Ficha Corrida

24/02/2011

Infalibilidade – Verissimo no Estadao

Filed under: Estadão — Gilmar Crestani @ 10:11 am
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Infalibilidade

24 de fevereiro de 2011 | 0h 00

Luis Fernando Verissimo – O Estado de S.Paulo

Os reis estão mais seguros do que os ditadores no norte da África e no Oriente Médio. No Marrocos e na Jordânia, pelo que se lê, a queda dos reis não está entre as reivindicações principais da rua. A revolta está custando a chegar à Arábia Saudita, protótipo de autocracia absoluta na região, e o poder dos aiatolás iranianos não parece estar ameaçado, por enquanto. Já os ditadores estão caindo um a um, como jacas. Governavam como reis mas sem a autorização divina, eram reis ilegítimos. Assim, curiosamente, ao mesmo tempo que dá um belo exemplo de conquista popular de democracia e modernidade, a sublevação endossa, indiretamente, a monarquia.

Constantino, que transformou o cristianismo de uma seita clandestina na religião oficial do seu império, escreveu certa vez numa carta que sua conversão tinha sido bem recompensada. "Recebemos da Providência Divina o supremo favor de estarmos eternamente livres de qualquer erro." Os ditadores costumam acreditar que junto com o poder absoluto vem, implícito, no pacote, os favores que a Providência Divina concede de nascença aos reis, começando pela infalibilidade. Mas não funciona assim.

Para-infernália. É pura implicância, eu sei. Mas tenho tanta antipatia por toda essa para-infernália eletrônica que, enquanto nos facilita a vida, nos escraviza e nos humilha que vibro a cada notícia de sua desmoralização, por menor que seja. Comemoro cada nova prova de que ela não é infalível. Agora mesmo surgiu um supercomputador, chamado Watson, que venceu dois humanos jogando Jeopardy na televisão americana. Jeopardy é um jogo de respostas que testa a memória e o conhecimento, e a capacidade do Watson de armazenar informação, reconhecer a informação que corresponde à pergunta e enunciá-la antes dos humanos representa um grande avanço sobre os computadores que, por exemplo, derrotavam campeões de xadrez, mas com os quais não se podia ter uma boa conversa sobre filmes, livros, a vida alheia, etc. O Watson não, o Watson sabe tudo. Leu tudo, viu tudo – mas (arrá!) tem uma falha. O Watson às vezes tem dificuldade em contextualizar. É o que seus construtores chamam de Síndrome de Paris Hilton. Se você alimentá-lo apenas com as palavras "Paris Hilton" o Watson se confunde, não sabe se a referência é ao hotel Hilton de Paris ou à herdeira maluquete dos Hilton, Paris. E é capaz de ficar mudo para não dar vexame. Um pequeno defeito para um computador, mas uma grande vitória para a humanidade. Eu não conseguiria vencer um computador nem num jogo de damas mas jamais confundiria a Paris Hilton com um hotel. Ou vice-versa.

Infalibilidade – cultura – Estadao.com.br

09/02/2011

Está faltando alguém na lista

Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 7:47 am
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O blog  Radar Global, do Estadão, lista os amigos inconvenientes, da hora, dos EUA. E na lista atual ainda cabem um não sei quantos de iguais ao nominados. Quando a vaca vai para o brejo aparecem os palpiteiros de plantão, mostrando a porteira aberta. Alberto Fugimori, Carlos Menem, FHC e tantos outros presidentes inconvenientes ao povo latino americano nunca fizeram parte da lista. Serviram e foram servidos. Quebraram os respectivos países para servirem aos EUA. O Estadão nunca fez lista. Pelo contrário, não só apoiou como ainda sente saudades. Profeta por profeta, ainda prefiro as previsões camonianas, como esta, a respeito da subserviência do prof. Cardoso. Cardoso ainda ganhou um ano de lambuja para continuar servindo ao Tio… Sam.

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel serrana bela,
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prêmio pertendia.
Os dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la:
Porém o pai usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Assim lhe era negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,
Começou a servir outros sete anos,
Dizendo: Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida.

 

Oito aliados que constrangem os EUA

por Luiz Raatz

07.fevereiro.2011 15:07:15

Após listar os nove erros de Hosni Mubarak, a revista Foreign Policy enumerou os oito aliados que prejudicam a imagem dos EUA como defensor da democracia e das liberdades individuais. São autocratas que desrespeitam os direitos humanos e são acusados de corrupção no Oriente Médio, África, Ásia Central e Sudeste Asiático. Veja a lista:

Rei Abdullah – Arábia Saudita

Chefe de uma das últimas monarquias absolutas do planeta, o rei Abdullah governa a Arábia Saudita desde 2005. O país, que controla um quinto das reservas mundiais de petróleo e tem nos EUA seu principal cliente, não tem sistema judiciário, nem Parlamento. A lei islâmica é aplicada em todas as instâncias da sociedade e as mulheres sofrem particularmente com isso. Não há liberdade religiosa, e dissidentes são frequentemente presos e torturados.

Ali Abdullah Saleh – Iêmen

Saleh tomou o poder no Iêmen em 1979 – quando o país ainda era dividido pela Guerra Fria – e desde a unificação, em 1991, governa todo o país. As eleições parlamentares foram adiadas indefinidamente e Saleh frequentemente reprime com violência separatistas do sul. O país é considerado por muitos analistas como institucionalmente instável. Nos últimos dias, manifestantes foram às ruas, a exemplo do que aconteceu no Egito e na Tunísia, para pedir a saída do ditador. Saleh prometeu não concorrer mais à reeleição.

Rei Abdullah II – Jordânia

A Jordânia, ao lado do Egito e da Arábia Saudita, é um dos principais aliados americanos no Oriente Médio e desempenha um papel especial na mediação do conflito entre israelenses e palestinos. O estado de exceção foi suspenso no país em 1989 e o parlamento voltou a funcionar, mas há denúncias de fraudes e perseguição a partidos islâmicos. Após os protestos no Egito e na Tunísia, o rei dissolveu o gabinete e nomeou um novo primeiro-ministro.

Meles Zenawi – Etiópia

Após vencer as eleições de 2010 com 99,6% dos votos, o partido de Zenawi foi acusado pela Human Rights Watch de cercear o espaço da oposição e a liberdade de imprensa. O governo também é acusado de distribuir ajuda humanitária para conseguir apoio político. A Casa Branca criticou a votação, mas manteve a ajuda de US$ 583,5 milhões por ano.

Yoweri Museveni- Ruanda

O primeiro-ministro do país gerou polêmica após o parlamento propor uma lei que pune o homossexualismo com a pena de morte. O premiê também foi criticado após comprar um avião de US$ 50 milhões em um país cuja maioria das pessoas vivem com menos de US$  1 por dia.

Usbequistão – Islam Karimov

Único presidente da história do Usbequistão, Karimov assumiu o poder com a queda da União Soviética, em 1991. Ele baniu partidos políticos, principalmente os islâmicos, e passou a censurar a imprensa e opositores. O Usbequistão frequentemente é listado como um dos países que mais usa a tortura no mundo.

Casaquistão – Nursultan Nazarbayev

Outra ex-república soviética da Ásia Central, o Casaquistão também é governado pelo mesmo presidente desde 1991. E Nazarbayev não dá sinais de que vai deixar o poder. Em janeiro, o Parlamento convocou um referendo para ‘pular’ as eleições de 2012 e 2017 e estender o mandato do presidente para 2020.

Nguyen Tan Dung – Vietnã

Com o fim da Guerra Fria, Vietnã e EUA, que lutaram uma sangrenta guerra nos anos 1960 e 1970, se reaproximaram. Mas o partido comunista continua no poder. Nos últimos anos, ativistas de direitos humanos foram presos e perseguidos.

06/02/2011

Cristãos e Muçulmanos Juntos no Egito

Filed under: Cultura — Gilmar Crestani @ 11:06 pm
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crista_mussulman

O outono do patriarca

Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 10:26 pm
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El otoño del patriarca

alt Por Robert Fisk *

Desde El Cairo, para o PAGINA12

El viejo se va. Pero la renuncia de anoche al liderazgo del gobernante Partido Nacional Democrático (PND), que incluyó al hijo de Hosni Mubarak, Gamal, no aplacará a los que quieren la salida del presidente egipcio. Pero obtendrán su sangre. El edificio de poder que representaba en PND ahora es sólo una cáscara, un poster de propaganda sin nada detrás.

