Ficha Corrida

16/09/2015

FinanCIAdores ideológicos da perseguição à Lula

anaueOs grandes veículos de comunicação publicam para agradar quem os finanCIAm. Por isso, em nenhum destes veículos encontrará algum tipo de cobrança à Volkswagen por ter participado ativamente na ditadura. Seria mero acaso a atual aliança da Volks com a CBF, outra entidade íntegra…

A Volks, assim como outros 70 grandes empresas brasileiras, se aliaram aos ditadores para imporem violência e morte aos brasileiros. São os mesmos que finanCIAm o MBL.

Há um documentário que mostra como a CIA funcionava na América Latina: “Inimigo do meu inimigo”. Por meio deste documentário fica-se sabendo que Klaus Barbie, o açougueiro de Lyon, foi recrutado pela CIA para desestabilizar governos populares na América Latina.

Já em 2005 o melhor jornal argentino, Pagina12, denunciava: “En los ’60 y ’70, empresas de primera línea cooperaron con las dictaduras de Brasil y Argentina para reprimir a sindicalistas.” No Brasil, quando se trata de punir criminosos há sempre a possibilidade de eles contarem com um Geraldo Brindeiro, um Gilmar Mendes ou um Rodrigo de Grandis para a impunidade.

A matriz paulista do nazi-fascismo

No Brasil não foi diferente. Além das 6 malas de dólares com que a CIA, via FIESP, comprou o General Amaury Kruel, também houve a participação direta do chefe do campo de extermínio de Treblinka durante o nazismo, Franz Paul Stangl, via Volkswagen, no Dops paulista.

Não é mera coincidência que o maior foco golpista esteja em São Paulo. Lembremos do sequestro do Abílio Diniz, quando a polícia paulista vestiu a camisa do PT no sequestrador para botar a culpa no Lula. O então presidente da FIESP, Mário Amato, falou que “Se Lula for eleito, 800 mil empresários deixarão o País.” O movimento CANSEI, do João Dória Jr, também patrocinado pela Philips, também é de São Paulo. O MBL é da terra da garoa. Sem contar a TFP do Plínio Corrêa de Oliveira e o movimento integralista, do Plinio Salgado. Os reis dos camarotes vips do Itaquerão, que xingaram Dilma na abertura da Copa do Mundo de 2014, foram patrocinados por ilustres empresas paulistas: AMBEV, Multilaser e Banco Itaú.

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/38816/cnv+sistema+da+volkswagen+para+vigiar+funcionarios+na+ditadura+foi+criado+por+criminoso+nazista.shtml

Volkswagen será denunciada ao Ministério Público Federal por colaborar com a ditadura

Metalúrgicos são rendidos e presos por fazerem greve, durante os anos de chumbo da ditadura. ICONOGRAPHIA/MEMORIAL DA DEMOCRACIA

Metalúrgicos são rendidos e presos por fazerem greve, durante os anos de chumbo da ditadura. ICONOGRAPHIA/MEMORIAL DA DEMOCRACIA

Da RBA

A Volkswagen será denunciada ao Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, na próxima terça-feira (22), por colaboração e apoio à repressão durante a ditadura civil-militar de 1964. O coletivo Memória, Verdade, Justiça e Reparação, formado por integrantes de centrais sindicais, movimentos sociais e outras entidades, farão a denúncia com base em documentos que comprovam a participação da montadora em casos de tortura e violação dos direitos dos trabalhadores.

A expectativa é que o MPF aceite a denúncia e que a empresa reconheça sua responsabilidade institucional, por meio de pedido de desculpas e indenização das vítimas. Processo semelhante foi adotado por outros países, como a Argentina e a Alemanha, por exemplo.

Em entrevista à repórter Camila Salmazio, da Rádio Brasil Atual, Álvaro Egea, advogado e secretário da CSB, relata vários episódios em que a empresa agiu em apoio à repressão. Um dos casos envolveu o ferramenteiro Lúcio Belantani, que foi detido sob acusação de conspirar contra o regime, e começou a ser torturado ainda nas dependências da montadora. Egea conta que Lúcio ficou 42 dias preso e incomunicável nas dependências do Dops, e era levado à fábrica para que delatasse os demais companheiros, tudo isso com a anuência do chefe de segurança da Volkswagen.

“É importante que uma grande corporação como a Volkswagen, que tem muitos acionistas na Alemanha que vão acompanhar isso, seja chamada à responsabilidade. Primeiro, para reconhecer os seus erros; segundo, para pedir desculpas, pedir perdão aos trabalhadores e ao povo brasileiro, e por fim, para indenizar suas vítimas”, detalha o advogado.

O coletivo também confirmou a existência de uma lista de nomes de lideranças sindicais ativas na luta contra a repressão, que era compartilhada pelas empresas do cinturão industrial de São Paulo, para impedir que conseguissem empregos. Segundo Egea, além de fazer uso dessa lista, a Volkswagen “secretariava” as reuniões em que os nomes eram discutidos. “Há evidências documentais muito concretas da participação da Volkswagen não só na repressão dos seus trabalhadores, mas como na delação e colaboração estreita com os órgãos de repressão.”

O trabalho do coletivo é realizado desde janeiro, dando continuidade às apurações realizadas no âmbito da Comissão Nacional da Verdade, que investigou crimes e violações cometidas durante a ditadura civil-militar também no movimento sindical.

Para Egea, ações como as denúncias propostas agora contra a Volkswagen, que visa a identificar e responsabilizar responsáveis por torturas, é uma forma de completar o processo de transição da ditadura para a democracia. Ele pede também que o Supremo Tribunal Federal reveja a interpretação da Lei da Anistia, para que os torturadores sejam punidos. O advogado diz ainda que outras empresas, como a Petrobras, a Embraer, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp, de Santos) e o Metrô de São Paulo também devem ser denunciados por colaboração.

“A democracia formal foi conquista. Agora, a punição aos torturadores, o processo de busca da verdade, o processo de preservação dessa memória, de autoeducação da sociedade brasileira, esse processo ainda está em curso.”

Volkswagen será denunciada ao Ministério Público Federal por colaborar com a ditadura « Sul21

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11/05/2015

No covil

CORRUPAÕ2As hienas se reuniram para preparar o próximo bote. Depois da Petrobrás, vem aí a destruição do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e tantas empresas que ainda sobraram do quebra-quebra perpetrado pelos black-block comandados por FHC. A participação do líder mor da Operação Zelotes, Gerdau, dá a entender quanto aos rumos que as investigações tomarão. Não será de admirar se no fim da Zelotes seja a compra da operação pelo filho do Lula. Como diria o líder da Lide, Cansei. Já não está fácil para ninguém,  e aí ainda temos de lutar desarmados com bandidos armados até os dentes?!

Para quem pensava que o clima que deu origem ao golpe de 1964 estava enterrado no tempo, está enganado. A marcha dos zumbis pelas ruas e seus finanCIAdores pelos palácios, só falta a Folha vir com mais uma história de golpe brando. Para quem, como revelou a Comissão da Verdade, presenciava as sessões de tortura, estupro e esquartejamento, não seria de admirar se em tais regabofes aparecessem anões besuntados pela Opus Dei.

No Brasil há três assuntos terminantemente proibidos de serem seriamente abordados pelos grupos mafiomidiáticos: 1) o narcotráfico, principalmente se ultrapassar os 450 kg; 2) a lavagem de dinheiro, principalmente se for no HSBC e 3) a sonegação fiscal, se for perpetrada por quem pode finanCIAr o golpismo.  Numa prova de multa escolha, a RBS em qual grupo? Ou em todos?

É por isso que se diz que não são há nenhum interesse em acabar com a corrupção. O que eles querem é acabar com a concorrência na corrupção. Eles odeiam concorrentes. Como até o reino mineral já entendeu, o PSDB já conseguiu imunidade para roubar. Primeiro a Folha, em editorial, admitiu; depois Jorge Pozzobom, do PSDB gaúcho, confirmou.

Pelo andar da carruagem não haverá outra solução senão pela luta armada.  Ou haverá uma revolução com muito sangue ou o golpismo, via coronelismo eletrônico, continuará ditando os rumos do Brasil.

Governador tucano convida investigado na Operação Lava Jato para jantar

A colunista da Folha de São Paulo  Mônica Bergamo, publicou ontem que, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), reuniu para um jantar os ricos e poderosos  Palácio dos Bandeirantes.

No entanto, chama atenção um detalhe: Imagine você querido leitor se, o Lula, ou algum outro parlamentar petista ou a presidente Dilma,  tivesse convidado para jantar  no Palácio do Planalto o Marcelo Odebrecht da Construtora Odebrecht,  e Jorge Gerdau, do grupo Gerdau.

A Monica Bergamo não citou  o fato de a construtora Odebrecht ser um dos investigada na Operação Lava Jato.
Também não citou que o Gerdau é alvo na Operação Zelotes, que apura  sonegação fiscal no valor de 19 bilhões de reais, valor superior ao apurado nos desvios da Lava Jato.

Parece que quando se trata de político do PSDB, vale tudo e pode tudo. Eles estão sempre acima da lei. Ministério Público, Policia Federal, STF, e outros órgãos da  lei, dão carta branca para os tucanos agirem como quiser.
  Como no caso da última campanha eleitoral que, alguns jornais deram a notícia: Empresas suspeitas de cartel doam 70% do arrecadado por Alckmin.

As doações  foram feitas por empresas suspeitas de participar do propinão tucano (fraude, corrupção, superfaturamento) do Metrô e da CPTM para as campanhas do governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, e do ex-governador José Serra (PSDB), que concorreu ao Senado.

Mais da metade da campanha do governador do Estado de São Paulo e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSDB), foi bancada por empresas investigadas por fraudes e propinas em licitações do metrô de São Paulo e do Distrito Federal. No total, as quatro empresas suspeitas doaram R$ 8,3 milhões, 56% do total arrecadado (R$ 14,7 milhões).

Três das empresas doadoras já são rés em processos na Justiça: a construtora Queiroz Galvão, a CR Almeida S/A Engenharia de Obras e a construtora OAS S/A, que doaram respectivamente R$ 4,1 milhões, R$ 1 milhão e R$ 860 mil ao comitê financeiro estadual para governador do PSDB.
Do dinheiro oferecido pela Queiroz Galvão, R$ 2,1 milhões foram pagos por uma subsidiária, a Queiroz Galvão Alimentos S/A.
A Queiroz Galvão e a OAS também são investigadas pela Polícia Federal e pelo MPF (Ministério Público Federal) na Operação Lava Jato. As empresas são suspeitas de superfaturar obras contratadas pela Petrobras e pagar propinas a políticos.
O candidato também recebeu R$ 500 mil da UTC, outra companhia investigada na mesma operação. Reportagem publicada pelo UOL mostrou que as empresas envolvidas na Lava Jato doaram ao menos R$ 60 milhões para os presidenciáveis e seus partidos.
A Serveng Civilsan S/A Empresas Associadas de Engenharia, que é investigada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), colaborou com R$ 2 milhões.
Executivos de consórcios integrados pela CR Almeida S/A Engenharia de Obras, pela OAS S/A e pela Queiroz Galvão foram denunciados em 2012 por  fraude e formação de cartel na licitação para ampliar a linha 5-lilás do Metrô de São Paulo. No total, 14 funcionários de 12 construtoras foram denunciados no caso.
A licitação foi aberta em outubro de 2008, quando o governador de São Paulo era José Serra (PSDB) — ele deixou o cargo em 2010 para disputar a Presidência da República. José Serra ganhou uma vaga no Senado. Em 2013, Serra divulgou nota para afirmar que o governo de São Paulo não teve conhecimento e não deu aval para cartel em licitações do metrô.
A Serveng é investigada pelo Cade por suspeita de fraude em licitações realizadas em 2007 para compra de equipamento ferroviário e manutenção de linhas de metrô no Distrito Federal.Como sabemos, Alckmin ganhou a eleição para governar o  Estado  de São Paulo.

