Ficha Corrida

15/12/2016

Feltes, em off, a privada é minha serventia

Filed under: Giovani Feltes,RS — Gilmar Crestani @ 8:57 am
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Giovani Feltes: “Eu tenho R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 50 mil, mas não coloca meu nome na tua prestação de conta’. Quem dizia que não? Precisa. Tinha que acabar um pouco com essa hipocrisia.” Precisamos acabar não só com a hiPÓcrisia, mas, principalmente, com os hiPÓcritas, uma categoria em franca reprodução nestes tempos de caça ao grande molusco. Nunca ficou tão clara que é a privada a serventia dos hipócritas.

É comovedora a declaração do Giovani Feltes de que, em todas as suas eleições, bastava passar o pires que os empresários jorravam dinheiro para que ele, que não é anjo, se elegesse. É tão comovedora ver uma plateia de empresários admitirem, com seu silêncio obsequioso, a relação de compadrio. São os mesmos que atacam o Estado e a alta carga tributária.

Se ao invés de encherem os bolsos do Secretário Estadual da Fazenda os empresários pagassem seus impostos haveria necessidade de o Estado entregar o patrimônio construído por gerações para estes mesmos empresários? Tão pouco precisaria parcelar os salários dos que efetivamente trabalham para que este Estado continue existindo. Políticos como Feltes e Sartori não se dão conta que os políticos passam, os servidores permanecem carregando o Estado nas costas mesmo quando os salafrários se vão.

Feltes inaugurou um novo sinônimo para cagada, off, coisas que ele deveria fazer na privada mas faz “no” público.

Não é sem motivo que o pessoal que vestia camisas verde-amarelas e tomavam champanhe no Parcão portavam cartazes dizendo que sonegação não é crime. Aliás, um herói desse pessoal, José Tarja Preta Serra, que foi presentado com 23 milhões depositados na Suíça, comungava do mesmo entendimento. A Operação Zelotes, quando ainda não tinha se convertido em instrumento de perseguição ao grande molusco, identificara em Gerdau, RBS e uma plêiade de empresários gaúchos uma verdadeira organização especializada em sonegar impostos. São os mesmos que dispõem de páginas e páginas nos jornais para defenderem a causa da alta carga tributária.

Aliás, estamos numa época em que infelizes declaram a descoberta de suas infelicidades como meras infelicidades. Haja déficit civilizatório para acreditar em tantas e tamanhas sandices.

Feltes diz que declarações sobre caixa dois foram ‘fora do contexto e infelizes’

Giovani Feltes disse que se utilizou de expressões "de maneira genérica, sem vinculação a um fato objetivo". (Foto: Joana Berwanger/Sul21)

Giovani Feltes disse que se utilizou de expressões “de maneira genérica, sem vinculação a um fato objetivo”. (Foto: Joana Berwanger/Sul21)

Marco Weissheimer

A Coordenação de Comunicação Social da Secretaria Estadual da Fazenda divulgou nota à imprensa nesta quarta-feira (14) explicando declarações feitas pelo secretário Giovani Feltes durante uma palestra na Associação Comercial e Industrial de Carlos Barbosa, na última segunda-feira. O tema da palestra era a situação das finanças públicas do Rio Grande do Sul. Ao final de sua fala, Feltes falou também sobre temas relacionados ao financiamento de campanhas eleitorais e à prática de caixa dois. As declarações foram divulgadas pela jornalista Priscila Boeira, em matéria publicada no jornal Contexto, de Carlos Barbosa. Intitulada “Não sou anjo e anjo não se elege, diz secretário Giovani Feltes a empresários”, a matéria relata que, nos últimos minutos da palestra, o titular da Fazenda fez considerações sobre questões eleitorais, pedindo que a imprensa mantivesse sigilo sobre as mesmas. O relato é o seguinte (o áudio foi cedido ao Sul21 pelo jornal Contexto):

https://soundcloud.com/sul-21/giovani-feltes

“Em off, pessoal: anjo não se elege nem vereador em Carlos Barbosa. A gente tem que tirar e afastar essa hipocrisia. Eu tenho dez eleições nas costas, 12 anos de vereador, 12 anos prefeito, 12 anos deputado estadual. Desde os 18 anos e não perdi uma eleição. Em off: [o beneficiário dizia] ‘me dá uma mão para a campanha? Eu tenho R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 50 mil, mas não coloca meu nome na tua prestação de conta’. Quem dizia que não? Precisa. Tinha que acabar um pouco com essa hipocrisia. Essa [última] campanha foi melhor, sim, mas ela beneficia quem é mais conhecido, já tem um certo desequilíbrio”.

E prossegue:

“Quem tem dinheiro de caixa dois que não contabiliza nunca? Jogou no bicho. Então eles podem eleger vocês; igrejas, de qualquer credo; tráfico, já pensaram nisso? Em off: em Novo Hamburgo elegeram um traficante para a Câmara de Vereadores e também conheço outras cidades que elegeram. Lá é dos Manos, mas deve ter alguém dos Bala na Cara em alguma cidade. E a gente não quer saber de política. Desculpa a provocação, mas todos temos um pouco de culpa”.

Na nota divulgada pela Secretaria, Feltes lamenta que “frases esparsas e sem vinculação com o tema principal” ganharam repercussão com sua publicação no jornal Contexto. Mas reconhece que “foram colocações fora do contexto e infelizes”. Segue a íntegra da nota:

Nota à imprensa

Na última segunda-feira (12), a convite da ACI (Associação Comercial e Industrial) de Carlos Barbosa, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, realizou palestra abordando a situação das finanças públicas e os desafios para colocar o Rio Grande do Sul em um patamar de equilíbrio fiscal.

Falando por quase duas horas para uma plateia formada por empresários da cidade, o secretário tratou dos problemas estruturais do Estado, traçou uma retrospectiva histórica sobre as medidas já adotadas por diferentes governos e destacou os projetos que buscam a reforma do Estado ora em análise pela Assembleia Legislativa.

Como tratou-se de uma explanação longa, o secretário lamenta que frases esparsas e sem vinculação com o tema principal acabaram ganhando repercussão após publicadas por um jornal local, mesmo com o alerta preliminar de que se tratavam de manifestações em caráter reservado.

São expressões que o secretário se utilizou de maneira genérica, sem vinculação a um fato objetivo e específico.  O secretário reconhece que foram colocações fora do contexto e infelizes.

Feltes diz que declarações sobre caixa dois foram ‘fora do contexto e infelizes’ « Sul21

08/11/2016

Sirvam nossas patranhas de modelo a toda terra

Filed under: José Ivo Sartori,PMDB,PSDB,RBS,RS,Sonegação Fiscal — Gilmar Crestani @ 9:08 am
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sartori tumeleiro terraPor que não vemos matéria como essa nos múltiplos veículos da RBS? Ora, porque a RBS é teúda e manteúda deste modelo. Aliás, por que não se ouve mais falar nas operações Zelotes e Ouro Verde (Portocred)?! Ora, pelos mesmos motivos que saiu do noticiário a Lista de Furnas, a Lista Odebrecht, a Lista Falciani do HSBC, a Panama Papers (Mossack & Fonseca). Toda vez que surge um escândalo de corrupção envolvendo parceiros dos velhos grupos de mídia, e os próprios grupos, o assunto vira pó. Basta ver o que aconteceu com um heliPóptero com 450 kg de cocaína. Sumiu. Virou pó. E ninguém, muito menos a dupla personalidade MPF/PF, abre a boca para tocar no assunto. Quem fim deram aquelas gravações do Sérgio Machado denunciando o complô do PMDB para derrubar a Dilma e assim se safarem?

Um diálogo muito ilustrativo dizia que Aécio Neves seria o primeiro a ser comido. Não foi, nem será. E todos sabemos porque. Pelo mesmo motivo que 23 milhões lavados na Suíça não fazem José Serra motivo de investigação, muito menos de denúncia. O silêncio do Jornal Nacional sobre a lavanderia suíça de Serra é tem os mesmos decibéis das reportagens sobre as peripécias internacionais de outro personagem favorito das organizações Globo. Por quê? Ora, pelos mesmos motivos que Eduardo CUnha só foi afastado depois de derrubar, com o apoio da Rede Globo, que mudou uma rodada do Brasileirão, Dilma. A pá de cal deu-se antes de sua prisão, que se deu somente após ter limpado as contas. A bagatela de 220 milhões de pixulecos… A justificativa era de que ele tinha foro privilegiado. Claro, mas e a mulher a filha? Tinham foro privilegiado tanto quanto a Andrea Neves!

Essa mesma lógica seletiva que impera no RS. Alguns, como a GERDAU, se beneficia de grande programas de incentivo ou isenções fiscais. O ralo por onde some o dinheiro público tem nome, sobrenome, conta bancária e CNPJ. São sempre os mesmos. O CARF sabe.

Impera no mercado de informações a mesma lógica com que tratam a educação. Quanto menos o povo souber, mais fácil de adestra-lo. Por isso o maior investimento do PMDB, copiado do PSDB, tem sido em marketing, uma forma limpa de se pagar a fatura aos seus benfeitores midiáticos.

Os números não mentem, já a RBS…

A crise fiscal e dos serviços públicos do Rio Grande do Sul, por Róber Iturriet e João Batista Santos

A crise fiscal e dos serviços públicos do Rio Grande do Sul, por Róber Iturriet e João Batista Santos

Brasil Debate

ter, 08/11/2016 – 07:41

As desonerações fiscais do estado, muitas das quais poderiam ser revistas, somaram R$ 8,98 bilhões em 2015, representando 29,68% da arrecadação. Ao mesmo tempo, houve redução no número de servidores, o que pode estar relacionado à piora dos serviços públicos

do Brasil Debate

A crise fiscal e dos serviços públicos do Rio Grande do Sul

por Róber Iturriet Avila e João Batista Santos Conceição

1.Os gaúchos merecem saber o retorno dos “incentivos fiscais”

Os incentivos fiscais são renúncias previstas na legislação tributária, reduzindo, portanto, a arrecadação do Estado que é formada por meio do recolhimento de impostos dos cidadãos. Esses incentivos fiscais não são homogêneos[1].

As desonerações fiscais do estado do Rio Grande do Sul no ano de 2015 totalizaram R$ 8,98 bilhões, representando 29,68% da arrecadação tributária. Somente o ICMS representou 89,99% dessas desonerações[2]. Ao passo que o IPVA e o ITCD representaram 8,84% e 1,44% das desonerações fiscais (RIO GRANDE DO SUL [a]; 2016).

Muitas dessas desonerações fiscais estão previstas na Constituição Federal e na Constituição Estadual. Ao mesmo tempo, o Poder Executivo, seja em nível nacional ou em nível estadual, pode enviar um projeto de lei para revisar tais desonerações fiscais. Há algumas desonerações de caráter social, envolvendo produtos da cesta básica, trigo, medicamentos, entre outros. Por outro lado, existem desonerações mais questionáveis, como a isenção do ICMS e do IPTU para igrejas e templos religiosos, desoneração sobre a produção de vinho e de sacolas plásticas, por exemplo.

Há uma parte importante dessas desonerações fiscais sobre a qual o Estado gaúcho tem ingerência. É o caso dos créditos presumidos. Em 2015, esse segmento das desonerações foi de R$ 2,51 bilhões. São desonerações concedidas pelo Estado com o intuito de atrair investimentos e estimular determinados setores da economia. Assim, é “presumido” o ICMS de uma empresa que pretende se instalar ou ampliar a produção.

Entram na categoria do crédito presumido o Fundopem e o Fomentar. Conforme os restritos dados divulgados pela Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, o Fundopem recebeu mais de R$ 570 milhões de desonerações fiscais via crédito presumido no referido ano.

Em um momento de escassez clara de recursos e de dificuldades de o estado prestar os serviços mais básicos, caberiam revisões de desonerações fiscais concedidas, algumas das quais com pouca transparência e rara informação sobre o retorno social e econômico dessas renúncias.

O gráfico abaixo explicita que as desonerações fiscais em relação à arrecadação total do estado do Rio Grande do Sul são ascendentes no período exposto.

grafico desoneraçoes

2. Servidores públicos na ativa no Estado do Rio Grande do Sul

Não é incomum identificar certo desconforto de membros da sociedade com reposições salariais de funcionários públicos e com os serviços prestados pelo Estado. Essa temática é complexa e envolve uma miríade de variáveis que não serão exauridas neste pequeno texto. Ainda assim, um olhar sobre alguns dados auxilia em uma reflexão mais lúcida.

O número de servidores públicos na ativa no estado do Rio Grande do Sul é um deles. No gráfico abaixo é possível observar a trajetória de queda nos servidores ativos, incluindo servidores da administração direta dos três poderes, Ministério Público, autarquias e fundações. O Gráfico explicita também que a relação funcionários públicos estaduais/população total cai persistentemente ao logo do período, com uma exceção leve em 2012[3].

grafico vinculos

Entre janeiro de 2015 e agosto de 2016 (20 meses), o número de servidores ativos na secretaria de educação (majoritariamente professores) caiu 9.987 (-10,0%). No mesmo período, os inativos aumentaram em 5.625, ou seja, 4.367 saíram da folha de pagamento. Na Brigada Militar houve uma redução de 3.994 servidores (-16,8%). Os brigadianos aposentados aumentaram em 2.567, assim, 1.427 saíram da folha por outros motivos. Já na Polícia Civil a redução foi de 685 servidores (-11,1%). No mesmo período, os servidores ativos vinculados à secretaria da saúde diminuíram em 452 (-9,9%), já os inativos aumentaram 139.

Nessa medida, ignorando-se os óbitos de inativos, 43% daqueles que saíram da secretaria da educação não se aposentaram. Já na Brigada Militar, foram 35%. Na secretaria de saúde foram 69,24%.  Não é descabida a hipótese de que o corte de horas extras, o não pagamento de promoções, o fim do abono que policiais militares aposentáveis recebiam para continuar a ativa e o parcelamento de salários incentivaram o desligamento voluntário (RIO GRANDE DO SUL [b], 2016).

Alguns dados de 2016 ainda não estão fechados, sobretudo das autarquias e fundações. Entretanto, de janeiro a agosto, 8.148 pessoas saíram da ativa apenas na admiração direta. Desses, 4.354 se aposentaram, os demais 3.794 se exoneraram ou faleceram. Cabe destacar que os servidores da área da segurança, incluindo agentes penitenciários e instituto geral de perícias, e os da secretaria da educação representavam 81,68% de todos servidores públicos ativos do estado do Rio Grande do Sul em agosto de 2016.

Verificando-se os dados desde 2000, é notável que a taxa de variação negativa no número de servidores ativos se repete em dois anos consecutivos (2015 e 2016) e com índice não observado na série. Tais informações podem embasar reflexões acerca dos impactos deste expressivo processo de desligamento sobre os serviços básicos prestados à população, tanto no presente, quanto no futuro, uma vez que alterações na educação, por exemplo, são percebidas em um período mais extenso.

grafico vinculos1

No intuito de subsidiar conclusões acerca do retorno dos tributos pagos, é interessante observar os custos de algumas categorias dos servidores. Atualmente os salários de todos estão disponíveis. Os dados abaixo consideram as médias nos valores totais das vantagens, excluindo contribuições de assistências médicas, encargos e 13º salário. Eles se referem a agosto de 2016. Nos dados da Assembleia Legislativa, não estão computados os salários dos deputados estaduais.

