Ficha Corrida

09/07/2015

Os EUA sabiam porque foram eles que apoiaram

OBScena: printscreen da Folha convocando atos contra Dilma

folha-impeachmentSó um celerado pode pensar que na ditadura não havia corrupção. A ditadura era A corrupção! Corrupção do sistema democrático. Corrupção na associação de grupos como Folha & Globo com a ditadura, não só em termos ideológicos, mas também operacional. E aí não falo somente no uso das peruas da Folha para desovar os pedaços humanos que sobravam das orgias no DOI-CODI com a participação ativa e passiva de seus finanCIAdores ideológicos, como Frias, Brilhante UStra e o dono da Ultragás, Boilensen. Como o dono da Folha, segundo a Comissão da Verdade, assistia, in persona, as sessões de tortura, estupro e assassinato dos presos políticos, seus descendentes acharam por bem chamar tudo isso de ditabranda. É o DNA que passa de pai para filho. Claro, os EUA também sabiam disso. O eufemismo, quando se trata de crimes, é “desaparecidos”. Não é tortura, assassinato, estupro, esquartejamento é só “desaparecimento”…

Os EUA não só sabiam dos desaparecimentos como ajudavam a desaparecer. As malas de dólares entregues a institutos como IPES e o IBAD, comandos por ventríloquos de Washington como FHC.  Estes institutos faziam o que o hoje faz o Instituto Millenium; promovem internamente os interesses dos EUA mediante financiamento de movimentos do tipo MBL, a marcha dos zumbis, além de espionagem industrial para se apropriarem do pré-sal. O entreguismo da época é o mesmo de José Serra querendo entregar de graça o pré-sal à Chevron. Embora desta vez não seja clandestino, mas de forma escandarada, via projeto de lei, no Congresso, o método é o mesmo do da ditadura e revisitado no neoliberalismo do Consenso de Washington, tão bem encampado pelos 8 anos de governo FHC.

Tanto é verdade a participação de institutos como o Instituto Millenium, que os veículos a$$oCIAdos aos Millenium convocaram as marchas que incluíam bandeiras de golpe militar e ditadura. Se em 1964 o Globo festejava e saudava a ditadura em editorial, agora a convocação dos golpistas é ao vivo com cobertura idem. O clima de ódio, que está desaguando num fascismo crescente, tem sido fomentado pelos mesmos grupos de mídia que fomentam o golpe a a ditadura. E com patrocínio dos EUA, como mostrou Edward Snowden.

EUA sabiam sobre desaparecidos na ditadura militar

Documentos secretos americanos foram entregues à Casa Civil e podem ser consultados na internet a partir desta quinta-feira (9)

Enquanto família do ex-deputado Rubens Paiva ainda buscava seu paradeiro, telegrama já relatava sua morte

NATUZA NERY RUBENS VALENTEDE BRASÍLIA

Um conjunto de documentos secretos dos anos 70 agora liberados à consulta confirma que o governo dos Estados Unidos recebeu, antes de se tornarem claras para os familiares, informações privilegiadas sobre o destino de pelo menos três desaparecidos políticos durante a ditadura militar.

Trata-se do ex-deputado federal Rubens Paiva (1929-1971) e dos militantes de esquerda Stuart Edgard Angel Jones (1945-1971) e Virgílio Gomes da Silva (1933-1969).

Os papéis integram um acervo de 538 documentos que tiveram seu sigilo desclassificado parcial ou totalmente pelo governo Barack Obama em decorrência da viagem da presidente Dilma Rousseff aos EUA, no final do mês passado.

Os documentos foram entregues à Casa Civil e deverão ser liberados à consulta a partir desta quinta (9) no site do Arquivo Nacional.

Sobre o ex-deputado Rubens Paiva, um telegrama diplomático confidencial de fevereiro de 1971, cujo sigilo foi afastado somente em maio passado, afirma: "Paiva morreu durante interrogatório ou de um de ataque cardíaco ou de outras causas".

Para os americanos, se a notícia se tornasse conhecida, era certo que seus amigos iriam iniciar uma "campanha emocional e dura contra o governo brasileiro por todos os meios possíveis".

O autor do telegrama, o diplomata morto em 2003 e veterano da II Guerra John W. Mowinckel, ao final do texto pede que o embaixador norte-americano no Brasil desenvolva ações para "convencer" o governo brasileiro "de que algo deve ser feito para punir ao menos alguns desses responsáveis –punir por julgamento público".

Quando o telegrama foi escrito, a família seguia buscando informações sobre o paradeiro de Paiva. A versão oficial distribuída à imprensa pelo Exército era que Paiva fora resgatado por um grupo de terroristas e permanecia desaparecido. Várias investigações posteriores à ditadura concluíram que o deputado foi morto sob tortura logo após ter se apresentado para um depoimento. Seu corpo nunca foi encontrado.

Outro telegrama datado de 30 de setembro de 1969 e liberado em 6 de maio passado confirma a prisão, por equipes da Oban (Operação Bandeirante), do militante da esquerda armada Virgílio Gomes da Silva, mas ressalta que o nome dele não foi divulgado para a imprensa, e que "possivelmente a polícia vai não dar conhecimento público de que ele foi preso".

Virgílio morreu de tortura horas depois da prisão, segundo testemunhas, mas a versão oficial na época foi que ele permanecia foragido.

DESESPERO

Um telegrama de agosto de 1971 confirma que o cônsul dos EUA James Reardon recebeu da polícia brasileira a informação de que "Stuart Edgar Angel Gomes" havia sido preso pela polícia, mas acabara "escapando". "Advogado e família estão muito interessados, na verdade desesperados, para descobrir a fonte da informação de Reardon", diz o documento.

"Interessante ver como os órgãos de segurança do Estado americano tinham conhecimento do aparato repressivo. Impressiona o conhecimento detalhado que tinham desses crimes", disse à Folha o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

Sob seu comando está uma assessoria da Comissão da Verdade encarregada de organizar documentos inéditos.

02/06/2014

Para FIESP e deficientes mentais, não havia corrupção na ditadura

Filed under: Cidadão Boilesen,Ditadura,FIESP,Operação Condor,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 7:52 am
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ditadura sanguináriaAproximação da Fiesp com militares estimulou negócios

Indústrias se organizaram para vender às Forças Armadas, dizem documentos achados na Escola Superior de Guerra

Grupo criado para apoiar o golpe de 1964 mobilizou empresas para possibilidade de guerra civil no Brasil

RICARDO MENDONÇADE SÃO PAULO

Um conjunto de documentos dos anos 70 arquivados na ESG (Escola Superior de Guerra) mostra que a união dos empresários paulistas com os militares nos preparativos do golpe de 1964 ajudou a estimular negócios para as empresas nos anos seguintes.

A conclusão surge da leitura das transcrições de palestras que os próprios industriais ministraram na ESG entre 1970 e 1976, material obtido pela Folha na instituição.

Tudo começou poucos dias após o golpe, quando a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) criou um órgão de apoio aos militares em seu próprio interior.

A iniciativa era de industriais que diziam ter ajudado com dinheiro e equipamentos na derrubada do governo João Goulart, ação que resultou em 21 anos de ditadura.

Subordinado à presidência da Fiesp, o órgão foi batizado de GPMI (Grupo Permanente de Mobilização Industrial). Seu objetivo era converter a indústria paulista em fornecedora de material bélico, caso grupos de esquerda reagissem contra o golpe e deflagrassem uma guerra civil.

Numa apresentação feita em 1972, o então presidente da Fiesp, Thobaldo De Nigris, explicou que cabia ao GPMI planejar a "implantação do maior número de fábricas capazes de, no menor prazo industrialmente possível, produzirem os artigos de que necessitará o país na hipótese de uma mobilização geral".

Uma siderúrgica precisava estar preparada para fabricar aço para granadas de artilharia ou morteiros, exemplificou. Uma tecelagem, apta para, com rápidos ajustes, fornecer levas de uniforme verde-oliva. E assim por diante.

Não houve reação ao golpe de 1964, e a guerra não aconteceu. Mesmo assim, o GPMI foi mantido pela Fiesp e passou a ter como tarefa a organização da participação de indústrias paulistas nas concorrências das Forças Armadas.

O grupo recebia os pedidos dos militares, encaminhava as demandas aos sindicatos das indústrias capazes de entregar a encomenda e fazia o contato entre o comprador e as empresas escolhidas para fornecer às Forças Armadas.

Em sua fundação, semanas após o golpe de 1964, o GPMI era composto por dez representantes da elite do empresariado e 11 militares.

Entre os civis estavam Raphael Noschese, presidente da Fiesp, De Nigris e Mário Amato, empresários que assumiriam a presidência da entidade nos anos seguintes.

No time dos militares, os mais destacados eram o major brigadeiro Márcio de Souza Melo, que depois foi ministro da Aeronáutica no governo Castello Branco, e o general Edmundo Macedo Soares e Silva, ex-governador do Rio e depois ministro da Indústria do governo Costa e Silva.

Arquivos do jornal "Correio da Manhã" mostram que já em 1966 o industrial Vitório Ferraz, o primeiro presidente do GPMI, trabalhou com militares pela instalação de uma fábrica de aviões no Ceará. Ele falava em investimentos de até Cr$ 40 bilhões (cerca de R$ 440 milhões hoje).

Em 1967, o GPMI encaminhou uma intenção de compra de navios pela Marinha.

ORGULHO

Numa exposição na ESG em 1970, Ferraz afirmou que "até hoje orgulha-se o GPMI de dizer que todas as solicitações feitas foram atendidas".

Na palestra de 1972, De Nigris disse que o GPMI havia encaminhado 61 concorrências das Forças Armadas em 1970 e 66 no ano seguinte.

O empresário mencionou como bom exemplo do intercâmbio com os militares a venda de 10 mil unidades da "primeira ração racional de combate totalmente brasileira, com duração de seis meses, à prova de água e totalmente balanceada".

A primeira década da ditadura instalada pelo golpe de 1964 foi um período de expansão dos gastos militares. Até 1964, essas despesas não passavam de 1,7% do PIB (Produto Interno Bruto). Em 1970, elas bateram um recorde e alcançaram 2,5% do PIB.

