Ficha Corrida

23/03/2016

Criança Esperança da Rede Globo. Entendeu ou precisa desenhar?!

Quem planta ódio colhe psicopatas!

Manifestações, ódio e golpe: as crianças do Brasil estão aprendendo

Manifestações, ódio e golpe: as crianças do Brasil estão aprendendo

ter, 22/03/2016 – 18:55 – Atualizado em 22/03/2016 – 18:55

Jornal GGN – "Salvem o Gui. Salvem nossos filhos", publicou Rita Lisauskas, no Estadão sobre a criança que, ao invés de fazer desenhos do "Ben 10 ou Homem Aranha, retrata a Presidenta e o ex-Presidente da República com ferimentos no peito, sangrando, ao lado das frases ‘Morre Diuma’ (sic) e ‘Morre Lula’". A colunista afirma que o Gui e as crianças "precisam de ajuda". "E rápido", completa.

Para a colunista, o passo seguinte a esse incentivo que partem dos pais ou das escolas é aprender "também que se pode fazer justiça com as próprias mãos quando ouve o pai dizer que ‘tem que matar esse bando de petistas!’". Leia a coluna completa:

Por RITA LISAUSKAS

Deixe seu filho longe desse ódio todo

Do Estado de S. Paulo

Quando entro na escola do meu filho e vejo aquelas crianças todas brincando meu coração sempre enche de esperança. Não paro de sorrir para aquela gritaria fininha, e meus olhos nem piscam ao ver a alegria dos meninos e meninas correndo para cima e para baixo, absortos em suas próprias fantasias, brincadeiras e sonhos, sem ter a menor ideia das guerras rolando atrás da jabuticabeira linda colada ao muro da educação infantil.

Mas fiquei chocada, semana passada, ao ver que o ódio, esse sentimento comezinho, adulto e detestável, tinha sim pulado o muro e sentado no gira-gira do parquinho das crianças. Tinha invadido também a aula de artes, esse lugar sagrado onde nossos filhos desenham o céu, as nuvens e colam lantejoulas amarelas no sol, para que fique com o brilho igual ao de suas fantasias.

Ninguém deveria ter deixado isso acontecer. Pior do que assistir à invasão bárbara é comemorá-la. “Meu filho, meu maior orgulho. Gui se manifestando na aula de artes. Vamos para as ruas domingo, vamos lutar por um país digno para as nossas crianças”, escreveu um pai semana passada em seu Facebook, ao compartilhar, orgulhoso, um desenho de seu filho feito na escola. Não sei quem é esse pai, a pessoa que compartilhou na minha timeline teve o cuidado de não expor a identidade desse homem. Sabemos apenas que ele é o pai do Gui. Não conheço tampouco a professora do Gui e a escola do Gui mas, espero de todo o coração, que ambas tenham ficado chocadas a ponto de chamar essa família para conversar. Um menino que senta em sua mesinha, coloca um avental e, em vez de desenhar e pintar o Ben 10 ou Homem Aranha, retrata a Presidenta e o ex-Presidente da República com ferimentos no peito, sangrando, ao lado das frases “Morre Diuma” (sic) e “Morre Lula” precisa de ajuda. E rápido.

O Gui deve ser como todas as crianças. Gosta de super-heróis, adora um Lego. E muitas vezes, deve ser retirado de seu mundinho paralelo de brincadeiras para correr para a varanda e gritar uns palavrões horríveis, como “puta” e “vagabunda” enquanto seus pais batem panelas.  “Mas a mamãe e o papai não disseram que é feio falar palavrão?”, pensa. Pensa, mas não diz, porque nessa idade eles aprendem tudo o que a gente faz, como esponjas, quase sem questionar. Aos poucos o Gui está aprendendo também que se pode fazer justiça com as próprias mãos quando ouve o pai dizer que “tem que matar esse bando de petistas!” Também fica confuso quando a mãe xinga uma mulher que está de vestido vermelho na rua: “Mas vermelho não é só uma cor?”, pensa. “Mas se a mamãe está tão brava deve ser uma cor horrível”, conclui.

Salvem o Gui, salvem os nossos filhos. Não deixem que eles acreditem que desejar a morte de uma pessoa é normal. Não deixem que eles acreditem que xingar uma mulher de puta e vagabunda é aceitável. Que espancar alguém que veste vermelho é um comportamento admissível. Ele e os nossos filhos têm que aprender que todos podem lutar pelos seus ideais, mas dentro da lei. E que urrar, babar e matar é coisa de bicho, não de homo sapiens.

Manifestações, ódio e golpe: as crianças do Brasil estão aprendendo | GGN

26/10/2015

Midiota

Filed under: Amestrados,Ódio de Classe,Celene Carvalho,Déficit Civilizatório,Midiota — Gilmar Crestani @ 12:48 am
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Midiota é um termo usado para designar o público que é teleguiado pela mídia. Dos que conheço, nenhum consegue formular um parágrafo com sujeito, verbo e predicado. Só sabem usar adjetivos e pontos de exclamação. Foi a mídia que recrutou a marcha dos zumbis. E foi a mídia que chocou o ovo da serpente. A cada dia que passa, mais víboras, como esta, estão aparecendo em locais públicos. Há uma parcela de amestrados que perdeu o pudor de mostrarem que não têm pudor.  Vendo figuras como esta não é difícil entender as hordas nazistas entrando em lojas de judeus para bater e destruir. Pelo andar da carruagem, Bolsonaro terá mais facilidade para recrutar SS do que Hitler.

Por que será que tudo de estranho ou acontece no Paraná ou em São Paulo? Paraná se explica, pela proximidade com o Paraguai e seus produtos falsificados. Mas São Paulo? Seria a água do Tietê que a SABESP anda fornecendo? Ou seria uma demência exatamente pelo racionamento d’água?!

Os sites e os blogueiros que fazem a cabeça da mulher que agrediu Suplicy. Por Paulo Nogueira

Postado em 25 out 2015 – por : Paulo Nogueira

O ídolo

O ídolo

Onde buscam suas informações desvairados como a mulher histérica que hostilizou neste sábado o ex-senador Suplicy na Livraria Cultura de São Paulo?

Quem turva a cabeça deles? Quem os enche de uma mistura brutal de ódio e ignorância?

São questões que vinham de ocorrendo desde que assisti a vídeos de manifestações de direita em que os presentes, diante de um microfone, falavam coisas desconexas, num tom de quem não tem nenhum controle emocional, os olhos arregalados e uma expressão de doidos.

Tive, agora, a oportunidade de responder a muitas de minhas dúvidas.

Um amigo do Facebook, Alexandre, me enviou a conta ali da mulher que estrelou o vídeo da agressão a Suplicy na Livraria Cultura.

Seu nome é Celene Carvalho, 50 anos.

Ela já ganhara notoriedade ao perturbar o casamento do médico Roberto Kalil, ao qual Dilma e Lula compareceram.

Na linha do tempo de Celena você encontra diversas menções ao site O Antagonista, dos jornalistas Diogo Mainardi e Mário Sabino.

Não surpreende.

O Antagonista é um vulcão em permanente erupção de ódio ao progressismo. Mainardi é Mainardi. Sabino é aquele ex-redator chefe da Veja que mandou um subalterno escrever uma crítica glorificadora de um romance dele mesmo que desapareceu no tempo e no espaço, pela irrelevância literária.

A Veja também é muito citada por Celene. Mais uma vez, nenhuma surpresa.

Num vídeo da Veja compartilhado por ela, Augusto Nunes e Marco Antônio Villa discorrem sobre “a organização criminosa”, o PT.

Em outro, Marcelo Madureira convoca as pessoas para uma manifestação pelo impeachment.

Mas seu ídolo, para usar sua própria expressão, é Reinaldo Azevedo. Ela publicou no Facebook, com visível orgulho, uma foto em que está ao lado de Azevedo. Parecem ter sido feitos um para o outro. (Tolstoi jamais se gabou dos romances que escreveu. Tinha sérias restrições a Ana Karenina. Mas Azevedo não se cansa de lembrar à humanidade que cunhou a palavra “petralha”, amplamente empregada por analfabetos políticos e obtusos de toda natureza.)

Moro é outro heroi de Celene. Uma de suas fotos mais curtidas e comentadas no Facebook ao traz com a mulher de Moro.

Com a mulher de Moro, seu heroi

Com a mulher de Moro, seu heroi

Publicações em geral elegem uma pessoa como seu personagem símbolo, para que os editores calibrem melhor seus textos e atinjam o público alvo.

O personagem símbolo da Veja e do Antagonista é Celene Carvalho. Isto conta tudo sobre o conteúdo de ambos.

Lauro Jardim, ex-Veja e atual Globo, também aparece na página de Celene. De novo, era previsível.

Fica claro, pela leitura do Facebook de Celene, que é a mídia que foi criando figuras como ela, gente que vai espalhando seu ódio doentio por todos os lados.

São os filhos da mídia.

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Celene aparentemente é solteira. Não se vê nenhuma menção a filhos ou a marido ou namorado em seu Facebook. Tampouco amigos são vistos lá. Nada de livros, nada de filmes.

Tudo é dominado pelo antipetismo.

Provavelmente ela encontrou na militância de direita um substituto para uma vida pessoal vazia, solitária e sem sentido.

Ela se apresenta como hoteleira. Uma pesquisa no Google a aponta como dona do hotel Dona Balbina, de uma estrela, no Espírito Santo.

Aparentemente, ela não tem tido tempo para cuidar de seu negócio. No site TripAdvisor, um hóspede relata que a água do chuveiro estava fria, que a cama de casal era dura e muito estreita e que o telefone do quarto não se comunicava com a recepção.

“Além do mais falta frigobar no quarto”, disse o hóspede. “Acho que no verão deve ser impossível dormir pela falta de ar condicionado.”

O hotel parece ser uma das últimas prioridades de Celene. Além de insultar outras pessoas, Celene se entreteve nos últimos meses em atividades como a feitura do boneco Pixuleco.

Penso comigo que já é hora de ela acrescentar uma nova atividade a sua rotina: providenciar um advogado para defendê-la num processo.

