Ficha Corrida

03/09/2015

Encontradas as digitais dos grupos mafiomidiáticos

millor imprensa brasileiraROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE, na FOLHA

De quem é a culpa?

O mea-culpa de Dilma deveria ter começado pela oposição, pelo Congresso e pela mídia, também responsáveis pela recessão que vive o país

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso candidamente sugeriu à presidente Dilma Rousseff que tenha "a grandeza de renunciar" –ainda que defenda agora que sua fala tenha sido mal interpretada.

As razões para a renúncia seriam o declínio de sua popularidade, a recessão e consequente queda de governabilidade. Esquece-se o ex-presidente de que já esteve em posição idêntica com dificuldades iguais, e não renunciou.

Todavia, o que melhor evidencia a sua pequenez como homem público e como intelectual é a falta de originalidade, pois sua proposta não é nada mais que um plágio impudente, para não dizer descarado, do que lhe foi referido pelo ex-presidente Lula quando lamentou que o então presidente FHC não tivesse tido a grandeza de renunciar.

De fato, é verdade que o Brasil está com grandes dificuldades no setor econômico e que há problemas sérios de governabilidade e que, em parte, esta condição é de responsabilidade da atual administração que, como reconheceu recentemente a presidente Dilma, deve-se em parte à demora com que o governo percebeu a gravidade da situação.

Pois bem, aproveitando-se das dificuldades, membros do PSDB, do DEM e outros partidos da oposição, em consonância com a grande mídia escrita, falada e televisada, exigiram um reconhecimento explícito da presidente Dilma de responsabilidade pela crise, uma espécie de mea-culpa.

É, portanto, indispensável que antes de culparmos alguém verifiquemos quem são os verdadeiros culpados e quais os mecanismos que foram necessários para que acontecesse esse particular debacle econômico e político.

Façamos como o famoso detetive Sherlock Holmes. Quais seriam as razões principais para os problemas que enfrentamos na economia e na política nacionais.

1) A recessão mundial com a preponderância da China, que vem reduzindo suas compras de produtos brasileiros nestes últimos anos. Desse e de outros países não podemos cobrar uma mea-culpa por razões óbvias. Acho que não há economista decente que não concorde com essa escolha. Talvez até José Serra.

2) O "mensalão" e as revelações da Operação Lava Jato, pois desmoralizam o PT e suas administrações.

3) A voracidade pelo poder e pelo dinheiro e os despudorados métodos de chantagem da maioria dos membros do nosso infeliz Congresso Nacional, capitaneada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, discípulo e apaniguado de Paulo César Farias.

4) A campanha colérica, apoplética, vociferante da oposição.

5) A obsessão dos meios de comunicação, da mídia elitista pelo debacle do poder político alcançado pelo operariado, pela plebe.

Ora, parece haver consenso de que a recessão é em grande medida resultado da falta de investimento como consequência da derrocada da confiança do cidadão e do capital no futuro do país.

Há, portanto, uma culpa compartilhada pela oposição, pelo Congresso, pela administração do PT e pela grande mídia por essa recessão em que se encontra o país. O mea-culpa deve começar por aqueles que dos outros estão a exigi-la.

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE, 84, físico, é professor emérito da Unicamp e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e do Conselho Editorial da Folha

16/05/2015

Instituto Millenium lança manual de jornalismo para estagiários

21/04/2015

Saiba por que a velha mídia está falindo

Que o velho coronelismo eletrônico está de mal a pior não há dúvida. A divergência reside no diagnóstico. Por que, afinal, os velhos grupos mafiomidiáticos, assoCIAdos ao Instituto Millenium, estão falindo? Por que nem mesmo os velhos gorilas estão mais ao lado deles. Sem a velha parceria, definham a olhos vistos.

As boas reportagens que deveríamos esperar da velha mídia já não saem mais das rotativas. Estão ocupados demais em chamar a manada. Nem mesmo a marcha dos zumbis, tão bem acalentadas por eles, deu esperança aos golpistas. No aniversário do golpes, os golpistas perambulam pelas ruas. Como diria o Demóstenes Torres quando se lembra de Ronaldo Caiado, são cérebros vazios que perambulam à procura de uma ideia. Hoje, não há informação digna deste já nome nos meios que se auto proclamam de informação. São os sites independentes, como o Jornal Já, que trazem ares novos à para o mercado de informação.

O ‘Almanaque’ dos tempos de chumbo

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Luiz Cláudio Cunha

Enfim, uma boa notícia neste pântano de informações desalentadas que fazem cada vez mais opressivo o cotidiano dos brasileiros: nenhum quartel, nenhum general ousou comemorar a tragédia de 31 de março de 1964, o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart e implantou a ditadura militar há 51 anos. O silêncio não foi produto de uma súbita conversão democrática, mas ordem sumária da comandante-suprema das Forças Armadas, a presidente, ex-guerrilheira e ex-torturada Dilma Rousseff.

Ainda assim, as faixas e gritos nada esparsos de grupos nas ruas que tentam jogar gasolina na fogueira da crise, pedindo a volta da ditadura e ‘intervenção militar já!’, mostram um dado preocupante que nivela gerações diferentes pela ignorância e pela nostalgia. Os mais jovens, ignorantes dos horrores que disseminou a ditadura ao longo de 21 anos, e os mais velhos, cínicos saudosos de benefícios do regime de força que ruiu em 1985 com o advento da democracia.

Em 23 de março passado, uma semana antes do aniversário do golpe de 1964, o Latin American Public Opinion Project (Lapop), um projeto de pesquisa coordenado em 28 nações das Américas pela Universidade Vanderbilt, do Tennessee (EUA), divulgou o seu Americas Barometer, desta vez medindo o apoio a um eventual golpe militar em cada comunidade nacional. Entre os 23 países pesquisados, o Brasil ocupa um constrangedor sexto lugar, com 47,6% de respostas positivas a um golpe militar em um ambiente de alta corrupção, no levantamento realizado em solo brasileiro pelo instituto Vox Populi, em 2014. O campeão de nostalgia é o Paraguai, que padeceu a mais longa ditadura do continente sob a era do general Alfredo Stroessner (1954-1989), com 56,1% de apoio dos paraguaios à volta dos militares sob a justificativa de combate à corrupção.

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A erosão da fé democrática no Brasil pode ser medida pelos gráficos que medem a temperatura do golpe, entre 2007 e 2014. Sete anos atrás, ainda no Governo Lula, 38,9% dos brasileiros justificavam a volta dos militares ao poder pelo pretexto da elevada corrupção. Em 2010, quando Dilma venceu a eleição presidencial, um de cada três brasileiros (35,5%) apoiava a intervenção militar. Quatro anos depois, a situação se agravou: em 2014, um de cada dois brasileiros (47,6%) justificava um golpe militar sob o pretexto da corrupção elevada.

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A crise de confiança na democracia persiste mesmo quando se cruza a pergunta central com o índice de aprovação da presidente Dilma Rousseff. No centro da oposição mais ferrenha ao Palácio do Planalto, os que consideram o Governo Dilma “ruim ou muito ruim”, o índice de simpatia a um golpe militar pela justificativa da corrupção chega a 52,8%, mais da metade dos consultados na pesquisa. Entre os indiferentes, que acham que o governo não é bom, nem ruim, a justificação ao golpe chega a 46,4%. O dado mais assombroso é entre a população que apoia Dilma e que considera seu governo “bom ou muito bom”: 45,6% dessa suposta base governista reagem à roubalheira com a solução radical e imbecil do golpe militar.

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Uma boa explicação para este surto autoritário dos brasileiros, manipulados ou não, está na memória fraca do país. Ao contrário do Brasil, os últimos países do ranking são justamente Argentina, Uruguai e Chile, parceiros da ditadura brasileira nos anos de chumbo das décadas de 1960-1980, quando o Cone Sul era o inferno do terrorismo de Estado imposto por generais que esmagavam a democracia e os opositores sob o mantra da luta antisubversiva.

O dever de casa

O Chile, com apenas um entre cinco chilenos apoiando um novo golpe militar (23,5%), é o ultimo país do ranking, ou o mais antipático à volta do regime dos generais. Logo acima estão Uruguai (28,8%) e Argentina (29,3%), mostrando a forte discordância da esmagadora maioria de seus povos ao arbítrio que hoje encanta tantos brasileiros de cabeça fraca ou mero oportunismo.

Existe uma razão forte que justifica esta acentuada debilidade democrática entre nós: o Brasil é o país mais leniente no processo de accountability, a devida prestação de contas necessária para a Justiça de transição que levou nossos vizinhos da treva da ditadura para a luz da democracia. Chilenos, uruguaios e argentinos fizeram o que os brasileiros demoraram a fazer, ou nunca fizeram. As Comissões da Verdade, por exemplo. A brasileira foi instalada apenas em 2012, 27 anos após a saída do Palácio do Planalto – pela porta dos fundos – do último ditador de plantão, o general João Baptista Figueiredo.

Quando os investigadores da Comissão Nacional da Verdade (CNV) começaram a levantar os nomes, endereços e fichas dos que serviram ao regime militar e praticaram ou testemunharam graves violações de direitos humanos, esbarraram no calendário tardio e na barreira intransponível do tempo. Boa parte de quem sabia ou cometia torturas já tinha morrido. Os sobreviventes, esmagados pela idade avançada, estavam todos com Alzheimer, Parkinson ou uma indisfarçável má vontade para abrir a porta, escavar lembranças ou compartilhar seus arquivos. Assim, o Brasil continua a ser a única grande ditadura da região que não tem um só militar condenado por duas décadas de arbítrio inesquecível.

Lerdo, preguiçoso, tardio na apuração dos crimes de lesa-humanidade praticados pelo regime dos generais de 1964, o Brasil não deu elementos nem argumentos para dissuadir os jovens de 2015 da defesa inconsequente que fazem agora de uma ditadura que não viveram e que insistem em desconhecer. Esse erro infantil não cometeram nossos vizinhos. Em 1983, no mesmo ano em que caiu a ditadura, a Argentina instalou a sua Comissão Nacional sobre Desaparecimento de Pessoas (Conadep), que investigou o período sangrento da “guerra suja”, entre a primeira junta militar, do general Jorge Videla (1976) e a última, do general Reynaldo Bignone (1983). Em 1985, apenas dois anos após o fim do regime militar, o Uruguai estabeleceu sua comissão sobre desaparecidos políticos. Em 2000, fez uma segunda, a Comissão para a Paz, que colheu os depoimentos para o relatório Uruguay Nunca Más. E o Chile, assim que Pinochet saiu da cena política, instituiu em 1990 a sua Comissão Nacional da Verdade e Reconciliação, encarregada de apurar os abusos praticados entre a queda de Salvador Allende, em 1973, e a retirada de Pinochet.

O Brasil, com a hipocrisia habitual, formou sua Comissão Nacional da Verdade cedendo à pressão nada sutil dos generais. Para não melindrar os comandantes militares, em vez de mirar especificamente o período de 21 anos da ditadura (1964-1985), fingiu que iria pesquisar abusos ao longo dos 43 anos entre duas Constituintes – as de 1945 e de 1988. Assim, os generais imaginavam nivelar suas décadas de arbítrio e terror militar aos governos de civis democraticamente eleitos como os de Eurico Gaspar Dutra, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart. (Tancredo Neves, eleito pelo Colégio Eleitoral que derrotou o candidato da ditadura Paulo Maluf, não chegou a exercer seu mandato).

Apesar da tentativa de cerceamento, a CNV não perdeu o foco no período da ditadura e fez avanços importantes, cumprindo com seriedade uma tarefa difícil, agravada por três obstáculos importantes: o cinismo dos comandantes militares, a tibieza do Palácio do Planalto e a omissão do Congresso Nacional.

Cinismo e tibieza

Durante os 31 meses em que funcionou, a CNV lutou contra a explícita má vontade dos generais que negavam qualquer colaboração ou acesso a arquivos militares. O jornal O Globo chegou a divulgar um ofício do então comandante do Exército, general Enzo Peri, proibindo, em fevereiro de 2014, que os quartéis liberassem à CNV informações sobre torturas ou abusos de direitos humanos. A falta de seriedade dos comandantes militares ficou explícita na resposta debochada que Exército, Marinha e Aeronáutica deram ao circunstanciado requerimento enviado pela CNV pedindo informações, com nomes, datas e documentos, sobre nove casos de mortes sob tortura e 17 relatos de presos torturados em cinco quartéis do Exército, uma base da Aeronáutica e outra da Marinha.

