Ficha Corrida

05/09/2015

Agenda 2020 da RBS

zelotesLasier Martins é o projeto da RBS para o Piratini em 2020. À moda Cosa Nostra, a RBS utilizou o braço da Rádio Gaúcha para levar o pitt bull a pastorear sua manada de bovinos pelo interior do RS. Não bastava ter uma Ana Amélia Lemos no PP gaúcho, a RBS também precisa de uma sigla de aluguel. Foi Vieira da Cunha que entregou a barriga de aluguel para que a RBS pudesse parir outro senador. Assim, a RBS é o único grupo de comunicação que não precisa de intermediários, já tem só pra si dois senadores. Por pouco não conseguiu emplacar a Miss Lagoa Vermelha no Piratini. Não funcionou, então montou o plano B e emplacou o Tiririca da Serra. A estratégia foi criminalizar o PT e Tarso Genro. Poderia ser qualquer um menos alguém do PT. Por quê a RBS tem tanto medo do PT? Claro, o sonho da RBS é ter alguém que lhe entregue, seja em marketing ou facilidades públicas aos finanCIAdores ideológicos, uma CRT a cada quatro anos.

A parceria da RBS com prefeituras do interior, mediante o finanCIAmento de parceiros ideológicos, explica porque o RS está muito atrás de Santa Catarina. Outra explicação está na presença do latifúndio no RS. Em Santa Catarina impera a pequena propriedade.

O atraso gaúcho atende pela união do lumpempresariado  com o lumpenjornalismo. Em que outro estado um grupo de jornalismo criminalizaria um governo que “ousasse” criar uma Universidade Estadual? Olívio Dutra foi diabolizado pela RBS.

Claro, contou com meninos de aluguel, que se venderam pois dois minutos de presença, ao vivo, no Jornal Nacional. Vieira da CUnha, que pelo sobrenome não se perca, alugou seu PDT em troca do acobertamento da RBS. Hoje é Secretário, da cota da RBS,  de Educação. Não é sem motivos que a RBS faz vistas grossas ao abandono de Porto Alegre por José Fortunati. Assim, a RBS mediante seus muitos braços mafiomidiáticos detém dois senadores (Ana Amélia & Lasier), um ventríloquo no governo do Estado, um estafeta na Secretaria de Educação, e um palerma de Prefeito de Porto Alegre.

Só os midiotas não entendem. Para entender bastaria ver quem são os que estão na Lista Falciani do HSBC, no CARF, na Operação Zelotes, Operação Rodin, Operação Pavlova. Por que, vira e mexe, o Gerdau é figura presente para ditar o que é bom ou ruim para o Estado? Será porque o Gerdau, como a RBS, tem interesse no CARF?! Por que eles não param de lorotas, deixem de sonegação e paguem em dia os impostos?!

E ainda há quem não entenda porque o RS está tão mal.

Um relato sobre a misteriosa Agenda 2020

Postado por Juremir em 24 de agosto de 2015

Há nomes que surgem do nada e começam a ter grande influência nos bastidores da administração pública formulando sugestões de políticas que vão se fixando como entidades misteriosas. Por toda parte, ouve-se falar na tal Agenda 2020. De onde surgiu? O que é? Em princípio, é a plataforma de um grupo de empresários que busca implementar Estado mínimo, apostar em políticas de incentivos fiscais para empresas e fazer lobby para os seus amplos interesses. Recebi um interessante e-mail de sobre a Agenda 2020 de uma fonte que não pode ter o seu nome divulgado por medo de sofrer represálias muito óbvias.

Uma fonte entranhada.

“Existe uma empresa que é onde funciona a Agenda 2020, a Polo RS, coordenada por Ronald Krumenauer, e os projetos dela são mantidos por colaboração dos voluntários da Agenda, voluntários esses todos empresários de alta classe do Estado. O que sempre me chamou atenção foi o fato de que a Agenda não tinha nenhuma atividade específica. Mesmo assim eles mantém um corpo de funcionários até pequeno, mesmo assim nunca vi um lugar onde o dinheiro saia de forma tão fácil. A atividade principal deles foram os Debates RS, onde visitavam diversas cidades a apresentaram sua agenda junto com o senador Lasier Martins a equipe da Rádio Gaúcha. Outro fato interessante se refere à sugestão de uma pauta sobre sonegação de impostos, já que sempre escutei discursos indignados contra os impostos no Brasil. A resposta foi bastante clara de porque aquela pauta não deveria ser levantada: ‘Tu queres pegar mais da metade do conselho da Polo’. O presidente da Agenda 2020 é uma figura meramente figurativa, quase nunca aparece no local e nas poucas vezes que vai fica menos de 10 minutos no local em conversa reservada com Ronald. Bom há outras questões sobre a Agenda que podemos levantar, especialmente de onde vem o dinheiro que sustenta aquela estrutura, já que o escritório está localizado em uma região muito cara da cidade, sem contar os gastos com pessoal, viagens e etc”.

A Agenda 2020 é parceira da RBS.

Nada de irregular. Só desconhecido do público mais amplo. O time da Polo é pesado.

Esta notícia, recuperada na Internet, dá uma ideia da densidade econômica do pessoal e da sua capacidade de influência: “Conselheiros e associados da Polo RS – Agência de Desenvolvimento, reunidos nesta segunda-feira, dia 19 de agosto, em Porto Alegre, elegeram o empresário Humberto César Busnello como o novo presidente do Conselho de Administração da entidade, período 2013/2015. O encontro foi liderado por Bolivar Baldisserotto Moura, presidente do conselho da Polo RS entre 2007 e 2013. A reunião contou com os conselheiros Jorge Gerdau Johannpeter (Gerdau), Heitor Müller (Fiergs), Zildo De Marchi (Fecomércio), Ricardo Russowsky (Federasul), Paulo Vanzetto Garcia (Sinduscon), José Eduardo Cidade (Walmart) e Vagner Calvetti (Ipiranga), Anton Karl Biedermann e as presenças de Renato Gasparetto e Luiz Carlos Bohn”. Tropa de choque.

