Ficha Corrida

25/08/2015

ENEM se fala mais nisso

OBScena: membro da Ku Klux Klan sendo atendido por médicos negros

KuKluxKlansendosocorridopormdicosnegrosOs grupos mafiomidiáticos, cabresteados por uma oligarquia excludente e preconceituosa, tem feito guerra contra qualquer política pública que busca abrir espaços mais republicanos de acesso aos bens e serviços públicos. Toda vez que se cria política pública de universalização e de melhoria para os mais necessitados, a gritaria é geral, mas restrita aos privilegiados de sempre. Privilegiados inclusive em se fazer ouvir.

Foi assim com o SUS, com as políticas de cotas e inclusão social, com o ENEM, com Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos.

Cotas raciais

Para combater a política de cotas do Governo Lula, a Globo escalou Ali Kamel para perpetrar um petardo chamado “Não somos racistas”. O livro teve sua serventia. A Rede Globo avocou o direito de dizer o que é e o que não é racismo. Só uma empresa de jornalismo dirigida por ETs poderia sair-se com algo tão ridículo. Assim, a política de cotas serviu não só para resgatar uma dívida histórica com amplo segmento marginalizado da nosso sociedade, mas serviu ainda mais para mostrar quem são os que ainda hoje se aproveitam deste apartheid. Que pode haver alguns problemas na política de cotas não esta dúvida. Basta citar caso do Joaquim Barbosa e Mathias Abramovic, médico carioca, branco de olhos verdes, que se inscreve mais uma vez como cotista para uma vaga reservada a negros no Itamaraty. Embora estes dois casos tenham sido usados para detonar com a política de cotas, o que fica claro que é há pessoas de mau caráter em todas as etnias. Algo bem diferente é dizer que não há necessidade de cotas porque “não somos racistas”. Para complementar os dois exemplos anteriores, e ficando somente entre os famosos, que a realidade da vida real é ainda mais cruel, basta trazer a baila mais dois nomes ligados, em lados opostos, ao racismo: Rachel Sheherazade e Maria Júlia Coutinho, a Maju, apresentadora do Jornal Nacional da Rede Globo.E, para finalizar, ainda ontem saiu a informação que a polícia do Rio de Janeiro aborda ônibus e interrompe a viagem de jovens negros com destino à zona sul da cidade. Para encerrar, a guerra do Ali Kamel e da Rede Globo contra as cotas raciais fez brotar de maneira assustadora os movimentos nazi-fascistas.

Saúde Pública

O SUS/SAMU, o maior programa de saúde pública do mundo, é uma grande vítima. Por desvios funcionais, de caráter e de informação, a parcela da sociedade que não só tem recursos próprios para tratar da própria saúde como também pode adquirir plano de saúde particular, é a que mais ataca o SUS. Veja-se o caso do MBL, um grupelho de jovens desocupados mas muito bem finanCIAdos, se insurge contra qualquer política governamental que ouse usar recursos públicos em prol dos mais necessitados. Na marcha dos vadios para Brasília, um dos onze integrantes foi atropelado. Não foi seu plano privado de saúde que o resgatou e levou ao hospital público mantido pelo SUS. Foi a SAMU. Da mesma forma, quando a global famiglia Huck sofreu acidente aéreo, quem socorreu não foi seu plano privado, foi o SUS. Ainda dentro deste assunto é importante registrar que no Governo FHC foi criada a CPMF. O dinheiro que deveria te sido usado na saúde pública foi utilizado para qualquer coisa, menos para o fim a que foi criada. Bastou mudar o governo, e para impedir que o dinheiro passasse a ser utilizado de fato em saúde pública, a mesma classe reacionária, aquela que abriga os 300 picaretas do Eduardo CUnha, extinguiu a CPMF.

Exame Nacional de Ensino Médio

Uma das maiores batalhas contra os governos Lula e Dilma deu-se com a criação do ENEM. Em uníssono, todos os assoCIAdos do Instituto Millenium martelaram dia e noite contra um dos programas de interesse público mais bem concebidos. A Veja faz sentido. Ela usa os dinheiros da venda de informação, que não é tributado, para entrar no mercado da educação. E não é só a distribuição de milhares de assinaturas pelos sucessivos governos do PSDB em São Paulo. Entrou também para o ramo dos livros didáticos. Os demais, para atenderem seus financiadores ideológicos, deste logo investiram contra. Lembro que em Porto Alegre, meninas de classe média e frequentadoras de cursos pré-vestibulares botaram narizes de palhaço e foram pra rua protestar. Elas ganharam espaço, os jovens de origem humilde e de periferia que sempre lutaram por mais acesso à educação pública gratuita e de qualidade, nunca tiveram espaço. Acontece que com o ENEM tem acesso às Universidade Públicas não aqueles filhos de classe média e média alta que puderam frequentar boas escolas particulares ou que puderam pagar caros cursinhos pré-vestibulares. Afinal, o que é público deve ser de acesso para todos os públicos. Não é engraçado que aqueles que advogam o ensino privado tenham lutado tanto para o acesso exclusivo ao ensino superior público? Por que não se contentaram com o ensino nas Faculdades Privadas? O ENEM, aliado a outras políticas públicas, como as cotas e o PROUNI, permitiram o acesso ao ensino superior a jovens que de outra forma chamais conseguiriam. As salas ficaram com uma cara mais parecida com a nossa heterogênea sociedade. Hoje, filho de pedreiro, de doméstica, de colono e outras tantas profissões mais simples tem acesso e compete com jovens de classes altamente privilegiadas. A efetiva mudança na sociedade vai demorar mais para ficar mais perceptível. Há que se esperar que essa nova leva de jovens retornem dos estudos e se integrem no mercado de trabalho para que a defesa destas políticas se torne mais contundente.

Luz para Todos

Vide o caso dos programas Minha Casa Minha Vida e o Luz para Todos. É constrangedor ver colegas que usam o financiamento da Caixa para adquirir moradia combaterem o uso de dinheiro público no programa Minha Casa Minha Vida. Embora em menor escala, também por ser um programa público, o Luz para Todos foi ferrenhamente combatido. O exemplo da luz é paradigmático e simboliza o ódio de classe que desnorteia a cabeça de nossa direita Miami. Ao contrário da última frase atribuída ao poeta alemão, Goethe, nossas elites não querem “luz, mais luz”, porque em terreno escuro quem tem lanterna de celular comando o tráfico.

Mais Médicos, Menos HiPÓcrisia

E por fim o Mais Médicos. Nada é mais emblemático do atraso mental, e por isso também mais simbólico, de nossas elites do que o programa Mais Médicos. Nem o bloqueio das contas de poupança pela Zélia Cardoso de Mello no governo Collor provou ira maior do que a vinda de médicos para atender a população onde não havia médicos. Os ataques não se devem apenas à perda do poder econômico de uma classe, mas atinge o seu mundo simbólico. Os cursos de Medicina eram redutos de acesso extremamente difícil. E um pouco devido a esta dificuldade, os formandos, genericamente falando, pensavam e alguns ainda pensam, que se tratava de uma cesso a um garimpo com pepitas garantidas. Pode-se dizer que foi este programa que fez com que a brasa do fascismo que estava coberta de cinza se destapasse. As manifestações mais raivosas, de mais baixo nível foi contra este programa de atendimento ao público mais carente de acesso à saúde pública. Se é verdade que poderia ser melhor, também é verdade que é melhor um médico nas condições atuais do que nenhum. É uma conclusão de uma clareza meridiana mas que mentes obnubiladas de ódio não captam. O problema maior continua sendo de comunicação, de informação. Acontece que há espaço para quem, por razões óbvias, condena este programa, mas pouco espaço se dá para mostrar o que aconteceu nos lugares onde eles estão. Não se ouve o público que está sendo atendido por este serviço.

Os mais jovens, por não terem vivenciado outra realidade, não têm ideia de como as coisas funcionavam há 15, 20 anos atrás. Os mais velhos hão de lembrar de como era difícil consultar um médico no INAMPS… Cursar uma faculdade pública…

08/11/2014

Coisas que o gaúcho fala

Ali Aranha comeu KamelSirvam nossas patranhas  de modelo a toda terra. Para quem é gaúcho, tudo o que não faz sentido acaba ganhando sentido. A começar pelo hino. Afinal, “povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. Para justificar a escravidão o único argumento foi dizer que era um “povo que não tinha virtude”. Virtudes como a deputado Luis Carlos Heinze, o tiririca gaúcho, deputado federal mais votado do RS, que se elegeu com o lema de que “índios, gays e quilombolas não prestam”. 

Quando alguém diz impunemente o que disse Heinze abre-se a porteira para que brotem Wilson B. Duarte da Silva. Ninguém ouvirá de Pedro Simon um discurso contra seus racistas. Se o fizesse, perderia sua virgindades junto à RBS. Ele que está sempre com o dedo em riste para acusar os outros, em situações como esta não abre a boca, mas leva seu dedo sujo direto do rabo para o nariz.

Não causa surpresa quando um clube do tamanho do Grêmio seja o primeiro, e tomara seja o único,  a ser excluído de uma competição nacional por racismo. Tudo isso só é possível porque nos meios de comunicação o discurso racista já foi legitimado de antemão. Quando o maior responsável pelo jornalismo na Rede Globo escreve um livro para tentar provar que “Não somos racistas”, e o faz sob a benção de quem deveria zelar pela boa informação, tudo o mais está legitimado. Os maiores defensores da torcida racista do Grêmio batem cartão-ponto na RBS. Graças a RBS Pinochet é mais popular no RS que no Chile. Todos as pessoas que se destacam pelo conservadorismo, pelo ódio irracional aos movimentos sociais acabam ganhando espaço cativo na RBS. Que o diga Luis Carlos Prates

Que existam dois racistas como Luis Carlos Heinze & Wilson B. Duarte da Silva, não seria anormal não fossem ambos sufragados por votações democráticas consagradoras. Consagrados por dois tipos de eleitores, mal informados ou mal intencionados. De qualquer forma, só poderia acontecer onde a Rede Globo, via RBS, detém 80% do mercado de informação. O ódio aos nordestinos brota das mesmas raízes plantadas por empresas como a Multilaser e o Banco Itaú. Até porque quem financia o preconceito preconceituoso é.

Não é mero acaso que a meritocracia de aluguel do Aécio Neves, aquele que teve tudo menos por mérito, fez sucesso no RS. As bandeiras conservadoras, notadamente preconceituosas, encontram terreno fértil no RS. Por aqui, só valem políticas que transferem rendas para quem já tem. Uma velha lógica muito bem defendida pela nossa velha escola do Direito: “dar a cada um o que é seu; aos pobres, a pobreza, aos ricos a riqueza”.

"Negros já saem com loiras e comem em restaurantes. Estão quase brancos"

A frase acima é do vereador Wilson B. Duarte da Silva (PMDB) e foi proferida durante discurso contra vagas reservadas aos negros no serviço público

vereador racismo rio grande do sul

Vereador Wilson B. Duarte da Silva (PMDB-RS)

Durante discussão na Câmara de Rio Grande (RS) de projeto acerca da reserva de 20% de vagas para pessoas autodeclaradas negras ou pardas a fim de ingressarem no serviço público municipal, o vereador Wilson B. Duarte da Silva (PMDB) constrangeu boa parte do público presente. De acordo com o parlamentar, “os negros querem se favorecer, isso que é racismo, afinal os negros já estão quase brancos, estão saindo com loira, polaca, estão comendo em restaurantes…”. Leia abaixo texto de Jailton de Freitas Neves, coordenador do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe, publicado no Jornal Agora:

“Na Sessão Plenária em que a pauta discutida na Câmara de Vereadores do Rio Grande/RS era o Projeto de Lei que dispõe sobre a reserva de 20% de vagas para autodeclarados negros e pardos para o ingresso no serviço público municipal. A Casa Legislativa estava amplamente ocupada por representantes de movimentos negros, coletivos, ONG’s, assim como cidadãs de diversos setores da sociedade riograndina, dentre as manifestações dos parlamentares, causou repúdio a todos presentes a fala do vereador Wilson B. Duarte da Silva (Kanelão), do PMDB.

VEJA TAMBÉM: Por que me tornei a favor das cotas para negros

O vereador Kanelão não se constrangeu em desqualificar a luta do Povo Negro entoando um discurso desrespeitoso àqueles que lutam por igualdade de oportunidades e contra toda forma de opressão: “Os negros querem se favorecer, isso que é racismo, afinal os negros já estão quase brancos, estão saindo com loira, polaca, estão comendo em restaurantes…”

Desprezando os índices estatísticos nacionais e a realidade de nossa periferia, assegurou que o povo negro não necessita de políticas públicas para inserção no mercado de trabalho, uma vez que já frequentam restaurantes, galgam posições e até casam-se com brancas (os). Para o Vereador, o alegado embranquecimento dos Negros da cidade do Rio Grande, respalda a posição contrária às ações afirmativas. Não é de espantar a posição do vereador Kanelão – como representante da burguesia – à defesa de seus interesses. Discurso de teor racista, que seguido de vaias, causou indignação a todos.