– Tribunal de Contas do Estado: R$ 19.751,95

– Ministério Público: R$ 17.463,61

– Assembleia Legislativa: R$ 14.276,93

– Poder Judiciário: R$ 12.341,30

– Polícia Civil:R$ 9.820,72

– Secretaria da Saúde: R$ 6.428,24

– Brigada Militar: R$ 5.833,43

– Poder Executivo (média geral): R$ 4.262,65

– Secretaria da Educação: R$ 2.625,84

As disparidades salariais são bastante nítidas. Há diferenças também nos níveis de qualificação e do serviço em si. Ainda assim, frisa-se que a queda de servidores ocorreu de maneira expressiva nas áreas de educação, segurança e saúde, as quais possuem médias salariais menores com relação aos demais poderes. Saliente-se, também, que nas categorias que não estão submetidas ao parcelamento de salários não houve alteração importante no quadro.

O debate aqui proposto é extenso e envolve outros elementos não considerados com a devida profundidade. De toda sorte, as informações acima auxiliam em algumas reflexões acerca da crise do estado do Rio Grande do Sul, traz também indicativos de fontes de receitas possíveis, caso algumas desonerações sejam revistas. A crise das finanças públicas ocorre ao tempo em que há redução de servidores públicos e elevação das desonerações fiscais.

Além disso, a redução do número de servidores sinaliza que uma eventual piora dos serviços públicos tem relação com a redução de pessoal nas respectivas áreas. Cabe aventar que a referida alteração esteja associada ao desalento monetário, uma vez que foram nas áreas com menores salários que se observam quedas acentuadas em servidores ativos.

Notas

[1]No Rio Grande do Sul, eles acontecem através de quatro formas: i) isenção de impostos; ii) base de cálculo reduzida; iii) crédito fiscal presumido e; iv) estatutos da microempresa e da empresa de pequeno porte (Simples Nacional).

[2]Para se ter um comparativo, em São Paulo, as desonerações fiscais do ICMS no ano de 2015 foram de 11,30% da arrecadação potencial. A arrecadação potencial no Rio Grande do Sul foi de 22,94% no ano de 2015.

[3] Os dados englobam os três poderes do estado do Rio Grande do Sul, mas não incluem as empresas e outras instituições de economia mista, as quais possuem receitas próprias e, na maior parte, são lucrativas.

Referências

RIO GRANDE DO SUL (a).  Demonstrativo das isenções fiscais do RS.Setembro – 2016. Disponível em:  http://www.al.rs.gov.br/FileRepository/repdcp_m505/CFPFC/Nota%20T%C3%A9cnica%20e%20Demonstrativo%20Desonera%C3%A7%C3%B5es%202015.pdf. Acesso em 05 out. 2016.

RIO GRANDE DO SUL (b). Secretaria da Fazenda. Transparência fiscal. Disponível em: <https://www.sefaz.rs.gov.br/Site/MontaMenu.aspx?MenuAlias=m_bp_bip_a2008>. Acesso em 27 out. 2016.

Róber Iturriet Avilla – Doutor em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, pesquisador da Fundação de Economia e Estatística e diretor sindical do SEMAPI

João Batista Santos Conceição – É graduando em ciências econômicas na Unisinos e bolsista FAPERGS/FEE

A crise fiscal e dos serviços públicos do Rio Grande do Sul, por Róber Iturriet e João Batista Santos | GGN

22/09/2016

RBS e as origens do ódio

Filed under: Grupo RBS,Grupos Mafiomidiáticos,RBS,RS — Gilmar Crestani @ 7:28 am
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rbs (2)

A seguir uma pequena pedaço da longa biografia da RBS à serviço da plutocracia e contra a esquerda, registrado em maio de 2002 na Revista Imprensa, que de esquerdista não tem nada. De lá para cá a RBS, filiada da Rede Globo, só aumentou seus vasos capilares. Tirando Olívio Dutra e Tarso Genro, a RBS conseguiu capturar todo o espectro político do RS. Noves fora o PMDB, teúdo e manteúdo da RBS, também conseguiu eleger dois senadores extraídos de suas fileiras: Ana Amélia Lemos (do PP gaúcho), e Lasier Martins (do PDT gaúcho).

Portanto, quem acha que a Rede Globo é a fonte de todo ódio aos movimentos sociais é porque não conhece sua fiel escudeira no pampas. Se a Rede Globo está no Panama Papers, a RBS, juntamente com seu totem, Gerdau, está na Operação Zelotes.

Um editor declarou que o Grupo Clarín fazia “jornalismo de guerra” contra o casal Kirchner. Muito antes disso a RBS já fazia jornalismo de guerra contra o PT e a favor de seus asseclas. Ou alguém já viu a RBS criminalizar o PMDB por abrigar gente como Michel Temer, Eduardo CUnha, Romero Jucá, José Sarney, Eliseu Rima Rica, José Ivo Sartori e Sebastião Mello. Não, todo seu ódio é dirigido e concentrado contra seus adversários ideológicos.  Seus finanCIAdores ideológicos estão com ela no CARF, mas ninguém fica sabendo, porque a RBS detém um quase monopólio (80%) do mercado de informações no RS.

Quem primeiro foi denunciada, pelo Diógenes de Oliveira, de lavagem de dinheiro, nas Ilhas Cayman, foi a RBS. Os que vieram depois, como José Maria Marin, Ricardo Teixeira e toda trupe da Lista Falciani do HSBC apenas seguiram as pegadas da RBS.

Os catarinenses já conseguiram expulsar a família do estuprador de Florianópolis, agora falta os gaúchos!

"Rio Grande em pé de guerra", copyright Revista Imprensa, 05/02 – Pedro Paulo Venceslau

"Essa relação, que nas outras regiões do Brasil varia entre o conflito total e a subserviência financeira e política, no sul é marcada por um forte componente ideológico, típico dos pampas, onde toda discussão envolve paixão. Ou se está de um lado, ou de outro.

Nesse caso, de um lado está a RBS (Rede Brasil Sul), um império de comunicação formado por 60 emissoras de rádio e televisão e jornais, que aglutinam 86% dos leitores da grande Porto Alegre. Do outro, o PT (Partido dos Trabalhadores), que dirige a maior parte das prefeituras do Estado, incluindo Porto Alegre e Pelotas, as mais ricas cidades gaúchas, além, é claro, do governo estadual e da TV educativa do estado, a TVE que, segundo seu colega de partido e prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, é operada de forma ‘stalinista’ por Olívio Dutra.

Redação do jornal Zero Hora: apesar da guerra contra o governo, petistas são maioria

A RBS está falindo. O Grupo, que enviaria dinheiro para o exterior e seria sonegador deimpostos, estaria prestes a quebrar – dispõe de R$ 0,38 de recursos próprios para pagar cada R$ 1,00 que deve. Sua situação é de liquidez geral. Ver-dade ou munição de guerra? Essas informações circularam em dezembro do ano passado em um dossiê de fazer inveja ao melhor dos arapongas da ABIN (Agência Brasileira de Informação). Via Internet, o calhamaço aterrissou na mesa dos principais políticos do Rio Grande do Sul.

Especialmente dos governistas. São nove páginas de verborragia, misturada com dados supostamente ‘inquestionáveis’ sobre a situação financeira da empresa. Ou seja, um banquete para o inimigo número 1 da Globo gaúcha, o Palácio Piratini, sede governo do estado. Foi lá que a reportagem de IMPRENSA, pouco depois de desembarcar em Porto Alegre, recebeu uma cópia do material.

Ao contrário dos dossiês secretos que correm pelos bastidores da corrida presidencial, o texto veio assinado e com o número do telefone celular do autor da matéria, ao lado do título.

Durante mais de um mês, o jornalista Nivaldo Manzano, ex-Gazeta Mercantil e colaborador da revista Caros Amigos, notoriamente simpática ao PT, se internou em Porto Alegre. Escutou supostos ex-executivos do grupo, freqüentou a Junta Comercial e dissecou documentos ‘inques-tionáveis’. O repórter voltou para São Paulo achando que tinha uma bomba em mãos. O curioso é que durante o período em que circulou pela capital gaúcha, o jornalista se dizia enviado pela revista semanal Carta Capital. Não era. ‘A matéria foi encomendada por uma agência de notícias de São Paulo, que eu não posso revelar o nome. Eles disseram que havia interesse da Carta em publicar, desde que ela fosse submetida a uma leitura prévia. Não sei o que aconteceu, mas a redação achou melhor não publicar’, afirma o jornalista.

Manzano nega que tenha jogado o dossiê na rede. ‘Eu mandei a matéria para o editor. Inclusive meu telefone estava lá. Não sei como foi parar na Internet’. Que editor? Ninguém sabe. Assim que tomou conhecimento da história, Mino Carta, o editor da revista, se apressou em desmentir a história no editorial. ‘Aviso aos navegantes. Sites na Internet estão divulgando um artigo intitulado ´A verdade escondida´, sobre o Grupo RBS, assinado por Nivaldo Manzano, que teria sido publicado em Carta Capital.

Essa edição simplesmente não existe e o artigo em questão não foi publicado e não será em qualquer outra’. A redação de Carta também nega que esse artigo tenha sido negociado com alguma agência de notícias. Pudera. O dossiê de Manzano mais parece um discurso de palanque, repleto de juízos de valor do começo ao fim. Só para citar um exemplo: ‘…fiel a sua estratégia de amealhar fortuna mediante o aumento do poder de influir sobre sua audiência, o clã Sirotsky sempre preferiu mandar em quem manda…’. Mino Carta nem precisava ter desmentido.

Para decepção de Manzano, seu material não repercutiu na mídia. Sequer despertou interesse em alguma publicação brasileira. Nem mesmo a CarosAmigos, única publicação de esquerda notoriamente estruturada, ou ainda jornais institucionais partidários se arriscaram a acolher o material. Executivos da RBS suspeitam que o dossiê faça parte uma ação silenciosa e discreta do governo para atingir a empresa no mercado. Motivos para isso não faltam.

Julgamentos à parte, é curioso o fato de uma agência de notícias bancar a viagem de um profissional ao sul, sem ter certeza de que a matéria seria publicada. Uma coisa é certa: o texto de Manzano acabou funcionando como munição em uma guerra declarada entre o primeiro e o quarto poderes. Durante quinze dias, a reportagem de IMPRENSA se debruçou sobre o tenso relacionamento entre maior vitrine petista do Brasil, o Rio Grande do Sul, e a mais importante afiliada da Globo no país, a Rede Brasil Sul.

Guerra é guerra

Imagine a situação. Você é governador do estado, portanto comanda a Polícia Militar, que por sua vez tem a obrigação de manter a ordem. Eis que centenas de militantes do seu partido partem em marcha até o imenso relógio da Rede Globo, que marca quantos dias faltam para o aniversário de 500 anos do Brasil. A intenção é clara: destruí-lo. O aparato, apesar de ser um bem privado, está instalado em uma praça pública da cidade, que foi alugada pela Prefeitura, dirigida por um companheiro de partido. Chegando no local, os ativistas, que fazem parte da sua base política, não perdem tempo. Avançam sobre o relógio, jogam tinta, dão pauladas, chutes e pedradas. A Polícia Militar só espera um comando para enfrentar os manifestantes. Basta um telefonema. Se isso acontecer, a praça pode se transformar em um campo de batalha e seus companheiros – assim como seus soldados – podem sair feridos.

No dia 22 de abril do ano 2000, o ex-sindicalista, ex-prefeito de Porto Alegre e governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, viveu esse dilema. Ordenar ou não que a polícia entrasse em confronto com os militantes. Olívio optou pela vista grossa e, o símbolo da Globo, cravado em Porto Alegre, foi completamente destruído. No dia seguinte, como era de se esperar, a TV educativa do estado, que em última instância é pilotada pelo governador, minimizou o evento. Já a afiliada da Globo no Sul, a RBS (Rede Brasil Sul), usou toda sua estrutura de comunicação para repercutir e transformá-lo em um símbolo de intransigência, radicalismo e até fascismo por parte da militância petista e do governo. O jornal Zero Hora, carro chefe do jornalismo impresso da RBS, chegou a afirmar que secretários de estado participaram do quebra-quebra. Olívio sabia que ficaria mal com a opinião pública, e mesmo assim não se esforçou em impedir a realização do ato. Afinal, o Rio Grande do Sul vive uma guerra política, eleitoral e midiática.

E guerra é guerra.

De um lado está uma imensa máquina pública, pilotada por um partido de esquerda bem organizado, com ramificações rurais e sindicais. Essa máquina é composta pe-lo governo estadual e pelas principais prefeituras do Estado – incluindo a da capital. E conta com uma emissora pública de TV, a TVE, controlada, segundo facções do próprio PT, com mão de ferro pelo governador. Do outro, está um conglomerado de comunicação, dirigido por uma família politicamente liberal, mas conservadora: os Sirotsky, comandantes da afiliada da Globo, dos principais jornais do Sul do país e de 60 emissoras de rádio. Trata-se de um embate ancorado em três vertentes: ideologia, poder e dinheiro.

‘Não concordo com depredação, mas é compreensível que ela tenha ocorrido com o relógio da Globo. Afinal, a emissora tem um histórico de manipulação contra o PT’, disse para IMPRENSA Tarso Genro, prefeito de Porto Alegre e companheiro de Dutra. O quebra-quebra do relógio global não foi o primeiro nem o mais tenso embate a céu aberto entre o PT e os Sirostsky. Em julho de 1999, Dutra experimentava seus primeiros meses como governador do Rio Grande do Sul, quando uma multidão de ativistas ligados do PT partiu em passeata para a sede do jornal Zero Hora. Além das tradicionais bandeiras vermelhas da CUT, MST e PT, os militantes carregavam debaixo do braço uma infinidade de adesivos com o slogan: ‘RBS e Zero Hora mentem’. Ao chegar à sede do jornal, a multidão não perdeu tempo. Entupiu a fachada do prédio com os adesivos, cercou a portaria de entrada e hasteou uma bandeira vermelha do MST e outras duas da CUT, no mastro do jardim. Na redação do jornal, o clima ficou tenso. Sitiados e constrangidos, os jornalistas, em sua maioria simpatizantes do PT, não podiam fazer nada além de assistir ao ato pela janela. A resposta veio no dia seguinte, quando a editoria de política do jornal chamou os militantes de fascistas e incapazes de conviver com a democracia.

Começava assim o capítulo mais tenso dessa guerra que já dura doze anos. Nos últimos três, desde que o partido chegou ao governo do Estado, a artilharia de ambos os lados ficou mais pesada. Enquanto o governador e seu partido são acusados de perseguir jornalistas de oposição, orientar a PM a ignorar ou até participar de atos de vandalismo contra a RBS, além de usar dinheiro de bicheiros para montar a sede do partido, a RBS é apontada como responsável por uma sistemática campanha de difamação. É acusada, entre outras coisas, de lavagem de dinheiro no exterior e tráfico de influência.

Ódio antigo

O Grupo RBS e o PT começaram a se estranhar em 1988, quando o sindicalista Olívio Dutra protagonizou uma virada surpreendente, à semelhança de Luiza Erundina em São Paulo, e venceu as eleições municipais, contrariando todas as pesquisas de opinião que o colocavam em quarto lugar. Os favoritos eram o pedetista Vítor Faccione e o peemedebista José Fogaça. Em tempo: no pleito anterior, em 1982, o primeiro com eleições diretas depois do golpe militar, Olívio conseguiu parcos 55 mil votos.

A vitória petista na capital gaúcha levou ao poder um primeiro escalão mais radicalizado e intransigente que a cúpula do PT de Lula e Zé Dirceu da década passada – na época, socialistas assumidos. ‘Hoje nós fazemos a autocrítica daquela época. A gente tinha um impulso ideológico, doutrinário e programático muito forte, que já não temos hoje’, reconhece David Stival, atual presidente do PT do Rio Grande do Sul e um dos fundadores do partido no Estado.