Mas, ninguém questionou o fato de  o valor doado pelas construtoras Queiroz Galvão, CR Almeida Engenharia e Serveng Civilsan corresponder a 70% dos R$ 5,7 milhões declarados pelo tucano na primeira parcial da prestação de contas.  Serra recebeu R$ 1,6 milhão de empresas investigadas. Nem PF, Nem TRE, nem MP, quiseram saber se foi ou não legal essas doações

As empresas estão sendo investigadas por superfaturamento das obras nos transportes de São Paulo e estão proibidas de participar de obras desta natureza em todo o Estado. Contudo, seguem financiando as campanhas dos candidatos tucanos que estavam no governo quando essas irregularidades aconteceram.

Tramita no Supremo Tribunal Federal (STF),  uma ação pedindo a proibição deste tipo de financiamento de campanha. Seis dos onze ministros do STF já votaram contra o financiamento privado e só não vale para estas eleições, pois o ministro Gilmar Mendes pediu vistas do processo, suspendendo o julgamento. Até o momento, o ministro continua sentado no processo…Talvez por que ele saiba que isso prejudica o PSDB
Lei que não vale para o PSDB
O promotor de Justiça Marcelo Mendroni aponta superfaturamento de R$ 110 milhões em três contratos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), firmados em 2007 e 2008, durante o  governo do Estado de São Paulo  José Serra (PSDB) , e denunciou o o ex-presidente da Comissão de Licitações da CPTM no governo Serra por fraudes, em prejuízo da Fazenda Pública, crimes contra a administração pública, e "ter aderido" ao cartel metroferroviário: “As empresas só montam cartel para superfaturar contratos. No caso desses três contratos, que somam R$ 550 milhões, em valores de 2007, estimamos que o superfaturamento tenha sido de 20%, ou R$ 110 milhões”, disse Mendroni. A acusação se refere a contratos da CPTM, três ao todo, firmados no governo José Serra (PSDB)

Os Amigos do Presidente Lula

03/05/2015

PIG, de caso com o estupro

estuproEstupro, taí um termo que os velhos grupos mafiomidiáticos tem atração fatal. A comissão da verdade apurou que empresários que finanCIAram a OBAN também presenciavam as sessões de tortura, estupro e morte daqueles que os ditadores entendiam como perigosos. Se o milico via algo perigoso em alguém, este alguém era simplesmente preso sem qualquer mandado judicial. Aí levavam ele para o DOI-CODI, aplicavam choques elétricos, estupravam homens e mulheres até a morte. Não satisfeitos, ou para que pudessem ter orgasmos, esquartejavam as vítimas e espalhavam pedaços dos corpos para impedir que familiares identificassem os corpos. A Folha de São Paulo ficou famosa por empresar as peruas que distribuíam os jornais para distribuir os corpos dilacerados por valas clandestinas, como aquela localizada no Cemitério de Perus.

Recentemente, a família que controla a Rede Brasil Sul – RBS, teve um de seus herdeiros envolvido em crime de estupro em Florianópolis, naquilo que na internet ficou conhecido como o estuprador de Florianópolis. O autor da denúncia morreu. Ainda não se sabe se foi, como diria João Cabral de Mello Neto, de morte matada ou de morte morrida.

Quem mantém como diretor de redação alguém que assedia moral e sexualmente colega de trabalho, a ponto de vir assassina-la pelas costas, como fez Pimenta Neves com Sandra Gomide, é capaz de qualquer coisa. Só falta seu Mesquita vir dizer que não sabia o que fazia seu principal homem de confiança, colocado lá como Diretor de Redação exatamente pela sua capacidade de manipular.

O que impressiona nos estupros diários perpetrados pelo velho coronelismo eletrônico é que fazem isso à luz do sol. E se fazem isso hoje, na democracia, quando a internet desmente antes mesmo de o jornal ou revista chegar ao assinante, imagine-se o que não faziam durante a ditadura com quem mantiveram uma simbiose de interesses que ia muito além das torturas e estupros.

Tanto menos se combate a máfia, tanto mais afoita vai ficando. As Operação Zelotes e Operação Pavlova explicitam o senso de impunidade com que atuam. Ou a Lista Falciani, que entregou os donos de mídia que, junto como os traficantes, são os maiores sonegadores brasileiros descobertos no HSBC.

Ao invés de o Brasil botar as cinco famílias no paredón, fica esperando que elas façam como Hilter, casem Eva Braun

(Eva Braun foi esposa de Hilter por menos de 40 horas, porque a morte era seu único orgasmo…)

O estupro permanente da notícia

dom, 03/05/2015 – 06:00

Atualizado em 03/05/2015 – 08:21

Luis Nassif

Há dois tipos de leitores de jornais: os que querem se informar, e os que querem ler apenas aquilo que lhes agrada. Os primeiros, são leitores; os segundos, torcedores.

Nos últimos anos, os grandes grupos jornalísticos abriram mão dos leitores. A notícia tornou-se uma ferramenta de guerra, que, como em toda guerra, pode ser estuprada, manipulada, distorcida.

***

Há inúmeros temas relevantes para se criticar Dilma, Lula e o PT: os erros da política econômica, o envelhecimento das ideias, a falta de propostas novas, o aparelhamento de muitas áreas, os problemas enfrentados pela Petrobras.

Mas, aparentemente, entre Pulitzer e William Randolph Hearst – o pai do jornalismo marrom -, a grande imprensa brasileira escolheu o segundo.

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O Estado de S. Paulo, o augusto Estadão, que historicamente se colocava como um baluarte conservador, mas respeitador dos fatos, divulgou em sua versão online a manchete de que a Petrobras destruira gravações de reuniões do Conselho de Administração para sumir com provas.

O repórter entregou uma matéria responsável. Consultou dois diretores que lhe asseguraram que não era hábito, mesmo, guardar gravações de reuniões de Conselho. Serviam apenas para instruir as atas. Depois das atas escritas, as gravações eram destruídas. Só depois que estourou a Lava Jato é que decidiu-se preservar as gravações, caso houvesse necessidade.

Ao longo do dia, a manchete foi desmentida por diversos veículos online. No dia seguinte, na edição impressa, manteve-se o enfoque errado.

Em outros tempos, poucos saberiam. Na era da Internet, o erro já tinha se espalhado. Ao insistir em mantê-lo os editores expuseram o jornal e sua história a milhares de leitores que já tinham conferido os desmentidos.

***

O mesmo aconteceu com a revista Época, em conluio com procuradores da República do Distrito Federal.

Desde que saiu da presidência, Lula assumiu o compromisso público de aproximar-se da África e trabalhar negócios brasileiros por lá. Por seu lado, há décadas a Construtora Odebrecht investiu na área e em outros países emergentes. Hoje em dia, atua em 28 países construindo todo tipo de obra.

Finalmente, há décadas o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) dispõe de uma linha de financiamento às exportações de produtos e serviços, o Proex, da qual o maior cliente – por ser a empreiteira brasileira com mais obras no exterior – é a própria Odebrecht.

***

No entanto, procuradores irresponsáveis foram investigar as obras da Odebrecht no exterior e montaram um inquérito com base nos seguintes fatos:

Lula visitou Gana e dois meses depois a Odebrecht conquistou um projeto por lá. Os procuradores tentaram criminalizar o que se tratava de uma estratégia bem sucedida. E ligaram a visita de Lula ao fato da Odebrecht ter conseguido um financiamento do BNDES – sendo que ela já tem 35 financiamentos, para suas obras internacionais.

Esse conluio mídia-procuradores teve repercussão em todos os jornais.

Os jornais atingiram seus objetivos políticos. Mas o jornalismo saiu mais uma vez sangrando do episódio. E mostrou que não há diferença mais entre blogs partidários e jornais.

O estupro permanente da notícia | GGN

05/04/2015

O staff de FHC também rima com HSBC

Esse pessoal pego nas Operações Lava Jato, Zelotes, CARF da Receita Federal e HSBC lembra aquela turma do CANSEI. Gente que tem nojo do Brasil. Onde vive esta gentalha que elege para Presidente quem não tem culhão para impedir que gente de BENZ seja molestada pelos crimes que comete. Bons tempos aqueles da ditadura, quando quem denunciava aparecia morto. Quando aparecia, já que a Folha de São Paulo sempre tinha suas peruas à disposição para desovar os presuntos em valas clandestinas. Hoje, não. Tudo aparece no jornal, e o que os jornais escondem, a internet mostra. Tempos difíceis estes, não?! Até para dar golpe hoje em dia está mais difícil. Afinal, apesar de todo patrocínio dos ao Instituto Millenium, a Marcha dos Zumbis foi um fracasso de público. Só teve derrotados nas eleições.

O teria acontecido se ao invés de pegar todo este pessoal ligado a FHC, seus genros e que tais, tivesse sido familiares do Lula ou da Dilma?! As constantes acusações ao Lulinha, filho do Lula, agora não precisamos mais do Freud para explicar. Eles acusavam exatamente do que estavam fazendo. A raiz do ódio é que eles pensavam que o Lula e sua família era igual a de FHC.

Por aí se explica também a razão de tanto ódio à Dilma. Afinal, como que ela não pôs na PGR um Geraldo Brindeiro, não há como trancar processos. Restou Gilmar Mendes e sua PEC da Bengala. Mas até quando? Bons tempos aqueles do Engavetador Geral quando as operações vitimavam apenas pés de maconha. O resto tinha o mesmo destino do helipóptero: virava pó. Agora, não. Nada de botar a sujeira para debaixo do tapete.

Assim se descobre porque a AMBEV, a Multilaser e o Banco Itaú patrocinaram os reis dos camarotes vips do Itaquerão para ofenderem a Dilma na abertura da Copa do Mundo.

O Instituto Millenium viu seu Mecenas, Gerdau, aparecer na Operação Zelotes. Uns no HSBC, outros na Zelotes. Sem contar a fina flor das empreiteiras se lambuzando na Petrobrás. Estes são os tais que querem nos ensinar ética nas relações de trabalho.

Quando algum funcionário da RBS, Rede Globo ou Gerdau vier com o dedo em riste nos dar lição de moral já sei onde vou manda-lo enfiar o dedo.

Coincidência mesmo é que todos os amigos botaram a mão na cumbuca. A começar por Demóstenes Torres. Não se ouve mais falar no Álvaro Dias, no Fernando Francischini, no Aécio Neves. Tomaram chá de sumiço. Até o Antônio Imbassahy apareceu com o TCU sujo.

Steinbruch, Esteves e Faria estão na mira da Receita

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Levantamento de planilhas vazadas no Swissleaks identificou barões do mercado financeiro brasileiro e nomes importantes do empresariado nacional, como Benjamin Steinbruch e família, da Companhia Siderúrgica Nacional, cujas contas tinham saldo de US$ 543,8 milhões; André Esteves e outros ex-gestores do banco BTG Pactual aparecem nas planilhas com US$ 140 milhões em contas; na mesma situação está o banqueiro Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa, e membros do Grupo Edson Queiroz, da TV Verdes Mares; juntos, eles chegaram a um saldo de US$ 2 bilhões e serão os alvos prioritários da Receita Federal; característica comum a todas as contas com depósitos superiores a US$ 50 milhões era o uso de offshores para movimentar o dinheiro; não é crime ter conta no exterior, desde que seja declarada à Receita Federal; até agora, entre os cerca de 200 nomes já analisados e divulgados, só sete mostraram documentos comprovando a legalidade das contas

5 de Abril de 2015 às 12:03

247 – A lista de brasileiros com contas numeradas no HSBC, que ficou conhecido como Swissleaks, identificou barões do mercado financeiro brasileiro e nomes importantes do empresariado nacional. Entre os clientes divulgados pelo ex-funcionário do HSBC Hervé Falciani estão integrantes da família de Benjamin Steinbruch, da Companhia Siderúrgica Nacional, do bilionário André Esteves, do banco BTG Pacutal, e Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa.