Eleito, Busnello declarou: “Vamos intensificar nosso relacionamento com o Executivo, com Legislativo e o Judiciário. Temos estudos e propostas sobre o futuro do Rio Grande do Sul que precisamos apresentar a todos os gaúchos”.

Apresentou-as a Sartori.

Será que o máximo de gaúchos quer o Estado mínimo?

Juremir Machado da Silva – Blogs – página 3 – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

06/02/2014

RBS não é tri nem legal

Filed under: Grupo RBS,Grupos Mafiomidiáticos — Gilmar Crestani @ 8:44 am
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Ontem um amigo meu me perguntou se tenho algo pessoal contra a RBS. Pessoal não, mas contra, sim. E vem do tempo em que eu era bancário. Tudo o que fazíamos aparecia ao contrário nas páginas da RBS. Foi na greve dos bancários que aprendi que nossa gloriosa imprensa brasileira usa dois instrumentos de trabalho: a lupa e o tapume. Tudo o que for contra a esquerda, os movimentos sociais e o PT, usa lupa para aumentar. Agora, os fatos desabonadores aos seus parceiros e correligionários usa tapume para esconder. Contra Olívio, lupa nas notícias ruins. A favor de Britto e Yeda, tapume para esconder as parcerias e falcatruas. E eles, seus ex-funcionários, fazem no público o que antes faziam na privada!

Pior de que isso só o fato de que Lasier Martins não possui dons divinos para ser meu orientador. Afinal, quem deu a ele autoridade moral para criticar ou elogiar alguém? Que méritos tem um grupo que brotou no esterco da ditadura e com ele se adubo? Quem deu início às empresas em paraísos fiscais? Notícia da Folha, em 1995, que guardei e reproduzo abaixo, mostrava as parcerias da Globo com a RBS num…. Paraíso Fiscal!

E são eles que orientam a manada alegando o custo Brasil, a alta carga tributária. Se repararmos bem, todos os que mais vociferam contra a carga tributária são os que mais sonegam. É defesa prévia!

Eis alguns alguns veículos da frota RBS.

RBS

A RBS é useira e vezeira em direcionar seus canhões contra os movimentos sociais. Em quase todos os momentos ficou contra qualquer reivindicação de movimentos populares. Em parceria com Carlos Sperotto, da FARSA do SUl, vivia atacando o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra. Qualquer magarefe com más intenções pode ocupar as latinha e destilar ódio contra movimentos populares.

Quantos carbúnculos a RBS inoculou no povo bovino do Sul? Desde Antonio Britto, que só venceu a parada contra Mendes Ribeiro (pai) para ser candidato a Governador, que trotou como cavalo do Comissário e, na estrebaria, entregou a CRT prostrado em preces à MECA. Mas a Telefônica pegou-os naquela posição e os enrabou.

Tivemos Sérgio Zambiasi, impoluto defensor da cadeiras de roda e das rodas  de cadeira da RBS. Lá também foi forjada a candidatura de Yeda Crusius, que conseguiu a proeza de ser ainda pior do que seu colega Britto. Não satisfeitos, enfiaram Ana Amélia Lemos goela abaixo da manda que pasta bovinamente pelas mãos da empresa que é ávida por todos os lados. Para auxiliar a ex-Miss Lagoa Vermelha, desovou Lasier Martins na barriga de aluguel do PDT.

A RBS é a mesma que, após ser salva com empréstimos camaradas pelo Banco do Brasil, acolheu, quando FHC foi apeado do Planalto, Pedro Parente. Uma das proezas dos prepostos da especulação imobiliária sugeriu a demolição do Mercado Público de Porto Alegre para a construção de um shopping. Aliás, certamente em substituição à frustrada tentativa de se apropriarem de toda área do Asilo Padre Cacique, durante o governo Yeda Cruisus.

Maiojama se ama, mama!

Merda na GloboA RBS foi a única empresa jornalística que, na democracia, teve seu principal jornal, Zero Hora, recolhido nas bancas por ter infringido as leis eleitorais com o único intuito de eleger o cavalo do comissário, Antonio Britto.

A RBS é colega de José Sarney e com ele divide as grades da Rede Globo. A mesma Rede Globo que exibe inúmeras parcerias com a RBS, inclusive a criação do Instituto Millenium.

No tempo em que a Folha almejava ser um jornal sério (bem antes da parceria que deu origem ao Jornal Valor Econômico) estampou em 14/07/1996, a seguinte manchete: “Globo registra empresa em paraíso fiscal”.

Globo & RBS Era um tempo em que eu assinava a Folha e comprava os CDs anual com todas as edições. Depois a Folha virou este lixo fermentado no ódio visceral a tudo que disser respeito à Lula e ao Partido dos Trabalhadores.

Guardo comigo inúmeros recortes de excelentes matérias estampadas pela Folha. Todas antes de 2002, quando a Folha naufragou no desejo de sufragar seu candidato ao Planalto. A partir da eleição de Lula, D, Judith Brito direcionou todas as baterias no sentido de detonar qualquer iniciativa do Governo Federal.

Os demais jornais e grupos de mídia, que no Brasil é controlado por não mais do que cinco famílias, passaram a adotar a Omertà como regra de conduta quando assuntos espinhosos envolvem negócios escusos entre os parceiros. O Instituto Millenium nasceu para exercer, e exerce, o papel de coordenador deste exército que ataque contínuo e sem trégua contra tudo o que disser respeito aos governos de esquerda. Que o diga o caso Proconsult… Um faz, os outros ou apóiam, ou silenciam, mas, depois da criação do Instituto Millenium, denunciam os erros dos outros.

Recentemente a Rede Globo foi pega sonegando mais de 600 milhões de reais. Nenhum dos associados do Instituto Millenium escreveu uma linha para denunciar. Quando explodiram os movimentos sociais em julho de 2013, surgido em Porto Alegre, contra as passagens de ônibus, o Instituto Millenium coordenou a posição dos grupos de mídia buscando capturarem os vários grupos para direciona-los na defesas de seus interesses. Tudo o que publicavam era no sentido de fazer crer que as manifestações se destinavam exclusivamente contra a corrupção federal. Aliás, a única corrupção que existe é a Federal. Está terminantemente proibido tratar de corrupção estadual ou municipal, com exceção se for em administrações de petistas ou de seus  parceiros ideológicos.

