Ficha Corrida

18/09/2015

A fábula da RBS: Rede Baita Sonegadora

rbsz zelotes

Rede Baita Sol e Operação Zelotes em Palomas

Postado por Juremir em 17 de setembro de 2015

Nada de novelas nem de séries de tevê. Até o futebol anda em baixa em Palomas. Por lá, só se fala em Lava-Jato e Zelotes. São duas operações que atingem o coração do poder local. A Lava-Jato pode levar ao impeachment da presidente da República Popular de Palomas. A Zelotes traz à tona os podres da Rede Baita Sol, proprietária da Rádio Gaudéria, do Diário Gaudério, da TV Gaudéria e do jornal Meia-Noite. Trata-se de um esquema rastaquera de pagamento de polpudas propinas para evitar o repasse de quantias astronômicas ao fisco. Afinal, como sempre dizem os comentaristas da Rede Baita Sol, os impostos dão pouco retorno. As propinas, obviamente, dão muito mais.

João da Vaca e Zé da Égua tiveram um desentendimento durante um jogo de truco. João é tucano. Zé é petista. São os partidos dominantes em Palomas. O PT (Partido Tucano) é acusado de ser o mais corrupto da história palomense. O PP (Partido Petista) é o acusador. Não se deve confundir o PT palomense com o seu homônimo brasileiro. O mesmo vale para o PP. Na verdade, os partidos palomenses têm por siglas PTP (Partido Tucano Palomense) e PPP (Partido Petista Palomense). Uma terceira força está surgindo, o PQP, de tendência anarquista, cujo nome por extenso não pode ser revelado numa coluna familiar. O slogan do PQP é: “Quem tem político tem medo”. A discussão entre João da Vaca e Zé da Égua teve uns lances como estes:

– Vocês são golpistas – gritou João.

– Vocês é que são – retrucou Zé.

– Não me confunda com vocês – rebateu João.

– Claro que não. Nós somos de outra farinha – retrucou Zé.

– Tudo farinha do mesmo saco – intrometeu-se Juca do PQP.

A partir daí, fechou o pau. Até parecia em Brasília.

– Queremos o fim da corrupção!

– Papo furado! Vocês querem é o fim das políticas sociais.

– E se fosse? Chega de bancar vagabundo com nosso dinheiro.

– Aí, ó! Resolveu abrir o jogo.

– Comigo não tem lero-lero. Ganha-se dinheiro suando.

Não deu para saber quem dizia o quê. Nunca na história de Palomas tantos insultos e acusações foram feitos ao mesmo tempo e com a mesma virulência. Era truco, retruco e toma na cara que tem mais.

– Fala do mensalão, petralha!

– Fala do mensalão tucano, coxinha!

– É o petrolão!

– É o trensalão!

– É o BNDES!

– É o propinoduto paulistano.

– É a mãe.

– A mãe, não, tchê. Aí é questão de honra.

Foi aí que o líder do PQP deu o sinal

– A Rede Baita Sol está na área.

– Zelotes, Zelotes, Zelotes! – só se ouvia o coro.

Juremir Machado da Silva – Blogs – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

05/07/2014

A evolução da espécie

Filed under: Copa 2014,Hienas,Vira-latas — Gilmar Crestani @ 7:35 pm
Tags:

Do complexo de vira-lata à síndrome de hiena raivosa e à motivação pelo coice

Postado por Juremir em 5 de julho de 2014

A presidente Dilma Rousseff está enganada: não foi o complexo de vira-lata que levou parte do Brasil a dizer que a Copa do Mundo seria um fracasso dentro e fora do campo. Foi a síndrome de hiena raivosa, a hiena política, a hiena lacerdinha, a hiena desejosa de ver o circo pegar fogo para faturar eleitoralmente. A hiena preconceituosa não queria admitir que o Brasil dos seus adversários políticos pudesse fazer um evento desse porte com êxito. A hiena desvairada ria nos cantos pensando nos aeroportos parados, nas manifestações terminando em grandes conflitos, nos estrangeiros sendo saqueados, no caos.

Nada disso aconteceu.

Os grandes dramas acontecem em campo. O uruguaio Suárez foi banido da Copa por ter dado uma folclórica mordida. Fred não recebeu nem cartão amarelo por ter trapaceado simulando um pênalti inexistente que ajudou o Brasil a ganhar da Croácia. Neymar está banido da Copa por um joelhaço bandido de um adversário que nem advertido foi. Teria sido muito melhor se o colombiano tivesse dado uma boa dentada no ombro do Neymar. A dentada não tira de campo.

E agora? A Fifa vai punir o colombiano com base nas imagens do lance?

As hienas varridas garantiam que o Brasil não passaria da Colômbia.

Esta não é a Copa das vitórias fáceis e belas, mas a Copa das vitórias difíceis, épicas, com sufoco. Mesmo os chamados pequenos viraram grandes e não se entregam facilmente. Nenhuma das grandes seleções passou das oitavas para as quartas sem sofrer. O Brasil chorou, mordeu, pegou, lutou e ganhou. No caminho, todo tipo de obstáculo. Na trajetória de um mito é preciso que se multipliquem as dificuldades. O próximo passo será duríssimo: enfrentar a Alemanha sem Neymar.

As forças costumam se redobrar nessas situações. O Brasil está na parada. Já fez melhor que em 2006 e 2010. Dos 32 países que vieram à Copa, 28 estarão fora neste sábado. O Brasil está entre os quatro que continuam na luta. Os métodos do sargento Felipão são duvidosos, sem qualquer inovação tática, mas funcionam por linhas tortas. Em três Copas, ele foi três  vezes à semifinal. É grosso, mas sempre vai longe. Não é a terapia do joelhaço que usa, mas a motivação pelo coice.

Quanto mais coices recebe, mais coices dá e mais avança na competição.

Felipão vai enterrar todos os psicólogos do esporte. Acerta pelo erro.

Juremir Machado da Silva – Blogs – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

30/10/2011

Gremiudinho

Filed under: Grêmio,Ronaldinho — Gilmar Crestani @ 7:42 am
Tags:

dinho

R10 e o Grêmio: assim se passaram dez anos

Postado por Juremir em 29 de outubro de 2011Esporte

A história de Ronaldinho Gaúcho com a torcida do Grêmio é de amor.

Como toda história de amor mal resolvida, é uma história de ódio.

Poderia ser vivida ao som de Kleiton e Kledir:

“Vou ficar na sua vida como uma paixão mal resolvida…”

Ou na voz de Gal Costa:

Assim se passaram dez anos. Sem eu ver teu rosto. Sem olhar teus olhos. Sem beijar teus lábios assim. Foi tão grande a pena. Que sentiu a minha alma…”

O pior é que assim se passaram dez anos vendo o rosto do amado, ouvindo sua voz, olhando seus olhos…

Aí dói mais.

