Ficha Corrida

03/10/2014

Raça homogênea made in Instituto Millenium

Filed under: ANJ,Cosa Nostra,Grupos Mafiomidiáticos,Instituto Millenium — Gilmar Crestani @ 9:15 am
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Para Inma, jornais acertam ao se unir em anúncios digitais

DE SÃO PAULO – O presidente da Inma (International News Media Association), Earl J. Wilkinson, elogiou a iniciativa da ANJ (Associação Nacional de Jornais) de criar uma plataforma conjunta para vender publicidade digital em seminário em São Paulo, que reuniu dirigentes comerciais e de marketing de jornais de todo o mundo.

Lançada em agosto pela ANJ, a rede de anúncios Digital Premium Network permite aos veículos comercializar conjuntamente a inserção de banners (anúncios) nas páginas principais dos principais veículos, em dias selecionados.

12/09/2014

Só a eleição dos funcionários Ana Amélia Lemos e Lasier Martins salva a RBS

 

EXCLUSIVO: A tesoura que assombra a RBS

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Luiz Cláudio Cunha* | Especial para o Jornal JÁ |

Está identificado, com nome, sobrenome e endereço, o espírito que há meses assombra com cortes e demissões a RBS, o maior grupo de mídia do sul do país, a 27ª empresa no ranking das 100 maiores do Rio Grande do Sul.

Não é nenhum dos jovens executivos barbudos da família Sirotsky que fundou e comanda a Rede Brasil-Sul de Comunicação desde 1957. O artífice que modela a nova RBS é Cláudio Galeazzi — um senhor de 74 anos e sorriso rasgado, cara limpa e cabelos quase brancos, 1m84 e 92 kg de um corpo massudo modelado pelo exercício disciplinado do halterofilismo —, reconhecido nos principais círculos econômicos do Rio e São Paulo, respeitado entre os grandes empresários brasileiros e disputado por empresas em crise que o veneram como o temido Galeazzi Mãos de Tesoura.

Com mais de 150 projetos de salvação empresarial no portfolio da consultoria Galeazzi & Associados que fundou em São Paulo, em 1995, Cláudio teve passagens triunfais (para os patrões) e traumáticas (para os empregados) no comando temporário de gigantes como os grupos Pão de Açúcar, Vulcabrás/Azaleia, Lojas Americanas, Artex, Cicrisa, Vila Romana, entre outros. Na coronha de seu revólver de serial killer de empregos, na conta sinistra da revista Época Negócios, estão registradas até janeiro de 2008 mais de 20 mil demissões — o triplo dos 6,5 mil funcionários hoje sobressaltados da RBS.

Cláudio Eugênio Stiller Galeazzi não ganhou fama pela ficção de Holywood, mas pelos cortantes resultados de eficiência gerencial, redução de custos e otimização de lucros que o tornaram uma lenda da vida real das empresas estressadas por balanços avermelhados e deslizamentos de receita. Era inevitável que Galeazzi e a RBS acabassem, um dia, se encontrando. Essa convergência começou a se desenhar em 2011, quando acendeu a luz vermelha no comando da família Sirotsky. Estudos internos e sigilosos realizados por um executivo do grupo em Santa Catarina, Marcos Barbosa, indicaram que o jornal Zero Hora, nau-capitânea da frota da RBS, sofreria um grave abalo estrutural nas receitas a partir de 2018, açoitado pelas ondas cruzadas da queda de anunciantes, fuga de leitores e custos crescentes do papel, tudo isso potencializado no mar tormentoso da internet.

A carta-bomba

Essa tragédia anunciada acabou se antecipando em seis anos. Em 2012, o caixa do jornal sofreu uma abrupta queda de publicidade, com uma margem de redução de até 50%. O comando da RBS se assustou porque é a divisão de oito jornais impressos que dá o caixa para sustentar o resto da empresa. O solavanco, desconhecido até para o público interno da empresa, habituada às notícias sucessivas de auto-louvação sobre sua pujança e modernidade, veio no momento crítico de troca de descendência no poder. Em 2012 aconteceu a transição da segunda para a terceira geração dos Sirotsky. Nelson, filho do patriarca Maurício Sirotsky Sobrinho (1925-1986), passou o comando executivo da RBS para o sobrinho de 40 anos, Eduardo Sirotsky Melzer, o Duda, filho de sua irmã Suzana, a primogênita de Maurício. Na cadeira de presidente-executivo, o inexperiente Duda enfrentaria emoções nunca antes vividas pelo avô e pelo tio, seus antecessores no cargo.

Maurício e Nelson... ...Duda e Maurício... ... Nelson e Duda: três gerações de Sirotsky / Foto/Adriana Franciosi - RBS Arquivo Pessoal Foto/Franco Rodrigues-RBS

Maurício e Nelson… …Duda e Maurício… … Nelson e Duda: três gerações de Sirotsky / Foto/Adriana Franciosi – RBS Arquivo Pessoal Foto/Franco Rodrigues-RBS

As receitas continuaram piorando no início de 2013 e o susto virou preocupação. Em julho daquele ano, consolidada a ideia de contratar uma consultoria externa para reorientar a RBS, começou a ser sussurrado ali um nome sonoro e desconhecido até pelos altos executivos da casa: um certo Cláudio Galeazzi. Os primeiros encontros reservados dele com Nelson e Duda Sirotsky aconteceram na sede da consultoria, que ocupa o sétimo andar de um prédio na avenida Engenheiro Luis Carlos Berrini, endereço nobre de alguns dos executivos e empresas mais destacados em São Paulo. Ali, o trio selou a parceria, remunerada por uma taxa de sucesso sobre os resultados obtidos. Discreto, o consultor não foi visto uma única vez na sede da RBS em Porto Alegre, mas ficou clara sua entrada na vida do grupo. Sem aparecer, sem circular pelo QG dos Sirotsky no sul, Galeazzi despachou para lá um grupo pequeno de assessores para fazer o raio-X e agir sobre os problemas que rondam a empresa. Pelo que se sabe do contrato, a equipe de Galeazzi vai assombrar os corredores da RBS até meados de 2015.

A lâmina fria de Galeazzi Mãos de Tesoura mostrou publicamente o seu fio agudo numa segunda-feira, 4 de agosto passado, pela voz do próprio Duda Sirotsky, em uma das mais desastradas operações de Relações Públicas na história empresarial brasileira. Ele falou aos funcionários numa vídeoconferência e, no mesmo dia, reafirmou o que disse numa carta de duas páginas que pode ser definida como uma autêntica ‘carta-bomba’ — pela sangria na plateia, pelo estrondo na opinião pública e pelas feias cicatrizes na face da RBS como uma empresa moderna, pujante, vencedora, imune a crises e ao amadorismo no ofício da comunicação.

Nas 102 linhas confusas de sua ‘carta-bomba’, Duda fala cruamente em demissões, nega uma crise financeira, anuncia a quebra de paradigmas e conclama seus assustados ‘caros colegas’ — como diz no início de sua bombástica missiva — a imitar a RBS e a apostar no borbulhante mundo dos etílicos. Escreve Duda:

Ampliamos a operação da Wine, que já é a maior empresa de vinhos online do mundo, tanto que estamos agora preparando sua entrada no mercado internacional. E muitos de vocês que já são sócios da Wine agora poderão também ser da Have a Nice Beer, o maior clube online de cervejas da América Latina, que está vindo para o Grupo.

Tudo isso em um texto que, apesar de sua catatonia, trai as novas prioridades do maior grupo de comunicação do sul do País. A palavra ‘jornalismo’ tem uma única citação, assim como ‘leitor’, enquanto fala três vezes em ‘digital’, duas em wine e outras três em ‘vinho’, ‘cerveja’ e beer. O trecho mais espantoso é o sétimo parágrafo, onde Duda, com a inclemência dos profetas, anuncia o apocalipse:

Teremos uma semana intensa pela frente, pois na quarta-feira faremos cerca de 130 demissões, de um universo de 6 mil pessoas, com o objetivo de buscar produtividade e maior eficiência. São cortes que precisam acontecer, principalmente na operação dos jornais. Não estou de forma alguma insensível ao impacto que demissões geram na vida das pessoas e da própria empresa, porém acredito que tanto os profissionais quanto as empresas precisam repensar o modo como atuam.

O Marinho do Sul

Traduzindo. Duda antecipou na segunda-feira, 4, as demissões que só nomearia na quarta-feira, 6, ignorando o velho brocardo do sábio florentino Nicolau Maquiavel (1469-1527): “Quando fizer o bem, faça-o aos poucos. Quando for praticar o mal, faça-o de uma vez só”. O estabanado anúncio do principal executivo da RBS impôs durante 48 horas um clima de aflição sobre uma comunidade de 6,5 mil funcionários, angustiados pela desinformação sobre os nomes dos 130 iminentes demitidos. O grau de angústia poderia ser imaginado em Brasília se a presidente Dilma Rousseff reunisse seus 39 ministros na segunda-feira para anunciar que, dois dias depois, 10 ou 15 deles seriam demitidos, sem anunciar ainda seus nomes. O espectro de crueldade que dominaria a Esplanada dos Ministérios, com certeza, pode ser comparado ao que vislumbraram os ‘caros colegas’ de Duda, que a revista Forbes coroou como “o Marinho do Sul”.

A ligação do clã Sirotsky com o clã Marinho está no DNA do grupo e explica seu sucesso. A TV Gaúcha — a primeira das 18 emissoras da RBS que hoje compõem a maior afiliada da Rede Globo no Brasil — foi inaugurada em Porto Alegre num dia quente de dezembro de 1962, quando o avô de Duda, Maurício Sirotsky, recebeu em festa o presidente João Goulart e o governador Leonel Brizola. No início, a parceria da Gaúcha era com a pequena TV Excelsior, até que Maurício deu em 1967 o pulo do gato, fazendo então o realinhamento empresarial mais saudável de sua vitoriosa carreira. Maurício sintonizou sua emissora com os novos tempos da ditadura instaurada três anos antes e se alinhou aos generais que derrubaram o mesmo Jango que suava em bicas no estúdio da sua TV Gaúcha naquele tórrido verão porto-alegrense. A nova e refrescante parceria de Maurício passou a ser com Roberto Marinho, que um ano após o golpe de 1964 fundou a TV Globo, embrião do império global que nasceu e prosperou à sombra frondosa dos generais. Marinho arrastou para o alto a RBS, sua nova parceira sulista.

Antes e depois de 1964: Sirotsky com o último presidente ... ... e Marinho com o último general Maurício, Jango e Brizola... ... Maurício e Roberto... ... Marinho e Figueiredo. / Fotos/Agência RBS  Foto/ O Globo

Antes e depois de 1964: Sirotsky com o último presidente … … e Marinho com o último general. Maurício, Jango e Brizola… … Maurício e Roberto… … Marinho e Figueiredo. / Fotos/Agência RBS  Foto/ O Globo

O jornalista Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único país do mundo em que jornalistas chamam seus patrões de ‘companheiros’. No caso do Duda da Rede Globo, ainda havia uma certa reverência, já que o ‘nosso companheiro’ Roberto Marinho era tratado por todos com a mesura de ‘Doutor Roberto’. No caso do ‘Marinho da RBS’, foram rompidos todos os paradigmas de protocolo. Ao contrário do avô e do tio, que não passavam do tratamento coloquial de Maurício e Nelson, o novo presidente-executivo da RBS chegou ao extremo do apelido familiar. Assim, a ‘carta-bomba’ em tom apocalíptico e triunfal, que mistura demissões, vinho e cerveja, e prega “desapego para deixar de fazer coisas que não agregam” é assinada não pelo sóbrio ‘colega’ Eduardo Sirotsky Melzer, mas pelo íntimo Duda, com todo o seu jeito fofo de ser. Depois de dizer tudo aquilo, Duda encerra: “Vamos em frente!” O ‘Doutor Roberto’ — que andou de braços dados com o regime, desde o primeiro até o último general-presidente da ditadura, incluindo João Baptista Figueiredo — jamais permitiu que os ‘companheiros’ do império global chegassem a este exagero de fofura.

A desastrosa ‘carta-bomba’ de Duda, na primeira segunda-feira de agosto, foi antecedida algumas horas antes por outras derrapadas na vídeoconferência de quase uma hora. O presidente-executivo chegou a responder perguntas anônimas, com os resultados previsíveis. Uma delas indagava porque a comida nos restaurantes da casa era “ruim e fria”, arrancando gargalhadas em meio à tensão. O nervosismo de Duda era tal que chegou a reclamar de boatos, queixando-se dos rumores sobre a RBS na chamada ‘rádio corredor’, que ganha uma enorme audiência nos momentos mais nervosos da crise. “Boataria não monetiza nada”, chiou Duda diante dos caros colegas que o assistiam e que não entendiam como converter um rumor em moeda.

O rumor pelo terror

A questão central é que não se tratava de boatos, mas de fatos. Na sexta-feira 6, quatro dias após o destrambelhado anúncio de Duda, o jornal JÁ ouviu jornalistas da RBS e descobriu que o drama das demissões em massa, algo inaudito na casa, poderia ser ainda maior. As primeiras conclusões da equipe de Galeazzi Mãos de Tesoura recomendavam já uma tesourada de 250 empregos, mas o corte ficou adiado por conta das eleições de outubro, que demandam mão de obra. Assim, a aflição de 48 horas em agosto para identificar os 130 funcionários executados agora vai se estender até outubro ou novembro por conta dos futuros 120 demitidos, que ninguém ainda sabe quem são, replicando o clima de terror que paira sobre os 6,5 mil funcionários da RBS. O cruel ‘desapego para deixar de fazer coisas que não agregam’, como definiu Duda em sua ‘carta-bomba’, bateu no lombo de 40 jornalistas, que somavam mais de 30% desta primeira fornada de trabalhadores ‘desapegados’ à força de seus empregos. A revelação do JÁ forçou uma reunião inesperada de dois executivos da RBS com a redação de Zero Hora ainda na sexta-feira. Eduardo Smith, vice-presidente de Jornais, Rádios e Digital, e Marta Gleich, diretora de Jornais, negaram novas demissões em novembro. E justificaram o anúncio antecipado em 48 horas das demissões como uma decisão do próprio Duda em nome da ‘transparência’ para combater os boatos da ‘rádio corredor’.
Resumindo: para anular o rumor, o ‘caro colega’ Duda optou pelo terror.

Além das pessoas, a RBS mostra desapego também pela estrutura. Na tesourada geral decidiu-se pelo fechamento das sucursais de Zero Hora no interior do Estado, onde o jornal tinha presença nas principais cidades, como Caxias do Sul, Pelotas, Santa Maria, Novo Hamburgo, Santa Rosa. Em outras, como Santana do Livramento, Bagé, Rio Grande, Santo Ângelo, Passo Fundo, Uruguaiana e Santa Cruz, a cobertura cabia a repórteres free-lancer. Só no interior, a RBS mantinha 691 empregos, conforme um relatório da empresa de 2012. Toda essa presença, que fazia uma ligação direta de ZH com diferentes públicos em regiões variadas, virou pó. O maior jornal do Rio Grande pretende agora cobrir os dramas e demandas de 11 milhões de gaúchos espalhados por 496 municípios de 35 microregiões a partir de um único centro: a redação refrigerada da sede de ZH, na avenida Ipiranga, em Porto Alegre. Passa a ser um jornal estadual que se apequena e se exila no conforto da capital do Estado. É, como diz Duda no seu palavreado de executivo moderno, outro paradigma rompido, outra barreira quebrada para “colocar a RBS cada vez mais no grupo das empresas vencedoras, daquelas empresas que constroem oportunidades de mercado para se posicionar e conquistar a liderança”. Não é fofo?

A tesourada de agosto, mês de desgosto, centrou fogo no time de executivos, funcionários que, além dos altos salários, acumulavam bônus de rendimento ou gratificações que chegavam a 5 ou 10 salários extras no ano. Como a ideia é fazer caixa, desapegaram os jornalistas caixa-alta. Por esse critério, foram demitidos os comandantes de dois jornais importantes em Porto Alegre e Florianópolis — o editor-chefe Alexandre Bach (Diário Gaúcho) e o diretor de redação Ricardo Stefanelli (Diário Catarinense). Em Brasília, sua sucursal mais importante, pela qual Duda ainda mantém certo apego, foram tesourados os dois executivos mais caros: o vice-presidente Alexandre Kruel Jobim, filho do ex-ministro Nelson Jobim, e Klécio Santos, editor-chefe da RBS na capital federal. Para ocupar o lugar da dupla, Duda removeu para Brasília o jornalista Marcelo Rech, economizando para a empresa o seu alto posto de diretor de Jornalismo da RBS em Porto Alegre, que deverá ficar vago.

Tesoura e tesourinha

Os cortes só não foram maiores na base dos jornais, as redações, porque os salários já são comprimidos. Cerca de 3.400 funcionários, mais da metade do efetivo de 6,5 mil da RBS, ganham menos de três salários mínimos (hoje, R$ 2.172), conforme o balanço de 2012. É a faixa salarial de boa parte dos dois jornais da capital, ZH e Diário Gaúcho — este viu sua redação reduzida agora de 20 para 12 jornalistas. Apenas 375 funcionários ganham na faixa de 10 a 20 SM( entre R$ 7,2 mil e R$ 14,5 mil). A elite executiva da RBS, onde a tesoura de Galeazzi tem mais desapego, é formada por 128 funcionários que ganham mais de R$ 15 mil.

A aflição dos jornalistas nas redações da RBS aumenta quando cruzam, nos corredores, com uma jovem morena, de rosto redondo, cabelos pretos e sorriso doce, que nem todos conhecem pelo nome. É Telma Goulart, 42 anos, a tesourinha que Galeazzi levou de São Paulo para Porto Alegre como consultora encarregada de identificar e retalhar nos jornais da RBS os empregos pelos quais Duda têm menos apego. Graduada em Matemática pela USP e MBA em Gestão Estratégica, Telma foi uma eficaz gerente de análise de mercado do Grupo Folha/UOL por quase 19 anos. O fio agudo onde pisa Telma pode ser sentido pelo pensamento cortante de Galeazzi: “O erro é a contratação mal feita, que incha a empresa”.

O consultor é frio como a lâmina que usa para cortar custos, despesas e empregos na obsessão para salvar empresas pelo saneamento de suas contas: “Cortar é apenas uma parte da gestão. Não dá para cortar custos infinitamente. Mas, devem ser cortados sempre, como as unhas e os cabelos”. No conjunto, o currículo cabelereiro-empresarial de Galeazzi rima com sucesso, apesar da inevitável e descabelada sangria que provoca nos salões que contratatam seu gume e talento, ambos temidos e festejados.

Sorrisos de Galeazzi e Telma: tesoura e tesourinha / Foto/IstoÉDinheiro Foto/Linkedin

Sorrisos de Galeazzi e Telma: tesoura e tesourinha / Foto/IstoÉDinheiro Foto/Linkedin

Em 2012, Pedro Grendene contratou Galeazzi para acertar o passo e calçar melhor o grupo Vulcabrás/Azaleia, que faturou no ano R$ 1,1 bilhão, mas devia outro R$ 1 bilhão. O consultor chegou afiado em julho e, até dezembro, 12 fábricas tinham sido fechadas na Bahia, produzindo 13 mil demissões. A tesourada incluía os 800 trabalhadores da fábrica de Parobé, a cidade gaúcha onde nasceu a Azaleia. Galeazzi nunca se assume com um serial killer de empregos, mas como um executivo devotado ao mantra sagrado da reestruturação. Ele ensina: “O reestruturador precisa ser tático e ter um horizonte de até dois anos para empreender as mudanças necessárias”. É o tempo que Galeazzi terá, até 2015, para ‘reestruturar’ a RBS.