La visión del nuevo y delirante primer ministro de Mubarak, Ahmed Shafiq, diciéndoles ayer a los egipcios que las cosas estaban “volviendo a la normalidad” fue suficiente para demostrarles a los manifestantes que el régimen estaba hecho de cartón. Hace doce días que los manifestantes vienen demandando masivamente que se vaya al exilio el hombre que gobernó el país por 30 años. Cuando la cabeza del comando central del ejército se reunió personalmente con las decenas de miles de manifestantes pro democracia para pedirles que se fueran a sus casas, simplemente se le rieron. En su novela El otoño del patriarca, Gabriel García Márquez describe la conducta de un dictador bajo amenaza y su psicología de negación total. En sus días de gloria, el autócrata cree que es un héroe nacional. Frente a la rebelión, culpa a “manos internacionales” y a las “agendas ocultas” por esta inexplicable revuelta en contra de su gobierno benevolente pero absoluto. Esos que fomentan la insurrección son “usados y manipulados” por los poderes extranjeros que odian el país. Entonces –y acá uso un resumen de García Márquez hecho por el gran autor egipcio Alaa Al Aswany– “el dictador trata de probar las capacidades de la maquinaria, haciendo todo menos lo que debería hacer. Se vuelve peligroso. Después de eso, accede a hacer todo lo que quieren que haga. Más tarde, se va”.

Hosni Mubarak parece estar en la cúspide del cuarto escalón, la salida final. Por 30 años fue el “héroe nacional”: participó en la guerra de 1973, fue jefe de la fuerza aérea egipcia, sucesor natural de Gamal Abdel Nassar así como de Anwar Sadat. Después, confrontado con la creciente furia de su propia gente por su poder dictatorial, su policía estatal, sus torturadores y la corrupción de su régimen, culpó a la oscura sombra de los enemigos ficticios de su país (Al Qaida, los Hermanos Musulmanes, Al Jazeera, CNN, los Estados Unidos). Debemos recién haber pasado la fase peligrosa.

La policía de seguridad de Mubarak arrestó el jueves a 22 abogados por asistir a otros abogados de derechos humanos que estaban investigando el arresto y el encarcelamiento de más de 600 manifestantes egipcios. Los salvajes policías antimotín que fueron piadosamente removidos hace nueve días de las calles cairotas y las bandas podridas por las drogas que ellos subvencionan son parte de lo que queda de las armas, heridas y peligrosas, del dictador. Esos matones –que trabajan bajo las órdenes directas del Ministerio del Interior– son los mismos que dispararon el viernes a la mañana en la plaza Tahrir, matando a tres hombres e hiriendo a otros 40. La lamentable entrevista de la semana pasada con Christiane Amanpour, en la que dijo que no quería ser presidente pero que se tomaría otros siete meses para salvar a Egipto del “caos”, fue la primera pista de que estaba por llegar el escalón cuatro.

Al-Aswany se dedicó a “romantizar” la revolución, si eso es lo que es en realidad. Cayó en el hábito de las mañanas literarias antes de unirse a los insurrectos y la semana pasada sugirió que la revolución vuelve al hombre más honorable, así como enamorarse vuelve a cualquier persona más digna. Le dije que un montón de gente enamorada invierte un excesivo tiempo eliminando a sus rivales y que yo no podía pensar en ninguna revolución que haya producido eso. Pero su respuesta, en la que decía que Egipto había sido una sociedad liberal desde los días de Mohamed Ali Pasha y que fue el primer país árabe (en el siglo XIX) que tuvo partidos políticos, aportó convicción.

Si Mubarak se va hoy u otro día de esta semana, los egipcios debatirán por qué les llevó tanto deshacerse de este dictador de pacotilla. El problema es que bajo estas autocracias –la de Nasser, Sadat, Mubarak y la de cualquiera al que Estados Unidos bendiga–, los egipcios se saltaron dos generaciones de madurez. La primera tarea esencial de un dictador es “infantilizar” a su gente, transformarlos en niños de seis años, obedientes a un jefe patriarcal. Les darán periódicos falsos, elecciones falsas, ministros falsos. Si desobedecen, los golpearán en las estaciones de policía o los encarcelarán en el complejo carcelario Tora. Si son persistentemente violentos, los colgarán.

Sólo cuando el poder de la juventud y de la tecnología fuerce a su dócil población a crecer y a organizar su inevitable revolución, se les hará evidente a esta gente infantilizada que el gobierno también estaba conformado por niños, el mayor de ellos de 83 años. Todavía, a través de un cadavérico proceso de ósmosis política, el dictador también tuvo por 30 años infantilizados a sus supuestos aliados maduros de Occidente. Ellos compraron la idea de que Mubarak por sí solo sostenía la pared de hierro que contenía la marea que se filtraba en Egipto y en el mundo árabe. Los Hermanos Musulmanes –con raíces históricas genuinas en Egipto y con derecho a entrar en el Parlamento a través de una elección justa– parecen el cuco que pronuncian los conductores, a pesar de que no tienen ni la más mínima de lo que es o lo que era.

Pero la infantilización fue más lejos. Lord Blair de Isfahan apareció en la CNN la otra noche y se mostró furioso cuando le preguntaron si compararía a Mubarak con Saddam Hussein. Absolutamente no, respondió. Sa-ddam había empobrecido a un país que alguna vez había tenido un estándar de vida más alto que el de la propia Bélgica, mientras que Mubarak había incrementado el Producto Bruto Interno (PBI) en un 50 por ciento en diez años. Lo que Blair debería haber dicho es que Saddam asesinó a decenas de miles de su propia gente mientras que Mubarak ha asesinado/ colgado/ torturado sólo a unos miles. Pero la camisa de Blair está ahora tan ensangrentada casi como la de Saddam. Entonces, ahora los dictadores deben ser juzgados sólo por sus registros económicos.

Obama fue un paso más allá. Anteayer nos dijo que Mubarak era “un hombre orgulloso pero un gran patriota”. Fue extraordinario. Para hacer tal declaración, fue necesario creer que el dictador no conocía la evidencia masiva de la fiereza de la policía de seguridad egipcia durante 30 años ni se enteró de la tortura y la brutal represión a los manifestantes durante los últimos trece días. Mubarak, en su inocencia senil, podría no haberse enterado de la corrupción o de los “excesos” –una palabra que está volviendo a ponerse de moda en El Cairo–, pero no podría estar ajeno a la violación sistemática de los derechos humanos, de la falsedad de cada elección. Este es un viejo cuento ruso. El zar es la gran figura del padre, el líder perfecto y venerado. Es lógico que no se entere de lo que sus subordinados están haciendo. No se da cuenta de lo mal que los siervos son tratados. Si alguno le dijera la verdad, él terminaría con la injusticia. Los sirvientes del zar, por supuesto, son cómplices de esto.

Pero Mubarak no ignoraba la injusticia de su régimen. Sobrevivió a través de la represión, de las amenazas y de las falsas elecciones. Siempre lo hizo. Como Sadat. Como Nasser, que según el testimonio de una de sus víctimas que era amigo mío, les permitía a sus torturadores colgar a los prisioneros sobre piletones de heces hirvientes y remojarlos en ellos. A lo largo de 30 años, los sucesivos embajadores estadounidenses le informaron a Mubarak de los tormentos que fueron perpetrados en su nombre. Ocasionalmente, Mubarak les expresó sorpresa y una vez prometió terminar con las arbitrariedades policiales. Pero eso nunca pasó. El zar aprobaba completamente lo que su policía secreta estaba haciendo.

Los manifestantes en El Cairo, Alejandría, Port Said están entrando por supuesto en un período de gran temor. Su “Día de la Partida” del viernes –predicado bajo la idea de que si realmente creían que Mubarak se iría la semana pasada, él lo haría siguiendo de alguna manera el testamento de la gente– resultó ser el “Día de la Desilusión”.

Ahora están construyendo un comité de economistas, intelectuales y políticos “honestos” que negocien con el vicepresidente Omar Suleimán, sin darse cuenta aparentemente de que Suleimán es el próximo general que será aprobado por los estadounidenses, que Suleimán es un hombre despiadado que no le temblará la mano para usar la misma policía de seguridad de Mubarak, a la que se le confió la eliminación de los enemigos del Estado que estaban en la plaza Tahrir.

A la traición siempre le sigue una revolución exitosa. Y esto podría suceder. El oscuro cinismo del régimen se mantiene. Muchos manifestantes pro democracia se percataron de un fenómeno extraño. En los meses previos al estallido de la protesta del 25 de enero, hubo una serie de ataques a las Iglesias Coptas de todo Egipto. El Papa reclamó la protección de los cristianos egipcios, que son un 10 por ciento de la población. Occidente se horrorizó. Mubarak descargó la culpa en las familiares “manos foráneas”. Pero después del 25 de enero, no se tocó ni un solo pelo de una cabeza copta. ¿Por qué? Porque los responsables tenían otras violentas misiones que cumplir.

Cuando Mubarak se vaya, se revelarán terribles verdades. Como dicen, el mundo espera. Pero nadie espera más atentamente, más valientemente, más temerosamente que las mujeres y los hombres jóvenes que pueblan la plaza Tahrir. Si de verdad están al borde de la victoria, estarán a salvo. Si no lo están, ahí volverán a escucharse los golpes de medianoche en muchas puertas.