Dados divulgados pelo próprio governo demonstram que a mestiçagem racial não democratizou, de maneira alguma, as relações entre as “raças”. Isso simplesmente porque a riqueza do nosso País não foi “miscigenada”. Nos últimos dez anos dos governos do PT, os homicídios praticados contra jovens brancos diminuíram 33%, enquanto entre os jovens negros cresceu 23,4%. Os negros que representam 52% da população brasileira aparecem como 67% dos moradores das favelas. O número de 41.127 negros mortos, em 2012, e 14.928 brancos é um retrato cruel das diferenças raciais no Brasil e apenas apontam o estado emocional subjacente que vive cada pessoa e cada família negra brasileira.

Embora trabalhem tanto quanto os brancos, os negros recebem salários muito menores. Conforme a Síntese de Indicadores Sociais 2012, publicada pelo IBGE, enquanto um branco recebe em média 3,5 salários mínimos mensais, uma simples mudança no tom da pele derruba esse rendimento para 2,2 salários no Estado, o que representa uma diferença de 59%.

Como a dominação de classe, combinada à opressão racial, se manteve, o mito da democracia racial permanece até hoje como escudo ideológico dessa dominação/opressão. O Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe repudia o discurso e atitude do vereador Kanelão e se coloca como alternativa na luta contra o racismo burguês e capitalista e na defesa dos trabalhadores (as) negros(as) do Rio Grande. Esta luta transcende as questões raciais, pois mostra ser uma luta de classe, que precisa ser combatida com todo vigor.”

"Negros já saem com loiras e comem em restaurantes. Estão quase brancos"

21/09/2014

Bico grande, cérebro pequeno e muita pelanca

Filed under: Ódio de Classe,High Society da feiura,Massa Cheirosa — Gilmar Crestani @ 10:24 pm
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Alô, alô, marciano: Tá cada vez mais down the high-society…

21 de setembro de 2014 | 19:30 Autor: Fernando Brito

aeciolites

Imperdível a coluna de Monica Bergamo, hoje, na Folha.

Dispensa comentários que desenhem mais claramente  a tragédia de São Paulo, e a do Brasil.

Marina e Aécio dividem o tradicional reduto tucano do high society de SP

O high society paulistano rachou. Sempre um bloco sólido e praticamente homogêneo nas eleições, socialites, empresárias e profissionais liberais de classe A/B da cidade, a maioria do circuito Jardins-Higienópolis-Vila Nova Conceição, seguem unidas na rejeição ao PT. Mas divergem, neste ano, sobre como tentar bater a presidente Dilma Rousseff nas urnas. Votar em Marina Silva, uma novidade? Ou em Aécio Neves, do já velho e conhecido PSDB?

Os primeiros sinais da divisão surgiram quando Rosangela Lyra, ex-diretora da Dior no Brasil, organizou um encontro com coordenadores da campanha de Marina Silva, há duas semanas. A lista de convidadas era extensa. Nem todas apareceram.

“Eu fui convidada, mas não fui lá. Imagina!”, diz Deuzeni Goldman, a Deuza, mulher do ex-governador de SP, Alberto Goldman, do PSDB. “Sou amiga da Rosangela e tudo. Mas só tinha tucana [na reunião], pelo que eu sei. Todas as que estão indo para a Marina. Gente que sempre foi fechada com a gente, de repente não sei o que é que deu nesse pessoal. Uma loucura.”

Deuza foi rápida: na semana passada, ajudou a socióloga Maria Helena Guimarães a organizar um encontro com o próprio Aécio Neves.

“Sou Aécio até o fim. É uma via segura. Marina é uma incógnita”, diz ela à repórter Eliane Trindade. “Depois de 12 anos de corrupção, o Brasil não merece uma presidente que não tem maioria no parlamento. Como ela é pura, não vai fazer aliança, não terá meios de governar. Está achando que é mágica. Com uma varinha de condão, entra lá e resolve tudo. Não é possível que o brasileiro médio não entenda isso. As pessoas menos esclarecidas até podem embarcar nessa onda de comoção, de que ela é uma predestinada. Mas a candidatura não tem consistência. Meu marido está perplexo.”

“Marina sempre foi ligada ao PT, sempre foi oportunista”, afirma Deuza. “Foi vereadora, senadora, ministra do Lula e ficou quietinha na época do mensalão. Deixou o partido para tentar ser presidente pelo PV. Saiu para fundar a Rede, não conseguiu e foi parar no PSB, que apoiou o Lula e a Dilma por 12 anos. Ninguém sabe o que ela pensa de verdade.”

Ela volta a falar do encontro de Marina. “Eu vi que a [publicitária] Bia [Aydar] foi, a [socialite] Ana Paula Junqueira também. Ela era amiga do Aécio, de passar férias em Angra. É muito louco. Ana Paula quer entrar pra política não sei há quanto tempo. Ela disputa e nunca consegue, quem sabe viu uma brecha aí [com Marina]. Mas, enfim, isso não vem ao caso.”

Ana Paula diz que vota em Marina “para tirar a alternância de PSDB e PT no poder”.

Deuzeni fica aliviada ao saber que os argumentos dos marineiros não convenceram Bia Aydar, que já trabalhou com Fernando Henrique Cardoso e Aécio: “Ainda bem”.

Bia Aydar explica: “Eu adoro duas pessoas que estão com a Marina, o Álvaro de Souza [ex-presidente do Citibank], que amo de paixão, e o Waltinho [Walter Feldman, coordenador da campanha]. Pensei: se tanta gente que conheço fala que Marina é a salvação, isso e aquilo, quero ouvir”. Ouviu. Pouco entendeu. “Não respondiam lé com cré.” Quando Feldman falava, “ficava claro. Mas os outros [marineiros] era coisa muito utópica, sabe? Muito Marina? As pessoas querem votar nela pra não votar no PT. ‘Tô cheia, vamos votar no diferente.’ Mas não me convenceu. Voto no Aécio.”

Já Rosangela diz que a maioria das convidadas saiu convicta de que Marina é “a melhor opção”. “Quem veio ao encontro veio com a ideia de que ia votar na Marina porque, dos males, o menor. E saiu dizendo que vai votar nela por ser a mudança que a gente quer. Com a Marina não vai ter essa história de 40 partidos com listinha pedindo cargos. Ela quer governar o Brasil como uma empresa.”

No encontro, os marineiros foram questionados se, por exemplo, os conselhos defendidos por Marina não são “excesso de democracia” que leva “a própria democracia ao caos”. “Valeu a pena esclarecer”, diz Rosangel

Caso Marina não vá para o segundo turno, aí sim Rosangela vota em Aécio. “Eu já falei que Dilma basta. Se para o segundo turno for o pastor [Everaldo], eu vou no pastor, entendeu? O Brasil não merece mais esse governo. Não quero a continuidade.”

Já para o governo de SP, ela vota em Geraldo Alckmin, “com todas as minhas forças”. Se ele for eleito, o PSDB completará 19 anos no poder. “Essa continuidade é fantástica para o Estado. Não é que eu quero mudança porque eu enjoei, não. Quero mudança do que não funciona.”

A dona da loja de móveis Ornare, Esther Schattan, foi aos dois encontros, de Marina e de Aécio. Ela já tinha ido a uma reunião com Eduardo Campos, “encantador também, como todos os políticos. E Marina tem uma fé incrível. Cada um que você ouve, acredita. Esse é o dom deles”.

Esther segue indecisa. A presença do economista André Lara Resende, que foi presidente do BNDES no governo de Fernando Henrique Cardoso, na equipe econômica de Marina Silva embaralha ainda mais as coisas. “Tem tucanos com Marina e com Aécio.” O ideal, diz, seria que “os dois se juntassem. Aí, ganhavam disparado, seria 100% dos nossos votos já no primeiro turno”. Por enquanto, “está todo mundo no muro”.

“Eu acordo Marina, vou dormir Aécio e acordo Marina de novo”, diz a designer Elisa Stecca. “Gosto infinitamente quando penso no ministro da Fazenda dele. O Armínio Fraga [anunciado para o cargo pelo tucano] é o ponto forte do Aécio. Mas ele tem um discurso pobre. Quero votar a favor de algo e não só contra o PT.” Marina tem “mais a ver comigo”, diz. Mas “dá medo. É uma incógnita”.

As pesquisas que mostraram Aécio Neves ganhando pontos, na semana passada, animaram a agropecuarista Carmen Célia Goulart Monteiro a reverter votos de amigas indecisas ou que “marinaram”. “A maioria pensou no voto útil contra o PT. Mas Aécio está reagindo”, dizia ela, uma das primeiras a chegar ao PSDB, onde ocorreu o encontro com o candidato.

A empresária Mariana Laskani foi aparentemente resgatada na reunião tucana. “Muitos amigos me ligaram para dizer para não votar no Aécio porque corria o risco de a Dilma ganhar. Fiquei em dúvida. Mas sempre fui Aécio, Alckmin e [José] Serra.” A amiga Mariana Berenguer reforçava: “Vou votar nele pela equipe. Conheço Armínio Fraga, ele é brilhante.”

A advogada Marcela Monteiro de Barros, do projeto “Sonho Brasileiro da Política”, prefere Marina. Mas seu marido, Roberto Coelho Neto, da Enabler Investments, está na corrente do voto útil. “Ele é super Aécio. Só que vai votar na Marina –não porque prefira, mas por ela ter mais condições, no segundo turno, de enfrentar a Dilma. Vi muita gente migrando do Aécio para ela por causa disso.”

Marcela vive na ponte aérea Rio-SP e diz que os encontros com candidatos se multiplicaram. “Eu soube de um que a Patrícia Villela, a mulher do Ricardo Villela, vice-presidente do Itaú, fez para o Aécio e para a Marina. Vi muita gente fazendo encontro para eles. E, sinceramente, ninguém para a Dilma.”

A coluna conversou com mais de 30 mulheres desse círculo social. Só encontrou duas que declaram voto em Dilma: Eleonora Rosset, amiga de Marta Suplicy e mulher do dono da Valisere, Ivo Rosset (“sou Dilma e não vou mudar”). E Roberta Luchsinger, herdeira do Credit Suisse e mulher do deputado Protógenes Queiroz (PC do B-SP).

“Dilma é firme, honesta”, diz Roberta. “Ela enfrentou o Obama, a Marina segue o [pastor] Malafaia. Quando dizem que, se a Dilma ganhar, o Brasil vira Venezuela, respondo que, com a Marina, vai virar Vietnã. Quem acha que Dilma é ditadora não conhece a Marina. Será um retrocesso. Eu me mudo no outro dia. Uso minha cidadania suíça e vou embora do Brasil.”

Alô, alô, marciano: Tá cada vez mais down the high-society… | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

15/06/2014

Matriz dos reis dos camarotes VIP está em alta

ali kamelÉ óbvio que depois de Egito, Líbia, Síria, Venezuela e Ucrânia, os bons serviços da CIA seriam testados no Brasil. Afinal, não há terreno mais fértil do que onde a matilha de vira-latas só faz crescer. Fazendo coro aos que costumam dizer “só podia ser no Brasil”, eis aí o que acontece e porque, na matriz. E para coordenar os serviços há a Rede Globo, onde o jornalismo é comandado por alguém que ousou escrever um livro para dizer que no Brasil não há racismo… Não somos racistas

O comportamento da elite branca levada pelo Itaú e Sony aos camarotes VIP do Itaquerão, faz jus às orientações que vem da matriz. Se soma à elite branca burra, de que já tratou o insuspeito Cláudio Lembo da direita paulistana, também os amestrados pelos pastores do apocalipse. O ódio aos pobres pela elite branca amestrada pela Rede Globo encontra paralelo no conservadorismo religioso dos fundamentalistas que atacam minorias. Ataques aos homossexuais, às religiões africanas ou aos indígenas, como fez recentemente o âncora que a RBS desovou para estas eleições, Lasier Martins, é resultado da cultura do ódio de classe que existe no Brasil.

Filhos da Ku-Klux-Klan

Número de grupos de ódio, que defendem a supremacia branca nos Estados Unidos, cresceu 56% desde 2000 e chegou a 940 em todo o país; além de negros, alvos agora incluem também outras minorias

ISABEL FLECKDE NOVA YORK

A imagem de uma cruz incendiada por homens sob túnicas e capuzes brancos, para muitos, representa um ódio racial que ficou para trás nos EUA, após meio século da aprovação da Lei dos Direitos Civis no país.

A cena, no entanto, segue sendo repetida a cada ano, por homens também encapuzados e identificados com a ideologia da Ku Klux Klan, durante congressos nacionais de grupos como o The Knights Party (Partido dos Cavaleiros), fundado em 1975.

A organização faz parte dos 940 grupos de ódio em atividade nos EUA hoje, segundo o Southern Poverty Law Center (SPLC), centro que mapeia esse tipo de atividade no país. De 2000 a 2013, o número dessas organizações subiu 56%.

O "boom" ocorreu, na verdade, após a eleição de Barack Obama, o primeiro presidente negro do país, em 2008. Mark Potok, pesquisador do SPLC, no entanto, pondera: "não foi simplesmente pela eleição de Obama, mas principalmente pelos fatores que o levaram até lá, como a mudança na demografia nos EUA". E tudo isso agravado pela crise econômica.

Uma estimativa do Pew Research Center mostra que, até 2060, a parcela branca da população cairá para 43%. Em 1960, os brancos representavam 85% dos americanos.

