Ficha Corrida

11/04/2011

Filósofo de aluguel, o Estadão tem

Filed under: Ditadura,Estadão,Instituto Millenium — Gilmar Crestani @ 8:40 am
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Foi contrado pelo que representa. O Estadão, que deu cobertura ao golpe militar de 64, quer nos ensinar democracia. Então, que primeiro ensine História aos seus filósofos. Quem quer acabar com a velha esquerda só por que discorda dela, não pode ser considerado democrático. Quem se assoCIA ao Instituto Millenium, como diz o ditado, dizes com quem andas e direi quem és, não pode ter boas intenções.  Escalado para ser o substituto de Plínio Correa de Oliveira, Rosenfield dá conta do recado. Pena que está 50 anos atrasado. Precisa de atualizar. O Estadão, também!

Democracia e liberdade de imprensa

11 de abril de 2011 | 0h 00

Denis Lerrer Rosenfield – O Estado de S.Paulo

A América Latina apresenta uma situação bastante curiosa, pois há uma tendência crescente a dissociar a liberdade de imprensa e dos meios de comunicação em geral da democracia. É como se o fato de realizar periodicamente eleições, frequentemente com abusos de poder ou simulacros de igualdade na competição partidária, fosse suficiente para um país ser, sem mais, qualificado como uma democracia. Mas um aspecto da maior importância é simplesmente desconsiderado: as condições de exercício da democracia, como a liberdade de pensamento e de expressão, no seu sentido mais amplo, terão sido observadas?

Uma democracia, no sentido político do termo, só cobra o seu pleno significado como realização de direitos civis, que são, assim, observados. Dentre eles devemos destacar a liberdade de ir e vir, a liberdade de organização sindical e partidária, a liberdade de pensamento, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa e dos meios de comunicação. Um Estado que não observa esses direitos civis, por mais que procure encobrir os seus atos como "legais", nada mais é do que uma ditadura explícita ou em via de se consumar.

Antes, no entanto, de atentarmos para casos próximos a nós, seria interessante recorrer a exemplos históricos das sociedades que fizeram a experiência do socialismo. Tomemos o caso dos países do "socialismo real", como a antiga Checoslováquia, o seu exemplo valendo para todos os demais. No início de suas manifestações, na década de 1960, por mais liberdades, que culminaram com a invasão das tropas comunistas soviéticas, os cidadãos checos não lutavam para eleger seus governantes, mas para poderem livremente expor seus pensamentos. Propugnavam uma imprensa livre, combatiam para poder expressar suas opiniões.

Muito tempo depois, quando do desmoronamento da União Soviética, com seus reflexos em todos aqueles países, muitos dos contestadores do comunismo/socialismo continuavam ainda lutando por direitos civis, por estimarem, naquele então, que as liberdades políticas não estavam no horizonte próprio, oprimidas que se encontravam pelos respectivos Partidos Comunistas e seus aparatos policiais. Para eles, tratava-se de um direito básico, condição, por assim dizer, de todos os demais. Aqueles que se recusavam a conceder tais direitos, pretendendo guardar o monopólio do poder, eram os que temiam a propagação política das liberdades civis assim conquistadas. Não há nenhum país "socialista" ou "comunista" que tenha reconhecido os direitos civis – em particular a liberdade de imprensa e expressão -, salvo em seu ocaso.

Nesse sentido, o mundo político do século 20 tinha uma vantagem sobre o do século 21: a clareza. Os socialistas, com diferentes usos de retórica, eram contra a liberdade de imprensa e dos meios de comunicação em geral, não escondendo seu propósito de silenciá-los. Os atuais, porém, são mais ardilosos: eles silenciam a liberdade de imprensa em nome da "verdadeira" liberdade de imprensa! Pervertem a democracia em nome da democracia!

Exemplo particularmente paradigmático é o fato de o presidente venezuelano, Hugo Chávez, autocrata assumido, ter recebido da Universidade de La Plata, na Argentina, um prêmio de reconhecimento por seu "trabalho" em prol da liberdade de imprensa. Ou seja, um liberticida é agraciado por "seu apreço pela liberdade de imprensa". Um protoditador que silencia empresas de rádio e televisão, ocupa despudoradamente a mídia, aniquila o Estado de Direito em seu país é "reconhecido" pelos "socialistas" como digno defensor da liberdade de imprensa. O deboche é total. E o pior de tudo é que não se trata de um programa de humor, nem mesmo de humor negro!