Até aqui, ela tem tido mãos livres para disseminar injúrias e atormentar pessoas pacíficas como Suplicy.

Torço que Suplicy se incumba de dar esta nova atividade a Celene Carvalho.

(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Paulo Nogueira

Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Diário do Centro do Mundo » Os sites e os blogueiros que fazem a cabeça da mulher que agrediu Suplicy. Por Paulo Nogueira

19/10/2015

Métodos da ditadura, por quem conheceu no ventre

rbsz zelotesImportante depoimento do Jorge Loeffler sobre os métodos usados pelos agentes da ditadura. As pessoas mais jovens, que se alimentam só da mídia golpista, os midiotas, acabam entrando de gaiato nas histórias dos golpistas. Os assoCIAdos estiveram, estão e sempre estarão ao lado de qualquer golpista. Como reza a fábula da rã e do escorpião, é da natureza da nossa direita e dos seus finanCIAdores ideológicos a aversão ao Estado Democrático de Direito. Como se vê pela contínua perseguição aos movimentos sociais, partidos de esquerda e qualquer um que queira melhorar um pouco que seja na nossa iníqua condição social, os grupos mafiomidiáticos, dominados por cinco famílias, as cinco irmãs (Civita, Frias, Mesquita, Marinho & Sirotsky), qualquer sinal de que possa haver um golpe paraguaio, lá estão elas aplicando a Lei Rubens Ricúpero: divulgar o que convém ao golpe, esconder o que pode inviabilizar o rumo dos golpistas.

Os pesos e medidas da mídia é o verdadeiro ovo da serpente. Graças a parcialidade dos golpista, pessoas inescrupulosas e desinformadas usam a democracia para pedir a volta da ditadura. Sem saberem, isso é crime que só anti-democráticos toleram. É desta natureza anti-povo que nasce o silêncio da mídia, por exemplo, em relação aos sigilos decretados pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, na vã tentativa de esconder as falcatruas na SABESP, mas também em relação aos crimes praticados no âmbito das corporações policiais. Imagine-se o que aconteceria se a Dilma também decretasse que as informações relativas à Petrobrás fossem mantidas em sigilo por 25 anos?! Mesmo sem nem mesmo sequer indício de qualquer deslize, a mídia e seus correligionários da direita querem destituí-la, para colocar gente como Eduardo CUnha, Aécio Neves, Paulinho da Força Sindical, Agripino Maia, Demóstenes Torres, Gilmar Mendes, Beto Richa, Fernando Francischini & Carlos Sampaio. Os golpistas sempre existiram e continuarão existindo enquanto houver uma imprensa militante em favor do atraso institucional. Hoje, os maiores crimes, a corrupção mais desenfreada acontece com o apoio de grupos empresariais midiáticos. Se na democracia a Operação Zelotes só anda com muito esforço de poucos abnegados, sem qualquer repercussão na mídia, numa ditadura seria não só impensável como os que a conduzem seriam presos, torturados, estuprados, mortos e esquartejados. É disso que se fala quando se mistura as cinco irmãs e ditadores. Pra eles, ditabranda; pra nós, assassinato!

40 anos da morte de Vlado: um depoimento de Clarice Herzog

Por jloeffler – No dia 19/10/2015 

Só mesmo pessoas destituídas de um mínimo de bom senso para estarem tentando incendiar o país e tudo pela ânsia de retorno ao Poder. Esses cretinos ou idiotas estão mexendo com fogo e não se dão conta disto. Digo tal por que infelizmente de agosto a dezembro de 1966 fui lotado no DOPS e ali vi algo que não gostaria e que por longos anos foi jogado nas minhas costas um covarde assassinato de um sargento do Exército que fora preso aqui no Estado. Estava no plantão ao final de uma tarde quando o sargento foi posto em liberdade, mas ao chegar à rua foi colocado num Gordini verde e duas semanas depois seu corpo em adiantado estado de composição foi encontrado no Guaíba. Ele foi assassinado por bandidos da ditadura. Esses agentes, a maioria dos quais da brigada militar eram bandidos da pior espécie, pois matar em defesa própria é algo que admito, mas assassinar a quem nem mesmo se conhece por que é o desejo de uma ditadura. Isto tem um nome: covardia associada a banditismo da pior espécie.
O Editor

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Publicado em Sexta, 16 Outubro 2015 18:42
Escrito por Eugênio Araújo (*)

Entrevista exclusiva a Paulo Markun, no ‘SP, Brasil’ vai ao ar na próxima segunda-feira, às 19h (canal 7 da NET e 61.4 da TV Digital Aberta). Conversa resgata aspectos importantes dos “Anos de Chumbo”

Quis o destino que justamente na semana em que as forças democráticas preparam homenagens ao jornalista Vladimir Herzog, corresse nas redações a morte do coronel Brilhante Ustra, chefe da repressão na ditadura militar.

As chagas deixadas por essa ditadura e detalhes dos momentos finais da vida de Vlado irão ao ar na próxima segunda-feira, às 19h, na voz da viúva do jornalista, Clarice Herzog.

Cabe acentuar a causa mortis de (Carlos Alberto) Ustra, o coronel torturador: falência múltipla de órgãos decorrentes de uma pneumonia, na quinta-feira, 15. Ele comandou o Departamento de Informações do 2º Exército, o temido DOI-Codi, em cujas dependências – segundo o livro Brasil: Nunca Mais – centenas de pessoas foram torturadas. Mais: sob o comando direto de Ustra, ao menos 45 brasileiros foram torturados e assassinados. São 45 histórias brutalmente interrompidas num momento em que o Estado Brasileiro calou boa parte da sociedade civil.

CLARICE HERZOG

clarice-herozogClarice Herzog conversou com Paulo Markun (Imagem: Reprodução/TV Câmara SP)

Pois a farsa que o DOI-Codi tentou imputar ao grande jornalista, então diretor da TV Cultura e que compareceu para prestar depoimentos nas instalações do 2º Exército, há exatas quatro décadas, foi a repugnante versão de suicídio. A Comissão da Verdade desmontou a falsidade de um laudo técnico elaborado na calada da noite. Somaram-se à verdadeira perícia depoimentos de jornalistas presos com Vlado. Ele foi morto numa terrível sessão de tortura e maus tratos.

Meu grande amigo jornalista e presidente do sindicato da categoria em São Paulo nos “Anos de Chumbo”, Audálio Dantas, contou detalhes dessa história macabra no livro As duas guerras de Vlado. Por sinal, Audálio revelou, com rara sensibilidade, como o menino Herzog e sua família sobreviveram à perseguição nazista na Europa. Com cenas dignas de “A vida é bela”, o garoto driblou botas e rifles, desembarcou com os pais na cidade de Santos (SP), construiu uma vida saudável aqui no Brasil e acabou morto nas mãos de torturadores a serviço da Ditadura Militar.

“Se as forças armadas reconhecessem o que realmente foi feito, teríamos mais credibilidade neste país”, desabafa Clarice Herzog, no emocionante relato feito ao jornalista Paulo Markun. Em sua entrevista, a mulher forte, corajosa e decidida conta que a família insistirá na Justiça para que o Exército reconheça a farsa montada.

Confira, abaixo, trecho da entrevista de Clarice Herzog ao ‘SP, Brasil’:

(*) Formado em Comunicação Social pela Cásper Líbero, com MBA pelo Curso Master, ligado à Universidade Navarra (Espanha), Prêmio Esso de Jornalismo e subdiretor de comunicação externa da Câmara Municipal de São Paulo.

Copiado de: http://portal.comunique-se.com.br/

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14/09/2015

Reação tardia aos fascistas, mas antes tarde do que nunca

Filed under: Fascismo — Gilmar Crestani @ 9:49 am
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Professores da Unicamp processarão vizinho antipetista que os agrediu

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Walkiria e Rubem Leão Rego são professores aposentados da Unicamp. Ela é autora do livro Vozes do Bolsa Família – Autonomia, dinheiro e cidadania (editora Unesp). A obra versa sobre os impactos do programa Bolsa Família na vida de seus beneficiários, principalmente das mulheres, titulares do benefício; agredidos por um vizinho, eles relataram em vídeo o que ocorreu; confira reportagem de Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania

14 de Setembro de 2015 às 07:18

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania

O casal Walkiria Domingues Leão Rego e Rubem Leão Rego foi objeto de matérias recentes na blogosfera política devido a agressão violenta de que foi alvo no último dia 11 de agosto. O agressor foi o vizinho do apartamento de baixo do deles no condomínio localizado no bairro paulistano de perdizes no qual o casal reside há 29 anos.

Walkiria e Rubem são professores aposentados da Unicamp. Ela é autora do livro Vozes do Bolsa Família – Autonomia, dinheiro e cidadania (editora Unesp). A obra versa sobre os impactos do programa Bolsa Família na vida de seus beneficiários, principalmente das mulheres, titulares do benefício.

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O Blog foi ouvir o casal de acadêmicos sobre o que vem acontecendo no local em que reside. Segundo essas pessoas, há cerca de um ano – desde as eleições de 2014 – o vizinho em questão vem fazendo agressões verbais e cometendo atos de retaliação por conta de suas opiniões políticas favoráveis ao governo Dilma Rousseff.

No último dia 11, porém, o tal vizinho cometeu um ato de descontrole que poderia ter resultado em uma tragédia.

Ao encontrar a filha do casal na garagem do condomínio, o agressor, após insultá-la pesadamente, entrou em seu veículo e deu ré em alta velocidade em direção a ela, assumindo o risco de atingi-la e/ou a alguém mais que estivesse passando pela calçada dentro ou em frente ao edifício.

O episódio foi captado pelas câmeras de segurança da garagem do condomínio e também foi testemunhado pelo porteiro que trabalhava naquele momento.

No último sábado, o Blog esteve na residência do casal e gravou um vídeo com o depoimento dele sobre o que ocorreu e também foi informado de que foi feita uma denúncia à delegacia de polícia do bairro e um advogado já se prepara para entrar com ações cível e criminal contra o agressor, pois além do ato de violência ele também vem insultando essas pessoas em público, chamando-as de “ladrões” e outros mimos por terem opinião política diferente da dele.

