Ficha Corrida

11/11/2011

MPT convoca Zara para assinar acordo

Filed under: Trabalho Escravo,Zara — Gilmar Crestani @ 8:49 am
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O complexo de vira-latas adora tudo que não é brasileiro. E se arrepia todo para dizer que brasileiro é vagabundo. Doura a pílula com um fraseado de filosofia de consultório onde só há Veja. Os brasileiros, “eles”, são cordiais, malemolentes, preguiçosos, estufa o peito, repetindo aquela teoria do século passado para justificar o injustificável. Ele, que diz isso, não é brasileiro. É ariano. Uma escravidãozinha, então, é um must. Assim mesmo, em inglês…

MPT convoca Zara para assinar acordo

Por Daniel Mello

O Ministério Público do Trabalho (MPT) notificou a marca de roupas Zara para comparecer a uma audiência no próximo dia 18 para assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O acordo busca regularizar a cadeia produtiva da grife espanhola e reparar os danos causados aos trabalhadores flagrados em regime de trabalho semelhante ao escravo em São Paulo.

Em junho, as investigações do MPT e dos fiscais do Ministério do Trabalho descobriram 51 trabalhadores (46 bolivianos) em condições degradantes em uma confecção da empresa em Americana, interior paulista. No mês seguinte, foram encontrados 14 trabalhadores bolivianos e um peruano em situação análoga à escravidão em duas confecções na cidade de São Paulo.

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Ao prestarem esclarecimentos em audiência na Assembleia Legislativa de São Paulo, os representantes da marca, Enrique Huerta Gonzales e Jesus Echeverria, alegaram desconhecer que funcionários trabalhavam em regime escravo em confecções contratadas pela marca.

Segundo o procurador Luiz Carlos Fabre, o fato de a produção ser terceirizada não exime, entretanto, a marca espanhola da responsabilidade pelas condições dos trabalhadores. “A Zara deve fiscalizar as relações de trabalho na sua cadeia produtiva com o mesmo zelo com que fiscaliza a qualidade dos produtos de seus fornecedores”, ressaltou.

Caso a grife se recuse assinar o TAC, que ainda não teve os termos divulgados, o MPT adiantou que ajuizará uma ação civil pública contra a empresa. “Com pedidos indenizatórios contendo valores muito maiores do que aqueles propostos no acordo”.

*Publicado originalmente em Agência Brasil.

MPT convoca Zara para assinar acordo | Carta Capital

Lei das algemas? Só para influentes

Filed under: Algemas — Gilmar Crestani @ 8:43 am
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Alguns Ministros do STF e jornalistas, só botando algema na língua… E soro antiofídico!

Lei das algemas? Só para influentes

Lei das algemas? Só para influentes

Quando Daniel Dantas apareceu algemado em horário nobre, por pouco uma nova marcha pela liberdade não tomou as ruas do País. Os “democratas” diziam que o Brasil vivia sob um Estado policial. Ministros de tribunais superiores, advogados milionários, colunistas de política e economia e juristas (que vivem de juros) de todo calibre conclamaram os direitos individuais contra os abusos do autoritarismos. A estridência resultou em uma súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal que limitou o uso de algema e a exposição de presos em operações “espetaculosas” da polícia. Ela valeria para todos, era a promessa.

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Como sempre, certos direitos são reservados a uma minoria de privilegiados. Aos influentes, aos donos do Brasil. Tanto no caso da remoção dos estudantes da USP quanto na operação na Rocinha que prendeu o traficante Nem, as regras foram jogadas às favas. Alunos e traficantes foram forçados por policiais a exibir o rosto a cinegrafistas e fotógrafos. Nos dois casos, optou-se por atender aos sentimentos mais obscuros da ala conservadora da sociedade. Em troca de apoio e publicidade.

Ainda espero os editoriais indignados dos jornais e a manifestação de advogados e de entidades de classe como a OAB contra os abusos. A propósito: onde estão Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello?

A lei das algemas deveria mudar de nome para “Lei Daniel Dantas”.

Lei das algemas? Só para influentes | Carta Capital

10/11/2011

Não-carta ao ex-presidente FHC

Filed under: FHC,Invasão da Reitoria da USP,Maconha — Gilmar Crestani @ 9:17 am
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Para mim, maconha é tão ilegal quanto dar dois habeas corpus “canguru” (royalties a PHA) em menos de 24 horas, estacionar em lugar proibido, divulgar notícia falsa, acusar sem provas. Pior, se a maconha não faz mal, o tráfico para fazer chegar até o consumidor mata. Então, o baseado ajuda a alimentar o crime, e quem fuma financia o crime. E não bastasse isso, a regra é clara, é ilegal e proibido.  De outro lado, sopesando dois crimes, o uso da força policial para prender três maconheiros não é dispendida para prender aspiradores de cocaína. O Estadão chegou a publicar um artigo contundente “Pó pará, governador”, acusando Aécio Neves de usuário contumaz. A PM não foi posta para prende-lo. Quando o mesmo Aécio, bêbado, foi pego dirigindo, a atitude também era ilegal. Não merecia algema e camburão? A questão da USP é de hipocrisia, mas também de lições de filosofia mostrando quem são os verdadeiros facínoras brasileiros. Os valentões que gozam com o c… da PM, que se fingem defensores da maconha mas se escondem na cortina de fumaça dos jornalões. E, para concluir, quando José Serra fingiu ter caído um meteorito na cabeça, sabendo tratar-se de uma bolinha de papel, é o quê? A Rede Globo, que converteu a bolinha de papel em objeto contundente cometeu o quê? Pó pará, hipócrita!

Cynara Menezes – 08.11.2011 16:55 – Não-carta ao ex-presidente FHC

Foto: Ag. Brasil

Caro ex-presidente e ex-professor da USP Fernando Henrique Cardoso:

Não lhe escrevo essa carta, na verdade não existe carta nenhuma, porque falar de maconha é um tema proibido em nosso país. Nos últimos anos, o senhor tem inclusive contribuído para trazer este debate à tona, ao propor publicamente a descriminalização da maconha em palestras e com o documentário “Quebrando o Tabu”. Mas nem mesmo o senhor, sendo idolatrado pela mídia do jeito que é, tem sido capaz de romper a hipocrisia que reina no Brasil em torno deste assunto. Até marcha pela descriminalização é proibida por aqui, como se a liberdade de expressão não valesse para a “erva maldita”.

O senhor deve ter assistido à tragédia da Polícia Militar invadindo a Universidade de São Paulo, onde estudou e ensinou. As cenas foram tristes para quem, como a sua geração, lutou pela democracia: soldados apontando fuzis na cara de estudantes desarmados. É verdade que eles haviam tomado a atitude extrema de invadir a reitoria da Universidade, mas veja só como tudo começou. Há duas semanas, policiais que estavam ali para defender a comunidade universitária de assaltos e estupros, abordaram três garotos que estavam fumando um mísero baseado no estacionamento da Faculdade de História e os levaram para a delegacia. Seguiram-se conflitos e protestos que culminaram na invasão da reitoria.

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Se pudesse escrever estas palavras, eu perguntaria ao senhor: quem provocou quem? Quem eram os donos da casa e quem eram os forasteiros? Quem chegou disposto a criar confusão reprimindo hábitos das pessoas que fazem parte daquele lugar? Fumar maconha é proibido por lei e não posso falar isto para um ex-presidente, de forma alguma, imagina. Mas se eu pudesse, diria que aposto que, em tantos anos na USP, o senhor deve ter visto inúmeras vezes cenas semelhantes às que os policiais reprimiram. Ou, no mínimo, sentido o cheiro familiar dos cigarros de maconha sendo acendidos, sempre discretamente, aqui e ali em recantos aprazíveis da Cidade Universitária.

Se a hipocrisia reinante me permitisse, eu argumentaria que fumar maconha no campus é um hábito disseminado e tolerado há décadas não só na USP como em quase todas as universidades do País – e, desconfio, do mundo. É como se o ambiente universitário fosse um oásis, onde o jovem em formação tem a liberdade para conhecer coisas novas, existencial e intelectualmente falando: livros, pessoas, música, cinema, arte. E, algumas vezes, maconha. De causar estranheza naquele local, é, isso sim, a presença de policiais militares fazendo a ronda: a rigor, a segurança do campus não deveria ser militarizada, mas de responsabilidade de uma Guarda Universitária.

Manifestantes pela legalização da maconha em protesto no início de 2011. Foto: Flickr/Mari Ju

Mas já que o governador, do seu partido, e o reitor, alarmados com o assassinato de um aluno dentro do campus, acharam por bem assinar um convênio com a Polícia Militar, eu gostaria muito de pedir ao senhor, mas não posso, que pudesse lhes aconselhar um pouco de bom senso. Jamais escreveria absurdos assim, de jeito nenhum, longe de mim. Mas o ideal seria que o senhor, em primeiro lugar, lembrasse a eles que um dia foram jovens como os estudantes que foram levados à delegacia naquele primeiro momento. Tenho certeza que muitos pais como eu não gostariam de ver seus filhos sendo presos por um delito tão insignificante quanto fumar um baseado junto a um grupo de colegas de faculdade.