Por que a Veja não publicou até hoje um única capa a respeito dos desvios ocorridos em São Paulo, denunciados pelas empresa Alstom e Siemens? Simplesmente porque do outro lado do balcão estavam parceiros de batalha.

Apesar de todo esforço para capturarem os movimentos populares para direcionarem contra o governo federal ou contra a Copa, o que se viu foi que os funcionários destes grupos só podiam acompanhar as manifestações camuflados. E não foi mero acaso que jogaram merda sede da Globo, no Rio, e na sede de sua filial, a RBS, em Porto Alegre.

Instituto Milleniumj

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07/01/2014

Chopp aguado com má informação enriquece mais que trabalhar

glboNo Brasil, os mais ricos vendem chopp aguado, ou tem bancos para pressionar por mais juros. Em comum o fato de ambos financiarem ideologicamente o terceiro para que defendam o chopp aguado e o aumentos dos juros. A Rede Globo, que produz a terceira família mais rica, é também a que paga menos impostos. Coincidentemente, é a mesma que enriqueceu com a ditadura a quem deu sustentação. Mesmo tendo reconhecido que foi um erro, jamais pediu perdão nem devolveu os bens conseguidos com o apoio dos militares. Pelo contrário, é reconhecido como Rede Globo de Sonegação.

Em comum com outros bilionários da América Latina o uso da informação como mercadoria de enriquecimento. Mais do que nunca, informação é poder. E dinheiro…

Quem e quantos são os ricos na América Latina?

Na região há 111 multimilionários que superam 1 bilhão de dólares de patrimônio. Brasil lidera ranking de ultrarricos, que somam mais de 30 milhões

Alejandro Rebossio Buenos Aires 5 JAN 2014 – 15:43 BRST

Brasileiro Marcel Telles, número 113 na lista dos mais ricos.

Há diversas maneiras de estudar a concentração da riqueza na América Latina. Começamos pelo dado divulgado ontem pela agência de notícias Bloomberg sobre os 300 mais ricos do mundo, que em 2013 aumentaram sua fortuna em 381 bilhões de euros (1,230 trilhão de reais) graças à melhoria da maioria das bolsas. Vejamos quais são os maiores milionários da América Latina.

Entre os brasileiros, à frente está Jorge Paulo Lemann, número 34 no mundo, com fortuna avaliada em 22,3 bilhões de dólares. Acionista da cervejaria AB InBev, da rede de fast food Burger King e da fabricante de ketchup Heinz, no ano passado perdeu 2,4% de sua riqueza, enquanto caíam a Bovespa e a bolsa de outros países latino-americanos.

Outros brasileiros também estão na lista da Bloomberg: Joseph Safra (dono do Banco Safra), no posto 92, com 12,4 bilhões de dólares, 1,1% menos que no início de 2013; Marcel Telles (sócio de Lemann), no número 113, com 10,4 bilhões, 2,4% a menos; Carlos da Veiga (sócio de Lemann e Telles), no posto 138, com 8,9 bilhões, queda de 2,4%; João Roberto Marinho (Organizações Globo), no número 165, com 7,7 bilhões, retrocesso de 1,3%; José Roberto Marinho (Organizações Globo), no posto 166, com os mesmos dados que seu irmão; e Roberto Irineu Marinho (Organizações Globo), no número 177, com os mesmos dados de João e José Roberto. Já não aparece mais na lista o empresário Eike Batista, cujas empresas suspenderam pagamentos.

Pelo Chile está apenas Iris Fontbona, viúva de Andrónico Luksic, dona da holding Quinenco, com participações no Banco do Chile, na cervejaria CCU e na empresa armadora CSAV. Fontbona está em 61° na classificação global, com 15,3 bilhões, 0,8% a menos que há um ano. Há dois colombianos: Luis Carlos Sarmiento, no posto 51, com 16,4 bilhões, 1,6% a menos, proprietário do Grupo financeiro Aval, do jornal El Tiempo e da desenvolvedora imobiliária Construcciones Planificadas; e Alejandro Santo Domingo, no posto 79, com 13,3 bilhões, 2,2% a menos, acionista da cervejaria SABMiller, da holding Valorem, da Caracol Televisión, da rede Cine Colombia, da chilena CorpBanca e do banco brasileiro BTG Pactual.

E, claro, na lista também aparecem mexicanos. Carlos Slim está em segundo, atrás do norte-americano Bill Gates, com 72 bilhões. O dono da América Móvil, do grupo financeiro Inbursa, da mineradora Frisco e do Grupo Carso, com interesses na construção, e acionista da Philip Morris, do New York Times, das corporações de luxo Saks e da Caixabank, está agora 2,5% menos rico que há um ano. Alberto Bailleres figura em 58°, com 15,6 bilhões, 0,1% a mais, com o controle do Grupo Bal, com investimentos em mineração (Fresnillo, Industrias Penoles), seguros (Grupo Nacional Provincial, Profuturo) e lojas (Palácio de Hierro), e acionista da engarrafadora da Coca-Cola Femsa.

Desde a última crise de Wall Street, muitos cidadãos no mundo, e sobretudo nos EUA, protestaram contra este 1% da população global que domina a riqueza. Pois os pesquisadores Facundo Alvaredo, Anthony Atkinson, Thomas Piketty e Emmanuel Saez estão elaborando um banco de dados mundial sobre quantos rendimentos acumula esse 1%. Já têm informação de 27 países, incluídos dois latino-americanos: Argentina e Colômbia. No caso argentino, o 1% mais rico fica com 16,7% dos rendimentos. No colombiano, 20,4%.