* De The Independent de Gran Bretaña. Especial para Página/12.

05/02/2011

Viomundo apresenta…

Filed under: Cultura — Gilmar Crestani @ 9:48 pm
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4 de fevereiro de 2011 às 18:11

Noam Chomsky: A verdadeira preocupação dos EUA não é o islã, é a independência

por Noam Chomsky, no jornal britânico Guardian

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

“O mundo árabe em chamas”, a rede Al-Jazeera noticiou semana passada, enquanto em toda a região os aliados ocidentais “rapidamente perdem influência”. A onda de choque foi posta em movimento pelo levante dramático na Tunísia, que derrubou ditador apoiado pelo Ocidente, com reverberações sobretudo no Egito, onde manifestantes desafiam a polícia brutal de outro ditador.

Observadores já compararam ao fim do domínio soviético em 1989, mas há diferenças importantes. Diferença crucial, não há Mikhail Gorbachev entre as grandes potências que apoiam ditadores árabes. Em vez disso, Washington e seus aliados mantêm o bem fixado princípio segundo o qual a democracia só interessa quando atende a determinados objetivos estratégicos e econômicos: bem vinda em território inimigo (até certo ponto), mas nunca no quintal dos EUA, por favor, a menos que chegue devidamente domada.

Num ponto, a comparação com 1989 tem alguma validade: na Romenia, onde Washington manteve o apoio a Nicolae Ceausescu, o mais vicioso de todos os ditadores do leste europeu, até que aquele apoio tornou-se insustentável. Então Washington passou a pregar a derrubada daquela ditadura, e o passado foi apagado. Esse é o padrão: Ferdinand Marcos, Jean-Claude Duvalier, Chun Doo-hwan, Suharto e muitos outros gângsteres úteis. Pode estar em andamento, no caso de Hosni Mubarak, além dos esforços de rotina para assegurar que o regime sucessor não tente qualquer passo muito afastado da trilha demarcada e aprovada. A esperança de hoje parece ser o general Suleiman, homem de Mubarak, que acaba de ser nomeado vice-presidente. Suleiman foi chefe dos serviços de segurança por muito tempo; é odiado pelos manifestantes, quase tanto quanto o próprio ditador.

Jornais e programas de comentários (e futricas) não se cansam de repetir que o medo que os radicais islâmicos inspiram justifica (alguma, relutante) oposição à democracia, explicável por motivos de puro pragmatismo. Embora não seja completamente falsa, é formulação que mais desencaminha do que esclarece. A verdadeira ameaça, do ponto de vista dos EUA, sempre foi a independência. EUA e aliados têm apoiado vários radicais islâmicos, às vezes, para evitar a ameaça do nacionalismo secular.

Exemplo conhecido é a Arábia Saudita, centro ideológico e lar natal do Islã radical (e do terrorismo islâmico). Outro exemplo, numa lista longa, é Zia ul-Haq, o mais brutal dos ditadores, paquistanês, e favorito do presidente Reagan, que conduziu programa de islamização radical (com financiamento dos sauditas).

“O argumento tradicional apresentado a todo o mundo árabe é que nada há de errado, tudo perfeitamente sob controle”, diz Marwan Muasher, ex-funcionário do governo da Jordânia e atualmente diretor do Middle East Research for the Carnegie Endowment. “Por essa linha de pensamento, grupos dos dois lados argumentam sempre que os respectivos opositores que exigem reformas exageram os problemas das reais condições em campo”.

Assim sendo, basta deixar de fora a opinião pública. A doutrina é muito ampla e aplica-se a praticamente todo o mundo, assim como ao território nacional dos EUA. Serve para todos. Caso haja agitação social, pode acontecer de ser preciso introduzir alterações táticas, mas sempre com vistas a continuar mantendo pleno controle.

O vibrante movimento democrático na Tunísia visou diretamente ao “estado policial, de cidadãos sem liberdade de expressão ou de associação, com graves problemas de atentados a direitos humanos”, chefiado por um ditador cuja família era odiada, considerada corrupta e venal. Foi o que disse o embaixador dos EUA Robert Godec, em julho de 2009 – como se lê em telegrama publicado por WikiLeaks.

Por isso, alguns observaram que os documentos publicados por WikiLeaks “criam entre os norte-americanos o sentimento reconfortador de que seus diplomatas não dormem no ponto” –, e fato é que os telegramas vazados servem de apoio tão perfeito para as políticas dos EUA, que parece que o próprio Obama ordenou, em pessoa, os vazamentos (como escreveu Jacob Heilbrunn em The National Interest).

“Os EUA deveriam condecorar Assange”, diz manchete do Financial Times, e Gideon Rachman escreve: “A política exterior dos EUA aparece ali como organismo construído de princípios, inteligente e pragmática (…) a posição pública que os EUA assumiram em cada determinada questão é também, quase sempre, a posição privada”.

Desse ponto de vista, os vazamentos de WikiLeaks poriam abaixo os “teóricos da conspiração” que questionam os nobres motivos que movem as ações e declarações de Washington.

O telegrama assinado por Godec realmente permite essas conclusões – desde que não se leia mais nada, além do próprio telegrama. Se se lê, como diz Stephen Zunes, analista de política exterior de Foreign Policy in Focus, logo se vê que, com a informação que Godec lhe forneceu, Washington logo enviou $12 milhões de dólares em ajuda militar para a Tunísia. De fato, a Tunísia foi uma, dentre cinco beneficiários estrangeiros dessa ajuda militar: Israel (rotina); dois ditadores no Oriente Médio, no Egito e na Jordânia; e a Colômbia (país que ocupa o último lugar no ranking do respeito aos direitos humanos e beneficiário da maior ajuda militar, pelos EUA, no hemisfério).

A prova A de Heilbrunn é o apoio que os árabes dão às políticas dos EUA contra o Irã, revelado nos telegramas publicados por WikiLeaks. Rachman também usa esse exemplo, e praticamente toda a mídia, saudando essas estimulantes descobertas. As reações ilustram o quanto a cultura letrada nos EUA despreza a democracia.

Não se considera, até aí, a opinião das populações, naquelas ditaduras – opinião que, agora, brada nas ruas e todos ouvem. Segundo pesquisas divulgadas pela Brookings Institution em agosto, alguns árabes concordam com Washington e muitos jornalistas e jornais ocidentais, e entendem que o Irã seja ameaça: 10%. Outros consideram os EUA e Israel como ameaça mais grave: 77%, EUA; 88%, Israel.

A opinião dos árabes é tão hostil às políticas de Washington, que uma maioria (57%) entende que a segurança regional estaria mais bem atendida se o Irã tivesse armas atômicas. Mas… “nada de errado, tudo sob controle” (como Muasher apresenta a fantasia-delírio dominante). Os ditadores nos apoiam. As populações sobre as quais se impuseram podem ser ignoradas – a menos que rompam suas cadeias, caso no qual, então, é preciso promover alguns ajustes na política.

Outros vazamentos também parecem confirmar avaliações entusiásticas sobre a nobreza das intenções e atitudes de Washington. Em julho de 2009, Hugo Llorens, embaixador dos EUA em Honduras, informou Washington sobre pesquisa técnica conduzida pela própria embaixada sobre “questões legais e constitucionais que cercaram o afastamento, dia 28 de junho, do presidente Manuel ‘Mel’ Zelaya”.

A embaixada concluiu que “De qualquer modo, sejam quais forem os argumentos que haja contra Zelaya, a remoção do presidente pelos militares foi claramente ilegal e a posse de Micheletti como “presidente interino” foi totalmente ilegítima” [1]. Admirável! Exceto pelo detalhe de o presidente Obama, na contramão de toda a América Latina e Europa, ter apoiado o governo golpista e acobertado todas as atrocidades subsequentes.

O vazamento talvez mais notável, de quantos se leram em WikiLeaks, tem a ver com o Paquistão [2], analisado por Fred Branfman, analista de política externa em Truthdig [3].

Os telegramas revelam que a embaixada dos EUA sabia perfeitamente que a guerra de Washington no Afeganistão e Paquistão não só intensifica um sempre crescente antiamericanismo na região, mas, também “cria o risco de desestabilizar o estado no Paquistão”, o que faz aumentar a ameaça do pesadelo de todos os pesadelos: que armas atômicas caiam em mãos de terroristas islâmicos.

Mais uma vez, são revelações que “criam entre os norte-americanos o sentimento reconfortador de que seus diplomatas não dormem no ponto” (palavras de Heilbrunn [4])… enquanto Washington marcha em passo acelerado rumo ao desastre.

