Ficha Corrida

12/08/2015

A máfia de branco vestiu-se de Ku klux kan

Filed under: Ana Luiza Lima,Ku Klux Kan,Máfia de Branco — Gilmar Crestani @ 9:33 am
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A máfia de branco, que se misturou com a branca pura nas últimas eleições, metamorfoseou-se em Ku klux kan. Quando se pensava que não havia mais nenhum degrau para descerem, aparece mais este.

Estudante de Medicina é atacada após discurso em cerimônia do Mais Médicos

Estudante de Medicina da UFRN é atacada por médicos e alunos após discursar na cerimônia de dois anos do Programa Mais Médicos. Ana Luiza Lima falou sobre as transformações que a educação provocou na sua vida a partir de incentivos de políticas públicas e foi chamada de “Vadia”, “ignorante”, “médica vagabunda pobre”, entre outros impropérios

 

Médicos Populares se solidarizam com Ana Luiza Lima, estudante de Medicina atacada por discurso sobre políticas de saúde

Saúde Popular

A estudante de medicina Ana Luiza Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), denunciou, em seu perfil no Facebook, as ofensas sofridas após discurso (vídeo abaixo) na cerimônia de dois anos do Programa Mais Médicos, em Brasília. Luiza falou sobre as transformações que a educação provocou na sua vida, a partir da oportunidade de estudar medicina por políticas públicas do governo Dilma Rousseff.

“Vadia”, “ignorante”e “médica vagabunda pobre” foram alguns dos adjetivos usados por médicos e estudantes para ofendê-la. “Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por médicos e futuros médicos, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara”, escreveu Luiza. A Rede Nacional de Médicas e Médicas Populares divulgou nota nesta terça-feira (11) em solidariedade à jovem.

Confira, integralmente, a nota da Rede:

Nota de Desagravo da Rede de Médicas e Médicos Populares à Ana Luiza Lima

A onda de ódio não passará!

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares vem, através desta nota, prestar solidariedade à estudante de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ana Luiza Lima, que recentemente comoveu todo o país com seu discurso na comemoração dos dois anos do Programa Mais Médicos. Seu discurso emocionado, por meio do qual agradece as recentes políticas educacionais que permitiram “a neta de um agricultor sonhar em ser doutora” (nas próprias palavras dela) inspirou milhões, mas provocou a ira de um setor reacionário e conservador, que encontra em parte da nossa categoria uma das suas mais perversas formas de expressão.

A onda conservadora dentro da categoria mostrou sua face logo após o anúncio da vinda de médicas e médicos cubanos para atender áreas de difícil provimento destes profissionais por parte do governo federal. Erigiu funerais da Presidenta Dilma e do Ministro Alexandre Padilha e perpassou por cenas nefastas como o “corredor polonês” contra os médicos cubanos no Ceará, com direito a ovos arremessados e xingamentos que não merecem mais ser repetidos. Vários colegas foram perseguidos pelos conselhos regionais de Medicina (CRMs) Brasil afora por se posicionarem favoráveis ao Programa Mais Médicos e não se alinharem com o discurso corporativista, permanecendo as ameaças dos CRMs sobre os médicos que contribuem com o programa (supervisores e tutores) até hoje.

Agora a vítima é uma estudante de Medicina que cometeu o pecado de falar a verdade. Uma estudante oriunda de família humilde que ousou entender que seu sucesso hoje foi fruto de uma política pública e ousou agradecer à Presidenta Dilma pelo esforço de manter políticas voltadas aos mais pobres deste país. O ódio contra Ana Luiza manifestou-se não apenas sob a forma de machismo – numa das regiões do país onde as mulheres mais sofrem com violência e onde o patriarcado se mantém firme e forte – mas, fundamentalmente, como ódio de classe, ódio ao que representou o seu discurso, ódio ao agradecimento à Presidenta, ódio de quem não suporta ver seus privilégios ameaçados.

VEJA TAMBÉM: Médica negra é alvo de racismo: “estamos acostumados com outro padrão”

Por tudo isto e muito mais, a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares denuncia a ofensiva conservadora que se materializa no ódio à Ana Luiza e presta irrestrita solidariedade à nossa futura colega. Saiba, Ana Luiza, que assim como você, existem médicas e médicos que se preocupam com o povo brasileiro, que respeitam sua diversidade étnica, sexual, religiosa e ideológica, que se preocupam com a conformação do SUS como sistema de direitos sociais, público, gratuito, integral e de qualidade. Assim como você, existem médicas e médicos que sonham e que fundamentalmente lutam por um futuro onde este tipo de agressão à você fique num passado distante.

Todo apoio à Ana Luiza Lima

Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares

Leia o relato de Ana Luiza na página pessoal dela no Facebook:

QUEM QUER A CABEÇA DA ESTUDANTE DE MEDICINA?

Medicina estudante UFRN Ana Luiza Lima“Me pergunta, que tipo de sentimento é o medo? Te respondo — dos outros! O meu é o mesmo há várias luas…Deixa os verme falar pelos cotovelos eu ainda falo pelas ruas!!!!” – Emicida.
Vim aqui pra deixar coisas claras. Vim falar porquê a minha garganta não aguenta o nó que se formou. E eu NUNCA fui de calar. Fui convidada a falar sobre a transformação que a educação causou na minha vida e sobre a alegria de cursar medicina. E assim escrevi um texto, de coração e de peito aberto. E hoje penso em tudo que eu disse e tudo que eu queria ter dito mas não foi ouvido. Minhas palavras ecoaram. Porém nunca foram direcionadas à NENHUM partido político. Foi o reconhecimento de um acerto e uma reafirmação do que eu acredito e luto. Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por MÉDICOS E FUTUROS MÉDICOS, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara. Fui chamada de vadia, de MÉDICA VAGABUNDA DE POBRE, ignorante, não merecedora de cursar medicina. Me foi dito que iam fazer de TUDO pra que eu não conseguisse emprego depois de formada. De que eu não sabia com QUEM estava lidando. Que eu merecia LEVAR UMA SURRA pra aprender a deixar de ser corrupta. Me mandaram CALAR MINHA BOCA NOJENTA DE POBRE E DE VADIA. De novo. Está tudo guardado, não para dar respostas. Mas porque aprendi desde cedo a não responder ódio com violência. Não. Eu NÃO tenho a SUA sede de sangue.
Mas eu tenho uma novidadinha pra essa classe COVARDE de profissionais. A mesma classe que eu já vi combinando entre si no MESMO grupo, de “tratar mal os negros, as feministas e os gays que chegassem nos consultórios médicos, pra que esse povinho aprendesse seu devido lugar”. A novidade é que minhas palavras não foram em nenhum momento pra vocês. Vocês que ignoram a realidade cruel vivida todos os dias nos hospitais públicos. Minhas palavras foram pros profissionais de saúde que dão o sangue todo dia, mesmo com condições péssimas de trabalho, com salários atrasados, numa saúde abandonada e caótica. Eles sim, são verdadeiros heróis. Minhas palavras foram direcionadas àqueles que acreditam e lutam por um mundo transformado a partir da educação e do amor. Minhas palavras foram um agradecimento aos professores, a classe Trabalhadora com T maiúsculo!! Que têm seu serviço desvalorizado ao máximo, mas toma a linha de frente na luta pela transformação diária do futuro de milhões de jovens sem oportunidade no país.
Eu não fui nenhuma heroína, e eu conheço mil médicos que são verdadeiros heróis. Que não precisaram de mais NADA além de força de vontade pra vencer na vida. Mas me desculpa, é que eu penso além. Eu sonho com o dia em que vamos cobrar das nossas crianças, apenas COMPETÊNCIA pra vencer, e não mais heroísmo.
Eu tô falando com aqueles meninos que você tem medo quando para no sinal, tô falando daqueles com fuzil na mão vigiando um fio de vida nos morros das grandes cidades. Tô falando daquela menina que mora na rua e cata latinha, daquele nos campos com enxada na mão cortando cana. Daquela que perde a infância nas esquinas da prostituição. Tô falando daqueles que você insiste em dizer que não existem. Por quê quando você percebe que ELES EXISTEM, coça em você uma ferida podre de 515 anos. Te dá um medo na espinha quando aparece alguém pra defender uma educação por eles e para eles. Te gela a alma a chegada do dia em que o povo não vai mais esquecer seus Amarildos e suas Cláudias Silvas….
Eu já consigo imaginar muitos de vocês rindo, pensando na reeleição garantida, enquanto veem no jornal o povo gritando por mais prisões e menos escolas. E apesar de me doer, eu entendo esse grito.
Eu engoli meu medo porque sei que toda luta pode ser desmerecida. Eu dei minha cabeça à prêmio, e voltei pra casa com a esperança real de um hospital universitário pra minha região onde muita gente tem sorte de ter a esperança de ter um prato de comida.
Eu recebi um agradecimento da prefeita de uma das maiores cidades do país, dizendo que graças às minhas palavras, um novo plano pra educação pública vai ser pensado, e que ela se encheu de esperança e disposição para lutar com unhas e dentes pelos professores da rede pública e pelos jovens em situação de risco. Isso já me curou de todos os medos e de todo o ódio que me foi jogado.
Esperança. Vontade de mudar. EMPODERAMENTO de um povo PELO seu povo.
Eu sei que eu não sou nada nesse sistema corrompido e intricado. Eu sei que não sou ninguém diante dos poderosos desse país. Mas eu tenho outra novidade, eu não estou sozinha, e gente como eu, é quem te causa os piores pesadelos à noite.
E eu vou seguir, mesmo frágil, mesmo com medo, mas sempre acreditando.

