Ficha Corrida

26/03/2016

Entre TAP e GOLpes

OBScena: na mesa com Gilmar, um produto da adega Salazar

vinho golpeComo diria nosso velho e inestimável Barão de Itararé, “há qualquer coisa no ar, além dos aviões de carreira.” A parte risível desta tragicomédia está em que os principais golpistas aparecem em todas as listas. Os sempre ausentes, e por isso odiados pela Rede Goebbels, são, ora vejam, Lula e Dilma…

Como a situação, apesar de ridícula, não é pra risada, outro bardo, mais sisudo, merece entrar em cena. Shakespeare, na peça Hamlet, ao tratar das conspirações palacianas, nos legou algumas frases antológicas: "Há algo de podre no reino do Gilmar." Para que não nos apressemos em nominar os podres, outra frase nos ajudará compreender a filosofia por trás dos nossos santos do pau-oco: “Há mais coisas entre o céu e a terra, Gilmar, do que sonha a nossa vã filosofia".

A temperatura cresce à medida que o fogo alcança os calcanhares dos  golpistas. Para salvar a própria pele, querem jogar a água da democracia fora com a criança. Criança, não, quase balzaquiana.

Nem chegou aos trinta e nossa “Constituição Cidadã”, como batizou Ulisses Guimarães, vem sendo usada como papel higiênico por ninguém menos que o cavalo de Tróia deixado no STF por FHC. Logo FHC que, via Banco Itaú, como entregou Pedro Corrêa, ex-deputado do PP, comprou votos para adultera-la, que palavra mais apropriada ao ato e às personagens, com a emenda da própria reeleição. Não foi uma emenda para quem viesse depois, mas para mudar as regras durante o jogo e beneficiar o time que estava em campo. Foi sob os auspícios deste estupro coletivo que uma das personagens mais caricatas, hoje motivo de piada de português, foi colocada no STF. E não foi por falta de aviso.

Em artigo publicado na Folha de São Paulo em 08 de maio de 2002, Dalmo Dallari escreveu a respeito da indicação de Gilmar Mendes por FHC: “Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional.”

Dallari não é nenhum profeta.

Ele apenas conhecia o indicado, porquê estava sendo indicado e por quem. Gilmar Mendes fez, todos os dias e horas de sua estadia naquela corte, por comprovar o fatídico diagnóstico.

O convescote dos golpistas em Lisboa lembra o Pato Laqueado chinês. Vale lembrar que foi no Pato Laqueado, restaurante e prato típico chinês, que Cleto Falcão anunciou aos atônitos diplomatas Collor de Mello como o futuro Presidente do Brasil.

O intuito de Gilmar Mendes, ao que parece, é, diante de um autêntico bacalhau, levantar um brinde à chacota, com um autêntico vinho da casa IDP:

– Contemplai, oh! portugas, meu trio de golpistas!

O escritor português, veja texto abaixo, diz que a TAP é a única beneficiada como evento reduzido. TAP, também conhecida por Tamancos Aéreos Portugueses, é também abreviação de Tapetão, cujo nomen iuris é Golpe Paraguaio

Assim como os três mosqueteiros eram quatro, o trio de golpistas é uma quadrilha.

Trio de Golpistas

Como não lembrar, no aniversário de 20 anos de seu passamento, da música Vira-Vira dos Mamonas Assassinas, um hino em homenagem à epopeia dos golpistas em terras lusitanas:

Fui convidado pra uma tal de suruba
Não pude ir, Maria foi no meu lugar
Depois de uma semana ela voltou "pra" casa
Toda arregaçada, não podia nem sentar
Quando vi aquilo fiquei assustado
Maria chorando começou a me explicar
Daí então eu fiquei aliviado
E dei graças a Deus porque ela foi no meu lugar!

 

Um imbróglio em Lisboa

Escritor português comenta, em artigo, o golpe político-judicial em curso no Brasil e a viagem de Michel Temer ao país europeu, cancelada para que o vice-presidente possa participar de reunião do PMDB que vai decidir se a sigla romperá ou não com o governo…

25 de março de 2016

Escritor português comenta, em artigo, o golpe político-judicial em curso no Brasil e a viagem de Michel Temer ao país europeu, cancelada para que o vice-presidente possa participar de reunião do PMDB que vai decidir se a sigla romperá ou não com o governo de Dilma Rousseff

Por Francisco Louçã*

Quem se lembrou de uma coisa destas? Admitamos que o seminário “luso-brasileiro” que vai decorrer na Faculdade de Direito de Lisboa já estava programado antes da crise desencadeada pela golpaça político-judicial em curso no Brasil. Se assim for, há uma questão a que falta responder: como é que se lembraram de marcar um seminário sobre o futuro constitucional do Brasil (e de Portugal, olha só) para o 52º aniversário do golpe que derrubou um presidente eleito e instaurou uma ditadura militar? Como não há coincidências na vida, ou fugiu o pé para o chinelo ou é uma declaração de guerra com um atlântico pelo meio. Presumo que seja o chinelo.

Também não lembraria a ninguém que o vice-presidente brasileiro, e primeiro potencial beneficiário da eventual deposição de Dilma Roussef, escolha sair do país por uns dias precisamente quando o seu partido, o PMDB, tomará a decisão de sair do governo e se juntar aos parlamentares derrubistas. Mas é isso que anuncia o programa do evento. Pior, acrescenta outros pesos-pesados da direita, estes do PSDB, José Serra e Aécio Neves, sendo que o primeiro não estava previsto no programa original. O que os levaria a levantar voo do Brasil para se limitarem a conspirar por telefone?

Só haveria uma razão, procurarem um endosso internacional para as suas diligências, fazerem-se fotografar ao lado das autoridades de Portugal. Se era esse o objectivo, fracassou. Os serviços do Presidente português anunciaram que a agenda não lhe permite ir ao seminário e até o ex-primeiro ministro Passos Coelho se pôs de fora.

O detalhe da exclusão de Passos acrescenta ainda algum picante à história, dado que o PÚBLICO revela que “já Jorge de Miranda garante que a presença do ex-primeiro-ministro levantou dúvidas quanto à pertinência académica do seu contributo”. Excelente: o seminário era de tão alta qualidade que os organizadores se esqueceram de consultar a “pertinência académica” do “contributo” dos oradores que convidaram. Passos deve estar reconhecido por mais esta. Paulo Portas, que também foi anunciado para o encontro, mantém-se mais discreto e, adivinho, de fora do imbróglio. Resta saber se Maria Luís Albuquerque, anunciada no Brasil como professora da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, abrilhantará o encontro com a sua presença.

Ficando deserto de autoridades, o seminário limitar-se-á então, se ainda se vier a manter com tantos abandonos, a uma conversa entre juristas e políticos brasileiros sobre a graça do golpe que está a decorrer. Suponho que só a TAP agradecerá a cortesia.

Nota (16.30, dia 24): o vice-presidente do Brasil cancelou a sua viagem. O benefício da TAP com o evento será mais reduzido.

Francisco Louçã, nascido em Lisboa, economista. Foi deputado (1999-2012) e é professor de economia na Universidade de Lisboa. Os últimos livros que publicou foram “A Dividadura” e “Isto é um Assalto” (Bertrand, 2012 e 2013), ambos com Mariana Mortágua, “Os Burgueses” (Bertrand, 2014, com J. Teixeira Lopes e J. Costa) e “A Solução Novo Escudo” (Lua de Papel, 2014, com João Ferreira do Amaral)

Foto de capa: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um imbróglio em Lisboa – Portal Fórum

17/08/2015

2018 de Brumário

Napoleao de HospicioO que inspira os golpistas é o fator 18 de Brumário.

Explico. Os derrotados nas últimas eleições não se conformam que Dilma tenha vencido por pequena margem. Para eles é como se existisse meia grávida. Nem precisa ser inteligente, basta não ser burro para entender que basta um voto a mais para aclamar um vencedor. Mas esta não é a lógica introduzida, via Gilmar Mendes, pelo Poder Judiciário na política.

No julgamento da ação que trata do financiamento público das campanhas, mesmo com a votação em 6 x 1, portanto, com decisão irreversível, Gilmar Mendes pediu vistas senta sobre o processo já há mais de ano. Por quê? Ora, por que para a oposição sem votos mas atrelada ao Poder Judiciário, não é maioria que conta, mas o jogo sujo dos tapetões.

A ditadura napoleônica na França começou com o golpe de estado no 18 de brumário. O brumário correspondia ao período entre 22 de outubro e 20 de novembro do calendário gregoriano, período durante o qual há neblina e baixas brumas. No Brasil, não há neblina, mas há uma cortina de fumaça. É a fumaça que sai do fogo aceso para queimar a bruxa Lula que assusta a direita sem voto em 2018. O golpe de 18 de brumário, igual ao golpe paraguaio à brasileira, também foi acolhido entusiasmado pela burguesia.