Walkiria e Rubem são pessoas extremamente intelectualizadas, tranquilas e de reputação acima de qualquer suspeita. Este blogueiro passou a tarde de sábado inteirinha com eles, almoçou com eles e pode conhecer bem suas ideias. São pessoas que não têm a menor tendência aparente para esse tipo de conflito.

Vale dizer que ambos afirmaram que não são filiados ao PT e que não têm qualquer tipo de negócios ou ligações com o governo. Têm, apenas, suas opiniões políticas e isso está lhes rendendo uma situação “insustentável”, pois o indivíduo que os agride, apesar de idoso (70 anos), tem porte físico avantajado e seria bastante truculento.

Essas pessoas parecem assustadas, pois acreditam que seriam “imprevisíveis” as atitudes que o agressor pode tomar em sua escalada de inconformismo com a opinião política alheia.

O Blog conversou com um dos porteiros do prédio e este relatou que o casal é tranquilo e jamais se envolveu em qualquer tipo de confronto com vizinhos ou qualquer outra pessoa que frequenta o local. Não quis opinar sobre o episódio, mas deu a entender que tudo ocorreu como foi relatado por Walkiria e Rubem.

Um fato interessante em todo esse caso é que quando o casal foi à delegacia fazer o Boletim de Ocorrência encontrou o agressor lá. Ele não fez nenhum tipo de queixa, mas reclamou da opinião política dos vizinhos para escrivã que estava de plantão, como se esperasse que pelo simples fato de eles serem “petistas” sua atitude tresloucada estaria justificada.

O casal foi questionado pelo blogueiro sobre o que pensa sobre esse tipo de agressão, que vem se repetindo com quem tem opinião política favorável ao governo ou que aparente ter – se as vítimas devem reagir ou “deixar para lá”. Rubem foi taxativo ao dizer que é preciso reagir: “Há que dar um basta!”.

Confira, abaixo, vídeo com trechos da conversa que o Blog manteve com Walkiria e Rubem.

Professores da Unicamp processarão vizinho antipetista que os agrediu | Brasil 24/7

06/05/2015

De República das Araucárias para República dos Ratos

Filed under: Ódio de Classe,Beto Richa,Fernando Francischini,PSDB — Gilmar Crestani @ 9:51 am
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É estarrecedor, não fosse trágico. Nada diferente do que se viu no RS no tempo do Cel. Mendes e da cruela Yeda Crusius. A violência institucional nos governos do PSDB é uma marca implantada ainda no Governo do FHC. Não é sem motivo que FHC descende gorilas. Não seria de se espantar se sobrasse para os soldados o que os facínoras engendram nos gabinetes. De toda sorte, o soldado que cegamente faz o que seu chefe manda já foi corretamente analisado no livro Os carrascos voluntários de Hitler.  Não se trata apenas dos soldados e capitães, mas da sociedade que dissemina ódio e se banha em sangue.

Quando ficamos sabendo que empresários como Frias, da Folha, Mesquita, do Estadão, não só apoiavam a ditadura, mas também presenciavam sessões de tortura, estupro e morte também se entende porque o Grupo Folha da Manhã, que edita a Folha, emprestava as peruas para esconder os corpos dilacerados que havia sido objeto de prazer sádico na véspera. Também se entende por que a sociedade que cultua a violência por prazer pessoal pede a maioridade penal. Por que não pedem pena de morte? Peçam pena de morte para Secretários de Segurança, do tipo Fernando Francischini, que mesmo tendo curso superior, casa, comida, educação, saúde e dinheiro no bolso comete insanidades injustificáveis, como massacrar professores públicos? Esta é, na minha opinião, a única situação em que se pode admitir pena de morte. Infelizmente, Jorge Pozzobom tem razão. Há justiça e inJustiças!

Colunista entrou na contramão da rua, Francischini na contramão da História

qua, 06/05/2015 – 07:58

Jornal GGN – Em 22 de janeiro de 2015, antes de terminar o primeiro mês do mandato de Beto Richa, Celso Nascimento, colunista do jornal Gazeta do Povo, publicava artigo em que relatava o apelo feito por um coronel da PM de que deveriam alertar o governador sobre o erro de nomear Francischini. Alertava o coronel que o nominado estava implantando a ‘cultura da violência’ no estado. O colunista ouviu o apelo mas não entendeu o real alcance do alerta profético recebido. Isso até ser vítima desta PM que agia com as unhas de Francischini. Leia o artigo a seguir.

Sugestão de Almeida

Um texto profético:

da Gazeta do Povo

Leia depoimento do colunista da Gazeta do Povo Celso Nascimento sobre as acusações feitas pelo secretário de Segurança Pública do Paraná, Fernando Francischini

Um secretário na contramão, por Celso Nascimento

Dia 15 de janeiro, precisamente às 14h34, toca o meu celular. Do outro lado da linha, o coronel Elizeo Furquim, presidente da Associação de Defesa dos Policiais Militares Ativos e Inativos (Amai), surpreendeu-me com o que disse: "Nascimento: precisamos urgentemente da sua pena! Você, como jornalista, pode nos ajudar: o governador ainda vai se arrepender de ter colocado esse Francischini na secretaria; ele está implantando a ‘cultura da violência’ nas polícias do Paraná. Vai dar porcaria. Precisamos alertar o governador".

Não tive consciência, naquele momento, de que tinha ouvido uma declaração profética: apenas sete horas depois, a partir das 21h30 do mesmo dia 15, experimentei pessoalmente a violência policial de que falara Furquim. Na escuridão de ruas mal iluminadas e mal sinalizadas do Prado Velho, bairro para mim praticamente desconhecido, cometi uma infração de trânsito: entrei numa contramão! Dei-me conta imediatamente do erro ao ver o fluxo contrário de veículos e, após trafegar poucos metros, já procurava uma guia rebaixada que me permitisse fazer o retorno à mão certa.

Neste momento, uma viatura do BPTran, com sirenes ligadas, encosta no meu carro. Dela saltam dois soldados apontando pistolas para mim e berrando: "Desce do carro!!! Desce do carro!!!" Embora sem entender a razão de tanto autoritarismo, cumpri obedientemente (nem teria como ser diferente, né?) a primeira ordem e recebi outras em seguida: "Mãos na cabeça!!! Encoste no carro!!! E a senhora saia daí e se afaste! Se afaste!!! (Referiam-se à minha mulher, professora Regina Freire Maia, que ocupava o banco do passageiro)."

Fui, então, submetido a uma vexatória revista corporal. Protestei educadamente. Meus resmungos, já que não conseguia completar uma frase, eram interrompidos com ordens do tipo "cala a boca", "fique quieto porque podemos prender você por desacato". Pediram-me os documentos. Prontamente lhes entreguei a Carteira de Habilitação e documentos do carro. Enquanto um dos soldados mantinha a pistola apontada para a minha cabeça, o outro buscava informações pelo rádio acerca da regularidade documental. Não poderia obter outro tipo de respostas: CNH normal, válida até 2018, motorista sem pontuação; veículo em situação regular, IPVA e licenciamento pagos e absolutamente em dia. Estas informações não bastavam: o soldado queria mais – pedia, também pelo rádio, informações sobre antecedentes criminais; passagens policiais, mandados de prisão pendentes etc. Ouviu a voz do interlocutor: "nada consta, nada consta, nada consta".

Ou seja: naquele momento os policiais poderiam ter-se dado conta de que estavam diante de um cidadão de bem e que não representava qualquer perigo – mesmo porque, com meus quase 70 anos de idade, 1,65m e 57 quilos, certamente não tenho condições sequer físicas para enfrentar jovens policiais fortemente armados e vestindo coletes à prova de bala. Estava diante deles tão somente uma pessoa normal que havia cometido involuntariamente uma infração de trânsito, logo reconhecida e prestes a ser corrigida. Bastava-lhes notificar-me da multa e liberar-me. Isto seria o normal.

Mas para eles, não. Um dos policiais decidiu atravessar a rua e, na calçada oposta, usou o celular para falar com alguém. Não sei com quem nem sobre o quê conversaram durante cerca de cinco minutos. Ao voltar, nova ordem berrada: "Vamos vistoriar esse carro!!!" O PM provavelmente esperava encontrar armas e drogas dentro dele: revirou o porta-malas, levantou tapetes, remexeu objetos no porta-luvas, espiou todos os cantos do interior do carro. E nada!!!

Enquanto ele se decepcionava com o resultado frustrado de sua vistoria, eu cuidava para não ser vítima de uma "plantação" que lhes permitisse criar um falso flagrante para levar-me preso. Tudo pronto? Feito isto eu já poderia receber a notificação e ser liberado? Não, ledo engano. Fui empurrado para dentro da viatura policial para ser levado na esquina de trás, onde os dois policiais haviam iniciado antes o atendimento de um acidente. Minha mulher fez menção de assumir a direção do nosso carro para seguir a viatura. Foi impedida e obrigada a ir a pé enquanto o PM mais agitado (o outro era o encarregado de manter-me na mira da sua pistola) pegou o meu carro, – aliás, um bem privado que a ninguém é dado utilizar sem autorização.

A promessa era de que lá no novo local preencheriam a notificação. Normalmente, cinco minutos, se tanto, seriam necessários. Não foi o que aconteceu: os policiais retomaram o atendimento ao acidente enquanto me retinham ao lado da viatura deles. Neste momento, arrisquei-me a ligar para o coronel Furquim para contar-lhe o quão profética tinha sido a afirmação que me fizera à tarde. Nada lhe pedi, mesmo porque nem eu queria e nem cometeria o desrespeito de pedir a um líder militar com grandes serviços prestados à Corporação que mandasse suspender a notificação de multa; muito menos que repreendesse os policiais. Mas também por estar estarrecido com o que acontecia, o coronel pediu que eu passasse a ligação a um dos policiais, a quem simplesmente argumentou sobre a desnecessidade do constrangimento a que estavam submetendo um casal que não podia ser confundido com uma dupla de bandidos perigosos. E só. Isto é "carteiraço"? Diga-se de passagem: a sugestão de Furquim aos policiais não foi levada em consideração. Esperamos ainda mais meia hora para que me apresentassem o auto de infração e nos liberassem.