Em 1973, o empresário Quirino Grassi propôs na ESG a criação de um fundo com contribuições de cada ministério militar para facilitar os negócios com o setor privado. Ele também pediu incentivos fiscais para "indústrias consideradas mobilizáveis".

Já era, porém, o início de um período de esfriamento nas relações dos militares com os empresários. Em 1974, depois do primeiro choque do petróleo, as despesas totais das Forças Armadas despencaram para 1,3% do PIB.

O governo Ernesto Geisel, a partir de 1974, foi o momento em que parte do empresariado começou a se distanciar do regime, lembra o historiador Marco Napolitano, professor da USP. Em 1979, os gastos das Forças Armadas ficaram abaixo de 1% do PIB.

Veja a íntegra dos documentos da ESG
folha.com/no1463425

    24/04/2014

    Millenium: de puteiro à putaria

    A transformação camaleônica do Millenium, de puteiro a instituto, foi contada, ainda em 2010, pelo  Gilberto Maringoni. Daqueles tempos à esta época, a casa de tolerância foi tolerante com os seus e intolerante com os adversários. Como não podia deixar de ser, reúne a fina flor dos apoiadores da ditadura: RBS, Globo, Folha, Estadão & Abril.

    Millenium: o mapa da mídia

    24 de abril de 2014 | 08:30 Autor: Fernando Brito

    milleniummapa

    Meu bom amigo Antonio Mello, depois de um tempo de recarga de energia, reativa seu blog em grande estilo, com um precioso mapa das conexões do Instituto Millenium, núcleo de interferência da direita e do grande capital na mídia brasileira.

    (Dentro do post há uma versão clicável, que se amplia.)

    Por mais que a gente saiba das ramificações empresariais e midiáticas deste think tank conservador, impressiona o volume e a interconexão entre eles.

    O mais curioso é que o Ibad do século 21, com todos os seus altares liberais ainda funciona, em parte, com dinheiro público, porque as doações que recebe para investir contra o Estado são dedutíveis do Imposto de Renda, à medida em que é classificada como Organização de Interesse Público.

    Mas, claro, tudo ali é “limpinho”, exceto o Brasil, que é um traste. Nós é que somos os blogueiros “sujos”, financiados com verba pública, mesmo que dela não receba um centavo.

    millenium2
    Mídia corporativa e Instituto Millenium, aliados dos EUA, usam
    ‘indignados úteis’ para transformar o Brasil numa nova Venezuela

    Antonio Mello

    Quando se fala em Lei de Meios; quando se faz o programa Mais Médicos trazendo médicos do exterior, em sua grande maioria de Cuba, para realizar trabalhos em áreas em que nossos médicos brasileiros se recusam a trabalhar; quando se participa ativamente do Mercosul e se toma atitudes independentes dos EUA, como a crítica severa – o verdadeiro pito – que a presidenta Dilma passou no presidente Obama, a respeito da espionagem estadunidense; quando o governo age desse modo, a mídia corporativa o acusa de estar “Venezuelando” o Brasil.

    Mas quem está querendo transformar o Brasil numa Venezuela (não no que o chavismo e a revolução bolivariana trouxeram de positivo para aquele país – fim do analfabetismo, assistência médica, participação popular no governo, fim da subserviência aos EUA ), quem está querendo fazer a venezuelização do Brasil é a mídia corporativa, que estimula diariamente o preconceito – evidenciado na reação dos médicos brasileiros à importação de estrangeiros pelo programa Mais Médicos -, a ocupação dos antigos espaços nobres pelos emergentes, essa “gente diferenciada” que tomou de vez aeroportos, shoppings, restaurantes, antes frequentados apenas pelos que em geral têm como medida de suas vidas os EUA, e que hoje se ressentem da dificuldade de encontrar mão de obra barata, ou até em condições análogas à de escravidão…

    A partir do Instituto Millenium, eles estão montando seus exércitos com pistoleiros, antigos e recém recrutados (não vou citar nomes, pois todos sabem quem são eles) para diariamente disparar contra o governo.

    Basta visitar a página de comentários de qualquer um desses recrutas, soldados ou oficiais do porcalismo (palavra divulgada por este blog – sorry, o diabo é sábio não porque é diabo, mas porque é velho…) vendidos para ver o efeito devastador que causam na cabeça daqueles que chamo, desde 2005, de “indignados úteis” (leia abaixo postagem de 2006 sobre eles), zumbis ressentidos, que se alimentam de ódio e recalque diante do empoderamento de milhões de brasileiros.

    Continue lendo no Blog do Mello

    Millenium: o mapa da mídia | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

    19/10/2013

    A pedido de Aécio, Veja descarrilha trensalão paulista

    O jogo pesado entre pré-candidatos tucanos indica como será contra adversário. Serra desconstruiu Aécio via Estadão: Pó pará, governador! O Estado de Minas respondeu que “a reboque, não”. Os vazamentos de Aécio bêbado também partiu da artilharia paulista. Agora Aécio, via Veja, dá o troco. Há meses a Istoé vem divulgando um propinoduto ao melhor estilo tucano. As próprias empresas. Alstom e Siemens, condenadas nos países de origem, se encarregaram de divulgar. Mas os jornais de São Paulo e do Rio comprometidos com a causa tucana vinham escondendo o assunto. Aécio, com a Veja, mostrou que tem bala na agulha. Será que a Folha, Estadão e Globo continuarão tapando o sol com peneira? O Instituto Millenium, um empreendimento à moda Boilesen, já não está mais conseguindo coordenar sua artilharia.

    Aécio põe a prova o ditado segundo o qual mineiro não perde trem…

    Com pé atrás, Veja embarca no "trensalão" tucano

    :

    Reportagem discreta da revista semanal dos Civita aborda o enriquecimento inexplicável de servidores do governo de São Paulo, que teriam recebido propinas de empresas como Alstom e Siemens; ao governador Geraldo Alckmin, interessa tratar o caso como desvio isolado de alguns servidores, e não como um esquema de corrupção, vinculado ao financiamento de campanhas políticas; alguns anos atrás, a própria Veja apontava que a cúpula do PSDB montava seu caixa dois a partir de empresas como a Alstom

    19 de Outubro de 2013 às 10:54

    247 – Aos poucos, de forma cautelosa e extremamente discreta, a revista Veja, da família Civita, começa a embarcar no chamado "trensalão" tucano.

    Neste fim de semana, a reportagem "Trilha de Dinheiro", assinada pela jornalista Alana Rizzo, aborda o escândalo das propinas pagas por empresas como Alstom e Siemens a governos do PSDB em São Paulo.

    O discurso é bem mais cuidadoso do que o de alguns anos atrás, quando a própria Veja investigava esquemas de caixa de dois para a segunda campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso, em 1998. Naquele ano, a revista afirmava, com todas as letras, que Andrea Matarazzo, hoje vereador, arrecadou parte do caixa dois (leia mais aqui), num esquema que passou pela multinacional Alstom. Ou seja: era um esquema de corrupção sistêmica, que passava pela alta cúpula do partido, com o propósito de perpetuá-lo no poder.

    Agora, o discurso é diferente – e está alinhado com a estratégia do governador Geraldo Alckmin de se colocar como vítima do cartel, disposto a combatê-lo. Tudo não passaria de desvios cometidos por servidores graduados, mas não pela cúpula partidária.

    "Nunca saiu da fase genérica a acusação de formação de cartel de companhias estrangeiras fornecedoras de equipamentos para governos de São Paulo comandados desde 1995 pelo PSDB", diz a reportagem, em sua primeira frase. "Mas, até a semana passada, faltava ao caso um elemento crucial: para que a cartelização funcionasse, muito provavelmente teria sido necessária a colaboração de altos funcionários do governo".

    Veja cita os nomes de João Roberto Zaniboni, ex-diretor de operações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, de Jorge Fagali Neto, ex-secretário de Transportes Metropolitanos, de Eduardo Bernini, ex-presidente da Eletropaulo e de Henrique Fingermann, ex-presidente da Empresa Paulista de Transmissão de Energia. O atual governador, Geraldo Alckmin, e seus dois antecessores, José Serra e Mário Covas, entram "en passant" pela reportagem.

    A Alckmin, interessa consolidar o discurso de que os desvios teriam sido falhas isoladas de servidores – e não um esquema de corrupção sistêmica, destinado ao financiamento de campanhas. Veja, desta vez, parece disposta a ajudar.

    Com pé atrás, Veja embarca no "trensalão" tucano | Brasil 24/7

    23/07/2013

    Boilensen vive dentro de cada brasileiro que é contra mais médicos para pobres

    Filed under: Chaim Litowski,Cidadão Boilesen,Henning Boilesen — Gilmar Crestani @ 8:18 am
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    Boilensen: o canalha que veio fazer no Brasil o que não podia fazer na Dinamarca

    Paulo Nogueira 22 de julho de 2013

    O empresário que financiou a repressão na ditadura  teve que deixar a Escandinávia para soltar seus demônios.

    Um canalha, em suma

    Um canalha, em suma

    Por sugestão de um amigo do Diário, NX, assisti ontem ao bom documentário Cidadão Boilesen, de Chaim Litowski.

    Num momento em que o Brasil reflete tanto — e com tamanho atraso se comparado a vizinhos como a Argentina — sobre a ditadura, ver Cidadão Boilensen é altamente recomendável. (Vou deixá-lo no pé deste artigo.)

    Henning Boilesen, em suma, foi um canalha.

    Ele não apenas financiou a brutal repressão da Oban em São Paulo como, segundo relatos confiáveis, era espectador sádico de sessões de tortura.

    Boilensen era presidente de uma empresa de gás, o grupo Ultra. Militantes perceberam que em muitas ações da Oban havia caminhões da Ultragaz nos arredores das casas vasculhadas.

    Era Boilensen quem fornecia os caminhões, usados pelos agentes policiais. (Octavio Frias, da Folha, soube-se depois, também cedia à Oban peruas do jornal para a perseguição a suspeitos.)

    Bem, para encurtar, militantes se vingaram e o executaram em São Paulo. O documentário mostra que ele recebeu avisos da polícia política de que estava na mira, e ofertas de segurança, mas as rechaçou num gesto de machismo obtuso e letal.

    Queria sublinhar uma coisa que me chamou a atenção.