Atropelando as evidências e desprezando a inteligência da opinião pública, os comandantes simplesmente negaram os fatos, sustentando que nunca houve “desvio de finalidade” nas instalações militares listadas pela CNV como centros de tortura. Os generais chegaram ao ponto de esquecer o mais notório deles, a sede do DOI-CODI do II Exército, na afamada Rua Tutóia, em São Paulo, onde em 1970 foi barbaramente torturada uma guerrilheira de 22 anos do grupo VAR-Palmares, codinomes “Estela” ou “Vanda”, identificada nas fichas da repressão como Dilma Rousseff, hoje presidente da República e, como tal, comandante suprema das Forças Armadas.

Dilma teve o mérito de convocar a CNV e o demérito de não assumir suas conclusões. No momento solene de entrega do relatório final de três volumes e 4.328 páginas, responsabilizando 377 agentes e todos os cinco generais-presidentes pela morte e desaparecimento de 434 pessoas na ditadura, a ex-guerrilheira e comandante-em-chefe simplesmente amarelou. A primeira ideia de Dilma, talvez para não melindrar os generais já agastados pela dura conclusão da comissão, foi receber o relatório numa cerimônia privada no Palácio do Planalto, restrita aos sete comissários da CNV. Parecia um evento envergonhado, quase clandestino, que provocou repulsa nas famílias de ex-presos políticos e de mortos e desaparecidos. Diante do escândalo iminente, Dilma recuou e abriu a cerimônia para um salão de acesso do palácio restrito a convidados.

A mesma tibieza foi exibida por Dilma em 31 de março de 2014, quando se recordava meio século do golpe militar. Mais preocupada com a reeleição do que com sua biografia, Dilma deixou passar o aniversário em branco, sem a elegância de convocar a rede de rádio e TV para marcar a data histórica com o seu depoimento autorizado de ex-presa política e ex-torturada, que chegou ao poder não pelas armas da resistência à ditadura, mas pelo voto democrático do eleitor. Dilma esqueceu que, ao lado do uruguaio José Pepe Mujica e da chilena Michelle Bachelet, ela é a única presidente da República no continente que carrega na carne e na alma as cicatrizes do regime brutal dos generais.

A omissão do Congresso se mostrou pela baixa repercussão ali do cinquentenário do golpe e a falta de apoio explícito às duras conclusões da CNV, que começam com duas recomendações essenciais para atender à consciência cívica e moral de um país leniente com a tortura e com a ditadura, hoje festejada nas ruas. A primeira das 29 medidas propostas pela CNV pede o reconhecimento, pelas Forças Armadas, de sua responsabilidade nas torturas e violências cometidas durante o regime de arbítrio – uma impossibilidade prática enquanto prevalecer o cinismo do Alto Comando e a apatia da comandante-suprema. A segunda medida, que se impõe como dever histórico e exigência de cortes internacionais, é a revogação da Lei de Anistia que a ditadura desenhou, em agosto de 1979, para beneficiar os torturadores com o privilégio da impunidade.

Num Parlamento com 513 deputados e 81 senadores, existem apenas duas propostas para revisar esta obscena “lei de autoanistia” que os militares fizeram aprovar por apenas cinco votos (206 a 201) num Congresso emasculado pelos atos institucionais para garantir à força a hegemonia na Câmara dos Deputados do partido da ditadura, a Arena (221 cadeiras), sobre a frente de oposições abrigada no MDB (186). Um projeto da deputada Luiza Erundina (PSB-SP) e outro do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), ambos pedindo a revisão da Anistia de 1979 para permitir a punição aos torturadores, são as únicas manifestações parlamentares que confirmam a omissão e o desinteresse de um Congresso conservador, desatento à História e aos seus compromissos éticos para com a verdade.

O silêncio que inspira

Diante de generais cínicos, governantes tíbios e parlamentares omissos, restou o consolo do silêncio institucional das Forças Armadas no aniversário de 51 anos do golpe de 1964. Na terça-feira, 31 de março, um grupo meio constrangido de 30 militares da reserva se reuniu na Praça do Mallet, em Santa Maria – 300 km a oeste de Porto Alegre, no coração do Rio Grande do Sul –, situada ao lado de um quartel de artilharia, para uma louvação à derrubada de João Goulart. Na cidade está a segunda maior concentração de tropas do Exército brasileiro, 20 mil homens reunidos em torno da 3ª Divisão de Exército que comanda cinco brigadas blindadas e a maioria dos tanques pesados do país, e a poderosa base aérea de Camobi, onde a FAB mantém quatro esquadrões com caças de ataque e helicópteros de combate. Nenhum de seus integrantes estava no festejo envergonhado da praça. Na Vila Militar, na zona oeste do Rio de Janeiro, maior agrupamento de força terrestre da América Latina, com 60 mil homens, quase um terço do efetivo atual (222 mil homens) do Exército brasileiro, nenhum dos 51 quartéis da área fez qualquer alusão ou ato pelo aniversário de 31 de março. Prevaleceu o respeito à democracia, que os militares golpearam pela quebra da legalidade constitucional.

Assim, o Brasil nem lembrou os nomes dos novos comandantes militares, nomeados por Dilma na primeira semana de seu novo mandato, em janeiro passado. Foi a primeira troca de comando nas Forças Armadas feita por ela, que tinha herdado de Lula os chefes militares que sobreviviam no cargo desde 2007. Essa saudável, quase despercebida, rotina burocrática é uma prova do vigor democrático do país, que os irresponsáveis que hoje pedem a volta da ditadura não sabem valorizar. Os jornalistas que viveram e padeceram sob o regime militar sabem toda a diferença. Eram tempos duros, de medo e censura, em que todo editor competente ou repórter bem informado precisava ter, como fonte de referência obrigatória, um livro que hoje ninguém mais conhece e que ainda é editado todo ano: o Almanaque do Exército.

A primeira edição a chamar atenção das redações e dos jornalistas é a do ano da graça de 1964, um catatau de 910 páginas pesando 1.176 gramas. A leitura era inóspita, mas essencial para entender e prever o que aconteceria com o Brasil e a vida (e morte) dos brasileiros, a partir do golpe. O Almanaque, como hoje e sempre, trazia a tediosa relação de cursos e graduações de oficiais, colocados num ranking de merecimento que lhe garantia a precedência nas listas de promoções. Nas democracias, isso é uma irrelevância administrativa de exclusivo interesse da comunidade castrense. Na ditadura, o Almanaque vigente era mais importante do que a Constituição revogada e estuprada.

O guia das redações

Os repórteres e editores das grandes redações no Rio e São Paulo e das sucursais em Brasília aprenderam a decodificar as entranhas do Almanaque para tentar decifrar o que poderia acontecer com os intestinos do poder enfeixado pelos generais. Ele traduzia um mundo fechado, distante, alheio ao universo dos civis e das lideranças políticas a que deviam se subordinar, se imperasse o mandamento constitucional. Estabelecido o arbítrio, a lei e a ordem estavam escritas e transcritas no Almanaque. Virou leitura ainda mais necessária para entender o país a partir de setembro de 1969, quando o general Arthur da Costa e Silva, o segundo presidente de plantão do golpe, sofreu um derrame.

Na confusão de poder criada pelo vazio do chefe, a primeira medida do Alto Comando foi vetar a posse do vice-presidente, o civil Pedro Aleixo. Mas era preciso botar alguém no lugar do presidente entrevado, e não podia ser um civil como Aleixo. A solução era consultar os únicos eleitores habilitados da ditadura: os generais. Num país de 90 milhões de brasileiros, em 1969, apenas os 118 que tinham estrelas de general nos ombros estavam habilitados a escolher o sucessor do doente Costa e Silva. A esculhambação daqueles tempos estranhos foi anotada por um dos generais do Alto Comando, Antônio Carlos Muricy, e resgatadas no livro A Ditadura Escancarada pelo jornalista Elio Gaspari, que lia com lupa de exegeta as minúcias do Almanaque. Os 118 generais foram divididos em 11 distritos eleitorais. Com o cinismo de sempre, eles não classificavam aquilo de eleição, mas uma simples “consulta”. Alguns generais votavam em três nomes, outros em apenas um.

No III Exército, em Porto Alegre, só votaram generais. No I Exército, no Rio de Janeiro, os generais abriram a consulta para coronéis. Muricy espantou-se com essa democracia ampliada: “Nesse caso vamos acabar no cabo. Vamos ouvir o cabo…” A oficialidade mais jovem, que chegava a capitães e majores, simpatizava muito com o general de divisão Afonso Albuquerque Lima, da linha dura, mas nacionalista. Na Marinha, ele recebeu 37 votos dos 65 almirantes consultados. Um dos almirantes de quatro estrelas chamou ao seu gabinete um almirante de três, Heitor Lopes de Souza, que comandava o Corpo de Fuzileiros Navais. O quatro estrelas avisou que a Marinha apoiaria Albuquerque, conforme o relato de Gaspari:

– Só se você quiser. Os fuzileiros ficam com Médici – reagiu Souza.

– Isso não é uma consulta. É uma ordem – replicou o almirante.

– Ordem coisa nenhuma. Você comanda uma mesa. Eu comando 15 mil homens – lembrou o fuzileiro insubordinado.

– Nesse caso, mando prendê-lo – insistiu o almirante.

– E eu lhe dou uma rajada de metralhadora – atalhou o almirante Azambuja, chefe do Estado-Maior dos fuzileiros, apoiando a insubordinação.

No final desse exótico processo eleitoral, o comandante do III Exército, general Emílio Garrastazú Médici, ganhou 77 referências na “consulta” a 102 generais, bem mais do que os 38 que preferiam Albuquerque. Na liturgia da ditadura, ficou expresso que um general de exército, de quatro estrelas, não poderia ser derrotado por outro de três estrelas, um mero general de divisão. Os galões da tropa lembravam a hierarquia, que sustenta a estrutura dos quartéis e que ajudou a justificar o golpe contra Goulart em 1964. Um episódio mostra isso com mais contundência. Nos dias confusos logo após o derrame de Costa e Silva, o senador Daniel Krieger, da Arena gaúcha, foi chamado a Porto Alegre para receber em primeira mão do general Emílio Médici a sugestão de chapa que ele levaria ao Alto Comando para a sucessão presidencial: Jarbas Passarinho, coronel da reserva do Exército e então ministro do Trabalho, para presidente, e Krieger para vice. A versão foi contada pelo próprio Passarinho, em 2010, ao repórter Geneton Moraes Neto, daGloboNews.

Decifrando signos

O delírio esbarrou na frase definitiva do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e futuro ministro do Exército de Médici, general Orlando Geisel, de reluzentes quatro estrelas: “Gosto muito do Passarinho, mas não bato continência para coronel…” A partir daí, a leitura atenta doAlmanaque virou norma de serviço para o jornalista que pretendia cobrir com precisão a política fardada do país. A cada nova edição, a cada nova lista de promoções, era preciso interpretar os códigos embutidos no perfil dos 14 iluminados generais-de-exército que integrariam o próximo Alto Comando, centro inacessível de poder aos brasileiros comuns que não tinham voto nem estrela. Um comando de tropa, um curso, uma viagem, uma antiga subordinação na academia militar ou nos grandes comandos poderiam decifrar o pensamento do novo general. Um militar mais liberal ou um perfil de linha dura apontariam um novo equilíbrio de forças que levariam o Brasil para a abertura ou para o endurecimento político. Era fundamental consultar e interpretar o Almanaque para entender a estranha mecânica do poder e seus desdobramentos.

Esse tempo de primazia verde-oliva e obsessão pelo Almanaque, felizmente, passou. Virou interesse específico apenas de quem vive o cotidiano do quartel, interessado na sua exclusiva evolução profissional, com acontece em todo regime democrático que observa os limites institucionais das Forças Armadas nos termos soberanos da Constituição, que não será jamais ultrapassada por um mero Almanaque.

Nada expressa melhor esta evolução democrática do que o perfil dos novos comandantes militares nomeados por Dilma e que ninguém – ainda bem – conhece. Nem é necessário consultar o Almanaque, basta digitar os seus nomes no Google. Assim, o jornalista que assina este texto, nascido em abril de 1951 em Caxias do Sul (RS), descobriu um dado aparentemente consolador: pela primeira vez é mais velho do que os homens que comandam o Exército, a Marinha e a Aeronáutica.

Todos os três possuem fichas imaculadamente limpas na questão dos direitos humanos e da lealdade à democracia, um contraste animador diante de antecessores e comandantes que ficaram marcados, décadas atrás, pela brutalidade que inspiravam ou admitiam em seus subordinados no auge das violências da ditadura – e que nunca apareciam nas páginas do Almanaque.

