Ficha Corrida

30/09/2014

Estado Islâmico são terroristas made in USA!

 

"Eles sabem exatamente o que estão fazendo", diz Chalabi

Enviado por Athos ter, 30/09/2014 – 08:14

Atualizado em 30/09/2014 – 08:15

Sugestão de Athos, do blog O Informante

"Eles sabem exatamente o que estão fazendo", diz político iraquiano sobre Estado Islâmico

Ahmad Chalabi

O político iraquiano Ahmad Chalabi desempenhou um papel infame ao estimular a invasão norte-americana em seu país em 2003. Em entrevista à Spiegel, ele falou sobre a ascensão do Estado Islâmico, por que o Ocidente julgou mal os jihadistas e se é chegado o momento de cooperar com Assad.
Spiegel: Sr. Chalabi, quão próximos os combatentes do Estado Islâmico estão de Bagdá?
Chalabi: Eles estão a 26 quilômetros de distância. Isso é perigosamente perto, mas a situação está calma no momento e o Estado Islâmico não fez mais nenhum avanço em Bagdá. Graças a Deus.
Spiegel: Você acredita que eles vão atacar?
Chalabi: Faz tempo que os extremistas levaram seu terror a Bagdá. O Estado Islâmico enviou seus homens-bomba, detonou explosivos na frente das nossas casas. Eu poderia mostrar pedaços de um carro-bomba que foram lançados sobre o nosso telhado não faz muito tempo. Mas o Estado Islâmico não tentará atacar Bagdá militarmente. Entre os seis milhões de residentes na cidade, quatro milhões são xiitas. E quase todo adulto xiita na cidade tem uma arma. O Estado Islâmico sabe bem que será pulverizado em uma luta brutal de casa em casa.
Spiegel: Mesmo assim, muitos moradores de Bagdá fugiram enquanto outros começaram a fazer preparativos pelo menos.
Chalabi: Esses relatos são exagerados. Não estamos em pânico porque sabemos que o Estado Islâmico não é capaz de conquistar a capital.
Spiegel: Até recentemente também parecia impossível que o Estado Islâmico pudesse tomar a segunda maior cidade do Iraque. Mas agora, Mosul está sob controle dos jihadistas.
Chalabi: Sim, mas a situação era diferente em Mosul. Lá existem árabes, curdos, turcomanos e yazidis morando lá, todos eles sofreram com o governo central sectário. Eles se sentiam traídos e excluídos da participação no governo. O que aconteceu lá era previsível. Seis meses antes, nós já tínhamos indícios claros de que o Estado Islâmico estava se preparando para atacar. Os islamistas há muito vêm coletando seus próprios impostos em Mosul, totalizando cerca de US$ 5 milhões por mês. No início de janeiro, o presidente curso Masoud Barzani alertou o governo quanto a um desastre iminente.
Spiegel: E o governo não fez nada?
Chalabi: Não. Maliki enxergava o Estado Islâmico como uma forma de exercer pressão. Se eu não for reeleito, o terror recairá sobre vocês – esta era a mensagem dele.
Spiegel: O Estado Islâmico teria conseguido conquistar ainda mais territórios se o governo autônomo curdo não tivesse partido para o ataque?
Chalabi: O feito dos curdos foi surpreendente, tanto militar quanto diplomaticamente. Governos europeus reconheceram isso e abandonaram sua resistência ao envio de armas. A Alemanha, também, agiu corretamente. Agora, precisamos de uma liderança militar conjunta para que os curdos e o exército possam retomar Mosul.
Spiegel: Os curdos acreditam que estão mais próximos do que nunca de ter seu próprio estado. Você não está preocupado com a secessão?
Chalabi: Os curdos sabem que não conquistarão seu próprio estado pela força das armas, mas através do reconhecimento internacional. E eles certamente ouviram o que o ministro de exterior alemão disse em relação ao envio de armas: não há um estado curdo. Mas isso não dever impedir que os curdos continuem desenvolvendo suas próprias instituições. Ainda assim, a melhor coisa para eles seria continuar como parte do Iraque, mas em troca temos de tratá-los com respeito – sua nacionalidade, sua língua e sua cultura.
Spiegel: E se isso não for suficiente para os curdos?
Chalabi: Então isso não significaria o fim para o Iraque. A Alemanha perdeu o leste da Prússia. A Alemanha não é um país forte hoje de qualquer forma?
Spiegel: Na Síria, o Estado Islâmico está lutando contra grupos de oposição que se rebelam contra o presidente Bashar al-Assad, que os deixou sozinhos como resultado. Mas agora, os jihadistas também estão colocando o regime em risco. Você acredita que Assad se arrepende de não ter perseguido o Estado Islâmico antes?
Chalabi: Não, não acredito. Sim, os islamitas hoje são os únicos que podem oferecer uma resistência significativa. Depois de tomar Mosul, o Estado Islâmico enviou 75 caminhões cheios de armas capturadas de nosso exército para a Síria. Mas o Estado Islâmico também enfraqueceu todas aquelas forças que poderiam ser perigosas para Assad. Dessa forma, ele foi capaz de se concentrar em solidificar seu poder em áreas metropolitanas como Damasco e na costa. Agora estamos diante da questão: qual é o mal menor?
Spiegel: E qual é a sua resposta para esta pergunta?
Chalabi: Eu acho que está claro. Precisamos de uma frente unida contra o Estado Islâmico e Assad acaba sendo o poder decisivo que pode lutar contra eles. Mas a situação é incongruente porque também temos de respeitar os pedidos de mudança. Eu seria favorável a uma mudança digna.
Spiegel: Um diplomata sênior norte-americano em Bagdá nos contou que os combatentes do Estado Islâmico são "sociopatas liderados por psicopatas".
Chalabi: Isso pode se aplicar aos combatentes do Ocidente que se sentem excluídos na Europa e vêm para cá por esse motivo. Mas os líderes são ex-oficiais do exército iraquiano ou professores. Eles não são psicopatas, eles sabem exatamente o que estão fazendo, são muito bem organizados e têm uma hierarquia rígida.
Spiegel: O que é tão fascinante em relação ao Estado Islâmico que centenas de sunitas estão correndo para se juntar a ele?
Chalabi: O Estado Islâmico não é corrupto. Isso o torna muito atraente em um país como o Iraque. E é claro muitos se sentem atraídos por seu sucesso militar. Pela primeira vez, os sunitas têm uma força de luta efetiva. Para os sunitas, o Estado Islâmico tem uma função similar à do Hezbollah para os xiitas. Antes de conquistar Mosul, o Estado Islâmico tinha talvez 10 mil combatentes, mas agora ele tem muito mais. A taxa de recrutamento deles é imensamente alta: a cada mês, cerca de 2.000 homens são treinados. E seu sucesso se irradia para a Jordânia, Líbia e Península Arábica – e até a lugares distantes como o Mali e o Paquistão.
Spiegel: Mas a espinha dorsal do Estado Islâmico são os clãs sunitas que Maliki basicamente obrigou a apoiarem a revolta.
Chalabi: Muitos sunitas se juntaram ao Estado Islâmico porque sentiram que estavam sendo maltratados. Reconquistar sua confiança é a primeira tarefa do novo governo. Isso será difícil, mas é possível.
Spiegel: Qual será o próximo campo de batalha?
Chalabi: O Estado Islâmico está seguindo uma estratégia clara. Primeiro, quer solidificar seu poder no Iraque e na Síria. Então, seus guerrilheiros tentarão avançar para a costa mediterrânea da Síria. Se tiverem sucesso, isso será visto como seu próximo grande triunfo. E então, seu alvo será a Jordânia, onde as coisas serão fáceis para eles. O Estado Islâmico já tem um amplo apoio em muitas cidades lá. E quando chegarem lá, será novamente uma grande surpresa para todos.
Spiegel: Por que nós estávamos tão errados sobre a situação no Iraque e na Síria?
Chalabi: Vocês pensavam que o Estado Islâmico era apenas um bando de homens armados e subestimavam a capacidade estratégica e militar dele. Quando os clãs sunitas perto de Fallujah se rebelaram no início do ano, o Estado Islâmico da Síria enviou apenas 150 combatentes. Agora, os extremistas controlam uma imensa área no Iraque. Até os ataques aéreos dos EUA começarem, eles podiam se movimentar com total liberdade.
Spiegel: O presidente norte-americano Barack Obama anunciou sua intenção de expandir os ataques aéreos contra os combatentes do Estado Islâmico para a Síria. Esta declaração de guerra contra os terroristas é bem-vinda para você?
Chalabi: Espero que possamos nos valer desta nova abordagem direta. É uma vergonha, mas sem o apoio norte-americano, o Estado Islâmico teria tomado muitos outros lugares no Iraque. Ontem mesmo, eles quiseram capturar a represa de Haditha, mas os ataques aéreos os impediram. Agora, nosso exército precisa fazer o melhor uso dessa assistência.
Spiegel: Você acredita que os EUA podem impedir o Estado Islâmico apenas com ataques aéreos?
Chalabi: Não, tropas efetivas de infantaria também são necessárias. A coalizão anti-Estado Islâmico precisa ser totalmente realista nesta questão.
Spiegel: Você não faria oposição ao apoio em solo?
Chalabi: Os EUA já estão nos apoiando com cerca de mil especialistas. Mas deveriam ficar por aí. Sou contra uma grande intervenção militar com tropas de infantaria. Isso não ajudaria.
Spiegel: Quando o último soldado norte-americano foi retirado do Iraque em 2011, Obama disse que o país era um estado soberano, independente e democrático. Isso foi uma mentira ou uma avaliação extremamente equivocada?
Chalabi: Na época, o presidente estava disposto a fazer qualquer coisa para sair de lá. Ele tinha prometido retirar os soldados durante a campanha e tinha que cumprir a promessa, não importava o preço.
Spiegel: Quando você observa o cenário hoje, o terror, o sofrimento humano, a miséria econômica, você ainda acredita que valeu a pena se livrar de Saddam Hussein? E você se arrepende de ter fornecido informações falsas para os EUA para justificar a invasão de 2003?
Chalabi: Eu não me arrependo de nada. E nós não fornecemos nenhuma informação falsa. Fornecemos aos norte-americanos três informantes e também demos a eles nossa avaliação. Mas a decisão de invadir foi tomada pelos norte-americanos sozinhos. E, por mais difícil que a situação esteja atualmente no Iraque, foi correto derrubar Saddam Hussein. Não tínhamos futuro com ele. Hoje, pelo menos temos esperança de que tempos melhores virão.
Spiegel: Sr. Chalabi, agradecemos por esta entrevista.