Pergunto: haveria necessidade para tanta violência, abuso de autoridade e desrespeito? Desobedeci ordens? Dirigi palavrões ou protestos? Pedi privilégios? Eu pretendia, por acaso, tratamento diferente daquele que uma polícia sensata, que se comporta com tranquilidade em situações que não ofereçam quaisquer riscos à sociedade, deve naturalmente dispensar a todos os cidadãos, independentemente de sua condição, ricos ou pobres, instruídos ou não?

Infelizmente, agora sob orientação do suposto secretário da Segurança – aquele mesmo que construiu o mito de que teria prendido sozinho o mega-traficante Abadía – a Polícia Militar parece se voltar para as trevas. Seria ele herdeiro dos tempos cruéis do "prendo e arrebento"? Está nas mãos do governador do estado fazer-se acompanhar de quem escolher.

No domingo, dia 18, saiu a coluna que assino na Gazeta do Povo, com o título "Cultura da violência na PM". Ela foi resultado do convite que recebi do coronel Elizeo Furquim para que ouvisse opiniões de oficiais que se reuniriam na sede da Amai sexta-feira (16) coincidentemente dia seguinte ao episódio de truculência de que fui vítima. Na coluna, resumi fielmente, jornalisticamente, sem emoções ou motivações pessoais, o que me disseram os oficiais na Amai – e nada faria diferente mesmo que não tivesse sofrido os efeitos da "cultura da violência" que se dissemina nos quarteis insistentemente referida na reunião e que ajudei a denunciar.

Meu texto foi suficiente para que o suposto secretário de Segurança armasse, maliciosamente, boletins de ocorrência e depoimentos tomados às pressas de um dos policiais que agiram no meu caso para espalhar falsidades pelas redes sociais. Eu entrei na contramão da rua. O secretário entrou na contramão da História.

Veja também: Secretário ataca colunista em rede social

Colunista entrou na contramão da rua, Francischini na contramão da História | GGN

05/01/2015

Com a palavra, Ali Kamel, diretor de jornalixo da Rede Roubo

Ali Aranha comeu KamelJovem negro corre 5 vezes o risco do branco de ser morto no Nordeste

Estudo compara taxas de homicídio de negros e brancos de 12 a 29 anos; Paraíba é o pior Estado

Enquanto morte de jovens brancos cai 5,5% de 2007 a 2012, ela aumenta 21,3% entre jovens negros

FERNANDA MENADE SÃO PAULO

Ser jovem e negro no Brasil é correr 2,5 vezes o risco de morte de um jovem branco. No Nordeste, esse perigo é de cinco vezes. Na Paraíba, 13,4.

É o que aponta o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade (IVJ 2014), pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública a pedido do governo federal, que deve divulgá-la nos próximos dias.

O estudo calculou taxas de homicídio ponderadas de jovens negros (pretos e pardos) e brancos, de 12 a 29 anos, a partir de dados de 2012 do Datasus (banco de dados do Sistema Único de Saúde), em que o indicativo de cor é preenchido por agentes de saúde.

A pesquisa concluiu que a desigualdade racial cotidiana do país encontra sua expressão mais aguda na comparação dos dados de morte por homicídio da juventude.

Com exceção do Paraná, todas as outras unidades da Federação têm maior risco de morte por homicídio para o jovem negro que para o branco.

Os casos mais graves são Paraíba (risco de 13,4 vezes), Pernambuco (11,5), Alagoas (8,7), Distrito Federal (6,5) e Espírito Santo (5,9).

No outro extremo, bem abaixo da média nacional, estão Tocantins (1,8), Rio Grande do Sul (1,7), São Paulo (1,5), Santa Catarina (1,4) e Paraná (0,7) –único em que o jovem branco tem mais risco de ser alvo de homicídio que o negro.

Dos quase 30 mil jovens assassinados em 2012, 76,5% eram negros ou pardos. Ou seja: morreram 225% mais jovens negros do que brancos.

De 2007 a 2012, enquanto o total de homicídios de jovens brancos caiu 5,5%, o de jovens negros subiu 21,3%.

O estudo deve orientar políticas públicas para a juventude e responde a campanhas e protestos dos movimentos negro e de direitos humanos que apontam para o fenômeno como um genocídio da juventude negra brasileira.

Entre suas recomendações, o IVJ 2014 indica que políticas públicas para a juventude negra podem acelerar não só a redução da desigualdade racial mas também a da violência no Brasil.

"É uma tragédia e uma questão civilizatória ", diz José Luiz Ratton, sociólogo da UFPE. "É impossível pensar o desenvolvimento do país com taxas de homicídio como estas."

15/12/2014

Bolsonaros é melhor e único produto de qualquer ditadura

Bolsonaro por SantiagoComo explicar que todos os principais grupos de comunicação estiveram do lado dos ditadores, golpeando a democracia e os direitos humanos, e agora queiram cantar de defensores da liberdade? Graças às cinco irmãs (Globo, Veja, Folha, Estadão & RBS) coordenados pelo Instituto Millenium, a OBAN do século XXI, há uma fábrica de bolsonaros nas redações. Pergunte ao Estadão quem foi seu Diretor de Redação, Pimenta Neves, o assassino de Sandra Gomide? E na Globo, com Ali Kamel, o  mentor de que “Não somos racistas”. E na RBS & Veja com Augusto Nunes… 

Basta ver como eles tratam os movimentos sociais, como o MST, e como tratam as manifestações para implantarem um regime que impede a existência de manifestações.

RICARDO MELO

Bolsonaros não existem por acaso

Concessões diante da barbárie na ditadura alimentam cotidiano das delegacias e banditismo parlamentar

À luz do bom senso mais prosaico, nenhum argumento contra a revisão da Lei da Anistia fica em pé. O mais utilizado: a lei prega o esquecimento e se aplica "aos dois lados".

A Lei da Anistia foi aprovada em plena vigência do regime militar. Só havia dois partidos autorizados a funcionar: Arena e MDB. Um terço dos senadores era biônico, indicado pelo regime na engenharia do pacote de abril de 1977. Em votação apertada, 206 a 201 votos no Congresso, os generais e o alto empresariado que os sustentava obrigaram um parlamento castrado a engolir a absolvição dos algozes. Chamar isso de acordo é abusar da estupidez alheia. O maior interesse do texto sempre foi inocentar facínoras e seus mandantes, que se deleitavam com a barbárie cometida nas câmaras de tortura.

Ah, mas os mortos vítimas dos "terroristas"? A tentativa de simetria peca por todos os lados. Nunca se pode, pelo menos do ponto de vista da democracia, colocar no mesmo plano o poder de Estado e o de seus opositores –até por serem absolutamente desiguais. Claro que isso não alivia a perda de familiares, seja de que lado for. Mas omite-se o importante: os oposicionistas daquela época foram "julgados" e presos –na melhor das hipóteses. Outros tantos simplesmente desapareceram do mapa, nos porões militares, nos combates forjados ou executados a sangue frio. Foram mais do que "punidos".

Já o batalhão de choque do regime, do Planalto à rua Tutoia, pretendeu escapar ileso com a lei 6683/79. Tenta até hoje, com a ajuda de um Supremo Tribunal Federal cujos veredictos são para lá de controversos. Nada disso esconde a hipocrisia do enredo, e a vergonha de o Brasil ser o único país do continente a avalizar práticas de torturas.

"Ah, mas isso é remexer no passado; com todo respeito aos mortos, vamos cuidar dos vivos." Ocorre que é justamente pelos vivos que se defende a punição de quem institucionalizou a tortura. Por trás das humilhações cometidas cotidianamente contra acusados nas delegacias, inocentes ou culpados, está a jurisprudência de que maus-tratos fazem parte do dia a dia policial. A certeza da impunidade de quem maltrata em nome do Estado sobrevive "em nome da lei".

Pode-se até entender que muitas iniciativas políticas dependam da chamada "relação de forças". É o jogo democrático. Preocupa perceber, no entanto, que a democracia esteja sendo usada para defender a barbárie. É inaceitável, por exemplo, que chefes militares simplesmente se recusem a liberar documentos e informações sobre a violência nos quartéis. E nada acontece. Pense num ministro refratário a fornecer dados sobre tal ou qual projeto. Num país civilizado, o cidadão seria imediatamente demitido.

Aqui, não. Os militares, constitucionalmente submetidos ao poder civil no papel, pintam e bordam. Pior: a presidente da República, chefe deles, não dá um pio. O mínimo a esperar era que, diante de um relatório como o da Comissão da Verdade, a presidente repudiasse publicamente os responsáveis pelos anos de chumbo. Em nome das Forças Armadas. Isto mesmo. Militar que não gostasse teria de se submeter, ou então vestir o pijama –para dizer o mínimo.

As concessões diante de um passado abominável têm alto preço no presente e no futuro. O deputado Bolsonaro está aí para provar. Por muito menos, por se deixar fotografar de cueca, um deputado certa vez teve o seu mandato cassado. Bolsonaro idolatra o estupro, ofende colegas e faz pouco dos direitos humanos sempre que pode. Um bandido. Seus herdeiros seguem pelo mesmo caminho, clamando pela intervenção militar. Num belo dia, a história pede licença para se repetir.

03/04/2014

Na terra do far west, faroeste!

Filed under: Isto é EUA!,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 8:32 am
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Na terra do Farewell, Forró! 

Tiroteio deixa um morto e 14 feridos na base militar de Fort Hood, no Texas

O autor se matou, segundo a agência AP. O local foi cenário de um ataque em 2009 que deixou 13 soldados mortos

Carolina García Washington 2 ABR 2014 – 21:04 BRT

A base militar de Fort Hood. / HANDOUT (Reuters)

Um tiroteio na base militar de Fort Hood (Texas) deixou um morto e 14 feridos de gravidade desconhecida, confirmaram as autoridades em entrevista coletiva nesta quarta-feira. De acordo com um relatório interno do Departamento de Justiça, o agressor teria disparado contra si mesmo, informa a agência AP. Fontes locais explicaram que por volta das 16h30 (horário central dos Estados Unidos) tiveram início os disparos.