Não, não é flauta de colorado.

Se R10 tivesse ido embora do Inter, como foi do Grêmio, o sofrimento seria o mesmo.

R10 e Grêmio ainda vão se encontrar para discutir a relação.

Quase voltaram em 2010.

O fracasso aumentou a mágoa.

E aí poderia se ouvir Lupicinio:

“Você sabe o que é ter um amor meu senhor…”

R10 e Grêmio vão se encontrar neste domingo.

Mas R10 virá nos braços de outra torcida.

Cada gesto seu poderá lembrar o que foi e o que nunca mais será.

Ou será?

Talvez se devesse ouvir o rei, não o Pelé, mas Roberto Carlos:

“Um grande amor não vai morrer assim…”.

É uma questão de Datalhes.

Afinal, ele foi o maior dos casos da torcida do Grêmio.

O que ela nunca esqueceu.

Nem esquecerá.

O amor rejeitado toma a forma do ódio.

Um ódio fake.

Mais para tango do que pagode.

Quem vai bailar neste domingo?

Deixa o Roberto falar:

“Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez…

Me esqueci!
De tentar te esquecer
Resolvi!
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder…

Ah!
Você foi!
Toda a felicidade
Você foi a maldade
Que só me fez bem
Você foi!
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos
Que eu pude fazer…”

Juremir Machado da Silva – Juremir – Correio do Povo

18/10/2011

Como e por quê?

Filed under: CBF,FIFA,Rede Globo de Corrupção — Gilmar Crestani @ 10:13 am
Tags:

 

Uma maneira de pensar: o olhar de Luis Nassif

Postado por Juremir em 17 de outubro de 2011Política

O movimento requenta-denúncia contra o Ministério dos Esportes

publicada segunda-feira, 17/10/2011 às 13:50 e atualizada segunda-feira, 17/10/2011 às 14:18

Por Luis Nassif, no Advivo

Vamos tentar encaixar algumas peças nesse quebra-cabeças do Ministério dos Esportes.

Como tenho escrito seguidamente, a velha mídia tem sua prateleira de escândalos reais ou potenciais, com indícios ou sem provas, velhos ou novos, que são utilizados de acordo com as conveniências do momento.

Duas questões chamam a atenção: independentemente do mérito ou da veracidade, as duas denúncias contra o Ministério dos Esportes são velhas. A da Veja já tinha sido levantada na própria campanha eleitoral de Brasília – conforme vocês conferiram no Blog. A do Fantástico já tinha sido denunciada pelo Estadão no início do ano.

A ONG do PM de Brasília desviou R$ 4 milhões do Ministério e seus proprietários foram presos e respondem a processos. Na época contou para o Correio Braziliense a mesma história que contou para a Veja. O Correio queria atingir a campanha de Agnelo; Veja queria atingir Orlando Silva. Pelo próprio blog do acusado, fica-se com a sensação de que a revista pegou o mesmo depoimento e trocou o nome de Agnelo pelo de Orlando.

A tal ONG da pivô de basquete Karina tinha convênio antigo. Como as prefeituras podiam fechar convênio diretamente com o Ministério, é evidente que sua ONG se beneficiou dos contatos no Ministério para oferecer os serviços às prefeituras. Conseguiu atuar em 17 cidades.

É uma das ONGs investigadas no programa Segundo Tempo.

O Programa, de estímulo ao esporte nos municípios, tem 350 convênios, pelo menos 10 problemáticos. Nenhum convênio com prefeitura deu problema; todos os problemáticos são com ONGs.

Quando assumiu, Dilma Rousseff ordenou que fossem suspensos todos os convênios com ONGs. O que foi feito.

Qual o objetivo de requentar as denúncias?

Uma hipótese seria o endurecimento do governo com a Fifa, nas negociações da Lei Geral da Copa – normatizada há duas semanas.

Três pontos ficaram pendentes e foram questionados pela Fifa:

1. Meia entrada para idosos, que é Lei Federal.

2. Meia entrada para estudantes, que depende da legislação de cada estado.

3. Venda de bebidas nos estádios.

Mas houve um quarto ponto, que foi o direito de imagem a todas as emissoras de televisão, de filmar de dentro do estádio. Na Copa da África do Sul, a filmagem poderia custar sete anos de prisão para os envolvidos.

Este ponto pode ter sido o deflagrador do movimento requenta-denúncia.

Leia outros textos de Outras Palavras

Juremir Machado da Silva – Juremir – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

10/10/2011

Inter jogou futebol de time grande

Filed under: Futebol,Inter — Gilmar Crestani @ 9:13 am
Tags: ,

Postado por Juremir em 10 de outubro de 2011Esporte

O futebol é uma caixinha de enigmas.
Um mesmo time pode jogar muito ou nada.
Em casa, uma máquina.
Fora de casa, uma quinquilharia.
Contra o Atlético-PR o Inter machucou a bola.
Contra o Vasco, ontem, jogou de cabeça erguida.
Muito ficou sugerido (provado é muito para o futebol).
Bolivar deve ser titular do banco.
O velho Indio está melhor do que o general da reserva.
João Paulo pode ser papa no ataque colorado.
D’Alessandro é o dono da bola. Joga muito e incomoda mais ainda.
Só o Jô nos pede uma paciência de Jó.
O Grêmio perdeu. O Inter ganhou.
O problema é o efeito Borguetinho.
O efeito sanfona.
No meio da semana, o Inter joga fora contra o São Paulo.
O Grêmio, em casa.
A distância de quatro pontos pode se reduzir a um.
Os elogios podem trocar de lado.
Salvo se o Inter resolver enfrentar o velho freguês tricolor paulista como time grande.
Jogador de futebol é um estranho artista que, fora do seu teatro caseiro, sente a pressão do público.
Nenhum ator chamaria isso de comportamento profissional.
É coisa de amador mesmo.
Ou de falta de ousadia.

Juremir Machado da Silva – Juremir – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

19/07/2011

Juremir para treinador…

Filed under: Futebol,Inter — Gilmar Crestani @ 7:35 pm
Tags: ,

… mas com seu salário atual.

Matar a cobra (ou o Falcão) e mostrar o porrete

Postado por Juremir em 19 de julho de 2011Esporte

Quando Falcão assumiu o Inter, publiquei o texto que reproduzo abaixo.