“Então serra os punhos, sorria. E jamais volte pra sua quebrada de mão e mente vazia.”

Vídeo: https://www.facebook.com/SiteDilmaRousseff/videos/966414540078804/

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Estudante de Medicina é atacada após discurso em cerimônia do Mais Médicos

05/11/2014

O SIMERS está colhendo o que plantou: ódio e preconceito

Filed under: Ódio de Classe,Preconceito,Racismo,SIMERS — Gilmar Crestani @ 9:06 am
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OVO DA SERPENTE

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul começa a colher os frutos que estão sendo plantados.

A campanha de desinformação, ódio, preconceito só poderia revelar uma faceta que já havia emergido com o episódio da torcida do Grêmio em relação ao Goleiro Aranha. Não é mera coincidência que o deputado homofóbico e racista, Luis Carlos Heinze, tenha se eleito com uma votação só comparável a outros de sua mesma espécie, Bolsonaro e Tiririca.

Se o racismo já uma mancha por si só suficiente para merecer o repúdio de qualquer pessoa de bom senso, o preconceito contra o povo nordestino é prova inconteste de desinformação. Pior, se é que algo pode ser pior, é a campanha contra aquelas pessoas desassistidas para que não tenham o Mais Médicos. Negar aos necessitados distantes o direito de receberam médicos em sua casa, onde mora, lá distante no interior, é coisa de homicida. E o SIMERS tem feito isso aqui no RS a partir da implantação do programa Mais Médicos.

O SIMERS não botou nem o chocou o ovo da serpente. O SIMERS tem sido a própria a serpente desovando ódio em campanhas publicitárias!

 

O médico que se referiu a Pernambuco como “terra de merda”

publicado em 4 de novembro de 2014 às 13:36

medico

03/11/2014 22h54 – Atualizado em 03/11/2014 23h07

Palestra de médico é cancelada em PE após postagem polêmica na web

Anestesista gaúcho disse que não pisaria no estado após vitória de Dilma. Comissão do evento e Conselho de Medicina do RS repudiaram atitude

Do G1 PE

Um anestesista gaúcho foi banido de um congresso médico que será realizado na capital pernambucana, este mês, devido a uma postagem considerada preconceituosa pela categoria.

“Não piso nesta terra de merda mais em toda a minha vida!”, escreveu o profissional no Facebook logo após o anúncio da vitória da presidente Dilma Rousseff (PT), no último dia 26 de outubro.

O anestesista postou a mensagem na página do Congresso Brasileiro de Anestesiologia (CBA) e gerou revolta dos colegas de profissão.

O cirurgião Marcos Peres contou que o anestesiologista, que é ex-presidente da Regional da Sociedade de Anestesiologistas do Rio Grande do Sul (biênio 2004-2005), havia sido convidado para realizar uma palestra no evento, que ocorrerá entre 14 e 18 de novembro, no Recife.

No entanto, logo após a divulgação do resultado da eleição, o profissional gaúcho postou o seguinte texto no Facebook: “Comunico que estou agradecendo o convite para palestrar em RECIFE no CBA deste ano, mas não vai dar. Não piso nesta terra de merda mais em toda a minha vida!”.

A presidente Dilma Rousseff (PT) teve 70% dos votos válidos no estado.

Peres informou que denunciou a postagem ao Conselho Federal de Medicina, à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), ao Ministério Público Federal (MPF), à ONG SaferNet Brasil, à Câmara Municipal do Recife, à Assembleia Legislativa de Pernambuco e ao Governo de Pernambuco.

“Eu não fiquei surpreso com a postagem, só achei cara de pau ele, como médico, ofender os próprios colegas de profissão, achei muito deselegante e hostil. Ele veio anarquizar na nossa terra e não aceito essa atitude inadequada. Queria que ele pedisse desculpa, ele não pode sair atirando o ódio dele contra nós, fiquei muito triste e revoltado”, disse Peres.

Ainda conforme o cirurgião, o anestesista gaúcho feriu o artigo 18 do capítulo 1 do Código de Ética Médica, que diz que “o médico terá, para com os colegas, respeito, consideração e solidariedade, sem se eximir de denunciar atos que contrariem os postulados éticos.”

A reportagem procurou o médico, mas não conseguiu contato. Após as críticas, a conta dele na rede social foi aparentemente deletada. Já o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul informou que não tinha autorização para passar os telefones do profissional, obedecendo à política interna da entidade.

Ao G1, o presidente do Conselho de Medicina do RS, Fernando Matos, afirmou que tomou conhecimento do caso e repudiou a atitude do médico, mas explicou que o órgão não poderá tomar nenhuma providência.

“Foi uma declaração imprópria, mas foi uma livre manifestação como cidadão, não foi dirigida a outro médico especificamente nem envolve a prática da medicina, por isso não cabe processo ético, uma providência tem que ser tomada em outro âmbito. O Conselho e os médicos do Rio Grande do Sul têm o maior respeito com população do Recife, trata-se de uma posição isolada”, apontou.

A assessoria de imprensa do CBA informou que a exclusão do anestesista da programação foi uma decisão da comissão executiva do evento tomada em conjunto com o médico.

De acordo com o órgão, ele mandou um e-mail pedindo o desligamento da programação, alegando apenas razões pessoas. A comissão acrescentou já tinha tomado conhecimento da postagem e decidido retirar o convite feito ao profissional gaúcho.

O CBA ainda decidiu, posteriormente, emitir uma nota de repúdio, externando indignação com postagem em rede social “se referindo de forma desrespeitosa ao Estado de Pernambuco”.

Confira, na íntegra, a nota do Congresso Brasileiro de Anestesiologia (CBA)

NOTA DE REPÚDIO

Foi com extrema indignação que lemos sua postagem em rede social se referindo de forma desrespeitosa ao Estado de Pernambuco, ao declinar do convite para palestrar no 61° Congresso Brasileiro de Anestesiologia.

Reconhecemos seu direito de não querer participar do CBA, afinal essa é uma decisão de foro íntimo. Mas repudiamos a maneira preconceituosa como o senhor tratou a população do nosso Estado, que inclui toda a categoria médica pernambucana.

O conteúdo da sua declaração mostra um preconceito inaceitável e não condiz com a postura que se espera de um profissional. Além disso, o meio utilizado para a recusa de um convite já aceito a apenas 20 dias da realização do congresso, demonstra descompromisso com a atividade associativa.

Aproveitamos para reafirmar que o CBA é um evento científico, apartidário, democrático e que tem como objetivo, além de contribuir para o desenvolvimento profissional dos participantes, promover a união e o congraçamento entre todos os anestesiologistas. Temos convicção de que suas declarações contra Pernambuco, não refletem a opinião da maioria esmagadora dos anestesistas do nosso País.

Por fim, reafirmamos o espírito plural e fraterno com que estamos nos preparando para receber os colegas congressistas de todas as regiões do Brasil. Espírito esse que é uma marca registrada de todos os encontros de anestesistas e também do povo pernambucano.

Recife, 27 de outubro de 2014

Comissão Executiva do CBA – Congresso Brasileiro de Anestesiologia

PS do Viomundo: Mais uma das milhares de manifestações preconceituosas de eleitores de Aécio Neves. E assim a direita brasileira vai se isolando, isolando, isolando…

O médico que se referiu a Pernambuco como "terra de merda" « Viomundo – O que você não vê na mídia

27/12/2013

SUS

Filed under: Saúde,SUS — Gilmar Crestani @ 8:12 am
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Para os que só gostam de criticar, adivinhe o que tinha antes do SUS… Sistema de saúde público brasileiro é referência internacional, diz Banco Mundial

ELEUTÉRIO RODRIGUEZ NETO (1946-2013)

Um dos idealizadores do SUS

FABRÍCIO LOBELDE SÃO PAULO

Em 1988, o médico Eleutério lutou para que a saúde fosse definida na Constituição Federal como um direito do cidadão e um dever do Estado. Desde então, passou a lutar para que isso não fosse apenas uma promessa.

Estudante de uma das primeiras turmas de medicina da UnB, Eleutério participou de expedições médicas pela região amazônica e, percebeu que seria mais útil se trabalhasse com políticas públicas para criação de um sistema amplo de acesso à saúde.

Sua participação em movimentos estudantis e convicções de esquerda durante a ditadura o impediram de alçar carreira acadêmica na USP. Foi então trabalhar na UFRJ, onde aprofundou discussões sobre medicina coletiva, numa perspectiva social.

Foi um dos principais defensores do movimento pela reforma sanitária, que visava a transformação do sistema de saúde brasileiro. Movimento que desdobraria na criação do SUS, idealizado para ser um sistema eficiente e democrático de saúde.

Chegou a ser secretário-geral do Ministério da Saúde, um alto cargo de confiança do ministro.