Em meados dos anos 2000, o grupo de supermercados Pão de Açúcar, maior rede varejista do país, estava perdendo a corrida para o concorrente que viera dos Estados Unidos, a rede Walmart. Abílio Diniz, dono do grupo, achou que essa era uma missão para Galeazzi Mãos de Tesoura. O consultor ganhou o crachá de presidente, em dezembro de 2007, e virou a empresa de 150 mil funcionários pelo avesso. Mudou a disposição dos produtos nas gôndolas das 1.800 lojas no País, trocou o mix de itens vendidos e suspendeu a agressiva política de descontos da empresa. Em poucos meses, demitiu 20 diretores e 300 empregados. Entre janeiro e setembro de 2009, o amargo prejuízo do Pão de Açúcar se converteu num doce lucro de 162% em relação ao período do ano anterior. A tesoura é de Galeazzi, mas quem dá a tesourada é sempre o pessoal doméstico, lembrou ele em 2012 à repórter Vivian Soares, do Valor Econômico. “Os executivos da casa conhecem a empresa, sabem o que fazer e são parte ativa na reestruturação. Muitas vezes só faltava o pontapé inicial”, disse, lembrando do aviso que deu aos executivos do Pão de Açúcar quando assumiu a presidência: “Quem vai trabalhar aqui são vocês, e vão trabalhar como nunca. E o pior é que quem vai levar o crédito sou eu”.

Caindo na tabela

No caso da RBS, isso quer dizer que Galeazzi como de hábito traz a tesoura e leva o ‘crédito’, mas a tesourada, insinua ele, será sempre de Duda e dos executivos sobreviventes da RBS. Apesar de Duda tentar exalar perfume em sua ‘carta-bomba’, negando a crise, os números contam outra realidade. Em 2008, o caixa da RBS ganhou um sopro com a venda de 12,64% do capital à Gávea, o banco de investimento de Armínio Fraga, presidente do Banco Central no Governo FHC e anunciado como futuro ministro da Fazenda de um (muito) hipotético Governo Aécio Neves. A ponte entre o banqueiro e a família Sirotsky foi construída pelo então vice-presidente executivo da RBS, Pedro Parente, ministro do Planejamento e colega de Armínio no Governo FHC.

Na versão oficial da RBS, os recursos da capitalização seriam utilizados não em jornais, mas em aquisições na área de internet e em conteúdos para telefonia móvel, expandindo as ações da RBS além das fronteiras do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em 2007, a RBS renegociou o contrato com a Globo, liberando suas ações em novas mídias do Paraná para cima, desde que não fosse competir com o império global em mídias tradicionais — como jornais, rádios, TV e revistas.

Em 2010, por tabela, a RBS caiu na rede de um banco americano. O JP Morgan, que gere ativos de US$ 12 bilhões, comprou por US$ 800 milhões uma fatia de 55% do capital e o controle da Gávea, que administra outros US$ 7 bilhões, incluindo no pacote o passe de Armínio Fraga por cinco anos. É a conta exata para se liberar em 2015 e assumir a pasta da Fazenda na hipótese cada vez mais remota da vitória de Aécio na corrida presidencial. No bolo está o pedaço de capital da RBS comprado pela Gávea e sócia, agora, da Highbridge, segunda maior gestora de fundos do mundo. O Morgan é ainda o principal acionista da WPP, maior agência de publicidade do mundo, um gigante de 162 mil funcionários espalhados por 3 mil escritórios em 110 países do mundo. É bom a RBS abrir o olho!

A empresa, por sua alta visibilidade, está impregnada na memória dos gaúchos. Na tradicional pesquisa ‘Top of Mind’, realizada todo ano pela revista Amanhã, a RBS reafirma em 2014 sua presença como a terceira marca mais lembrada do Rio Grande, logo atrás do gigante siderúrgico Gerdau e da indústria de facas Tramontina. No diagnóstico financeiro, contudo, a RBS está mais debilitada. No levantamento das 500 maiores empresas da região sul, abrangendo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande, divulgado na edição de agosto/setembro da revista, o grupo de Duda resvalou da posição 68 para 74, no comparativo de balanços entre 2012 e 2013. O campeão entre os 500 maiores continua sendo o Grupo Gerdau.

O segundo maior da lista é um gigante pouco citado de Concórdia, a cidade catarinense onde funciona a sede da BRF Brasil Foods, filhote gerado em 2012 pela fusão da Sadia com a Perdigão, marcas tradicionais de salsicha, frango, carne de porco e embutidos. Com 50 fábricas no Brasil, nove na Argentina e duas na Europa (Inglaterra e Holanda) e um exército de 110 mil funcionários, a pujante BRF morde quase 10% das exportações mundiais de aves e proteína animal. Em 2012 a BRF começou a construir uma fábrica no reino encantado de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, e fechou uma joint venture com a Dah Chong Hong Limited (DCH), que vende no varejo e no trepidante negócio de food services da China. E o que tem a ver toda essa salsicha com a RBS?

Simples. Ele mesmo, Galeazzi Mãos de Tesoura. Preocupada em ampliar os limites de seu vôo de galinha, a BRF entregou a presidência do grupo a Cláudio Galeazzi em agosto de 2013, um mês após o consultor fechar sua parceria com a RBS. Ele chegou exibindo o velho estilo, anunciando implacáveis tesouradas em granjas, florestas e prédios não administrativos, cortes anunciados como meros ‘desinvestimentos’ na amena novilíngua dos modernos ‘reestruturadores’ como Mãos de Tesoura. “Desinvestimento vai ser considerado, sim”, anunciou Galeazzi na posse como presidente, sem negar o vôo transatlântico de longo curso que imagina para seus frangos congelados: “A BRF será a Ambev dos alimentos”, diz, sonhando com a cervejaria que se tornou a maior empresa da América Latina, com valor de mercado de US$ 120 bilhões — maior do que o da Petrobrás —, e que tem como principal acionista Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil, com uma fortuna estimada em R$ 49, 8 bilhões, segundo a revista Forbes.

Em agosto passado, a BRF anunciou a compra por US$ 160 milhoes de 75% da Alyasra Food Company, que distribui seus alimentos congelados no Kuwait. Galeazzi, fiel ao seu ‘horizonte tático’ de dois anos para chegar, tesourar e concluir o serviço, assumiu a BRF em agosto de 2013 e já anunciou que sai da presidência em dezembro próximo. Terá mais tempo, então, para voltar os olhos e afiar o gume na RBS, para desconsolo de muitos. No ranking das 100 maiores empresas do Rio Grande do Sul, segundo a revista Amanhã, a involução da RBS também chama a atenção. De 2012 a 2013, o império dos Sirotsky caiu da posição 24 para 27, numa lista liderada pela Gerdau, como sempre, e pelo Banrisul. A receita bruta do líder de aço (R$ 45,7 bilhões) é quase 45 vezes maior do que o do grupo de mídia (R$ 1,3 bi).

Na sua avaliação sobre o balanço da RBS, a Amanhã registra que, em 2013, “a empresa teve um aumento de apenas 1,3% na receita bruta. Já o lucro foi de R$ 75 milhões, o que equivale a 5,9% da receita líquida — um índice modesto”. A analista Luísa Vilhena, da agência de risco Standard & Poor’s, explicou para a revista a raiz das dificuldades da RBS. “O grupo tem um perfil de liderança na região. Por outro lado, acaba exposto a uma volatilidade maior do que se estivesse no país inteiro”. O engessamento imposto pelo draconiano contrato com o Grupo Globo limita a expansão nacional da RBS, confinada à fronteira de Santa Catarina com o Paraná. Isso explica os novos negócios que começam a mudar o perfil de uma empresa que há meio século nasceu pelo jornalismo e hoje tateia por nichos inovadores e rentáveis de mercado, que têm de tudo — menos jornalismo.

Turbilhão digital

A crise mundial dos jornais explica e justifica esta ousada ‘quebra de paradigmas’ da RBS, que ainda parece um tanto envergonhada pela opção atual de um grupo que começou oferecendo notícias em TV, rádio e jornais e hoje vende vinho e cerveja. Na década de 1990, quando circulava aos domingos com 1 milhão de exemplares, a Folha de S.Paulo se gabava de ser “o 3º maior jornal do Ocidente”. Hoje, o jornal da família Frias é o segundo do país, reduzido a um terço das glórias do passado, com tiragem média de 294 mil exemplares. Vem atrás do campeão, o SuperNotícia, um jornal de 25 centavos consumido pelas classes C e D de Belo Horizonte, atraídas pelas ofertas de panelas e faqueiros e pelas manchetes de futebol e atrocidades policiais, além das fotos com belas mulheres seminuas na primeira página. O campeão dos jornais brasileiros, apesar de todo esse chamariz, vende só 302 mil exemplares, segundo o IVC.

Neste ranking desconcertante, a Zero Hora é hoje apenas o sexto maior jornal do país, com tiragem de 183 mil exemplares diários, em média. O oitavo é o jornal popular do grupo, o Diário Gaúcho, com 159 mil, seguido por outro gaúcho, o concorrente Correio do Povo, com 140 mil. Em um país de 200 milhões de habitantes, a média diária de jornais pagos chegou a 8,4 milhões de exemplares/dia — uma queda de 3,7% em relação ao ano anterior, a maior desde o início da década, quando as vendas despencaram 9,1% em 2002. Pouco a pouco, o IVC constata uma inversão preocupante no perfil de venda dos jornais diários. Em 2002, 58,7% da circulação vinha das assinaturas, como reflexo do nível de confiança e fidelidade do leitor, e 41,3% ficavam por conta da venda avulsa e sempre volúvel nas bancas. No ano passado, as bancas responderam por 48,7% das vendas, enquanto as assinaturas despencaram para 51,3%, traindo o desinteresse maior do público pela mídia de papel.

O negócio dos jornais impressos, como já perceberam os Sirotsky, está sendo avassalado pela mídia digital, exatamente o meio onde a RBS aposta cada vez mais, raramente por elevadas razões jornalísticas. Em janeiro de 2005, pela medição do Ibope Nielsen, a leitura on line de jornais registrava 4 milhões de visitas únicas por mês. Em janeiro de 2013, a audiência era quase seis vezes maior, 24 milhões de visitas mensais de gente que provavelmente trocou o papel pela tela brilhante e limpa de seus dispositivos eletrônicos. A indústria jornalística precisa conviver com a migração crescente dos jornais tradicionais para a mídia eletrônica. A primeira década do Século 21, conforme um alerta da Associação Nacional de Jornais (ANJ), citando um levantamento do Ibope Mídia, indica que o leitor estava, para aflição de Duda Sirotsky, num crescente processo de desapego aos jornais.

Em 2002, o brasileiro dedicava 41 minutos de seu dia à leitura de jornais. Dez anos depois esse número havia caído para 35 minutos, 85% do tempo original. Em compensação, quem gastava 139 minutos (duas horas e 19 minutos) diários com a navegação na internet, em 2002, elevou esse tempo em mais de 23% em 2012, passando 170 minutos (quase três horas) diante de um teclado e uma tela.

A joia da coroa

A RBS sentiu esta mudança na carne, e procura mudar com ela. Basta comparar a área de atuação do grupo, hoje, para perceber a transformação. O núcleo de jornais, capitaneado por Zero Hora, tem oito unidades, metade deles em Santa Catarina. O núcleo de TV, com 18 emissoras, atinge 789 municípios gaúchos e catarinenses e um público consumidor de 16,7 milhões de telespectadores. Mas, pelo tacão implacável da Globo, só pode dispor de 15% da grade local de programação, mesmo sendo a maior rede regional do império Marinho. O grupo de rádio, que inclui a Gaúcha, embrião da RBS desde 1957, tem oito emissoras.

No conjunto de mídia tradicional, que abrange jornais, rádio e TV, são 34 unidades na RBS. Mas, a joia da coroa, que concentra hoje as esperanças maiores de Duda e da família Sirotsky, é o grupo de inovação alojado no e.Bricks Digital, com 10 unidades, e no setor vagamente definido como ‘Outros Negócios”, com nove empreendimentos. De jornalismo, esta joia não tem nada. São 19 apostas no faturamento, nas vendas, nos resultados e no comércio escancarado por oportunidades inventadas pelo universo cibernético e aceleradas pela tecnologia. São simplesmente apostas para ganhar dinheiro, não credibilidade. Vendem coisas, não ideias. Entregam mercadorias, não reflexão. Estabelecem as volúveis relações de uma empresa com seus consumidores, não os laços de fidelidade de uma empresa jornalística com seus leitores. Esta é a velha RBS da comunicação, aquela é a novíssima RBS, uma outra RBS, ainda indefinida. Esta partição empresarial é que define com mais clareza a quebra de paradigmas que Duda anunciou aos ‘caros colegas’ no início de agosto, na primeira tesourada.

Na saudável busca pela excelência e alto desempenho, a RBS investe pesado na formação de seus quadros, daqueles que eventualmente sobrevivam ao Galeazzi Mãos de Tesoura. Mais da metade de seus funcionários passou pela universidade: 33% são formados, outros 21% tem o curso superior incompleto. Boa parte deles está na e.Bricks, pilotada por um jovem impetuoso de 41 anos, Fábio Bruggioni, ex-vice-presidente da Telefônica na área de internet e banda larga. No barco digital da RBS, Bruggioni vai inflar as velas para aproveitar os bons ventos de um mar de faturamento estimado em R$ 66 bilhões até 2015.  “Trata-se de um mercado recente e com altíssimo potencial de crescimento”, diz Bruggioni.

Fábio Bruggioni e a joia da coroa da RBS: vinho, cerveja, oba-oba e nada de jornalismo

Fábio Bruggioni e a joia da coroa da RBS: vinho, cerveja, oba-oba e nada de jornalismo

O amigo dicionário

A e.Bricks de Bruggioni, empresa da área digital com sede em São Paulo, é que define e resume o novo espírito de uma RBS transformada pelo futuro dos ‘novos negócios’. Só na compra de participação em oito empresas de internet, a e.Bricks já investiu R$ 300 milhões. No mundo febril dos novos nichos inventados por executivos cada vez mais criativos, é útil ter um dicionário ao lado, para quem não é íntimo do inglês. A definição bilíngue da e.Bricks, segundo o Relatório de Sustentabilidade 2012 da RBS, é esta: “Realiza investimentos em empresas growth stage e possui um fundo dedicado a startups iniciantes, early stage”. Não entendeu? É melhor recorrer ao dicionário…
A empresa aposta suas bitcoins (a criptomoeda que só existe no mundo virtual) em companhias brasileiras, inovadoras, com foco em três setores: e-commerce segmentado, mobile (que alguns brasileiros conhecem como celular…) e mídia digital e tecnologia. O portfolio da e.Bricks é feérico. A Pontomobi faz marketing para audiências on line através de dispositivos móveis. Entre eles, a Lembreto, a PlayMe (aplicativos de rádio em formato streaming e compatível com smartphones e tablets) e o TabStudio (para publicações digitais em aplicativos para iPad ou Android). A Hands é a rede de publicidade da Pontomobi e, segundo eles, ‘a maior Premium Mobile Ad Network da América Latina’. A Vitrinepix, ao que parece, imprime imagens, fotos e desenhos em camisetas e canecas. A Let’s é, dizem, “a primeira fast fashion on line do Brasil”, um site de moda que faz desfiles na sua tela. E promete: “Se você já é comprador on line vai adorar comprar com a gente. Se não é, vai virar fã de carteirinha.” A nova RBS caça compradores e fãs de carteirinha…

A Wine, como Duda anunciou à multidão aflita da RBS no dia da tesoura, é a maior webstore de vinhos on line do mundo, com um inebriante crescimento anual de 70%. Oferece mais de 2 mil rótulos de vinhos premium e integra o ClubeW, com mais de 13 mil sócios. Os ‘caros colegas’ da RBS têm, agora, o privilégio de afogar as mágoas se associando também ao Have a Nice Beer, o maior clube on line de cervejas da América Latina, que todo mês seleciona dois dos rótulos mais relevantes do mundo, entregando de quatro a oito garrafas na casa dos associados, em até 72 horas, em 300 cidades do Brasil. Não é o máximo?

A Hi-Mídia é “a maior rede de sites verticais” do país, dedicada ao ‘e-mail marketing’ para agências e anunciantes. A Hagah mira os 82 milhões de internautas que fazem, em média, 50 buscas por mês na rede, conectando 3,5 milhões de pessoas, listando 1 milhão de estabelecimentos no sul do país. O Oba-Oba mapeia casas noturnas, motéis e boates, localiza festas de baladas e dá dicas sobre locais de ‘pegação’. O Predicta atua na área de análise de publicidade e foi apontada pela Fast Company, em 2012, como “uma das 10 empresas mais inovadoras do Brasil”. O terceiro colocado da lista foi o Grupo EBX, do trepidante empresário Eike Batista, que no ano seguinte daria o maior calote de uma empresa na América Latina, deixando de honrar uma dívida de US$ 3,6 bilhões da petroleira OGX, que encolheu sua fortuna pessoal em US$ 30 bilhões num prazo galopante de 18 meses.

No vasto mundo dos “Outros Negócios” da nova RBS, cabe de tudo. As nove unidades abrangem eventos, educação, empregos, compra e venda de carros e imóveis, entrega de encomendas e serviços gráficos, atividades rentáveis que prescindem de qualquer jornalista. É um sortido, vasto balaio de tudo aquilo que, ao contrário do jornalismo, gera receita, faturamento e lucros, nos termos definidos pela ‘carta-bomba’ de Duda: “Estamos investindo e redesenhando a nossa operação, buscando velocidade e desprendimento que são vitais para a preservação do nosso projeto empresarial”.

Paradigmas, sem jornalistas

Com o ‘desapego para deixar de fazer coisas que não agregam’, como diz Duda, os ‘outros negócios’ da RBS vão fazer coisas que agregam rendas insuspeitadas para uma empresa antes identificada só pela comunicação e pelo jornalismo. A nova RBS, nesse campo inovador, só tem apego por coisas que agregam. A HSM Brasil, por exemplo, vai realizar cursos de educação executiva de alto padrão. A Engage, especializada em eventos, promoveu cerca de 200 espetáculos e encontros de negócios, entretenimento e esportes em solo gaúcho e catarinense. O mais triunfal deles foi o show do beatle Paulo McCartney para 50 mil pessoas no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, em novembro de 2010. Apesar do sucesso, a crise abafou o clima de festa na Engage: os 40 funcionários caíram pela metade, os eventos sumiram e o desânimo geral alimenta os boatos de que a empresa apagou os holofotes e fechou as portas.

A Vialog surgiu há 15 anos, pelo natural desafio de entregar a Zero Hora em casa aos seus assinantes. Alguém mais esperto na RBS descobriu que, junto com os jornais, os caminhões da empresa podiam levar outras mercadorias, reforçando o caixa. A Vialog virou uma outra coisa que agrega, hoje cobrindo todos os municípios dos três Estados do sul do País, com 42 centros de distribuição para a entrega simultânea de de 600 mil mercadorias por dia. O jornal que um dia gerou a Vialog virou um detalhe na rotina burocrática da nova Videolog que, entre tantas outras coisas que agregam mais, também carrega a Zero Hora.