A característica comum dos que operavam contas no HSBC é o uso de empresas offshore. Essas companhias ficam em paraísos fiscais, como Panamá e Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. São usadas principalmente por quem quer pagar menos impostos, e, desde que o envio e retorno dos valores ao país de origem seja declarado, não caracterizam ilegalidade. As offshores, porém, podem servir a propósitos ilícitos, como ajudar a camuflar dinheiro sem origem comprovada.

Não é crime ter conta no exterior, desde que seja declarada à Receita Federal. Até agora, entre os cerca de 200 nomes já analisados e divulgados, só sete mostraram documentos comprovando a legalidade de suas contas. O grupo de correntistas com maiores saldos será um dos principais alvos da investigação da Receita, cujo objetivo prioritário é descobrir se houve sonegação de impostos e, em caso positivo, recuperar esses valores.

Levantamento feito pelo Globo, em parceria com o UOL, revela que havia 14 depósitos acima dos US$ 50 milhões nas planilhas vazadas. Juntos, eles chegaram a um saldo de US$ 2 bilhões, mais de um quarto dos US$ 7 bilhões que brasileiros possuíam na filial suíça do banco. Para movimentar esses recursos — que devem ser um dos principais alvos de investigação da Receita Federal —, foram usadas 68 offshores.

No topo do ranking dos milionários, aparecem integrantes da família Steinbruch. Sete deles(Eliezer, Dorothea, Mendel, Clarice, Ricardo, Benjamim e Elizabeth) chegaram a ter, ao todo, um saldo de US$ 543,8 milhões ao longo de 2006/2007, a maior parte em contas compartilhadas. Do empresário Jacks Rabinovitch, que foi sócio dos Steinbruch no Grupo Vicunha e na CSN, apurou-se um saldo de US$ 228 milhões em contas conjuntas com a família.

Ao todo, os Steinbruch tinham 15 empresas relacionadas às suas contas nas planilhas. Das dez que possuíam alguma referência de localização, cinco tinham o endereço principal em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas.

Entre os que tinham saldo de mais de US$ 50 milhões no banco suíço, ainda aparece a família Waiswol, de indústria têxtil paranaense, e Habib Esses, da Adar Tecidos. O empresário e delegado aposentado de São Paulo Miguel Gonçalves Pacheco e Oliveira aparece com US$ 194 milhões.

Ainda há nessa lista do HSBC nomes do mercado financeiro, como Gilberto da Silva Sayão, André Santos Esteves e Eduardo Plass, ex-gestores do Banco Pactual, que dividiram contas. Renato Frischmann Bromfman, também ex-diretor do Pactual, aparece nas planilhas com US$ 140 milhões. André Roberto Jakurski, da gestora de recursos JGP, também aparece na lista das maiores fortunas.

Neste grupo de correntistas, também estavam o médico Antônio Rahme Amaro e o advogado Roberto Saul Michaan. Ainda havia os empresários de mídia Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa, e quatro membros do Grupo Edson Queiroz, da TV Verdes Mares.

Leia aqui reportagem do Globo sobre o assunto.

Steinbruch, Esteves e Faria estão na mira da Receita | Brasil 24/7

Suiçalão: comprador da Vale tinha quase R$ 2 bilhões em conta secreta

5 de abril de 2015 | 15:27 Autor: Miguel do Rosário

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Em 2012, a ong Tax Justice Network divulgou estudo em que estimava a fortuna de brasileiros no exterior em mais de R$ 1 trilhão.

Parte desse dinheiro deve estar nas contas secretas no HSBC suíço.

A lista ficou presa por vários meses com o jornalista Fernando Rodrigues, da UOL, que a vendeu para a Globo, que está fazendo um trabalho cuidadoso para divulgar os números, sem melindrar os paneleiros milionários que tem conta por lá.

Hoje o Globo divulgou mais 38 nomes.

Somente a família Steinbruch tinha meio bilhão de dólares. Isso corresponde, no dolar de hoje, a R$ 1,7 bilhão.

Benjamin Steinbruch foi um dos que mais lucrou com as privatizações desvairadas do governo Fernando Henrique Cardoso. Primeiro comprou a CSN, nossa principal siderúrgica, feita no tempo de Getúlo. Depois comprou a Vale, usando títulos podres e pagando um preço 30 vezes menor ao que a empresa valeria alguns anos depois.

*

A lista dos 38 brasileiros com mais de 50 milhões de dólares no HSBC

Do Uol:

Milionários brasileiros utilizaram 97 contas no banco HSBC da Suíça, segundo registros de 2006 e 2007, e fizeram uso de 68 empresas conhecidas como “offshores” para movimentar os seus recursos.

Essas companhias ficam em paraísos fiscais, como Panamá e Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. São usadas principalmente por quem quer pagar menos impostos. Se o envio e depósito dos valores em offshores e a volta dos recursos ao país de origem forem declarados, não há ilegalidade. Essas empresas, porém, podem servir a propósitos ilícitos, como ajudar a camuflar dinheiro sem origem comprovada.

Levantamento feito pelo UOL e pelo jornal o “Globo” entre os brasileiros ligados a contas no HSBC da Suíça encontrou 38 pessoas divididas em 14 grupos (de integrantes da mesma família ou sócios), que compartilhavam as mesmas operações financeiras, vinculados a contas com saldo acima de US$ 50 milhões.

Somadas, essas contas registravam um depósito máximo de cerca de US$ 2 bilhões em 2006 e 2007, período ao qual os dados se referem. Esse valor representa mais de um quarto dos US$ 7 bilhões vinculados a pessoas relacionadas ao Brasil na filial do HSBC em Genebra. Foram usadas 68 offshores para movimentar esses recursos.

A discrição é uma das principais características desse tipo de empresa. É praticamente impossível localizar qualquer rastro consistente de informação. Nas planilhas do HSBC, as offshores se caracterizam por nomes curiosos como Spring Moonlight, Blue Green Pine, Demopolis e Coast to Coast. Como os arquivos completos do banco vazaram, é possível saber, de maneira inédita na história financeira mundial, quem exatamente era dono de qual empresa.

As offshores servem para que empresários protejam seu patrimônio pessoal de turbulências financeiras em seus países e dão aos investidores o benefício de pagar impostos mais baixos quando obtêm lucros. Essa vantagem se dilui quando os recursos são devidamente declarados ao Fisco do país de origem, que cobra sobre os ganhos, não importando onde foram obtidos.

Os brasileiros que apareciam com saldos acima de US$ 50 milhões em contas ligadas a offshores localizados pelo UOL e o “Globo” não quiseram comentar a relação com essas empresas, nem dar detalhes sobre sua utilidade.

Eis a lista dos 14 grupos de pessoas vinculados a contas com saldo acima de US$ 50 milhões nos arquivos do SwissLeaks:

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Suiçalão: comprador da Vale tinha quase R$ 2 bilhões em conta secreta | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

 

HSBC e Zelotes atingem coração da direita no País

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Juntos, os escândalos das contas secretas no HSBC (o chamado Swissleaks) e das propinas pagas para aliviar multas tributárias (a Operação Zelotes) fazem um strike em personalidades que alimentam o pensamento conservador no Brasil; na Zelotes, o grupo Gerdau, do empresário Jorge Gerdau, mantenedor do Instituto Millenium, aparece como pagante da maior propina (R$ 50 milhões); na mesma operação, está também a RBS, de Eduardo Sirotsky e Armínio Fraga (R$ 15 milhões), que é afiliada da Globo; no Swissleaks, um dos nomes é o de José Roberto Guzzo, diretor da Abril, que é também mantenedora do Millenium; a direita, no Brasil, não gosta de pagar impostos?

3 de Abril de 2015 às 18:22

247 – Dois escândalos recentes, batizados como Swissleaks e Zelotes, evidenciam uma realidade brasileira: ricos não gostam de pagar impostos, nem de declarar todo seu patrimônio.

O caso Swissleaks, alvo de uma CPI no Senado, envolve 8.667 brasileiros que mantêm ou mantiveram contas secretas na Suíça, no HSBC de Genebra.

A Operação Zelotes fisgou uma quadrilha especializada em vender facilidades no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Carf, causando um prejuízo estimado em R$ 19 bilhões.

Os dois casos tratam de um mesmo fenômeno: sonegação fiscal. O que une as duas pontas é a presença de nomes ilustres da direita brasileira, que tentam impor uma agenda conservadora à toda sociedade.

Nesta sexta-feira, uma reportagem do jornal Estado de S. Paulo revelou que o grupo Gerdau, do empresário Jorge Gerdau, é suspeito de pagar a maior propina da Operação Zelotes: R$ 50 milhões para cancelar uma dívida tributária de R$ 4 bilhões. Um "bom negócio", com o pagamento de um real para cada 80 devidos (saiba mais aqui).

Gerdau é o principal mantenedor do Instituto Millenium, um instituto criado por empresários brasileiros para consolidar um pensamento único no País, alinhado à direita e ao neoconservadorismo.

Na página do Millenium, aparece como "grupo líder" (confira aqui), ao lado da Editora Abril, que publica Veja e cujo conselheiro editorial José Roberto Guzzo, um de seus principais articulistas, publicou artigo sobre como é insuportável viver no Brasil de hoje (leia aqui) – Guzzo, para quem não se lembra, foi um dos jornalistas citados no Swissleaks.

Voltando ao Millenium, abaixo do "grupo líder" aparece o "grupo apoio", onde desponta a RBS, afiliada da Globo na Região Sul, comandada por Eduardo Sirotsky. O envolmento da RBS, assim como o de Gerdau, é com a Operação Zelotes, onde a empresa teria pago uma propina de R$ 15 milhões para abater uma dívida de R$ 150 milhões. Um negócio bom para quem gosta de levar vantagem, mas não tão bom quanto o de Gerdau. No caso da RBS, a relação seria de um real pago para cada dez devidos.

Nesta sexta-feira, como lembrou Fernando Brito, editor do Tijolaço, a RBS é sócia de ninguém menos que o economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso e ex-futuro ministro da Fazenda de Aécio Neves (leia mais aqui).

Em sua página, o Instituto Millenium informa trabalhar pela promoção da democracia, da liberdade, do Estado de Direito e da economia de mercado. Mas, e os impostos?

HSBC e Zelotes atingem coração da direita no País | Brasil 24/7

 

Maior fortuna do HSBC tem elo com privatização de FH

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Família Steinbruch, capitaneada pelo empresário Benjamin, aparece com a maior fortuna brasileira no HSBC e, provavelmente, uma das maiores do mundo: nada menos que US$ 543 milhões; dono do grupo Vicunha, que enfrentava dificuldades no setor têxtil, Benjamin deslanchou depois de contratar como assessor, ainda em 1995, o filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Paulo Henrique, como assessor especial; na era das privatizações, Benjamin comprou a Companhia Siderúrgica Nacional, a Light e até a Vale, sempre com apoio do BNDES ou dos fundos de pensão estatais; em nota, a família Steinbruch afirmou que não irá comentar "vazamentos ilegais"

5 de Abril de 2015 às 20:01

247 – De todos os sobrenomes de brasileiros envolvidos no chamado ‘Swissleaks’, nenhum chama tanta atenção quanto Steinbruch.

Ao todo, a chamada ‘Família Steinbruch’ possuía nada menos que US$ 543 milhões depositados na filial de Genebra, na Suíça, do HSBC.

Capitaneada por Benjamin, o mais notório integrante do clã, a família prosperou como um foguete na era das privatizações, durante os oito anos do governo FHC.

Antes dos anos 90, os Steinbruch possuíam apenas um grupo têxtil, o Vicunha, que enfrentava as dificuldades decorrentes do processo de abertura econômica.

