Ficha Corrida

22/01/2015

O PSDB e a lógica da privatização

PrivatizarHá um ditado nascido das práticas tucanas sob FHC que atende pelo seguinte: “o PSDB não deixou nenhuma obra que vá cimento e tijolos”. Todas as mudanças, nem digo contribuições, do PSDB, tem cunho de filosofia política, a do neoliberalismo. Em outras palavras, a crença fundamentalista no deus mercado, segundo a qual a demanda regula a produção e vice-versa. Aqui abro um parêntesis para dizer que, neste particular, concordo com os fundamentalistas do PSDB numa única situação, indigesta para próceres do PSDB: o consumo de cocaína cria o mercado traficante…

Feito o parêntesis, repito o que venho dizendo desde as privatizações do Antonio Britto sob a chancela da RBS. A privatização no Brasil foi uma confissão de quem a fez de que não sabia administrar. A desculpa era de que precisava de capital privado. Mas como entender isso, se era o BNDES que dava aos empresários o dinheiro que eles precisavam para pagar o que estavam comprando? Pior, a parte de telefonia e energia foi, num primeiro momento, entregue não às iniciativas privadas, mas para empresas PÚBLICAS da Espanha, Portugal e Itália. Portanto, era uma confissão de incapacidade administrativa de quem estava ocupando a administração pública. O bundalêlê da privatização fez pelo menos um grande bem ao Brasil, retirou FHC de circulação e mostrou um PSDB repleto de fundamentalistas bêbados e cocainômanos. Retire as relações públicas do PSDB, esse pessoal que finanCIA o Instituto Millenium, o partido vira um extemporâneo clube de carpideiras viajando num tepetão voador.

Veja-se o caso desta matéria da Folha de hoje. Depois de entregarem a Eletropaulo à norte-americana AES, ainda querem que os norte-americanos pensem primeiro no público e só depois no lucro… Tão de brincadagem!

É o mesmo caso da SABESP, privatizada na Bolsa de Nova Yorque, querem que ela pense primeiro em abastecimento antes de pensar no lucro. Ou o PSDB não entende de iniciativa privada, o que seria ruim, ou entende mas, por isso entrega à ela, o que seria péssimo, por que aí entraria o mau caratismo de sujeitos mal intencionados.

Não há como não lembrar São Paulo / Cidade que me seduz / De dia falta água / E de noite falta luz

Eletropaulo cortou equipes técnicas, diz gestão Alckmin

Empresa afirma ter número suficiente de funcionários para emergências

Chuvas fortes e queda de árvores deixaram milhares de pessoas sem luz, em alguns casos por dias seguidos

ARTUR RODRIGUESDE SÃO PAULO

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) acusou a AES Eletropaulo de diminuir as equipes técnicas, que seriam insuficientes para restabelecer a energia rapidamente em caso de incidentes.

As críticas partiram do secretário estadual de Energia, João Carlos de Souza Meirelles, que afirmou que o governo está "decepcionado" e "preocupado" com o atendimento feito pela empresa.

Nas últimas semanas, com fortes chuvas e quedas de árvore, milhares de pessoas ficaram sem luz, em alguns casos por vários dias seguidos.

A entrevista foi sobre relatório entregue pela Eletropaulo a respeito desses problemas. Para Meirelles, as respostas foram insuficientes.

"O número de equipes vem sendo reduzido com a desculpa de que são mais técnicas, são melhores, mas isso não tem sentido", disse.

Meirelles também afirmou que a Eletropaulo deveria ter feito a poda das árvores antes do período de chuvas.

"Não há a menor justificativa para esperar o momento de chuvas intensas, que todos os anos são absolutamente normais, para então estarmos tomando providências para poda de árvores. Isso tem que ser feito como programa anual, preventivo", afirmou Meirelles.

OUTRO LADO

A direção da Eletropaulo disse ter "estranhado" as críticas. O vice-presidente de operações da companhia, Sidney Simonaggio, afirmou que as 307 equipes são suficientes para o atendimento em condições normais. Esse número pode subir para 800 em situações de emergência.

Ele afirmou também que a empresa fará em até 90 dias 200 mil podas de árvores afetadas pelas ventanias. A empresa fez 140 mil podas em 2014, segundo ele.

31/08/2014

Quem come PIB?

 

Eis que retorna a razão, bem vinda de volta Conceição!

Gilberto . – dom, 31/08/2014 – 09:12 – Por Gilberto

O artigo é de alguns meses atrás, mas nunca é tarde para voltar a usar a razão…

Com mais razão ainda, no dia em que a verdade começa a se restabelecer.

De O Globo de 25/03/2014

Maria da Conceição Tavares: ‘Ninguém come PIB, come alimentos’

Mesmo com o atual crescimento baixo, desemprego e renda não pioraram, diz economista

Por Cássia Almeida

Quais foram os erros da política econômica do regime militar?

O erro foi um modelo que persegue o crescimento a qualquer custo, à custa da classe trabalhadora, do bem-estar social, coisa criminosa. Foi uma maravilha crescer, mas cresceu aleijado, não é ideia muito boa. É melhor não crescer muito e não aleijar. Não fazer da maneira desvairada, agressiva como fizeram. Com crédito ao consumo, ao consumo de luxo das classe altas, houve perda salarial fortíssima.

O que ficou de herança da política daquela época?

Sobrou uma industrialização mais branda. As décadas de 80 e 90 foram muito ruins. Em 90, com neoliberalismo, vivemos um período de desindustrialização. Só voltamos a crescer com Lula, mas não no mesmo patamar, mas com um programa de distribuição de renda, com salário mínimo subindo acima da média, previdência, Bolsa Família, uma porção de políticas sociais para combater a pobreza, para melhorar a distribuição. E melhorou. O Coeficiente de Gini (indicador de concentração de renda) voltou aos níveis dos anos 60. Nesse sentido não é um modelo só desenvolvimentista, é um modelo social. Uma tentativa de fazer tardiamente um modelo de estado de bem-estar social.

A concentração de renda aumentou durante o regime…

O grosso do aumento da concentração foi no regime militar. Mas é claro que a crise da dívida externa nos anos 80 e o baixíssimo crescimento e o neoliberalismo dos anos 90 não ajudaram nada. Continuou concentrando. O regime concentrava com crescimento, o emprego crescia. Nas décadas de 80 e 90, não. Teve aumento do desemprego, coisa que agora também não tem. Além de política de salário, tem uma política de emprego.

Há críticas que a política industrial atual seria semelhante à do regime?

Não se assemelha em nada. Era um período de industrialização pesada, forte. Não estamos num período de industrialização pesada. Estamos investindo em infraestrutura basicamente.

E a escolha de campeões nacionais? Está dando certo?

Não acho uma maravilha de ideia. Muito praticada na Coreia, no Sudeste da Ásia. Não tenho certeza se está dando certo. Uma coisa é falar, outra coisa é provar. Se ocorreu, não tenho dado nenhum para afirmar. A oposição tem que pesquisar e botar os números. Fica tudo no gogó. De qualquer maneira, é uma concentração de capital, sem dúvida.

Com a crise de 2008, o neoliberalismo sofreu um golpe, não?

O que aplicaram foi um modelo ultraliberal. Não acho que o neoliberalismo esteja morto. Estou sempre na defensiva nesse particular. Os porta-vozes estão aí, cada vez falam mais alto.

O Brasil cresce pouco…

A crise (global de 2008) bateu aqui em 2009. Em 2010 o crescimento já tinha retomado, mais instável e mais brando. O crescimento não está essa Brastemp, mas não piorou o emprego, nem a distribuição de renda, o que para mim é o essencial. Ninguém come PIB, come alimentos.

Há analistas que chegaram a defender mais desemprego para combater a inflação…

Imagina, é um absurdo! O governo está combatendo a inflação da melhor forma que pode. Aumentar o desemprego para combater a inflação… Vou te contar, é pior que o Fundo Monetário. Não leio mais economia para não me aborrecer. É um festival de besteira. Não acho que inflação passe da meta. Não vejo pressão inflacionária, a não ser que tenha uma grande desvalorização. Mas não creio. O difícil é saber o que vai acontecer com a economia mundial, que sempre dá reflexo aqui. Não dá para ser ultraotimista, nem ultrapessimista. Estou moderadamente otimista.

Eis que retorna a razão, bem vinda de volta Conceição! | GGN

14/07/2013

Consenso de Washington

Filed under: Clóvis Rossi,Consenso de Washington,FHC,Folha de São Paulo — Gilmar Crestani @ 11:04 pm
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Desde que o geocities disponibilizou ferramentas para se ter um blog pessoal, eu sempre mantive este costume. Em 2001 eu tinha um blog hospedado no hpg (home page gratuita). Reproduzo, para quem não tem memória do como foram os tempos de FHC, esta matéria da insuspeita, posto que efeagaceana, Folha de São Paulo de 26/08/2001.