Como é sabido, também temos um Napoleão. Aos que querem entronizar o Napoleão das Alterosas, um típico napoleão de hospício, cabe relembrar um ditado do norte-italiano, por onde o corso passou em suas conquistas narradas pelo escritor Stendhal: “Non tutti i francese sono ladri, ma bonaparte”. Nem todos os franceses são ladrões, mas boa parte (Bonaparte, boa parte)… Nem toda direita é golpista, mas no Brasil é a maior parte.

Seminário discutido por Lula em “grampo” com executivo foi promovido pelo Valor Econômico

publicado em 15 de agosto de 2015 às 02:15

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Norberto, Emilio e Marcelo Odebrecht

Da Redação

Um opositor poderia estranhar, sim, o nível de intimidade de um ex-presidente da República com o executivo de uma empreiteira. Como observou sarcasticamente a psolista Luciana Genro no twitter, se Lula disputar o Planalto em 2018, “será o candidato da Odebrecht”.

O comentário foi feito a propósito de mais um vazamento da Polícia Federal/Ministério Público, feito através do porta-voz dos vazamentos da Lava Jato, o Estadão: o grampo de uma conversa entre Lula e o executivo Alexandrino de Salles Alencar.

alexandrino-alencar-lj-lula

alexandrino-alencar-lj-lula-2A conversa foi gravada no dia 15 de junho de 2015. Para criar suspeição, O Globo diz que foi “às vésperas” da prisão de Alexandrino, que na verdade aconteceu dia 19.

Mas, afinal, do que trataram os dois na conversa? Basicamente, de um seminário promovido pelo jornal Valor Econômico no mesmo dia 15: Uma Agenda para Dinamizar a Exportação de Serviços.

Do seminário participaram, entre outros, o presidente da Odebrecht, o presidente do TCU, Rodrigo Azeredo — diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério das Relações Exteriores — e o “tucano de primeira plumagem” Gianetti da Fonseca.

O que disse Gianetti no evento?

O economista e sócio da Kaduna Consultoria, Roberto Gianetti da Fonseca, criticou nesta segunda-feira, 15, o caráter ideológico que passou a envolver as discussões acerca dos financiamentos públicos às exportações de serviços de engenharia. “Temos de acabar com essa demonização do financiamento às exportações de serviços”, disse o economista, ex-secretário de Comércio Exterior do governo FHC. “Que história é essa de se chegar no Senado e falar mal destes financiamentos por eles terem sido criados pelos presidentes Lula e Dilma? Isso tem que se tornar um projeto de Estado”, disse o economista, durante participação de evento sobre exportações de serviços, em São Paulo.

Ora, se a intenção é dizer que Lula fez lobby pela Odebrecht podemos dizer o mesmo de Gianetti e do próprio Valor Econômico, que promoveu o seminário e convidou Marcelo Odebrechet para falar?

Quanto ao elogio que Emilio Odebrecht teria feito ao “documento de vocês”, sublinhado pelo delegado da PF como se fosse algo sinistro, aparentemente se refere à resposta que o Instituto Lula deu a uma reportagem da revista Veja que denunciou contribuições de empreiteiras ao instituto.

Não há nada de extraordinário ali.

Nada mais grave que Fernando Henrique Cardoso ter recebido 500 mil reais para seu instituto da Sabesp!

Aqui, você pode ver quem foram os participantes do seminário do Valor Econômico e fazer o download de algumas falas.

O interesse da Odebrecht no assunto é óbvio: a empresa é uma das maiores exportadoras brasileiras de bens e serviços.

Porém, o delegado da Polícia Federal Eduardo Mauat da Silva, em seu relatório, parece ter lido coisas demais no diálogo. Não é de estranhar: assim funciona a mente policial.

Às vezes vê coisas onde há. Ou onde não há. Por exemplo? No relatório, o delegado diz que logo depois da prisão Alexandrino conversou com Marta Pacheco Kramer, identificada como funcionária do Instituto Lula. Só que não. Na verdade, ela trabalha para a Odebrecht. Um erro, vamos dizer, grosseiro!

É justamente por isso que, nos Estados Unidos, como escrevemos aqui, nem o FBI nem o Ministério Público vazam informações de inquéritos em andamento à imprensa. O risco, além de atrapalhar as próprias investigações, é de comprometer publicamente pessoas inocentes.

Como em “Marta Pacheco Kramer funcionária do Instituto Lula”. Ou em Marice, a cunhada do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que segundo “prova fotográfica” indiscutível da PF era Giselda, a esposa de Vaccari.

O motivo dos vazamentos do MP e da PF é simples: criar comoção pública que justifique condenações mesmo sem provas absolutamente consistentes. É o tal do julgamento midiático, defendido tanto pelo juiz Moro quanto pelos promotores da Lava Jato.