"Ocorreu um tiroteio em Fort Hood e há vários feridos. Equipes de emergência estão no local. Não há mais detalhes neste momento", diz o comunicado emitido pelas autoridades. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi informado sobre o ocorrido. "E seguirá recebendo atualizações da situação durante esta tarde e noite", disse o porta-voz da presidência, Josh Earnest.

"Não sabemos o que está ocorrendo agora", disse o prefeito da localidade, Dan Corbin. "Estamos em contato com as equipes para o que precisarem. Estamos muito preocupados -os soldados de Fort Hood sempre têm estado aí conosco", acrescentou.

As autoridades locais e o FBI, que isolaram a área, enviaram uma mensagem via Twitter e Facebook pedindo às pessoas que se afastem das instalações onde ocorreu o tiroteio. Acredita-se que o caso tenha ocorrido no edifício da brigada médica.

O campus da Universidade Central do Texas também foi evacuado durante o alerta. Estudantes e professores tiveram de abandonar as instalações.

A base foi protagonista em 5 de novembro de 2009 de um dos ataques mais mortíferos ocorridos em solo norte-americano, quando 13 soldados morreram e outras 32 pessoas ficaram feridas. O então maior Nidal Hasan, um psicólogo militar muçulmano, entrou no edifício com duas armas, e, depois de gritar “Allahu Akbar”, abriu fogo. Hasan foi declarado culpado de crime premeditado e condenado à morte em agosto de 2013.

Fort Hood está localizada no condado de Bell, nas proximidades de Killeen. A base se encontra a meio caminho entre Waco e Austin.

Tiroteio deixa um morto e 14 feridos na base militar de Fort Hood, no Texas | Internacional | Edição Brasil no EL PAÍS

23/02/2014

A história do ódio no Brasil

Filed under: Ódio de Classe,Brasil — Gilmar Crestani @ 12:10 pm
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Texto copiado do Glück Project

Os brasileiros cordiais, também conhecidos com “homens de bem”, que são favoráveis ao uso da arma de fogo tem grande responsabilidade pelo nível, ou falta de, na política e na sociedade.

Tiradentes, 1792

Posted on 16 de fevereiro de 2014

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Achamos que somos um bando de gente pacífica cercados por pessoas violentas”. A frase que bem define o brasileiro e o ódio no qual estamos imersos é do historiador Leandro Karnal. A ideia de que nós, nossas famílias ou nossa cidade são um poço de civilidade em meio a um país bárbaro é comum no Brasil. O “mito do homem cordial”, costumeiramente mal interpretado, acabou virando o mito do “cidadão de bem amável e simpático”. Pena que isso seja uma mentira. “O homem cordial não pressupõe bondade, mas somente o predomínio dos comportamentos de aparência afetiva”, explica o sociólogo Antônio Cândido. O brasileiro se obriga a ser simpático com os colegas de trabalho, a receber bem a visita indesejada e a oferecer o pedaço do chocolate para o estranho no ônibus. Depois fala mal de todos pelas costas, muito educadamente.

Séc XIX, Bahia

Séc XIX, escravo sendo castigado

Olhemos o dicionário: cordial significa referente ou próprio do coração. Ou seja, significa ser mais sentimental e menos racional. Mas o ódio também é um sentimento, assim como o amor.  (Aliás os neurocientistas têm descoberto que ambos sentimentos ativam as mesmas partes do cérebro.) Nós odiamos e amamos com a mesma facilidade. Dizemos que “gostaríamos de morar num país civilizado como a Alemanha ou os Estados Unidos, mas que aqui no Brasil não dá para ser sério.” Queremos resolver tudo num passe de mágica. Se o político é corrupto devemos tirar ele do poder à força, mas se vamos para rua e “fazemos balbúrdia” devemos ser espancados e se somos espancados indevidamente, o policial deve ser morto e assim seguimos nossa espiral de ódio e de comportamentos irracionais, pedindo que “cortem a cabeça dele, cortem a cabeça dele”, como a rainha louca de Alice no País das Maravilhas. Ninguém para 5 segundos para pensar no que fala ou no que comenta na internet. Grita-se muito alto e depois volta-se para a sala para comer o jantar. Pede-se para matar o menor infrator e depois gargalha-se com o humorístico da televisão. Não gostamos de refletir, não gostamos de lembrar em quem votamos na última eleição e não gostamos de procurar a saída que vai demorar mais tempo, mas será mais eficiente. Com escreveu  Sérgio Buarque de Holanda, o criador do termo “homem cordial” : “No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedica­dos a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente pró­prio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação im­pessoal” Ou seja, desde o começo do Brasil todo mundo tem pensando apenas no próprio umbigo e leva as coisas públicas como coisa familiar. Somos uma grande família, onde todos se amam. Ou não?

Cabeças do bando de Lampião

1938, bando Lampião

O já citado Leandro Karnal diz que os livros de história brasileiros nunca usam o termo guerra civil em suas páginas. Preferimos dizer que guerras que duraram 10 anos (como a Farroupilha) foram revoltas. Foram “insurreições”. O termo “guerra civil” nos parece muito “exagerado”, muito “violento” para um povo tão “pacífico”. A verdade é que nunca fomos pacíficos. A história do Brasil é marcada sempre por violência, torturas e conflitos. As decapitações que chocam nos presídios eram moda há séculos e foram aplicadas em praça pública para servir de exemplo nos casos de Tiradentes e Zumbi. As cabeças dos bandidos de Lampião ficaram expostas em museu por anos. Por aqui, achamos que todos os problemas podem ser resolvidos com uma piada ou com uma pedrada. Se o papo informal não funciona devemos “matar” o outro. Duvida? Basta lembrar que por aqui a república foi proclamada por um golpe militar. E que golpes e revoluções “parecem ser a única solução possível para consertar esse país”. A força é a única opção para fazer o outro entender que sua ideia é melhor que a dele? O debate saudável e a democracia parecem ideias muito novas e frágeis para nosso país.

Em 30 anos, tivemos um crescimento de cerca de 502% na taxa de homicídios no Brasil. Só em 2012 os homicídios cresceram 8%. A maior parte dos comentários raivosos que se lê e se ouve prega que para resolver esse problema devemos empregar mais violência. Se você não concorda “deve adotar um bandido”. Não existe a possibilidade de ser contra o bandido e contra a violência ao mesmo tempo.  Na minha opinião, primeiro devemos entender a violência e depois vomitar quais seriam suas soluções. Por exemplo, você sabia que ocorrem mais estupros do que homicídios no Brasil? E que existem mais mortes  causadas pelo trânsito do Brasil do que por armas de fogo? Sim, nosso trânsito mata mais que um país em guerra. Isso não costuma gerar protestos revoltados na internet. Mas tampouco alivia as mortes por arma de fogo que também tem crescido ano a ano e se equiparam, entre 2004 e 2007, ao número de mortes em TODOS conflitos armados dos últimos anos. E quem está morrendo? 93% dos mortos por armas de fogo no Brasil são homens e 67% são jovens. Aliás, morte por arma de fogo é a principal causa de mortalidade entre os jovens brasileiros. Quanto à questão racial, morrem 133% mais negros do que brancos no Brasil. E mais: o número de brancos mortos entre 2002 e 2010 diminuiu 25%, ao contrário do número de negros que cresceu 35%. É importante entender, no entanto, que essas mortes não são causadas apenas por bandidos em ações cotidianas. Um dado expressivo: no estado de São Paulo ocorreram 344 mortes por latrocínio (roubo seguido de morte) no ano de 2012. No mesmo ano, foram mortos 546 pessoas em confronto com a PM. Esses números são altos, mas temos índices ainda mais altos de mortes por motivos fúteis (brigas de trânsito, conflitos amorosos, desentendimentos entre vizinhos, violências domésticas, brigas de rua,etc). Entre 2011 e 2012, 80% dos homicídios do Estado de São Paulo teriam sido causados por esses motivos que não envolvem ação criminosa. Mortes que poderiam ter sido evitadas com menos ódio. É importante lembrar que vivemos numa sociedade em que “quem não reage, rasteja”, mas geralmente a reação deve ser violenta. Se “mexeram com sua mina” você deve encher o cara de porrada, se xingaram seu filho na escola “ele deve aprender a se defender”, se falaram alto com você na briga de trânsito, você deve colocar “o babaca no seu lugar”. Quem não age violentamente é fraco, frouxo, otário. Legal é  ser ou Zé Pequeno ou Capitão Nascimento.  Nossos heróis são viris e “esculacham”

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1982, trabalhadores sendo revistados

***

Se tivesse nascido no Brasil, Gandhi não seria um homem sábio, mas um “bundão” ou um “otário”.

***

O discurso de ódio invade todos os lares e todos os segmentos. Agora que o gigante acordou e o Brasil resolveu deixar de ser “alienado” todo mundo odeia tudo. O colunista da Veja odeia o âncora da Record que odeia o policial que odeia o manifestante que odeia o político que odeia o pastor que odeia o “marxista” que odeia o senhor “de bem” que fica em casa odiando o mundo inteiro em seus comentários nos portais da internet. Para onde um debate rasteiro como esse vai nos levar? Gritamos e gritamos alto, mas gritamos por quê?

Política não é torcida de futebol, não adianta você torcer pela derrota do adversário para ficar feliz no domingo. A cada escândalo de corrupção, a cada pedreiro torturado, a cada cinegrafista assassinado, a cada dentista queimada, a cada homossexual espancado; todos perdemos. Perdemos a chance de conseguir dialogar com o outro e ganhamos mais um motivo para odiar quem defende o que não concordamos.