Logo que assumiu a prefeitura, Dutra anunciou uma medida bombástica. O sistema municipal de transporte seria estatizado. Foi o suficiente para a opinião pública, que já via com muitas reservas a vitória da esquerda, partir para a ofensiva. ‘O PT atacou um pilar do capitalismo e isso deu margem para a imprensa conservadora ir para a ofensiva. Assim começou o clima de antagonismo. A RBS defende claramente o princípio do liberalismo’, explica o jornalista Norton Kapfel, chefe de reportagem da RBS TV, com 13 anos de casa no currículo. Apesar do efeito negativo na mídia, que surtiu a intervenção da prefeitura no sistema de transporte, Kapfel afirma que Porto Alegre tem hoje um dos melhores transportes coletivos do país.

Mesmo com a permanente tensão entre o PT e a imprensa gaúcha em geral, que atravessou os quatro anos do primeiro mandato municipal, o partido conseguiu eleger o sucessor de Dutra, Tarso Genro, o sucessor de Genro, Raul Pont e o sucessor de Pont, novamente Genro, o atual prefeito de Porto Alegre. A relação da mídia gaúcha com as administrações petistas foi se aprimorando ao longo das quatro gestões consecutivas. A exceção foi a RBS. ‘A relação do PT com outros veículos do estado, como o Grupo Caldas Jr, que publica o jornal Correio do Povo, o Jornal do Comércio e o Grupo Pampa, que faz O Sul é ótima. Só temos problemas com a RBS, que nos ataca sistematicamente’, afirma o petista Stival.

Efeito Dutra

Durante o processo eleitoral para o governo do estado em 1998, a guerra entre RBS e PT esteve no centro da campanha. Nos muros das cidades, nas camisetas dos militantes, nos gritos de guerra das passeatas e comícios, os slogans anti-RBS foram presença obrigatória.

O então governador Antônio Brito, que é jornalista e ex-repórter da RBS, começou a corrida disparado na frente, nas pesquisas de opinião. Tudo indicava que a reeleição seria uma bar-bada. Em segundo, estava o ex-prefeito Olívio Dutra.

Assim como na disputa anterior, o passado de Brito na RBS – ele foi repórter e editor da casa nos anos 70 – era um dos argumentos mais usados pelos ativistas do PT como prova ‘cabal’ da campanha que estaria sendo movida contra o partido. ‘O Brito é oriundo da RBS. É natural que a empresa tenha feito campanha para ele em 98 e faça esse ano de novo. Isso não sou eu que digo. Está na boca do povo’, afirma o militante Júlio César Stexer, filiado desde 84 ao PT, diante de uma tenda vermelha lotada de broches, camisetas e adesivos do partido, no centro de Porto Alegre. ‘Eu vendo mais de trinta adesivos destes por dia. Quer prova maior que essa?’, afirma Stexer, apontando para um exemplar do adesivo ‘RBS/Zero Hora mentem’.

Marcelo Rech, diretor do Zero Hora: ‘o PT patrulha’

As queixas não se restringem às bases. ‘A RBS age como um partido político aqui no sul. Eles são parciais. A posição anti-petista é transparente’, reclama a jornalista Vera Espolidoro, secretária de comunicação da prefeitura de Porto Alegre. Ela faz coro com seu chefe, o prefeito Tarso Genro, adversário de Dutra nas prévias do partido para a eleição estadual.

‘Em uma determinada parte da campanha, ficou nítida a preferência da RBS e o favorecimento à candidatura Brito. Pudera: a emissora está de acordo com o projeto neoliberal e tem uma visão caricata do partido’, diz Genro.

Entrada do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho: QG de Dutra

No subsolo do Palácio, antiga Rádio da Legalidade segue funcionando A RBS, por sua vez, considera a tese petista uma teoria conspiratória. ‘O Brito trabalhou na RBS há muito tempo. Nunca existiu nenhum tipo de pressãopara apoiá-lo. Existe um patrulhamento ideológico muito grande por parte dos órgãos subservientes ao PT e por seus aparelhos políticos. Eles marcam em cima os jornais independentes e não aceitam críticas. O Zero Hora tem um padrão muito elevado de independência e credibilidade. Muita gente não entende isso’, responde o jornalista Marcelo Rech, diretor de redação do Zero Hora. O presidente da RBS, Nelson Sirotsky, por sua vez, acha que Brito tratava melhor os jornalistas do Grupo. Mas não por ser ex-funcionário da casa, e sim por ser um colega de profissão. ‘O ex-governador, por sua condição de jornalista, mantinha uma relação diferenciada com vários profissionais da RBS e também de outros veículos. Mas esse relacionamento não interferiu nas relações da RBS com o governo’, afirma.

Para entender a guerra eleitoral sem cair no campo da subjetividade e da paixão, basta fazer uma pequena pesquisa em cima do que foi exibido e publicado na época. Em seus editoriais, a posição do grupo RBS sempre foi abertamente contrária ao PT. No conteúdo jornalístico, entretanto, essa posição é bem mais discreta e pode ser interpretada de duas maneiras diferentes. Por um lado, a RBS diz que está cumprindo sua missão jornalística quando abre espaço para notícias sobre problemas na administração petista. Por outro, o PT afirma que a Rede Brasil Sul se deixa levar por factóides, potencializa denúncias, minimaliza os desmentidos e força a barra na edição de imagens.

O que é inegável , entretanto, é que entre os articulistas da Rede Brasil Sul predomina um forte sentimento anti-petista. E um generoso espaço é reservado diariamente a esses colunistas nos veículos do grupo. Coincidência ou não, o atual presidente da Assembléia Legislativa gaúcha, Sérgio Zambiasi, do PTB, um dos mais ardorosos opositores do PT no estado, é funcionário da casa. Ele apresenta um programa matinal na rádio Farroupilha e assina uma coluna diária no jornal Diário Gaúcho, ambos da RBS. Outro que é implacável com os petistas é o colunista José Barrionuevo, que assina a coluna política mais comentada de Porto Alegre, a Página 10, do Zero Hora. Barrio-nuevo, apesar de 30 anos de jornalismo político no currículo e de um passado de militância esquerdista na JUC (Juventude Universitária Católica), chegou a ser ameaçado de morte, em coro, por militantes do PT, durante a passeata que cercou a sede do jornal. ‘Não sou adestrado. O PT tem uma postura messiânica: ou tu crê, ou morre’, diz o jornalista. Entre informações, contra-informações e desmentidos, a corrida pelo governo chegou na reta final tecnicamente empatada. Brito esteve perto de vencer no primeiro turno, mas foi prejudicado por uma aliança entre o PT e o PDT, partido de Brizola, governador do Rio Grande em 1961 e que tem no Sul seu mais importante reduto.

Na véspera do pleito, a tensão entre RBS e PT atingiu seu ponto máximo. O Zero Hora foi obrigado a interromper a rodagem de sua edição dominical, que contava com uma pesquisa eleitoral do Ibope, depois que a Frente Popular, encabeçada por Olivío, emplacou um direito de resposta. A decisão favorável da Justiça Eleitoral se deu em função de um anúncio do PSDB, publicado dias antes na primeira página, em que Fernando Henrique aparecia pedindo votos para Antônio Brito. Milhares de exemplares que já haviam sido impressos sem o direito de resposta foram recolhidos por Oficiais de Justiça quepercorreram bancas em Porto Alegre, Pelotas e Santa Maria. A decisão deixou a cúpula da RBS enfurecida. No dia seguinte, na sessão de política, o jornal se defendeu. ‘Desde o regime militar, essa é a primeira vez que o Zero Hora sofre apreensão de exemplares’. Terminada a apuração, Olívio Dutra venceu por uma pequena margem de votos, contrariando, mais uma vez, as pesquisas de opinião, que davam ligeira vantagem para Brito.

Trincheira no subsolo

Com a vitória de Dutra, uma tropa jornalística de choque começou a se movimentar. No subsolo do Palácio Piratini, dois lances de escada abaixo da recepção, foi montado o quartel general de imprensa do governo. Uma verdadeira trincheira, onde vinte e cinco jornalistas acompanhados de mais algumas dezenas de funcionários assistem, diariamente, cada reportagem de TV, lêem linha por linha impressa nos jornais diários e ouvem todos os locutores de rádio. Nada que se fale sobre o governo deve passar desapercebido, especialmente se o comentário partir da RBS. Dutra, por sua vez, optou pela radicalização no trato com a mídia. Quem pegar pesado, responde na Justiça.

‘O governo adota uma prática não muito convencional em relação à imprensa. Diante das críticas, muitas vezes, opta por ações judiciais. O diretor de redação do Zero Hora, apenas para exemplificar, está sendo processado por um editorial crítico, mas respeitoso. Isso, para mim, é decorrente da infância política da nossa democracia’, reclama Nelson Sirotsky.

Em geral, o governo evita ações diretas do Estado contra jornalistas e opta por processos individuais, para evitar maiores constrangimentos. Contudo, até o primeiro escalão petista já se acostumou com a fama de governo que mais processou jornalistas na história gaúcha. ‘A liberdade de imprensa tem certos limites’, afirma o jornalista Jorge Correa, dirigente petista, ex-presidente do Sindicato da categoria e repórter do Zero Hora há quinze anos.

De longe o mais processado, o colunista Barrionuevo, que recentemente comparou, em sua seção, um secretário de Dutra a Goebels – o ministro da propaganda nazista -, agora se diz perseguido. ‘Meu nome foi colocado em uma lista de jornalistas que não podem receber informação do governo. Como se não bastasse, me processar virou uma orientação: existe uma dezena de processos contra mim. O pessoal do Palácio é truculento’.

Ouvindo os comentários do articulista, impossível não perguntar: como se sustenta uma coluna diária de política, regularmente recheada de furos relacionados ao PT, se não existe a menor relação de fonte com o governo? A chave está no próprio partido, segundo Barrionuevo: ‘o que eu digo sobre o Palácio é um décimo do que o pessoal do Tarso me diz sobre o Olívio. Estou chegando à conclusão que o PT moderno é mais odiado pelo Palácio que eu’. A resposta do articulista joga luz sobre outro embate que ocorre nos bastidores da política gaúcha: a disputa fratricida entre os partidários do prefeito Tarso Genro e os dutristas. A rusga ganhou notoriedade nacional durante a realização do II Fórum Social Mundial, realizado em fevereiro deste ano, em Porto Alegre. O prefeito acusou o governador de adotar práticas stalinistas na condução da TV Educativa gaúcha, depois que sua intervenção na cerimônia de abertura foi simplesmente cortada da programação na edição.

Além de arranhar a imagem do partido, a declaração desencadeou uma avalanche de críticas sobre o trabalho da TVE. A oposição afirma que não tem vez na emissora. A RBS diz que a TVE preserva o governador e não cobre as crises estaduais. Os tarsistas se dizem preteridos.

A atuação do núcleo de imprensa da Palácio não desagradou apenas veículos e profissionais que trabalham para a família Sirotsky. Processos e ofensivas contra jornalistas de oposição ao governo se tornaram rotina, independente do veículo. Essa postura irritou até militantes petistas históricos do Sul. ‘O Olívio se relaciona mal com a imprensa. Ele não assimila as críticas’, afirma José Carlos Torves, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul e dirigente do PT. Torves, que também costuma dizer que a RBS mente, foi o responsável por um movimento do Sindicato contra Guaracy Cunha, o Secretário de Comunicação do Estado e Denise Mantovani, a assessora de imprensa. Em meados do ano passado, um representante do Palácio telefonou para a redação da semanal IstoÉ , tentando interferir em uma matéria sobre a CPI do Jogo do Bicho, um dos calcanhares de Aquiles da administração Dutra. Segundo Guaracy e Denise, o repórter responsável pela pauta, Luis Milman não estaria qualificado para a matéria, uma vez que ele faz parte do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, opositor do governo. Os argumentos do Palácio não foram suficientes para evitar uma advertência pública por parte da Comissão de Ética do Sindicato. Vale lembrar que o Sindicato é dirigido pela corrente PT Amplo, do prefeito Tarso Genro.

Outro caso polêmico relacionado à imprensa local e o governo foi prota-gonizado pelo jornalista Helio Gama. Durante o processo eleitoral de 1998, Gama, então diretor da sucursal da Gazeta Mercantil do Rio Grande do Sul, publicou um suplemento especial exaltando a capacidade do Estado, leia-se de Antônio Brito, em atrair grandes empresas para a região. O PT entrou com recurso na Justiça Eleitoral e conseguiu um parecer favorável. A edição foi apreendida.

Gama, no entanto, afirma que Du-tra não esqueceu do episódio e cortou todos os anúncios da Gazeta, que representavam o grosso do fatura-mento. ‘Fiquei constrangido com essa história. Me senti responsável pelo corte. A Gazeta começou a dar prejuízo e então resolvi sair por conta própria’. Gama deixou o jornal em 28 de fevereiro de 2000. Coincidência ou não, pouco tempo depois, um anúncio de página inteira do Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) foi publicado.

Relação delicada

Não é só na justiça onde se concentram as ações do governo relacionadas à Rede Brasil Sul. Uma das primeiras medidas de Dutra foi anunciar o fim do ‘monopólio da RBS’, na divisão das verbas destinadas à publicidade estatal. ‘Nós democratizamos a verba e nos recusamos a reforçar o monopólio dos veículos’ diz Felix Valente, coordenador de publicidade do governo. Ele afirma que a atitude não foi uma retaliação e sim uma tentativa de fortalecer pequenos veículos do interior, antes preteridos no planejamento de mídia do Piratini.

A medida desagradou a cúpula da emissora, que defendia um critério de investimento baseado nos índices de audiência. No governo anterior, o faturamento da RBS com publicidade do governo representava 2,5% do orçamento total do Grupo, uma vez que ela é responsável pelos maiores índices de circulação e Ibope. Na gestão Dutra, esse número caiu para 1%.

Depois das mudanças, reportagens e textos assinados por profissionais próximos ao partido começaram a circular pela Internet, especulando sobre uma séria crise financeira na Rede Brasil Sul, em função da reengenharia na divisão da verba publicitária. Os boatos foram desmentidos pela empresa: a parcela relativa à publicidade oficial é irrisória perto do fatu-ramento geral. A empresa fica com 60% da verba publicitária de todos os anunciantes privados do RS. O suficiente para manter-se independente das verbas estatais.

A nova regra, entretanto, colocou mais combustível relação entre a Rede e o governo estadual. Ao sentir que a tradicional campanha petista anti-RBS ganharia fôlego, o Grupo tratou de tomar algumas providências para defender sua credibilidade. O primeiro passo foi contratar como colunista da casa ninguém menos que Lula, o eterno presidenciável do PT. Com sua assinatura em 2 mil toques semanais, ficaria difícil para os ativistas falar em parcialidade. O segundo foi lançar uma campanha ousada de publicidade, onde expoentes de esquerda do estado, entre líderes estudantis e sindicais, apareciam criticando de forma entusiasmada os veículos da família Sirotsky. O mote era: ‘Existem as mais diversas opiniões. Um jornal deve abrir espaço para todas’. Durante os três anos de administração petista, a RBS não deu trégua. Tudo que pudesse significar um arranhão na imagem do governo ganhava notoriedade instantânea. O maior trunfo da Rede foi uma CPI instalada na Assembléia Legislativa, dominada pela oposição, com o intuito de questionar a atuação do governo na área da segurança. Não havia em pauta qualquer denúncia de corrup-ção ou improbidade. O que se questionava, entre outros pontos, era se faltavam soldados na PM ou se o Instituto Geral de Perícia estava deixando de receber investimentos.