"Eles sabem exatamente o que estão fazendo", diz Chalabi | GGN

10/09/2014

“Vidas em troca de terra” é roubo. Puro e simples

Filed under: Israel,Palestina,Roubo,Roubo made in USA! — Gilmar Crestani @ 9:41 am
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Israel não passa de uma grande base militar dos EUA no Oriente Médio. Tire o Pitbull e o valente vira-lata se transforma em poodle.

A política de Israel “vidas em troca de terra” é roubo. Puro e simples

Robert Fisk | Beirute – 09/09/2014 – 16h56

Visão do mundo: Israel rouba terra, os palestinos perdem terra; é assim que funciona. É assim desde 1948, e é assim que continuará a ser.

Wikimedia Commons
E foi assim que mais uma fatia da terra palestina foi pelo cano abaixo. Mais uns 400 hectares de terra palestina foram roubados pelo governo de Israel – porque… "apropriação" é roubo, não? – e o mundo já deu as desculpas de sempre. Os norte-americanos consideraram o roubo "contraproducente" para a paz, o que provavelmente menos vigoroso do que a sua reação caso o México roubasse 400 hectares de terra do Texas e resolvesse construir ali casas para os seus emigrantes ilegais nos EUA. Mas, não. Foi na "Palestina" (as aspas são mais necessárias do que nunca) e Israel conseguiu continuar a roubar, embora não nesta escala – este foi o maior roubo de terra em 30 anos, desde que foi assinado o Acordo de Oslo em 1993.

O aperto de mão entre Rabin-Arafat, as promessas e transferências de territórios e retiradas militares, e a determinação de deixar tudo o que é importante (Jerusalém, refugiados, o direito de retorno) para o fim, até que todos confiassem tanto uns nos outros que a coisa seria facílima – não surpreende que o mundo tenha feito descer sobre os dois a sua generosidade financeira.

Mas o recente roubo de terras não apenas reduz a "Palestina", também mantém o círculo de concreto armado no entorno de Jerusalém para manter os palestinos bem distantes, tanto da capital, que é suposto partilharem com israelitas, como de Belém.

Em meio a trégua em Gaza, Abbas ameaça romper unidade com Hamas
Obama prorroga medidas de embargo econômico contra Cuba
Israel cria obstáculos para ensino de gramática árabe nas escolas

Foi instrutivo saber que o conselho israelita judeu Etzion, que administra os colonatos ilegais na Cisjordânia, considerou que este roubo é um castigo pelo assassinato de três adolescentes israelenses em junho. "O objetivo dos assassinatos dos três jovens foi semear o medo entre nós, interromper a nossa vida quotidiana e questionar o nosso direito [sic] à terra", anunciou o conselho Etzion. "A nossa resposta é reforçar a colónia". Deve ser a primeira vez que a terra na “Palestina” é confiscada sem serem convocados argumentos relativos à segurança nacional ou a autoridade pessoal de Deus, mas sim vingança.

Assim se cria um precedente interessante. Se a vida de um israelita inocente – cruelmente ceifada – vale cerca de 130 hectares de terra, a vida de um palestiniano inocente – também cruelmente ceifada – vale a mesma porção de terra. E se metade, que seja, dos 2.200 palestinos mortos em Gaza no mês passado – e esse é um número conservador – fossem inocentes, nesse caso os palestinos teriam agora, presumivelmente, direito a 132.000 hectares de terras israelitas; na realidade, muito mais. E por mais "contraproducente" que isto seja, com certeza os EUA não aprovariam. Israel rouba terra, os palestinos perdem terra; é assim que funciona. É assim desde 1948, e é assim que continuará a ser.

Nunca haverá uma "Palestina", e o mais recente roubo de terra é apenas mais um ponto acrescentado no livro das consternações que os palestinos têm de ler, enquanto os seus sonhos de terem um Estado se vão diluindo. Nabil Abu Rudeineh, porta-voz do "presidente" palestiniano Mahmoud Abbas, afirmou que o seu líder e as forças moderadas na Palestina tinham sido "apunhalados pelas costas" pela decisão dos israelitas, o que é dizer pouco. Abbas tem as costas completamente apunhaladas, de cima a baixo. E o que esperava ele quando escreveu um livro sobre as relações entre palestinos e israelitas em que não escreveu nem uma única vez, uma que fosse, a palavra "ocupação"? O que significa que voltamos ao velho jogo. Abbas não pode negociar com ninguém a menos que fale pelo Hamas ou pela Autoridade Palestina. Como Israel sabe. Como os EUA sabem. Como a União Europeia sabe. Mas cada vez que Abbas tenta construir um governo de unidade nacional, todos nós gritamos que o Hamas é uma organização "terrorista". E Israel argumenta que não pode conversar com uma organização "terrorista" que exige a destruição de Israel – ainda que Israel costumasse conversar muito com Arafat e, naqueles dias, tenha ajudado o Hamas a construir mais mesquitas em Gaza e na Cisjordânia, para servirem como contrapeso ao Fatah e a todos os outros então "terroristas" lá de Beirute.

Claro, se Abbas fala só por si, então Israel diz o que já disse: que se o Abbas não fala por Gaza, Israel não tem com quem negociar. Mas isso realmente ainda interessa? Devia existir uma manchete especial em todos os artigos deste género: "Adeus, Palestina".

(*) Publicado originalmente no Esquerda.net

Opera Mundi – A política de Israel “vidas em troca de terra” é roubo. Puro e simples

21/08/2014

Todas as guerras no Oriente Médio tem a ver com a disputa por Petróleo

Pre-sal (2)Há uma história elucidativa do papel criminoso das cinco irmãs do Petróleo. E aconteceu na Itália. O Ministro da Energia italiano resolveu bater de frente com as companhias de petróleo. O que elas fizeram? Se aliaram à máfia e abateram o Ministro em pleno voo, literalmente: Enrico Mattei. Está lá na Wikipédia, para quem quiser ler. Se puderes ler em italiano, a versão é completa: http://it.wikipedia.org/wiki/Enrico_Mattei.