O prêmio, ademais, foi concedido por uma universidade, que se desonra, evidentemente, como lugar por excelência da liberdade de pensamento, compactuando com os que procuram, por todos os meios, sua eliminação. Um reitor desse tipo deveria ser nomeado pela presidente Cristina Kirchner para presidir a Comissão Pública de Censura. Pelo menos as coisas estariam no seu lugar!

A própria Cristina Kirchner, aliás, empreende luta ferrenha contra um dos mais importantes conglomerados de comunicação da Argentina, o Grupo Clarín. Recentemente, o jornal El Clarín não pôde circular por causa de piquetes organizados por sindicalistas peronistas, a serviço do mesmo grupo político. Vale simplesmente a força, tendo até ordens judiciais sido descumpridas. A polícia, por sua vez, observou o ato de violência sem agir.

Há uma espécie de tolerância com esse tipo de atos que é extremamente preocupante. Alguns fazem o "torto" – para não dizer "esquizoide" – raciocínio de que, como há eleições nesses países, tudo pode, então, ser resolvido. O problema é, porém, muito mais grave, porque as próprias eleições estão sendo deformadas, graças ao progressivo controle político dos órgãos de imprensa e de comunicação em geral e, de maneira mais precisa, do processo de formação da opinião pública.

Tais exemplos deveriam ser levados seriamente em consideração em nosso país, pois no governo anterior eles começaram a ser imitados. Tivemos uma sucessão de iniciativas e conferências nacionais que compartilhavam o mesmo princípio de que deveria haver um controle de conteúdo, de que deveriam ser levadas em conta propostas de uma sociedade civil – manipulada, diga-se de passagem – que instalariam a "verdadeira" liberdade de imprensa. Estamos diante do mesmo ardil, o de suprimir as liberdades em nome da "verdadeira" liberdade. São crias do mesmo projeto autoritário.

Se é bem verdade que o Brasil precisa de uma nova legislação para o setor de audiovisual e telecomunicações, pois as leis dessa área datam da década de 70 do século passado e nesse meio tempo houve toda a revolução digital, por outro lado convém não confundir a necessária modernização do setor com a instauração velada de novas formas de silenciar os direitos civis.

PROFESSOR DE FILOSOFIA NA UFRGS.
E-MAIL: DENISROSENFIELD@TERRA.COM.BR

Democracia e liberdade de imprensa – opiniao – Estadao.com.br

16/03/2011

Eles não têm Eliane Cantanhêde

Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 9:43 am
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Lembram do pânico que o PIG criou encima da Febre Amarela? Na Argentina é a mesma coisa.

na01di01

08/03/2011

Estadão, um editorial, por favor!

Filed under: Estadão,Tio Sam — Gilmar Crestani @ 4:34 pm
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São tão escassas quanto não confiáveis as notícias a respeito dos protestos por liberdade de imprensa no estado de Wisconsin, nos EUA. Nenhuma reportagem especial, sequer notas de rodapé. Tudo porque a fonte da informação para o bravo e destemido PIG é aquilo que a CIA permite. O Estadão se ocupa, diturnamente, de Hugo Chávez. Não sobra tempo para se ocupar de Wisconsin. Por quê? Ora, porque Chávez não financia o Estadão, a CIA, sim! Se não diretamente, pelo menos pelas afinidades eletivas e ideológicas.

Comment les médias contrôlent nos pensées

Savez vous qu’actuellement, et ce, depuis plus de deux semaines, une vague de protestations sans précédent depuis quarante ans secoue les Etats-Unis, dans le Wisconsin ?

Certainement pas, et cela, car l’information que vous recevez est partiale, triée, et vous dicte ce sur quoi vous devez réfléchir.

Il ne faut pas se voiler la face, les médias n’ont pas pour but la diffusion d’informations, ils ne sont pas dirigés par des philantropes, leur raison d’exister est "faire du profit".

Les médias sont des entreprises, qui, pour faire du profit, utilisent le crédo de la diffusion de l’information.

Ainsi, les médias sont, pour la grande majorité, des entreprises privées, gérées par des actionnaires privés et par des élites ayant des intérêts à ce que le système capitaliste, avec les injustices qu’il crée et qui leur sont tant favorables, soit imprimé, toujours plus, dans la volonté collective. Les médias vont donc avantager et embellir le système économique actuel, dans lequel ils s’implantent, et faire de même pour les "états démocratiques" qui permettent le contrôle et la passivité de la population face à l’injuste, la destruction et l’inéquité.

