo que deveriam defender nossos direitos constitucionais (são pagos regiamente para isso), estejam hoje liderando uma verdadeira cruzada para reduzir os nossos… direitos constitucionais, tratados como entraves à justiça, e não o que eles realmente são, entraves ao arbítrio.

Não é surpresa que os líderes dessa cruzada sejam os mesmos líderes da Lava Jato…

A Lava Jato tem, desde seu início, tratado qualquer iniciativa dos réus em sua própria defesa como "obstrução de justiça". O conceito "obstrução de justiça" nunca foi tão distorcido, pois se vê a "justiça" apenas como monopólio da violência pelo Estado, e não direito do cidadão à liberdade e à segurança, sobretudo em face da máquina estatal.

Pepe Escobar, em entrevista a um canal independente francês (aqui, com legenda), afirma que o Brasil é cobaia do tipo mais sofisticado e sinistro de golpe de Estado da modernidade. É o golpe lento, suave, frio, de longo prazo, baseado principalmente numa manipulação monstra da opinião pública, associado a um controle gradativo do sistema judicial do país. Eu separei um trecho de 20 segundos de uma entrevista em que Pepe Escobar faz uma brilhante análise do golpe no Brasil:

Vale a pena assistir a entrevista inteira. Nela, Pepe faz um tremendo elogio à blogosfera brasileira, que ele considera a mais influente do mundo (Glenn Greewald também já falou algo similar).

Haverá reversão do golpe, claro. A safadeza da elite e da mídia serão vingadas. A experiência do golpe nos levará a construir, no futuro, mais garantias às liberdades e à democracia.

Este é um imperativo revolucionário, que estamos construindo aqui e agora. O golpe, em verdade, era a condição necessária para que a luta pela democracia retornasse às suas raízes, a uma crítica radical à concentração midiática, ao conservadorismo judicial e ao financiamento empresarial de campanha.

Mas temos que nos preparar melhor. Não basta ganhar eleições. É preciso construir uma nova cultura política, mais democrática e mais fiel aos princípios de liberdade e direitos humanos que norteiam a nossa Constituição.

Isso pode demorar ainda uns dez ou vinte anos. Nesse tempo, montaremos uma grande rede de resistência, um espaço de segurança que nos permita lutar, crescer, trabalhar e sermos felizes.

As fingidas críticas do setor golpista aos excessos da Lava Jato – O Cafezinho

15/09/2016

MPF – Memes do Powerpoint Folclórico

Filed under: Caça ao Lula,Lula Seja Louvado,MPF,Vergonha Alheia — Gilmar Crestani @ 9:29 am
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giphyNeste momento “vergonha alheira” não há como não lembrar do pistoleiro de aluguel, Eduardo CUnha. Tão logo executado o serviço, foi empacotado pelos mandantes e escondido o corpo. Rapidamente, buscam mudar de assunto. E, desde sempre, caçar o grande molusco.

Na teoria do domínio do fato, todos os que ajudaram armar a tocaia em que o pistoleiro se alcovitou para executar o assassinato da Democracia seriam tão responsáveis quanto o assassino. Afinal, quem facilita o trabalho do pistoleiro, seja abrindo a porta, raspando o código do revólver, ou mesmo servindo  a marmita enquanto aguarda a vítima, de alguma forma contribui para o crime.

Fiquei esperando por explicações que ajudasse a entender como e porque Lula teria trabalhado para que o primeiro a ser comido pudesse se lavar em Liechtenstein  ou para que Tarja Preta recebesse os 23 milhões da Odebrecht, não no Brasif, mas no exterior.

Um cara que dirige bêbado dando mau exemplo, foge de bafômetro, cheira, bate em mulher, faz aeroporto  em terro particular com dinheiro público, encheu seu governo de parentes, é senador por MG mas não sai das praias cariocas, faz viagens particulares com aviões da FAB, destruiu a saúde e a educação em seu estado, perdeu as eleições em seu próprio estado. Tantas vezes foi delatado que, se fosse do PT, já estaria preso.

Esperei sentado na expectativa de que aparecesse um fluxograma elucidando a participação do Lula no caso do heliPÓptero. 450 kg!!!

E aí me pergunto, e se montassem um powerpoint do Aécio Neves será que apareceria o dedo mindinho do Lula escondido em alguma parte do playboy mais blindado do Brasil?!

Havia um aparente paradoxo na atuação da Mistério Público agora revelado. Basta somarmos os comportamentos do Dallagnol com o de Rodrigo de Grandis e aí chegaremos à Lei Rubens Ricúpero, vazada no caso da Parabólica. Inspirado no mestre Houdini, louve-se, na criação de mais uma cortina de fumaça, a capacidade de abafar o assunto palpitante do momento, a cassação do CUnha e suas relações com Temer. Resta um brilhante diversionista dos ventríloquos da Rede Globo.

Como previram CARLOS FERNANDO DOS SANTOS LIMA E DIOGO CASTOR DE MATTOS em artigo para a Folha de São Paulo, Deltan Dallagnol deu um “duplo twist carpado, uma variação do salto twist”.

Depois do movimento contra a corrupção o MPF deveria abraçar outra campanha: pelo respeito à inteligência alheia.

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15 versões do powerpoint de Dallagnol menos ridículas que o original

Postado em 15 Sep 2016 – por : Kiko Nogueira

O diagrama de Deltan Dallagnol na denúncia contra Lula virou um clássico instantâneo pelo ridículo. Dallagnol prestou um serviço inestimável à causa oposta que defende.

Sua apresentação de powerpoint expôs o grau de idiotice, amadorismo e forçação de barra do time da Lava Jato. Dois anos e tanto de investigações foram resumidas num desenho feito pelo estagiário da Vasconcelândia.

Fosse nas Casas da Banha, o gerente teria uma conversa com Dallagnol. “Essa pergunta pode parecer óbvia nesse momento particular, mas eu preciso fazê-la: o que você estava pensando? Em nome de Deus, que merda estava se passando na sua cabeça?”

As bolinhas com setas apontando para uma bola grande no meio viraram meme. Abaixo, as versões que nosso time de especialistas escolheu. O melhor do Brasil continua sendo o brasileiro.

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Diário do Centro do Mundo 15 versões do powerpoint de Dallagnol menos ridículas que o original

14/07/2016

Ave MPF, os teus protegidos te saúdam!

Filed under: Golpe Paraguaio,MPF,Perseguição — Gilmar Crestani @ 9:54 am
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Ave Suetônio, o MPF saúda, não a justiça que vê, mas a justiça cega, que usa venda para não enxergar os Eduardo CUnha, Cláudia Cruz, Aécio Neves, Andrea Neves, Michelzinho ou Márcio Fortes… Todo dia uma denúncia nova contra o bestiário do golpe, mas o MPF mantém suas baterias para criar uma cortina de fumaça e proteger seu golpe paraguaio. Aliás, falando em golpe paraguaio, cabe por inteiro ao MPF a resposta do Picasso ao oficial nazista quanto este perguntou sobre Guernica: "Foi o senhor quem fez isso?" A resposta de Picasso a respeito da matança representada no quadro: "Não, foi o senhor", respondeu Picasso.  A cortina que desce para proteger os golpistas é estendida pelo MPF com sua obsessão por Lula. A cada dia parece mais próximo o momento em que o MPF conduzirá passeatas com o lema “Somos Todos Rodrigo de Grandis”. No MPF, omissão casa com perseguição. Se omite em relação aos seus parceiros ideológicos, pari passo, persegue quem não reza pela mesma cartilha.

"Ave, Imperator, morituri te salutant" ou "Ave, Caezar, morituri te salutant" ("Ave, César, aqueles que estão prestes a morrer o saúdam") é uma conhecida sentença latina citada em Suetónio, De Vita Caesarum ("A vida dos Cèsares", ou "Os Doze Cèsares").[1] Foi usado durante um evento em 52 dC no Lago Fucino por cativos e criminosos fadados a morrerem lutando durante um simulado de batalha naval ou Naumaquia — na presença do Imperador Cláudio. Suetônio relata que Cláudio respondeu "Aut non" ("ou não").

Auler, sobre o caso da “caixinha de Temer”: o MP omitiu-se

Por Fernando Brito · 14/07/2016

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Marcelo Auler, em seu blog, sublinha um ponto importante na primeira da série de reportagens que está fazendo para o Diário do Centro do Mundo: a completa omissão do Ministério Público Federal diante do indício de um esquema de propinas num ente federal, o Porto de Santos.

Indício forte, dado por uma beneficiária – embora indireta – do esquema: Éricka dos Santos, a ex-mulher do dirigente que seria operador da “caixinha”:

O que ficou claro, nesta história, foi a omissão da Procuradoria Geral da República, através dos procuradores-geral Geraldo Brindeiro e Roberto Gurgel, com relação à necessidade de se aprofundar a investigação. Mas eles resolveram passar atestado de bons antecedentes ao então presidente da Câmara, tanto em 1999/2000, quando Érika fez sua primeira delação, como em 2009, quando o delegado Nogueira pretendia aprofundar seu trabalho, mas precisava de autorização do Supremo para prosseguir.

É inevitável, nos dias atuais, comparar-se tais atitudes com o que vem sendo feito na Operação Lava Jato. O curioso é que como se verá adiante, nas futuras reportagens, há personagens no caso do Porto de Santos que reaparecem na Lava Jato, como está acontecendo com Temer. Mas não apenas ele, também a Construtora Andrade Gutierrez.

Não perca a série no Diário do Centro do Mundo e acompanhe o trabalho de Auler também em seu blog.

É jornalismo de primeira linha.

Auler, sobre o caso da "caixinha de Temer": o MP omitiu-se – TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

25/06/2016

Para quem não sabe o que foi a ditadura, eis aí um exemplo

A ditadura não foi só prisão ilegal, tortura, estupro, assassinato e esquartejamento. Foi também uma orgia entre grupos de mídia, como a Rede Globo, e os ditadores. Embora não houvesse internet nem qualquer tipo de rede social, sobejam fotos do Roberto Marinho com estupradores de cavalos vestidos de fardão e quepe. A Folha emprestava suas peruas para esconder em valas clandestinas os pedações de corpos que na noite anterior tinham servido às fantasias sexuais de quem financiava o DOI-CODI. A Comissão da Verdade apurou que empresários que financiavam a OBAN participavam das sessões de sevícias. Se masturbavam vendo as sessões de torturas e estupros.

Os métodos eram exatamente os mesmos. Aos amigos, a proteção e o dinheiro público. Aos adversário, a força das armas e a destruição física e financeira. E a mídia cobrindo tudo, sempre dizendo que as forças  da ordem estavam eliminando os inimigos da pátria. Foi graças a essa relação doentia, de puro sadismo, que as cinco irmãs se consolidaram e até hoje mantêm uma manada de midiotas amestrados. A diferença é que hoje, com as redes sociais, o mundo está vendo. No calor da luta aparece a contraprova, o desmentido e os esclarecimentos dos intere$$eses e dos participantes da bandidagem.

Se há algo de positivo em tudo isso, é que já não há mais desculpa para dizer que a ditadura não era uma ditadura mas uma ditabranda. Antes como agora, as truculências não teriam existido sem a participação, por omissão ou comissão, das instituições que deveriam zelar pelo respeito às leis.

Para se ter uma idéia do quanto estamos mal, basta atentar para o fato de que os traficantes entregam as drogas a quem as desejam, mas não as enfiam, com violência, goela abaixo dos viciados. Já a dupla PF/MPF…

É preciso mudar a Polícia Federal, por Marcelo Auler

É preciso mudar a Polícia Federal, por Marcelo Auler

sex, 24/06/2016 – 21:19

Do Blog do Marcelo Auler

Os excessos da Polícia Federal mostram que é preciso mudá-la. Mas, a Lava Jato a blindou

Por Marcelo Auler

O uso de armas de guerra, como os fuzis AK-47, AR-15 e outros tantos, foi introduzido nas polícias brasileiras a partir da década de 1980 para o enfrentamento de quadrilhas de traficantes que se apossaram dos morros cariocas. Esse tema abordei, em 2008, por iniciativa de Pedro Paulo Negrini, na minha primeira incursão no campo editorial ao participar com ele e Renato Lombardi da segunda edição do livro “Enjaulados – Presídios, Prisioneiros, Gangues e Comandos” (Editora Gryphus).

Pouco a pouco foi se tornando natural o desfile de policiais militares portando fuzis já não apenas nos morros, mas nas ruas da cidade, apesar de serem armas de guerra e não de controle de distúrbios urbanos.

Quando a Polícia Federal usa homens com roupas camufladas, portando estes fuzis, para cumprir um mandato de busca e apreensão na sede de um partido político, em pleno centro de São Paulo, algo não está normal. Ou eles imaginaram uma reação dos petistas armados como milícias? Ao se raciocinar que ali, no máximo poderia ocorrer alguma manifestação de militantes em repúdio à perseguição aos petistas, é de se questionar qual serventia teriam aqueles homens fortemente armados? Atirariam com armas de guerra contra uma manifestação popular?

Certamente jamais agiriam assim. Logo, a presença deles tinha outro propósito, o de intimidar, ou de, me apropriando das palavras do ex-ministro Eugênio Aragão na palestra proferida na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ – EXCLUSIVO: Eugênio Aragão analisa criticamente a Lava Jato, suas ilegalidades e o prejuízo à democracia e Eugênio Aragão: “alguém com a legitimidade dos votos tem que dizer, pera aí!” – estavam ali também para destruir ainda mais a reputação de um partido político. Aquela cena, transmitida por todos os canais de televisão, serviu única e exclusivamente como estratégia de desconstrução de reputação. Ajudou a destruir um pouco mais a imagem de um governo/partido.

Juiz orientado por Janaína – Não se pode entender como mera coincidência que a ação da Polícia Federal ocorra em um momento em que o governo interino de Michel Temer vinha sendo desnudado com a divulgação das diabruras e ilegalidades cometidas por diversos de seus membros. Não se discute aqui, embora possa se considerar coincidência demais, o cumprimento de mandados de busca e apreensão por ordem judicial. Estranho que surjam em um momento como este, e mais coincidência ainda é o fato de o juiz substituto da 6ª Vara Federal Criminal, que os assinou, estar sendo orientado em sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP), pela professora Janaína Conceição Paschoal. A mesma que recebeu R$ 45 mil do PSDB para fazer o pedido do impeachment da presidente eleita, Dilma Rousseff. Isso não nos permite duvidar de suas decisões, mas vale o registro da coincidência mas não há como levantar acusações e hipóteses levianas contra os mesmos.

Na operação Custo Brasil, outro fato questionável, e aí sim, de responsabilidade do juiz federal Paulo Bueno de Azevedo, da 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo, que expediu os mandados, foi a busca realizada na casa da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Por ser parlamentar, sua casa só poderia sofrer qualquer ação judicial mediante autorização do Supremo Tribunal Federal. Motivo pelo qual, na própria quinta-feira a Advocacia-Geral do Senado ingressou com representação no STF contra a decisão judicial. Esta invasão da casa de uma senadora gerou protestos de quem jamais se imaginaria, como destacou nesta sexta-feira (24/06) Leonardo Boff, em seu blog:

Na postagem Solidarizo-me com a Senadora Gleisi Hoffmann, Boff reproduz o protesto de Dom Orvandil, bispo anglicano do Brasil Central com sede em Goiânia. Diz Boff ao falar do protesto do bispo anglicano:

“em solidariedade à Senadora do PT Gleisi Hoffmann pela forma ilegal que sua residência oficial de senadora foi invadida sem prévio aviso, com palavras tranquilas dos policiais mas com gestos brutais, levando até o computador de seu filho adolescente. Prestemos atenção: o atual governo interino está permitindo ações fascistas; não podendo colocar tanques na rua utiliza a polícia federal para realizar a imposição de um projeto político que não passou pelo aval das urnas. A palavra para esse tipo de política é golpe. Associo-me às palavras do bispo anglicano em solidariedade à Senadora Gleisi e em protesto contra o presidente interino, último responsável por este tipo de violência. Lboff”

O que muitos não entendem, ou fingem não entender, é que as críticas não são ao combate à corrupção em si, o que todos os cidadãos de bem desejam que aconteça. Mas à forma como ela vem sendo feita, principalmente com seletividade e uma forte suspeita de motivações políticas, principalmente na divulgação pela Polícia Federal de suas operações, sempre realizadas com o coincidente aparecimento de jornalistas para garantir a cobertura.

Gabas, reputação em jogo – À discussão do tipo de armamento e de policiamento utilizado para uma busca onde não houve – nem haveria – resistência acrescente-se a forma como se deu a divulgação. A Polícia Federal, por exemplo, espalhou que o ex-ministro Carlos Gabas, cujo nome surgiu pela primeira vez nestes escândalos e de forma um tanto quanto estranha – um delator disse ter ouvido dizer que ele teria recebido propina – seria levado coercitivamente para depor. Quem conhece o mesmo e aqueles que com ele trabalharam colocam sob suspeição qualquer suspeita sobre ele, até provas em concreto serem apresentadas. Delação premiada, como expôs o ministro Teori Zavascki, por si só não é prova alguma.,

Mas, no caso de gabas o que a PF anunciou não foi o que aconteceu. Na verdade, como se constatou, o mandado do juiz falava em convidá-lo a depor, caso aceitasse comparecer naquele momento. Ele se dispôs a fazê-lo, mas em outro momento e junto com sua advogada. Medida bem diferente do propagado que levou sites e noticiários de rádio e TV a espalharem uma condução coercitiva que não houve.

Novamente, com o ex-ministro Carlos Gabas o que se viu foi a tentativa de destruir reputações. O mesmo ocorreu com o jornalista Leonardo Attuch, editor do site Brasil 247. Embora convidado a depor, o anúncio feito foi de que estava sendo levado coercitivamente.

Blindagem do DPF – Não é por outro motivo que se fala na necessidade de mudança no comando do Departamento de Polícia Federal (DPF), muito embora qualquer governante hoje se sinta acuado com a pressão exercida pela grande imprensa, a partir dos vazamentos da Força Tarefa da Operação Lava Jato. A estratégia rendeu resultados, na medida em que se difundiu que uma mudança significaria a tentativa de se acabar com as investigações. Na verdade, pode ocorrer o contrário, elas se tornarem mais transparentes, menos seletivas e, principalmente, de acordo com as normas legais.

Esta blindagem da Polícia Federal foi admitia pelo ex-ministro Eugênio Aragão, em sua palestra na Faculdade de Nacional de Direito, acima mencionada, quando falou de sua passagem pelo Ministério da Justiça:

“É muito fácil ser ministro da Justiça em um momento de total popularidade em que tudo são flores. Difícil é você ser ministro da Justiça em um momento em que grande parte da sociedade, estimulada por uma mídia golpista, resolve destruir a imagem de um governo. Não é uma escolha fácil e, confesso, que essa circunstância de crise nos deixou paralisado em muita coisa. Poderia ter sido feito muito mais. A primeira coisa que poderia ter sido feita (eram) escolhas na Polícia Federal. Poderiam ter sido mudadas, mas não tínhamos condições de fazer naquele momento. Se mexêssemos na Polícia Federal estávamos sujeitos a uma confusão que atrapalharia ainda mais a presidenta. A gente tinha que, de certa forma, atuar como o algodão entre os cristais e não sair chutando os cristais todos“

“Estruturas que nos sabotam” – Ao fazer uma comparação entre a questão envolvendo a Polícia Federal e a política de demarcações de terras indígenas, ele exemplificou as diferenças de situação entre o momento em que ele foi ministro e o período do seu antecessor, José Eduardo Cardozo. Foi além, confessou-se impedido de mexer em uma “estrutura que nos sabota”:

“A política indigenista foi realmente um grande desafio, porque os processos de demarcação de terras indígenas estavam ali no armário fazia sete, cinco anos, aguardando a disposição do ministro de assiná-los. Claro que ele (José Eduardo Cardozo) não tinha condições de assinar antes, já que a governabilidade dependia em grande parte do apoio do PMDB e o PMDB era o que mais resistia a essas portarias. Então, de certa forma, para mim foi muito mais fácil. A crise me facilitou a assinar essas portarias porque a gente estava pouco se lixando para o que o PMDB ia achar disso. Nós não estávamos mais, a essa altura, preocupados com a posição desses parceiros golpistas. (…) 

O José Eduardo, por exemplo, poderia ter mexido com a Polícia Federal e não mexeu. Eu não podia mais mexer com a Polícia Federal, isso era uma coisa que para mim estava trancada. Quando a gente está lá em cima a gente vê o que a gente pode e o que a gente não pode fazer. Claro que se dependesse só do nosso voluntarismo, a gente chutava o balde, mas tem coisa que não é possível. O país não merece certas crises, então a gente tem que se precaver, embora a gente saiba que tem estruturas que nos sabotam. A gente as vezes tem que ficar de olho nas estruturas, mas não pode mexer nelas de imediato“.

Após a sua passagem meteórica pelo Ministério da Justiça (de 17 de abril a 12 de maio), Eugênio Aragão está convencido de que é preciso mudar estruturalmente o DPF, inclusive para dar fim à guerra existente entre delegados e agentes federais, como explicou na palestra:

“A Polícia Federal tem que ser substancialmente reformada. Não dá para ter esse dissidio interno na PF entre delegados e agentes de polícia. Isso tem que ser resolvido de alguma forma, duas categorias lá dentro que são inimigas uma da outra. Isso é péssimo. Por outro lado, a gente tem que garantir que a Polícia Federal atue debaixo de certos padrões. Ela tem alto grau de profissionalização, é uma instituição valiosa, não vou tirar isso dela. A Polícia Federal é melhor do que qualquer polícia civil estadual em termos de qualidade do trabalho e profissionalismo, mas ainda sim tem o cachimbo que entortou a boca dela. Tem abusos que acontecem lá dentro, dentro de um impulso corporativo, como o Ministério Público também tem, e isso deve ser tratado. E a melhor forma de tratar é reconstruindo a carreira policial, criando novas condições para a Academia de Polícia, talvez uma escola superior de polícia”.

Trata-se, na verdade, de uma sinalização do que poderá acontecer com o retorno de Dilma Rousseff que, acontecendo, inevitavelmente levará Aragão de volta à cadeira de ministro da Justiça. Resta esperar para ver.

(*) Colaborou nesta reportagem Lara Vieira Faria

É preciso mudar a Polícia Federal, por Marcelo Auler | GGN

14/06/2016

Globo rege a banda Ré Pública

OBScena: ditadura, golpe e boçalidade à moda Globo

Globo Ressurge a Democracia

Quando tenho dúvida a respeito de determinados fatos políticos, observo o posicionamento da Rede Globo e de seus ventríloquos no RS. E opto pelo oposto. Não erro nunca. Quem tem no seu DNA uma conjunto de procedimentos todos voltados contra os interesses sociais, e que trabalha com afinco para negar qualquer direito que não seja do seu grupo de interesse, não merece respeito, muito menos credibilidade. Desde sempre, todas as iniciativas que foram tomadas em benefícios dos desvalidos, a Globo tem se posicionado contra. Todos os governos que priorizam a educação, a Globo vê como concorrente, porque pensa que ela detém o direito de educar o povo brasileiro. Desde sempre, a educação começa pelo exemplo. O exemplo que a Rede Globo dá é de total desrespeito à inteligência alheia. Trama, dá golpe, sonega, mente, incrimina, julga e condena, mas só seus adversário ideológicos. Para a Globo, CUnha é um anjo, um bênção.

Mais uma vez na história deste país, sob o comando da Rede Globo é instalada a Cleptocracia. Na orquestra que a Rede Globo montou para tocar o baile da Ilha Fiscal os músicos são todos réus. A escolha da Globo se deu exatamente segundo a ordem crescente de denúncias.  A menor acusação que pesa sobre eles é a tentativa de golpe para acabar com as investigações que os tornam réus. Nenhuma investigação pode ser feita sobre os golpistas, pelos menos não antes de consuma-lo. A ordem, em forma de método e prática, às vezes implícita mas quase sempre de forma bem explícita, percorrem os múltiplos braços do polvo siciliano também conhecido como Cosa Nostra, no popular, Máfia. Nossa velha mídia forma verdadeiro grupo mafiomidiático sob coordenação do Instituto Millenium.

O termo república nasce com Cícero, no seu De Re Publica, inspirada nos diálogos de Platão. O filósofo grego concebia uma forma ideal de organização política. O romano, usando o método socrático, via na Re Publica (a coisa pública) medida para um bom governo. Pelas páginas de O Globo e via Jornal Nacional, o Grupo Globo também vende sua concepção de governo. É a ré pública. Todos os que ela apoia são foram, são ou serão réus públicos. As escolhas obedecem uma lógica. E tem história, está incrustrado no seu DNA. É uma longa construção que remonta à sua origem mas que aparece claramente como “ré pública” em 1954, e confirma com o conjunto da obra perpetrada em 1964. Ali estavam todos os artigos com quais trabalharia ao longo do tempo até os dias de hoje. Nos governos instaurados sob os auspícios da Rede Globo os principais personagens, sejam em 1964 ou em 2016, nunca passam pelo crivo popular. Quando passam, como Collor de Mello, só com grosseira manipulação. E ainda assim, não sobrevivem por que são tão honestos quanto quem os engendram.

globo diadurad

Nada mais parecido com os jornais de 1964 que as repetidas edições de 2016. Até o apoio à Marcha dos Zumbis se parece com aqueles da famiglia, tradição e propriedade de 1964. Recentemente a Rede Globo omitiu, escondeu, uma manifestação de centena de milhares de pessoas pela paulista, exatamente como fizeram com o comício pela Diretas-Já, em 1984, no Vale do Anhangabaú.