São as mesmas razões que levam os EUA a finanCIArem golpes na Venezuela, e a se a$$oCIArem ao PSDB para abocanharem o Pré-Sal. A disputa nestas eleições também tem a ver com o destino do Pré-Sal. Não é mero acaso o encontro de FHC e Serra com a Chevron, prometendo que em caso de o PSDB ganhar as eleições a Petrobrás será convertida em Petrobrax e vendida a preço de banana, como fizeram com a Vale do Rio Doce. Para se ter uma idéia, o leilão para exploração de alguns aeroportos, por 20 anos, rendeu mais que a venda da Vale. Depois de 20 anos, os aeroportos retornam. A Vale, não!

Não não enganemos. Onde há petróleo, lá haverá distúrbio e guerra. E sabemos quem finanCIA!

Não falemos do petróleo: um artigo de Robert Fisk

Postado em 19 ago 2014

por : Diario do Centro do Mundo

Publicado no Unisinos.

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Iraq_ISISNo Oriente Médio, os primeiros disparos de cada guerra definem a narrativa que todos seguimos obedientemente. Do mesmo modo, esta grande crise, desde a última grande crise no Iraque. Os cristãos fogem por suas vidas? É preciso salvá-los. Yazidis morrendo de fome nas montanhas? Demos-lhes comida. Islamistas que avançam sobre Erbil? Vamos bombardeá-los. Bombardear seus comboios, “artilharia” e seus combatentes, e bombardear uma, duas até que…

Bom, a primeira pista sobre o prazo de nossa última aventura no Oriente Médio chegou no fim de semana, quando Barack Obama disse ao mundo – na mais encoberta “ampliação da missão” da história recente – que “não acredito que iremos resolver este problema (sic) em semanas, isto levará tempo”. Então, quanto tempo? Pelo menos um mês, obviamente. E talvez seis meses. Ou talvez um ano? Ou mais? Após a Guerra do Golfo de 1991 – ocorreram, na realidade, três desses conflitos nas últimas três décadas e meia, com outro em processo –, os estadunidenses e britânicos impuseram uma zona de “não voo” sobre o sul do Iraque e o Curdistão. E bombardearam as “ameaças” militares que descobriram no Iraque de Saddam para os próximos 12 anos.

Obama assentou as bases – a ameaça de “genocídio”, o “mandato” estadunidense por parte do impotente governo em Bagdá para atacar os inimigos do Iraque – para outra guerra aérea prolongada no Iraque? E caso seja assim, o que o faz – ou nos faz – pensar que os islamistas, ocupados em criar seu califado no Iraque e Síria, irão brincar neste cenário alegre? O presidente dos Estados Unidos, oPentágono e o Comando Central – e, suponho, o infantilmente chamado comitê Cobra britânico – realmente acreditam que o ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante), apesar de sua ideologia medieval, se sentará nas planícies de Nínive para esperar ser destruídos por nossas munições? Não.

Os rapazes do ISIS ou Estado Islâmico ou califado, seja lá como queiram ser chamados, simplesmente desviarão seus ataques para outras partes. Se o caminho para Erbil está fechado, irão tomar o caminho de Alepo ou Damasco, que os estadunidenses e os britânicos estarão menos dispostos a bombardear ou defender, porque isso significaria ajudar o regime de Bashar al Assad da Síria, a quem devemos odiar quase tanto como ao Estado Islâmico. No entanto, se os islamistas procurarem capturar Alepo, sitiar Damasco e empurrar para o outro lado da fronteira libanesa – a cidade mediterrânea de maioria sunita de Trípoli parece um objetivo chave –, seremos obrigados a ampliar nosso precioso “mandato” para incluir mais dois países, entre outras coisas porque bombardeariam a nação ainda mais merecedora de nosso amor e proteção que o Curdistão: Israel. Alguém pensou nisso?

E depois, é claro, está o inominável. Quando “nós” libertamos o Kuwait, em 1991, todos nós tínhamos que recitar – uma, duas vezes – que esta guerra não era pelo petróleo. E quando “nós” invadimos o Iraque, em 2003, novamente tivemos que repetir, até a saciedade, que este ato de agressão não era pelo petróleo – como se os marinheiros estadunidenses tivessem sido enviados à Mesopotâmia, cuja principal exportação eram os espargos.

E agora, enquanto protegemos a nossos queridos ocidentais em Erbil, socorremos aos yazidis nas montanhas do Curdistão e lamentamos as dezenas de milhares de cristãos que fogem das maldades do ISIS, não devemos – não fazemos isso e não faremos – mencionar o petróleo. Pergunto-me por que não. Não é, por acaso, importante – ou simplesmente um pouco relevante – que o Curdistão represente 43,7 bilhões de barris dos 143 bilhões de reservas do Iraque, assim como 25,5 bilhões de barris de reservas comprovadas e de três até seis trilhões de metros cúbicos de gás? Conglomerados de petróleo e gás globais surgiram em massa no Curdistão – daí, os milhões de ocidentais que vivem em Erbil, ainda que sua presença seja, em grande medida, inexplicável –, para investir mais de 10 bilhões de dólares.

Mobil, Chevron, Exxon e Total estão no local – e não permitiremos que o ISIS se meta com empresas como estas – em que os operadores de petróleo se caracterizam por concentrar 20% de todos os lucros.

De fato, relatórios recentes sugerem que a produção atual de petróleo curdo de 200.000 barris por dia chegará a 250.000, nos próximos anos – a disposição dos garotos do califado se mantém na linha, é claro –, o que significa, de acordo com a agência Reuters, que se o Curdistão iraquiano fosse um país real e não apenas um pedaço do Iraque, estaria entre os 10 países ricos em petróleo mais importantes do mundo. O que, sem dúvida, vale a pena defender. Porém, alguém mencionou isto? Algum repórter da Casa Branca incomodou Obama com apenas uma pergunta sobre este fato destacável?

Claro, nós sentimos pelos cristãos do Iraque – ainda que nos importassem bem pouco, quando sua perseguição começou após a nossa invasão de 2003 -. E devemos proteger as minorias dos yazidis, como prometemos – mas, falhamos –.  Proteger ao 1,5 milhão de cristãos armênios de seus assassinos muçulmanos, na mesma região há 99 anos. Porém, não esqueçamos que os mestres do novo califado do Oriente Médio não são tontos. Os limites de sua guerra se estendem muito além de nossos “mandatos” militares. E eles sabem – ainda que não o admitamos – que nosso verdadeiro mandato inclui essa palavra indizível: petróleo.

Diário do Centro do Mundo » Não falemos do petróleo: um artigo de Robert Fisk

14/09/2013

EUA & Israel (CIA e Mossad) financiam guerras civis entre seus inimigos no Oriente Médio

Filed under: CIA,Guerra do Petróleo,Isto é EUA!,Mossad — Gilmar Crestani @ 10:38 am
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La crisis siria dice mucho de EE UU

El país está harto de ir a pelear en otros lugares e insta a Obama a que cumpla su promesa de terminar con un decenio de guerras, pero invito a reflexionar sobre un nuevo mundo sin la intervención de Washington

Timothy Garton Ash 14 SEP 2013 – 00:00 CET

ENRIQUE FLORES

En la larga historia de los discursos pronunciados por presidentes de Estados Unidos, ¿ha habido algún otro más extraño que este? Con la solemnidad que corresponde a una declaración de guerra, el presidente Barack Obama informó a los estadounidenses, el martes por la noche, de que se había aplazado la votación en el Congreso sobre la acción militar porque Rusia estaba tratando de sacar adelante una iniciativa diplomática que podría —o no— someter las armas químicas sirias al control internacional. No fue precisamente el discurso de Gettysburg.

Todavía quedan muchos más giros en el camino a Damasco, pero la política que hemos visto estas semanas, desde el uso criminal de armas químicas en Siria el 21 de agosto, nos dice ya muchas cosas de Estados Unidos. Para empezar, nos dice lo que el propio Obama reconoció en su discurso televisado, citando una carta que le había enviado un veterano: “Esta nación está harta de guerras”.

Sobre este debate, como sobre los que se desarrollan en Europa, se cierne la sombra de Colin Powell (nada menos que él) y sus engaños y confusiones sobre las armas de Sadam Husein. Pero eso no es lo principal para la mayoría de los estadounidenses. Según una encuesta llevada a cabo esta semana por The New York Times y CBS, el 75% cree que el Gobierno sirio “probablemente utilizó” armas químicas contra civiles sirios, pero, aun así, la inmensa mayoría está en contra de la respuesta militar propuesta por Obama.