Nos noticiários de TV e jornais da RBS, as reportagens sobre a CPI vinham invariavelmente acompanhadas de cenas de violência urbana ou de histórias dramáticas de vítimas. O ponto alto da crise, entretanto, se deu quando o jornal Diário Gaúcho, o braço popular da Rede, denunciou o envolvimento de policiais e deputados com o jogo do bicho. O ‘furo’ ganhou contornos dramáticos quando o ex-tesoureiro do PT no estado, Jairo Carneiro – expulso do partido por suspeita de desvio de recursos – ligou para a redação para fazer uma denúncia grave. Ele afirmava para o editor do jornal que um consórcio de bicheiros teria doado R$ 600 mil para a campanha de Olívio Dutra, através de uma entidade chamada Clube da Cidadania. Desnecessário dizer que a RBS colocou o assunto no alto da página e no horário nobre.

O caso ‘Carneiro’ acabou na Assembléia Legislativa. A oposição não perdeu tempo e deu uma carona para o ex-tesoureiro na CPI da Segurança Pública. ‘A CPI mudou completamente de rumo. Atropelou o regimento, criou fatos políticos e deixou de abordar a segurança pública’, afirma Denise Mantovani, assessora de imprensa do Governador Olívio Dutra.

A cúpula da RBS acha que as reclamações petistas não passam de teoria conspiratória do núcleo Piratini. E defende a sua cobertura. ‘Eu não estou aqui para sacanear com ninguém. Mais de 300 pessoas trabalham no Telejornalismo da RBS, duvido que alguém te diga: vamos sacanear o governo’, afirma Rui Costa Jr, diretor de jornalismo da RBS TV.

Com as novas denúncias, o episódio ganhou manchetes nacionais, merecendo até uma série de reportagens no Jornal Nacional. O lance mais inusitado do episódio do jogo do bicho ocorreu quando o presidente do Clube da Cidadania, Diógenes de Oliveira, foi convocado para depor. Ele tentou virar o jogo e apresentou uma série de documentos tentando provar que a RBS possui empresas em paraísos fiscais e que estaria em vias de quebrar financeiramente. Foi o suficiente para o PT lançar mais uma leva de adesivos e bandeiras com o slogam: ‘RBS lava e leva para Cayman’. O desenlace da crise com o jogo do bicho chega a ser cômico. O depoimento de Carneiro era aguardado pela oposição e pela RBS como uma bomba que feriria de morte a administração Dutra. Mas, para surpresa geral, quando chegou ao plenário, em frente às câmeras e ao vivo para todo o Rio Grande, o ex-tesoureiro simplesmente desmentiu tudo, dizendo que inventou a história para se vingar do partido que o expulsou. A CPI da Segurança Pública segue até hoje como uma das principais atividades da Assembléia. Segue, também, como uma das pautas preferidas dos noticiários da RBS. Já o caso do bicho esfriou. Principalmente depois que o ministério Público Estadual arquivou a denúncia por ausência de provas.

Com a proximidade da eleição estadual, a guerra entre o primeiro e o quarto poder do Rio Grande do Sul deve ganhar novo ímpeto. Dessa vez, entretanto, os dois lados entram no pleito mais calejados. Afinal, 14 anos é tempo suficiente para a mídia e o poder propriamente dito se adaptarem a um fator inerente a qualquer democracia saudável: a dialética.

Quando o ex-repórter Antônio Brito relembra seus quatro anos como governador do Rio Grande do Sul, ele faz questão de frisar que mantinha um ótimo relacionamento com a imprensa. Uma prova disso seria o fato de ele ter se recusado a processar seus ex-colegas repórteres quando passou para o ouro lado do balcão. Apesar da fama auto-proclamada , Brito é autor de um processo inusitado e inédito na história do jornalismo brasileiro. Ele pede indenização ao segundo maior grupo de comunicação, o Caldas Jr, do qual faz parte o jornal Correio do Povo, a Rádio e a TV Guaíba, por não aparecer como objeto de pauta. Isso mesmo. Enquanto a maioria dos governantes vai à justiça reclamar de injúria, calúnia e difamação, Brito pede para voltar a ser notícia.

O veto teria sido ordenado quando Brito ainda era governador, durante um dos episódios mais polêmicos de sua administração. Em 1997, o Governo do Estado iniciou um processo de desestatização, anunciando que iria vender a Companhia Riograndense de Telecomunicações. Entre os principais consórcios que se apresentaram para disputar a licitação, estavam um encabeçado pela RBS e outro pelo Grupo Caldas Jr.

A família Sirotsky foi a vencedora, o que causou a ira de Renato Ribeiro, dono da Caldas Jr. Segundo consta no processo, esse seria o motivo de um veto a seu nome que dura até hoje. ‘O jornal Correio do Povo, principal veículo da requerida, a Rádio Gaúcha e a TV Guaíba, controlados pelas empresas Rés, passaram a, sistemática e deliberadamente, omitir o nome do peticionário de todas as notícias. O Autor do presente simplesmente sumiu do noticiário’, diz o processo. Questionado sobre o veto, os representantes do Grupo são diretos: ‘Nada a declarar’. O ex-governador que o diga. (PPV)"

Observatorio da Imprensa – Materias – 8/5/2002

06/08/2016

Temer está para a Rede Globo como Sartori para a RBS

Filed under: José Ivo Sartori,RBS,RS,Safado,Tiririca,Tiririca Gaudério — Gilmar Crestani @ 9:21 am
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sartori & nepotismoNão precisa ser inteligente para perceber. Basta apenas não ser burro. Aliás, até os muares têm percebido isso ultimamente. Michel Temer e o Tiririca da Serra não existiram sem a mão leve da Rede Globo & RBS que balançam o berço das manipulações.

Como diz o Tarso, se os atrasos salariais se devem aos aumentos dados pelo PT, porque o correligionário do Eduardo CUnha, Eliseu Padilha e Michel Temer, que teve as dívidas do Estado perdoadas, não paga pelo menos a integralidade dos salários sem os aumentos dados no governo anterior?!

Ora, porque se pagasse a integralidade enterraria o discurso para entregar os bens públicos por preço de banana. Se não tem dinheiro para pagar sequer o salário mínimo, tanto que a primeira parcela foi de R$ 600 reais, porque há tanta propaganda do Governo do RS nos veículos da RBS?

Este dinheiro entregue à RBS para fazer propaganda do seu desgoverno não seria melhor empregado entregando a quem faz jus pelos serviços prestados?

Um Governador que despreza de maneira tão solene seu maior patrimônio, o funcionalismo, não tem condições de conduzir sequer uma carrocinha de pipocas. Iria à falência. A manada de gaúchos que segue bovinamente a égua madrinha RBS bem que merece ter um Tiririca com sotaque de gringo tirando sarro encima das próprias safadezas.

Imobilidade é escolha, incompetência é modo: o “Governo Tumelero”

Por jloeffler – No dia 05/08/2016

4/ago/2016, 9h05min

“Uma resposta dada pelo atual governador mandando os professores buscarem o “piso nacional” no Tumelero, foi uma síntese brilhante do que seria o seu Governo”. (Reprodução)

Por Tarso Genro

Uma resposta dada pelo atual governador, na campanha eleitoral, mandando os professores buscarem o “piso nacional” no Tumelero, foi uma síntese brilhante do que, se ganhasse as eleições, como ganhou, deixando claro – desde aquela época -, seria o seu governo: uma sucessão de desculpas por não ter feito, de evasivas por não ter projeto e um desrespeito completo às funções públicas do Estado por desconhecer completamente a natureza da crise nacional e mundial.
O governador Sartori fez pronunciamento culpando o governo anterior pela caótica situação financeira do Estado e pela paralisia completa da sua gestão, nas áreas da segurança pública, saúde e educação. Não apresentou programa para governar e agora demonstra, mais uma vez, que não está preparado para tanto. Quando assumimos o governo, o fizemos na mesma situação de crise financeira e endividamento que ainda permanece e pagamos em dia os salários do servidores.
Exemplo: se o governador Sartori não está pagando os salários aos servidores do Estado em função das correções salariais dadas pelo nosso governo – que visaram apenas repor as perdas de longo tempo de arrocho -, por que não paga, então, numa primeira parcela, o salário integral dos servidores sem os aumentos concedidos pelo nosso governo? Seria menos humilhante e menos doloroso para as milhares de famílias gaúchas que dependem destes recursos para sobreviver dignamente.
Não o faz porque não sabe governar dentro de uma crise, como fizeram vários governos anteriores que, mesmo tendo adotado programas diferentes, tinham os salários dos servidores como primeira e fundamental obrigação. Todos os governos estaduais pagaram um preço elevado pelo acordo imposto aos Estados, pelo governo FHC-Malan, que acentuou gravemente as nossas finanças públicas. Cada governo respondeu, a seu modo, a esta crise.
O governador atual disse, na campanha eleitoral, que não usaria os depósitos judiciais no “caixa único” do Estado para responder a estas dificuldades. Não só usou valores proporcionalmente maiores aos que estavam depositados nas épocas respectivas, como aprovou – na Assembleia- um percentual superior, daqueles depósitos, para uso livre do Tesouro do Estado.
O governador atual obteve uma suspensão temporária do pagamento da rolagem da dívida, apoiada numa Lei que o nosso Estado liderou, nacionalmente, a sua aprovação e obteve, portanto, recursos que nenhum governador obteve até o presente.
O governador atual aumentou impostos, faltando com a palavra dada durante a campanha eleitoral, inclusive sem qualquer resistência significativa do empresariado local, que lhe foi solidário nesta empreitada. Nada disso adiantou, porque não tem gestão técnica da Fazenda e porque não tem voz forte no cenário nacional para liberar recursos da União e de agências internacionais para projetos de interesse do Estado.
Governar dentro de uma crise, que as pessoas de bom senso sabem não ser somente nacional, não é uma questão “ideológica”. É uma questão de capacitação técnica e política de qualquer governo, que é obrigado a agir rapidamente, fazer escolhas, realizar alianças, dialogar com a sociedade e buscar soluções para o imediato, combinando-as com as soluções de longo curso.
Nossa opção foi: não se sai de uma crise sem crescer e sem valorizar o setor público, como indutor-programador do desenvolvimento. Não se sai da crise sem reduzir a dívida pública, como aliás fizemos, abatendo do seu montante 14 bilhões de reais. Não se sai de uma crise respondendo perguntas sérias com piadas de gosto duvidoso e culpando os servidores públicos, cuja minoria percebe mais do que o Estado pode lhes pagar, mas cuja ampla maioria percebe menos que o Estado lhes paga.
À crise financeira do Estado, agora, se somará uma crise brutal de funcionamento dos serviços públicos, que prejudicará, como sempre, os assalariados, os setores médios, o emprego no comércio e na indústria. As duas crises somadas – em crescente – levarão o Estado a situação inédita de falência política e financeira, porque, pela primeira vez a imobilidade como escolha, se soma à incompetência e a grosseria como modo de governo.

Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/imobilidade-e-escolha-incompetencia-e-modo-o-governo-tumelero/

Praia de Xangri-Lá – Saiba tudo o que REALMENTE acontece em Xangri-Lá

19/01/2016

Deu a lógica: Estado mínimo, afogamentos máximos

Filed under: José Ivo Sartori,RBS,RS,Tiririca Gaudério,Ventríloquo — Gilmar Crestani @ 9:21 am
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Agora só falta o ventríloquo da RBS mandar os familiares dos afogados procurar caixão na Tumeleiro. A economia burra, que resulta em menos serviços públicos para poder investir o dinheiro em marketing na Rede Baita Suja que o ajudou a eleger, tem sido a regra dos que dizem querer diminuir o tamanho do Estado. Querem um Estado do tamanho da sua estatura moral: mínimo.

Sempre que o RS teve governantes patrocinados pela RBS o desastra foi completo. Basta ver o que aconteceu nos governos Antonio Britto, Yeda Crusius e Germanto Rigotto. Infelizmente, a manada de midiotas amestrados pela RBS não para de crescer. E os resultados estão aí, em mortes de todas as maneiras e formas.

Afogamentos com morte no RS sobem 84% em relação a 2015

Corpo de Bombeiros registrou 44 casos, contra 25 no mesmo período do ano passado

Corpo de Bombeiros registrou 44 casos, contra 25 no mesmo período do ano passado | Foto: Mauro Schaefer / CP Memória

Corpo de Bombeiros registrou 44 casos, contra 25 no mesmo período do ano passado | Foto: Mauro Schaefer / CP Memória

  • Ananda Muller / Rádio Guaíba

Com a confirmação do 44º óbito por afogamento no Rio Grande do Sul desde o início da operação Golfinho, em 19 de dezembro, o Corpo de Bombeiros informou que o número de óbitos, nesta segunda-feira, já é de 84% maior do que o do ano passado. Em 2015, até o dia 18 de janeiro, foram 25 mortes. O caso mais recente envolve Gean Carlos Strapasson, de 18 anos, que havia desaparecido no fim da tarde de domingo no rio Forqueta, em Lajeado.
Conforme a corporação, do total de mortes, 39 foram registradas em áreas onde não há cobertura de salva-vidas da Operação Golfinho. No comparativo com o ano passado, foram 21 mortes em áreas sem cobertura. Além disso, muitos dos pontos em que os afogamentos ocorreram são considerados impróprios para banho. As cinco mortes restantes em 2016 ocorreram em praias do Litoral Norte: duas em Atlântida Sul, duas em Cidreira e uma em Balneário Pinhal.
Os bombeiros ainda fazem buscas a duas pessoas desaparecidas, ambas na região Central do Rio Grande do Sul: um eletricista da AES Sul que foi levado pelas águas do arroio Corupá, em Agudo, em 24 de dezembro e uma mulher que sumiu nas águas do rio Ibicuí, em Santa Maria, nesse domingo.

Correio do Povo | Notícias | Afogamentos com morte no RS sobem 84% em relação a 2015

27/12/2015

Sirvam nossas patranhas de modelo a toda terra

GRINGO-DESGRAÇADO

Enquanto a Rede Bunda Suja continuar amestrando gaúchos, que se deixam tratar como vira-latas, governadores do tipo Tiririca da Serra continuarão cagando no Piratini. As digitais da RBS aparecem também na educação. Por pressão da RBS, Vieira da CUnha está Secretário da Educação. Nesse cruzamento de favores está o fato de o PDT ter se tornado sigla de aluguel onde a RBS pendurou Lasier Martins. As parcerias público na privada são antigas e basta seguir a distribuição do dinheiro do marketing das estatais na RBS.