NOTAS

[1] Íntegra do telegrama, em português, em http://www.revistaforum.com.br/blog/2010/11/29/wikileaks-leia-o-telegrama-do-embaixador-dos-eua-sobre-golpe-em-honduras/.

[2] O telegrama, em inglês, está em http://www.guardian.co.uk/world/us-embassy-cables-documents/226531

[3] O artigo, em inglês, está em http://www.guardian.co.uk/world/us-embassy-cables-documents/226531

[4] Em http://nationalinterest.org/node/4487 (em inglês).

03/02/2011

Uma mão lava a outra, as duas seguram o fuzil

Filed under: Cosa Nostra — Gilmar Crestani @ 11:02 pm
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Al fin Israel despierta

LLUÍS BASSETS 03/02/2011

Israel ha empezado a reaccionar. Al fin. "Un Egipto democrático no es una amenaza para la paz". Menos mal. Hasta ahora, de todo lo que había dicho el primer ministro Benjamín Netanyahu se desprendía lo contrario: que Israel se siente muy cómodo con su monopolio democrático en un océano de tiranías y prefiere mantener la exclusiva durante el mayor tiempo posible. No era una cuestión meramente retórica. Estaba claro, además, que nadie como un dictador para garantizar un buen tratado de paz, debidamente engrasado por contratos civiles, ayuda militar, colaboración policial y de espionaje, y naturalmente, negocios con que los que dar de comer a todos, de uno y otro lado.

Mubarak era el modelo de esta relación perfecta. Pero eso se ha terminado y no volverá nunca más. Quien quiera la paz, deberá ganársela con las sociedades civiles y firmarla con regímenes plurales y democráticos. De ahí la primera reacción absurda de Netanyahu a la revuelta tunecina, empeñado en cargarse de razón más que en atender a los hechos: era la demostración de que no se puede hacer la paz en un contexto geopolítico tan inestable. El segundo movimiento, cuando ya se tambaleaba el faraón, no fue mucho mejor: no os alegréis de la caída del tirano, porque será una revolución como la iraní. Ahora, ante el inevitable curso de los acontecimientos, no hay más remedio que dar un paso atrás para que no se identifique a Israel con los enemigos de la libertad y de la democracia.

No es distinto lo que le ha ocurrido a la secretaria de Estado, Hillary Clinton, que en una semana ha pasado de ensalzar la estabilidad a favorecer el cambio. Al vicepresidente Joe Biden que se negó a identificar a Hosni Mubarak como un dictador. O al presidente Obama, que ha tenido que salir en dos ocasiones a salvar la cara ante los árabes pero todavía no le ha dicho a Mubarak que se vaya, con la misma contundencia y resolución con que Reagan le dijo a Gorbachov que derribara el Muro de Berlín. Se entiende la prudencia: un gesto brusco dejaría a todos los otros socios, empezando por la monarquía saudí, al pie de los caballos. Pero la cautela excesiva consigue el efecto contrario ante las poblaciones civiles de unos países que identifican a sus tiranos con EE UU.

Esta revolución promete ser como la de 1989, pero geoestratégicamente del revés. De momento, las fichas van cayendo, una detrás de otra. Ni uno sólo de los gobiernos árabes ha podido sustraerse a la oleada del cambio. Con mayor o menor celeridad, todos los regímenes están moviéndose para aplacar el descontento, desde medidas sobre los precios de los productos básicos hasta cambios de gobierno, pasando por la rectificación de los habituales planes de sucesión familiar. Aunque el movimiento tectónico no ha hecho más que empezar, ya se puede dar por descontado que la arquitectura geopolítica del mundo árabe y más en concreto de Oriente Medio quedará hecha una ruina. Todos deberán repensar y reconstruir sus estrategias. Ahora se han quedado con las manos vacías.

Ninguna de las piezas que han sostenido la estabilidad de la región en los últimos 40 años, desde la guerra del Kipur en 1973, se mantiene ya en pie. Israel, sin la pieza clave que era el Egipto de Mubarak, centra toda su preocupación en mantener el tratado de paz firmado en Camp David en 1977. Un Egipto menos monolítico, con mayor peso del islamismo político de los hermanos musulmanes, e incluso con una fuerte sociedad civil, que simpatiza por instinto con la causa palestina, es todo lo contrario de la seguridad que significaba el régimen de Mubarak, con su estrecha colaboración en la vigilancia de la franja de Gaza, su control sobre el canal de Suez, su influencia sobre la Autoridad Palestina y el conjunto árabe y, sobre todo, la garantía de una frontera segura y en paz.

A pesar de la rectificación de última hora, Netanyahu sabe que un Egipto democrático, al estilo de Turquía, sería un vecino más inquietante para su actual visión estratégica. El Israel de las vallas de seguridad, de las colonias en Cisjordania y Jerusalén Este en expansión constante, de la franja de Gaza bajo bloqueo militar y de una Autoridad Palestina administrando bantustanes políticamente inviables es literalmente imposible en un contexto árabe de transición a la democracia. Puede que los actuales gobernantes israelíes tomen ahora conciencia de que han sido ellos, y no los palestinos, quienes no han dejado pasar ni una sola oportunidad de perder toda oportunidad (una frase célebre del ministro de exteriores israelí, Abba Eban, referida naturalmente a los que hasta ahora han sido el payaso de las bofetadas).

La revolución democrática árabe conduce indefectiblemente a que los palestinos exijan sus derechos civiles. Si no se les reconoce en un Estado palestino propio, habrá que hacerlo dentro de un único Estado donde los árabes en muy pocos años serán mayoría. Quizás para Israel ésta es la prórroga de la última oportunidad.

30/01/2011

Egito: Falta apoio de países a movimento, diz especialista – Terra – Mundo

Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 10:06 am
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Sábado, 29 de janeiro de 2011, 10h15

Egito: Falta apoio de países a movimento, diz especialista

Reuters

Homens colocam fogo em uma barricada durante protestos no Cairo, onde a polícia e os manifestantes se enfrentaram nas ruas

Homens colocam fogo em uma barricada durante protestos no Cairo, onde a polícia e os manifestantes se enfrentaram nas ruas

Dayanne Sousa

A explosão no Egito de uma verdadeira batalha nas ruas entre manifestantes e a polícia tem potencial para se transformar numa próxima grande revolução histórica, avalia o professor Reginaldo Nasser, especialista em relações internacionais no Oriente Médio pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). Para ele, falta apoio internacional para que seja derrubado de uma vez o governo ditatorial de Muhammad Hosni Said Mubarak, há 30 anos no poder.

"Os Estados Unidos têm papel dúbio, para não dizer hipócrita", critica. "O Brasil está igual aos Estados Unidos… Diz que torce para as coisas saírem bem e pronto".

Nesta sexta-feira (28), o Egito viveu o dia mais tenso desde o início dos protestos contra o presidente Mubarak, somando ao menos 5 mortes, 800 feridos e ataques à sede do partido governista. Inspirados pela onda de protestos na Tunísia, os egípcios foram às ruas. Já nas primeiras horas do dia, o governo suspendeu a internet, com o objetivo de prejudicar os manifestantes. Até agora, a rede vinha sendo a principal forma de mobilização.

O professor Nasser avalia que há ainda receios no cenário internacional, uma vez que o Egito é um importante aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio. "Os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que são duros nas críticas com o Irã, são condescendentes com as violações de direitos no Egito, e o Egito sempre foi muito pior do que o Irã".

O especialista destaca ainda o papel da internet e, principalmente, a cara nova dos manifestantes. É a primeira vez, diz, que os protestos não têm "as vestes do islamismo". "Está aparecendo um outro ator da história, que não está vinculado a partido, a grupos religiosos", pondera.

Leia a entrevista.

Terra Magazine – Podemos considerar uma revolução histórica?
Reginaldo Nasser – Pelo que está se configurando, sim. A gente ainda não tem a dimensão do apoio. No caso da Independência da Argélia e da Revolução do Irã, foi um país inteiro mobilizado. Pelo que a gente tem visto até o momento no Egito, por enquanto são apenas as grandes cidades como Cairo e Suez. Mas pode vir a ganhar uma proporção de uma revolução tal como foi no Irã. E esse é o medo de Estados Unidos e Israel. Se os militares aderirem, o governo não se sustenta, não tem como. Os militares são bem vistos, diferentemente dos policiais.

Existe algo que justificaria o estopim no momento atual?
No curso da história é assim. O que eu acho um diferencial é que no mundo árabe, sempre que aparecia oposição, era sobre as vestes do islamismo. No caso do Egito, o grande opositor do regime era a irmandade muçulmana e que desta vez está participando apenas nos últimos dias. Está aparecendo um outro ator da história, que não está vinculado a partido, a grupos religiosos… São jovens. Acabou vindo à tona num país em que a ditadura existe há muito tempo.