***

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2014, menor infrator após ser espancado

E assista à ótima palestra “O ódio no Brasil” de Leandro Karnal no site onde retirei este artigo: Glück Project

19/02/2014

Até que enfim saiu um Coelha da cartola da Folha

Filed under: Direita,Esquerda,Maniqueísmo,Marcelo Coelho,Radicalismo — Gilmar Crestani @ 8:20 am
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Só faltou dizer quem tem o poder de espalhar as filosofias maniqueístas e as põem em relevo todos os dias, seja no papel, internet, rádio e televisão. Bem aí já seria pedir demais a quem trabalha na Folha…

MARCELO COELHO

Tiro, porrada e bomba

As pessoas sensatas são as mais desinteressantes, e do bom senso não se pode esperar grandes novidades

Vestida de rainha, em seu palácio de Cinderela, a funkeira Valesca Popozuda ameaça com "tiro, porrada e bomba" as inimigas que invejam sua emergência social.

Foi o tema do artigo que escrevi na semana passada. Mas essa celebração de tudo que é "tiro, porrada e bomba" encontra, infelizmente, outros exemplos no Brasil de hoje.

Desde que a esquerda abandonou a luta armada, há coisa de quarenta anos, ninguém mais pensava em promover grandes transformações sociais pela violência. Com nuances, um discurso mais simpático a essa atitude, inspirado sem dúvida pelas bizarrices do filósofo Slavoj Zizek, encontra alguns adeptos por aqui.

Toda essa aproximação, ainda que vaga, com a tática dos "black blocs" não faz mais do que jogar lenha na vasta fogueira inquisitorial da direita.

Será fácil, como nos anos 1970, associar todo pensamento democratizador, igualitário e timidamente socialista aos "baderneiros", aos "terroristas", aos "black blocs" e, por que não, aos "comunistas". Como se não vivêssemos, no panorama internacional, a verdadeira baderna criada por George Bush, pelos neocons e pelos irresponsáveis do mercado financeiro –sempre aplaudidos pela direita local.

No horror aos desatinos persecutórios da direita, há quem se confunda. O moderado de esquerda muitas vezes toma as dores dos sectários, dos fanáticos, dos radicais, porque reconhece e abomina a caça às bruxas.

Mas esses grupinhos violentos de esquerda não têm por que serem vistos como aliados de quem quer mais progresso social. Os "black blocs", ou seja lá quem for, atrapalham, combatem, inviabilizam esse caminho.

O progressismo, ao ser moderado, não necessita ser menos firme por causa disso. Rejeita com firmeza a direita do "prende e arrebenta", assim como rejeita o suposto charme radical do "bota pra quebrar".

Reconheço que é uma atitude meio sem graça, que de tanto olhar para os dois lados se imobiliza na inação. Infelizmente, as pessoas sensatas às vezes são as mais desinteressantes, e do bom senso não se pode esperar grandes novidades.

O mais preocupante é que o vandalismo, de certa forma, interessa a muita gente ao mesmo tempo. Ajuda o campo truculento das forças policiais, que precisam legitimar os excessos em que incorrem, por vício de formação. Ajuda o campo conservador, que pode colocar no mesmo saco toda crítica ao capitalismo e ao autoritarismo de Estado.

Ajuda, ao mesmo tempo, petistas e antipetistas. Os críticos do PT podem atacar as tentativas de "diálogo" com os "black blocs". O PT e aliados podem se livrar dos ataques que recebiam durante as manifestações.

Não se sabe quem são, e em que medida existem, os financiadores do vandalismo. Mas, pela quantidade de forças a quem os vândalos terminaram ajudando, o caixa dessa turma já poderia estar maior do que o do tio Patinhas.

Curiosamente, produziu-se uma espécie de "anticonsenso". Durante as manifestações de junho, sempre havia alguém defendendo alguma coisa com a qual milhares de outros podiam concordar. Havia caminho para um grande (não digo que fácil) acordo nacional.

A situação se inverteu: o caminho está aberto para o desacordo acirrado e completo, em que cada Valesca mostra unhas e dentes para as rivais.

Caso exemplar desse tom agressivo foi o da comentarista Rachel Sheherazade. Diante da foto do menor de rua amarrado nu a um poste, ela foi longe: é uma reação de "legítima defesa" da sociedade, e a quem se apieda do "marginalzinho", ela lançou a campanha "adote um bandido!".

O seu raciocínio não poderia ser mais típico da mentalidade extremista. Ou você acha certo amarrar um marginalzinho a um poste, ou então você deve adotar o garoto, acolhendo-o em sua própria casa.

Não há, nesse raciocínio, atitude intermediária. Todo caminho médio é "irrealista". Ou você mata ou beija. Quem não conhece a típica frase dos torturadores, segundo a qual você "não trata bandidos com luvas de pelica"? É nessa mentalidade, mas do lado oposto, que Joaquim Barbosa vira "torturador" e que José Dirceu vira "preso político".

De onde vem tanto extremismo? Há uma "policialização" do ambiente, irrompendo através da nossa película mais civilizada.

Afinal, no mundo da classe baixa, correm soltas as divisões: quem não está com o traficante está com a polícia, quem não é evangélico fundamentalista está entregue a Satanás. Suba um andar nesse barraco: quem é contra o PT é golpista, e quem é de esquerda apoia Pol Pot e Fidel.

Quem não está comigo é meu inimigo, e, como diria Valesca Popozuda, merece "tiro, porrada e bomba". O castelo encantado dessa rainha é o favelão da nossa atual miséria ideológica.

coelhofsp@uol.com.br

25/01/2014

Ditadura, ainda!

Filed under: Ditadura,Gorilas,Hienas — Gilmar Crestani @ 9:29 am
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Para quem não sofreu com a ditadura, mas tem ciência que se trata de algo dantesco, o pior de tudo é ter de conviver com pessoas que não só acha que o sadismo e mortes daquele período são abertamente admitidas. A estes desejo que um dia alguém enfie no rabo um cassetete. Pelo cabo! Talvez só com isso a parte sensível do cérebro acorde.

Até a Rede Globo já admitiu que errou, embora não tenha devolvido o que roubou durante a ditadura, mas os militares ainda mantém uma postura de animais. Animais, como a hiena, comem merda até hoje. E também não se arrependem!

CRÍTICA – DOCUMENTÁRIO

Filme faz forte narrativa sobre período ditatorial

Com exibição gratuita hoje em SP, ‘Verdade 12.528’ defende que impunidade do passado inspira tortura do presente

ELEONORA DE LUCENADE SÃO PAULO

Ainda há muito para esclarecer sobre a ditadura militar implantada no Brasil com o golpe de 1964. Para além dos fatos, é necessário discutir os efeitos que a violência institucionalizada gerou na sociedade, com impactos até hoje.

Em torno dessas questões, Paula Sacchetta e Peu Robles constroem "Verdade 12.528". O documentário colhe depoimentos de militantes que foram torturados, de familiares de desaparecidos, de analistas, de integrantes da Comissão da Verdade.

A partir da criação desse grupo (pela lei nº 12.528 do título), os cineastas fazem uma narrativa forte. Mulheres falam das crueldades que sofreram nos calabouços do Estado: torturadas grávidas, na frente de filhos ameaçados.

Parentes de desaparecidos relatam a angústia e a dor da certeza-incerteza da morte. No Araguaia, moradores simples da região contam as atrocidades cometidas pelos militares que torturaram integrantes da comunidade e assassinaram guerrilheiros no interior do país.

Além de expor as vidas destroçadas de famílias, o filme busca uma análise. A própria eficácia da Comissão da Verdade é questionada. Integrantes do grupo falam, mas não tratam da atual crise da comissão (provavelmente as gravações foram anteriores aos rachas que podem afetar o trabalho investigativo).

Fica a ideia de que esse movimento de recuperação da história recente do Brasil demorou muito a ser feito –e isso tem consequências. Há críticas à Lei da Anistia, de 1979, e entrevistados pedem a punição dos torturadores, que seguem com suas vidas sem maiores problemas.

É quando o filme amarra a sua tese central: a impunidade do passado inspira e dá confiança ao torturador de hoje. Cenas de violência policial nas manifestações que brotaram nas ruas do país se confundem com as da repressão do período ditatorial.

Sem a pretensão de esgotar um tema tão vasto, o filme, com linguagem convencional, tem o mérito do foco. É um chamamento à Comissão da Verdade, aos governos, e, principalmente, à sociedade: a memória é, no mínimo, essencial ponto de partida.

VERDADE 12.528
DIREÇÃO Paula Sacchetta e Peu Robles
PRODUÇÃO Brasil, 2013
ONDE exibição única e gratuita às 11h no Espaço Itaú – Frei Caneca, r. Frei Caneca, 269, 3º piso, Consolação; tel. (11) 3815-8713
CLASSIFICAÇÃO livre
AVALIAÇÃO bom

10/12/2013

O povo não é bobo, abaixo a Rede que fatura o povo

Já que o melhor colunista político volta ao tema, reproduzo o que escrevi ontem: “Qualquer ameba sabe, segurança é obrigação dos Estados, não da União. Então, quando há violência, como  em jogos do Corinthians, Vasco ou Atlético Paranaense, a imprensa logo joga a responsabilidade para Dilma. Mas quem manda nas polícias no RS é Tarso Genro, e nos demais estados, os respectivos governadores. No caso da violência dos torcedores, geralmente de torcidas organizadas, há uma culpa generalizada. A começar pelos clubes, que os financiam. Hoje, com o aparato tecnológico que existe, todo torcedor baderneiro é facilmente identificado. Quando preso, o Judiciário solta, e o MP faz que não vê. Jogar a responsabilidade para a União, aliviando para o Estados, é um boa forma de compactuar com a violência. Ou de querer faturar com ela. Cadê as punições aos clubes pela CBF ou pelo STJD, que é ocupado pela família Zveiter. E não precisa de lei, que já existem. E, como dizem e fazem os Ministro do STF, basta uma teoria: domínio do fato. Quando se quer prender alguém, como mostra o atual STF, basta força de vontade e algemas. E um pouco de ódio de classe, claro. O resto é diversionismo. Estado de direito no Brasil é o Estado da Direita!

Quando o gen é determinante para a ocupação do posto jurídico mais importante do Tribunal Esportivo, é porque a solução está nas mãos da máfia, que muito bem se serve da Omertà midiática.”

JANIO DE FREITAS

Em volta das arquibancadas

É possível processar a quase totalidade dos criminosos, e não só dois ou três como é feito, quando é feito

A grita em tantas direções não evita que seja difícil, senão impossível, encontrar entre os gritadores um que não seja corresponsável, em alguma medida, pelo espetáculo das bestas humanas nas arquibancadas de Joinville, e em todas as outras.

Já que estamos por aqui, podemos começar pelos meios de comunicação. Nenhum jornal, TV, revista ou rádio se interessou, jamais, por encarar para valer a violência que invadiu os estádios, no Brasil todo, há muito tempo. Assim como os bestalhões cometem periodicamente os seus acessos de brutalidade aproveitando o futebol, a imprensa (vá lá, engloba tudo) faz o seu surto de críticas como subsidiário do espetáculo boçal. E logo se segue a pausa, a imprensa à espera da clarinada dos boçais.

Na imprensa, poucos não sabem que muitos dos bandos são patrocinados com doações dos respectivos clubes, a pretexto de torcida para incentivo ao time. E que o patrocínio tem duplo interesse eleitoreiro, nas disputas pelo poder no clube e nas eleições político-partidárias: há muitos cabos eleitorais nas torcidas organizadas. É uma engrenagem bastante conhecida.

Se a engrenagem cria um enguiço maior, nem por isso a gritaria subsidiária avançará necessariamente mais. O episódio da Bolívia é exemplar. De repente foi "descoberto" lá no litoral paulista um "dimenor" apresentado como disparador do rojão sobre torcedores bolivianos, com a consequência de matar um menino de 14 anos. À família da vítima foi dado, não uma indenização, mas um cala a boca monetário, como complemento da "solução" incumbida a uma charmosa advogada e comentarista de jornal da TV Cultura. Ali o bando de boçais pouco se distinguiu de um grupo de querubins.

Se antes o assunto estava em estado mortiço, a "solução" cobriu-o de silêncio. Nem com tantos jornais, TVs, revistas e rádios, houve uma iniciativa de verificar se o "dimenor" ao menos viajou mesmo para a Bolívia, que algum rastro ficaria. Por falar nele, em que condições vivem, hoje, o próprio e sua família?

A legislação para o problema é uma grande farsa. Foi elaborada mais com interesses políticos do que para regramento efetivo. A chamada Justiça Esportiva não tem como coibir a ferocidade nas arquibancadas, mas finge ter, com medidas idiotas como "o jogo com fechamento dos portões" e a perda de mando de campo, que punem os futuros times adversários do time "punido". Mas assim se cumpre o objetivo dos mandatários do futebol, de não criarem problemas políticos e eleitorais para si e para seus correligionários.

E as autoridades da ordem? A Polícia Civil de São Paulo mostrou ontem o que é um verdadeiro trabalho policial. Prendeu duas dezenas de desordeiros e ladrões que investigou desde outubro, quando a morte de um menino por tiro policial serviu de pretexto para a interrupção da rodovia Fernão Dias, roubo de cargas e de caminhões, saques a lojas e incêndios de ônibus. Foi investigação, foi infiltração, foram interrogatórios, com um resultado que, por certo, irá além desse episódio: vai atemorizar muitos dos que têm feito tais ações sem dificuldade no ato e no pós-ato.

O trabalho excelente nesse caso demonstra que é possível identificar, prender e processar a quase totalidade dos criminosos das arquibancadas, e não só dois ou três como é feito, quando é feito. O que demonstra, também, que se não é feito é porque os governantes estaduais não querem e os setores que lhes podem cobrar não os cobram de verdade, não os põem xeque.

A gritaria tem razão de ser. Mas é também contra si mesma.

04/11/2013

Segurança Pública x Movimentos Sociais: uma boa entrevista

Filed under: Segurança Pública — Gilmar Crestani @ 8:28 am
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ENTREVISTA DA SEGUNDA ADILSON PAES DE SOUZA, 49

Revolta nas ruas reflete incapacidade do Estado na segurança

Tenente-Coronel da PM, hoje na reserva, afirma que modelo de combate à violência existente já não funciona mais

LAURA CAPRIGLIONEMARLENE BERGAMODE SÃO PAULO

O tenente-coronel Adilson Paes de Souza, 49, passou 28 anos na Polícia Militar do Estado de São Paulo. Há um ano, apresentou dissertação de mestrado em direitos humanos na Universidade de São Paulo, elaborada sob orientação do jurista Celso Lafer. A experiência vivida "de dentro" somada ao ferramental acadêmico resultou em um diagnóstico sombrio: "O modelo de segurança existente não funciona mais."

Na semana que vem, Paes de Souza, na reserva desde 2012, lançará o livro "O Guardião da Cidade –Reflexões sobre Casos de Violência Praticados por Policiais Militares" (Escrituras, 222 páginas, R$ 35), em que expõe sua explicação para os repetidos casos de violações aos direitos humanos cometidos por PMs: "Soldados garantiram que o homicídio do marginal ainda é visto como uma importante arma de trabalho. Eles chegaram a declarar que se fossem impedidos de matar, ficariam sem condições de trabalho".

Folha – Qual a causa dos violentos protestos contra a atuação da PM, vistos recentemente em São Paulo e no Rio?

Adilson Paes de Souza – A sociedade, em grande parte, está dizendo: esse modelo que está aí não é eficiente. E está dizendo isso de uma maneira violenta. Ela não tem mais a quem recorrer. Não estou dizendo com isso que a violência seja um modo legítimo de responder à violência [policial], mas sim que esta talvez seja a única maneira de ela se sentir ouvida e notada.

Como um rapaz de boa índole sai da escola da Polícia Militar e transforma-se em um assassino de grupo de extermínio?

Entrevistei soldados envolvidos com grupos de extermínio. Eles não acreditam no sistema. Perguntam-se: Por que eu vou levar um sujeito preso para a Polícia Civil se eles serão soltos em seguida mediante o pagamento de propina? Eu me arrisco, levo para delegacia e ele é solto? Eles tomam a decisão de prender, acusar, sentenciar e matar.

Como esses policiais lidam com o assassinato?

O homicídio do marginal é visto como uma importante arma de trabalho. Eles chegaram a declarar que se fossem impedidos de matar, ficariam sem condições de trabalho. É a lógica da doutrina da Segurança Nacional, segundo a qual estamos lidando com inimigos. E o inimigo no campo de batalha você tem de aniquilar.

Como se chega a isso?

Eles disseram que antes da prisão eram tidos como exemplo de bons policiais. Linha de frente. "Eu era premiado como policial do mês. Ganhei medalha", ouvi de um deles. E, de repente, estavam presos. Eles não entendiam.

O senhor está dizendo que eles recebiam incentivos para serem violentos?

Se não se falava abertamente "pode matar que eu seguro, eu acoberto", havia o estímulo por vias indiretas, premiando o policial violento. Mas o governo não admite isso. Toda vez que acontece uma tragédia, e que isso é descoberto (hoje muito mais do que antes, porque todo mundo está gravando e filmando tudo), quando vaza e dá no "Fantástico", por exemplo, a polícia diz que é uma "falha individual".

E não é?

O problema é que temos muitas "falhas individuais". Várias por dia. A partir do momento em que eu digo que é uma "falha individual", estou admitindo que o sistema é perfeito. E isso gera um descrédito enorme na polícia. A sociedade diz: "Mais uma falha individual?" E a quem interessa o crescente descrédito da polícia? A gente perdeu o referencial histórico do que vem a ser autoridade.

Exercer a autoridade virou ser truculento, arbitrário, brutal. Isso é uma forma totalmente errada de traduzir o que significa a verdadeira autoridade. E o problema é que quando se sedimenta essa incompreensão da autoridade, entramos na fase do "todos contra todos".

O que o senhor acha dos programas policiais vespertinos?

Longe de querer fazer censura à mídia, eles carecem de responsabilidade. Associam truculência e arbitrariedade com o exercício de autoridade. Eu queria que fôssemos capazes de ficar transparentes. E assim, transparentes, entrássemos nos quartéis. Em qual canal todas as televisões estão ligadas? Nos canais desses senhores. O efeito terapêutico dessas falas nos policiais militares é terrível. A ponto de a população temer a polícia e não respeitá-la.

Por que não se consegue resolver a crise da segurança pública? Bogotá, com problemas de guerrilha e narcotráfico parece ter solucionado o problema…

Porque falta vontade política. É um assunto que num primeiro momento não vai render muito voto, já que os resultados demoram um ou dois anos para aparecer. Agrava a situação o fato de mexer com lobbies poderosíssimos, como o lobby das empresas de segurança privada –quanto mais grave for a situação da segurança pública, mais eu faturo na segurança privada.

Muitas organizações sociais defendem a desmilitarização da PM. O que o senhor acha disso?

É um tema que provoca reações bem fortes. Os fatos comprovam que o modelo de segurança existente não funciona mais. Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que apenas três em cada cem inquéritos de crimes violentos resultam em condenação. De outro lado, a PM de São Paulo matou em cinco anos mais do que todas as forças policiais de segurança norte-americanas. Se eu tenho de um lado uma comprovada ineficiência e do outro lado uma comprovada brutalidade, eu tenho de mudar. Mas isso não pode ser feito pela mera subordinação da PM à Polícia Civil, como se esta fosse modelo de respeito aos direitos humanos.

O ministro Gilberto Carvalho disse que os "black blocs" têm de ser entendidos e ouvidos. Qual a sua opinião?

Eles têm de ser entendidos, sim. Não quer dizer que não devam ser reprimidos. Mas o que leva um grupo de pessoas a se reunir e praticar esse tipo de ato? Será que ao não prover os direitos sociais básicos previstos na Constituição o Estado também não auxiliou esses grupos a surgirem? Foi com esse tipo de diálogo que se avançou na Colômbia. E isso não é coisa de esquerda. Quem fez isso na Colômbia foi um governo de direita com forte apoio norte-americano. Eles viram que o modelo de repressão pura e simples não estava dando certo. Era morte para tudo quanto é lado. Quando se cansaram da mortandade, a solução começou a surgir.