É uma pena que não possa lhe dizer também que pondere com o governador e o reitor que policiamento no campus é para coibir assaltos e estupros, não para reprimir estudantes que estão pacificamente fumando um beck e conversando sob uma árvore qualquer. Que correr atrás deles é uma perda de tempo e é uma incitação ao conflito, que voltará a ocorrer em situações similares. Não é porque policiais apontaram armas na cara de estudantes que os estudantes deixarão de fumar baseados –ou de reagir quando forem reprimidos. E, olha só, o senhor nem precisaria aparecer, poderia fazer isso tudo discretamente, bem ao gosto dos que tentam dourar a pílula e fingir que a maconha não existe. Enfim, não posso lhe falar nada disso: é ilegal, imoral e ainda por cima tira votos. Mas, ah, se eu pudesse…

Não-carta ao ex-presidente FHC | Carta Capital

07/11/2011

Os bastidores da negociata de emendas parlamentares em SP

Filed under: Mensalão da ALESP,Mensalão Tucano,Tereza Barbosa — Gilmar Crestani @ 8:54 am
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“Tenho umas boas dicas para o promotor”, diz Tereza Barbosa. Foto: Divulgação

O funeral havia sido antecipado com dias de antecedência. Na tarde da quinta-feira 3, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou o relatório final das investigações sobre o suposto esquema de venda de emendas parlamentares a prefeitos e empreiteiras. O documento não chega a conclusão alguma, tampouco revela fatos que não haviam sido noticiados anteriormente.

Pudera, uma semana antes o deputado Campos Machado, líder do PTB na Assembleia Legislativa de São Paulo, conseguiu aprovar um requerimento pelo encerramento abrupto dos trabalhos da comissão. Apenas três parlamentares foram ouvidos, dois deles por escrito. Ainda assim, o relator do caso, deputado José Bittencourt (PSD) registrou no documento “não vislumbrar outras diligências a serem tomadas”.

Na realidade, a base governista, com sete dos nove deputados a integrar o conselho, barrou diversos requerimentos para ouvir testemunhas e outras pessoas citadas no escândalo. Entre elas, destaca-se uma senhora de 59 anos, de fala agitada e humilde: Tereza Silva Barbosa, conhecida como Dona Terezinha, presidente do Centro Cultural Santa Terezinha. Quem a apresentou foi o deputado Major Olímpio Gomes (PDT), único que se dispôs a depor pessoalmente na comissão. Segundo o parlamentar, ela o teria procurado em setembro de 2007 para pedir a liberação de uma emenda para um projeto assistencial, mas quis se certificar se ele não cobraria propina para fazer o pedido. “Ela disse que havia procurado outros deputados e eles cobraram um percentual sobre o repasse. Felizmente, não aceitou. Recusou-se a ser achacada.”

Procurada por CartaCapital, Dona Terezinha confirmou a denúncia, mas evitou dar mais detalhes. “Todos pedem para que eu cite os nomes de quem pediu dinheiro, mas tenho medo.” Na manhã da sexta-feira 4, no entanto, retornou às ligações da reportagem e falou sobre como tomou conhecimento das negociatas com emendas. Não deu nome aos bois, mas antecipou que pode falar mais abertamente ao promotor que investiga o caso, Carlos Cardoso, caso ele ofereça garantias para preservar a sua segurança e a de sua família. “Moro na periferia de São Paulo e já vi muita gente morrer por pouco. Por precaução, achei melhor não revelar o nome do santo. Mas se o promotor me chamar, posso dar umas boas dicas.”

De acordo com Terezinha, em 2007, ela procurou funcionários da Secretaria da Casa Civil para pedir orientação de como deveria proceder para pleitear verbas para o seu projeto, o “Faça Esporte na PM”, que leva crianças e jovens para praticar atividades físicas nas instalações esportivas de quartéis da polícia. Foi instruída a procurar deputados que pudessem fazer uma emenda ou indicação, reservando recursos do governo estadual para o programa. “Eu bati na porta de vários deputados. Visitava os gabinetes, conversava com assessores, abordava parlamentares nos corredores. Muitos diziam não ter mais verba para emendas. Outros pediam para que eu repassasse parte do dinheiro que receberia a outras entidades assistenciais ligadas aos deputados.”

Dona Terezinha diz ter estranhado a proposta, quis saber a razão de repassar verba a outras organizações. “Eles falavam que essas entidades eram sérias, desenvolviam um trabalho bacana, mas não tinham toda a documentação necessária para conseguir recursos do governo. A burocracia é muito grande, sabe? Mas eu não conhecia nenhuma dessas ONGs. E era eu quem deveria prestar contas depois. Não aceitei, achei estranho demais…”

Descontente com a infrutífera jornada com o pires na mão, de gabinete em gabinete, ela diz ter desabafado com um amigo no corredor da Assembleia: “Aqui só tem ladrão”. “O deputado Olímpio estava ao lado e ficou bravo comigo, disse que não era bem assim. Aí eu contei o que estava acontecendo e pedi para ele liberar uma emenda para o meu projeto.” De acordo com o parlamentar, então em seu primeiro ano de mandato, ele não sabia que tinha direito a fazer emendas. “Foi ela quem disse que eu podia. Fui atrás e, como o projeto dela era sério e tem muito a ver comigo, que fui da Polícia Militar, pedi a liberação do recurso para a Dona Terezinha. Só me surpreendi quando ela perguntou: ‘O senhor não vai me cobrar uma parte, vai?’”

“Eu gostei foi da resposta dele: ‘quem faz isso é bandido’”, comenta Terezinha. Segundo ela, os pedidos de propina eram recorrentes. “Eu tava tão empenhada em conseguir os recursos para meu projeto que vivia atrás de deputados, assessores. Uma vez um homem me perguntou: ‘Você é prefeita?’ Por brincadeira, disse que sim. E ele respondeu: ‘já deu quanto para o seu deputado?’ Teve prefeito que chegou a reclamar que o deputado liberava emendas para a cidade dele, mas indicava a construtora.”

Dona Terezinha lamenta o fim das investigações do Conselho de Ética e diz que estava disposta a falar, mas não a convidaram. Agora, aposta nas apurações do Ministério Público. “Vão falar primeiro com o Olímpio, depois comigo”, antecipa. O depoimento do deputado havia sido agendado para a quinta-feira 3, mas acabou suspenso em função do falecimento do pai do promotor. “Estou disposto a reafirmar o que disse na Assembleia e pedir que ele ouça a Dona Terezinha. Ela pode ajudar muito.”

Rodrigo Martins

Os bastidores da negociata de emendas parlamentares em SP | Carta Capital

05/11/2011

Efeitos da pregação midiática

Filed under: Câncer,Lula,Mino Carta — Gilmar Crestani @ 10:31 am
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A velhacaria parte do anonimato da internet mas não esconde os herdeiros da Casa-Grande. Foto: Yuri Cortez/AFP

No princípio era e é a mídia. A primazia vem de longe, mas se acentua com o efeito combinado de avanço tecnológico e furor reacionário. De início a serviço do poder até confundir-se com o próprio, um poder ainda medieval de muitos pontos de vista, na concepção e nos objetivos.

Ao invocar o golpe de Estado de 1964, os editorialões receitavam o antídoto contra a marcha da subversão, obra de pura fantasia, embora os capitães do mato, perdão, o Exército de ocupação estivesse armado até os dentes. Marcha da subversão nunca houve, sequer chegou a Revolução Francesa.  Em compensação tivemos a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade.

Há tempo largo a mídia cuida de excitar os herdeiros da Casa-Grande ao sabor de pavores arcaicos agitados por instrumentos cada vez mais sofisticados, enquanto serve à plateia, senzala inclusive instalada no balcão, a péssima educação do Big Brother e Companhia. Nem todos os herdeiros se reconhecem como tais, amiúde por simples ignorância, todos porém, conscientes e nem tanto, mostram se afoitos, sem a percepção do seu papel, em ocasiões como esta vivida pelo presidente mais popular do Brasil, o ex-metalúrgico Lula doente. E o estímulo parte, transparentemente, das senhas, consignas, clichês veiculados por editorialões, colunonas, artigões, comentariões.

Celebrada colunista da Folha de S.Paulo escreve que Lula agora parece “pinto no lixo”, cuida de sublinhar que “quimioterapia é dureza” e que vantagens para o enfermo existem, por exemplo, “parar de tomar os seus goles”. Outra colunista do mesmo jornal, dada a cobrir tertúlias variadas dos herdeiros da Casa-Grande, pergunta de sobrolho erguido quem paga o tratamento de Lula. Em conversa na Rádio CBN, mais uma colunista afirma a culpa de Lula, “abuso da fala, tabagismo, alcoolismo”. A cobra do Paraíso Terrestre desceu da árvore do Bem e do Mal e espalhou seu veneno pelos séculos dos séculos.