A RBS, que antes imprimia só os seus jornais, agora roda outros mais de muitos outros, agregando coisas pela UMA, a gráfica que em 2007 introduziu a empresa no rico filão da indústria da impressão, suprindo seus clientes em seis parques gráficos espalhados por Porto Alegre, Caxias do Sul, Cruz Alta, Florianópolis, Joinville e Blumenaus, de onde saem folders, folhetos, revistas e tablóides.

O rico filão de ‘outros negócios’ da RBS: um balaio de serviços que dispensam jornalistas

O rico filão de ‘outros negócios’ da RBS: um balaio de serviços que dispensam jornalistas

No agitado universo da economia, excitado pelo uso intensivo de tecnologia cada vez mais desafiadora, é natural que empresas inovadoras busquem outros mercados, novas oportunidades para diversificar e crescer. É o que acontece com a RBS. O que preocupa, contudo, é a essência dessa transformação no maior grupo de comunicação do sul do país. Não são apenas os números fartos da RBS que mostram que a divisão centrada no jornalismo gera despesas e pouca receita e o núcleo dos novos nichos de negócios não-jornalísticos produzem lucros com baixos custos. A quebra de paradigmas proposta por Duda para a nova RBS está expressa no perfil dos jovens executivos, como ele, responsáveis pelo futuro do grupo – e quase nenhum deles mostra, no currículo, um envolvimento direto com o jornalismo.

De praxe, são homens e mulheres de alta qualificação, com formação em centros de excelência universitária no exterior e passagens de sucesso em algumas das grifes mais importantes do exigente mundo digital, onde a RBS não tem fronteiras nem limites. “Na área digital não temos limitações geográficas para investir”, lembrou em dezembro passado o tio de Duda, Nelson Sirotsky, hoje presidente do Conselho de Administração do grupo, falando na reunião-almoço ‘Tá na Mesa’, promovida pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (FEDERASUL). Como retransmissora da Globo nos dois Estados do extremo sul, a ambição jornalística da RBS acaba na fronteira com o Paraná. “Não podemos entrar e competir com outras afiliadas da Globo em outros estados”, explica Sirotsky. Esta frustração ele não tem, porém, no campo digital. A RBS morde o calcanhar até de gigantes do setor para mostrar sua volúpia de expansão.
Em janeiro de 2013, a RBS repatriou um gaúcho que morava na Suíça, Nelson Mattos, que lá exercia o cargo de vice-presidente de Produtos e Engenharia para Europa e Mercados Emergentes da Google. É apenas o endereço digital mais visitado do mundo, operando um milhão de servidores conectados pelo mundo, processando por dia 1 bilhão de pesquisas e gerando 20 petabytes de dados diários – ou 20 quatrilhões de bytes, unidade de informação que corresponde a um número binário de oito algarismos. Mattos agora integra o Conselho de Administração da RBS, com 11 membros eleitos, seis deles acionistas, cinco independentes — nenhum deles jornalista –, sob a presidência de Nelson Sirotsky. Além de Mattos, os dois novos conselheiros indepedentes são Israel Vainboim, ex-chairman do Unibanco, e Régis Drubule, presidente da Tok-Stok.

Lecca-lecca e chupa-chups

Na Diretoria Executiva da RBS, presidida por Duda, existem oito cadeiras e só duas cabem a diretores egressos do jornalismo: Anik Suzuki, da Comunicação Corporativa, e Marcelo Rech, executivo de Jornalismo. Dos outros seis diretores que gerem a RBS, popularmente conhecida pela Zero Hora e pela RBS TV, ninguém tem origem ou passagens por redações, o que é uma grave disfunção. O diretor-geral de Televisão, Antonio Tigre, é analista de sistemas e especialista em finanças. O vice-presidente de Finanças, Cláudio Toigo, é formado em administração de empresas pela UFRGS, com pós-graduação da PUC gaúcha em finanças.

O vice-presidente de Pessoas e Tecnologia, Deli Matsuo, é formado em engenharia elétrica e tecnologia de informação e tem MBA em administração de empresas. É outro que a RBS foi buscar no Google, onde atuou como diretor de recursos humanos para a América Latina. O vice-presidente de Jornais, Rádios e Digital, Eduardo Smith, é formado em ciências da computação pela UFRGS e pós- graduado em administração de empresas e finanças pela PUC gaúcha. O executivo-chefe da e.Bricks, Fábio Bruggioni, é administrador de empresas com especialização em marketing. A diretora-executiva de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios, Luciana Antonini Ribeiro, é advogada formada pela UFRGS, com mestrado em direito comercial pela USP.

As duas únicas exceções nesta diretoria superpovoada por executivos estranhos ao jornalismo ficam por conta da diretora de Marketing e Comunicação, Anik Suzuki, e ao diretor de Jornalismo da RBS, Marcelo Rech. Ela, como seria natural num grupo jornalístico, foi repórter e editora de jornais e revistas, formada em jornalismo pela PUC. Ele, formado em jornalismo pela UFRGS, foi repórter de Zero Hora com experiência internacional e, a partir de 1997, atuou como diretor de redação do jornal por 11 anos.
Ambos, Anik e Marcelo, têm mais intimidade e contato direto com o jornalismo do que o chefe de todos eles, o presidente da diretoria-executiva, Eduardo Sirotsky Melzer, o popular Duda. Ele cursava administração de empresas na PUC, em Porto Alegre, quando viu, aos 20 anos, a ousada quebra de barreira aos importados executado pelo Governo Collor. Duda aproveitou a onda e trouxe para a capital gaúcha a primeira loja no Brasil da Sweet Sweet Way, uma franquia que importava balas, bombons, trufas, doces e caramelos. Ou os coloridos lecca-lecca e chupa-chups, como se diz pirulito na elegante loja de Milão, Itália. A experiência com pirulitos teve um forte impacto sobre ele, como confessou ao site Coletiva.net, em novembro de 2006: “Era um negócio diferente. O sujeito entrava na loja, escolhia as balas e pesava. Comecei não só a ter as minhas lojas, mas a franquear para o Brasil também. Foi uma responsabilidade bárbara, tinha quatro lojas próprias, 50 funcionários e um monte de franqueados. Assumi uma responsabilidade muito à frente do meu tempo”, disse, sem modéstia.

Duda Sirotsky e a ‘missão muito à frente de seu tempo’: vender os pirulitos lecca-lecca e chupa-chups / Foto/ Andréa Graiz -RBS

Duda Sirotsky e a ‘missão muito à frente de seu tempo’: vender os pirulitos lecca-lecca e chupa-chups / Foto/ Andréa Graiz -RBS

À revista da PUC, Duda lembrou dessa doce influência sobre seu futuro como principal executivo da RBS: “Foi bárbaro. Eu era impactado por todos os aspectos de uma empresa: relação com o cliente, funcionários, produto, fornecedor e governo. Numa escala pequena, mas muito completa. A mistura dessa experiencia com a formação academica foi relevante”.

Na entrevista concedida em novembro de 2012, cinco meses após receber o bastão de mando do tio Nelson, em nenhum momento Duda lembrou de relacionar, entre os seus particulares aspectos de impacto, as palavras-chave que seriam naturais no principal executivo da segunda maior rede de comunicação do país: leitor, informação, jornalismo, conteúdo, história, credibilidade… É desconcertante ler que o Duda da RBS, ainda hoje, sucumbe às delícias mercantis vividas pelo Duda da Sweet Sweet Way, entoando sua ideia fixa de ‘cliente, produto, fornecedor’, mais comuns no dialeto de mascates e vendedores do que na linguagem dos empresários da comunicação seriamente comprometidos com o valor social e ético da informação.

Marco do pensamento

Nem o pai, Carlos Melzer, do alto de sua experiência de três décadas na RBS, deslumbrou-se com o sucesso da franquia. Quando Duda completou o curso na PUC, chamou o filho e lhe tirou o pirulito: “Parabéns, mas não perca a perspectiva das coisas. Não sei se tu te enxergas como empresário de balas para o resto da vida. Tu deves ter outras ambições…”, alertou Melzer. A frase amarga do pai fez Duda largar os doces. Vendeu o negócio da franquia e mudou-se em 1998 para Boston, nos Estados Unidos, para o inevitável curso de MBA em Harvard. Lá, diz ele, conviveu com alguns dos mais importantes gurus de gestão e colegas de vários países e de todo tipo de empresa, onde aprendeu a formular esta frase lapidar, que corre o sério risco de se transformar num marco histórico do pensamento da comunicação mundial. “A variedade de abordagens me deu uma visao aprofundada sobre as mudanças que estão sempre em curso”, filosofou na revista da PUC.

Concluído o MBA de Boston em 2002, aos 30 anos, Duda decidiu permanecer nos Estados Unidos. Após o impacto do pirulito, chegara a hora de sentir as emoções da Big Apple. Mudou-se para Nova York e adorou, disse ao Coletiva.net: “Foi complementar, em todos os aspectos, ao meu MBA. Nova York é um centro nervoso do mundo. Por mais coisas que eu estivesse fazendo, sempre sentia que estava deixando de fazer outras. Foi uma aula de gestão de prioridades”, brincou Duda. Lá, ele treinou na área financeira de um banco de investimentos, o Delphi Corporation, e teve sua primeira, remota experiência de comunicação como diretor-geral da Box Top Media, que ele define vagamente na revista da PUC como “uma empresa de mídia não tradicional” em Nova York. Na verdade, a Box Top Media, fundada em 2001, opera uma rede de publicidade que anuncia e promove produtos lácteos de vários fabricantes e varejistas nos Estados Unidos. Orienta o marketing de leite em recipientes para venda em casas e lojas. Ou seja, a Box Top de Duda lembra mais o negócio do pirulito do que a área de mídia hoje comandada pelo Duda da RBS…

Tradicional ou não, esse notável desempenho de Duda no exterior chamou a atenção do tio, Nelson Sirotsky, e do vice-presidente Pedro Parente, que decidiram dispor de seu talento e espírito empreendedor no Brasil. Duda voltou em 2004 para São Paulo, como diretor-geral da RBS para o Mercado Nacional. Quatro anos depois era o vice-presidente de Mercado e Desenvolvimento de Negócios, chegando em 2010 ao posto de vice-presidente executivo. Essa trajetória de sucesso tornou inevitável sua ascensão em 2012, aos 40 anos, ao posto de presidente-executivo, sucedendo o tio e marcando a chegada da terceira geração ao poder na RBS. Era uma linda e risonha história de sucesso, até o dia em que ela foi atravessada pela cortante aparição de Galeazzi Mãos de Tesoura. Foi o duro rito de passagem vivido por Duda, obrigado a quebrar paradigmas e a reconhecer aos ‘caros colegas’ que a vida, de fato, não é pirulito.

Perpétua, de pai para filho

Ninguém supera a RBS no orgulho de ser declaradamente “uma empresa de controle familiar”, ao ponto de deixar isso expresso na definição que faz de Governança Corporativa em seus balanços públicos: “A governança da RBS é estruturada a partir da interação harmônica entre os três círculos: propriedade, empresa e família”. Duda sustenta a tradição: “Quero levar a RBS para uma próxima geração e perpetuá-la. Não estou pensando no faturamento de 2013, mas no de 2024, 2040, daí para frente”, garantiu à revista Forbes.

As quatro gerações do clã Sirotsky... ...e Duda [no círculo e na presidência]: a RBS perpetuada / Fotos/ RBS

As quatro gerações do clã Sirotsky… …e Duda [no círculo e na presidência]: a RBS perpetuada / Fotos/ RBS

Perpetuação é uma palavra que permeia discursos, palestras e documentos do clã Sirotsky, que exibem orgulhosamente nas páginas oficiais as fotos das quatro gerações da família. Duda está lá. O conselho de família, composto por sete jovens do clã, não é um elemento decorativo na empresa. Ele se reúne uma vez por mês, sob a orientação do presidente-executivo Duda, e tem nobres propósitos: “Conservar o legado da família Sirotsky, manter a unidade e assegurar o apoio das novas gerações da família proprietária na busca da perpetuação do Grupo RBS”, como explica o Relatório de Sustentatibilidade 2012, na página 16. Uma das reuniões do conselho de família, recorda Duda, foi realizada em Punta del Este, Uruguai, congregando em 2005 as quatro gerações para debater questões de grupo e realizar dinâmicas de integração. “Eu vi o meu filho de um ano correndo de mãos dadas com o meu tio Jaime. Isso foi emblemático, um momento mágico”, contou emocionado ao Coletiva.net.

O currículo alheio ao jornalismo da esmagadora maioria dos atuais dirigentes do grupo projeta uma dúvida preocupante sobre as prioridades e a essência da RBS como uma instituição dedicada preferencialmente à comunicação. No perfil da diretoria executiva, onde existem só dois jornalistas numa bancada de oito, fica latente o viés de técnicos de alta formação intelectual mais preocupados com crescimento e vendas do que de profissionais dedicados à informação e ao jornalismo. Esta preocupação pode se reforçar com a escalação dos jovens Sirotsky do conselho de família. Dois dos sete são da 2ª geração, a mesma de Nelson, e os outros cinco são da 3ª, como Duda. O notável, no grupo de onde sairão os comandantes da futura RBS, é a perpetuação de um pensamento empresarial alheio ao jornalismo. Da geração de Nelson, Marcelo é empresário e Elaine, médica. Da geração de Duda, Marina e Juana são psicólogas, Roberto é administrador e Pedro é universitário. A única e honrosa exceção identificada como jornalista é Tanise, a solitária repórter da 3ª geração.
Duas gerações para perpetuar a RBS: sete Sirotsky, um só jornalista

A cor da pele

Uma leitura atenta do Relatório de Sustentatibilidade 2012 do grupo mostra um detalhe intrigante da RBS: uma inusitada preocupação com raça, que evoca lembranças constrangedoras para os gaúchos — e sempre dolorosas para os Sirotsky e os judeus do mundo inteiro. No jogo do dia 28 de agosto do Grêmio contra o Santos, em Porto Alegre, torcedores gremistas fizeram com gestos e gritos ofensas racistas ao goleiro santista Aranha, chamado de ‘macaco’, entre outras agressões. O clube gaúcho foi excluído da Copa do Brasil e os torcedores identificados foram banidos dos estádios por 720 dias. O jornal Zero Hora reagiu na edição de 3 de setembro com um editorial veemente — ‘O Rio Grande não é racista’ —, sustentando ser ‘simplista, desproporcional e injusto’ responsabilizar o Estado inteiro ou o Grêmio pelas injúrias de alguns torcedores.
O principal jornal da RBS escreveu: O Grêmio tem uma imensa torcida e a maioria dos seus torcedores, assim como a maioria dos gaúchos, abomina o racismo, defende a diversidade e a convivência harmoniosa entre todos os seres humanos. Não poderia ser diferente num Estado multirracial, que se orgulha de abrigar imigrantes de variadas origens étnicas.[…]

Também a história contemporânea do Estado evidencia o equívoco da rotulação. O Rio Grande do Sul já teve como governador o negro Alceu Collares, eleito democraticamente com o voto da maioria absoluta dos gaúchos. Também é deste Estado a primeira Miss Brasil negra, a porto-alegrense Deise Nunes, eleita em 1986. O próprio Grêmio tem uma forte identificação com a população afrodescendente: a estrela solitária de sua bandeira homenageia o negro Everaldo, campeão do mundo em 1970; o hino do clube foi composto pelo negro Lupicínio Rodrigues e o clube mantém, desde o ano passado, uma campanha de conscientização denominada ‘Azul, Preto e Branco: o Grêmio é contra o racismo’.

O racismo é inadmissível. Todas as práticas racistas, expressas ou veladas, devem ser combatidas, condenadas e punidas na dimensão exata dos danos que causam às vítimas e à sociedade.

Apesar desse texto inspirador, uma nota de racismo nada velado da própria RBS foi revelado pelo blogueiro José Luiz Prévidi quatro dias após os vexames racistas na Arena do Grêmio. Um colunista de economia do jornal da RBS em Joinville, Santa Catarina, noticiou com santa naturalidade em outubro de 2013 que o perfil ideal dos trabalhadores procurados para ocupar 7 mil vagas nas empresas da cidade era “homem, branco, de 25 a 35 anos de idade”. Não ocorreu ao jornalista Cláudio Loetz, que assina a coluna ‘Livre Mercado’, e nem ao jornal A Notícia, comprado pela RBS em 2006, combater e condenar a restrição racista tão bem chicoteada no editorial de Zero Hora.
O colunista do jornal da RBS em Joinville e o ‘perfil ideal’ para trabalhar na cidade: “homem, branco”.

Poderia ser uma derrapada pontual de um jornalista distraído num dia infeliz. Mas, o caso é mais grave. Para uma empresa inovadora e moderna como a RBS, é espantoso descobrir que o tema da raça transborda as colunas de seus jornais periféricos e se torna, de fato, um detalhe cruel de uma instituição que se gaba de ter construído em 2012, quando Duda chegou ao poder, um novo ‘Modelo de Gestão de Pessoas do Grupo RBS’.

No Relatório de Sustentatibilidade 2012, o mais recente editado pela RBS, o capítulo de ‘Indicadores de Recursos Humanos’ revela uma face insuspeitada da empresa. Ela demonstra uma estranha obsessão para classificar seus funcionários pelo pigmento de pele. Assim, na página 33, no gráfico que mostra o percentual de ‘Colaboradores por cor’, sabe-se que a empresa divide seu pessoal entre os Brancos e Negros ou pardos. A diferença é espantosa: 96% dos que trabalham na RBS são brancos, o que representa 6.240 funcionários num universo de 6.500. Só 4%, ou 260, são negros ou pardos. Quando se fecha a lupa pelo critério da hieraquia, a situação é ainda mais aberrante. No gráfico da página 34 sobre ‘Cargos de gerência por cor’, o nível de alvura da RBS é avassalador: 99% dos gerentes de Duda são ‘brancos em cargos de gerência’, contra 1% de ‘negros ou pardos em cargos de gerência’. Em números absolutos, são 826 funcionários brancos contra apenas oito catalogados como negros ou pardos. A quem duvida, basta acessar o relatório no portal http://www.gruporbs.com.br.

A RBS e a obsessão pela cor da pele: brancos em massa na empresa, quase todos brancos nas gerências.  Fonte/ Relatório de Sustentabilidade 2012 – Grupo RBS, pg 33

A RBS e a obsessão pela cor da pele: brancos em massa na empresa, quase todos brancos nas gerências.  Fonte/ Relatório de Sustentabilidade 2012 – Grupo RBS, pg 33

Fonte/ Relatório de Sustentabilidade 2012 – Grupo RBS, pg 34

Fonte/ Relatório de Sustentabilidade 2012 – Grupo RBS, pg 34

Mesmo com esses índices inquietantes, a RBS insiste em proclamar ao mundo a excelência dos seus padrões de seleção dos ‘caros colegas’ de Duda, omitindo qualquer eventual restrição étnica. Diz o relatório:

Durante 2012, a RBS desenvolveu um sistema de recrutamento e seleção de classe mundial que auxilia a empresa a identificar, contratar e reter os melhores talentos. Foi estabelecido também um Núcleo de Inteligência, que passou a monitorar o mercado para identificar os polos que concentram e/ou formam profissionais de alta capacidade.
Mas as mudanças mais significativas aconteceram em relação ao processo de seleção dos candidatos. Os gestores das áreas participaram, ao longo de 2012, de um total de 692 horas de workshops que detalharam as novidades — uma vez que desempenham papel preponderante na contratação de colaboradores para suas áreas. O processo seletivo passou a adotar um modelo de colegiado, em que cinco profissionais de diferentes área da RBS entrevistam cada candidato individualmente. Ao candidato atribuem-se notas referentes às suas habilidades cognitivas, à sua experiência profissional e ao seu alinhamento aos valores corporativos do Grupo RBS.