O que acontece em outros países? A Austrália, 9,1%; o Canadá, 12,2%; a Dinamarca, 6,4%; a Finlândia, 7,6%; a França, 8%; A Alemanha, 12,7%; a Índia, 8,9%; a Indonésia, 8,4%; a Irlanda, 10,5%; a Itália, 9,3%; o Japão, 9,5%; a Malásia, 9,3%; as ilhas Maurício, 7%; a Holanda, 6,3%; a Nova Zelândia, 7,3%; a Noruega, 7,9%; Portugal, 9,7%; Cingapura, 13,8%; a África do Sul, 16,6%; a Espanha, 8,2%; a Suíça, 10,5%; a Suécia, 7%; o Reino Unido, 12,5%; os EUA; 19,3%; e a China, 5,8%. Isto é, dos países analisados, a Colômbia é o de maior concentração dos rendimentos, seguido por EUA e Argentina.

Na América Latina há 111 multimilionários que superam 1 bilhão de dólares de patrimônio. Mas também há muitos ricos com mais de 30 milhões, os considerados ultrarricos, segundo a classificação da consultora Wealth-X e do banco UBS. Nunca houve tantos ultrarricos no mundo como em 2013, segundo o último boletim. Mas assim como houve uma leve queda patrimonial dos mais afortunados da região, também caiu nesse ano a população latino-americana com mais de 30 milhões. As baixas anuais da Bovespa e das bolsas da Cidade do México, de Santiago e de Lima, entre outras, explica as perdas, assim como a desvalorização das principais moedas, do real ao peso mexicano, argentino, chileno e colombiano, passando pelo bolívar venezuelano e pelo sol peruano. A desaceleração econômica ainda arranhou suas riquezas.

País Ultrarricos Patrimônio total (bilhões de dólares)
Brasil 4.015 770
México 3.365 445
Argentina 1.110 150
Colômbia 635 80
Chile 515 65
Peru 470 60
Venezuela 435 55
Equador 265 30
Rep. Dominicana 250 30
Guatemala 245 30
Honduras 215 30
Bolívia 205 25
Nicarágua 200 27
Paraguai 175 25
El Salvador 150 20
Uruguai 120 17
Panamá 115 16
Costa Rica 100 14
Cuba 45 6

Entre 2012 e 2013, o número dos grandes milionários cresceu na maioria dos países latino-americanos, com a exceção do Brasil (-13,5%), da Colômbia (-8%), do Chile (-6,4%), do Peru (-16,8%) e de Cuba (0%). Onde mais aumentou a quantidade em termos percentuais foi na Costa Rica (17,6%), no Panamá (9,5%) e na Argentina (6,7%).

01/01/2014

Jeitinho brasileiro

glboO jeitinho brasileiro só é pejorativo quando usado pelo outro. Se usado por nós, não é jeitinho, mas legítima defesa. Taí a Ação 470 para provar o que estou escrevendo. Quando os partidos da mídia usam o Caixa 2 para resolver problemas do caixa partidário, é Caixa 2. Quando o PT usa, é mensalão. Quando um pobre faz um gato de luz, é bandido. Quando o Ministro Presidente do STF cria uma empresa, Assas JB Corp., para comprar um apartamento de U$ 10 (dez!) dólares com o único fito de fugir do fisco, ninguém dá a menor pelota. Quando uma empresa usa outra em paraísos fiscais para não pagar o fisco, como fez a Globo em relação aos direitos de transmissão da Copa de 2002, não há repercussão e tratam apenas como jeitinho.

O polêmico ‘jeitinho’ brasileiro

Custa mais aos brasileiros do que aos argentinos sair às ruas para protestar, por exemplo.

Juan Arias 30 DEZ 2013

Os brasileiros possuem uma característica especial que poderia ser mal interpretada no exterior: parecem feitos de borracha. Explico: por exemplo, é difícil ficar bravo com um brasileiro. Nós, espanhóis, ao contrário, ficamos com raiva na primeira oportunidade e soltamos logo um: "E você pior ainda." O espanhol vai direto ao ponto. O brasileiro prefere a curva.

Custa mais aos brasileiros do que aos argentinos sair às ruas para protestar, por exemplo. Falta de caráter, como dizem alguns, ou antes sabedoria?

O jeitinho brasileiro, essa fórmula mágica e criativa para resolver os problemas cotidianos daqueles que não têm acesso ao poder, sempre me pareceu mais próxima a uma criatividade ancestral do que a uma incapacidade de querer encarar as coisas legalmente.

Muito se denegriu esse jeitinho, que na verdade não é nada mais do que, como escreveu alguém, a "saída para uma situação sem saída" e, portanto, com grandes doses de engenho que, segundo Sérgio Buarque de Holanda, é o que cunhou o brasileiro como "o homem cordial", que procura sempre agradar e que não aceita o impossível.

Talvez quem melhor tenha defendido o tão vilipendiado jeitinho brasileiro tenha sido a filósofa Fernanda Carlos Borges em sua obra A Filosofia do Jeito. Segundo ela, esse modo característico de conduta sobretudo do brasileiro pobre, mas que também contaminou os ricos, "não é a consequência de um atraso", como sempre foi dito, mas algo que antes revela "um critério ético e uma axiologia sobre um modo de ser no mundo que aceita a participação do imprevisível, da fragilidade, da afetividade e da invenção dentro da organização".

De fato, apenas quem sofreu durante séculos a força da opressão colonial, a herança maldita de uma escravidão que foi a última a desaparecer do globo (em 1888), cujos escravos foram abandonados à sua sorte, ou o que sofreu sobre seus ombros o peso de uma desigualdade sangrenta que ainda hoje é das maiores do mundo, é capaz de inventar esse jeitinho que de alguma forma o alivia das angústias cotidianas.

Os que sofreram uma contenda sangrenta sabem muito bem o que significa fazer economia de guerra, conformar-se com o essencial, procurar saídas à necessidade e inclusive à fome que só os que já sofreram são capazes de explicar. E só esses podem sentir melhor a sensação de redenção quando a fome começa a desaparecer.

Eu me lembro que, já adulto, depois de ter sofrido como criança as garras da Guerra Civil espanhola, eu continuava sonhando com um forno do qual saia um pão quente, máximo objeto de desejo nunca totalmente satisfeito em meus dias e noites de fome.