A resposta veio na mobilização e na radicalização do discurso. Hoje, o mapa do ódio é composto, principalmente, por grupos que pregam a supremacia branca e cristã americana, se opondo não só a negros, mas a tudo que "foge" ao seu padrão de nação: imigrantes, judeus, muçulmanos e gays.

Entre os supremacistas, estão os nacionalistas brancos, os chamados "skinheads racistas", neonazistas e os próprios "herdeiros" da Ku Klux Klan –estes com mais de 150 grupos e entre 5.000 e 8.000 membros. A maior presença dos supremacistas ainda é, como há 50 anos, em Estados do sul, como Mississippi, Tennessee e Geórgia.

Mas há ainda organizações específicas anti-imigrantes, anti-LGBT, os neoconfederados (nacionalistas anti-imigrantes) e separatistas.

Considerando todas as vertentes, é a liberal Califórnia que concentra a maior parte dos grupos de ódio (77), seguida da Flórida e do Texas –três Estados com forte presença de imigrantes latinos.

NAÇÃO BRANCA

William Johnson, presidente do American Freedom Party, listado como grupo de ódio pelo SPLC, defende a proibição de casamentos entre brancos e negros e o separatismo, a fim de criar uma "nação branca".

"Diversidade e multiculturalismo são sinônimos de genocídio branco. Eu quero que nossas escolas primárias tenham só crianças loiras, de olhos claros, crescendo e aprendendo a ser boas para a comunidade. Eu não quero que nos tornemos o Brasil", disse Johnson, por telefone, à Folha.

Seu partido tem pouco mais de 2.000 membros e um candidato ao Senado da Virgínia Ocidental. Johnson, contudo, recusa o título de grupo de ódio e nega que o partido incentive a violência contra negros ou latinos. "Colocar pessoas de todas as cores juntas gera violência. Hoje a violência racial é principalmente de negros contra brancos", afirma.

O discurso da vitimização, adotado por grande parte dos supremacistas hoje, não é comprovado, contudo, nos números. Segundo o FBI (polícia federal americana), dos cerca de 3.300 crimes motivados por ódio racial em 2012, por exemplo, 66% deles foram contra negros e 22% contra brancos.

SUÁSTICA

"Raça" foi a principal motivação (48%) dos cerca de 5.800 crimes de ódio no mesmo ano, seguida por orientação sexual e religião.

"Grupos que defendem o ódio, certamente, têm um impacto sobre a prática de crimes nos EUA. Mas enquanto alguns dos mais notórios criminosos têm laços com esses grupos, outros agem por conta própria", observa Matthew Drake, diretor da Unidade de Direitos Civis do FBI.

Na última segunda (9), um casal matou dois policiais em Las Vegas e deixou uma suástica sob os corpos. As investigações não mostraram ligação deles com algum grupo.

A morte de James Craig Anderson, negro, funcionário de uma fábrica em Jackson, Mississippi, por um grupo de jovens brancos em junho de 2011, desencadeou uma série de protestos.

A irmã de Anderson, Barbara, pediu, durante o julgamento, um esforço conjunto pela "reconciliação racial não só no Mississippi, mas em todo o país".

À Folha, ela disse esperar que a Justiça puna os culpados. "Ainda têm muito mais gente para ir para a cadeia." Até agora, apenas um dos jovens recebeu sua sentença: prisão perpétua.

22/02/2014

E depois a Globo diz que não há racismo

Filed under: Fascismo,Ku Klux Kan,Racismo — Gilmar Crestani @ 9:29 am
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peleO racismo da sociedade é uma extensão da mídia. Se os capos da Globo defendem que não há racismo no Brasil  e suas novelas ostentam apenas loiras, inclusive quando se passam na Bahia, porque não haveria políticos afinados com o racismo institucional da Globo para entrarem judicialmente contra a política de cotas?

A verdade é que a sociedade se alimenta e segue como manada a Globo racismo implícito e explícito da Globo. Mulher negra na Globo só se for pelada, durante o carnaval, como se a Globo fosse um grande açougue nas mãos destes magarefes.

A ditadura da mídia monopolista continuará produzindo aberrações  como esta por muitos anos.

O que aconteceu com Tinga no Peru acontece todos os dias no Brasil, nos mais diferentes ambientes. Vimos isso na máfia do jaleco branco contra os médicos cubanos, majoritariamente negros, chamando-os de domésticas ou escravos... Como os médicos brasileiros são majoritariamente brancos, a sociedade, de tão anestesiada, fica calada quando não aplaude.

O contínuo massacre contra os movimentos sociais, criminalizando preferencialmente manifestantes negros, é apenas uma das faces dos grupos fascistas encastelados nos grupos mafiomidiáticos.

Daí para atearem foto numa foto do Pelé como símbolo dos problemas do Brasil é apenas um passo. Qualquer semelhança com a Ku Klux Kan não é mera coincidência.

Mulher de 72 anos terá que indenizar negros ofendidos

Além de prisão em semiaberto, ela pagará R$ 29 mil por xingá-los de macacos

Aposentada negou ofensa relatada em shopping na Paulista; vítima diz que polícia só agiu após ‘carteirada’

MARIO CESAR CARVALHODE SÃO PAULO

"Macaca, eu não gosto de negro; negro é imundo; a entrada de negros no shopping deveria ser proibida; odeio negros, negros são favelados."

A aposentada Davina Castelli, 72, foi condenada na quarta-feira a quatro anos de prisão em regime semiaberto por despejar essa série de injúrias raciais sobre três negros que estavam no Top Center, um shopping da av. Paulista, em novembro de 2012.

Cada um dos três vai receber R$ 28.960 por danos morais. Os injuriados foram a corretora Karina Chiaretti, 36, a vendedora Suelen Meirelles e o supervisor predial Alex Marques da Silva, 23.

A juíza Giovana de Oliveira determinou que ela seja presa imediatamente, o que não é comum, por "descaso e desrespeito à Justiça". Ela não foi presa ainda. A Folha não conseguiu localizá-la.

A aposentada não recebeu o oficial que foi intimá-la nem contratou advogado de defesa, apesar de ser de classe média –trabalhou na área jurídica da Aeronáutica.

Ao oficial, disse que não ia responder processo algum nem falar com juiz. Ela só depôs na delegacia, onde negou ter ofendido os negros.

A Defensoria Pública, que a defendeu, entrou anteontem com habeas corpus para suspender a prisão imediata.

Castelli é conhecida na avenida Paulista. Caminha com um andador e, segundo frequentadores, são comuns os xingamentos dela contra negros e nordestinos.

Na farmácia onde ocorreu o crime no shopping, ela pediu para "ser atendida por alguém da minha cor". Na portaria do seu prédio, colado ao cine Gazeta, um porteiro negro diz ter ouvido dela : "Macaco! Volta para a selva?".

Há até mesmo um vídeo no YouTube com o título "Racista da Paulista", no qual ela ofende um policial.

Um dos porteiros do seu prédio diz que ela é lúcida. É a mesma impressão da advogada Carmen Ferreira, presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

"Ela deveria ter sido levada para a delegacia por um PM, mas disse que precisava tomar um remédio e se trancou no apartamento. Isso não é comportamento de louca", diz a representante da OAB.

POLÍCIA

Karina Chiaretti, que estava com a filha de 8 anos quando foi ofendida, diz que tão grave quanto as injúrias foi o comportamento da polícia.

"A polícia não está preparada para crimes raciais. A escrivã não queria registrar o caso. Ela disse: Vai embora que isso não vai dar em nada. Já tem seis BOs [boletins de ocorrência] por racismo contra essa mulher’", diz.

Chiaretti conta que a polícia só passou a tratá-la melhor, quando voltou à delegacia três dias depois, porque seu tio, o militante negro Hélio Santos, ligou para o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e reclamou.

"Sem carteirada’, esse caso não teria andado", afirma.

Marques da Silva, outro ofendido, afirma que os policiais diziam: "Por que vocês não deixam isso pra lá?’ Eu precisava voltar para o meu trabalho, mas pensei melhor: não vou aceitar esse tipo de humilhação. É demais".

Chiaretti e Marques da Silva criticam o comportamento do shopping, que, para eles, foi omisso. "Essa mulher xingou todo mundo no shopping por mais de cinco anos e ninguém fez nada", diz Marques da Silva. O shopping não quis se pronunciar.

Colaborou ARETHA YARAK, de São Paulo

19/01/2014

Nós vamos invadir sua praia

Filed under: Grupos Mafiomidiáticos,Rolezinho — Gilmar Crestani @ 8:33 am
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O hoje direitista Róger, da banda Ultraje a Rigor, compôs aquela música que é a comprovação de que pimenta no dos outros é refresco. Róger sabia que Shopping é a praia de paulistano. Invadir a praia dos outros era tão legal, invadir sua praia, shopping, não é nada legal.

Tome-se o exemplo de Porto Alegre. Onde foram parar os campos que existiam atrás do Chocolatão? E aqueles do Cristal, onde hoje há uma floricultura e um estacionamento de ônibus, ao lado do Hipódromo? Também estão sumindo aqueles entre a Pereira Paiva e o Guaíba. Quando vim do interior jogava peladas nestes campos. Havia campeonatos neles. Sem espaço por aqui, meus conterrâneos, incluindo dois dos meus irmãos, criaram o Esporte Clube Campo Branco em Viamão.  Onde estão os espaços públicos de Porto Alegre?

A direita não se apropria só dos espaços. Também tenta capturar as manifestações de insatisfação. As manifestações de julho incluíam jogar merda na RBS e na Globo, tanto que seus funcionários não podiam acompanhar as manifestações com os logotipos dos respectivos grupos. Tentaram direcionar contra o Governo Federal, mas estava terminantemente proibido discutir a corrupção municipal, estadual ou empresarial. Os 650 milhões de sonegação da Rede Globo não poderia ser pauta, e isto explica a invisibilidade dos manifestantes que carregavam cartazes contra a corrupção dos grupos mafiomidiáticos.

‘Rolezinhos’ têm raízes na luta pelo espaço urbano

James Holston, professor da Universidade da Califórnia, prevê novos protestos

Antropólogo estuda a periferia de SP desde os anos 80 e diz que reação da PM e dos shoppings aos ‘rolês’ foi exagerada

ELEONORA DE LUCENADE SÃO PAULO

Como os protestos de junho passado, os "rolezinhos" são manifestações de uma cidadania insurgente cujas raízes estão na luta pelo espaço urbano que ocorre há décadas no Brasil. A análise é do antropólogo James Holston, professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA).

Pesquisador da periferia paulistana desde os anos 1980, ele avalia que a politização do movimento foi provocada pela repressão exagerada e pouco inteligente.

Autor de "Cidadania Insurgente" (Companhia das Letras, 2013), Holston tem ligações familiares com o Brasil e passa temporadas em São Paulo. Nascido em Nova York, estudou também filosofia e arquitetura.

Nesta entrevista, concedida por telefone desde os EUA, ele comenta o consumismo cantado no funk ostentação, trilha de "rolezinhos": "Do ponto de vista político, significa o triunfo de um capitalismo deslumbrado, como ocorre no Brasil nos últimos 20 anos em todas as classes".

Folha: Como o sr. avalia os "rolezinhos"?
James Holston – Os "rolezinhos" existem há tempos nas periferias. Frequentei muito o shopping Aricanduva por causa de minhas pesquisas na zona leste. O shopping é a praia do paulistano. Essa juventude não está excluída dos shoppings. Estão entre os melhores fregueses.
A diferença foi o número de pessoas. Deu medo nos lojistas. Passear, brincar, paquerar nos shoppings se politizou agora por causa da repressão policial e da reação dos donos de shoppings. Reprimir nos primeiros "rolezinhos" no fim de dezembro foi uma reação exagerada, pouco inteligente e pouco ágil. O "rolezinho" nunca teve esse aspecto politizado. Agora virou movimento, uma expressão de conquista de espaço.

O sr. estudou os movimentos nas periferias de São Paulo no século passado. Quais são as diferenças em relação ao que ocorre hoje?
Por décadas, o coração da politização das classes mais humildes do Brasil foi conquistar o espaço, o terreno da casa, o bairro, a autoconstrução, a luta. As classes altas também ocupam, conquistam, defendem, segregam seus espaços. As classes trabalhadoras fazem isso conquistando novos direitos de cidadania. Isso muitas vezes afronta as classes médias.
Há em São Paulo uma tensão em torno do espaço que há anos não existia. Antes as classes dominantes dominavam completamente. Agora, não. As classes mais humildes têm noção do direito de ocupar, de viver, de circular.

Como o sr. explica o funk ostentação, espécie de trilha sonora dos "rolezinhos"?
É uma releitura paulistana do funk carioca, passando pela Baixada Santista. A pauta mudou da criminalidade para o consumo.

Essa ideia de consumismo exacerbado não se choca com a herança política de luta por espaço, que era mais coletiva?
Claro. O consumo na autoconstrução nos bairros nos anos 1970, 1980, 1990 era mais coletivo: todo mundo trabalhando. Esse consumo de hoje é também de autoconstrução, mas, personalista. Do ponto de vista político, significa o triunfo de um capitalismo deslumbrado, como ocorre no Brasil nos últimos 20 anos em todas as classes.