Não bastasse isso, a esposa do Governador espalha aspones analfabetos como forma de destruir a credibilidade dos órgãos e autarquias e, assim, justificar a privatização, exatamente como Antonio Britto fez para entregar a CRT à RBS. Não faz muito um analfabeto desovado na PGE foi saído por síndrome de deficiência cognitiva…

Pois é dona Maria Helena, alguém disse verdades a vocês

Por jloeffler – No dia 25/12/2015

O Desembargador José Aquino Flores de Camargo a quem respeito e conheço pessoalmente vez que sua simples residência de veraneio se situa a não mais do que cinquenta metros de onde residem meu filho e sua família no centro de Xangri-Lá. Pois hoje gostei das declarações dadas pelo Desembargador que está deixando a Presidência do TJ/RS.
Ele está certo, pois dona Maria Helena e o gringo vieram para terminar o serviço começado pelo tal Antonio Britto de quem o gringo foi líder naquele trágico governo.
O estado foi literalmente desmontado por eles até onde lhes convinha. Na área de segurança pública onde nem mesmo o guardinha da esquina ingressa sem concurso público não há, ao que eu saiba os tais Cargos em Comissão. Por isto eles criaram p PDV que levou muitos a deixarem o serviço público. Perderam os que deixaram o serviço público e perdeu muito mais o Rio Grande do Sul. Os elitizados eleitores desse estado parece terem memória curta e eu que não tenho, mas pago a conta junto. Algo então já inútil e que ficou intocado foi o Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem, conhecido pela sigla de DAER.
Zero hora faz alguns dias apresentou matéria em que aborda o patrimônio do estado imobilizado sem a menor justificativa honesta no DAER. Eu disse justificativa honesta, pois essa inutilidade é mantida intocada para ali serem engordados os cabos eleitorais do governo do momento nos indesejáveis Cargos em Comissão.
Quero lembrar ao que me leem que esse gringo me passou o calote, pois o décimo terceiro salário, aquele que alivia nossas contas ao final do ano a mim não foi pago. Fui ao BB com o qual opero em razão da lei de portabilidade bancária e depois de no governo Rigotto ter sido obrigado a quase surrar um sujeitinho no banco do estado que me exigia assinasse um pedido de empréstimo. Botei ma mesa ao mesmo e sai com o meu dinheiro em espécie. Hoje minha saúde não mais me permite atitude semelhante. Desde o final do infeliz governo Britto/Sartori esse gringo embolsa mensalmente seis mil reais por que aposentado como deputado estadual. E aí me urge uma dúvida que levo ao leitor amigo. Cargos eletivos se constituem em profissão? Óbvio que não, logo não deveriam receber nada senão a gratidão por algo bem feito ou o desprezo pelos maus feitos como os do presente governo. Sartori tem tudo pago por nós, não tirando um único centavo do bolso. Pergunto então por que presenteou dona Maria Helena com salário de mais de vinte mil reais? Foi imposição dela ou ele realmente despreza o contribuinte? Sei lá, mas sou muito antigo, sou livre e aceito e em minha cada a última palavra cabe a mim e somente a mim. Essa penso seja a grande diferença entre o senhor Sartori e este modesto escriba.
Presidente Aquino lhe sou grato pelo que disse hoje em nota à imprensa. Sua atitude me faz sentir-me confortado, pois teria imenso prazer em ter dito isto a esse ‘embrulhon’. Dona Maria Helena não vejo hora de vê-la junto com o seu gringo pelas costas.
Tenho dito
Essa é a manifestação de um humilde servidor que não nasceu para ser penico de ninguém.

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14/09/2015

Entenda porque o RS está quebrado

OBScena: midiotas portando atestado de imbecilidade

sonegacao nao eh corrupcao marcha de ontemAo invés de mandar os gaúchos resolverem seus problemas na Tumeleiro, Sartori poderia começar mandando policiais prenderem os sonegadores. Claro, os midiotas, sofrendo de toda lavagem cerebral dos maiores corruptos deste estado, ainda portam cartazes de que sonegação não é crime. Não só é crime, como também tem servido para dar atestado de imbecilidade a quem defende a sonegação.

Os assoCIAdos do Instituto Millenium usam do expediente de atacar para se defenderem. O método foi copiado pelos coxinhas na marcha dos zumbis, atando a corrupção dos outros para justificar a deles.

Banco Santander 2 – R$ 3,34 bilhões
Bradesco – R$ 2,75 bilhões
Ford – R$ 1,78 bilhões
Gerdau – R$ 1,22 bilhões
Boston Negócios – R$ 841,26 milhões
Safra – R$ 767,56 milhões
Huawei – R$ 733,18 milhões
RBS – R$ 671,52 milhões
Camargo Correa – R$ 668,77 milhões
MMC-Mitsubishi – R$ 505,33 milhões
Carlos Alberto Mansur – R$ 436,84 milhões
Copesul – R$ 405,69 milhões
Liderprime – R$ 280,43 milhões
Avipal/Granoleo – R$ 272,28 milhões
Marcopolo – R$ 261,19 milhões
Banco Brascan – R$ 220,8 milhões
Pandurata – R$ 162,71 milhões
Coimex/MMC – R$ 131,45 milhões
Via Dragados – R$ 126,53 milhões
Cimento Penha – R$ 109,16 milhões
Newton Cardoso – R$ 106,93 milhões
Bank Boston banco múltiplo – R$ 106,51 milhões
Café Irmãos Júlio – R$ 67,99 milhões
Copersucar – R$ 62,1 milhões
Petrobras – R$ 53,21 milhões
JG Rodrigues – R$ 49,41 milhões
Evora – R$ 48,46 milhões
Boston Comercial e Participações – R$ 43,61 milhões
Boston Admin. e Empreendimentos – R$ 37,46 milhões
Firist – R$ 31,11 milhões
Vicinvest – R$ 22,41 milhões
James Marcos de Oliveira – R$ 16,58 milhões
Mário Augusto Frering – R$ 13,55 milhões
Embraer – R$ 12,07 milhões
Dispet – R$ 10,94 milhões
Partido Progressista – R$ 10,74 milhões
Viação Vale do Ribeira – R$ 10,63 milhões
Nardini Agroindustrial – R$ 9,64 milhões
Eldorado – R$ 9,36 milhões
Carmona – R$ 9,13 milhões
CF Prestadora de Serviços – R$ 9,09 milhões
Via Concessões – R$ 3,72 milhões
Leão e Leão – R$ 3,69 milhões
Copersucar 2 – R$ 2,63 milhões
Construtora Celi – R$ 2,35 milhões
Nicea Canário da Silva – R$ 1,89 milhão
Mundial – Zivi Cutelaria – Hércules – Eberle – Não Disponível
Banco UBS Pactual SA N/D
Bradesco Saúde N/D
BRF N/D
BRF Eleva N/D
Caenge N/D
Cerces N/D
Cervejaria Petrópolis N/D
CMT Engenharia N/D
Dama Participações N/D
Dascan N/D
Frigo  N/D
Hidroservice N/D
Holdenn N/D
Irmãos Júlio N/D
Kanebo Silk N/D
Light N/D
Mineração Rio Novo N/D
Nacional Gás butano N/D
Nova Empreendimentos N/D
Ometo N/D
Refrescos Bandeirantes N/D
Sudestefarma/Comprofar N/D
TIM N/D
Tov N/D
Urubupungá N/D
WEG N/D
Total – R$ 19,77 bilhões

Operação Zelotes: duas máfias operavam no CARF

Dep Stela Farias (PT) e o deputado federal Paulo Pimenta (PT) / Fotos Marcelo Bertani / ALRSDep Stela Farias (PT) e o deputado federal Paulo Pimenta (PT) / Fotos Marcelo Bertani / ALRS

Elmar Bones

Cerca de 300 pessoas lotaram o pequeno espaço do plenarinho da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul para ouvir os esclarecimentos sobre as fraudes que estão sob investigação do Ministério Público Federal e Polícia Federal na Operação Zelotes, deflagrada em março deste ano.

O primeiro a falar foi o deputado federal Paulo Pimenta (PT), vice-presidente da CPI da Câmara Federal sobre as fraudes cometidas no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e que resultaram na Zelotes.

Pimenta arrancou risadas do público ao detalhar o funcionamento do CARF, órgão que tem mais de um século e cuja existência era desconhecida dos brasileiros até as denúncias daquela Operação.

“Eu mesmo não tinha a menor ideia de como funcionava esse conselho, que decide sobre bilhões de reais em processos de sonegação fiscal”, disse Pimenta.

As primeiras risadas surgiram quando ele explicou que os julgamentos do Conselho são terminativos (não há mais recurso possível) quando a União perde, mas quando ela ganha o contribuinte (empresa privada) ainda pode recorrer. E para isso havia uma verdadeira rede de consultores e advogados para resolver o assunto. “Havia duas máfias operando nesses processos”, disse o deputado.

Os processos em julgamento no CARF envolvem R$ 565 bilhões. O órgão tem 216 conselheiros para esse trabalho: 108 auditores da Receita Federal, geralmente em fim de carreira e que disputam acirradamente esse cargo, que não tem qualquer remuneração (risos da platéia). Outros 108 são “representantes da sociedade”.

Segundo o deputado, os 74 processos nos quais foram encontrados indícios de fraude  somam mais de R$ 21 bilhões (mais da metade do déficit previsto no orçamento federal em 2016). Há também casos de processos que prescreveram sem julgamento e até desaparecimento de processos. “Uma Vara em Brasilia é conhecida como cemitério”, disse Pimenta.

Ele lembrou que, quando foi desencadeada a Zelotes, o MPF pediu a prisão preventiva de 26 pessoas e nove auditores. A Justiça negou os pedidos, assim como negou várias diligências da Polícia Federal. Também foi negada a quebra de sigilo na Operação Zelotes. “Tudo aquilo que o Judiciário diz a respeito da Operação Lava Jato, da necessidade de transparência, divulgação por interesse público, na Zelotes é o contrário”, disse Pimenta.

Uma nova fase, segundo ele,  começou há duas semanas, quando uma nova juíza assumiu o processo. As investigações feitas no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasilia e Santo Ângelo já são resultado dessa nova orientação. Pimenta disse ter informações seguras de que ainda em setembro serão denunciadas as primeiras seis empresas envolvidas em fraude, e cujos processos somam R$ 5,7 bilhões.

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Operação Zelotes: duas máfias operavam no CARF – Jornal Já | Porto Alegre

Para Ajuris, “sonegação é uma forma de corrupção, sim”

Audiência na AL / Fotos Marcelo Bertani / Agência ALRSAudiência na AL / Fotos Marcelo Bertani / Agência ALRS

Felipe Uhr

O juiz Mauro Caum Gonçalves, da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), afirmou na audiência pública realizada hoje na Assembleia Legislativa que a Operação Zelotes revela uma relação promíscua do empresariado com alguns setores da administração pública.

“Estranhamente a maioria dessa grande mídia está silenciosa. É compreensível. Uma das seis grandes famílias que dominam a mídia no Brasil, que é aqui do Rio Grande do Sul, é alvo dessa investigação. E os deputados, os senhores que têm imunidade parlamentar, podem denunciar esses crimes. A sonegação é crime, é uma forma de corrupção, sim”, afirmou.

O presidente do Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais, o TARF, aqui no Rio Grande do Sul, Renato José Calsing, falou sobre o funcionamento do órgão, que atua de forma similar a do Carf a nível de tributos estaduais. Ele defendeu a participação da sociedade e da representação da Assembleia Legislativa se acharem que o funcionamento do Carf não está adequado. Também comparou o tamanho do TARF em relação da união. “Nós julgamos em 2014 R$ 3 bilhões, enquanto o Carf está julgando mais de 500 bilhões”

Ao final da audiência, o deputado Paulo Pimenta (PT), relator da sub-comissão que acompanha a CPI do Carf, disse que a CPI do CARF tem até um caráter quase que pedagógico, pois explica a complexidade de um órgão que tem um estoque pra julgar de 585 bilhões de reais” declarou.

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16/08/2015

Olha teu primo aí, Farid Germano Filho

Filed under: Farid Germano Filho,Fundação Piratini,José Otávio Germano,Operação Rodin,PP,RS — Gilmar Crestani @ 10:15 am
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OBScena: Farid desmaia ao vivo

Farid, o germano

O ex-celetista do Grupo Pampa e da Rádio Grenal, Farid Germano Filho,  não perdia oportunidade para jogar nas costas do governo federal, Dilma, Lula e o PT todo e qualquer problema que aparecesse. Inclusive os que enfrentam o atual governo do Estado. A sabujice e o puxa-saquismo granjeou-lhe um mensalinho da Fundação Piratini. De um lado o Tiririca corta salário dos funcionários de carreira, do outro arruma boca para vira-bostas. Com a ida deste rebento da famiglia Germano serão criadas as condições para a extinção da Fundação Piratini. O sucateamento é a véspera da doação, destruição ou privatização. O PP gaúcho é especialista na matéria.

O Tiririca da Serra agora contará com alguém à altura para tratar da comunicação no Estado. E com isso consolida e solidifica a relação do PP gaúcho com a central Tumeleiro de soluções.

 

‘Não sei dizer se Pedro Corrêa tinha influência ou não’, diz deputado alvo da Lava Jato

16 agosto 2015 | 06:00

José Otávio Germano (PP/RS), apontado por delatores como beneficiário de propina mensal de até R$ 150 mil, depôs como testemunha de defesa ex-presidente do PP, preso em Curitiba

Por Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O deputado federal José Otávio Germano (PP/RS), alvo da Operação Lava Jato, declarou à Justiça Federal que ‘não sabe dizer’ se o ex-deputado Pedro Corrêa (PP/PE) – preso por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro – exerceu alguma influência no partido depois de ter sido cassado em 2006. Corrêa foi presidente do PP.

“Eu nunca fui da cúpula do partido, não tenho condição de com propriedade, com nitidez, dizer exatamente se ele (Corrêa) tinha influência ou não. Isso é muito subjetivo, é muito relativo”, disse Germano, ele próprio sob investigação da Procuradoria-Geral da República por supostamente ter sido beneficiário de propinas do esquema de corrupção que se instalou na Petrobrás entre 2004 e 2014.

A diretoria de Abastecimento da estatal petrolífera era cota fixa do PP, segundo a Lava Jato . O partido indicou o engenheiro Paulo Roberto Costa para ocupar a unidade estratégica da Petrobrás. Na ocasião, o homem forte do PP era o deputado José Janene, morto em 2010. A Lava Jato constatou que o partido manteve o domínio da Abastecimento durante todo o período em que o esquema de corrupção operou no Âmbito de contratos bilionários.

Pedro Corrêa é acusado de ter sido contemplado com propinas do esquema. Ele arrolou três deputados federais como suas testemunhas de defesa, todos eles alvos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal e todos do PP- José Otávio Germano (RS), Nelson Meurer (PR) e Waldir Maranhão (MA).

Um dos delatores da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef, afirmou que Germano ‘recebia de R$ 30 mil a R$ 150 mil por mês da cota do PP’. Paulo Roberto Costa afirmou, em sua delação, que o parlamentar fez lobby em troca de propina para uma empresa participar de contratos da estatal petrolífera – a empresa atuou em obras da refinaria Premium I, no Maranhão.

Germano não admite a inclusão de seu nome na lista de suspeitos de irregularidades. Ele nega ter recebido propinas no esquema Petrobrás. Na audiência presidida pelo juiz federal Sérgio Moro, o deputado gaúcho foi ouvido por vídeoconferência. Germano, acompanhado de seu advogado, estava em uma sala na Justiça Federal em Brasília. Moro em seu gabinete na Justiça Federal no Paraná, base da Lava Jato.

O parlamentar disse que conheceu Pedro Corrêa quando ele presidia o PP. “Na época eu era presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em 1996, provavelmente”, disse Germano. Sobre as atividades de Corrêa depois que foi cassado, a testemunha disse que ‘não tem conhecimento’. “Eu o encontrei em reuniões partidárias, encontros partidários, né?”

‘Não sei dizer se Pedro Corrêa tinha influência ou não’, diz deputado alvo da Lava Jato

13/08/2015

Sartori é um Eduardo Cunha com patrocínio da RBS

Sucessivos governos do RS têm sido agraciados com o oferecimento do serviço de relações públicas  pela RBS. Empregando a velha Lei Rubens Ricúpero, só saem notícias que engrandecem o governador ou que diminuam seus críticos. Mesmo um calote nos servidores públicos foi jogado nas costas do anterior. Basta ver a diferença de tratamento na comparação entre os governos Tarso e Sartori. Além de atacarem Tarso, botam no pacote a criminalização do PT. As patifarias do atual do governo não envolve, por exemplo,  a criminalização do PMDB. Alguém consegue imaginar o que teria sido dito na RBS se no governo Tarso a Secretaria de Segurança tivesse sido objeto de assalto?!