CONSENSO DE WASHINGTON
Documento que se contrapõe à cartilha neoliberal prega o combate à má distribuição de renda na América Latina

Dissenso de Washington

CLÓVIS ROSSI
COLUNISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO, 26/08/2001
Onze anos depois de codificado pelo economista John Williamson, o "Consenso de Washington" é dado como fracassado e surge em seu lugar o "Dissenso de Washington".
Trata-se de um trabalho recém-concluído por uma comissão de três especialistas reunida por duas das principais instituições de pesquisa dos Estados Unidos, o CEIP (iniciais em inglês para Fundo Carnegie para a Paz Mundial) e o IAD (Diálogo Interamericano).
A principal responsável pelo trabalho é Nancy Birdsall, que foi vice-presidente-executiva do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e agora é diretora do Projeto Carnegie de Reforma Econômica. Especialista em pobreza na América Latina, de seus tempos no BID, Nancy trouxe para o centro das propostas, batizadas de "10+1", a necessidade de buscar a equidade, ou seja, combater a pobreza e a injusta distribuição de renda na América Latina, o subcontinente de maior desigualdade no planeta.
O "Consenso de Washington", ao contrário, deixou de lado esse tema, para centrar suas propostas na eficiência econômica.
O trabalho do CEIP/IAD, aliás, recupera a explicação de John Williamson, o codificador do "Consenso": "Deliberadamente exclui da lista [de propostas" tudo aquilo que fosse prioritariamente redistributivo, (…) porque senti que, na Washington dos anos 80, havia certo desdém pelos temas de equidade". O "Consenso" recomendava o fim das barreiras ao comércio internacional e aos investimentos, a venda de estatais e o ajuste fiscal e monetário.
Levou o nome da capital norte-americana porque tinha o apoio das organizações internacionais nela instaladas (Fundo Monetário, Banco Mundial, BID) e do Tesouro dos EUA. Suas propostas transformaram-se nas políticas hegemônicas em toda a América Latina nos anos 90 e até agora.
Onze anos depois, o "Dissenso" afirma sobre o "Consenso": "Seus resultados foram desalentadores em termos de crescimento econômico, redução da pobreza, redistribuição de renda e condições sociais". O trabalho do CEIP/IAD calça com números sua avaliação negativa. Por exemplo: o crescimento da economia na América Latina, nos anos 90, foi de apenas 3% ao ano na média, "apenas ligeiramente melhor que os 2% registrados na década de 80", chamada a "década perdida" exatamente pelo baixo crescimento.
Segundo exemplo: "O desemprego aumentou. E a pobreza continuou sendo ampla e generalizada. A América Latina ingressou no terceiro milênio com quase 150 milhões de pessoas, mais de um terço de sua população, vivendo na pobreza (com renda inferior aos US$ 2 diários). Quase 80 milhões de pessoas padecem de pobreza extrema, com ingressos inferiores a US$ 1 diário".
Por que o documento se chama "Dissenso"? Porque os autores assumem que "não existe consenso" para as 10+1 propostas apresentadas. "De fato, nossas ferramentas são polêmicas", admitem.
A crítica ao "Consenso" não significa, no entanto, que o "Dissenso" pregue a volta ao passado. Ao contrário. O texto diz que "análises minuciosas mostram que, sem as reformas [liberais feitas nos anos 90", a situação teria sido pior. A renda per capita e a produção teriam sido inferiores, a instabilidade teria sido maior, e seriam agravadas a pobreza e a desigualdade de rendas".
Não obstante, o novo documento diz que "esse tipo de raciocínio por contraposição -o de que, sem reforma, as coisas teriam sido piores- é pouco reconfortante para os pobres, para os cronicamente desempregados e para os numerosos cidadãos consternados e sufocados na região".
Em seguida, o documento descreve à perfeição o cenário eleitoral que caracteriza no momento a grande maioria dos países da América Latina, Brasil inclusive:
"Os políticos não podem esperar que aqueles eleitores que já se sentem marginalizados da prosperidade econômica -ou da esperança de alcançá-la- agradeçam a seus governos por não estarem pior do que estão".
O trabalho do CEIP/IAD propõe, por isso, o que chama de "novo paradigma, que explicitamente abarca como objetivos centrais a equidade e a redução da pobreza, isto é, como fins em sim mesmo e como mecanismos eficazes para promover um maior crescimento". A avaliação dos autores, para centrar a proposta no combate à miséria, é a de que "houve uma mudança diametral no discurso em torno dos objetivos econômicos e sociais", pondo ênfase mais na equidade que na eficiência econômica, ao contrário do que ocorria no início dos anos 90, quando nasceu o "Consenso de Washington".