Abaixo, o artigo de Delfim Netto ao qual o ex-presidente Lula faz referência na conversa:

Exportação de serviços e o ‘complexo de vira-lata’

Antonio Delfim Netto, no Valor Economico

O Brasil vive o resultado de uma combinação trágica de eventos gestados pelo governo em 2014 para conseguir a reeleição: 1) um laxismo fiscal que duplicou o déficit fiscal (6,2% do PIB contra a média de 2,7% entre 2009 e 2013); 2) um déficit primário de 0,6% do PIB (o primeiro desde a ida ao FMI no primeiro mandato de FHC); 3) intervenções pontuais para controlar a inflação, que levaram o setor industrial à regressão de 1,2% e que 4) deixaram uma inflação “reprimida” da ordem de 2% a 3%; e 5) um aumento da dívida bruta/PIB de 2% (de 56,9% do PIB em 2013 contra 58,9% do PIB).

O mais importante ingrediente da campanha eleitoral foi a insistência da oposição na necessidade de um “ajuste fiscal”, o que o governo negou peremptoriamente: tudo estava em “ordem” e, portanto, se prosseguiria com a mesma política.

Pois bem. Antes mesmo da nova investidura, a presidente reconheceu implicitamente a realidade. Enviou ao Congresso algumas medidas que haviam sido preparadas pelo ilustre e mal compreendido ministro Guido Mantega. Tranquila e dialeticamente, negando a negação, o governo, como São Paulo na estrada de Damasco, sofreu uma conversão de 180º na sua política econômica.

Os eleitores, tanto os que preferiram Dilma (pouco mais do que 1/3) como os que a rejeitaram (pouco menos de 2/3) receberam, uns com enorme desilusão, outros com enorme ceticismo, o incontornável “ajuste fiscal”. E o PT, o principal beneficiário do “desajuste fiscal”, o recebeu com os dois. A essa gigantesca confusão política somou­se a econômica, o que inibiu uma coordenação sólida e confiável entre o Executivo e a sua base “virtual”, agora em reconstrução devido à competência e habilidade do vice-­presidente Michel Temer.

Isso deu margem para que, ao lado do aumento do desejável protagonismo do Legislativo, importante fator de aperfeiçoamento do processo democrático, se propagassem no Congresso mitos insensatos, como é o caso, por exemplo, de sugerir que os empréstimos para exportação de serviços de engenharia do BNDES são um “prejuízo nacional” e expô-­lo a uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Mesmo competente e com a melhor boa intenção, ela pode prejudicar a significativa exportação de tais serviços que vimos construindo com paciência e algum sucesso desde 1966.

Não é porque a “transparência” seja má, mas porque nossos competidores no mercado internacional de serviços de engenharia são a Espanha, os Estados Unidos, a China, a Alemanha, a França, a Itália e a Coreia, que estão sempre atentos a qualquer informação que lhes dê alguma vantagem, inclusive usando os seus serviços oficiais de espionagem.

É abusivo dizer que o BNDES é uma “caixa preta” e é erro grave afirmar que deve dar publicidade às minúcias das suas operações, o que, obviamente, revelaria detalhes dos contratos de seus clientes que seriam preciosas informações para nossos concorrentes e, portanto, contra o Brasil. É preciso perguntar por que o Ex­Im dos EUA não aguenta a concorrência dos insondáveis subsídios do Ex­Im chinês, a despeito da regulação da OMC?

É claro que o BNDES deve “prestar contas” aos órgãos reguladores, mas sob a proteção do absoluto sigilo. É lamentável que não se entenda que os recursos do chamado BNDES-­Exim não são remetidos para o país onde se faz o investimento. São usados como pagamentos em reais no Brasil, para centenas de empresas médias e pequenas, com milhares de operários, que fornecem produtos “exportáveis”, sem serem diretamente exportadoras. Elas jamais o seriam se não houvesse um “epecista” que as estimula e, não raramente, as ajuda a promover a incorporação de desenvolvimentos tecnológicos exigidos na dura competição internacional. O pagamento dos serviços, este sim, é em dólares que entram no país.

O Brasil tenta qualificar­-se como um exportador de serviços de engenharia há muito tempo. De acordo com informações internacionais confiáveis (“Engineering News Record”), ainda ocupamos uma participação muito modesta no setor: sete vezes menor do que a Espanha, EUA e China e quatro vezes menor do que a da Alemanha, França e Coreia. Somados, esses competem ­ com subsídios ­ por 2/3 de um mercado da ordem de US$ 550 bilhões por ano.

