Ficha Corrida

30/01/2011

Sirotsky: – O buraco é mais embaixo!

Filed under: RBS — Gilmar Crestani @ 10:29 am
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11/11/2010

Instituto Millenium: toda a democracia que o dinheiro pode comprar!

Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 10:13 am
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Seminário sobre liberdade de expressão reunirá em São Paulo a nata da plutocracia. O interessante é que o Instituto que o promove tem o mesmo nome de uma conceituada casa de prazeres

Gilberto Maringoni

Acabou o carnaval, mas a festa continua. Vem aí, gente, o Fórum Democracia e liberdade de expressão, promovido pelo Instituto Millenium . O acontecimento será no dia 1º de março, no Hotel Golden Tulip, na capital paulista. A inscrição é uma pechincha: R$ 500 por cabeça.
A lista de palestrantes é de primeira. Lá estarão o dr. Roberto Civita (Abril), o ministro Hélio Costa (Globo), Marcel Granier (dono da RCTV, famosa por tramar e propagar o golpe de 2002 na Venezuela), Demétrio Magnoli (venerando Libelu de direita, que está decidindo se o melhor é ser contra a política de cotas ou contra a política de quotas), Denis Rosenfield (entidade do folclore gaúcho que ainda não tomou conhecimento do fim da Guerra Fria), Arnaldo Jabor (o espirituoso), Carlos Alberto Di Franco (dirigente da organização democrática Opus Dei), Marcelo Madureira (humorista neocon), Reinaldo Azevedo (claro!), Roberto Romano (ético ao quadrado) e os modernos deputados Fernando Gabeira e Miro Teixeira.
Intelectuais de programa
O Instituto Millenium veio para ficar. Foi fundado em 2005, no Rio de Janeiro. Não se sabe se tem algo a ver com o conceituado Café Millenium, estabelecimento classe A, onde gente de primeira ia buscar diversões, digamos, adultas até julho de 2007, no bairro do Ipiranga, em São Paulo. O Café Millenium não escondia seu negócio. O slogan era “Sua noite de primeiro mundo”. Com belíssimas garotas a excitar a imaginação e a ação de senhores de fino trato, vendia o que anunciava. Deve-se à fúria moralizante do prefeito Gilberto Kassab – um “Jânio sem alcool”, na genial definição de Xico Sá – o fechamento desta e de outras instituições semelhantes, nos tempos em que as enchentes não eram preocupação de um alcaide movido a reeleição.
No site do Instituto Millenium não há nenhuma informação sobre o paradeiro do Café. Os proprietários devem ter feito alguns arranjos aqui e ali, para não dar muito na vista e resolveram tocar o pau. Para manter o embalo dia e noite, aparentemente já contrataram alguns intelectuais de programa, vários articulistas que não estão no mapa, inúmeros jornalistas de vida fácil e go-go-oldies. Discrição total. O distinto senhor ou senhora comprometida pode ir sem medo, que é todo mundo limpinho, o ambiente está aparelhado para experiências das mais exóticas. Há estacionamento e os acompanhantes falam inglês e são educados.
O tal do fórum
O máximo do prazer será a atração deste início de março, o Fórum Democracia e liberdade de expressão. Entre os apoiadores do evento, sempre segundo o site do Millenium, estão a Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional dos Jornais (ANJ), entidades que envolvem a Globo, o SBT, a Record, a Folha de S. Paulo, o Estado de S. Paulo, a RBS e outras empresas que decidiram boicotar a I Conferência Nacional de Comunicação, numa demonstração de forte apreço pela democracia. Figura lá, além do Instituto Liberal, um sensacional Movimento Endireita Brasil (MEB), cujo nome diz tudo.
A Carta de Princípios do Café, digo Instituto, é das mais edulcoradas. Entre tantos pontos, está lá: “promover a democracia, a economia de mercado, o estado de direito e a liberdade”. Assim, o mercado, quase como sinônimo de democracia. Mais adiante são enunciados seus valores e princípios: “o direito de propriedade, as liberdades individuais, a livre iniciativa, a afirmação do individualismo, a meritocracia, a transparência, a eficiência, a democracia representativa e a igualdade perante a lei”. Jóia! Vamos todos aderir!
Entre os conselheiros “de governança” e mantenedores está a fina flor da sociedade brasileira. Entre outros, figuram João Roberto Marinho (vice-presidente das Organizações Globo), Jorge Gerdau Johannpeter, Roberto Civita (Abril) e Washington Olivetto (presidente da W/Brasil). Já no Conselho Editorial está o sempre alerta Eurípedes Alcântara (diretor da redação de Veja) e no Conselho de Fundadores e de Curadores está ninguém menos que Pedro Bial, o grande comandante do programa cultural Big Brother Brasil, um modelo do que se pode fazer com a liberdade de expressão às mancheias. Coroando tudo está o Gestor do Fundo Patrimonial, Dr. Armínio Fraga, que dispensa maiores apresentações.
Com o empenho do Café, digo do Instituto Millenium, a democracia e a liberdade de expressão passam a ser mais valorizadas no Brasil. Por baixo, por baixo, a valorização deve ser de 500% em fundos off shore.
Todos dia 1º. de março ao Millenium, gente. A sua noite – ou dia – de primeiro mundo!
Em tempo: Não se sabe ainda se os antigos proprietários do Café Millenium entrarão na Justiça contra os mantenedores do Instituto Millenium. A ação se daria não apenas por plágio, mas por comprometer o bom nome do Café em uma possível volta ao mercado.

Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

04/12/2009

Sabujos e Toupeiras

Filed under: Cosa Nostra — Gilmar Crestani @ 9:55 am
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Circo... Vicioso

Nelson Sirotsky & William Bonner

              Os sabujos são os alpinistas de elevador, ascendem levados por outros e com a energia paga por terceiros. Para isso rastejam, ajoelham e se viram a quem possa, servindo, servir-se. Já as toupeiras, sem querer ofender o animal, são toscas, e tem no gozo dos outros o próprio êxtase. Se estiver sofrendo, melhor. É o idiota perfeito para a Síndrome de Estocolmo. São descartáveis, como ratos de laboratório, úteis e baratos. Um simples jantar num ambiente mais refinado que um bandejão tornam-nos escravos de qualquer Marques de Sade.
              Em comum, sabujos e toupeiras dividem o mesmo habitat. Sabujos e toupeiras se proliferam melhor sob o chicote dos coronéis eletrônicos. O patronato da mídia os atrai mais que lâmpada as mariposas. Qualquer idiota identifica os toupeiras e os sabujos: são eles que chamam as pessoas identificadas com a esquerda, de esquerdistas, e na linha seguinte dizem que não existem mais esquerda e direita. Só para se eximirem de chamar os à direita de direitistas. Os que não são de esquerda, não têm ideologia, pois a única ideologia existente hoje é a de esquerda. Aqueles que não tem ideologia fizeram estudos no exterior, detestam cotas e, em falando mal da esquerda, dispõe de espaço na mídia. Tem no Estado o pior inimigo, o grande responsável pelo impostos que não pagam mas que financia, através de isenção ou empréstimo eternamente renováveis, desde piscina até estrada vicinal à chácara. Defendem a privatização da Corsan e do DMAE, do Banco do Brasil e da Petrobrás, mas apresentam projetos de lei que proíbem a perfuração de poços artesianos, ou que impedem o BB de executar ruralistas inadimplents. Sem exceção, possuem poços artesianos nas respectivas propriedades, e esgotos sem tratamento.
              Para os sabujos e as toupeiras, Hugo Chavez, mesmo tendo enfrentado várias eleições, acompanhadas por entidades externas e independentes, e se elegido, não passa de um ditador. Pinochet, “alguém” que tirou o Chile da miséria, mas nunca é chamado de Ditador. Assim revelam o método de tirar um país da miséria: apoiando golpes de Estado, seja no Chile, na Venezuela, no Brasil, porque sabem que na ditadura está o estrume necessário ao seu crescimento: Folha, Estadão, Globo e RBS são filhotes legítimos da ditadura. Está la na certidão de nascimentos deles. Para os sabujos, os fins justificam os meios. Dar um golpe é um meio para dar fim a um ditador que ousou fazer-se Presidente pelo voto, e, com isso, dar voz aos votantes, fazendo valer o motivo pelo qual foi sufragado.
Pedro Carmona, o líder empresarial que tomou o governo da Venezuela de assalto, junto a RCTV, é um democrata porque, em apenas um dia, fechou o Congresso e a Suprema Corte. Daniel Dantas, o maior corruptor do hemisfério, é definido simplesmente brilhante. Como um trilha de cocaína…
              Os sabujos e as toupeiras “confundem” concessão pública com Sesmarias. No Império, o mandatário era dono do país, por isso podia doar, de forma vitalícia, títulos e/ou terras. Na atualidade, os coronéis eletrônicos querem fazer crer que concessão é sesmaria, e para isso se utilizam dos sabujos e das toupeiras. Os sabujos repetem, ad nauseam, e as toupeiras acreditam.
              Os sabujos dizem regime comunista de Cuba, mas não mencionam o regime colombiano, nem o paraguaio. Bom mesmo é o regime capitalista brasileiro. Conhecem de cor e salteado o regime Iraniano, mas desconhecem a existência da Síria. Liberdade de imprensa só existe nos EUA, um modelo de democracia. Os sabujos sabem onde fica Guantánamo, mas as toupeiras, não. Por isso andam juntos e se dão bem. Os sabujos sabiam que não havia armas de destruição em massa no Iraque, os toupeiras, não. Os toupeiras acreditam que, se não havia, já não importa. O golpe de Micheletti em Honduras não passa de medida profilática, mesmo que para isso seja obrigado a fechar na porrada os veículos de comunicação que ousam chamar os acontecimentos pelo único nome que o dicionário trás: Golpe.
              Sabujos e toupeiras vivem amestradamente sob o chicote de um detentor de uma concessão pública chamada “média”, que é o máximo que conseguem.

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