Estudo traz 10 ferramentas e 1 conselho aos ricos

DO COLUNISTA DA FOLHA

O "Dissenso" propõe dez ferramentas que podem ser adotadas pelos governos nacionais e uma que depende dos países ricos.
Esta última é a redução do protecionismo comercial dos países desenvolvidos, uma reivindicação permanente das nações em desenvolvimento, mas que não foi ouvida até agora.
"Na América Latina, maior acesso aos mercados dos países ricos é essencial para o crescimento com redução da pobreza. A assistência dos governos doadores não substitui possíveis benefícios de mercados abertos na Europa e na América do Norte", afirma o texto.
Além de Nancy Birdsall, o trabalho foi preparado também por Augusto de la Torre, assessor para América Latina e Caribe do Banco Mundial e ex-presidente do Banco Central do Equador, e por Rachel Menezes, pesquisadora do Diálogo Interamericano.
A comissão criada para promover a reforma nos moldes do estudo inclui funcionários do FMI, a economista brasileira Eliana Cardoso, o hoje primeiro-ministro do Peru no governo Alejandro Toledo, Roberto Daniño, o senador chileno Alejandro Foxley e o ex-presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada, entre outros.
Veja abaixo as ferramentas:
1 – Disciplina fiscal regulamentada.
Neste ponto, o texto segue a mais pura ortodoxia. Afirma que "a indisciplina fiscal -aquela pela qual os governos continuamente gastam mais do que arrecadam e mais do que podem financiar de maneira sustentável – tem altos custos para os pobres e para as classes médias emergentes".
Qualifica "disciplina fiscal" como "manter baixo o déficit em tempos de bonança" (não mais de 2% do PIB, o Produto Interno Bruto, a soma da produção de bens e serviços de um país).
Para comparação: o Brasil teve, nos 12 meses encerrados em junho, um déficit global de 5,37% do PIB.
2 – Equilibrar expansões e contrações do mercado.
A proposta visa, acima de tudo, evitar "a excessiva instabilidade financeira e econômica, causada pelas oscilações no fluxo de capitais externos e internos, por flutuações extremas nos preços das matérias primas e pela variação repentina do gasto público".
Em outras palavras, dar maior previsibilidade ao ciclo econômico, que, na América Latina, tem oscilado entre crescimento forte e queda igualmente forte.
O Brasil, por exemplo, cresceu 4,4% no ano passado, mas, este ano, tende a ter crescimento pífio.
O pressuposto, neste capítulo, é o de que "os pobres se beneficiam menos durante os processos expansivos, que é quando mais ganham os que possuem mais ativos reais e financeiros, e são os primeiros a perder os postos de trabalho quando ocorre uma recessão.
3 – Redes automáticas de proteção social.
Diz o documento que "um sistema moderno proporciona uma base de renda para os lares da classe trabalhadora e classe média, tanto quanto para os pobres. Durante as contrações (econômicas), devem ser de aplicação automática o gasto para emprego público de emergência e os subsídios para que as famílias possam assegurar a escolaridade das crianças".
O texto cita, como exemplos bem sucedidos, o programa "México Progride", criado em 1997 e que fornece subsídios escolares, suplementos nutricionais e aportes em dinheiro para a alimentação de quase 3 milhões de famílias, ou 30% do total de pobres.
Cita também o Bolsa-Escola, criado pelo governo petista do Distrito Federal, entre 1995 e 1998, que garantia salário-mínimo às famílias que mantivessem seus filhos entre 7 e 14 anos na escola.
4 – Escolas também para os pobres.
A ênfase na educação, como fator de redução da miséria e da desigualdade, é apontada como uma das duas recomendações que seriam consensuais (a outra é o combate à corrupção).
Diz o texto que "as reformas mais necessárias incluem maior autonomia para as escolas, menores subsídios para os que estão em condições de custear estudos superiores, e maior gasto público para programas pré-escolares".
Acrescenta que a política educacional deve também incluir a Internet, "mediante subsídios públicos, para assegurar que cada escola e cada comunidade se beneficiem deste revolucionário método para aceder ao conhecimento".
O BID chegou a calcular que o aumento de um ano na escolaridade da força de trabalho faria com que o crescimento econômico aumentasse um ponto percentual por ano, assim como se reduziria a desigualdade na renda.
5 – Tributar mais os ricos e gastar mais com os outros.
Trata-se, como é óbvio, de defender um sistema tributário menos regressivo.
Diz o texto que "a região depende, em grande medida, dos impostos ao consumo, que são regressivos". Propõe, por exemplo, "fechar as brechas legais e reduzir a evasão de impostos sobre a renda, o que faria aumentar a arrecadação sem aumentar a carga impositiva sobre os lares da classe trabalhadora e da classe média".
Diz o documento que a média de arrecadação na América Latina é de 18% do PIB contra entre 30 e 50% nos países avançados, mas lembra que o Brasil é a exceção, ao arrecadar 30% do PIB.
A proposta inclui um ponto altamente polêmico e inaceitável para o sistema financeiro, que é o de "estabelecer mecanismos para tributar as rendas provenientes de ativos no exterior".
6 – Dar oportunidade para a pequena empresa.
Justifica o texto: "A onerosa burocracia e a debilidade dos sistemas financeiros e judiciais interferem com as iniciativas de expansão dos pequenos empresários talentosos".
E propõe: "Exigências maiores no cumprimento de acordos creditícios, maior respeito pelos direitos de acionistas minoritários, supressão de créditos de favor outorgados pelos bancos estatais, e acesso à informação e serviços profissionais fomentariam a criação de empregos e de mais empresas pequenas".
O pressuposto do apoio à pequena empresa é óbvio: trata-se da maior fonte de emprego na região (criam "70% ou mais dos novos empregos na maior parte dos países").
7 – Reforçar os direitos dos trabalhadores.
Diz o trabalho que "os pobres padecem o custo de um regime trabalhista que dá pouca proteção ao trabalhador e tem excesso de regulamentação".
Completa: "A América Latina precisa proteger mais ativamente o trabalhador, em relação a seus direitos de associação e convênios coletivos, organizações sindicais mais independentes e democráticas, e mais proteção social para substituir a excessiva rigidez das regulamentações que freiam a mobilidade laboral e o crescimento".
O item relativo ao trabalho tem propostas para o gosto da esquerda ("participação mais ativa do Estado, para proteger convênios coletivos") e para a direita ("as leis deveriam permitir contratos de trabalho por hora, de tempo parcial e por temporada", claro que com as devidas garantias de proteção social proporcional).
8 – Abordar abertamente a discriminação.
"Um ataque decidido contra a pobreza e a desigualdade deve incluir um ataque frontal contra a discriminação", diz o texto.
Cobra da liderança política "derrubar as barreiras sociais e políticas que prejudicam os negros e os membros dos grupos indígenas, e, em alguns casos, as mulheres".
As minorias discriminadas são importantes numericamente na região: o texto fala em 40 milhões de indígenas (8% da população) e em 150 milhões de negros (29% da população, sendo que, no Brasil, a proporção chega a 45%).
Só o Brasil, aliás, tem dados para demonstrar que a desigualdade se dá em bases étnicas. O analfabetismo entre os negros duplica o dos brancos, e as habitações com serviço de esgoto, entre os brancos, são 74% contra apenas 50% entre os negros.
9 – Sanear o mercado de terras rurais.
Propõe "uma nova geração de programas de reforma agrária", capaz de "dar por fim oportunidades justas aos camponeses pobres".
Completa: "O novo enfoque enfatiza o crédito e a participação comunitária, e depende menos da centralização burocrática".
O documento enfatiza um ponto que é constantemente apontado por movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra) do Brasil: "A América Latina tem a maior desigualdade na posse da terra em comparação com qualquer outra região".
Acrescenta que, "em vários países, a desigualdade da propriedade rural está associada ao baixo crescimento e à persistente pobreza rural".
O trabalho diz que o fato de que apenas 8% do PIB latino-americano tenham origem na agricultura não torna menos importante o capítulo, porque "quase 20% da mão de obra depende da agricultura e mais de 60% dos pobres da região vivem em áreas rurais".
10 – Serviços públicos ao serviço dos consumidores.
O documento diz que "a insuficiência da infra-estrutura, da saúde pública e dos serviços regulatórios, como, por exemplo, a proteção do consumidor, foram prejudiciais para os pobres e os quase-pobres".
Acrescenta: "O que se poderia denominar de serviços regulatórios para o setor não-financeiro (controle da contaminação, da saúde pública e dos alimentos e a proteção do consumidor) nunca se consolidou na região, nem durante períodos de controle militar nem em tempos de democracia, quando a austeridade fiscal limitou qualquer incursão do Estado em novas atividades ou em outras, mais extensas".
Critica também o fato de que as privatizações de serviços públicos, uma das principais características do "Consenso de Washington", não foram aproveitadas como "modo de fazer chegar ao público em geral o benefício das vendas".
A íntegra do trabalho está no endereço eletrônico www.ceip.org/files/Publications/WashingtonContentious.asp?p=3&from=pubdate

SAIBA MAIS
"Consenso" foi criado nos EUA em 1989

DA REDAÇÃO
O Consenso de Washington ("Washington Consensus") é um termo cunhado pelo economista inglês radicado nos EUA John Williamson, em 1989, e sistematizado por ele durante seminário -bancado pelo governo americano- na capital do país em 1993. Trata-se de um leque de princípios que deveriam guiar os países subdesenvolvidos em sua rota de "ajustamento" político-econômico ao novo capitalismo global.
Não foram poucos os analistas que viram no Consenso de Washington a primeira síntese intelectual para a correlação de forças resultante do colapso do socialismo real.
O alvo imediato foi a América Latina, que seria, nas palavras do economista, cativa de uma "estrutura mental dos anos 60" -ligada a um modelo estatista, autárquico e protecionista de desenvolvimento. Mas a cartilha logo seria estendida para mais de 60 países em todo o mundo.
Os dez itens de mudanças preconizadas pelo economista inglês convergem com o receituário de FMI, Bird e Banco Mundial: privatizações, controle das contas públicas, desregulamentação e abertura aos mercados internacionais, entre outras medidas.
Um pressuposto básico nesse esquema é o de que tais reformas estruturais dariam sustentabilidade financeira ao Estado e possibilitariam o crescimento econômico e a equidade social.
O debate sobre o Consenso de Washington ganhou visibilidade no Brasil durante a campanha presidencial de 94. Um de seus marcos foi o artigo de José Luís Fiori (Mais!, 03/ 07/ 94), publicado dois dias depois do lançamento do real.
No texto, Fiori diz ser o "tecnopolítico" (junção de pragmatismo técnico e poder de decisão pública) o protagonista da "utopia" de Williamson, e apresenta Fernando Henrique Cardoso -então candidato a presidente, além de mentor da nova moeda- como o responsável pela "tradução" nacional da nova cartilha. "O Plano Real não foi concebido para eleger FHC", afirmou o professor da UFRJ, "foi FHC que foi concebido para viabilizar no Brasil a coalizão de poder capaz de dar sustentação e permanência ao programa de estabilização do FMI e dar viabilidade política ao que falta ser feito das reformas preconizadas pelo Banco Mundial".
FHC, em réplica publicada no Mais! na semana seguinte, apontava "estereótipos conspiratórios" nos argumentos de Fiori. Mas o conceito rapidamente se converteu em instrumento de crítica, da parte de concorrentes como Lula e Brizola, à face ideológica (e não puramente "técnica") e aos danos sociais do reformismo proposto por FHC.
Os protestos que vêm marcando as reuniões da cúpula do capitalismo mundial, de Seattle (1999) a Gênova (em julho deste ano) são um sintoma de repúdio, mesmo nos países desenvolvidos, a "efeitos colaterais" indesejáveis -entre eles, o desemprego-da bula prescrita em Washington anos atrás. (CAIO CARAMICO SOARES)

06/06/2013

Lula & Dilma

Filed under: Dilma,Lula — Gilmar Crestani @ 9:31 am
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Conosco ninguém podosco!

Lula y Dilma

Por Emir Sader *

En su reciente viaje a la Argentina, Lula se refirió varias veces al libro Diez años de gobiernos pos-neoliberales en Brasil: Lula y Dilma. Es un libro recién publicado, que organicé con un conjunto de 21 artículos de balance de los diez años de gobiernos del PT, más una entrevista con Lula hecha especialmente para la obra. Los lectores de este diario conocen partes de esa entrevista porque Página/12 publicó varios tramos.

Los autores plasmaron reflexiones indispensables para intentar develar la naturaleza de las extraordinarias trasformaciones vividas por Brasil en la última década. El país más desigual en el continente más desigual del mundo pasa por un proceso de profunda y extensa democratización social.

Ese proceso tuvo en la capacidad concreta de conducción de Lula un instrumento fundamental. Inclusive transitando caminos distintos de los previstos inicialmente y enfrentándose a obstáculos fuertes a lo largo de su implementación, produjo un saldo muy positivo.

El libro aborda desde temas políticos generales –como los desarrollados por Lula en la entrevista– pasando por textos sobre los cambios en la política internacional en la primera década del siglo y la evolución de la política exterior de Brasil, análisis sobre los diez años de la política económica de los gobiernos de Lula y de Dilma y también trabajos sobre cuestiones de políticas sectoriales.

Igual que el resto de los presidentes progresistas en América latina, Lula recibió una pesada herencia. El gobierno de Fernando Henrique Cardoso dejó el descontrol inflacionario, una deuda pública explosiva, un Estado desarticulado y una sociedad fragmentada, con fuerte aumento de la desigualdad, la miseria y la exclusión social. Y todo ello en medio de una profunda y prolongada recesión económica.

La elección de Lula en 2002 se dio durante un reflujo del movimiento popular, duramente golpeado por las políticas y por la represión del gobierno de Cardoso. Por eso la elección no fue acompañada de grandes movilizaciones populares y tampoco logró contar con una mayoría parlamentaria.

Fue en ese marco que en los primeros años del primer gobierno el PT enfrentó grandes dificultades, incluida la gran ofensiva del 2005, que amenazó con proponer el impeachment de Lula. Sectores de la izquierda alcanzaron a decir que Lula había “traicionado” a la izquierda, se fueron del PT y fundaron un partido más de ultraizquierda en Brasil. La derecha también consideró que el gobierno de Lula se había agotado. Discutía si debía sacarlo mediante un juicio político o en las elecciones del 2006.

En mi libro El nuevo topo. Los caminos de la izquierda latinoamericana (Siglo XXI, Buenos Aires, 2009) hay un capítulo con el titulo “El enigma Lula”. Allí digo que quienes no logran descifrar ese enigma son devorados por él. Eso pasó con la derecha y con la ultraizquierda.

Porque Lula representa la forma específica que asumió el posneoliberalismo en Brasil. Trató de combinar el tema de la estabilidad monetaria –incorporado ya al consenso nacional– con la vuelta al desarrollo, pero esta vez con distribución de ingresos. El objetivo histórico del PT de imponer la centralidad de las políticas sociales fue el faro que guió y sigue guiando los gobiernos de Lula y del PT.

Al contrario de los pronósticos, el gobierno no solo mejoró a partir del 2005. Se fortaleció ampliamente. Lula triunfó en la reelección del 2006 y posteriormente el PT logró que Brasil eligiera en 2010 a Dilma como sucesora de Lula. Es que los efectos de la prioridad otorgada a las políticas sociales ya habían empezado a dar resultados, propiciando una amplia base popular de apoyo a Lula. Todo eso impidió la continuidad de la amenaza de un impeachment –por el miedo que la oposición tenía sobre la capacidad de resistencia popular en apoyo a Lula– y además permitió la reelección.

Especialmente a partir de la crisis del 2005, cuando Dilma Rousseff asumió el cargo de coordinadora general del gobierno, imponiendo el triunfo del modelo económico-social que pasó a caracterizar el gobierno de Lula, el apoyo a éste llegó a niveles record. Por eso fue posible que Lula consiguiera escoger a su sucesora y que ella ganara las elecciones.

El 1º de enero de 2013, los gobiernos del PT completaron diez años. El balance es incuestionablemente positivo. El libro permite comprender las razones de ese resultado pero, a la vez, los problemas pendientes y los dilemas para que Brasil pueda dar un nuevo salto en la vía de la construcción del posneoliberalismo en Brasil.

* Sociólogo y profesor universitario brasileño. El libro que compiló ya lleva más de 200 mil descargas gratuitas. Puede obtenerse en el link http://bit.ly/11ZRi8d.

Página/12 :: El mundo :: Lula y Dilma

27/05/2013

Ninguém leu na Folha: Com Geisel, Brasil se aproxima de Videla e Pinochet

Filed under: Grupos Mafiomidiáticos,Roberto Lavagna — Gilmar Crestani @ 7:02 am
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Os que apoiam Cristina Kirchner são kirchneristas; Chavez, chavistas; Lula, lulista; Dilma, dilmistas. E o que apoiam FHC, Alckmin, Yeda Crusius, Aécio Neves são o quê? Burros! A ideologia da direita é dizer que a esquerda é ideológica. A direita não tem ideologia. Ou tem inVeja ou tem ódio, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Só não tem povo, a menos que seja na base do medo, quando isso dá certo, ao melhor estilo Regina Duarte.

Roberto Lavagnha é para os argentinos ainda pior do que foi Mailson da Nóbrega para os brasileiros. Tendo brotado para o mundo no seio da ditadura militar, navegou pelas ondas do neoliberalismo de Menem e Alfonsin. Defensor da Teoria da Dependência à moda tucana, foi pajem de Bush e mascote do neoliberalismo argentino. Depois de sua passagem desastrada pelo governo, foi ganhar dinheiro a apoio na mídia, mais precisamente no Grupo Clarin. Desde 2007 passou a ser o Serra argentino, o eterno candidato das viúvas de Videla e do neoliberalismo. E por aí fica óbvio que a Folha só iria desencavar alguém nas hostes do CANSEI portenho. Um trecho da biografia do famigerado dá ideia do que seja:

Entre 1973 y 1974 fue Director Nacional de Política de Precios de la Secretaría de Comercio y Director General de Política de Ingresos en el Ministerio de Economía. En el sector privado ejerció la presidencia del directorio de la siderúrgica "La Cantábrica" entre 1975 y 1976 y del Instituto de Economía Aplicada y Sociedad (IdEAS) entre 1980 y 1990, además de ser socio fundador de Ecolatina en 1975, en donde se mantuvo hasta el año 2000. Fue Subsecretario de Coordinación y Política de la Secretaría de Obras Públicas y Transporte en 1975 y Negociador Jefe de los Acuerdos de Integración Argentina-Brasil en 1986 y 1987. También fue Secretario de Industria y Comercio Exterior de la Nación entre 1985 y 1987 durante el gobierno de Raúl Alfonsín. Entre el 2000 y el 2002 fue embajador extraordinario y plenipotenciario ante los organismos económicos internacionales (Ginebra) y ante la Unión Europea (Bruselas). En abril de 2002 fue designado Ministro de Economía y Producción por el entonces presidente Eduardo Duhalde, en donde se mantuvo hasta que fue desplazado por el presidente Néstor Kirchner en noviembre de 2005.”

 

Com Cristina, kirchnerismo se aproxima do chavismo

Para Roberto Lavagna, ex-ministro do governo Néstor Kirchner, a presidente
argentina "se aproximou da linha chavista" e mostra "forte tendência ideológica"

ENTREVISTA DA 2ª – ROBERTO LAVAGNA

Argentina tem entraves como inflação e câmbio

PARA EX-MINISTRO DA ECONOMIA E ATUAL CRÍTICO DO GOVERNO DE CRISTINA KIRCHNER, PAÍS SE APROXIMOU DA LINHA CHAVISTA

SYLVIA COLOMBODE BUENOS AIRES

Até os mais ferrenhos opositores do governo Cristina admitem que o segredo do sucesso eleitoral do kirchnerismo, que assumiu as rédeas da Argentina há dez anos, está na superação da grave crise econômica de 2001.

Mesmo entre os argentinos que reclamam da crescente inflação e da instabilidade monetária, há uma espécie de consenso: nada pode ser pior do que aquele momento de desgoverno, quando o peso perdeu valor, as pessoas ficaram sem seus investimentos e o caos social tomou conta das ruas.

O reerguimento da economia argentina, após a declaração do "default", se deu paulatinamente a partir de 2003, com o início da gestão Néstor, ancorado pelo bom momento das commodities e pelas decisões tomadas, principalmente, por um homem: o então ministro da Economia, Roberto Lavagna.

Até 2005, Lavagna foi um fiel aliado do kirchnerismo, mas começou a ter diferenças com Néstor quando este passou a associar-se demais à Venezuela de Chávez e a adotar uma postura mais populista.

Lavagna foi, aos poucos, migrando para o lado oposto. Hoje, é um ferrenho crítico das políticas econômicas da sucessora de Néstor, sua mulher, Cristina, e rotula-se como apoiador de uma provável frente política de oposição em 2015.

Nos últimos meses, Lavagna tem participado de reuniões com o prefeito conservador de Buenos Aires, Mauricio Macri, e dado entrevistas apontando o que considera erros da atual gestão.

O ex-ministro da Economia recusa-se a considerar a década como uma coisa uniforme. Diz que Cristina está atuando de forma irresponsável com relação à inflação, que já chega aos 30% ao ano, segundo avaliação de consultoras privadas, e à fuga do investimento externo.

Abaixo, os principais trechos da entrevista que concedeu à Folha, em seu escritório, em Buenos Aires.

Folha – Os kirchneristas estão comemorando os dez anos do início da gestão Kirchner e chamando esse período de "década ganha". O sr. está de acordo?
Roberto Lavagna – De maneira nenhuma. Não é possível considerar esse período como algo homogêneo. Foram dois momentos. O primeiro, a partir de 2002, de Duhalde/Lavagna/Kirchner, com políticas responsáveis e equilibradas, com um objetivo claro, o de dar estabilidade ao país aproveitando as boas taxas de crescimento do PIB. Já de 2005 em diante, trata-se de um período distinto, que eu chamaria de Kirchner/Kirchner, em que o casal se fechou no poder.
Hoje o que temos é um governo de forte tendência ideológica, demasiada intervenção do Estado na economia, grave crise institucional e uma postura completamente diferente com relação à política internacional.