Os brasileiros mais pobres, que foram sempre maioria, aos quais não restava outra tábua de salvação senão o jeitinho, não podem hoje ser acusados de resignados por não se rebelar quando o poder ainda continua lhes negando às vezes até mesmo o essencial, como o viver numa sociedade com igualdade de direitos, onde se lhes conceda a todos o que precisam para ser cidadãos com dignidade.

Poderiam sair às ruas, como em outros lugares, dispostos a derrubar o poder de turno; poderiam aliar-se massivamente à desobediência civil. Há quem preconize, de fato, com uma imagem dura, que toda essa massa de pobres que se amontoa nas favelas ou vive na marginalidade, com salários que para Europa seriam ainda de fome, poderiam sair um dia de suas tocas e, como um exército de ratos vindos dos esgotos, ocupar a cidade rica, a dos privilegiados, a daqueles que não precisam de jeitinho para sobreviver porque lhes sobram recursos e apoios políticos e judiciais.

Não o farão porque os brasileiros levam em seu DNA a sabedoria de que é melhor "um pássaro na mão do que muitos voando".

E é esse pássaro na mão o que lhes dá hoje a sensação de estar melhorando, embora ainda submersos na classe do andar de baixo. O salário mínimo, com o qual qualquer político morreria de fome, é pouco, mas hoje, com seus pequenos aumentos anuais, é suficiente para que os que nunca tiveram nada possam começar a sonhar. Era o pedaço de pão duro que minha mãe me dava, que em espanhol tem um nome muito sonoro e depreciativo: mendrugo, aquele que se dava aos mendigos. Às vezes o mendrugo vinha acompanhado de um pedaço de toicinho, cujo colesterol hoje nos assusta mas que então era uma festa. Não sabíamos o que era o pernil que meu pai vendia quando matávamos o porco, para poder comprar remédios.

É possível que os brasileiros, pouco a pouco, como ocorreu nas manifestações de junho passado, comecem a tomar consciência, cada vez com mais força, de que melhor do que o jeitinho seria poder atuar como cidadãos com plenos direitos e deveres numa sociedade em que a lei funcione para todos.

Será, porém, um longo caminho. Hoje, dentro da realidade atual, com uma classe média que transladada à Europa ou aos EUA seria qualificada ainda como pobre, as pesquisas revelam, entretanto, que 68% dos brasileiros acreditam que seus filhos viverão melhor do que eles.

Isso me lembra o que os meteorologistas dizem sobre a temperatura ambiente, quando distinguem entre a temperatura real e a sensação térmica de frio ou calor, que pode ser muito diferente.

O brasileiro pobre sofreu tantos desencantos, tantas opressões por parte do poder, lhe foram oferecidas tão poucas oportunidades de sair do túnel da pobreza real, que hoje ele se agarra com facilidade e até com alívio a essa "sensação" de que as coisas estão melhorando, mais do que à sua realidade concreta.

É o que noto cada vez que me encontro e converso com essas pessoas da classe baixa. Elas inclinam a cabeça quando são lembradas dos abusos, da corrupção, da falta de decoro e sensibilidade daqueles que os governam desde a prefeitura da cidade até o mais alto poder, com um presidente do Senado, por exemplo, viajando de avião oficial às custas dos contribuintes, para fazer um transplante de cabelo. E explicam; "Nós sabemos muito bem disso, mas sempre foi assim". E perguntam: "E outros fariam diferente e melhor?", lembrando talvez que foram sempre enganados por todos. A história lhes ensinou de fato que os poderosos sempre usaram e abusaram de seu poder em proveito próprio.

Mas logo eles olham em volta e vêm estacionado na porta da sua casa o carrinho que sempre viram como um sonho proibido para eles, ou a sua mulher curtindo a novela numa televisão que puderam comprar a prazo e que é, inclusive, igual à do seu patrão, ou vêm com orgulho a filha frequentando uma faculdade online, embora continue trabalhando como faxineira.

Acham que isso lhes basta? Sabem muito bem que não; e à sua maneira continuarão lutando para que o forno de pão continue aceso e possam continuar comendo cada vez melhor, até iogurte, que era um sonho proibido como o pernil da minha infância.

E, por enquanto, na esperança de que essa corrente de melhorias que se inaugurou continue seu curso, põem em jogo a sabedoria de seus antepassados de que o melhor é não pedir ainda o impossível para não cair na armadilha de perder o possível. É um jeito de agir.

Os brasileiros não parecem inclinados a revoluções radicais e violentas talvez porque uma experiência de séculos e de povos vizinhos, lhes tenha ensinado que, no final, os poderosos saem sempre mais fortes delas e eles mais pobres e humilhados.

Não por acaso, apareceu numa sondagem nacional uma cifra quase cabalística que traz os políticos na cabeça: 66% dos cidadãos pede mudanças, mas ao mesmo tempo, a pessoa que está no poder dirigindo os destinos da nação, a presidenta Dilma Rousseff, aparece como favorita absoluta para as próximas eleições, enquanto que a oposição, que poderia hipoteticamente mudar a situação e fazer essas mudanças, não cresce nem é, de momento, objeto de grandes ilusões.

É como se dissessem: queremos mais, queremos melhor, mas preferimos que as coisas não se rompam totalmente, que continuem melhorando com segurança. Que haja mudanças, mas que sejam feitas pelos que já começaram a nos dar pão quente e algumas das outras coisas que sempre invejamos dos ricos.

Por isso, nem sequer nos inesperados protestos de junho, os brasileiros exigiram uma revolução, nem uma mudança de regime político, nem uma nova Constituição. Pediram apenas maior respeito por seus direitos e uma distribuição mais justa dessas riquezas que um país como o Brasil possui de modo privilegiado e que dariam para que todos pudessem viver numa casa digna de seres humanos, sem que as primeiras chuvas a arrastem como um papel de fumar; para poder se locomover em transportes públicos que não pareçam mais adequados para gado do que pessoas; ou que seus filhos possam estudar em escolas que não estejam classificadas entre as piores do mundo, ou poder se tratar em hospitais decentes sem meses de espera, o que hoje é privilégio de uns poucos.