É sintomático que a Rede Globo já tenha admitido em editorial que foi um erro o apoio à Ditadura. Não pediu perdão, nem disse que não o faria de novo. Pior, jamais admitiu que foi um erro ter escondido os comícios que pediam Diretas-Já, nem que não mais manipularia debates, como fez com o debate entre Lula x Collor. Mas Boni, 22 anos depois, confessou a manipulação. Está gravado em vídeo.  E o que se fez diante das palavras de Boni? Nada. A mídia não se mexeu. A justiça não se mexeu. O governo não se mexeu. O MPF não se mexeu. Então, se tudo o que se faz de errado não é questiono, resta a lição de que se pode continuar cometendo o mesmo crime. A Globo entendeu o recados das instituições e permanece com as mesmas práticas. Da mesma forma acontece em relação aos crimes da ditadura. Quando o STF decide que não se deve mexer com os crimes praticados pela ditadura, é porque está cultivando e adubando Bolsonaro. Bolsonaro, hoje, é filho da omissão covarde do STF em relação aos crimes da ditadura. Entende-se, pois, para condenar os crimes praticados pela ditadura, o STF chegaria na Rede Globo, nas peruas da Folha e nas valas clandestinas do Cemitério de Perus. Chegaria aos mandantes e beneficiados das sessões de tortura, estupro, morte e esquartejamento. Paulo Malhães confessou, e nem por isso houve punição. Brilhante Ustra morreu inocente… Por essas e outras que há ainda imbecis que pedem a volta da ditadura. A existência destes boçais é a contribuição silenciosa do STF à grande famiglia de Bolsonaros.

Globo x 13 salario

A Rede Globo sabe que a verdade só pode ser obtida pelo conhecimento. Está na alegoria da Caverna, na República de Platão. Por isso a mentira na forma de informação. A verdade é conhecimento, a Globo depende da mentira para sobreviver. E por isso a vende como verdade. A ignorância é a mãe do atraso, e o atraso é uma mãe para a Globo.

Quanto ao papel do Globo, basta verificarmos, por exemplo, edições da época. O golpe militar foi festejado com o “Ressurge a Democracia”. Se no princípio da ditadura a Globo vendia que o 13º aos trabalhadores seria uma tragédia, em 2016 fez publicar, para atacar as políticas sociais e raciais, o famigerado “Não somos Racistas”.  Os editorias de antes agora se somam aos livros e articulistas proxenetas que fazem às vezes de voz do patrão.

Toda vez que um governo resolve implantar políticas sociais, as organizações Globo partem para o golpe. Foi assim com Getúlio Vargas em 1954, com Jango em 1964, com Brizola (Proconsult) em , com Lula (Rubens Ricúpero & Carlos Monforte) e as estatuetas ao Assas JB Corp, e agora com a parceria com Eduardo CUnha para derrubar Dilma e “Restaurar a Cleptocracia”. FIES, PROUNI, Mais Médicos, tudo foi duramente combatido pela mesma plutocracia que finanCIA a Globo. E, pela ignorância, muitos dos beneficiados com estas políticas, sequer se dão conta do quanto foi difícil implementá-las, de quem trabalhou para que elas existissem, e também dos que trabalharam para que elas não vingassem. É o caso do ENEM, por exemplo, que sobrevive apesar da luta diuturna dos privatistas.

globo (4)

Simbolicamente, a República de Platão denuncia que a cicuta a Sócrates é a forma com que a plutocracia chega ao poder. Faz-se necessário conspirar, atacar diuturnamente, injetando cicuta na forma de ódio de classe, como se viu nas manifestações convocadas pela Rede Globo. Sócrates foi acusado pela plutocracia ateniense de enganar os jovens. Qual a diferença entre os acusadores de Sócrates com o papel desempenhado Bolsonaro, Silas Malafaia, José Serra, Michel Temer, Aécio Neves, Merval Pereira e Eduardo CUnha, todos na mão da Globo, nas manifestações em apoio ao golpe!?

Da Alegoria da Caverna saem as semelhanças com o baile dos vampiros da plutocracia brasileira. Nem tudo é o que parece.

A Rede Globo não tem Platão no seu manual. Outro personagem da mitologia grega casa melhor com o método Globo, Procusto.

Golpistas (8)

Este bandoleiro grego tinha um estilo de  aplicar justiça igual aos métodos empregados pela Rede Globo. Suas vítimas eram espichadas sobre uma cama. As mais curtas, espichava. As maiores, cortava para que ficassem do tamanho da cama.

Assim são as informações da Rede Globo, corta ou espicha dependendo da vítima. Por exemplo, se preocupa com os pedalinhos do Lula mas silencia a respeito dos envolvidos com um heliPÓptero com 450 kg de pasta base de cocaína. Nada diz a respeito da Lista Falciani do HSBC, da Lista de Furnas, da Lista Odebrecht, do Panama Papers, onde aliás está de corpo, alma e triplex (sob o manto da Mossack & Fonseca). A Globo entende tudo dos filhos do Lula, mas nada diz a respeito do filho de FHC com a funcionária Miriam Dutra, ou de Paulo Henrique Cardoso, de Luciana Cardoso. A Rede Globo nunca deu espaço em seu Jornal Nacional para falar da participação de sua filial RBS, pega na Operação Zelotes, ou Zelotsky como carinhosamente apelidam os gaúchos, decorrente dos escândalos no CARF.

Golpistas (4)

Sonegação, Meritocracia, Choque de Gestão são assuntos tratados ao melhor estilo Procusto. Meritocracia acontece quando um estudante no Rio de Janeiro, com apenas 17 anos, ganha emprego em Brasília. Quando ganha de presente de parentes emprego de vice-presidente das Loterias da Caixa. Quando constrói aeroportos com dinheiro público em terras de familiares. Quando uso o helicóptero do estado para transportar familiares e amigos. Quando é preso bêbado, sem carteira de trânsito e ainda assim não vira escândalo.

Para quem se interessa, há um livro disponível em “.pdf” na internet, a História Secreta da Rede Globo, escrita por Daniel Hertz. Há também um documentário que a Globo conseguiu proibir sua divulgação no Brasil, mas que também está disponível para quem quer conhecer um pouco melhor a respeito do modus operandi da famiglia mais siciliana do Brasif, Muito Além do Cidadão Kane.

grupos mafiomidiaticos

Dado o golpe, a Globo recomeça um período de purificação. Aos poucos entrega os anéis para ficar com os dedos. Mas jamais entrega o rubi, o PSDB. Estes são monstros sagrados. E não só para a Globo, mas também para o Estadão, Folha, RBS, Poder Judiciário, MPF. Como confessou o deputado gaúcho Jorge Pozzobom, o PSDB tem imunidade e, por isso, pode traficar, dirigir embriagado, ser decadelatado, que continuará como se fosse um partido de vestais.

Despois do Golpe, o STF afasta CUnha. Depois do Golpe, a Rede Globo ataca CUnha. Depois do Golpe, a Folha e Estadão, sempre a serviço do José “tarja preta” Serra, soltam pequenas notas contra Aécio Neves. Depois do golpe, cospem em quem sujou as mãos por eles.

Grupos Mafiomidiaticos

Os EUA invadiram a Itália pela Sicília. Não foi uma escolha aleatória. Houve um acordo com a máfia. Foram recebidos com tiros de festim. É mais ou menos isso que está acontecendo no Brasil.

Os cleptocratas adentram ao Palácio do Planalto sob tiros de festim. O Paraguai os reconhece.

Ressurge a Cleptocracia!

13/05/2016

Os Varões de Plutarco da Rede Globo, STF e MPF

A-CASA-GRANDE-VOLTOU

29/03/2016

Sob a batuta da Globo, MPF conduz o Golpe

pozzobomA seletividade do MPF é serventia da casa. Desde os tempos de Geraldo Brindeiro, mais conhecido como Engavetador Geral, o MPF vem caçando uns para acobertar outros.

Rodrigo de Grandis levou este lema ao paroxismo.

Queremos um MPF padrão Suíça e não artífices do Golpe Paraguaio!

Na terra onde se lavava mais branco, agora se apura mais rápido. José Maria Marin foi preso na Suíça. Dependesse do MPF brasileiro estaria por aqui ainda roubando medalhas. Paulo Salim Maluf, desde sempre notório larápio, embora não possa sair do Brasil, continua agindo como impoluto Varão de Plutarco, participando das atividades políticas devidamente salvaguardado pelo MPF.

E o que se dizer do Eduardo CUnha, ardoroso golpista, festejado e amplamente respaldado desde os tempos de PC Farias?! A Suíça fez seu trabalho, colheu provas e mandou material encadernado e o MPF… nada. Quantos minutos o Jornal Nazional Socialista dedicou ao seu bendito fruto? Quantas capas a Veja propôs em homenagem ao seu dileto filho? Nadica de nada. Por isso o MPF é tão indigente com os meios protegem. Se não sai na Veja, se o JN não manda, o silêncio dos grupos mafiomidiáticos é o melhor comparsa do engavetamento.

O Aécio Neves é octa delatado. Cadê as capas da Veja e os sagrados minutos da Rede Goebbels? Silêncio conspícuo! E o MPF dobrando a esquina do compadrio. E tudo isso é compreensível pela revelação, uma parte esnobe outra parte uma bofetada, do deputado do PSDB gaúcho, Jorge Pozzobom, no Poder Judiciário.

Só o compadrio de instituições que recebem religiosamente dos cofres públicos pode explicar porque uma decisão contra Lula sai em 28 segundos, mas contra Eduardo Cunha, Aécio Neves, RBS, Gerdau, Rede Globo, Paulo Maluf, José Maria Marin, Ricardo Teixeira, Andrea Neves, Agripino Maia, Fernando Francischini, José “Tarja Preta” Serra, Geraldo Merenda Alckmin, Beto Richa, Augusto Nardes… NUNCA!

A verdade é que a Casa Grande sempre pode contar com seus capitães de mato no MPF.

21/02/2016

O que têm em comum Brasif e Aécio Neves? MPF…

Filed under: Aécio Neves,Brasif,Impunidade,MPF — Gilmar Crestani @ 3:05 pm
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Já entendeu o precisa desenhar porque o helipóptero virou pó?!

O MPF se tornou um partido político?

O MPF se tornou um partido político?

sab, 20/02/2016 – 18:59 – Luis Nassif

Já são três citações sobre Aécio Neves na Lava Jato.

A primeira foi quando o doleiro Alberto Yousseff passou informações detalhadas sobre as propinas de Furnas para Aécio. O Procurador Geral da República Rodrigo Janot mandou arquivar.

Ontem, o Ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal) acatou novo pedido de Janot e arquivou o inquérito aberto para apurar as menções do delator Ceará a Aécio alegando contradições nos depoimentos.

Para ser arquivado, é porque foi aberto um inquérito. Só se soube do inquérito quando do anúncio do arquivamento. Sigilo absoluto, enquanto vazavam informações sobre o senador Fernando Collor (até objetos íntimos foram alvo de vazamento) e sobre o deputado Eduardo Cunha.

Em casos similares, de contradições nos depoimentos, como em relação ao senador Lindberg Farias, ocorreu o oposto. Paulo Roberto Costa disse que o ajudou através de Yousseff. Em delação, Yousseff garantiu que nunca viu o senador. O caso tornou-se público e Janot ordenou que o inquérito prosseguisse. Dois pesos, duas medidas.

Ao mesmo tempo, Janot mantém na gaveta da PGR o inquérito aberto contra Aécio em 2010, por lavagem de dinheiro em uma conta em Liechtenstein em nome de uma offshore com sede em Bahamas. E empenhou-se pessoalmente em derrubar o inquérito aberto contra o senador Antonio Anastasia.

Enquanto isto, a Lava Jato trata como escândalo instalação de torres de telefonia em Atibaia e os procuradores do Distrito Federal vazam inquérito sobre os financiamentos do BNDES, sem ouvir o outro lado, escandalizando até informações banais – como o fato de uma cliente contumaz do BNDES, como a Odebrecht, liberar financiamentos em prazo inferior ao de um novo cliente.

Na primeira fase, a Lava Jato identificou brilhantemente todo o esquema de corrupção, inclusive prendendo os corruptos. Foi um período saudado pela recuperação de parte do dinheiro roubado.

Na segunda fase, perdoou um a um os delatores que aceitaram entrar no jogo político – que consistia em delatar os políticos do lado de lá e nada falarem sobre os do lado de cá.

A luta contra a corrupção foi um álibi para a luta política. Agora poderão voltar à sua vida normal, como Yousseff depois da delação premiada no caso Banestado.

Lição que fica: você pode praticar tranquilamente sua corrupção, desde que aceite fazer o jogo político dos seus inquisidores.

O caso Fifa

Sobre a cooperação internacional nas investigações do FBI sobre a FIFA.

1.         A Globo é peça central nos episódios, pois fechou os maiores contratos de transmissão com Ricardo Teixeira e João Havelange. Em todos os países, a emissora e a empresa de marketing formam um todo único. É o caso da empresa de J.Hawila com a Globo.

2.         Os Ministérios Públicos da Argentina, Uruguai, Chile, México há mais de um ano enviam  regularmente informações ao FBI para apuração dos crimes da FIFA, dentro do modelo da cooperação internacional,. O Brasil é o mais atrasado dos países da América Latina, o que tem provocado estranheza no próprio FBI.

3.         O MPF solicitou ao FBI as informações levantadas sobre a conexão brasileira do escândalo. No Rio de Janeiro, uma juíza de primeira instância barrou o envio e ordenou a devolução do material. Esse episódio ocorreu há um ano. Até hoje o MPF não logrou derrubar a determinação.

O que separa países civilizados de repubiquetas é o exercício da isonomia, a noção de que a aplicação da lei pressupõe o primado da isonomia.

Pergunto: por acaso o Brasil tornou-se uma republiqueta, para aceitar passivamente essa quebra total de isonomia?