Às costas destas miúdas aleivosias, todas as tentativas pregressas de denegrir um presidente que se elegeu e reelegeu nos braços do povo identificado como o igual capaz de empenhar-se pela inclusão de camadas crescentes da população na área do consumo e de praticar pela primeira vez na história do País uma política externa independente. Trata-se de fatos conhecidos até pelo mundo mineral e no entanto contestados oito anos a fio pela mídia nativa. E agora assistimos ao destampatório da velhacaria proporcionado pelo anonimato dos navegantes da internet, a repetirem, já no auge do ódio de classe, as tradicionais acusações e insinuações midiáticas.

Há uma conexão evidente entre as malignidades extraordinárias assacadas das moitas da internet e os comportamentos useiros do jornalismo do Brasil, único país apresentado como democrático e civilizado onde, não me canso de repetir, os profissionais chamam o patrão de colega.

Por direito divino, está claro. E neste domínio da covardia e da raiva burguesotas a saraivada de insultos no calão dos botecos do arrabalde mistura-se ao desfraldado regozijo pela doença do grande desafeto. Há mesmo quem candidate Lula às chamas do inferno, em companhia dos inevitáveis Fidel e Chávez, como se estes fossem os amigões que Lula convidaria para uma derradeira aventura.

Os herdeiros da Casa-Grande até mesmo agora se negam a enxergar o ex-presidente como o cidadão e o indivíduo que sempre foi, ou são incapazes de uma análise isenta, sobra, de todo modo, uma personagem inventada, figura talhada para a ficção do absurdo. De certa maneira, a escolha da versão chega a ser mais grave do que a própria, sistemática falta de reconhecimento dos méritos de um presidente da República decisivo como Lula foi. Um divisor de águas, acima até das intenções e dos feitos, pela simples presença, com sua imagem, em toda a complexidade, a representar o Brasil em tão perfeita coincidência.

Mino Carta – editorial

Efeitos da pregação midiática | Carta Capital

04/11/2011

A corrupção e a tartaruga de Alice

Filed under: A$$oCIAdos,Corruptores,FIESP,Grupos Mafiomidiáticos,Marcos Coimbra — Gilmar Crestani @ 9:44 am
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Marcos Coimbra – mcoimbra@br.inter.net

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.

03.11.2011 11:54

A corrupção e a tartaruga de Alice

A mídia brasileira não hesita no emprego de sua peculiar aritmética. Foto: Gildo Lima/AE

Em uma das passagens mais conhecidas de Alice no País das Maravilhas, a heroína entabula um diálogo com a Falsa Tartaruga, um ser melancólico, sempre triste por ter deixado de ser uma tartaruga de verdade.

A alturas tantas, a tartaruga relembra os dias na escola e as matérias que estudara: “Reler e escrevinhar, é claro (…) e os diferentes ramos da aritmética: Ambição, Distração, Enfeiamento e Escárnio”. Quando a menina lhe pede que explique o que quer dizer o terceiro, ela responde: “Você sabe o que é embelezar, imagino (…) então você sabe o que é enfeiar”.

A mídia conservadora brasileira é uma espécie de Falsa Tartaruga. Ela não hesita no emprego de sua peculiar aritmética de enfeiar, confundir e escarnecer.

Sua proeza mais recente é a fabricação de uma conta sobre o tamanho da corrupção no Brasil, seguida de sua difusão maciça. Faz como ensinava um famoso propagandista alemão: para transformar uma mentira em verdade, é preciso repeti-la mil vezes.

Hoje, ela fala em 85 bilhões de reais anuais, como se pode ver na capa da principal revista da direita nativa. Ontem, eram 70 bilhões. Amanhã, sabe-se lá. E não importa. O relevante é trombetear uma cifra que impressione, qualquer que ela seja.

A mídia conservadora pega o número e o põe nas manchetes, na boca de comentaristas televisivos, em suas “análises”. Ficam todos compungidos com o tamanho do problema. Como se não fosse ela mesma que lhe deu a dimensão que tanto a assusta.

Tudo começou com a divulgação de um estudo do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, que tinha a intenção de estimar os “custos econômicos da corrupção” no Brasil. Como passou a ser referência, vale a pena entender o que fizeram seus autores.

Seu ponto de partida foi usar de forma questionável algo banal, os estudos sobre percepção de corrupção, que perguntam a determinado público se acha que ela existe e se seria grande ou pequena. Como as respostas decorrem de impressões, o resultado, óbvio, é subjetivo.

Se, por exemplo, a mídia estiver falando muito do assunto, os entrevistados podem imaginar que a corrupção aumentou, sem que tenha crescido um só milímetro objetivamente. Vice-versa, podem achar que diminui enquanto cresce.

O que o estudo da Fiesp fez de mais condenável foi usar uma medida de percepção da corrupção para inferir seu custo real. Inovaram, fazendo algo que, mundo afora, ninguém faz.

Um problema adicional da metodologia é a fragilidade de suas bases de dados. Para chegar à “corrupção percebida”, a fonte são avaliações de técnicos -estrangeiros (vinculados, tipicamente, a empresas de cálculo de risco), somadas a alguns poucos e modestos estudos com empresários brasileiros. Exemplificando: o Fórum Econômico Mundial faz, em média, 98 entrevistas por país; o Institute for Management Development, 83. Qualquer um vê que seu tamanho é insuficiente.

São pesquisas que usam questionários autorrespondidos, o que as complica ainda mais. Quando a Transparência Brasil quis fazer algo parecido, convidou 4 mil empresas, mas obteve apenas 76 respostas. Como imaginar que essas 0,019% sejam representativas, se foram só elas que quiseram participar?

Os técnicos da Fiesp utilizaram o Índice de Percepção da Corrupção (IPC), calcula-do pela Transparência Internacional para 180 países, e resolveram inventar (verificaram que o Brasil melhorou de 1996 para 2009, mas preferiram deixar isso de lado).

O IPC brasileiro, em 2009, era 3,7 (em uma escala que chega a 10, que significa zero de corrupção percebida). E se nosso índice fosse maior, se a percepção fosse menor?

Mas quanto? Talvez achando que suas especulações pareceriam mais “científicas”, escolheram 12 países a esmo para calcular seu IPC médio. Ficaram, sabe-se lá por que, com Coreia do Sul, Costa Rica, Japão, Chile, Espanha, Irlanda, Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Canadá, Cingapura e Finlândia.

Se a corrupção percebida no Brasil fosse igual (por alguma razão misteriosa) à média desses países, nosso IPC iria para 7,45. E daí? Iria para menos se substituíssemos a Finlândia pela Holanda, “mais corrupta”. Para mais, se trocássemos a Espanha pela Eslovênia, “menos corrupta”. E daí?

Daí vem a prestidigitação do estudo da Fiesp. Tomaram um modelo neoclássico de crescimento econômico e resolveram torná-lo “sensível ao índice de percepção da corrupção”. Para isso se deram ao direito de modificar o modelo (sem dizer como) para “incluir os efeitos da corrupção sobre o crescimento de longo prazo do produto per capita” (embora continuassem a falar, somente, de percepções).

Se, então, nosso IPC fosse 7,45 e se o modelo que inventaram fosse verdadeiro, o produto per capita brasileiro seria 1,36% maior ao ano, entre 1990 e 2008. Como o IPC real é menor, teria havido, nessa lógica estranha, um “prejuízo” (o “custo da corrupção”) de 41,5 bilhões de reais anuais.

E se o IPC brasileiro fosse 10? Se ne-nhum dos empresários ouvidos achasse que há qualquer tipo de corrupção no Brasil? Se fôssemos o único país do mundo com esse índice (melhor que o da Dinamarca, o “menos corrupto”)?

Aí o “prejuízo” de ter o IPC de 3,7 seria maior. Chegaria a 69,1 bilhões de reais anuais (a preços de 2008), que nossa mídia arredondou para 70 bilhões.

E assim se explicam os números que andam por aí: pesquisas limitadas, metodologias discutíveis, inferências sem fundamento. Eles não dizem simplesmente nada.

Se alguém quiser um exemplo melhor da aritmética da Falsa Tartaruga, vai ter trabalho. Faz tempo que não vemos uma discussão tão sem pé nem cabeça. •

A corrupção e a tartaruga de Alice | Carta Capital

03/11/2011

Vergonha brasileira

Filed under: Argentina,Brasil,Comissão da Verdade,Ditadura,Gabriel Bonis — Gilmar Crestani @ 8:55 am
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Gabriel Bonis

Vergonha brasileira

Enquanto Argentina e vizinhos sul-americanos julgam e condenam agentes do Estado responsáveis por crimes durante a ditadura, País opta por esquecer seus torturadores. Foto: Ag. O Globo

A ironia preenche as entrelinhas de uma das manchetes do site do jornal argentino Página 12 na quinta-feira 27. O curto texto sobre o Brasil manda uma mensagem direta: “estamos à frente”. O parágrafo diz: “No mesmo dia em que a Argentina condenava os repressores, a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, conseguiu aprovar no Senado a criação de uma Comissão da Verdade para investigar as violações de Direitos Humanos ocorridas na última ditadura militar (1964-1985). O grupo especial poderá determinar responsabilidades, mas não terá como levar os possíveis acusados perante à Justiça, pois uma Anistia ratificada em 2010 pelo Supremo Tribunal ampara os torturadores.”