A internet foi essencial para a construção desse movimento, não?
Sem dúvida. Nos eventos no Irã, na fraude eleitoral que houve, já apareciam como um fator importante o celular e a internet. Num regime como esse, a única forma de comunicação é essa. Não há imprensa livre. Se já é importante em regimes democráticos, tanto mais em regimes ditatoriais. Foi bloqueado o Facebook e o Twitter, mas mesmo assim foram para a rua.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, chamou o Egito de "parceiro", embora tenha defendido a democracia e condenado a violência da polícia. Como fica o cenário internacional?
Como sempre, nestes aspectos, os Estados Unidos têm um papel dúbio, para não dizer hipócrita. Em termos de política externa, o Egito é a grande peça do tabuleiro de xadrez do Oriente Médio. O Egito é o maior país do mundo árabe em termos econômicos, militares e populacionais. O Egito é que foi à frente nas guerras com Israel em 1957, 67 e 73 – as guerras mais importantes. Justamente após a guerra de 73, o Egito mudou de lado. Essa foi a grande virada. Até então era aliado da União Soviética, passou a ser aliado dos estados Unidos e ao mesmo tempo fez as pazes com Israel. Desde então, o Egito é um país muito próximo dos Estados Unidos e de Israel. É a garantia contra os movimentos chamados radicais. Uma mudança de regime, mesmo que não seja por um viés ideológico, gera apreensão. Os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que são duros nas críticas com o Irã, são condescendentes com as violações de direitos no Egito. O Egito sempre foi muito pior que o Irã.

Pior do que o Irã?
Sem dúvida! O Irã tem eleição! Essa última eleição do Irã foi uma das únicas em que houve fraude. Tem partidos políticos, tem parlamento. Comparando, o Irã, antes desse endurecimento do (presidente Mahmoud) Ahmadinejad, é um dos mais democráticos!

E o Brasil – que até tentou diálogo com o Irã – como deve se posicionar?
Saiu uma nota diplomática no tom daquelas que o Itamaraty sempre dá. Diz que torce para as coisas saírem bem e pronto. Não precisaria romper relações com o país, mas acho que poderia ter uma nota mais contundente. As imagens estão mostrando a violência do que está acontecendo lá. Não dá para ficar numa posição formal e diplomática de simplesmente torcer para que fique tudo bem. O Brasil está igual aos Estados Unidos.

O senhor acha que essa seria uma posição para evitar se comprometer?
Sim. E nesse momento seria muito mais importante para o movimento do Egito ter apoio internacional.

Egito: Falta apoio de países a movimento, diz especialista – Terra – Mundo

Euforia, baño de sangre y caos

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Robert Fisk é, com certeza, o principal correspondente ocidental no Oriente Médio. Conhece a fundo os problemas daquela região. Também sabe perfeitamente quem são os responsáveis por eles, e como fazer para amenizar. Um jornalista como não temos por aqui.

Por Robert Fisk *

Desde El Cairo

Los tanques egipcios, los manifestantes sentados sobre ellos, las banderas, las 40 mil personas que lloraban y alentaban a los soldados en la Plaza de la Libertad, mientras rezaban alrededor de ellos, los Hermanos Musulmanes sentados entre los pasajeros de los tanques. ¿Se debería comparar esto con la liberación de Bucarest? Sentado sobre uno de los tanques fabricados en Estados Unidos, sólo podía recordar esas maravillosas películas sobre la liberación de París. Un par de metros más allá, la policía de seguridad de Hosni Mubarak, con sus uniformes negros, todavía les disparaba a los manifestantes que estaban cerca del Ministerio del Interior. Era una celebración de una victoria salvaje e histórica: los mismos tanques de Mubarak estaban liberando la capital de su propia dictadura.

En la pantomima del mundo de Mubarak –y de Barack Obama y de Hillary Clinton en Washington–, el hombre que aún se autoproclama presidente de Egipto realizó la más absurda elección de un vicepresidente para calmar la furia de los manifestantes. El elegido fue Omar Suleiman, el jefe de los negociadores egipcios con Israel y un antiguo agente de Inteligencia, un hombre de 75 años y con varios años de visitas a Tel Aviv y a Jerusalén así como con varios infartos que los prueban. Cómo este funcionario va a ingeniárselas para hacer frente a la rabia y el deseo de liberación de 80 millones de egipcios queda librado a la imaginación. Cuando les conté, a quienes estaban alrededor de mí en el tanque, sobre la designación de Suleiman comenzaron a reírse.

Las tropas, en ropa de fajina, riéndose y hasta aplaudiendo, no hicieron ningún intento de borrar el graffiti que la multitud había pintado sobre los tanques. “Fuera, Mubarak” y “Tu régimen está acabado, Mubarak”, aparecía en cada una de las tanquetas que recorrían las calles de El Cairo. En uno de los tanques que daban vuelta alrededor de la Plaza de la Libertad estaba uno de los Hermanos Musulmanes, Mohamed Beltagi. Más temprano, había pasado cerca de un convoy de vehículos blindados que estaban apostados cerca del suburbio de Garden City mientras la gente se abría paso entre las máquinas y les llevaban naranjas a los soldados, aplaudiéndolos como patriotas egipcios. Más allá de la alocada elección del vicepresidente de Mubarak y la designación de amigotes en un gobierno sin poder, las calles de El Cairo demostraron que los líderes de los Estados Unidos y de la Unión Europea (UE) no entendieron nada. Se acabó.

Los débiles intentos de Mubarak al declarar que se debe terminar con la violencia, cuando su propia policía de seguridad fue responsable en los últimos cinco días de los actos más crueles, encendió más la furia de aquellos que pasaron 30 años bajo su sanguinaria dictadura. Prueba de ello son las sospechas de que muchos de los saqueos están siendo llevados a cabo por policías de civil, así como el asesinato de 11 hombres en un área rural hace 24 horas para destruir la integridad de los manifestantes que están tratando de sacar a Mubarak del poder. La destrucción de un importante número de centros de comunicaciones por parte de hombres con los rostros tapados, que deben haber sido coordinados de alguna forma, también levantó el alerta y surgió la idea de que los responsables serían los agentes de civil que habían golpeado a los manifestantes. Pero las quemas de comisarías en El Cairo, Alejandría y Suez así como en otras ciudades no fueron obra de los policías de civil. A última hora del viernes, multitudes de hombres jóvenes atizaron el fuego a lo largo de la autopista de Alejandría.

Infinitamente más terrible fue el vandalismo en el Museo Nacional de Egipto. Después de que la policía abandonara el lugar, los saqueadores traspasaron la puerta del edifico pintado de rojo y destruyeron estatuas faraónicas de cuatro mil años de antigüedad, momias egipcias e impresionantes botes de madera que fueron originariamente tallados para acompañar a los reyes en sus tumbas. De nuevo, debe decirse que circularon rumores de que la policía había causado estos actos vandálicos antes de haber abandonado el museo el viernes por la noche. Todo parece recordar lo del museo de Bagdad en 2003. El saqueo no fue tan grave como el de Irak pero el desastre arqueológico es peor.

Los manifestantes se reunieron anoche, en círculo, para rezar en la Plaza de la Libertad. Y también hubo promesas de venganza. Un equipo de la cadena televisiva Al Jazeera encontró un depósito de 23 cadáveres en Alejandría, aparentemente asesinados por la policía. Muchos tenían sus caras horrorosamente mutiladas. Otros once muertos fueron descubiertos en un depósito en El Cairo. Los familias, que se congregaron alrededor de sus restos ensangrentados, prometían represalias contra los policías.

El Cairo ahora cambia de la dicha a la más sombría cólera en cuestión de minutos. Ayer por la mañana, crucé el puente del río Nilo para ver las ruinas del cuartel del partido de Mubarak. Enfrente, seguía en pie un poster que promocionaba las bondades del oficialista Partido Nacional Demócrata (PND), las promesas que Mubarak no pudo cumplir en treinta años. “Todo lo que queremos es la salida de Mubarak, nuevas elecciones y nuestra libertad y honor”, me confió un psiquiatra de 30 años.

La denuncia de Mubarak de que estas manifestaciones eran parte de un “plan siniestro” está en el centro de su pedido de reconocimiento internacional. De hecho, la respuesta de Obama fue una copia exacta de todas las mentiras que Mubarak ha estado usando durante tres décadas para defender su régimen. El problema es el habitual: las líneas del poder y de la moralidad no llegan a unirse cuando los presidentes estadounidenses tienen que tratar con Medio Oriente. El liderazgo moral de los Estados Unidos desaparece cuando tienen que confrontarse los mundos árabe e israelí. Y el ejército egipcio es parte de esta ecuación. Recibe 1300 millones de dólares de ayuda estadounidense. El comandante de esa arma y un amigo personal de Mubarak, el general Mohamed Tantawi, estaba en Washington mientras la policía trataba de aplastar a los manifestantes. El final puede ser claro. La tragedia aún no terminó.

