Ficha Corrida

23/10/2013

Patrãofilia

Filed under: Privataria Tucana,Privatas do Caribe,Privatidoações — Gilmar Crestani @ 8:50 am
Tags:

O colonista da Folha perde as estribeiras quando vê que todo apoio midiático aos colegas do PSDB se derrete na pecha de privatistas. Não é que o Brasil seja contra a privada. Acontece que a imprensa, e principalmente, seu patrão, se ocupam diuturnamente em atacarem o público. Aliás, talvez não fosse o caso de um Steve Jobs brasileiro, como não foi possível um Gurgel, do carro, não Procurador Geral… Mas o Brasil de Fernando Rodrigues permite um Roberto Marinho, um Maurício Sirotsky, um Brilhante Ustra, um Médice, um Geisel, um Antonio Ermínio de Moraes, um Olavo Setúbal, um Guerdau. Cada um à sua maneira, empreendedores… Não se pergunta porque as pessoas preferem um concurso público a trabalhar em algo semelhante ao trabalho escravo. Poderia se perguntar quanto a Folha paga aos seus funcionários, ou o Bradesco (onde trabalhei por quatro anos), apesar dos bilhões de lucro?!

E políticos paulistas como Jânio Quadros, Orestes Quércia, Paulo Maluf, Ademar de Barros, José Serra, FHC e Alckmin, nenhuma palavra? Será que ele lembra da fantasia eleitoral do Alckmin defendendo as estatais? O que ele não quer admitir é que a destruição do patrimônio público por marionetes neoliberais como FHC deixou no povo a idéia de que os privatistas só se interessam em delapidar, destruir, vender. Tem verdadeira ojeriza em construir!

FERNANDO RODRIGUES

Privatofobia

BRASÍLIA – Dilma Rousseff colaborou anteontem à noite para eternizar o debate reducionista que opõe a iniciativa privada ao Estado. Em novilíngua orwelliana, a petista foi à TV afirmar que o leilão da concessão para explorar parte do petróleo da camada do pré-sal "é bem diferente de privatização".

Essa privatofobia já rendeu efeitos eleitorais positivos ao PT em 2006 e 2010. A dose deve ser repetida em 2014: "O PT defende o Estado. A oposição quer vender o país para os porcos capitalistas estrangeiros".

O debate é medíocre em si. Mas há um substrato ainda pior. Ao estimular a aversão pelo que é privado, o governo ajuda a perenizar um traço anômalo e atávico da nação brasileira. Desde a chegada de d. João 6º, com suas caravelas e dinheiro estatal de sobra, uma parcela significativa dos cidadãos por aqui sonha em se encostar no Estado-nhonhô.

O que teria acontecido se Steve Jobs fosse brasileiro? Existiria a Apple? Desde os anos 80, a Lei de Informática (alterada, mas válida até hoje!) impede o fácil acesso a componentes eletrônicos. O lobby das empresas nacionais convenceu vários governos a proteger (sic) o país da invasão de tecnologia estrangeira.

Brasília sintetiza essa distopia à perfeição. Inaugurada há 53 anos para levar o desenvolvimento ao interior do país, a cidade continua Estado-dependente. Uma pesquisa do Instituto FSB aponta que 70% dos trabalhadores da capital federal acham que "a melhor alternativa para melhorar de vida" é "passar em concurso público". Apenas 2% querem trabalhar em uma empresa privada. Abrir o próprio negócio? Só 26%, possivelmente pensando em prestar serviços para o governo.

Os brasilienses agem por instinto. O país desestimula o empreendedorismo. O dinheiro do pré-sal será insuficiente para mudar tal mentalidade. Até porque, a cada leilão a presidente irá à TV se referindo de maneira pejorativa a tudo o que é privado.

fernando.rodrigues@grupofolha.com.br

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: