Ficha Corrida

29/04/2015

Os “tira” da Folha

Filed under: Folha de São Paulo,Operação Lava Jato,Teori Albino Zavaschi — Gilmar Crestani @ 10:06 am
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OBScena, tira é termo caro à mentes policialescas

folha 29042015

Primeiro, não há palavra em vão numa manchete. Segundo, concorde-se ou não com a decisão do STF, que mesclou misturou ministros recém chegados com cavalos de Tróia deixados por FHC, de que prisão não é instrumento para obter vantagem, o fato é que a Folha tenta nos vender a ideia de que Ministro do STF é carcereiro. O Supremo não tira ninguém da prisão. Quem tira é o guarda carcerário.

A origem do termo, que teria vindo do lunfardo, idioma do tango, tem conotação de malandro. Parece ser este o sentido que a Folha tenta vender, o de que o STF seria malandro ou de que teria praticado uma malandragem…

Acredito que o cartel montado pelos empreiteiros da Lava Jato deva ser punido com o máximo de rigor. Só não pode virar instrumento de perseguição. E nunca foi tão fácil de ver que se trata de perseguição na medida que os rigores tem destino certo. Não se trata de instrumento para melhorar a sociedade. Fosse assim, seria aplicado indistintamente. Não se escolheria a dedo um criminoso já premiado com delação premiada que voltou a delinquir.

Se a intenção era apenas produzir uma metáfora, em se tratando de prisão, a palavra “tira” vários significados e o primeiro deles não deriva do verbo tirar, mas de polícia. Este ato falho explica a posição da Folha e da parcela da sociedade que comunga com as ideias vendidas pelo jornal dos frias. Ministros não são tiras.

O uso do termo “tira” é sintomático e está no DNA da Folha, como revelou a Comissão da Verdade. Empresários, como Frias e Boilensen, assistiam às sessões de tortura. Não é sintomático que os mesmos veículos que perderam as eleições tenham também patrocinaram a marcha dos zumbis e vendem a delação premiada como se tivessem descoberto a pílula da juventude?! Como método infalível para caça às bruxas. Deve ser por isso que tem sido mais vendida que alho em terra de vampiro.

O estado policialesco, do qual participou a Folha, seja presenciando as sessões de tortura, estupro e esquartejamento nos porões do DOI-CODI, seja emprestando as peruas para transportar os corpos violados e dilacerados para a vala comum do Cemitério de Perus, na Grande São Paulo, é um sonho de uma sociedade, com bem assinalou o Ministro Teori Albino Zavascki, medieval.  Mil anos atrás fazia sentido torturar para obter confissão. A ditadura brasileira, que não passou de um remake dos métodos medievais, também foi coopatrocinada pelos mesmos que hoje querem reimplantar métodos tão antigos quanto queimar bruxas.

Sob tortura, eu não sei do que seria capaz de dizer do meu próprio pai. Tenho certeza que venderia minha mãe por um preço vil.

Preso, e pensando nos meus filhos para criar, não sei do que seria capaz de “confessar” a respeito de meus colegas e chefes.

Então chegamos ao século 21 precisando enfiar elétrodos no esfíncter para obter prova?! Ou provas deveriam ser a condição necessária para a prisão?

Como quer a Folha e seus parceiros de ditadura, atualmente assoCIAdos ao Instituto Millenium, a presunção da inocência existe em relação a um helipóptero com 450 kg de cocaína porque envolve amigos. Para os inimigos, há presunção da culpa. Por que as citações à Roseana Sarney, Eduardo Cunha, Andrea Neves, irmã do Aécio, e Antônio Anastásia não resultaram em consequência para os citados?!

Por que será que não há manchetes apelativas como esta para tratar dos crimes financeiros cometidos por meio do HSBC, como revelou a Lista Falciani?

Por que será que não há indignação com o silêncio a respeito dos homens de Benz pegos na Operação Zelotes? De repente, RBS & Gerdau escafederam-se tão rapidamente quanto seus tributos na Receita Federal…

Por que ninguém fala em prisão para obter delação premiada de Márcio Fortes, da família Sirotsky, Bradesco  ou Gerdau?!

Por que as bruxas da era medieval que tentam nos vender se resumem ao quatro “pês”: preto, puta, pobre e petista! Para alcançar o fim de queimar “pês” qualquer meio serve, até prender para obter uma felação premiada!

O texto de apoio da Folha é revelador das frustrações de quem passa os dias atrás de uma sinecura para caçar o mandato da Dilma:
Em conversas com advogados e procuradores da Lava Jato, o empresário se mostrou disposto a fazer revelações comprometedoras para autoridades e políticos que apoiam o governo Dilma Rousseff.

Veja, não se tratava de medida para descobrir a verdade… E mais não digo por despiciendo!

2 Comentários »

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    Pingback por Os “tira” da Folha | psiu... — 29/04/2015 @ 12:59 pm | Responder

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