O desenvolvimento econômico depende de dois vetores: do investimento e da exportação. Os dois produzem efeitos multiplicadores parecidos, mas, sem a sólida expansão das exportações, o desenvolvimento pode ser abortado pelos déficits em conta corrente. A exportação de serviços de engenharia estimula o investimento nacional e a incorporação da melhor tecnologia, porque eles têm que estar no “estado da arte” para vencer a dura competição. Lamentavelmente o saldo dessa conta tem diminuído. Depois de passar por um máximo de US$ 4,3 bilhões em 2012, hoje anda às voltas de US$ 2 bilhões, com viés de baixa…

Não há maior afirmação do famoso “complexo de vira­-lata” do que demonizar o suporte do BNDES quando financia despesas em reais que geram produção e emprego no Brasil e não financia a despesa da instalação externa. E não há maior miopia do que não enxergar que “exportar é o que importa”.

*****

Nota oficial do BNDES sobre o grampo:

O BNDES lamenta tentativas, na imprensa e em redes sociais, de manipular e distorcer informações buscando envolver o Banco em algo supostamente nebuloso a partir da divulgação de um diálogo entre o ex-presidente Lula e um executivo da Odebrecht. A conversa não faz referência direta ao BNDES e tratou de um seminário sobre exportação que teve ampla participação do público interessado e cobertura da imprensa.

*****

Finalmente, já que estamos falando em grampo, que tal relembrar de um realmente comprometedor, do período da privataria das teles?

Deu na Folha, sem maiores consequências jurídicas, apesar de se tratar de um leilão no qual o Estado não deveria interferir:

No diálogo mais importante, [o então ministro] Lara Resende diz ao presidente [FHC] que é necessário forçar o fundo de pensão estatal Previ a entrar no consórcio do Opportunity e da Stet. O presidente concorda. Considera arriscado manter o “aventurismo” que seria representado por um outro consórcio. Como representante do “aventurismo”, o presidente cita nominalmente o empresário Carlos Jereissati.

Depois disso, já que FHC concordava com a operação, Lara Resende pede explicitamente para usar o nome do presidente como forma de pressão. Os dois discutem como acertar a entrada da Previ, no consórcio do Opportunity com o grupo italiano. A Previ também negociava com o consórcio Telemar, de Carlos Jereissati. Eis o trecho da conversa entre os dois:

André Lara Resende – Então, o que nós precisaríamos é o seguinte: com o grupo do Opportunity, nós até poderíamos turbiná-lo, via BNDES Par. Mas o ideal é que a Previ entre com eles lá.
Fernando Henrique Cardoso – Com o Opportunity?
Lara Resende – Com o Opportunity e os italianos.
FHC – Certo.
Lara Resende – Perfeito? Porque aí esse grupo está perfeito.
FHC – Mas… e por que não faz isso?
Lara Resende – Por que a Previ tá… tá do outro lado.
FHC – A Previ?
Lara Resende – Exatamente. Inclusive com o Banco do Brasil que ia entrar com a seguradora etc. que diz, não, isso aí é uma seguradora privada porque…
FHC – … Não.
Lara Resende – Então, é muito chato. Olha, quase…
FHC – …Muito chato.
Lara Resende – Olha, quase…
FHC – Cheira a manobra perigosa.
Lara Resende – Mas é quase explícito.
FHC – Eu acho.
Lara Resende – Quase explícito.
FHC – Eu acho.
Lara Resende – Então, nós vamos ter uma reunião aqui, estive falando com o Luiz Carlos, tem uma reunião hoje aqui às 6h30. Vem aqui aquele pessoal do Banco do Brasil, o Luiz Carlos etc. Agora, se precisarmos de uma certa pressão…
FHC – …Não tenha dúvida.
Lara Resende – A idéia é que podemos usá-lo aí para isso.
FHC – Não tenha dúvida.
Lara Resende – Tá bom.

Leia também:

Marcelo Zero: A quem interessa detonar o BNDES?

Seminário discutido por Lula em "grampo" com executivo foi promovido pelo Valor Econômico – Viomundo – O que você não vê na mídia

17/07/2015

Eduardo CUnha deve se filiar ao PSDB

Filed under: Aécio Neves,Alberto Youssef,Eduardo Cunha,Golpismo,Golpistas — Gilmar Crestani @ 8:02 pm
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CUnha 

Descoberto com quem Eduardo CUnha estava falando ao telefone quando tapou a boca para não fazerem leitura labial.

Estava ouvindo Aécio Neves: “Suguem mais um pouco e venham para o nosso lado.” Aqui no PSDB nada nem ningém é investigado e muito menos preso.