Todos los miembros del Congreso a los que he visto entrevistados en los canales de noticias de 24 horas son conscientes de ello, independientemente de que sean demócratas o republicanos y estén en favor o en contra de atacar Siria. No hay más que “tres o cuatro” de los mil y pico electores con los que ha hablado que defiendan la acción militar, dice el congresista Elijah Cummings, demócrata y partidario de Obama. El senador Rand Paul (hijo de Ron Paul), estrella en ascenso dentro del Partido Republicano, dice que las llamadas de teléfono que recibe están contra la guerra, en una propoción “de 100 a 1”.

Esta encrucijada llega cuando la primera potencia tiene una temerosa conciencia de su declive relativo

Los estadounidenses están “hartos” de la guerra, sencillamente. No creen que haya servido para nada en Oriente Próximo. Ha costado billones de dólares, mientras ellos perdían sus empleos y sus hogares, salían adelante con dificultades, veían el deterioro de sus carreteras, sus hospitales y sus escuelas. Pero la gran ironía es que eso es precisamente lo que dice Obama. Es el presidente que asumió el poder para acabar con “un decenio de guerra” (unas palabras que volvió a utilizar en su discurso) y concentrarse en “nuestra propia construcción nacional”. Es decir, el sentimiento popular es el mismo que él reflejó y reforzó.

Y lo más irónico de todo: si el mejor enemigo de Obama, el presidente ruso, Vladímir Putin, no hubiera decidido acudir al rescate en el último minuto por sus propios intereses, ese mismo sentimiento le habría asestado seguramente un golpe mortal. Porque el lunes por la mañana todo hacía suponer que Obama iba a sufrir una derrota en la Cámara de Representantes y tal vez incluso en el Senado.

Para describir esta actitud que se percibe hoy tanto en demócratas como en republicanos se utiliza con frecuencia un término poco imaginativo: “aislacionismo”. No cabe duda de que Estados Unidos tiene un historial de refugiarse periódicamente en su inmensa indiferencia continental, como ocurrió tras la I Guerra Mundial. Pero esta vez la sensación es diferente. Aunque es evidente que la resistencia actual a intervenir está relacionada con algunos de esos casos tradicionales, hoy se produce en un país que no está en pleno e impetuoso ascenso en el escenario mundial, sino que tiene una temerosa conciencia de su declive relativo. En los años veinte, a los estadounidenses no les inquietaba que una China emergente les arrebatara la comida y luego se quedara con el restaurante. Hoy, sí.

Conviene mencionar también unos cuantos ingredientes concretos de esta tarta. Uno de ellos es Israel. No hace falta subrayar el peso que tiene la preocupación por Israel en la política exterior estadounidense en general y en su política para Oriente Próximo en particular. En estas semanas he leído varios análisis escalofriantes que identifican una realpolitik israelí cuya conclusión es que el resultado menos malo para ellos es que dos grupos de archienemigos suyos —el régimen de El Asad, con Irán y Hezbolá, y los rebeldes suníes, cada vez más islamistas, extremistas y en parte próximos a Al Qaeda— continúen matándose.

“Nuestra mejor perspectiva es que sigan dedicándose a luchar entre ellos y no se acuerden de nosotros”, declara un funcionario anónimo de los servicios israelíes de inteligencia a un periodista en buzzfeed.com. “Que siga la hemorragia, que se desangren hasta morir: esa es la estrategia”, dice Alon Pinkas, antiguo cónsul general en Nueva York. En comparación con esto, Maquiavelo parece Mahatma Gandhi.

Algunos análisis israelíes sobre la situación actual en Oriente Próximo son escalofriantes

Luego están los halcones intervencionistas, como John McCain y Paul Wolfowitz, que opinan que Estados Unidos debe actuar con más decisión y reforzar a los rebeldes más moderados para ayudar a derrocar a El Asad. No estarían satisfechos con un arreglo que tal vez no comprenda más que las armas químicas, y solo gracias a un acuerdo en el que los rusos sean los intermediarios. Junto a ellos se encuentran algunos políticos republicanos tan sectarios que su prioridad es acabar con Obama, más que detener a El Asad. Y también están los estrategas más veteranos —que son muchos, y sin ninguna relación con el ejército—, que estudian con detalle todas las repercusiones estratégicas para Estados Unidos y la región. El mensaje que transmiten, en su inmensa mayoría, es que hay que ser precavidos.

Por último, sigue habiendo unos cuantos progresistas al estilo de los años noventa, partidarios de la intervención humanitaria y marcados por las experiencias de Bosnia, Ruanda y Kosovo. Obama ha nombrado embajadora ante la ONU a una representante casi paradigmática de esta corriente, Samantha Power, autora de un libro publicado en 2002 y titulado A problem from hell: America and the age of genocide (Un problema infernal: Estados Unidos y la era del genocidio). Está claro que Siria es un problema infernal. Estos progresistas partidarios de la intervención humanitaria no son la voz predominante en una Administración caracterizada por un pragmatismo cauteloso y atento a la seguridad, pero están ahí.

Escribo esta columna en el 12º aniversario de los atentados terroristas del 11 de septiembre de 2001 que empujaron a Estados Unidos a ese decenio de guerra; de manera justificada en la reacción inmediata contra Al Qaeda en Afganistán y de manera injustificada y desastrosa en Irak.

Estados Unidos es hoy muy diferente. Es posible que, después de unos años de poner en orden sus propios asuntos, vuelva a ser —a pesar de sus defectos e hipocresías— el áncora indispensable de un orden internacional liberal. Pero, dado que no solo hay que tener en cuenta sus propios problemas estructurales sino, sobre todo, los cambios en la constelación mundial de poder a su alrededor, tengo mis dudas. A los numerosos detractores e incluso a los enemigos de Estados Unidos en Europa y todo el mundo, no les digo más que una cosa: si no les gustaba el viejo mundo en el que Estados Unidos intervenía sin cesar, a ver qué les parece un mundo nuevo en el que no lo haga.

http://www.timothygartonash.com

Timothy Garton Ash es catedrático de Estudios Europeos en la Universidad de Oxford, donde dirige http://www.freespeechdebate.com, e investigador titular de la Hoover Institution, Universidad de Stanford. Su último libro es Los hechos son subversivos: Ideas y personajes para una década sin nombre.

Traducción de María Luisa Rodríguez Tapia.

La crisis siria dice mucho de EE UU | Opinión | EL PAÍS

04/09/2013

Obama na Síria, pelo maior especialista em Oriente Médio

Filed under: Barack Obama,Guerra do Petróleo,Síria,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 8:23 am
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Un Vengador en Jefe

Por Robert Fisk *

Lo más sorprendente fue la transparente audacia con la que nuestros líderes pensaron que podían nuevamente confundir a sus legisladores. Bienvenido sea el fin de la relación especial. Qué momento incómodo; no se lo puede describir de otra forma. Alguna vez Líbano, Siria y Egipto temblaban cuando Washington hablaba. Ahora se ríen. No sólo tiene que ver con lo que pasó con los estadistas del pasado. Nadie se creyó que Cameron fuera Churchill ni que ese hombre tonto en la Casa Blanca fuera Roosevelt, si bien Putin es un Stalin aceptable. Se trata más de una cuestión de credibilidad; nadie en Medio Oriente toma ya en serio a Estados Unidos.

Basta con haber visto a Obama el sábado pasado para darnos cuenta de por qué. Parloteó de la manera más racista sobre antiguas diferencias sectarias en Medio Oriente. ¿Desde cuándo un presidente de Estados Unidos es experto en esas supuestas diferencias sectarias? Constantemente nos muestran mapas del mundo árabe con zonas chiítas, sunnitas y cristianas pintadas de colores diferentes para enseñarnos las naciones de la región a las que nosotros generosamente impusimos una demarcación. ¿Pero cuándo un periódico estadounidense publicará un mapa de colores de Washington o Chicago con las zonas de población blanca y negra por calle?

Pero lo más descarado fue que nuestros líderes pensaran que nuevamente podían manipular a sus órganos legislativos con mentiras, tambores de guerra y aseveraciones absurdas.

Esto no significa que Siria no haya usado gas contra su propio pueblo, frase que solíamos aplicarle a Saddam cuando queríamos ir a la guerra contra Irak, pero sí demuestra que los líderes están ahora pagando el precio de la deshonestidad de Bush y Blair.