O ácido sarcasmo da mídia argentina em relação ao Brasil, geralmente direcionado a rixas futebolistas, é de fato plausível. O país conseguiu aquilo que nossos ativistas de Direitos Humanos, ex-perseguidos políticos e parte da sociedade brasileira almejam: o julgamento de agentes do Estado responsáveis por crimes contra a humanidade no período ditatorial.

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Eleito presidente pelo voto direto em 1983, após a queda do regime autoritário na Argentina (1976- 1983), Raul Alfonsín suspendeu a autoanistia dos militares. Seu governo julgou a Junta Militar e condenou a cúpula da ditadura à prisão, mas não resistiu a pressões políticas e sancionou duas novas leis de anistia.

No entanto, oito anos após derrubar essas mesmas leis, a Justiça do país condenou à prisão perpétua, na quarta-feira 26, 13 ex-militares e outros três agentes a mais de 18 anos de detenção. Eles foram julgados por crimes cometidos pela Escola de Mecânica da Armada (Esma) durante a ditadura contra 86 pessoas.

O veredito, transmitido ao vivo pela televisão e em um telão próximo ao tribunal em Buenos Aires, mandou para a prisão o ex-capitão Alfredo Astiz, de 59 anos, o “anjo loiro da morte”, e o ex-capitão de corveta Jorge “Tigre” Acosta, inventor do atroz “voo da morte”, no qual prisioneiros políticos eram atirados sobre o Rio da Prata ou no oceano ainda vivos.

Enquanto isso, as Forças Armadas brasileiras ainda relutam em reconhecer sequer a existência de crimes contra a humanidade durante a ditadura e manifestam-se de forma arredia contra iniciativas capazes de punir agentes do Estado responsáveis por tais violações. Com isso, a imagem da instituição e do Brasil seguem arranhadas junto aos cidadãos e à comunidade internacional, pois países vizinhos agem para esclarecer os crimes do período em seus territórios.

O atraso brasileiro gerou críticas da organização de Direitos Humanos Anistia Internacional em um relatório divulgado em maio deste ano. Além disso, o Brasil foi condenado em 2010 pela Organização dos Estados Americanos (OEA) por não investigar os crimes cometidos pelo regime militar na repressão à Guerrilha do Araguaia na década de 1970.

A negativa do País em condenar criminalmente agentes do Estado envolvidos em violações dos Direitos Humanos no período integra uma série de particularidades do Brasil sobre o assunto, aponta a cientista política e pesquisadora da Unicamp, Glenda Mezarobba, autora de Acerto de Contas com o Futuro – A Anistia e suas Consequências: Um Estudo do Caso Brasileiro (Humanitas, 272 págs., R$ 28,00). “A Justiça reconhece o crime e a sua responsabilidade na esfera civil. Oferece reparações, mas não identifica o agente das ações. Isso é peculiar.”

Segundo a especialista, doutora pela Universidade de São Paulo com uma tese abordando as posições de Brasil, Argentina e Chile sobre crimes de militares na ditadura destes países, a configuração da Justiça brasileira também é responsável pelo atraso nacional neste quesito. “Na Argentina e Chile, as vítimas podem entrar na Justiça para responsabilizar os agentes do Estado envolvidos, mas no Brasil precisamos da abertura do caso pelo Ministério Público”, destaca. “Na época da ditadura, o MP estava alinhado aos militares. Depois dela, não se movimentou a respeito.”

A legislação brasileira apresenta ainda mais empecilhos para solucionar esses crimes. “Somos pouco permeáveis à jurisprudência, tratados e acordos internacionais, que, de modo geral, possibilitam alguma responsabilização por crimes contra a humanidade, por exemplo.”

Além disso, a cientista política aponta que, enquanto a Argentina rechaçou suas leis de anistia, o Brasil fez um movimento para conseguir esse recurso na legislação, o que também dificulta o seu questionamento. “É obvio que o teor da lei brasileira tem o tom desejado pelos militares, mas a tramitação no Congresso, o debate e as propostas de emendas, embora não aceitas, proporcionam alguma legitimidade.”

Em 2010, o STF considerou a Lei da Anistia constitucional. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Esse engajamento popular foi inclusive utilizado como justificativa para a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em considerar a lei constitucional em 2010. Na época, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) questionou a validade da anistia para agentes estatais que praticaram tortura, pedindo que o artigo 1º da Lei 6683 não incluísse agentes públicos autores de crimes como homicídio e desaparecimento contra opositores do regime.

A pesquisadora da Unicamp, porém, defende que a decisão do STF não impossibilita o julgamento de torturadores. Segundo Mezarobba, o Judiciário ainda interpreta a lei com a visão desejada pelos militares e isso impede que a mesma seja testada pelo Ministério Público. “Apenas recentemente estão surgindo algumas iniciativas isoladas no Rio Grande do Sul e em São Paulo para tentar definir os responsáveis por alguns crimes durante a ditadura.”

Wálter Maierovitch, jurista e colunista de CartaCapital, discorda da pesquisadora e explica que essa discussão se encerrou com o posicionamento do STF. “Está aí o grande problema da Comissão da Verdade, que vai realizar uma apuração e não poderá fazer mais nada.” No entanto, o ex-desembargador aponta que a Corte Interamericana de Direitos Humanos considera a lei brasileira de anistia ilegal por ser um autodecreto militar.

Em 2010, o STF também alegou não poder alterar e reescrever a Lei da Anistia por esta ser uma função do Legislativo. Por isso, os deputados Luiza Erundina (PSB-SP) e Chico Alencar (PSOL-RJ) apresentaram propostas de revisão da lei no Congresso. Contudo, uma decisão semelhante à ocorrida no Parlamento uruguaio, que derrubou na última semana a prescrição de crimes cometidos durante a última ditadura militar (1973-1985), parece distante no Brasil. As propostas dos parlamentares foram rejeitadas no final de setembro pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Os projetos ainda estão em tramitação e vão passar pela Comissão de Constituição e Justiça antes de ir a plenário. Contudo, o revés ocorrido poucos dias após a aprovação da Comissão da Verdade na Casa dificulta a transformação em lei.

Por outro lado, a Comissão, que aguarda a sanção de Dilma Rousseff para entrar em vigor, é a aposta do governo no esclarecimento de fatos durante o período ditatorial. No entanto, não há a possibilidade de punir agentes do Estado envolvidos em violações dos Direitos Humanos.

Mesmo assim, houve atrito com os militares que pressionaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para alterar o texto original da proposta em 2010. A corporação não ficou satisfeita com o termo “apurar violações de direitos humanos praticadas no contexto da repressão política”. Após pressão, houve uma alteração para “violações praticadas no contexto de conflitos políticos”.

Desta forma, segundo os integrantes da caserna, a comissão investigaria também militantes de grupos armados, por exemplo. Este, diga-se, não foi o único desalinhamento do governo com os militares. Em 2009, o então ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os três comandantes das Forças Armadas ameaçaram deixar os seus cargos devido à possibilidade da revisão da Lei da Anistia.

O comportamento dos militares e de alas mais conservadoras da sociedade brasileira reflete uma máxima irreal de que não é possível punir apenas agentes do Estado por crimes durante o regime autoritário, pois grupos de oposição e civis também praticaram atos de resistência violentos.

Mezarobba é, porém, enfática ao questionar os defensores deste argumento. Para a cientista política, não há como desconsiderar que inúmeros prisioneiros políticos e opositores de grupos armados cumpriram penas por seus atos. “Milhares de documentos nos arquivos da Unicamp mostram processos que tramitaram no Supremo Tribunal Militar. Essas pessoas foram processadas, condenadas e cumpriram pena com base em uma lei completamente arbitrária”, diz. E aponta: “Os militares envolvidos na repressão jamais foram condenados criminalmente.”

Posições quase opostas 

Para pesquisadora, a ditadura conseguiu emplacar e manter a ideologia do esquecimento. Foto: Marcello Casal JR/ABr

A pesquisadora também destaca outros fatores que acentuam a diferença nas políticas adotadas por Brasil e Argentina sobre o tema. “No Brasil, os exilados retornaram com a preocupação de fazer política, criar partidos e disputas eleitorais. Abandonaram a luta pela solução dos crimes da ditadura.”

Além disso, os argentinos possuíam um movimento de Direitos Humanos bem estruturado antes do regime militar, ao contrário do Brasil, explica. Esses grupos ganharam força no País apenas na luta pela anistia, que também envolvia a redemocratização, o fim das torturas e a condenação de responsáveis por estes crimes. “No entanto, por algum motivo peculiar a palavra de ordem vira anistia, que significa esquecer, perdoar. Enquanto isso, Argentina e Chile utilizam como bandeira a justiça.”