E o que mostra a reação aos "rolezinhos"?
As elites sempre reprimiram as manifestações populares por conquista de espaço. A mensagem é de que o pobre tem que saber o seu lugar; pode circular humildemente, fazendo o seu serviço. Mas, se circula com ostentação, mostrando que é dono de sua própria vida, ofende e afronta a elite brasileira.

Há ligação com as manifestações de junho?
Há uma articulação politizada nos dois casos. A polícia tem que assumir uma culpa muito grande, pois teve uma reação exagerada. Os "rolezinhos" são continuidade dos movimentos de junho, pois têm a ver com ocupação de espaço, com circulação.
Há diferenças; não há homogeneidade. Os "rolezinhos" são mais focados no consumo, na produção cultural, têm menos organização política. Mas podem vir a ter.

Quais os reflexos políticos dos "rolezinhos"? Eles vão crescer ou murchar?
É difícil prever. A rapaziada dos "rolezinhos" não quer ser politizada em demasia. Querem voltar à praia do shopping, para paquerar, zoar. Não quer dizer que não possam evoluir, ou outros grupos possam adotar a tática. Acho que isso vai acontecer. Vai ser um ano quente e deveria ser. Porque as reivindicações de junho não foram atendidas e também não sumiram. O que vai acontecer com toda essa energia? Com a chegada da Copa, vai esquentar.

O gigante acordou?
Muitos disseram isso. Outros, que a periferia nunca dormiu. A cidadania insurgente está sempre presente. Esquenta e esfria dependendo de circunstâncias impossíveis de prever. O Brasil vibra nos últimos 50 anos de cidadania insurgente. É uma coisa ótima para sacudir uma sociedade de muita desigualdade.

07/01/2014

As mulas da Globo

Filed under: Ali Kamel,Mulata,Racismo,Rede Globo de Manipulação — Gilmar Crestani @ 11:53 am
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Concurso para miss na Bahia só tem loira. Já concurso para mostrar a bunda, a Globo só quer mula..ta! É que, segundo o Ali Kamel, no Brasil não há racismo. Só açougue!

Bem vindos ao Brasil colonial: a mula, a mulata e a Sheron Menezes

Postado em 03 Jan 2014

por : Diario do Centro do Mundo

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“Nossos irmãos estão desnorteados

Entre o prazer e o dinheiro desorientados

Mulheres assumem a sua exploração

Usando o termo mulata como profissão

É mal…(Chegou o Carnaval, Chegou o Carnaval)

Modelos brancas no destaque

As negras onde estão?

Desfilam no chão em segundo plano

Pouco original mais comercial a cada ano

O carnaval era a festa do povo

Era … mas alguns negros se venderam de novo

Brancos em cima negros em baixo

Ainda é normal, natural, 400 anos depois (…)

Bem vindos ao Brasil colonial e tal…”

Voz Ativa, Racionais Mc’s.

Alguns disseram: que bom, enfim o negro está adentrando a televisão. Outros, não ingênuos e mais acostumados com as artimanhas da rede Globo, não acharam algo tão bom assim. Porque, infelizmente, a mulher negra só aparece na televisão em dois momentos: ou é escrava/doméstica, ou é mulata no carnaval e nas duas visões ela está sendo colocada a serviço do homem branco. É bom que conheçam a raiz desse termo “mulata” e saibam que ele não é bom como muitos pensam.

O termo ‘mulato’ vem das palavras em espanhol e português para a mula, que baseiam-se no termo em latim mulus que significa a mesma coisa. A mula é o produto resultante do cruzamento do cavalo com burra, ou seja, passou a aplicar-se ao filho de homem branco e mulher negra. O termo mulata tem raiz baseada em um animal, igualmente como o “criolo”, termo que se usava pra designar os negros antigamente, que também era o nome de uma raça de cavalo.

Acompanhando recentemente o concurso para eleger a nova Globeleza (mulher que deve representar a rede Globo no carnaval como a famosa “mulata” ícone do carnaval), tive duas reações primárias: primeiro me surpreendi com o número grande de negras na televisão, porque é algo que não acontece sempre e,segundo, percebi a total sexualização dos seus corpos, que se acentuou com a foto divulgada no instagram da atriz negra Sheron Menezes, onde ela exibe as mulheres de costas, apenas com a bunda em destaque quase como um troféu, como se a mulher só fosse isso: um corpo pra ser usado.

O ‘criolo’ não é mais usado tão livremente, mas se adotou o ‘mulata’ como um termo bonito e nada pejorativo. Não é só um nome porque é carregado de história, uma história que demonstra que a mulher negra está ali a serviço dos indivíduos que só a aceitam se ela estiver limpando seu chão, carregando carga, ou rebolando no seu colo, pois esse é o jeito que um bom animal domesticado deve agir. A mulher negra é tratada constantemente como um animal e um souvenir que o turista vem buscar no carnaval: “Venham turistas, temos mulheres negras gostosas para oferecer a vocês! Também temos boas empregadas pra limpar as suas sujeiras!”

Sim, sabemos que 125 anos se passaram e a escravidão acabou, porém as suas práticas continuam bem vindas e são aplaudidas por muitos de nós na novela das nove e no programa do Faustão, “pouco original, mas comercial a cada ano”. No tempo da escravidão, as mulheres negras eram constantemente estupradas pelo senhor branco e carregavam o papel daquela que deveria servir sexualmente sem reclamar, nem pestanejar e ainda deveria fingir que gostava da situação, pois esse era o seu dever. Hoje nós, mulheres negras, continuamos atreladas àquela visão racista do passado que dizia que só servíamos para o sexo e nada mais.

O mais problemático é que usam essa imagem do negro na televisão tentando nos enganar como se nos aceitassem, que estão nos colocando na televisão por boa vontade, que a mulher que está nessa situação “escolheu isso deliberadamente”. Mas esquecem de informar que nos concursos de beleza como Garota Fantástica, Musa do Brasileirão, Musa do Caldeirão etc — concursos da mesma emissora, igualmente machistas e estúpidos, que representam a beleza padrão — não havia nenhuma mulher negra entre as concorrentes. Por que será? Simplesmente porque a mulher negra não representa a beleza padrão, ela representa o sexo, o selvagem, o folclórico.

Se não for isso ela é invisível, se acaso ela não trabalhe por esses padrões pré-estabelecidos pela mídia. Até no carnaval, que deixou de ser uma festa do povo, desde que eu me conheço por gente raramente vejo uma mulher negra como destaque de escola de samba, apenas mulheres brancasm — “famosas” que podem até, em sua maioria, nem saberem o que é carnaval, mas estão na avenida. Enquanto as negras que moram dentro da comunidade onde a escola trabalha seu show o ano inteiro, saem sem destaque, sem câmeras, sem atenção.

Todo ano quando o carnaval está pra chegar eu me preparo psicologicamente pra chuva de estereótipos e de hiperssexualização da mulher negra. Não me levem a mal, eu adoro o carnaval, mas nós como negros não podemos nos acomodar com esse tipo de representação, fazer como a “querida” Sheron Menezes e apoiar a exploração do corpo da mulher negra como se isso fosse algo normal. Temos que colocar o pé no chão, pois por mais que pareça, isso não é o Brasil Colônia e não somos mais escravos: é nossa vez de lutar contra o racismo de modo inteligente, não dando ibope para os racistas da Rede Globo, nem naturalizando o lugar do negro em lugar de inferioridade.

Zumbi, Dandara, Mandela e tantos outros lutaram para que o racismo não tenha voz em tempos consideravelmente mais pesados que esse. Então nesse momento é a nossa vez de dar as cartas e reverter o jogo. Como dizia o poema Oliveira Silveira: “Querem que a gente saiba que eles foram senhores e nós fomos escravos. Por isso te repito: eles foram senhores e nós fomos escravos. Eu disse fomos.” Não é a Globo, a Sheron, a novela, os turistas, ou o que seja, que vai nos dizer o contrário: não somos mais escravos, por isso, negros e negras, não aceitem essa colocação!

O texto acima foi publicado originalmente no site Blogueiras Negras.

05/11/2013

Classe média & meritocracia

Filed under: Classe Mérdia,Meritocracia — Gilmar Crestani @ 9:27 pm
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Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira

Enviado por Renato Souza, qua, 30/10/2013  Autor: Renato Santos de Souza (UFSM/RS)

A primeira vez que ouvi a Marilena Chauí bradar contra a classe média, chamá-la de fascista, violenta e ignorante, tive a reação que provavelmente a maioria teve: fiquei perplexo e tendi a rejeitar a tese quase impulsivamente. Afinal, além de pertencer a ela, aprendi a saudar a classe média. Não dá para pensar em um país menos desigual sem uma classe média forte: igualdade na miséria seria retrocesso, na riqueza seria impossível. Então, o engrossamento da classe média tem sido visto como sinal de desenvolvimento do país, de redução das desigualdades, de equilíbrio da pirâmide social, ou mais, de uma positiva mobilidade social, em que muitos têm ascendido na vida a partir da base. A classe média seria como que um ponto de convergência conveniente para uma sociedade mais igualitária. Para a esquerda, sobretudo, ela indicaria uma espécie de relação capital-trabalho com menos exploração.

Então, eu, que bebi da racionalidade desde as primeiras gotas de leite materno, como afirmou certa vez um filósofo, não comprei a tese assim, facilmente. Não sem uma razão. E a Marilena não me ofereceu esta razão. Ela identificou algo, um fenômeno, o reacionarismo da classe média brasileira, mas não desvendou o sentido do fenômeno. Descreveu “O QUE” estava acontecendo, mas não nos ofereceu o “PORQUE”. Por que logo a classe média? Não seria mais razoável afirmar que as elites é que são o “atraso de vida” do Brasil, como sempre foi dito? E mais, ela fala da classe média brasileira, não da classe média de maneira geral, não como categoria social. Então, para ela, a identificação deste fenômeno não tem uma fundamentação eminentemente filosófica ou sociológica, e sim empírica: é fruto da sua observação, sobretudo da classe média paulistana. E por que a classe média brasileira e não a classe média em geral? Estas indagações me perturbavam, e eu ficava reticente com as afirmações de dona Marilena.

Com o passar do tempo, porém, observando muitos representantes da classe média próximos de mim (coisa fácil, pois faço parte dela), bem como a postura desta mesma classe nas manifestações de junho deste ano, comecei lentamente a dar razão à filósofa. A classe média parece mesmo reacionária, talvez não toda, mas grande parte dela. Mas ainda me perguntava “por que” a classe média, e “por que” a brasileira? Havia um elo perdido neste fenômeno, algo a ser explicado, um sentido a ser desvendado.

Então adveio aquela abominável reação de grande parte da categoria médica – justamente uma categoria profissional com vocação para classe média – ao Programa Mais Médicos, e me sugeriu uma resposta. Aqueles episódios me ajudaram a desvendar a espuma. Mas não sem antes uma boa pergunta! Como pode uma categoria profissional pensar e agir assim, de forma tão unificada, num país tão plural e tão cheio de nuanças intelectuais e políticas como o nosso? Estudantes de medicina e médicos parecem exibir um padrão de pensamento e ação muito coesos e com desvios mínimos quando se trata da sua profissão, algo que não se vê em outros segmentos profissionais. Isto não pode ser explicado apenas pelo que se convencionou chamar de “corporativismo”. Afinal, outras categorias profissionais também tem potencial para o corporativismo, e não o são, ao menos não da mesma forma. Então deveria haver outra interpretação para isto.

Bem, naqueles episódios do Mais Médicos, apesar de toda a argumentação pretensamente responsável das entidades médicas buscando salvaguardar a saúde pública, o que me parecia sustentar tal coesão era uma defesa do mérito, do mérito de ser médico no Brasil. Então, este pensamento único provavelmente fora forjado pelas longas provações por que passa um estudante de medicina até se tornar um profissional: passar no vestibular mais concorrido do Brasil, fazer o curso mais longo, um dos mais difíceis, que tem mais aulas práticas e exigências de estrutura, e que está entre os mais caros do país. É um feito se formar médico no Brasil, e talvez por isto esta formação, mais do que qualquer outra, seja uma celebração do mérito. Sendo assim, supõe-se, não se pode aceitar que qualquer um que não demonstre ter tido os mesmos méritos, desfrute das mesmas prerrogativas que os profissionais formados aqui. Então, aquela reação episódica, e a meu ver descabida, da categoria médica, incompreensível até para o resto da classe média, era, na verdade, um brado pela meritocracia.

A minha resposta, então, ao enigma da classe média brasileira aqui colocado, começava a se desvelar: é que boa parte dela é reacionária porque é meritocrática; ou seja, a meritocracia está na base de sua ideologia conservadora.

Assim, boa parte da classe média é contra as cotas nas universidades, pois a etnia ou a condição social não são critérios de mérito; é contra o bolsa-família, pois ganhar dinheiro sem trabalhar além de um demérito desestimula o esforço produtivo; quer mais prisões e penas mais duras porque meritocracia também significa o contrário, pagar caro pela falta de mérito; reclama do pagamento de impostos porque o dinheiro ganho com o próprio suor não pode ser apropriado por um Governo que não produz, muito menos ser distribuído em serviços para quem não é produtivo e não gera impostos. É contra os políticos porque em uma sociedade racional, a técnica, e não a política, deveria ser a base de todas as decisões: então, deveríamos ter bons gestores e não políticos. Tudo uma questão de mérito.

