Ficha Corrida

03/04/2013

Que venha a verdade

A Comissão da Verdade poderia começar ouvindo as cinco famílias que mais enriqueceram com a Ditadura: Civita, Mesquita, Frias, Marinho & Sirotsky! Até porque foram os grupos mafiomidiáticos que mais se empenharam, em editorial, preparando o golpe. E, dado o golpe, se locupletaram. A Folha, inclusive, emprestava suas peruas para transportar presos, clandestinamente, ao matadouro do DOI-CODI.

Comissão da Verdade quer ouvir civis sobre a ditadura

Delfim Netto, que foi ministro da Fazenda durante o regime militar, deverá ser um dos convocados a depor

DE SÃO PAULO

A Comissão Nacional da Verdade já identificou cerca de 250 agentes suspeitos de colaboração com a ditadura militar e pretende convocá-los para depor, disse o coordenador do grupo, Paulo Sérgio Pinheiro, ontem em São Paulo.

Ele não detalhou quantos e quais já foram ouvidos, e defendeu o sigilo da maior parte das investigações para que os depoentes colaborem. "Queremos indicar as autorias [dos crimes], e não há forma de fazer isso sem oitiva discreta", disse.

Também participaram da entrevista com jornalistas os integrantes da comissão José Carlos Dias, Rosa Maria Cardoso e Maria Rita Kehl.

A advogada Rosa Maria Cardoso ressaltou que a comissão também quer ouvir civis que tenham colaborado para a articulação do golpe de 1964 e para o financiamento do regime ditatorial, entre eles políticos e empresários.

"Se hoje se ressalta tanto o elemento civil, dizendo que o golpe foi civil-militar, é preciso que isso fique elucidado", disse ela.

Um dos civis que o comitê pretende convocar é o economista Antonio Delfim Netto, que foi ministro nos governos de Costa e Silva e Médici (Fazenda) e de João Baptista Figueiredo (Agricultura).

Delfim foi um dos signatários do AI-5, que endureceu o regime e instituiu a censura prévia a partir de 1969.

A assessoria de Delfim disse que ele não se pronunciaria, uma vez que ainda não foi oficialmente convocado.

Entre os militares, o grupo quer convocar o coronel reformado Carlos Alberto Ustra, que chefiou o DOI-Codi em São Paulo de 1970 a 1974.

O advogado dele, Paulo Esteves, disse que, se convocado, Ustra poderá comparecer e deverá ser coerente com os depoimentos que já prestou até hoje, em que nega ter praticado tortura.

Pinheiro disse ontem que a comissão já identificou 250 arquivos que possam conter documentos da ditadura, mas que o grupo só teve acesso a 50 deles.

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