    O documentário foi à Dinamarca natal de Boilensen para reconstruir seu perfil.

    Um entrevistado disse o seguinte: Boilensen tinha um demônio dentro de si que o sistema brasileiro permitiu que florescesse.

    Nosso sistema.

    Na Escandinávia, ele não poderia fazer o que fez. Seria socialmente um pária. Seria rejeitado. Teria, em suma, que se ajustar e melhorar, ou seria excluído do convívio da sociedade dinamarquesa por ser uma aberração nociva aos demais.

    O Diário luta pela escandinavização do Brasil, como nossos leitores sabem.

    Um sistema social saudável como o escandinavo não permite que surjam Boilensens.

    Também não permite que a mídia corporativa atrase tanto o avanço do país – pagando impostos ridiculamente baixos e lutando contra coisas vitais como o fim de monopólios e oligopólios — apenas para manter seus privilégios.

    É por coisas assim que o Diário renova aqui, mais uma vez, seu compromisso de ajudar o Brasil a se tornar mais escandinavo.

    Sobre o autor: Paulo Nogueira Veja todos os posts do autor Paulo Nogueira

    O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

    Boilensen: o canalha que veio fazer no Brasil o que não podia fazer na Dinamarca | Diário do Centro do Mundo

    22/06/2013

    Segredos ditatoriais

    Filed under: Cidadão Boilesen,Ditadura,Operação Condor,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 12:07 am
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    Archivos del terror, derecho a la verdad

    Por: María José Turrión | 20 de junio de 2013

    Archivo de la Stasi

    Archivo con documentos de la Stasi. / AP

    El estudio y utilización de la documentación producida y administrada por los regímenes totalitarios resulta fundamental en las etapas transicionales, y también en las posteriores, de los emergentes estados democráticos. Los denominados archivos de represión, en ocasiones también llamados archivos del terror, se manifiestan esenciales a la hora de recuperar la memoria, y ejercer los derechos fundamentales de muchas víctimas que padecieron violación de derechos humanos. Entendemos el derecho a la verdad como un bien necesario y un derecho fundamental en las sociedades democráticas. Son archivos que fueron creados para la información de los propios estados dictatoriales resultando fundamentales para el ejercicio de la represión. Originados por los organismos encargados de la seguridad del estado, dan como resultado una serie de archivos judiciales, militares, político sociales, etc. que son puestos a disposición de los ciudadanos una vez superadas las dictaduras y que paradójicamente invierten su sentido. Fueron creados para la represión y son utilizados en la reparación a las víctimas.

    En los regímenes represivos los servicios de seguridad, de información, de documentación de un estado, contienen la información esencial para reconstruir hechos e itinerarios que, demuestran violación de los derechos humanos, crímenes contra la humanidad, o cualquier otro tipo de hecho punible en una sociedad democrática. Los propios actores represivos son conscientes de la importancia de estos archivos, por lo que pretenden en numerosas ocasiones, cuando es posible predecir la caída del régimen, hacer desaparecer estas pruebas documentales.  La complejidad en la localización física de estos documentos, así como el análisis de su contenido, no siempre fácil,  no debe hacer desfallecer los esfuerzos de las nuevas administraciones por recuperarlos.

    El hecho de no encontrarse no quiere decir que no existan, es cierto que en algunos casos se destruyen, como ocurrió con los archivos del Ministerio para la Seguridad del Estado de la antigua República Democrática Alemana (RDA), la conocida Stasi, cuyos locales fueron ocupados inmediatamente después de la desaparición de la república comunista. Con la caída del muro, había comenzado una destrucción masiva de todo el corpus documental informativo destinado al control y la represión de miles de ciudadanos. Cientos de documentos fueron cortados por máquinas destructoras en tiras de papel hasta que se produjo la ocupación de la sede de la Stasi en Berlín por la ciudadanía, que impidió que se siguiera destruyendo esos archivos.

    En la actualidad Alemania continúa con la reconstrucción documental, gracias a una aplicación informática creada al efecto, contabilizándose hoy en día en unos 130 kilómetros la documentación accesible a los ciudadanos, a la que habría que añadir miles de fotografías, películas, registros sonoros y millones de fichas.

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    Concentración contra los desaparecidos durante la dictadura de Stroessner en Paraguay. / REUTERS

    En Paraguay, en 1991 gracias a la denuncia de Martín Almada, se localizaron en la habitación de una casa los llamados “archivos del terror”. El archivo de la policía que demuestra la represión ejercida sobre el pueblo de Paraguay por la dictadura de Alfredo Stroessner durante los 35 años que duró su régimen y también la conexión entre las dictaduras del Cono Sur en la llamada Operación Cóndor.

    Si la importancia de los archivos tradicionales, de ese acervo documental que se reúne, produce y conserva a lo largo del tiempo, resulta fundamental para la garantía de derechos y sirve de fuente para la historia, sin duda la conservación y preservación de este otro tipo de archivo, el de la represión, viene siendo esencial como material que da soporte a las denuncias de violación de los derechos humanos, aportando además el testimonio histórico y el esclarecimiento de los hechos ocurridos durante la represión. Sirven para la reparación, la depuración y la investigación.

    Desde esos archivos se emiten los certificados necesarios para la tramitación ante las administraciones de diferentes tipos de reparaciones -bien sean económicas, de carácter personal, social, jurídicas, etc.-, documentos necesarios para las víctimas que tramitan las diferentes ayudas o reparaciones recogidas en las múltiples normas reparadoras que se publican en países democráticos, generalmente al concluir los períodos dictatoriales y/o totalitarios, en el momento inmediato posterior al fin de la dictadura o algo más alejado en el tiempo.

    Es cierto que cada sociedad, mantiene su propia personalidad y manera a la hora de enfrentarse con el pasado traumático. Dentro de cada país también, los distintos grupos políticos acogen de diferente forma este enfrentamiento. El pasado inmediato, o incluso aquel algo más alejado en el tiempo, que cuente con la existencia de hechos traumáticos, sigue presente en la sociedad si no se repara a las víctimas o a sus descendientes. La utilización de los archivos como fuente documental para la búsqueda de la verdad en un contexto judicial  o extrajudicial servirá para que las estructuras democráticas crezcan amparadas en los Derechos Humanos: la realidad aunque sea dolorosa ha de conocerse, forma parte de la identidad colectiva. El derecho a la verdad, a conocer, es un derecho fundamental en sociedades democráticas, por tanto deben vigilar y garantizar la conservación y el acceso a los mismos.

    En prácticamente todos los países que han pasaIMG_3895do de regímenes totalitarios o dictatoriales a otros de carácter democrático ha existido un ordenamiento jurídico reparador para las víctimas y represaliados de estos regímenes.

    Un país democrático prestará los recursos necesarios para la recuperación de archivos dispersos y desconocidos, tanto en organismos públicos, como en asociaciones y archivos privados, de personas físicas y jurídicas. De la misma manera que es fundamental la desclasificación de documentos, que sirvan para preservar los derechos fundamentales.

    Los archivos de represión son esenciales en los trabajos que desarrollan las comisiones de la verdad, las víctimas de la represión, los familiares de las víctimas y los historiadores. A su vez, los archivos que crean muchas de estas comisiones de verdad, en ocasiones exclusivamente a partir de los testimonios de las víctimas directas o de sus familiares, constituyen  una fuente imprescindible para muchos países dónde por desgracia no se han preservado o encontrado los archivos testimonio de la represión. Caso de Argentina, donde apenas han sido localizados o entregados, siendo uno de ellos el de la Dirección de Inteligencia de la Policía de la provincial de Buenos Aires (DIPBA). Un país, Argentina, que va descubriendo en los propios juicios que se siguen contra los represores, y a través de los datos aportados por los fiscales, que existen registros documentales de todos los secuestrados, así como de las declaraciones bajo tortura.

    La identidad de los pueblos se conforma en buena medida por su memoria. Una falsa identidad, aunque se vista de pulcritud, solo lleva a una estructura débil y senil, sin esperanza de futuro y amenazada  por su propia fragilidad, como si de un castillo de naipes se tratara.

    Junto a estos archivos de represión, ven la luz otro tipo de archivos. Son los producidos por las víctimas, testigos transcendentales también en la construcción de nuestra identidad. Por ello  debemos celebrar, la reciente aparición de nuevos centros, como el Archivo Imre Kertész, creado por la Academia de las Artes de Berlín, con los manuscritos del Premio Nobel. Sin duda su obra, legado de una vida relacionada profundamente con el Holocausto y su paso por los campos de concentración de Auschwitz y Buchenwald, nos enseñará a pensar el último siglo y a decidir cómo queremos que sea este. 

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    Un lugar de tortura convertido en lugar de memoria en Chile. / MARÍA JOSÉ TURRIÓN

    Archivos del terror, derecho a la verdad >> Historia[S] >> Blogs EL PAÍS

    02/06/2013

    Cai um bastião de Pinochet

    Filed under: Cidadão Boilesen,Mario Vargas Llosa — Gilmar Crestani @ 6:18 pm
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    Com a confissão de Mário Vargas Llosa ficamos conhecendo o Goebbels chileno mantido, aos moldes da  Operação Bandeirantes do Cidadão Boilesen, pelos empresários chilenos filo-ianques. Arturo Fontaine, com seu sobrenome de fábula, teria o condão, nas palavras do mais festejado liberal das palavras, de “civilizar a direita”. Isto é, não fosse ele, Pinochet teria sido um ditador…   Tudo o que tinha a dizer sobre este mascote do neoliberalismo latino já disse em artigo anterior que pode ser lido aqui.

    ¿La hora de las trincheras?

    Chile parecía haber dejado atrás esa visión mezquina que aún alienta en la derecha iliberal de América Latina, pero la destitución del director de Centro de Estudios Públicos indica lo contrario

    Mario Vargas Llosa 2 JUN 2013 – 00:00 CET

    FERNANDO VICENTE

    La súbita destitución de Arturo Fontaine como director del Centro de Estudios Públicos (CEP) ha causado un pequeño terremoto en Chile, a juzgar por la veintena de artículos sobre el tema que han llegado a mis manos. A muchos nos ha apenado esa mala noticia, más que por Arturo, por el CEP y por Chile.