Mas por que a classe média seria mais meritocrática que as outras? Bem, creio que isto tem a ver com a história das políticas públicas no Brasil. Nós nunca tivemos um verdadeiro Estado do Bem Estar Social por aqui, como o europeu, que forjou uma classe média a partir de políticas de garantias públicas. O nosso Estado no máximo oferecia oportunidades, vagas em universidades públicas no curso de medicina, por exemplo, mas o estudante tinha que enfrentar 90 candidatos por vaga para ingressar. O mesmo vale para a classe média empresarial, para os profissionais liberais, etc. Para estes, a burocracia do Estado foi sempre um empecilho, nunca uma aliada. Mesmo a classe média estatal atual, formada por funcionários públicos, é geralmente concursada, portanto, atingiu sua posição de forma meritocrática. Então, a classe média brasileira se constituiu por mérito próprio, e como não tem patrimônio ou grandes empresas para deixar de herança para que seus filhos vivam de renda ou de lucro, deixa para eles o estudo e uma boa formação profissional, para que possam fazer carreira também por méritos próprios. Acho que isto forjou o ethos meritocrático da nossa classe média.

Esta situação é bem diferente na Europa e nos EUA, por exemplo. Boa parte da classe média europeia se formou ou se sustenta das políticas de bem estar social dos seus países, estas mesmas que entraram em colapso com a atual crise econômica e tem gerado convulsões sociais em vários deles; por lá, eles vão para as ruas exatamente para defender políticas anti-meritocráticas. E a classe média americana, bem, esta convive de forma quase dramática com as ambiguidades de um país que é ao mesmo tempo das oportunidades e das incertezas; ela sabe que apenas o mérito não sustenta a sua posição, portanto, não tem muitos motivos para ser meritocrática. Se a classe média adoecer nos EUA, vai perder o seu patrimônio pagando por serviços privados de saúde pela absoluta falta de um sistema público que a suporte; se advém uma crise econômica como a de 2008, que independe do mérito individual, a classe média perde suas casas financiadas e vai dormir dentro de seus automóveis, como se via à época. Então, no mundo dos ianques, o mérito não dá segurança social alguma.

As classes brasileiras alta e baixa (os nossos ricos e pobres) também não são meritocráticas. A classe alta é patrimonialista; um filho de rico herda bens, empresas e dinheiro, não precisa fazer sua vida pelo mérito próprio, portanto, ser meritocrata seria um contrassenso; ao contrário, sua defesa tem que ser dos privilégios que o dinheiro pode comprar, do direito à propriedade privada e da livre iniciativa. Além disso, boa parte da elite brasileira tem consciência de que depende do Estado e que, em muitos casos, fez fortuna com favorecimentos estatais; então, antes de ser contra os governos e a política, e de se intitular apolítica, ela busca é forjar alianças no meio político.

Para a classe pobre o mérito nunca foi solução; ela vive travada pela falta de oportunidades, de condições ou pelo limitado potencial individual. Assim, ser meritocrata implicaria não só assumir que o seu insucesso é fruto da falta de mérito pessoal, como também relegar apenas para si a responsabilidade pela superação da sua condição. E ela sabe que não existem soluções pela via do mérito individual para as dezenas de milhões de brasileiros que vivem em condições de pobreza, e que seguramente dependem das políticas públicas para melhorar de vida. Então, nem pobres nem ricos tem razões para serem meritocratas.

A meritocracia é uma forma de justificação das posições sociais de poder com base no merecimento, normalmente calcado em valências individuais, como inteligência, habilidade e esforço. Supostamente, portanto, uma sociedade meritocrática se sustentaria na ética do merecimento, algo aceitável para os nossos padrões morais.

Aliás, tenho certeza de que todos nós educamos nossos filhos e tentamos agir no dia a dia com base na valorização do mérito. Nós valorizamos o esforço e a responsabilidade, educamos nossas crianças para serem independentes, para fazerem por merecer suas conquistas, motivamo-as para o estudo, para terem uma carreira honrosa e digna, para buscarem por méritos próprios o seu lugar na sociedade.

Então, o que há de errado com a meritocracia, como pode ela tornar alguém reacionário?

Bem, como o mérito está fundado em valências individuais, ele serve para apreciações individuais e não sociais. A menos que se pense, é claro, que uma sociedade seja apenas um agregado de pessoas. Então, uma coisa é a valorização do mérito como princípio educativo e formativo individual, e como juízo de conduta pessoal, outra bem diferente é tê-lo como plano de governo, como fundamento ético de uma organização social. Neste plano é que se situa a meritocracia, como um fundamento de organização coletiva, e aí é que ela se torna reacionária e perversa.

Vou gastar as últimas linhas deste texto para oferecer algumas razões para isto, para mostrar porquê a meritocracia é um fundamento perverso de organização social.

a) A meritocracia propõe construir uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência, etc.) e não em valores sociais universais (direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade, etc.). Então, uma sociedade meritocrática pode atentar contra estes valores, ou pode obstruir o acesso de muitos a direitos fundamentais.

b) A meritocracia exacerba o individualismo e a intolerância social, supervalorizando o sucesso e estigmatizando o fracasso, bem como atribuindo exclusivamente ao indivíduo e às suas valências as responsabilidades por seus sucessos e fracassos.

c) A meritocracia esvazia o espaço público, o espaço de construção social das ordens coletivas, e tende a desprezar a atividade política, transformando-a em uma espécie de excrescência disfuncional da sociedade, uma atividade sem legitimidade para a criação destas ordens coletivas. Supondo uma sociedade isenta de jogos de interesse e de ambiguidades de valor, prevê uma ordem social que siga apenas a racionalidade técnica do merecimento e do desempenho, e não a racionalidade política das disputas, das conversações, das negociações, dos acordos, das coalisões e/ou das concertações, algo improvável em uma sociedade democrática e pluralista.

d) A meritocracia esconde, por trás de uma aparente e aceitável “ética do merecimento”, uma perversa “ética do desempenho”. Numa sociedade de condições desiguais, pautada por lógicas mercantis e formada por pessoas que tem não só características diferentes mas também condições diversas, merecimento e desempenho podem tomar rumos muito distantes. O Mário Quintana merecia estar na ABL, mas não teve desempenho para tal. O Paulo Coelho, o Sarney e o Roberto Marinho estão (ou estiveram) lá, embora muitos achem que não merecessem. O Quintana, pelo imenso valor literário que tem, não merecia ter morrido pobre nem ter tido que morar de favor em um hotel em Porto Alegre, mas quem amealhou fortuna com a literatura foi o Coelho. Um tem inegável valor literário, outro tem desempenho de mercado. O José, aquele menino nota 10 na escola que mora embaixo de uma ponte da BR 116 (tema de reportagem da ZH) merece ser médico, sua sonhada profissão, mas provavelmente não o será, pois não terá condições para isto (rezo para estar errado neste caso). Na música popular nem é preciso exemplificar, a distância entre merecimento e desempenho de mercado é abismal. Então, neste mudo em que vivemos, valor e resultado, merecimento e desempenho nem sempre caminham juntos, e talvez raramente convirjam.

Mas a meritocracia exige medidas, e o merecimento, que é um juízo de valor subjetivo, não pode ser medido; portanto, o que se mede é o desempenho supondo-se que ele seja um indicador do merecimento, o que está longe de ser. Desta forma, no mundo da meritocracia – que mais deveria se chamar “desempenhocracia” – se confunde merecimento com desempenho, com larga vantagem para este último como medida de mérito.

e) A meritocracia escamoteia as reais operações de poder. Como avaliação e desempenho são cruciais na meritocracia, pois dão acesso a certas posições de poder e a recursos, tanto os indicadores de avaliação como os meios que levam a bons desempenhos são moldados por relações de poder; e o são decisivamente. Seria ingênuo supor o contrário. Assim, os critérios de avaliação que ranqueiam os cursos de pós-graduação no país são pautados pelas correntes mais poderosas do meio acadêmico e científico; bons desempenhos no mercado literário são produzidos não só por uma boa literatura, mas por grandes investimentos em marketing; grandes sucessos no meio musical são conseguidos, dentre outras formas, “promovendo” as músicas nas rádios e em programas de televisão, e assim por diante. Os poderes econômico e político, não raras vezes, estão por trás dos critérios avaliativos e dos “bons” desempenhos.

Critérios avaliativos e medidas de desempenho são moldáveis conforme os interesses dominantes, e os interesses são a razão de ser das operações de poder; que por sua vez, são a matéria prima de toda a atividade política. Então, por trás da cortina de fumaça da meritocracia repousa toda a estrutura de poder da sociedade.

Até aí tudo bem, isso ocorre na maioria dos sistemas políticos, econômicos e sociais. O problema é que, sob o manto da suposta “objetividade” dos critérios de avaliação e desempenho, a meritocracia esconde estas relações de poder, sugerindo uma sociedade tecnicamente organizada e isenta da ingerência política. Nada mais ilusório e nada mais perigoso, pois a pior política é aquela que despolitiza, e o pior poder, o mais difícil de enfrentar e de combater, é aquele que nega a si mesmo, que se oculta para não ser visto.

e) A meritocracia é a única ideologia que institui a desigualdade social com fundamentos “racionais”, e legitima pela razão toda a forma de dominação (talvez a mais insidiosa forma de legitimação da modernidade). A dominação e o poder ganham roupagens racionais, fundamentos científicos e bases de conhecimento, o que dá a eles uma aparente naturalidade e inquestionabilidade: é como se dominados e dominadores concordassem racionalmente sobre os termos da dominação.

f) A meritocracia substitui a racionalidade baseada nos valores, nos fins, pela racionalidade instrumental, baseada na adequação dos meios aos resultados esperados. Para a meritocracia não vale a pena ser o Quintana, não é racional, embora seus poemas fossem a própria exacerbação de si, de sua substância, de seus valores artísticos. Vale mais a pena ser o Paulo Coelho, a E.L. James, e fazer uma literatura calibrada para vender. Da mesma forma, muitos pais acham mais racional escolher a escola dos seus filhos não pelos fundamentos de conhecimento e valores que ela contém, mas pelo índice de aprovação no vestibular que ela apresenta. Estudantes geralmente não estudam para aprender, estudam para passar em provas. Cursos de pós-graduação e professores universitários não produzem conhecimentos e publicam artigos e livros para fazerem a diferença no mundo, para terem um significado na pesquisa e na vida intelectual do país, mas sim para engrossarem o seu Lattes e para ficarem bem ranqueados na CAPES e no CNPq.

A meritocracia exige uma complexa rede de avaliações objetivas para distribuir e justificar as pessoas nas diferentes posições de autoridade e poder na sociedade, e estas avaliações funcionam como guiões para as decisões e ações humanas. Assim, em uma sociedade meritocrática, a racionalidade dirige a ação para a escolha dos meios necessários para se ter um bom desempenho nestes processos avaliativos, ao invés de dirigi-la para valores, princípios ou convicções pessoais e sociais.

g) Por fim, a meritocracia dilui toda a subjetividade e complexidade humana na ilusória e reducionista objetividade dos resultados e do desempenho. O verso “cada um de nós é um universo” do Raul Seixas – pérola da concepção subjetiva e complexa do humano – é uma verdadeira aberração para a meritocracia: para ela, cada um de nós é apenas um ponto em uma escala de valor, e a posição e o valor que cada um ocupa nesta escala depende de processos objetivos de avaliação. A posição e o valor de uma obra literária se mede pelo número de exemplares vendidos, de um aluno pela nota na prova, de uma escola pelo ranking no Ideb, de uma pessoa pelo sucesso profissional, pelo contracheque, de um curso de pós-graduação pela nota da CAPES, e assim por diante. Embora a natureza humana seja subjetiva e complexa e suas interações sociais sejam intersubjetivas, na meritocracia não há espaço para a subjetividade nem para a complexidade e, sendo assim, lamentavelmente, há muito pouco espaço para o próprio ser humano. Desta forma, a meritocracia destrói o espaço do humano na sociedade.

Enfim, a meritocracia é um dos fundamentos de ordenamento social mais reacionários que existe, com potencial para produzir verdadeiros abismos sociais e humanos. Assim, embora eu tenda a concordar com a tese da Marilena Chauí sobre a classe média brasileira, proponho aqui uma troca de alvo. Bradar contra a classe média, além de antipático pode parecer inútil, pois ninguém abandona a sua condição social apenas para escapar ao seu estereótipo. Não se muda a posição política de alguém atacando a sua condição de classe, e sim os conceitos que fundamentam a sua ideologia.

Então, prefiro combater conceitos, neste caso, provavelmente o conceito mais arraigado na classe média brasileira, e que a faz ser o que é: a meritocracia.

Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira | GGN

03/11/2013

Neimar e o racismo de photoshop

Filed under: Neimar,Paulo César Caju,Racismo — Gilmar Crestani @ 8:36 am
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neimarCoincidências de Michel Jackson, Anitta e agora Neimar: ou negam a própria raça, ou embranquecem achando que com isso se tornam palatáveis ou mais aceitos. Em entrevista recente “Neymar diz que nunca sofreu racismo porque não é "preto"”, reiterando o que já dissera anteriormente. Simplesmente, triste! Lendo a matéria sobre Neimar me lembrei de uma entrevista dada à Folha em 30/05/2010, pelo jogador cocainômano e campeão interclubes com o grêmio no Japão em 1983, Paulo César Caju, abaixo:

"Neymar é amarelo?"