Em 2012, houve uma seleção para o programa de Trainees, que registrou 12,8 mil inscrições. No final do processo, sete talentos foram recrutados. Os jovens são preparados durante dois anos para, posteriormente, assumirem cargos de liderança na companha.

Infelizmente, os números do relatório indicam que negros ou pardos não sobreviveram à ‘seleção de classe mundial’ da RBS, nem passaram pelo crivo do Núcleo de Inteligência. Não se sabe, também, se entre os sete talentos recrutados pelo programa de Trainees existe algum negro — ou simplesmente pardo.

O branco 100%

Estas observações poderiam parecer exageradas, mas o drama racial da RBS não acaba aqui. Na mesma página 34 do relatório, transcreve-se uma informação assombrosa, que se destaca por ser gratuita, deslocada e, essencialmente, ofensiva a 1,8 milhão de gaúchos. No quadro sobre ‘Indicadores de Remuneração’, estão distribuídas as sete faixas salariais que compõem o universo de funcionários da RBS. No pé do quadro, existem duas notas complementares, uma pertinente, outra inacreditavelmente impertinente.

A nota 2 diz que o item de 416 funcionários que percebem menos de um salário mínimo refere-se a trabalhadores com carga horária reduzida. Uma informação natural e útil. A nota 1, contudo, impressiona pela gratuidade, pela insensabilidade, simplesmente pela grossura. Diz a nota: “100% dos cargos de diretoria são ocupados por brancos”. Assim, no seco, sem nenhum nexo com o foco do quadro. Por alguma razão, a RBS achou relevante explicitar que, na sua empresa, onde a supremacia branca é esmagadora, as dez cadeiras da diretoria executiva são totalmente, absolutamente brancas. É possível concluir, assim, que é estatísticamente nula a hipótese de um dia se ver algum negro, quem sabe um pardo, nas exclusivas poltronas de direção da RBS hoje solidamente ocupadas em 100% por brancos

A brancura executiva na RBS: 100% de diretores absolutamente brancos, nada negros, nada pardos.

A brancura executiva na RBS: 100% de diretores absolutamente brancos, nada negros, nada pardos.

Num país como o Brasil, a ressalva da RBS, mais do que boçal, tem um tom triunfal difícil de entender pela estupidez que expressa. Pela primeira vez desde 1872, quando aconteceu a primeira pesquisa de população no país, o Censo de 2010 do IBGE mostrou que os negros já representam a maioria do povo brasileiro. Os negros somavam 50,7% (96,7 milhões de brasileiros) contra 47,7% (91 milhões) de brancos. O restante dos 190 milhões de 2010 eram representados por 1,1% (2 milhões) de amarelos e 0,4% (817 mil) de indígenas. A autoestima crescente dos negros explica porque, agora, eles mesmos proclamam, com orgulho, sua cor.

O Rio Grande do Sul, graças à forte imigração europeia, é o segundo Estado brasileiro com maior proporção de brancos — 83,2%, conforme o IBGE. Ainda assim não são 100%. Um dos senadores pelo Rio Grande do Sul, o negro Paulo Paim, saudou a lei estadual de 2012 que reserva vagas na esfera pública aos 16,13% (1 milhão 807 mil) de negros e pardos no Estado. Nesse número, com certeza, incluem-se os oito gerentes negros ou pardos que conseguiram ascender na carreira dentro da alva RBS.

A apoteótica, embora discreta, observação da RBS sobre a pureza racial de seus diretores ofende a história, a ciência e a verdade.

Na história, esqueceram que o judeu Josef Sirotsky chegou ao Rio Grande no início do Século 20 fugindo da repressão sofrida em sua terra, a Bessarábia, um enclave então espremido entre a Romênia e o Império Russo, às margens do Mar Negro. O velho Josef integrava o grupo de 34 famílias, cerca de 300 pessoas, que ocupou uma área de 5.700 hectares em Santa Maria, formando ali a Colônia Philippson, o primeiro assentamento judaico do Brasil. Na nova terra, Josef, como os outros imigrantes, recebeu um lote de 30 hectares, duas juntas de boi, duas vacas, uma carroça, um cavalo, ferramentas e sementes. Ali, em 1920, Josef conheceu Rita, casou e teve com ela cinco filhos: Henrique, Isaac, Jayme, Samy e Maurício, o Sirotsky que começou a saga da RBS. Para um povo que sofreu a suprema ofensa da faxina racial do nazismo, responsável pelo holocausto de 6 milhões de pessoas na II Guerra Mundial, soa como um deboche a exaltação descarada por 100% de brancos no comando do império fundado pelo filho do velho Josef Sirotsky.

Na ciência, raça hoje identifica apenas cães, gatos e outros animais, não seres humanos. O avanço na genética e a evolução da antropologia aposentou o critério racial para definir os homens, sem qualquer relação com padrões biológicos. A cor da pele é tão importante ou irrelevante quanto o tipo de cabelo, a cor dos olhos, o tamanho do pé ou o formato do nariz. A cor da pele humana varia entre o quase preto (pela alta concentração do pigmento escuro, a melanina) e o quase sem cor (pelo tom rosado dos vasos sanguíneos sob a pele). Até o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que já confessou ter “um pé na cozinha”, reconhece a herança maldita do escravismo. O darwinismo, para espanto dos ‘caros colegas’ de Duda, mostrou que somos todos negros ou filhos de negros. Há 1,2 milhão de anos, todas as pessoas tinham a pele escura, no berço ancestral da Mãe África onde nasceu a humanidade. O sol intenso reduzia a chance de sobrevivência das pessoas com pele mais clara. Ser negro era sobreviver. A pele escura impedia que o ácido fólico fosse destruído pelos raios solares.

Quando os seres humanos migraram da África para o Hemisfério Norte, onde o sol é menos intenso, a pele se tornou mais clara pelo mágico mecanismo da evolução para facilitar a absorção da luz solar, essencial para a produção de vitamina D.

E na verdade, finalmente, a observação da RBS sobre os 100% de brancos da diretoria refletem um claro equívoco, constatado visualmente. Basta ler os nomes e sobrenomes dos 10 diretores, incluindo Duda, para comprovar a bobagem que escreveram. Pelo menos dois diretores não são brancos, muito menos negros ou pardos. Anik Suzuki, a diretora de Comunicação Corporativa, e Deli Matsuo, mostram na face e no sobrenome que são descendentes de japoneses — ou amarelos, pela classificação do IBGE. Seria mais correto, assim, dizer que — ao invés de 100 % de cargos ocupados por brancos — 100% dos cargos de diretoria na RBS não são ocupados por negros ou pardos. A maioria ‘branca’ está ‘contaminada’ pela presença de dois descendentes orientais. Então, seriam no máximo 80% de brancos, ou supostos brancos. Essa é uma discussão boboca que os ‘caros colegas’ de Duda deveriam travar com o bom e velho Charles Darwin.
Todo esse desastroso conjunto de dados do relatório da RBS— que nunca discute o jornalismo e seus fundamentos — leva, enfim, a uma desanimadora conclusão: Galeazzi Mãos de Tesoura ainda tem muito serviço pela frente.

*Luiz Cláudio Cunha, jornalista, foi repórter de Zero Hora em Porto Alegre, em 1970, e editor-chefe da sucursal da RBS em Brasília, em 1993.

* cunha.luizclaudio@gmail.com

EXCLUSIVO: A tesoura que assombra a RBS |

27/01/2013

La Cosa Nostra pierde terreno

Filed under: Cosa Nostra,Máfia,Máfia Rural,Sicília — Gilmar Crestani @ 10:57 am

Já imaginou se isto pega moda no Brasil? Bens de bandidos de todos os tipos sendo utilizados para a melhoria de todos. Desde as fazendas onde se pratica trabalho escravo, aos bancos que lavam dinheiro, às empreiteiras que corrompem políticos e servidores públicos, grupos mafiomidiáticos que mentem para beneficiar grupos empresariais que neles investem o produto conseguido com a manipulação da informação?!

La Cosa Nostra pierde terreno

La nueva generación de sicilianos se atreve a cultivar los cientos de fincas decomisadas a la mafia

Patricia Peiró 27 ENE 2013 – 00:00 CET4

Francesco Galante, presidente de Placido Rizzoto, en una de las fincas de San Giusseppe confiscadas a la mafia, en noviembre de 2012. / Patricia Peiró

Giovanni Brusca, El Matacristianos,no recuerda el nombre de todas las personas que ha asesinado. “Muchas más de 100, pero menos de 200”, se jactó desde la cárcel en 2006. De una de ellas no se olvida: del emblemático juez Giovanni Falcone, el azote de los mafiosos. La sangre que el excapo de la Cosa Nostra, la mafia siciliana, ha hecho derramar solo es comparable con la riqueza que acumuló. Gran parte de ella, en terrenos. Las viñas y los naranjos han vuelto a florecer en sus antiguas tierras gracias a personas como Francesco Galante. El palermitano es el presidente de la Asociación Placido Rizzoto, una de las primeras cooperativas de trabajadores que gestionan una hacienda de un boss encarcelado. Sabe el riesgo que corre. Hoy pasea por los campos expropiados de Brusca en San Giuseppe, al noroeste de Sicilia, enfangados por la lluvia. Arranca un racimo de uvas y las prueba.

La finca de San Giuseppe es una de las 556 propiedades confiscadas a la Mafia por el Estado que se han convertido en centros de trabajo o con uso social, según datos oficiales. Italia posee 12.670 bienes decomisados. Queda un largo camino por recorrer, pero algo ha cambiado en los últimos años: la gente empieza a perder el temor a usar estos lugares. En 2001, una treintena de personas se atrevieron a formar parte del primer proyecto para trabajar en un terreno decomisado. Al último, hace unos meses, se presentaron 300 solicitudes.

“La crisis nos hace cínicos y el trabajo es trabajo, pero no tener miedo es de locos”, explica Umberto di Maggio, de Libera, una asociación que gestionaba tierras expropiadas. Su organización impulsó la iniciativa que reunió un millón de firmas para que los inmuebles decomisados volvieran a la sociedad. Esto sucedió el mismo año en que Brusca entraba en prisión. Era 1996. En 2011, las 10 cooperativas de Libera generaron cinco millones de euros.

El camino no es fácil. La intimidación mafiosa no llega a las personas como antes, pero alcanza los campos. Este verano, como muestra de que la organización criminal aún conserva su poder, los mafiosos incendiaron el naranjal de Libera en Catania, en la parte oriental de la isla. En otras ocasiones han inutilizado los tractores echando azúcar en el depósito de combustible. O asolado los cultivos metiendo un rebaño de vacas para que arrasen las lentejas que apenas empiezan a brotar.

El alto cargo de la Agencia Nacional de Bienes Confiscados, Dario Caputo, admite que cada vez hay menos ataques, pero que aún existen porque la cultura del silencio y del miedo sigue. Es imposible, apunta Caputo, movilizar a toda la policía para vigilar día y noche las propiedades. “Cuando la sociedad entienda que el bien es de todos, esto cambiará”, indica en conversación telefónica.

Galante no se fía de la falsa paz que parece reinar ahora: “Cuando la Mafia está tranquila, cuando su violencia es invisible, es que sus negocios van bien, que siguen fuertes”. Los carabinieri luchan hoy contra las infiltraciones de los familiares de los mafiosos en las cooperativas. La fiscalía de Palermo descubrió en octubre que la hija del capo Bontate gestionaba algunas haciendas de su padre a través de una asociación. Caputo asegura que su agencia vigila la cesión de las propiedades con “mucha cautela”, pero con los 30 empleados asignados al ente público para toda Italia se cuelan casos como este. Ese mismo mes, el Estado disolvió el Ayuntamiento de Reggio Calabria. Los mafiosos controlaban los inmuebles incautados a la ’Ndrangheta, la sanguinaria mafia calabresa.

Sin embargo, una nueva generación de italianos mira a la organización criminal sin agachar la cabeza. A Galante, de 30 años, sus padres trataron de ocultarle de pequeño la existencia de la Cosa Nostra, que acumula más de 5.000 cadáveres a sus espaldas. La sociedad trata ahora de acabar con ese silencio. Galante participa en una visita escolar a un terreno confiscado al boss Bommarito, en Roccamena, al norte de la isla, que hoy cultivan 20 personas. Los niños no se asustan cuando el alcalde, Salvatore Graffato, les cuenta bajo el cálido sol otoñal que la propiedad que pisan fue de un hombre que “asesinó, robó y disolvió en ácido a niños” de su edad. Mientras el alcalde habla, se acercan unas vacas pastando. Son del hijo del mafioso al que perteneció esta finca, que pidió permiso a la cooperativa para alimentarlas en este terreno.

A las puertas del colegio de Roccamena, un hombre de tez morena trastea en el garaje. Innocenzo Micceli fue uno de los primeros trabajadores de las cooperativas, que se formaron hace 11 años. Cuando volvió de Suiza, labrar campos confiscados le pareció una oportunidad. “Después de los robos y las amenazas, me di cuenta de dónde me había metido”. Micceli llegó a plantearse salir de la cooperativa. “Luego pensé que lo que hacía era honesto y no tenía de qué avergonzarme”. Con su cortesía siciliana, propone ir al bar de la localidad. Mientras toma un vermú, habla sobre el terreno decomisado de Roccamena y el mafioso al que pertenecía. Antes, hablar de la Cosa Nostra en público era impensable.

“Los jóvenes no son unos inconscientes, tienen en cuenta los riesgos, pero no solo lo hacen por ellos, sino por todos", explica Ninno Lannazo, exalcalde de Corleone. La casa de Totò Riina, el último gran padrino, encarcelado desde 1993, situada en el centro del famoso municipio siciliano, se ha convertido en un museo de la lucha antimafia. Aún ahora hay ancianos que no se atreven a entrar en el antiguo hogar del capo que instauró el terror en los años ochenta. Riina asesinó a 40 personas y mandó matar a otras 110. Cuando era niño, cuenta el exalcalde, veía a sus vecinos pidiendo la bendición a Riina para casarse. Los nietos de aquellos siervos de la Mafia fabrican hoy vino con las uvas de los terrenos confiscados a este capo. Actualmente es frecuente encontrarse con familiares de Riina en Corleone. Con todos, menos con su hijo Giuseppe, al que Lannazo declaró persona non grata.

En su lucha antimafia, el juez Falcone también decomisó propiedades a la Cosa Nostra. Una de ellas se extiende por Polizzi Generosa, en el centro de Sicilia. Este terreno ha estado cerrado 25 años. Un vecino de esta localidad, Vincenzo Liarda, solicitó en enero pasado a las autoridades que los trabajadores pudieran cultivar estos campos. La Mafia le envió una carta encabezada con una cruz: “Nos habéis quitado la tierra y nosotros os quitaremos la vida. Esta historia perderá interés y vosotros moriréis, pedazos de mierda”. La amenaza no alteró el proceso. En verano, el Estado cedió el terreno a un consorcio que lo gestionará.

El tiempo en el que la vida estaba en juego solo por abrir la boca llega a su fin, pero falta un trecho para disipar la negra sombra mafiosa. Brusca, El Matacristianos, es el primero que no duda en hablar. Poco después de su detención se convirtió en un pentito,un colaborador de la justicia. En 1993 había ordenado el asesinato del hijo de 12 años de otro delator. En el lugar en el que el pequeño fue disuelto en ácido hay un campo gestionado por una cooperativa.

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20/03/2012

Wall Street? É Cosa Nostra!

Filed under: Cosa Nostra,Máfia,Wall Street — Gilmar Crestani @ 10:51 am

 

American Curios

Omertá y Wall Street

David Brooks

Un ejecutivo de Goldman Sachs renunció hace unos días a la institución financiera al tiempo que hizo una denuncia pública sobre el deterioro en la fibra moral de la empresa. La imagen, en el piso de remates de la Bolsa de Valores de Nueva YorkFoto Ap

No es que no se haya sabido, pero aparentemente lo inaceptable es que alguien de adentro lo diga. Esta semana, a juzgar por las reacciones, hubo alta traición en Wall Street y las consecuencias son lo bastante serias para armar un movimiento de solidaridad entre la cúpula financiera del país y enfrentar el grave problema provocado cuando un ejecutivo se atrevió a revelar que las cosas son tan tóxicas como todos saben.

¿Cuál fue el gran secreto revelado por un joven ejecutivo de Goldman Sachs, tal vez el banco inversionista más poderoso del mundo? Resulta que la avaricia es el motor del capitalismo financiero, según Greg Smith, un vicepresidente de esa empresa (hay 12 mil vicepresidentes en la empresa de unos 30 mil empleados, o sea no es de los más altos niveles) que escribió una especie de carta de renuncia pública en el New York Times.

Smith denunció que dentro del monstruo se practica, esperen, esperen, ahí les va la revelación: ganar dinero y más dinero a como dé lugar. Pero lo más devastador es que la práctica común de esa prestigiada e histórica empresa para lograr sus enormes ganancias incluye estafar y engañar a sus clientes y a todos los que se dejen. Ah, y una sorpresa más: ahí adentro hay una cultura que se ha deteriorado hasta el punto de que el ambiente ahora es el más tóxico y destructivo que jamás he visto y creo que este deterioro en la fibra moral de la empresa representa la amenaza más seria a su sobrevivencia a largo plazo.

El impacto de estas palabras fue de tales dimensiones que las acciones bursátiles de la empresa sufrieron un desplome en la bolsa de Nueva York; los directivos de Goldman Sachs rechazaron de inmediato las acusaciones e insistieron en que son gente decente, ejecutivos en otras casas de inversión se vieron obligados a defender su cultura, hubo un intenso intercambio de análisis, reacciones, comentarios en los principales medios, así como en todo el universo cibernético, y hasta el multimillonario alcalde de Nueva York, Michael Bloomberg, quien hizo su fortuna en Wall Street, visitó las oficinas del banco para expresar su solidaridad.

Los máximos jefes de Goldman Sachs respondieron en un memorando a todos sus empleados que las afirmaciones de Smith no reflejaban los valores o cultura de la empresa. Estamos en desacuerdo, afirmaron voceros de ésta a los medios, ya que sólo seremos exitosos si nuestros clientes también lo son. Esta verdad fundamental está en el corazón de cómo nos conducimos.

Ahora hay debates abiertos y explícitos sobre qué tipo de avaricia es mejor, que si el problema es la diferencia entre avaricia de corto y de largo plazo. Como argumentó Ezra Klein en el Washington Post, la avaricia de largo plazo implicaba que uno trataba a sus clientes de manera correcta, mientras ahora la mayoría de las ganancias de Goldman Sachs proviene del lado que enfatiza avaricia de corto plazo, donde la prioridad es el volumen de ventas e intercambios de acciones y otros instrumentos financieros, y no la relación con los clientes.