Com a chegada de FHC ao poder, no entanto, Benjamin enxergou a grande oportunidade para uma guinada completa nos negócios da família. Com as privatizações, o grupo Vicunha conseguiu arrematar três ícones da era estatal: a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Light e até a Vale.

Coincidência ou não, Benjamin contratou em 1995, primeiro ano do governo FHC, ninguém menos do que Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente, como assessor especial.

Em 11 de maio de 1997, Steinbruch já era retratado pela Folha de S. Paulo, em reportagem de Igor Gielow, como o primeiro "megaempresário" gerado na era tucana.

"A identificação com o poder tucano não é apenas retórica. Steinbruch é amigo há vários anos de Paulo Henrique Cardoso, o filho mais velho do presidente da República. Até fevereiro, empregava o "primeiro-filho" na Diretoria de Comunicação e Marketing da CSN. Agora, Paulo Henrique está na Light", escreveu Gielow.

Em sua reportagem, Gielow também escreveu que Benjamin cultivava outros dois nomes fortes do tucanato. "Avesso a badalações, frequenta estréias de teatro e leilões chiques de cavalos acompanhado de expoentes do tucanato paulista. Entre eles, David Zylberstajn (secretário estadual de Energia e "primeiro-genro", casado com Beatriz Cardoso). E Andrea Matarazzo (presidente da Cesp), amigo há mais de 20 anos e frequente conselheiro." (leia aqui).

Em 2000, uma reportagem de Veja, assinada por Policarpo Júnior e Consuelo Dieguez, apontou que o aconselhamento de Paulo Henrique Cardoso foi crucial para que o BNDES se associasse a Steinbruch na compra da Light. "Foi forte também a ligação entre Paulo Henrique e Benjamin Steinbruch, há alguns anos. O filho de FHC estava ao lado do empresário na época da privatização da Light, leiloada em maio de 1996. Steinbruch, um dos controladores da CSN, queria que o BNDES participasse do consórcio formado pela Electricité de France e dois grupos americanos, além da própria CSN. Pessoas que então conviviam com o empresário dizem que o filho do presidente contribuiu para que o banco realmente entrasse no grupo. Como se sabe, esse foi o consórcio vencedor. Nessa tempo, Paulo Henrique trabalhava na CSN como coordenador de comunicação. Com a Light privatizada, foi convidado a ir para lá", dizia o texto (leia aqui).

Outro escândalo conectando Steinbruch às privatizações diz respeito à privatização da Vale. O empresário foi apoiado pelos fundos de pensão estatais, mas em contrapartida teria recebido um pedido de propina do ex-tesoureiro do PSDB, Ricardo Sérgio de Oliveira. Em 2002, o instituto Datafolha realizou uma pesquisa que apontou que, para 49% dos brasileiros, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tinha conhecimento do pedido de propina (leia mais aqui).

Com um vínculo tão forte com as privatizações, e uma conta tão parruda no HSBC de Genebra, Steinbruch será um dos principais alvos não apenas da Receita Federal, como também da CPI instalada no Senado para investigar o Swissleaks.

Em nota, a família Steinbruch afirmou que não comentaria "vazamentos ilícitos".

Maior fortuna do HSBC tem elo com privatização de FH | Brasil 24/7

05/01/2015

Na ROTA, uma operação OBAN, agora na SABESP

Não há palavras para descrever a decadência decorrente de 30 anos de compadrio entre PSDB e Grupos MafioMidiáticos em São Paulo. A Folha financiava  a Operação OBAN, inclusive emprestando peruas. Agora a ROTA é acionada para entregar o bem mais valioso que o PSDB não consegue entregar sozinho. O choque de gestão do PSDB envolve pedir R$ 3,5 bilhões à Dilma para fazer chover em São Paulo.

Meritocracia é isso: não se deve fornecer água, deve-se ensinar a chover. A decadência do PSDB e do DEM ocorre simultaneamente, e por razões lógicas, com a decadência dos velhos grupos mafiomidiáticos.  Nem o Instituto Millenium os salvam!

Previsões-2015: sem água e com multas!

Por Altamiro Borges
Na solenidade de posse de Geraldo Alckmin, nesta quinta-feira (1), faltou povo e sobrou bajulação dos "calunistas" da mídia chapa-branca. Sem qualquer crítica ao desgoverno estadual, eles festejaram o pré-lançamento da candidatura do grão-tucano às eleições presidenciais de 2018. A euforia, porém, não se justifica. O "picolé de chuchu" até tenta disfarçar e faz cara de sonso, mas sabe que enfrentará enormes dificuldades no seu quarto mandato. São Paulo bate recorde de roubos, enfrenta o colapso no setor do transporte e está estagnado economicamente. Mas o que mais causa pesadelos no governador é o risco de um drástico racionamento de água nos próximos meses, acompanhado de pesadas multas sobre os consumidores. Como reagirão os eleitores paulistas, tão ludibriados pela mídia tucana?

Em dezembro, o governo paulista anunciou que cobrará uma sobretaxa de até 50% dos usuários que ampliarem o consumo de água em relação à média dos últimos dozes meses. Batizada de "tarifa de contingência" – os tucanos adoram "tucanar" as sacanagens –, ela já entrou em vigor em janeiro e penalizará as 31 cidades da região metropolitana abastecidas pelo Sistema Cantareira. Na maior caradura, o governador reeleito ainda atacou os "gastões" e tentou justificar o assalto. "A medida não tem caráter punitivo, mas educativo". Será que os milhões de paulistas que já sofrem com a falta de água engolirão a desculpa esfarrapada? Será que algum deles se arrependerá de ter votado no tucano?

A cobrança desta multa gerou imediata reação. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu ir à Justiça contra a sobretaxa. Para o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-SP, Marco Antonio Araújo, a nova tarifa é abusiva – devido à subjetividade de critérios para definir a cobrança – e ilegal. Ele lembra que a legislação federal sobre o saneamento no Brasil só prevê medidas tarifárias de contingência em "situação crítica de escassez ou contaminação de recursos hídricos que obrigue à adoção de racionamento". Já a Proteste, entidade de defesa do consumidor, lamentou que "nessa situação de escassez de água nos reservatórios o consumidor seja duplamente penalizado".

Apesar das tempestades das últimas semanas, os reservatórios do Sistema Cantareira, que abastecem mais de 6,5 milhões de moradores da Grande São Paulo, ficaram estagnados na casa dos 7%. Passado o período das chuvas, a queda das reservas – inclusive com a exploração do chamado "volume morto" – será ainda mais acelerada. Os paulistas não terão água para beber, tomar banho, lavar roupa e para outras necessidades. Além disso, muitos receberão em suas casas as contas com a chamada "tarifa de contingência" de até 50%. Em 2015, bairros da capital e cidades da região metropolitana ficarão sem água e com multas pesadas. O cenário poderá ser desesperador!

Será que dará para fazer uma nova festança do Palácio dos Bandeirantes, com direito ao beija-mão dos "calunistas" da mídia e dos aspones de Geraldo Alckmin? Como ficará a sua pré-candidatura à Presidência da República?

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02/06/2014

Para FIESP e deficientes mentais, não havia corrupção na ditadura

Filed under: Cidadão Boilesen,Ditadura,FIESP,Operação Condor,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 7:52 am
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ditadura sanguináriaAproximação da Fiesp com militares estimulou negócios

Indústrias se organizaram para vender às Forças Armadas, dizem documentos achados na Escola Superior de Guerra

Grupo criado para apoiar o golpe de 1964 mobilizou empresas para possibilidade de guerra civil no Brasil

RICARDO MENDONÇADE SÃO PAULO

Um conjunto de documentos dos anos 70 arquivados na ESG (Escola Superior de Guerra) mostra que a união dos empresários paulistas com os militares nos preparativos do golpe de 1964 ajudou a estimular negócios para as empresas nos anos seguintes.

A conclusão surge da leitura das transcrições de palestras que os próprios industriais ministraram na ESG entre 1970 e 1976, material obtido pela Folha na instituição.

Tudo começou poucos dias após o golpe, quando a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) criou um órgão de apoio aos militares em seu próprio interior.

A iniciativa era de industriais que diziam ter ajudado com dinheiro e equipamentos na derrubada do governo João Goulart, ação que resultou em 21 anos de ditadura.

Subordinado à presidência da Fiesp, o órgão foi batizado de GPMI (Grupo Permanente de Mobilização Industrial). Seu objetivo era converter a indústria paulista em fornecedora de material bélico, caso grupos de esquerda reagissem contra o golpe e deflagrassem uma guerra civil.

Numa apresentação feita em 1972, o então presidente da Fiesp, Thobaldo De Nigris, explicou que cabia ao GPMI planejar a "implantação do maior número de fábricas capazes de, no menor prazo industrialmente possível, produzirem os artigos de que necessitará o país na hipótese de uma mobilização geral".

Uma siderúrgica precisava estar preparada para fabricar aço para granadas de artilharia ou morteiros, exemplificou. Uma tecelagem, apta para, com rápidos ajustes, fornecer levas de uniforme verde-oliva. E assim por diante.

Não houve reação ao golpe de 1964, e a guerra não aconteceu. Mesmo assim, o GPMI foi mantido pela Fiesp e passou a ter como tarefa a organização da participação de indústrias paulistas nas concorrências das Forças Armadas.

O grupo recebia os pedidos dos militares, encaminhava as demandas aos sindicatos das indústrias capazes de entregar a encomenda e fazia o contato entre o comprador e as empresas escolhidas para fornecer às Forças Armadas.

Em sua fundação, semanas após o golpe de 1964, o GPMI era composto por dez representantes da elite do empresariado e 11 militares.

Entre os civis estavam Raphael Noschese, presidente da Fiesp, De Nigris e Mário Amato, empresários que assumiriam a presidência da entidade nos anos seguintes.

No time dos militares, os mais destacados eram o major brigadeiro Márcio de Souza Melo, que depois foi ministro da Aeronáutica no governo Castello Branco, e o general Edmundo Macedo Soares e Silva, ex-governador do Rio e depois ministro da Indústria do governo Costa e Silva.

Arquivos do jornal "Correio da Manhã" mostram que já em 1966 o industrial Vitório Ferraz, o primeiro presidente do GPMI, trabalhou com militares pela instalação de uma fábrica de aviões no Ceará. Ele falava em investimentos de até Cr$ 40 bilhões (cerca de R$ 440 milhões hoje).

Em 1967, o GPMI encaminhou uma intenção de compra de navios pela Marinha.

ORGULHO

Numa exposição na ESG em 1970, Ferraz afirmou que "até hoje orgulha-se o GPMI de dizer que todas as solicitações feitas foram atendidas".

Na palestra de 1972, De Nigris disse que o GPMI havia encaminhado 61 concorrências das Forças Armadas em 1970 e 66 no ano seguinte.

O empresário mencionou como bom exemplo do intercâmbio com os militares a venda de 10 mil unidades da "primeira ração racional de combate totalmente brasileira, com duração de seis meses, à prova de água e totalmente balanceada".

A primeira década da ditadura instalada pelo golpe de 1964 foi um período de expansão dos gastos militares. Até 1964, essas despesas não passavam de 1,7% do PIB (Produto Interno Bruto). Em 1970, elas bateram um recorde e alcançaram 2,5% do PIB.

Em 1973, o empresário Quirino Grassi propôs na ESG a criação de um fundo com contribuições de cada ministério militar para facilitar os negócios com o setor privado. Ele também pediu incentivos fiscais para "indústrias consideradas mobilizáveis".

Já era, porém, o início de um período de esfriamento nas relações dos militares com os empresários. Em 1974, depois do primeiro choque do petróleo, as despesas totais das Forças Armadas despencaram para 1,3% do PIB.

O governo Ernesto Geisel, a partir de 1974, foi o momento em que parte do empresariado começou a se distanciar do regime, lembra o historiador Marco Napolitano, professor da USP. Em 1979, os gastos das Forças Armadas ficaram abaixo de 1% do PIB.