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Fora do Almanaque

O general Eduardo Dias da Costa Villas-Boas, nascido em novembro de 1951 em Cruz Alta (RS), só ingressou na escola de cadetes de Campinas em março de 1967, duas semanas antes de Costa e Silva suceder Castelo Branco. Virou aspirante de Infantaria na Academia das Agulhas Negras no final de 1973, quando Médici liderava a terceira e última missão do Exército no Araguaia – a “Operação Marajoara”, envolvendo 400 homens sob o comando do CIE, o Centro de Informações do Exército. Um ano depois, a guerrilha do PCdoB estava dizimada. Villas Boas chegou a segundo tenente em agosto de 1974, cinco meses após a posse de Ernesto Geisel, e a primeiro-tenente em agosto de 1976, quatro meses antes da “Chacina da Lapa” – a operação do DOI-CODI contra o Comitê Central do PCdoB no bairro paulistano da Lapa, que matou três dirigentes do partido, incluindo Ângelo Arroyo e Pedro Pomar. Foi promovido a major no Governo Sarney, em 1986, a tenente-coronel no Governo Collor, em 1991, e a coronel no Governo FHC, em 1996. Conseguiu suas duas estrelas de general de brigada em 2003, no Governo Lula, e as quatro estrelas do topo da carreira, general de exército, no Governo Dilma, em 2011.

Nesse longo período, até pela idade, o novo comandante do Exército esteve distante dos horrores e abusos cometidos pelos camaradas de farda durante a ditadura. Só viu o comunismo de perto em Pequim, no início da década de 1990, quando era adjunto do adido militar na embaixada do Brasil na China.

O comandante da Marinha, almirante de esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, nascido em junho de 1952 no Rio de Janeiro (RJ), virou guarda-marinha aos 22 anos, em dezembro de 1974, quando Ernesto Geisel já estava no Planalto. Chegou a primeiro tenente em agosto de 1977, quatro meses após Geisel fechar o Congresso para o “Pacote de Abril” que inventou o senador biônico, estendeu o mandato de presidente para seis anos, cancelou as eleições diretas para governador em 1978 e garantiu a maioria da Arena no Colégio Eleitoral pela ampliação artificial das bancadas governistas nos grotões mais pobres do Norte e Nordeste. Virou capitão tenente em agosto de 1979, três dias após Figueiredo assinar a Lei de Anistia que anistiou os torturadores, e chegou a capitão de corveta em agosto de 1985, na ressaca das “Diretas-Já”. Ganhou a estrela de contra almirante em 2004, no Governo Lula, e chegou a topo como almirante de esquadra em 2013 no Governo Dilma.

Por fim, o comandante da Aeronáutica, tenente brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato, nascido em agosto de 1951 em São Gabriel (RS). Virou aspirante da FAB em dezembro de 1975, no segundo ano do Governo Geisel, e capitão em agosto de 1981, quatro meses após o atentado do Riocentro, no Rio, que feriu de morte o terrorismo do DOI-CODI, infartou o presidente João Figueiredo e implodiu o sonho do general Octávio Medeiros (chefe do SNI) de ser o sexto presidente do ciclo militar. Ganhou a estrela de oficial general como brigadeiro do ar em 2003, no Governo Lula, e chegou ao limite da carreira com as quatro estrelas de tenente brigadeiro do ar em 2011, no Governo Dilma.

Um detalhe extra, que não está em nenhum Almanaque e ainda não pode ser localizado no Google: nos dias agitados que antecediam o golpe, no frescor de nossos 12 anos, eu e o futuro comandante da FAB frequentávamos, sem saber, as mesmas ruas de sua cidade natal, São Gabriel, para onde tinha me mudado quatro anos antes. Talvez tenhamos nos cruzado, de bicicleta, pelas largas calçadas da pacata Praça Fernando Abbot, no centro da cidade, onde todos os moleques se divertiam sem compromisso.

Eu e o brigadeiro Rossato nunca nos conhecemos. Nem poderia imaginar que aquele desconhecido guri de São Gabriel ingressaria depois na carreira militar, sobreviveria incólume aos anos de chumbo da ditadura que estava nascendo e se tornaria, na segunda década do novo milênio, o comandante da Aeronáutica de um governo democrático, exercido por uma ex-presa política e ex-torturada de um regime que, nos idos de março de 1964, ainda não perturbava a paz daquela praça no interior distante do Rio Grande do Sul.

Nada disso, afinal, estava escrito no Almanaque.

***

Luiz Cláudio Cunha, jornalista, é autor de Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios (L&PM, 2008)

Leia também:

O ‘Almanaque’ dos tempos de chumbo – Jornal Já | Porto Alegre | Rio Grande do Sul

13/04/2015

A democracia está matando a imprensa

roberto-marinho_figueiredoO apogeu da imprensa brasileira deu-se com a ditadura.  Roberto Marinho, com um general a tiracolo, subiu nas costas e ferrou a todos com o doce veneno do escorpião. Reuniu sob sua batuta o coronelismo de norte a sul. Escolheu a dedo o que existia de pior em cada Estado. No Maranhão, Sarney. No Ceará, Jeressati. No RN, Maias e Alves. Em Alagoas, Collor de Mello. Na Bahia, ACM. No RBS, Sirotsky. A fina flor do atraso desfrutou da proteção militar para perpetrar toda sorte de barbaridades. É desse grupo o aval para a abertura lenta e gradual. A defesa da lei da anistia, que perdoa o torturador e impede a vítima de saber a verdade, foi defendida com unhas dentes pelos atuais assoCIAdos do Instituto Millenium.

A Folha de São Paulo, que chegava a emprestar a peruas para que os presos torturados, estuprados e esquartejados, como confessou o cel. Malhães, fossem jogados em valas clandestinas, como aquela do cemitério de Perus, em São Paulo. Para a Folha, a ditadura foi uma ditabranda. O pior disso tudo é que, agora, querem nos ensinar democracia.

Enquanto perdurava a lei do cão, as famiglias associadas a Marinho cresceram, prosperaram, se locupletando. Os editorias lambe-botas de milicos estão sobejamente demonstrados. O jornal Zero Hora nunca foi censurado. Em compensação, nas primeiras eleições após o término da ditadura, foi apreendida por decisão judicial.

Até o escritor  Luis Fernando Veríssimo foi suspenso pelo simples motivo que chamou o então candidato do patrão de “ponto de interrogação bem penteado”.  Não é de se espantar que destas famílias brotem estupradores. Eles são frutos de outro tipo de estupro, o estupro da verdade. As maquinações mafiosas para denegrir uns e endeusar outros é da regra do jogo.

Com a revolução tecnológica, as mentiras que antes não tinham contraposição, de repente são instantaneamente desmentidas.

Veja virou uma revista de aluguel. Defende com unhas e dentes os interesses de quem a finanCIA a tal ponto que tudo o que sai em inglês seja tomado como verdade absoluta. Boimate, por exemplo, é fruto desta concupiscência que nada tem jornalismo.

Quando os manifestantes escrevem seus cartazes pedindo o golpe em inglês, estão sendo coerentes com tudo o que aprenderam com estes grupos à beira da extinção. O golpismo desenfreado da Globo e suas filiais, vistos neste fim de semana, é o último estertor do bandido grego Procusto. Aquele que usava a cama como medida de justiça: as vítimas grandes, cortava; as pequenas, espichava até caberem na cama. Assim fazem os grupos mafiomidiáticos brasileiros.

Felizmente, a bandidagem está com os dias contados.

A agonia da imprensa escrita, falada e imaginada

Enviado por W K seg, 13/04/2015 – 20:51

Por W K

Temos no Brasil 247 um artigo de Laurez Cerqueira (veja aqui) bem interessante sobre o que anda acontecendo com os jornalões pelo Brasil e pelo mundo. Ele comenta sobre a queda de audiência e de tiragens das diversas formas de imprensa existentes no Brasil e onde o cidadão se informa.

O que me chama a atenção é que esses grandes veículos até hoje não aprenderam nadica de nada e insistem em não querer aprender, apesar de inúmeros cavalos selados passarem à sua frente. Vejamos:

Demitem jornalistas. Seria o mesmo que uma voadora demitir pilotos de aeronaves "por serem muito caros"; um restaurante demitir cozinheiros, uma transportadora demitir motoristas. Ora, é o jornalista quem dá forma à informação. E informação a cada dia que passa cresce mais e mais e, com a ascenção de classes menos favorecidas, estas agora também querem ser informadas. Ou seja, corta-se onde não se deveria cortar.

Quanto à informação pela Internet, sabe-se que nenhum sítio conseguiu substituir integralmente um jornal ou um canal de tevê, só tomou uma parte da atividade antiga da imprensa. Aqui mesmo existe uma certa linha informativa e debatedores em torno dela, que dificilmente se encaixariam em qualquer emissora ou jornal ainda atuante. Por exemplo, não temos aqui palavras cruzadas, horóscopos, anúncios classificados, intrigas anti-governamentais, etc.

Um fenômeno semelhante se abateu sobre o circo antigo – a grande maioria deles acabou -, mas pode-se citar uns três circos que fazem atualmente um enorme sucesso: uma tal de fórmula 1, o Cirque du Soleil e o André Rieu. A rigor eles atuam como circos, só que, diferentemente dos circos originais, eles apresentam um tema único: uma corrida de anunciantes de produtos caros com direito a trapaças mil e alguns belíssimos acidentes, uma história cheia de artistas orindos dos circos antigos e música clássica com humor, respectivamente. Os circos antigos, com animais & domadores, trapezistas, malabaristas, bailarinas, mágicos, etc., na verdade eram apenas uma gororoba de apresentações sem nexo nenhum entre si. E os jornais, revistas e os canais de tevê ainda existentes seguem a mesma linha. 

Ora, cada departamento desses meios de comunicação poderia se tornar um sítio independente do outro, principalmente quanto à apresentação: um para a compra e a venda automóveis, outro para imóveis, para notícias esportivas, para notícias políticas, e por aí vai. O chato é que atualmente já existem sítios que cuidam disso e conseguem fatruar alguma bufunfa, ainda que menos do que antigos jornais, é verdade.

Isto é, o cavalo selado foi montado por outros fora do ramo. Rest in Peace. Merecem.

A agonia da imprensa escrita, falada e imaginada | GGN

 

O fim do jornalismo

seg, 13/04/2015 – 21:19

Se há algo mais simbólico do momento por que passa o jornalismo brasileiro, eis aqui:

A rádio Ku Klux Pan, (antiga Jovem Pan), no exato momento que contrata o trágicõmico ídolo coxinha Danilo Gentile para fazer dupla com a musa dos justiceiros Sheherazade, demite um Monumento do Jornalismo Esportivo Mundial, Claudio Carsughi .

Ficou claro para todos agora?

Demitido da Jovem Pan, Claudio Carsughi critica guinada à direita da rádio

Revista Forum

Demitido da Jovem Pan, Claudio Carsughi critica guinada à direita da rádio

Após mais de 50 anos na emissora, o jornalista lamentou a mudança de perfil da emissora: “Hoje tem uma posição frontalmente contrária ao PT, à Dilma, ao Lula. Talvez com isso espere o retorno publicitário com empresas do mesmo perfil”

Por Guilherme Franco

Um dos mais veteranos jornalistas esportivos do Brasil em atividade, Claudio Carsughi, 82, foi demitido pela Rádio Jovem Pan nesta segunda-feira (14). Ele trabalhava no veículo desde 1957 como comentarista esportivo. A emissora alegou corte de gastos.

Carsughi deu a notícia nas suas páginas pessoais, tanto no Twitter como no Facebook, e associou a sua saída à nova ideologia política da emissora. “A rádio está passando por uma mudança de perfil. Ela assumiu uma postura de direita, que nunca tinha tido. Sempre se ouvia os dois lados. Hoje tem uma posição frontalmente contrária ao PT, à Dilma, ao Lula. Talvez com isso espere o retorno publicitário com empresas do mesmo perfil”, disse ao UOL.

claudio

Contrariado, ele não concordou com a decisão. “São contingências da vida. Falam em redução de custos. Mas isso é relativo. Eu não tinha um ordenado nababesco. Para o orçamento da rádio não deve fazer muita diferença”, completou.

Claudio Carsughi nasceu na cidade italiana de Arezzo, em 13 de outubro de 1932. Engenheiro formado, trabalhou entre 1957 e 13 de abril de 2015 na Rádio Jovem Pan, dia em que foi demitido pela emissora paulistana. Carsughi sempre foi conhecido pelos seus comentários precisos na área esportiva, em especial o futebol e o automobilismo.