Campeão do Mundo com a seleção de 1970, o ex-jogador Paulo César Caju ataca a desunião da categoria no Brasil e diz lamentar a falta de consciência dos atletas negros
SAMY ADGHIRNI
DE SÃO PAULO

O carioca Paulo César "Caju" Lima, 61, brilhou tanto dentro como fora do campo.
Ganhou uma Copa do Mundo (1970), um Mundial Interclubes (1983), uma Copa do Brasil e cinco campeonatos cariocas entre 1967 e 1976.
Rápido e habilidoso, jogou no Botafogo, Flamengo, Vasco, Fluminense, Corinthians e Grêmio, além de ter passagens por times do exterior, a mais marcante no francês Olympique de Marselha.
O apelido veio de um carro amarelado, comprado no início da carreira, que combinava com a cabeleira descolorida do craque bon vivant ligado em livros e museus.
Caju frequentou a nata do jet set internacional, das finas noitadas cariocas às rodas nababescas de Mônaco. Duas décadas depois do fim da carreira e após largar a cocaína, Caju mantém o francês e o espanhol fluentes e a língua, afiada.
Na entrevista abaixo, concedida em um táxi em São Paulo, cidade onde mora com a mulher, ele lamentou a falta de consciência social e racial dos negros no Brasil.

Folha – O que acha da frase do Neymar dizendo que não se considera negro?
Paulo César Caju –
Qual a cor do Neymar? Pelo amor de Deus! Essa é a diferença entre o americano e o brasileiro. Americano fala: "Eu sou negro". Não tem essa de mulato. Tem raça preta, branca e amarela. Neymar é amarelo?

Como você aderiu ao movimento negro?
Minha mãe foi empregada doméstica durante 40 anos. Era como uma escrava, nunca teve direito de estudar. Saía de manhã, voltava de noite e preparava comida para mim e minha irmã. Não conheci meu pai, ele morreu um mês após eu nascer.
A gente morava na favela do morro do Tabajara, em Botafogo. Naquela época os negros esticavam os cabelos com ferro quente, e minha mãe queria que eu fizesse isso também. E eu dizia: "Não quero meu cabelo liso, meu cabelo é duro, pô".
Toda vez que visitava minha mãe no emprego dela, tinha que entrar pelos fundos. Aquilo me deixava puto. Xingava o porteiro, me recusava a ficar na casa dos patrões da minha mãe.
Na área onde eu morava havia o time dos pobres pretinhos contra o dos brancos ricos. O pai do Juan, zagueiro do Roma, é meu amigo de infância, jogávamos juntos. A gente metia porrada neles, não ganhavam uma. A gente chutava a bola de propósito para quebrar os vidros da casa dos brancos.
Comecei a pesquisar os negros americanos, Malcolm X, Angela Davis [leia mais nesta pág.]. Eu me identificava muito com aquilo.
Em 1968, quando os negros americanos deram as costas para o hino dos EUA, achei aquilo maravilhoso.
Tinha coleção de mais de 2.000 discos de Marvin Gaye, Stevie Wonder, Aretha Franklin, Diana Ross.
Vi a briga dos negros norte-americanos para se imporem e resolvi trazer aquilo para o Brasil.

Você comprou muita briga pela causa?
Sim. Quando diziam que só um dos massagistas negros do clube podia viajar, eu brigava para que o outro também fosse. Ia à direção do clube reclamar. Também brigava para que os roupeiros recebessem gratificação.
Também dizia a meus amigos músicos negros que eles tinham que se impor e brigar pelo seu espaço na televisão.

Que episódio de preconceito mais te marcou?
Foi quando estava começando a me firmar no Botafogo. Fui para uma festa de Carnaval num clube fino do Rio e fui barrado pela cor. Já fui barrado em prédio também.

Como o racismo se manifesta no futebol? Algum grande jogador já te discriminou?
Já, mas não vou citar nomes. Levei até cusparada na cara. No Peru, na Colômbia, em Honduras eu sempre ficava observando o comportamento dos negros. Na Argentina não tinha. Lá só vi um, era goleiro, o chamavam de El Negro. Joguei várias vezes contra argentinos, e eles sempre chamavam a gente de "macaquito", "negrito". Mas nunca perdi para eles.
No Brasil também me chamavam de macaco. Respondia dando balãozinho.

Você jogou no Grêmio, que só passou a ter jogadores negros nos anos 1950.
No Sul nunca tive problemas, tanto no Grêmio como no Internacional… Eles me respeitavam. Sei que tem racismo no Sul, mas no Fluminense os funcionários negros entravam pela porta dos fundos. O primeiro clube do Rio a aceitar negros foi o Vasco. Nem no Flamengo tinha.

Você via o futebol como uma resposta à discriminação?
Era minha válvula de escape. Era uma coisa que eu fazia bem, apesar de também ter sido bom aluno. Minha chance era jogando futebol.
Até hoje tem muito restaurante em que você não vê negro. Por quê? Tem negro com posses, em São Paulo e no resto do país. Mas a culpa é do negro, que não se impõe.

Você está pondo a culpa nos negros?
Lógico. Não tem que dar porrada em ninguém, mas tem que se impor. Quando um negro consegue um papel importante em novela da TV Globo, os caras ficam numa felicidade… Tem a Taís Araújo, meu amigo Milton Gonçalves, o Tony Tornado, o Romeu Evaristo, bons atores que costumam ter papeis pequenos. Ou é chofer, cozinheiro ou mordomo.
A imprensa também é culpada, porque diz: "Olha, que legal, deram um papel de destaque para um negro na novela das oito".
Quando a [companhia aérea] Varig estava no auge, nunca vi um comandante negro. Vê se tem algum negro dirigindo um centro espacial ou de alta tecnologia. A culpa é dos negros também, sim.
Os negros no Brasil não são solidários como nos EUA. Morei dois anos em Los Angeles, e senti o poder dos negros lá. É uma coisa muito violenta, mas são unidos.
Por que os negros daqui não criam canais como os dos americanos, que se impõem pelo talento e pela personalidade, como Bill Cosby, Will Smith e Eddie Murphy?

Você acha que jogadores brasileiros negros poderiam se mobilizar mais?
Cada um tem os seus compromissos e, hoje, a classe é individualista, egoísta.
No futebol brasileiro ninguém tem a consciência de bater de frente, de abrir portas, contestar, reivindicar.
Qual foi o grande treinador negro que o futebol brasileiro teve? Didi foi treinador da melhor seleção peruana de todos os tempos e também do River Plate. Zizinho foi técnico da seleção olímpica, mas não da principal. Cláudio Adão já mostrou que é capaz, mas nunca treinou um time do Rio nem em São Paulo.

Tem muito jogador racista hoje em dia?
A gente escuta muita coisa, mas eu não quero acreditar que exista. Tem casos como o do Danilo (Palmeiras) contra o Manoel (Atlético Paranaense). Acho que aquilo era uma briga antiga, de quando jogavam juntos.
Teve o caso do Antônio Carlos, quando jogava no Juventude. Não acho que seja discriminação, é raiva do momento. Porque, se for, tem que botar em cana.
Vi que o Danilo se desculpou. Mas antes de se desculpar tem que pensar no que vai falar, principalmente em relação ao tom da pele. Acho que o Manoel tem que levar até o final, não tem que tirar não. Grafite tinha que ter levado também até o final contra o argentino Desábato.

Você acredita que as coisas podem mudar?
Tem que ter esperança em tudo. Veja o [Barack] Obama, que virou presidente do país mais racista do mundo e no qual os negros sofreram as maiores humilhações, as maiores torturas.

27/10/2013

Azevedo, Magnoli & Pondé, as caras da Folha são

ILUSTRADA EM CIMA DA HORA

Grupo impede debates de colunistas da Folha

Manifestantes em festival na BA suspenderam falas de Demétrio Magnoli e L. F. Pondé

DE SÃO PAULO

Uma manifestação de cerca de 30 estudantes interrompeu ontem duas mesas na Flica (Festa Literária Internacional de Cachoeira), na Bahia.

O protesto pedia o cancelamento de debates com o sociólogo Demétrio Magnoli e o filósofo Luiz Felipe Pondé, colunistas da Folha. A organização da Flica cancelou as mesas para garantir a segurança dos convidados.

A mesa "Donos da Terra? – Os Neoíndios, Velhos Bons Selvagens", da qual participavam Magnoli e a historiadora Maria Hilda Baqueiro Paraíso, foi interrompida 20 minutos após o início do debate, que havia começado às 10h (no horário da Bahia, que não adere ao horário de verão).

Segundo Emanuel Mirdad, um dos organizadores da Flica, os alunos, que estavam sentados assistindo ao debate, gritaram palavras de ordem contra Magnoli, a quem chamaram de racista.

O protesto seguiu com alunos se despindo. Outros estudantes jogaram uma cabeça de porco no palco.

"Eu sou um antirracista e é por isso que sou contra as cotas. Os grupos, a fim de não discutir argumentos sobre cotas, preferem lançar impropérios. Eles não se limitam a fazer isso. Eles depredam o debate", afirma Magnoli.

A organização do festival deslocou seguranças para proteger Magnoli, que se recusou a deixar o palco. Para encerrar a manifestação, os alunos exigiram o cancelamento da mesa em que Pondé participaria, às 20h (hora local) e a divulgação de um manifesto.

Com a participação de Pondé e do sociólogo francês Jean-Claude Kaufmann, a mesa, de nome "As Imposições do Amor ao Indivíduo", discutiria o tema do amor.

A organização do festival permitiu que os estudantes lessem a nota no palco. O evento decidiu cancelar também a mesa com Pondé, que ocorreria à noite.

"[A acusação de racismo] É uma coisa idiota. Quem me lê sabe que eu nunca escrevi nada desse tipo. Isso revela a estupidez do movimento deles e o caráter totalitário e difamatório", afirma Pondé.

"Eu acho errado cota baseado em raça, seja lá qual raça for. O que devia existir é uma escola pública decente, mas dizer que é racismo é mau-caratismo."

Era o quarto dia do festival, previsto para terminar hoje.

A reportagem não conseguiu localizar representantes do grupo de alunos antes da conclusão desta edição.

25/10/2013

Os racistas daqui tem um pé na Globo e outro na RBS

Filed under: Racismo — Gilmar Crestani @ 9:07 am
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Aliás, alguém já viu um negro trabalhando na RBS? Trabalho semelhante ao de escravo não vale…

É mais fácil enfrentar o racismo na Alemanha do que em Salvador

É mais fácil ser negro na Alemanha do que no Pelourinho

É mais fácil ser negro na Alemanha do que no Pelourinho

“Como você lida com o racismo lá?” Essa era a pergunta que eu mais tive de responder ao voltar ao Brasil depois de meu primeiro ano de Alemanha. A minha resposta, que na época surpreendia a todos – inclusive a mim mesma — era sempre: ”Nunca tive de lidar com racismo lá”. Deixa eu explicar direito minha surpresa e minha resposta.

Há onze anos eu tinha acabado de terminar a faculdade e queria ter uma experiência no exterior antes de cair de cabeça no mercado de trabalho e ter de me assumir adulta de uma vez por todas. Como professora de inglês, minha primeira escolha tinha sido a Inglaterra, mas como as coisas graças a Deus nem sempre saem do jeito que a gente planeja, acabei conhecendo uma pessoa maravilhosa, que é a tampa de meu balaio, com quem eu decidi dividir minha vida. E ele morava na Alemanha.

Resolvi fazer uma pequena adaptação nos meus planos e mudei o destino de minha minha viagem. O amor enche a gente de coragem pra fazer meio mundo de maluquice, mas no fundo na época eu estava morrendo de medo do que iria encontrar aqui na Alemanha.

É que naquele tempo eu não sabia quase nada sobre a Alemanha e o que sabia vinha de livros de história, ou seja, um passado macabro e sangrento. Quando não era isso era uma notícia aqui outra ali, no geral bem limitadinhas e estereotipadas do tipo Oktoberfest e neonazistas. Claro que eu tive medo e claro que estava tensa a respeito do que me esperava.

Quando cheguei o que me impressionou foi perceber o quanto a imagem que se vende deste país é equivocada. Aqui tem sim Oktoberfest e neonazistas.Tem uma série de outros problemas e preconceitos também contra a mulher e contra estrangeiros além das dificuldades do alemão em lidar com todas as questões que a multiculturalidade traz consigo.

A diferença é que os limitados e racistas daqui se escondem muito bem, e quando se mostram são muito bem punidos. A sociedade debate constantemente sobre a intolerância e a mídia não dá trégua sobre esse tema. As pessoas no geral são cuidadosas com essas questões, são cautelosas nas escolhas das palavras quando não têm certeza se certo termo pode ser ofensivo e pedem desculpas imediatamente quando, sem querer, ofendem.

