Ficha Corrida

15/12/2016

Feltes, em off, a privada é minha serventia

Filed under: Giovani Feltes,RS — Gilmar Crestani @ 8:57 am
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Giovani Feltes: “Eu tenho R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 50 mil, mas não coloca meu nome na tua prestação de conta’. Quem dizia que não? Precisa. Tinha que acabar um pouco com essa hipocrisia.” Precisamos acabar não só com a hiPÓcrisia, mas, principalmente, com os hiPÓcritas, uma categoria em franca reprodução nestes tempos de caça ao grande molusco. Nunca ficou tão clara que é a privada a serventia dos hipócritas.

É comovedora a declaração do Giovani Feltes de que, em todas as suas eleições, bastava passar o pires que os empresários jorravam dinheiro para que ele, que não é anjo, se elegesse. É tão comovedora ver uma plateia de empresários admitirem, com seu silêncio obsequioso, a relação de compadrio. São os mesmos que atacam o Estado e a alta carga tributária.

Se ao invés de encherem os bolsos do Secretário Estadual da Fazenda os empresários pagassem seus impostos haveria necessidade de o Estado entregar o patrimônio construído por gerações para estes mesmos empresários? Tão pouco precisaria parcelar os salários dos que efetivamente trabalham para que este Estado continue existindo. Políticos como Feltes e Sartori não se dão conta que os políticos passam, os servidores permanecem carregando o Estado nas costas mesmo quando os salafrários se vão.

Feltes inaugurou um novo sinônimo para cagada, off, coisas que ele deveria fazer na privada mas faz “no” público.

Não é sem motivo que o pessoal que vestia camisas verde-amarelas e tomavam champanhe no Parcão portavam cartazes dizendo que sonegação não é crime. Aliás, um herói desse pessoal, José Tarja Preta Serra, que foi presentado com 23 milhões depositados na Suíça, comungava do mesmo entendimento. A Operação Zelotes, quando ainda não tinha se convertido em instrumento de perseguição ao grande molusco, identificara em Gerdau, RBS e uma plêiade de empresários gaúchos uma verdadeira organização especializada em sonegar impostos. São os mesmos que dispõem de páginas e páginas nos jornais para defenderem a causa da alta carga tributária.

Aliás, estamos numa época em que infelizes declaram a descoberta de suas infelicidades como meras infelicidades. Haja déficit civilizatório para acreditar em tantas e tamanhas sandices.

Feltes diz que declarações sobre caixa dois foram ‘fora do contexto e infelizes’

Giovani Feltes disse que se utilizou de expressões "de maneira genérica, sem vinculação a um fato objetivo". (Foto: Joana Berwanger/Sul21)

Giovani Feltes disse que se utilizou de expressões “de maneira genérica, sem vinculação a um fato objetivo”. (Foto: Joana Berwanger/Sul21)

Marco Weissheimer

A Coordenação de Comunicação Social da Secretaria Estadual da Fazenda divulgou nota à imprensa nesta quarta-feira (14) explicando declarações feitas pelo secretário Giovani Feltes durante uma palestra na Associação Comercial e Industrial de Carlos Barbosa, na última segunda-feira. O tema da palestra era a situação das finanças públicas do Rio Grande do Sul. Ao final de sua fala, Feltes falou também sobre temas relacionados ao financiamento de campanhas eleitorais e à prática de caixa dois. As declarações foram divulgadas pela jornalista Priscila Boeira, em matéria publicada no jornal Contexto, de Carlos Barbosa. Intitulada “Não sou anjo e anjo não se elege, diz secretário Giovani Feltes a empresários”, a matéria relata que, nos últimos minutos da palestra, o titular da Fazenda fez considerações sobre questões eleitorais, pedindo que a imprensa mantivesse sigilo sobre as mesmas. O relato é o seguinte (o áudio foi cedido ao Sul21 pelo jornal Contexto):

https://soundcloud.com/sul-21/giovani-feltes

“Em off, pessoal: anjo não se elege nem vereador em Carlos Barbosa. A gente tem que tirar e afastar essa hipocrisia. Eu tenho dez eleições nas costas, 12 anos de vereador, 12 anos prefeito, 12 anos deputado estadual. Desde os 18 anos e não perdi uma eleição. Em off: [o beneficiário dizia] ‘me dá uma mão para a campanha? Eu tenho R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 50 mil, mas não coloca meu nome na tua prestação de conta’. Quem dizia que não? Precisa. Tinha que acabar um pouco com essa hipocrisia. Essa [última] campanha foi melhor, sim, mas ela beneficia quem é mais conhecido, já tem um certo desequilíbrio”.

E prossegue:

“Quem tem dinheiro de caixa dois que não contabiliza nunca? Jogou no bicho. Então eles podem eleger vocês; igrejas, de qualquer credo; tráfico, já pensaram nisso? Em off: em Novo Hamburgo elegeram um traficante para a Câmara de Vereadores e também conheço outras cidades que elegeram. Lá é dos Manos, mas deve ter alguém dos Bala na Cara em alguma cidade. E a gente não quer saber de política. Desculpa a provocação, mas todos temos um pouco de culpa”.

Na nota divulgada pela Secretaria, Feltes lamenta que “frases esparsas e sem vinculação com o tema principal” ganharam repercussão com sua publicação no jornal Contexto. Mas reconhece que “foram colocações fora do contexto e infelizes”. Segue a íntegra da nota:

Nota à imprensa

Na última segunda-feira (12), a convite da ACI (Associação Comercial e Industrial) de Carlos Barbosa, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, realizou palestra abordando a situação das finanças públicas e os desafios para colocar o Rio Grande do Sul em um patamar de equilíbrio fiscal.

Falando por quase duas horas para uma plateia formada por empresários da cidade, o secretário tratou dos problemas estruturais do Estado, traçou uma retrospectiva histórica sobre as medidas já adotadas por diferentes governos e destacou os projetos que buscam a reforma do Estado ora em análise pela Assembleia Legislativa.

Como tratou-se de uma explanação longa, o secretário lamenta que frases esparsas e sem vinculação com o tema principal acabaram ganhando repercussão após publicadas por um jornal local, mesmo com o alerta preliminar de que se tratavam de manifestações em caráter reservado.

São expressões que o secretário se utilizou de maneira genérica, sem vinculação a um fato objetivo e específico.  O secretário reconhece que foram colocações fora do contexto e infelizes.

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