Ficha Corrida

01/12/2014

A matilha das lobas famintas

Filed under: Ódio de Classe,Ditadura,Golpe Militar,Lobão — Gilmar Crestani @ 9:05 am
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Não há nada mais paradoxal do que uma manifestação para pedir a volta de quem proíbe manifestações. É o exemplo pronto e acabado da falta que faz Mais Psiquiatras. Como pode uma mulher pedir a volta de um regime que resolvia as divergências ideológicas com estupro?! Será que estas mulheres estariam a procura de estupradores, esquartejadores, torturadores?! Será que elas se compraziam com os estupros, as torturas, os assassinatos perpetrados nos porões da ditadura?!

Pedir a volta da ditadura é a prova pronta e acabada de que as bocas de lobo foram abertas e delas saíram ratazanas.

A marcha das tiazinhas: o DCM no ato contra Dilma na Paulista

Postado em 30 nov 2014 – por : Mauro Donato

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Na página do Facebook do Revoltados Online (!) que convocava para a manifestação de sábado estava escrito que na primeira edição haviam comparecido 10 mil pessoas! Que na segunda foram 50 mil!! E que neste sábado (29) seriam 500 mil!!!

Com muito boa vontade dá para chutar que eram mil. Um mil e quinhentos talvez.  Segundo a PM, 600. Concentrados no vão do MASP, repetiram o roteiro de sempre: cantaram o hino nacional (ali e depois mais um par de vezes), rezaram a ave-maria, pediram ‘fora PT’, ordenaram ‘Lula cachaceiro, devolve meu dinheiro’.

A faixa que puxaria a procissão continha os temas ‘não ao Marco Civil’, ‘não às cotas raciais’, ‘não à reforma política’, ‘liberdade de imprensa’. As cartolinas escritas à mão pediam ‘fora Dilma’, ‘impeachment já’, ‘façam o diabo com Cuba, não com o Brasil’.

Se na manifestação anterior apenas um décimo da quantidade inicial conseguiu chegar à praça da Sé, dessa vez o percurso foi adaptado e reduzido ao máximo. Muito em razão também da faixa etária daqueles manifestantes, foi feito um zerinho na Paulista.

Saindo do MASP, fizeram o retorno na Praça do Ciclista e, na outra ponta, na avenida Brigadeiro. Circuito típico de fórmula Indy, na velocidade de Rubinho Barrichelo. Para senhoras, senhores e alguns cachorrinhos já está bom.

No início, Lobão falou. Novamente criticou a presença dos manifestantes que pediam intervenção militar e chegou a pedir auxílio da PM para a retirada do que classificou de “alienígenas”. No microfone os discursantes se revezavam. “Dizem que somos coxinhas. Se ser coxinha é trabalhar duro, pagar altos impostos, então somos coxinhas sim”.

Os organizadores fizeram questão de parar alguns minutos defronte ao prédio em que há escritórios da Petrobrás para mais discursos sobre a roubalheira. Alguém sobre o caminhão de som lembrou que estavam em frente também a um prédio ‘símbolo da mídia comprada pelo governo’. Era o da Gazeta. Estudantes de jornalismo da Casper Líbero que estavam sentadas na escadaria caíram na risada.

Ao final, um advogado explicou quais seriam os próximos passos. “O primeiro é a petição para o impeachment. Mas para isso de fato acontecer é muito importante o segundo passo ser iniciado de imediato: o abaixo-assinado. O terceiro passo é o mais importante de todos, alertou o advogado: o povo precisa estar na rua.”

Ou seja, a primeira etapa deveria ocorrer depois da segunda e, a terceira… bem, a terceira etapa já estava acontecendo naquele momento antes das duas primeiras. Entendeu? Então… melhor ir ao cinema, não é mesmo?

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Sobre o Autor

Jornalista, escritor e fotógrafo nascido em São Paulo.

Diário do Centro do Mundo » A marcha das tiazinhas: o DCM no ato contra Dilma na Paulista

08/10/2014

Preconceito, ignorância, má fé

Tenho dois cursos superiores e uma especialização, feitos todos com recursos próprios. Não passo necessidades, tenho plano privado de saúde e ainda pago meu cardiologista particular. Mas tenho que dizer que sou terceiro filho de uma família de oito, criados na roça. Todos nascidos em escadinha, de ano em ano. Quando o segundo depois de mim nasceu, minha mãe estava com cinco filhos e a mais velha tinha seis anos. Com apenas dois anos, minha avó me levou e me criou até os sete anos.

Bolsa Família e preconceito socialSe minha família tivesse Bolsa Família talvez minha mãe pudesse ter comprado pílulas anticoncepcionais. Ou então poderia ter me criado junto com os demais. Não existia Bolsa Família ou qualquer outro programa social.

Não havia Mais Médicos. O hospital mais próximo distava 14 km e fui ao médico com meu pai, com quase 40º de febre, na garupa de cavalo. Saímos de manhã, chegamos à noite.

A escola distava 4km, que fazíamos à pé, morro abaixo para ir, morro acima pra voltar. Inverno ou verão, chuva ou sol.

Passei por tudo isso, mas não desejo que outros passem. O fato de ter passado por isso não me leva a desejar isso a outros. Pelo contrário, gostaria que este tipo de situação fosse eliminada. O valor do Bolsa Família é até pequeno. Os juros bancários, que levaram o Banco Itaú a apoiarem Marina Silva, consomem muito mais recursos públicos que o Bolsa Família. É a tal de dívida pública…

Quando vejo postagens de pessoas que também passaram por isso dizer que “no meu tempo, Bolsa Família era foice, pá, enxada”, fico a imaginar o que o tamanho do egoísmo que corrói o autor da postagem. É um misto de despeito, inveja e desinformação. Isso sim me envergonha!

Negar algo hoje só porque não tivemos não é só egoísmo de quem diz, mas uma atitude abjeta, de negar a outrem por birra. Negar a quem precisa porque não se teve demonstra o quão pequeno é um ser na escala humana. Pior, se dão ao luxo de cometer tamanha ignorância em público, espraiando para que o mundo o tamanho de suas limitações intelectuais. São os que não dizem uma vírgula aos empréstimos subsidiados que salvam grandes empresas, como RBS.

Isso, gente, é preconceito em relação às políticas sociais. Eu não preciso disso. Quando precisei, não tive. Agora, se devemos odiar quem recebe o Bolsa Família, porque não odiamos os empréstimos subsidiados para a classe média comprar apartamento. Aí pode, né! Tem gente, no serviço público, que ganha R$ 751,00 de auxílio alimentação mas acha abominável pagar R$ 173,00 de Bolsa Família. Que nome se pode dar a isso?

Há poucos anos atrás as sinaleiras, esquinas e proximidades de restaurantes eram habitadas por mães que empurravam crianças pedindo esmolas. As mães se entrincheiravam em algum esconderijo esperando o resultado da coleta das crianças. Por que será que não se vê mais crianças nas sinaleiras? Não seria pelo fato de que agora há Bolsa Família? Será que é tão difícil entender que a mãe só recebe a bolsa se o filho frequentar a escola? Para onde foi a sensibilidade das pessoas que notam esta diferença tão cristalina? Uma mãe receber um ajuda para manter a criança na escola merece execração, mas os bancos não merecem o mesmo desprezo por terem se beneficiado por um programa criado por FHC chamado PROER? A GERDAU não fabrica um parafuso sem algum tipo de incentivo, seja isenção, financiamento via FUNDOPEN, estímulos via parcelamento de recolhimento de tributos, empréstimos a fundo perdido. Ninguém condena a GERDAU que, mesmo sendo uma das maiores empresas brasileiras e quiçá do mundo, opera também com dinheiro público. Por que GERDAU pode receber dinheiro público e a mãe não pode receber um auxílio, condicionado à frequência escolar do filho?

12/05/2013

Favorecer um amigo pode ser racismo?

Filed under: Preconceito,Racismo — Gilmar Crestani @ 6:43 pm
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Pode, mas também pode ser que não. Se o amigo tiver menor qualificação que o concorrente. Mesmo que não for racismo, pode haver preconceito social. O favorecimento é uma das lógicas da maçonaria, que, não fosse nocivo, não seria secreto… O favorecimento, quando a amizade se sobrepõe ao mérito, principalmente quando envolve recurso público, é duplamente negativo. Por que malversa recurso alheio, e porque não premia o melhor.

HÉLIO SCHWARTSMAN

O novo racismo

SÃO PAULO – Acaba de sair nos EUA um livro que muda nossas concepções sobre o racismo. É "Blindspot" (ponto cego), de Mahzarin Banaji (Harvard) e Anthony Greenwald (Universidade de Washington).

A tese central dos autores é a de que o racismo mudou. O sujeito que maltrata negros e os agride verbalmente é uma espécie em extinção. O contingente cada vez menor de gente que acredita em conceitos como o de raça inferior aprendeu a ficar calado. Não obstante, os efeitos do racismo continuam firmes e operantes, como se pode constatar nas diferentes posições ocupadas por brancos e negros numa série de estatísticas, como renda, desemprego, evasão escolar, performance acadêmica, taxa de encarceramento etc.

Para a dupla de autores, a explicação está em nosso racismo implícito ou inconsciente, do qual nós mesmos não nos damos conta, mas que pode ser medido objetivamente através de um teste específico chamado IAT, que avalia a facilidade com que associamos negros e brancos a conceitos positivos e negativos. Cerca de 75% das dezenas de milhares de pessoas que fizeram o teste nos EUA revelaram preferência automática por brancos. Outros estudos apontam uma correlação moderada entre preconceito implícito e atos discriminatórios contra negros.

Esses dados todos, porém, já eram mais ou menos conhecidos. O grande "insight" do livro é a constatação de que o novo racismo, em vez de envolver atos que prejudicam membros de outro grupo, assume cada vez mais a forma de atos de favorecimento a membros do próprio grupo. Num mundo que utiliza intensamente cartas de recomendação, "networking" e amigos no lugar certo, isso pode fazer toda a diferença.

Se o novo racismo traz o benefício de não ser violento como o tradicional, apresenta a desvantagem de ser algo muito mais difícil de combater. Afinal, não dá para recriminar alguém por tentar ajudar seus amigos.

helio@uol.com.br

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