O que marcou essa mudança?
O "turning point" desse governo, para mim, foi a reunião de presidentes em Mar del Plata, em 2005, quando se sentiu o primeiro indício de que se começava a tomar um rumo distinto. Foi uma reunião tensa, conflitante, em que Chávez e Néstor chamaram o protagonismo para si, acuando Bush, colocando os outros chefes de Estado em uma situação difícil. Vicente Fox (México) foi maltratado, Lula e Lagos (Chile) saíram pela tangente.
Houve, então, um "contra-encontro", o ato com Maradona e Chávez, em que o canto que predominava era: "Alca, alca, alca al carajo". Néstor havia ganho as eleições de metade de mandato. Se ao assumir ele tinha 22%, agora se confirmava com 38%. Esse número foi interpretado por ele como cheque em branco para atuar como quisesse.
O governo foi adotando matizes mais ideológicos, é o que predomina nos dias de hoje. Mas eu não considero que Néstor tenha sido um bloco, e Cristina, outro. Os problemas do modelo de hoje já estavam na época de Néstor, ele foi o responsável por mudar a direção do governo.

No caso desses dez anos, a variação do PIB explica os altos e baixos de popularidade do governo? Néstor tinha aprovação alta quando essa taxa era de 8%, 9%, o que garantiu a eleição de Cristina. Hoje temos outra situação?
Claramente. Sim, um número explica o outro. Em nossa época, o PIB variava entre 8,8% e 9,2%, tínhamos bastante margem política para governar. Hoje Cristina tem menos de 4% de crescimento do PIB e sua popularidade recebe o impacto, está agora na faixa dos 35%.

O governo insiste em que a inflação na Argentina hoje é de 10,2%, enquanto medições privadas jogam esse número para 25%, até 30%. Que impacto a inflação tem hoje?
O impacto é imenso, além de desgastar e penalizar os mais pobres, que ganham em peso e com isso têm o salário valendo cada vez menos, há uma dissuasão dos investimentos, internos e externos. Todos consideram melhor esperar do que investir agora, a inflação faz elevarem-se muito os custos e não garante que os negócios se cubram. A instabilidade monetária, com o dólar a quase 10 pesos, causa ainda mais insegurança.
O governo passa a ter de se valer de reservas, de fundos da Anses [o INSS argentino], até emitir mais moeda, gerando mais inflação. A ideia de que a inflação não é um problema, e que o importante é o crescimento, é uma falácia. Hoje, a inflação já tem sete anos de crescimento na Argentina, já se tornou um fato crônico.

Qual o impacto da fuga de capitais, que o governo teme?
O último ano de ingresso líquido de capitais foi 2005, depois só saiu. No ano passado, isso se conteve um pouco devido ao cerco ao dólar. Agora, nos primeiros quatro meses do ano, já saiu o dobro do que no ano passado, porque as pessoas e as empresas vão encontrando caminhos, apesar das proibições. O pior problema não é sair o capital estrangeiro e sim o local, e esse é o primeiro que sai, porque conhece a história.

Algumas empresas brasileiras vêm deixando a Argentina. Isso é uma tendência?
É preciso lembrar, antes de mais nada, que esses casos de empresas que estão saindo são casos que têm a ver com problemas internos dessas empresas. Vale e Petrobras estão repensando sua estrutura interna e de investimentos, é normal que decidam parar de investir onde está dando algum tipo de problema. A Argentina, nesse momento, apresenta entraves, como a inflação e a política cambial. É natural que essas empresas saiam.

Como vê a relação entre Brasil e Argentina hoje?
O que acho mais grave é que não há o mais mínimo entendimento entre as duas. Dilma é uma gestora, Cristina é alguém que aposta no discurso ideológico. Não podem funcionar juntas.
Numa relação assim, quando não há problemas, essas diferenças se dissimulam, quando há, isso vem à tona muito rápido. É o que está acontecendo.
Todos sabem que essa última reunião entre as duas foi má. E antes disso já havia havido outras más reuniões. Nota-se que não existe o mínimo progresso na relação.

Isso afetará o Mercosul?
O Mercosul hoje tem problemas profundos. O Brasil começou a levar adiante uma estratégia mais global, que também começa a mostrar falhas. Já a Argentina se aproximou da linha chavista. E há outros países que estão com problemas com a Argentina, como o Uruguai. A entrada da Venezuela no bloco não melhora a situação.
Porém, quando o Mercosul nasceu, não havia nada, e hoje há alguma coisa. Por isso creio que deva ser resgatado. Brasil e Argentina deveriam fazer algo.

Como o sr. vê a economia argentina nos próximos meses, que antecedem a eleição legislativa de outubro?
Bom, há um congelamento em vigor, mas todos sabemos que sua eficácia é nula, mudam-se as embalagens, altera-se o conteúdo, retiram produtos de circulação, há várias formas de burlá-lo. E é o que está acontecendo.
Mesmo assim, não vejo uma grande catástrofe acontecendo, a inflação seguirá nesses níveis, o dólar também, com o governo exercendo algum controle.

O que considera uma novidade política na Argentina hoje?
O fato mais importante é que o partido do governo está dividido. O peronismo já havia se dividido no passado, mas nunca ao mesmo tempo em que estivesse no governo. Já houve divisão e renovação, mas sempre em períodos de adversidade, hoje há tudo isso com o governo sendo peronista. O racha dos sindicatos, das divisões políticas que integram a base do governo, é algo novo. O fator de confrontação com o kirchnerismo sairá daí, e não da oposição real.

Será candidato em 2015 ou apoiará Mauricio Macri?
Eu estou entre o críticos desse governo, isso não é novo. Não apoiaria apenas Macri, mas se houver uma frente eleitoral, com outras vozes, sim, eu faria parte. Candidato eu mesmo, não sei, pode ser, mas a coisa legislativa me atrai menos. Tenho um caráter mais executivo.

Recentemente, o governo anunciou uma anistia para quem tem dólares no exterior e quiser trazê-los para o país. É uma boa medida?
Fui ministro da Economia e sei que a pressão para que esse tipo de lei seja aprovado é muito grande. Considero um erro. Trata-se de golpe em quem paga impostos em dia e perdão aos capitais ilegais.
Há uma desculpa de que isso ajudaria o mercado da construção. Mas temos de olhar os exemplos. No México, cidades inteiras foram construídas com dinheiro do narcotráfico, que foi lavado com esse tipo de medida. O resultado é um país cindido e com muitos problemas.

17/04/2013

O funeral da musa de FHC

Filed under: Margaret Thatcher — Gilmar Crestani @ 9:07 am
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Mauro Santayana 17 de abril de 2013 4

O funeral de uma ‘mulher perversa’

Margaret Thatcher simbolizou o egoísmo, a ganância e o descalabro social.

Com Pinochet, irmão em ideias

Com Pinochet, irmão em ideias

“Ela foi uma mulher perversa”, disse o eminente parlamentar George Galloway, o mais corajoso homem de esquerda da Grã Bretanha da atualidade, ao protestar contra a falácia da tentativa de glorificação de Margaret Thatcher pelo governo conservador.

“Nós estamos gastando 10 milhões de libras na canonização dessa mulher malvada, dessa mulher que arrasou a indústria britânica, da Escócia, no Norte, ao País de Gales, no Sul. A comparação com Churchill é rematado absurdo. Ele salvou a real existência de nosso país, enquanto Thatcher fez tudo o que pôde para acabar com 1/3 de nossa produção manufatureira e reduzir-nos ao que somos hoje”.

Os protestos populares da noite do último sábado, contra mais cortes no orçamento social britânico (que se iniciaram nos anos 80, com Margaret Thatcher) foram marcados pelas manifestações de júbilo pela morte da Dama de Ferro, que já se encontrava exilada de sua mente, acometida da doença de Alzheimer. Enquanto  mantinha plena consciência de seus atos, planejou seus funerais com toda a pompa desejada: honras militares e cerimônia religiosa na Catedral de São Paulo – homenagens que não se prestaram à Rainha Mãe, quando de sua morte, em 2002.

Os cartazes exibidos pelos trabalhadores nas ruas de Londres foram impiedosos na expressão de sua revolta contra a única mulher, até agora, a chefiar o poder executivo de um país anglo – saxão.

No mesmo tom de Galloway manifestou-se Lord Prescott, que foi vice-primeiro ministro de Tony Blair:  “Ela só defendeu os multimilionários, os banqueiros, os privilegiados. Nunca mostrou a menor compaixão pelos doentes, necessitados e desesperados”.

Prescott foi o primeiro a denunciar a pompa fúnebre, e sugeriu que apenas os multimilionários beneficiados por Thatcher contribuíssem para o enterro.

O consulado tirânico de Thatcher, com suas consequências abomináveis para os povos do mundo, deixa lições que não podem ser esquecidas. A primeira delas é a de que as massas, sem uma vanguarda política, e, assim, sem consciência social, são facilmente manobradas pelos líderes carismáticos da direita – ou de uma falsa esquerda.