A agonia da imprensa escrita, falada e imaginada | GGN

08/04/2015

Minas: choque de gestão virou pó

O choque de gestão, vendido por Aécio Neves e comprado pelos mesmos grupos mafiomidiáticos que o apoiam, virou pó e sumiu do noticiário da mesma forma que o helipóptero do pó. Soma-se à informação de que, segundo o ranking da Veja, foi o senador mais gazeteiro, o menino maluquinho que a direita queria colocar no Planalto está se tornando, dia após dia, ainda pior do que se imaginava. E olha que depois ter investido dinheiro público para construir aeroporto nas terras do Tio Quedo pareceria que já tinha ultrapassado todos os limites da pilantragem. Mas todo dia  é dia de mais esqueletos saíram do armário do PSDB. Não fosse um coronelismo eletrônico, comando por Judith Brito, avesso às políticas sociais e contra as operações da polícia federal que todo dia descobre um escândalo envolvendo as pessoas mais ricas deste país, e talvez, apesar da filosofia Pozzobom, o PSDB estaria todo na cadeia. Mas como disse o parlamentar gaúcho do PSDB, seu partido mantém relações promíscuas com segmentos do judiciário. Gilmar Mendes que o diga.

‘O choque de gestão tomou bomba em Minas Gerais’

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Em entrevista a Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, deputado estadual Rogério Correia (PT), a principal liderança do PT mineiro, diz que, além de ser derrotado nas urnas, ‘o choque de gestão de Aécio Neves tomou bomba’ também nos dados [divulgados pelo governador Fernando Pimentel]; ‘O que nós encontramos foi catastrófico. Essa história desse “choque de gestão” portanto, não concedeu a Minas Gerais a condição tão propalado déficit zero. Muito pelo contrário: nós tivemos um déficit, ano retrasado, em torno de um bilhão, ano passado em torno de dois bilhões e este ano, se eles estivessem no poder, iríamos para um déficit de orçamento de mais de sete bilhões. Ao desmascarar esse déficit, o governador Pimentel jogou por terra, também, toda a propaganda aecista’, disse

8 de Abril de 2015 às 06:57

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania

Nesta terça-feira (7/4), jornais de alcance nacional divulgaram diagnóstico que o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, divulgou no dia anterior sobre a situação que encontrou. Segundo Pimentel, “faltou gestão” aos governos tucanos que o antecederam.

Confira, abaixo, matéria do jornal Folha de São Paulo

O jornal foi econômico no relato do que Pimentel encontrou. Acessando o site do PT mineiro Minas Sem Censura, descobre-se que o problema é muito maior. Confira, abaixo, trechos do estudo divulgado por esse site.

Dentre os dados alarmantes apresentados, estão as 500 obras paralisadas em Minas Gerais. Cerca de 806 convênios assinados no governo PSDB com cidades do interior foram cancelados após a derrota nas eleições. Dos R$ 76,7 milhões prometidos, apenas R$ 9 milhões foram repassados. Essa prática traz problemas para as finanças do Estado e dos municípios, que iniciaram obras e precisaram paralisá-las.

Foi divulgado também que a Cidade Administrativa, obra faraônica do ex-governador Aécio Neves (PSDB), implica gasto de R$120 milhões por ano e não há nenhum registro que mostre economia de despesas, uma das principais promessas.

Também preocupam os números da Segurança Pública, da Educação e da Saúde. De cerca de 11 mil viaturas do Estado, mais de quatro mil estão quebradas. O sistema prisional está abarrotado: 66 mil detentos ocupam 32 mil vagas. O índice de homicídio também aumentou de 2002 até 2012, passando de 2.977 para 4.535. Das 3.600 escolas, apenas 26% delas estão em boas condições e 45% não possuem refeitório. Na Saúde, os leitos do SUS diminuíram de 37.592 para cerca de 32 mil.

De acordo com o governo de Minas, ainda há um montante maior de contratos e serviços prestados, mas com os empenhos cancelados, de 2013 para trás. A dívida total chega, então, a R$ 1,1 bilhão. Tais manobras de despesas permitiram que a gestão tucana escapasse de ser enquadrada na Lei de Responsabilidade Fiscal, que prevê que só se pode gastar o que tem previsto no orçamento.

Diante disso, e da acusação do PSDB de que o governador Pimentel estaria tentando “desviar a atenção” da atual gestão de Minas, o Blog foi ouvir o deputado estadual Rogério Correia (PT), a principal liderança do PT mineiro, para saber como ele responde à acusação tucana. Leia, abaixo, a entrevista.

*
Blog da Cidadania – Hoje os jornais – inclusive os de SP – noticiaram, ainda que discretamente, declarações fortes do governador Fernando Pimentel sobre a situação encontrada por ele em MG. Falou em falta de gestão dos antecessores tucanos. O PSDB emitiu nota acusando o governador de tentar “desviar” a atenção dos escândalos do PT e da “inépcia” do novo governo. Como responde a isso?

Rogério Correia – O choque de gestão tomou bomba. Primeiro, nas urnas, onde a população mineira derrotou o candidato tucano em primeiro e segundo turnos – aliás, Aécio perdeu em Minas – e, também, para o governo do Estado. E, agora, tomou bomba também nos dados [sobre seu governo, divulgados pelo governador Fernando Pimentel].

Quando o governo Pimentel fez uma auditoria para saber a situação de Minas, o que nós encontramos foi catastrófico. O “choque de gestão” era apenas uma fantasia, uma peça publicitária de mau gosto feita sob a autoridade monetária da irmã do senador Aécio Neves, aquela que é dona da rádio Arco Íris, que recebia tantos recursos públicos e disponibilizou, em 12 anos de governos tucanos, o equivalente à construção de duas Cidades administrativas, que, aliás, é uma obra de caráter duvidoso, do ponto de vista de utilidade.

Essa história desse “choque de gestão” portanto, não concedeu a Minas Gerais a condição tão propalado déficit zero. Muito pelo contrário: nós tivemos um déficit, ano retrasado, em torno de um bilhão, ano passado em torno de dois bilhões e este ano, se eles estivessem no poder, iríamos para um déficit de orçamento de mais de sete bilhões. Ao desmascarar esse déficit, o governador Pimentel jogou por terra, também, toda a propaganda aecista.

Aliás, esse naufrágio do tal “choque de gestão” dos tucanos é algo que também tem acontecido no Paraná. Por isso, o governador Pimentel tem toda razão.

Hoje (terça-feira, 7/4), na Assembleia Legislativa, nosso bloco, do governo, mas um bloco independente, decidimos solicitar à mesa da Assembleia Legislativa a formação de uma comissão especial que possa aprofundar a investigação dessa herança maldita deixada pelos governos tucanos e do estado que o governo de Minas Gerais foi encontrado e buscar saídas da crise que foi herdada por nós após 12 anos de governos tucanos.

Blog da Cidadania – Recentemente, deputados petistas levaram ao procurador-geral da República uma série de denúncias envolvendo o ex-governador e ex-candidato a presidente pelo PSDB Aécio Neves. Isso já é produto do trabalho do controlador-geral Mário Vinícius Spinelli ou o que foi denunciado foram fatos antigos?

Rogério Correia – Não, esse caso não é do Spinelli, isso já é uma denúncia antiga, que eu mesmo trabalho nela, junto com o grupo Minas Sem Censura, há muito tempo.

Furnas foi um caixa 2 tucano de grande volume que foi feito, como o [doleiro Alberto] Yousseff acabou de revelar, que era “meiada” entre o PP, do [deputado José] Janene e o PSDB do Aécio. Yousseff, agora, revelou que havia [propina] de 120 mil dólares que ia para o PSDB, segundo ele ouviu do próprio Aécio Neves e da irmã do senador, que é a Andrea Neves.

Essa denúncia é antiga, aqui. Nós já conhecíamos através da lista de Furnas. Essa lista foi periciada pela Polícia Federal. E os tucanos, como sempre, ficam com aquele bico grande gritando muito, sempre querendo desmentir as coisas e desqualificar quem denuncia. Mas a lista é autêntica e isso foi provado pela própria Polícia Federal. E também tínhamos essa denúncia feita através da doutora Andreia Baião, procuradora do Rio de Janeiro que denunciou o Dimas Toledo, que é quem detinha a diretoria [de Furnas] que agraciava Aécio Neves para formação de caixa 2 com as empresas relacionadas.

Uma delas era a tal de Bauruense, que é a empresa que Yousseff diz que entregava o dinheiro para Aécio Neves. Só não será aberto inquérito se o [procurador-geral da República] doutor [Rodrigo] Janot tiver bico de tucano; se ele não tiver bico de tucano, vai abrir o inquérito.

Blog da Cidadania – Dentre as linhas de investigação sobre corrupção em governos anteriores ao do governador Pimentel, qual lhe parece a mais promissora?

Rogério Correia – Além de Furnas, que foi um escândalo enorme de caixa 2, nós tivemos superfaturamento na obra do Mineirão, projetos de arquitetura e engenharia que foram feitos sem licitação e sequer foram utilizados, servindo apenas para que a empresa hoje controladora do Mineirão ganhasse a licitação, essa tal de Minas Arenas.

Nós temos o caso da MG-050, que é uma rodovia que foi, também parceria público-privada – aqui eles não faziam nem privatização, era doação mesmo. Doaram para uma outra empresa amiga do Aécio que sequer duplicou a rodovia e cobra um pedágio altíssimo.

Nós temos esse presídio, que também tem uma série de denúncias contra ele; tem a rádio Arco Íris… Aqui em Minas teve até helicóptero cheio de cocaína. Nem o piloto ficou preso. Então aqui, na era Aécio, teve de tudo. Imagina um helicóptero com 445 quilos de cocaína, onde o helicóptero é devolvido aos donos, o piloto foi solto e não há procedimento investigativo algum.

Esse era o quadro que Minas Gerais tinha na época de Aécio Neves e do seu sucessor: uma censura absoluta e uma impunidade aos amigos do rei.

Blog da Cidadania – Recentemente, o senhor desafiou o senador Aécio Neves para um debate sobre corrupção e sobre a gestão dele e do ex-governador Antonio Anastasia. Houve alguma resposta? Se não, por que o senhor acha que não houve resposta? Se sim, quando haverá esse debate?

Rogério Correia – Ah, não houve resposta. Aécio pôs um pau-mandado para responder meu desafio. Finge que o assunto no existe e ainda tenta nos ameaçar. Mas eu não tenho medo de cara feia de Aécio Neves, não.

Aécio Neves tentou cassar meu mandato. Eu fiquei três, quase quatro anos sob investigação do Ministério Público a pedido do PSDB, sugerindo que eu teria forjado a lista de Furnas. Olharam minhas contas todas na Assembleia Legislativa e, ao final, viu-se que não havia absolutamente nada. A promotora mandou arquivar o processo e disse que eu não poderia ter inventado a lista de Furnas se a própria PF disse que ela é verdadeira.

Esse é o modus operandi desse banditismo que ainda existe em Minas, por parte do PSDB.

Blog da Cidadania – O PSDB acusou a gestão do governador Pimentel de “inépcia” após três meses desde a posse. A comunicação do governo está tratando de explicar corretamente à população o quadro que encontrou e que ainda são apenas 3 meses de governo?

Rogério Correia – Essa iniciativa de colocar no site Minas Sem Censura o diagnóstico do que encontramos em Minas foi muito importante, porque precisamos mostrar como vamos evoluir de uma situação de calamidade. Pimentel diz, com muita razão, que nós não tínhamos gestão em Minas; vamos ter que recuperar o Estado.

Blog da Cidadania – Que prioridade terá a comunicação no governo Pimentel? O PT mineiro aprendeu algo com os erros de comunicação do governo federal?

Rogério Correia – Espero que tenha aprendido. O governo federal é que parece que não aprendeu até hoje. Vamos ver se a gente, aqui, melhora.

Nós temos uma imprensa aqui, em Minas, que tem as mesmas características da imprensa conservadora nacional. Notadamente o jornal O Estado de Minas.

É impressionante. Nós fizemos esse diagnóstico todo [da situação de Minas Gerais] e, se você abrir o Estado de Minas, o que se lê é contra o Pimentel, que está fazendo o diagnóstico. Imagine. Se você tem um jornal desse tipo, já dá para saber o que vamos enfrentar. Nós sabemos com o que estamos lidando e saberemos como agir.

‘O choque de gestão tomou bomba em Minas Gerais’ | Brasil 24/7

15/03/2015

Jorge Pozzobom para âncora da Globo

pozzobomPrintscreen do tweet do deputado gaúcho, Jorge Pozzobom, do PSDB. A pergunta que não quer calar: por que canalhas sempre encontram proteção?

Só há dois tipos de pessoas que não se  dá conta desta promiscuidade do PSDB com o Poder Judiciário e o velho coronelismo eletrônico: os mal informados e os mal intencionados!