Pode ser que sim. Pode ser que não.

Mas não dá mais para esconder-se das críticas sob o argumento de que há interesses ocultos da parte dos críticos. Pouco a pouco, a imagem do poder defensor da cidadania, dos direitos difusos, o avalista dos tratados internacionais, vai se diluindo e abrindo espaço para uma imagem pouco dignificante, dos que se deixam seduzir pelo excesso de poder.

O MPF se tornou um partido político? | GGN

26/01/2016

Procurando bem, todo mundo tem…

Esse procurador aí não sabe de nada. Bastaria conversar com seus colegas com os delegados da PF, pois todos sabem, o foco sempre foi e será Lula. A caça ao Lula é o prêmio que pode render uma estatueta da Rede Globo comprada com o dinheiro sonegado.

E tudo parece mancomunado para escantear na Zelote  os grandes financiadores ideológicos,  Gerdau & RBS. Não é sem motivo que a RBS esteve no consultório sentimental da Procurada Chefe do RS quando ambos fizeram um estrondoso silêncio sobre a Zelotes. Pelas mesmas razões que a Lista Falciani do HSBC sempre contou com o silêncio concupiscente do trio parada dura PF/MPF/mídia. Veja que que coincidência, ninguém mais fala no Eduardo CUnha. Os 300 mil do Aécio viraram pó. Os U$ 100 mil do FHC na Argentina também vazaram para as Malvinas. Mas Lula, seus filhos, noras e cunhadas do Vaccari não têm sossego.

De tudo isso sobra que a propalada escalada do MPF contra a corrupção é diversionismo. Querem apenas eliminar a concorrência na corrupção. A seletividade, como diria aquela Ministra do STF, é fundamento jurídico que prescinde da teoria do domínio do fato 

Como sabemos, a direita golpista, mídia e seus financiadores ideológicos, são a verdadeira Ciranda da Bailarina dos Saltimbancos:

Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem

‘Não existe ato de Lula que seja alvo de investigação’

:

Procurador da República Frederico Paiva, que atua na Operação Zelotes, disse não ter entendido o motivo de a Polícia Federal ter ouvido Lula, uma vez que ele não é investigado; "Não entendi o motivo de o delegado ter ouvido o Lula neste caso", disse, no intervalo das audiências que ocorrem nesta segunda; "Ele não consta no rol de investigados. Em nenhum momento existe algum ato praticado por ele que tenha sido objeto [de investigação]"; o representante do Ministério Público ressaltou ainda que "o foco da investigação é o tráfico de influência e corrupção no Carf"; na última semana, o advogado Cristiano Martins, que defende Luis Claudio Lula da Silva no processo da Zelotes, disse que as investigações mudaram o foco para a suposta "compra" de medidas provisórias para atingir o ex-presidente

25 de Janeiro de 2016 às 15:49

247 – O procurador da República Frederico Paiva, que atua na Operação Zelotes, afirmou não ter entendido o motivo de a Polícia Federal ter chamado o ex-presidente Lula para depor no caso, uma vez que ele não está entre os investigados no caso.

"Não entendi o motivo de o delegado ter ouvido o Lula neste caso", disse o procurador, no intervalo das audiências que ocorrem nesta segunda-feira 25 e que devem se estender até quarta 27. "Ele não consta no rol de investigados. Em nenhum momento existe algum ato praticado por ele que tenha sido objeto [de investigação]", acrescentou, segundo reportagem de Letícia Casado, do Valor Econômico.

Questionado sobre o que a PF poderia querer saber sobre Lula, Paiva respondeu: "Tem que perguntar ao delegado, não para mim". Segundo ele, "em nenhum momento, a denúncia relata que houve por parte da Presidência da República, seja lá qual for, uma compra direta [de medidas provisórias]".

O representante do Ministério Público ressaltou ainda que "o foco da investigação é o tráfico de influência e corrupção no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais)". A Operação Zelotes, que começou apurando um esquema que beneficiava empresas com dívidas na Receita Federal, mudou sua linha para a "compra" de MPs.

Na última semana, o advogado Cristiano Martins, que defende o empresário Luis Claudio Lula da Silva, filho de Lula, no processo da Zelotes, disse que as investigações mudaram o foco para atingir o ex-presidente. "Ela nasceu para apurar um suposto desvio de R$ 19 bilhões em fraudes no Carf, mas virou um instrumento de perseguição e de tentativa de incriminar o Luis Cláudio para atingir o Lula", apontou.

‘Não existe ato de Lula que seja alvo de investigação’ | Brasil 24/7

24/01/2016

De Ratos e Homens

Se vivo e brasileiro fosse, John Steinbeck teria de se reinventar para escrever um segundo volume. Material, como se pode ler abaixo, não lhe faltaria. Até seria fácil atribuir ao MPF/PF a responsabilidade por caberem neste retrato, mas o enquadramento foi moldado pelos a$$oCIAdos do Instituto Millenium. Estatuetas, afagos e holofotes transformaram uma instituição que, nos tempos de FHC, arrancava maconha no polígono das secas em golpistas. A PEC 37 deveria se chamar PEC 171, pois transformou fiscais da lei em juristas.

Se é verdade, como diz o Marcelo Auler, abaixo, que a Polícia Federal cortou na própria carne para se reinventar, o MPF sequer cortou as próprias unhas. E como elas cresceram…

Como personagens paridos pela imaginação do escritor ianque a partir de uma realidade econômica recessiva, George e Lennie estariam hoje representando MPF/PF, com a diferença que a tragédia não seria mero acaso, senão de caso pensado. Até a recessão parece ser um meio cujo fim é o golpe paraguaio. Enquanto aquelas personagem derivam da recessão, a força das nossas ratazanas dependem do avanço da recessão que buscam com todas as forças criar.

Polícia Federal ontem e hoje: de FHC à Dilma Rousseff

20 de janeiro de 201623 de janeiro de 2016Marcelo Auler

Marcelo Auler

Pollícia-Federal-BrasãoNa primeira metade dos anos 90, a Polícia Federal do Rio foi comandada por delegados bastantes problemáticos. Que o digam os procuradores da República que ingressaram na instituição naquele período, Passavam um dobrado, por não confiarem em muitos dos policiais lotados na Superintendência Regional  (SR/DPF/RJ).

Um destes ex-superintendentes, Eleutério Parracho, foi expulso da Polícia Federal junto com outros agentes após extorquirem 2 milhões de dólares – o pedido inicial era de 10 milhões de dólares – da direção latino-americana do Israel Discount Bank. Outro, Edson Antônio de Oliveira, envolveu-se também em concussão e no recebimento de mesadas dos bicheiros do Rio. Sua expulsão foi proposta em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Injunções políticas levaram o então ministro da Justiça, Nelson Jobim, a rejeitar a demissão. Ele só saiu do DPF, por força de sentença judicial transitada em julgado, depois de ser preso, em 2012, 25 anos após o crime contra dois comissários da antiga Varig; 15 anos após a primeira sentença. Morreu brigando na Justiça pela sua reintegração.

Um terceiro ex-superintendente foi acusado pelo Ministério Público Federal de usar o carro apreendido com um traficante, tal como o juiz Flávio Roberto de Souza, pego dirigindo o Porshe de Eike Batista que ele mandara apreender. O detalhe importante é que o ex-superintendente tinha carro oficial e motorista. Ainda assim, durante o seu expediente de trabalho, o carro do qual tornou-se fiel depositário era multado por excesso de velocidade na Linha Vermelha. Recebi as multas do próprio traficante, um advogado recolhido à prisão especial de Benfica. Até hoje ignora-se quem dirigia o carro enquanto o superintendente trabalhava. Assim era a Polícia Federal dos anos 90.

Em 1995, fações do tráfico disputavam, com armas importadas, o domínio das comunidades da cidade. Isso fez o coordenador do Viva Rio, Rubem César Fernandes, mobilizar a sociedade em busca da paz. Com o apoio integral dos representantes dos três principais jornais da cidade – João Roberto Marinho (O Globo), Kiko Nascimento Brito (JB) e Walter Mattos (então em O Dia) – foram ao presidente Fernando Henrique Cardoso pedir maior atuação da Polícia Federal no estado, a começar pela sua Superintendência, um órgão sob suspeita.

A ação da equipe do delegado Onézimo Sousa foi saudada pelos jornais do Rio, com o Globo de 12 de setembro de 1995 - reprodução

A ação da equipe do delegado Onézimo Sousa foi saudada pelos jornais do Rio, com o Globo de 12 de setembro de 1995 – reprodução

FHC ordenou e o diretor geral do DPF, Vicente Chelotti, mandou uma equipe investigar como as armas e drogas entravam no Rio. O encarregado do trabalho foi o hoje delegado aposentado Onézimo Sousa, que desembarcou na cidade com sua própria equipe.

Em poucos meses e após muitos percalços – um carro que achavam que ele usava foi baleado, seu quarto de hotel foi invadido e revirado – Onézimo voltou à Brasília com provas de policiais federais envolvidos na criminalidade. Reivindicou a prorrogação da sua estada no Rio para aprofundar o trabalho.

Reuniu-se com Chelotti e com diretor de Inteligência Policial (DIP), o hoje ex-deputado federal pelo PMDB e candidato a deputado derrotado pelo PSDB, delegado aposentado Marcelo Itagiba, Ele é um dos que aparecem no Youtube acusando o governo de Dilma Rousseff de querer esvaziar financeiramente a Polícia Federal.

Na época, o pedido de Onésimo girava em torno de um valor irrisório para diárias do hotel e alimentação, algo em torno de R$ 20 mil. Não se falava em corte de orçamento, antes pelo contrário, o presidente FHC, como noticiou O Globo na reportagem acima, instruiu Chelotti a não poupar recursos nem pessoal naquela missão. Onézimo, porém, como recordou nesta quarta-feira (20/01), ouviu um sonoro não da direção do DPF. “Alegaram falta de recurso, mas os motivos eram outros”, desabafou.

Ou seja, não era verba, mas falta de vontade política da direção do DPF. Impediram a continuação do trabalho que o presidente da República prometera ao Viva Rio. Mais ainda, anos depois, não sabiam onde estava o material entregue por Onézimo com as gravações das escutas de telefonemas de traficantes investigados.

Em 2003, não foi mera coincidência, mas um sinal de mudança de rumo. Ao assumir a direção do DPF, com total apoio do ministro Marcio Thomaz Bastos e, ainda , do presidente Lula, o delegado Paulo Lacerda deu início às operações policiais que hoje viraram rotina, cortando na própria carne, para dar exemplo. Foi a Operação Sucuri, em Foz de Iguaçu, que prendeu policiais federais e Auditores da Receita Federal envolvidos com o contrabando e o descaminho de mercadorias. Entre eles estava o agente Newton Ishi, hoje mais conhecido como japonês bonzinho.

Revista Art. 5ª, edição 43, março/abril de 2015

Revista Art. 5ª, edição 43, março/abril de 2015

Tudo isso me veio à memória ao cair nas minhas mãos um número atrasado da Revista Art. 5ª,  edição nº 43, dos meses de março/abri de 2015. Trata-se de uma revista da Associação Artigo 5º – Delegados e Delegadas da PF para a República e a Democracia. A Associação, cujo nome é uma referência ao artigo da Constituição com Direitos e Garantias Fundamentais, tem por objetivo algo inusitado no meio policial: defender os Direitos Humanos (DH), motivo pelo qual, segundo alguns policiais, não tem muitos sócios: “DH é tema ainda espinhoso na instituição, em que pese a PF ter uma diretoria voltada para os Direitos Humanos”.

Já na capa há uma chamada que despertou interesse: “Aos 71 anos, mais do que crimes, a PF revela o cinismo da sociedade”, E continua, questionando:

Se a corrupção “passou dos limites”, qual o limite anterior? O dos governos passados? O dos escândalos não apurados ou arquivados? Quem figura nas  centenas de inquéritos que tramitam em sigilo na PF distante da grande mídia?”

O principal artigo – Da Satiagraha à Operação Lava Jato – é assinado pelo delegado federal aposentado Armando Rodrigues Coelho Neto. A ele, injustamente, relacionei uma postagem sobre o salário de Paula Rousseff Araujo, filha da presidente Dilma, na matéria Briga por verba reflete a briga contra Dilma na PF.