    Arturo Fontaine es un hombre de varios talentos, poeta, novelista, filósofo, profesor, versado también en economía y en derecho, y uno de esos cuatro gatos liberales que desde hace muchos años nos reunimos periódicamente en España y América Latina para promover la cultura de la libertad, digamos que con logros más bien reducidos. Hasta ahora, el más exitoso de esos cuatro gatos parecía ser él, precisamente gracias al CEP, que dirige desde hace treinta y un años. Sin exagerar un ápice, este think tank es una de las instituciones que más ha contribuido a la formidable transformación política, social y económica de Chile del país subdesarrollado que era en la democracia moderna y próspera que es ahora y que araña ya las características de una nación del primer mundo.

    El Centro de Estudios Públicos lo fundaron un puñado de empresarios empeñados en modernizar el pensamiento político de su país y de fomentar estudios e investigaciones rigurosas de la problemática chilena en todos los ámbitos desde una perspectiva independiente. Arturo Fontaine hizo del CEP algo todavía más ambicioso: una institución de alta cultura en la que la doctrina liberal inspiraba los análisis, propuestas y sondeos de los especialistas más calificados al mismo tiempo que se promovían debates y encuentros entre intelectuales y comentaristas de todas las tendencias, sin complejos de superioridad (ni inferioridad). Entre sus innumerables aciertos, figura el haber creado el sistema de encuestas de opinión pública más objetivo y confiable de Chile, a juicio de todos los sectores políticos.

    Un acierto de Arturo Fontaine fue el de crear el sistema de encuestas más objetivo del país

    En las actividades que patrocinó y en sus publicaciones el CEP ha combatido aquella aberración que hace del liberalismo nada más que una receta económica centrada en el mercado, y ha demostrado que la filosofía de la libertad es una sola, en los ámbitos económico, político, social, cultural e individual, y que la libertad, sin la tolerancia y la convivencia, es letra muerta. Todos quienes han tenido el privilegio de leer estos años la notable revista del CEP Estudios Públicos han podido comprobar que estos principios informaban las colaboraciones y que en esa publicación había siempre un diálogo vivo, controversias sobre todos los temas de elevado nivel intelectual y un respeto sistemático con los adversarios, un afán de deslindar la verdad aunque ello implicara corregir las propias convicciones.

    El CEP siempre se resistió a considerar, como muchos irresponsables, que el progreso social es fundamentalmente una empresa económica, y dio atención no menos importante que al mercado, a la libre competencia, a la apertura de fronteras, a la disciplina fiscal y a las privatizaciones, al derecho a la crítica, a los derechos humanos, a la cultura, a las actividades literarias y artísticas. Los números monográficos de la revista del CEP dedicadas a Karl Popper, a Friedrich Hayek, a Isaiah Berlin y a muchos otros pensadores de la libertad son ejemplares. Por todo ello el Centro de Estudios Públicos ha alcanzado en estos años un enorme prestigio que desborda las fronteras de Chile. Por su auditorio han pasado figuras eminentes (y no solo liberales, sino social demócratas y socialistas) en todos los campos del saber.

    Ahora bien, ¿por qué alguien que puede lucir unas credenciales tan envidiables al frente de una institución que en buena parte es hechura suya ha sido defenestrado de manera tan inopinada e injusta? Al parecer, los patrocinadores del CEP habrían descubierto que Arturo Fontaine es demasiado independiente para su gusto y que se toma libertades ideológicas que no convienen a su idea particular de lo que debe ser el centro derecha, es decir, una derecha sin centro que la estorbe. Lo habrían advertido en el hecho de que Arturo aceptó formar parte del Directorio del Museo de la Memoria que creó el Gobierno de Michelle Bachelet, y, sobre todo, en sus opiniones sobre el tema de la política universitaria, asunto que, como es sabido, ha dado origen a intensos disturbios y manifestaciones de estudiantes contra el Gobierno de Piñera y es objeto de una polémica que lleva ya bastante tiempo en Chile (comenzó en los tiempos de la Concertación).

    Está en juego el temor a que gane Bachelet con una Concertación que sea mucho más radical

    Antes de escribir este artículo he leído las dos conferencias y las entrevistas que ha dado Arturo Fontaine sobre este asunto y creo poder resumir con objetividad su pensamiento. Él piensa que la Universidad es una institución que no sólo prepara profesionales sino forma ciudadanos y personas y que por lo tanto requiere un régimen especial, y que no debería ser materia de lucro, porque, cuando lo es —cita al respecto abundantes estadísticas de Estados Unidos y de Brasil, dos países donde las universidades privadas con ánimo de lucro son lícitas—, incumple su función y suele preparar profesionales deficientes. No está contra las universidades privadas, ni mucho menos, a condición de que no distribuyan beneficios entre sus accionistas sino que los reinviertan enteramente en la propia institución, como hacen Harvard o Princeton.

    Pero la crítica que hace Fontaine a la situación universitaria chilena es la siguiente: que, en un país donde las leyes prohíben explícitamente que haya universidades privadas con ánimo de lucro, muchas instituciones hayan encontrado la manera de burlar la ley haciendo pingües negocios en este dominio. ¿Cómo? Muy sencillamente: alquilando terrenos o vendiéndolos a la Universidad o construyendo los campus universitarios a través de empresas que hacen las veces de testaferros de los mismos propietarios. Las sumas que Fontaine señala que se habrían ganado en los últimos años mediante esta burla de la legalidad (la de la “universidad fabril” la llama) son astronómicas.

    Se puede estar de acuerdo o en desacuerdo con esta postura de Arturo Fontaine —muchos liberales lo están y muchos otros no lo están—-, pero nadie que cree que el respeto de la legalidad es un principio básico de la civilización podría discrepar con él cuando exige que en Chile se cumpla la prohibición legal de hacer negocios con la Universidad. O que, en todo caso, se cambie la ley y se autoricen las universidades privadas con fines de lucro. Pero, en ese caso, estas empresas deberán funcionar como las otras, sin las prerrogativas de que gozan ahora todas las universidades (exoneración de impuestos y subsidios estatales, por ejemplo).

    Lo que parece estar en juego en la defenestración de Arturo Fontaine es más complejo que una simple discrepancia: el temor de una parte mayoritaria de los patrocinadores del CEP de que, en las próximas elecciones, gane de nuevo Michelle Bachelet y que la Concertación que suba con ella al poder sea mucho más radical de lo que lo fue en su anterior gobierno, como deja suponer cierto extremismo retórico de sus últimos pronunciamientos. Desde luego que si Chile retrocede hacia alguna forma de chavismo sería una catástrofe no solo para los chilenos sino para toda América Latina. Pero nada puede perjudicar más a la derecha, en esta circunstancia, que oponer a esta radicalización de la izquierda un extremismo paralelo, atrincherándose en la intolerancia de las verdades únicas y dogmáticas y purgando de sus filas a todos quienes osan discrepar. Nada daría más razón a quienes sostienen, desde el bando opuesto, que la derecha es egoísta, intolerante y autoritaria, que su adhesión a los valores democráticos es superficial y de coyuntura, que detrás de la propiedad privada, el mercado libre y la democracia burguesa hay siempre un Pinochet. Chile parecía haber dejado atrás esa visión pequeñita y mezquina que, por desgracia, todavía alienta en la derecha iliberal de América Latina.

    Héctor Soto, uno de los más lúcidos analistas chilenos, escribió en su columna de La Tercera con motivo de este asunto que el gran mérito de Arturo Fontaine fue “su aporte en términos de modernizar y civilizar a la derecha”. No la modernizó ni civilizó lo bastante, por desgracia.

    © Derechos mundiales de prensa en todas las lenguas reservados a Ediciones EL PAÍS, SL, 2013.

    © Mario Vargas Llosa, 2013.

    ¿La hora de las trincheras? | Opinión | EL PAÍS

    14/05/2013

    Comissão da verdade quer ouvir a comi$$ão da ditabranda

    Filed under: Cidadão Boilesen,Ditabranda,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 8:08 am
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    Cidadão BOILESENComissão da Verdade chamará empresários vinculados à ditadura

    A próxima coordenadora da comissão, Rosa Cardoso, quer ouvir executivos que teriam bancado a repressão

    Historiadores apontam a participação de diversos empresários no financiamento da Operação Bandeirante

    JOÃO CARLOS MAGALHÃESDE BRASÍLIA

    A Comissão Nacional da Verdade vai convocar para prestar depoimentos públicos –além dos militares suspeitos de mortes, torturas e desaparecimentos– os empresários que teriam contribuído para financiar a repressão política executada pela ditadura militar (1964-1985).

    "Vamos chamar. Tem o elemento civil da ditadura. Hoje a academia chama [o regime] de ditadura civil-militar’, então temos que falar desse elemento civil", disse à Folha Rosa Cardoso, que assume a coordenação do grupo por três meses no próxima sexta, substituindo Paulo Sérgio Pinheiro.

    Os depoimentos públicos da comissão começaram com o do coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, 80. Na última sexta, ele confrontou aos gritos os membros do grupo e disse que a ditadura salvou o país de um suposto golpe comunista.

    O entendimento de que a comissão deve descrever em seu relatório final (a ser entregue em maio de 2014) a participação empresarial na repressão já era consensual antes mesmo de o grupo ser empossado, um ano atrás.

    A historiografia sobre o período descreve a participação de diversos empresários na repressão, em especial no financiamento da Oban (Operação Bandeirante), um grupo de integrantes das Forças Armadas e das polícias estaduais criado no fim dos anos 1960 com o fim de acabar com a resistência ao regime.

    O caso mais famoso é o do empresário dinamarquês naturalizado brasileiro Henning Albert Boilesen . Apontado como financiador da Oban, ele foi assassinado por esquerdistas em 1971.

    Segundo Rosa, é possível que primeiro sejam feitos os depoimentos públicos com militares e, depois, com os empresários. Na semana que vem, a comissão vai se reunir para decidir a lista dos nomes. Dificilmente serão chamados mais do que dez, afirmou. Os convocados podem ficar em silêncio, mas são obrigados a se apresentar.