Tout ne se joue pas dans une salle de rédaction, avec le rédacteur en chef censurant les articles qui pourraient nuire à des entreprises annonceuses du média (qui payent pour faire de la publicité) ou qui pourraient remettre en cause le fonctionnement et la nature même du média en question, le capitalisme, la recherche du profit.

Non, tout est plus furtif, complexe et sophistiqué.

Tout d’abord, on fait la part belle à l’économie dans l’information, on médiatise la bourse, on donne une belle place à tout ce qui pourrait laisser penser que l’économie est synonyme du bonheur, et que notre bonheur dépend de la croissance économique.

Vous trouverez en nombre des dossiers hebdomadaires sur l’économie, quid du social, des conditions de vie ?

Depuis quelques temps on observe qu’une place de plus en plus importante est accordée à l’environnement, parallèlement à la mise en place de bourses de droits à polluer et de taxe carbonne, et parallèlement à l’investissement des grandes firmes dans le développement durable. Quand l’environnement et ce qui le panse, les énergies renouvelables, sont partie intégrante du système capitaliste et participe à la croissance, il n’y a plus d’objections quant à sa médiatisation.

Ensuite, on néglige tous les éléments qui portent expréssément une atteinte directe au capitalisme ou qui pourraient entamer une réflexion profonde sur notre système politico-économique.

Ainsi, si une grève éclate aux Etats-Unis, on en parle le moins possible en France, du moins tant qu’on peut contenir les discussions et l’information alternative, pour pouvoir continuer à culpabiliser les français qui sont les rois de la grève, ce qui plombe bien sûr l’économie compétitive de notre pays.

Comment ça marche ?

Un journaliste de bonne foi se trouve proche d’un événement, mais c’est un événement qui pourrait nuire aux intérêts des actionnaires, aux intérêts des dirigeants de la chaîne d’information publique, nommés par le président par exemple et bénéficiant de modestes privilèges. Les acteurs médiatiques, du fait que l’information et sa diffusion pourrait fâcher les actionnaires, les annonceurs ou le président ou nuire à l’économie dans laquelle ils sont intégrés, ils vont tout simplement ne pas reprendre la dépêche. Peu de personnes seront au courant de la chose, sauf une minorité grâce aux médias alternatifs, et aucun débat ne verra le jour sur les questions auxquelles renvoit l’information. Le sujet est clos.

Des informations capitales sont perdues fréquemment, n’étant pas médiatisées par l’empire, car elles pourraient nuire aux détenteurs du pouvoir, économique ou politique.

Il existe une manière extrêmement simple de mesurer l’impact de la propagande médiatique sur nos vies et sur nos réflexions :

Google Actualité nous permet de connaître le nombre d’articles publiés sur Internet sur un sujet donné, en effet il regroupe tous les articles publiés par une multitude de journaux en ligne.

Ainsi, en regardant le nombre d’articles pour divers sujets donnés, on peut voir l’importance que les médias leur donnent, et nous pourrons constater que cela est totalement partial :

Des scientifiques américains affirment que nous sommes entrés dans la sixième crise mondiale d’extinction des espèces : article repris 49 fois par les médias

Protestations anti-austérité au Wisconsin : 20 articles (dont la majorité provenant de sites engagés), aux Etats-Unis, des dizaines de milliers d’articles ont été publiés, si ce n’est pas de la censure je ne suis pas en train d’écrire d’articles.

Anonymous accusent l’état français et France2 de propagande : 2 articles, dont un fait par moi

Sondage sur Marine Le Pen : 711 articles

Grève de plus de 150 jours par les postiers de Marseille (2ème) : 1 article hebdomadaire par LaProvence

Protestations contre le gaz de schiste : 26 articles

Disparition d’Agnès Leroux : 95 articles

Google élimine les applications malveillantes d’Android : 81 articles

Décret obligeant désormais les fournisseurs de services sur Internet à conserver pendant un an mots de passe, traces d’achats ou commentaires laissés sur le web par les internautes : 50 articles

Jumelles disparues : 349 articles

Les disparitions et les élections présidentielles dominent l’information. On en parle partout dans les médias, à côté de ça, des information d’une autre importance restent sans médiatisation, crise écologique, grèves, affaires de propagandes. Du coup, on n’en parle pas à table, et réfléchir des alternatives ne nous effleure même pas l’esprit, comme tout va bien et que personne ne lutte. Quand on bouffe de la présidentielles tous les jours, on se dit que c’est important, et on assimile que voter c’est être citoyen.

Les médias sont ceux qui nous informent, et jouent directement sur nos opinions et sur nos réflexions, en plus de choisir pour nous les informations "importantes", il n’est pas rare qu’elles soient modifiées pour entrainer la réaction voulue. Trouvez vous la disparition des jumelles plus importante que le fait que nous soyons entrés dans la sixième crise d’extinction des espèces ?

Si on lit les informations souvent, par les Mass Médias, on intériorise vite que la présidentielle est notre raison de vivre, et qu’il ne vaudrait mieux pas sortir de chez soi compte tenu des enlèvements de plus en plus fréquents. A partir d’aujourd’hui, je ferai souvent une étude de la propagande médiatique, à travers Google News.

Comment les médias contrôlent nos pensées – AgoraVox le média citoyen

16/09/2010

O porta-voz do Instituto Millenium

Filed under: Isto é PSDB!,PIG — Gilmar Crestani @ 7:57 pm
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Este é o homem que o Instituto Millenium, através de seus signatários (Marinho, Frias, Civita, Mesquita & Sirotisky), querem nos impor para defender a liberdade de imprensa.

Você convidaria este brucutu para sua casa?

DA CARTA MAIOR

NADA COMO UM SERRA APÓS O OUTRO

Serra, dia 20 de agosto de 2010 (Estadão)

“…O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, acusou ontem o governo federal e o PT de tentarem, nos últimos anos, intimidar, manipular e censurar a imprensa… ele denunciou um suposto patrulhamento contra profissionais e classificou como “barbárie” o projeto de criação de um Conselho Federal de Jornalismo…’

Serra, dia 15 de setembro (Terra)

“…Apaga aqui”. “O que o senhor quer que apague?”, perguntou Márcia Peltier. “Apague a TV pra gente conversar”. “porque isso aqui está parecendo montado”. “Montado para quem? Aqui não tem isso”, defendeu a jornalista. Serra levantou-se e ameaçou sair do estúdio…. “eu não vou dar essa entrevista, você me desculpa”. Márcia insistiu dizendo que eles falariam de programa de governo, mas ele se manteve firme. “Faz de conta que eu não vim”. “Mas porquê, candidato?”, disse, ainda sentada. “Porque não tem nada a ver com pergunta, não é um troço sério. (…)Em gravação do programa Jogo do Poder, Serra se irritou com perguntas sobre a quebra de sigilos de tucanos e pesquisas e ameaçou deixar a entrevista. Após a apresentadora Márcia Peltier citar que a quebra de sigilo teria acontecido em 2009, antes do anúncio das candidaturas à presidência, Serra subiu o tom: – Que antes da candidatura, Márcia? Nós estamos gastando tempo aqui precioso, estamos repetindo os argumentos do PT, que você sabe que são fajutos…”

O RS URGENTE publicou uma Antologia da Irritação, da lavra do defensor da liberdade de expressão. Confira: Serra se irrita de novo

11/05/2010

De blog em blog

Filed under: RBS — Gilmar Crestani @ 2:23 am
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Parodiando a música do João de Almeida Neto, andam falando por aí, de Blog em Blog, o que pouca gente sabe… porque o Grupo RBS faz questão de esconder.
A relação carnal, da origem e crescimento, do Grupo RBS com a ditadura. É sempre assim, como no futebol, o jogador que levanta o braço para o juiz é sempre aquele que comete a falta ou, no gol do adversário, dá condições tirando-o do impedimento. Assim faz o Grupo RBS e seus funcionários. A principal infratora da liberdade de imprensa sempre que pega com a boca na butija parte para o ataque, defendendo o liberdade de imprensa que não pratica. Por isso, republico aqui o que saiu no Diário Gauche, do Cristóvão Feil, com o acréscimo do email do Keyser:

O jornal oficial da ditadura!

O jornal oficial da ditadura!