Veja a íntegra dos documentos da ESG
folha.com/no1463425

    22/06/2013

    Segredos ditatoriais

    Filed under: Cidadão Boilesen,Ditadura,Operação Condor,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 12:07 am
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    Archivos del terror, derecho a la verdad

    Por: María José Turrión | 20 de junio de 2013

    Archivo de la Stasi

    Archivo con documentos de la Stasi. / AP

    El estudio y utilización de la documentación producida y administrada por los regímenes totalitarios resulta fundamental en las etapas transicionales, y también en las posteriores, de los emergentes estados democráticos. Los denominados archivos de represión, en ocasiones también llamados archivos del terror, se manifiestan esenciales a la hora de recuperar la memoria, y ejercer los derechos fundamentales de muchas víctimas que padecieron violación de derechos humanos. Entendemos el derecho a la verdad como un bien necesario y un derecho fundamental en las sociedades democráticas. Son archivos que fueron creados para la información de los propios estados dictatoriales resultando fundamentales para el ejercicio de la represión. Originados por los organismos encargados de la seguridad del estado, dan como resultado una serie de archivos judiciales, militares, político sociales, etc. que son puestos a disposición de los ciudadanos una vez superadas las dictaduras y que paradójicamente invierten su sentido. Fueron creados para la represión y son utilizados en la reparación a las víctimas.

    En los regímenes represivos los servicios de seguridad, de información, de documentación de un estado, contienen la información esencial para reconstruir hechos e itinerarios que, demuestran violación de los derechos humanos, crímenes contra la humanidad, o cualquier otro tipo de hecho punible en una sociedad democrática. Los propios actores represivos son conscientes de la importancia de estos archivos, por lo que pretenden en numerosas ocasiones, cuando es posible predecir la caída del régimen, hacer desaparecer estas pruebas documentales.  La complejidad en la localización física de estos documentos, así como el análisis de su contenido, no siempre fácil,  no debe hacer desfallecer los esfuerzos de las nuevas administraciones por recuperarlos.

    El hecho de no encontrarse no quiere decir que no existan, es cierto que en algunos casos se destruyen, como ocurrió con los archivos del Ministerio para la Seguridad del Estado de la antigua República Democrática Alemana (RDA), la conocida Stasi, cuyos locales fueron ocupados inmediatamente después de la desaparición de la república comunista. Con la caída del muro, había comenzado una destrucción masiva de todo el corpus documental informativo destinado al control y la represión de miles de ciudadanos. Cientos de documentos fueron cortados por máquinas destructoras en tiras de papel hasta que se produjo la ocupación de la sede de la Stasi en Berlín por la ciudadanía, que impidió que se siguiera destruyendo esos archivos.

    En la actualidad Alemania continúa con la reconstrucción documental, gracias a una aplicación informática creada al efecto, contabilizándose hoy en día en unos 130 kilómetros la documentación accesible a los ciudadanos, a la que habría que añadir miles de fotografías, películas, registros sonoros y millones de fichas.

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    Concentración contra los desaparecidos durante la dictadura de Stroessner en Paraguay. / REUTERS

    En Paraguay, en 1991 gracias a la denuncia de Martín Almada, se localizaron en la habitación de una casa los llamados “archivos del terror”. El archivo de la policía que demuestra la represión ejercida sobre el pueblo de Paraguay por la dictadura de Alfredo Stroessner durante los 35 años que duró su régimen y también la conexión entre las dictaduras del Cono Sur en la llamada Operación Cóndor.

    Si la importancia de los archivos tradicionales, de ese acervo documental que se reúne, produce y conserva a lo largo del tiempo, resulta fundamental para la garantía de derechos y sirve de fuente para la historia, sin duda la conservación y preservación de este otro tipo de archivo, el de la represión, viene siendo esencial como material que da soporte a las denuncias de violación de los derechos humanos, aportando además el testimonio histórico y el esclarecimiento de los hechos ocurridos durante la represión. Sirven para la reparación, la depuración y la investigación.

    Desde esos archivos se emiten los certificados necesarios para la tramitación ante las administraciones de diferentes tipos de reparaciones -bien sean económicas, de carácter personal, social, jurídicas, etc.-, documentos necesarios para las víctimas que tramitan las diferentes ayudas o reparaciones recogidas en las múltiples normas reparadoras que se publican en países democráticos, generalmente al concluir los períodos dictatoriales y/o totalitarios, en el momento inmediato posterior al fin de la dictadura o algo más alejado en el tiempo.

    Es cierto que cada sociedad, mantiene su propia personalidad y manera a la hora de enfrentarse con el pasado traumático. Dentro de cada país también, los distintos grupos políticos acogen de diferente forma este enfrentamiento. El pasado inmediato, o incluso aquel algo más alejado en el tiempo, que cuente con la existencia de hechos traumáticos, sigue presente en la sociedad si no se repara a las víctimas o a sus descendientes. La utilización de los archivos como fuente documental para la búsqueda de la verdad en un contexto judicial  o extrajudicial servirá para que las estructuras democráticas crezcan amparadas en los Derechos Humanos: la realidad aunque sea dolorosa ha de conocerse, forma parte de la identidad colectiva. El derecho a la verdad, a conocer, es un derecho fundamental en sociedades democráticas, por tanto deben vigilar y garantizar la conservación y el acceso a los mismos.

    En prácticamente todos los países que han pasaIMG_3895do de regímenes totalitarios o dictatoriales a otros de carácter democrático ha existido un ordenamiento jurídico reparador para las víctimas y represaliados de estos regímenes.

    Un país democrático prestará los recursos necesarios para la recuperación de archivos dispersos y desconocidos, tanto en organismos públicos, como en asociaciones y archivos privados, de personas físicas y jurídicas. De la misma manera que es fundamental la desclasificación de documentos, que sirvan para preservar los derechos fundamentales.

    Los archivos de represión son esenciales en los trabajos que desarrollan las comisiones de la verdad, las víctimas de la represión, los familiares de las víctimas y los historiadores. A su vez, los archivos que crean muchas de estas comisiones de verdad, en ocasiones exclusivamente a partir de los testimonios de las víctimas directas o de sus familiares, constituyen  una fuente imprescindible para muchos países dónde por desgracia no se han preservado o encontrado los archivos testimonio de la represión. Caso de Argentina, donde apenas han sido localizados o entregados, siendo uno de ellos el de la Dirección de Inteligencia de la Policía de la provincial de Buenos Aires (DIPBA). Un país, Argentina, que va descubriendo en los propios juicios que se siguen contra los represores, y a través de los datos aportados por los fiscales, que existen registros documentales de todos los secuestrados, así como de las declaraciones bajo tortura.

    La identidad de los pueblos se conforma en buena medida por su memoria. Una falsa identidad, aunque se vista de pulcritud, solo lleva a una estructura débil y senil, sin esperanza de futuro y amenazada  por su propia fragilidad, como si de un castillo de naipes se tratara.

    Junto a estos archivos de represión, ven la luz otro tipo de archivos. Son los producidos por las víctimas, testigos transcendentales también en la construcción de nuestra identidad. Por ello  debemos celebrar, la reciente aparición de nuevos centros, como el Archivo Imre Kertész, creado por la Academia de las Artes de Berlín, con los manuscritos del Premio Nobel. Sin duda su obra, legado de una vida relacionada profundamente con el Holocausto y su paso por los campos de concentración de Auschwitz y Buchenwald, nos enseñará a pensar el último siglo y a decidir cómo queremos que sea este. 

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    Un lugar de tortura convertido en lugar de memoria en Chile. / MARÍA JOSÉ TURRIÓN

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    14/05/2013

    Comissão da verdade quer ouvir a comi$$ão da ditabranda

    Filed under: Cidadão Boilesen,Ditabranda,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 8:08 am
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    Cidadão BOILESENComissão da Verdade chamará empresários vinculados à ditadura

    A próxima coordenadora da comissão, Rosa Cardoso, quer ouvir executivos que teriam bancado a repressão

    Historiadores apontam a participação de diversos empresários no financiamento da Operação Bandeirante

    JOÃO CARLOS MAGALHÃESDE BRASÍLIA

    A Comissão Nacional da Verdade vai convocar para prestar depoimentos públicos –além dos militares suspeitos de mortes, torturas e desaparecimentos– os empresários que teriam contribuído para financiar a repressão política executada pela ditadura militar (1964-1985).

    "Vamos chamar. Tem o elemento civil da ditadura. Hoje a academia chama [o regime] de ditadura civil-militar’, então temos que falar desse elemento civil", disse à Folha Rosa Cardoso, que assume a coordenação do grupo por três meses no próxima sexta, substituindo Paulo Sérgio Pinheiro.

    Os depoimentos públicos da comissão começaram com o do coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, 80. Na última sexta, ele confrontou aos gritos os membros do grupo e disse que a ditadura salvou o país de um suposto golpe comunista.

    O entendimento de que a comissão deve descrever em seu relatório final (a ser entregue em maio de 2014) a participação empresarial na repressão já era consensual antes mesmo de o grupo ser empossado, um ano atrás.

    A historiografia sobre o período descreve a participação de diversos empresários na repressão, em especial no financiamento da Oban (Operação Bandeirante), um grupo de integrantes das Forças Armadas e das polícias estaduais criado no fim dos anos 1960 com o fim de acabar com a resistência ao regime.

    O caso mais famoso é o do empresário dinamarquês naturalizado brasileiro Henning Albert Boilesen . Apontado como financiador da Oban, ele foi assassinado por esquerdistas em 1971.

    Segundo Rosa, é possível que primeiro sejam feitos os depoimentos públicos com militares e, depois, com os empresários. Na semana que vem, a comissão vai se reunir para decidir a lista dos nomes. Dificilmente serão chamados mais do que dez, afirmou. Os convocados podem ficar em silêncio, mas são obrigados a se apresentar.

    Em sua gestão, Rosa irá fomentar a criação de novos comitês da verdade –grupos da sociedade civil que apoiam a comissão– e fortalecer os subgrupos da comissão que apuram o que ocorreu com sindicalistas e com militares que se opunham ao regime.

    Para ela, o colegiado tem mais oito meses para apurar as violações aos direitos humanos feitas no regime, uma vez que os últimos quatro meses devem ser dedicados à redação do relatório final.

    A participação de empresários e de membros do Judiciário foi lembrada ontem por Paulo Sérgio Pinheiro num ato em que ele fez um balanço do primeiro ano de trabalho da comissão, empossada em 16 de maio de 2012.

    Segundo ele, o relatório será contundente, explicitará a "cumplicidade de setores do Poder Judiciário no encobrimento de crimes" e vai "reconstituir a colaboração de empresas e empresários na manutenção do sistema paralelo de repressão articulado com as Forças Armadas".

    03/04/2013

    Boilensen

    Filed under: Cidadão Boilesen,Ditadura,DOI-CODI,Instituto Millenium,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 9:43 am
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    Boilensen: o canalha que veio fazer no Brasil o que não podia fazer na Dinamarca

    Paulo Nogueira2 de abril de 201318

    O empresário que financiou a repressão na ditadura  teve que deixar a Escandinávia para soltar seus demônios.

    Um canalha, em suma

    Um canalha, em suma

    Por sugestão de um amigo do Diário, NX, assisti ontem ao bom documentário Cidadão Boilesen, de Chaim Litowski.

    Num momento em que o Brasil reflete tanto — e com tamanho atraso se comparado a vizinhos como a Argentina — sobre a ditadura, ver Cidadão Boilensen é altamente recomendável. (Vou deixá-lo no pé deste artigo.)

    Henning Boilesen, em suma, foi um canalha.

    Ele não apenas financiou a brutal repressão da Oban em São Paulo como, segundo relatos confiáveis, era espectador sádico de sessões de tortura.

    Boilensen era presidente de uma empresa de gás, o grupo Ultra. Militantes perceberam que em muitas ações da Oban havia caminhões da Ultragaz nos arredores das casas vasculhadas.