Não fosse um povo teleguiado pela RBS, teriam se dado conta dos passos que nos trouxeram até aqui. Afinal, qual foi a primeira medida do novo ventríloquo da RBS? Aumentou o próprio salário. Só voltou atrás depois de muita pressão popular. Mas aí partiu para um plano B, deu status de Secretária à mulher. E a mulher, Maria Helena Sartori, está fazendo gato e sapato, indicando CCs nos mais diversos cabides do Estado. Infelizmente, nossa imprensa é parceira desta putaria, na medida que faz descer uma cortina de silêncio sobre o desmonte do Estado perpetrado pelo Tiririca da Serra.

O conhecimento das finanças do Estado pelo Incrível Exército de Brancaleone é tão grande que vaticinou o pagamento da segunda parcela para o dia 25 mas, diante da avalanche de reclamações da sociedade contra sua apropriação do erário, já no dia 10 quitava o pagamento dos salários de julho. Sartori não entende nada de finanças nem de política, mas desempenha muito bem o papel de ventríloquo. Com seu humor de fundo de quintal, manda todo mundo resolver os problemas na Tumeleiro. Para cúmulo dos cúmulos, a quadrilha que se apossou do Estado preparou um abate coletivo dos barnabés, fazendo divulgar pelos inúmeros veículos da RBS, que o Banrisul estava pronto para degolar os que pretendiam uma sobrevida. Quando o governo do Estado corta o salário e manda seu banco oferecer empréstimos com juros escorchantes as já vítimas do próprio Estado, para poderem honrarem os compromissos familiares, é porque chegamos a um ponto sem volta. A falta de caráter se reveste de ignominia. Não bastava retirar o dinheiro, tinha de espezinhar sobre honra dos próprios funcionários. E o que fez a famiglia Sirotsky? Festejou os cobres que entravam no formato de marketing do Banrisul. Era o retorno de um investimento eleitoral.

O PMDB são muitos. O que tem de ficar claro para os gaúchos é que o PMDB de Sartori é o mesmo de Cunha. É da ala do PMDB que se aliou ao Napoleão das Alterosas. É a ala do PMDB que fragiliza a democracia e as instituições com o único objetivo de se apropriar do Estado. Querem saber como funciona, busquem as indicações da Maria Helena Sartori espalhadas pelos órgãos do Estado.

Fôssemos um povo com façanhas honestas para contar a toda terra, já teríamos reagido à desfaçatez de modo muito mais enérgico. Infelizmente, a máquina de fazer senadores no RS, a RBS, cavalga a manada gaúcha.

Sartori, a coerencia segundo Pedro Simonsartori & nepotismo

Governador do RS nega calote e pede solidariedade

Tesouro bloqueou contas do Estado, que não pagou dívida de R$ 263 mi

‘Não temos condição nenhuma de atender as necessidades dos que precisam de recursos públicos’, diz secretário

(ISABEL VERSIANI, FÁBIO MONTEIRO E PAULA SPERB)DE BRASÍLIA COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE CAXIAS DO SUL (RS)

O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), negou nesta quarta (12) que tenha dado calote na União e disse que o Estado espera "compreensão" e "solidariedade ativa" diante da situação das finanças gaúchas.

O governador se reuniu com o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive. Segundo Sartori, em 10 ou 15 dias haverá uma reunião entre técnicos do Estado e do Tesouro para tentar avançar em uma saída para o Estado.

Na terça (11), o Tesouro informou que, como o Rio Grande do Sul não pagou à União parcela da sua dívida vencida em julho, o governo federal bloqueou as contas do Estado e executou garantias previstas em contrato.

O dinheiro do Estado foi bloqueado para o pagamento de uma parcela da dívida de R$ 263 milhões –que corresponde a 13% de toda receita líquida do RS. Como o governo não tem esse dinheiro em caixa, a arrecadação será sacada pela União até o quitamento do total devido.

"Ninguém deu calote, nós apenas não cumprimos uma parte", afirmou Sartori.

Ele não esclareceu como o Estado pretende agir em relação aos próximos vencimentos da dívida, mas afirmou que pretende manter um "diálogo permanente" sobre as finanças do governo.

Sartori disse ainda que a decisão de atrasar o pagamento da dívida com a União para quitar salários de servidores do Estado não foi política.

"Não quisemos nem fazer um confronto nem estabelecer uma questão política", afirmou. "Quanto ao futuro, por enquanto, o que eu posso dizer é que os servidores foram pagos."

SEM CONDIÇÕES

Com o bloqueio das contas pelo Tesouro, o governo gaúcho "perdeu a condição de gerenciamento das contas públicas", disse nesta quarta o secretário-geral do Estado, Carlos Búrigo.

"Não temos condição nenhuma de atender as necessidades dos que precisam de recursos públicos", afirmou.

Os principais afetados com o congelamento das finanças são hospitais, a segurança pública e as prefeituras.

O governador optou por pagar os salários atrasados para os servidores e atrasar mais a quitação da dívida.

No último dia 31, o peemedebista anunciou o parcelamento dos salários dos servidores. Três dias depois foi decretada paralisação de 24 horas dos funcionários públicos.

    01/08/2015

    Beto Richa bate nos professores; Sartori bate o salário

    Filed under: Corrupção,Corruptores,José Ivo Sartori,Magarefes,PMDB,RBS,RS,Ventríloquo — Gilmar Crestani @ 9:20 am
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    José Ivo Sartori como se faz um governo maus caráteres para maus caráteres! Como se pode ver pelas duas matérias copydescadas da Folha, a crise é de caráter, não de dinheiro!

    Sartori, a coerencia segundo Pedro Simonsartori & nepotismo

    O pior e o melhor da crise. O pior é ver os servidores pagando a conta de um governo não só medíocre, mas de total nonsense. Para palhaço precisa melhorar muito. Mas não há de se dizer que não havia indícios de que isso viria acontecer. Sartori esteve nos governos Britto, Yeda Crusius e Germano Rigotto. Sartori é do mesmo partido do Sarney, do Renan Calheiros, do Pedro Simon e do Eduardo CUnha! Na última campanha presidencial Sartori esteve ao lado do PP gaúcho e do Aécio Neves. Todos, de alguma forma, atrelados aos interesses da velha mídia golpista.

    O sentido é muito claro. O ventríloquo da RBS vai fazer o que fazem quem ela consegue teleguiar: atacar o serviço público para joga-lo na privada.

    O melhor é ver a RBS pela enésima vez se refestelando em cima da desgraça do servidor público. Quem zapeasse ontem pelos inúmeros veículos nas mãos da RBS veria a mesma cantilena de seus celetistas, para eximir Sartori, botando a culpa nos servidores, no PT e na Dilma. O mínimo que diziam em relação ao governador que o tiririca da serra é uma vítima dos servidores sanguessugas.

    Faço minha as palavras da Folha de São Paulo de 14/02/2015, para pintar o verdadeiro retrato deste pulha:

    “O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), concedeu status de secretária de Estado à primeira-dama, Maria Helena, em uma manobra que favorece a sua base de apoio na Assembleia Legislativa. Maria Helena, 62, concorreu a deputada estadual em 2014 e acabou na segunda suplência da coalizão. Ela deveria assumir a vaga na Casa porque o primeiro suplente de sua coligação e um dos deputados eleitos já tinham sido nomeados secretários. Pelas regras, a única justificativa para não assumir o cargo seria uma licença para se tornar secretária de Estado. Sartori, então, criou na quinta-feira (12) o cargo de "Secretária de Estado Extraordinária do Gabinete de Políticas Sociais".”

    Alguém consegue imaginar o que a RBS teria dito se Dilma tivesse feito algo parecido? Isto prova que os verdadeiros bandidos não são os que estão presos por destruírem bens materiais, mas aqueles que ocupam espaço nas concessões públicas como a RBS, pelo poder que têm de destruírem instituições públicas e ferirem de morte a democracia. São eles que criam as mentes fascistas que se espalham pedindo golpe militar.

    A conclusão é muito simples. É a volta dos que sempre destruíram o Estado para justificar a entrega do patrimônio. Antônio Britto fez exatamente isso para justificar a entrega da CRT, vejam só para quem, para a RBS. Na maior cara de pau, na frente do Ministério Público, da Polícia e dos Políticos, passou a perna nos milhares de acionistas minoritários, apertou a mão do seu Maurício Sirotsky e lhe entregou a Companhia Rio-Grandense de Telecomunicações como se fosse dele.

    Por que a primeira medida de austeridade é sempre o corte do salário do servidor e não o corte do salário dos milhares de CCs. Ou será que já esqueceram que a primeira coisa que Sartori fez colocar a mulher numa Secretaria

    Crise no RS afeta salários de servidores

    Com a maior dívida do país entre os Estados, governo gaúcho anuncia que irá parcelar os vencimentos de julho

    Professores decidem entrar em greve e sindicatos pedem a prisão do governador José Ivo Sartori (PMDB)

    PAULA SPERBCOLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE CAXIAS DO SUL (RS)

    Em grave crise financeira, o governo de José Ivo Sartori (PMDB) anunciou nesta sexta (31) o pagamento parcelado dos salários de julho dos servidores estaduais do Rio Grande do Sul. Só receberam integralmente os funcionários com salário até R$ 2.150.

    Para os cerca de 168 mil servidores (48% dos 350 mil) que recebem acima desse valor, o salário será pago em mais duas parcelas: R$ 1.000 até 13 de agosto e o restante até 25 de agosto.

    O parcelamento será apenas aos funcionários do Executivo –os do Legislativo e do Judiciário não foram afetados.

    Com isso, os professores da rede estadual resolveram entrar em greve por tempo indeterminado a partir de segunda (3). Os policiais da Brigada Militar também decidiram que só irão atuar nas ruas em caso de emergência e prometem ficar "aquartelados" após este fim de semana.

    Em Porto Alegre, manifestações ocorreram já durante a divulgação da medida. Sartori não participou do anúncio sobre o parcelamento, feito pelo secretário da Fazenda, Giovani Feltes.

    "Não é chororô, é falta de dinheiro", disse Feltes. O secretário ainda afirmou que o Estado não deverá quitar o pagamento da dívida com a União. Nos dois últimos meses, o governo gaúcho atrasou o pagamento, mas honrou o compromisso. Com o calote, o governo federal pode bloquear repasses financeiros ao Rio Grande do Sul.

    Para pagar a folha de julho, faltaram, segundo o governo, R$ 360 milhões. Desde maio, servidores obtiveram na Justiça uma ordem proibindo o governo de atrasar o salário. O secretário da Fazenda diz que não há dinheiro para cumprir a determinação.

    Sindicatos foram à Justiça pedindo a prisão de Sartori por desobedecer a ordem judicial, mas um desembargador rejeitou a solicitação.

    O Rio Grande do Sul é proporcionalmente o Estado mais endividado do país e convive há anos com sucessivos deficits no orçamento. Desde que assumiu, em janeiro, Sartori atrasa repasses a saúde e a fornecedores para priorizar o pagamento do funcionalismo.

    02/05/2015

    Sartori, violência e insegurança é teu partido

    Não está proibido de José Ivo Sartori fazer um bom governo. Tem tempo para isso. O problema é que os indícios deixados nestes quatro primeiros meses são desanimadores. Primeiro aquela história de aumentar o próprio salário. Depois a entrega de uma Secretaria à própria esposa. Depois, todo dia uma maldade para cima de uma categoria de servidores. Seja ameaçando parcelar salários, seja ameaçando tirar direitos.

    A pá de cal, contudo, foi a contaminação com o PSDB. Como é sabido, José Ivo Sartori contou com o apoio e apoiou Aécio Neves. E assim se explica porque aumento o tráfico e a violência. O dinheiro da segurança pública está sendo investido em marketing na RBS. Apesar de todo o descalabro, não há uma nota sequer de cobrança do maior grupo de comunicação da região Sul. O compadrio entre PMDB e RBS é antigo. Vem pelo menos desde quando o cavalo do comissário entregou a CRT à RBS. A relação da RBS com políticos de baixa estatura ética e profissional já é folclórica. Não bastasse a simbiose vivida durante a ditadura, quando parasitava a ditadura e vice-versa, na democracia ensaiou participação nos governos de Antonio Britto, Germano Rigotto, Yeda Crusius e agora com Sartori. Paralelamente mas não afastados do mesmo projeto, foi desovando suas serpentes nos mais variados partidos que pôde alugar. Brito no PMDB, Zambiasi no PTB, Ana Amélia Lemos no PP gaúcho, Lasier Martins na mais recente sigla de aluguel, o PDT.

    A questão da segurança pública está entregue, pelo que se pode ver nos noticiários (chacinas, ônibus incendiados) ao PCC. Narcotráfico e PCC são fatos caros à parceria com o PSDB. Ou será mero acaso que o balaio de siglas que o apoiou estão envolvidas no helipóptero e no berço do PCC?! Já tivemos um governador próximo à RBS que era um notório consumidor de pó, agora a manada secundada pela égua madrinha da RBS está vendo a segurança de nosso Estado virando pó. Como diria o José Serra, no famoso artigo perpetrado pelo Mauro Chaves no Estadão: Pó pará, governador!

    Situação da segurança no governo Sartori está caótica, advertem policiais

    Isaac Ortiz: "A situação da segurança pública no Rio Grande do Sul hoje é caótica. Estamos assistindo gradual e aceleradamente o crescimento da violência em nosso Estado, presenciando coisas que a gente não conhecia, como chacinas, ataques com incêndio de ônibus, execuções dentro de ônibus, morte de criança por bala perdida".  Foto: Guilherme Santos/Sul21

    Isaac Ortiz: “A situação da segurança pública no Rio Grande do Sul hoje é caótica. Estamos assistindo gradual e aceleradamente o crescimento da violência em nosso Estado, presenciando coisas que a gente não conhecia, como chacinas, ataques com incêndio de ônibus, execuções dentro de ônibus, morte de criança por bala perdida”. Foto: Guilherme Santos/Sul21

    Marco Weissheimer

    Os cortes de horas extras, diárias e de custeio estão provocando uma situação caótica na segurança pública do Rio Grande do Sul, aumentando a criminalidade e colocando em risco o bem estar e a vida da população. O alerta é da direção do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul (Ugeirm), ao analisar os quatro primeiros meses do governo de José Ivo Sartori (PMDB). Em entrevista ao Sul21, Isaac Ortiz e Fábio Nunes Castro, presidente e vice do sindicato, respectivamente, criticam a opção pelos cortes na segurança sem apresentar nenhuma política para o enfrentamento da criminalidade. “Estamos assistindo gradual e aceleradamente o crescimento da violência em nosso Estado, presenciando coisas que a gente não conhecia, como chacinas, ataques com incêndio de ônibus, execuções dentro de ônibus, morte de criança por bala perdida”, diz Isaac Ortiz.

    “Não se conhece qual é o projeto de segurança pública deste governo para os próximos quatro anos. Não há nenhum plano para enfrentar esses tipos de crimes que o Ortiz mencionou: ônibus incendiado, execução dentro de ônibus…”, acrescenta Fábio Castro. Na avaliação do Ugeirm, essa política é insustentável e vem provocando uma grande mal estar entre os servidores da área da segurança. “Na segurança pública, assim como na saúde, estamos lidando com vidas. Então, não se economiza nestas áreas. Cabe ao governante identificar o que se precisa e ir atrás dos recursos para satisfazer essas demandas e impedir que as pessoas morram”, defende Ortiz. E adverte: “se o governo fizer esse pacote que está cogitando para a área da segurança e para o serviço público em geral, vai enfrentar uma reação parecida com a que aconteceu no Paraná. Pode ter certeza disso”.