De borracha? Incapazes de se indignar como eu mesmo cheguei a escrever neste jornal? Um dia a história nos revelará que os brasileiros, em sua aparente incapacidade para reagir diante da corrupção e da injustiça, o que mostram é uma grande capacidade de sabedoria e pragmatismo.

Uma sabedoria, entretanto, que os responsáveis políticos, os que hoje usam e abusam tantas vezes da paciência dos cidadãos, devem tratar com respeito, já que, do contrário, essa sabedoria poderia se revelar um vulcão que eles acreditavam definitivamente extinto, quando na verdade estava em erupção. E como alguém escreveu há séculos nada é mais perigoso e revolucionário do que "a ira dos mansos".

E junho volta a estar ali na esquina. E as ruas poderiam novamente se encher de descontentes. E, desta vez, se ocorresse, talvez já não víssemos o slogan que percorreu o mundo e que dizia: "Éramos infelizes felizes e não sabíamos". Hoje, os sábios e jeitosos brasileiros sabem que lhes falta muito ainda para serem verdadeiramente felizes e cidadãos de primeira categoria. Por isso, não lhes bastará ganhar a Copa do Mundo. Querem poder jogar e ganhar com outras bolas e em outros estádios. E querem fazê-lo de outro "jeito", exigindo aquilo que de verdade lhes pertence e que o poder lhes foi sistematicamente negando.

O polêmico ‘jeitinho’ brasileiro | Opinião | Edição Brasil no EL PAÍS

30/07/2013

Cadê o bando de PECoras?

Enquanto o MP brincava de defender a liberdade de investigação, derrubando a PEC 37, o mascote da turma comprava apartamento por “dereals” em Miami…  A teoria do domínio do fato perdeu a validade? E o pessoal que se dizia contra “isso TUDO”, mostrou-se a favor disso tudo. O braço armado de código e constituição dos golpistas fica nu, e seus seguidores acham melhor fechar os olhos para negar o óbvio. O pior cego é o que, vendo, não desvenda porque está à venda. E se tivesse sido o José Dirceu que tivesse comprado um apartamento, não digo em Cuba ou Caracas, mas em Miami? E se tivesse sido o Lula? Os moralistas estão de dedo em riste para apontar a imoralidade alheia agora se obrigam a chupar o mesmo dedo… para não dizer algo ainda mais nojento! Pécora, para quem não sabe, são ovelhas, da manada conduzida pela Rede Globo de Sonegação.

Joaquim Barbosa afronta igualdade republicana

:

Em artigo exclusivo para o 247, Breno Altman fala sobre as ilegalidades cometidas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, na compra do seu apartamento em Miami, por meio de uma offhore que usou como sede o apartamento funcional que ele ocupa. "O pior, porém, não é seu comportamento de oligarca, pois é comum, na história pátria, que supostos varões de Plutarco construídos pela velha mídia se desfaçam como bonecos de cera e reajam com petulância imperial", diz ele. "Grave mesmo é a omissão, até agora, da Procuradoria-Geral da República e de outros entes responsáveis pela fiscalização de ministros togados"; leia a íntegra

30 de Julho de 2013 às 14:08

Por Breno Altman, especial para o 247

O caput do artigo quinto da Constituição brasileira é insofismável: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.” Mas não é o que pensa, a seu próprio respeito, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa.

Diante de informações de que havia adquirido apartamento em Miami através de empresa da qual é titular, a Assas JB Corp, eventualmente violando o Estatuto do Servidor Público e a Lei Orgânica da Magistratura, não se ouviu da maior autoridade judiciária do país um pedido para que fosse imediatamente investigado.

Barbosa reagiu com arrogância típica dos que consideram ter salvo-conduto diante da lei. “No domingo passado, houve uma violação brutal da minha privacidade”, declarou à jornalista Miriam Leitão, em entrevista publicada porO Globo. “O jornal se achou no direito de expor a compra de um imóvel modesto nos Estados Unidos.”

Pouco lhe importa que a questão em tela não seja o que faz com o seu dinheiro, mas a quebra de regras republicanas das quais deveria ser o principal guardião. Manteve-se em silêncio mesmo diante da denúncia de que a sede de sua empresa de fachada é o apartamento funcional que ocupa em Brasília, desrespeitando o decreto 980, de 1993, que proíbe a utilização desse tipo de imóvel para fins comerciais.

Talvez desejoso de aplicar vacina à escalada de revelações que lhe desnudam, o presidente do STF resolveu atirar contra veículos de imprensa que não aceitam sua soberba. “Nos últimos meses, venho sendo objeto de ataques também por parte de uma mídia subterrânea, inclusive blogs anônimos”, afirmou. “Eu me permito o direito de aguardar o momento oportuno para desmascarar esses bandidos.”

O pior, porém, não é seu comportamento de oligarca, pois é comum, na história pátria, que supostos varões de Plutarco construídos pela velha mídia se desfaçam como bonecos de cera e reajam com petulância imperial. Grave mesmo é a omissão, até agora, da Procuradoria-Geral da República e de outros entes responsáveis pela fiscalização de ministros togados.

Também na imprensa conservadora, com honrosas exceções, um manto de proteção recobre as peraltices do herói de capa que forjaram para a lide contra o PT e seus líderes históricos. Basta comparar, por exemplo, com o tratamento conferido a parlamentares ou governantes que usam indevidamente jatinhos públicos para seu deslocamento e de familiares.

A cumplicidade com os malfeitos de Barbosa, neste caso, não é proporcional à relevância de sua função constitucional. Ao contrário de deputados ou senadores, ou de mandatários do poder executivo, a última instância de controle sobre os hierarcas da Justiça é a própria instituição presidida pelo suspeito de irregularidades. Esse fato deveria ser suficiente para redobrar o rigor na apuração das contravenções elencadas, tanto entre os meios de comunicação quanto no âmbito do Estado.

Agrava-se o quadro comparativo se lembrarmos que o posto ministerial não está submetido ao escrutínio popular, além de sua titularidade se esgotar apenas em razão de idade. Boas práticas republicanas exigem, portanto, que o chefe da corte suprema seja tratado sem qualquer tipo de contemporização, para o bem da democracia.