Em 2000, foi diagnosticado com a doença de Pick, um mal neurológico degenerativo, que há anos lhe causava sintomas como fortes alteração de humor. A lenta degradação de seu estado clínico o levou à morte no dia 23, em São Paulo, aos 67 anos.

Deixa a viúva Lucia, dois filhos e duas netas. A família realizará uma missa do sétimo dia no domingo, às 11h30, na Paróquia da Assunção de Nossa Senhora, no Jardim Paulista, em São Paulo.

coluna.obituario@uol.com.br

03/11/2013

Yoani e o “Mais Médicos”

Filed under: Blackwater,Bradley Manning,Edward Snowden,Julian Assange,Yoani Sánchez — Gilmar Crestani @ 7:17 am
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Cuba x EUAHá algo de errado em Cuba. Os médicos cubanos saem pelo mundo atendendo as populações carentes e quando voltam usam o dinheiro para comprar sapatos ou arrumar o teto das casas. Esses médicos deveriam ter contato com Yoani Sánchez. Ela poderia lhes ensinar como fazer périplo pelo mundo e voltar para cuba e, ao invés de comprar sapatos e arrumar o teto da casa, funda um jornal em parceria com a SIP. Será que Edward Snowden, Julian Assange ou Bradley Manning poderiam voltar para os EUA para comprar sapatos, arrumar o teto da casa ou mesmo fundar um blog?! Será que sofreriam censura ou iriam direto para Guantánamo? Aliás, o que Yoani Sánchez tem a dizer a respeito dos direitos humanos em Guantánamo? Os Médicos Cubanos ganham mais ou menos que os soldados brasileiros no Haiti? Quanto ganha um mercenário da Blackwater no Afeganistão?

MÔNICA BERGAMO

monica.bergamo@grupofolha.com.br

Yoani: ‘Médicos cubanos são muito talentosos’

A blogueira cubana diz que fica "triste" porque os profissionais servem "como mão de obra barata", mas afirma que eles vão ajudar a salvar vidas

Opositora do regime comunista, a blogueira e ativista cubana Yoani Sánchez defende a contratação de profissionais da ilha pelo programa brasileiro Mais Médicos. Mas diz que "há algo de verdade" em chamá-los de "escravos", porque seriam usados "como mão de obra barata".

"Gostaria que as organizações sindicais brasileiras ajudassem esses médicos", diz.

Há alguns dias, ela conversou com Joelmir Tavares em Denver, nos EUA, na assembleia da SIP, a Sociedade Interamericana de Imprensa.

Procurada para comentar as declarações de Yoani à coluna, a Embaixada de Cuba não se pronunciou.

Já o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que ajudou a receber a blogueira no Brasil em fevereiro, discordou dela.

"O que eu gostaria de dizer à Yoani, com todo o carinho, é que os médicos cubanos com quem conversei não reclamam da remuneração nem se sentem como escravos."

Os profissionais de saúde sabem previamente as regras e não são obrigados a aceitar o trabalho, diz o petista.

"Eles se inscrevem porque querem vir. Sabem que vão receber uma remuneração menor do que os R$ 10 mil pagos pelo governo brasileiro [à Organização Pan-Americana de Saúde, que repassa a verba ao governo cubano]. Não vejo por que criticar Cuba ou o Brasil pelo projeto."

A seguir, trechos da entrevista com Yoani.

Folha – O que pensa do programa Mais Médicos?

Yoani Sánchez – Tenho opiniões desencontradas. Por um lado, nunca estaria contra um projeto médico que vai ajudar a salvar vidas, a proteger pessoas, a atender a população que não tem acesso ou que tem um acesso limitado à saúde pública. Parece-me bom que médicos, sejam cubanos, russos, suecos ou brasileiros, ajudem outros seres humanos.

E qual é sua segunda opinião?

Minha crítica a esse projeto e a esse movimento de enviar médicos cubanos ao Brasil é que essas pessoas, nas questões salarial, laboral e sindical, são utilizadas como mão de obra barata. São pessoas que vão a diferentes países, e não só ao Brasil. Há experiências parecidas na Venezuela, Equador, Bolívia, África do Sul. Os governos desses países pagam grandes quantias ao governo cubano e, em troca, os médicos recebem valor quase simbólico [estimado entre 25% e 40% do total].

Isso me entristece porque em Cuba temos profissionais muito qualificados. Há exceções, como em toda parte. Mas nós temos profissionais talentosos, que estão passando por uma situação econômica e material lamentável. Muitos são grandes especialistas em sua área, mas não têm dinheiro nem para comprar um par de sapatos ou tomar café da manhã.

Muitas vezes os médicos são mais vítimas do que beneficiários. Portanto, eu gostaria que as organizações sindicais brasileiras, de proteção a médicos, de proteção a profissionais da saúde, ajudassem esses médicos.

O que eles pensam do Brasil?

Conheço alguns que foram selecionados para ir para o Brasil. E a primeira reação deles é de alegria, porque terão a oportunidade de ir a um país onde irão ganhar um pouco mais de dinheiro, onde vão poder ter certas liberdades. Pensam que, quando voltarem [a Cuba], poderão comprar um computador, uma lavadora nova, ou vão poder construir o teto da casa. É muito triste que um profissional da saúde tenha que sair do país para conseguir essas realizações. Parece-me muito boa a ajuda humanitária. Mas, por favor, por uma condição salarial, laboral e humana satisfatória.

E a parceria de Brasil e Cuba?

Imagino que o governo brasileiro tenha acertado as condições com o governo cubano. Em parte porque precisa de médicos, em parte porque isso se converte em uma questão de geopolítica.

A maioria dos países para onde Cuba tem enviado médicos são nações que interessam ao governo cubano. É uma maneira também de ter uma presença não militar, que se converte em uma força de pressão diplomática. Lamentavelmente, a presença desses médicos às vezes vira motivo para silenciar críticas ao governo cubano.

Pode ocorrer com o Brasil?

Espero que o governo do Brasil possa superar isso e seguir mantendo ênfase nos direitos humanos, sem prejudicar o projeto de levar médicos cubanos a seu território. Vamos ver isso nos próximos meses. Não há comparação, por exemplo, com a proximidade entre os governos de Cuba e Venezuela. Noto mais cautela. Lamentavelmente, muitas vezes os interesses econômicos se sobrepõem aos políticos. No porto de Mariel [em Cuba], o Brasil está ajudando muito, com dinheiro e prestígio. Ultrapassa ligeiramente o tom diplomático.

O que pensou sobre os protestos, alguns agressivos, contra os médicos cubanos no Brasil?

Sou uma pacifista. Não gosto da violência, nem por parte dos que pensam como eu nem dos que discordam de mim. Quando se aplica a violência contra uma pessoa, ela sai mais dignificada.

Alguns cubanos foram chamados até de escravos.

É triste, é triste. Mas há algo de verdade nisso, no sentido de que essas pessoas, nos direitos laborais e salariais, estão sendo muito sacrificadas.

Como se sente quando é atendida por médicos cubanos?

Desde 2009 não vou a nenhum médico em Cuba. Na última vez que fui, por causa de um golpe que havia sofrido em um sequestro da polícia política, os médicos que me atenderam foram entrevistados por autoridades, o que viola o juramento de Hipócrates. Decidi que não voltaria a um médico lá, por causa da falta de privacidade. Resolvi contar com a sorte em relação à minha saúde. Por sorte [beija a mão direita], sou uma pessoa saudável.

Consegue pensar em alternativas para solucionar a falta de médicos no Brasil?

O Brasil é um país muito complexo, que não conheço em profundidade. Mas penso que seria preferível o incentivo à formação de médicos locais a trazê-los de fora, porque [os brasileiros] conhecem melhor o idioma, os lugares, se identificam melhor com as pessoas. Mas desejo muita sorte a esse projeto [Mais Médicos].

Você está fundando um jornal em Havana. Como ele será?

É um jornal digital. Vamos tratar de tudo: cotidiano, tecnologia, economia. Eu e a equipe queremos lançá-lo até o fim do ano. Vamos ver se os santos da tecnologia e da informação nos permitem.

Não tem medo de censura?

Claro. Mas vamos fazer. Não vamos esperar que seja permitido para fazermos.

10/09/2013

O médico e o monstro

Filed under: Marcos Rolim,Percival Puggina — Gilmar Crestani @ 7:25 am
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A única coisa eu posso acrescentar é que eu já estive entre aqueles que não tinham acesso a médicos de qualquer raça, cor e nacionalidade e posso dizer que na hora em que se está doente, nem importa a gravidade, ninguém se pergunta pela procedência, ideologia ou cor do profissional. Os mesmos que condenam a vinda dos médicos cubanos, via convênio, não se manifestaram com a vinda de agentes da DEA (a agência anti-drogas), dos EUA, também via convênio, e que, dentre outras coisas, enviam informações sobre as riquezas nacionais ao Obama. Eu, se fosse médico e fosse contra o programa Mais Médicos, pelo menos escolheria melhor meu defensor da minha causa. Estar ao lado de Percival Puggina, para quem o conhece, chega a ser uma acusação indefensável. Equivale a ser fotografado com uma arma na mão ao lado de um morto. Pode não ser o assassino, mas como explicar?