A estranha lógica do futebol

A lógica do mundo do futebol é muito particular.
Um treinador que se sai muito mal de um clube, de onde foi demitido por ter sido, na opinião de torcedores e comentaristas, incompetente, pode ser contratado por outro clube como a salvação da lavoura.
Nenhuma empresa séria usaria esse método de avaliação profissional. Um executivo que leva uma empresa à falência ou a ficar muito longe de alcançar as suas metas dificilmente seria contratado para tirar outra empresa do buraco. Ou seria? O paradoxo do futebol é este: a culpa é sempre do treinador, tanto que, se os resultados não chegam, ele é demitido, mas, ao mesmo tempo, ele nunca é culpado de coisa alguma, pois, com freqüência, é imediatamente contratado por outro clube, o qual aposta que, noutro contexto e com outros jogadores, tudo poderá dar certo. O culpado é prontamente absolvido. Que coisa!

Veja-se o rendimento dos principais treinadores brasileiros: quantos anos faz que Luxemburgo não ganha um título? Mesmo assim, continua recebendo uns R$ 500 mil por mês. E o Felipão? Dizem que ganha mais de R$ 1 milhão por mês. Não fatura um título desde 2002.
O futebol é talvez o único campo profissional em que nove anos de fracassos permitem novos contratos milionários e a renovação permanente da confiança em perdedores do presente que vivem de glórias do passado.
Celso Roth teve 56% de aproveitamento no Inter. Até uma porta, com o elenco do Inter, teria aproveitamento equivalente. Ganhou uma Libertadores da América em apenas quatro partidas. Qualquer outro treinador, ganhando R$ 20 mil, obteria o mesmo rendimento ou algo muito próximo.

Falcão, quanto treinou o Inter, se não me engano, ficou nos 50% de aproveitamento. O porteiro do clube alcançaria o mesmo desempenho. O que explica tão altos salários para tão baixos desempenhos? O futebol é irracional e o dinheiro é do clube, uma associação. O Inter contratou Falcão para resolver seus problemas.
Falcão não trabalha como treinador há, sei lá, 15 anos.
Como pode um profissional que não exerce sua atividade há 15 anos ser chamado para resolver uma situação de crise? Alguém chamaria um cirurgião parado há 15 anos para uma operação de alto risco? O pensamento mágico comanda o futebol. O Grêmio tem Renato, seu principal ídolo, como técnico. O Inter precisa ter Falcão. O futebol, a exemplo da vida, na frase do grande argentino Borges, gosta de leves simetrias. Não, no caso, de simetrias escancaradas.

O único técnico que pode apresentar um currículo recente com uma relação sólida entre salário e resultados é Muricy Ramalho. Ganhou quatro campeonatos brasileiros em cinco anos. Poderiam ser cinco em seis anos se o Inter não tivesse sido roubado em favor do Corinthians em 2005. Técnico existe para ser o sargento que policia a galera, jovem e rica, sedenta de sexo e emoções caras, e os motiva para vencer. Jogadores de futebol de clubes como o Inter ganham uma fortuna para empatar ou perder. A vitória custa prêmio extra. O treinador leva uma banana para escolher entre dois esquemas: 4-4-2 ou 3-5-2. É barbada. Falcão vai botar time faceiro. Pode se consagrar ou dar vexame. Ou alcançar 56% de aproveitamento. Uau!

*

De lá para cá, Muricy ganhou uma Libertadores da América.

*

O aproveitamento de Falcão no Inter foi de 50,87%.

*

Equivalente ao meu.

*

Renato foi embora do Gêmio

*

Por uma questão de simetria, Falcão não durou.

*

Quem sabe, sabe…

*

O resto é resultado.

Juremir Machado da Silva – Juremir – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

08/07/2011

Imaginário de leitores de antolhos

Filed under: Cultura — Gilmar Crestani @ 9:05 pm
Tags:

Postado por Juremir em 7 de julho de 2011Humor

O cliente sempre tem razão.

O leitor é cliente.

Jamais se deve reclamar dele.

Mas vale brincar um pouquinho com as obsessões classificatórias de alguns.

Tem leitor que enfia cada coisa numa caixinha.

Por exemplo, a caixinha da Rede Baita Sol.

Sexo e futebol: David Coimbra.

Filosofia e esporte: Ruy Carlos Ostermann.

Humor e cotidiano: LFV.

Hemorróidas e política: Paulo Santana.

Sou muito diferente de Santana.

Nunca falo de hemorróidas.

Só de fissura anal.

E de mosca volante.

Sou original.

Imitado até por Woody Allen.

Tem o leitor que enfia tudo na caixinha da Veja.

Deve ser leitor com cárie.

Consultório de dentista sempre tem Veja.

Deve ser para anestesiar o paciente com terror antecipado.

É o leitor vertical: quem está embaixo imita quem está em cima.

São Paulo e Rio, na cabeça desses leitores, ficam na parte de cima.

Frase curta e irônica: Diogo Mainardi.

Trocadilhos: José Simão.

Texto limpo: Carlos Heitor Cony (poucos conhecem).

Todo dia o leitor classificador dispara a mesma sentença em relação a mim:

– Surge um novo X ou Y.

– Está imitando o fulano.

Sou acusado de imitar deus e todo mundo.

A cada dia, sou considerado novato em alguma área.

Por exemplo, o futebol, onde comecei como repórter no Grêmio em 1986.

Eu sou o maior imitador.

Imito todo mundo.

Imito, principalmente, três caras do cacete: Swift, Voltaire e Schopenhauer.

Mas nenhum leitor me joga isso no cara.

Eles só conhecem, parafraseando Elio Gaspari, o andar de baixo.

Com todo carinho, claro. Admiro David, Cony e Diogo.

Esse pessoal todo, claro, imita Nelson Rodrigues, Paulo Francis ou Rubem Braga.

Todo mundo imita mesmo é Lavoisier: tudo se copia, tudo se transforma.

Estilo não tem dono. E todos esses estilos são, até certo ponto, óbvios.

É o tema que impõe o estilo.

Eu tenho um conselho gratuito para o leitor classificatório: um pé de tuna.