Apesar de adotar uma política de “não confrontar o passado”, o Brasil é pego em mais uma de suas “particularidades” ao ser capaz de reconhecer participantes de regimes autoritários de países vizinhos. Prova disto são as extradições de militares supostamente envolvidos em violações de Direitos Humanos na América do Sul.

Em 2010, o País extraditou para a Argentina o militar Manuel Juan Cordero Piacentini, um uruguaio acusado de perseguir opositores da ditadura no continente nos anos 70. Além dele, o militar argentino Norberto Raúl Tozzo foi enviado de volta a sua nação na última semana, onde deve responder pela participação no fuzilamento de 22 presos políticos em 1976.

Uma prática de extermínio comum na Argentina, país marcado pela mais violenta ditadura da América do Sul. De acordo com estimativas de ONGs argentinas e internacionais, 30 mil civis foram mortos durante o período militar, cinco mil deles pelas mãos da Esma.

Enquanto isso, uma aula de preparação do Ministério da Educação aponta em 384 os desaparecidos políticos ou mortos pela ação de agentes do Estado entre 1964 e 1985 no Brasil. Contudo, segundo ONGs e levantamentos de associações de parentes de vítimas da ditadura, o número pode ser maior. “Temos mais esquecimento que a Argentina nesta luta”, diz Mezarobba.

Para a pesquisadora, esse é um dos “méritos” do regime militar brasileiro e de João Figueiredo. Ao enviar ao Congresso o projeto da Lei da Anistia, quiseram a pacificação das famílias e o fim das lembranças, mas o principal objetivo era, claro, blindar os integrantes da caserna de punições. “Essa jogada conseguiu capturar corações e mentes e até hoje faz o mesmo seguindo a lógica da ditadura.” Cabe aos brasileiros livrar-se dela.

Vergonha brasileira | Carta Capital

28/10/2011

Lições ou lixões de civilidade?

Filed under: Kadafi,OTAN — Gilmar Crestani @ 9:16 am
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Em que se diferenciam os estupradores da OTAN de Kadafi? E esta a civilidade ocidental que os EUA quer impor ao Islã? Se fazem isso com Kadafi, que não fizeram com a mulher(es), filha(s) dele?

Kaddafi foi estuprado antes de morrer

Redação Carta Capital27 de outubro de 2011 às 11:45h

Um vídeo amador foi divulgado com imagens de rebeldes tentando violar o ex-ditador. Foto: Alessandro Bianchi/Reuters/Latinstock

Um vídeo amador gravado no momento da captura do ex-ditador líbio Muammar Kaddafi, morto em 20 de outubro, indica que o líder teria sido estuprado pouco antes de morrer. A imagem mostra um rebelde tentando inserir uma faca ou instrumento similar no ânus do ex-presidente.

Organizações de direitos humanos já pediram uma investigação formal sobre as circustâncias da morte do ditador. Aparentemente, Kaddafi morreu com um tiro na cabeça e no peito, disparados depois de que já estava nas mãos do Conselho Militar de Misrata, que apoia o Conselho Nacional de Transição (CNT), vencedor da guerra civil na Líbia.

O CNT confirmou à BBC que está investigando as versões de que o líder deposto foi vítima de abuso sexual momentos antes de morrer. A investigação foi motivada por imagens captadas por um telefone celular logo após sua captura, na cidade de Sirte. Segundo a correspondente da BBC, Katya Adler, “Khadafi é rodeado por uma multidão de combatentes anti-Khadafi”. “A gravação parece mostrar o ex-ditador da Líbia sendo submetido a um abuso sexual”.

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Denúncias de violações de direitos humanos circundam os dois lados da batalha. Kaddafi foi acusado de utilizar o estupro como arma de guerra. Ao jornal francês Le Figaro, Luis Moreno-Ocampo, procurador-chefe da Corte Criminal Internacional (CCI), disse que contêineres repletos de Viagra eram entregues aos soldados para que realizassem o ato. São estimados cerca de seis mil casos na guerra que assolou o país nos últimos meses.

Além disso, Kaddafi foi denunciado por violar sexualmente moças de sua guarda pessoal. Obrigadas a se alistarem, elas eram depois abusadas pelo coronel, seus filhos e membros do alto escalão do exército líbio.

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22/10/2011

A máfia no poder

Filed under: Brasil,Cosa Nostra — Gilmar Crestani @ 9:11 am
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Mino Carta21 de outubro de 2011 às 9:30h

Quem lida com Blatter e Teixeira deve estar acima de qualquer suspeita. Mas há mafiosos também em outros cantos. Por Mino Carta. Foot: Jewel Samad/AFP

Quando adolescente, já perguntava aos meus imberbes botões por que o Brasil, país de imigração campana, calabresa e siciliana, entre outras, não conhecia o fenômeno mafioso. Desde logo, formulei uma tese sem qualquer pretensão científica, mas convincente na opinião dos botões. Não temos uma Cosa Nostra no Brasil porque eméritos mafiosos estiveram e estão no poder, líderes em atividades diversas -teoricamente legais, em condições de agir às claras e a salvo dos riscos corridos, e sofridos, por Al Capone ou Totò Riina.

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Capone e Riina, e muitos outros do mesmo porte, acabaram na cadeia, aqui os equivalentes viveram e vivem à larga, ou estão soltos, quando não são nome de ruas e praças. Não faltam exemplos -recentes nas -áreas mais diversas, a começar pela política, a qual, a rigor, está em todas porque por trás de tudo. Algo espantoso se deu por ocasião do Panamericano do Rio. Previu-se um orçamento de 400 milhões, gastaram-se dez vezes mais para realizar obras hoje inúteis e entregues ao descaso. Serviços de todo gênero foram encomendados aos familiares e amigos dos organizadores da tertúlia monumental, a despeito dos nítidos conflitos de interesse. Que aconteceu com os responsáveis por tanto descalabro?

É do conhecimento do mundo mineral que quem mandou no Panamericano mandará nas Olimpíadas de 2016. Também é, quanto ao futebol, que a Fifa é um antro mafioso desde os tempos de João Havelange e que Joseph Blatter e Ricardo Teixeira são seus profetas. Desde a posse de Dilma- Rousseff na Presidência da República-, –CartaCapital permite-se chamar a atenção do governo para as péssimas consequências de um Mundial de Futebol desastrado, exposto ao risco do desmando, e várias vezes voltamos à carga no mesmo sentido.

Não nos precipitamos a endossar agora as suspeitas levantadas em relação ao ministro do Esporte, Orlando Silva, mesmo porque apressadamente veiculadas por Veja. CartaCapital jamais deixou de defender o princípio in dubio pro reo e enxerga na reportagem da semanal da Editora Abril insinuações e conjecturas em lugar de provas. Para variar. Certo é, contudo, que um ministro do Esporte chamado a lidar com Ricardo Teixeira e Joseph Blatter deve necessariamente situar-se acima de qualquer suspeita.

A presidenta, tão determinada no combate à corrupção, obviamente -sabe disso e saberá precaver-se, a bem do -País e do seu governo. CartaCapital insiste, de todo modo, em suas preocupações diante da clara presença no gramado e fora dele da máfia do futebol mundial.

Cabe encarar a questão também de outro ângulo, a partir da análise do singular destino da esquerda nativa. Refiro-me neste exato instante ao PCdoB, nascido da costela do Partidão em nome de uma fidelidade ideológica e moral que os discípulos de Luiz Carlos Prestes teriam traído. Outro aspecto da história brasileira que amiúde me levou a convocar os botões diz respeito à efetiva e duradoura existência de uma esquerda brasileira.

Desabrido, Lula já me disse, em entrevista publicada em CartaCapital há seis anos, “você sabe que eu nunca fui de esquerda”. Resta ver o que significa hoje ser de esquerda. Para mim claro está, ao menos, que é de esquerda quem se empenha, clara e honestamente pela igualdade, e sem medir esforços, para a redenção dos herdeiros da senzala. Parece-me que alguns passos neste rumo o ex-presidente deu.