   

Os outros cubanos

08 d setembro d 2013

O ministro da Saúde chamava-se José Serra e o presidente era Fernando Henrique. Os cubanos eram
outros, claro

marcosRolimMARCOS ROLIM*
marcos@rolim.com.br

A polêmica sobre o programa Mais Médicos do governo federal envolve temas complexos e exige conhecimentos específicos em gestão pública de saúde. O tom em que o debate está sendo proposto é, no todo, improdutivo e só irá alimentar posições sectárias, sem compromisso com o interesse público. A situação seria melhor se alguns veículos influentes da mídia brasileira  fizessem sua obrigação: informar.
Em sua edição nº 1.620, de 20 de outubro de 1999, a revista Veja publicou uma matéria cujo título era: “Doutores Cubanos: doentes do interior são atendidos por médicos cubanos por falta de brasileiros”. Os leitores foram então informados que o hospital de Arraias, um pequeno município no interior de Tocantins, permaneceu fechado por quatro anos. O motivo, diz a revista, era “bizarro”: em que pese os bons salários oferecidos, nenhum médico queria “se aventurar por aquele fim de mundo”. Então, o hospital foi aberto e o “milagre”, diz a matéria, veio de Cuba. O município de Arraias conseguiu importar cinco médicos cubanos. O caso não era isolado e, segundo a revista, havia “muitos municípios que nem aparecem no mapa”, onde serviços de saúde só passaram a funcionar “após o desembarque das tropas vestidas de branco de Cuba”. A matéria informa que, naquele ano,166 médicos cubanos trabalhavam em regiões muito pobres em Roraima, Pernambuco e Acre e termina com a seguinte observação: “Os cubanos são bem-vindos, mas existe um problema. A contratação destes médicos é irregular perante as leis do Brasil. Eles precisam da revalidação do diploma numa universidade brasileira para atuar no país. Com base nessa desculpa burocrática, o Conselho Federal de Medicina denunciou as contratações ao Ministério Público pedindo o cancelamento dos convênios. ‘Não somos xenófobos, mas não há motivos para trazer médicos de fora e tirar o emprego dos profissionais daqui’, diz Edson de Oliveira Andrade, presidente da entidade. O doutor Andrade e seu douto conselho deveriam explicar então porque faltavam médicos nas cidades miseráveis que agora estão sendo atendidas pelos cubanos”.
Recentemente, matéria da revista Veja sobre o programa Mais Médicos do governo federal, assinada por Nathalia Wat, trouxe o seguinte título: “Por que a importação de médicos cubanos vai inundar o Brasil com espiões comunistas”. O texto inacreditável e que parece ter saído da caderneta de um membro do Comando de Caça aos Comunistas da década de 60, afirma que de cada cinco médicos cubanos exportados, um é espião do regime. “Deixar o Partido dos Trabalhadores comandar a política externa dá nisso”, conclui a revista (?). A ausência de médicos brasileiros em pequenas cidades deixou de ser um problema para a revista e os médicos cubanos não são mais bem-vindos, mas uma ameaça.
Na época em que a vinda de médicos cubanos era saudada como um “milagre” por Veja, o ministro da Saúde chamava-se José Serra e o presidente da
República era Fernando Henrique Cardoso, ambos do PSDB. Naquela época,
os cubanos eram outros, claro.
* Jornalista

Inimigos médicos

08 d setembro d 2013

Dilma e os seus gostariam de dispor dos brasileiros como coisas suas, assim como os Castro dispõem dos cubanos

PugginaPERCIVAL PUGGINA*
puggina@puggina.org

Quando viu o povo na rua, cobrando atenção à Saúde Pública, Dilma adotou prática tão antiga quanto namorar no portão. Escolheu um inimigo e o apontou à sociedade: os médicos brasileiros. A partir daí, jogou contra eles os raios e trovões que conseguiu recolher em seu repertório.
A saúde pública tem problemas. Falta atendimento, dinheiro, leitos. São longas as filas. Espera-se meses por um exame e anos por uma cirurgia. De quem é a culpa? Segundo a presidente, a culpa é dos médicos. Sua Excelência cuidou de passar à sociedade a impressão de que eles preferem viver nos grandes centros não porque ali estejam os melhores hospitais, laboratórios e equipamentos, mas porque ali estão os melhores restaurantes, clubes e cinemas. Foi para a tevê tecer ironias com o fato de que os primeiros a fazerem opções no “Programa Mais Médicos” preferiram localidades litorâneas. A compreensão dessa mensagem pelos sem discernimento (estamos falando de dezenas de milhões) fica assim: os doutores gostam, mesmo, é de praia.
Através dessas paquidérmicas sutilezas, o governo tenta convencer a sociedade de que os médicos não vão para as pequenas comunidades porque se lixam para as carências com que ele, governo, se preocupa. Opa! Preocupa-se agora, preocupa-se depois das vaias, preocupa-se depois das passeatas. E esquece que, pelos mesmos motivos, milhões de outros profissionais também preferem trabalhar em centros urbanos mais dinâmicos. Identificado o inimigo, a presidente partiu para o ataque. Criou um 2º ciclo de formação médica, obrigatório, a serviço do SUS, com duração de dois anos, a ser prestado onde houver necessidade. Fez com que os médicos perdessem a exclusividade de diversas atribuições relativas a diagnósticos e prescrição de tratamentos. Jogou na lixeira a insistente e lúcida recomendação no sentido de que seja criada na área médica uma carreira de Estado, semelhante à que existe para as carreiras jurídicas. Explico isso melhor: espontaneamente, nenhum juiz ou promotor vai solicitar lotação em Paranguatiba do Morro Alto. No entanto, como etapa de uma carreira atraente e segundo regras bem definidas, sim. É desse modo que se resolvem as coisas numa sociedade de homens livres.
Nada revela melhor a vocação totalitária do partido que nos governa do que este episódio. É uma vocação que dispensa palavras, que atropela leis e se expressa nas grandes afeições. Cubanas, por exemplo. A vinda dos médicos arrematados em Castro & Castro Cia. Ltda. permite compor um catálogo de transgressões aos princípios da liberdade individual, da dignidade da pessoa humana, da justiça, da equidade, da proporcionalidade, do valor do trabalho. Repugna toda consciência bem formada a ideia de que um país possa alugar seus cidadãos a outro, enviá-los aos magotes como cachos de banana, beneficiar-se financeiramente dessa operação em proporções escandalosas e ainda fazer reféns as respectivas famílias por garantia da plena execução do mandado. E há quem afirme que toda oposição a uma monstruosidade dessas é “preconceito ideológico”! Pois eu digo diferente: acolher como louvável semelhante anomalia política é coisa que só se explica por desvio do juízo moral.
Dilma e os seus gostariam de dispor dos brasileiros como coisas suas, assim como os Castro dispõem dos cubanos. Sendo impossível, buscam-nos lá, do mesmo modo como, antigamente, eram trazidos escravos das feitorias portuguesas no litoral africano.
* Escritor

02/09/2013

Médicos a jato

Filed under: Médicos Cubanos,Preconceito,Racismo — Gilmar Crestani @ 9:31 am
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No Ceará, médicos só vão a hospital de jatinho

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Governo Cid Gomes (PSB) não consegue contratar profissionais que morem em Sobral, terceira maior do Estado, e paga táxi aéreo de Fortaleza até quatro dias por semana para médicos. "O médico impõe condições, a estrada até lá é horrível. Sem avião, o pessoal não vai", tentou justificar o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, José Maria Pontes, o mesmo que liderou o lamentável protesto contra a chegada de cubanos do Programa Mais Médicos

2 de Setembro de 2013 às 08:43

247 – O hospital regional de Sobral, que custou R$ 227 milhões ao governo do Ceará e foi inaugurado com um show de R$ 650 mil de Ivete Sangalo, precisa ‘importar’ médicos de Fortaleza para funcionar.

O governo Cid Gomes (PSB) não conseguiu contratar profissionais que morem na cidade, terceira maior do Ceará, e desde então paga táxi aéreo para médicos atenderem no local.

Aviões saem de Fortaleza até quatro dias por semana levando médicos para Sobral, (a 232 km de distância). Segundo a Folha, a administração diz que o custo dos voos gira em torno de R$ 3 mil semanais para dois médicos por dia, três a quatro vezes por semana.

"O médico impõe condições, a estrada até lá é horrível. Sem avião, o pessoal não vai", disse o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, José Maria Pontes.

Pontes foi o responsável pelo protesto contra médicos cubanos do Programa Mais Médicos de Dilma Rousseff, ocorrido na terça-feira (27) em Fortaleza e que envergonhou o país (Leia aqui). “A vaia, na verdade, foi para aquelas pessoas que tiveram a ideia absurda de trazer esses médicos para cá, inclusive com trabalho escravo sem nenhum compromisso a não ser com o compromisso ideológico do Partido dos Trabalhadores”, disse ele sobre o episódio.