Imaginário de leitores de antolhos Juremir Machado da Silva – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

11/06/2011

Juremir para Ministro do STF

Filed under: A$$oCIAdos — Gilmar Crestani @ 9:37 am
Tags: , , ,

 

Jurista Dalmo Dallari louva a decisão do STF no caso Battisti

Dalmo Dallari é um dos juristas mais conceituados do país.
Ele nunca duvidou de que o ministro Tarso Genro acertara concedendo refúgio político a Cesar Battisti.
Em artigo para o Jornal do Brasil online, Dallari saudou a decisão do STF libertando o italiano.
Battisti cometeu crimes políticos.
Foi julgado à revelia.
Nunca ficou cabalmente provada sua culpa em todos os crimes de que é acusado.
Teria de estar em dois lugares ao mesmo tempo, com muitos quilômetros de distância, para ser o autor de todos esses atos.
A batalha pela extradição de Battisti foi uma guerra ideológica.
Quem vê em Battisti um terrorista, costuma ver a presidente Dilma na mesma situação.
Dilma lutou contra uma ditadura e contra o capitalismo.
Battisti, numa época em que isso fazia sentido, lutou contra o capitalismo.
A Itália adotou leis de exceção e fez julgamentos truncados.
Boa parte da imprensa não tem feito o dever de casa.
Ouve apenas os indignados e ideológicos defensores da extradição. Faz parecer que nenhum jurista reputado sustenta o oposto. Dá a entender que os seis ministros do STF que votaram pela libertação de Battisti são petistas ou esquerdistas bitolados.
Com a palavra, Dalmo Dallari:
"O Supremo Tribunal Federal acaba de tomar duas decisões de grande relevância pelos seus efeitos, mas especialmente importantes porque implicaram a correção de graves desvios de seu relevante papel constitucional e de sua responsabilidade como expressão mais alta do Judiciário brasileiro, padrão de respeito à Constituição e às normas jurídicas vigentes no Brasil. Em sessão de 8 de junho, apreciando, uma vez mais, o caso envolvendo o pedido de extradição do militante político italiano Cesare Battisti, pela maioria absoluta de seus membros, seis votos contra três, o Supremo Tribunal decidiu arquivar um processo de Reclamação que jamais deveria ter sido admitido, por falta absoluta de fundamento legal. A Reclamação é prevista no artigo 156 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, para as hipóteses de questionamento da competência do Supremo Tribunal ou da autoridade de uma decisão sua. Nada disso estava ocorrendo, e a Reclamação foi um artifício utilizado pelos advogados do governo italiano para criar a ilusão de que continuava aberto o caso Battisti e que por isso ele deveria continuar preso. A chicana foi repelida pela maioria dos ministros, e a Reclamação foi arquivada.
Em seguida, na mesma sessão, o Tribunal passou a julgar um pedido de soltura de Battisti, preso em Brasília desde 2007, por determinação do ministro Gilmar Mendes, relator do pedido de extradição formulado pelo governo da Itália. Essa prisão tinha caráter preventivo, visando impedir que Battisti desaparecesse ou fugisse, impedindo a execução da decisão de extraditá-lo, se tal decisão ocorresse. O Supremo Tribunal já havia decidido anteriormente, considerando atendidos os requisitos formais para a extradição mas reconhecendo, expressamente, que, nos termos do que dispõe a Constituição, a decisão final é de competência exclusiva do presidente da República. E Cesare Battisti foi mantido preso, à espera da decisão presidencial.
No dia 31 de dezembro de 2010, o presidente Lula tomou a decisão que lhe competia, negando atendimento ao pedido de extradição, fundamentado em dispositivos constantes da Constituição brasileira e do Tratado de Extradição assinado pelo Brasil e pela Itália. Em ocasião anterior, quando o governo brasileiro concedeu a Battisti o estatuto de refugiado, o que posteriormente foi revogado, membros do governo italiano investiram furiosamente contra o Brasil, tendo um dos ministros declarado à imprensa que o Brasil não é conhecido no mundo por seus juristas, mas “por ser uma república bananeira e por suas dançarinas”. A par disso, como foi noticiado pelo jornal italiano La Reppublica, houve manifestações de rua extremamente radicais, com cartazes afirmando, entre outras coisas, que Battisti deveria ser eliminado por ser um terrorista. Evidentemente, se Battisti fosse entregue agora ao governo italiano, correria o risco de sofrer toda espécie de violências. Sem qualquer sombra de dúvida sofreria discriminações e humilhações, e não haveria o mínimo respeito por seus direitos fundamentais e por sua dignidade humana. Foi isso, basicamente, que serviu de base para a negativa da extradição.
E na sessão de 8 de junho do Supremo Tribunal Federal vários ministros ressaltaram a absoluta falta de fundamento legal para a prisão de Battisti a partir de 1º de janeiro de 2011, quando se tornou pública a decisão presidencial negando a extradição. E seis dos membros do Supremo Tribunal, o que constitui maioria absoluta, votaram pela imediata libertação de Battisti. Mais do que isso, diversos ministros ressaltaram expressamente o acerto daquela decisão, lembrando que por disposição expressa do artigo 1º da Constituição brasileira a dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos da República e, pelo que determina o artigo 4º, inciso II, em suas relações internacionais, o Brasil rege-se pelo princípio da prevalência dos direitos humanos. Assim decidindo, a maioria dos membros do Supremo Tribunal deu importante contribuição para recuperar sua imagem de guarda da Constituição, comprometida pelos que, por motivos e interesses que nada têm de jurídicos, comportaram-se como advogados do arbítrio e da ilegalidade
".

Correio do Povo – O portal de notícias dos gaúchos | Opinião | Juremir Machado da Silva

10/06/2011

Berlusconi, o chulé da bota

Filed under: Cosa Nostra — Gilmar Crestani @ 10:23 pm
Tags: , ,

 

Itália faz jogo de cena

O sultão Berlusconi está furioso.
Já não pode pegar menores de idade para seus bacanais.
A economia vai mal.
A política vai mal.
O Brasil, que para ele não passa de uma republiqueta de dançarinas e garotas de programa, dos seus programas, aplicou-lhe um tapa na cara ao não extraditar Battisti.
O sultão está louco.
Chamou o embaixador da Itália no Brasil de volta para casa.
Vai recorrer na Corte de Haia.
Promete tirar a Itália da Copa de 2014.
Tomara que faça isso.
Vai ficar mais fácil para o Brasil ganhar o hexa.
A justiça italiana não é confiável mesmo.
Era menos ainda na época da repressão aos esquerdistas, quando, mesmo permanecendo "democrática", aplicou leis de exceção e fez julgamentos arbitrários e fora dos padrões ocidentais de legalidade absoluta.
De qualquer maneira, tem piada correndo.
Dizem que agora o PAC decola de vez.
Battisti, membro dos Proletários Armados pelo Comunismo, está solto.
É bala!
Postado por Juremir Machado da Silva – 10/06/2011 10:41 – Atualizado em 10/06/2011 10:42

Quero ser ministro do STF

Como diria o pedante, eu não avisei? Avisei e defendi que Cesare Battisti deveria ser libertado. Li o processo disponível. Conversei Saudei o parecer contra a extradição dado pelo então ministro da Justiça Tarso Genro. Critiquei o STF por ter retomado o processo depois de ter dito que a última palavra cabia ao presidente da República. Recebi muitos insultos naquele tom de sempre, tipo "está te metendo de pato a ganso". Gosto quando o pato se mate a Ganso. E quando o Ganso dá uma de pato.´ Aí, Mano, o Menezes, não o brother, fica uma beleza. Pois é, seis ministros do STF adotaram a posição que este reles palpiteiro defendera. Não há provas suficientes contra Battisti. Ele cometeu crimes políticos. O governador Tarso Genro tem razão: a Itália reacionária tratou o Brasil como colônia. Tentou nos intimidar. Quando Battisti estava na França, a Itália não tinha os mesmos rompantes. Já posso ser ministro do STF. Mas vou declinar  de qualquer indicação. Tenho mais o que fazer. Minha tarefa é andar na contramão.   Postado por Juremir Machado da Silva – 09/06/2011 16:01