Confirma-os, e com objetivos maiores, Dilma Rousseff ao definir o projeto de acabar com a miséria. Inevitável, entretanto, observar que um sem-número de políticos está a cuidar é da sua própria riqueza, e entre eles, pasmem, não faltam os ex-comunistas do B. Orlando Silva desde os começos de sua atuação ministerial é alvo de inúmeras denúncias de corrupção encaminhada pelas sendas do dinheiro das ONGs, a envolverem não somente o próprio, mas também seu partido. Era de se esperar? Desfecho inescapável de um enredo movido a ganância acima e além de crenças e princípios? O PCdoB já teve, entre outras razões de orgulho, a lisura e a coerência dos seus filiados. No poder, é mais um que se porta como os demais. •

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14/10/2011

Paranoia verde-oliva

Filed under: Ditadura — Gilmar Crestani @ 8:35 am
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Edição 668 « CartaCapital

Edição 668

O manual secreto do Exército que oficializa a espionagem, à margem da Constituição, e vê inimigos em todos nós. Também nesta edição: The Economist: Os PCs perdem espaço para tablets e smartphones. O fim da Primavera: A intolerância desfigura as revoltas no Oriente

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Procura-se um novo José Alencar

Filed under: Fernando Haddad,Henrique Meirelles,José Alencar,Lula — Gilmar Crestani @ 8:17 am
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Soraya Aggege13 de outubro de 2011 às 16:39h

Lula com Henrique Meirelles, durante reunião em 2009; ex-presidente do BC é a aposta do ex-presidente para vice de Fernando Haddad em SP. Foto: Wilson Dias/ABr

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula uma manobra política polêmica para tentar conquistar a Prefeitura de São Paulo em 2012. Ele quer “um José Alencar” para vice de seu escolhido na disputa, o ministro da Educação, Fernando Haddad. Lula está determinado a reproduzir em São Paulo a fórmula que instalou o PT no poder nacional por 12 anos. Para conquistar o conservador eleitorado das classes A e B da capital, que há tempos barra o projeto de poder do PT em seu próprio berço, o perfil conciliador e técnico de Haddad precisaria se casar com um vice bem aceito nos meios empresarial e financeiro.

Uma das tentativas mais extremas começa a se dar com o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que acaba de desembarcar na capital paulista com título eleitoral transferido e devidamente instalado no recém criado PSD, do prefeito Gilberto Kassab, depois da benção de Lula.

Com a ajuda do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), Lula estaria tentando articular com o prefeito para que Meirelles seja o candidato a vice de Haddad. A operação é complexa, pois envolve também convencer o PT a não fazer oposição a Kassab na campanha. Por enquanto, apenas um plano B está definido: caso Meirelles seja o candidato do prefeito, o acordo fica definido para o segundo turno. A reedição da estratégia nacional que o conduziu à Presidência da República e o ajudou a eleger a sucessora, Dilma Rousseff, é uma obsessão para Lula, afirmam lideranças petistas, incomodadas com o novo traçado.

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Uma aliança em primeiro turno com o PSD significaria, de pronto, barrar a decisão oficial do diretório municipal do partido, de fazer franca oposição a Kassab. A vantagem para o prefeito seria, em caso de vitória, não ter a oposição petista nos calcanhares, o que pavimentaria sua trajetória para o governo em 2014, ainda com a possibilidade de manter parte de seus indicados no governo. O prefeito nega a possibilidade, ponderando que precisa ter um candidato que defenda sua gestão e que só faria alianças com o PT em um eventual segundo turno, dependendo do espectro político da época. No entanto, as taxas de reprovação da gestão de Kassab são altas. O governador de Pernambuco, articulado com Kassab para 2014, estaria decidido a intermediar o acordo sonhado por Lula para 2012.

Lula, durante evento em março de 2007 com o ministro Fernando Haddad, hoje favorito para concorrer à prefeitura em SP. Foto: Dida Sampaio/AE

Meirelles foi para o PMDB em 2009, com a benção de Lula, na esperança de ser o vice de Dilma, mas Michel Temer foi o escolhido. Desde então, ele se sentia desprestigiado no PMDB, em Goiás. No início de 2010, o ex-presidente dizia que, se dependesse dele, Meirelles seria o vice de Dilma. Ele comentava na época, para o PT, o mesmo de hoje: Meirelles é um nome com o perfil mais semelhante ao de José Alencar, e atuaria como uma espécie de escudo do candidato do PT, com bom trânsito no mercado financeiro e no empresariado, o que quebraria resistências na elite.

Lula costuma avaliar também que a campanha petista não pode ser de oposição acirrada. Haddad cumpriria o perfil técnico e ético, como de Dilma, mas ainda precisaria de um vice que garantisse a imagem de que uma eventual gestão petista não seria extremada. “Meirelles se encaixa perfeitamente nesse projeto”, afirma um líder petista. Os críticos do próprio PT reagem: “Esse projeto do Meirelles repete o balão de ensaio que foi o Ciro Gomes em 2010, que também mudou seu título para São Paulo, a pedido de Lula. Nem tudo que ele tira da cartola dá certo”.

O ex-presidente também enfrenta dificuldades em seu próprio território. A ideia caiu como uma bomba entre algumas lideranças petistas. “A resistência interna será enorme. Mas como em política nem sempre um mais um somam dois, não podemos duvidar que essa pirotecnia do Lula acabe vingando. Estamos com as barbas de molho”, avalia uma liderança do PT.

Até agora, Lula conseguiu convencer boa parte do PT a apoiar Haddad, mas não há nenhum sinal de que o ministro da Educação escape de disputar prévias no partido. Coordenador da pré-campanha de Haddad, o deputado federal Vicente Cândido afirma que todas as posições de Lula precisam ser consideradas, até pela quantidade de vitórias de suas estratégias, mas pondera que as alianças só serão definidas depois das prévias do PT, dia 27 de novembro. “Vamos depois analisar o vice que completará o perfil do candidato”.

Na avaliação de várias lideranças, para que Haddad vença, Lula precisará primeiro convencer a principal adversária do seu candidato, a senadora Marta Suplicy (PT-SP), ex-prefeita da capital paulista. As pesquisas apontam que Marta teria, de largada, 30% dos votos, contra 2% de Haddad. Como declarou o ex-ministro José Dirceu na segunda-feira 10, não há chances sequer para a candidatura de Haddad sem Marta. Dirceu trabalha por um acordo interno, que evite a divisão do partido em uma prévia eleitoral, marcada para acontecer neste ano. “Qualquer solução passa pela Marta”, frisou Dirceu, durante o lançamento de seu livro em São Paulo, Tempos de Planície.

Vice de Lula, o empresário José Alencar fez a ponta com o empresariado e acalmou os mercados. Foto: Agência Estado

“O Lula terá que fazer muitos afagos em Marta”, afirma um apoiador da senadora, que está em viagem para os Estados Unidos, mas tem mandando recados de que não engolirá a imposição de Lula. Ela já declarou que terá paciência para continuar no jogo.

As bases petistas também têm ecoado a necessidade de oposição a Kassab. “Esse projeto do Meirelles poderá ter um efeito contrário, unindo todos os pré-candidatos contra o candidato do Lula”, analisa outro petista.

A análise das lideranças é de que, enquanto Marta estiver no páreo, os outros quatro postulantes petistas insistirão nas prévias. Os deputados Carlos Zaratini e Gilmar Tatto só recuariam se Marta partisse antes. No caso de os três desistirem em favor de Haddad, mesmo descafeinada, a pré-candidatura do senador Eduardo Suplicy será mantida, mas sem ameaçar o tabuleiro de Lula. No caso de Lula conseguir a candidatura de Haddad, terá que enfrentar ainda outras dificuldades internas.

A vivência de Haddad no PT é mínima. Ele apenas frequentava o núcleo intelectual do partido. Quando Lula lançou sua pré-candidatura, o colocou sob a coordenação de petistas de sua confiança. Mas muitas lideranças paulistanas reclamaram que esse núcleo lulista não é da capital.

Com isso, passou a liderar o movimento pró-Haddad Vicente Cândido, que também é vice-presidente da Federação Paulista de Futebol e relator da Lei Geral da Copa. Além da antipatia por suas relações com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, a interlocução de Cândido estaria pautada em acordos financeiros futuros com vereadores do PT.

Definido como candidato, a campanha de Haddad ajudaria alguns projetos de reeleição. Os rumores desses supostos acertos incomodam muitos petistas. Inclusive do grupo do próprio ministro, a Mensagem ao Partido, construído na época do mensalão – e baseado em um discurso da ética interna.

“Estão falando muitas mentiras e eu abomino esse jogo sujo. Não têm sequer coragem de denunciar isso ao partido, porque trata-se de mentira. Só têm falado pela imprensa. Aliás, Haddad é muito ético e jamais aceitaria isso”, rebate Vicente Cândido.

Procura-se um novo José Alencar « CartaCapital

13/10/2011

Caso de Zveiter no CNJ é adiado

Filed under: CNJ,Luiz Zveiter,Poder Judiciário — Gilmar Crestani @ 8:29 am
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Marcelo Auler

Gerou incontáveis críticas na rede de e-mails da Procuradoria da República a ausência do colega deles, Welligton Cabral Saraiva, procurador regional na 5ª Região (sul do país), na sessão desta terça-feira (11) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) quando teve prosseguimento o julgamento do caso envolvendo o desembargador Luiz Zveiter, ex-presidente do TJ do Rio e atual presidente do TRE fluminense. Zveiter é acusado de beneficiar o filho advogado.

Welligton foi escolhido pessoalmente pelo procurador Geral da República, Roberto Gurgel, sem que a categoria fosse ouvida, para substituir José Adonis, após o término do mandato deste. Único representante do ministério Público no CNJ, Wellington é novato. Não assistiu nem às sustentações orais feitas pelas partes, nem o voto da relatora que ocorreram na sessão de 15 de fevereiro e foram repetidos nesta terça, justamente por conta dos novos conselheiros.