A lassidão que se assiste pode ter explicação na proximidade do julgamento de embargos relativos à Ação Penal 470, o chamado “mensalão”. Advogados de defesa, como se sabe, denunciam ocultação e malversação de provas durante o processo, entre outros graves erros. Vários ministros do STF estariam atentos a essas alegações. Tudo o que não desejam os padrinhos midiáticos de Barbosa é vê-lo chegar enfraquecido ao desfecho do caso.

Vale igualmente lembrar que não são poucos os que vinham flertando com a ideia de alavancar o mais novo proprietário de imóveis da Flórida à Presidência da República. Muito tempo e dinheiro foi gasto, afinal, para fabricar a versão moderna e digital de mais um caçador de marajás, agora a serviço da luta incessante contra os partidários de Lula e Dilma. Os investidores nesse projeto preferem ver a República de joelhos a testemunhar seus ativos políticos desmanchando no ar.

Breno Altman é jornalista, diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel

Joaquim Barbosa afronta igualdade republicana | Brasil 24/7

28/07/2013

Ombudsman dos grupos mafiomidiáticos

A OMBUDSMAN da Folha, mais uma vez, faz silêncio sobre o silêncio que os a$$oCIAdos do Instituto Millenium, numa espécie de Omertà, fazem sobre os escândalos de sonegação da Rede Globo. O compadrio entre os membros do Instituto Millenium é a verdadeira medida de como agem estes grupos empresariais na hora em que um dos membros é pego com a mão leve no erário público. Criticar a água no feijão é fácil, botar a mão no fogo é algo que existe um pouco mais de honestidade.

SUZANA SINGER ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsmanfacebook.com/folha.ombudsman

Papa, P2 e os ninjas

Folha não investe em denúncias surgidas na rede e fica para trás na cobertura da visita de Francisco

A melhor resposta aos que vaticinam a morte da grande imprensa, que estaria prestes a ser substituída pelas redes sociais e pela mídia alternativa, é o bom jornalismo.

Foi isso que a Globo fez nesta semana durante a cobertura da visita do papa Francisco ao Brasil. O clima de "Aleluia, o santo padre está entre nós" imperou, mas não impediu o "Jornal Nacional" de mostrar, com contundência, os problemas de organização que submeteram os peregrinos a um calvário no Rio.

Não faltou espaço também para desmontar a versão oficial sobre um dos presos no confronto entre manifestantes e policiais, que se travou na frente do Palácio Guanabara, na noite de segunda-feira.

Reportagem no "JN" mostrou que o manifestante que ficou mais tempo preso não tinha sido flagrado com coquetel-molotov, como alega a polícia. Bruno Ferreira Teles, o detido, pediu ao Mídia Ninja, grupo alternativo que transmite os protestos pela rede, que buscasse vídeos que provassem sua inocência.

Quem fez isso foi a Globo: conseguiu pegar o inquérito, no qual um PM diz que o rapaz não estava com explosivos quando foi preso, e editou imagens, feitas pela emissora e por amadores, que mostravam o momento da captura de Bruno.

Parecia um recado da TV, que vem sendo alvo dos protestos que tomaram as cidades brasileiras: "Não precisa de mídia alternativa para questionar as autoridades".

Na terça-feira, o "JN" já havia citado a acusação, que surgiu nas redes sociais, de que um policial infiltrado entre os manifestantes teria jogado o primeiro coquetel-molotov.

O assunto despertou a atenção também do "New York Times", que publicou, em seu site, uma grande reportagem em que comparava uma dúzia de vídeos, além de fotos, na tentativa de esclarecer a participação dos agentes infiltrados (http://migre.me/fBtD7).

Por causa da Globo, do "NYT" e das redes sociais, a polícia do Rio assumiu que usa "P2" (policiais sem farda dispersos na multidão), mas negou que esses homens tenham participado de atos de vandalismo.

Enquanto isso, a Folha comeu poeira. Fez uma boa apresentação da visita papal, com uma pesquisa que registrou a diminuição no número de católicos no país, publicada no domingo passado, mas foi lenta quando a festa de fato começou.

O jornal só foi dar o devido destaque aos problemas de infraestrutura no Rio na sexta-feira, quando o campo de Guaratiba, enlameado, foi descartado para os eventos da Jornada Mundial da Juventude.

Faltou também atenção à celeuma em torno da prisão dos manifestantes. O jornal parece não ter levado a sério as denúncias que surgiram na internet.

Não dá mais para cobrir os protestos à moda antiga, contando apenas com o que os seus repórteres viram, a versão da polícia e as imagens das grandes emissoras. Além do Ninja (sigla de Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), há centenas de filmagens feitas por manifestantes, que mostram a mesma cena em "n" versões.

É preciso levar em conta essas novas fontes de informação -sempre com um olhar crítico, já que a maior parte dessa produção é disponibilizada na internet para confirmar teses pró-ativistas (no caso do Rio, tentar provar que a violência parte da própria polícia).

No momento, blogs e redes sociais não têm capacidade nem qualidade para tomar o lugar da mídia convencional, mas servem de agente provocador. Desafiada, a imprensa convencional precisa repensar seu jeito de trabalhar e mostrar jornalismo de qualidade.

O Folhateen sumiu de vez

O jornal sumiu com o que havia sobrado do caderno "Folhateen". A página semanal, que saía às segundas-feiras na "Ilustrada", não foi publicada na semana passada e não voltará. Ronaldo Lemos, que escrevia a coluna "Internets", será alojado no "Tec". O destino dos quadrinhos que eram publicados na mesma página não foi decidido.

Eliminar seção não é bom, mas reza a etiqueta, deve-se ao menos avisar o leitor.