Defensores de Wall Street argumentan que eso es sólo la opinión de un tipo aislado y no representativo del sector, y trataron de restar importancia a sus críticas. Un editorial de Bloomberg View afirmó: tendría que haber sido una sorpresa terrible para Smith cuando concluyó que Goldman se dedicaba principalmente a ganar dinero. El Wall Street Journal empezó a desacreditar a Smith, afirmando que, según fuentes, era un empleado de bajo nivel.

Algunos críticos de Wall Street señalaron que lo curioso es que este joven apenas descubrió lo que millones ya sabían: que los bancos de Wall Street habían llevado al país a su peor crisis económica desde la gran depresión precisamente por las prácticas que ahora denunció. Lo que está ausente en este artículo (el de Smith) es cualquier sentido de mea culpa, cualquier sentido de que él era de alguna manera parte del problema, comentó Felix Salmon, reconocido comentarista de asuntos financieros de la agencia Reuters.

Otros –incluso comentaristas de Forbes y BBC– alertaron que el simple hecho de que un ejecutivo se atreviera a renunciar con tal mensaje público no podía más que dañar a la empresa, sobre todo su credibilidad con sus clientes, y peor si esto incita un éxodo de talento de la empresa.

Liberales y progresistas, por su parte, festejaron que uno de adentro por fin denunciara lo que los de afuera habían criticado. Matt Taibbi, columnista de Rolling Stone, autor de una famosa descripción de Goldman Sachs como un calamar vampiro gigante que constriñe la cara de la humanidad en sus feroces críticas, consideró que la renuncia de Smith fue histórica por el hecho de que alguien de adentro denunciara que la práctica de la empresa era estafar y joder a sus propios clientes. Señaló que así tenía que ser el fin del juego para reformar Wall Street, algo que no podía provenir por presión del gobierno ni de Ocupa Wall Street, sino que el cambio real siempre tenía que llegar desde adentro del propio Wall Street. El efecto de esto, afirmó, es que los clientes de esa empresa perderán confianza en que sea el mejor lugar para administrar sus fondos.

Goldman Sachs –fundado en 1869– fue escuela de varios de los amos del universo, incluidos los ex secretarios del Tesoro Henry Paulson y Robert Rubin, varios ejecutivos en jefe de otras empresas de Wall Street, así como de jefes del Banco Mundial, de la Reserva Federal y de bancos nacionales de países como Italia y Canadá.

Taibbi escribió hace un par de años que Goldman Sachs, con su influencia y alcance sin precedente entre las cúpulas mundiales, es un enorme motor altamente sofisticado para convertir la riqueza útil y desplegada de la sociedad en la sustancia menos útil, de mayor desperdicio y más insoluble en la Tierra: pura ganancia para individuos ricos.

O sea, parece que es traición confesar de qué se trata tan sagrado negocio. ¿Será algo así como la omertá de la Cosa Nostra?

La Jornada: American Curios

03/11/2011

EUA & Máfia

Filed under: Base Militar,Cosa Nostra,Democracia made in USA,Máfia,Sicília — Gilmar Crestani @ 8:21 am
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Uma base militar dos EUA na Sicília pediu ajuda à máfia. Natural, usam o mesmo know-how. É conhecida e discutida a razão que levou os EUA a invadir a Europa pela Sicília, durante  a Segunda Guerra Mundial. Não precisaram detonar nenhum tiro. Foram bem recebidos e nunca mais saíram de lá…

Base Usa chiama mafia

In apparenza, un complesso di quattro enormi antenne. In realtà un’opera top secret fortemente voluta da Obama che permetterà di collegare dalla Sicilia tutti i reparti militari americani sparsi nel mondo. Per la realizzazione, a causa del segreto militare, non sono valse le regole contro le infiltrazioni criminali negli appalti. E sull’impianto ha messo le mani proprio un’impresa vicina a Cosa Nostra

la Repubblicadi GIOVANNI TIZIAN
a cura di GIANLUCA DI FEO

IL MUOS DI NISCEMI di GIOVANNI TIZIAN

Un’azienda in odore di Cosa Nostra
nel cantiere dell’antenna americana

Un'azienda in odore di Cosa Nostra nel cantiere dell'antenna americana

In provincia di Caltanissetta è in corso di (segretissima) costruzione la mega struttura che permetterà al Pentagono di collegare tutti i reparti militari in giro per il mondo ed è sotto accusa dal punto di vista ambientale. Per il basamento di cemento armato è al lavoro la Calcestruzzi Piazza, società già comparsa nell’indagine "Mercurio-Atlantide" che non ha ottenuto il certificato antimafia

È la base americana in Italia più contestata degli ultimi anni: il Muos (Mobile User Objective System), la colossale antenna che permetterà al Pentagono di collegarsi con tutti i reparti statunitensi sparsi nel mondo. Sta sorgendo a Niscemi, in provincia di Caltanissetta, nonostante le preoccupazioni della popolazione per i rischi legati alle emissioni elettromagnetiche. Si tratta di un impianto strategico per il futuro delle forze armate di Washington, spinto dall’amministrazione Obama nei colloqui con Silvio Berlusconi e Ignazio La Russa. Un’opera coperta dal segreto militare, per la quale non valgono le regole degli appalti. Ed è questa segretezza che ha permesso l’ingresso nel cantiere a un’azienda finita nel mirino dei magistrati per i rapporti con Cosa Nostra: la Calcestruzzi Piazza, che fornisce il gigantesco basamento di cemento per la mega-installazione.
La Calcestruzzi Piazza è emersa all’indagine "Mercurio-Atlantide" della procura antimafia di Caltanissetta. Negli atti resi noti a fine 2009 l’azienda viene associata al boss niscemese Giancarlo Giugno. I pubblici ministeri nella richiesta di misura cautelare hanno scritto che ci sarebbero "cointeressenze del Giugno nell’attività espletata dal Piazza non a caso, infatti, egli utilizza il plurale nelle richieste che formula al Piazza, per il recupero dei crediti". Vincenzo Piazza, fondatore della ditta,  compare pure nell’indagine "Triskelion": anche in questo caso, viene indicato come vicino al boss Giugno, ritenuto dagli inquirenti il referente di Cosa Nostra a Niscemi, uno dei centri più importanti della provincia nissena. Una cittadina con un ricco mercato agricolo e una presenza mafiosa antica: nel 2004 il Comune è stato sciolto proprio per l’infiltrazione delle cosche. E il nome di Giugno compare persino nell’istruttoria sui telefonini usati per la strage di Capaci: fino al 2003 ha scontato una pena definitiva al carcere duro, poi è stato protagonista di un surreale caso di soggiorno obbligato nelle Marche  -  dove non è riuscito a trovare casa  -  e di un lungo divieto di soggiorno in Sicilia. Da un altro processo è stato poi assolto per un vizio procedurale: un errore nei mandati che autorizzavano le intercettazioni ha fatto annullato una lunga operazione delle forze dell’ordine.
Invece l’imprenditore Vincenzo Piazza non è stato indagato in nessuno dei due procedimenti. Ma i suoi rapporti con Giugno continuano ad essere all’attenzione degli investigatori. Dal 2009, dopo le rivelazioni dei magistrati sui suoi legami con il boss, ha lasciato le cariche rivestite nella società di Calcestruzzi. Al suo posto due donne: la più giovane è socia di Francesco Piazza, figlio di Vincenzo, in un’altra società di costruzioni. Ma al cellulare della Calcestruzzi indicato dalle Pagine Gialle risponde un Piazza.
I lavori per la costruzione del Muos sono iniziati da oltre quattro mesi, da quando la Regione ha dato il via libera ai lavori, bypassando il parere negativo espresso dal Comune che dal 2009 si oppone al progetto. Soltanto a metà settembre, però, la Marina Usa ha deciso – pur non essendone obbligata e su sollecitazione della Regione – di seguire almeno formalmente la prassi italiana. E con i basamenti in calcestruzzo già realizzati, la Us Navy ha aderito al protocollo di legalità, fornendo alla Prefettura l’elenco delle ditte che lavorano al Muos. Tra queste l’impresa di Piazza. E per quest’ultima, secondo quanto è in grado di rivelare l’Espresso, gli investigatori avrebbero espresso parere negativo sulla concessione del certificato antimafia.
Ora spetta alla Prefettura valutare il da farsi. La decisione dell’Us Navy arriva con  mesi di ritardo, quando le opere in cemento della Calcestruzzi sono già avanzate. Solo per i lavori edili all’interno della base, preliminari all’installazione dell’antenna, si parla di 2,7 milioni di euro. Di questi, una fetta è andata anche alla ditta "vicina" al boss Giugno.
I lavori proseguono a ritmi serrati. Il Pentagono aveva programmato l’ingresso in servizio della struttura per il 2010, ma i ritardi nelle autorizzazioni hanno più volte rinviato l’apertura del cantiere: adesso gli americani vogliono chiudere tutto entro il 2014. "Non siamo autorizzati a parlarne", replica il geometra Giuseppe Leonardi della Lageco di Catania, che insieme alla Gemmo di Vicenza costituiscono il Consorzio Team Muos Niscemi. Entrambe già in affari con la Marina americana: proprio la Lageco ha terminato da poco i lavori di bonifica per uno sversamento di gasolio nei terreni nella vecchia centrale trasmissioni dell’Us Navy, creata negli anni Novanta per le comunicazioni degli aerei di Sigonella.
Entrambe le strutture statunitensi sorgono in una riserva naturale. Oggi il nuovo cantiere ha creato una collina a doppia faccia: il lato esterno ricco e verde di vegetazione; quello interno alla base, dove si lavora per l’istallazione, sfregiato e sbancato dalle ruspe, trasformato in un agglomerato di terra marrone. Uno scempio, secondo sindaco, movimenti e cittadini "No Muos", che hanno manifestato in piazza sabato 29 ottobre. "Il nostro territorio non può essere svenduto né alla mafia né agli americani", protesta il sindaco Giovanni Di Martino. Il primo cittadino  non si arrende. E dopo essersi rivolto invano al Tar per fermare la nuova base, adesso vuole proseguire la sua battaglia davanti al Consiglio di Stato.

Un’azienda in odore di Cosa Nostra nel cantiere dell’antenna americana – Inchieste – la Repubblica

30/10/2011

Totó Riina, guru dos corruptores

Filed under: Corleone,Cosa Nostra,Máfia,Tommaso Buscetta,Totó Riina — Gilmar Crestani @ 1:23 pm
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Palabra de Corleone

Tras 17 años en una celda de aislamiento, ha empezado a hablar. Es Salvatore Riina, el jefe de jefes de la Mafia desde 1974 hasta 1993, condenado a 13 cadenas perpetuas por 150 asesinatos, 40 de ellos ejecutados personalmente. Ahora, ha roto su silencio para indicar al fiscal que investiga el asesinato del juez Borsellino que mire hacia las cloacas del Estado

PABLO ORDAZ 30/10/2011

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    Tiene 80 años y 13 cadenas perpetuas pendientes. Desde hace 17 años vive en una celda de aislamiento. Sus guardianes supervisan su correspondencia y vigilan día y noche las cámaras que lo enfocan incluso cuando va al baño. Hace mucho tiempo que, en tales circunstancias, cualquiera hubiera dejado de ser una amenaza. Pero él no es cualquiera.

        La justicia italiana lo considera responsable de 150 asesinatos, 40 de ellos ejecutados personalmente

        La última declaración del capo salió hace unos días gracias a una investigación del periodista Attilio Bolzoni

        "Yo vivo en la luna. Si formo parte de ‘Cosa Nostra’ o si soy jefe de jefes, no estoy obligado a decirlo", espetó al fiscal

        "Es cruel. Es un animal. Buscetta dijo que Riina solo era superado por Nerón en crueldad", dice Bolzoni

        -Yo soy Salvatore Riina de Corleone… Totò Riina.

        Así se lo dijo al fiscal de Caltanissetta -una pequeña ciudad en el centro de Sicilia- en lo que constituye la última declaración del último capo sangriento. Del más cruel. Del jefe de jefes de la Cosa Nostra desde 1974 hasta su detención en 1993. El mismo que, en su locura y en su extrema crueldad, decidió enfrentarse al Estado en una guerra abierta. La justicia italiana lo considera responsable de 150 asesinatos, 40 de ellos ejecutados personalmente. Nacido en 1930 en la villa de Corleone, Totò Riina fue arrestado y juzgado en 1969 junto al entonces jefe de la Mafia, Luciano Liggio, otra mala bestia, por un puñado de asesinatos cometidos a principios de la década de los sesenta. Una hábil combinación de sobornos y amenazas a jurados y testigos consiguió entonces una sentencia absolutoria. Riina, que no estaba dispuesto a verse en otra parecida, se sumergió entonces y para siempre en la clandestinidad.

        Tras la detención de Liggio en 1974 -fue capturado en Milán, donde vivía como un burgués en una urbanización de la periferia-, Totò Riina se convirtió en el jefe supremo. El terror llevaba su nombre. Como nunca antes y como nunca desde entonces. A la cabeza de los corleoneses, no solo se enfrentó a las demás familias, sino también al Estado. Policías, fiscales, jueces. En 1982 ordenó asesinar al general Carlo Alberto Dalla Chiesa, quien, tras sus éxitos en la lucha contra las Brigadas Rojas, fue destinado a Sicilia para combatir a la Mafia. Lo mató solo seis meses después de llegar a Palermo, junto a su esposa y a uno de sus guardaespaldas. Las últimas víctimas de Salvatore Riina fueron los jueces Giovanni Falcone (23 de mayo de 1992) y Paolo Borsellino (19 de julio de 1992). De alguna manera, aquellos crímenes supusieron también el final de Totò Riina. La sociedad italiana reaccionó y pidió justicia como no lo había hecho antes. Aún se recuerda una frase de Rosaria Schifani, la viuda de uno de los cinco escoltas asesinados junto a Falcone y su esposa por la explosión de una bomba en la autopista entre Palermo y el aeropuerto: "Hombres de la Mafia, os perdono, pero tendréis que arrodillaros".

        En enero de 1993, apenas unos meses después del atentado contra Borsellino, Totò Riina fue capturado en el centro de Palermo, al volante de un automóvil corriente, frente a un semáforo en rojo. Iba desarmado. Vestía un traje raído. Intentó evitar la detención con una frase: "Se equivocan de hombre". Pero no. No se equivocaban. Un macrojuicio que tuvo mucho de ejemplarizante lo sepultó para siempre en una prisión de alta seguridad bajo un alud de cadenas perpetuas. El capo más temido, Totó Riina, guardó silencio desde entonces, algo no demasiado común en los de su estirpe. A muchos de ellos la prisión les va aflojando la lengua. No a la Bestia. No al Corto.

        Por eso, el fiscal de Caltanissetta, Sergio Lari, que investiga la posible colaboración entre los servicios secretos y la Mafia en el asesinato del juez Paolo Borsellino, se extrañó el día que el abogado de Salvatore Riina le dijo que el viejo capo estaba dispuesto a hablar. ¿Por qué lo hacía? ¿Por qué después de tanto tiempo? Sentado frente al fiscal, un tipo alto y valiente, tanto que durante mucho tiempo se negó a llevar escolta para que si lo mataban, solo lo matasen a él y no "a siete personas más", Riina -apodado el Corto por su baja estatura- aún se atrevió a marcar el terreno.

        -Usted es el fiscal de Caltanissetta y yo soy Salvatore Riina de Corleone…

        La declaración parece obvia, pero no lo es tanto. El primer mensaje es: cada uno en su sitio. Enseguida el fiscal entendió por qué al viejo capo, tanto tiempo después, se le empezaba a soltar la lengua: "Yo soy uno que se ocupa de sus asuntos, no sé nada de nada. Usted me ve y me dice: ‘¿Cómo es que Salvatore Riina está tan sereno, tan tranquilo?’. Porque yo estoy fuera del mundo. Yo no vivo en la Tierra. Yo vivo en la Luna. Si formo parte de Cosa Nostra, o si soy el jefe de jefes o el subjefe de los subjefes, no estoy obligado a decirlo. Ni a usted, ni a nadie. Así que quiero insistir en que no me haga esta pregunta porque yo estoy en mis asuntos y ustedes en los suyos. Usted hace de fiscal de Caltanissetta y yo soy Salvatore Riina de Corleone".

        La parrafada parecía sin sentido, el delirio de un charlatán senil, hasta que lo adquirió de pronto: "Usted, señor fiscal, tiene que saber quién es Salvatore Riina. Salvatore Riina está excluido de todos estos servicios secretos, porque no los tiene en su cabeza. Ni en la mente, ni en el cuerpo. Riina es de Corleone, pueblo agrícola, del campo, perdido y abandonado. Si yo hubiera conocido a alguien de los servicios secretos, desviados o regulares, yo no me llamaría Salvatore Riina porque estaría en la misma panda de estos arrepentidos, de estos señores y de estos desviados, de ese Ciancimino, de ese Spatuzza…".

        Salvatore Riina cita el apellido de los arrepentidos de la Mafia con desprecio. Ahora sí, el fiscal de Caltanissetta sabe por qué el viejo capo lo ha mandado llamar. Es, nunca mejor dicho, una cuestión de honor. Los arrepentidos a los que cita sostienen que Riina y algunos elementos de los servicios secretos italianos se confabularon para matar al juez Borsellino -y es eso precisamente lo que desde hace años investiga sin encontrar la luz el fiscal Sergio Lari-. Así que cuando Riina dice "no me miréis solo a mí, miraos a vosotros mismos", el fiscal ya intuye por qué el viejo capo se ha sentado frente a él. En primer lugar, para decirle que va por buen camino, que si quiere resolver definitivamente el crimen del juez tendrá que mirar hacia adentro, hacia las cloacas del Estado. Y en segundo lugar, para salvar su nombre, para quitarse esa piedrecita que le aprieta en el zapato. No quiere irse a la tumba amortajado por la sospecha de que algún día colaboró con el Estado al que tan sanguinariamente combatió.

        -Y entonces, ¿quién fue?, señor fiscal. ¿Por qué en el Castillo -una construcción en la cima del monte Pellegrino desde donde se domina Via Amelio, el lugar donde explotó la bomba que mató a Borsellino- había en esos días una base clandestina de espías? ¿Quiénes eran esas personas? Señor fiscal, siento que me toman el pelo desde la mañana a la noche porque llevo 17 años en aislamiento, siempre en aislamiento, área reservada, cámaras en la habitación, pero sigo siendo el capo de la Mafia. Yo, que tengo el correo controlado, las cámaras en la habitación, en el salón, en el baño, que no me puedo hacer el bidé, que no me pudo duchar… Señor fiscal, le ruego de una vez para siempre que busquen la verdad. Que hagan luz. Ustedes pueden. Pueden encontrar muchas vías. Mucho trabajo. Déjense de Riina como pararrayos. Totò Riina ya no es nada. Ya son solo 20 años que está sacrificado aquí. Tengo 80 años, estoy enfermo, yo soy un viejo acabado.