Depois desta declaração do energúmeno gaúcho, fica por demais evidente que a promiscuidade é um costume que ainda vai demorar para ser extirpada. Vai precisar pelo menos mais dois mandatos do PT.

Tucano não põe um coxinha na rua. O inimigo é a Globo

Com essa lenga-lenga do Berzoini ela está frita !

Os tucanos sumiram.
O Aécio Never botou a camisa da seleção brasileira, foi para a janela e não ousou por os pés no chão.
E olha que a manifestação foi em Copacabana, onde não se viu um pobre.
Como na Avenida Paulista.
Se Copacabana ganhasse eleição, o Carlos Lacerda tinha sido Imperador do Brasil e o Gabeira embaixador em Paris.
Como no Farol da Barra, em Salvador, e na praia de Boa Viagem, em Recife.
Tucano não põe povo na rua.
Nem classe média.
Quem põe é a Globo.
Com um trabalho sistemático, há doze anos, 24 horas por dia, 365 dias por ano.
(Veja como a Globo massacra cabeça do brasileiro.)
Os tucanos terceirizaram sua prática e sua ideologia à Globo.
Ou o Governo Dilma enfrenta a Globo e garante o direito de expressão a todos os brasileiros, ou daqui a pouco o país racha e ela não Governa.
Os 300 mil, 400 mil que foram nesse domingo para a Avenida Paulista são um indício muito forte de que a classe média paulista – apoiada no William Bonneer – está decidida a ir para o confronto.
O que ela quer ?
Botar 2 milhões na rua ?
Ou a Dilma acaba com essa lenga-lenga – ver “quem não faz, leva” – do Berzoini de consultar a sociedade, ou … o Lula vai se afogar junto.

Paulo Henrique Amorim

Tucano não põe um coxinha na rua. O inimigo é a Globo | Conversa Afiada

Crime organizado pela mídia

A Veja tinha o Demóstenes Torres; a RBS, Pedro Simon. A Veja tinha o DEM; a RBS, PMDB, PP e seus próprios funcionários. A Globo paira sobre ambas pois endossava Veja e encobria, sob suas asas, a filial a RBS. Todas as páginas cor de merda da Veja trazia políticos que, depois, se revelavam o que sempre foram. E só a Veja não sabia. Os tais de cavaleiros da ética, José Roberto Arruda & caterva faziam as páginas amarelas da Veja. Recentemente, Álvaro Dias, Fernando Francischini, Renan Calheiros e Eduardo Cunha adornam a galeria de heróis da Veja.

No Brasil, não há crime organizado sem a participação e organização do coronelismo eletrônico. Até porque o tráfico de informação é a moeda valiosa dos grupos mafiomidiáticos. À captura de FHC, mediante Miriam Dutra, seguiu-se a captura e cooptação, mediante espaço e emprego do filho, Joaquim Barbosa. Basta lembrar o passeio que Assas JB Corp proporcionou à funcionária da Globo pelas Costas Ricas… Não deu na Globo, mas internet revelou

O avanço político do crime organizado

dom, 15/03/2015 – 06:00 – Atualizado em 15/03/2015 – 08:45 –Luis Nassif

A lista HSBC expõe, de forma ampla, o que foi o ambiente cinza do mercado financeiro internacional depois da liberalização financeira, uma mixórdia onde se misturavam caixa 2, dinheiro do narcotráfico, do terrorismo internacional, da corrupção política, das jogadas financeiras.

É essa zona cinzenta que favorece a proliferação do crime.

***

Na política também existe uma zona cinzenta, um cenário que favorece a expansão da influência do crime organizado. No caso brasileiro, a zona cinzenta ganhou dimensão quando o STF implodiu o sistema partidário e permitiu a proliferação dos pequenos partidos. E, depois, quando o financiamento privado de campanha decidiu investir na sua própria bancada, em vez de bancar políticos individualmente.

Sempre houve políticos bancados pelo crime mas, em geral, eram subordinados à organização partidária que restringia sua capacidade de atuação no Congresso. Com o pluripartidarismo à brasileira, esse disciplinamento deixou de existir. Abriu-se uma caixa de Pandora de difícil equacionamento, especialmente depois que os partidos majoritários passaram a se engalfinhar em uma luta fratricida.

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O avanço do crime organizado não se deu apenas na atividade parlamentar, mas também em outros territórios extra-institucionais, como a imprensa.

O episódio que inaugurou essa nova fase foi a parceria entre a revista Veja e a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira. Não era mais a imprensa se aliando a colarinhos brancos sofisticados, a golpistas do mercado financeiro, a banqueiros suspeitos, mas à corrupção chula de bicheiros e contraventores.

Cachoeira elegeu um senador, Demóstenes Torres. Veja transformou-o em um cruzado contra a corrupção, deu-lhe status de celebridade no mercado de opinião. Com o poder conquistado, Demóstenes fazia os jogos de interesse de Cachoeira e da Abril.

A CPMI de Cachoeira poderia ser o início da grande luta política contra o crime organizado ao desvendar as ligações de Cachoeira com a Veja e com empreiteiras – como a Delta -, que por sua vez mantinham ligações estreitas com o mundo político, a começar do então governador do Rio Sérgio Cabral.

A CPMI mostrou a especialização que se formara no mercado de corrupção. O bicheiro prospectava contratos e licitações no setor público, passíveis de corrupção, uma atuação que poderia começar nas discussões de projetos de leis e emendas orçamentárias e se desdobrar por repartições públicas federais e estaduais; aliava-se a uma empresa parceira, que assumia a fase legal do projeto; garantia a blindagem com a parceria com a mídia e com os padrinhos políticos.

***

O Ministério Público cochilou ao não avançar nas investigações abertas pela CPMI de Cachoeira. Seria o ponto de partida para o início da verdadeira guerra contra a corrupção política mais visceral, aquela que envolve o crime organizado. A Lava Jato abre uma nova possibilidade para se desbaratar esse modelo, ao identificar seus desdobramentos regionais. E o MPF terá que sair da zona de conforto e enveredar por caminhos nunca dantes navegados: as interseções do crime organizado com o país institucionalizado, incluindo aí a mídia.

O avanço político do crime organizado | GGN

Rede Globo rima roubo

Muito Além do Cidadão kane é tão antigo quanto os primeiros desvios a Globo. Roberto Marinho, que saudou a chegada dos ditadores em editorial, fez a parceria que lhe daria o Brasil. A simbiose com a ditadura fez a Globo crescer como mosca no estrume. Se isso já era ruim, some-se a isso a reunião di tutti i capi. Na mesa e pelas mãos de Roberto Marinho comeram e comem suas filiais: Sarney, no Maranhão; Jereissati, no Ceará; Alves & Maia, no Rio Grande do Norte; Collor, em Alagoas; Neves, em Minas; Sirotsky, em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para aumentar o poder, criaram o Instituto Millenium para albergar as famiglias Civita (Veja), Frias (Folha), Mesquita (Estadão).

Pelo menos desde o início deste milênio que venho chamando os velhos grupos de mídia de coronelismo eletrônico. Usei esta expressão várias vezes no Observatório da Imprensa, o que me valeu a ira do do, Alberto Dines, que, atendendo um telefonema dos Sirotsky, achou por bem caçar minha palavra. Saí do Observatório mas minha opinião continua a mesma, inclusive sobre Alberto Dines. O que mudou, só agora, foi ele, Alberto Dines: “Canalhices”. É, seu Dines, pimenta no dos outros é refresco…

Como na fábula da rã e do escorpião, a natureza perversa da Globo picou Dines. Quem cria cuervos

Grupo Globo: o supremo coronel do Brasil

Alessandre de Argolo -dom, 15/03/2015 – 08:12

A Rede Globo e, por extensão, o grupo econômico integrado pelas diversas empresas a ela vinculadas, é uma tirania. Não tenho a menor dúvida disso. A Rede Globo não abre espaço para o contraditório. Quando ela coloca no ar, em seus telejornais, um político de esquerda, é sempre editando e cortando a fala.

Uma das experiências mais nauseantes na televisão brasileira é ver aquele Carlos Alberto Sardenberg falar. O jornalista em questão é de uma manipulação grosseira dos dados econômicos, sonega informações importantes, direciona a conversa, enfim, uma coisa absolutamente lamentável em termos de jornalismo econômico, um verdadeiro desserviço ao direito do cidadão de se informar razoavelmente bem sobre a realidade econômica. Isso é a Rede Globo.

Uma empresa tirana, que cerceia a liberdade e quer impor os seus interesses sobre os outros. A Rede Globo faz isso há 50 anos e domina praticamente todo o cenário, monopolizando a mídia no Brasil. Alguém tem que começar a pôr um fim nisso.

A questão não é a Rede Globo ou o Grupo Globo existir. A Rede Globo tem o direito de existir, de ter a sua linha editorial etc. A questão é ela ocupar a esmagadora parte do espaço midiático no Brasil. É preciso que as pessoas, os cidadãos brasileiros em geral, tenham mais opções para formar a sua opinião. E com o atual papel da Rede Globo e do seu grupo de empresas, essa necessidade de democratizar a mídia cada vez se torna mais óbvia, mais urgente, mais estratégica.

O jornalista Paulo Henrique Amorim falou, recentemente e de forma acertada, em seu programa Conversa Afiada, que a maior parte das pessoas se informa sobre o caso da corrupção na Petrobras pelos telejornais da Rede Globo, com ênfase no Jornal Nacional. Ou seja, a maior parte das pessoas se informa pelo ponto de vista da Rede Globo. O resultado disso é o que Paulo Henrique Amorim chamou de "massacre".

Reitero, o problema é monopolizar a mídia. A Globo manda ou lidera em tudo, nas verbas publicitárias, é a emissora mais presente no Brasil e por aí vai. Como fica a democracia neste cenário? Não fica, é claro. É rádio, jornal impresso, Internet, televisão por assinatura, televisão aberta, tudo na mão dela em termos de uma maior participação mercadológica, esmagadoramente. Vira uma luta desigual. Todos nós somos reféns da Rede Globo, direta ou indiretamente. Brizola estava absolutamente certo em sua cruzada contra a Rede Globo.

O Brasil é um feudo, um curral da Rede Globo, sinto reconhecer isso. O Grupo Globo é o grande, o maior de todos, o supremo "coronel" do Brasil. É o principal adversário político do desenvolvimento nacional em termos de igualdade e da democracia brasileira. O Brasil precisa se libertar desse poder tirânico da Rede Globo. Enquanto ele existir, não haverá espaço para a verdadeira democracia neste país.

Grupo Globo: o supremo coronel do Brasil | GGN

15/09/2014

Álvaro Dias é chamado de “Sarney do Paraná”

Filed under: Álvaro Dias,Coronelismo Eletrônico,Pedro Simon,RBS — Gilmar Crestani @ 9:09 am
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Pedro Simon boca de ouroPersiste a cultura do coronelismo na política. É um processo que não se extirpa com facilidade. No Maranhão, os “Honoráveis Bandidos” só foi reconhecido recentemente, quando já não mais atendia ao interesse de coronéis de outros lugares. Garibaldi Alves no Rio Grande do Norte é outro ramo deste mesmo coronelismo. O que foi e o que é o ACM na Bahia senão um exemplo de coronelismo. Agora vem à tona o coronelismo no Paraná. O caso do Álvaro Dias é um pouco mais complexo, já que é também advogado honorário dos golpistas do Paraguai. Sobrevive na política por aparelhos que o finanCIAm…

O RS não podia ficar de fora deste levantamento do coronelismo. Um dos ingredientes que transformam um político num coronel político é a tentativa de sobreviver pela linha, pelo vínculo familiar. Simon é talvez o caso do coronel mais festejado porque é inútil. E todo inútil na política sobrevive pela irrelevância. Simon faz discursos vazios por horas, mas é suficientemente lacônico para apoiar corruptos como Yeda Crusius e Antônio Britto.

Qual a explicação para Pedro Simon sair de Brasília para vir a Porto Alegre beijar Yeda para as câmeras da RBS, senão seu moralismo de ocasião ou de aluguel?  No episódio da dentadura financiada com dinheiro público de que lado ficou a RBS? Do lado da apropriação do dinheiro por quem está também de seu lado! Aliás, como fez com Ana Amélia Lemos, terceirizando ao Senado o pagamento de seu salário.

A RBS sempre fez com Simon a lição do Rubens Ricúpero, mostrava o que interessava a Simon, e escondia o que desagradava. Simon, sempre pronto a apontar seu dedo aos políticos com os quais RBS não consegue estabelecer negócios, esquece trazer a público o comportamento de sua falecida mulher, em New York. Ela era sua mulher, então tinha que saber…

O que há em comum nesses coronelismos de norte a sul? O apoio da velha mídia. Não haveria tantos coronéis na política não fosse a parceria que vira acobertamento do coronelismo  eletrônico.