Fecha-se o ciclo tapetão. Eduardo CUnha & Aécio Neves juntos! E assim engrossa a marcha dos zumbis. O golpe será em cadeia de tele visão!

Vossos heróis morreram de overdose e de tanto sugar.…

Vídeo bomba: como o Cunha tomou a grana

O meu eu quero imediatamente

O Conversa Afiada recebeu o vídeo com o depoimento do delator premiado Júlio Camargo ao juiz Moro da Vara de Guantánamo.
Aos 6′20, Júlio diz que o Eduardo Cunha o estava pressionando violentamente.
Aos 16′50, Júlio diz que Eduardo Cunha não queria conversa, queria receber.
Aos 7′45, deputada federal Solange faz um requerimento ao Ministério das Minas e Energia para ferrar a empresa de Júlio e o próprio Júlio.
Aos 12′46, ao tomar conhecimento do requerimento da deputada Solange o ministro Lobão reage: Isso é coisa do Eduardo.
E liga para Eduardo na frente de Júlio Camargo.
“Você está louco? Estou aqui com o Júlio”.
A partir dos 14′22, Júlio Camargo descreve o achaque. Ele se encontrou em um domingo, num edifício comercial do Leblon, na zona sul do Rio.
Eduardo Cunha exigiu US$ 5 milhões. Disse que Júlio estava demorando a pagar e ele não tinha mais como aguardar.
“Quero o meu imediatamente”.
Aos 23′10, Júlio diz ao juiz Moro que é preciso muito cuidado com Eduardo Cunha já que é um homem que ameaça através de terceiros e que disse que tinha 260 deputados sob o seu comando.

Ele disse que tinha 260 deputados sob seu comando

Navalha

É com o Pauzinho do Dantas e com esse Eduardo Cunha que o ministro do Supremo se encontra na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados para tratar do impeachment da Presidenta Dilma.

Viva o Brasil.

Golpe é isso aí.

Paulo Henrique Amorim

Em tempo: Contemple a “Galeria de Honra Daniel Dantas” e veja que Eduardo Cunha faz parte dela.

A Galeria se inspira no princípio “diz-me quem te processa e dir-te- ei quem és”

Antes, o C Af havia publicado:

CUNHA PEDIU US$ 5 MILHÕES A DELATOR

A tornozeleira está a caminho

No Globo:

DELATOR DA LAVA-JATO DIZ QUE CUNHA PEDIU PROPINA DE US$ 5 MILHÕES

Presidente da Câmara nega acusação e afirma que Júlio Camargo é um “mentiroso”

SÃO PAULO – O consultor Júlio Camargo afirmou à Justiça Federal, nesta quinta-feira, que foi pressionado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a pagar US$ 10 milhões em propinas referentes a dois contratos de US$ 1,2 bilhão de navios-sonda, assinados pela Petrobras entre 2006 e 2007. A informação foi confirmada ao GLOBO por três pessoas presentes no depoimento e consta em vídeos da oitiva gravados no âmbito da Operação Lava-Jato. Segundo Camargo, Cunha pediu US$ 5 milhões pessoalmente a ele.
Ao GLOBO, Cunha negou a acusação e afirmou que o delator é um “mentiroso”. O peemedebista também divulgou uma nota em que desafia o delator a provar as acusações.
(…)

21/12/2014

Mico amestrado do ano

Filed under: Aécio Neves,AécioPorto,Memes,PSDB,Ridículo — Gilmar Crestani @ 11:29 pm
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Uma seleção de memes da ‘diplomação’ de Aécio

Postado em 21 de dezembro de 2014 às 4:38 pm

As redes sociais responderam como era de esperar à louca cavalgada de Aécio por sua diplomação presidencial no lugar de Dilma. Com memes e outros tipos de humor.

Amostras:

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Lá vem Aécio surfando a Onda Azul para receber o diploma

Lá vem Aécio surfando a Onda Azul para receber o diploma

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@aeciodepapelao: Assistente de palco do Ratinho gasta R$ 400 mil para ficar 'parecido' com Aécio

Diário do Centro do Mundo » Uma seleção de memes da ‘diplomação’ de Aécio

02/12/2014

Pó pará, Aécio!

A mais longa síndrome de abstinência da história

Aecio hjPOcritaAs operações da Polícia Federal, de que fala a ADPF, combinada com a perda das chaves do Aeroporto de Cláudio, deixaram Aécio Neves exasperado. A síndrome de abstinência persiste tanto mais porque apanhou nos dois Estados que ele tinha como se fossem sua própria casa: Minas e Rio.