    Era Boilensen quem fornecia os caminhões, usados pelos agentes policiais. (Octavio Frias, da Folha, soube-se depois, também cedia à Oban peruas do jornal para a perseguição a suspeitos.)

    Bem, para encurtar, militantes se vingaram e o executaram em São Paulo. O documentário mostra que ele recebeu avisos da polícia política de que estava na mira, e ofertas de segurança, mas as rechaçou num gesto de machismo obtuso e letal.

    Queria sublinhar uma coisa que me chamou a atenção.

    O documentário foi à Dinamarca natal de Boilensen para reconstruir seu perfil.

    Um entrevistado disse o seguinte: Boilensen tinha um demônio dentro de si que o sistema brasileiro permitiu que florescesse.

    Nosso sistema.

    Na Escandinávia, ele não poderia fazer o que fez. Seria socialmente um pária. Seria rejeitado. Teria, em suma, que se ajustar e melhorar, ou seria excluído do convívio da sociedade dinamarquesa por ser uma aberração nociva aos demais.

    O Diário luta pela escandinavização do Brasil, como nossos leitores sabem.

    Um sistema social saudável como o escandinavo não permite que surjam Boilensens.

    Também não permite que a mídia corporativa atrase tanto o avanço do país – pagando impostos ridiculamente baixos e lutando contra coisas vitais como o fim de monopólios e oligopólios — apenas para manter seus privilégios.

    É por coisas assim que o Diário renova aqui, mais uma vez, seu compromisso de ajudar o Brasil a se tornar mais escandinavo.

    Diário do Centro do Mundo Boilensen: o canalha que veio fazer no Brasil o que não podia fazer na Dinamarca – Diário do Centro do Mundo

    Que venha a verdade

    A Comissão da Verdade poderia começar ouvindo as cinco famílias que mais enriqueceram com a Ditadura: Civita, Mesquita, Frias, Marinho & Sirotsky! Até porque foram os grupos mafiomidiáticos que mais se empenharam, em editorial, preparando o golpe. E, dado o golpe, se locupletaram. A Folha, inclusive, emprestava suas peruas para transportar presos, clandestinamente, ao matadouro do DOI-CODI.

    Comissão da Verdade quer ouvir civis sobre a ditadura

    Delfim Netto, que foi ministro da Fazenda durante o regime militar, deverá ser um dos convocados a depor

    DE SÃO PAULO

    A Comissão Nacional da Verdade já identificou cerca de 250 agentes suspeitos de colaboração com a ditadura militar e pretende convocá-los para depor, disse o coordenador do grupo, Paulo Sérgio Pinheiro, ontem em São Paulo.

    Ele não detalhou quantos e quais já foram ouvidos, e defendeu o sigilo da maior parte das investigações para que os depoentes colaborem. "Queremos indicar as autorias [dos crimes], e não há forma de fazer isso sem oitiva discreta", disse.

    Também participaram da entrevista com jornalistas os integrantes da comissão José Carlos Dias, Rosa Maria Cardoso e Maria Rita Kehl.

    A advogada Rosa Maria Cardoso ressaltou que a comissão também quer ouvir civis que tenham colaborado para a articulação do golpe de 1964 e para o financiamento do regime ditatorial, entre eles políticos e empresários.

    "Se hoje se ressalta tanto o elemento civil, dizendo que o golpe foi civil-militar, é preciso que isso fique elucidado", disse ela.

    Um dos civis que o comitê pretende convocar é o economista Antonio Delfim Netto, que foi ministro nos governos de Costa e Silva e Médici (Fazenda) e de João Baptista Figueiredo (Agricultura).

    Delfim foi um dos signatários do AI-5, que endureceu o regime e instituiu a censura prévia a partir de 1969.

    A assessoria de Delfim disse que ele não se pronunciaria, uma vez que ainda não foi oficialmente convocado.

    Entre os militares, o grupo quer convocar o coronel reformado Carlos Alberto Ustra, que chefiou o DOI-Codi em São Paulo de 1970 a 1974.

    O advogado dele, Paulo Esteves, disse que, se convocado, Ustra poderá comparecer e deverá ser coerente com os depoimentos que já prestou até hoje, em que nega ter praticado tortura.

    Pinheiro disse ontem que a comissão já identificou 250 arquivos que possam conter documentos da ditadura, mas que o grupo só teve acesso a 50 deles.

    19/03/2013

    O Cidadão Boilesen da Argentina

    Filed under: Argentina,Cidadão Boilesen,Ditadura,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 9:25 am
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    José A. Martínez de la Hoz, líder civil de la dictadura argentina

    Murió en arresto domiciliario, encausado por secuestro e intento de extorsión

    Alejandro Rebossio 17 MAR 2013 – 01:21 CET10

    José Alfredo Martínez de la Hoz, exministro de Economía de la dictadura argentina.

    El hacendado y empresario José Alfredo Martínez de Hoz, que fue el emblemático ministro de Economía de la última dictadura militar de Argentina entre 1976 y 1981, murió ayer en Buenos Aires a los 87 años. En arresto domiciliario tras su detención en 2010, estaba procesado por su presunta responsabilidad en el secuestro y la tentativa de extorsión de dos empresarios textiles.

    Martínez de Hoz encarnó el rostro civil de la dictadura. En cinco años de gestión impulsó una fuerte apertura a la importación de bienes, con lo que comenzó el deterioro de la industria argentina; una congelación de las nóminas, por lo que los trabajadores perdieron casi la mitad de su participación en la renta nacional; la llamada “bicicleta financiera”, que hacía más atractivos los negocios especulativos que los productivos, y la multiplicación de la deuda externa —incluidos préstamos de países democráticos como Alemania Occidental y Holanda— de 8.000 millones de dólares en 1976 a 35.700 millones en 1981, un pasivo cuya legitimidad ha sido cuestionada por la izquierda que se opone a los Kirchner. Simultáneamente, el régimen hizo desaparecer a dirigentes sindicales en grandes empresas nacionales y extranjeras, como Ford, Mercedes-Benz y Acindar (entonces de capitales argentinos y en la actualidad, de ArcelorMittal).

    Apodado Joe, había nacido en 1925. Era abogado y economista, perteneciente a una familia que había dirigido la aristocrática Sociedad Rural Argentina, colectivo de grandes terratenientes ganaderos. Se estrenó en política en la dictadura militar (1955- 1958) que derrocó al Gobierno de Juan Domingo Perón (1946- 1955) como ministro de Economía de la provincia norteña de Salta. Después fue ministro de Economía del dictador civil argentino José María Guido (1962- 1963) y actuó en diversas empresas, entre ellas, Acindar, antes de que el autócrata militar Jorge Videla le nombrara ministro de Economía. Como tal implementó la tablita, mecanismo cambiario que supuestamente buscaba controlar la inflación y apreciar la moneda local, invento que benefició la importación y la especulación financiera, afectó a la producción local y terminó estallando por insostenible.

    Tras el regreso de la democracia en Argentina, en 1983, fue arrestado por su supuesta complicidad con la represión ilegal del régimen, pero el presidente Carlos Menem (1989-1999), un peronista neoliberal, le indultó. En 2006, la Corte Suprema de Argentina declaró inconstitucional el perdón a los responsables del terrorismo de Estado y cuatro años más tarde Martínez de Hoz quedó bajo arresto domiciliario.

    El exministro de Economía de la dictadura fue un hombre que despertó repudios en amplios sectores de la sociedad argentina. No por nada su familia decidió enterrarlo discreta y rápidamente, el mismo día de su muerte, en un cementerio privado del municipio bonaerense de Pilar.

    “Martínez de Hoz fue el verdadero jefe civil del golpe terrorista del 24 de marzo”, declaró el entonces secretario de Derechos Humanos de Argentina, el fallecido Eduardo Luis Duhalde. “Se trata de una figura emblemática como autor del proyecto económico que tenía por finalidad la dictadura: la aplicación de la política económica del ajuste, para lo cual se valía de la rebaja escandalosa del ingreso, el desmantelamiento del Estado, la concentración monopólica del capital financiero y el disciplinamiento de la sociedad mediante el terrorismo de Estado, con su secuela de muertes y desapariciones”, añadió Duhalde. De la Hoz siempre denunció ser víctima de una persecución interminable. Ahora ya no.

    José A. Martínez de la Hoz, líder civil de la dictadura argentina | Internacional | EL PAÍS

    18/03/2013

    OBAN é pai do CANSEI e avô do Instituto Millenium

    Filed under: Bandidagem,CANSEI,Cidadão Boilesen,Ditadura,OBAN,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 10:48 pm
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    Os empresários e a OBAN

    Enviado por luisnassif, seg, 18/03/2013 – 19:23

    Autor: Luis Nassif

    As reportagens do José Casado, em O Globo, sobre o envolvimento dos empresários com a repressão, me trouxeram velhas lembranças.

    Quando Ernesto Geisel assumiu a presidência, em 1975, passou a impressão de que traria uma lufada de civilização ao regime militar, após os trágicos anos da Junta Militar e do governo Médici. Tinha como conselheiro o general Golbery, incensado por parte da imprensa como democrata,

    Os livros do Elio Gaspari, fundamentais para entender o período, desfizeram o mito que o próprio Gaspari ajudou a criar na época. Na essência, Geisel talvez fosse menos preocupado com direitos humanos que o próprio Médici.
    Em todo caso, quando assumiu a presidência, herdando uma inflação camuflada deixada por Delfim Neto – Ministro da Fazenda de Médici – abriu uma brecha na frente militar, permitindo algum espaço para o jornalismo criticar o período anterior.

    O novo Ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen, e o novo presidente do Banco Central Paulo Lyra, entraram endurecendo, liquidaram alguns bancos (Halles, Independência Decred), quase provocaram uma crise bancária e depois recuaram um pouco.

    Começando no jornalismo econômico, consegui emplacar minha primeira matéria especial com a denúncia dos escândalos financeiros da era Médici. No Estadão, quem se valeu do espaço aberto foi Antonio Machado, amigo e em início de uma brilhante carreira.

    Na época, as matérias mais críticas que levantávamos acabavam publicadas (com pseudônimo) no jornal Movimento. Com o espaço recém-aberto, tentei convencer a Veja a dar uma matéria sobre Jorge Wolney Atalla, presidente da Coopersucar.

    Na época, Atalla tinha bancado a escuderia de Emerson Fittipaldi na Fórmula 1 e era considerado um dos principais financiadores da Operação Bandeirantes.

    Correspondente do The Guardian, o Bernardo Kucinsky conseguiu informações importantes sobre Atalla, trocamos figurinha e levei a proposta de matéria para o Emilio Matsumoto, que dividia a editoria de Economia com o Paulo Henrique Amorim.

    Matsu consultou "a casa" – ou seja, Roberto Civita -, que deu luz verde.

    Saí a campo, recolhendo dados.

    Dias depois, soube que Atalla tinha sido recebido pelo Roberto Civita. Fiquei preocupado. Mais ainda quando recebi um telefonema da secretária de Atalla, dizendo que ele queria conversar comigo.

    Tendo algum contato com Paulo Belotti – o supertecnocrata, tido como homem de confiança de Geisel – telefonei para ele, atrás de alguma luz. Sua reação foi de temor de Atalla. Se o supertecnocrata temia Atalla, o que fazer?

    Confesso que vi a viola em caco.

    Na época, morava no mesmo prédio dos meus pais. Seu Oscar tinha sido derrubado por um derrame. Antes de sair para a reunião, conversei com dona Tereza, expliquei a situação, disse-lhe que não tinha ideia do teor da conversa. Mas, se eu não voltasse, que entrasse em contato com seu Aziz Nader.

    O velho Aziz era o patriarca da colônia libanesa em São Paulo. O patriarca era o mediador dos conflitos da colônia. Aziz tinha sido padrinho de casamento de meu pai, e seu filho Fuad meu padrinho de crisma.