Também da autoria dele, o Jornal GGN, de Luis Nassif, postou, nesta quarta-feira (20/01) outro artigo interessantíssimo, que recomendo a leitura: Para não dizer que não falei do Moro,

Na reportagem que escreveu na Revista Art. 5º ele, que vivenciou muitos anos de Polícia Federal, historia como a instituição chegou ao que é hoje – inclusive com um  plano de marketing para retirá-la do atoleiro em que estava e um financiamento pedido no governo de FHC junto à França. Mas, mostra também os riscos que se corre hoje. Um artigo que, pelo que apuramos, provocou ira e revolta em muitos delegados, como mais uma demonstração do racha que existe na categoria. Por achá-lo atual e interessantíssimo, trouxe para o blog:

Da Satiagraha à Operação Lava Jato

Armando Rodrigues Coelho Neto, Delegado Federal aposentado e jornalista

DPF Armando Rodrigues Coelho Neto, contra o impeachment, crítico à Operação Lava Jato e discordando do encaminhamento da campanha salarial que seus colegas fazem

DPF Armando Rodrigues Coelho Neto, contra o impeachment, crítico à Operação Lava Jato e discordando do encaminhamento da campanha salarial que seus colegas fazem

Excessos de otimismo à parte, a Polícia Federal já foi atacada de todas as formas, conforme a conveniência do opositor. Já foi rotulada de Polícia da Ditadura, Polícia do Fernando Collor de Mello, Polícia do Fernando Henrique Cardoso ou Polícia do Lula (Luiz Inácio Lula da Silva).Todas as expressões foram empregadas com sentido pejorativo. E, como dito, ao sabor do opositor, pois durante a Operação Satiagraha, ação policial voltada contra o desvio de verbas públicas, a corrupção e a lavagem de dinheiro (quando vários banqueiros foram presos) a dinâmica deu margem a expressão “Estado Policial”. Uma velada alusão ao estado policialesco.

O resultado concreto da Satiagraha foi a anulação de peças e até de inquéritos. O banqueiro Daniel Dantas foi preso e libertado duas vezes e um dos habeas corpus teria sido despachado na calada da noite, assinado pelo juiz Gilmar Mendes, o mesmo que criticou a “escandalização da prisões” da PF e que hoje, controvertidamente, aplaude os escândalos protagonizados durante a Operação Lava-Jato.

No inventário da Satiagraha, o juiz Fausto De Sanctis (o Sérgio Moro de então) foi processado administrativamente. Já o delegado federal Protógenes Queiroz, acuado pela imprensa e pela própria instituição, exilou-se numa candidatura. Apesar dos quase 200 mil votos, precisou ser arrastado pelo palhaço Tiririca (também candidato e campeão de votos) para eleger-se deputado federal. Protógenes ficou imune temporariamente, mas ao não se reeleger, voltou à PF e foi demitido. Hoje, administra uma polêmica tentativa de volta à instituição.

Todo esse barulhaço, porém, teve origem num trabalho de marketing que começou, não necessariamente com esse objetivo, no final do governo Fernando Henrique Cardoso – uma fase obscura da Polícia Federal. Naquela época, tempos em que a França ainda dispunha de algum dinheiro, aquele país emprestou ao Brasil considerável verba destinada à aplicação na área de segurança, beneficiando particularmente a Polícia Federal. O dinheiro, entretanto, estava vinculado a um planejamento operacional. Sem planejamento para a aplicação da verba, o dinheiro não seria liberado, embora já creditado na contra do Brasil.

Delegado Federal José Francisco Mallmann - Reprodução Governo RS

Delegado Federal José Francisco Mallmann – Reprodução Governo RS

Tempos angustiantes para o eficiente delegado federal José Francisco Mallmann, integrante da cúpula da PF, em Brasília/DF, um dedicado servidor que gerenciava crises policiais do governante da época.

Em uma delas, para atender reclamos da sociedade, criou-se o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal (Funapol), voltado para o custeio e manutenção das atividades da Polícia Federal (PF).

      O fundo, que seria uma melhoria de caixa da PF, muito cedo veio a cair na vala comum do orçamento da União e nada, praticamente nada, passou a retornar à instituição.

Pois bem, Mallmann vivia em busca de alternativas e aliou-se a uma legião de servidores da instituição. Dessa união resultou um grupo para criar um planejamento quinquenal para o uso da tal verba da França, um empréstimo, aliás, sobre a qual o Brasil já pagava juros mesmo sem usar, e não o usava, pasmem (!) por falta de planejamento.

Um ano de trabalho transcorreu, no qual delegados, peritos, agentes, escrivães e servidores administrativos, alojados na Academia Nacional de Polícia (Sobradinho/DF) empenharam-se e criaram um planejamento plurianual para aplicação da verba em cinco anos.

O Ovo da Galinha e a Escandalização – Teve início a elaboração de um Plano Quinquenal que descia a detalhes, inclusive o de dar visibilidade à Polícia Federal. E um dos motivos ocultos pode ser revelado agora: uma briga que sobrevive até hoje com o Ministério Público Federal, já que as queixas internas eram e são frequentes. “Nós trabalhamos e os que aparecem são os procuradores da República”. Um publicitário que participou dos trabalhos disse então, durante uma sessão de atividades, que “o ovo da galinha faz mais sucesso do que o da pata porque ela faz mais barulho quando o põe”…

Operação Satiagraha  - Foto Fenapef

Operação Satiagraha – Foto Fenapef

Nessa trilha da PF em ação, concretizado o plano, o barulho do ovo da galinha veio através de diligências pirotécnicas e controvertidas com nomes esquisitos (grotescos ou pitorescos) que caíram no gosto popular. Servem de exemplo as operações Gasparzinho, Alegoria da Caverna, Carniça, Pintando o Sette, Trem Fantasma e a atualíssima Lava-Jato, entre tantas.

Uma mão na roda para o governo Lula, que foi içado à Presidência da República lastreado por um discurso popular. O Planejamento Quinquenal da PF não foi um parto tranqüilo, pois de início, sofreu forte influência de um ex-graduado militar egresso da Marinha que pôs em prática um tal Método Grumbach de Gestão Estratégica, que através de uma suposta metodologia de computador geraria um processamento de análises prospectivas. Leia-se, projeção lógica do que poderia acontecer.

Dessa metodologia surgiu como prioridade algumas “ameaças”, tais como a suposta criação de “Estado Indígena” na região do Amazonas, um ataque ao Brasil por fronteiras, entre outras conclusões “científicas”. Pelo método, várias autoridades de diversos segmentos sociais respondiam questionários e do cruzamento das respostas sairia o veredicto. Aliás, um dos questionários recebeu uma irônica resposta do polêmico comentarista da Globo News, Diogo Maninardi. Com nítidos contornos de ideologia militar, originariamente, a conclusão do plano foi recebida com restrições pelos participantes. O cheiro de caserna foi espantado a muito custo (leia-se debates acalorados). Finalmente, o resultado “científico”, sob pressão, atribuiu ao combate à corrupção a prioridade máxima.

“Nós só temos um problema no Brasil, que é a corrupção. Os outros são consequências, derivações dela”, comentou à época Armando Rodrigues Coelho Neto, integrante do grupo e hoje editor da revista Artigo 5º.

E assim, com pompa e circunstâncias, com cerimônia de entrega e tudo, dentro da Academia Nacional de Polícia, o delegado federal José Francisco Mallmman, ladeado pelo então diretor-geral da instituição, Agílio Monteiro Filho, deu-se a entrega do primeiro Planejamento Quinquenal da Polícia Federal. Um trabalho a ser repassado ao vencedor do pleito eleitoral de 2002. Na prática, um conjunto de enunciados de prioridades consubstanciadas sob o princípio do “Não importa quem vença as eleições; se José Serra (PSDB) ou Luis Inácio Lula da Silva (PT). O plano é republicano”. Venceu Lula, que ao receber cópia do documento, e, ao conhecer seu conteúdo, disse:

“esse é o plano de meu governo para a Polícia Federal”.

HSBC Gate e Operação Zelote – Aos poucos, a PF mostrou sua nova face, ainda que tropeçando na apelidada “testosterona policial”, numa alusão a ousadia dos novos delegados da PF, “acima do bem e do mal”, como ironizou uma juíza federal de Pernambuco. As interceptações telefônicas, ainda que autorizadas pela Justiça, pareciam ter saído do controle, dando margem até ao folclórico “grampo” do então presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, cujo áudio nunca foi ouvido e nunca se provou que tenha existido.

A denominada “grande mídia” encarregou-se de propalar a onda do grampo, alardeando o tal “Estado Policial”. Desse modo, palavra como “busca” passou a ser tratada editorialmente por “devassa” ou “invasão” e reverberou à exaustão a apologia da privacidade, pouco importando o que estavam a revelar as interceptações telefônicas.

Em nome do princípio da legalidade, hoje aparentemente tão negligenciado, juristas e jornalistas de todos os expoentes teceram loas a esse mesmo princípio – valores nobres inseridos na Constituição Federal. Mas, logo passaram a negar, embalados pelo partidarismo eleitoral. Hoje, a grande mídia, em plena lua de mel com a Polícia Federal, já não prioriza mais aqueles princípios.

Cinismo e hipocrisia – Pelas novas regras, valem o interesse público, os vazamentos seletivos, enquanto os institutos da ampla defesa, presunção de inocência só são lembrados em cantos de páginas de jornal.

Por força da ação da PF, antes mesmo de revelar crimes, involuntariamente, a instituição deixou à mostra os pilares da esquálida democracia no Brasil, para logo a seguir revelar o cinismo e a hipocrisia. Era como se a massa crítica nacional acreditasse em capitalismo samaritano e que as doações de campanha não tinham e nunca tiveram retorno para os doadores.

Parte do dinheiro envolvido na Operação Zelotes, que poParte do dinheiro envolvido na Operação Zelotes, que pode ser maior que a Lava Jato Reprodução CartaCapital - 28/03/2015

Parte do dinheiro envolvido na Operação Zelotes, que pode ser maior que a Lava Jato Reprodução CartaCapital – 28/03/2015

Será que a sociedade nunca soube ou presumiu que havia corrupção? Sem arriscar resposta, melhor lembrar que recentemente, 8 mil contas de brasileiros apareceram no escândalo do banco britânico HSBC. Nesse “HSBC Gate”, o Brasil figura entre os quatro países com o maior número de clientes. Dinheiro honesto à parte, existem valores frutos de evasão de divisas, sonegação fiscal, tráfico de droga, contrabando, corrupção. Sobre isso, paira o silêncio da grande mídia e nem se tem notícia de vazamentos seletivos ou interesse público.

Esquecido o “HSBC gate”, logo após, veio Operação Zelote da PF, que trouxe à tona sonegação fiscal que atinge R$ 580 bilhões, com envolvimento de grandes empresas, inclusive multinacionais.

A Artigo 5º dedicou a edição nº 37 (março/abril/2014) ao tema corrupção e uma das denúncias ali contidas foi:

Até 1999, a Alemanha permitia que a propina paga em países como o Brasil fossem deduzidas do imposto de rendas das matrizes das empresas naquele pais, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Quem eram os governantes de então? Que fatos da dimensão ora apontadas fujam do conhecimento ou compreensão da grande massa de analfabetos ou semi é compreensível. Mas que escapem às análises dos expoentes jurídicos, econômicos e da grande mídia parece improvável. Soa, portanto, como falsa a perplexidade e ou surpresa da massa crítica nacional, diante do que a Polícia Federal vem revelando.

“É claro que a circunstância dos fatos estarem a mostra agora não absolve culpados atuais e passados, mas deixa evidente a hipocrisia e o desinteresse dos “grandes debatedores”, que não aprofundam o tema. Pelo contrário, fulanizam e partidarizam-no. O fazem a tal ponto de arranhar a credibilidade não apenas de investigantes, mas do Ministério Público e Justiça Federal, com descarado apoio da dita “grande mídia”.

A PF está mais forte não apenas por ter posto em prática um Plano Quinquenal de ações – já prorrogado por mais quinze anos. Mas também porque, paradoxalmente, só no Governo da presidenta Dilma Rousseff foram sancionadas 13 leis e/ou normas que a fortaleceram. A regulamentação da lei de Colaboração Premiada está entre essas normas. E, de longe, a PF recebeu nos doze últimos anos mais e melhores recursos materiais e humanos do que em quaisquer outros.

Sobrevivem, no entanto, insatisfações internas entre integrantes da categoria, atualmente agravado pelo contingenciamento de verbas aplicado em todas as áreas, mas que muitos insistem em tratar como “desmonte” da PF, como se caso único fosse. Na prática, um forte apelo popular em nome da “Operação Lava Jato”, que vem apimentando uma justa campanha salarial, ainda que viciada pelo tenso clima político”.

Polícia Federal ontem e hoje: de FHC à Dilma Rousseff | Marcelo Auler

 

Como polícia e MP transformavam inquéritos policiais em políticos

Como polícia e MP transformavam inquéritos policiais em políticos

seg, 18/01/2016 – 20:27 – Luis Nassif

A Polícia e o Ministério Público da Guanabara valeram-se de um inquérito policial para levantar dados e efetuar vazamentos contra adversários políticos

Hoje em dia, Jorge Serpa Filho passa seus últimos dias em casa, já sem falar coisa com coisa. Se alguém telefona para lá e ele atende, imediatamente acerta um almoço com a pessoa. Em seguida, sua esposa pega o telefone para se desculpar.

Mas já foi bastante influente.

Passaram por suas mãos desde a redação dos editoriais de Roberto Marinho aos discursos de Mário Covas, o tal “choque de capitalismo”, e os discursos de Fernando Collor, seu adversário.

Ligado a Augusto Frederico Schmidt e San Tiago Dantas, foi influente também antes de 1964. Foi íntimo de JK, Jango, testemunhou os principais episódios políticos da época.

Por sua influência, ganhou o cargo de diretor financeiro da Manesmann, que se instalava em Belo Horizonte. Acabou se envolvendo em uma operação de colocação de títulos da empresa no mercado e foi preso em 1965.

A Polícia e o Ministério Público da época julgaram que ele poderia ser o caminho para se atingir politicamente os inimigos do regime.