No Ceará, médicos só vão a hospital de jatinho | Brasil 24/7

01/09/2013

Folha preocupada com o sistema de saúde cubano

Filed under: Folha de São Paulo,Médicos Cubanos — Gilmar Crestani @ 11:31 am
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ExportaçãoExportação no dos outros é refresco. Se a exportação de médicos afeta o sistema de saúde cubano, um dos melhores do mundo, o que se poderá dizer a respeito da exportação de alimentos (feijão, arroz, milho, soja, frango, porco o gado) quando no Brasil há fome? A cereja no bolo, é “um bombardeio que não ocorreu”. Um bloqueio econômico de 40 anos não é nada. Quantos meses durariam os EUA com um bloqueio econômico de 10 anos? Há, sim, e não houve a invasão da Baía dos Porcos, por mercenários armados e financiados pelos EUA? Quanto a Folha está levando da CIA/NSA para cometer uma reportagem destas?

DOSSIÊ MÉDICOS

Exportação em massa afeta sistema em Cuba

Quando colegas estão no exterior, médicos que ficam dobram os plantões

Para pesquisadora americana, desafio em Cuba é não descuidar do sistema de saúde, que legitima o governo local

FLÁVIA MARREIRO, ENVIADA A HAVANA, pela CIA

Sheila González caminha sob o sol a pino, rodeada de edifícios em ruínas, escombros quase bonitos de um bombardeio que não ocorreu.

Grávida de Daniel há sete meses, a futura mãe vive em uma zona pobre no centro da capital cubana, Havana.

Carregando o almoço do dia, Sheila pode ser considerada o símbolo do sistema de saúde cubano que, ao lado da educação, é hoje a maior bandeira dos guerrilheiros que chegaram ao poder em 1959.

No país que ostenta uma das mais baixas taxas de mortalidade infantil do continente, é prioridade zero cuidar da gravidez da moça de 27 anos, mãe solteira, técnica em recursos humanos.

"Minha ginecologista e a médica da família são muito exigentes. Estão atentas a tudo. Ao meu peso, ao peso dele, à minha pressão. Sei que meu filho está em boas mãos, antes e depois de nascido", conta Sheila, que, abaixo do peso ideal no começo da gravidez, entrou num programa estatal que reforça a dieta, com almoço diário.

"Gosto do meu país. Não falo mal do governo. Falo o que acho que tem que melhorar", diz ela. E começa a citar o salário de US$ 15, a cesta básica para gestantes que é insuficiente e por que duvidou em ter mesmo Daniel.

"Minha mãe teve duas filhas, e em condições melhores do que eu", diz, em declaração emblemática –a natalidade em Cuba cai, e a população, também por causa das migrações, encolhe.

Em outras palavras, se a atenção médica não falta e é universal, o sistema de saúde tampouco está imune à precariedade de recursos por causa da crise econômica.

A infraestrutura, em muitos lugares, não difere dos edifícios decrépitos do centro de Havana. Médicos não reclamam em público, mas enviam "revolucionariamente" cartas ao governo falando das condições em que trabalham.

Sem falar dos salários baixíssimos e dos plantões não remunerados que fazem.

Para completar, a exportação de médicos em massa, intensificada na última década, também é um fator de pressão no sistema. Sheila se queixa. "Muitos médicos bons se foram. Muitos só pensam de forma gananciosa."

Em outra ponta da cidade, a professora Alina Guerra, 56, diz que médico nunca faltou, mas ela só voltou a se consultar quando Dorália, sua médica, voltou da Venezuela.

Para a pediatra Consuelo (nome fictício), a exportação de médicos ao Brasil terá efeitos concretos. Quando dois de seus companheiros forem ao Mais Médicos nos próximos meses, ela conta que vai dobrar os plantões.

"Os cubanos brincam dizendo Vai à Venezuela fazer o que?’, o amigo responde Em uma missão?’, e ouve: Não, vou ver meu médico’."

De acordo com a pesquisadora Julie Feinsilver, autora de estudos sobre a saúde na ilha, não é possível dizer se falta médico ou se é apenas uma questão de percepção, por causa da má distribuição.

Para ela, o sistema de saúde é um dos aspectos que dão legitimidade ao governo. Segundo Feinsilver, "a saúde da população cubana" é, para o governo dos irmãos Castro, "uma metáfora da saúde do corpo político" da ilha.

27/08/2013

Sem vergonha alheia

Filed under: Médicos Cubanos,Médicos sem Vergonha,Vergonha Alheia — Gilmar Crestani @ 11:14 pm
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Sem a propaganda de Goebbels, não haveria Os Carrascos Voluntários de Hitler. Agora que está na moda Hanna Arendt, ve-se concretamente o que acontece com a banalização do mal. Diuturnamente os grupos mafiomidiáticos abastecerem de todo tipo de patifaria, destilam ódio racial, se insurgindo inclusive contra a política de cotas. Com este arsenal de vitupérios os instintos mais primitivos ficaram à flor da pele e o azedume saiu do ponto. De onde mais se esperava, de lá só saiu desequilíbrio, insensatez, ódio, falta de ética.

Pode-se e deve-se condenar esta caterva, mas não devemos nos esquecer de quem botou gasolina no fogo. A faísca não teria dado em nada não tivesse sido preparado um terreno de ódio e desfaçatez. A boçalidade de pessoas brancas, com diploma, contra pessoas negras, inclusive sendo chamados de escravos ou mesmo de “domésticas”, não surgiram de um estalar de dedos. O princípio da vilania nasce, cresce, se desenvolve e se espalha através de veículos do tipo Veja, mas com a coordenação centralizada pelo Instituto Millenium. Nenhum veículo sério empregaria energúmenos do naipe de Reinaldo Azeredo ou Augusto Nunes, para ficar em dois exemplares de uma espécie se que prolifera como rato. Ou como a musa da febre amarela, Eliane Cantanhede, da Folha de São Paulo.

O que choca não é a explicitação da boçalidade levado ao paroxismo por entidades corporativistas, que todas são, mas a passividade bovina com que mal informados e mal intencionados se deixam conduzir pelo cabresto para dentro da nau montada pelos arautos do ódio mais canhestro. Entrincheirados em jornais e revistas, são arregimentados e comandados por grupos empresarias sem qualquer compromisso com os mais comezinhos princípios de civilidade. Não é nenhum anacronismo que os mesmos grupos que incentivaram e se locupletaram com a ditadura também tenham sido os grandes patrocinadores da agressão e do desrespeito à democracia atual. Há muito vinha-se dizendo que os neocons levariam estes grandes grupos mafiomidiáticos ao mais baixo nível.

Infelizmente, seus ventríloquos desceram antes. Permitem, no entanto, que possam fazer um mea culpa a tempo de se regenerarem. Como no filme Telma & Louise, é um caminho sem volta.

A constrangedora vergonha alheia

Luciano Martins Costa, Observatório da Imprensa

Uma fotografia na primeira página da Folha de S.Paulo, na edição de terça-feira (27/8), resume em boa medida o mal-estar em que as entidades médicas enfiaram os profissionais de saúde do Brasil.

A imagem mostra um médico cubano, negro, sendo ameaçado e vaiado por colegas brasileiros quando saía da primeira aula do programa de treinamento para sua missão em território nacional. Os manifestantes xingavam os médicos estrangeiros de “escravos”, e chegaram a agredir representantes do Ministério da Saúde, o que descreve de maneira bastante clara o nível de irracionalidade provocada pelas declarações de dirigentes dos conselhos de medicina e outras associações de classe contra o programa Mais Médicos.

O incidente aconteceu em Fortaleza, uma das cidades escolhidas para abrigar os cursos de preparação dos profissionais contratados para suprir a carência de médicos brasileiros no interior e na periferia das grandes cidades. Segundo os jornais, os manifestantes, organizados pelo Sindicato dos Médicos do Ceará, fecharam todas as saídas do edifício da Escola de Saúde Pública e tentaram invadir o local. Depois, formaram um corredor e passaram a hostilizar os estrangeiros que deixavam o prédio.

Os relatos são curtos, mas a imagem na primeira página da Folha demonstra que, nestes dias, quem representa os médicos brasileiros são esses grupos de xenófobos organizados pelas entidades oficiais da profissão, uma vez que os demais, se têm opinião diversa, estão se omitindo.

Os jornais também trazem entrevistas com médicos cubanos e de outras nacionalidades que aderiram ao programa. A comparação entre os dois comportamentos é quase ofensiva para a classe médica brasileira: enquanto os nacionais se esmeram em atitudes agressivas e declarações preconceituosas, os estrangeiros demonstram o espírito cívico e de solidariedade que se espera daqueles que escolheram como profissão aliviar o sofrimento humano.

A leitura cuidadosa dos textos que a imprensa vem publicando a respeito do assunto indica que a vergonha que os médicos brasileiros impõem a si próprios, por ativismo ou por omissão, constrange até mesmo os jornalistas. Por mais que se esforcem para dar alguma racionalidade à posição do Conselho Federal de Medicina, da Associação Médica Brasileira e dos sindicatos da categoria, os jornais não conseguem esconder esse embaraço.

A “baixaria” de jaleco

Pode-se ler no Estado de S.Paulo, por exemplo, que o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, um dos mais ativos contestadores do programa do governo, tem dois filhos formados na faculdade de Medicina de Camaguey, em Cuba. Na volta, os moços frequentaram disciplinas complementares na Universidade do Sul de Santa Catarina e revalidaram seus diplomas na Universidade Federal do Ceará.