    Sul21: Qual é, na sua avaliação, a situação da segurança pública no Rio Grande do Sul e, em particular, a situação dos servidores da área, que estão trabalhando com uma nova realidade a partir das decisões do atual governo de cortar diárias e horas extras?

    Isaac Ortiz: A situação da segurança pública no Rio Grande do Sul hoje é caótica. Estamos assistindo gradual e aceleradamente o crescimento da violência em nosso Estado, presenciando coisas que a gente não conhecia, como chacinas, ataques com incêndio de ônibus, execuções dentro de ônibus, morte de criança por bala perdida. Isso tudo está acontecendo hoje no Rio Grande do Sul. Em contrapartida, não se vê uma reação do governo para combater essa criminalidade crescente. O governo deveria vir a público e anunciar iniciativas para coibir essas práticas. O que vemos, porém, é o contrário. O governo vem a público, faz uma caravana nas nove cidades-polo do Estado, para dizer que não tem dinheiro e não tem o que fazer. Isso é o que se viu do governo até aqui.

    "Quanto mais o governo diz que não tem condições para agir, que não tem dinheiro para hospital, que não tem dinheiro para educação nem para a segurança pública, a criminalidade avança porque ela tem o seu poderio de fogo".  Foto: Guilherme Santos/Sul21

    “Quanto mais o governo diz que não tem condições para agir, que não tem dinheiro para hospital, que não tem dinheiro para educação nem para a segurança pública, a criminalidade avança porque ela tem o seu poderio de fogo”. Foto: Guilherme Santos/Sul21

    Com isso, a criminalidade se organiza e cresce. Quanto mais o governo diz que não tem condições para agir, que não tem dinheiro para hospital, que não tem dinheiro para educação nem para a segurança pública, a criminalidade avança porque ela tem o seu poderio de fogo. O Estado, que deveria ser o responsável para coibir esse poder de fogo, não está fazendo nada, está achando normal. Na segurança pública, assim como na saúde, estamos lidando com vidas. Então, não se economiza nestas áreas. Cabe ao governante identificar o que se precisa e ir atrás dos recursos para satisfazer essas demandas e impedir que as pessoas morram. Na segurança pública, é preciso buscar recursos para a prevenção e para a punição posterior se o crime ocorreu.

    No caso da polícia militar é um absurdo o que fizeram com o corte de horas extras, que já representavam uma miséria.

    Sul21: Qual o valor dessa hora extra?

    Isaac Ortiz: Vinte e poucos reais, não passa disso. Essa medida impede que os policiais, além de suas seis horas diárias, trabalhem mais algumas horas para a população. Sem as horas extras, o policial vai buscar o bico. Essa economia acaba custando a vida de pessoas. Hoje [a entrevista concedida no dia 20 de abril] eu ouvi o secretário da Segurança falando que o efetivo da Brigada é este. Mas tem dois mil concursados da Brigada aguardando para frequentar a academia. Nós, na Polícia Civil, temos 650 concursados para cursar a academia. Leva de seis a sete meses para a formação desse policial. Quanto mais você atrasa a chamada desse pessoal para começar a fazer a academia, mais tempo vai levar para ele começar a prestar serviço à população.

    O governo do Estado é eleito para apresentar soluções para os problemas que a população enfrenta e não para dizer que não sabe o que fazer ou que não tem como fazer. Nós não elegemos um governante para ele nos dizer isso. Se é isso o que ele tem a dizer nem deveria ter participado das eleições. Elegermos um governador para resolver os problemas que temos na saúde, educação e segurança pública.

    Sul21: Como é que esses cortes estão impactando o dia-a-dia do trabalho dos policiais e dos demais servidores da área da segurança?

    Isaac Ortiz: Com o corte de custeio, daqui a pouco não vamos conseguir manter nem um serviço básico e importantíssimo para as delegacias que é a limpeza. O governo está atrasando o pagamento para terceirizadas desta área. Corte de custeio significa também não comprar mais papel, tinta para a impressora, diversos equipamentos, não ter manutenção nas viaturas. Tudo isso está impactando o dia-a-dia do trabalho dos policiais. Grandes operações estão deixando de ser feitas porque elas necessitam de planejamento e investigação. Como fazer isso sem horas extras, sem dinheiro para diárias ou para a gasolina e óleo diesel? Não tem como funcionar. O dia-a-dia dos policiais está sendo muito ruim. A gente tem conversado com o pessoal e eles têm manifestado uma sensação de impotência muito grande. O que eles podem fazer é trabalhar mais de graça para o Estado. Já estão fazendo isso, aliás.

    Os policiais civis trabalham em média, especialmente nas delegacias especializadas e nas delegacias do interior que têm pouca gente, 200 horas a mais por mês do que a sua carga horária normal. E não recebem por isso. Nós estamos alertando que isso representa um risco para a população. A gente não vê o governo fazendo uma reunião com a área da segurança para definir uma política de enfrentamento à criminalidade.

    Fábio Castro: Não se conhece qual é o projeto de segurança pública deste governo para os próximos quatro anos. Nenhum projeto importante na área da segurança pública foi apresentado até agora." Foto: Guilherme Santos/Sul21

    Fábio Castro: Não se conhece qual é o projeto de segurança pública deste governo para os próximos quatro anos. Nenhum projeto importante na área da segurança pública foi apresentado até agora.” Foto: Guilherme Santos/Sul21

    Sul21: Não houve nenhuma reunião com as entidades dos servidores da área da segurança?

    Isaac Ortiz: Nada. Tivemos uma conversa com a chefia de Polícia e uma conversa com o secretário, mas que não definiram nada. Quem tem a chave do cofre é o governador e o secretário Feltes. Tudo passa por eles, que não liberam nada.

    Fábio Castro: Não se conhece qual é o projeto de segurança pública deste governo para os próximos quatro anos. Nenhum projeto importante na área da segurança pública foi encaminhado até agora para a Assembleia. Há apenas alguns projetos cosméticos com modificações e unificação de alguns órgãos internos. Mas não há nenhum plano para enfrentar esses tipos de crimes que o Ortiz mencionou: ônibus incendiado, execução dentro de ônibus…

    Sul21: Na avaliação de vocês, esses casos estão relacionados aos cortes na segurança pública?

    Fábio Castro: Com certeza. A segurança pública tem problemas históricos. Seria uma injustiça dizer que esses problemas foram criados pelo atual governo. Mas se não existe uma política de segurança, abre-se a porta para todo tipo de criminalidade. É óbvio que, com menos policiamento na rua, a criminalidade se sente estimulada.

    Isaac Ortiz: Há um exemplo sobre isso. No final do governo Tarso, houve o caso daqueles chamados toques de recolher na zona norte de Porto Alegre. Na época, o governo instalou um posto móvel da Brigada e colocou policiais 24 horas por dia na área. Os brigadianos fazem o que podem, mas hoje, com os cortes, não teríamos policiamento para colocar lá. O governo precisa ter capacidade de reação diante desses casos concretos. Não pode simplesmente dizer que não tem dinheiro. Quarteis de bombeiros fecharam as portas pela falta de horas extras. Dois quarteis de bombeiros foram fechados na região carbonífera do Estado por essa razão. O governo não pode esquecer que isso coloca em risco a vida de pessoas.

    "A chacina que ocorreu recentemente em Cidreira, com a morte de seis jovens, deveria ter mobilizado uma força tarefa e merecia alguma declaração do governador e do secretário de Segurança. O governador parece nem saber que aconteceu uma chacina".  Foto: Guilherme Santos/Sul21

    “A chacina que ocorreu recentemente em Cidreira, com a morte de seis jovens, deveria ter mobilizado uma força tarefa e merecia uma declaração do governador e do secretário de Segurança. O governador parece nem saber o que aconteceu”. Foto: Guilherme Santos/Sul21

    A cada crime que acontece tem que haver uma reação do Estado para identificar quem cometeu esses crimes. A chacina que ocorreu recentemente em Cidreira, por exemplo, deveria ter mobilizado uma força tarefa e merecia alguma declaração do governador e do secretário de Segurança. O governador parece que não está no Rio Grande do Sul, aparenta nem saber que ocorreu uma chacina que vitimou seis jovens. Ao invés disso, fica fazendo piadas na mídia. Não tenho nada contra piadas, mas quem perde um familiar quer ouvir outra coisa, especialmente de quem chefia o governo.

    Outro exemplo é o dos trabalhadores que trabalham no shopping ali no bairro Menino Deus e que não aguentam mais os assaltos naquela região. Recentemente mataram um trabalhador ali também. Qual é a providência que o governo está tomando em relação a esses problemas. Parece que está cego, surdo e mudo. A única coisa que está fazendo é percorrer o Estado dizendo que não tem dinheiro. Ao invés disso, o governo deveria estar percorrendo o estado dizendo que tem um plano, tem um projeto para resolver esses problemas.

    Sul21: Vocês chamaram um dia de paralisação agora para o dia 28. Qual é o objetivo desse ato e como ele ocorrerá? E qual é a estratégia das diversas categorias de servidores da segurança diante das medidas do atual governo?

    Isaac Ortiz: Há dois momentos importantes aí que devem ser destacados. No dia 21 de abril deveriam ter sido publicadas as nossas promoções, o que não ocorreu. O governo sequer indicou uma data para a publicação dessas promoções. E o 30 de maio é o último dia para o pagamento da primeira parcela do subsídio para a Polícia Civil, a Brigada Militar e a Susepe. Nós estamos nos mobilizando e já lançamos uma carta à população alertando sobre o que está acontecendo na Segurança Pública do Estado. O objetivo dessa paralisação do dia 28 é chamar a atenção da sociedade sobre isso que está ocorrendo e dizer que precisamos nos organizar. A sociedade deve ir para as Câmaras de Vereadores e prefeituras de seus municípios, e exigir de seus deputados que cobrem do governo uma reação a essa situação de total insegurança que estamos vivendo no Rio Grande do Sul.

    Como o Fábio falou, não estamos dizendo que isso é culpa exclusiva desse governo, mas ele precisa reagir e fazer alguma coisa, afinal foi para isso que foi eleito. Não basta ficar parado dizendo que não tem dinheiro. A crise é muito séria. Nós que estamos dentro da área da segurança pública sabemos o que está acontecendo dia-a-dia em Porto Alegre e em outras cidades do Estado. O governo tem que vir a público e mostrar um plano para enfrentar essa situação.

    Sul21: Isso nunca foi discutido nas reuniões que vocês tiveram com a Secretaria da Segurança Pública?

    Isaac Ortiz: Tivemos uma reunião com o secretário da Segurança e com o chefe de Polícia, além de uma conversa com o chefe da Casa Civil. Todos disseram que estavam engessados pela questão orçamentária.

    "Se o governo fizer esse pacote que está cogitando para a área da segurança e para o serviço público em geral , vai enfrentar uma reação parecida com a que aconteceu no Paraná. Pode ter certeza disso".  Foto: Guilherme Santos/Sul21

    “Se o governo fizer esse pacote que está cogitando para a área da segurança e para o serviço público em geral , vai enfrentar uma reação parecida com a que aconteceu no Paraná. Pode ter certeza disso”. Foto: Guilherme Santos/Sul21

    Fábio Castro: O governo alega falta de recursos para fazer qualquer coisa. O problema se agrava na medida em que, além do problema da insegurança e do aumento da criminalidade, os servidores sofrem um clima de terrorismo permanente inclusive em relação ao salário de cada mês. Todo mês há uma insegurança sobre se os salários serão pagos em dia ou não, a ponto de termos sido obrigados a ingressar na Justiça, junto com outras entidades da segurança pública para evitar o parcelamento dos salários. As ameaças de atrasos e parcelamentos, a não publicação das promoções, as notícias sobre a possibilidade de revisão dos critérios de aposentadoria, tudo isso cria um ambiente e insatisfação e insegurança para quem já tem uma profissão extremamente estressante. Nós queremos o diálogo com o governo, mas um diálogo que aponte para alguma solução e não simplesmente para a repetição do discurso de que não há dinheiro. Nós não vamos aceitar a retirada de direitos.

    Isaac Ortiz: O que estamos vendo com esses cortes de recursos é que os maiores prejudicados são os setores mais carentes da população. Não que as pessoas que tenham posses estejam livres do problema da insegurança. Vão sofrer também, pois a criminalidade vem em todos os níveis. Mas quem sofre mais é quem tem menos recursos e não tem condições de contratar uma segurança particular. Não há dúvida, porém, que todos vão sofrer com esse corte brutal de recursos na segurança pública.

    O que é preciso dizer também é que, se o governo fizer esse pacote que está cogitando para a área da segurança e para o serviço público em geral , vai enfrentar uma reação parecida com a que aconteceu no Paraná. Pode ter certeza disso. E nem vai depender de nós chamarmos a mobilização. A revolta vai ser natural. Infelizmente o nosso governador parece não estar dando bola para isso. Estamos muito preocupados com toda essa situação, mas essa preocupação não pode ser só dos policiais, tem que ser de toda a sociedade.

    Sul21: Como será a paralisação do dia 28?

    Isaac Ortiz: "O responsável por essa situação é o governador José Ivo Sartori, que precisa dizer a que veio". Foto: Guilherme Santos/Sul21

    Isaac Ortiz: “O responsável por essa situação é o governador José Ivo Sartori, que precisa dizer a que veio”. Foto: Guilherme Santos/Sul21

    Isaac Ortiz: Toda a categoria está conclamada a participar dessa mobilização. Os policiais civis estarão paralisados das 8h30 às 18h. Neste período não deve haver circulação de viaturas. Todas devem ser mantidas paradas no órgão a que pertencem. Também não haverá cumprimento de mandados de busca e apreensão, mandados de prisão, operações policiais, serviço cartorário, entrega de intimações, oitivas, remessa de inquéritos ao Judiciário e demais procedimentos de polícia judiciária. As delegacias e plantões só atenderão os flagrantes e casos de maior gravidade tais como: homicídio, estupro, ocorrências envolvendo crianças e adolescentes e lei Maria da Penha, além daquelas ocorrências em que os plantonistas julgarem imprescindível a intervenção imediata da polícia civil.

    Os agentes devem se concentrar em frente aos seus locais de trabalho, prestando o apoio necessário aos colegas que estiverem de plantão no dia da paralisação e esclarecendo a população sobre os motivos do movimento paredista. Em Porto Alegre, a direção do Sindicato vai se concentrar na Área Judiciária, no Palácio da Polícia. As direções das entidades de servidores da Brigada e da Susepe também estão apoiando o nosso movimento. Não vão paralisar neste dia, mas também estão construindo a nossa mobilização. Essa paralisação não é para prejudicar a população, mas sim para mostrar para quem ainda não se deu conta o que está acontecendo com a Segurança Pública no Rio Grande do Sul. O responsável por essa situação é o governador José Ivo Sartori, que precisa dizer a que veio.

    Situação da segurança no governo Sartori está caótica, advertem policiais – Sul 21

    13/10/2014

    O RS alterna a cultura da pantalha com a da polenta

    Filed under: Cultura,RS — Gilmar Crestani @ 8:37 am
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    A paulista funcionária da RBS, Yeda Cruisus, confundiu, no programa do Jô Soares, bombacha com pantalha. Um Estado que tem em Mônica Leal um exemplo de cultura, que cultiva colunista da RBS como se fosse um Proust, que se esconde dos debates para não perder o voto dos ingênuos, explica por que nossa cultura se resume na fantasia da semana farroupilha. Uma carnaval com fantasias para comemorar a derrota na guerra dos farrapos. A mediocridade da cultura gaúcha paga seu preço por se deixar dominar pela “cultura da RBS”, da mediocridade. Nos domingos a tarde nossa tv mostra jogos de grandes clubes do Rio e São Paulo. E assim fica mais fácil eleger governadora uma paulista que não tem nenhuma identificação com o Estado. Só assim se explica a consagração de uma Mônica Leal.