Serpa pertencia ao influente grupo de Schmidt que tinha, entre outros, o futuro governador do Rio Negrão de Lima. Também era próximo a Walter Moreira Salles.

No dia 8 de julho, apesar da sede da Manesmann ser em Belo Horizonte, Serpa foi intimado a prestar um depoimento à Delegacia de Defraudações da Guanabara. O procurador geral do Estado designou o promotor Nilton Barros de Vasconcellos para acompanhar pessoalmente o depoimento.

O interrogatório foi acompanhado pelo superintendente de polícia judiciária, Sales Guerra. Os repórteres testemunharam ele, várias vezes, telefonando para o Secretário de Segurança, coronel Gustavo Borges, para informa-lo do andamento do interrogatório.

O depoimento foi acompanhado por seu advogado. Tude da Lima Rocha, assessorado por Reinaldo Reis, ambos colegas de Serpa na Faculdade de Direito.

Delegado e promotor pouco estavam interessados no escândalo da Manesmann. As quatro laudas de perguntas do delegado Ilo Salgado Bastos pouco se referiram à Manesmann. Serpa foi obrigado a responder sobre suas ligações com Walter Moreira Salles, Negrão de Lima, com ex-auxiliares de Juscelino Kubitscheck e João Goulart.

A Polícia queria saber se era verdade que esses personagens recebiam jetons de Cr$ 3 milhões da Manesmann.

Nos corredores, delegados vazavam informações aos repórteres de que Negrão de Lima seria o próximo a ser ouvido.

Queriam saber também de onde saiu o dinheiro para a compra do apartamento que tinha na avenida Atlântica.

Serpa não negou suas ligações com Negrão, JK e Jango, e os demais, “mas fez questão de botar as coisas no seu devido lugar”.

O advogado Tude classificou como absurdo jurídico a intimação para Serpa depor na Delegacia de Defraudações da Guanabara, sendo que a sede da Manesmann era em Belo Horizonte. E estranhou as perguntas que “remontam até o desembarque de Pedro Álvares Cabral no Brasil”.

Serpa estava sem dormir há três noites e se sentiu mal durante o interrogatório.

N dia 12 de julho de 1965, em editorial o Jornal do Brasil denunciou Carlos Lacerda pelas torturas infligidas a Serpa. “Estamos diante de uma acusação frontal de sevícias e torturas praticadas com o mesmo teor de perversidade fanática que tem caracterizado a política política dos estados totalitários, nazistas ou comunistas”.

Nos meses seguintes foi submetido até a pau-de-arara nas dependências do Exército. Até que aderiu à delação premiada e se aproximou do SNI. Dali em diante passou a ser o ghost-writer mais requisitado nos discursos dos militares.

Com base na suposta delação de Serpa, Homero Souza e Silva, amigo e sócio de Walter Moreira Salles, foi intimado a depor na Delegacia de Defraudações.

Nemias Gueiros apresentou-se como advogado. No interrogatório, queriam saber se Homero havia encontrado Serpa na casa de Walter. Era uma pergunta aparentemente ingênua. Mas antes que respondesse, o delegado baixou o tom da voz e alertou-o:

– Pelo amor de Deus, não cite o nome de seu amigo.

A pergunta havia sido colocada no interrogatório apenas para criar um motivo legal para levar Walter à delegacia e incluí-lo no inquérito.

Como polícia e MP transformavam inquéritos policiais em políticos | GGN

Sobre falar merda

MerdaAlguns animais fazem cocô durinho, em pequenas bolinhas. Lebre, cabrito e coelho estão dentre eles. Burros fazem pequenos losangos e os ratos fazem cocô de burro bonsai… Cocô de herbívoros não só não são fedorentos como podem servir para outros fins, como por exemplo, fogo. Cocô de cavalo seco quando acesos podem espantar as moscas da vizinhança. Dizem que muita “erva da boa” com procedência do traseiro destes herbívoros produzem efeitos semelhantes a original. Pelo menos acreditam os que a queimam por engano. Agora descubro que PF/MPF descobriram propriedades jurídicas.

O feito que deve trazer ao Brasil o primeiro Prêmio Nobel. O que me faz lembrar de um livrinho que andei lendo tão logo soube que a Folha tinha contratado, com ares de lavagem de dinheiro, um guri cujo maior atributo é um par de glúteos flácidos: “Sobre Falar Merda”.

Como ensina a Lei Orgânica dos Procuradores de Merda, mentir é diferente de falar merda. O mentiroso esconde fatos que conhece. A mentira é deliberada porque respeita os fatos. Já o mestre em falar merda não está nem aí para os fatos. O que importa é a versão que se quer impor.

No jornalismo tem uma máxima cunhada por Nelson Rodrigues que explica a arte de falar merda: “se os fatos estão contra mim, pior para os fatos”. A Veja vem praticando este dogma há 37 anos. Como “o tempo não para” já passou da hora de levar a sério a seletividade da dupla MPF/PF na louca cavalgada na caça ao grande molusco, fico com mestre Cazuza:

“A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos”…

Compartilho: Lava Jato e a bosta seca

24 de janeiro de 2016Marcelo Auler

Marcelo Auler

Para quem acha que apontar possíveis falhas na Operação Lava Jato é fazer o jogo da defesa ou assumir uma posição petista, compartilho parte da coluna do insuspeito Elio Gaspari, publicada neste domingo (24/01) em O Globo e na Folha de S.Paulo. Não preciso comentar, basta transcrever.

A teoria da ‘bosta seca’ ameaça a Lava Jato
Elio Gaspari

O repórter Janio de Freitas mostrou que o maior inimigo da Operação Lava Jato está em Curitiba. É a teoria da “bosta seca”, enunciada em maio por um procurador. Nela, não se deve mexer em incongruências existentes nos processos contra os larápios. Assim, se um depoimento de Alberto Youssef foi desmentido por Paulo Roberto Costa, seria melhor deixar a bosta em paz.

Janio mostrou coisa pior. Em julho, Paulo Roberto Costa disse o seguinte à Polícia Federal, tratando da figura de Marcelo Odebrecht:

“Eu conheço ele, mas nunca tratei de nenhum assunto desses com ele, nem põe o nome dele aí porque ele não, ele não participava disso”.

A partir dessas palavras os procuradores escreveram o seguinte:

“Paulo Roberto Costa, quando de seu depoimento […] consignou que, a despeito de não ter tratado diretamente o pagamento de vantagens indevidas com Marcelo Odebrecht…”

Puseram o nome de Odebrecht. Seus advogados apontaram o absurdo e requereram ao juiz Sergio Moro a volta do processo à instrução processual. Moro deu uma resposta estarrecedora: “O processo é uma marcha para a frente. Não se retornam às fases já superadas”. Achou que o pedido era “meramente protelatório”, pois as provas pretendidas eram “desnecessárias e irrelevantes”.

O pedido era de fato protelatório, mas Moro pode tentar saber o que houve. Como bosta seca é seca bosta, vamos em frente. Até o dia em que os tribunais de Brasília forem colocados diante dos montinhos de cocô escondidos nos processos”.

Marcelo Auler | Blog do Marcelo Auler, reportagens, denúncias, comentários, polêmicas, histórias do jornalismo, mas acima de tudo um espaço democrático de debate.

12/01/2016

MPF zela pela RBS

Filed under: Golpe Paraguaio,MPF,Operação Pavlova,Operação Zelotes,RBS — Gilmar Crestani @ 11:14 pm
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zelotes 87365_nUm funcionário da RBS foi no gabinete da Procuradora Chefe no RS, Patrícia Weber. Foi uma entrevista ao estilo Ana Maria Braga. Não sei se foi só uma troca de gentilezas ou o estreitamento de uma parceria. O celetista não falou e a Procuradora Chefe esqueceu de falar na Operação Zelotes e na Operação Pavlova. Talvez ela quisesse demonstrar que não se deve falar em corda em casa de enforcado, exatamente quando um funcionário dos enforcados lhe abria os microfones, mas a impressão não melhora a imagem que ficou a respeito de ambas as partes. Da chefe dos procuradores esperava uma postura um pouco mais condizente, afinal, o mote da entrevista era a busca de uma emenda popular patrocinada pelo MPF para combater a corrupção. Por que esta postura subserviente diante de um simples funcionário da Rede Baita Sonegadora? Lembrou de todas as operações, mas esqueceu-se da principal, a que envolvia os patrões do estafeta. De outra banda, com que autoridade a empresa envolvida no ato de corromper pode querer dar lição a respeito dos melhores rumos que se pode dar ao combate à corrupção?! A se acasalarem no combate à corrupção, o MPF & RBS não só não contribuem com a bandeira em que se enrolaram, como deixam a entender, como diria o velho gaudério, Barão de Itararé, que de onde menos se espera, de lá mesmo é que não sai nada.

Se a entrevista foi um contubérnio, outra se fez de maior espanto. O deputado gaúcho, Paulo Pimenta é considerado um D. Quixote em fazer com que as investigações da Operação Zelotes não adormeça nas gavetas dos Rodrigo de Grandis. Por isso mesmo a entrevista que deu aos veículos da RBS parece tentativa de quem quer se homiziar. Não faz sentido alguém que vem sendo achincalhado pela Rede Bunda Suja, que suja a bunda sentado no bando de entrevistado. Paulo Pimenta se soma a outros deputados gaúchos diuturnamente atacados pela RBS mas que no primeiro aceno, como mariposas, se atiram para debaixo dos holofotes.

Para estas personagens parece normal que a RBS pague R$ 11,7 milhões para escapar de R$ 113 milhões. E isso não é exceção. Basta ver que Marice Lima foi presa pelo simples fato de ser cunhada de Vaccari, enquanto outras mulheres continuam soltinhas: Andrea Neves, irmã de Aécio Neves; Cláudia Cruz, mulher do Eduardo CUnha.

Entendeu porque a mídia e seus midiotas tanto falam nos filhos, noras e cunhadas de petistas mas fazem silêncio ensurdecedor a respeito dos verdadeiros corruptores deste país?! Por que ninguém fala no sobrinho do Augusto Nardes? Ou no filho do Aroldo Cedraz? Ah, também não falam dos filhos dos Sirotskys

    Relatório da Procuradoria Federal ao STF sobre o caso da RBS na Zelotes: rastros de uma operação que provoca arrepios

    Postado em 12 de janeiro de 2016 por Juremir

    Mais um capítulo da história da RBS na Operação Zelotes

    Como envolve personalidades com foro privilegiado, a Procuradoria enviou relatório ao STF.

    É o inquérito 4150.

    A relatora é a ministra Carmem Lúcia.

    Resumo da ópera.

    2001: a RBS é autuada. Deve a bagatela de mais de R$ 258 milhões ao fisco. É o resultado de uma operação chamada de casa e separa pela qual se consegue deixar de pagar parte do que se deve ao leão.

    2002: A RBS decide recorrer. Contrata o escritório de advocacia Dias de Sousa para isso. O recurso não leva. A dívida é confirmada.

    2003: Novo recurso da RBS leva a melhor.

    2005: A Fazenda, finalmente informada, recorre.

    2008: Fazenda perde.

    2009 e 2010: guerra de embargos declaratórios.

    2010: Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre recorre. Leva.

    2011: novos recursos da RBS. Vitória definitiva. O escritório contratado leva mais de R$ 7 milhões pelo êxito. Em 2005, contudo, a RBS contratou uma consultoria para cuidar do caso: a SGR, que se associou à N&P, que hoje se chama Planalto. Assinou o contrato pela RBS o hoje deputado Afonso Motta. A Planalto era de Augusto Nardes, que, no mesmo ano, tornou-se ministro do Tribunal de Contas. Assinou pela N&P Juliano Nardes, sobrinho de Augusto Nardes, que só entraria oficialmente na empresa em 2008. Um dos envolvidos na operação RBS citado é José Ricardo da Silva, conselheiro do CARF, órgão encarregado de julgar os recursos contra a Receita Federal, que foi tragado pelo ralo da Operação Zelotes e vê o sol nascer quadrado. José Ricardo teria transferido recursos para a Ecoglobal Autolocadora de Automóveis, empresa de Juliano Nardes, homem da Planalto, etc.

    O material que segue historia cada passo do imbróglio.

    É tão excitante quanto a Regra do Jogo.

    O jogo, no caso, está no tapetão.

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    Juremir Machado da Silva | Blogs

    31/12/2015

    Dallagnol só USA um lado, o de trás

    Que instituição é essa que pede prisão de uma mulher pelo simples motivo de ser cunhada de um petista mas que mantém livre, leve e solta outra só por ser funcionária da Globo e casa com o homem que poderia derrubar Dilma?!

    Falta um 11º mandamento na lista bíblica de Dallagnol

    qui, 31/12/2015 – 06:24 – Atualizado em 31/12/2015 – 08:24 – Luis Nassif

    Há duas maneiras de ler a Lava Jato: pelas manchetes e pelas entrelinhas.

    Já que as manchetes são óbvias, vamos a uma releitura através das entrelinhas do que saiu publicado nos últimos dias.

    ***

    O repórter policial da Folha, Frederico Vasconcellos, divulgou trechos de um trabalho de Ségio Moro de 2004, sobre a Operação Mãos Limpas, da Itália. Já havia sido divulgado e analisado no Blog há tempos. Como é repórter policial, restringiu-se aos abusos para-legais analisados por Moro na Mãos Limpas, e vistas por ele como imprescindíveis para a Lava Jato. Tipo, em linguagem policial: tem que manter o suspeito na prisão o máximo de tempo possível afim de que ele abra o bico.

    ***

    Mais sofisticado, o colunista Mário Sérgio Conti aborda outros ângulos do trabalho, exaustivamente discutidos no Blog. Um deles, o uso desabusado da imprensa, através do vazamento de notícias visando comandar a pauta.

    Aborda também os aspectos geopolíticos da cooperação internacional – a rede internacional de autoridades de vários países, montada inicialmente para o combate à narcotráfico e ao terrorismo e, depois, estendida para outras atividades ilícitas, sob controle estrito das autoridades norte-americanas.

    ***

    Aqui, mostramos claramente que a cooperação internacional tornou-se uma peça da geopolítica norte-americana, visando impedir concorrência desleal de empresas de outros países contra as americanas.

    Conti faz uma baita ginástica para a conclusão óbvia: na cooperação internacional, os Estados Unidos entram com motivação econômica. O óbulo: "Para os toscos,  é um garrote vil do imperialismo norte-americano". Para ele, que é sofisticado, "a corrupção beneficia as burguesias locais, mormente (sic) de países periféricos, em detrimento da classe dominante do Império". E justifica como um gesto de auto-defesa dos EUA – aquele país cujas ferramentas de espionagem não pouparam sequer presidentes de nações amigas.

    ***

    Pelo conteúdo, o artigo foi montado em cima de entrevistas com membros da Lava Jato, que admitem o jogo. Segundo eles, "admite-se que a motivação americana (e não apenas ela) tem boa dose de mercantilismo". Mas, no frigir dos ovos, acreditam que seja benigna, pois "ajuda o Brasil a resolver seus problemas".

    A maneira como as corporações norte-americanas instrumentalizam suas instituições torna o Brasil um peixe fácil. É para ajudar o Brasil a resolver seus problemas que a Lava Jato tratou de criminalizar financiamentos à exportação de serviços, que o MPF tenta a todo custo envolver o BNDES e espalhar suspeitas sobre ações diplomáticas na África.

    Nem se culpe juiz, procuradores e delegados. Eles apenas se valem de forma oportunista da fragilidade institucional brasileira, da visão rala de interesse nacional, de uma presidente politicamente inerte e de um Ministro da Justiça abúlico para ocupar espaços.

    ***

    A manipulação da mídia ficou clara em um episódio ocorrido ontem. Nos depoimentos, qualquer menção a Lula é vazado no mesmo dia.

    Ontem, o repórter Rubens Valente, da Folha – que não pertence ao circuito mídia-Lava Jato – levantou o depoimento de um delator apontando propinas a Aécio Neves. É de junho passado. Passou seis meses inédito.

    No período da tarde, a Lava Jato tratava de vazar correndo outro depoimento, indicando pagamento de propinas ao presidente do Senado Renan Calheiros, a um senador da Rede, Randolfo Rodrigues.

    ***

    Todo dia o procurador Deltan Dallagnol aparece em sua campanha pelos 10 pontos a serem alterados na lei para combate à corrupção.

    Se fosse uma campanha efetivamente isenta, o 11º ponto seria a obrigação do Procurador Geral da República e do Supremo Tribunal Federal (STF) de abrir os dados em relação a todo pedido de vista ou todo inquérito engavetado. E de se criar formas que impeçam o uso político do vazamento seletivo de inquéritos.

    No STF, o ex-Ministro Ayres Britto engavetou por dez anos, sem nenhuma explicação, o inquérito sobre o mensalão mineiro. Tinha que apresentar em uma sessão, foi tomar um café no intervalo, e na volta simplesmente deixou de falar sobre o inquérito.

    Do mesmo modo, desde 2010 dorme na gaveta do PGR um inquérito contra Aécio Neves, acusado de ter conta no paraíso fiscal de Liechtenstein em nome de uma offshore. Como o próprio Procurador Geral observou, na denúncia contra Eduardo Cunha, o uso de offshores visa esconder a verdadeira identidade dos titulares da conta. E se visa esconder, é porque o dinheiro é de procedência duvidosa.

    ***

    De fato, o país precisa ser passado a limpo. E a Lava Jato tem feito um trabalho completo de desvendar as maracutaias de um lado. Mas esconde e blinda os malfeitos do outro lado.

    Se ataca só um lado – a ponto de deixar por um fio o mandato de uma presidente inerte – e poupa o outro, é evidente que instrumentaliza o combate à corrupção em favor de interesses corporativos e políticos.

    Essa hipocrisia não pode perdurar muito, ainda mais em um ambiente de redes sociais.

    Falta um 11º mandamento na lista bíblica de Dallagnol | GGN

    28/12/2015

    Silêncio cúmplice dos moralistas da honestidade alheia

    Cadê Veja que não te vejo? Nestas horas lembro da informação da ADPF a respeito dos motivos que levaram Juiz de Fora ter se tornado centro de distribuição de drogas pro Nordeste. Não foi só a construção de aeroportos clandestinos, mas a conivência, o desleixo com o tráfico. Tudo somado dá a exata dimensão do que houve em Minas e explica porque o Napoleão das Alterosas perdeu exatamente nos dois estados onde é mais conhecido: Minas e Rio.

    O elo entre a Lista de Furnas e o mensalão tucano. Por Joaquim de Carvalho

    Postado em 27 dez 2015 – por : Joaquim de Carvalho

    O diretor de Engenharia, Planejamento e Construção de Furnas, Dimas Toledo, que a lista revela como o mentor do esquema de corrupção

    O diretor de Engenharia, Planejamento e Construção de Furnas, Dimas Toledo, que a lista revela como o mentor do esquema de corrupção

    No ano de 2001, ao emergir do subterrâneo da política, Nilton Antônio Monteiro entregou ao Ministério Público e a um deputado do Espírito Santo documentos que revelavam o envolvimento da mineradora Samarco no pagamento de propina a autoridades do estado, à época governado pelo tucano José Ignácio Ferreira. Alguns meses depois, alguns políticos estavam presos e secretários foram demitidos.

    Em 2005, Nilton Monteiro entregou a políticos do PT e à Polícia Federal recibos de depósitos, procurações e uma lista com nomes de políticos mineiros que receberam em 1998 dinheiro desviado do governo de Eduardo Azeredo através do publicitário Marcos Valério, no esquema que ficou conhecido como Mensalão de Minas Gerais.

    Demorou dez anos para sair a primeira condenação no caso do Mensalão de Minas Gerais. O ex-governador Eduardo Azeredo foi condenado a 20 anos e 10 meses de prisão. Foi uma decisão de primeira instância, ainda sujeita a recursos, mas na sentença chama a atenção o número de vezes em que Nilton Monteiro é citado: 66 vezes, numa sentença que tem 125 páginas.

    Nilton Monteiro é também o autor da denúncia da Lista de Furnas e a pergunta que sobressai da leitura do texto que condena Azeredo é: se Nilton Monteiro acertou quando denunciou o esquema de propina no Espírito Santo e teve suas revelações confirmadas pela sentença do Mensalão de Minas Gerais, por que a Procuradoria Geral da República ainda não investigou os políticos que integram a Lista de Furnas?

    No início da semana passada, eu fiz esta pergunta à assessoria de imprensa da Procuradoria Geral da República, em Brasília, que me pediu para formalizar o questionamento via e-mail. Foi o que fiz, e até agora não recebi resposta.

    Também procurei a assessoria do senador Aécio Neves, em razão do protagonismo dele na Lista de Furnas, seja por indicar pessoas que deveriam receber recursos, inclusive sua irmã, Andrea, seja por ser apontado como padrinho político do diretor de Engenharia, Planejamento e Construção de Furnas, Dimas Toledo, que a lista revela como o mentor do esquema de corrupção.

    “Não posso. Tem pressão do Aécio, tem pressão do Aécio”, teria dito em 2004 o então ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, quando o deputado delator do Mensalão de Brasília Roberto Jéfferson, presidente do PTB, cobrou a indicação de um apadrinhado seu para o posto de Dimas Toledo. A assessoria prometeu enviar uma nota do senador, que é presidente do PSDB, ou me colocar em contato com ele, mas não fez nem uma coisa nem outra.

    Lendo a sentença da juíza que condenou Azeredo, Marisa Pinheiro Costa Lage, o que se vê é o esforço da defesa do ex-presidente Azeredo em desqualificar o denunciante Nilton Monteiro. O próprio Azeredo, ao ser interrogado no ano de 2011, diz:

    “É inacreditável que uma figura dessas seja levada em consideração. Quando eu vejo, aí, fatos novos que acontecem no dia a dia, hoje, eu me lembro muito disso. Eu estou vendo aí, hoje mesmo, nesses episódios de hoje, uma coisa parecida: falsificação de assinatura, cartório, coisa parecida com o que aconteceu comigo”, disse Azeredo.

    Os “episódios de hoje” a que Eduardo Azeredo se refere são os desdobramentos da denúncia da Lista de Furnas. Naquele ano, a imprensa repercutia a investigação da Polícia Civil de Minas Gerais, estado à época governado pelo aliado de Aécio Neves, Antônio Anastasia, que apontou Nilton Monteiro como chefe de uma quadrilha de falsários.

    A juíza que condenou Azeredo cita também o trecho de um depoimento prestado no Senado por Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha de Azeredo. A então senadora Ideli Salvatti pergunta se Mourão ameaçou Nilton com a expressão “vou te pegar, acabar com a sua vida e vou te arrebentar.” Mourão responde: “Pode ter sido. Já passou a raiva. Falei com ele na hora, mas o que ele merece é isso.”

    A sentença menciona ainda o episódio em que um carro de Nilton foi incendiado, fato já revelado nesta série de reportagens. Ao falar sobre Nilton Monteiro, a juíza lembra que não existem condenações contra ele e, ainda que houvesse, “qualquer pessoa pode ser testemunha, dando-se ao seu depoimento o valor devido, devendo ser consideradas suas declarações desde que sejam corroboradas pelas demais provas dos autos.”

    E, no caso das denúncias de Nilton Monteiro, provas não faltaram.  “É necessário que seja dada credibilidade às declarações de Nilton Monteiro, haja vista que diversas de suas afirmações foram confirmadas pelas testemunhas, como Marcos Valério, que o recebeu em seu escritório, para tratar de assuntos relacionados à campanha tucana em Minas Gerais.”, escreveu a juíza.

    A magistrada lembra também que Nilton Monteiro apresentou documentos, como a procuração que Cláudio Mourão entregou a ele, para cobrar dívida de campanha junto a Azeredo e recibos de depósitos, além de anotações de Walfrido dos Mares Guia, vice-governador de Azeredo, com o “resumo da movimentação financeira ocorrido no ano de 1998”.

    Tudo confirmado por perícia ou pelo próprio autor das anotações. Denise Landim, amiga de Cláudio Mourão, deu um depoimento que revela a proximidade de Nilton Monteiro com o grupo de políticos tucanos. Ele esteve em sua casa, levado por Cláudio Mourão, para tratar do investimento em uma ilha de Cabo Frio, Rio de Janeiro.

    Na semana passada, eu fui para Bauru, no interior do Estado, para levantar informações sobre uma das empresas que se destacam na Lista de Furnas como doadora de recursos de caixa 2 para os políticos. Para testar a credibilidade de Nilton Monteiro, tirei foto da casa onde o dono da Bauruense, Airton Daré, morou, uma mansão que ocupa um quarteirão inteiro, e enviei por mensagem a Nilton Monteiro.

    Você conhece esta casa? Perguntei. “É a casa do Daré, em Bauru.” Você já esteve aqui? “Muitas vezes” Fazendo o quê? “Pegando malas de dinheiro, para entregar a políticos que o Dimas indicava.” Por conta própria, Nilton acrescentou: “E eu viajei muito no avião dele, com um pau mandado do Daré, o Carlos Braga, que era genro dele”.

    Airton Daré, fundador da Bauruense

    Airton Daré, fundador da Bauruense

    O genro e o avião faziam parte das minhas anotações, citados em entrevistas que fiz com pessoas que conviveram com Daré, mas eu não havia comentado nada com Nilton Monteiro. Daré morreu no dia 19 de junho de 2011, mas a empresa que fundou continua ativa e muitos dos diretores que o auxiliaram nos negócios da empresa continuam no mercado. Alguns até dão entrevista, sob a condição de anonimato.

    Comecei a levantar informações sobre a Bauruense depois que o doleiro Alberto Youssef contou, em delação premiada na Operação Lava Jato, que a empresa repassava mensalmente propina a dois deputados federais, José Janene, do PP, para quem ele trabalhava, e Aécio Neves, do PSDB, ambos da base de sustentação política do presidente Fernando Henrique Cardoso.

    Youssef diz que o dono da Bauruense repassava pelo menos 100 mil dólares por mês (390 mil reais pelo câmbio atual) a Janene e uma quantia não especificada para Aécio Neves. O vídeo com o trecho dessa delação foi vazado e se encontra disponível na internet.