Álvaro Dias é chamado de “Sarney do Paraná”

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Candidato ao Senado, Ricardo Gomyde (PCdoB/PR) afirmou no Twitter que o tucano Álvaro Dias é o “Sarney do Paraná, um autêntico coronel em atividade”; ele também questionou seus bens: “Álvaro Dias nunca teve emprego que não fosse a política. Riquíssimo, como explicar a origem de seu patrimônio?”

15 de Setembro de 2014 às 06:31

247 – Candidato ao Senado, Ricardo Gomyde (PCdoB/PR) afirmou em sua conta no Twitter que Álvaro Dias é o “Sarney do Paraná”. Segundo ele, ao contrário do senador maranhense que se aposentou, Dias, “um autêntico coronel” insiste em permanecer na ativa.

Gomyde questiona ainda a origem do patrimônio do senador tucano: “Álvaro Dias nunca teve emprego que não fosse a política. Riquíssimo, como explicar a origem de seu patrimônio?”, escreveu.

O senador Gomyde faz parte da Coligação Paraná Olhando pra Frente PT-PDT-PCdoB-PRB-PTN, que apoia Gleisi Hoffmann ao governo do Estado.

Álvaro Dias é chamado de “Sarney do Paraná” | Brasil 24/7

13/11/2011

O Sirotisky do Amazonas

E quando vamos ter uma Primavera de Porto Alegre? Em que Lasier Martins é inferior ao espécime amazonense?

Primavera de Manaus 4: o radialista que amava Roberto Carlos

Enviado por luisnassif, sab, 12/11/2011 – 16:00

Antes de contarmos a história do nosso personagem principal, Ronaldo Tiradentes, um rápido apanhado sobre como atua no mundo virtual.

Quando escrevi os primeiros posts sobre o caso Bianca Abinader recebi comentários virulentos de um perfil fake no Twitter, de codinome @caionunes. Depois, ele invadiu meu blog com ataques de baixo nível.

O IP é do mesmo mesmo provedor e da mesma central, em Manaus, dos ataques desfechados contra Bianca e contra o blogueiro Ismael pelo mesmo @caionunes. Na época, identificou-se Ronaldo Tiradentes como a pessoa por trás do fake, devido às informações veiculadas pelo Twitter de @caionunes, que antecipou todos os movimentos da Secretaria de Administração em um dos inquéritos movidos contra a médica.

A conta é da Vivax, provedor da Net. O equipamento encontra-se a 7 km da sede da CBN Manaus. Na Net, informam-me que a rua da CBN Manaus está na área atendida pela central identificada no IP.

Transponham essa virulência para o mundo real de Manaus. Na ponta ofensiva, uma rádio de alcance amplo, não meros comentários de baixo calão; na ponta atacada, pessoas físicas cercadas pelo poder político de Amazonino, pelas políticas de intimidação da CBN. No meio, a virulência sem limites de um personagem como Ronaldo Tiradentes.

Ele apareceu em Manaus vindo de Minas. Começou a carreira como vendedor de uma loja de CD. Depois, tornou-se apresentador do "Clube do Rei", na TV local, enaltecendo Roberto Carlos. Começou aí sua popularidade. A partir dessa vitrine, elegeu-se deputado estadual nos anos 90. Não foi reeleito. Mas foi secretário de Comunicação na primeira gestão de Amazonino Mendes, quando começou a montar sua fortuna.

Aproximou-se do mundo político do estado, oferecendo a matéria prima mais valorizada por aquelas plagas: uma virulência sem limites.

Arthur Virgílio chegou a pagar para que fosse à França fotografar um suposto castelo de Amazonino Mendes. Eleito, Amazonino cooptou-o com gordas verbas publicitárias para suas rádios.

Em 1997 conseguiu a concessão da rádio Tiradentes, que colocou em nome de parentes. Quando, em 2003,  o Ministério das Comunicações abriu concorrência para novas frequências no Amazonas, conseguiu a concessão da rádio que se filiou à rede CBN. Em 2004 conseguiu a  Rádio Tiradentes FM (89,7), em 2005, a TV Tiradentes, de Porto Velho e a Tiradentes FM, em Parintins.

Valendo-se da falta de controle das autoridades do setor, passou a utilizar uma frequencia que pega a cidade toda, pagando multas irrisórias pelos abusos. No dia 21 de setembro passado, sofreu uma multa de R$ 2.400,00 por utilizar a frequência da CBN Iranduba fora da sede da cidade.

No dia 11 de agosto passado foi alvo de uma homenagem. Graças à força que lhe foi outorgada pela rede CBN, estavam presentes o governador, prefeito e vereadores.

Segundo o relato do site da CBN, "Ronaldo foi às lágrimas ao lembrar o começo de vida em Belo Horizonte, como cobrador e camelô". E mostrou sua estreita ligação com as Organizações Globo:

"O apresentador do CBN Manaus lembrou de sua passagem pela TV Amazonas, onde foi o primeiro repórter a emplacar matéria local no Jornal Nacional. E a emissora o homenageou, com espaço destacado no Jornal do Amazonas deste começo de noite".

Depois do sucesso do "Clube do Rei", Ronaldo estreitou as relações com as Organizações Globo. Tornou-se repórter da TV Amazonas, afiliada da Globo e, depois, apresentador do Jornal da Amazônia, que antecedia o Jornal Nacional. Foi o que lhe abriu as portas para ser o homem da CBN em Manaus.

Parte de sua história é narrada no livro "O ronco da pororoca: histórias de um repórter da Amazônia", de Marcos Losekann. Nos anos 90 enviou capangas a Niterói para espancar um cronista de Manaus que o criticou.

Sob seu comando, a CBN tornou-se defensora das piores causas de Manaus.

Abriu microfones para o vereador Sabino Castelo Branco, acusado de agredir a própria esposa. Depois, para o irmão do governador Omar Aziz, que invadiu a UFAM (Universidade Federal de Manaus) para espancar um professor, que comentara em sala de aula as acusações contra o governador na CPI da Exploração Sexual, anos antes.

Abriu espaço para Omar se defender das acusações de pedofilia. Depois, para Carlos Souza, quando foi acusado de comandar o crime organizado em Manaus; para Antonio Cordeiro, flagrado pela Operação Albatroz por desviar R$ 500 milhões do governo do Estado.

Defendeu Adail Pinheiro, o ex-prefeito de Coari, acusado pela Polícia Federal de desvios de mais de R$ 30 milhões e de envolvimento na escabrosa rede de pedofilia que envolvia políticos do estado. Em seus programas, Ronaldo Tiradentes fazia apelos para que a Justiça desbloqueasse os recursos da prefeitura de Coari. A cidade vive de royalties de petróleo.

Em 2009, um dos escândalos da esquema Adail, através de seu sucessor Rodrigo Alves da Costa (posteriormente cassado por corrupção) consistiu na contratação, por R$ 4,3 milhões,  de trios elétricos pelo período de cinco meses. Os trios pertenciam à AMZ Produções, de Robson Tiradentes, irmão de Ronaldo. Cassado o homem de Adail, Ronaldo fez sua defesa (clique aqui) imediatamente iniciou campanha contra seu sucessor (clique aqui).

O prefeito cassado foi acusado pela Operação Vorax da Polícia Federal de envolvimento em organização criminosa  (clique aqui). Na CBN se veiculava a falsa informação de que sua culpa teria sido participar de uma festa política com distribuição de prêmios.

A parte mais obscura da carreira de Tiradentes veio à tona em 2009, quando seu ex-sócio, o advogado Afonso Luciano Gomes foi a Brasilia entregar ao presidente da CPI documentos que supostamente comprovariam que Tiradentes abusou de uma sobrinha de 13 anos. A menina teria engravidado de um menino, então com 14 anos – a mãe já com 27.

A agência Senado noticiou assim:

“O advogado Afonso Luciano Gomes Amâncio entregou nesta terça-feira (1º), ao presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, senador Magno Malta (PR-ES), denúncia de abuso sexual praticado por Ronaldo Lázaro Tiradentes, em Manaus (AM), contra sua sobrinha Keyla Roberta Gregório da Silva. O advogado entregou cópia de depoimento da vítima à Polícia Federal no amazonas e pediu à CPI apuração do caso em que sua cliente foi vítima. Segundo o depoimento de Keyla, Ronaldo Tiradentes a criou depois que ela ficou órfã de pai, aos 4 anos de idade. Keyla, hoje com 27 anos, afirma que, no período em que vivia na casa do tio, foi abusada sexualmente por ele, o que a fez decidir sair de casa aos 13 anos. Em seu depoimento ela também relata que, mesmo depois de sair de casa, Ronaldo Tiradentes continuou a assediá-la até que teve uma filha, que está com 11 anos, não reconhecida por ele. Magno Malta afirmou que vai levar a denúncia à CPI da Pedofilia e, se necessário, serão convocados o acusado e sua esposa, Maria José, bem como a vítima”.

A sobrinha chegou a conceder entrevista confirmando a versão. Ronaldo atribuiu as denúncias ao seu adversário político, ex-Ministro Alfredo Nascimento (clique aqui).

Tempos depois, a sobrinha voltou atrás  e Tiradentes apresentou um exame de DNA que supostamente o inocentaria da acusação de gravidez.

Mensalmente, a prefeitura de Manaus joga mais de R$ 1 milhão de publicidade nas duas emissoras de Ronaldo, a CBN Manaus e a rádio Tiradentes.

Foi nesse pantanal que a médica tuiteira Bianca Abinader se meteu, quando resolveu, com mais 150 tuiteiros da cidade, inaugurar a Primavera de Manaus, criando o movimento pelo twitter.

application/pdf icon20080711_1_decisao_vorax_desabilitada.pdf

application/pdf iconcomentarios_fakes_de_ronaldo_tiradentes_no_blog.pdf

Imagens:

Primavera de Manaus 4: o radialista que amava Roberto Carlos

Primavera de Manaus 4: o radialista que amava Roberto Carlos | Brasilianas.Org

As outras partes d’ A Primavera de Manaus, escritas por Luís Nassif:

1) Primavera de Manaus 1: tuiteiros vs coronéis da selva

2) Primavera de Manaus 2: a fonte do poder dos coronéis regionais

3) Primavera de Manaus 3: as primeiras represálias ao movimento

4) Primavera de Manaus 4: o radialista que amava Roberto Carlos

5) Primavera de Manaus 5: a invasão do posto de saúde

6) Primavera de Manaus 6: a suspensão com base em um documento falso

7) Primavera de Manaus 7: o terror no jogo político do Amazonas

31/10/2011

SIP persegue Montesquieu

Filed under: Coronelismo Eletrônico,Corruptores,Instituto Millenium,Máfia,PIG,SIP — Gilmar Crestani @ 8:30 am
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O estudioso francês desenvolveu a separação dos poderes entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Não incluiu os donos do meios de comunicação, os que na atualidade  se convencionou chamar de Quarto Poder. Quando o Povo elege o governante, a SIP não gosta. Quando o Poder Judiciário diz que fazer desaparecer opositores, torturar, matar é crime contra a humanidade, a SIP não só não gosta como conclama os a$$oCIAdos para fazerem campanha contra o Judiciário. No Brasil, a SIP desovou o Instituto Millenium. O PIG tupiniquim já deu a senha, vai perseguir Dilma até o último ministro. Eles preparam o Golpe, afinal não estão acostumados com democracia. Ao contrário, são frutos e usufrutos de ditaduras, em todo América Latina. Não fosse assim,  a SIP se manifestaria contra a perseguição e morte de jornalista em Honduras pós golpe militar patrocinado pelos EUA?

Los jueces son la nueva amenaza a la libertad de prensa en Latinoamérica

Varios Gobiernos instrumentalizan la justicia para amedrentar a los medios

Human Rights Watch denuncia el asedio a los medios en Venezuela

Pablo Ximénez de Sandoval Madrid 30 OCT 2011 – 20:35 CET35

Hacer caricaturas sale caro también en las democracias formales. A finales del pasado julio, Dinorah Girón, directora del semanario Sexto Poder de Venezuela, fue detenida por publicar en portada caricaturas de varias mujeres poderosas dentro del Gobierno de Hugo Chávez. El semanario fue cerrado temporalmente. El periodista Leocenis García, de la misma publicación, fue enviado a prisión. Además, un juez tiene prohibido al diario El Nacional publicar imágenes violentas. La cadena de televisión Globovisión, por su parte, se enfrenta a siete procesos judiciales que pueden acabar con su cierre inminente. Su presidente, Guillermo Zuloaga, se ha exiliado de Venezuela. Rafael Poleo, director de la revista Zeta, también está exiliado y con procesos abiertos.