Eu já passei por várias situações em que a pessoa com quem eu estava falando dizia alguma coisa sobre o cabelo ou cor da pele de alguém e logo em seguida me falava “Desculpa que eu falei assim, não sei se isso ofende. Como é o certo?” Eu sempre me emociono em situações como essas porque nelas eu vejo seres humanos, que apesar de não sofrerem a mesma dor do outro, mostram empatia, humildade e vontade de mudar para o bem estar geral.

Uma vez eu estava em um trem e um outro passageiro estava muito incomodado com minha presença. Não estava entendendo bem qual era o problema dele comigo até que ele fez um comentário racista se referindo a mim. Me levantei com a intenção de dizer umas poucas e boas a ele, mas antes de poder abrir minha boca, TODOS os passageiros do vagão (umas 15 pessoas ) se revoltaram e tomaram a frente, discutindo com ele de uma forma que me surpreendeu.

A história terminou com uma mulher que exigia que ele se desculpasse comigo. Como ele se recusou os demais passageiros chamaram a polícia. Quem me conhece sabe que eu choro por tudo e claro que chorei no meio daquele fuzuê. Os passageiros me consolavam achando que minhas lágrimas eram por ter sido vítima de racismo. Mal sabiam eles que eram lágrimas de emoção por causa da reação deles.

Foi um sentimento muito especial me ver sendo defendida e aparada por um grupo de pessoas desconhecidas. Fiquei pensando que todas elas eram muito diferentes, mas que uma coisa tinham em comum: o senso de justiça e a certeza de que um problema social é um problema de cada um deles.

Cada um resolveu por si só levantar a voz e no final das contas eles formavam um grupo que se indignava com o comportamento racista do homem que me ofendeu. Vários passageiros me pediram desculpas depois da confusão. Um senhor me disse “Não deixe esse idiota interferir no que você veio fazer aqui, não. Aqui tem muita coisa boa.” Essa atitude com certeza é uma delas.

Não são somente as pessoas a caminho do trabalho nos transportes públicos que se preocupam em mudar a percepção de alguns de que a Alemanha é um país injusto. O governo daqui também investe constantemente em medidas socioeducativas e reparadoras. Aqui existe cota pra mulher, estrangeiros, portadores de deficiência. Há benefício pra quem tem filho na escola, pra quem é estudante universitário, pra ajudar a pagar o aluguel, pra ajudar a pagar atividades culturais e educativas se a família tem filho, pra comprar livros, pra comprar remédios e por aí vai.

Judeus têm direito de imigrar pra cá sem a burocracia que pessoas de outras confissões enfrentam. A sociedade entende que isso tudo é normal. É raro ver alguém questionando essas medidas. Mesmo os alemães medianos parecem entender que se houve um erro histórico, uma retratação é inevitável. Se existe discrepância social, todo mundo sai perdendo então é melhor ter menos pra ter mais, dividir pra que ninguém deixe de ter.

Infelizmente percebo que as coisas andam piorando aqui também, mas o povo questiona tudo sem parar e isso atrasa as mudanças negativas, o que é bom.

Aí eu fico pensando no Brasil e de como a gente se orgulha de dizer que somos o país mais tolerante do mundo. A gente se interessa em saber como é a questão do racismo em outras partes do mundo e adora ficar repetindo essa de que somos um povo que não sabe o que é racismo porque é todo mundo misturado.

Pra muita gente no Brasil, ativista de movimento negro é paranóico e ações afirmativas são racismo às avessas. Um monte de gente que fala como se tivessem sido pessoalmente ofendidas com toda e qualquer iniciativa que busca melhorar a situação social de um grupo que não goza dos mesmo benefícios que o resto da sociedade.

Me choca o fato de que em Salvador, cidade onde eu nasci, apesar de mais da metade da população ser negra, ainda é possível ser a única negra no restaurante, na aula de ballet, na sala de espera de consultório chique, na sala dos professores da escola particular.

Fico especialmente triste quando eu percebo que muita gente passa a vida inteira sem nem se dar conta dessas coisas, achando supernormal que outros tenham a vida mais difícil que a sua baseado em um detalhe que não se pode escolher, como gênero, cor da pele, origem.

Infelizmente, em nosso país há gente que acha que quem sofre discriminação deve sofrer calado, sem questionar nada, sem exigir mudanças. Deixa quieto que assim tá bom. Pra alguns.

Hoje em dia quando volto ao Brasil e alguém me pergunta como lido com o racismo aqui, minha resposta passou a ser “muito melhor do que eu lido com ele no Brasil”. Aqui se entende que discutir e questionar os preconceitos é trocar idéias e evoluir, já em meu país quem é engajado em alguma causa tem sempre de primeiro explicar que não é nem paranóico nem radical.

É triste, mas na verdade sabem como é que eu lido mesmo com o racismo aqui na Alemanha? Guardando minhas forças pra enfrentá-lo quando chego em meu país.

O artigo acima foi publicado no site Blogueiras Negras. A autora, Cris Oliveira, mestra em linguística e professora de inglês, vive há onze anos com um pé em Bremen na Alemanha e outro em Salvador.

É mais fácil enfrentar o racismo na Alemanha do que em Salvador | Diário do Centro do Mundo

20/09/2011

A construção de uma idéia

Filed under: Bolsa Família — Gilmar Crestani @ 7:25 am
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Como na famosa frase em que a Folha tentou se safar da publicação da Ficha Falsa da Dilma, a idéia levantada por esta matéria é a seguinte: Se não se pode comprovar que há incentivo da natalidade, também não se pode descartar. Aliás, a frase da estudiosa recrutada para defender a tese que o jornal quer vender é um primor de raciocínio: “o risco negativo potencial é se criar um incentivo ao aumento da natalidade, e isso poderia contribuir para a continuidade das condições de pobreza daquela família. No entanto, nenhum estudo feito até hoje apontou que o programa leve a aumento de fecundidade.”  Como se trata de uma achologia, ciência em que também possuo doutorado, acho que a pinguancha está fadada a contribuir com outras opiniões desabonadoras dos programas sociais… Até porque, por exemplo, os incentivos fiscais que o governo concede às empresas em dificuldades pode levar outras empresas, ou mesmo outros segmentos sociais, às mesmas dificuldades, só para ganharem subsídio….

Ampliação do Bolsa Família poderia incentivar natalidade apenas se valor fosse maior, dizem analistas

Publicada em 19/09/2011 às 22h39m

Alessandra Duarte (duarte@oglobo.com.br) e Carolina Benevides (carolina.benevides@oglobo.com.br)

A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Teresa Campello em foto de André Coelho

RIO – Uma ampliação natural para um programa que beneficia mulheres – as responsáveis, nas famílias, por receberem o dinheiro do Bolsa Família -, e em linha com reajustes ao programa já feitos este ano. Mas o benefício extra de R$ 32 a grávidas e mulheres que estejam amamentando também pode levar no futuro, caso esse valor extra aumente com o tempo, a um risco potencial de estímulo à natalidade. Economistas e pesquisadores do Bolsa Família ouvidos pelo GLOBO dizem que a ampliação anunciada nesta segunda-feira tem o efeito positivo de levar mais recursos para uma fase essencial do desenvolvimento da criança, a primeira infância. Para alguns, o efeito negativo potencial, que seria o estímulo para que famílias pobres tenham mais filhos para receber o benefício, poderia vir apenas se houvesse aumento expressivo dos R$ 32.

NOVIDADES: Bolsa Família terá benefícios para grávidas

Professor da Escola de Economia da FGV-SP, André Portela fala de "aspectos positivos e potencialmente negativos" da ampliação:

– O positivo é que se trata do aumento de renda de um programa com boa focalização, que vai especificamente para famílias muito carentes. Sendo ampliado para, por exemplo, mulheres que amamentem, é um dinheiro a mais que vai para uma fase importante da vida da criança – diz. – Agora, o risco negativo potencial é se criar um incentivo ao aumento da natalidade, e isso poderia contribuir para a continuidade das condições de pobreza daquela família. No entanto, nenhum estudo feito até hoje apontou que o programa leve a aumento de fecundidade. Além disso, se o valor começasse a subir, poderia até passar a ser um atrativo e levar a esse estímulo, mas, como é hoje, é baixo para isso.

– É uma ampliação em linha com as duas mudanças deste ano: o reajuste e o aumento do limite máximo de três para cinco filhos. Dar ênfase às crianças é louvável. Estudos mostram que a primeira infância é estratégica, e que qualquer benefício traz efeitos permanentes. Por outro lado, pode ser que o benefício aumente a fecundidade. Mas é importante não haver bloqueios ideológicos por conta disso ou já sair dizendo que o benefício pode incentivar a ter mais filhos. O tempo e os dados vão mostrar os custos e os benefícios da ampliação – diz Marcelo Neri, professor da FGV-RJ.

Do conselho do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) e ex-presidente do IBGE, o sociólogo Simon Schwartzman não vê risco de a ampliação levar as famílias a terem mais filhos, justamente pelo baixo valor.

– Há estudos que já mostraram que o programa diminuiria um pouco a carga de trabalho das mulheres beneficiárias, mas, no caso de gestantes e mulheres amamentando, se isso ocorrer, pode até ser visto como positivo. Mas não há pesquisa que tenha apontado maior número de filhos por causa do benefício. Se fosse um salário mínimo… Mas R$ 32 vão é dar uma folga para a família comprar um pão – diz Schwartzman. – O importante é que as contrapartidas, as exigências feitas às famílias, como realização de pré-natal, continuem.

– Olha, R$ 32 não fazem ninguém engravidar, não vejo como incentivo. A população hoje é essencialmente urbana e ter um filho sai muito caro. Mesmo que sejam quatro ou cinco crianças recebendo o Bolsa, não vale a pena. Creio que o dinheiro faça com que a mulher se sinta mais segura na gravidez e amamentação, e que sirva para que o Estado tenha de assegurar o acesso ao pré-natal, por exemplo, que já é uma contrapartida do programa – completa Marcel Guedes Leite, economista da PUC-SP, que já realizou diversos estudos sobre o Bolsa Família. – Além disso, como o benefício é entregue à mãe, é mais provável que seja usado para melhorar a alimentação.

Ampliação do Bolsa Família poderia incentivar natalidade apenas se valor fosse maior, dizem analistas – O Globo

27/07/2011

As sementes e os semeadores do extremismo

Filed under: Direita — Gilmar Crestani @ 9:08 am
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Ex apocalípticos y nuevos integrados

Roberto Samar y Marcelo García retoman el debate entre periodistas “independientes” y “militantes” para señalar que, más allá de cualquier debate, la acción periodística modifica los acontecimientos y que hay que superar la falsa dicotomía.

Por Roberto Samar y Marcelo J. García *

“Independientes” vs. “militantes”: la más reciente dicotomía, en un cuadrilátero plagado de dialécticas, afecta al oficio periodístico. Oficio siempre listo para generar las antinomias de los otros, en este caso se autoincrimina. Los unos integrados se autodefinen como libres y estigmatizan a los otros como sujetados. Los otros, otrora apocalípticos, invierten la carga. En el fondo del asunto está esa cosa llamada realidad: cómo se accede a ella y cómo se la cuenta.

Los medios de comunicación oposicionistas plantean, una y otra vez, que el periodismo independiente está asociado a lo transparente y lo objetivo, y que el periodismo militante bucea en las profundidades de la subjetividad, manchándose con la política. La fantasía del acceso directo a la realidad transparente ha sido cuestionada –con argumentos y con razón– por la academia, pero no ha perdido credibilidad en cierto sentido común social. Las cosas “son”, resabio posible de la raíz positivista en nuestra sociedad.

Pero si algo ha quedado claro en los últimos años de vida pública argentina es que la acción periodística modifica los acontecimientos, bastante más que el termómetro modifica la temperatura del objeto que mide. La batalla mediática instaurada a partir del debate y la aprobación de la Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual quitó las caretas de la pretendida objetividad de forma brutal. Los independientes e integrados pretenden continuar su marcha como si nada pasara, pero la realidad ha magullado el ojo miope de la tuerta verdad objetiva. Ya pocos dudan de que la cobertura de un acontecimiento comunica un recorte del mismo. Planos de señoras elegantes en una manifestación connotan una cosa distinta de aquellos que muestren gente proclive al desmán. En casi toda marcha habrá, seguramente, de los unos y de los otros, pero se mostrará más a unos que a otros.

Los sociólogos de los medios en el Norte lo llaman frame, no sólo de imágenes, sino de palabras. Una entrevista con Luis D’Elía, por caso, puede ser presentada como una entrevista con un dirigente social, con un profesor de Historia o con un piquetero. Libertad de encuadre, pero encuadre al fin. Ningún frame falta en su totalidad a la “verdad”, pero todos faltan a ella un poco. La verdad, sostiene Foucault, está atravesada por relaciones de poder. D’Elía, en el marco de nuestras relaciones hegemónicas, es ante todo, para muchos, “un piquetero”.

El trabajador del periodismo “integrado independiente” está condicionado por la línea editorial de la empresa. El periodista “militante, ex apocalíptico”, también sigue, sin duda, una línea. Ambos pueden sostener esa línea con más o menos convencimiento, por dinero o por amor. Se podrá estar más o menos de acuerdo con los intereses que defienden cada uno (negocios, proyecto u otros). Pero eso no modifica los condicionamientos del oficio. En la mayoría de los casos, los trabajadores de prensa no eligen los temas a cubrir, no seleccionan la foto que ilustra la noticia, no disponen del epígrafe, no escriben los títulos ni diseñan las tapas. Cuando se imponen, los condicionamientos instalan en la rutina profesional valores peligrosamente extra-profesionales.