* De The Independent de Gran Bretaña. Especial para Página/12.

Página/12 :: El mundo :: Euforia, baño de sangre y caos

La batalla de Egipto continúa · ELPAÍS.com

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Assim como há os colonistas que pregam a entrega de Cesare Battisti ao cafetão Berlusconi, há também os que defendem (como fez Voltaire Schilling, os Mubarak. Não seria de estranhar que os mesmos que atacam o governo para entregar o terrorista Battisti venham a público para defender o asilo ao ditador egípcio. São os mesmos que não se manifestaram quando o Brasil deu asilo ao ditador paraguaio, Alfredo Stroessner. Na RBS volta e meia aparece um Lasier Martins, um Percival Puggina para defender Augusto Pinochet. E ninguém por lá se espanta com a índole democrática de ambos. Não é estranho?!

O escritor egípcio, Alaa Al Aswany, pensa diferente, como se pode ler a seguir:

Qué admirables me parecen los jóvenes manifestantes ante los que hablé el otro día, esos egipcios unidos contra las injusticias y que comparten una ira que nadie va a poder dominar. El martes fue para mí un día inolvidable. Me uní a los manifestantes en El Cairo, junto con los cientos de miles de personas que, en todo Egipto, salieron a la calle para exigir libertades y enfrentarse a la terrible violencia policial. El régimen posee un aparato de seguridad con 1.500.000 de soldados e invierte millones en entrenarlos para una tarea: reprimir al pueblo egipcio.

      Me encontré en medio de miles de jóvenes que solo tenían en común su valor increíble y su determinación de hacer una cosa: cambiar el régimen. Unos jóvenes que son, en su mayoría, estudiantes universitarios sin ninguna esperanza sobre su futuro. Que no encuentran trabajo y, por tanto, no pueden casarse. Y que actúan movidos por una ira indomable y un profundo sentido de las injusticias existentes.

      Siempre admiraré a estos revolucionarios. Todo lo que dicen demuestra una aguda conciencia política y un deseo de libertad que desafía a la muerte. Me pidieron que pronunciara unas palabras. Aunque he hablado cientos de veces en público, en esta ocasión era diferente: me encontraba ante 30.000 manifestantes que no estaban de humor para oír hablar de concesiones y que no dejaban de interrumpir con gritos de "¡Abajo Hosni Mubarak!" y "El pueblo dice: ¡Fuera el régimen!".

      Dije que estaba orgulloso de lo que habían conseguido, que habían logrado poner fin al periodo de represión, y añadí que, aunque nos golpearan o nos detuvieran, habíamos demostrado ya que no teníamos miedo y que éramos más fuertes que ellos. El Gobierno egipcio tiene a su disposición los instrumentos represivos más temibles del mundo, pero nosotros tenemos algo más fuerte: nuestro valor y nuestra fe en la libertad. La muchedumbre respondió con un grito unánime: "¡Acabaremos lo que hemos empezado!". Yo estaba en compañía de un amigo, un periodista español que pasó muchos años en Europa del Este y vivió allí los movimientos de liberación. Dijo: "Mi experiencia es que, cuando sale tanta gente a la calle, y con tanto empeño, el cambio de régimen es solo cuestión de tiempo".

      ¿Por qué se han rebelado los egipcios? La respuesta está en la naturaleza del régimen. Un régimen tiránico puede privar al pueblo de libertad pero, a cambio, le ofrece una vida fácil. Un régimen democrático puede no ser capaz de acabar con la pobreza, pero la gente tiene libertad y dignidad. El régimen egipcio ha quitado a sus ciudadanos todo, incluidas la libertad y la dignidad, y no ha cubierto sus necesidades diarias. Los cientos de miles de manifestantes de El Cairo no son más que una representación de los millones de egipcios que han vivido con sus derechos suprimidos.

      Si bien en Egipto ya había llamamientos públicos pidiendo reformas mucho antes de los disturbios de Túnez, es evidente que los acontecimientos en dicho país sirvieron de inspiración. La gente empezó a ver con claridad que el aparato de seguridad no podía proteger a un dictador eternamente. Y teníamos más motivos que nuestros homólogos tunecinos para protestar, puesto que en Egipto hay más gente que vive en la pobreza y estamos sujetos a un gobernante que lleva más tiempo sujetando las riendas del poder. En un momento dado, el miedo empujó a Ben Ali a huir de Túnez. Es posible que nosotros obtengamos un éxito similar; algunos manifestantes de El Cairo copiaron el lema en francés que se había oído en Túnez, "Dégage, Mubarak". Por otra parte, las revueltas han llegado ya a otros Estados árabes como Yemen. Las autoridades están descubriendo que sus tácticas no pueden detener las protestas. Las manifestaciones se han organizado a través de Facebook, que ha demostrado ser una fuente de información fiable e independiente; cuando el Estado intentó bloquearla, la gente fue más astuta y los blogueros explicaron las formas de saltarse los controles. Y la violencia de los servicios de seguridad es un peligro para las dos partes: en Suez, la gente se alzó contra la policía por haber disparado a los manifestantes. La historia enseña que llega un instante en el que los agentes de a pie se niegan a obedecer las órdenes de matar a sus conciudadanos.

      Cada vez son más los ciudadanos que desafían a las fuerzas del orden. Un joven manifestante me contó que, cuando corría para huir de la policía el martes, entró en un edificio y llamó a un piso cualquiera. Eran las cuatro de la mañana. Le abrió la puerta un hombre de 60 años, con el miedo visible en el rostro. El manifestante pidió al hombre que le escondiera de la policía. El hombre le pidió que le enseñara su documento de identidad y le invitó a entrar, e incluso despertó a una de sus tres hijas para que le preparase algo de comer. Se sentaron a comer y beber té y acabaron charlando como viejos amigos. Por la mañana, cuando se había alejado el peligro de que detuvieran al joven manifestante, el hombre le acompañó a la calle, le buscó un taxi y le ofreció un poco de dinero. El joven se negó y le dio las gracias. Mientras se daban un abrazo, el hombre le dijo: "Soy yo quien debería darte a ti las gracias por defendernos a mí, a mis hijas y a todos los egipcios".

      Así comenzó la primavera egipcia. Mañana veremos una auténtica batalla.

      Alaa Al Aswany es escritor egipcio, autor de El edificio Yacobian. © 2011 Alaa Al Aswany. Traducción de Mª Luisa Rguez. Tapia.

      La batalla de Egipto continúa · ELPAÍS.com

      29/01/2011

      BBC Brasil – Blog do Editor – A temida voz dos árabes

      Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 11:17 pm
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      Rogério Simões | 2011-01-28, 13:31

      egitoblog.jpgOs ventos revolucionários da Tunísia chegaram ao Egito. Depois da derrubada do regime do tunisiano Zine Al-Abidine Ben Al, que desfrutou de poder quase absoluto por 23 anos, a fúria das chamadas "ruas árabes" se dirige agora contra o líder egípcio. No controle da terra dos faraós há 29 anos, Hosni Mubarak é o alvo da revolta e desejo de mudança da população local. As cenas de caos em vários pontos do país, especialmente no Cairo, sugerem uma nação transformada. De forma espontânea, sem necessariamente ligação com grupo político algum, cidadãos das mais diferentes tendências e ideologias tomaram as ruas para dizer "basta" a um regime autoritário. Mas, ao contrário dos protestos que derrubaram o comunismo na Europa na virada da década de 80 para a de 90, no exterior os movimentos populares árabes geram tanto otimismo quanto preocupação.

      O regime de Mubarak é um dos principais aliados dos Estados Unidos no mundo árabe. Recebe de Washington quase US$ 2 bilhões anuais em ajuda econômica e militar, ficando atrás apenas de Israel. Nos últimos anos os Estados Unidos vêm dizendo que essa ajuda precisa ser acompanhada de abertura política e econômica, mas Mubarak nunca sinalizou intenção de mudar as regras do jogo. Pelo contrário: aos 82 anos, o líder egípcio vinha indicando sua intenção de passar o poder para seu filho, Gamal, repetindo o ritual dinástico de nações como Síria ou Jordânia.

      Os Estados Unidos nunca condenaram abertamente o modelo político do Egito nem os planos de Mubarak para o país, e o presidente Barack Obama tem sido cauteloso ao defender o direito da população de se manifestar. Obama e seus antecessores nunca esqueceram as circunstâncias em que Mubarak chegou ao poder, em 1981. Ele ocupava a vice-Presidência quando o presidente, Anwar Sadat, que dois anos antes havia assinado o histórico e polêmico acordo de paz com Israel, foi assassinado. Fundamentalistas usaram granadas e metralhadoras contra o presidente e convidados durante uma parada militar. Outras 11 pessoas morreram, e o próprio Mubarak foi ferido. Já na Presidência, Mubarak enfrentou um ressurgimento das ações de fundamentalistas, especialmente nos anos 90, quando um grande atentado em Luxor deixou mais de 50 turistas estrangeiros mortos. A resposta de Mubarak foi um regime cada vez mais fechado, sem direito a dissidências ou manifestações, comandado por truculentas forças de segurança sobre as quais sempre houve a suspeita do uso sistemático da tortura.

