Ficha Corrida

21/04/2015

Mistura explosiva: mau caratismo e hipocrisia

sonegacedNo programa desta terça-feira, do Ricardo Vidarti, na Rádio Grenal, empresários e também conselheiros de Inter e Grêmio entenderam por bem fazer, em primeiro lugar, apologia das privatizações. Entendem que as privatizações eliminam “petrolões”. Se a Petrobrás tivesse sido privatizada não teria havido necessidade de uma Operação Lava Jato.

Ué, mas a Gerdau e a RBS não foram privatizadas mas estão na Operação Zelotes?!

É óbvio. Por este tipo raciocínio, se a pessoa morre jovem, de acidente, não vai morrer mais tarde de câncer. Com raciocínio tão tosco só a sonegação explica o sucesso deles. Eu também, se não tivesse 1/3 (um terço) do meu salário retido em IR e Previdência, também teria muito mais sucesso. Eu não sonego. Não lavo dinheiro no HSBC, não tenho conta no HSDB, não abro filial em paraíso fiscal nem tento corromper para me livrar do que tenho de pagar. A Operação Zelotes mostra o modus operandi da GERDAU, este grande exemplo de iniciativa na privada. Um método sui generis de fazer sucesso cantado em prosa e verso na RBS. Que coincidência, né!?

A indignação seletiva se torna ainda mais hipócrita quando se descobre que a corrupção investigada pela Lava Jato não foi dentro da Petrobrás, mas dentro das empresas privadas. As tais de empreiteiras. Todas as empreiteiras com dirigentes presos são privadas. Não há empreiteira estatal. Não é o Governo Federal que tem contas em paraísos fiscais. Não é governo Federal que abriu filial nas Ilhas Cayman. Não é o Governo Federal que bota detergente, formol e soda cáustica no leite. Por que eles não se indignam com seus colegas empresários que envenenam o leite que nossas crianças bebem? Simples. Estão apenas esperando a oportunidade de fazerem algo logo ali adiante. Para isso é importante que haja um Governo Federal fraco, um engavetador geral, uma Polícia Federal que faça operações para arrancar maconha no triângulo da seca ao invés de investigar empresário corrupto.

A Operação Rodin antes e agora a Operação Zelotes? A corrupção descoberta da participação da RBS & Gerdau, para ficar com exemplos gaúchos por acaso sugerem que é culpa do Governo Federal ou que decorrem da necessidade de privatização? Quem eles pensam que enganam? Será que eles pensam que todo mundo é idiota, uma manada de bovinos a sermos tropeados para a privada?

Pelo que pude ouvir, todos têm curso superior. Portanto, não se pode dizer que sejam ignorantes. Duvida-se, sim, do caráter.  Os ladrões pegos na Lista Falciani do HSBC, com bilhões lavados no exterior, não envolviam o Governo Federal. Eram todos empresários bem sucedidos. Alguns, como Márcio Fortes, ferrenhos defensores da privatização da Petrobrás.

Usam um raciocínio típico do estuprador que culpa a vítima. Ela estava de short…

Ora, nem mesmo havia terminado o programa e já estavam pedindo empréstimo subsidiado e condenando os investimentos do governo no exterior. É claro que eles sabem que o Porto de Muriel em Cuba foi feito por empresas privadas, que eles tanto defendem, com empréstimos do BNDES, que também passaram a pedir. A menos que os empresários que construíram o porto cubano se comportem como os debatedores da Rádio Grenal, o empréstimo será pago na forma avençada em contrato.

Estes debatedores representam o típico empresário que adora falar mal do ente público federal para esconder a própria incompetência e assim justificar o mau caratismo.

Hipocrisia!

Há um ditado que diz que a ocasião faz o ladrão. Meia verdade. A ocasião proporciona o furto. O ladrão aprende em casa. Quem busca justificar a própria sonegação botando a culpa no Governo Federal deveria se olhar no espelho.

É importante notar que estes tais empresários só veem corrupção no Governo Federal. Não há corrupção no governo do Estado de São Paulo. O fato de o Governo Alckmin pagar R$ 70 mil reais mensais para um jornalista falar mal do PT e da Dilma não só não é corrupção como também deve ser recomendável. O nível educional deste tipo de empresário é tão grande que devem se espelhar na Multilaser, AMBEV e Banco Itaú que promoveram o aluguel de pessoas para xingarem Dilma na abertura da Copa do Mundo. No Paraná há Operação Voldemort mas ninguém ousa discutir em público. O que está por traz da indignação seletiva senão a hiPÓcrisia de certo tipo de político empresarial. Não vêem problema em que um helipóptero suma do noticiário ou que aeroportos sejam construídos em terras do Tio Quedo.

É do tipo de empresário que não é contra a corrupção. São contra a concorrência na corrupção. Por que aquelas que os beneficiam são bem-vindas!

São os mesmos empresários que estão nos conselhos ou mesmo como administradores dos dois clubes. Portanto, são eles os responsáveis pelas respectivas grandes dívidas fiscais de Inter e Grêmio. E assim se revela o grande segredo de um grande empresário. Sonegação!

Vociferam contra a carga tributária como o zagueiro que, dando condições, levanta a mão pedindo o impedimento do atacante que fez o gol.

Por que, para tocar o negócio próprio quer empréstimo de banco público? Subsidiado? Eles não se dizem favoráveis à privatização? Então por que tem de ser empréstimo do BNDES? Por que não vão pedir ao Santander, ao Bradesco? Por que o HSBC só serve para lavar dinheiro sonegado mas não serve para tomar empréstimo? Por que os empréstimos tem de ser com o BB e a CEF? Peçam ao Itaú!

Não querem pagar impostos mas querem que o governo tenha dinheiro para emprestar em jurinhos camaradas… Ah, como são engraçadinhos esses Carlinhos Cachoeiras

3 Comentários »

  1. […] Source: fichacorrida.wordpress.com […]

    Pingback por Mistura explosiva: mau caratismo e hipocrisia | psiu... — 21/04/2015 @ 6:34 pm | Responder

  2. […] No programa desta terça-feira, do Ricardo Vidarti, na Rádio Grenal, empresários e também conselheiros de Inter e Grêmio entenderam por bem fazer, em primeiro lugar, apologia das privatizações. Ente…  […]

    Pingback por Mistura explosiva: mau caratismo e hipocrisia |... — 21/04/2015 @ 6:34 pm | Responder

  3. Quem faz pão sabe que há quem consome; quem fabrica armas, idem; quem cria paraísos fiscais, sabe que existem milhares de “almas generosas, probas e éticas” mundo a fora que sonegam, sonegam, … e precisam guardar seu dinheirinho obtido à base de muito sangue, suor e lágrimas, longe do alcance dos gatunos dos governos …

    Comentário por João Pedro — 21/04/2015 @ 5:50 pm | Responder


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