    Em sua gestão, Rosa irá fomentar a criação de novos comitês da verdade –grupos da sociedade civil que apoiam a comissão– e fortalecer os subgrupos da comissão que apuram o que ocorreu com sindicalistas e com militares que se opunham ao regime.

    Para ela, o colegiado tem mais oito meses para apurar as violações aos direitos humanos feitas no regime, uma vez que os últimos quatro meses devem ser dedicados à redação do relatório final.

    A participação de empresários e de membros do Judiciário foi lembrada ontem por Paulo Sérgio Pinheiro num ato em que ele fez um balanço do primeiro ano de trabalho da comissão, empossada em 16 de maio de 2012.

    Segundo ele, o relatório será contundente, explicitará a "cumplicidade de setores do Poder Judiciário no encobrimento de crimes" e vai "reconstituir a colaboração de empresas e empresários na manutenção do sistema paralelo de repressão articulado com as Forças Armadas".

    03/04/2013

    Boilensen

    Filed under: Cidadão Boilesen,Ditadura,DOI-CODI,Instituto Millenium,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 9:43 am
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    Boilensen: o canalha que veio fazer no Brasil o que não podia fazer na Dinamarca

    Paulo Nogueira2 de abril de 201318

    O empresário que financiou a repressão na ditadura  teve que deixar a Escandinávia para soltar seus demônios.

    Um canalha, em suma

    Um canalha, em suma

    Por sugestão de um amigo do Diário, NX, assisti ontem ao bom documentário Cidadão Boilesen, de Chaim Litowski.

    Num momento em que o Brasil reflete tanto — e com tamanho atraso se comparado a vizinhos como a Argentina — sobre a ditadura, ver Cidadão Boilensen é altamente recomendável. (Vou deixá-lo no pé deste artigo.)

    Henning Boilesen, em suma, foi um canalha.

    Ele não apenas financiou a brutal repressão da Oban em São Paulo como, segundo relatos confiáveis, era espectador sádico de sessões de tortura.

    Boilensen era presidente de uma empresa de gás, o grupo Ultra. Militantes perceberam que em muitas ações da Oban havia caminhões da Ultragaz nos arredores das casas vasculhadas.

    Era Boilensen quem fornecia os caminhões, usados pelos agentes policiais. (Octavio Frias, da Folha, soube-se depois, também cedia à Oban peruas do jornal para a perseguição a suspeitos.)

    Bem, para encurtar, militantes se vingaram e o executaram em São Paulo. O documentário mostra que ele recebeu avisos da polícia política de que estava na mira, e ofertas de segurança, mas as rechaçou num gesto de machismo obtuso e letal.

    Queria sublinhar uma coisa que me chamou a atenção.

    O documentário foi à Dinamarca natal de Boilensen para reconstruir seu perfil.

    Um entrevistado disse o seguinte: Boilensen tinha um demônio dentro de si que o sistema brasileiro permitiu que florescesse.

    Nosso sistema.

    Na Escandinávia, ele não poderia fazer o que fez. Seria socialmente um pária. Seria rejeitado. Teria, em suma, que se ajustar e melhorar, ou seria excluído do convívio da sociedade dinamarquesa por ser uma aberração nociva aos demais.

    O Diário luta pela escandinavização do Brasil, como nossos leitores sabem.

    Um sistema social saudável como o escandinavo não permite que surjam Boilensens.

    Também não permite que a mídia corporativa atrase tanto o avanço do país – pagando impostos ridiculamente baixos e lutando contra coisas vitais como o fim de monopólios e oligopólios — apenas para manter seus privilégios.

    É por coisas assim que o Diário renova aqui, mais uma vez, seu compromisso de ajudar o Brasil a se tornar mais escandinavo.

    Diário do Centro do Mundo Boilensen: o canalha que veio fazer no Brasil o que não podia fazer na Dinamarca – Diário do Centro do Mundo

    Que venha a verdade

    A Comissão da Verdade poderia começar ouvindo as cinco famílias que mais enriqueceram com a Ditadura: Civita, Mesquita, Frias, Marinho & Sirotsky! Até porque foram os grupos mafiomidiáticos que mais se empenharam, em editorial, preparando o golpe. E, dado o golpe, se locupletaram. A Folha, inclusive, emprestava suas peruas para transportar presos, clandestinamente, ao matadouro do DOI-CODI.

    Comissão da Verdade quer ouvir civis sobre a ditadura

    Delfim Netto, que foi ministro da Fazenda durante o regime militar, deverá ser um dos convocados a depor

    DE SÃO PAULO

    A Comissão Nacional da Verdade já identificou cerca de 250 agentes suspeitos de colaboração com a ditadura militar e pretende convocá-los para depor, disse o coordenador do grupo, Paulo Sérgio Pinheiro, ontem em São Paulo.

    Ele não detalhou quantos e quais já foram ouvidos, e defendeu o sigilo da maior parte das investigações para que os depoentes colaborem. "Queremos indicar as autorias [dos crimes], e não há forma de fazer isso sem oitiva discreta", disse.

    Também participaram da entrevista com jornalistas os integrantes da comissão José Carlos Dias, Rosa Maria Cardoso e Maria Rita Kehl.

    A advogada Rosa Maria Cardoso ressaltou que a comissão também quer ouvir civis que tenham colaborado para a articulação do golpe de 1964 e para o financiamento do regime ditatorial, entre eles políticos e empresários.

    "Se hoje se ressalta tanto o elemento civil, dizendo que o golpe foi civil-militar, é preciso que isso fique elucidado", disse ela.

    Um dos civis que o comitê pretende convocar é o economista Antonio Delfim Netto, que foi ministro nos governos de Costa e Silva e Médici (Fazenda) e de João Baptista Figueiredo (Agricultura).

    Delfim foi um dos signatários do AI-5, que endureceu o regime e instituiu a censura prévia a partir de 1969.

    A assessoria de Delfim disse que ele não se pronunciaria, uma vez que ainda não foi oficialmente convocado.

    Entre os militares, o grupo quer convocar o coronel reformado Carlos Alberto Ustra, que chefiou o DOI-Codi em São Paulo de 1970 a 1974.

    O advogado dele, Paulo Esteves, disse que, se convocado, Ustra poderá comparecer e deverá ser coerente com os depoimentos que já prestou até hoje, em que nega ter praticado tortura.

    Pinheiro disse ontem que a comissão já identificou 250 arquivos que possam conter documentos da ditadura, mas que o grupo só teve acesso a 50 deles.

    19/03/2013

    O Cidadão Boilesen da Argentina

    Filed under: Argentina,Cidadão Boilesen,Ditadura,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 9:25 am
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    José A. Martínez de la Hoz, líder civil de la dictadura argentina

    Murió en arresto domiciliario, encausado por secuestro e intento de extorsión

    Alejandro Rebossio 17 MAR 2013 – 01:21 CET10

    José Alfredo Martínez de la Hoz, exministro de Economía de la dictadura argentina.

    El hacendado y empresario José Alfredo Martínez de Hoz, que fue el emblemático ministro de Economía de la última dictadura militar de Argentina entre 1976 y 1981, murió ayer en Buenos Aires a los 87 años. En arresto domiciliario tras su detención en 2010, estaba procesado por su presunta responsabilidad en el secuestro y la tentativa de extorsión de dos empresarios textiles.

    Martínez de Hoz encarnó el rostro civil de la dictadura. En cinco años de gestión impulsó una fuerte apertura a la importación de bienes, con lo que comenzó el deterioro de la industria argentina; una congelación de las nóminas, por lo que los trabajadores perdieron casi la mitad de su participación en la renta nacional; la llamada “bicicleta financiera”, que hacía más atractivos los negocios especulativos que los productivos, y la multiplicación de la deuda externa —incluidos préstamos de países democráticos como Alemania Occidental y Holanda— de 8.000 millones de dólares en 1976 a 35.700 millones en 1981, un pasivo cuya legitimidad ha sido cuestionada por la izquierda que se opone a los Kirchner. Simultáneamente, el régimen hizo desaparecer a dirigentes sindicales en grandes empresas nacionales y extranjeras, como Ford, Mercedes-Benz y Acindar (entonces de capitales argentinos y en la actualidad, de ArcelorMittal).

    Apodado Joe, había nacido en 1925. Era abogado y economista, perteneciente a una familia que había dirigido la aristocrática Sociedad Rural Argentina, colectivo de grandes terratenientes ganaderos. Se estrenó en política en la dictadura militar (1955- 1958) que derrocó al Gobierno de Juan Domingo Perón (1946- 1955) como ministro de Economía de la provincia norteña de Salta. Después fue ministro de Economía del dictador civil argentino José María Guido (1962- 1963) y actuó en diversas empresas, entre ellas, Acindar, antes de que el autócrata militar Jorge Videla le nombrara ministro de Economía. Como tal implementó la tablita, mecanismo cambiario que supuestamente buscaba controlar la inflación y apreciar la moneda local, invento que benefició la importación y la especulación financiera, afectó a la producción local y terminó estallando por insostenible.

    Tras el regreso de la democracia en Argentina, en 1983, fue arrestado por su supuesta complicidad con la represión ilegal del régimen, pero el presidente Carlos Menem (1989-1999), un peronista neoliberal, le indultó. En 2006, la Corte Suprema de Argentina declaró inconstitucional el perdón a los responsables del terrorismo de Estado y cuatro años más tarde Martínez de Hoz quedó bajo arresto domiciliario.

    El exministro de Economía de la dictadura fue un hombre que despertó repudios en amplios sectores de la sociedad argentina. No por nada su familia decidió enterrarlo discreta y rápidamente, el mismo día de su muerte, en un cementerio privado del municipio bonaerense de Pilar.

    “Martínez de Hoz fue el verdadero jefe civil del golpe terrorista del 24 de marzo”, declaró el entonces secretario de Derechos Humanos de Argentina, el fallecido Eduardo Luis Duhalde. “Se trata de una figura emblemática como autor del proyecto económico que tenía por finalidad la dictadura: la aplicación de la política económica del ajuste, para lo cual se valía de la rebaja escandalosa del ingreso, el desmantelamiento del Estado, la concentración monopólica del capital financiero y el disciplinamiento de la sociedad mediante el terrorismo de Estado, con su secuela de muertes y desapariciones”, añadió Duhalde. De la Hoz siempre denunció ser víctima de una persecución interminable. Ahora ya no.