Obama, quien cada vez se asemeja más a un predicador, quiere ser el Castigador en Jefe del Mundo Occidental; el Vengador en Jefe. Hay algo en él que recuerda al imperio romano, y los romanos eran buenos para dos cosas: creían en la ley y en la crucifixión. La Constitución estadounidense, los valores estadounidenses y los misiles crucero tienen, más o menos, ese mismo enfoque. Las razas inferiores deben ser civilizadas y castigadas, aun cuando sus diminutos lanzamientos de misiles parecen más actos perniciosos que una verdadera guerra.

Todo aquel que estuviera fuera del imperio romano era llamado bárbaro; todo aquel que está fuera del imperio de Obama es llamado terrorista. Y como siempre, la visión global tiene la costumbre de borrar pequeños detalles de los que deberíamos estar al tanto.

Tomemos Afganistán, por ejemplo. Recibí una interesante llamada telefónica desde Kabul hace tres días; y parece que los norteamericanos le impiden al presidente Karzai adquirir nuevos helicópteros rusos Mi, porque Rusia vende esas mismas naves a Siria. ¿Qué les parece? Por lo visto, Estados Unidos ahora trata de dañar las relaciones comerciales entre Rusia y Afganistán. El porqué los afganos quieren hacer negocios con una nación que los esclavizó durante ocho años es otra cuestión, pero Estados Unidos relaciona el asunto con Damasco.

Ahora, otra pequeña noticia. Hace poco más de una semana dos enormes coches bomba estallaron afuera de dos mezquitas salafistas en la ciudad de Trípoli, al norte de Líbano. Murieron 47 personas y quedaron heridas otras 500. Ahora se descubre que cinco personas fueron acusadas por los servicios de seguridad libaneses de los atentados y se dice que una de ellas es el capitán del servicio de inteligencia del gobierno sirio.

A este oficial se le achacaron los cargos en ausencia, y quisiéramos pensar que hombres y mujeres son inocentes hasta que se compruebe su culpabilidad, pero dos jeques también fueron acusados y uno de ellos, aparentemente, es el jefe de una organización islamita pro Damasco. Se dice que el otro jeque también es cercano a la inteligencia siria. Obama está tan empeñado en bombardear Siria y tan indignado por los ataques con gas que pasó por alto esta información, que ha enfurecido a millones de libaneses.

Supongo que esto es lo que pasa cuando se pierde de vista la pelota.

Todo esto me recuerda un libro publicado en 2005 por la editorial de la Universidad de Yale, titulado El Nuevo León de Damasco, escrito por el profesor de la Universidad de Trinity, Texas, David Lesch. En esos tiempos, aún se consideraba que Bashar al Assad sería un líder reformista para Siria. Lesch concluyó que Bashar, en efecto, es la esperanza y la promesa de un futuro mejor.

El año pasado, cuando Occidente finalmente dejó de lado sus sueños sobre Bashar, el buen profesor publicó otro libro, también en Yale, y esta vez lo tituló La caída de la dinastía Assad, y en él la conclusión de Lesch es que Bashar resultó ser un miope y se engañó a sí mismo. Fracasó miserablemente.

Como bien dice el señor que me vende libros en Beirut, tenemos que esperar el próximo libro de Lesch, que probablemente se titulará: Assad ha vuelto, y bien podría durar más que Obama.

* De The Independent de Gran Bretaña. Especial para Página/12.

Página/12 :: El mundo :: Un Vengador en Jefe

07/08/2013

Enfim, chance de paz no Oriente Médio

A se confirmar, com a saída dos EUA do Oriente Médio surge, enfim, a  possibilidade de paz naquela região. Será que as áreas petrolíferas da América Latina correm algum risco com o deslocamento dos desestabilizadores do Oriente Médio para o quintal? A espionagem denunicada por Edwar Esnowden prova a manobra golpista dos EUA.

EUA decidem retirar diplomatas do Iêmen

Reino Unido também remove pessoal da embaixada em reação à ameaça de atentado rastreada por americanos

Para governo iemenita, medidas são excessivas e favorecem agenda extremista; "drone" mata 4 em ataque

DIOGO BERCITODE JERUSALÉM

Os Estados Unidos pediram ontem que seus cidadãos deixem o Iêmen imediatamente, diante de uma grave ameaça terrorista nesse país.

O pessoal diplomático da embaixada americana em Sanaa, capital iemenita, foi transportado em um avião militar para uma base do país na Alemanha. O Reino Unido também retirou seus diplomatas da cidade.

O apelo dos EUA vem na sequência do fechamento das embaixadas americanas no Oriente Médio, motivado por mensagens interceptadas entre a liderança da rede terrorista Al Qaeda e de sua violenta franquia iemenita, a Al Qaeda na Península Arábica.

De acordo com a mídia americana, a comunicação entre Ayman al-Zawahiri, chefe da rede terrorista, dava conta de planos de um grande atentado nessa região.

Segundo os EUA, essa é a ameaça mais séria aos interesses ocidentais na região desde o 11 de Setembro.

O governo iemenita criticou as medidas americanas e britânicas, afirmando que elas "servem ao interesse dos extremistas". A nota do Departamento de Estado dos EUA pede "aos cidadãos americanos que não viajem para o Iêmen e aos que vivem ali que deixem imediatamente o país", pois o nível da ameaça é "extremamente alto".

À Folha Rajeh Badi, assessor presidencial do Iêmen, confirmou haver informações de inteligência a respeito de um ataque no país coincidindo com o fim do mês sagrado de ramadã, entre quinta e sexta-feira.

O sentimento antiamericano tem crescido no Iêmen, conforme o país é palco da estratégia de guerra ao terror, com dano colateral entre civis. Em setembro, uma multidão atacou uma construção da embaixada americana.

"DRONES"

Ontem, quatro suspeitos de fazer parte da Al Qaeda foram mortos no país por um ataque americano com um "drone" (avião não tripulado), de acordo com fontes tribais.

O incidente, confirmado com o governo do Iêmen, ocorreu na província de Marib, ao leste da capital.

Entre as vítimas estava Saleh al-Tays al-Waeli, que anteontem tivera seu nome divulgado pelo governo iemenita como um dos responsáveis pelos planos de um futuro ataque terrorista ali.

É o quarto ataque de "drone" no Iêmen desde 28 de julho, na intensificação da estratégia americana. Durante uma semana, ao menos 17 suspeitos foram mortos.

Em outro incidente, ao menos nove militares do Iêmen morreram quando integrantes de uma tribo derrubaram um helicóptero ontem.

De acordo com a rede ABC News, a Al Qaeda na Península Arábica desenvolveu novo explosivo líquido. Quando aplicado em roupas e seco, o material não seria detectável por agentes de segurança.

Ante a situação volátil, o Departamento de Estado diz que 19 de suas sedes diplomáticas permanecerão fechadas até sábado. Ontem, um falso alarme terrorista fez com que o consulado-geral dos EUA em Milão, no norte da Itália, fosse esvaziado.

    11/03/2013

    Israel para quê ou para quem?!

    Filed under: Israel — Gilmar Crestani @ 8:48 am
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    INTELIGÊNCIA/ROGER COHEN

    Desnudando o dilema de Israel

    BOSTON

    Quem se interessa pelo Estado de Israel e por tudo que os 46 anos de ocupação da Cisjordânia representam para a alma da nação deve assistir ao extraordinário documentário "The Gatekeepers" [Os guardiões], de Dror Moreh. Ver meia dúzia de ex-chefes do Shin Bet (o serviço de segurança interna de Israel) refletindo sobre a inutilidade dos seus esforços é compreender algo fundamental no impasse em que o Estado judaico se encontra hoje.

    Esses homens são israelenses, patriotas e passaram cada minuto das suas vidas profissionais tentando manter a segurança em um ambiente hostil.

    Eles penetraram casa a casa em aldeias árabes, recrutaram informantes palestinos, obtiveram confissões de prisioneiros em interrogatórios, reuniram documentos, filtraram informações, conceberam tramas para matar líderes do Hamas, seja com uma bomba ou explodindo um celular, atormentaram-se com os danos colaterais e, no final, foram forçados a admitir que todos esses esforços não podem mascarar um fato fundamental: "A tragédia do debate sobre segurança pública em Israel", diz Ami Ayalon, que dirigiu o Shin Bet de 1996 a 2000, "é que ganhamos todas as batalhas, mas perdemos a guerra".

    Talvez haja aí certo exagero. Em quase meio século desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel se transformou em um Estado moderno e altamente tecnológico, ao passo que seus vizinhos palestinos continuam atolados no pântano da apatridia. Mas esse filme não é sobre o material. Ele aborda o dilema ético, por meio das vozes desses homens que chegaram ao final das suas vidas profissionais e agora se fazem perguntas.

    O que ele transmite, acima de tudo, é o dano inexorável infligido a uma nação que tenta governar e controlar as vidas dos agora 2,6 milhões de palestinos subjugados na Cisjordânia.

    Talvez os personagens mais tocantes e complexos sejam Avraham Shalom, diretor do Shin Bet de 1981 a 1986, e Carmi Gillon, que comandou a organização de 1994 a 1996.

    Shalom, de suspensório vermelho, em alguns momentos parece um benigno professor universitário e, em outros, faz avaliações inclementes ("Com terroristas, não há moral").

    Já Gillon claramente ainda é assombrado por não ter sido capaz de proteger o premiê Yitzhak Rabin do seu assassino de ultradireita, Yigal Amir (o Shin Bet o monitorou, mas concluiu que ele não era uma ameaça). Questionado sobre como foi falar sobre isso com sua mulher no dia do assassinato, Gillon diz com toda franqueza que ela o manteve vivo. Ele parece próximo das lágrimas. Amir alcançou seu objetivo: a paz morreu com suas balas.

    Gillon diz que Israel está "tornando insuportável a vida de milhões". Shalom diz que a presença israelense na Cisjordânia é comparável a "forças de ocupação brutais, similares às alemãs na Segunda Guerra Mundial" -não é, ressalva, uma comparação com as ações nazistas contra os judeus, mas com os Exércitos de ocupação alemães na Holanda, Tchecoslováquia e outros países da Europa.

    Tais declarações, vindas de homens encarregados da segurança da ocupação, são extraordinárias por sua honestidade.

    É claro que seis homens falando não fazem um filme de 97 minutos. Mas Moreh fez um trabalho notável ao montar imagens que contam o drama da ocupação inicial, da Guerra do Líbano, da primeira e da segunda intifadas, do crescimento do Hamas, dos acordos de Oslo -com a mão relutante de Rabin se erguendo para encontrar a de Iasser Arafat no jardim da Casa Branca- e da ascensão de uma violenta direita nacionalista-religiosa em Israel, que vê a ocupação como a concretização do sonho do Eretz Israel (termo bíblico que se refere à área entre o Mediterrâneo e o rio Jordão, abrangendo toda a Cisjordânia).

    O sentimento dominante que o filme engendra é o da oportunidade perdida e da futilidade.

    Nem os judeus nem os árabes irão embora, e a violência no final só gera mais violência.

    A amarga frustração desses agentes inteligentes e qualificados é a de homens que viram o sonho sionista ser abalado pelas tentações de poder absoluto. A ocupação não só abalou os ideais de Israel, ela também exacerbou a divisão entre laicos e religiosos dentro de Israel.

    No entanto, há uma nota de esperança: a própria abertura desses homens, cujas vidas inteiras foram dedicadas ao trabalho sigiloso.

    É duvidoso que alguma outra sociedade no Oriente Médio pudesse ter produzido tamanha franqueza pública a respeito de um tema tão delicado.

    O melhor de Israel ainda está aí. O que falta para trazer isso à plena luz do dia é coragem -uma coragem que teria de ser correspondida pelo lado palestino.

    Envie comentários para intelligence@nytimes.com.

    16/04/2011

    Democracia e religião

    Filed under: Revolução Jasmim — Gilmar Crestani @ 10:01 pm
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    O Ocidente bloqueou campo político no Oriente Médio e facilitou a ascensão dos fundamentalismos
    Publicado em 04 de abril de 2011

    VLADIMIR SAFATLE – Revista CULT

    As reações de setores da opinião pública às revoltas no mundo árabe expõem um belo sistema projetivo. Pois podemos dizer que, muitas vezes, eles acabam por projetar, como se fosse exclusividade do Oriente Médio, problemas que são também nossos. Um exemplo paradigmático aqui é a relação entre política e religião.

    Gostamos de acreditar que nossas sociedades ocidentais são sistemas políticos laicos, no interior dos quais a força das crenças religiosas deu lugar à possibilidade de uma confrontação eminentemente política, no mais das vezes técnica e racional. Para nós, isso representaria um ganho dos processos de modernização que ainda não teria sido alcançado pelo mundo árabe. Dessa forma, conservamos o velho esquema da supremacia cultural do Ocidente e de seu pretenso progresso histórico.

    No entanto, essa versão é dificilmente sustentável. Primeiro, porque nossas sociedades não conseguiram resolver o problema de sua laicidade. Basta lembrar como a última eleição presidencial no Brasil virou um conflito a respeito de temas ligados à maneira com que dogmas religiosos relativos à família e à procriação interferem na gestão da vida social. Quem esqueceu a maneira com que candidatos à Presidência beijaram imagens de santos? Mas como ignorar que a maioria da população brasileira é católica e tem o direito de expressar suas convicções, fazer-se ouvir no momento de decidir sobre a configuração das leis do Estado? Bem, basta tirarmos a palavra
    “católica” e colocarmos a palavra “muçulmana” para repetirmos o mesmo tipo de discurso veiculado por organizações como a Irmandade Muçulmana.

    Mas deixemos de lado o Brasil. Lembraria que uma das perguntas tradicionais nos debates televisivos da eleição presidencial norte-americana é exatamente “qual trecho da Bíblia o senhor prefere?”. Lembraria também que a Alemanha é governada por um partido que se diz democrata-
    cristão. Certamente os não cristãos não conseguem entender por que devam ser governados por um partido que diz defender os valores cristãos.

    Poderíamos tentar contemporizar esse fato dizendo que o cristianismo é totalmente compatível com a democracia. Mas talvez seria mais correto afirmar que a democracia é, simplesmente, indiferente ao cristianismo (ou ao budismo, ao islamismo, ao judaísmo etc.).

    O cristianismo, por sua vez, pode ser extremamente excludente, persecutório e intolerante contra aqueles que não comungam seus dogmas.

    Devemos lembrar esses pontos para afirmar que a relação entre política e religião está longe de ser uma questão resolvida, tanto no Ocidente quanto no Oriente. O Oriente Médio precisará inventar um meio de equalizar esse problema, da mesma forma que nós também precisamos. Nossas conquistas nesse campo são mais frágeis do que imaginamos.

    No entanto, nossa desconfiança em relação ao que se passa atualmente no Oriente Médio talvez venha, em larga medida, do medo que temos do caráter violento do fundamentalismo islâmico. Melhor seria lembrar como tal fundamentalismo é um fenômeno recente. Ele tem, no máximo, 30 anos. Países hoje com grandes contingentes de fundamentalistas, como o Afeganistão, eram, até a década de 1970, animados por lutas políticas laicas.

    Nesse sentido, não esqueçamos que tal recrudescência do sentimento religioso no Oriente Médio é o resultado direto de um longo bloqueio, patrocinado pelo Ocidente, de modificações políticas nos países árabes. Desde os anos 1950, o Ocidente vem sistematicamente minando todos os movimentos políticos árabes de autodeterminação e independência. O caso da conspiração contra o líder nacionalista iraniano Mossadegh é aqui paradigmático.

    Por outro lado, os regimes mais corruptos e totalitários da região foram apoiados de maneira irrestrita pelo Ocidente (Paquistão, Arábia Saudita, Jordânia, Tunísia, Egito). Ou seja, a experiência cotidiana de um árabe em relação aos valores modernizadores e democráticos ocidentais é que eles servem apenas para justificar o contrário do que pregam. Os árabes fizeram a prova do caráter formalista e “flexível” dos valores ocidentais.

    Nesse ambiente de cinismo e bloqueio do campo político, o retorno à tradição religiosa com suas promessas de revitalização moral é sempre uma tendência. Foi isso que aconteceu. Ou seja, não se trata aqui de traço arcaizante nenhum típico de civilizações refratárias ao nosso “choque civilizatório”. Trata-se de um sintoma recente de bloqueio do potencial transformador do campo político. Por isso, podemos esperar que essa nova vaga de revolta política no Oriente Médio permita a reconstrução do campo político e o esvaziamento de tendências fundamentalistas.

    vladimirsafatle@revistacult.com.br

    Blog Leituras Favre

    18/02/2011

    Os EUA, arrimo de Israel no Oriente Médio

    Filed under: Revolução Jasmim — Gilmar Crestani @ 10:52 pm
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    Os EUA, arrimo de Israel no Oriente Médio

    Há uma espécie de ‘ponto cego’ no panorama mental de muita gente sempre que se trata de Israel – fenômeno frequente também entre os pensadores progressistas. Ninguém fala contra Israel, porque quem fale sempre poderá ser dito antissemita, acusado de “selecionar” Israel como alvo preferencial de críticas. A imprensa não discute Israel nem noticia o que Israel faz no Oriente Médi, mais diretamente aos palestinos que vivem sob ocupação militar. O tema sempre dispara cartas de leitores indignados e cancelamento de assinaturas de jornais e revistas. Assim, silencia-se sobre o fato de que Israel é o fator determinante de praticamente todas as políticas e ações dos EUA no Oriente Médio. O artigo é de Kathleen Christison.