    Cheguei à reunião com Atalla. Na sala, Ernani Donato, até algumas semanas antes relações públicas da Abril.

    Antes de Atalla entrar na sala, Donato me contou os motivos da visita a Roberto Civita: acertar algumas capas de Veja. Contou-me para tirar qualquer veleidade que eu pudesse ter, a respeito do respaldo da Abril.

    Atalla entrou e a primeira coisa que me disse foi estupenda, confirmando que minha intuição estava certa:

    – Patricio não f… patrício. Então que negócio é esse de dizer que eu assassino pessoas?

    Balbuciei algumas explicações, disse que as informações não eram minhas, mas do The Guardian, ele retrucou que era um jornal esquerdista.

    Não me lembro de mais detalhes da conversa. Sei que saí dali bem inseguro, mas o caso não teve desdobramentos, a não ser no redirecionamento das campanhas publicitárias da Copersucar

    Reencontrei Atalla muitos anos depois no Hotel Nacional, em Brasilia. Subimos no mesmo elevador, ele alquebrado, sem conseguir sequer levantar a cabeça. Reconheceu-me, cumprimentou-me e agradeceu menção que tinha feito, pouco antes, ao seu espírito empreendedor.

    De fato, nos tempos do "milagre", foi o empresário brasileiro que mais ousou, ainda que escudado na Copersucar. Quebrou com o crédito fácil que lhe foi aberto pelo Banco do Desenvolvimento do Paraná

    Os empresários e a OBAN | Brasilianas.Org

    16/03/2013

    Filme revela como EUA deram o Golpe de 1964

    Filme de Tavares ajuda a desacreditar Historialismo (ler em tempo) que atribui apenas a brasileiros a reação ao Governo trabalhista legitimamente eleito

    O presidente Lyndon Johnson (D) deu aval para o embaixador Gordon (E) desestabilizar Goulart e autorizou envio de navios ao Brasil

    Saiu no IG reportagem de Raphael Gomide:

    Com arquivos e áudios da Casa Branca, filme revela apoio dos EUA ao golpe de 64

    “O Dia que Durou 21 anos” revela conversas de Kennedy e Lyndon Johnson sobre o Brasil. Embaixador Lincoln Gordon coordenou com governo e CIA ações de desestabilização de Goulart e o envio de força-tarefa naval para ajudar conspiradores
    O filme “O Dia que Durou 21 anos”, de Camilo Tavares, revela como os Estados Unidos colaboraram para o golpe militar de 1964, que derrubou o presidente brasileiro João Goulart, com base em documentos sigilosos de arquivos norte-americanos e áudios originais da Casa Branca. O documentário, que será lançado dia 29, apresenta áudios de conversas dos presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson com assessores sobre o Brasil e mostra como os vizinhos do norte apoiaram os conspiradores, com ações de desestabilização e até militares.
    O embaixador dos Estados Unidos no Brasil no início dos anos 1960, o intelectual brasilianista de Harvard Lincoln Gordon, aparece como quase um vilão, com seus alarmantes telegramas para os presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson, em que apontava o risco iminente de o Brasil seguir Cuba em direção ao comunismo. “Se o Brasil for perdido, não será outra Cuba, mas outra China, em nosso hemisfério ocidental.” No contexto da Guerra Fria da época, pouco após Cuba se tornar socialista, esse era o pior pesadelo dos americanos.
    Em conversa com Kennedy, cujo áudio é reproduzido, Gordon avalia que o presidente brasileiro poderia ser um “ditador populista”, nos moldes do argentino Juan Perón. Em novembro de 1963, Lyndon Johnson afirma que não vai “permitir o estabelecimento de outro governo comunista no hemisfério ocidental”.
    EUA bancaram ações de propaganda e desestabilização do governo Goulart

    João Goulart ao lado de um de seus algozes, o embaixador Lincoln Gordon

    O documentário mostra, então, as ações de propaganda dos EUA, coordenadas por Gordon, para desestabilizar o governo brasileiro. Cita a criação e o financiamento de supostos institutos de pesquisa anti-Goulart, como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) para bancar “pesquisas” e campanhas de 250 candidatos a deputados, oito a governador e 600 a deputado estadual no País. Além disso, o estímulo de greves e artigos na imprensa contra o governo eram o “feijão com arroz” de “ações encobertas” da CIA (Agência Central de Inteligência) onde pretendia derrubar regimes, como explica o coordenador do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA, Peter Kornbluh.
    Em telegrama para Washington, Gordon admite: “Estamos tomando medidas complementares para fortalecer as forças de resistência contra Goulart. Ações sigilosas incluem manifestações de rua pró-democracia, para encorajar o sentimento anticomunismo no Congresso, nas Forças Armadas, imprensa e grupos da igreja e no mundo dos negócios.” Entrevistado, o assessor de Gordon na embaixada, Robert Bentley, não nega o financiamento americano, apenas sorri, cala e diz: “Isso era uma polêmica quando cheguei [ao Brasil].”
    O filme reitera ainda a importância do adido militar da embaixada Vernon Walters, amigo de oficiais brasileiros desde a 2ª Guerra Mundial, como o general Castelo Branco, que viriam a ser fundamentais na derrubada de Goulart. Cabia a Walters identificar insatisfeitos entre militares. O oficial descreve Castelo Branco, então chefe do Estado-Maior do Exército, como “altamente competente, oficial respeitado, católico devotado e admira papel dos EUA como defensores da liberdade”. Segundo Bentley, “havia muita confiança em Castelo Branco”, o “homem para sanear a situação, do ponto de vista dos interesses americanos”.
    Força-tarefa naval para apoiar o golpe pedido de ajuda de militares brasileiros

    Força-tarefa naval, com porta-aviões, foi autorizada a ser enviada ao Brasil para apoiar o golpe de 64


    Quando a situação esquenta, os EUA concordam em mandar navios de guerra para a costa brasileira, na chamada Operação Brother Sam, com o objetivo de intimidar e dissuadir o governo de resistir ao golpe. O presidente norte-americano autoriza, em áudio, a fazer “tudo o que precisarmos fazer. Vamos pôr nosso pescoço para fora (nos arriscar).”
    Um telegrama do Departamento de Estado dos EUA para Gordon descreve as medidas tomadas para “estar em posição de dar assistência no momento adequado a forças anti-Goulart, se decidido que isso seja feito”. A operação Brother Sam incluía enviar “uma força-tarefa naval, com um porta-aviões, quatro destróieres (contratorpedeiros) e navios-tanques para exercícios ostensivos na costa do Brasil”, além de 110 toneladas de munição e outros equipamentos leves, incluindo gás lacrimogêneo, para controle de distúrbios por avião.
    Um telegrama “top secret” da CIA, de 30 de março – véspera da eclosão do movimento – mostra como os americanos estavam bem informados e articulados com os conspiradores. No documento intitulado “Planos de Revolucionários em Minas Gerais”, os espiões dizem que “Goulart deve ser removido imediatamente. Os governadores de São Paulo e Minas Gerais chegaram definitivamente a um acordo. A ignição será uma revolta militar liderada pelo general Mourão Filho. As tropas vão marchar para o Rio de Janeiro.”
    Documento assinado pelo secretário de Estado dos EUA, Dean Rusk confirma que os golpistas pediram apoio militar aos EUA. “Pela primeira vez, os golpistas brasileiros pediram se a Marinha americana poderia chegar rapidamente à costa sul brasileira.” Para o professor de História da UFRJ Carlos Fico, a retaguarda da Brother Sam foi fundamental para dar segurança aos militares que derrubariam o regime. Apesar dos documentos e de forma pouco convincente, o diplomata Bentley, nega ter ouvido falar na operação.
    Newton Cruz: “Toda revolução, para começar, tem um maluco. O Mourão saiu!”

    João Goulart, no comício da Central do Brasil, às vésperas de ser deposto

    O filme tem ainda momentos engraçados. “Toda revolução, para começar, tem um maluco. O Mourão [general Olympio Mourão Filho, que liderou as tropas de Juiz de Fora em direção ao Rio] saiu!”, ri o general Newton Cruz, ex-chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações). A filha do general Mourão Filho, Laurita Mourão, diz que o pai chamou de “covarde” Castelo Branco, o primeiro presidente militar após o movimento, ao ser criticado por suposta precipitação ao mover tropas em direção ao Rio. “Castelo Branco, você é um medroso, é um…” Nas palavras da filha, ele também “foi entregar a Revolução a Costa e Silva [posteriormente também presidente do regime], que estava dormindo, de cuecas.”
    Após o sucesso da iniciativa, Gordon escreve aos EUA. “Tenho o enorme prazer de dizer que a eliminação de Goulart representa uma grande vitória para o mundo livre”. Robert Bentley conta que participou, no gabinete vazio de Goulart, de reunião sobre a posse do novo regime em que estava o presidente do Supremo Tribunal Federal. Ao telefone para o embaixador, foi perguntado se a posse do novo regime tinha sido legal, e respondeu: “’Parece que foi legal, não sei dizer’. Acordei 12h depois e [os EUA] tinham reconhecido o governo.”
    “Acho que há certas pessoas que precisam ser presas mesmo”, disse Lyndon Johnson

    Filme estreia dia 29

    Poucos dias após o golpe, em um interessante áudio, o presidente Johnson debate com o assessor de Segurança McGeorge Bundy o tom da mensagem para o novo presidente do Brasil.
    – Há uma diferença entre Gordon, que quer ser muito caloroso, e nossa visão da Casa Branca, de que o sr. deveria ser um pouco cauteloso, porque estão prendendo um monte de gente.
    – Eu acho que há certas pessoas que precisam ser presas mesmo. Não vou fazer nenhuma cruzada contra eles, mas eu não quero… Eu gostaria que tivessem colocado alguns na prisão alguns antes que Cuba fosse tomada – responde Johnson.
    – Uma mensagem mais rotineira seria desejável neste momento.
    – Eu seria um pouco caloroso – diz o presidente.
    – É mesmo? Isso vai ser publicado.
    – Eu sei, mas eu estou me lixando!, finaliza o presidente.
    Juracy Magalhães: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”
    O filme avança, mostrando o Ato Institucional nº 1, que cassa os direitos políticos e mandatos de parlamentares e de militares. Um deputado chora sobre a mesa, na Câmara. E lembra, para ilustrar a proximidade do regime militar brasileiro com os EUA, a célebre frase que marcou o militar Juracy Magalhães, embaixador do Brasil em Washington: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”.
    Projeto familiar

    Kennedy recebe o embaixador no Brasil, Gordon

    O documentário é também um projeto familiar e uma homenagem do diretor, Camilo Tavares, ao pai, o jornalista e ativista político Flávio Tavares – um dos 15 presos trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado no Rio em 1969.
    Flávio aparece na famosa foto dos presos (abaixo) diante do avião que os levaria ao exílio, no México – onde o diretor nasceria, em 71 –, e em um flash rápido, em lista de “procurados”, com o nome de Flávio Aristides. É também Flávio Tavares quem faz as entrevistas, ficando frente a frente com ex-adversários, o diplomata Bentley e Jarbas Passarinho, ministro que assinou sua extradição. A mulher de Camilo, Karla Ladeia, é produtora-executiva.
    Para o embaixador Elbrick, seu sequestro foi uma tentativa de “constranger os governos brasileiro e norte-americano”. Mas há outros momentos de constrangimento americano no filme. Após aparecer a foto de um homem pendurado em um pau-de-arara, Bentley é questionado sobre as violações a direitos humanos. “É difícil de justificar oficialmente. Mas lamento… lamento (ri), de qualquer maneira.” À época, entretanto, as mensagens internas do governo americano pregavam a discrição. “Embora não busquemos justificar atos extra-legais ou excessos do governo, concluí que nossa melhor decisão é nos aproximarmos ao máximo do silêncio de ouro”, recomenda Gordon.
    O filme surpreende ainda com depoimentos inusitados e críticos de protagonistas do regime, como o general Newton Cruz, chefe do SNI. “Quando a Revolução nasceu era para fazer uma arrumação da casa. Ninguém passa 20 anjos para arrumar a casa!”
    O filme conclui com uma frase ácida do coordenador do Arquivo de Segurança Nacional, o norte-americano Peter Kornbluh. “Tudo isso foi feito em nome da democracia, supostamente.”