Ela, como Hitler, nunca enganou. Desde os seus primeiros passos na política, mostrou logo a que vinha. Como funcionária do primeiro escalão do Ministério da Educação, no governo Heath, mandou cortar a ração diária de leite fornecida às crianças das escolas públicas, como medida de economia, com o argumento de que os pais podiam dar-lhes o leite em casa. Diante dos protestos – os trabalhistas vaiavam-na aos gritos de “Thatcher ladra de leite!” – ela decidiu que as cantinas escolares distribuiriam 1/3 de copo de leite a cada criança, a fim de “evitar sua desnutrição”.

O corolário de sua estranha teoria política se resume em poucas palavras: não há sociedade; há indivíduos. Cabe a cada indivíduo buscar o seu bem-estar, sem nada pedir ao Estado. Em suma: se o Estado não protege os fracos, ele só existe para garantir os fortes. Abole-se, desta forma, o princípio imemorial da solidariedade tribal, assumida pelo Estado, que garantiu a sobrevivência da espécie.

A segunda lição é a de que a mobilização política é sempre mais poderosa do que os atos de violência, quando há ainda espaço para essa conduta.

Em 1983, quando terminaria o seu mandato, com a renovação da Câmara dos Comuns, um fato inesperado serviu para que, ganhando o pleito para os conservadores, permanecesse no poder: a insensatez de Galtieri em invadir as Malvinas, sem dispor de poder militar para isso, nem do necessário suporte diplomático. E o atentado do IRA, no ano seguinte, que visava matá-la, em um hotel de Brighton, e que fez cinco vítimas, consolidou seu poder.

O atentado pode ser explicado pela brutalidade da repressão contra os militantes irlandeses, prisioneiros em Ulster. O líder Bobby Sands e vários outros iniciaram uma greve de fome que terminou com a sua morte e a de nove de seus companheiros.

A contra-revolução mundial de Mme. Thatcher contra os direitos do homem continua, na brutal insolência do neoliberalismo, sob o comando do Clube de Bilderberg e dos grandes bancos mundiais.

Em todos os países do mundo, principalmente na Europa, os pobres estão morrendo, por falta de empregos, de hospitais, de teto, de vontade de viver. Há endemia de suicídios, principalmente nos países meridionais. Thatcher morreu, mas Angela Merkel está aí, para defender as suas idéias.

Um cartaz impiedoso, exibido sábado à noite em Londres expressa o sentimento dos ofendidos e humilhados pelas “reformas” de Thatcher: “The bitch is dead” – a cadela morreu. Seus filhotes, no entanto, se multiplicam no mundo.

Se a Humanidade quiser sobreviver com a dignidade construída pela razão, e não se entregar a uma tirania universal, terá que reagir com a mobilização política dos cidadãos organizada em torno de iniciativas concretas que restabeleçam  os direitos previstos nas leis que pretendiam assegurar, em todo o mundo, o Estado de bem estar social, antes que seja muito tarde.

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Sobre o autor: Mauro Santayana Veja todos os posts do autor Mauro Santayana

O jornalista e escritor Mauro Santayana, 80 anos, ocupou cargos de destaque em jornais como Folha de S. Paulo e Última Hora. Amigo e conselheiro de Tancredo Neves, foi o responsável pela articulação política da campanha presidencial do então governador de Minas. Seus artigos podem ser encontrados no blog http://www.maurosantayana.com

Diário do Centro do Mundo O funeral de uma ‘mulher perversa’ – Diário do Centro do Mundo

10/04/2013

O julgamento popular de Margaret Thatcher

Filed under: Margaret Thatcher,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 9:21 am
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Paulo Nogueira 9 de abril de 2013 8

Muita gente comemorou sua morte, e ninguém chorou.

Festa para muitos na Inglaterra

Festa para muitos na Inglaterra

Abaixo, você pode ler a essência da manifestação de Morrissey, cantor do The Smiths, à morte de Thatcher.

Cada movimento que ela fez foi marcado pela negatividade.

Ela odiava os mineiros, ela odiava as artes, ela odiava os pobres, ela odiava o Greenpeace e os todas as entidades de proteção ambiental.

Ela deu a ordem para explodir o Belgrano já quando o navio argentino estava se afastando das Malvinas. E quando os meninos argentinos a bordo do Belgrano sofreram uma morte terrível e injusta, Thatcher deu o sinal sinal de positivo para a imprensa britânica.

Ela odiava feministas ainda que tenha sido graças a elas que o povo britânico aceitou que um primeiro-ministro pudesse realmente ser do sexo feminino.

Thatcher era um horror sem um átomo da humanidade.”

Quanto a mim: sabia, evidentemente, que Thatcher era uma figura que dividia os ingleses.

Mas não imaginava, até ver as reações a sua morte aqui na Inglaterra e em outras partes do Reino Unido, quanto o ódio que ela despertou suplantava o amor e a admiração.

Horas depois do anúncio da morte, enfrentaram-se em Manchester os dois times locais, o United e o City.

Não houve minuto de silêncio. A torcida teria devastado o tributo.

Em Liverpool, os torcedores cantavam em comemoração à morte de Thatcher. Numa tragédia em que morreram muitos torcedores no estádio do Liverpool nos dias de Thatcher, a polícia acusou a torcida local – erradamente, como se veria depois.

Thatcher condenou a torcida e apoiou a versão falaciosa da polícia. Jamais foi perdoada.

Em Glasgow, uma multidão foi às ruas celebrar a morte. Os escoceses acham que foram tratados como subespécies por Thatcher.

No twitter, o congressista George Galloway lembrou que ouviu Thatcher chamar Mandela, no Parlamento, de “terrorista”. (Alguém disse que houve justiça poética em Mandela, tão combalido, ter sobrevivido a ela.)

“Que ela arda no inferno”, disse Galloway, sob numerosas manifestações de apoio e poucas de protesto. Alguém pediu respeito a Galloway.

A melhor maneira de mostrar respeito hoje é esta, respondeu Galloway – e postou um link que ia dar no seu partido, chamado exatamente Respeito.

Fora da galhofa, Galloway disse algo que merece reflexão.

Ele comparou a reação à morte de Thatcher com a reação à morte de Chávez, um mês atrás.

O povo não é bobo.

Thatcher fez um governo dos ricos, pelos ricos e para os ricos.

Chávez governou para os pobres.

O reconhecimento da voz rouca das ruas — vital para o que vai ficar registrado para a posteridade nos livros – irrompe com potência sublime e comovedora na morte de pessoas públicas.

É a aprovação definitiva, ou a reprovação, ou a indiferença.

Chávez foi amplamente aprovado, como gritaram as filas de catorze horas formadas por venezuelanos desesperados por vê-lo pela última vez em Caracas – num lamento épico e histórico protagonizado não pelo Comandante, mas pelos excluídos ao longo da história por uma elite corrupta e predadora controlada pelos Estados Unidos.

Thatcher foi reprovada.

Não foi o que aconteceu com Chávez

Não foi o que aconteceu com Chávez

A despedida de Chávez

A despedida de Chávez

Diário do Centro do Mundo O julgamento popular de Margaret Thatcher – Diário do Centro do Mundo

09/04/2013

Canonizando Margaret

Filed under: Margaret Thatcher — Gilmar Crestani @ 8:53 am
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VLADIMIR SAFATLE, na FOLHA

"Não existe esse negócio de sociedade. Existem apenas homens e mulheres individuais, e há famílias." Foi com essa filosofia bizarra que Margaret Thatcher conseguiu transformar o Reino Unido em um dos mais brutais laboratórios do neoliberalismo.

Com uma visão que transformara em inimigo toda instituição de luta por direitos sociais globais, como sindicatos, Thatcher impôs a seu país uma política de desregulamentação do mercado de trabalho, de privatização e de sucateamento de serviços públicos, que seus seguidores ainda sonham em aplicar ao resto do mundo.

De nada adianta lembrar que o Reino Unido é, atualmente, um país com economia menor do que a da França e foi, durante um tempo, detentor de um PIB menor que o brasileiro. Muito menos lembrar que os pilares de sua política nunca foram questionados por seus sucessores, produzindo, ao final, um país sacudido por motins populares, parceiro dos piores delírios belicistas norte-americanos, com economia completamente financeirizada, trens privatizados que descarrilam e universidades com preços proibitivos.

Os defensores de Thatcher dirão que foi uma mulher "corajosa" e, como afirmou David Cameron, teria salvo o Reino Unido (Deus sabe exatamente do quê). É sempre bom lembrar, no entanto, que não é exatamente difícil mostrar coragem quando se escolhe como inimigo os setores mais vulneráveis da sociedade e quando "salvar" um país equivale, entre outras coisas, a fechar 165 minas.

Contudo, em um mundo que gostava de se ver como "pós-ideológico", Thatcher tinha, ao menos, o mérito de não esconder como sua ideologia moldava suas ações.

