Ficha Corrida

15/04/2014

Editorial ZH: o dia em que o Teledomingo conseguiu uma página inteira da Zero Hora para tentar se defender

Editorial ZH 1d2

Editorial ZH 2d2

Editorial- A construção de uma calúnia

Uma sucessão de mal-entendidos e de atos de má-fé levou na última semana o jornalista Ricardo Boechat, responsável pela coluna Informe JB , no Jornal do Brasil, a cometer uma equívoco danoso à imagem da RBS. Na sua coluna do dia 19 último, Boechat divulgou uma nota sob o título “Grande furo”, com a informação de que a RBS TV havia sido condenada a indenizar o governo gaúcho em R$ 1 milhão por ter feito um acordo com assaltantes para libertarem reféns apenas quando a emissora pudesse cobrir o acontecimento ao vivo. Tudo é falso nessa notícia: a RBS não fez acordo com os sequestradores, não foi julgada e muito menos condenada. O próprio colunista reconheceu o erro em nova nota publicada na edição do dia 24 passado, no mesmo JB , sob o título “Sem condenação”. (Veja a íntegra das duas notas nesta página.)

Porém, mesmo com o desmentido formal, algumas pessoas mal-intencionadas e outras desavisadas continuaram a repassar a primeira informação via internet  ou a utiliza-la em pronunciamentos públicos. Até mesmo um antigo comunicador da praça, conhecido por seu temperamento rancoroso, passou a fazer proselitismo ético a partir da informação falsa.

A RBS, evidentemente, está adotando as medidas judiciais cabíveis contra os detratores, mas, em respeito ao seu público e aos seus colaboradores, utiliza este espaço editorial para contar em detalhes a origem e a construção desta calúnia.

Tudo começou no dia 17 de dezembro de 2000, quando três assaltantes invadiram uma residência no bairro Cristal, em Porto Alegre. Dois dos criminosos foram surpreendidos pela polícia dentro da casa e mantiveram uma família refém por cerca de três horas. Durante a negociação para a rendição, os assaltantes exigiam a presença da imprensa e a transmissão ao vivo da televisão. No caso da RBS TV, seria impossível atender tal pedido por dois motivos: o manual de ética da empresa proíbe expressamente qualquer acordo ou submissão a chantagem imposta por delinquentes e, naquele momento, estava no ar uma programação em rede nacional. Por isso, uma equipe de reportagem deslocou-se imediatamente para o local a fim de fazer a cobertura para o Teledomingo, produção local que entraria no ar um pouco mais tarde. Os assaltantes ficaram nervosos e a situação se prolongou até uma das reféns  entrar no ar em entrevista por telefone. Não houve qualquer tipo de ingerência  dos profissionais da RBS na continuação ou desfecho do assalto.

O relato deste episódio nos autos do processo, pelo depoimento dos réus e das vítimas, levou o juiz relator a concluir equivocadamente que a RBS TV havia solicitado aos assaltantes o prolongamento do sequestro até que fosse possível coloca-lo no ar. O absurdo acabou sendo potencializado pelo voto subjetivo e preconceituoso do magistrado contra a imprensa, mais especificamente contra a RBS.

Ao tomar conhecimento da peça processual, um já identificado servidor público que promove delirantes e obsessivos ataques à RBS encaminhou um artigo confuso a um site especializado em imprensa, originando-se daí as mensagens via internet que estão sendo distribuídas por algumas pessoas. O artigo chamou a atenção da produção do colunista Ricardo Boechat, que acabou sendo induzido ao erro pelo insidioso informante. Logo que constatou o equívoco, porém, o jornalista do JB tratou de se redimir, desculpando-se com a RBS e publicou a nota esclarecedora que, infelizmente, algumas pessoas insistem em desconhecer, ficando com a primeira versão absolutamente inverídica.

Como alguns leitores, ouvintes e telespectadores dos nossos veículos foram atingidos por esta corrente de maledicências, estamos repondo a verdade: a RBS não cometeu qualquer deslize neste episódio, não faz acordo com delinquentes, não foi julgada e muito menos condenada. O esclarecimento se faz necessário porque uma mentira multiplicada pela internet, que dá poderes incontroláveis a anônimos e irresponsáveis, acaba confundindo a opinião pública. Além disso, o caso é exemplar no momento em que espertalhões procuram desacreditar os veículos de comunicação com o indisfarçável propósito de impor suas ideias e interesses sem a vigilância da sociedade.

Ofício do Exmo Desembargador Relator, Ilton Carlos Dellandréa, em que me encaminha as peças do processo em que a RBS aparece com a roupas de seu nascimento: nua…

Ilton Carlos

Meus artigos ao Observatório da Imprensa continuam disponíveis e são a melhor resposta à tentativa de intimidação via editorial:  que o Grupo RBS perpetrou contra um “já identificado servidor público”:

1º – Pícaros ou malandros

2º – Parcas, mas não muito

3º – À procura de carrascos

Como se pode ver, o editorial da RBS contém apenas duas verdades, quais sejam:

a) a data, 28/04/2002

b) e  dificuldade da RBS em entender o que eu escrevia,  “artigo confuso a um site especializado em imprensa”, mas que não impedia que um site especializado publicasse…

5 Comentários »

  1. […] Leia aqui artigo de 2002 que escrevi para o Observatório da Imprensa, e que foi republicado por vários sites, mas da Zero Hora só recebi, como é de costume, ameaças de processos judiciais. […]

    Pingback por Os golpistas estão na mídia | Ficha Corrida — 26/03/2016 @ 9:56 am | Responder

  2. […] colaborava com o Observatório da Imprensa, o jornal Zero Hora fez um editorial me ameaçando com “medidas judiciais cabíveis”. São estes capachos dos EUA que agora defendem […]

    Pingback por Jogando gasolina no fogo da liberdade de expressão | Ficha Corrida — 19/01/2015 @ 12:30 am | Responder

  3. […] Editorial- A construção de uma calúnia Uma sucessão de mal-entendidos e de atos de má-fé levou na última semana o jornalista Ricardo Boechat, responsável pela coluna Informe JB , no Jornal do Brasi…  […]

    Pingback por Editorial ZH: o dia em que o Teledomingo conseg... — 15/04/2014 @ 12:41 pm | Responder

  4. […] não é nova. Em 2002 a RBS usou do mesmo expediente contra este bloqueiro, publicando o Editorial ZH. Em […]

    Pingback por Globo tenta intimidar blogueiros | Ficha Corrida — 15/04/2014 @ 12:08 pm | Responder


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