O dirigente sindical entende que não há incongruência em criticar o programa de importação de médicos formados no exterior, uma vez que seus filhos revalidaram seus diplomas cubanos. Mas até Eremildo, o Idiota, personagem criado pelo jornalista Elio Gaspari, estranharia a curiosa ginástica que os moços fizeram para conseguir a revalidação, transitando de sul a norte do Brasil para obter um documento que podia ser conquistado em seu próprio estado.

Os argumentos brandidos pelas entidades médicas contra o programa do governo têm esse mesmo tipo de percurso, mas terminam mesmo é em atitudes grosseiras como a da manifestação em Fortaleza, uma verdadeira “baixaria” de jaleco.

Com todos os riscos das generalizações, pode-se afirmar que o noticiário leva o cidadão comum a entender que os médicos brasileiros têm outras prioridades que passam longe da saúde pública. Para reverter essa interpretação, seria necessário que a imprensa procurasse equilibrar os exemplos e declarações, entrevistando profissionais de saúde que apoiam o programa Mais Médicos, ou que, pelo menos, não concordem com a atitude hostil insuflada pelas entidades representativas da categoria.

Mas o que se vê até aqui é apenas o confronto que tem como síntese a fotografia publicada na primeira página da Folha. No entanto, essa fotografia, ao congelar a realidade em apenas um quadro, mostra só um dos lados do que aconteceu no Ceará.

O jornal O Povo, de Fortaleza, postou em seu blog um vídeo no qual se pode observar que o protesto dos médicos brasileiros não foi a única manifestação: também havia ativistas que foram ao local para apoiar os cubanos (ver aqui).

Acontece que a imprensa, de modo geral, não está dando espaço para os cidadãos que apoiam o programa, e o noticiário apenas mostra as entidades médicas criticando e representantes do governo se defendendo.

Os médicos envergonhados também deveriam ser ouvidos.

SQN

26/08/2013

Veja FHC, o paspalho

Depois que FHC se tornou ventríloquo, via CEBRAP, dos EUA, conseguiu tudo o que diz. Conseguiu se eleger graças à parabólica do Rubens Ricúpero. Comprou a reeleição por duzentos mil reais ao voto. Entregou “no limite da irresponsabilidade”, o sistema TELEBRAS aos norte-americanos. Assumiu clandestinamente filho com Miriam Dutra, jornalista da Globo, e em conluio com a Globo a escondeu na Espanha. O filho que pensara ser seu, os filhos da D. Ruth Cardoso descobriram, mediante exame de DNA, que era só filho da mãe. Como se vê, nem os filhos de FHC acreditavam em FHC. Quebrou o Brasil e fez vários papagaios no FMI. Perdeu a eleição e levantou a bandeira da liberação da maconha. A Veja sabia disso tudo ou não? Sabia, sim, mas era só parceira. Veja & FHC, são apenas subprodutos de uma sociedade imbecilizada. Há dois tipos que ainda acreditam em ambos, os mal informados e os mal intencionados.

Quando FHC trouxe cubanos, Veja aplaudiu

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Revista da Editora Abril afirma que "o milagre veio de Cuba" numa reportagem de outubro de 1999, quando o presidente era Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Saúde, José Serra, ao descrever a situação de municípios como Arraias, em Tocantins, que não tinham médicos; a matéria chega a dizer que "os cubanos são bem-vindos"; agora que Dilma Rousseff e Alexandre Padilha propõem socorrer as cidades sem médicos com profissionais cubanos, eles são chamados de escravos e de espiões comunistas por Veja

26 de Agosto de 2013 às 14:21

247 – Numa reportagem publicada na edição número 1.620, de 20 de outubro de 1999, a revista Veja elogiou a vinda de médicos cubanos ao Brasil. "O milagre veio de Cuba", chega a colocar o texto, depois de descrever a precária situação do, na época, único hospital do município de Arraias, em Tocantins. A matéria explica o motivo pelo qual o hospital ficou fechado por quatro anos depois de ser inaugurado, em 1995: "Faltavam médicos que quisessem aventurar-se naquele fim de mundo". Foi quando a cidade "conseguiu importar cinco médicos da ilha de Fidel e, assim, abrir as portas do hospital".

Infelizmente, a situação de hoje não é muito diferente. O governo da presidente Dilma Rousseff, com Alexandre Padilha no ministério da Saúde, anunciou a contratação de quatro mil médicos cubanos para trabalhar em 701 municípios que não foram escolhidos por nenhum profissional inscrito no programa Mais Médicos. Diferente de quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso firmou o convênio com Cuba, no entanto, desta vez a revista cobriu o assunto escancarando seu preconceito. Chamou o que antes era "a tropa vestida de branco de Cuba" de "espiões comunistas". O colunista Reinaldo Azevedo os chamou de escravos.

Em outro trecho, a matéria diz: "os cubanos são bem-vindos", ressaltando, porém, que a contratação desses médicos era irregular, motivo que também é trazido à tona atualmente. Apesar dessa pequena crítica, o destaque do texto de 1999 fica para histórias de personagens cubanos que pretendiam melhorar de vida no Brasil e trabalhar com amor. Inexplicavelmente, agora, sob o governo petista, a posição da revista mudou completamente. Por quê?

Leia mais em Por que a importação de médicos cubanos vai inundar o Brasil com espiões comunistas

E artigo de Reinaldo Azevedo, que chama os médicos cubanos de "escravos de jaleco do Partido Comunista".

Abaixo, a reportagem de Veja de outubro de 1999:

Quando FHC trouxe cubanos, Veja aplaudiu | Brasil 24/7

Médicos cubanos, modo de usar

Filed under: Médicos Cubanos — Gilmar Crestani @ 9:28 am
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Cidade receberá cubanos pela segunda vez

Pedreira, no interior de SP, tem 41 mil habitantes e trouxe médicos de Cuba em programa dos anos 1990

25 de agosto de 2013 | 21h 53

José Maria Mayrink, enviado especial / Pedreira – O Estado de S.Paulo

Pioneiro na importação de cubanos para a adoção do projeto Médico de Família, há 18 anos, o município paulista de Pedreira, de 41.500 habitantes, na região de Campinas, vai receber mais três médicos vindos de Cuba pelo Mais Médicos. O prefeito Carlos Pollo (PT) se inscreveu no programa depois que só um brasileiro se candidatou a uma das quatro vagas disponíveis no Programa Saúde da Família (PSF).

Bem adaptado. Eduardo Rodríguez se estabeleceu no interior paulista após contrato - Rafael Arbex/AE

Rafael Arbex/AE

Bem adaptado. Eduardo Rodríguez se estabeleceu no interior paulista após contrato

O epidemiologista Eduardo Francisco Mestre Rodríguez, que veio de Havana em 1995 para coordenar a implementação do serviço com mais cinco compatriotas – quatro médicos e um dentista – acabou ficando em Pedreira, onde se casou. "Permaneci aqui por razões sentimentais, enquanto meus companheiros voltaram ao fim do contrato", conta.

Dr. Eduardo, como é conhecido, é uma figura muito querida em Pedreira, onde é abraçado nas ruas, por seu trabalho direto com o povo, dando expediente nos postos da Saúde da Família. "Estou com 56 anos e meio gordo, porque como muito churrasco e feijoada, perfeitamente integrado na comunidade", orgulha-se entre risadas, falando um portunhol perfeito.

"Minha família já me visitou no Brasil e eu voltei três vezes a Cuba, em férias, sem nenhum problema político", disse, insistindo que cumpriu uma missão profissional em Pedreira. "Não vim para clinicar, porque a lei brasileira proibia, na época, o exercício da medicina sem revalidação do curso, mas para coordenar a criação de um modelo de atendimento básico, assumido por colegas brasileiros."

Sem atendimento. Eduardo coordenou o PSF e em seguida foi diretor do Serviço de Saúde Mental em três administrações do ex-prefeito Hamilton Bernardes (na primeira pelo PMDB e nas outras duas pelo PSB), atualmente secretário de Finanças de Campinas. Economista, Bernardes entusiasmou-se com a figura do médico de família em Cuba e adaptou o modelo a Pedreira.

"A chave do programa é levar o médico à casa do doente para ele conhecer a situação em que vive a família, num enfoque clínico, epidemiológico e social, antes de receitar remédios", explica Eduardo.

A equipe de Saúde da Família tem um médico generalista, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e de quatro a seis agentes comunitários de saúde. "Esses agentes foram um avanço do sistema brasileiro, não existem em Cuba, onde são os médicos que visitam as casas", observa. Os agentes fazem o levantamento nos domicílios e preparam o diagnóstico para atendimento nos postos.

Na época da adoção do sistema, o índice de internações caiu 30% no hospital de Pedreira e o índice de mortalidade infantil também baixou. O município tem 60 médicos no serviço público, com salários em torno de R$ 10 mil, equivalente ao que o governo federal vai pagar aos estrangeiros. A prefeitura bancará moradia e alimentação.

"Não será muito dispendioso, porque podemos alugar um apartamento por cerca de R$ 400", anima-se o prefeito Carlos Pollo.

Os cubanos que vieram nos anos 1990 recebiam remuneração de R$ 1.800 mensais. Dois terços do salário iam direto para o governo de Cuba. Com um contrato correspondente agora, os médicos ficarão com cerca de R$ 2,4 mil a R$ 4 mil. "É razoável e é muito mais do que um médico ganha em Havana", afirma Eduardo, que construiu a vida em Pedreira como contratado da prefeitura.