É por comportamentos como este que o partido que tinha por projeto ficar 20 anos no poder, como verbalizou o PC Farias do PSDB, Sérgio Motta, que FHC e seus sequelados estão alijados do Poder Central. Pior, é o retorno de Lula em 2014 que os enlouquece. Uma compra de reeleição do país tolera, será que terá estômago para digerir este tapetão de obsessão infantil de maus perdedores.

Se ele pode me chamar, como eleitor de Dilma, membro de “organização criminosa”, por que eu não poderia chama-lo de toxicômano?!

Pó pará, governador! Perdeu, playboy!

JANIO DE FREITAS

O presente de Aécio

Se ele acha que está sendo ‘porta-voz da indignação’, fica evidente que não sabe mesmo o que está fazendo

Ela se apropriou da política econômica defendida por Aécio, mas Aécio não se deixa abater e já demonstra que pode fazer o mesmo: adere à redução da desigualdade social por meio da distribuição de renda, defendida por Dilma na campanha.

A reviravolta de Dilma foi mais surpreendente, mas a de Aécio é mais original no método. Veio pela TV, na amenidade noturna do fim de semana, e naquele estilo de elegância chamado "curto e grosso".

Nas próprias palavras do ainda pretendente à Presidência da República: "Na verdade, eu não perdi a eleição para um partido político, eu perdi a eleição para uma organização criminosa que se instalou no seio de algumas empresas brasileiras patrocinada por esse grupo político que aí está".

De fato, Aécio não perdeu para um partido político. Perdeu para os eleitores, petistas, peemedebistas e nada disso, que lhe negaram o voto e o deram a Dilma. Qualquer deles agora habilitado, desde que capaz de alguma prova de sua adesão a Dilma, a mover uma ação criminal contra Aécio Neves por difamação, calúnia e injúria, e cobrar-lhe uma indenização por danos morais.

Uma foto em manifestação, uma doação ou um serviço para a campanha, um cartaz ou um retrato na janela, uma propaganda no carro, em qualquer lugar do país podem se juntar às demais provas para dar uma resposta à acusação de Aécio Neves tão gratuitamente agressiva e tão agressivamente insultuosa.

É difícil admitir que Aécio Neves esteja consciente do papel que está exercendo. A situação social do Brasil não é de permitir que acirramentos, incitações e disseminação de ódios levem apenas a efeitos inócuos, de mera propaganda política. Para percebê-lo, não é preciso mais do que notar a violência dos protestos com incêndios ou a quantidade de armas apreendidas.

Se Aécio acha, como diz, que está sendo "porta-voz de um sentimento de indignação", pior ainda: fica evidente que não sabe mesmo o que está fazendo, e aonde isso o leva.

18/12/2013

Folha veta acesso à justiça a amigos (dos outros)

Amigo de Cristina vai à Justiça contra jornal

Empreiteiro que pagou R$ 5,3 milhões a hotéis da presidente quer sigilo sobre transações

LÍGIA MESQUITADE BUENOS AIRES

O empreiteiro Lázaro Báez, que está sendo processado por lavagem de dinheiro, foi à Justiça para impedir que o jornal "La Nación" publique dados de pagamentos feitos por empresas suas a dois hotéis que Cristina Kirchner possui na Patagônia.

A associação de entidades jornalísticas diz que a censura prévia é inconstitucional.

O jornal revelou anteontem que, entre 2010 e 2011, sete empresas de Báez assinaram acordos confidenciais para alugar um terço dos quartos de três hotéis de Cristina na cidade. Com os pagamentos, que totalizaram mais de 14,5 milhões de pesos argentinos (R$ 5,3 milhões), as propriedades garantiram suas receitas, mesmo não tendo hóspedes na baixa temporada.

Por mês, as empresas de Báez pagavam o equivalente a 935 diárias ao hotel Alto Calafate –na baixa temporada, uma noite no local pode custa de US$ 173 a US$ 294.

O livro de contabilidade ao qual o "La Nación" teve acesso também mostra o pagamento de US$ 1 milhão a Néstor Kirchner, em 2010 –mesmo ano em que o marido e antecessor de Cristina morreu–, pelo aluguel do hotel Las Dunas. No papel, no entanto, esse hotel pertence a Báez.

A transação fez com que a oposição argentina voltasse a questionar a relação entre Báez e o casal Kirchner.

Para a deputada Elisa Carrió, da Unem, Néstor seria testa de ferro do empreiteiro. Ela entrou na Justiça com um pedido de investigação "de suposta lavagem de dinheiro da família Kirchner" e de Báez.