      A receita sempre foi tolerada por Washington, que teme as consequências para a região da derrubada de regimes autoritários, mas aliados ao Ocidente. Exemplos passados aumentam tal preocupação. Em 1991, as eleições na Argélia foram vencidas no primeiro turno pelo partido islamista, a Frente Islâmica de Salvação, o que levou as autoridades a cancelar a segunda votação. O Exército assumiu o poder, o que levou a uma guerra civil marcada por massacres de civis e um saldo de 200 mil mortos. As eleições palestinas de 2006 resultaram na vitória do Hamas e a consequente divisão política da Palestina, com a Faixa de Gaza nas mãos do grupo religioso e a Cisjordânia sob controle da Autoridade Nacional Palestina. No próprio Iraque, onde uma tentativa de democracia foi imposta militarmente pelos Estados Unidos, a situação interna segue muito mais instável e violenta do que nos tempos de Saddam Hussein.

      Com os recentes aumentos de preços dos alimentos, que impôs dificuldades extras a populações já sofrendo com a estagnação econômica, tornou-se ainda mais difícil para regimes autoritários árabes controlarem seus cidadãos. Depois de Tunísia e Egito, protestos foram registrados também no Iêmen. Somada a décadas de frustração e repressão, uma realidade de desemprego e inflação solapa as estruturas do tradicional modelo político local. Estados Unidos, Israel e líderes de outras autocracias locais acompanham os acontecimentos no Cairo com apreensão. Mas sabem que barrar os ventos de mudança é missão quase impossível, e a única opção parece ser ajustar a direção para a qual eles sopram. Isso se não estivermos diante de um verdadeiro furacão.

      BBC Brasil – Blog do Editor – A temida voz dos árabes

      Zero Hora não publicaria este texto!

      Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 9:36 pm
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      A Voltaire Schilling, in memoriam!

       

      MubarataPor que os Estados Unidos temem democracia no mundo árabe

      por Luiz Carlos Azenha

      Vamos começar deixando de lado a ideia de que o que se passa no mundo árabe é uma revolução do twitter, do facebook, da Al Jazeera ou das mídias sociais.

      O Vinicius Torres Freire acertou, na Folha. “De acordo com esses correspondentes, não seria possível haver Revolução Francesa, Russa, maio de 1968, Diretas-Já ou as revoluções que derrubaram as ditaduras comunistas, dado que na maioria dessas revoluções não havia nem telefones”, escreveu ele.

      Voltarei ao tema.

      Vinicius acerta de novo, mais adiante, quando toca no ponto central: os milhões de jovens desempregados e sem perspectivas de vida que vivem no mundo árabe.

      Não tenho muita experiência de reportagens na região, a não ser por algumas semanas trabalhando no Iraque, na Jordânia e no Marrocos.

      Em todos esses lugares testemunhei a frustração dos jovens árabes (na periferia de Casablanca, no Marrocos, fui a uma favela cercada de altos muros brancos, onde a pobreza era devastadora mesmo pelos padrões africanos).

      Nunca me esqueço do desabafo de um jovem palestino, morador de Amã, na Jordânia, sobre o drama pessoal que enfrentava: a falta de condições  para pagar o dote, casar e conseguir morar com a esposa em endereço próprio.

      São esses dramas pessoais, multiplicados por milhões, que movem hoje o que se costuma chamar de “rua árabe”. Dramas que se desenrolam diante de governos autoritários, corruptos e completamente desligados da realidade das ruas.

      Aí, sim, é preciso notar o impacto das tecnologias da informação, mas muito mais da telefonia celular e da TV via satélite do que propriamente das mídias sociais, muito embora as lanhouses fervilhem em quase todas as grandes cidades do mundo árabe.

      Depois de um rápido processo de urbanização, a frustração dos jovens árabes agora se dá num cenário em que eles são expostos diariamente aos objetos de consumo e ao padrão de vida que “recebem” via satélite, especialmente nos intervalos das transmissões de futebol europeu (no norte da África há mais torcedores do Manchester United do que no Reino Unido, por exemplo).

      Washington sustenta o governo egípcio à base de cerca de 5 bilhões de dólares anuais.

      É muito pouco provável que o governo Obama vá além de declarações vazias a respeito do governo ditatorial de Hosni Mubarak, ou de “platitudes” em defesa da liberdade de expressão da população.

      A reticência dos Estados Unidos — e de todos os governos ocidentais — em relação ao Egito tem relação com o fato de que qualquer democratização para valer dos países árabes aumentará o poder dos partidos islâmicos (a Irmandade Islâmica, por exemplo, no Egito).

      Foi prometendo combater a corrupção e promovendo serviços sociais que o Hamas  e o Hizbollah ganharam legitimidade respectivamente em Gaza e no Líbano.

      Notem, nas próximas horas, como os governos ocidentais vão enfatizar a necessidade de “preservar a estabilidade” e a “segurança” dos governos árabes que estão na defensiva.

      Democracia nos países árabes resultaria em governos menos submissos aos Estados Unidos, mais “antenados” com as ruas e, portanto, muito mais agressivos em defesa dos direitos e dos interesses dos palestinos — para não falar em defesa de seus próprios interesses.

      Será muito curioso observar, nos próximos dias, a dança hipócrita dos que defendem apaixonadamente a democracia no Irã mas se esquecem de fazer o mesmo quando se trata do Egito. Inclusive no Brasil.

      PS do Viomundo: Vamos ver se o governo Obama deixa de fornecer gás lacrimogêneo e outros equipamentos de “segurança” ao governo Mubarak, por exemplo.

      Por que os Estados Unidos temem democracia no mundo árabe | Viomundo – O que você não vê na mídia

      Europa y la revolución democrática árabe · ELPAÍS.com

      Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 8:59 am
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      JAVIER VALENZUELA 29/01/2011

      egito_mubarakEn el norte de África la historia late en estos momentos con intensidad. La chispa de la inmolación del joven tunecino Mohamed Bouazizi ha prendido en el secarral de paro, autoritarismo y corrupción que se extiende desde el Atlántico al mar Rojo. Las llamas de la protesta juvenil ya han abrasado al dictador tunecino Ben Ali y chamuscan esta semana a su colega egipcio Mubarak. Decenas de miles de personas salieron ayer de nuevo a las calles de El Cairo y otras ciudades para exigir el fin de una autocracia que se prolonga desde hace tres décadas y que pretende perpetuarse desvergonzadamente en la figura de Gamal, el hijo del actual rais, del faraón Mubarak. Desde el balcón septentrional del Mediterráneo, Europa contempla este fuego liberador con estupor y aprensión.

      Al decir Europa me refiero a su establishment. Sin duda, somos muchos los europeos abochornados por el silencio de nuestros Gobiernos ante movimientos democráticos que podemos ver en vivo y en directo en cadenas de televisión como Al Jazeera, que podemos seguir, y compartir con sus protagonistas, en Twitter y Facebook y que solo cabe saludar con alborozo. No pocos ciudadanos de París, Londres, Berlín, Barcelona, Madrid, Lisboa o Roma compartimos incluso esa sensación que tienen tantos norteafricanos de que Europa ha terminado por convertirse en un obstáculo a la llegada de las libertades al Magreb y el valle del Nilo.

      En el mejor de los casos, la política oficial europea hacia los países norteafricanos ha consistido en ofrecerles ayuda económica y acuerdos comerciales para ver si así se desarrollaban allí clases medias que permitieran algún día una mayor convergencia entre ambas riberas del Mediterráneo. En el peor, ha hecho la vista gorda ante las violaciones de los derechos humanos y las corrupciones de los regímenes con tal de que garantizaran el suministro de gas y petróleo, los que lo tienen como Libia y Argelia, y, en todos los casos, controlaran los flujos migratorios y machacaran a los islamistas.

      En privado, los responsables políticos europeos más honestos reconocen que las cláusulas formales vinculando ayudas y acuerdos al desarrollo de los derechos humanos en esos países nunca han sido aplicadas. Los europeos jamás se han plantado, jamás han levantado la voz ante un Ben Ali o un Mubarak, por citar solo a los autócratas protagonistas a su pesar de este mes de enero.