    José A. Martínez de la Hoz, líder civil de la dictadura argentina | Internacional | EL PAÍS

    18/03/2013

    OBAN é pai do CANSEI e avô do Instituto Millenium

    Filed under: Bandidagem,CANSEI,Cidadão Boilesen,Ditadura,OBAN,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 10:48 pm
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    Os empresários e a OBAN

    Enviado por luisnassif, seg, 18/03/2013 – 19:23

    Autor: Luis Nassif

    As reportagens do José Casado, em O Globo, sobre o envolvimento dos empresários com a repressão, me trouxeram velhas lembranças.

    Quando Ernesto Geisel assumiu a presidência, em 1975, passou a impressão de que traria uma lufada de civilização ao regime militar, após os trágicos anos da Junta Militar e do governo Médici. Tinha como conselheiro o general Golbery, incensado por parte da imprensa como democrata,

    Os livros do Elio Gaspari, fundamentais para entender o período, desfizeram o mito que o próprio Gaspari ajudou a criar na época. Na essência, Geisel talvez fosse menos preocupado com direitos humanos que o próprio Médici.
    Em todo caso, quando assumiu a presidência, herdando uma inflação camuflada deixada por Delfim Neto – Ministro da Fazenda de Médici – abriu uma brecha na frente militar, permitindo algum espaço para o jornalismo criticar o período anterior.

    O novo Ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen, e o novo presidente do Banco Central Paulo Lyra, entraram endurecendo, liquidaram alguns bancos (Halles, Independência Decred), quase provocaram uma crise bancária e depois recuaram um pouco.

    Começando no jornalismo econômico, consegui emplacar minha primeira matéria especial com a denúncia dos escândalos financeiros da era Médici. No Estadão, quem se valeu do espaço aberto foi Antonio Machado, amigo e em início de uma brilhante carreira.

    Na época, as matérias mais críticas que levantávamos acabavam publicadas (com pseudônimo) no jornal Movimento. Com o espaço recém-aberto, tentei convencer a Veja a dar uma matéria sobre Jorge Wolney Atalla, presidente da Coopersucar.

    Na época, Atalla tinha bancado a escuderia de Emerson Fittipaldi na Fórmula 1 e era considerado um dos principais financiadores da Operação Bandeirantes.

    Correspondente do The Guardian, o Bernardo Kucinsky conseguiu informações importantes sobre Atalla, trocamos figurinha e levei a proposta de matéria para o Emilio Matsumoto, que dividia a editoria de Economia com o Paulo Henrique Amorim.

    Matsu consultou "a casa" – ou seja, Roberto Civita -, que deu luz verde.

    Saí a campo, recolhendo dados.

    Dias depois, soube que Atalla tinha sido recebido pelo Roberto Civita. Fiquei preocupado. Mais ainda quando recebi um telefonema da secretária de Atalla, dizendo que ele queria conversar comigo.

    Tendo algum contato com Paulo Belotti – o supertecnocrata, tido como homem de confiança de Geisel – telefonei para ele, atrás de alguma luz. Sua reação foi de temor de Atalla. Se o supertecnocrata temia Atalla, o que fazer?

    Confesso que vi a viola em caco.

    Na época, morava no mesmo prédio dos meus pais. Seu Oscar tinha sido derrubado por um derrame. Antes de sair para a reunião, conversei com dona Tereza, expliquei a situação, disse-lhe que não tinha ideia do teor da conversa. Mas, se eu não voltasse, que entrasse em contato com seu Aziz Nader.

    O velho Aziz era o patriarca da colônia libanesa em São Paulo. O patriarca era o mediador dos conflitos da colônia. Aziz tinha sido padrinho de casamento de meu pai, e seu filho Fuad meu padrinho de crisma.

    Cheguei à reunião com Atalla. Na sala, Ernani Donato, até algumas semanas antes relações públicas da Abril.

    Antes de Atalla entrar na sala, Donato me contou os motivos da visita a Roberto Civita: acertar algumas capas de Veja. Contou-me para tirar qualquer veleidade que eu pudesse ter, a respeito do respaldo da Abril.

    Atalla entrou e a primeira coisa que me disse foi estupenda, confirmando que minha intuição estava certa:

    – Patricio não f… patrício. Então que negócio é esse de dizer que eu assassino pessoas?

    Balbuciei algumas explicações, disse que as informações não eram minhas, mas do The Guardian, ele retrucou que era um jornal esquerdista.

    Não me lembro de mais detalhes da conversa. Sei que saí dali bem inseguro, mas o caso não teve desdobramentos, a não ser no redirecionamento das campanhas publicitárias da Copersucar

    Reencontrei Atalla muitos anos depois no Hotel Nacional, em Brasilia. Subimos no mesmo elevador, ele alquebrado, sem conseguir sequer levantar a cabeça. Reconheceu-me, cumprimentou-me e agradeceu menção que tinha feito, pouco antes, ao seu espírito empreendedor.

    De fato, nos tempos do "milagre", foi o empresário brasileiro que mais ousou, ainda que escudado na Copersucar. Quebrou com o crédito fácil que lhe foi aberto pelo Banco do Desenvolvimento do Paraná

    Os empresários e a OBAN | Brasilianas.Org

    16/03/2013

    Filme revela como EUA deram o Golpe de 1964

    Filme de Tavares ajuda a desacreditar Historialismo (ler em tempo) que atribui apenas a brasileiros a reação ao Governo trabalhista legitimamente eleito

    O presidente Lyndon Johnson (D) deu aval para o embaixador Gordon (E) desestabilizar Goulart e autorizou envio de navios ao Brasil

    Saiu no IG reportagem de Raphael Gomide:

    Com arquivos e áudios da Casa Branca, filme revela apoio dos EUA ao golpe de 64

    “O Dia que Durou 21 anos” revela conversas de Kennedy e Lyndon Johnson sobre o Brasil. Embaixador Lincoln Gordon coordenou com governo e CIA ações de desestabilização de Goulart e o envio de força-tarefa naval para ajudar conspiradores
    O filme “O Dia que Durou 21 anos”, de Camilo Tavares, revela como os Estados Unidos colaboraram para o golpe militar de 1964, que derrubou o presidente brasileiro João Goulart, com base em documentos sigilosos de arquivos norte-americanos e áudios originais da Casa Branca. O documentário, que será lançado dia 29, apresenta áudios de conversas dos presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson com assessores sobre o Brasil e mostra como os vizinhos do norte apoiaram os conspiradores, com ações de desestabilização e até militares.
    O embaixador dos Estados Unidos no Brasil no início dos anos 1960, o intelectual brasilianista de Harvard Lincoln Gordon, aparece como quase um vilão, com seus alarmantes telegramas para os presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson, em que apontava o risco iminente de o Brasil seguir Cuba em direção ao comunismo. “Se o Brasil for perdido, não será outra Cuba, mas outra China, em nosso hemisfério ocidental.” No contexto da Guerra Fria da época, pouco após Cuba se tornar socialista, esse era o pior pesadelo dos americanos.
    Em conversa com Kennedy, cujo áudio é reproduzido, Gordon avalia que o presidente brasileiro poderia ser um “ditador populista”, nos moldes do argentino Juan Perón. Em novembro de 1963, Lyndon Johnson afirma que não vai “permitir o estabelecimento de outro governo comunista no hemisfério ocidental”.
    EUA bancaram ações de propaganda e desestabilização do governo Goulart

    João Goulart ao lado de um de seus algozes, o embaixador Lincoln Gordon

    O documentário mostra, então, as ações de propaganda dos EUA, coordenadas por Gordon, para desestabilizar o governo brasileiro. Cita a criação e o financiamento de supostos institutos de pesquisa anti-Goulart, como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) para bancar “pesquisas” e campanhas de 250 candidatos a deputados, oito a governador e 600 a deputado estadual no País. Além disso, o estímulo de greves e artigos na imprensa contra o governo eram o “feijão com arroz” de “ações encobertas” da CIA (Agência Central de Inteligência) onde pretendia derrubar regimes, como explica o coordenador do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA, Peter Kornbluh.
    Em telegrama para Washington, Gordon admite: “Estamos tomando medidas complementares para fortalecer as forças de resistência contra Goulart. Ações sigilosas incluem manifestações de rua pró-democracia, para encorajar o sentimento anticomunismo no Congresso, nas Forças Armadas, imprensa e grupos da igreja e no mundo dos negócios.” Entrevistado, o assessor de Gordon na embaixada, Robert Bentley, não nega o financiamento americano, apenas sorri, cala e diz: “Isso era uma polêmica quando cheguei [ao Brasil].”
    O filme reitera ainda a importância do adido militar da embaixada Vernon Walters, amigo de oficiais brasileiros desde a 2ª Guerra Mundial, como o general Castelo Branco, que viriam a ser fundamentais na derrubada de Goulart. Cabia a Walters identificar insatisfeitos entre militares. O oficial descreve Castelo Branco, então chefe do Estado-Maior do Exército, como “altamente competente, oficial respeitado, católico devotado e admira papel dos EUA como defensores da liberdade”. Segundo Bentley, “havia muita confiança em Castelo Branco”, o “homem para sanear a situação, do ponto de vista dos interesses americanos”.
    Força-tarefa naval para apoiar o golpe pedido de ajuda de militares brasileiros

    Força-tarefa naval, com porta-aviões, foi autorizada a ser enviada ao Brasil para apoiar o golpe de 64


    Quando a situação esquenta, os EUA concordam em mandar navios de guerra para a costa brasileira, na chamada Operação Brother Sam, com o objetivo de intimidar e dissuadir o governo de resistir ao golpe. O presidente norte-americano autoriza, em áudio, a fazer “tudo o que precisarmos fazer. Vamos pôr nosso pescoço para fora (nos arriscar).”
    Um telegrama do Departamento de Estado dos EUA para Gordon descreve as medidas tomadas para “estar em posição de dar assistência no momento adequado a forças anti-Goulart, se decidido que isso seja feito”. A operação Brother Sam incluía enviar “uma força-tarefa naval, com um porta-aviões, quatro destróieres (contratorpedeiros) e navios-tanques para exercícios ostensivos na costa do Brasil”, além de 110 toneladas de munição e outros equipamentos leves, incluindo gás lacrimogêneo, para controle de distúrbios por avião.
    Um telegrama “top secret” da CIA, de 30 de março – véspera da eclosão do movimento – mostra como os americanos estavam bem informados e articulados com os conspiradores. No documento intitulado “Planos de Revolucionários em Minas Gerais”, os espiões dizem que “Goulart deve ser removido imediatamente. Os governadores de São Paulo e Minas Gerais chegaram definitivamente a um acordo. A ignição será uma revolta militar liderada pelo general Mourão Filho. As tropas vão marchar para o Rio de Janeiro.”
    Documento assinado pelo secretário de Estado dos EUA, Dean Rusk confirma que os golpistas pediram apoio militar aos EUA. “Pela primeira vez, os golpistas brasileiros pediram se a Marinha americana poderia chegar rapidamente à costa sul brasileira.” Para o professor de História da UFRJ Carlos Fico, a retaguarda da Brother Sam foi fundamental para dar segurança aos militares que derrubariam o regime. Apesar dos documentos e de forma pouco convincente, o diplomata Bentley, nega ter ouvido falar na operação.
    Newton Cruz: “Toda revolução, para começar, tem um maluco. O Mourão saiu!”