        La última declaración del último capo ha salido a la luz hace solo unos días en Italia gracias a la investigación de Attilio Bolzoni, un periodista del diario La Repubblica experto en la Mafia. Autor junto a Giuseppe D’Avanzo -recientemente fallecido- del libro Il capo dei capi, un ensayo sobre la vida y la carrera criminal de Totò Riina, Bolzoni ha logrado sacar a la luz dos declaraciones hasta ahora secretas realizadas entre el verano de 2009 y el de 2010. En total, un centenar de folios. "Con esa charla ante el fiscal", explica el periodista, "Riina demuestra que se ha sentido utilizado en el asesinato de Borsellino. De hecho, él no habla del asesinato del juez Giovanni Falcone porque admite que fue el responsable al mil por mil. Pero en el caso de Borsellino, el autor intelectual fue otro, un italiano

        que está todavía sin nombre".

        Attilio Bolzoni explica que la Mafia que representa Totò Riina ya no existe: "Desapareció. Él está sepultado en la cárcel, y toda su gente, también. Solo queda por capturar Matteo Messina Denaro. Los corleoneses están acabados. La Mafia sigue, claro. Si vas a la región de Sicilia, la ves. Existe una inteligencia colectiva de la Cosa Nostra que sigue muy activa. Pero se acabó aquel tipo de mafia con atentados y bombas, con los asesinatos excelentes -objetivos importantes como generales o magistrados-; todo aquello se acabó con Totò Riina".

        Tras leer entero el interrogatorio, Bolzoni seleccionó algunos extractos para La Repubblica. Hay momentos en los que Riina se parece al viejo que es contando batallitas, pero cada batallita tiene un trasfondo: "Gracias a Dios y a mi actitud, pude ser un fugitivo 24 años. Un fugitivo puede durar un año, dos, no puede estar 24 años. Yo estuve 24 años fugitivo. Construí una familia, me casé, tuve hijos… Y lo pude hacer porque me hacía el solitario en mis asuntos. Yo era un solitario, yo soy un solitario. Puedo jurar ante Dios y ante mis hijos que ni Provenzano -su sucesor al frente de la Cosa Nostra- sabía dónde vivía yo. Hubo alguien que tuvo interés en venderme y hacerme arrestar, y por eso aquellas palabras pronunciadas por Mancino [el ministro del Interior en enero de 1993], que unos días antes dijo: ‘Dentro de cinco o seis días vamos a arrestar a Riina y lo meteremos en la cárcel’. Seis días antes, sabía que me debían arrestar, y lo sabían Mancino y alguien más que no sé quién es. ¿Provenzano? No lo sé. Yo fui vendido, pero no puedo decir por quién. Me dicen Di Maggio

        pero no, no fue Di Maggio".

        Ahí solo parece un viejo criminal cuyo único remordimiento es el de no saber quién lo traicionó. No le duelen sus crímenes, tanta sangre derramada, sino no saber a estas alturas quién le fue desleal. Por qué. Por cuánto. Al periodista Bolzoni, sin embargo, no es esto lo que más le interesa:

        -Para mí, la frase crucial de Totò Riina es cuando le pregunta al fiscal: "¿Queréis saber quién es Salvatore Riina? Un tipo de Corleone, un pueblo del campo, perdido y abandonado…". Ahí lo que está diciendo es: "Yo soy el capomafia, vengo de Corleone, no me jodáis, tengo 80 años y quiero que me dejéis en paz. No me voy a arrepentir nunca, jamás".

        ¿Es entonces Totò Riina, a punto de cumplir los 81 años, enfermo, vigilado día y noche, un tipo acabado? Cualquiera diría que sí, que sus palabras ya no pueden interesar más que a un fiscal en su laberinto y a un periodista que, como un pintor, busca darle el último trazo a su personaje. Y entonces, ¿por qué a las pocas horas de publicarse el extracto de su declaración la justicia ordenó borrarlas de la web de La Repubblica? ¿Qué teclas secretas, tal vez entre líneas, de forma sutil, sigue tocando el viejo capo?

        La última vez que el periodista y el criminal se vieron fue en los tribunales. Un día antes, un reportaje publicado por Bolzoni iba ilustrado por dos fotos, una de Riina y otra de un senador: "Al verme, me llamó y me dijo: ‘¡Doctor Bolzoni, doctor Bolzoni! Mañana lo denuncio por sacar mi fotografía al lado de la de un político…". La broma de Riina, su aparente campechanía, no logró desviar un centímetro la opinión que Bolzoni, después de estudiarlo durante años, tiene del personaje.

        -Es cruel. Es un animal. Tommaso Buscetta

        [el primer arrepentido de peso que rompió con la ley del silencio] dijo en cierta ocasión que Riina solo era superado por Nerón en crueldad. Después de Nerón venía Riina… –

        Palabra de Corleone · ELPAÍS.com

        28/10/2011

        Os corruptos comemoram, com a subserviência da Dilma

        Os mafiosos venceram mais uma batalha. E podem comemorar. Quem está ao lado da FIFA, CBF, Ricardo Teixeira, Veja & Rede Globo não faria feio ao lado de Al  Capone ou de Totó Riina.

        Em Genebra, Fifa comemora queda de Orlando Silva

        Agência EstadoPor AE | Agência Estado – 4 horas atrás

        A Fifa comemora a queda de Orlando Silva e espera que agora seja acelerada a aprovação da Lei Geral da Copa. A entidade via o ex-ministro como obstáculo à organização do Mundial de 2014.

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        Oficialmente, a ordem é não interferir nos temas brasileiros para não causar mal-estar. O temor é que mudanças bruscas possam desestimular potenciais patrocinadores do evento. “Reconhecemos o trabalho feito até agora e lamentamos a situação”, disse o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke.

        Depois de romper com Orlando, Valcke disse ontem apoiar as decisões da presidente Dilma Rousseff. Antes de saber da escolha de Aldo Rebelo, ele dizia confiar em que “o governo brasileiro logo informará sobre seu representante”, O Comitê Olímpico Internacional também minimizou a queda de Orlando. “Estamos confiantes que essa mudança não irá gerar impactos na preparação do Rio 2016”, disse o comitê. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

        Em Genebra, Fifa comemora queda de Orlando Silva – Yahoo!

        27/10/2011

        Gol contra

        Filed under: Cosa Nostra,FIFA,InVeja — Gilmar Crestani @ 9:32 am
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        Dilma não percebeu a bola nas costas. Todos os que não querem a Copa de 2014 vão fazer de tudo para atrapalhar. A máfia, quando não puder participar, destrói. Ela deveria fazer uma visita à Sicília. Alugar um carro da máfia, como fiz várias vezes, já que é baratinho. Eles lavam os carros e o dinheiro… E conhecer o interior da Sicília. Olhar no rosto daqueles velhinhos pachorrentos sentados na porta dos bares. Alguns até são parecidos com Roberto, o Civita…

        Queda de ministro prejudica imagem do Brasil no exterior, dizem especialistas

        Júlia Dias Carneiro

        Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

        Atualizado em  26 de outubro, 2011 – 20:51 (Brasília) 22:51 GMT

        Jogador brasileiro Dudu. AFP

        Para professor francês, renúncia contrasta com imagem "muito positiva" que o Brasil tem na Europa

        A queda do ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), prejudica a imagem do Brasil no exterior e aponta para a necessidade de se prevenir a corrupção em vez de se remediá-la, dizem especialistas.

        Para Michel Desbordes, professor de marketing esportivo na Université Paris-Sud, a notícia é um golpe para a imagem do país lá fora.

        "Claro que é um problema, porque em uma Copa do Mundo você quer mostrar a imagem mais moderna do seu país, e esse fato passa uma imagem do Brasil mais parecida com a que tínhamos há 30 ou 40 anos", diz.

        Para Desbordes, o fato contrasta com a imagem "muito positiva" que o Brasil tem na Europa hoje em dia. Entretanto, ele diz acreditar que o estrago não será grande, já que o país tem uma grande vantagem:

        "Como a Copa do Mundo ainda está distante, ninguém na Europa ainda está muito preocupado. Se isso acontecesse a três ou seis meses do evento, aí sim, seria um problema", diz o francês, organizador do livro Marketing e futebol: Uma perspectiva internacional.

        O problema poderia ser mais grave não apenas para o Brasil, como também para a Fifa. Desbordes acredita que a entidade tenha desempenhado papel importante nos bastidores para evitar que a crise local arranhasse a sua imagem internacional.

        "A Fifa tem essa tem uma marca fortíssima que é a Copa do Mundo. Se as pessoas no exterior ouvem falar em um problema de corrupção relacionado à organização da Copa, elas escutam ‘Brasil’ mas escutam também ‘Fifa’", aponta.

        "Claro que é um problema, porque em uma Copa do Mundo você quer mostrar a imagem mais moderna do seu país, e esse fato passa uma imagem do Brasil mais parecida com a que tínhamos há 30 ou 40 anos"

        Michel Desbordes, professor de marketing esportivo na Université Paris-Sud

        "A Fifa não pode correr qualquer risco com relação à sua imagem, então tenho certeza que tiveram um papel", diz Desbordes.

        Ministério paralisado

        Silva deixa o cargo em meio a denúncias de envolvimento em desvios de verbas destinadas a ONGs em sua pasta, e que vinham se arrastando há duas semanas. Ele é o sexto ministro a deixar o governo da presidente Dilma Rousseff desde junho.

        De acordo com José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), a indefinição gerada pelas acusações a Silva vinha paralisando parte dos trabalhos no Ministério do Esporte.

        "O mais importante era ter algo definitivo: ou que o ministro ficasse com força, ou que saísse", afirma Bernasconi. "Se o ministro tem que passar seu tempo dando explicações, ele não consegue cuidar das questões de fato importante de sua pasta."

        Isso foi explicitado nesta terça-feira, quando Silva passou a tarde no Congresso para debater a Lei Geral da Copa. A maior parte do tempo da audiência pública foi dedicada a defesas ou ataques à permanência do ministro, que apresentou sua carta de demissão na noite desta quarta-feira.

        Logo da Fifa. Reuters

        Imagem da FIFA também é abalada com a demissão, na opinião de Desbordes

        Coordenador nacional de mobilização do projeto Jogos Limpos, Felipe Saboya considera cedo para avaliar o que vai mudar em relação à organização dos grandes eventos.

        Mas diz que o maior envolvimento que a presidente Dilma vinha tendo, buscando "tomar as rédeas do processo", indicava que não estava satisfeita com a organização e o andamento das obras.

        Controle social

        Saboya salienta que a renúncia do ministro não é uma solução para o problema da corrupção, que deve ser atacado de maneira preventiva, com maior transparência e controle social da população sobre os investimentos públicos.

        "A gente consegue identificar no governo atual uma vontade muito grande de combater a corrupção. Mas precisamos dar passos além. É preciso aprimorar o marco regulatório em relação ao combate à corrupção", afirma.

        Ele destaca um levantamento recente feito pela Frente Parlamentar de Combate à Corrupção do Congresso, mostrando que mais de 100 projetos ligados ao combate da corrupção estão parados no Congresso.

        "Se a gente selecionasse e priorizasse alguns destes, já daria passos muito importantes em direção à prevenção da corrupção", diz o coordenador nacional do projeto Jogos Limpos.

        Uma iniciativa do Instituto Ethos, o projeto foi criado em janeiro para promover o envolvimento e a cobrança da população em relação aos investimentos feitos no país para sediar a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

        Com comissões nacionais e nas 12 cidades-sede, o projeto conta com a adesão de mais de cem organizações no país, entre representantes da sociedade civil, de empresários, de acadêmicos e de trabalhadores.

        Em uma das ações que vem tomando para promover a transparência nos gastos públicos, por exemplo, está a cobrança de que os municípios e os estados identifiquem claramente quais são os investimentos direcionados a obras para os grandes eventos nos orçamentos para 2012, atualmente em discussão.

        "Nosso objetivo é desenvolver uma cultura de maior transparência, no contexto do combate à corrupção. Para isso precisamos de maior envolvimento da população. Este é o pulo do gato: a sociedade brasileira precisa exercer controle social sobre os investimentos públicos brasileiros, monitorando e intervindo quando for preciso."

        Colaborou Paulo Cabral, da BBC em São Paulo

        BBC Brasil – Notícias – Queda de ministro prejudica imagem do Brasil no exterior, dizem especialistas

        26/10/2011

        Bem que eles poderiam pagar a conta que fizeram

        Filed under: Corruptores,Cosa Nostra,Crise Financeira Européia — Gilmar Crestani @ 9:09 am
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        Rede ‘pequena’ de corporações controla economia global, diz pesquisa

        Atualizado em  26 de outubro, 2011 – 06:01 (Brasília) 08:01 GMT

        Gráfico traz empresas muito conectadas em vermelho, e superconectadas, em amarelo (Foto: PloS ONE)

        A economia global é comandada por uma "superentidade" formada por uma rede de relativamente poucas corporações transnacionais, cuja relação estreita de propriedade entre si traz riscos à estabilidade do sistema econômico mundial, segundo estudo realizado por cientistas com base na Suíça.

        A pesquisa, feita por especialistas do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, com sede em Zurique, e que será publicada na revista científica PloS ONE, usou métodos de análise de sistemas complexos para estudar 43.060 multinacionais, a partir de uma base de dados de 37 milhões de empresas e investidores de todo o mundo, datada de 2007.

        Das corporações estudadas, os cientistas criaram um modelo a partir das participações acionárias das empresas entre si, somadas a seus lucros operacionais. Assim, os pesquisadores chegaram a um "núcleo" de 1.318 corporações que possuem no mínimo duas outras – embora elas tivessem, em média, elos com 20 outras empresas.

        Essa rede de 1.318 companhias, de acordo com a pesquisa, possuía a maior parte das ações de empresas de alta confiabilidade e lucratividade (conhecidas como ações blue chip) e de manufatura do mundo, que representam cerca de 60% dos lucros operacionais globais.

        A maioria das corporações que compõem este grupo é formada por bancos. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha são os países com o maior número de empresas nesta lista, seguidos por França, Espanha e Itália. O banco Bradesco é a única empresa brasileira que está neste núcleo.

        Rede restrita de corporações

        Ao estreitar ainda mais a rede de propriedade das corporações, os cientistas encontraram uma "superentidade" formada por 147 empresas que possuem parte ou a totalidade da propriedade umas das outras. Segundo o estudo, esta "superentidade", embora represente menos de 1% das multinacionais do mundo, comanda 40% da riqueza gerada pelas outras 42.913.

        Protesto em Madri. Foto: Reuters

        Estudo é divulgado depois que ativistas de todo o mundo protestaram contra as corporações

        A exemplo do grupo mais amplo, esta rede "superexclusiva" é formada, em sua maioria, por instituições financeiras. Entre as 20 corporações mais poderosas desta relação estão o banco britânico Barclays (em primeiro lugar) e os bancos americanos JPMorgan Chase e Goldman Sachs.

        Pelo fato de a pesquisa ter usado dados de 2007, a instituição financeira americana Lehman Bros., cuja falência acabou dando início à crise mundial de 2008, aparece em 34º lugar entre as corporações mais poderosas da "superentidade".

        Os autores da pesquisa afirmam que, usando métodos de análise de sistemas complexos, pretenderam realizar um estudo sobre a economia global levando em conta informações "puras", e não convicções ideológicas. "Deixe os dados falarem, e não os dogmas", disse um dos pesquisadores, James Glattfelder, em seu blog.

        O estudo, no entanto, sofreu críticas. O especialista Yaneer Bar-Yam, chefe do Instituto de Sistemas Complexos da Nova Inglaterra (EUA), disse à revista New Scientist que a pesquisa iguala as noções de propriedade e de controle, o que não seria, segundo ele, sempre a mesma coisa.

        Riscos à estabilidade

        As 20 maiores corporações "superconectadas"

        1. Barclays (Grã-Bretanha)
        2. Capital Group Companies (EUA)
        3. FMR Corporation (EUA)
        4. AXA (França)
        5. State Street Corporation (EUA)
        6. JP Morgan Chase (EUA)
        7. Legal & General Group (Grã-Bretanha)
        8. Vanguard Group (EUA)
        9. UBS (Suíça)
        10. Merrill Lynch (EUA)
        11. Wellington Management (EUA)
        12. Deutsche Bank (Alemanha)
        13. Franklin Resources (EUA)
        14. Credit Suisse (Suíça)
        15. Walton Enterprises (Grã-Bretanha)
        16. Bank of New York Mellon Corp (EUA)
        17. Natixis (França)
        18. Goldman Sachs (EUA)
        19. T Rowe Price Group (EUA)
        20. Legg Mason (EUA)
        Fonte: PloS ONE

        De acordo com o economista John Driffill, da Universidade de Londres, este estudo é o primeiro a identificar empiricamente algo há muito debatido, que é a rede de poder formada por um grupo razoavelmente pequeno de grandes corporações transnacionais.

        Segundo ele, no entanto, a importância do estudo não reside tanto no fato de verificar a existência de uma "superentidade" que comanda a economia no mundo, e sim em trazer novas ideias sobre os riscos à estabilidade financeira global, com base na interdependência entre as corporações.

        "O problema na Europa hoje é que todos os bancos que possuem parte da dívida grega e espanhola fizeram empréstimos entre si, então se um deles quebrar, todos os outros quebrarão. São ligações como essas que fizeram com que a quebra do Lehman Bros. em 2008 se tornasse um desastre global", disse Driffill à BBC Brasil.

        O estudo foi divulgado depois que ativistas em todo o mundo realizaram ocupações e protestaram contra as grandes corporações e os cortes de gastos públicos.

        Driffill afirma, no entanto, que o fato da economia global ser comandada por uma rede limitada de empresas não é algo intencional ou planejado, e sim um movimento espontâneo.

        "Este é um grupo grande, formado por mais de cem empresas, com interesses bastante diversos entre si. Não é possível que elas estejam de alguma forma conspirando", afirma.

        BBC Brasil – Notícias – Rede ‘pequena’ de corporações controla economia global, diz pesquisa

        Il bruto, l’sporco et il cativo

        Filed under: Cosa Nostra,Itália — Gilmar Crestani @ 9:02 am
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        Italia, il vecchio che avanza

        Guardateli bene in faccia: sono forse questi signori in grado di risolvere i mille problemi della società italiana? Li reputate all’altezza delle sfide della modernità? E capaci di ascoltare le esigenze dei giovani, di programmare il futuro, di arrestare il declino in atto? Sì… la penso esattamente come la maggior parte di voi.

        Eppure, proprio ora che occorrerebbe una svolta lungimirante, una visione coraggiosa, quel vento nuovo da molti auspicato, le nostre sorti sono impietosamente legate agli arzilli vecchietti della politica italiana. Sul premier Berlusconi ormai c’è poco da aggiungere, oltre a ciò che è finalmente diventato palese a tutti: è il simbolo vivente della decadenza nazionale, con gli annessi e connessi che da anni le cronache quotidiane ci riportano. Accanto a lui, quasi per un perverso meccanismo simbiotico, resiste il malconcio padano Bossi che tra un rutto e un gestaccio appare gravemente sconnesso dalla realtà.

        Infine c’è l’inattesa "new entry", quella più chic se vogliamo, incarnata dal capriccioso libertario di lungo corso Pannella al quale pure dobbiamo tante conquiste civili ma che adesso, forse a causa dell’abusato digiuno, esalta il proprio carattere discontinuo e bizzarro al limite dello psicopatologico.