Correio do Povo – O portal de notícias dos gaúchos | Opinião | Juremir Machado da Silva

08/05/2011

Ifigênia na Líbia

Filed under: Cultura — Gilmar Crestani @ 10:48 am
Tags: , ,

ifgeninaulisLuciano Alabarse assina uma nova e bela montagem de Efigênia em Áulis, As troianas e Agamenon.
Eurípides na veia.
Com trilha sonora de Pink Floyd.
Vimos no São Pedro.
Faz pensar, como sempre, nos conflitos de hoje.
A guerra entre gregos e troianos teve um motivo universal: uma vadia, Helena, meteu uma bola nas costas do marido, Menelau, e se mandou para Troia com Páris.
A fuga virou sequestro.
Sempre há uma boa mentira para justificar uma guerra.
Os gregos precisavam recuperar Helena por uma questão de honra.
E de vingança.
Mostrar quem mandava no pedaço.
Menelau não suportava mais o peso dos chifres.
Por mais racionais que fossem, estavam dispostos a qualquer irracionalidade para chegar aos seus fins.
Agamenon, irmão de Menelau e figurinha pouco recomendável, embora rei de Argos, aceita sacrificar a filha, Efigênia, para a aplacar a ira da deusa Demeter, furiosa e louca como eram os deuses gregos, e obter os ventos necessários à operação. Inventa um casamento da guria com Aquiles para que a mãe venha com ela ao local da execução.
Um baita mentiroso!
Matar uma filha para fazer a vontade de um deus e trazer de volta uma vagabunda, eis o desatino.
Acham um pouco machista essa maneira de colocar as coisas?
Se fosse para trazer de volta um homem, um traidor, seria trazer de volta um canalha, um safado.
Os gregos, por trás da conversa fiada sobre a honra, tinham dois motivos para arriscar tudo:
1) Impedir novas investidas sobre as suas mulheres, ou seja, dar uma lição exemplar aos inimigos no melhor estilo "não metam a mão no que é nosso";
2) Saquear os tesouros dos troianos.
Sempre há algum tipo de petróleo por trás de uma guerra moralizadora.
O canalha do Agemenon volta com um troféu especial: Cassandra, jovem e gostosa.
Traz para morar com ele no palácio, junto com a rainha, a titular.
Só não imagina que lhe espera também um par de chifres e a morte.
Novela de televisão é fichinha perto de tanto traição, assassinato, reviravoltas.
Tragédia grega não perdoa, mata.
Não é preciso quebrar muito a cabeça nem ser especialista em mitologia para imaginar as razões "profundas" dos americanos no Iraque e dos europeus e americanos na Líbia.
A moral moderna normalmente tem a profundidade de um poço de petróleo.
Postado por Juremir Machado da Silva – 08/05/2011 09:53 – Atualizado em 08/05/2011 09:54

Correio do Povo – O portal de notícias dos gaúchos | Opinião | Juremir Machado da Silva

24/04/2011

A mídia persegue o funcionalismo público?

Filed under: Instituto Millenium — Gilmar Crestani @ 8:57 am
Tags: ,

A mídia, a velha mídia, aquela a$$oCIAda ao Instituto Millenium não persegue o funcionalismo público. Ela tem ódio do funcionalismo público. A mídia velha, o coronelismo eletrônico odeia quem goza de relativa independência.

O funcionalismo público e os impostos são apontado como os grandes vilões do excesso de gastos estatais no Brasil e dos problemas da população e dos empresários.
O funcionário público é visto como um privilegiado em relação aos demais trabalhadores.
Algumas perguntas:
1) Por que não é dito que o funcionalismo público contribui para a previdência sobre a totalidade do seu salário enquanto que os demais trabalhadores contribuem sobre um máximo de R$ 3.800?
2) Por que não é lembrado que, funcionários concursados a partir de 2004, não recebem mais aposentadoria integral, embora contribuindo sobre a integralidade do salário, mas uma média dos 80 melhores salários?
3) Por que não é lembrado que funcionário público não tem FGTS?
4) Por que se faz pensar que o Brasil tem o maior número de funcionários públicos do mundo. Na verdade, "enquanto que nos países desenvolvidos a força de trabalho pública representa de cerca 22% do total de empregos e na América Latina gira em torno de 12 e 13%. No Brasil, esse número cai para 10 e 11%".
5) Por que não é dito que, entre 16 países latino-americanos, o Brasil só tem mais funcionários do que três, entre os quais a Bolívia?
6) Por que se fala em rombo da previdência quando se sabe que o problema é a transferência de recursos da previdência para outros setores e o fato de que o governo não entra com a sua parte do bolo?
7) Por que a mídia gosta de fazer crer que o Brasil tem a maior carga tributária do mundo quando 20 países, pelo menos, têm uma carga tributária maior?
8) Por que é dito que os encargos sociais representam até 102% do salário de um trabalhador quando, segundo o DIEESE, isso não passa de 21,5%? Para chegar a 102% é preciso incluir o FGTS, férias pagas, 13º salário e repouso remunerado, que não vão para os cofres públicos, mas para os bolsos dos trabalhadores e devem ser vistos como componentes da remuneração. Por que não é dito que tem muita gente querendo aumentar seus ganhos baixando os ganhos dos trabalhadores como férias pagas e 13º salário?
9) Por que não é dito que não existe regime único em outros países?
10) Por que não é dito que existe idade mínima, no Brasil, para aposentadoria de funcionários públicos, mas não para os demais trabalhadores?
Postado por Juremir Machado da Silva – 23/04/2011 09:38 – Atualizado em 23/04/2011 11:37

Correio do Povo – O portal de notícias dos gaúchos | Opinião | Juremir Machado da Silva

17/04/2011

Gaudérios, cavalos, torturadores e eu

Filed under: Cultura — Gilmar Crestani @ 8:19 pm
Tags: ,

Os gaúchos zelam tanto pela própria cultura que botaram no governo do Estado uma paulista que entendia de pantalhas. E uma Secretária da Cultura que de cultura só tinha a cavalgadura.