Todos estos casos son actuales y suceden en Venezuela, quizá el ejemplo más extremo de la nueva amenaza que sufre la libertad de prensa en Latinoamérica, como es el uso de la justicia afín al poder ejecutivo para neutralizar a la prensa incómoda. Los casos arriba citados fueron presentados durante la 67ª reunión de la Sociedad Interamericana de Prensa (SIP), que se celebró entre el 14 y el 18 de octubre en Lima.

La consolidación de la democracia es indiscutible en Latinoamérica. Las elecciones se suceden en paz y, allí donde hay oposición, la alternancia en el poder se produce sin traumas. Ha sido un avance lento durante las últimas dos décadas hasta lograrlo.

En ese contexto, la violencia contra la prensa en países como México u Honduras es una tragedia. En los primeros seis meses del año, 21 periodistas han sido asesinados y las agresiones físicas y amenazas son habituales. Es la principal preocupación de la prensa latinoamericana. Pero la reunión de la SIP quiso fijarse también en una amenaza de nivel institucional, más sofisticada, en actitudes censoras que se resisten a desaparecer con la llegada de la democracia y que utilizan los recursos del Estado.

Sin llegar al nivel de acoso de Venezuela, aunque compitiendo en agresividad verbal, la actual pugna del Gobierno de Rafael Correa en Ecuador con el diario El Universo ha hecho saltar las alarmas respecto a este tipo de prácticas. Correa demandó al diario por una información que consideraba injuriosa y un juez lo condenó a indemnizar al presidente con 40 millones de dólares, es decir, a la quiebra. Correa lo celebró como un triunfo del Estado contra la prensa que siempre ha calificado, como mínimo, de corrupta.

“Es que a muchos presidentes, aunque elegidos democráticamente, luego les cuesta mucho aceptar las reglas que obliga el efectivo ejercicio del sistema democrático”, afirma el director del peruano La República y anfitrión del encuentro en Lima, Gustavo Mohme. “Cuando la justicia ha perdido autonomía y los jueces actúan en función de lo que el poder de turno desea, no hay derecho que esté garantizado”. Mohme no tiene duda de que en los casos descritos los jueces han sido cómplices de los Gobiernos. “Los hechos hablan por sí mismos. En la última asamblea invocamos a los jueces valientes que existen para que hagan contrapeso al poder político e impidan que se cercenen derechos fundamentales”.

Mohme resalta que las nuevas formas de acoso a la prensa en democracia consiguen los mismos fines que los militares pero, además, sin generar rechazo social. “El público no se da cuenta de lo que pasa”, dice el periodista peruano. “El estilo de los militares, bestial, ordinario, era flagrante. Hoy se aplican métodos que la gente no distingue como ataques a la libertad de prensa y a su derecho a informarse, pero sus resultados —restringir esas libertades y derechos— son más efectivos incluso que los métodos del pasado”.

Desde Washington, la organización Human Rights Watch (HRW) ha denunciado reiteradamente el acoso a la prensa en Venezuela con métodos que parecen inspirar a otros mandatarios. José Miguel Vivanco, director de la división América de HRW, afirma que “Ecuador y Venezuela son los países donde las amenazas indirectas son más patentes”. “Sin duda”, señala Vivanco, “los procesos penales contra medios son uno de los ataques más graves a la libertad de expresión hoy en día”, porque además “generan un incentivo para que otros periodistas se autocensuren”. En opinión de Vivanco, “en la medida que las expresiones no inciten al odio o a la comisión de delitos, por más ofensiva o amarillista que resulte una cobertura, se encuentra protegida por la libertad de expresión”.

Precisamente a través de una ley para sancionar el racismo y la discriminación, el presidente Evo Morales está consiguiendo cierto grado de autocensura en los medios, según fue expuesto en la asamblea de la SIP. La prensa no sabe a qué atenerse, qué es “discriminatorio” y qué no, porque eso lo decide arbitrariamente un comité integrado por funcionarios gubernamentales.

La prensa de la región parece convencida de que la imitación del estilo de Gobierno de Venezuela en otros países lleva aparejado el acoso obsesivo a los medios. El pasado mes de abril, el entonces candidato y hoy nuevo presidente de Perú, Ollanta Humala, tuvo que proclamar ante los periodistas su compromiso firme con la libertad de prensa.

Humala es consciente de que su imagen está muy marcada por su identificación con el proyecto de Hugo Chávez en la anterior contienda presidencial. Ahora, desvinculado de la influencia venezolana, Humala quiso descartar específicamente la posibilidad de utilizar a los jueces como hacen otros países de su entorno. “Mi conducta ha sido en estos casos la de no procesar, a pesar de haber sido víctima de estas actitudes que ustedes señalan como demoledoras”, dijo el candidato Humala, según lo cita el informe de la SIP.

“Si bien el presidente en casos extremos podría recurrir al poder judicial, entendemos que no sería lo más adecuado, ya que su poder es mayor que el medio o la persona que lo critica”, dijo Humala. Es una aclaración para tranquilizar a la prensa peruana, pero suena a lección para algunos de sus vecinos.

Los jueces son la nueva amenaza a la libertad de prensa en Latinoamérica | Internacional | EL PAÍS

29/10/2011

Intolerante e mentirosa

Filed under: Coronelismo Eletrônico,Nassif,PIG — Gilmar Crestani @ 5:43 pm
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“A velha mídia espalha a intolerância”, critica Luis Nassif
Da Redação

O jornalista Luis Nassif, diretor de redação do site Agência Dinheiro Vivo, criticou os grandes veículos de comunicação ao participar, na manhã desta sexta-feira (28), do 1º Encontro Mundial de Blogueiros, em Foz do Iguaçu (28). Ele declarou que esse tipo de mídia quer impor que só ela tem o direito de informar.
“A velha mídia espalha a intolerância, a construção do conhecimento pressupõe você abrir mão da propriedade da informação”, disse Nassif durante o debate “O papel das novas mídias”, informa o site Clikfoz. O painel também contou com o porta-voz do Wikileaks, Kristinn Hrafnsson; e o criador do Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet. A mediação foi da jornalista Natalia Vianna.
Além da Agência Dinheiro Vivo, Nassif dirige o site Cash, é apresentador da TV Brasil e escreve para o carioca O Dia. Durante a carreira no jornalismo, ele passou, entre outros veículos, pelo jornal Folha de São Paulo, Uol e pelas TVs Gazeta e Cultura.

Comunique-se. O portal da comunicação

25/10/2011

RB$, de rabo preso com a mentira

Filed under: Coronelismo Eletrônico,Corruptores,Cosa Nostra,RBS — Gilmar Crestani @ 9:30 am
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A liberdade de imprensa é tão grande e leva a sério, e  de tal forma, que nenhum colonista, nenhum celetista da empresa pode comentar a qualidade da formação dos quadros que ela defeca na política. A seleção é feita pelo caráter, ou pela sua falta. Se alguém disser, trabalho na RBS, se afaste. Hoje, o PCC é menos nocivo à sociedade que a RBS.

Juiz critica monopólios na mídia e aponta manipulação em cobertura da RBS

O presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), João Ricardo dos Santos Costa, criticou a cobertura que o jornal Zero Hora fez de um seminário sobre liberdade de imprensa e Poder Judiciário, em Porto Alegre. A matéria sobre o evento omitiu a parte do debate relacionada aos monopólios de comunicação. “Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento", diz o juiz em entrevista à Carta Maior.