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Na sessão, o presidente do CNJ, Cezar Peluso, não pretendia dar voz à corregedora, mas Eliana Calmon protestou e ele foi obrigado a recuar. Agora seus colegas têm dúvidas se Wellington terá condições de participar da continuação da votação e temem que o processo disciplinar proposto pela relatora Calmon, corregedora do CNJ, deixe de ser aberto por pequena diferença de voto. O conselheiro encontra-se em Paris, indicado por Gurgel, para representar a Procuradoria da República em um encontro internacional que debate a corrupção. Sua ausência gerou criticas ao Procurador-Geral, que o indicou para a viagem, e ao próprio, por tê-la aceito sem se preocupar com a sessão do Conselho.

Em fevereiro, Adonis levantou suspeição contra o conselheiro Nelson Braga, representante do TST e amigo de Zveiter, quando ele pediu vistas do processo, no que soou como medida protelatória. Na sessão desta tarde, o novo representante do Tribunal Superior do Trabalho, Carlos Reis de Paula, tratou de registrar seu voto a favor da abertura do processo. Outro que concordou com a proposta da corregedora foi o desembargador do TJ de São Paulo, José Roberto Neves Amorim, elevando o placar para cinco votos a zero pelo Processo Disciplinar Administrativo (PDA). Os conselheiros indicados pela OAB, Jefferson Kravchychyn e Jorge Hélio, votaram em fevereiro.

O representante da Câmara dos Deputados, Marcelo Nobre, também faltou à sessão desta tarde, mas estava na anterior. O processo foi paralisado com um pedido de vistas do desembargador Fernando da Costa Tourinho Neto, como se comentava na véspera do julgamento que ocorreria.

Marcelo Auler

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12/10/2011

15 anos sem Renato Russo

Filed under: Cultura,Legião Urbana,Renato Russo — Gilmar Crestani @ 12:04 am
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Luiz Felipe Carneiro11 de outubro de 2011 às 9:40h

“Um belo dia, o público vai descobrir que o seu ídolo tem pés de barro, e é uma coisa muito dolorosa porque messias não existem” (Renato Russo)

Ele foi o último ídolo do rock brasileiro. Depois dele, não veio mais ninguém. E, arrisco dizer, nunca mais virá. Por Luiz Felipe Carneiro. Foto: Agência Brasil

Parece que foi ontem, e talvez tenha sido mesmo, que Renato Russo morreu. Mas lá se vão 15 anos. O que, sob um ponto de vista, pode parecer uma eternidade.

Eternidade porque Renato Russo foi o último ídolo do rock brasileiro. Depois dele, não veio mais ninguém. E, arrisco dizer, nunca mais virá, até mesmo porque o rock brasileiro não fabrica mais nada de minimamente razoável já faz tempo.

Às vezes eu me pergunto o que fez de Renato Russo um ídolo.

Encontro a resposta facilmente em seus álbuns, especialmente nos da Legião Urbana.

Um dos primeiros LPs que Renato Russo ganhou foi o “White Album”, dos Beatles, quando ele morava em Nova York e tinha nove anos de idade. E isso explica muita coisa. A influência do tal disco branco, de certa forma conceitual, pode ser ouvida em qualquer trabalho da Legião. Ao invés de um amontoado de faixas, cada álbum da Legião Urbana era um “Álbum”, daqueles com início, meio e fim. Impossível de ser entendido sem a cuidadosa audição da primeira à última faixa. Eu fico imaginando os intermináveis exercícios de Renato Russo, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha (esse último até o terceiro disco, “Que país é este”) para chegar à relação final das faixas. E imagino o quanto Renato Russo não ficou louco, onde quer que estivesse, quando, recentemente, relançaram os discos da Legião em vinil, e, devido a um erro da fábrica, “Soldados” encerrou o lado B do trabalho de estreia da banda, ao invés de “Por enquanto”.

Acho que a Legião começou a se transformar no que foi quando, na infância, Renato Russo sofreu de uma rara doença chamada epifisiólise, que o deixou seis meses sem poder se levantar da cama. Nesse período de convalescença, Renato fundou a fictícia 42th Street Band. Não existia música, é verdade, mas Renato bolou capas de discos, nomes de músicas e até uma biografia para a sua banda imaginária. O líder do conjunto se chamava Eric Russell.

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Já adolescente, Renato Russo juntou alguns amigos da Colina, conjunto de prédios habitacionais da UnB, e fundou o Aborto Elétrico, já influenciado por bandas como o PiL e o The Clash. Nada mais apropriado para rapazes de Brasília que não tinham muito que fazer.

O Aborto não chegou a gravar nenhum disco, mas compôs algumas canções que, mais tarde, seriam distribuídas nos três primeiros álbuns da Legião e no primeiro do Capital Inicial. “Geração Coca-Cola” era uma delas. O hino dos “filhos da revolução” que berravam contra o regime militar. No álbum póstumo “Uma outra estação”, Renato voltou ao tema, mas, dessa vez, de uma forma menos romântica: “Eu sou a lembrança do terror/ De uma revolução de merda/ De generais e de um exército de merda”. Os “filhos da revolução” envelheceram.

Após uma briga com o baterista Felipe Lemos, Renato decidiu ser o “trovador solitário”. Só ele e seu violão. As músicas dessa fase podem ser encontradas no CD “O trovador solitário” (2008), idealizado por Marcelo Fróes.

De saco cheio de bancar o Bob Dylan, Renato fundou a Legião Urbana. Em 1985, com a força dos colegas dos Paralamas do Sucesso que levaram a fitinha da banda para a gravadora EMI, enquanto rolava o Rock in Rio, chegou às lojas o autointitulado álbum de estreia da banda.

Abertura do 44º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, onde foi exibido o filme "Rock Brasília, era de ouro" de Wladimir Carvalho. Foto: Agência Brasil

“Só um cego ou surdo não constataria de primeira que Renato era um John Lennon, Bob Dylan, Elvis Presley, Paul McCartney, Bruce Springsteen, Brian Wilson e Joe Strummer, tudo junto, num país tão carente de equivalentes nacionais”, disse o produtor José Emilio Rondeau, no livro “Renato Russo”, de Arthur Dapieve. Estava certo. Tudo o que a Legião viria a ser já estava lá naquele primeiro disco, da sonoridade ao conceito, passando pelas letras de Renato, claro.

A gravadora pensava que “Legião Urbana” não ia dar em muita coisa. Mas se enganou. O disco vendeu muito e gerou uma boa quantidade de singles. Para o segundo álbum, óbvio, a gravadora queria algo parecido com o primeiro. Direto e roqueiro. Mas lógico que a Legião não ia entrar nessa. “Todos os discos de uma grande banda são bons”, disse Renato Russo à MTV em uma de suas últimas entrevistas.

E, certamente, ele já pensava assim em 1986, quando peitou a gravadora, e entrou no estúdio para gravar “Dois”. “A gente se acostumou com o ambiente no estúdio, como se fosse a extensão de casa. Acreditamos que era realmente possível fazer música e discos a partir desse disco”, me disse o guitarrista Dado Villa-Lobos, em 2006, quando “Dois” completou 20 anos.

De fato, a partir de “Dois”, a Legião amadureceu. O álbum, que era para ser duplo e se chamar “Mitologia e intuição”, acabou sendo simples (“Todos os discos da Legião são duplos até segunda ordem”, dizia Renato), mas, mesmo assim, bem diferente do primeiro. As músicas rápidas e de letras mais simplórias deram espaço a canções mais longas e sem refrão, como “Eduardo e Mônica” e “Indios”. Nem por isso “Dois” deixou de fazer sucesso. Pelo contrário.

Na turnê de lançamento do álbum, a Legião tocou no Canecão pela primeira vez, ainda que no horário não muito nobre das sete da noite. Mal imaginava Renato (ou, de repente, imaginava sim) que, um ano depois, a Legião Urbana estaria lotando estádios Brasil afora. O show mais emblemático, durante o lançamento de “Que país é este”, aconteceu no Mané Garrincha, em Brasília, no dia 16 de junho de 1988. Um maluco invadiu o palco e agrediu o cantor com um canudo de plástico. O caos tomou conta do lugar e por sorte ou por milagre ninguém morreu naquilo que ficou conhecido como o “Altamont brasileiro”.

Renato Russo, vocalista da banda Legião Urbana, conversa com Vladimir Carvalho, diretor do documentário Rock Brasília – Era de Ouro, que exibirá cenas gravadas pelo cineasta na década de 1980. Foto: Agência Brasil

Apresentações não muito convencionais, aliás, fizeram parte da história da Legião. Quando a banda lançou o lírico “As quatro estações” (mais um álbum em que Renato colocou as suas vísceras), houve confusão no Jockey Club do Rio de Janeiro. Animais na fila do gargarejo detonaram uma guerra de areia que quase terminou o show antes da hora. Em janeiro de 1995, dessa vez divulgando “O descobrimento do Brasil”, em Santos, Renato levou uma latada e passou os últimos 45 minutos de show cantando deitado. Foi a última vez que ele pisou em um palco. Antes disso, em outubro de 1994, a banda realizou três dos shows mais lindos da história do finado Metropolitan, no Rio de Janeiro, e que geraram o CD duplo ao vivo “Como é que se diz eu te amo”. Inusitadamente, as apresentações, registradas pela Rede Bandeirantes, nunca viraram DVD.