Adoro meus leitores.
Alguns são seletivos.
Só leem num texto o que lhes interessa.
Os defensores da ditadura ainda batem coturnos.
Os gaudérios juram que sempre trataram bem dos seus cavalos.
É verdade.
A doma violenta sempre foi uma exceção entre nós.
Nossos gaúchos conheciam outras domas, aprendidas com os índios, e as praticavam fartamente.
Eu é que não havia percebido.
Passei infância e adolescência vendo domas.
Vi tudo errado.
No meu texto, publicado no CP, tratei de antecipar: "Sim, imagino, existem outros que também ajudaram a descobrir ou a praticar a doma racional. Sim, claro, aceitarei suas explicações. Mas serei categórico: nunca conseguiram encantar os cavalos".
Sei, esse americano que encanta cavalos é só mais um.
Os nossos gaudérios já sabiam disso desde sempre.
Sim, os nossos cavalos de hoje são bem tratados.
Os de ontem, claro, só eram amansados na paulada em caso de necessidade.
Como sou bobo.
A ditadura foi para salvar a democracia.
A doma violenta nem era tão violenta, além de ser rara.
De cavalos e ditadores, entendemos muito.
Dos últimos cinco ditadores brasileiros, três eram gaúchos. Os outros eram formados aqui.
O método era o mesmo da nossa doma: racionalidade, afeto e, só em caso de muita necessidade, porrada.
Aprendemos tudo com os índios antes de praticamente exterminá-los racionalmente: nem sempre tivemos ocasião de aplicar esses ensinamentos.
Divertido mesmo é ver a fúria de alguns.
Os mais racionais.
O nosso presente absolve o nosso passado.
Inventamos a doma racional há séculos. Só não contamos para o mundo.
Um pequeno problema de marketing.
A doma violenta só aplicamos para salvar a democracia.
Com licença que eu vou dar alfafa para o meu pingo.
Postado por Juremir Machado da Silva – 17/04/2011 19:26

Correio do Povo – O portal de notícias dos gaúchos | Opinião | Juremir Machado da Silva

08/03/2011

Catedral da RBS vende culto ao D

Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 7:50 am
Tags: , ,

A Yeda é cria da RBS, na incapacidade, na grosseria, na malversação e na inépcia em escolher subalternos. Mas sabe vender bem uma ideologia. A da estaca, enfiada, zero; bolsos próprios, cheios. O Estado é uma merda, mas sempre que precisou de socorro financeiro, a RBS recorreu a banco público, nunca passou o pires na iniciativa privada. Só num ponto a RBS tem razão. O Estado é incompetente por autorizar a exploração de um serviço público, como as informações, por pessoas de má índole. Disso a RBS entende.

De outra banda, o vexame do inter em Abu Dhabi foi maior da RBS do que do Inter. Investiu pesado, captou jogadores para blogar no clic, mas tanto ou mais dinheiro do que o Inter. Por isso a raiva, os incessantes comentários contra a derrota, como se quem lida com futebol não soubesse que é uma “caixinha de surpresas”. Se o Grêmio pode ser campeão do mundo, porque o Mazembe não poderia? Timinho por timinho, eles foram bi-campeões africanos…

O aodismo é uma religião

Desisto.
Ou ocuparemos a internet até o Juízo Final.
O aodismo pode ser uma religião.
O yedismo foi algo assim.
Felipe Vieira é um ótimo argumentador e um excelente jornalista.
Neste caso, nossos pontos de vistas não vão se encontrar.
Sobre déficit zero, uma matéria jornalística com o atual secretário da Fazenda, Odir Tonollier:
"RS longe do déficit zero. Rombo nas contas é de R$ 150 milhões
Preocupante. Foi assim que o secretário de Fazenda do Rio Grande do Sul, Odir Tonollier, descreveu a situação das finanças gaúchas nesse começo de governo Tarso. Em entrevista coletiva, ocorrida na tarde desta quinta-feira (13), o secretário expôs uma série de números que criam uma imagem bem pouco animadora para os próximos meses no estado.
Segundo os dados, o RS enfrenta um caixa negativo de R$ 4,6 bilhões, além de um déficit de R$ 150 milhões. Caso nenhuma medida seja tomada, a pasta prevê, para o final de 2011, um déficit de R$ 550 milhões. As dívidas, neste momento, somam R$ 1 bilhão – entre eles, R$ 140 milhões em obras não pagas do Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem (DAER) e R$ 125 milhões em convênios com municípios, valor do qual R$ 100 milhões ainda não foram empenhados.
“Nosso propósito é mostrar que temos esperanças de que as finanças podem melhorar, mas também de mostrar de onde nós partimos”, explicou o secretário de Fazenda. Odir Tonollier foi enfático ao dizer que o caixa do governo está zerado. “Literalmente”, reforçou. “A situação de hoje, 13 de janeiro de 2011, é essa: não temos recursos, o dinheiro que temos em caixa é zero. Foi isso que recebemos no começo da nossa gestão”.
Sobre as perguntas do Felipe: não tenho respostas para eles nem vou procurá-las.
Os repórteres farão isso. Mas não é o essencial para o meu debate nem para a decisão do Inter.
Eles indicam que houve má administração do Inter?
Sugerem algo nebuloso?
Não sei.
Mostram que o Inter financeiramente está muito mal?
Parece.
Sei que o fato de o Inter estar quebrado ou com pouco dinheiro por causa de tais operacões não justifica entregar-se para a Andrade Gutierrez nem para qualquer outra empreiteira que exija tanto.
Se está quebrado, deve desistir da Copa do Mundo.
Se tem pouco dinheiro, deve desistir da Copa do Mundo.
Se ainda tem condições de investir, deve desistir da Andrade Gutierrez.
Estou com Ibsen Pinheiro, Mário Sérgio Martins, Vitório Pifero e Pedro Affatato.
O negócio com a Andrade Gutierrez é predadatório para o Inter.
Não vejo problema algum em ceder partes dos passes de D’Alessandro e de todo o grupo para a Engevix.
Isso é normal. Cada jogador pertence a vários donos. Sonda tem partes de vários deles.
A Traffic nem se fala.
Seria um excelente negócio. Assim como percentual de televisão. Ainda mais se o Inter não cair no papo da Globo.
Nada demais tampouco, noutra hipótese, de o Rio Grande do Sul servir de fiador.
Não haveria despesa, pois é apenas um aval.
O Inter não pagaria? Não posso afirmar isso. Ninguém pode. Como será no Paraná?
Não vejo qualquer problema em se dar o Beira-Rio como garantia.
Enfim, a Engevix não pede nada disso.
A sua proposta, pelo que se vê até agora, é muito boa, a melhor.
Por que o Inter pediu-lhe para se afastar do negócio?
Essa resposta não é Felipe Vieira quem deve dar.
É o Inter.
Fui.
Postado por Juremir Machado da Silva – 07/03/2011 19:19