        Cos’hanno in comune? A parte il fatto che potrebbero, salvo incidenti dell’ultima ora, concludere gli scampoli di seconda repubblica dallo stesso lato della barricata, tutti e tre non riescono più a interpretare il sentimento popolare, almeno quello più diffuso. Oppure, chissà, semplicemente non vogliono. Consapevoli di essere alle ultime battute della propria vicenda pubblica e di un sistema al collasso, magari puntano egoisticamente a soddisfare le priorità personali a scapito dell’interesse generale, siano esse le ultime leggi ad personam per scongiurare la galera o lo scettro del comando nella magica cerchia di quell’accademia un po’ curiosa chiamata Lega o un bell’assegnone (partitocratico?) che salvi le antenne di Radio Radicale dall’emarginazione del regime.

        Detta molto francamente, visti i tempi e rinunciando agli inopportuni ed ipocriti distinguo, a chi ha un pizzico di sale nella zucca di quegli interessi particolari non dovrebbe fregare un accidenti. Anche dentro lo stesso Palazzo. Perchè fuori il mondo scorre in modo assai differente, con altri colori e con altri sapori. C’è gente che soffre e s’indigna per cose di gran lunga più serie, che se gli chiedi cosa pensa di certi pruriti della casta ti risponde che, di norma, un ladro e corruttore sta al fresco e non a Palazzo Chigi, un cerebroleso (che non è una parolaccia ma la definizione scientifica per indicare chi ha subito una grave menomazione a livello neurologico) si fa curare in nosocomio e non fa il ministro per le riforme, mentre uno che sta sempre in sciopero della fame dimagrisce e non ingrassa!

        La questione giovanile, che evidentemente non può essere affrontata da certi anziani signori fermi alla condizione e alle logiche degli anni ’80 (ad andar bene), dovrebbe occupare in modo quasi esclusivo l’odierna agenda politica e sociale. E chi si attarda in altre discussioni, ostinandosi a non varare misure per la crescita che antepongano i bisogni dei figli ai privilegi dei padri, optando così una volta per tutte per la costruzione del futuro, meriterebbe un’accusa per crimini contro l’umanità.

        I dati apocalittici sugli attuali disequilibri generazionali del nostro Paese, purtroppo, continuano ad essere diffusi con spietata puntualità. Ad esempio, tralasciando le solite cifre riguardanti il Sud che già fanno rabbrividire, nei giorni scorsi è uscito un rapporto del Comune di Milano sui "nuovi poveri" dove spiccano i neolaureati assistiti dalle associazioni di volontariato, tutti con un’età media di 30 anni, abituati a chiedere ospitalità per procurarsi cibo e vestiti.

        Il loro numero è raddoppiato rispetto al 2010 e va a sommarsi alle persone che hanno perso il lavoro o con un reddito così basso da non riuscire ad arrivare alla fatidica "fine del mese". Perfino i "senza tetto" sono cresciuti nella capitale finanziaria d’Italia (+10% rispetto all’anno scorso), come si è visto pure nella scorsa puntata di Ultima Parola con il caso della famiglia costretta a vivere in automobile.

        L’indigenza economica, assieme all’indifferenza delle istituzioni, fomenta in chi la vive un grande sentimento di rabbia verso la società, che spesso può degenerare in vere e proprie ribellioni violente. E in quei casi, anche volendosi sforzare, diviene davvero difficile non cedere a qualche forma di giustificazione. Specie se a ribellarsi sono appunto i più esclusi dal sistema, vale a dire le nuove generazioni.

        Il sito di analisi economica Lavoce.info, attingendo dagli archivi della Banca d’Italia e di Camera e Senato, ha recentemente pubblicato uno studio su debito pubblico e condizione economico-sociale degli italiani. Giusto per non farci mancare un altro punto di vista autorevole sul dramma dei nostri giovani, che emerge di nuovo in tutta la sua gravità. La premessa rileva che l’enorme deficit accumulato dallo Stato a cavallo fra gli anni ’60 e ’90, che come sappiamo ha continuato a crescere anche nel periodo successivo, non è stato utilizzato per lo sviluppo ma per far fronte ai consolidati privilegi di determinate categorie sociali, soprattutto di pensionati e dipendenti pubblici e in genere dei soggetti nati nel decennio 1940-1950, che hanno trascorso la gran parte della propria vita lavorativa nel frangente di massima espansione del debito stesso trasferendone i costi alla generazione successiva, quella dei loro figli nati tra il 1965 e il 1975.

        Confrontando i dati si evince chiaramente, avendo come riferimento lo stesso parametro anagrafico, come il tasso di occupazione della generazione dei nonni (nati negli anni ’20 e ’30) fosse più elevato di quello dei padri oggi cinquantenni e sessantenni. E non perchè questi ultimi abbiano incontrato maggiori difficoltà a trovare lavoro, bensì perchè sono stati i protagonisti negativi del fenomeno delle "baby pensioni". Gli attuali trentenni e quarantenni, ammesso che siano così fortunati da possedere un lavoro, non hanno ancora raggiunto la fascia di età dei loro padri ma a loro non sarà certamente concesso di ottenere la pensione prima dei 65 o 70 anni. Anzi, l’avranno più tardi e d’importo nettamente inferiore rispetto ai padri.

        In sostanza, i figli non hanno concorso alla formazione del debito pubblico, accumulato quasi totalmente nel corso della vita lavorativa dei padri, ma saranno principalmente loro a doverlo pagare attraverso l’imposizione fiscale degli anni venturi. La crisi finanziaria in atto, peraltro, sta dimostrando che l’Italia non potrà continuare a indebitarsi alle stesse condizioni del passato e che chi ha 30 o 40 anni non potrà trasferire i costi collettivi del debito ereditato ai propri figli e nipoti.

        Anche esaminando le ultime misure economiche che hanno drasticamente tagliato i servizi a livello locale, con particolare riferimento a quelli socio-assistenziali e sanitari, appare evidente che i più penalizzati sono e saranno i soggetti appartenenti alla generazione dei figli di oggi. Senza dimenticare la sproporzione della spesa pensionistica prevalentemente destinata, in virtù delle continue riforme degli ultimi vent’anni, a coprire i diritti acquisiti di padri e nonni penalizzando, di nuovo, le prospettive di figli e nipoti. Insomma, oggi i giovani stanno peggio dei loro padri e quasi certamente non potranno garantire un futuro migliore ai propri figli.

        E’ poco per protestare? Per scendere in piazza a urlare la propria indignazione? A fronte di tale fosco scenario, si assiste alla strenua resistenza della classe dirigente a tutela dei propri vantaggi. La politica, in particolare, evita sistematicamente di responsabilizzarsi rispetto all’urgenza di concorrere al risanamento dei conti pubblici. Magari rinunciando a qualcosa che ai più appare come superfluo e ingiusto. E invece, anche all’interno delle istituzioni e dei partiti, a decidere per tutti e ad essere sovrarappresentati sono proprio i padri e perfino i nonni. I parlamentari appartenenti alla generazione dei figli, infatti, sono appena il 16%. E’ pertanto quanto mai necessario un ricambio generazionale nei posti che contano, anche per disinnescare la degenerazione delle manifestazioni di dissenso.

        In pochi lo stanno comprendendo. L’assenza di interlocutori credibili per il mondo giovanile, di riferimenti certi e di guide consapevoli dei loro bisogni, è un’altra questione di rilievo nel più vasto problema del deficit di rappresentanza. Fra quanti dimostrano una spiccata capacità di ascolto, possiamo annoverare due personalità di primo piano del nostro panorama pubblico: Giorgio Napolitano e Romano Prodi. In pratica, l’attuale Presidente della Repubblica e chi viene accreditato in maniera sempre maggiore come colui che ne erediterà la carica. Tanto "freschi" non sono neanche loro, a riprova della consuetudine gerontocratica tutta italiana.

        Del Capo dello Stato conosciamo bene l’attitudine a interessarsi delle questioni legate alle nuove generazioni e al futuro del Paese, mentre l’ex premier, da quando ha lasciato la politica attiva, ha avuto modo di essere costantemente a contatto coi giovani grazie all’insegnamento universitario. Esperienza raccolta in un libro-intervista pubblicato da Aliberti, Futuro Cercasi, nel quale si occupa di disagio e di cattiva politica. Temi tra l’altro affrontati nelle sue seguitissime apparizioni televisive nel programma di la7 "Il mondo che verrà".

        Si tratta di un manifesto "futurista" che non esalta soltanto l’affermazione anagrafica ma soprattutto il bisogno di autonomia, in senso sociale ed economico, di una generazione di fatto emarginata dai processi decisionali. Il nodo strategico, per Prodi, consiste appunto in questo: i giovani devono crearsi un profilo forte, ma vanno sostenuti attraverso investimenti di sistema volti a rafforzare il settore della formazione. Dunque quello del Professore è un atto d’accusa severo, probabilmente anche in chiave personale, a quanti hanno a lungo favorito la logica mercatista – egoista e senza futuro – del "chi è fuori è fuori e chi è dentro è dentro".

        Se questi riconoscimenti illustri possono contribuire a indirizzare il malcontento giovanile verso un terreno più sobrio e responsabile, che isoli le sacche di violenza, è presto per dirlo. Però c’è già fra i giovani chi ha scelto di lottare in modo originale contro le diseguaglianze, ma non per questo meno provocatorio, affidando la propria indignazione alla creatività della scrittura. Come Domenico Cirasole, classe 1973, e Raffaella Giancarla Landriscina, classe 1970, con l’e-book Il precario Ugo sfida la privilegiata casta, nel quale raccontano le lotte dei giovani precari e degli indignati italiani accomunandole a quelle dei coetanei arabi ed europei.

        Il messaggio del libro è il seguente: nell’era della globalizzazione, per lungo tempo caratterizzata da una forma selvaggia di liberismo, l’egoismo della finanza, della politica e dell’impresa (di quel mondo, cioè, che detiene la quasi totalità della ricchezza del pianeta) può essere spezzato solo se uniti. I giovani nelle piazze mondiali vogliono ricordare a tutti questa primaria necessità di solidarietà e di coesione democratica, contro le varie caste e cricche che accumulano benefici e sottraggono dignità ai popoli. Per evitare il ripetersi di gesti di protesta estrema, occorre capire il disagio ascoltandolo, condividendolo e risolvendolo.

        Come i giovani autori Domenico e Raffaella, anche Caterina De Manuele, 28 anni e una laurea al Politecnico di Milano con 109 su 110, ha affidato il suo sdegno annotandolo su carta. Lei ha avuto il coraggio di dire NO alla rivista a cui aveva inoltrato il proprio curriculum, che voleva sfruttarla come stagista senza rimborsarle neanche un centesimo, e per questo si è addirittura vista apostrofare come "mignotta" in un acceso scambio di mail con l’editore. Circostanza che l’ha spinta a inviare una lettera al Presidente Napolitano, per rivolgergli un accorato appello e invitarlo a non lasciare soli i giovani italiani ai quali è già stato rubato il futuro.

        Nel frattempo, intanto che altre storie analoghe di ingiustizia e di sofferenza si consumano a danno della parte della società che dovrebbe rappresentare l’avvenire di tutti, il teatrino della politica sembra mandare in scena l’ennesimo spettacolo rivoltante. E manco a farlo apposta proprio su una questione che potrebbe rivelarsi di vitale importanza per il futuro dei giovani e che è affidata ancora una volta a due vecchietti come Berlusconi e Bossi. I due si azzuffano intorno al tema dell’innalzamento dell’età pensionabile, provvedimento che consentirebbe in prospettiva di riequilibrare, finalmente, la spesa sociale a vantaggio delle nuove generazioni salvando dalla bancarotta il sistema previdenziale e consentendo di incentrare lo sviluppo del Paese sulla creazione di nuove opportunità occupazionali.

        Se il "vivace" dibattito in corso servirà almeno a far cadere questo governo (ma tanto chi ci crede?), non più presentabile e all’altezza delle sfide sul tappeto, ben venga la zuffa. Magari assieme a una classe dirigente rinnovata, pure anagraficamente, e più al passo coi tempi.

        Italia, il vecchio che avanza – AgoraVox Italia

        25/10/2011

        Os males do Brasil são…

         

        Ricardo Plim-Plim Teixeira por trás da derrota da Seleção no PAN – diz jornalista da Record

        Foto de Arquivo – Roberto Irineu Marinho (presidente da TV Globo), e Ricardo Teixeira (presidente da CBF) em visita a Gilmar Mendes (presidente do STF, nesta época).

        Cosme Rímoli, blogueiro do portal R7, diz que a derrota da Seleção Brasileira sub-20 para a Costa Rica no Pan-Americano de Guadalajara tem nome e sobrenome: Ricardo Plim-Plim Teixeira.
        O blogueiro diz aquilo que todo mundo pensa: Teixeira, por estar brigado com a TV Record, detentora dos direitos de transmissão do PAN, enviou uma seleção fraca, para perder, e para não dar audiência à concorrente da TV Globo:

        A imprensa internacional que não conhece as tristes entranhas do futebol brasileiro ficou pasmada.
        "Mas o Brasil não foi campeão mundial sub-20?", me perguntavam.

        O time que foi à Colômbia era totalmente diferente.

        O que veio aqui [no PAN] não.
        Não por culpa dos meninos que vieram, repito.
        Mas porque não houve interesse da CBF em montar uma equipe de verdade.
        ….
        Foi uma crueldade.
        Não com a Record.
        Mas com o futebol brasileiro.
        Com os torcedores.
        E até com os meninos.
        ….
        As pessoas precisam entender o que está por trás dos fatos.

        Ninguém quer saber se foi o time que Teixeira permitiu que viesse ao Pan.
        A camisa da Seleção precisa ser respeitada.
        Por mais que a pessoa tenha interesses mesquinhos.
        Globais, até.

        O futebol do Brasil saiu pela porta dos fundos do Pan de 2011…

        Ricardo Plim-Plim Teixeira por trás da derrota da Seleção no PAN – diz jornalista da Record | Os Amigos do Presidente Lula

        RB$, de rabo preso com a mentira

        Filed under: Coronelismo Eletrônico,Corruptores,Cosa Nostra,RBS — Gilmar Crestani @ 9:30 am
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        A liberdade de imprensa é tão grande e leva a sério, e  de tal forma, que nenhum colonista, nenhum celetista da empresa pode comentar a qualidade da formação dos quadros que ela defeca na política. A seleção é feita pelo caráter, ou pela sua falta. Se alguém disser, trabalho na RBS, se afaste. Hoje, o PCC é menos nocivo à sociedade que a RBS.

        Juiz critica monopólios na mídia e aponta manipulação em cobertura da RBS

        O presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), João Ricardo dos Santos Costa, criticou a cobertura que o jornal Zero Hora fez de um seminário sobre liberdade de imprensa e Poder Judiciário, em Porto Alegre. A matéria sobre o evento omitiu a parte do debate relacionada aos monopólios de comunicação. “Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento", diz o juiz em entrevista à Carta Maior.