    João Goulart, no comício da Central do Brasil, às vésperas de ser deposto

    O filme tem ainda momentos engraçados. “Toda revolução, para começar, tem um maluco. O Mourão [general Olympio Mourão Filho, que liderou as tropas de Juiz de Fora em direção ao Rio] saiu!”, ri o general Newton Cruz, ex-chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações). A filha do general Mourão Filho, Laurita Mourão, diz que o pai chamou de “covarde” Castelo Branco, o primeiro presidente militar após o movimento, ao ser criticado por suposta precipitação ao mover tropas em direção ao Rio. “Castelo Branco, você é um medroso, é um…” Nas palavras da filha, ele também “foi entregar a Revolução a Costa e Silva [posteriormente também presidente do regime], que estava dormindo, de cuecas.”
    Após o sucesso da iniciativa, Gordon escreve aos EUA. “Tenho o enorme prazer de dizer que a eliminação de Goulart representa uma grande vitória para o mundo livre”. Robert Bentley conta que participou, no gabinete vazio de Goulart, de reunião sobre a posse do novo regime em que estava o presidente do Supremo Tribunal Federal. Ao telefone para o embaixador, foi perguntado se a posse do novo regime tinha sido legal, e respondeu: “’Parece que foi legal, não sei dizer’. Acordei 12h depois e [os EUA] tinham reconhecido o governo.”
    “Acho que há certas pessoas que precisam ser presas mesmo”, disse Lyndon Johnson

    Filme estreia dia 29

    Poucos dias após o golpe, em um interessante áudio, o presidente Johnson debate com o assessor de Segurança McGeorge Bundy o tom da mensagem para o novo presidente do Brasil.
    – Há uma diferença entre Gordon, que quer ser muito caloroso, e nossa visão da Casa Branca, de que o sr. deveria ser um pouco cauteloso, porque estão prendendo um monte de gente.
    – Eu acho que há certas pessoas que precisam ser presas mesmo. Não vou fazer nenhuma cruzada contra eles, mas eu não quero… Eu gostaria que tivessem colocado alguns na prisão alguns antes que Cuba fosse tomada – responde Johnson.
    – Uma mensagem mais rotineira seria desejável neste momento.
    – Eu seria um pouco caloroso – diz o presidente.
    – É mesmo? Isso vai ser publicado.
    – Eu sei, mas eu estou me lixando!, finaliza o presidente.
    Juracy Magalhães: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”
    O filme avança, mostrando o Ato Institucional nº 1, que cassa os direitos políticos e mandatos de parlamentares e de militares. Um deputado chora sobre a mesa, na Câmara. E lembra, para ilustrar a proximidade do regime militar brasileiro com os EUA, a célebre frase que marcou o militar Juracy Magalhães, embaixador do Brasil em Washington: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”.
    Projeto familiar

    Kennedy recebe o embaixador no Brasil, Gordon

    O documentário é também um projeto familiar e uma homenagem do diretor, Camilo Tavares, ao pai, o jornalista e ativista político Flávio Tavares – um dos 15 presos trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado no Rio em 1969.
    Flávio aparece na famosa foto dos presos (abaixo) diante do avião que os levaria ao exílio, no México – onde o diretor nasceria, em 71 –, e em um flash rápido, em lista de “procurados”, com o nome de Flávio Aristides. É também Flávio Tavares quem faz as entrevistas, ficando frente a frente com ex-adversários, o diplomata Bentley e Jarbas Passarinho, ministro que assinou sua extradição. A mulher de Camilo, Karla Ladeia, é produtora-executiva.
    Para o embaixador Elbrick, seu sequestro foi uma tentativa de “constranger os governos brasileiro e norte-americano”. Mas há outros momentos de constrangimento americano no filme. Após aparecer a foto de um homem pendurado em um pau-de-arara, Bentley é questionado sobre as violações a direitos humanos. “É difícil de justificar oficialmente. Mas lamento… lamento (ri), de qualquer maneira.” À época, entretanto, as mensagens internas do governo americano pregavam a discrição. “Embora não busquemos justificar atos extra-legais ou excessos do governo, concluí que nossa melhor decisão é nos aproximarmos ao máximo do silêncio de ouro”, recomenda Gordon.
    O filme surpreende ainda com depoimentos inusitados e críticos de protagonistas do regime, como o general Newton Cruz, chefe do SNI. “Quando a Revolução nasceu era para fazer uma arrumação da casa. Ninguém passa 20 anjos para arrumar a casa!”
    O filme conclui com uma frase ácida do coordenador do Arquivo de Segurança Nacional, o norte-americano Peter Kornbluh. “Tudo isso foi feito em nome da democracia, supostamente.”

    Presos libertados pelo sequestro do embaixador Charles Elbrick, dos EUA. Flávio Tavares, pai do diretor, é o primeiro à direita, agachado

    Em tempo: ” historialismo ” nao é História nem Jornalismo – PHA

    Filme revela como EUA deram o Golpe de 1964 | Conversa Afiada

    11/03/2013

    Instituto Millenium: “amo muito tudo isso!”

    Filed under: Cidadão Boilesen,OBAN — Gilmar Crestani @ 8:08 am
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    Os empresários paulistas e a tortura

    Postado por Juremir em 11 de março de 2013História

    O elo da Fiesp com o porão da ditadura

    • Documentos revelam o ‘Dr. Geraldo’, que fez a ligação dos empresários paulistas com o Dops durante sete anos

    josé casado e chico otavio (Email · Facebook · Twitter)

    Publicado: 9/03/13 – 18h30

    Atualizado: 9/03/13 – 19h29

     Corpo de Albert Henning Boilesen, ao lado do Fusca, após ser morto a tiros em São Paulo: empresário defendia ajuda financeira e logística ao aparato da repressão política Foto: Reprodução

    Corpo de Albert Henning Boilesen, ao lado do Fusca, após ser morto a tiros em São Paulo: empresário defendia ajuda financeira e logística ao aparato da repressão política Reprodução

    “Dr. Geraldo”, escreveu o funcionário no livro de portaria. “Cargo: Fiesp”, completou. Eram 18h30m daquela segunda-feira, 19 de abril de 1971, quando Geraldo Resende de Mattos, o “Dr. Geraldo” da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, avançou pelo corredor central do Departamento de Ordem Política e Social (Dops). No prédio ícone da arquitetura ferroviária paulistana funcionava uma falange policial do mecanismo de repressão política operado pelo II Exército. Quatro meses antes, o general-comandante Humberto de Souza Mello dera sinal verde à matança de adversários do regime. E confirmou a ordem ao chefe do seu Estado-Maior.

    O tratamento de “doutor” na delegacia era reverência policial à organização dos industriais. Os livros do Dops, há pouco revelados pelo Arquivo Público, indicam que a conexão entre o empresariado paulista e a polícia política do regime militar foi muito mais extensa do que até então se presumia.

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    Mattos frequentava os andares do Dops onde funcionavam as seções de Política e de Informações, três a quatro vezes por semana no final do expediente. Essa foi sua rotina durante sete anos, de 1971 a 1978. Às vezes, passava mais tempo lá do que na federação. Tinha 52 anos e estava há 28 no Serviço Social da Indústria (Sesi), vinculado à Fiesp. Entrou como “auxiliar” e cresceu a partir de uma relação de confiança com o industrial Nadir Dias de Figueiredo, um dos fundadores dessas entidades.

    Um homem do poder

    Figueiredo era figura ímpar no empresariado paulista. Emergiu da Depressão de 1929 como proprietário de fábricas de vidros, lâmpadas e aparelhos de iluminação na região metropolitana de São Paulo. Com o irmão Morvan, ministro do Trabalho no governo Dutra (1946-1951), ajudara o engenheiro e senador Roberto Simonsen a erguer o mais influente condomínio sindical do patronato brasileiro (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). Com a morte de ambos, nos anos 50, Figueiredo desfrutou como ninguém do controle político dessas entidades.

    Dono de um sorriso enigmático, fala mansa e sempre a bordo de um terno escuro, elegeu todos os presidentes da Fiesp durante três décadas, até 1980. Manejava com habilidade um colégio eleitoral de 94 eleitores, onde o voto dos antigos sindicatos de cordoalha e de chapéus para senhoras valia tanto quanto o das inovadoras indústrias automobilística e o da eletrônica.

    Jardineiro da dissimulação, distanciava-se com polidez de jornalistas e pretensos biógrafos esgrimindo uma bem humorada recusa: “A metade do que eu teria para contar envolve outras pessoas, por isso é assunto confidencial. Sobre a outra metade, bem… iriam me chamar de mentiroso”. Nunca presidiu a federação. Escolhia presidentes e alocava um de seus filhos na posição de vice. Era o “emérito”, derrotado na revolução paulista de 1932, contra Getúlio Vargas, e vitorioso no golpe de 1964 contra João Goulart.