Correio do Povo – O portal de notícias dos gaúchos | Opinião | Juremir Machado da Silva

06/03/2011

De um quase ex-colorado

Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 9:51 am
Tags: , ,

Endosso as palavras do Juremir. Se o turma do Aod vender o clube a uma empreiteira, rasgarei minha carteira de sócio. É melhor manter o Beira-rio como está do que transferir a uma empreiteira que sempre pautou as páginas suspeitas da política, mas próxima das policiais do que de esporte, só para proteger torcedores do sol. Se é para venderem, chamem o filho do Kadafi, e novo proprietário do Milan. Pelo menos haveria uma possibilidade de parceria internacional. Com o Milan. Se a velha mídia está a favor do Aod Cunha é porque há algo de errado. Até hoje não reconheço nenhuma parceria da velha mídia que se possa considerar relevante para a cidadania. A ditadura, uma das parcerias mais duradouras e proveitosas para a velha mídia, foi exatamente contra a cidadania. Além disso, esta história de criar o caos para justificar a apropriação é coisa antiga, que o ditado popular batizou numa frase tão singela quanto verdadeira: “quem despreza quer comprar”.

Aod Cunha para patrono da Feira do Livro

Juremir Machado da Silva

Eu gosto de futebol.
Mas me cansa ver tudo resumido a Inter e Grêmio.
Em qualquer lugar, gremistas e colorados começam a se provocar.
Mesmo que seja de brincadeira.
Às vezes, é por falta de assunto.
Ou só para colocar um pouquinho de pimenta no cotidiano tedioso.
Aos poucos, tudo vai se resumindo a isso, virando sectarismo.
Outro dia, alguém me perguntou se sou sócio do Inter.
Claro que não.
Eu não sou sócio de coisa alguma, de clube algum.
Eu sou livre, independente e libertário.
Indiquei Aod Cunha para a Academia Brasileira de Letras e para o Nobel da Literatura.
Esqueci de indicá-lo para patrono da Feira do Livro de Porto Alegre.
Vou citar três homens que conhecem profundamente a questão da reforma do Beira-Rio: Vittorio Piffero, Mário Sérgio Martins e Pedro Affatato. Eles dizem que o Inter pode fazer a reforma sozinho.
Se tiver de arranjar parceria, que abra negociações. São contra cair no colo da Andrade Gutierrez.
Até dois meses atrás, o Inter estava seguro do que fazia.
Aod Cunha entrou no Inter, com sua ideologia da parceria, e Luigi mudou de ideia.
Pode ser simples coincidência. Mas Aod é a favor da parceria.
É ideologia. Pura ideologia. Nada mais.
Aod é desses mitos que a mídia ajudou a construir sem jamais analisar detidamente.
A mídia é, em geral, conservadora.
O discurso do déficit zero a encantou.
Nunca se parou realmente para examinar a sua veracidade.
Se o atual secretário da Fazenda diz que esse déficit zero não aconteceu, é coisa de petista.
É ideológico. Como se a fúria contra o petismo também não fosse ideológica.
Eu não tenho partido.
Meu partido é a liberdade.
Sou franco-atirador.
Aod jamais provou a existência do seu déficit zero.
Deu uma melhorada nas contas. O resto foi marketing.
Aí Aod virou mito. E parou no Beira-Rio.
A mídia caiu de quatro.
O mesmo aconteceu com Jânio Quadros em 1960 e com Collor em 1989.
Os saneadores fascinam a mídia. Os salvadores da pátria.
A mídia adora também o discurso da privatização e da parceria.
Cai de boca. Rima com a eterna crítica de que o Estado não sabe gerir.
É um refrão inventado por quem tem interesse em se apossar do patrimônio público.
Os clubes do futebol começam a ser visto como "públicos".
É um filão que se quer explorar.
Imaginem só: apossar-se de parte do Inter por 20 anos!
Basta dizer que vai criar emprego para a paixão ser fatal.
Não importa a que custo o emprego será criado. Por exemplo, o custo da natureza.
Ou a exploração repugnante como essa da parceira do Grêmio na Arena.
Se depender de certa mídia e dos jovens yedistas e velhos britistas, Porto Alegre vira uma cidade dos emirados.
Como se aceitar, sem discussão, algo tão impressionante?
Por que a Andrade Gutierrez?
Por que não outra?
Mário Sérgio Martins diz, na coluna do Hiltor Mombach, o melhor colunista de esportes do Rio Grande do Sul, que os números foram inflados para fazer o buraco parecer maior.
É preciso assustar muito a torcida do Inter, apavorá-la dizendo que a Copa irá para o Grêmio, para que todos corram e se joguem nos braços de um empreiteira cujo nome ninguém sabe de onde saiu.
A mídia não cai nessa balela por outra coisa que não seja a força do imaginário.
Foi adestrada ao longo dos anos para acreditar nessa melodia.
Se o Inter não tem dinheiro agora para a reforma, que não a faça.
Vai perder a Copa do Mundo?
Que perca.
O São Paulo desistiu e fez muito bem.
Por que o Inter não poderia fazer o mesmo?
Por que vai parar no Grêmio?
Azar.
Em São Paulo, vai parar no Corinthians.
A rivalidade Gre-Nal está sendo usada para satisfazer interesses financeiros poderosos.
Eu continuo imaginando aquele final de novela retrô. A massa vermelha na frente do Beira-Rio gritando:
– Fora Luigi. Fora Aod. Entreguistas!
Postado por Juremir Machado da Silva – 06/03/2011 09:26

Correio do Povo – O portal de notícias dos gaúchos | Opinião | Juremir Machado da Silva

27/01/2010

Os dois pedaços de um mesmo pão

À Esquerda, Solidariedade!

Solidariedade

Solidariedade

26/01/2010 Por Mauro Santayana

Entre outras vozes que se levantaram, no Brasil, contra a nossa solidariedade para com o povo do Haiti, destacou-se a do senador Epitácio Cafeteira, do Maranhão. Sua excelência pertence às oligarquias daquele estado e, desde 1962, tem sido eleito pelo seu povo, um dos mais pobres do país. Homem rico, conforme a relação de seus bens divulgada pelo Senado – muitos deles imóveis valiosíssimos – Cafeteira dispõe de dois aviões e automóveis importados. No Senado, ao negar ao governo autorização para o envio de mais tropas brasileiras a Porto Príncipe, declarou comovente solidariedade com o povo brasileiro. Para ele, é necessário cuidar dos brasileiros, e não dos estrangeiros. E foi além: atribuiu à imprensa brasileira o destaque que se dá aos mortos do Haiti, em detrimento das vítimas nacionais das enchentes.