    Nesse vídeo, Janene, de camiseta cinza de mangas curtas, demonstra muita tranquilidade e, com as mãos sempre cruzadas, pressionando e afastando os dedos, conta como soube do envolvimento de Aécio no esquema.

    O dono da Bauruense, ao discutir valores de propina com José Janene, na presença de Youssef, dizia que não podia aumentar a quantia porque “ainda tem a parte do PSDB”. Youssef era o operador de Janene e o procurador pergunta quem era o operador do PSDB.

    “Sei por ouvir dizer que era a irmã do Aécio”, afirma. No vídeo, ouve-se o procurador dizer que tinha uma foto de Andrea Neves e fazer menção de mostrá-la a Youssef, que diz não poder reconhecer. “Estamos falando de coisa de vinte anos atrás”, diz. O procurador insiste se ele teve contato com Andrea, e Youssef diz: “Não.”

    O que Youssef demonstra não ter dúvida era sobre a divisão da diretoria de Furnas: “Ele (Janene) dividia essa diretoria com o então deputado Aécio Neves”. O procurador pergunta se a propina entregue à irmã de Aécio era em espécie, assim como para ele: “Acredito que sim”.

    Dinheiro em espécie existia na casa de Airton Daré. “O Daré era um homem muito discreto e muito inteligente”, conta Nilton. Ele esteve na casa de Daré em Bauru, levado de avião particular, para recolher mala. Diz que foi lá em nome do Dimas Toledo, então diretor de Construção, Engenharia e Planejamento de Furnas.

    No mesmo endereço, à rua José Salmen, número 28 da quadra 4 (os números em Bauru são diferentes, contados por quadra) os vizinhos se recordam de que, em 2006, entraram policiais federais, para uma operação de busca e apreensão.

    “Os homens estavam armados e com colete preto, com Polícia Federal escrito”, recorda um vizinho. “Igual a essas cenas que a gente na televisão”, acrescenta. Só que, ao contrário dos tempos da Operação lava Jato, a apreensão na casa de Daré não passou na televisão. Os policiais estiveram nesta casa, na sede da empresa e no apartamento do dono da Bauruense, no condomínio Mônaco, na Vila Universitária.

    Os policiais encontraram no apartamento mais de 1 milhão de reais em espécie e cerca de 350 mil dólares, também em espécie. Em sua defesa, Daré disse que era dinheiro para pagar funcionários de suas fazendas, mas não conseguiu provar o saque das contas.

    Entre 2000 e 2005, a Bauruense recebeu cerca de meio bilhão de reais por serviços prestados a Furnas. A Corregedoria Geral da União, criada em 2003, investigou os contratos da Bauruense e, segundo a procuradora da república Andréia Bayão, encontrou indícios da existência dos crimes de corrupção passiva, peculato e de fraude a licitação, “antecedentes aos de lavagem de dinheiro”.

    Entre os fatos suspeitos citados, está o superfaturamento de preços, o pagamento por reajustes e vantagens que caberiam exclusivamente à empresa e até a contratação pela Bauruense de um irmão do funcionário responsável pelas licitações da estatal.

    A procuradora diz ter encontrado nos relatórios da CGU e também do Tribunal de Contas da União “evidências de que Furnas estava inserida dentro de um esquema criminoso voltado para obtenção de vantagens ilegais em benefício de funcionários públicos e políticos”.

    Daré é apontado pela procuradora Andrea Bayão como beneficiário do “esquema criminoso” e, para sustentar a acusação, a procuradora solicitou à Receita Federal um estudo sobre a evolução patrimonial dele, a partir da quebra do sigilo fiscal. Em 2002, Daré declarou bens e direitos no valor aproximado de 35 milhões de reais. Em 2006, seu patrimônio declarado era de R$ 58 milhões.

    “Sua evolução patrimonial ou é superior aos seus rendimentos ou fica no limite dos seus rendimentos, o que lhe impediria de fazer quaisquer outros gastos com moradia, lazer, consumo”, escreveu a procuradora na denúncia à Justiça, em que pede a condenação de onze pessoas, entre elas o diretor de Furnas Dimas Toledo e o empresário Daré.

    Daré e Dimas Toledo são dois lados da mesma moeda, cada um de um lado do balcão, mas unidos por negócios em estatais, que só a corrupção política pode proporcionar. Dimas começou a trabalhar em Furnas no ano de 1968, logo depois de se formar em Engenharia pela Faculdade de Itajubá, Minas Gerais, o mesmo ano em que Daré fundou a Baruense, para prestar serviços em Ilha Solteira, inaugurando um longo e duradouro relacionamento com a estatal paulista de energia CESP.

    Daré também era formado em Engenharia pela Universidade de Londrina, só que no ramo florestal, o que lhe permitiu fazer negócios de reflorestamento no Estado do Mato Grosso antes de entrar no setor de energia.

    Segundo o inquérito da Polícia Federal, Dimas, quando ausente, era chamado de Gordo pelos empresários que prestavam serviços em Furnas. Daré também tinha muitos quilos além do peso ideal. Ambos investiram em imóveis. Dimas é dono de uma fazenda na Serra da Bocaina, Minas Gerais, seu Estado Natal, e comprou muitos imóveis em Resende, no interior do Rio de Janeiro.

    Segundo pessoas que trabalharam com ele em Bauru, Daré adquiriu mais de 150 imóveis urbanos e comprou algumas fazendas, entre elas uma às margens do rio Tietê, onde criou uma espécie de clube de campo para seus mais de mil funcionários. No local, todo fim de ano, realizava uma grande festa de confraternização.

    “Ninguém saía sem presente da festa”, conta um ex-diretor do grupo. E eram presentes caros, de televisores a carros. Mas a forma como ele realizava o sorteio revela como conduzia seus negócios. “Os ganhadores dos carros eram escolhidos antes. Todos os nomes estavam no saco, menos aqueles que ganhariam os carros. Estes estavam na mão do próprio Daré. Ele colocava a mão no saco, mexia, mas não pegava nenhum papel. Ele já estava com ele na mão”, diz.

    Ninguém percebia e, se percebesse, havia motivos para não ligar. Daré era um homem de hábitos simples e generoso, não só com empregados. Quando o genro, Carlos Braga, quis ser deputado estadual, em 1998, pelo PP de Paulo Maluf, Daré bancou a campanha, ao custo de quase 70 reais o voto.

    Era conhecido o patrocínio que dava às campanhas do vereador Paulo Madureira, embora não tivesse negócios significativos com a administração pública do município. Não que ele não quisesse. Chegou a comprar 28 caçambas, na expectativa de assumir a coleta de lixo na cidade, mas teve que destinar a frota a outro município onde já prestava o serviço, Campinas.

    Apaixonado por esporte desde seu tempo de pessoa simples em Pederneiras, onde nasceu e ajudava o futebol amador, bancava o time do Parquinho, de Bauru, e financiava uma escola de samba.

    Um dos aviões da Bauruense, um jatinho Citation

    Tentou fazer do filho, que também se chama Airton, uma estrela da Fórmula Indy, mas Darezinho não chegou a obter grandes resultados, embora patrocínio não lhe faltasse, inclusive um do Banestado, o banco público do Paraná, que protagonizou na época das privatizações de Fernando Henrique Cardoso um dos maiores escândalos de evasão de divisas do Brasil.

    Os vizinhos de sua casa da rua José Salmen, Jardim Estoril, lembram que ele dava grandes festas, inclusive uma com a dupla sertaneja César e Paulinho. Perto desta casa, ele comprou na planta quatro apartamentos de um andar inteiro, no edifício Marselha, o metro quadrado mais caro de Bauru. Lá moram seu filho, o Darezinho, e a ex-mulher Cláudia. A Bauruense tem cinco aviões, sendo um deles o jato Citation.

    Na década de 90, comprou uma rádio Auri Verde, de Bauru. Mas a emissora foi parar em suas mãos por caminhos, digamos assim, tortuosos. O prefeito de Bauru era Antonio Tidei de Lima, e a rádio Auri Verde, AM de grande audiência nas classes populares, o apoiava. Mas ainda não pertencia a Daré.

    Em troca do apoio, conseguiu dinheiro da prefeitura para reformar todo o prédio. Um locutor lembra que, para driblar a restrição da lei eleitoral, a rádio noticia que haveria evento em determinado lugar. No encerramento do boletim, o locutor informava: “Tidei a dica.”

    O relacionamento entre Tidei de Lima e o dono da rádio, azedou e as verbas deixaram de ir para a rádio, que ameaçou fazer oposição. Para evitar desgaste político e a perda de popularidade, o prefeito telefonou para amigos no Palácio dos Bandeirantes, onde o chefe era Luiz Antônio Fleury Filho, também do PMDB.

    Tidei pediu ajuda, a solução encontrada foi propor a Daré comprar a rádio. “Uma pessoa ligada ao governador ligou para o Daré e disse que ele deveria comprar a rádio”, conta. Daré teria dito: “Mas eu não entendo nada de rádio e por que vou gastar dinheiro comprando a rádio?” O governo viabilizou a compra, autorizando Daré a interromper o pagamento de propinas a três autoridades do Estado, incluindo um dirigente da CESP.

    Na rádio, era proibido dizer o nome de Daré. Quando Daré bateu um carro, a caminho do aeroporto, a rádio ignorou o fato, e funcionários da Bauruense pressionaram os jornais a não dar a notícia. A informação foi publicada no Jornal da Cidade, o maior de Bauru, mas sem nenhum destaque, como queria Daré.

    Quando ele morreu, em 2011, um executivo da empresa telefonou e disse que não era para noticiar a morte. A ordem não foi acatada, em razão da relevância da notícia. “Todo mundo em Bauru sabia que ele era o dono da rádio. Como é que não íamos dar?”

    No aspecto pessoal, assumia ser mulherengo. Certa vez, na companhia do genro em um avião, telefonou para um amigo e disse que queria vê-lo em seu escritório, em Bauru.

    O amigo foi até lá e ele o recebeu na companhia de uma mulher muito bonita e bem mais nova do que ele. Daré pediu que o amigo aguardasse na antessala. Pouco depois, ele voltou, sozinho, com uma revista Playboy na mão, e mostrou a capa, dizendo, baixinho: “É ela”. O amigo viu que a mulher que lhe fora apresentada minutos antes era a mesma da capa da revista.

    As pessoas com quem conversei fazem relatos com detalhes, como do dia em que um deles foi até o Café Photo, conhecido prostíbulo de luso em São Paulo, para entregar a um intermediário mala de dinheiro. “Parecia filme do 007”, afirma.

    A orgia de malas e contratos fraudulentos que uniu a Bauruense de Daré a Furnas de Dimas Toledo, sob a proteção de um esquema político, é muito bem contada na investigação da Procuradoria da República no Rio e confirmada sem muita dificuldade com o levantamento de informações em Bauru. Mas esta é uma pequena parte da história.

    Eu procurei a Bauruense e fui orientado a enviar as perguntar por e-mail ao diretor jurídico, Rinaldo. Foi o que fiz, na terça-feira, dia 22 de dezembro e até agora não recebi resposta.

    Além da Bauruense, há outras empresas envolvidas no esquema de Furnas e uma penca de consultorias de fachada que celebravam contratos milionários com os prestadores de serviços da estatal apenas com o objetivo de desviar dinheiro para as malas da corrupção.

    O ex-superintendente administrativo da Toshiba do Brasil, José Antonio Csapo Talavera, contou à Polícia Federal que a multinacional utilizava “notas frias, retratando serviços de consultorias inexistentes por empresas de fachada com a finalidade de esquentar recursos não declarados pela Toshiba ao Fisco.”

    Talavera ouviu de um colega da Toshiba, Dieickson Barbosa, superintendente técnico comercial, que a usina termelétrica que a Toshiba construiria para Furnas em 2001, em um contrato obtido sem licitação, já trazia embutido em seu preço o valor da propina que seria paga a políticos que controlavam Furnas.

    Detalhe importante: contratos como estes foram assinados sem licitação em razão de uma medida provisória editada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que alegava o risco de apagão para acelerar a contratação de empresas, sem a necessidade de concorrência pública.

    Com o depoimento recente de Alberto Youssef, envolvendo Aécio Neves no esquema de corrupção de Furnas, a Polícia Federal consultou o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, para saber se não seria o caso de abrir inquérito.

    O procurador, única autoridade com poderes para investigar um senador da República, entendeu que não era o caso, em razão da dificuldade de levar adiante a apuração, já que o deputado José Janene e o dono da Bauruense estão mortos.

    Minha apuração em Bauru, com a localização de testemunhas que conheceram os negócios de Daré por dentro, e a simples leitura da denúncia da procuradora Andrea Bayão, com os nomes e os fatos que levam à conclusão de que houve um grande esquema de corrupção em Furnas, mostram que compor este quebra-cabeças não é uma tarefa difícil. A primeira prova já está pronta. É a Lista de Furnas, com a assinatura autêntica de Dimas Toledo, o Gordo.

    O lobista Nilton Monteiro, autor da denúncia da Lista de Furnas

    O lobista Nilton Monteiro, autor da denúncia da Lista de Furnas

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    Sobre o Autor

    Jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros. joaquim.gil@ig.com.br

    Diário do Centro do Mundo » O elo entre a Lista de Furnas e o mensalão tucano. Por Joaquim de Carvalho

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