Quienes estamos más cerca de los ex apocalípticos que de los nuevos integrados tenemos que entender que superar la falsa dicotomía impone no repetir las prácticas de éstos. Hay, por fuera de los medios oligopólicos, un abanico heterogéneo de comunicadores convencidos y profesionales. La batalla se gana en radios comunitarias, medios cooperativos y diarios independientes, cuya primera militancia es la honestidad.

Es probable que la plena implementación de la Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual nos permita pensar más allá de las trincheras de las falsas dicotomías y desarrollar un pensamiento basado en la pluralidad. La ley requiere que se construya y se consolide un actor social al que hoy se empieza (muy) lentamente a ver. Para el periodismo, tomar la palabra en libertad no significa omitir algunas de las mejores prácticas de su tradición. Aunque nadie sea “independiente” y no haya objetividades bobas y todos sean, de una forma u otra, “militantes” y plagados de subjetividades, no está de más sostener, por el bien del interés público y de su propia credibilidad, la separación básica entre información y opinión.

El desenlace reciente del murdochiano inglés News of the World luego de 168 años de vida es una lección a estudiar. La ética profesional no es patrimonio exclusivo de unos ni de otros. Como escribieran los también centenarios ingleses de The Guardian: Que la opinión sea libre, pero los datos sagrados.

* Licenciados en Ciencias de la Comunicación. Miembros del Departamento de Comunicación de la Sociedad Internacional para el Desarrollo (www.sidbaires.org.ar).

Página/12 :: La ventana :: Ex apocalípticos y nuevos integrados

15/05/2011

Que horror, logo logo também vão querer desembargar em Higienópolis!

Filed under: Direita,Estadão — Gilmar Crestani @ 11:09 am
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O preconceito contra as classes que estão ascendendo em qualidade de vida está incontrolável. E poderá ficar pior. Onde já se viu, a empregada agora poderá por seus filhos em escolas particulares… Que nojo!!!

Emergentes, famílias das classes D e E investem em escola particular

Com mensalidades mais baixas que um curso de inglês em uma escola de classe média paulistana, colégios atraem pais que buscam segurança e um ensino melhor que o da rede pública; há instituições que adotam material apostilado de sistemas tradicionais

15 de maio de 2011 | 0h 00

Ocimara Balmant – O Estado de S.Paulo

ESPECIAL PARA O ESTADO

Marcio Fernandes/AE

Marcio Fernandes/AE

Longe da rede pública. Gecielle Santos, de 6 anos, aluna do 1º ano do ensino fundamental, observa parquinho da Escola Oliveira Ferreira, em Perus

No sobrado alugado, a aula de jazz acontece na garagem. A quadra foi construída no quintal, onde ficavam os pés de frutas. Nos quartos, uns maiores e outros bem pequenos, funcionam as salas de aula. Essa é a escola Oliveira Ferreira, em Perus, a 30 quilômetros do centro de São Paulo.

A mensalidade do 1.º ano do ensino fundamental custa R$ 190, mais baixa do que um curso de inglês em um bairro paulistano de classe média, mas do tamanho que cabe no bolso dos moradores da região. Uma clientela que inclui filhos de faxineiras e frentistas.

Depois da ascensão da classe C, é a vez da D investir na escola particular. Pesquisa recente do Ibope Inteligência mostra que as classes D e E representam hoje 1,6% nas estatísticas de gastos com educação no País. Uma outra tabulação, do Instituto Data Popular, especializado em baixa renda, mostra que 21% dos estudantes dos ensinos fundamental e médio da rede privada pertencem às classes D e E.

É o caso de Gecielle Santos, de 6 anos, aluna do 1.º ano. Filha de empregada doméstica e coletor de lixo, é a primeira da família a estudar em uma escola paga (veja depoimento nesta página).

"A média de preços na periferia é de R$ 300. Esse novo público mora na periferia da periferia e começa a ter a educação como o grande sonho de consumo", explica Benjamin Ribeiro da Silva, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp). Ele estima que a taxa de inadimplência é a mesma de bairros ricos: 7%.

O esforço financeiro obedece a diversas razões: a preocupação com a segurança, a ideia de que o ensino será melhor e, em alguns casos, a falta de vagas em escolas públicas. "A questão da segurança é a principal. O pai pensa: "Lá meu filho não vai sofrer esse tal de bullying, não vai usar drogas"", diz Renato Meirelles, diretor do Data Popular. "Quanto ao ensino, mesmo com dificuldade de avaliar se é bom ou ruim, os pais acreditam que é melhor."

Uma volta pela cidade confirma a demanda. Assim como em Perus, escolas de bairros da extrema zona sul, como Valo Velho, e da zona leste, como São Mateus, funcionam no mesmo modelo: com mensalidades menores que R$ 200, instaladas em prédios improvisados e crescendo conforme os alunos são promovidos de série. A escola de Perus, por exemplo, oferece até o 6.º ano. Em 2012 vai oferecer o 7.º, para não perder os alunos.

Nesses colégios, o salário dos professores é padrão. Paga-se o piso da categoria: R$ 845 por meio período. "Tenho professores formados, mas também dou oportunidade para quem tem o magistério e está na faculdade", diz Lidiane Gonçalves Candeias, diretora e proprietária da Escola Crescer, que fica no Valo Velho.

Apostilas. No colégio, que tem 160 alunos, a mensalidade do 1.º ano custa R$ 158 e a diretora se orgulha de poder usar o material do Sistema Objetivo. Na primeira tentativa, assim que adquiriu o colégio, em 2007, Lidiane não conseguiu o credenciamento por problemas de estrutura. Após algumas reformas, veio o aval: "Aqui, nos Jardins ou em Alphaville, é tudo a mesma coisa. Temos o mesmo material e os professores recebem o mesmo treinamento do sistema".

No prédio alugado, de três pavimentos de escadaria, Lidiane tem feito melhorias pontuais: instalou câmeras em todas as salas de aula e, em breve, vai inaugurar a brinquedoteca e a cantina. "Mesmo sabendo que o filho está seguro dentro dos nossos portões, o pai quer acompanhar. Muitos não têm internet em casa, mas veem o filho pelo computador do trabalho."

Concorrência. Além do olhar para dentro das grades bem trancadas, os donos precisam estar atentos à vizinhança. "A concorrência é cruel. Pegam meu aluno na rua, perguntam quanto ele paga e oferecem mensalidade menor. Até professores e funcionários são aliciados", diz Lidiane.

É a mesma preocupação que acomete André de Araújo Mendes, coordenador da colégio Limiar, na região de São Mateus, zona leste. A escola existe há 16 anos e tem visto a concorrência crescer. Com espaço para 130 alunos, está com 80 neste ano. Resultado da formatura dos estudantes do 9.º ano e da vizinhança esperta. "Nosso prédio não impressiona. Há pais que veem outro, com a fachada mais bonita, e acaba escolhendo."

Como é difícil baratear ainda mais a mensalidade (R$ 180 para o 1.º ano do fundamental), a escola quer trocar o material do sistema Universitário por um próprio. "Não temos margem nenhuma na mensalidade. Então, tentaremos diminuir o preço do material didático para não perder alunos e conquistar outros."



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14/05/2011

Tucanando o preconceito

Filed under: Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 10:04 pm
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Lero-lero tipicamente tucano de quem ensaia um "pas de deux", mas caiu de quatro com duplo-twist esticado. Nenhuma palavra para aquilo que o ex-governador, Cláudio Lembo, chamou de "a elite branca", preconceituosa, racista e mau caráter.

Lições do churrascão

A polêmica da estação Angélica parece indicar que os paulistanos se cansaram de projetos anunciados e desmentidos ao sabor das pressões de interesses

14 de maio de 2011 | 13h 38

RAQUEL ROLNIK

Em protesto contra a reação negativa de moradores de Higienópolis, um dos bairros mais nobres de São Paulo, à construção de uma estação de metrô na Avenida Angélica, internautas marcaram através do Facebook um churrascão em frente ao Shopping Higienópolis. A polêmica estourou na web a partir do anúncio, por parte da Companhia do Metrô, de que a nova estação da Linha 6 não seria mais localizada na Angélica. Na sexta-feira pela manhã, quando o proponente decidiu cancelar o churrasco, quase 50 mil pessoas já haviam aderido ao protesto e o assunto ganhara as páginas dos jornais, com discussões técnicas sobre a localização da estação, análises sociológicas sobre o comportamento dos moradores contra e a favor da estação e declarações de representantes do Metrô procurando negar qualquer motivação que não fosse "estritamente técnica" em sua decisão.

Para além do debate sobre a melhor localização da nova estação, e até mesmo da prioridade dessa estação (e dessa linha!) em relação às gigantescas demandas de transporte coletivo de qualidade na região metropolitana de São Paulo, a polêmica dos últimos dias finalmente desnudou dois temas da maior importância para o urbanismo brasileiro, cuja discussão esteve restrita até agora a pequenos círculos acadêmicos e, com esse debate, ganha as ruas da cidade.

O primeiro tem a ver com o modelo de cidade que tem orientado o desenvolvimento de São Paulo (e das cidades brasileiras) pelo menos desde o final do séc 19: um urbanismo segundo o qual "qualidade" é sinônimo de "exclusividade". Sua produção e hegemonia na política urbana se sustentam por meio de uma coalizão de interesses econômicos com grande capacidade de influenciar as decisões políticas de investimentos e legislação na cidade.

O nascimento do bairro de Higienópolis no final do século 19, na sequência de empreendimentos semelhantes (Campos Elísios, Vila Buarque, Av. Paulista) revela este mecanismo: o abandono dos velhos sobrados de taipa no triângulo central por chateaux, chalets e cottages circundados por jardins nos novos bairros se beneficiou da construção do Viaduto do Chá, em um movimento que aliou uma reterritorialização das elites ao emergente negócio de terras – o loteamento. Foi essa a trajetória de d. Angélica, filha do Barão de Souza Queiroz, que, ao deixar de viver em sua fazenda, em 1874, fixou residência na Chácara das Palmeiras, onde mandou edificar na esquina da Angélica com a Al. Barros uma réplica do castelo de Charlottenburg, conforme planos, materiais e decoração encomendados na Alemanha.

O prestígio dessas nobres residências contribuiu indubitavelmente para o sucesso dos "loteamentos exclusivos", abertos na cidade na década de 1890. Sua localização – a Chácara do Carvalho e o Palácio de Elias Chaves nos Campos Elísios, o palacete da Vila Maria na Vila Buarque e o palacete de d. Angélica em Higienópolis – coincidia exatamente com a dos primeiros empreendimentos desse tipo. A construção do Viaduto do Chá foi fundamental para essa marcha ao sudoeste que se seguiria. Sua instalação viabilizaria os mais importantes empreendimentos imobiliários do final do século 19: Higienópolis e Paulista. Neles se envolveram proprietários de terras, investidores potenciais, engenheiros e políticos.

Na esteira de investimentos urbanos (esses bairros já eram abertos contando com rede de água, esgoto, gás e bonde, quando seus contemporâneos bairros operários Brás e Mooca, por exemplo, demoraram décadas para receber a mesma infraestrutura), uma legislação urbanística garantia a exclusividade, definindo um padrão de grandes lotes, uso exclusivamente residencial e obrigatoriedade de recuos. A verticalização do bairro de Higienópolis, que se intensificou a partir dos anos 70, mudou esse perfil, mas não desconstruiu, simbolicamente, o projeto.

A resistência que o bairro tem hoje para receber uma estação de metrô está justamente relacionada com a sua possível popularização e, consequentemente, a desvalorização imobiliária – uma postura rejeitada por muitos, inclusive moradores do próprio bairro, como bem demonstram as manifestações dos internautas, que ao rejeitá-la, afirmam o desejo de uma cidade heterogênea, multiclassista, multiétnica e multifuncional.

A direção do Metrô afirmou em nota oficial que a decisão de mudar a localização da estação se deu por razões técnicas (excessiva proximidade entre as estações Angélica e Higienópolis/Mackenzie) e não para atender à solicitação de moradores insatisfeitos. Entretanto, os anúncios (e "desanúncios") de linhas e estações, metrôs que viram monotrilhos e corredores de ônibus que aparecem e desaparecem dos "planos" do governo evidenciam um segundo ponto essencial que bloqueia o desenvolvimento de um urbanismo de qualidade para todos: o processo decisório dos investimentos da cidade.

Na ausência de um processo de planejamento estável – aliado a uma estratégia urbanística pactuada coletivamente na cidade -, os planos e projetos são anunciados e desmentidos ao sabor das pressões dos interesses que conseguem ter acesso à mesa de decisão. Aqui, mais uma vez, convergem de forma perversa coalizões de interesses econômicos enlaçados – por relações pessoais ou de classe – com interesses políticos.

O recado que a polêmica da estação Angélica parece dar é que os cidadãos paulistanos estão cada vez mais cansados desse modelo.

RAQUEL ROLNIK É URBANISTA, PROFESSORA DA FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO DA USP

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