        Marco Aurélio Weissheimer

        No dia 21 outubro, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) promoveram, em Porto Alegre, um seminário para discutir liberdade de imprensa e Poder Judiciário. O convite para o encontro partiu da ANJ que já promoveu um debate similar junto ao Supremo Tribunal Federal (Ver artigo de Venício Lima, Direito à comunicação: o “Fórum” e a “Ciranda”). Os interesses temáticos envolvidos no debate não eram exatamente os mesmos. Enquanto que a ANJ e as suas empresas afiliadas estavam mais interessadas em debater a liberdade de imprensa contra ideias de regulação e limite, a Ajuris queria debater também outros temas, como a ameaça que os monopólios de comunicação representam para a liberdade de imprensa e de expressão.
        O jornal Zero Hora, do Grupo RBS (e filiado a ANJ) publicou no sábado (24/10/2011) uma matéria de uma página sobre o encontro. Intitulada “A defesa do direito de informar”, a matéria destacou as falas favoráveis à agenda da ANJ – como as da presidente da associação, Judith Brito, e do vice-presidente Institucional e Jurídico da RBS, Paulo Tonet – e omitiu a parte do debate que tratou do tema dos monopólios de comunicação. Na mesma edição, o jornal publicou um editorial furioso contra o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, acusando-o de querer censurar o jornalismo investigativo (Ver matéria: Tarso rechaça editorial da RBS e diz que empresa manipulou conteúdo de conferência). No mesmo editorial, o jornal Zero Hora apresentou-se como porta-voz da “imprensa livre e independente” e afirmou que “a credibilidade é a sua principal credencial”.
        Agora, dois dias depois de o governador gaúcho acusar a RBS de ter manipulado o conteúdo de uma conferência que proferiu no Ministério Público do RS, omitindo uma parte que não interessava à construção da tese sobre a “censura ao jornalismo investigativo”, mais uma autoridade, desta vez o presidente da Ajuris, João Ricardo dos Santos Costa, vem a público criticar uma cobertura da RBS, neste caso, sobre o evento promovido em conjunto com a ANJ. A omissão da parte do debate relacionada ao tema do monopólio incomodou o presidente da Associação de Juízes.
        “Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento que era a discussão sobre os monopólios de comunicação”, disse João Ricardo dos Santos Costa em entrevista à Carta Maior.
        Na entrevista, o presidente da Ajuris defende, citando Chomsky, que “o maior obstáculo à liberdade de imprensa e de expressão são os monopólios das empresas de comunicação”. A “credibilidade” reivindicada pela RBS no editorial citado não suporta, aparentemente, apresentar a voz de quem pensa diferente dela. “O comportamento do jornal em questão ao veicular a notícia suprimindo um dos temas mais importantes do debate, que é a questão dos monopólios, mostra justamente a necessidade daquilo que estamos defendendo”, destaca o magistrado.
        Carta Maior: Qual foi o objetivo do seminário sobre Liberdade de Imprensa e Poder Judiciário e quais foram os principais temas debatidos no encontro realizado dia 21 de outubro em Porto Alegre?
        João Ricardo dos Santos Costa: A Ajuris foi procurada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) para promover um evento com o objetivo de debater liberdade de imprensa e o Poder Judiciário. A relação se justifica pelo grande número de questões que chegam ao Judiciário envolvendo a atividade jornalística. Essas questões envolvem, muitas vezes, decisões que limitam a divulgação de certas matérias. Pois bem, fomos procurados para fazer esse debate que gira em torno de dois valores constitucionais: a liberdade de expressão e a independência do Judiciário. Para alguns haveria um aparente conflito entre esses dois princípios. Nós nos dispomos, então, a construir por meio do debate o que significa a convivência desses dois valores em sociedade democrática. Esse foi o grande desafio que esse evento pretendia enfrentar.
        Há duas posições veementes neste debate. De um lado há aqueles que não admitem nenhum tipo de cerceamento à informação; de outro, há aqueles que não admitem qualquer tipo de restrição ao trabalho do Judiciário. Do ponto de vista constitucional, cabe ao Judiciário solucionar todos os conflitos, inclusive os que envolvem a imprensa. A imprensa não está fora das regulações judiciais. Há um embate muito forte entre essas duas posições. Se, de um lado, a ANJ buscou explorar o tema da liberdade de imprensa sob a ótica da atividade judicial, nós buscamos fazer um debate sobre a questão constitucional da liberdade de imprensa, no que diz respeito à distribuição de concessões aos veículos de comunicação.
        Carta Maior: Por que a Ajuris decidiu abordar o tema da liberdade de imprensa sob essa ótica?
        João Ricardo dos Santos Costa: Chomsky tem dito que o maior obstáculo à liberdade de imprensa e de expressão são os monopólios das empresas de comunicação. Não só ele, aliás. Vários pensadores contemporâneos dizem a mesma coisa. Para nós, esse é o cerne da questão. Hoje não há pluralidade, não há apropriação social da informação. O que existe é o interesse econômico que prepondera. Os editoriais são muito mais voltados aos negócios. Hoje mesmo, o editorial de um jornal local [Zero Hora/RBS] expressa preocupação com a vitória de Cristina Kirchner na Argentina dizendo que seria um governo populista que teria explorado o luto [pela morte de Néstor Kirchner] para se reeleger.
        Há toda uma preocupação sobre o que representa esse governo para os negócios das empresas de comunicação, em especial no que diz respeito ao conflito entre o governo argentino e o grupo Clarín. A sociedade brasileira só tem conhecimento do lado da empresa de comunicação. A visão do governo argentino sobre esse tema nunca foi exposta aqui no Brasil.
        E aí vem uma questão fundamental relacionada à liberdade de imprensa. O problema não é o que os meios de comunicação veiculam, mas sim o que omitem. Esse é o grande problema a ser superado.
        Carta Maior: E esse tema foi debatido no seminário?
        João Ricardo dos Santos Costa: No nosso evento, eu lembro de uma fala do deputado Miro Teixeira. Ele disse que a história da censura envolve o cerceamento de grandes pensadores da humanidade, como Descartes, Locke, Maquiavel, Montesquieu, entre outros. Citou isso para exemplificar os danos sociais dessa censura. Mas hoje o que nós observamos é que os grandes pensadores contemporâneos são cerceados não pelos censores que existiam antigamente, mas pelos próprios detentores dos meios de comunicação. Os grandes meios de comunicação não veiculam, não debatem hoje os grandes pensadores da humanidade. Nomes como Amartya Sen, Noam Chomsky, Hobsbwan, entre outros, não têm suas ideias discutidas na mídia, não são procurados para se manifestar sobre as grandes questões sociais. Não são chamados pela grande mídia para dar sua opinião e o que acaba prevalecendo é o interesse do capital financeiro, que é aquele que não vai pagar a conta da crise.
        Eu dou esse exemplo para demonstrar a gravidade do problema representado por esse monopólio, esse interesse econômico preponderante sobre o direito à informação. Esse interesse diz incessantemente para a sociedade que a única saída para superar a crise atual é por meio do sacrifício dos mais pobres e dos setores médios da população. Não se toca na questão do sacrifício do setor financeiro. Este setor não pode ter prejuízo. Quem vai ter prejuízo é a sociedade como um todo, mesmo que isso atinja direitos fundamentais das pessoas.
        Então, esse debate sobre a democratização dos meios de comunicação é extremamente importante e deve começar a ser feito de forma transparente para que a sociedade se aproprie do que realmente está acontecendo e que possa ter autonomia em suas decisões e mesmo influenciar a classe política que hoje está entregue aos grandes financiadores de campanha que são os mesmos que fornecem a informação enlatada que estamos recebendo. Nós, da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, estamos propondo esse debate para a sociedade.
        Carta Maior: Esse debate que o senhor relatou não apareceu na cobertura midiática do encontro pelo grupo RBS, que participou do mesmo. O jornal Zero Hora dedicou uma página ao encontro, com uma matéria intitulada “A defesa do direito de informar”, sem fazer nenhuma menção a essa parte do debate envolvendo os temas do monopólio e da democratização dos meios de comunicação. Como é que a Ajuris, que propôs esse debate, recebe esse tipo de cobertura?
        João Ricardo dos Santos Costa: O comportamento do jornal em questão ao veicular a notícia suprimindo um dos temas mais importantes do debate, que é a questão dos monopólios, mostra justamente a necessidade daquilo que estamos defendendo. É como eu disse antes: o problema maior é aquilo que é omitido, aquilo que não é revelado. Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento que era a discussão sobre os monopólios de comunicação. Nós não vamos nos omitir em tratar desse assunto por mais dolorido que ele possa ser. É evidente que não é um assunto que deva ser banalizado. Ele é o mais importante de todos. Estamos tratando de pluralidade de pensamento.
        Carta Maior: No debate, o deputado federal Miro Teixeira defendeu que a liberdade de imprensa é um direito absoluto. Qual sua opinião sobre isso?
        João Ricardo dos Santos Costa: Eu compartilho a ideia de que não há nenhum direito absoluto, não pode haver. Neste contexto de monopólio, menos ainda. Liberdade absoluta de imprensa em um contexto onde sequer a Constituição Federal é cumprida. no sentido de proibir a existência de monopólios. É algo completamente daninho à democracia. Outra coisa com a qual eu também não concordo , envolvendo esse debate, é a afirmação do ministro Marco Aurélio Buzzi (do Superior Tribunal de Justiça) de que nós temos liberdade até para matar. Nós não temos liberdade para matar. Não vejo, dentro da nossa organização jurídica e de sociedade, que tenhamos liberdade para matar. Do fato de, no Código Penal brasileiro, “matar alguém…pena de tanto a tanto” aparecer como uma expressão afirmativa, não se segue o direito de matar. Nós não podemos matar e não podemos violar o Direito. Não temos essa liberdade. Não temos a liberdade de tirar a liberdade das outras pessoas. O direito individual não chega a esse radicalismo que se pretende com essa afirmação de que a liberdade de imprensa é um direito absoluto.
        Carta Maior: A ANJ realizou recentemente, no Supremo Tribunal Federal (STF), um seminário semelhante a este realizado no Rio Grande do Sul. Há, portanto, uma óbvia preocupação com a posição do Poder Judiciário neste debate. Qual é, na sua avaliação, o papel do Judiciário neste contexto?
        João Ricardo dos Santos Costa: O fato de se debater, em primeiro lugar, é um grande caminho para amadurecer esses institutos que, aparentemente, estão colidindo, na sociedade. É lógico que o Judiciário, nesta e em outras grandes questões da sociedade brasileira, tem sido provocado a se pronunciar. Muito pela ineficiência do Poder Legislativo. O STF tem decidido sobre questões que o Legislativo se mostra incapaz de resolver: união homoafetiva, aborto, demarcação de terras indígenas, células-tronco, entre outros. A pressão envolvendo esses temas está vindo para cima do Judiciário. E o Judiciário, por sua formatação de autonomia e independência, ele se mostra menos vulnerável a pressões. Decidir é da essência do Poder Judiciário, desagradando um dos lados em litígio.
        Quando esse lado é muito poderoso, os danos à instituição podem ser pesados. Numa decisão, por exemplo, que contraria os interesses de um monopólio de comunicação, esse monopólio joga todo esse seu poder para atingir a credibilidade do Judiciário como instituição. Creio que aí aparece um outro grande debate que deve ser feito sobre até que ponto esse tipo de postura não corrói a nossa democracia.

        Carta Maior – Política – Juiz critica monopólios na mídia e aponta manipulação em cobertura da RBS

        24/10/2011

        Só com veneno de rato

        Filed under: Corruptores,Cosa Nostra,RBS — Gilmar Crestani @ 9:12 am
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        ORGANIZAÇÃO MAFIOMIDIÁTICA DIRIGIDA POR SUPOSTO CRIMINOSO DO COLARINHO BRANCO CRIA EDITORIA DE BANDIDAGEM JORNALÍSTICA PARA ATACAR GOVERNO DO PT

        Entre as inestimáveis contribuições do tabloide Zero Hora à história do jornalismo investigativo brasileiro, figura um caso exemplar, perpetrado na edição do dia 21/9/09 da gazetinha gaúcha. Para quem chegou agora ou para quem já esqueceu, a reporcagem de capa daquela data trazia espetaculares revelações sobre "as estratégias do MST", todas elas esteadas no conteúdo de um suposto caderninho escolar, "com 26 páginas escritas à mão", encontrado dentro de um latão de lixo no estacionamento do Incra, em Porto Alegre. A despeito de não existir o mínimo indício da autenticidade de tais anotações – e sequer de sua existência – , o operoso e paranormal "repórter investigativo" de ZH produziu duas páginas de gatafunhos baseado unicamente em sua malcheirosa "descoberta". Vale lembrar que o autor da "matéria", o suposto "jornalista investigativo" Humberto Trezzi, já possuía em seu laureado currículo uma vergonhosa carraspana pública pela prática de plágio, que submeteu seu empregador ao constrangimento de uma retratação.
        É em nome dessa moral de fancaria que a laboriosa "abelha-rainha" Rosane de Oliveira, editora de Política do jornaleco e titular da afamada coluna Página 10 do mesmo diário, tenta infundir entre os desavisados leitores do jornalzinho que o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, eleito em primeiro turno, "ataca a imprensa", "ataca o jornalismo investigativo" e promove uma ignominiosa "pregação contra a mídia".

        Esta mesma Sra. Oliveira, que atravessou o reinado de D.Yeda Crusius, A Louca, tentando desqualificar o trabalho de investigação do Ministério Público Federal nos milionários escândalos de corrupção do governo tucano, arroga-se agora o direito de desqualificar, distorcer, descontextualizar, manipular e mentir sobre uma conferência proferida pelo governador gaúcho em um "congresso sobre corrupção" promovido pelo MP na semana que passou. Para ler o discurso de Tarso Genro na íntegra e comprovar a natureza bandida da melíflua editora e colunista de ZH, clique aqui no Café & Aspirinas.

        As digitais da indigitada jornalista são nítidas também no solene Editorial de Zero Hora publicado ontem, 22, em que a organização mafiomidiática manifesta seu “estarrecimento” pelo que chama de “ataque desfechado pelo governador Tarso Genro ao jornalismo investigativo”. O texto diz que o governador sustenta uma posição que “tende a interessar mais aos corruptos do que aos cidadãos”. A resposta do governador foi imediata, e pode ser conferida nesta postagem do portal Carta Maior.

        Aguardamos, com toda a paciência do Rio Grande do Sul, do Brasil e do mundo, a manifestação do conglomerado, no mesmo nobre espaço – e, quem sabe, na coluna-bandida Página 10 -, sobre a ação penal que tramita na Justiça Federal contra o seu capo, Nelson Sirotsky, por crimes contra o sistema financeiro nacional, mais precisamente evasão de divisas e sonegação fiscal. Os compromissos com a ética e com a transparência da informação são valores tão caros ao grupo RBS que, a pedido dos advogados do réu, o processo desapareceu do site do TRF4 dois dias após este Cloaca News torná-lo público.

        Enganar-se-ão, porém, aqueles que acharem que o poderoso chefão do império sulista de mídia é um suposto criminoso de primeira viagem. As falcatruas deste paladino da ética e da probidade remontam a 1996, em remessas bilionárias para o Milbank, Tweed Hadley & McLoy, DR, para Bowne of New York City e para a Bourse of Luxembourg, apenas como aperitivo. As informações são fruto de investigações do Ministério Público, e serão requentadas por este cafofo cibernético ao longo da semana. Voltaremos!

        Cloaca News: ORGANIZAÇÃO MAFIOMIDIÁTICA DIRIGIDA POR SUPOSTO CRIMINOSO DO COLARINHO BRANCO CRIA EDITORIA DE BANDIDAGEM JORNALÍSTICA PARA ATACAR GOVERNO DO PT

        Esporteduto ou Fifaduto?

        Filed under: Corruptores,Cosa Nostra,FIFA — Gilmar Crestani @ 8:45 am
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        Estranha coincidência o ministro dos esportes, Orlando Silva, e seu partido terem se tornado alvo de denúncias de corrupção no momento em que se inicia a etapa decisiva dos preparatórios para a Copa do Mundo de Futebol. Denúncias, aliás, antigas e que nunca tinham sido levadas a sério nem tinham conseguido repercussão na imprensa.

        Ainda que não se deva negar a possibilidade da existência do que está sendo chamado de “esporteduto do PCdoB”, pois que as investigações solicitadas pelo procurador geral da República ainda não foram sequer instaladas e, portanto, não foram concluídas, nada autoriza o linchamento moral a que estão sendo submetidos o ministro e seu partido.

        Acrescente-se a isto o fato de o acusador ser um indivíduo que já estava sendo investigado por desvio de recursos do mesmo ministério que passou a denunciar, o que autoriza a suspeita de que suas acusações possam servir como cortina de fumaça ou se caracterizem como um ataque com o objetivo de transformar em réu a própria vítima do crime cometido.

        No momento em que a FIFA tenta impor ao Brasil condições para a realização da Copa do Mundo que agridem diversas leis vigentes no país e implicam em retrocessos de conquistas sociais importantes, além de buscar fazer valer condições comerciais que só beneficiam à própria FIFA e às empresas que se associem a ela, soa estranha a sintonia estabelecida entre parte da imprensa nacional e a entidade máxima do futebol mundial e a desenvoltura com que ambas vem informando a queda do ministro.

        FIFA e setores da mídia brasileira demitiram, em conjunto, o ministro dos Esportes na sexta-feira (21). Só se esqueceram de combinar com a presidenta Dilma Rousseff. Em entrevista coletiva em Zurique, na Suíça, o secretário-geral da FIFA afirmou que estará no Brasil em novembro para se reunir com o “novo representante do governo” e arrematou “vou ter um encontro com a nova pessoa indicada pela presidente para conduzir a Copa em nível de governo. Tenho confiança de que a presidente encontrará a pessoa certa, independente do que acontecer com o ministro Orlando Silva”.

        No mesmo dia, diversos jornais brasileiros noticiaram a queda do ministro, antes mesmos de ele se reunir com a presidenta. Até hoje ele continua no cargo, ainda que a carga de denúncias tenha se intensificado durante o final de semana.

        No Rio Grande do Sul, notícia de uma carta-denúncia que vinha sendo guardada há três meses ganhou as manchetes dos jornais na última semana, no embalo das denúncias no plano federal. O alvo aqui é a deputada e pré-candidata a prefeita de Porto Alegre Manoela D’Ávila, acusada de ter sido beneficiada com o desvio de recursos da Secretaria de Esportes da Prefeitura de Alvorada para sua campanha à Câmara dos Deputados.

        Sem inocentar, de antemão, o ministro e/ou a deputada e o partido de ambos, há que se registrar o fato de que nada foi provado até aqui. É fundamental que as investigações sejam realizadas, mas é preciso também que não se julgue e não se condene ninguém antes de os fatos terem sido apurados.

        Duas questões, entretanto, precisam ser ressaltadas. A primeira delas, de caráter geral, é a de que se está invertendo, no Brasil de hoje e por pressão de parte da mídia, os princípios de que todos são inocentes até prova em contrário e que é o acusador quem deve produzir as provas dos delitos denunciados. A segunda, diretamente relacionada ao(s) caso(s) em pauta, é a de que o empenho anticorrupção agora em curso pode estar servido para a caça dos suspeitos errados.

        Sul 21 » Esporteduto ou Fifaduto?

        22/10/2011

        A máfia no poder

        Filed under: Brasil,Cosa Nostra — Gilmar Crestani @ 9:11 am
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        Mino Carta21 de outubro de 2011 às 9:30h

        Quem lida com Blatter e Teixeira deve estar acima de qualquer suspeita. Mas há mafiosos também em outros cantos. Por Mino Carta. Foot: Jewel Samad/AFP

        Quando adolescente, já perguntava aos meus imberbes botões por que o Brasil, país de imigração campana, calabresa e siciliana, entre outras, não conhecia o fenômeno mafioso. Desde logo, formulei uma tese sem qualquer pretensão científica, mas convincente na opinião dos botões. Não temos uma Cosa Nostra no Brasil porque eméritos mafiosos estiveram e estão no poder, líderes em atividades diversas -teoricamente legais, em condições de agir às claras e a salvo dos riscos corridos, e sofridos, por Al Capone ou Totò Riina.

        Leia também:
        Governo promete lealdade ao PCdoB

        Brasília, a queridinha da Copa

        Capone e Riina, e muitos outros do mesmo porte, acabaram na cadeia, aqui os equivalentes viveram e vivem à larga, ou estão soltos, quando não são nome de ruas e praças. Não faltam exemplos -recentes nas -áreas mais diversas, a começar pela política, a qual, a rigor, está em todas porque por trás de tudo. Algo espantoso se deu por ocasião do Panamericano do Rio. Previu-se um orçamento de 400 milhões, gastaram-se dez vezes mais para realizar obras hoje inúteis e entregues ao descaso. Serviços de todo gênero foram encomendados aos familiares e amigos dos organizadores da tertúlia monumental, a despeito dos nítidos conflitos de interesse. Que aconteceu com os responsáveis por tanto descalabro?

        É do conhecimento do mundo mineral que quem mandou no Panamericano mandará nas Olimpíadas de 2016. Também é, quanto ao futebol, que a Fifa é um antro mafioso desde os tempos de João Havelange e que Joseph Blatter e Ricardo Teixeira são seus profetas. Desde a posse de Dilma- Rousseff na Presidência da República-, –CartaCapital permite-se chamar a atenção do governo para as péssimas consequências de um Mundial de Futebol desastrado, exposto ao risco do desmando, e várias vezes voltamos à carga no mesmo sentido.

        Não nos precipitamos a endossar agora as suspeitas levantadas em relação ao ministro do Esporte, Orlando Silva, mesmo porque apressadamente veiculadas por Veja. CartaCapital jamais deixou de defender o princípio in dubio pro reo e enxerga na reportagem da semanal da Editora Abril insinuações e conjecturas em lugar de provas. Para variar. Certo é, contudo, que um ministro do Esporte chamado a lidar com Ricardo Teixeira e Joseph Blatter deve necessariamente situar-se acima de qualquer suspeita.

        A presidenta, tão determinada no combate à corrupção, obviamente -sabe disso e saberá precaver-se, a bem do -País e do seu governo. CartaCapital insiste, de todo modo, em suas preocupações diante da clara presença no gramado e fora dele da máfia do futebol mundial.

        Cabe encarar a questão também de outro ângulo, a partir da análise do singular destino da esquerda nativa. Refiro-me neste exato instante ao PCdoB, nascido da costela do Partidão em nome de uma fidelidade ideológica e moral que os discípulos de Luiz Carlos Prestes teriam traído. Outro aspecto da história brasileira que amiúde me levou a convocar os botões diz respeito à efetiva e duradoura existência de uma esquerda brasileira.

        Desabrido, Lula já me disse, em entrevista publicada em CartaCapital há seis anos, “você sabe que eu nunca fui de esquerda”. Resta ver o que significa hoje ser de esquerda. Para mim claro está, ao menos, que é de esquerda quem se empenha, clara e honestamente pela igualdade, e sem medir esforços, para a redenção dos herdeiros da senzala. Parece-me que alguns passos neste rumo o ex-presidente deu.

        Confirma-os, e com objetivos maiores, Dilma Rousseff ao definir o projeto de acabar com a miséria. Inevitável, entretanto, observar que um sem-número de políticos está a cuidar é da sua própria riqueza, e entre eles, pasmem, não faltam os ex-comunistas do B. Orlando Silva desde os começos de sua atuação ministerial é alvo de inúmeras denúncias de corrupção encaminhada pelas sendas do dinheiro das ONGs, a envolverem não somente o próprio, mas também seu partido. Era de se esperar? Desfecho inescapável de um enredo movido a ganância acima e além de crenças e princípios? O PCdoB já teve, entre outras razões de orgulho, a lisura e a coerência dos seus filiados. No poder, é mais um que se porta como os demais. •

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