    Mídia: Ariano bom é Ariano morto

    arianosuassuna_trabalho

    Morreu Ariano Suassuna e foi uma justa comoção nacional.

    Menino órfão que venceu as cruezas do sertão, grande escritor, pensador, agitador, um gênio.

    Faltou dizer que enquanto vivo, o gênio e o espírito de Suassuna foram incômodos.

    Ele pregava contra a massificação, contra o lixo cultural que nos impingem os grandes esquemas midiáticos, questionava a globalização que avassala as identidades.

    Os meios massivos queriam sua obra de artista embebida na cultura popular, mas não queriam seu discurso de ativista defensor da diversidade e da identidade nacional.

    Tratado como passadista, tinha pouco espaço na grande mídia.

    Um caso exemplar:

    Em 2008, a Camara Riograndense do Livro escolheu Pernambuco como o Estado a ser homenageado na tradicional Feira do Livro de Porto Alegre. Suassuna era secretário de cultura do governo pernambucano, compareceu à Feira, acompanhado de 22 editores e escritores pernambucanos.

    Não mereceram a mínima atenção da mídia local.

    Na noite do dia 1 de  novembro, ele deu uma  magistral aula-espetáculo  no cais do Porto. Confessou sua admiração pelo Rio Grande do Sul,  sua dívida para com Simões Lopes Neto, contou causos, apresentou grupos de dança e música. Foi aplaudido entusiasticamente  por mais de mil pessoas.

    Cobertura mínima, para registrar o fato.

    Como retribuição, Suassuna escolheu o Rio Grande do Sul como  Estado homenageado na feira do livro do Recife, no ano seguinte.

    O governo do Estado embromou até a última hora, quando disse que não mandaria ninguém por falta de verbas. Foram três representantes da Câmara do Livro livrar a cara dos gaúchos…

    Viva Suassuna!

    (E.B.)

    Mídia: Ariano bom é Ariano morto | Jornal Já | Porto Alegre | Rio Grande do Sul

    22/09/2014

    Nem um passo atrás!

    Filed under: Ana Amélia Lemos,Homofóbicos,Homofobia,Racismo,RBS,RS,Tarso Genro — Gilmar Crestani @ 9:25 am
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    Neste retorno ensandecido ao passado retrógrado, o RS já tem um troféu internacional: “ONG inglesa elege deputado Luis Carlos Heinze o "Racista do Ano". Há que se construir uma barreira a la Passionária: No pasarán!

    Rio Grande do Sul opta entre século 19 e 21 na disputa entre Ana Amélia e Tarso

    publicada domingo, 21/09/2014 às 20:25 e atualizada domingo, 21/09/2014 às 20:20

    Por Miguel Enrique, de Veranópolis,
    especial para o Escrevinhador

    Dois episódios estiveram no centro dos debates no Rio Grande do Sul nas últimas semanas: as manifestações racistas de torcedores do Grêmio contra o goleiro santista Aranha e as objeções à realização de um casamento homoafetivo em um Centro de Tradições Gaúchas (CTG).

    Sem vínculos diretos com partidos ou com candidatos, os dois casos são ilustrativos do verdadeiro debate que está colocado nas eleições para o governo gaúcho.

    No caso do racismo, após os primeiros protestos e o expurgo literal da torcedora, do seu emprego e do clube, ganhou espaço nos meios de comunicação um discurso em que agressora passou a vítima. Com direito a choro na televisão, apelou para se tornar símbolo anti-racista e finalmente ganhou um emprego na Central Única das Favelas (CUFA).

    Já os protestos contra o casamento homoafetivo deixaram a retórica e ganharam a forma de um coquetel molotov jogado contra o Centro de Tradições poucos dias antes da cerimônia, obrigando a sua transferência para o fórum local.

    Logo, surgiu o discurso relativista do “não é bem assim”, “não é que a gente seja contra o casamento gay…” a ponto de um Promotor de Justiça publicar um artigo onde afirma textualmente que se os homossexuais querem respeitar seus direitos “que respeitem o espaço e as tradições dos demais”.

    No ano passado, o filósofo Vladimir Safatle já havia alertado para a prática de inversão que racistas e preconceituosos operavam, ao alegar que eles, sim, eram “perseguidos pela implacável polícia do politicamente correto”. A “nova moda” é travestir racismo e preconceito de “afirmação rebelde da liberdade”.

    Pois bem, o conservadorismo que não tem vergonha de dizer seu nome e que justifica suas ideias como a defesa da liberdade (do mercado, diga-se) encontra-se bem encarnado na candidatura que lidera as pesquisas no estado, a senadora Ana Amélia Lemos (PP).

    Ex-editora da sucursal de Brasília do grupo RBS, braço da Globo no sul do país, a senadora é considerada porta-voz legítima dos interesses do agronegócio, não apenas gaúcho. Portanto, sua candidatura apoia-se em duas mais poderosas forças do estado, o maior grupo de comunicação da região e um dos setores economicamente mais ricos.

    A plataforma de governo de Ana Amélia é simples: liberalização absoluta e retirada do Estado de todos os setores. Em bom português: Estado mínimo e privatizações. No entanto, sua candidatura não é alavancada por suas ideias, mas pela popularidade obtida pela presença diária na televisão e no rádio por décadas. Neste sentido, ainda que não seja seu colega de chapa, sua candidatura equivale ao candidato ao senado Lasier Martins (PDT), também apresentador do jornal diário do grupo RBS.

    Dessa forma, os rompantes de sinceridade de sua chapa cabem ao deputado federal Luiz Carlos Heinze (PP), candidato à reeleição, conhecido por um vídeo que circulou na internet no ano passado onde declarava que o gabinete do ministro Gilberto Carvalho reunia “quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo o que não presta” (veja aqui). No lançamento da candidatura de Ana Amélia, Heinze não resistiu e abriu o coração: “bom mesmo era na ditadura militar, quando nós da Arena é que mandávamos”.

    Não custa lembrar que esses episódios têm como cenário o mesmo Estado que já foi referência internacional em políticas sociais e de participação popular, com Porto Alegre como um modelo internacional, sendo escolhida inclusive como sede da principal articulação anti-neoliberal, o Fórum Social Mundial.

    É a essa outra vertente que pertence a candidatura à reeleição do governador Tarso Genro (PT), candidato à reeleição. O governo do petista foi uma combinação de uma aliança de coalizão com partidos de centro – experiência que conhecia bem como ministro do chamado “Conselhão” do governo Lula – com o desprezo generalizado pelo governo anterior de Yeda Crusius (PSDB), que aumentou a dívida do Estado na mesma proporção em que reduziu a ação estatal, desde o fechamento de escolas à denúncias de corrupção em serviços públicos.

    Herdeiro de um cofre raspado, Tarso viu muitas de suas propostas inviabilizadas, inclusive algumas que eram muito significativas, como a garantia do piso salarial nacional aos professores, medida que o próprio criara como ministro da Educação.

    Sem recursos, apelou para o que era possível, como a criação de novos canais de participação popular. O fato mais marcante de seu governo foi o fim dos pedágios nas estradas e a criação de uma empresa estatal para rodovias, aproveitando o fim das concessões realizadas nos anos neoliberais pelo governador Antônio Britto.

    Intelectual rigoroso, Tarso já defendia a necessidade de ampliação das conquistas sociais nos governos do PT, muito antes das manifestações de junho do ano passado, às quais, aliás, recebeu de braços abertos e instituiu o Passe Livre estadual em regiões metropolitanas do Rio Grande do Sul.

    Preocupado com a subordinação da política e do Estado ao capital financeiro, Tarso tem insistido na aliança da política partidária institucional com os movimentos sociais. Nesse contexto, construiu com a Via Campesina e sindicatos urbanos um ousado plano camponês de produção de alimentos saudáveis e distribuição nos centros urbanos. Finalmente, a busca pela reeleição tem como escudeiro a candidatura ao Senado de Olívio Dutra, ícone da honestidade política.

    O candidato do PMDB José Ivo Sartori, que corre por fora, tem a seu favor ter sido prefeito da segunda maior cidade gaúcha, Caxias do Sul. O município é um importante polo metal-mecânico, de onde também se origina seu candidato ao Senado, Pedro Simon, que busca o quinto mandato consecutivo.

    Sartori, porém, apostou na polarização errada na campanha e se apresenta como o “anti-PT”. O problema do peemedebista é como justificar isso quando o presidente nacional do seu partido, Michel Temer, é o candidato à vice-presidente de Dilma Rousseff…

    Certamente, os rumos da eleição gaúcha não possuem peso suficiente para alterar significativamente o cenário político nacional. Porém, uma vitória do conservadorismo joga mais água no moinho de projetos de intolerância e de liberalização econômica. Um passo atrás em direção ao século 19.

    Por outro lado, um governo que amplia a participação e dialoga permanentemente com os movimentos sociais oxigena a esquerda e pode ser, novamente, laboratório de novas práticas e políticas sociais. Um passo a frente no século 21, para a esquerda e para o país.

    Leia outros textos de Plenos Poderes

    Rio Grande do Sul opta entre século 19 e 21 na disputa entre Ana Amélia e Tarso – Escrevinhador

    23/08/2014

    Veja dez 10 coisas que os funcionários da RBS querem acabar no RS

    Filed under: Dilma,Olívio Dutra,RS,Tarso Genro — Gilmar Crestani @ 10:12 am
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    10 coisas que o governo Dilma fez pelo estado do Rio Grande do Sul

    Mais Médicos, Saúde Não Tem Preço, Pronatec, criação de mais empregos formais: saúde, educação e emprego são prioridades no governo Dilma e os gaúchos já perceberam isso. Você sabia que a cada 7 gaúchos um já foi beneficiado com medicamentos gratuitos pelo programa Saúde Não Tem Preço? E que 3 em cada 4 municípios do Rio Grande do Sul aderiram ao Mais Médicos?

    Somente durante o governo Dilma, mais de meio milhão de gaúchos saíram da extrema pobreza com o Bolsa Família. Além disso, foram mais de 477 mil vagas para o ensino técnico através do Pronatec – e quase 60% delas para mulheres! Foram ainda 107,6 mil bolsas para o Prouni e quase 7 mil para o Ciência Sem Fronteiras.

    Na agricultura, área fundamental para a economia do estado, os investimentos federais foram grandes. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que investe no setor para ampliar e modernizar a estrutura de produção, beneficiamento, industrialização e de serviços, ajudou a elevar a renda dos produtores rurais. Mais de R$ 5 bilhões foram investidos no ano 2013-2014 no Pronaf. Se somarmos os 4 últimos anos, esse número beira os R$ 20 bilhões, em mais de 1 milhão de contratos. Também no setor agrícola, o Programa de Aquisição de Alimentos beneficiou principalmente as famílias extremamente pobres, adquirindo só em 2013 mais de 12 mil toneladas de alimentos de agricultores familiares.

    O governo Dilma levou a inclusão digital ao Rio Grande do Sul: 4 em cada 5 municípios do estado têm internet popular e 3G. Já a luz chegou a pessoas que há anos esperavam: o Luz Para Todos realizou desde 2011 mais de 4600 ligações.

    Outro dado impressionante: desde que Dilma chegou ao governo, o número de empregos formais no Rio Grande do Sul cresceu 12,05% – um dos maiores crescimentos do Brasil. E o gaúcho aprendeu também a empreender cada vez mais. O número de adeptos do Super Simples cresceu 63% em 4 anos.

    O programa que mais destinou recursos no governo Dilma beneficiou milhares de pessoas no RS. Os R$ 5,6 bilhões em subsídios federais e os R$ 9,4 bilhões em financiamentos levaram ao estado mais de 240 mil novas moradias contratadas ou entregues graças ao Minha Casa Minha Vida.

    BRTs, trem, metrô e aeromóvel também contaram com investimentos federais – mais de R$ 8 bilhões foram investidos em mobilidade urbana no estado. Boa parte desse dinheiro veio do PAC, que investiu, direta ou indiretamente, cerca de R$ 101 bilhões no estado.

    Muita coisa foi feita pelo Rio Grande do Sul nesses quatro anos de governo, mas o Rio Grande pode mudar ainda mais! Por isso e por muito mais, é Dilma e Tarso de novo!

    10 coisas que o governo Dilma fez pelo estado do Rio Grande do Sul | Muda Mais

    26/07/2014

    Notícia desimportante (para Aécio…)

    Filed under: Aécio Neves,Minas Gerais,PSDB,RS — Gilmar Crestani @ 9:38 am
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    psdb x globoE aí, como quem confessa que fez cocô na cama, a Folha publica: “Os Estados sulistas –Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina– passaram Minas Gerais em ambiente de negócios e competitividade por investimentos no país.” Por que será que coincide com o PSDB e com a saída do PSDB no RS?

    Estados do Sul passam Minas em competitividade

    São Paulo e Rio seguem liberando ranking de ambiente de negócio e de atratividade de investimentos do país

    Perda de espaço de Minas resulta mais da ascensão econômica de Paraná e Santa Catarina do que de piora mineira

    TONI SCIARRETTADE SÃO PAULO

    Os Estados sulistas –Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina– passaram Minas Gerais em ambiente de negócios e competitividade por investimentos no país.

    É o que mostra o terceiro ranking de Competitividade dos Estados Brasileiros, elaborado pela consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit) em parceria com o brasileiro CLP (Centro de Liderança Pública).

    O topo do ranking segue com São Paulo que, segundo os pesquisadores, dá sinais de esgotamento da atratividade, devido ao baixo crescimento, aumento da burocracia e redução dos gastos privados com pesquisa. O segundo posto continua, pelo terceiro ano, com o Rio.

    A reviravolta ocorreu no terceiro lugar, ocupado nas duas pesquisas anteriores por Minas. A mudança decorre mais da ascensão econômica de Paraná e Santa Catarina do que da piora dos indicadores mineiros. O Rio Grande do Sul continuou estável no quarto lugar, mas teve melhora na economia e renda em relação ao ano anterior.

    O ranking avalia os Estados segundo o ambiente político, econômico, infraestrutura, regulação, até recursos humanos, criminalidade, inovação e sustentabilidade. O período pesquisado foi de abril de 2013 a abril deste ano.

    Cada Estado recebe uma nota, que vai de 0 a 100. Só São Paulo tem nota acima de 75, considerada de alta competitividade. A maioria tem nota fraca, abaixo de 50.

    No caso do Paraná, que recebeu nota 63,9, houve um crescimento importante das exportações do agronegócio. O Estado melhorou em renda per capita, gastos privados com pesquisa e incentivos fiscais para política ambiental.

    Já Santa Catarina (61,9) registrou um crescimento importante do tamanho do mercado consumidor, além de alta nos incentivos para estrangeiros e gastos com pesquisa.

    Com nota 60,2 (62,8 em 2012), Minas perdeu espaço devido a estagnação da indústria e ao aumento do índice de criminalidade. Como um todo, o Estado teve crescimento econômico abaixo de 2% em 2013/2014 (mesmo índice de São Paulo e dentro da média nacional).

    Minas apresenta homicídios entre 20 e 24,99 mortes por 100 mil habitantes, perdendo para Maranhão, Acre, SP, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Piauí.

    O ranking abrangeu o período das manifestações de junho de 2013. No entanto, os pesquisadores não viram mudança nas notas de infraestrutura, mobilidade urbana e corrupção, bandeiras do movimento. "Esperamos um impacto positivo, que talvez apareça no ranking de 2015", disse Luana Tavares, do CLP.

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