    Kathleen Christison (*) – Counterpunch

    Há cerca de dez dias, participei de discussão especialmente interessante sobre Israel e seu relacionamento com a política dos EUA para o Oriente Médio, considerados os atuais acontecimentos no Egito e em outros países do mundo árabe. Meu interlocutor foi um dos mais brilhantes comentaristas de política norte-americana da mídia alternativa, mas disse que, para ele, Israel não teria qualquer importância considerável no que os EUA fazem na região.
    Devo dizer que pode ser caso de uma espécie de ‘ponto cego’ no panorama mental sempre que se trata de Israel – fenômeno frequente também entre os pensadores progressistas. E espero que o torvelinho pelo qual passa a região acabará abrindo os olhos também dos que ainda tendem a minimizar o papel central que Israel desempenha na política dos EUA.
    Os recentes eventos no Egito e os “Documentos da Palestina” publicados por WikiLeaks e divulgados pela rede al-Jazeera, com conversações entre palestinos e israelenses, aí estão, como prova escrita, mais contundentes que qualquer outra divulgação, de que os EUA fazem o que fazem no Oriente Médio em vasta medida por causa de Israel – para proteger e salvaguardar Israel contra os vizinhos árabes que se revoltam contra o tratamento que Israel dá aos palestinos; contra muçulmanos, também revoltados pelos mesmos motivos; contra todos os críticos que reclamam das agressões militares dos israelenses contra Estados próximos; contra a ira de outros Estados eternamente ameaçados por Israel; contra governos na região que não aceitam que Israel seja o único Estado nuclear e insistem em desenvolver programas nucleares próprios, que lhes deem meios para conter Israel e defender-se das agressões dos israelenses.
    É instrutivo lembrar que o Egito é importante para os EUA quase exclusivamente porque assinou um tratado de paz com Israel em 1979 e ajuda a garantir a segurança de Israel, defendendo a fronteira ocidental; ajudando em ataques militares contra outros países árabes; fechando os túneis que chegam a Gaza, pelos quais o Hamás contrabandeia algumas armas, e a população de Gaza obtém comida e outros artigos essenciais; e, claro, também porque o Egito ajuda a minar o poder do Hamás em Gaza. Os EUA também consideram o Egito como roldana importante em sua máquina de “guerra ao terror” e na guerra contra o radicalismo islâmico – função também intimamente ligada aos interesses de segurança de Israel.
    Obviamente, o Egito é importante, de pleno direito, na Região. O tamanho do país e sua localização estratégica garantem que sempre terá influência considerável na política do Oriente Médio, e há séculos é o coração da cultura árabe, para o que não precisa de ajuda dos EUA.
    As três últimas semanas de luta do povo egípcio por democracia aumentou a importância do Egito, capturando a imaginação dos povos do mundo inteiro (exceto de muitos, talvez a maioria, em Israel e da direita linha-dura nos EUA, com destaque para a ala daquela direita que apóia Israel).
    Mas a parte fundamental que interessa destacar é que os EUA não teriam o relacionamento militar, político e econômico tão íntimo que têm com o Egito há mais de 30 anos, não fosse o Egito aliado de Israel e o fato de que, nas palavras de Rashid Khalidi, especialista em Oriente Médio, o Egito sempre aceitou “a hegemonia regional de Israel”. O 1,5 bilhão anual de dólares em ajuda militar, e os 28 bilhões em assistência econômica e para o desenvolvimento ao longo dos últimos 35 anos não seriam entregues ao Egito, se o antecessor de Mubarak, Anwar Sadat, não tivesse suplicado por eles e, afinal, não tivesse concordado em assinar um tratado de paz com Israel, que removeu o Egito – o mais poderoso exército do mundo árabe – da lista das ameaças ‘existenciais’ contra Israel, abandonando os palestinos e outros partidos árabes aos seus próprios (poucos) recursos.
    Com o Egito fora do jogo e já, de fato, jogando a favor, Israel ficou livre para lançar vários ataques militares contra países vizinhos, duas vezes contra o Líbano e incontáveis vezes contra Gaza e a Cisjordânia, e livre para expandir as colônias exclusivas para judeus em territórios ocupados, roubar terra dos palestinos e massacrar rotineiramente os palestinos, sem medo de retaliação nem, sequer, de qualquer manifestação mais significativa vinda de qualquer exército árabe.
    O comentarista israelense Aluf Benn já destacou além disso que, com Mubarak no poder, Israel sempre poderia sentir-se seguro em relação ao flanco ocidental no caso de atacar o Irã.
    Hoje, Israel já não pode atrever-se a atacar o Irã, e assim continuará até que volte (se voltar) a poder confiar que receberá do Egito “apoio tácito a todos os seus atos”. Mas quem quer que substitua Mubarak, seguindo esse raciocínio, também terá de preocupar-se com não despertar a fúria das massas, no caso de mostrar muita disposição para apoiar Israel. “Sem Mubarak, desaparece qualquer possibilidade de Israel atacar o Irã.”
    Para Israel e, portanto, também para os EUA, o investimento de bilhões que os EUA fizeram no Egito sempre valeu cada vintém. O fim da “estabilidade” que o Egito assegurava – ou seja, com Israel já sem poder confiar que se manterá em segurança, como potência regional dominante ­– é o fator de mudou muito dramaticamente todos os cálculos estratégicos dos EUA e de Israel.
    Antes do tratado de paz Egito-Israel, os EUA jamais consideraram que o Egito fosse o item de alta importância estratégica que passou a ser depois de render-se e por toda a sua capacidade militar a serviço dos interesses de Israel. Pode-se dizer o mesmo sobre as relações dos EUA com inúmeros outros estados árabes. O envolvimento dos EUA no Líbano – inclusive os esforços para tirar o exército sírio do Líbano – também se explica quase completamente pela defesa dos interesses de Israel também ali.
    O fracasso da invasão de Israel ao Líbano em 1982 ainda reverbera: em resposta àquela invasão, os EUA mandaram um contingente de Marines, que se envolveu em luta direta com facções libanesas, o que levou a um ataque a bomba devastador contra o quartel-general dos Marines que matou 241 militares e agentes dos EUA em 1983. O crescimento do Hezbollah, representando a população xiita sitiada no sul do Líbano, é resultado direto da invasão israelense; o aumento no número de pessoal norte-americano seqüestrado pelo Hezbollah ao longo dos anos 1980s é resultado da hostilidade que cresceu contra os EUA, por causa do apoio a Israel. Israel retirou-se em 2000 do sul do Líbano, depois de vinte anos de ocupação, deixando atrás de si um Hezbollah mais poderoso do que jamais fora. O continuado conflito ao longo da fronteira levou ao brutal ataque de Israel contra o Líbano no verão de 2006. Mas Israel não derrotou a organização islâmica nem fez diminuir sua popularidade. Como resultado disso, os EUA já há anos estão obrigados a trabalhar para minar o poder do Hezbollah e, essencialmente, para manter o Líbano como sinecura israelense.
    A Jordânia foi aliada menor dos EUA durante décadas, até que concluiu um tratado de paz com Israel em 1994 e ganhou status aos olhos dos EUA. Então, o pequeno Estado na fronteira leste de Israel passou a receber gorda ajuda militar e econômica dos EUA. O perfil oficial da Jordânia nos arquivos do Departamento de Estado dos EUA expõe os argumentos que explicam o bom relacionamento com a Jordânia, todos ligados, mais ou menos diretamente, a Israel, mas sem jamais mencionar Israel: “A política dos EUA busca reforçar o comprometimento da Jordânia com a paz, a estabilidade e a moderação. O processo de paz e a oposição da Jordânia ao terrorismo seguem e indiretamente reforçam interesses mais amplos dos EUA. Assim também, mediante assistência militar e econômica e por vias de cooperação política, os EUA têm ajudado a Jordânia a manter-se estável e próspera.”
    As referências a “reforçar” o comprometimento da Jordânia “com a paz, a estabilidade e a moderação” e à manutenção da estabilidade e da prosperidade da Jordânia dizem, de fato, sobre a Jordânia ajudar a manter a área – e sobretudo a fronteira com Israel – calma. Assim também, a expressão “indiretamente reforçam interessem mais amplos dos EUA” refere-se ao compromisso de cuidar da segurança de Israel. “Moderação”, no jargão do Departamento de Estado, é palavra-código para defesa dos interesses de Israel; “estabilidade” significa sempre ambiente seguro que atenda, primeiro, aos interesses de Israel.
    Pode-se afirmar com segurança que nem o Líbano nem a Jordânia jamais teriam a importância que têm para os EUA, se os EUA não considerassem importante manter calmas as áreas de fronteira desses dois países com Israel, sempre considerada, só, a segurança de Israel. O mesmo não se pode dizer da Arábia Saudita, onde os EUA têm interesses vitais no petróleo, além da preocupação com a segurança de Israel. Mas, ao mesmo tempo, os EUA controlaram todos os impulsos dos sauditas na direção de defender os palestinos ou quaisquer outros árabes sob sítio dos israelenses, e puseram os sauditas bem alinhados, pelo menos implicitamente, ao lado de Israel, em várias questões – seja quando Israel atacou o Líbano em 2006 seja em 2008-2009, quando Israel massacrou Gaza seja, ainda, no que tenha a ver com a suposta “ameaça iraniana”. Vai muito longe o tempo em que os sauditas enfureceram-se por conta do apoio dos EUA a Israel, a ponto de imporem um embargo ao petróleo, como aconteceu em 1973.
    Os documentos recentemente divulgados por WikiLeaks de telegramas do Departamento de Estado e, sobretudo, a divulgação pela rede al-Jazeera de minutas de reuniões das negociações entre Israel e palestinos ao longo da última década também mostram com ofuscante clareza o quanto os EUA jogam duro, e que o jogo duro sempre funcionou, para ajudar Israel no processo de negociação com palestinos.
    O apoio dos EUA a Israel jamais foi segredo, e cada vez é menos secreto ao longo dos últimos anos, mas os telegramas vazados fazem ver um quadro muito mais dramático do total desdém dos EUA pelos interesses dos palestinos nas negociações e o quanto os palestinos foram deixados sem qualquer poder de barganha ante a recusa de Israel a qualquer concessão.
    Chama a atenção, naqueles documentos, que os EUA fazem o papel de “advogado de Israel” – descrição cunhada por Aaron David Miller, depois de trabalhar nas negociações durante a era Clinton. E é o mesmo papel sempre, seja nos governos Bill Clinton ou George W. Bush ou Barack Obama: sempre prevalecem os interesses e demandas de Israel.
    Fora do mundo árabe, também a política dos EUA para o Irã é ditada praticamente toda, por Israel. A pressão para atacar o Irã – seja ataque direto dos EUA, ou apoio dos EUA a ataque de Israel – que está em pauta há quase oito anos, desde o início da guerra no Iraque, sempre veio toda de Israel e de seus apoiadores nos EUA. É pressão declarada, e é impossível negar o quanto Israel pressionou para que os EUA atacassem o Iraque.
    Se algum dia os EUA se envolverem em ataque militar contra o Irã, diretamente, ou como força de apoio dos israelenses, acontecerá porque Israel decidiu que acontecesse. Se não houver ataque algum contra o Irã, como Aluf Benn prevê que não haverá, foi porque Israel tremeu, agora, depois de iniciada a Revolução Egípcia.
    Israel e o desejo de defender a própria hegemonia regional foram fatores substancialmente importantes também para arrastar os EUA à guerra no Iraque – embora haja quem discorde, entre progressistas e conservadores, que entendem que aí haveria em jogo outras forças além das relações EUA-Israel-árabes.
    Meu interlocutor progressista, por exemplo – que fez valente oposição ao envolvimento dos EUA na aventura do Iraque e também se opõe fortemente a qualquer ataque ao Irã, e está sem dúvida profundamente perturbado por os EUA não terem pressionado para a imediata partida de Mubarak – não concorda completamente com minha ideia de que Israel e seus apoiadores nos EUA são fator a considerar no envolvimento dos EUA na guerra do Iraque. No início da discussão, ele falou longamente sobre os neoconservadores, seu antigo think tank “Project for a New American Century (PNAC)” e o manifesto interesse do PNAC dos neoconservadores em fazer avançar a hegemonia global dos EUA; e defendeu a ideia de que, quando George W. Bush chegou ao poder, todo um completo think tank instalou-se na administração. Mas, embora reconheça os objetivos dos neoconservadores e o sucesso que alcançaram na implantação daqueles objetivos, nem assim concorda com que o PNAC e os neoconservadores também estivessem tão interessados em promover a hegemonia regional de Israel quanto em promover o imperialismo norte-americano.
    Quando, contudo, observei que Bush não instalou só um think tank dentro do governo, mas também, simultaneamente, instalou efetivamente o lobby israelense, ou a ala mais ativa daquele lobby, nos mais altos escalões do governo, nos conselhos políticos, meu amigo logo concordou: oh, claro, ele concordou com vigor, eles (os neoconservadores) “são todos Likudniks.” Há aqui alguma espécie de desconexão, que meu interlocutor parece não perceber: além de reconhecer a íntima ligação entre os neoconservadores e Israel, ele também reconhece que os neoconservadores trabalharam, de algum modo, por Israel. Como se tudo se justificasse, porque escreveram suas simpatias pró-Israel nas portas da Casa Branca e do Pentágono, ao assumir os cargos. Como se tudo se justificasse por declararem que abdicavam de todas as suas longas histórias de serviços prestados a Israel e de orientação dada há anos a políticos israelenses – orientação que incluiu conselho muito real, por escrito, em 1996, para que Israel atacasse o Iraque.
    Sempre foi muito claro para muitos analistas, durante anos, até décadas, que os EUA favorecem Israel, mas a realidade jamais foi revelada tão explicitamente, até que eventos recentes puseram a nu o relacionamento, e trouxeram à luz o fato de que no centro de praticamente todos os movimentos dos EUA na região sempre está Israel.
    Sempre foi tabu falar dessas realidades, tabu que amordaçou gente como o meu interlocutor. Ninguém fala contra Israel, porque quem fale sempre poderá ser dito antissemita, acusado de “selecionar” Israel como alvo preferencial de críticas. A imprensa não discute Israel nem noticia o que Israel faz no Oriente Médio e, nunca, o que Israel faz mais diretamente aos palestinos que vivem sob ocupação militar, porque o tema sempre dispara cartas de leitores indignados e cancelamento de assinaturas de jornais e revistas, dos apoiadores de Israel que militam nos EUA. Candidatos a deputado e senador poriam em risco as gordas doações de campanha, se dissessem a verdade sobre Israel. E assim aconteceu que Israel sumiu do radar da opinião pública. Muitos progressistas até mencionam Israel “de passagem”, como meu amigo, mas nada além disso. E a crítica não avança.
    Ultimamente, porque já não se fala sobre Israel, já ninguém nem pensa sobre Israel. Assim, já ninguém nem vê que Israel é o fator determinante de praticamente todas as políticas e ações dos EUA no Oriente Médio.
    É tempo de começar a falar de Israel. Todos, no Oriente Médio, já começam a ver o que há para ver, como a Revolução Egípcia deixou tão claro. É provável que muitos outros, em todo o mundo, também estejam vendo. Temos de começar a ouvir a voz do povo – não dos políticos e líderes, que vivem de dizer o que supõem que nos interesse ouvir.
    (*) Kathleen Christison é ex-analista política da CIA. É co-autora de Palestine in Pieces, com Bill Christison, seu marido.Recebe e-mails em kb.christison@earthlink.net
    (*) Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

    Carta Maior – Internacional – Os EUA, arrimo de Israel no Oriente Médio

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