Tem um apartamento de 90 m2, com três dormitórios e dois banheiros, e um carro Peugeot, de 2009. Depois de deixar a Secretaria da Saúde, no ano passado, passou a fazer consultoria para prefeituras e a trabalhar no Instituto de Pesquisas Especiais para a Sociedade, em convênio com a Universidade Estadual de Campinas.

"Os médicos não devem pensar só em seus interesses, mas na saúde da população", argumenta Eduardo, repetindo um discurso que, segundo ele, move seus compatriotas que foram atuar em Angola, Etiópia e Venezuela. "Os médicos cubanos estão preparados para trabalhar com a população do Brasil, assim como os brasileiros são bem qualificados", diz.

Como os três cubanos fornecidos agora pelo Mais Médicos vão clinicar, o prefeito Carlos Pollo diz esperar que o governo federal resolva os problemas legais. Nesta semana, ele começa a procurar apartamentos, de preferência perto dos postos de saúde, para os médicos.

Cidade receberá cubanos pela segunda vez – saopaulo – saopaulo – Estadão

Melhor que importar médicos seria importar o tipo de formação

Filed under: Cuba,Médicos Cubanos,Medicina — Gilmar Crestani @ 9:10 am
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O espírito da medicina cubana

Diario do Centro do Mundo 26 de agosto de 2013

Num momento em que se debate tanto se vale a pena ou não importar médicos de Cuba, o Diário faz um mergulho no tema.

Estudantes americanos formados pela aclamada Escola de Medicina América Latina

Estudantes americanos formados pela
aclamada Escola de Medicina América Latina

O que a Grã-Bretanha pode aprender com o sistema médico de Cuba?

Assim começou uma reportagem de um dos mais prestigiosos programas jornalísticos britânicos, o Newsnight, da BBC.

Uma equipe do programa foi enviada a Cuba para entender por que é tão comum o “olhar de admiração” sobre a medicina cubana.

O Diário selecionou trechos que jogam luzes sobre um tema que vem despertando discussões apaixonadas no site e fora dele: a questão da importação de 6 000 médicos cubanos para trabalharem em áreas remotas no Brasil.

O relato do Newsnight foi acrescido de trechos do relatório de uma visita de integrantes do Comitê de Saúde do Parlamento britânico. Da mistura surgiu um retrato da saúde de Cuba.

Bom proveito.

“A lógica subjacente do sistema cubano é incrivelmente simples. Em razão principalmente do bloqueio econômico americano, a economia cubana continuamente sofre.

Saúde, no entanto, é uma prioridade nacional, por razões em parte românticas : Che Guevara, ícone do Partido Comunista, era médico. Mas muito mais por pragmatismo: a saúde admirável da população é certamente uma dos principais razões pelas quais a família Castro ainda está no poder.

A prioridade em Cuba é impedir que as pessoas fiquem doentes, em primeiro lugar.

Em Cuba você recebe anualmente a visita de um médico. A idéia não é apenas verificar a sua saúde, mas ter um olhar mais amplo sobre seu estilo de vida e o ambiente familiar. Essa visita é feita de surpresa, para ser mais eficiente.

Os médicos estão espalhados por toda a população, e o governo lhes fornece habitação, bem como às enfermeiras.

A expectativa de vida em Cuba é maior do que a dos Estados Unidos. A relação médico-paciente ser comparada a qualquer país da Europa Ocidental.

Há em Cuba um médico por cada 175 pessoas. No Reino Unido, é 1 por 600 pessoas.

Cuba dá ênfase à formação generalista. O currículo foi alterado na década de 80 para garantir que mais de 90 por cento de todos os graduados completem três anos em clínica geral.

Há um compromisso com o diagnóstico triplo (físico / psicológico / social). Os médicos são reavaliados frequentemente.

Também chama a atenção a Policlínica – uma engenhosa invenção que visa proporcionar serviços como odontologia, pequenas cirurgias, vasectomias e raios-X sem a necessidade de uma visita a um hospital.

Cada Policlínica  tem uma série de especialistas (pediatria, ginecologia, dermatologia, psiquiatria) que resolvem boa parte dos problemas de saúde das comunidades e assim reduzem a necessidade de busca de hospital. Com isso, a lista de espera nos hospitais é quase inexistente.

Todos os lugares que visitamos eram geridos por profissionais da saúde (médicos e enfermeiros).

Fizemos uma visita à Escola de Medicina América Latina, onde médicos estagiários  de todo o mundo -  muitos deles, para nossa surpresa, americanos –  recebem treinamento à moda cubana.

E nos deparamos em nossa visita com  pequenos detalhes que podem fazer uma grande diferença: pelotões de aposentados se exercitando todas as manhãs nos parques de Havana.

Apesar de os hospitais não serem equipados com o nível de TI encontrado no Reino Unido, por causa do bloqueio americano, os profissionais de saúde têm uma paixão por dados e estatísticas que eles usam com freqüência para fins de governança na saúde.

O contexto da revolução cubana e as estruturas sociais desenvolvidos localmente levaram ao envolvimento contínuo do Estado no sistema de saúde. Isto é visto não como a cereja no topo do bolo, mas como uma parte muito importante do próprio bolo.

O espírito da medicina cubana | Diário do Centro do Mundo

25/08/2013

Dissecação e taxidermia de uma colonista

Filed under: Eliane Cantanhêde — Gilmar Crestani @ 10:22 am
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Vou tentar destravar o cérebro da porta-voz da direita brasileira, musa do tremsalão do PSDB, Eliane Cantanhêde.

ELIANE CANTANHÊDE 

Avião negreiro

Como recurso literário, foi uma boa sacada parodiar Castro Alves. Comparar médicos cubanos com escravos africanos só não tendo compromisso nenhum com a ética nem com fatos. Quantos escravos eram ou foram médicos. Mais, quantos deles tiveram a oportunidade de frequentar uma universidade. Mais ainda, gratuitamente!? E podemos continuar: se um escravo africano voltasse à África, quem o acolheria? Só alguém cevada no ódio de classe e investida de polícia política poderia cometer uma raciocinada destas.

BRASÍLIA – Ninguém pode ser contra um programa que leva médicos, mesmo estrangeiros, até populações que não têm médicos. Mas o meio jurídico está em polvorosa com a vinda de 4.000 cubanos em condições esquisitas e sujeitas a uma enxurrada de processos na Justiça.

De fato. Ninguém em sã consciência poderia ser contra. Mas Eliana é… se for médico cubano. E, convenhamos, quer situação mais esquisita do que criar e pilotar um Tremsalação na ante-sala onde Eliane trabalha, passar por cima dela e ela sequer mencionar o fato?! Situação esquisita é abrir uma conta da Suíça para reunir vagões de dinheiro desviado das licitações pelo PSDB e Eliana ficar mais quieta que guri cagado? Sujeito à processos na justiça todos estamos.

A terceirização no serviço público está na berlinda, e a vinda dos médicos cubanos é vista como terceirização estatal –e com triangulação. O governo brasileiro paga à Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), que repassa o dinheiro ao governo de Cuba, que distribui entre os médicos como bem lhe dá na veneta.

Eliana é uma terceirizada da Folha. Tanto que o contrato é como Pessoa Jurídica, PJ para os íntimos. E, a bem da verdade, é uma prática comum nas empresas que faturam encima do negócio da informação. Por que só os médicos cubanos seriam terceirizados? Triangulação existe, por exemplo, quando a SIEMENS e a ALSTOM deposita numa conta suíça para que FHC possa comprar a reeleição, ou José Serra usar este dinheiro para pagar um colonista do Estadão atacar Aécio Neves escrevendo “Pó pará, governador!”  Cuba não distribui “como bem dá  na veneta”, pois lá o sistema é comunista. Tanto que, ao voltarem, tem garantidos todos os direitos, inclusive ao sustento dos familiares que lá ficaram, pelo governo. É desta forma, inclusive, que Cuba pode continuar investindo na  “produção e exportação” de médicos.

Os R$ 10 mil de brasileiros, portugueses e argentinos não valem para os que vierem da ilha de Fidel e Raúl Castro. Seguida a média dos médicos cubanos em outros países, eles só embolsarão de 25% a 40% a que teriam direito, ou de R$ 2.500 a R$ 4.000. O resto vai para os cofres de Havana.

Por aí se vê que Eliane não paga imposto. Aliás, quer dizer então que os médicos brasileiros, argentinos, espanhóis e franceses embolsam os dez mil e não pagam impostos? O que confirma a tese da propensão pela sonegação desta categoria?

Pode um médico ganhar R$ 10 mil, e um outro, só R$ 2.500, pelo mesmo trabalho, as mesmas horas e o mesmo contratante? Há controvérsias legais. E há gritante injustiça moral, com o agravante de que os demais podem trazer as famílias, mas os cubanos, não. Para mantê-los sob as rédeas do regime?

Pode um jornalista ganhar R$ 1.500,00 e outro R$ 10.000,00? Pode um médico cobrar R$ 100,00 e outro R$ 500,00 por uma consulta? Existem rédeas nos regimes comunistas e nos capitalistas. Ou o que foi que os EUA fizeram com Bradley Manning senão porem freios, algemas e solitária?! No Brasil, quem rouba, se não for do PSDB, a polícia põe rédeas e o judiciário encaminha ao presídio.