      Por obvias, no vale la pena hablar de las contradicciones de semejante realpolitik con los principios y valores de la Europa contemporánea, la que se dice heredera de la Ilustración, la Revolución de 1789 y la reconciliación franco-alemana. Menos evidente, pero no por ello menos cierto, es el hecho de que esa actitud no es tan realista como pretende. Parte de un peligroso despropósito: el inmovilismo de los regímenes norteafricanos, su enroque en el autoritarismo y la cleptocracia, no hace sino incrementar la frustración e indignación de sus pueblos, alimentando tanto las pulsiones migratorias como el extremismo político.

      Pero hay más: la visión oficial europea ignora los profundos cambios registrados en el norte de África en los últimos tiempos. Para empezar, la emergencia de juventudes urbanas con estudios primarios, secundarios y hasta universitarios, y con acceso al mundo vía la televisión por satélite e Internet. Y así vemos estos días cómo en Túnez y Egipto decenas de millares de chavales reclaman que se les trate con dignidad y se les permitan las libertades básicas existentes en Europa y América. Volvieron a repetirlo ayer los manifestantes de El Cairo a cualquier periodista occidental que les ofreciera un micrófono.

      Para sorpresa de muchos, los manifestantes de Túnez y Egipto no piden Gobiernos teocráticos; los temidos islamistas están inicialmente ausentes de sus protestas. Y es este otro elemento que cabría analizar a fondo: la probabilidad de que haya comenzado el reflujo de la marea islamista iniciada en los setenta y ochenta del pasado siglo con la revolución iraní del ayatolá Jomeini y el asesinato del rais egipcio Sadat. La vida es móvil, lo que sube baja, el análisis de ayer puede no servir para hoy.

      El temeroso pasmo europeo ante las revueltas de Túnez y Egipto contrasta con una más afinada actitud norteamericana. Obama en persona ensalzó el martes la lucha tunecina por la libertad, y, el miércoles, su Administración, pese a que Egipto es para Estados Unidos clave en la seguridad de Israel, instó a Mubarak a ser "receptivo" ante las "necesidades legítimas" de su pueblo y subrayó su apoyo a los "derechos universales de libertad de expresión, asociación y reunión".

      No sería de extrañar que los jóvenes norteafricanos, como en su tiempo ocurrió en Europa del Este, terminen viendo en Estados Unidos -el de Obama y su discurso de El Cairo; no el de Bush y la guerra de Irak- un amigo democrático algo más creíble que el representado por la Vieja Europa. Al fin y al cabo, hace tiempo que Washington terminó por permitir que la democracia se desarrollara en su patio trasero latinoamericano.

      Los sucesos de este enero han confirmado que los jóvenes tunecinos, aunque desorganizados y carentes de un claro liderazgo, no iban a conformarse con la salida de Ben Ali y su familia. La revolución del jazmín y de la sangre ha proseguido y ha conseguido ir arrancando la amnistía, el regreso de los exiliados, la legalización de todos los partidos y la deslegitimación del régimen de Ben Ali y sus principales cabecillas. Con una actitud europea comprometida a fondo, esa que aún no hemos visto, los tunecinos bien podrían terminar convirtiendo a su pequeño país en la primera democracia norteafricana. Sería un hecho venturoso no solo para la libertad, sino también para la seguridad en toda la cuenca mediterránea.

      Sumado al ya existente ejemplo de Turquía, Túnez desmontaría así el estereotipo que proclama la incompatibilidad sustancial entre lo árabe y/o el islam y la democracia, tan estúpido como el que afirmaba lo mismo a propósito de países latinos y católicos como España y Portugal. Resulta asombroso, dicho sea de paso, que algunos europeos que se dicen ilustrados compartan hoy con el mismísimo Bin Laden el dogma de esa incompatibilidad.

      Los egipcios lo tienen más difícil. En el seno de una población inmensa y en gran medida campesina y analfabeta, los laicos y demócratas son allí proporcionalmente más minoritarios que en Túnez. Por su parte, el régimen de Mubarak es más sólido policial y militarmente, lleva tres décadas recibiendo miles de millones de dólares anuales de ayuda norteamericana a tal efecto. Además, la realpolitik occidental, expresada en el miedo a un Gobierno de los Hermanos Musulmanes en la vecindad de Israel, juega en contra del cambio en el valle del Nilo.

      No obstante, algunos elementos de las últimas horas resultan esperanzadores. En primer lugar, la incorporación a las protestas egipcias de El Baradei, el premio Nobel que no se doblegó ni ante Bush ni ante Mubarak, ofrece a los demócratas egipcios una referencia y un liderazgo del que han carecido los tunecinos. En segundo, la amplitud de las manifestaciones de ayer, viernes, confirma que los opositores egipcios a Mubarak van a por todas. Y en tercero, Obama calificó en una entrevista televisada de "legítimas" las reivindicaciones de los egipcios y advirtió a Mubarak contra el uso de la violencia para intentar ahogarlas.

      La afirmación crucial en la Declaración de Independencia de Estados Unidos es aquella que proclama la igualdad sustancial de todos los seres humanos y su condición de titulares de "derechos inalienables", entre ellos "la vida, la libertad y la búsqueda de la felicidad". A comienzos de los ochenta, desde Polonia se alzó un grito que reclamaba estos derechos y que, una década después, ya había conseguido derribar el muro de Berlín y el imperio soviético. ¿Representarán lo mismo para el norte de África estas revueltas democráticas? Mucho podría contribuir Europa a que así fuera, pero para ello tendría que operarse de cataratas

      Europa y la revolución democrática árabe · ELPAÍS.com

      28/01/2011

      Os cornetas se voltam contra a Revolução Jasmim

      Filed under: RBS — Gilmar Crestani @ 10:08 pm
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      A revolução desencadeada na Tunísia, está se estendendo às demais ditaduras de tendência pró-americana no Oriente Médio. Ditador bom é aquele com os quais os interesses ocidentais estejam protegidos. Os que sempre estão a postos para condenar o Irã, esqueciam da Tunía, Egito, Jordânia, Síria e outros de menor cotação.

      A mais recente medida do ditador egípcio, amigo dos ocidentais, Mubarak, foi cortar telefones e internet.

      As manifestações que vem acontecendo naqueles países na esteira do que aconteceu na Tunísia tem sido de particular relevância para conhecer a índole democrática de alguns ferrenhos acusadores da “ditadura” Chávez.

      É claro que, para escrever na Zero Hora, o cara tem de se sujeitar às regras do patrão. Só isso já é suficiente para se ter uma idéia de quem formará o panteão dos escolhidos. Democráticos como o pecuarista Paulo Brossard ou como o franco atirador Percival Puggina ou acéfalos como Lasier Martins, não surpreendem pelo simples fato de conhecermos onde batem ponto. Vez que outra, um leva um pontapé na bunda, como o bagaço Luis Carlos Prates.

      Já o estoriador Voltaire Schilling, que pelo nome não se perca, esperava um pouco mais de sutileza. Santa ignorância. Como diria o Barão de Itararé, “de onde menos se espera, de lá mesmo é que não sai nada”. Embora houvesse elementos para duvidar do pensamento democrático do historiador da RBS,  por opiniões a serviço do patrão, a mais recente investida desnuda ainda mais.

      Pinço duas frases que resumem as idéias do “historiador” da Zero Hora a respeito da Revolução do Jasmim, publicada na Zero Hora desta sexta, 28/01/2011:

      Esta apatia e conformismo dos árabes com seus regimes é que explica o fato de que H. Mubarak governe o Egito há 30 anos, M. Kadafi é ditador da Líbia há 42 anos, o rei Mohammed VI do Marrocos herdou o trono do pai há 21 anos e o rei Abdullah II da Jordânia é herdeiro de  uma ‘dinastia” criada por Churchill em 1921, enquanto Saddam Hussein tiranizou o Iraque por 25 anos e seu parceiro na Síria, o general Hafez al-Assad, mandou em Damasco por 30 anos, legando ainda a cadeira o seu filho Bashar.”

      O Verissimo escreveu certa feita que tem dias que única informação correta do jornal é data. Parodiando, pode-se afirmar que a única informação correta do historiador da RBS são os nomes próprios. Voltaire jamais escreveria que foi a apatia  e o conformismo que permitiu que a ditadura brasileira começasse e terminasse à moda militar. Sob o taco da bota.  Se o próprio professor não pode escrever diferente do que pensam seus patrões, porque os jovens sob ameaça de tortura e morte poderiam se manifestar?

      A conclusão do seu Schilling é lapidar: “A rebelião das massas árabes, ainda que tenha intenções democráticas, é percebida com desconfiança e ceticismo. Pode lhes ser pior do que o autoritarismo”.

      Para bom entendedor, meia palavra basta.  Para o brilhante hagiógrafo dos ditadores, há algo pior do que o autoritarismo, uma república teocrática… com exceção da israelense, claro. Voltaire pode entender de boimate, cruza de boi com tomate, mas não entende nada de massas.

      Parodiando Churchill, Schilling é o pior dos celetistas da RBS, com exceção de todos os outros.

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