Ficha Corrida

24/01/2016

Sobre falar merda

MerdaAlguns animais fazem cocô durinho, em pequenas bolinhas. Lebre, cabrito e coelho estão dentre eles. Burros fazem pequenos losangos e os ratos fazem cocô de burro bonsai… Cocô de herbívoros não só não são fedorentos como podem servir para outros fins, como por exemplo, fogo. Cocô de cavalo seco quando acesos podem espantar as moscas da vizinhança. Dizem que muita “erva da boa” com procedência do traseiro destes herbívoros produzem efeitos semelhantes a original. Pelo menos acreditam os que a queimam por engano. Agora descubro que PF/MPF descobriram propriedades jurídicas.

O feito que deve trazer ao Brasil o primeiro Prêmio Nobel. O que me faz lembrar de um livrinho que andei lendo tão logo soube que a Folha tinha contratado, com ares de lavagem de dinheiro, um guri cujo maior atributo é um par de glúteos flácidos: “Sobre Falar Merda”.

Como ensina a Lei Orgânica dos Procuradores de Merda, mentir é diferente de falar merda. O mentiroso esconde fatos que conhece. A mentira é deliberada porque respeita os fatos. Já o mestre em falar merda não está nem aí para os fatos. O que importa é a versão que se quer impor.

No jornalismo tem uma máxima cunhada por Nelson Rodrigues que explica a arte de falar merda: “se os fatos estão contra mim, pior para os fatos”. A Veja vem praticando este dogma há 37 anos. Como “o tempo não para” já passou da hora de levar a sério a seletividade da dupla MPF/PF na louca cavalgada na caça ao grande molusco, fico com mestre Cazuza:

“A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos”…

Compartilho: Lava Jato e a bosta seca

24 de janeiro de 2016Marcelo Auler

Marcelo Auler

Para quem acha que apontar possíveis falhas na Operação Lava Jato é fazer o jogo da defesa ou assumir uma posição petista, compartilho parte da coluna do insuspeito Elio Gaspari, publicada neste domingo (24/01) em O Globo e na Folha de S.Paulo. Não preciso comentar, basta transcrever.

A teoria da ‘bosta seca’ ameaça a Lava Jato
Elio Gaspari

O repórter Janio de Freitas mostrou que o maior inimigo da Operação Lava Jato está em Curitiba. É a teoria da “bosta seca”, enunciada em maio por um procurador. Nela, não se deve mexer em incongruências existentes nos processos contra os larápios. Assim, se um depoimento de Alberto Youssef foi desmentido por Paulo Roberto Costa, seria melhor deixar a bosta em paz.

Janio mostrou coisa pior. Em julho, Paulo Roberto Costa disse o seguinte à Polícia Federal, tratando da figura de Marcelo Odebrecht:

“Eu conheço ele, mas nunca tratei de nenhum assunto desses com ele, nem põe o nome dele aí porque ele não, ele não participava disso”.

A partir dessas palavras os procuradores escreveram o seguinte:

“Paulo Roberto Costa, quando de seu depoimento […] consignou que, a despeito de não ter tratado diretamente o pagamento de vantagens indevidas com Marcelo Odebrecht…”

Puseram o nome de Odebrecht. Seus advogados apontaram o absurdo e requereram ao juiz Sergio Moro a volta do processo à instrução processual. Moro deu uma resposta estarrecedora: “O processo é uma marcha para a frente. Não se retornam às fases já superadas”. Achou que o pedido era “meramente protelatório”, pois as provas pretendidas eram “desnecessárias e irrelevantes”.

O pedido era de fato protelatório, mas Moro pode tentar saber o que houve. Como bosta seca é seca bosta, vamos em frente. Até o dia em que os tribunais de Brasília forem colocados diante dos montinhos de cocô escondidos nos processos”.

Marcelo Auler | Blog do Marcelo Auler, reportagens, denúncias, comentários, polêmicas, histórias do jornalismo, mas acima de tudo um espaço democrático de debate.

2 Comentários »

  1. […] Sourced through Scoop.it from: fichacorrida.wordpress.com […]

    Pingback por Sobre falar merda | Q RIDÃO... — 24/01/2016 @ 6:39 pm | Responder

  2. […] Alguns animais fazem cocô durinho, em pequenas bolinhas. Lebre, cabrito e coelho estão dentre eles. Burros fazem pequenos losangos e os ratos fazem cocô de burro bonsai… Cocô de herbívoros não só não são fedorentos como podem servir para outros fins, como por exemplo, fogo. Cocô de cavalo seco quando acesos podem espantar as moscas…  […]

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