Penso que o jornal eletrônico Sul 21 – a ser lançado segunda-feira próxima, dia 10 – pode muito bem desempenhar o papel que o diário Última Hora cumpriu durante o governo Brizola no Rio Grande do Sul. Claro, guardadas as peculiaridades históricas que nos separam do final da década de 50 e início da década de 60. A própria administração pública estadual era distinta, o governo Brizola foi pródigo em reformas e também logrou reunir uma oposição reacionária que se fez muito forte, tanto que esta conseguiu eleger o governador Ildo Meneghetti, um dos mais repressivos da história sulina, e não por acaso, um dos mais medíocres.
Hoje, nem sabemos se a esquerda volta ao Piratini, tamanho é o embotamento cívico, cultural e econômico que pesa como chumbo sobre o estado e seu povo. Estamos no ponto mais rebaixado da nossa história como ente federado, até mesmo o tucano José Serra, ontem, não conseguiu disfarçar que pensa o mesmo sobre o RS.
O jornal Última Hora foi fundado pelo grande jornalista Samuel Wainer (foto), no início editado só no Rio, depois foi para São Paulo e mais adiante, Porto Alegre. Era um jornal vibrante, moderno e de grandes tiragens diárias. A redação era formada por jornalistas talentosos, muitos identificados com o trabalhismo radicalizado do governador Leonel Brizola, outros tantos com o Partido Comunista Brasileiro, o velho Partidão, entre os quais João Aveline.
Última Hora “morreu” – pode-se dizer assim – nos dias seguintes ao golpe de 1º de abril de 1964. Até o dia 5 de abril o jornal circulou com a mesma linha editorial combativa, de esquerda, mobilizador e informativo. Daí em diante, passou para uma linha de “neutralidade simpática” em relação ao golpe civil-militar, que veio para embrutecer o País por mais de duas décadas. UH havia circulado sem interrupção, praticamente, por quatro anos e dois meses em Porto Alegre, perfazendo exatas 1270 edições, conforme conta o jornalista, já falecido, Jefferson Barros, em seu livro “Golpe mata jornal” (1999), da Já Editora.
Amanhã, eu vou contar aqui como a Última Hora se transformou (se degradou) em Zero Hora, agora um jornal a serviço do regime ditatorial, e como um sócio minoritário de ZH, Maurício Sirotsky Sobrinho, junto com Ary de Carvalho, Ricardo Eichler, Otto Hoffmeister e o professor Dante de Laytano, conseguiu se constituir no dono singular do carro-chefe da RBS.
Quando do golpe de abril de 1964, o diretor de Última Hora, Ary de Carvalho, queria manter o jornal com a mesma equipe, estrutura e linha editorial. Samuel Wainer, que já estava refugiado numa embaixada e de lá ainda mandava no seu patrimônio, tomou a firme decisão de fechar o jornal. Uma nova empresa foi criada, com quatro sócios e igual número de cotas: Ary de Carvalho, Ricardo Eichler, Otto Hoffmeister e o professor Dante “Em Bagé as casas eram altas, porém brancas” de Laytano.

Logo adiante, Ary de Carvalho tornou-se único dono do jornal, uma vez que foi beneficiado com um empréstimo do Bradesco, de propriedade de seu amigo Amador Aguiar.