23/07/2013

Só teremos políticos, educação e saúde igual à Noruega quando tivermos a mesma carga tributária

No futebol, o jogador que levanta a mão em direção ao bandeirinha para pedir o impedimento do adversário que fez o gol, é exatamente aquele que deu condições. O replay da tv mostra sempre exatamente isso. É o caso dos que se dizem roubados pela alta carga tributária. São os sonegadores e, ao mesmo tempo, os que mais exigem do Estado, que vituperam contra a alta carga tributária. O impostômetro é a melhor obra, e única, dos impostores. Veja quem são os maiores sonegadores se não são os que mais reclamam da alta carga tributária. Resumindo, todo aquele que reclama da alta carga tributária é um contumaz sonegador. Cadeia nele, pois não se trata de ser alta ou baixa, se trata de lei, e quem infringe a lei é crimoso!

A falácia da ‘alta’ carga tributária do Brasil

Paulo Nogueira 22 de julho de 2013

Por trás da campanha antifisco das empresas de mídia se esconde a vontade de pagar ainda menos impostos.

Otávio Frias Filho, dono da Folha

Estava na Folha, num editorial recente.

A carga tributária brasileira é alta. Cerca de 35% do PIB. Esta tem sido a base de incessantes campanhas de jornais e revistas sobre o assim chamado “Custo Brasil”.

Tirada a hipocrisia cínica, a pregação da mídia contra o “Custo Brasil” é uma tentativa de pagar (ainda) menos impostos e achatar direitos trabalhistas.

Notemos. A maior parte das grandes empresas jornalísticas já se dedica ao chamado ‘planejamento fiscal’. Isto quer dizer: encontrar brechas na legislação tributária para pagar menos do que deveriam.

A própria Folha já faz tempo adotou a tática de tratar juridicamente muitos jornalistas – em geral os de maior salário – como PJs, pessoas jurídicas. Assim, recolhe menos imposto. Uma amiga minha que foi ombudsman era PJ, e uma vez me fez a lista dos ilustre articulistas da Folha que também eram.

A Globo faz o mesmo. O ilibado Merval Pereira, um imortal tão empenhado na vida terrena na melhora dos costumes do país, talvez pudesse esclarecer sua situação na Globo – e, transparentemente, dizer quanto paga, em porcentual sobre o que recebe.

A Receita Federal cobra uma dívida bilionária em impostos das Organizações Globo, mas lamentavelmente a disputa jurídica se trava na mais completa escuridão. Que a Globo esconda a cobrança se entende, mas que a Receita Federal não coloque transparência num caso de alto interesse público para mim é incompreensível.

A única vez em que vi uma reprovação clara em João Roberto Marinho, acionista e editor da Globo, foi quando chegou a ele que a Época fazia uma reportagem sobre o modelo escandinavo. Como diretor editorial da Editora Globo, a Época respondia a mim. O projeto foi rapidamente abortado.

Roberto Irineu Marinho, presidente da Globo

Roberto Irineu Marinho, presidente da Globo

Voltemos ao queixume do editorial da Folha.

Como já vimos, a carga tributária do Brasil é de 35%. Agora olhemos dois opostos. A carga mais baixa, entre os 60 países que compõem a prestigiada OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, é a do México: 20%. As taxas mais altas são as da Escandinávia: em redor de 50%.

Queremos ser o que quando crescer: México ou Escandinávia?

O dinheiro do imposto, lembremos, constrói estradas, portos, aeroportos, hospitais, escolas públicas etc. Permite que a sociedade tenha acesso a saúde pública de bom nível, e as crianças – mesmo as mais humildes — a bom ensino.

Os herdeiros da Globo – os filhos dos irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto – estudaram nas melhores escolas privadas e depois, pelas mãos do tutor Jorge Nóbrega, completaram seu preparo com cursos no exterior.

A Globo fala exaustivamente em meritocracia e em educação. Mas como filhos de famílias simples podem competir com os filhos dos irmãos Marinhos? Não estou falando no dinheiro, em si – mas na educação pública miserável que temos no Brasil.

Na Escandinávia, a meritocracia é para valer. Acesso a educação de bom nível todos têm. E a taxa de herança é alta o suficiente para mitigar as grandes vantagens dos herdeiros de fortunas. O mérito efetivo é de quem criou a fortuna, não de quem a herdou. A meritocracia deve ser entendida sob uma ótima justa e ampla, ou é apenas uma falácia para perpetuar iniquidades.

Recentemente o site da Exame publicou um ranking dos 20 países mais prósperos de 2012 elaborado pela instituição inglesa Legatum Institute. Foram usados oito critérios para medir o sucesso das nações: economia, empreendedorismo e oportunidades, governança, educação, saúde, segurança e sensação de segurança pessoa, liberdade pessoal e capital social. A Escandinávia ficou simplesmente com o ouro, a prata e o bronze: Noruega (1ª), Dinamarca (2ª) e Suécia (3ª).

Se quisermos ser o México, é só atender aos insistentes apelos das grandes companhias de mídia. Se quisermos ser a Escandinávia, o caminho é mais árduo. Lá, em meados do século passado, se estabeleceu um consenso segundo o qual impostos altos são o preço – afinal barato – para que se tenha uma sociedade harmoniosa. E próspera: a qualidade da educação gera mão de obra de alto nível para tocar as empresas e um funcionalismo público excepcional. O final de tudo isso se reflete em felicidade: repare que em todas as listas que medem a satisfação das pessoas de um país a Escandinávia domina as posições no topo.

O sistema nórdico produz as pessoas mais felizes do mundo.

A Escandinávia é um sonho muito distante? Olhemos então para a China. À medida que o país foi se desenvolvendo economicamente, a carga tributária também cresceu. Ou não haveria recursos para fazer o extraordinário trabalho na infraestrutura – trens, estradas, portos, aeroportos etc – que a China vem empreendendo para dar suporte ao velocíssimo crescimento econômico.

Hoje, a taxa tributária da China está na faixa de 35%, a mesma do Brasil. E crescendo. Com sua campanha pelo atraso e pela iniquidade, os donos da empresa de mídia acabam fazendo o papel não de barões – mas de coronéis que se agarram a seus privilégios e mamatas indefensáveis.

Leia mais: A concentração na mídia é um mal para a democracia

Leia mais: Começa o cerco contra a evasão fiscal das grandes empresas.

A Noruega foi eleita a nação mais desenvolvida do mundo

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O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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