A verdade é que Renato não gostava de fazer shows. Não tolerava a violência dos seguranças que agrediam os fãs. Ele também costumava dizer que, durante uma apresentação ao vivo, se sentia como estivesse fazendo amor com 10, 20, 30 mil pessoas ao mesmo tempo. E, depois, caía em depressão quando ia dormir sozinho em casa ou em um quarto de hotel.

A Legião abriu a década de 90 com “V”, o seu trabalho mais pesado. “O réquiem do milênio”, como bem definiu o produtor e jornalista Ezequiel Neves. “O descobrimento do Brasil” veio em seguida e dava a (falsa) impressão, com a sua capa florida e alegre, de que seria o oposto de “V”. Ledo engano. Por dentro, mais um réquiem, inclusive o do Brasil, limpidamente esculpido em “Perfeição”.

A Legião Urbana abandonou os palcos. Mas não os estúdios. Em setembro de 1996, duas semanas antes da morte de Renato Russo, foi lançado “A tempestade ou O livro dos dias”. Antes, Renato ainda colocou nas lojas os trabalhos solo “The Stonewall celebration concert” e “Equilíbrio distante”, com músicas cantadas em inglês e em italiano, respectivamente.

Há 15 anos, jornais dedicaram cadernos especiais ao compositor da Legião Urbana. O Jornal Nacional alterou todo o seu noticiário para dar metade de seu tempo à repercussão da morte de Renato. Hoje em dia, com exceção dos velhos medalhões da MPB, qual artista brasileiro mereceria tamanha deferência?

A Legião somou pouco mais de 12 anos de carreira. E deixou um legado imenso. Dá pena ver qualquer banda hoje em dia lançando DVDs comemorativos de 10, 15, 20 anos de carreira sem ter o que dizer.

Às vezes eu me pergunto o que Renato Russo estaria fazendo hoje se vivo fosse. Segundo o próprio, a partir dos 40 anos, faria cinema. Depois dos 60, seria escritor.

A banda Legião Urbana: Marcelo Bonfá, Renato Russo e Dado Villa-Lobos

Eu tenho as minhas dúvidas.

Para mim, a Legião Urbana nunca deixaria de existir.

A Legião não era só uma banda. Era a representação de seus fãs.

Ou como Renato Russo gostava de dizer: “A verdadeira Legião Urbana são vocês.”

15 anos sem Renato Russo « CartaCapital

08/10/2011

ANVISA emagre Veja

Filed under: ANVISA,Veja — Gilmar Crestani @ 7:42 am
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Com o trabalho da ANVISA, os financiadores ideológicos, que juntos com a CIA, aquela que fomenta guerras religiosas, mantém a anoréxica Veja de pé,  estão com processo de franca decomposição. Hoje, só assinam Veja os escritórios de proctologia. E, óbvio, só leem seus frequentadores, reais ou virtuais. Tudo porque, ao folhearem a revista, se reconhecem pelo cheiro.

Os excessos do lobby

Cynara Menezes7 de outubro de 2011 às 9:00h

A Anvisa alega riscos aos pacientes e proíbe vários tipos de emagrecedores. Médicos protestam. Ilustração: Istockphoto

O mercado multimilionário do emagrecimento acaba de sofrer um duro golpe no Brasil. Na terça-feira 4, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a decisão de proibir em todo o território nacional a comercialização de três substâncias anorexígenas (anfepramona, mazindol e femproporex) e de aumentar o controle sobre um quarto produto, a sibutramina, por considerar que oferecem mais riscos do que benefícios à saúde. No caso dos inibidores de apetite, a Anvisa alegou, inclusive, a falta de estudos clínicos a comprovar sua real eficácia.

Com a proibição, a agência espera coibir os abusos nas prescrições de remédios para emagrecer no País. De acordo com dados divulgados em março pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), o Brasil é hoje o terceiro maior consumidor de anorexígenos do mundo: com seis doses diárias a cada mil habitantes, só perde para os EUA, com 11 doses diárias, e para a Argentina, com nove. Uma denúncia chegou a ser feita pela Anvisa ao Conselho Federal de Medicina (CFM) há cerca de dois anos, com uma lista de médicos, em todos os estados do País, suspeitos de exagerar nas prescrições de inibidores de apetite.

Havia médicos, segundo a denúncia da Anvisa, que chegavam a prescrever até 8 mil receitas por ano. O campeão, por incrível que pareça, seria um pediatra. Uma sindicância foi aberta pelo conselho para averiguar a denúncia, mas até agora não foi concluída e não tem prazo para chegar ao fim. Já a proibição dos anorexígenos resultou em reação imediata do CFM, que anunciou a intenção de recorrer à Justiça para reverter a decisão da agência. O conselho também está, ao lado de outra entidade ligada aos médicos, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), fazendo circular um abaixo-assinado na internet contra a decisão.*

*Leia a íntegra da matéria na edição 667 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 7

Cynara Menezes

Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital.

Os excessos do lobby « CartaCapital

‘Sugerir não arranca pedaço’

Filed under: Iriny Lopes,Rede Globo de Corrupção — Gilmar Crestani @ 7:29 am
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Gabriel Bonis7 de outubro de 2011 às 23:02h

Ministra Iriny Lopes nega intromissão em novela global e diz que mídia é míope ao achar que governo não pode fazer sugestões. Foto: Valter Campanato/ABr

Após ser acusada de censura por pedir a suspensão de um comercial de lingerie com a top model Gisele Bünchen, considerado sexista e ofensivo pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, a ministra Iriny Lopes, viu-se envolvida em outra polêmica sobre uma suposta interferência do governo na mídia.

Lopes enviou uma sugestão, na quarta-feira 5, à rede de tevê Globo para que a personagem Celeste (Dira Paes) da novela Fina Estampa, agredida pelo marido, procurasse na trama de ficção a Rede de Atendimento à Mulher e a Central de Atendimento à Mulher, ligando para o número 180.

Em entrevista à equipe do site de CartaCapital na tarde de sexta-feira 7, quando visitou a redação da revista, a ministra se defendeu da enxurrada de críticas e disse que a mídia é míope “por achar que o governo não pode fazer sugestões”. “Sugerir não tira pedaço de ninguém.”

Leia também:
Mais uma da Amélia Bündchen

Não é só propaganda

Criticar também pode

“Como a violência doméstica nessa novela inclui, além da esposa, a filha adolescente, decidimos sugerir, a critério da emissora e obviamente do autor, que, para além da punição, se pudesse abordar um aspecto da Lei Maria da Penha, praticamente desconhecido das pessoas: a reabilitação.”

A ministra se refere ao artigo 35 da lei, que estipula a criação de centros de educação e reabilitação para agressores. “Achamos que era uma boa oportunidade para sugerir a elaboração, por exemplo, de um personagem, um juiz, que determine essa medida com base na legislação.”

Ressaltando sua relação de respeito com a emissora carioca, a ministra disse ter conversado com Luis Erlanger, Diretor da Central Globo de Comunicação, na quinta-feira 6, sobre o assunto. “Ele [Erlanger] me disse que estava com muitos capítulos gravados e não poderia assumir o compromisso de fazer [adotar a sugestão] na opinião da emissora, mas é claro que vai depender sobremaneira do autor [Aguinaldo Silva]”, com quem ainda não teve contato, conforme destaca.

A ministra solicitou, porém, que a direção da emissora repassasse o email com a sugestão a Aguinaldo Silva. “Parece que ele não gostou muito”, disse.

Devido à superexposição da Secretaria nos últimos dias, em decorrência do seu posicionamento contra a campanha de lingerie e também da sugestão feita à emissora carioca, a ministra reforçou a importância de não se banalizar o instrumento de protesto. “É preciso analisar cada pedido que recebemos e ver se há consistência, é uma espécie de filtro.”

Na tarde de sexta-feira, a Rede Globo divulgou uma nota sobre o caso. Com a assinatura de Erlanger, o documento aponta que a emissora não enxerga o ofício da ministra como “uma tentativa de coibir a liberdade de expressão, mas sim uma colaboração dentro do espírito de parceria que tem marcado nosso relacionamento.”

Sobre as agressões retratadas na novela, a nota destaca a necessidade de “focar o lado negativo antes de se construir o desenlace” e sugere a abordagem desse caminho em breve. “Na verdade, a sintonia é tamanha que sua sugestão chega quando os capítulos com desenvolvimento dessa trama em ‘Fina Estampa’ já foram produzidos com boa antecedência.”

Sobre um pedido de retirada do ar de um quadro do programa de humor Zorra Total, também da Globo, situado em um vagão de metrô, o site da Secretaria informa não ter tomado nenhuma atitude nesse sentido, apenas apoiado a ação de protesto do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.

Gabriel Bonis

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