Marco Aurélio Weissheimer

No dia 21 outubro, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) promoveram, em Porto Alegre, um seminário para discutir liberdade de imprensa e Poder Judiciário. O convite para o encontro partiu da ANJ que já promoveu um debate similar junto ao Supremo Tribunal Federal (Ver artigo de Venício Lima, Direito à comunicação: o “Fórum” e a “Ciranda”). Os interesses temáticos envolvidos no debate não eram exatamente os mesmos. Enquanto que a ANJ e as suas empresas afiliadas estavam mais interessadas em debater a liberdade de imprensa contra ideias de regulação e limite, a Ajuris queria debater também outros temas, como a ameaça que os monopólios de comunicação representam para a liberdade de imprensa e de expressão.
O jornal Zero Hora, do Grupo RBS (e filiado a ANJ) publicou no sábado (24/10/2011) uma matéria de uma página sobre o encontro. Intitulada “A defesa do direito de informar”, a matéria destacou as falas favoráveis à agenda da ANJ – como as da presidente da associação, Judith Brito, e do vice-presidente Institucional e Jurídico da RBS, Paulo Tonet – e omitiu a parte do debate que tratou do tema dos monopólios de comunicação. Na mesma edição, o jornal publicou um editorial furioso contra o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, acusando-o de querer censurar o jornalismo investigativo (Ver matéria: Tarso rechaça editorial da RBS e diz que empresa manipulou conteúdo de conferência). No mesmo editorial, o jornal Zero Hora apresentou-se como porta-voz da “imprensa livre e independente” e afirmou que “a credibilidade é a sua principal credencial”.
Agora, dois dias depois de o governador gaúcho acusar a RBS de ter manipulado o conteúdo de uma conferência que proferiu no Ministério Público do RS, omitindo uma parte que não interessava à construção da tese sobre a “censura ao jornalismo investigativo”, mais uma autoridade, desta vez o presidente da Ajuris, João Ricardo dos Santos Costa, vem a público criticar uma cobertura da RBS, neste caso, sobre o evento promovido em conjunto com a ANJ. A omissão da parte do debate relacionada ao tema do monopólio incomodou o presidente da Associação de Juízes.
“Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento que era a discussão sobre os monopólios de comunicação”, disse João Ricardo dos Santos Costa em entrevista à Carta Maior.
Na entrevista, o presidente da Ajuris defende, citando Chomsky, que “o maior obstáculo à liberdade de imprensa e de expressão são os monopólios das empresas de comunicação”. A “credibilidade” reivindicada pela RBS no editorial citado não suporta, aparentemente, apresentar a voz de quem pensa diferente dela. “O comportamento do jornal em questão ao veicular a notícia suprimindo um dos temas mais importantes do debate, que é a questão dos monopólios, mostra justamente a necessidade daquilo que estamos defendendo”, destaca o magistrado.
Carta Maior: Qual foi o objetivo do seminário sobre Liberdade de Imprensa e Poder Judiciário e quais foram os principais temas debatidos no encontro realizado dia 21 de outubro em Porto Alegre?
João Ricardo dos Santos Costa: A Ajuris foi procurada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) para promover um evento com o objetivo de debater liberdade de imprensa e o Poder Judiciário. A relação se justifica pelo grande número de questões que chegam ao Judiciário envolvendo a atividade jornalística. Essas questões envolvem, muitas vezes, decisões que limitam a divulgação de certas matérias. Pois bem, fomos procurados para fazer esse debate que gira em torno de dois valores constitucionais: a liberdade de expressão e a independência do Judiciário. Para alguns haveria um aparente conflito entre esses dois princípios. Nós nos dispomos, então, a construir por meio do debate o que significa a convivência desses dois valores em sociedade democrática. Esse foi o grande desafio que esse evento pretendia enfrentar.
Há duas posições veementes neste debate. De um lado há aqueles que não admitem nenhum tipo de cerceamento à informação; de outro, há aqueles que não admitem qualquer tipo de restrição ao trabalho do Judiciário. Do ponto de vista constitucional, cabe ao Judiciário solucionar todos os conflitos, inclusive os que envolvem a imprensa. A imprensa não está fora das regulações judiciais. Há um embate muito forte entre essas duas posições. Se, de um lado, a ANJ buscou explorar o tema da liberdade de imprensa sob a ótica da atividade judicial, nós buscamos fazer um debate sobre a questão constitucional da liberdade de imprensa, no que diz respeito à distribuição de concessões aos veículos de comunicação.
Carta Maior: Por que a Ajuris decidiu abordar o tema da liberdade de imprensa sob essa ótica?
João Ricardo dos Santos Costa: Chomsky tem dito que o maior obstáculo à liberdade de imprensa e de expressão são os monopólios das empresas de comunicação. Não só ele, aliás. Vários pensadores contemporâneos dizem a mesma coisa. Para nós, esse é o cerne da questão. Hoje não há pluralidade, não há apropriação social da informação. O que existe é o interesse econômico que prepondera. Os editoriais são muito mais voltados aos negócios. Hoje mesmo, o editorial de um jornal local [Zero Hora/RBS] expressa preocupação com a vitória de Cristina Kirchner na Argentina dizendo que seria um governo populista que teria explorado o luto [pela morte de Néstor Kirchner] para se reeleger.
Há toda uma preocupação sobre o que representa esse governo para os negócios das empresas de comunicação, em especial no que diz respeito ao conflito entre o governo argentino e o grupo Clarín. A sociedade brasileira só tem conhecimento do lado da empresa de comunicação. A visão do governo argentino sobre esse tema nunca foi exposta aqui no Brasil.
E aí vem uma questão fundamental relacionada à liberdade de imprensa. O problema não é o que os meios de comunicação veiculam, mas sim o que omitem. Esse é o grande problema a ser superado.
Carta Maior: E esse tema foi debatido no seminário?
João Ricardo dos Santos Costa: No nosso evento, eu lembro de uma fala do deputado Miro Teixeira. Ele disse que a história da censura envolve o cerceamento de grandes pensadores da humanidade, como Descartes, Locke, Maquiavel, Montesquieu, entre outros. Citou isso para exemplificar os danos sociais dessa censura. Mas hoje o que nós observamos é que os grandes pensadores contemporâneos são cerceados não pelos censores que existiam antigamente, mas pelos próprios detentores dos meios de comunicação. Os grandes meios de comunicação não veiculam, não debatem hoje os grandes pensadores da humanidade. Nomes como Amartya Sen, Noam Chomsky, Hobsbwan, entre outros, não têm suas ideias discutidas na mídia, não são procurados para se manifestar sobre as grandes questões sociais. Não são chamados pela grande mídia para dar sua opinião e o que acaba prevalecendo é o interesse do capital financeiro, que é aquele que não vai pagar a conta da crise.
Eu dou esse exemplo para demonstrar a gravidade do problema representado por esse monopólio, esse interesse econômico preponderante sobre o direito à informação. Esse interesse diz incessantemente para a sociedade que a única saída para superar a crise atual é por meio do sacrifício dos mais pobres e dos setores médios da população. Não se toca na questão do sacrifício do setor financeiro. Este setor não pode ter prejuízo. Quem vai ter prejuízo é a sociedade como um todo, mesmo que isso atinja direitos fundamentais das pessoas.
Então, esse debate sobre a democratização dos meios de comunicação é extremamente importante e deve começar a ser feito de forma transparente para que a sociedade se aproprie do que realmente está acontecendo e que possa ter autonomia em suas decisões e mesmo influenciar a classe política que hoje está entregue aos grandes financiadores de campanha que são os mesmos que fornecem a informação enlatada que estamos recebendo. Nós, da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, estamos propondo esse debate para a sociedade.
Carta Maior: Esse debate que o senhor relatou não apareceu na cobertura midiática do encontro pelo grupo RBS, que participou do mesmo. O jornal Zero Hora dedicou uma página ao encontro, com uma matéria intitulada “A defesa do direito de informar”, sem fazer nenhuma menção a essa parte do debate envolvendo os temas do monopólio e da democratização dos meios de comunicação. Como é que a Ajuris, que propôs esse debate, recebe esse tipo de cobertura?
João Ricardo dos Santos Costa: O comportamento do jornal em questão ao veicular a notícia suprimindo um dos temas mais importantes do debate, que é a questão dos monopólios, mostra justamente a necessidade daquilo que estamos defendendo. É como eu disse antes: o problema maior é aquilo que é omitido, aquilo que não é revelado. Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento que era a discussão sobre os monopólios de comunicação. Nós não vamos nos omitir em tratar desse assunto por mais dolorido que ele possa ser. É evidente que não é um assunto que deva ser banalizado. Ele é o mais importante de todos. Estamos tratando de pluralidade de pensamento.
Carta Maior: No debate, o deputado federal Miro Teixeira defendeu que a liberdade de imprensa é um direito absoluto. Qual sua opinião sobre isso?
João Ricardo dos Santos Costa: Eu compartilho a ideia de que não há nenhum direito absoluto, não pode haver. Neste contexto de monopólio, menos ainda. Liberdade absoluta de imprensa em um contexto onde sequer a Constituição Federal é cumprida. no sentido de proibir a existência de monopólios. É algo completamente daninho à democracia. Outra coisa com a qual eu também não concordo , envolvendo esse debate, é a afirmação do ministro Marco Aurélio Buzzi (do Superior Tribunal de Justiça) de que nós temos liberdade até para matar. Nós não temos liberdade para matar. Não vejo, dentro da nossa organização jurídica e de sociedade, que tenhamos liberdade para matar. Do fato de, no Código Penal brasileiro, “matar alguém…pena de tanto a tanto” aparecer como uma expressão afirmativa, não se segue o direito de matar. Nós não podemos matar e não podemos violar o Direito. Não temos essa liberdade. Não temos a liberdade de tirar a liberdade das outras pessoas. O direito individual não chega a esse radicalismo que se pretende com essa afirmação de que a liberdade de imprensa é um direito absoluto.
Carta Maior: A ANJ realizou recentemente, no Supremo Tribunal Federal (STF), um seminário semelhante a este realizado no Rio Grande do Sul. Há, portanto, uma óbvia preocupação com a posição do Poder Judiciário neste debate. Qual é, na sua avaliação, o papel do Judiciário neste contexto?
João Ricardo dos Santos Costa: O fato de se debater, em primeiro lugar, é um grande caminho para amadurecer esses institutos que, aparentemente, estão colidindo, na sociedade. É lógico que o Judiciário, nesta e em outras grandes questões da sociedade brasileira, tem sido provocado a se pronunciar. Muito pela ineficiência do Poder Legislativo. O STF tem decidido sobre questões que o Legislativo se mostra incapaz de resolver: união homoafetiva, aborto, demarcação de terras indígenas, células-tronco, entre outros. A pressão envolvendo esses temas está vindo para cima do Judiciário. E o Judiciário, por sua formatação de autonomia e independência, ele se mostra menos vulnerável a pressões. Decidir é da essência do Poder Judiciário, desagradando um dos lados em litígio.
Quando esse lado é muito poderoso, os danos à instituição podem ser pesados. Numa decisão, por exemplo, que contraria os interesses de um monopólio de comunicação, esse monopólio joga todo esse seu poder para atingir a credibilidade do Judiciário como instituição. Creio que aí aparece um outro grande debate que deve ser feito sobre até que ponto esse tipo de postura não corrói a nossa democracia.

Carta Maior – Política – Juiz critica monopólios na mídia e aponta manipulação em cobertura da RBS

06/10/2011

Merval e seu caráter

mervalsarney

O senhor Merval Pereira volta hoje à carga. Diz que eu “recuei”, “abdiquei”, “voltei atrás” de minhas posições e “aderi” à defesa do Rio de Janeiro.

O senhor Merval Pereira é um primor de caráter.

Ele tem sempre uma boa explicação: não foi ele quem errou, os fatos é que erraram.

Foi assim quando, em 1989, em plena campanha presidencial, publicou uma foto de um homem com uma foto de Leonel Brizola e disse que era o traficante “Eureka”.

Como o homem não era traficante, mas um líder da comunidade, José Roque Ferreira, Merval preferiu não pedir desculpas e alegar que um policial informou que era um traficante, como alegou à época ao ombudsman da Folha, Caio Túlio Costa.

Em lugar de  esclarecer, segundo a Folha, o Globo passou a investigar Ferreira, para arranjar algo que o envolvesse como o tráfico.

Esta história ainda será contada com mais detalhes.

Qualquer leitor do blog, inclusive os muitos que manifestam uma posição contrária a qualquer ressarcimento especial ao Rio de Janeiro e que “me batem”  a valer por isso, sabe que só tive uma posição, sempre.

Bastaria consultar a pesquisa do blog e ver. Está público, registrado e datado.

Mas a postura de Merval é aquela que Tulio Costa descreveu sobre o que fez O Globo naquele episódio:

“Sem reconhecer objetivamente que errou – na esperança de que ao guardar a decisão da Justiça o tempo passe e o assunto morra. “O Globo” perde ainda mais pontos. Não há demérito em recolher erros. Está certo, o jornal deu espaço ontem tanto para Brizola quanto para o rapaz ofendido, mostrou em título e chamada de capa que o secretário de Polícia Civil do Rio diz que não há informações sobre seu envolvimento com tráfico. No entanto, não reconheceu o erro porque ainda não se acha de todo errado apesar das evidências em contrário”.

Não vou ficar aqui tecendo comentários sobre a postura de Merval. Limito-me a transcrever o que diz dela um seu ex-colega, Paulo Nogueira, ex-diretor editorial da Editora Globo:

“Merval é, basicamente, contra tudo que Lula fez, do Bolsa Família às cotas universitárias. Se Lula inventar a cura do câncer, Merval vai atacar. Seu poder de persuasão pode ser facilmente medido nas urnas. Se eu fosse candidato, torceria para que Merval fosse contra mim.

Ao lado de Ali Kamel, ele é um dos mais fiéis reprodutores do ideário da família Marinho. (Esperemos para ver se Kamel não vira futuramente um imortal.)

Numa carta célebre a um editor, o barão da imprensa Joseph Pulitzer disse o seguinte:  “Espero que você pense, pense, pense!!! (…)  Que compreenda que todo editor depende do proprietário, é controlado pelo proprietário, deve veicular os desejos e as idéias do proprietário. (…) Sua função é pensar, o mais próximo possível, no que você pensa que eu penso.”

Merval – e nem Kamel – teriam que ouvir isso. Lembro que, nas reuniões do Conselho Editorial da Globo das quais participei entre 2006 e 2008, os dois pareciam disputar entre si quem era campeão em pensar como a família Marinho pensa.

Então, ficamos assim: eu com uma cadeira de deputado “por deferência”, como ele diz, do governador Sérgio Cabral e da Presidenta Dilma e de 55 mil votos, ele fica com a cadeira na ABL por sua vasta e reconhecida obra literária  e por seus poderes telepáticos e depois  mediúnicos, que mostram que as grandes devoções sobrevivem à morte dos idolos.

Tijolaço – O Blog do Brizola Neto

A modernidade do “mercado livre”

Filed under: Carlos Slim,Claro,Coronelismo Eletrônico,Corruptores,Embratel,Net — Gilmar Crestani @ 8:40 am
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A regra da empresa: não beber para não fazer xixi, cinco minutos do máximo no toilette e cartaz com "banheiro" pendurado no pescoço

Os jornais de hoje trazem várias  reportagens que fazem pensar sobre a tal “liberdade de mercado”.

Claro, Net e Embratel – que crime sua privatização! – passam a operar em “parceria”. Parceria? Como assim? Pertencem ao mesmo dono, o mexicano Carlos Slim, uma das maiores fortunas do mundo. Ele, então, vai ser “parceiro” de si mesmo.

Dizem que essa “parceria” vai baratear os serviços. E anunciam a venda de “pacotes” mais baratos (?) de telefonia, internet e TV a cabo. No meu tempo isso era venda casada, onde você só pode comprar uma coisa levando outra. Na prática, pode, mas paga um valor imensamente maior.

Não conto o que me contaram, conto o que vivi: a Net anunciava TV a cabo e telefone por R$ 59,90. Interessei-me, porque mudei de endereço. Descobri que esse era o preço se eu transferisse a linha telefônica de outra operadora. Telefone novo ou não transferido, só a TV a cabo custaria R$ 119. Ou seja, uma laranja mais uma banana, R$ 59. Só a banana, R$ 119.

E mais, você contratava Net e quem instalava era a Embratel, “com quem temos uma parceria”, explicou a atendente.

Resultado, para ser atendido por outra, comprei um pacote muito superior na própria Embratel, pagando 20 reais a menos.

Competição é isso aí.

A Anatel e o Cade, nada…

Aí vem o UOL e reproduz matéria da BBC, sobre funcionárias de uma empresa espanhola que é “acusada de obrigar funcionárias a por cartaz no pescoço para ir ao banheiro“.

Não precisa ir tão longe. O pessoal que trabalha em call-center das telefônicas, aqui, tem de se expor e ainda, em alguns casos, acionar um botão que registra o tempo “banheiral”.

É o “padrão internacional”, pois até na “civilizada” França o famigerado botão existe. como publicou o Opera Mundi, dois anos atrás.

Ora, existem ferramentas de controle sobre funcionários que, eventualmente, estejam se ausentando demais dos seus pontos de atendimento. Registra-se o número de atendimentos, sua complexidade, é perfeitamente possível identificar e demitir os que estejam enrolando, eventualmente.

Mas isso não escandaliza ninguém, não é? Só se for uma repartição ou uma estatal que fizer.

Tijolaço – O Blog do Brizola Neto

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