A mesma mulher que chamou Nelson Mandela de " terrorista" visitou Augusto Pinochet quando ele estava preso na Inglaterra, por ver no ditador chileno um "amigo" que estivera ao seu lado na Guerra das Malvinas e um defensor do "livre-mercado".

Depois do colapso do neoliberalismo em 2008, ninguém nunca ouviu uma simples autocrítica sua a respeito da crise que destroçou a economia de seu país, toda ela inspirada em ideias que ela colocou em circulação. O que não é estranho para alguém que, cinco anos depois de assumir o governo do Reino Unido, produziu o declínio da produção industrial, o fim de fato do salário mínimo, dois anos de recessão e o pior índice de desemprego da história britânica desde o fim da Segunda Guerra (11,9%, em abril de 1984). Nesse caso, também sem a mínima autocrítica.

Thatcher gostava de dizer que governar um país era como aplicar as regras do bom governo de sua "home". Bem, se alguém governasse minha casa dessa forma, não duraria muito.

VLADIMIR SAFATLE escreve às terças-feiras nesta coluna.

Que sua ganância lhe dê um inferno bem quentinho!

Filed under: Margaret Thatcher — Gilmar Crestani @ 8:39 am
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Morre Margaret Thatcher

Premiê britânica entre 1979 e 1990 revolucionou a economia, ajudou a vencer a Guerra Fria e atraiu a ira da esquerda mundial

BERNARDO MELLO FRANCODE LONDRES

A mulher que transformou a política do Reino Unido, ajudou a enterrar a Guerra Fria e serviu de ícone para governos neoliberais em todo o mundo morreu ontem aos 87 anos, em Londres, vítima de um derrame cerebral.

Margaret Thatcher partiu "em paz", segundo um porta-voz da família, e terá um funeral com honras militares nos próximos dias.

Ela sofria de demência senil e estava afastada da política havia mais de uma década, por ordens médicas. Mesmo assim, continuava a ser a líder mais amada e odiada pelos britânicos, como indicaram as reações à sua morte.

O governo conservador decretou luto oficial, e sindicalistas festejaram nas ruas de Londres e Glasgow.

Numa ilha acostumada a se curvar diante de rainhas, Thatcher foi a única mulher até hoje a ocupar o cargo de primeira-ministra. Ficou no poder entre 1979 e 1990, um recorde desde o século 19.

Suas administrações foram marcadas pela privatização de empresas estatais, pelo confronto com os sindicatos e pelo fechamento de fábricas, o que resultou em violentos protestos pelo país.

No plano externo, combateu o fortalecimento da União Europeia e a criação do euro, alinhou-se ao presidente americano Ronald Reagan na cruzada contra o comunismo.

A pregação pela liberdade na União Soviética não a impediu de apoiar ditaduras de direita, como a do general Augusto Pinochet no Chile.

O primeiro-ministro David Cameron disse que ela foi a líder mais importante desde Winston Churchill (1874-1965). "A verdade sobre Margaret Thatcher é que ela não apenas liderou o nosso país. Ela salvou o nosso país."

O líder da oposição, Ed Miliband, fez questão de demarcar as divergências políticas. "O Partido Trabalhista discordou de muito do que ela fez, e ela continuará para sempre como uma figura controversa. Mas podemos discordar e respeitá-la imensamente."

David Hopper, dirigente do Sindicato Nacional dos Mineradores, expressou o ódio ao thatcherismo. "Ela se esforçou para nos destruir."

DISCÓRDIA

Ao chegar a Downing Street para o primeiro dia de governo, em 5 de maio de 1979, Thatcher recitou um trecho da oração de Francisco de Assis: "Onde houver discórdia, que levemos a união".

A vaia dos rivais que ouviam o discurso foi um prenúncio de que o clima predominante em seu mandato seria exatamente o contrário.

Com medidas recessivas, ela venceu a inflação, mas enfrentou forte reação ao cortes no social. Caminhava para uma derrota nas urnas quando a ditadura argentina invadiu as Malvinas, em 1982.

Declarou guerra, fazendo jus ao apelido de Dama de Ferro, e colheu os louros da vitória com uma reeleição com folga no ano seguinte. Depois de mais um mandato turbulento, venceu novamente em 1987, mas continuava a colecionar inimigos e já não exibia a mesma força.

Alvo de fogo amigo em seu Partido Conservador, ela foi forçada a renunciar em 1990 em favor do ex-ministro John Major. Deixou o governo com os olhos encharcados e nunca mais disputou eleições.

Quando os trabalhistas finalmente voltaram ao poder com Tony Blair, em 1997, tinham incorporado parte das ideias neoliberais que condenavam na adversária.

"No fim das contas, Thatcher conseguiu remodelar todos os partidos britânicos", disse àFolha o historiador Richard Vinen, professor do King’s College e autor do livro "Thatcher’s Britain".

LEGADO

Ontem, a imprensa britânica voltou a viver os embates ideológicos dos anos 80 numa guerra de interpretações sobre o seu legado.

A revista "The Economist" afirmou que ela liderou uma "revolução global" e que o mundo precisa de "mais thatcherismo". O jornal "The Guardian" a acusou de dividir os britânicos e disse que seu ideário foi sinônimo de egoísmo e culto à ganância.

A primeira-ministra morreu num hotel cinco estrelas de Londres, onde descansava sob cuidados médicos desde dezembro, quando foi operada para a retirada de um tumor na bexiga.

As homenagens foram deixadas em frente à sua casa em Belgravia, bairro nobre próximo ao Palácio de Buckingham. No fim da tarde, a calçada tinha 46 ramos de flores, uma coroa e duas fotos da primeira-ministra.

Entre as plantas, uma garrafinha de leite repousava como protesto solitário contra uma de suas medidas mais impopulares de corte de gastos: a retirada do leite gratuito nas escolas quando ela ainda era ministra da Educação, no início dos anos 70.

12/08/2011

Un fantasma europeo nuevo

Filed under: Direita — Gilmar Crestani @ 8:57 am
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Herança de Tony Blair, Aznar, Berlusconi e tutti quanti do neoliberalismo. Só não veem os mal informados e os mal intencionados.

Londres_ScotlandEl deterioro de las condiciones de vida y de oportunidades de progreso social, tras el drástico plan de recortes del Gobierno conservador de David Cameron, en el contexto de la crisis económica mundial, explican en lo inmediato el estallido de los guetos de Londres y otras ciudades inglesas, pero en el horizonte figuran también, obstinados, los años de neoliberalismo y dejación de Estado durante el mandato de la señora Thatcher, la primera ministra cuyo mayor placer era decir que no a Europa. Hoy, ante el desmadejamiento de la Europa del euro, la dama de hierro podría incluso pensar cuánta razón tenía en reducir al mínimo practicable para mantener a Europa como cliente, la integración británica en la UE. Pero se equivocaría. Ese déficit político, que sufre la UE a causa de líderes como Margaret Thatcher, se encuentra en la base misma de la incapacidad comunitaria para combatir o, mejor aún, prevenir la crisis. Más Europa y no menos es lo que hace falta para combatir la desarticulación social. Pero, a medida que se amplía el enfoque del problema, aparecen nuevos factores que nutren el conflicto.

Matéria completa no ELPAÍS.com

24/04/2011

Acumular ou distribuir para quem, eis a questão?

Filed under: Direita — Gilmar Crestani @ 7:21 pm
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Hood Robin o los populistas del mercado

Por Mario Rapoport *

Si Moisés bajó del Monte Sinaí trayendo las tablas de la ley, al menos no se creía su autor, se las atribuía a una autoridad divina. En cambio, el economista austríaco Friedrich von Hayek siguió un camino inverso cuando organizó desde 1947 reuniones anuales de economistas y empresarios a los pies del Mont Pelerin, en Suiza.

Era un nuevo credo que no provenía de un dios sino de un hombre, aunque muchos veían en él al dios del mercado y del individualismo. Uno que proclama el triunfo del derecho de propiedad sobre el de comer y tener una vida digna, o que señala que para mantener una sociedad libre sólo basta con establecer reglas de “justa conducta” impuestas a todos los ciudadanos por igual, aunque predominen las desigualdades.

Para Von Hayek, el Estado no debe tener ninguna injerencia en la actividad económica y la libertad individual (de propiedad) no depende de la democracia política. Por el contrario, es necesario que prevalezca sobre ésta si resulta perjudicada por el voto de la gente (por eso las cálidas relaciones del iluminado economista con dictaduras como la de Pinochet).

Un economista liberal decía hace unos años que Hayek y la Sociedad del Mont Pelerin eran al siglo XX lo que Karl Marx y la Primera Internacional fueron al siglo XIX. Y en parte tuvo razón: el fantasma que recorrió el mundo en los últimos tiempos produciendo devastaciones económicas parecidas a las de los tsunami no fue el del comunismo sino el del neoliberalismo, la doctrina que abreva en las ideas de Von Hayek.