Ary relatou o caso ao repórter Jefferson Barros, assim: “O jornal cresceu. Comprei aquele terreno na avenida Ipiranga; estava construindo o prédio e me endividei junto ao BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul). Eu saia muito com o Maurício (Maurício Sirotsky Sobrinho), éramos muito boêmios. Numa madrugada, eu perguntei para ele: por que você não entra de sócio de Zero Hora? Ele respondeu: ‘Pô, a essa hora da manhã!’. Passaram-se alguns dias, eu lembrei o assunto e nós começamos. Eu disse: entra aí com 50%; esse talvez tenha sido o meu erro… Aí vendi 50% do jornal para o Maurício. Já estava com o prédio pela metade. Fui a Chicago e compramos a máquina de off set, mas estava sem fôlego financeiro, embora o jornal crescesse. Um dia o Maurício me propôs comprar mais 10%. Não aceitei. Disse que se vendesse só mais uma ação ele já seria o dono do jornal. Ele tentou, uma, duas, três vezes. Como não conseguiu me disse: ‘Não vou avalizar mais nada’. Se você não avalizar, respondi, você sabe o que vai acontecer: vamos subir a Ladeira (rua General Câmara, onde estão os cartórios de protesto de títulos). Aguentei seis meses, reformando títulos. Até que chegou um dia que eu atrasei um título na Crefisul. A Crefisul era o agente financeiro que tinha financiado a máquima. Com a valorização cambial a máquina já custava três vezes mais do que quando foi financiada. Quando fiz o empréstimo, o Aron Birmann (presidente da Crefisul) sugeriu que além da máquina, como garantia eu desse as ações da empresa. Aceitei, caucionei minhas ações. Quando houve o atraso da prestação fui intimado a pagar em 72 horas. Era uma combinação do Birmann com o Maurício, que era o avalista. Só me restou o acordo, e as ações foram parar nas mãos do Maurício, pelo preço nominal das cotas”.
“Ary não esquece a data: dia 21 de abril de 1970” – anota Jefferson Barros no seu livro “Golpe mata jornal”.
Perguntado se não procurou outra solução, Ary de Carvalho disse que procurou o “doutor” Breno Caldas, dono do Correio do Povo, principal diário do RS, então. “Tentei vender a Zero Hora para a Caldas Júnior. Mas o ‘doutor’ Breno tinha aquela coisa monárquica, a pretensão de ser o Estadão gaúcho. Não pensou 24 horas e recusou a oferta”, disse Ary.
O resto da história vocês sabem: a família Sirotsky fez de Zero Hora um jornal a serviço da ditadura civil-militar. Como recompensa, foi beneficiada com concessões públicas de rádios e TVs em todo o Rio Grande do Sul. Modernizaram suas empresas no âmbito tecnológico e nos métodos de gestão, mas a linha editorial permaneceu a mesma desde que foi criada há 40 anos, protagonista de um jornalismo diversionista, conservador, de má qualidade, fomentador das piores práticas sociais e sustentador ideológico dos governos mais medíocres.

Email do Keyser:
Kayser disse…
Sobre o assunto, encaminho um e-mail que recebi há algum tempo:
“HISTÓRIA DA COMPRA DA TV GAÚCHA (RBS) SEGUNDO BRENO CALDAS, DIRETOR DO CORREIO DO POVO
Para comemorar os 50 anos da RBS nada melhor do que ouvirmos a voz de Breno Caldas, o falecido proprietário do Correio do Povo e rádio Guaíba na entrevista que concedeu a José A. Pinheiro Machado, publicada no livro “Breno Caldas- Meio Século de Correio do Povo”.editora L&PM, 1987. Breno falava da famosa encampação da rádio Guaíba pelo Brizola em 1961 para transmissào da Campanha da Legalidade.
Breno Caldas- Não, no início era só a Guaíba. Só a Guaíba foi requisitada, ou então “encampada”, como disse o Brizola. As outras estações ficaram no ora veja. Aquele fato político da Legalidade teve uma repercussão enorme, as pessoas acompanhavam cada passo, cada lance, a audiência era expressiva. Aí a Rádio Gaúcha resolveu aderir ao negócio, pediu para entrar …e entrou. Depois de tudo, aconteceu um fato curioso. Um dia apareceu lá na Guaíba um diretor do Banco do Rio Grande e queria me dar dinheiro: disse que estava lá por ordem do governador para fornecer recursos, os recursos que eu precisasse, a título de indenização pela ocupação da rádio. Eu disse que não precisava, que não queria ….ele ficou surpreso: “Mas o que é que eu vou dizer ao governador?” “Diga que eu não quero dinheiro. No fim da ocupação, eu vou mandar uma conta, uma conta detalhada, correspondente exatamente às horas que ele ocupou a rádio.” E, realmente, quando terminou o negócio,nós fizemos lá as contas de quantas horas a rádio ficou no ar a serviço da Legalidade e deu uma coisa ridícula…25 contos de réis … Mandei a conta e eles pagaram. O nosso Maurício Sobrinho também resolveu mandar a conta da Gaúcha, embora a Gaúcha não tivesse sido requisitada ou encampada, mas sim tivesse aderido à Legalidade. Naquela época, o Maurício tinha comprado a TV Gaúcha do Balvé.. e lhe estava devendo 250 contos pelo período da Legalidade.. Então, na prática, o governo do Estado pagou a aquisição da TV Gaúcha…
A direçào da RBS nunca desmentiu nem explicou as palavras de Breno Caldas. “

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