    Presos libertados pelo sequestro do embaixador Charles Elbrick, dos EUA. Flávio Tavares, pai do diretor, é o primeiro à direita, agachado

    Em tempo: ” historialismo ” nao é História nem Jornalismo – PHA

    Filme revela como EUA deram o Golpe de 1964 | Conversa Afiada

    11/03/2013

    À moda OBAN

    A Operação Bandeirantes, financiada pelos empresários ligados à FIESP, deu sustentação logística e financeira aos torturadores do DOI-CODI. Com a mesma origem e com os mesmos objetivos foi criado o Instituto Millenium. OBAN e Instituto Millenium são duas crias tipicamente paulistas. No antro do atraso nada mais natural que floresçam dinossauros e brucutus. Os grupos mafiomidiáticos existem para darem voz aos seus financiadores ideológicos, que também a razão de ser de entidades como OBAN e Instituto Millenium. E por aí também se entende porque São Paulo é prolífica em políticos corruptos: Ademar de Barros, Paulo Maluf, Orestes Quércia, Celso Pitta, FHC, Serra, José Maria Marin, e movimentos conservadores como o Integralismo, o CCC, Opus Dei. As famiglias Civita, Frias, Mesquita não fazem feio ao pior coronelismo de dois séculos atrás do interior do nordeste. E adicione a isto um messianismo do tipo que tivemos em Canudos, hoje com o nome de Opus Dei, e temos uma mistura que nitroglicerina pura. Contra o “demônio da esquerda” o diabo é um aliado divino.

    Até Campos nega ser discriminado por Dilma

    :

    Ao contrário do que noticiou o jornal Estado de S. Paulo como manchete principal neste domingo, não houve discriminação do governo federal em relação a Pernambuco; neste fim de semana, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, soltou nota para contestar a reportagem do jornal e até mesmo o governador pernambucano, o socialista Eduardo Campos, negou qualquer problema desse tipo; jornal ainda não reconheceu o erro

    11 de Março de 2013 às 05:34

    247 – Na noite de domingo, o Ministério do Planejamento divulgou uma nota para rebater a reportagem feita pelo "O Estado de S. Paulo", como manchete principal do último domingo, que sugere discriminação em repasses financeiros para Pernambuco, estado governado por Eduardo Campos (PSB), possível candidato à presidência da República em 2014.

    A possibilidade de motivação política é negada pelo Ministério do Planejamento. “O governo federal trabalha de forma republicana, investindo indistintamente um volume crescente de recursos, em todos os estados brasileiros, para melhorar a qualidade de vida de toda a população. É falsa a conclusão da reportagem de que haveria algum tipo de discriminação do governo federal com qualquer estado brasileiro”, diz a nota da ministra Miriam Belchior.

    Curiosamente, o próprio Eduardo Campos, suposta vítima da discriminação federal, negou qualquer problema de relacionamento com o Planalto, a não ser a divergência em relação à MP dos Portos, segundo consta de reportagem de hoje do próprio Estadão, conforme abaixo:

    Eduardo Campos também negou que haja "discriminação contra Pernambuco por parte do governo federal no tocante a transferências de recursos". O governo do Estado também afirma ter recebido investimentos do PAC, "que tem tramitação mais ágil e é à prova de contingenciamentos".

    "Pernambuco tem uma estratégia de captação de recursos agressiva", declarou o governador, em nota. "Desde 2007, os programas do Estado financiados com transferências voluntárias da União mais que quadruplicaram."

    O jornal, no entanto, ainda não reconheceu o erro na manchete de ontem, que utilizou dados do Tesouro Nacional. Em 2007, primeiro ano do mandato de Campos, a participação de Pernambuco no total das transferências voluntárias era de 5%. Em 2010, último ano de gestão Lula, alcançou 14,6% com R$ 994 milhões, a maior fatia de tudo o que foi repassado aos Estados no ano. Em 2011, as transferências caíram para R$ 318 milhões. Mas em 2012 os repasses chegaram a R$ 219 milhões, o menor desde 2006, ano em que o governador era Jarbas Vasconcellos. As transferências voltaram a 4,88% do total enviado para os Estados, o mais baixo porcentual do governo Campos. Como justificativa, o jornal aponta as crescentes tensões entre partido e governo – o que a ministra Miriam Belchior e o próprio Eduardo Campos contestam.

    Leia a nota do Planejamento na íntegra:

    “Nota à imprensa em resposta à matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo:

    O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão esclarece que são equivocadas as informações contidas na matéria “Dilma reduz repasses para Estado de Eduardo Campos” (10/03), pelos motivos que se seguem:

    É incorreto analisar o volume de recursos investidos pelo Governo Federal em qualquer Estado brasileiro, considerando estritamente as transferências voluntárias, definida pela reportagem como aquelas que “compreendem recursos por meio de convênios ou acordos, mediante solicitação dos estados”.

    Investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e das estatais são recursos destinados aos Estados também por acordo ou mediante solicitação dos próprios entes federados. Além disso, parcela considerável desses investimentos é executada pelos Estados. Os recursos de transferências voluntárias representam um pequena parcela do total dos recursos do Governo Federal nos Estados.

    No caso de Pernambuco, a média anual de execução dos investimentos do PAC em 2011/2012 é 22% superior à média anual do período 2007/2010, se consideramos apenas os investimentos em rodovias, portos, recursos hídricos e metrô. As áreas de habitação e saneamento os investimentos são igualmente crescentes.

    Entre as obras estruturantes do PAC realizadas no estado as BRs 204 e 408, a dragagem do Porto de Suape, a mobilidade urbana, a barragem de Serro Azul, dentre outras, estão sendo executadas pelo próprio Estado com recursos transferidos pela União.

    Além desses recursos, os investimentos, por exemplo, da Petrobras em Pernambuco cresceram muito no governo Dilma Rousseff. Esse investimento foi de menos de R$ 49 milhões entre 2003 e 2006; R$ 12,7 bilhões entre 2007 e 2010; e de R$ 24,8 bilhões nesses últimos dois anos. O maior investimento anual da Petrobras em Pernambuco ocorreu em 2012, quando alcançou R$ 13,4 bilhões. A média de investimento da Petrobras quase quadruplicou se comparados os períodos 2007/2010 e 2011/2012. Entre os anos de 2007 e 2010 a média dos investimentos foi R$ 3,2 bilhões e entre 2011 e 2012, R$ 12,3 bilhões.

    A reportagem também se equivoca na série história de transferências voluntárias ao desconsiderar a especificidade do ano de 2010, quando houve a enchente do Rio Una que levou os estados de Pernambuco e Alagoas à calamidade. Os recursos destinados à Pernambuco, R$ 466 milhões, para mitigar essa tragédia elevam consideravelmente as transferências de 2010 que por conseqüência também aumentou a média do período 2010.

    Retirada essa transferência, relativa à Defesa Civil, os investimentos do governo dos presidentes Lula e Dilma Rousseff se encontram nos mesmos patamares.

    O Governo Federal trabalha de forma republicana, investindo indistintamente um volume crescente de recursos, em todos os Estados brasileiros, para melhorar a qualidade de vida de toda a população. É falsa a conclusão da reportagem de que haveria algum tipo de discriminação do Governo Federal com qualquer estado brasileiro.

    Cabe destacar que, em nenhum momento, a reportagem do jornal Estado de S. Paulo solicitou dados ou esclarecimentos junto aos órgãos federais responsáveis, o que evitaria a publicação de informações incorretas que induzem o leitor ao erro e não refletem o real investimento do Governo Federal no Estado de Pernambuco.”

    Até Campos nega ser discriminado por Dilma | Brasil 24/7

    23/11/2012

    Mega quadrilha: FIESP, Mário Amato, OBAN, Cidadão Boilesen

    Filed under: Cidadão Boilesen,FIESP,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 8:51 am

    Comissão acusa agentes da ditadura por cinco mortes

    Grupo que investiga período militar divulgou ontem seus primeiros textos

    Documento elaborado por Claudio Fonteles liga Fiesp à produção de armas para militares que derrubaram Goulart

    RUBENS VALENTEMATHEUS LEITÃODE BRASÍLIA

    O coordenador da Comissão da Verdade, Claudio Fonteles, divulgou ontem textos que acusam 11 agentes do Estado, militares e civis, pela morte sob tortura de cinco militantes de esquerda durante a ditadura militar (1964-1985).

    Com base numa análise de três peritos da Polícia Civil de Brasília que colaboram com a comissão, ele também afirmou que o guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969) foi morto sem esboçar reação ou tentar pegar sua arma, ao contrário da versão oficial.

    Ele atribuiu a responsabilidade pela morte ao general Milton Tavares (1917-1981), ex-chefe do CIE (Centro de Informações do Exército): "De tudo, resta claro que Marighella foi eliminado por agentes públicos do Estado, sob a supervisão do general Milton".

    Fonteles divulgou ontem, no site da comissão, 11 textos sobre episódios diversos da ditadura. É a primeira vez que a comissão torna públicos textos produzidos por algum de seus integrantes. Para Fonteles, a intenção é "abrir amplo espaço de diálogo, visando enriquecer essa pesquisa inicial com sugestões e críticas".

    Os principais documentos citados por Fonteles já foram objeto de reportagens jornalísticas, estudos acadêmicos e livros. Com seus textos, ele antecipa conclusões que a comissão poderá vir a adotar.

    Ele afirmou que o metalúrgico Manoel Fiel Filho (1927-1976), o militante da ALN (Ação Libertadora Nacional) Joaquim Câmara Ferreira (1913-1970), o padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto (1940-1969), o engenheiro Raul Amaro Nin Ferreira (1944-1971) e o sargento da Aeronáutica João Lucas Alves (1935-1969) morreram sob tortura por agentes do Estado.

    No caso de Câmara Ferreira, cita o envolvimento do delegado Sérgio Paranhos Fleury, do extinto Dops (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo.

    Fonteles disse que agentes e médicos legistas encobriram a morte de Aldo de Sá Brito Souza Neto (1951-1971), da ALN. Documento citado por Fonteles diz que quando a família foi reclamar o corpo, militares afirmaram que Aldo estava vivo, e mostraram o corpo de outra pessoa.

    Fonteles disse ainda que houve obstrução do Ministério da Justiça na apuração da morte do padre Silva Neto.

    ARMAMENTOS

    Em outro texto, Fonteles relacionou a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) à produção de armas para o movimento de militares que derrubou o presidente João Goulart, em 1964. Fonteles citou relatório confidencial produzido pelo SNI (Serviço Nacional de Informações), hoje sob guarda do Arquivo Nacional, que descreve a criação do GPMI (Grupo Permanente de Mobilização Industrial) no dia 31 de março de 64, data do golpe militar.

    Tal órgão, segundo o documento, teve a função de "fornecimento de armas e equipamentos militares aos revolucionários paulistas". Procurada pela Folha, a Fiesp não havia se manifestado até a conclusão desta edição.

    Fonteles apontou: "Portanto, a Fiesp na data mesma da eclosão do golpe militar, que em nosso país redundou no Estado ditatorial-militar, celebrou ‘a primeira tentativa de união industrial-militar’, sob o fundamento de que ‘não é possível existir qualquer poderio militar sem uma indústria que faça esse poderio’".

    A tese não é inédita e foi abordada em estudos acadêmicos sobre as relações entre os militares golpistas e setores da sociedade civil.

    Um total de 75 documentos produzidos pelo GPMI está hoje sob guarda da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.

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