06/09/2013

Violação consentida?!

Filed under: Roman Polanski,Samantha Geimer — Gilmar Crestani @ 9:29 am
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Geimer cuenta en su libro que siempre ha tenido dudas al usar la palabra violación porque en su cabeza ese acto implica un determinado grado de violencia que ella nunca sufrió a manos del cineasta.”

Roman Polanski habla sobre la persecución que sufrió

El cineasta rompe su silencio en ‘Vanity Fair’ para confesar la pesadilla que vivió durante 32 años y contrapone su propio infierno frente al de su víctima, que estos días publica su biografía

Yolanda Monge Washington 5 SEP 2013 – 19:32 CET21

Roman Polanski, en el festival de Venecia. / CORDON

Del crimen sexual cometido por Roman Polanski contra una menor se sigue hablando y escribiendo más de 30 años después. Este final de verano coinciden en el tiempo la versión en boca del propio Polanski de cómo ha vivido la persecución ejercida por la justicia norteamericana tras su huida de EE UU en 1978, la biografía de Samantha Geimer -la hoy mujer madura que contaba 13 años cuando Polanksi consumó su violación en una velada llena de drogas y alcohol- y un nuevo documental sobre la vida y la persona que es el director polaco-francés de mano de la directora Marina Zenovich –cuyo anterior reportaje fue el que llevó a la ley de EE UU a reabrir el caso-.

En una entrevista que se publica en el número de octubre de la revista Vanity Fair, el director de la Semilla del Diablo y ganador de un Oscar por El Pianista, asegura que se sintió más perseguido después de su detención en 2009 en Suiza a petición de las autoridades estadounidenses que cuando fue condenado por el crimen cometido contra Geimer. “Todo eso no sucedió entonces”, explica el cineasta, 80 años. “Esto fue más parecido a lo que ocurrió durante el asesinato de Sharon”, relata Polanski al colaborador de Vanity Fair, James Fox, en referencia a los rumores que se vertieron sobre que el director estaba involucrado en el asesinato en 1969 de su esposa, la actriz Sharon Tate (embarazada de ocho meses), y varios amigos de la pareja a manos de la secta formada por la familia Manson.

Polanski fue detenido en 2009 en Suiza cuando se dirigía al festival de Cine de Zurich. Ironías de la vida, el director llevaba viajando con total libertad por ese país 40 años, mantenía una cuenta abierta en un banco suizo, tenía un coche registrado a su nombre en esa nación y poseía una casa en la estación de esquí de Gstaad, donde finalmente pasó siete meses de arresto domiciliario tras pasar dos en una cárcel de Suiza. Finalmente, Polanski quedaba en libertad en julio de 2012 después de que la justicia suiza rechazara la demanda de extradición norteamericana por “defectos de forma”.

Preguntado por el periodista sobre si posee el alma de un fugitivo –Polanski huyó a Francia desde EEUU en 1978 tras cumplir con la condena de 42 días de cárcel que le impuso un juez de California y cuando sospechó que éste pretendía de encerrarlo de nuevo con una sentencia de 50 años de prisión-, el cineasta responde con cierto sarcasmo asegurando que escapó del gueto de Cracovia (Polonia) y de la Polonia comunista. “He huido de la persecución”, afirma. “A lo mejor tampoco me tenía que haber ido del gueto…”, responde.

“Me he movido con libertad durante 32 años”, resalta el director, que está involucrado en su nueva película, D, un largometraje sobre el caso Dreyfuss, el escándalo por un error judicial rodeado de antisemitismo que conmocionó a finales del siglo XIX y principios del XX a la sociedad francesa. “Absolutamente, no”, responde a la idea de que ha vivido como un prófugo. En 2009, según explica Vanity Fair, los abogados de Polanski anunciaron que filmaría una nueva cinta en Alemania (país con acuerdo de extradición con EE UU); en 2001 filmó en ese país El Pianista; mantuvo casa en España durante 20 años; ha sido juez en el festival de Cine de Venecia y vivido un año trabajando en Túnez…

La detención en 1977 de Polanski fue uno de los grandes escándalos de la época que sacudió EE UU y expuso una época permisiva de Hollywood con los menores, la fama y el sexo. El director fue acusado de emborrachar y drogar a la adolescente Samantha Geimer durante una sesión de fotos en la mansión –concretamente en la bañera- del actor Jack Nicholson en Los Ángeles –mientras Nicholson pasaba unos días practicando el esquí-. En una primera instancia, Polanski fue acusado de sodomía, violación con uso de drogas y asalto a un menor, entre otros cargos. El artista solo aceptó ser culpable de haber mantenido relaciones sexuales con una menor.

“Fue una violación”, asegura Geimer, 50 años, esposa y madre, en su biografía. “Fue una violación no solo porque yo era una menor sino porque no consentí a la relación sexual”. Geimer cuenta en su libro que siempre ha tenido dudas al usar la palabra violación porque en su cabeza ese acto implica un determinado grado de violencia que ella nunca sufrió a manos del cineasta.

Roman Polanski habla sobre la persecución que sufrió | Gente | EL PAÍS

16/06/2013

Menoridade seletiva

Filed under: Alex Thomaz,Menoridade Penal — Gilmar Crestani @ 8:33 pm
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Eu colocaria, ainda, como exemplo, o caso do estuprador de Florianópolis. O menor que teria estuprado uma menina, colega de colégio, não apareceu nas telas dos telejornais da rede de comunicação dos pais. Tudo foi devidamente abafado. Em Porto Alegre as pessoas bem informadas ainda devem lembrar da Gangue da Matriz e do Caso Alex Thomaz.

O sensacionalismo, como se sabe, é seletivo, não estatístico
Pesquisa da CNT aponta que 93% dos brasileiros querem a redução da maioridade penal.
Mas há outros dados também significativos na mesma pesquisa: 69% dos brasileiros têm a convicção de que cresceu muito o número de crimes praticados por adolescentes, e outros 25% tem certeza de que eles pelo menos aumentaram.
Os números se equivalem, portanto: se 93% quer reduzir a maioridade, 94% tem a percepção de que o número de crimes envolvendo adolescentes aumentou.
É o que se pode chamar de política da comoção –quero mudar, porque sinto que piorou.
A percepção, no entanto, não reflete estatísticas, mas a abundância da cobertura policial pela mídia, e o destaque preferencial aos crimes de adolescentes.
Não bastassem os programas policialescos que vibram e multiplicam violências, também os telejornais gastam hoje mais da metade de seu tempo exclusivamente com as notícias policiais.
Da política à cultura, do futebol à economia, tudo é subtítulo do grande noticiário policial em que os meios de comunicação se transformaram.
Mas o sensacionalismo, como se sabe, é seletivo, não numérico.
Mais tempo é gasto com notícias de crimes que provocam mais emoções, e isso nada tem a ver com estatísticas.
A intermediação da imprensa provoca o resultado da pesquisa que depois é colhido pela própria mídia como base para justificar seus programas e suas campanhas, fechando o círculo vicioso das profecias que se auto-realizam.
Se ao invés de focar nos crimes praticados por adolescentes, por exemplo, fosse enfatizado no noticiário os crimes praticados com armas de fogo, é possível que as pessoas tivessem a percepção -real, pelo que se vê no cotidiano forense- de que o que aumenta mesmo é o número de crimes à mão armada, de menores ou maiores.
Quem sabe isso pudesse se refletir numa pesquisa acerca da retomada do referendo das armas?
Mas a imprensa tem uma responsabilidade maior ainda do que apenas o de indutora de pautas, e assim provocadora de anseios.
Na área da criminalidade, a reprodução contínua dos crimes, com a sua espetacularização tende a multiplicar a própria criminalidade.
Exemplo conhecido foi o número expressivo de sequestros de quintal que cresceu vertiginosamente com a intensa exposição das extorsões praticadas a empresários e industriais.
Muitos pequenos comerciantes ou profissionais liberais sofreram sequestros rudimentares na cola daqueles de grande repercussão midiática. É o que se teme ressurgir com os roubadores incendários –em relação aos poucos criminosos que hoje não têm acesso a armas de fogo.
Diversamente do que se pode supor, pelo registro das reportagens de maior impacto e destaque na televisão, não são os latrocidas que superlotam os locais de internação. Quase a metade dos adolescentes que cumprem medidas fechadas na Fundação Casa em São Paulo, foi levada para lá presa como microtraficante.
Uma alteração na legislação de entorpecentes, por exemplo, poderia ter um impacto relevante na desinternação, mas a falida guerra contra as drogas continua a amealhar inúmeros combatentes.
O que a pesquisa não soluciona é o intuito pragmático dos entrevistados, que dificilmente será alcançado.
A maioria das pessoas quer a redução da maioridade justamente porque espera que com isso reduza o número de crimes.
No entanto, a mesma punição já praticada aos maiores não tem tido esse efeito –e a Lei dos Crimes Hediondos foi o exemplo mais evidente do fracasso dessa política. As penas aumentaram, o encarceramento dobrou e o número de crimes não diminuiu.
O espanto de muitos pode ser explicado pelo desprezo absoluto da mídia ao fator criminógeno da prisão.
O convívio com criminosos mais perigosos, a falta de dignidade dos cárceres, a ausência de trabalho e de mecanismos de ressocialização, a omissão do Estado na segurança, enfim, tudo contribui para que a reincidência seja maior entre aqueles que cumprem pena dentro do sistema carcerário do que fora.
O senso comum pode indicar que o crime floresce com a sensação da impunidade.
Mas depois de preso, o abandono da família, as dificuldades no mercado de trabalho, o convívio com as lideranças do crime que cooptam numa teia de facilidades e ameaças, estabelecem vínculos ilícitos que serão cada vez mais difíceis de serem rompidos fora das grades.
Quanto mais cedo colocarmos os jovens na cadeia, é provável que tenhamos mais crimes e não menos.
Mas aí é só fazer uma nova pesquisa para saber se o brasileiro quer abaixar ainda mais a maioridade, aumentar as penas, instituir a tortura, pena de morte…

Sem Juízo, por Marcelo Semer

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