    Naquela segunda-feira 19 de abril de 1971, foi atípica a visita do “Dr. Geraldo” da Fiesp ao Dops. Durou dez minutos. Saiu às 18h40m da delegacia onde imperava Sérgio Paranhos Fleury, ícone da corrupção e da violência policial, a quem o comando militar dera proeminência na máquina de repressão política. Fleury estava nas ruas, caçando terroristas que, quatro dias antes, assassinaram um diretor do Centro das Indústrias (Ciesp). Antes da semana acabar, comandaria a aniquilação do Movimento Revolucionário Tiradentes, integrante do consórcio guerrilheiro montado para execução do empresário Albert Henning Boilesen.

    O dinamarquês Boilesen, de 54 anos, havia sido eleito na Fiesp/Ciesp com o aval de Nadir Figueiredo depois de chegar à direção do grupo Ultra. Eram vizinhos no charmoso bairro Jardim América. Na manhã de quinta-feira, 15 de abril, foi emboscado ao sair de casa. Metralhado, morreu na sarjeta.

    Ativo colaborador do Departamento de Operações Internas (DOI) do II Exército, Boilesen se destacava nas reuniões da federação pela veemência na defesa de ajuda financeira e logística ao aparato de repressão política. Dias antes de ser assassinado propôs a criação de um braço armado, civil, em apoio ao regime militar. A Associação dos Combatentes Brasileiros não saiu do papel, mas o caixão do seu idealizador baixou ao túmulo escoltado por dois pelotões do Exército e na presença do comandante da Região Militar, general Dale Coutinho.

    O empresário Boilesen e o auxiliar Mattos faziam parte de uma engrenagem civil-militar que reconhecia a legitimidade do “movimento revolucionário no uso de meios para atingir plenamente seus objetivos”, na definição de Theobaldo De Nigris, presidente da Fiesp com sucessivos mandatos garantidos por Nadir Figueiredo até 1980. O empresariado somava-se à luta contra as “falanges da subversão e do genocídio” — dizia a federação em manifestos.

    Não há dados precisos, mas sabe-se que foi expressivo o fluxo de dinheiro para a repressão, a partir de coletas na Fiesp e em reuniões promovidas por Gastão de Bueno Vidigal (Banco Mercantil de São Paulo), João Batista Leopoldo Figueiredo (Itaú e Scania), Paulo Ayres Filho (Pinheiros Produtos Farmacêuticos), e o advogado Paulo Sawaia, entre outros. Empresas como Ultragaz, Ford, Volkswagen, Chrysler e Supergel auxiliaram também na infraestrutura, fornecendo carros blindados, caminhões e até refeições pré-cozidas.

    Foram criados departamentos de espionagem de empregados recrutando agentes civis e militares. Nos arquivos do Dops há uma profusão de registros, listas e fichas individuais.

    As relações entre empresários e chefes militares se solidificaram durante a conspiração contra Goulart. Cristalizaram-se na Operação Bandeirantes, em 1969, quando as atividades repressivas foram centralizadas no II Exército. O êxito da experiência da Oban levou à instituição do DOI-Codi na estrutura militar oito meses depois. A autonomia e o vínculo direto da máquina de repressão com o ministro do Exército, em Brasília, produziu a subversão da hierarquia na caserna. A partir daí, a anarquia, a tortura e a matança se tornaram institucionais.

    Em São Paulo, generais e empresários esmeravam-se na lapidação de seu relacionamento com reuniões e solenidades cada vez mais frequentes. Na terça-feira 9 de dezembro de 1970, por exemplo, o chefe do Estado-Maior do II Exército, general Ernani Ayrosa, abriu o quartel para homenagear alguns dos seus mais destacados colaboradores.

    Convidou Henning Boilesen e Pery Igel (Ultra), Sebastião Camargo (Camargo Corrêa), Jorge Fragoso (Alcan), Adolpho da Silva Gordo (Banco Português), Oswaldo Ballarin (Nestlé), José Clibas de Oliveira (Chocolates Falchi), Walter Bellian (Antarctica), Ítalo Francisco Taricco (Moinho Santista) e Paulo Ayres Filho (Pinheiros Farmacêutica), entre outros. Ayres Filho levou para casa uma insígnia do comando gravada em metal. Agradeceu em carta, encontrada pela historiadora Martina Spohr. Nela dizia compreender o gesto “mais como um prêmio pela minha lealdade perene aos ideais cristãos e inabalável fé na Liberdade, do que por qualquer contribuição pessoal que tenha prestado às causas e operações no presente”.

    Naquele dezembro, o “Dr. Geraldo” também foi premiado: seu chefe, Nadir Figueiredo, colocou-o no conselho fiscal de uma de suas empresas.

    Quatro anos depois, com a guerrilha urbana exterminada e a rural asfixiada no mato do Araguaia, o general-presidente Ernesto Geisel anunciou o retorno à democracia. Conservadores como Figueiredo sentiram-se desnorteados. O líder industrial decidiu ir à luta. E levou a Fiesp a uma campanha em aliança com grupos ultrarradicais, como o medievalista Tradição, Família e Propriedade (TFP), patrocinado pelo construtor Adolpho Lindenberg.

    Figueiredo e Lindenberg coordenaram uma espécie de levante contra a abertura política, em 1978. Tentaram cooptar o general João Batista Figueiredo, já escolhido pelo presidente Geisel como seu sucessor. Levaram-lhe um manifesto empresarial a favor do regime. Perderam. Prevaleceu a volta aos quartéis.

    Sem bússola, Nadir Figueiredo viu seu poder declinar na Fiesp. Saiu de cena em 1980, quando pela primeira vez saboreou a derrota numa eleição da federação. “Dr. Geraldo” acabou demitido pela nova diretoria. E a TFP acabou estilhaçada na luta interna.

    Figueiredo só percebeu ter sido atropelado pela História pouco antes de morrer, em 1983. Foi quando viu na televisão um mineiro de sua cidade natal, São João Del Rey, liderando manifestações de rua por eleições diretas para presidente. Era Tancredo Neves.

    Para a Fiesp, essa é uma página virada da sua história. “É importante lembrar que a atuação tem se pautado pela defesa da democracia e do estado de direito”, ressalta a atual direção em nota oficial. E acrescenta: “Eventos do passado que contrariem esses princípios podem e devem ser apurados”.

    Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/o-elo-da-fiesp-com-porao-da-ditadura-7794152#ixzz2NA4XiGhJ
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    Juremir Machado da Silva – Blogs – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

    23/11/2012

    Mega quadrilha: FIESP, Mário Amato, OBAN, Cidadão Boilesen

    Filed under: Cidadão Boilesen,FIESP,Operação OBAN — Gilmar Crestani @ 8:51 am

    Comissão acusa agentes da ditadura por cinco mortes

    Grupo que investiga período militar divulgou ontem seus primeiros textos

    Documento elaborado por Claudio Fonteles liga Fiesp à produção de armas para militares que derrubaram Goulart

    RUBENS VALENTEMATHEUS LEITÃODE BRASÍLIA

    O coordenador da Comissão da Verdade, Claudio Fonteles, divulgou ontem textos que acusam 11 agentes do Estado, militares e civis, pela morte sob tortura de cinco militantes de esquerda durante a ditadura militar (1964-1985).

    Com base numa análise de três peritos da Polícia Civil de Brasília que colaboram com a comissão, ele também afirmou que o guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969) foi morto sem esboçar reação ou tentar pegar sua arma, ao contrário da versão oficial.

    Ele atribuiu a responsabilidade pela morte ao general Milton Tavares (1917-1981), ex-chefe do CIE (Centro de Informações do Exército): "De tudo, resta claro que Marighella foi eliminado por agentes públicos do Estado, sob a supervisão do general Milton".

    Fonteles divulgou ontem, no site da comissão, 11 textos sobre episódios diversos da ditadura. É a primeira vez que a comissão torna públicos textos produzidos por algum de seus integrantes. Para Fonteles, a intenção é "abrir amplo espaço de diálogo, visando enriquecer essa pesquisa inicial com sugestões e críticas".

    Os principais documentos citados por Fonteles já foram objeto de reportagens jornalísticas, estudos acadêmicos e livros. Com seus textos, ele antecipa conclusões que a comissão poderá vir a adotar.

    Ele afirmou que o metalúrgico Manoel Fiel Filho (1927-1976), o militante da ALN (Ação Libertadora Nacional) Joaquim Câmara Ferreira (1913-1970), o padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto (1940-1969), o engenheiro Raul Amaro Nin Ferreira (1944-1971) e o sargento da Aeronáutica João Lucas Alves (1935-1969) morreram sob tortura por agentes do Estado.

    No caso de Câmara Ferreira, cita o envolvimento do delegado Sérgio Paranhos Fleury, do extinto Dops (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo.

    Fonteles disse que agentes e médicos legistas encobriram a morte de Aldo de Sá Brito Souza Neto (1951-1971), da ALN. Documento citado por Fonteles diz que quando a família foi reclamar o corpo, militares afirmaram que Aldo estava vivo, e mostraram o corpo de outra pessoa.

    Fonteles disse ainda que houve obstrução do Ministério da Justiça na apuração da morte do padre Silva Neto.

    ARMAMENTOS

    Em outro texto, Fonteles relacionou a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) à produção de armas para o movimento de militares que derrubou o presidente João Goulart, em 1964. Fonteles citou relatório confidencial produzido pelo SNI (Serviço Nacional de Informações), hoje sob guarda do Arquivo Nacional, que descreve a criação do GPMI (Grupo Permanente de Mobilização Industrial) no dia 31 de março de 64, data do golpe militar.

    Tal órgão, segundo o documento, teve a função de "fornecimento de armas e equipamentos militares aos revolucionários paulistas". Procurada pela Folha, a Fiesp não havia se manifestado até a conclusão desta edição.

    Fonteles apontou: "Portanto, a Fiesp na data mesma da eclosão do golpe militar, que em nosso país redundou no Estado ditatorial-militar, celebrou ‘a primeira tentativa de união industrial-militar’, sob o fundamento de que ‘não é possível existir qualquer poderio militar sem uma indústria que faça esse poderio’".

    A tese não é inédita e foi abordada em estudos acadêmicos sobre as relações entre os militares golpistas e setores da sociedade civil.

    Um total de 75 documentos produzidos pelo GPMI está hoje sob guarda da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.

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