Báez é o dono da maior empreiteira de Santa Cruz, província dos Kirchner. A maioria das obras públicas na região nos governos de Néstor e Cristina Kirchner foi feita pelas firmas do empreiteiro.

O empresário se apresentou à Justiça anteontem e reconheceu a autenticidade dos recibos, mas alegou que se trata de informações privadas e que a divulgação desses dados gera lucros a terceiros.

Báez afirmou não ter cometido nenhum crime e disse que tomará as medidas judiciais cabíveis. Segundo ele, a divulgação pelo jornal é "violação de segredo fiscal".

O secretário-geral da Presidência, Oscar Parrili, confirmou que as negociações aconteceram e disse que são do âmbito privado. Ele atacou a mídia por querer "colocar em dúvida a legitimidade e a honestidade dos atos privados" do casal Kirchner.

14/12/2013

A CBF, braço esportivo da Globo, não sabe perder

E no Rio, qualquer time joga em casa quanto entra no STJD…

A pobre Portuguesa merece ser rebaixada, mas só se o Fluminense perder o título de 2010

Postado em 14 Dec 2013

por : Kiko Nogueira

Torcedores da Lusa em protesto na Paulista

Torcedores da Lusa em protesto na Paulista

A Portuguesa é a coitadinha oficial do futebol paulista e, como tal, desperta comiseração e simpatia. É o segundo time de muita gente que acredita em segundo time.

Nos jogos com o Corinthians, era comum a Gaviões da Fiel dedicar um tempo para contar cada um dos torcedores da Lusa. Os corintianos apontavam o dedo para a arquibancada e começavam: “1, 2, 3, 4…” Os Leões da Fabulosa tinham fama de ser violentíssimos, mas ninguém era capaz de encontrá-los.

Hoje, na Paulista, havia uma manifestação de torcedores contra a ameaça de rebaixamento. “Ô, Fluminense, vai se foder/Está na hora de pagar a série B”, umas 200 pessoas gritavam. Deram uma volta na praça que fica no final da avenida, quase na Consolação, e retornaram. Tudo numa boa. Mais ordeiro que os protestos do Cansei.

A Lusa está sendo vítima de si mesma e da bagunça generalizada do campeonato brasileiro. Na segunda, será julgada pelo STJD por ter relacionado o meia Héverton no 0 a 0 contra o Grêmio no Canindé.  O jogador não poderia ter sido usado porque havia recebido o cartão vermelho duas rodadas antes. Só cumpriu um jogo da suspensão, quando o correto eram dois. O clube não teria sido avisado pelo advogado Osvaldo Sestário, que o representou no tribunal, sobre a punição das duas partidas.

É uma desculpa esfarrapada, provavelmente. Mas por que só a Portuguesa seria punida se a Justiça havia livrado equipes em situações irregulares semelhantes por entender que não “houve intenção” de prejudicar o certame?

Um dos casos foi o da partida entre Vasco e Cruzeiro no dia 23 de novembro. O Cruzeiro tinha no banco o goleiro Elisson, cujo contrato estava vencido. A outra equipe absolvida com o mesmo argumento é o Duque de Caxias, na série C, por escalar o atacante Rafinha, que estava sem contrato. Embora tenha perdido 15 pontos em primeira instância, o Duque de Caxias conseguiu reverter a situação no STJD, afirmando que o erro foi da federação fluminense.

Em 2010, o Fluminense se deu bem. O meia Tartá foi escalado irregularmente. A denúncia ocorreu a posteriori e o tricolor carioca nem foi a julgamento. Se fosse aplicada a lei, perderia quatro pontos e a taça para o Cruzeiro. Na época, o procurador geral do STJD, Paulo Schmidt, disse o seguinte: “Rediscutir o título que foi conquistado no campo de jogo, da forma que foi, abre precedente não só para o Cruzeiro, mas para vários clubes discutir tudo isso”.

Se a Portuguesa cair, o Fluminense tem de devolver a taça de 2010, o que, obviamente, não vai acontecer. A Lusa errou. Mas como ignorar a longa lista dos que se safaram? A Portuguesa é a coitada de sempre num futebol vergonhosamente desorganizado, onde a Justiça, uma piada, vale mais para uns que para outros e está do lado de quem pode mais — ou seja, como o Brasil. Comigo: “Ô Fluminense, vai se foder, está na hora de pagar a série B”.

"Ô Fluminense, vai se foder, está na hora de pagar a série B"

“Ô Fluminense, vai se foder, está na hora de pagar a série B”

Sobre o Autor

Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

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