Todo esto venía a propósito de Vargas Llosa, y la coincidencia de su doble presencia en Buenos Aires, donde el Obelisco elevó su estatura y se transformó en un nuevo Mont Pelerin, permitiendo además al escritor hablar del liberalismo, el populismo y otras yerbas por el estilo en la Feria del Libro. Tendría atrapado un público mucho más amplio que los miembros de su decadente sociedad y mataría dos pájaros de un tiro. La mayoría de la gente seguiría viéndolo como Premio Nobel y unos pocos amigos como compinche.

A eso hubiera querido dedicarme aquí, a hablar sólo de Vargas Llosa y de Von Hayek y a tratar de explicar por qué el paraíso prometido por el neoliberalismo fracasó tanto como el del “socialismo real”. Ya tenía un argumento, Von Hayek era el Marx de nuestra época, sólo que al estilo Hood Robin.

Pero, cuando iba a seguir escribiendo, algunas lecturas y películas recién vistas me embrollaron las ideas. Un antiguo economista de izquierda, ahora reconvertido, nos dice desde un diario de la derecha tradicional que el populismo fracasa porque para distribuir ingresos primero hay que acumular. Populismo sería, para él, distribuir sin acumular. Claro que el problema surge cuando nos preguntamos a qué tipo de distribución nos referimos.

Y entonces veo una película rusa-francesa que se llama Concierto y me alegra muchísimo saber que en el mundo donde reinaba el totalitarismo ahora todos son libres. Eso sí, muchos se mueren de hambre y ni siquiera pueden ejercer su profesión y deben limpiar letrinas, mientras otros organizan bodas gigantes para cientos de personas. Estos son los antiguos tecnócratas que se quedaron con la torta de la boda gracias a gente como Von Hayek: la propiedad es sagrada si uno consigue robarla a tiempo.

Cada vez nos resulta más claro; la cuestión no está en la dicotomía acumulación-distribución, sino en tener una idea más precisa de acumular para qué y distribuir para quién. Una cosa es acumular en beneficio de los que se quedan con los dividendos o los altos sueldos de las grandes empresas. O para que esos frutos del progreso técnico se derramen en las cañerías del lavado de dinero y la criminalidad; deterioren en forma salvaje la nave espacial en la que vivimos, o permitan armar unas cuantas guerras para lucrar con las vidas de otros. Eso no es populismo. Será porque se trata de una palabra que asocia a muchos y los que disfrutan de esta suerte de populismo son pocos.

Pero nuestros sabios economistas se olvidan de que los ilustres fundadores de su ciencia, que es la economía política, eran en su época unos malditos populistas. En su lucha contra el monopolio colonial y las monarquías absolutas, el laissez-faire de Adam Smith representaba el populismo de los sectores medios: industriales, comerciantes, profesionales, etc. Qué mejor que liberar las fuerzas del mercado para abatir a tiranuelos y favoritos que se llevaban la mayor parte de la torta.

Peor aún sucedió con las peligrosas ideas de su colega David Ricardo, que se dio cuenta de que los aristócratas del campo tenían una renta diferencial sobre la que construían sus lujosos castillos y decidió aclarar la cuestión en sus Principios de Economía; una 125 intelectual para su época. Aun así, se tardó casi treinta años en lograr que se abolieran las leyes de granos que los protegían. Introdujo de ese modo la teoría de la distribución, demostrando que los terratenientes acumulaban a costa de los demás.

Entonces llegó Marx denunciando que el populismo de Smith y de Ricardo no era suficiente para distribuir mejor las riquezas y que la acumulación volvía a quedar en manos de unos pocos. Ya no eran monopolios comerciales o grandes propietarios rurales, ahora se llamaban en su conjunto capitalistas y superpoblaban el mundo de pobres.

Pero todavía, para colmo de males, vino luego Keynes, que demostró que los vientres gordos de los ricos no llegaban a comerse todo lo producido. No podían seguir vendiendo y estalló la crisis: era el Estado el que debía intervenir creando la demanda necesaria para volver a acumular. Otro populista más y muy peligroso.

Todas esas ideas había que mandarlas al tacho de la basura si se quería mantener una distribución justa para los que acumulaban. Y por ese sendero cabalgó Von Hayek desde Suiza hasta Chicago, regado por el dinero de generosas fundaciones. Más aún, el mal mayor estaba ahora en Adam Smith. Demasiada libertad de mercado, lo que no servía a las multinacionales, no fuera a ser que esa libertad se metiera dentro de sus empresas. No señor, allí ejércitos de economistas y contadores planifican bien las ganancias; el que no debe planificar es el Estado, un monstruoso andamiaje que sólo sirve para apropiarse de los beneficios ajenos y repartirlos a los que no pueden planificar su futuro.

Los pobres músicos de la película Concierto, ex integrantes echados del Bolshoi por defender la libertad de expresión antes de la caída del “socialismo real” y no reincorporados luego, logran engañar a los burócratas que dirigen el nuevo Bolshoi, creando una orquesta propia para tocar y triunfar en París. Pero al final se advierte que si se llega a hacer una continuación de la película volverán a ser pobres y el director de orquesta regresará a limpiar las letrinas del teatro. La libertad del Mont Pelerin es verdadera para los magnates mafiosos que festejan bodas fastuosas. El “capitalismo real” y el “socialismo real” terminaron siendo dos caras de una misma moneda. Por eso, para que las cosas continúen así, no hay que dejar entrar más por la puerta de la academia a economistas populistas que la envilecen, si es que los enmarcamos en su época no como dogmas, se llamen Smith, Ricardo, Marx o Keynes.

* Economista e historiador.

Página/12 :: Economía :: Hood Robin o los populistas del mercado

06/04/2011

Sindicalismo de Resultados

A gente conhece muito bem. Começaram com Fernando Collor e seu “deslembrável”, como diria minha filha de três anos, Rogério Magri. Inspirados em Leck Walesa e no dinheiro vindo da CIA, espalharam-se pelo mundo com o mesmo ideário: “sindicalismo de resultados”. A Força Sindical serviu e foi servida. Apoiou, contra os trabalhadores, as privatizações, a “flexibilização” da CLT. O inesquecível Luiz Antonio Medeiros era convidado da mídia e aparecia desde baile de debutantes ao Forum da Liberdade patrocinado pela RBS e seus financiadores ideológicos do macarthismo gaudério. Financiada pela FIESP, já na era Collor,  a Força Sindical ajudou a dar respaldo à quebradeira do país nos anos FHC. Foi assim na Argentina de Menem, no Brasil de FHC, no Peru de Fujimori.

Decadencia y juicio

Por Luis Bruschtein

“Apoyé a Menem como lo hizo todo el peronismo. Y apoyé las privatizaciones de los noventa como lo hicieron todo el peronismo y también los medios de comunicación”, dijo en el 2003 el secretario general de la Unión Ferroviaria, José Pedraza, que en ese momento se apresuraba a expresar su respaldo a Néstor Kirchner. Son declaraciones que sirven ahora para entender la decadencia de su gremio y arrojan luz sobre la importancia de un proceso legal transparente.

Durante la década de los años ’20, ’30 y ’40, la Unión Ferroviaria jy La Fraternidad fueron los sindicatos de mayor peso en el movimiento obrero, muy influidos por los socialistas. Cuando se creó la primera CGT, en 1930, tenía 124 mil afiliados, 90 mil de los cuales eran ferroviarios. En esa época, las decisiones que tomaban los ferroviarios afectaban al resto de los trabajadores, tanto cuando decidían medidas de fuerza como al firmar convenios salariales. En los ’50, ya mayoritariamente peronistas, fueron desplazados, no porque decayeran, sino porque a la luz del proceso de industrialización del país creció con mucho impulso el sector de los obreros metalúrgicos.

A fines de los ’80, los metalúrgicos se cayeron y fueron reemplazados otra vez por un gremio del transporte, pero ya no el ferroviario, sino el de camioneros. A diferencia de los ’50, esta vez la conducción gremial había sido partícipe en ese proceso de decadencia. Lo reconoce Pedraza cuando recuerda su apoyo a las privatizaciones, que incluyeron, previamente, el despido de más de 90 mil obreros.

Ahora el convenio testigo es el de los camioneros, que acaban de acordar un 24 por ciento de aumento salarial escalonado. Sin embargo, la dirección de la Unión Ferroviaria –que tiene a sus dos directivos más importantes encarcelados en el juicio por el asesinato de Mariano Ferreyra– disparó la paritaria de su sector, y en general la del transporte, al reclamar el 35 por ciento de aumento.

La relación entre Pedraza y el gobierno ha sido irregular. De aquel apoyo del 2003, Pedraza pasó a una especie de acompañamiento incómodo aunque nunca se mostró como opositor. Que la Justicia haya podido actuar en zonas sensibles del poder gremial constituye una novedad auspiciosa. De la misma manera lo es que el Gobierno se haya solidarizado con la familia de la víctima y no intervenga en el proceso legal a pesar de saber que sufrirá presiones desestabilizadoras como en la discusión paritaria. Ambas actitudes abren puertas y oxigenan la calidad institucional.

08/02/2011

FMI respira por aparelhos… repre$$ivos

Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 8:21 am
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