E se dez, cem ou mil médicos cubanos pedirem asilo? O Brasil vai devolvê-los rapidinho para Havana num avião venezuelano, como fez com os dois boxeadores? Olha o escândalo!

E se dez, cem ou mil pacientes forem salvos por médicos cubanos, a Eliane vai parabeniza-los ou lamentar e pedir para que sejam condenados a viverem no paraíso que os EUA instalaram em Guantánamo?

O Planalto e o Ministério da Saúde alegam que os cubanos só vão prestar serviço e que Cuba mantém esse programa com dezenas de países, mas e daí? É na base de "todo mundo faz"? Trocar gente por petróleo combina com a Venezuela, não com o Brasil. Seria classificado como exploração de mão de obra.

O que Eliane não admite é que depois de 20 anos governando São Paulo, o PSDB tenha investido mais em assinaturas da Folha, Estadão e Veja do que na formação de médicos, a ponto de agora a única alternativa de acesso a médicos seja através de médicos cubanos. Cuba investe na formação de médicos. O PSDB investe em trem fantasma. Os espanhóis, ingleses, agentes da CIA e outros parasitas internacionais que aqui trabalham  não se enquadram no “todo mundo faz”? Trocar nossa privacidade por agentes da CIA investigando e quebrando o nosso sigilo de emails e telefones combina com o Brasil de Eliane, mas não combina com a Venezuela nem com Cuba.

Tente você contratar alguém em troca de moradia, alimentação e, em alguns casos, transporte, mas sem pagar salário direto e nem ao menos saber quanto a pessoa vai receber no fim do mês. No mínimo, desabaria uma denúncia de trabalho escravo nas suas costas.

O que Eliane publicou a respeito das denúncias de trabalho escravo nas grandes fazendas do Daniel Dantas e do Itaú no interior do Pará, e a respeito do trabalho escravo na Zara? Por aí se ve a sua grande preocupação com trabalho escravo. O que ela escreveu sobre a sonegação milionária da Rede Globo? Sobre a corrupção de seus correligionários denunciados pela SIEMENS e ALSTOM?

Por que nós trabalhamos? Para trocar por moradia, alimentação, transporte e nem todos conseguimos. Quantos trabalhadores do Brasil chega no final do mês e não nada sobra. Em Cuba todos têm comida, casa, saúde, educação. Independentemente de salário. SIMPLES ASSIM!

Não sou nem nunca fui comunista. Não gostaria de viver em Cuba. O que me deixa indignado é a burrice travestida de auréola intelectual e na manada que engole tudo sem a menor deglutição.

23/08/2013

Vou desenhar!

Algumas pessoas, por deficiência intelectual, preguiça mental ou por servilismo canhestro, têm dificuldades para separar o interesse ideológico do dado factual. Para a festejada miss Soledade, colunista de Zero Hora, Rosane de Oliveira, investir na saúde pública é “aposta de risco”. A regra é clara, a RBS trata tudo como se fosse um simples jogo. É por isso que seus colunistas transitam livremente do campo esportivo para o político, sem estarem preparados para nenhum dos dois. Mas se desincumbem das tarefas que os chefes mandam com docilidade bovina. Ser subserviente, no caso da RBS, é condição sine qua non. Duvido que Yoani Sánchez seja tão dócil quanto Rosane é com seu patrão. Num país como o nosso, em que a desigualdade social é gigantesca, receber dez mil reais parece troco, uma esmola, quase uma ofensa, tamanha a desconsideração pelo valor. Como já esgotaram a lista de possíveis problemas, agora se apegam  ao valor que ficará no bolso dos médicos cubanos. Esta filigrana se escora no fato de que profissional liberal não paga imposto. Ou alguém nunca ouviu no consultório particular a pergunta: é com nota? Porque com nota é um valor; sem, outro. E não vão ouvir a população que se beneficiará pelo acesso ao serviço médico. A população que, em virtude da luta da RBS, pode ficar sem médico, deveria repensar sua relação com este grupo mafiomidiático e dar aos funcionários da RBS o mesmo tratamento que ela está dando a quem está sem médico.

Se Cuba não é o paraíso que os simpatizantes apregoam, também não é a falsa democracia que a RBS defende, até porque a RBS simpatizou abertamente com a ditadura brasileira. Por que será que Yoani Sánchez pode circular o mundo falando mal de Cuba e retornar para casa para usufruir das “precariedades” da Ilha? E o que aconteceria se Edward Snowden ou Julian Assange pisassem nos EUA? O mesmo que aconteceu com Bradley Manning… Imagine-se o que diria Rosane de Oliveira, em nome da RBS, se Cuba espionasse o Brasil como fez os EUA…

Se um médico cubano que fica, digamos, com apenas 50% do salário, pode ser considerado escravo, o que se pode dizer do entregador do jornal Zero Hora, que recebe um salário mínimo mensal? Conheço pessoas altamente qualificadas que recebem da RBS, para desenvolverem atividades administrativas, 50% dos 50% dos cubanos. A RBS os considera seus escravos?! Perguntem quanto ganha um vendedor da Vivo, da OI ou Tim, estas festejadas multinacionais. Seriam todos trabalhadores escravos? Esta semana um trabalhador do Bank of America, em Londres, morreu em virtude da “jornada extenuante” de trabalho. E ele recebia menos que os médicos cubanos… A RBS não tratou como trabalho escravo, e nem cobrou tratamento mais humano. Precisa explicar esta diferença de tratamento para as mesmas questões? Se não entendeu, sinta-se na estrebaria e relinche!

 

Rosane de Oliveira: "Dilma faz aposta de risco ao trazer cubanos"

Rosane de Oliveira

rosane.oliveira@zerohora.com.br

Se der certo, o programa Mais Médicos estará para a presidente Dilma Rousseff como o Bolsa Família para o ex-presidente Lula. É saúde a demanda número 1 da população em todos os Estados brasileiros. Os prefeitos querem mais médicos e não se importam se são cubanos, espanhóis, portugueses, argentinos ou uruguaios. Diante do desinteresse dos brasileiros em receber uma bolsa de R$ 10 mil para clinicar nas periferias das grandes cidades e nos confins do Brasil, o governo vai importar profissionais de outros países, ignorando as críticas dos sindicatos e dos conselhosregionais de medicina, que exigem a revalidação do diploma.

Se os estrangeiros conseguirem dar às populações desassistidas a atenção que não têm hoje, Dilma pode se consagrar com esses eleitores, mas enfrentará uma oposição ferrenha dos médicos brasileiros. Os descontentes poderão usar sua capacidade de articulação para desgastar a presidente e, assim, tentar impedir sua reeleição, mas Dilma foi convencida pelos ministros Alexandre Padilha e Aloizio Mercadante de que vale a pena comprar a briga.

A maior dificuldade de Dilma em relação aos médicos cubanos será convencer a população de que não está trazendo escravos de jaleco, com diploma de curso superior. Porque é inconcebível para a cultura brasileira aceitar que os R$ 10 mil da bolsa oferecida pelo Brasil sejam pagos ao governo cubano e que só uma pequena parcela retorne para o médico.

Ainda que 20% ou 30% de R$ 10 mil seja uma pequena fortuna para os médicos que trabalham em Cuba, acostumados a receber uma ração básica e salário em torno de US$ 20, no Brasil, o apelo de consumo é diferente. O fato de não poderem dispor do dinheiro, como poderão os médicos de outras nacionalidades, e de estarem impedidos de trazer a família para viver com eles no Brasil coloca os cubanos na condição de escravos em pleno século 21.

Com a importação de 4 mil médicos cubanos e a remessa do dinheiro para a ilha, o governo brasileiro contribui para a sobrevida do regime comunista cubano. É oxigênio para uma ditadura asfixiada pelo embargo dos Estados Unidos, que ensaia os primeiros passos de uma abertura, mas está longe de ser o paraíso socialista que seus simpatizantes apregoam.

ZERO HORA

20/07/2013

Tratamento dado a Roger Abdelmassih provoca peregrinação médica ao STF

Procurei no Google e não encontrei nenhuma manifestação da Federação Nacional dos Médicos a respeito do colega Roger Abdelmassih. Seria apenas coincidência ou o a FENAM quer de Gilmar Mendes o mesmo tratamento, usando da mesma receita, com que medicou juridicamente o respeitável doutor estuprador?! Por que será que a FENAM não se incomoda com a parceria humanitária do Jair Bolsonaro no uso corporativista do STF contra quem precisa de médicos?

Médicos rompem com governo e vão ao STF

:

Federação Nacional dos Médicos (Fenam) anunciou que vai deixar seis comissões que integra na esfera do governo e outros cinco colegiados do Conselho Nacional de Saúde em reação à medida provisória que criou o programa Mais Médicos e aos vetos da lei do Ato Médico, que regulamenta a medicina; entidade informou ainda que vai ingressar com duas ações judiciais no Supremo para suspender os efeitos da medida provisória do Mais Médicos; eles criticam falta de diálogo do governo com a categoria; sindicatos se mobilizam para greves

Brasil 24/7

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