Nós poderíamos cobrar do senador solidariedade para com o seu povo mais próximo, o do Maranhão – como governador que foi do estado, e como parlamentar que o vem representando há quase cinco décadas. As mulheres quebradeiras de coco, os pescadores, os sertanejos e os caboclos maranhenses, castigados secularmente pela miséria, massacrados pelo latifúndio e, eventualmente, pelas cheias, estão esperando pela compaixão do senador. Cafeteira é um dos donos do Maranhão. Se houvesse nascido no Haiti, naturalmente pertenceria à elite mulata daquele pequeno país, e, morando na parte mais bem edificada de Porto Príncipe, não estaria necessitando da solidariedade dos outros. Estaria preocupado com seus aviões e seus automóveis e, provavelmente, com suas lanchas.

As seções de cartas dos jornais e alguns blogs da internet mostram que parcelas alienadas da classe média tornaram-se, repentinamente, também sensibilizadas com as enchentes e desabamentos em nosso país, e acusam o governo de se dedicar ao Haiti. Trata-se de um desvio singular da ação política. Animados pela hipocrisia, esses humanistas de última hora se esquecem de que, tanto como no Haiti, é a miséria que faz as nossas tragédias. É a falta de trabalho, de escolas, de saúde, de planejamento urbano, de reforma agrária, enfim, da dignidade que vem sendo negada aos pobres, desde que aqui chegaram os fidalgos ibéricos. Aqui – e na Ilha La Española, onde se encontra o Haiti. O subdesenvolvimento, causa de toda a miséria, não é maldição mas resultado de deliberado projeto de desigualdade. Quanto maior a miséria em torno, mais ricos se fazem alguns. Por isso impedem a reforma agrária e impedem a educação dos pobres. Sua filosofia é a de que só têm direito aos benefícios da civilização os que puderem pagar por eles.

Eles não sabem que uma das poucas alegrias das pessoas pobres é a do exercício da solidariedade. Não conhecem a felicidade dos trabalhadores que se organizam em mutirão a fim de reconstruir o barraco que desabou, ou de construir a moradia de dois cômodos para uma viúva e seus filhos. Os haitianos que perderam suas casas e seus familiares são seres humanos, exatamente iguais aos nossos pobres, que se veem nos olhos solidários dos soldados e dos voluntários civis brasileiros no Haiti.

O presidente Lula pode desagradar a muitas pessoas, por ter saltado etapas em sua realização pessoal. Ele deixou o chão da fábrica para liderar seus companheiros de classe e se tornou dirigente político e presidente da República. É um pecado imperdoável: não enfrentou o vestibular, não teve que cavar empregos seguros ou casamentos de conveniência para se tornar vitorioso: enfim, não serve de modelo para a formação de uma juventude alienada e consumista, instrumento para a segurança de parcelas das elites. É provável que, no caso do Haiti, o presidente reaja como o menino que enfrentou as cheias na periferia de São Paulo e conhece de perto a solidariedade dos pobres.

O Brasil, como um todo, não sendo ainda um país rico, age como seus pobres. Não há nenhum mérito em dar o que nos sobra. O mérito está em repartir o que temos e do que necessitamos. Poeta mais conhecido em Minas, Djalma Andrade resumiu este sentimento ao pedir a Deus que nunca o deixasse comer sozinho o pão que pudesse partir em dois pedaços.

À Direta, Venalidade!

Você é de direita? Faça o teste
Por Juremir Machado da Silva

Venalidade

Venalidade


É sabido que para a direita não há mais esquerda e direita, salvo quando a direita quer bater na esquerda e precisa chamá-la pelo nome para dar nome bois. Todo mundo sabe e eu tenho repetido isso aqui que a ideia de que a divisão direta/esquerda deixou de ser pertinente é uma ideia de direita. Houve tempo em que ser de direita era antiquado. A esquerda ganhava a guerra simbólica. Isso mudou. Nos últimos anos, a direita adotou estratégias publicitárias (a publicidade é quase sempre de direita) e passou a se apresentar como moderna. Faz parte desse jogo chamar a esquerda de anacrônica, velha, ultrapassada, superada, mofada, etc. A esquerda ridicularizava a direita pelo humor. Agora, a direita insulta e menospreza a esquerda com sua ironia pesada.
Façam o teste:
É contra a legalização do aborto?
É contra o casamento de homossexuais?
Acha que o aquecimento global é uma bobagem?
É contra o bolsa-família?
É contra a integralidade do Plano Nacional de Direitos Humanos?
Acha que os governos devem ajudar os produtores ricos e largar no mundo o pobrerio?
Defende pagar menos impostos e obter mais subsídios?
Acha que Israel sempre tem razão contra os palestinos?
É contra política de cotas em sociedades de desigualdade flagrante e reproduzidas pelos mecanismos de educação?
É a favor do Fórum da Liberdade e contra o Fórum Social Mundial?
Acha que a repressão é o único caminho para resolver os problemas de violência urbana?
Chega. É suficiente.
Quem der respostas positivas a 80% dessas perguntas é de direita.
É direito de qualquer um ser de direita. Não é preciso ter vergonha.
Quer dizer, é um tanto vergonhoso ser contra todos os valores modernos e ainda se apresentar como extremamente moderno. Na Europa, muita gente daria respostas positivas a todas as questões listadas acima. E diria sem pestanejar: “Eu sou de direita” ou “nós de direita”. No Brasil, as pessoas querem ser de direita sem ter de carregar o peso negativo dessa palavra e dessa ideologia. É confissão de culpa ou malandragem. A direita brasileira é tão esperta que consegue mamar mais no Estado do que a esquerda mesmo quando a esquerda está no poder. A direita é o poder. Talvez seja a única direita do mundo que não se assume como tal e ainda tenta se apresentar como não-ideológica.
A revista Veja é hoje a carta capital da direita. Os blogues da Veja conseguem estar ainda mais à direita. O Fórum de Davos é a menina dos olhos da direita internacional. Neste ano, eles vão ter de engolir o presidente brasileiro, que, por ter-se “endireitado” um pouco, tornou-se frequentável. Depois da paulada dada pela crise financeira de 2008, Davos está mais humilde. Puro cinismo. Mas a verdade é que o Fórum Social Mundial, rotulado de anacrônico, deu um “chocolate” em Davos e anunciou a agonia do neoliberalismo. Última questão do teste para saber se você é direita:
O neoliberalismo existiu ou foi apenas uma besteira inventada pela esquerda?
Outras, outras: prefere Hugo Chávez ou Jair Bolsonaro?
Sente saudades de Paulo Francis e Roberto Campos?
Acha que a justiça é neutra, imparcia e objetiva? (aí já não é questão de direitismo, mas de loucura).
Acha que nunca se roubou tanto como agora?

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: