Ficha Corrida

21/09/2013

Descoberto DNA das ditaduras latino-americanas que sobrevive nos que são movidos pelo ódio

Filed under: Nazismo — Gilmar Crestani @ 10:47 pm
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Há um documentário, disponível na internet, Inimigo do meu inimigo,  sobre a vinda dos sobreviventes nazistas à América do Sul. A informação, nada surpreendente, é que foram recrutados pela CIA para desestabilizarem governos democráticos. Qualquer semelhança com o que vemos hoje com a espionagem da CIA e as manifestações de ódio por inveja do sucesso de Lula e Dilma não é mera coincidência.  E, sim, tributo ao DNA nazista. A raça pura ariana, como se viu nas manifestações racistas contra os médicos cubanos, não suporta a existência de médicos negros.

Em carta, Wächter afirma que nazistas entravam no Brasil sem passaporte

Comandante da SS explica a colega nazista como fugir para a América do Sul e diz que, para o Brasil, uma carteira de identidade era suficiente


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Atualizada às 16h10
Uma carta redigida à máquina, com data de 10 de maio de 1949, é um dos tesouros históricos do sótão do Castelo Hagenberg, na Áustria, sob a guarda de Horst Wächter. O documento de duas páginas, preservado com delicadeza, apresenta detalhes sobre a famosa “Linha dos Ratos”, rota de fuga nazista acobertada pelo bispo Alois Hudal, que levou ex-oficiais de Adolf Hitler à América do Sul.

A carta, segundo Horst, foi escrita por seu pai, Otto Wächter, comandante da SS e ex-governador da Cracóvia e Galícia. O documento está endereçado a um certo Ladurner, amigo do nazista que vivia em Bolzano, na Itália, mas nunca foi enviado. Wächter morreria um mês depois de redigi-la. Os principais assuntos da missiva são estadias em Roma e rotas de fuga para Brasil e Argentina.
Ouvidos por Opera Mundi, especialistas que estudam a fuga de nazistas para a América do Sul afirmam que vários indícios sugerem a veracidade da carta. Tanto Daniel Stahl, autor de "Nazi-Jagd: Südamerikas Diktaturen und die Ahndung von NS-Verbrechen" ("Caçada aos Nazistas: Ditaduras da América do Sul e Punição aos Criminosos do Nacional-socialismo" – Editora Wallstein, Alemanha), como Gerald Steinacher, que escreveu "Nazis auf der Flucht: Wie Kriegsverbrecher über Italien nach Übersee entkamen" ("Nazistas em Fuga: Como Criminosos de Guerra fugiram pela Itália para além-mar" – Editora Fischer Taschenbuch, Alemanha), avaliam que o documento traz informações importantes sobre a rota de fuga dos aliados de Adolf Hitler.

"A rede de pessoas que possibilitaram a fuga foi muito ampla e, com certeza, agora podemos dizer que Wächter está entre elas, o que era desconhecido até hoje", afirma Stahl.
Ainda que diga que não é possível ter 100% de certeza de que a carta é verídica, Steinacher apontou que esse gênero de correspondência, "com conselhos, escrita a partir da Itália para antigos companheiros e pessoas procurando emigrar para escapar da Justiça, é comum". "Isso não significa que Wächter fosse um grande organizador, mas que deu orientações a outros."
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Os papéis foram recolhidos pela mulher do oficial, Charlotte Bleckmann, anos depois de sua morte na capital italiana. Otto Wächter, que se escondia sob o nome falso Alfredo Reinhardt, teria sucumbido a uma icterícia após nadar nos canais da cidade, mas não há registros do óbito além de notícias de jornais italianos e austríacos da época.
A edição de 9 de setembro de 1949 do jornal Weltpresse confirma a morte de Wächter e pergunta, em sua manchete, sobre o paradeiro de seu arquivo, que foi destruído. A carta, segundo Horst, foi uma das centenas de documentos guardados por sua mãe. Nenhum deles fala sobre o Holocausto nos territórios governados pelo comandante da SS.


A carta

Caro Ladurner!

Eis que volto agora da cidade completamente acabado. Durante o dia a temperatura chega a graus consideravelmente mais quentes. Mas as noites esfriam maravilhosamente. Eu agora entendo porque todos os homens aqui vestem camiseta regata por baixo da camisa. Resfria-se muito facilmente com a mudança de tempo, razão pela qual o guia Baedecker e a experiência de Deterling acham aqui muito pior que no Norte.
Leia aqui o restante da carta de Wächter


Documentos necessários

Otto Wächter mantinha laços próximos com o bispo Alois Hudal e orientou na carta seu colega, Ladurner, sobre os métodos para buscar refúgio na América do Sul. O comandante da SS conseguira angariar diversas informações sobre uso de passaportes da Cruz Vermelha para fugir, exigências de oficiais de fronteira de Brasil e Argentina e vistos.

“Segundo Hu. [possivelmente o bispo Alois Hudal], passaportes da Cruz Vermelha não serão mais expedidos após o fim de maio. Essa função será então transferida para um departamento do Vaticano. Ele acredita que o documento emitido pelo Vaticano poderá ter menos valor que os atuais (que por sua vez já possuem reconhecimento bastante limitado)”, escreve o comandante da SS.

É notório que a Cruz Vermelha, no episódio mais vexatório de sua história, entregou passaportes a oficiais nazistas, entre eles Adolf Eichmann, Josef Mengele e Klaus Barbie, que fugiram – pelo menos momentaneamente – para o anonimato. Segundo pesquisa conduzida por Gerald Steinacher, da Universidade Harvard, pelo menos 120 mil discípulos de Hitler se beneficiaram dos papéis. A organização se desculpou publicamente pelo ocorrido.

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Já o Vaticano, que também teve sua parcela de cumplicidade com fugitivos nazistas, nunca comentou as acusações de emitir, através de uma comissão de refugiados, identidades falsas – são elas que, muito provavelmente, Wächter cita na carta com “reconhecimento bastante limitado”.
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Entrada no Brasil

Wächter esclarece a Ladurner que entrar na Argentina acarreta “conhecidas dificuldades” e afirma que “candidatos” foram até o Brasil “para mudar de profissão”. “Você deverá fazer o mesmo quando estiver do outro lado, para aumentar suas chances de sucesso”, escreve o comandante da SS, para então listar as exigências do consulado brasileiro.

Governo da Polônia

São elas: passaporte da Cruz Vermelha, desde que acompanhada de documento anterior à guerra, certidão de nascimento, certidão de casamento, carteira profissional e declaração de que não era comunista. Em seguida, o nazista acrescenta que “os brasileiros na verdade não reconhecem os passaportes da Cruz Vermelha, mas se contentariam com um passaporte austríaco ou I.Karte [carteira de identidade]”.
[Foto de Otto Wächter durante seu período na Polônia]

“Além disso, é possível falar de maneira bem aberta com eles, sem que as autoridades austríacas tomem conhecimento”, afirma Otto Wächter, dando mostras de uma receptividade maior por parte dos brasileiros.

Estadia e alimentação

“Quanto a uma eventual permanência aqui [sob o zelo da Igreja Católica em Roma], seria possível lhe arranjar almoço e jantar de graça no refeitório papal, em princípio por uma semana (renovável)”, recomenda Wächter ao amigo Ladurner. “É meio primitivo, assim como a companhia, mas é o que há”, completa.

O comandante da SS tinha na manga todos os custos necessários para permanecer às escondidas com ajuda do bispo Alois Hudal e sobre o eventual financiamento de uma organização que poderia ajudá-los a fugir, que só aceitava protestantes. Ao final da carta, Wächter reafirma que a oferta principal é para ir para o Brasil.

“Se você tem interesse nas coisas daqui discutidas e ainda consegue encarar todos os obstáculos e cumprir todos os requisitos, aí sim as suas despesas e o seu tempo estarão mais que justificados. No caso de você não querer ir ao Brasil, e essa oferta vale só para lá, você poderá economizar seu dinheiro e deixar a manivela girando aqui comigo”, escreveu ele.

Opera Mundi – Em carta, Wächter afirma que nazistas entravam no Brasil sem passaporte

Na busca por Wächter e seu arquivo, “caçador de nazistas” esbarrou em bispo católico

Ativista buscava dados sobre morte da mãe no Holocausto; Alois Hudal ajudou a acobertar comandante da SS


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Terminada a Segunda Guerra Mundial, em 1945, centenas de sobreviventes do Holocausto passaram a procurar nazistas fugitivos para tentar levá-los à Justiça ou fazê-la com as próprias mãos. Aquele que ficou mais conhecido com essa iniciativa foi Simon Wiesenthal (1908-2005), cuja história se ligou à de Otto Wächter, comandante da SS e ex-governador da Cracóvia, na Polônia, e da Galícia, noroeste da Ucrânia.

Em seu livro “Assassinos Entre Nós”, Wiesenthal diz ter visto Wächter no dia 15 de agosto de 1942 coordenando os trens da morte que levaram judeus de Lemberg, hoje Ucrânia, para o extermínio. Cerca de quatro mil idosos foram arregimentados e enviados para campos de concentração. Entre eles, relembra o ativista judeu, estava a mãe que nunca mais tornaria a ver.
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O filho de Wächter, Horst, nega a informação. Ao receber a reportagem de Opera Mundi no Castelo Hagenberg, Horst apresentou como prova uma carta do líder nazista à mulher, dizendo que estava em reunião do partido na Cracóvia. Ele diz ainda que Wiesenthal confundiu seu pai com Fritz Katzmann, que era o chefe da SS em Lemberg.

Carreira de Wiesenthal

Em favor da versão de Horst, além do documento, está o histórico de erros da obra de Wiesenthal. Ao tentar capturar o famoso médico de Auschwitz Joseph Mengele (1911-1979), que veio para o Brasil após a guerra, o pesquisador disseminou ao menos duas informações falsas.

Wikimedia Commons
A primeira delas dizia que Mengele estava em Porto São Vicente, na região do Alto Paraná. No entanto, autoridades paraguaias responderam que tal localidade nem sequer existia. Antes disso, em novembro de 1968, Wiesenthal distribuiu à imprensa e aos órgãos policiais supostas fotos de Mengele nas ruas de Assunção. O fotografado, porém, não era o médico de Auschwitz.

O trabalho de Wiesenthal, no entanto, foi fundamental para muitos sucessos em prisões de nazistas. Teve papel relevante nas buscas por Adolf Eichmann (1906-1962), finalmente capturado em 1960 na Argentina e levado a Israel por agentes do serviço secreto do país, o Mossad.

Eichmann foi o responsável pela montagem burocrática do sistema de extermínio nazista, e seu julgamento, em 1962, foi um marco na história da condenação de criminosos de guerra. O caso também é bastante conhecido por ter sido objeto de reflexão da filósofa Hannah Arendt, que resultou no livro “Eichmann em Jerusalém”.

A prisão de outro nazista de alto coturno, o chefe do campo de Treblink, Franz Stangl (1908-1971), é resultado direto das pesquisas de Wiesenthal. Um genro de Stangl teria fornecido ao austríaco, já famoso pela busca de nazistas, a localização de Stangl, preso em 1967 no Brasil. Na época, ele trabalhava com o nome verdadeiro na Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP) e foi extraditado para a Alemanha, onde foi julgado e condenado a prisão perpétua.

Logo em seguida à prisão de Eichmann, animado com a captura, passou a considerar Wächter “o fugitivo nazista mais odiado”. Seu paradeiro, até então, era desconhecido e as circunstâncias de sua morte, duvidosas.

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O comandante da SS e governador havia escapado para Roma sob nome falso, no pós-guerra. Passara a se chamar Alfredo Reinhardt e estava sob os cuidados do bispo austríaco Alois Hudal, responsável pela chamada “Linha dos Ratos”, que acobertou e facilitou a fuga de criminosos de guerra para a América do Sul – entre eles, Mengele e Stangl. Ele manteve sob proteção Wächter e seu arquivo, conhecido como “Arquivo Wächter”, no mosteiro anta Maria Dell’Anima, perto da Piazza Navona, em Roma.
Entrevista
Meu pai achava que poderia convencer Hitler contra extermínio de judeus, diz filho de Wächter

Opera Mundi teve acesso às correspondências do ativista judeu depositadas no Instituto Simon Wiesenthal, em Viena, que narram a investigação sobre o paradeiro do comandante da SS e sobre seu arquivo, uma caixa de documentos do governo nazista na Galícia, que continha informações importantes sobre a morte de milhares de judeus no leste europeu.

Em sua investigação, Wiesenthal conseguiu reunir farta documentação proveniente de Berlim, como a ficha completa do comandante da SS e todos os seus passos na carreira militar, mas ainda buscava informações relevantes sobre os guetos e os trens da morte de Cracóvia, na Polônia, e Lviv, hoje Ucrânia, de onde saíram as locomotivas e vagões que levaram sua mãe.
Governo da Polônia

Otto Wächter (esq.) com Heinrich Himmler (centro), durante a ocupação alemã na Polônia

As correspondências, porém, mostram que os pedidos de informações preciosas sobre o paradeiro de Wächter e seu arquivo esbarraram nas negativas do esquivo bispo Hudal.

Insistência e frustração

Durante as décadas de 1950 e 1960, período em que Wiesenthal mais se esforçou em encontrar o arquivo, a morte de Wächter em Roma já havia sido noticiada por jornais austríacos e italianos. Mesmo assim, desconfiado das circunstâncias, o ativista judeu pediu diversas vezes ajuda a terceiros, que sondaram o bispo Alois Hudal sobre a morte e os pertences do comandante da SS.

“Meu colega, um alto aristocrata austríaco, visitou o bispo Hudal em 1950 e perguntou sobre o Arquivo Wächter. Hudal disse a ele que o arquivo estava depositado na ‘Anima’, mas que ele não poderia acessá-lo”, escreveu Wiesenthal em 21 de junho de 1961 a um procurador da cidade de Waldshut, no sul da Alemanha.
Otto Wächter pensou em escapar para o Brasil, relata filho

Sem desistir, Wiesenthal endereçou mais cartas a procuradores alemães e italianos, expondo a necessidade de encontrar os documentos. Em 28 de março de 1962, o ativista judeu recebeu uma resposta desanimadora da procuradoria de Ludwigsburg, dedicada a investigar os crimes do nazismo.

“Bispo Hudal declarou que nunca viu o Arquivo Wächter. Ele viu Wächter uma única vez e ele tinha sido envenenado, morrendo em um hospital de Roma. Ele é o diretor da igreja alemã assim chamada e deu a ele o último sacramento”, afirma o procurador. Ele continua: “Não vejo necessidade de continuar a investigação, afinal, as informações comprovam que Dr. Wächter não está mais vivo.”

Mesmo depois da negativa, Wiesenthal manteve correspondência com um de seus informantes, Theodor Faber, em Salzburgo. Em 3 de abril de 1962, pouco depois de receber a carta da procuradoria de Ludwigsburg, o ativista judeu afirmou que ainda acreditava que os documentos estariam na igreja, confiando na primeira informação recebida. No entanto, o arquivo nunca foi encontrado.


Em carta do arquivo, Wächter fala em fugir para o Brasil

Caro Ladurner!

Eis que volto agora da cidade completamente acabado. Durante o dia a temperatura chega a graus consideravelmente mais quentes. Mas as noites esfriam maravilhosamente. Eu agora entendo porque todos os homens aqui vestem camiseta regata por baixo da camisa. Resfria-se muito facilmente com a mudança de tempo, razão pela qual o guia Baedecker e a experiência de Deterling acham aqui muito pior que no Norte.
Leia aqui o restante da carta de Wächter


O destino do arquivo

Horst Wächter, filho do comandante da SS, afirmou a Opera Mundi que sua mãe, “desesperada e sem saber o que fazer com os documentos”, destruiu o arquivo e deixou para sempre uma lacuna na história. Mesmo sem acesso aos números, dados e protocolos da administração nazista na Galícia, há documentos depositados no Castelo Haggenberg e compilados por Horst, sob análise de acadêmicos alemães, que podem ser considerados uma nova fonte de valor incalculável para a história do nazismo.

São centenas de fotos e correspondências entre Otto Wächter e sua mulher, Charlotte Bleckmann, que trazem informações inéditas sobre a atuação do comandante da SS à frente da administração da Galícia. As cartas atravessam a Segunda Guerra Mundial e chegam ao período em que o nazista estava escondido em Roma, sob proteção do bispo Hudal. As informações desenham um perfil detalhado do nazista, que encheriam os olhos de Simon Wiesenthal.

O ativista judeu morreu em 2005 sem saber o paradeiro daquele que considerava seu maior inimigo. Wiesenthal tentou, até a década de 1980, buscar mais informações sobre Wächter, novamente sem sucesso. Horst afirma que, àquela época, “não estava preparado” para abrir o arquivo. Foi a partir dos anos 2000 que mergulhou nos documentos. “Com o passar dos anos, a necessidade de dizer a verdade aumentou, assim como a reação contrária da minha família”.

Opera Mundi – Na busca por Wächter e seu arquivo, “caçador de nazistas” esbarrou em bispo católico

17/04/2013

Capriles detonou Boston

Se os EUA não querem ser detonados em casa que parem de detonar bombas longe. Não é só o fato de que o próprio Obama ganhou por margem tão estrita quanto à de Maduro, mas Bush manipulou na Flórida, com fraude comprovada. Eles não têm moral sequer para atacarem Hitler! Nestas horas convém lembrar do documentário Inimigo do meu inimigo. Os EUA se aliaram à escória do nazismo para infiltrar agentes da CIA na América Latina. Dentre outros, o açouqueiro Klaus Barbie.

A irresponsabilidade de Capriles

Paulo Nogueira 17 de abril de 2013 0

Mau perdedor

Mau perdedor

Capriles está confirmando a lendária má fama da direita venezuelana com suas palavras e ações irresponsáveis.

Na confusão que ele está armando por não aceitar a derrota nas urnas, venezuelanos estão morrendo.

Capriles chegou perto, mas perdeu. Seu adversário na recente disputa pelo governo do estado de Miranda não teve o mesmo comportamento destrutivo ao ser batido por apenas 45 000 votos.

Os Estados Unidos, sempre de olho no petróleo venezuelano do qual desfrutaram por tantos anos enquanto a população local era reduzida à pobreza extrema, se apressaram em incentivar Capriles.

Para sorte dos venezuelanos, hoje existe contraponto à pressão americana entre os vizinhos da Venezuela.

Lula, com acerto, disse que os americanos deviam parar de se meter na vida alheia. Obama mesmo, no voto popular, venceu Romney por uma diferença porcentual parecida com a obtida por Maduro.

E ninguém sugeriu que os americanos recontassem os votos.

A postura de donos do mundo causa mais e mais engulhos planetariamente. Na era da internet, correm o mundo as informações sobre as reais motivações americanas com sua predadora política externa.

Quem acredita nos campeões da liberdade acredita em tudo, para usar a grande expressão de Wellington.

Os americanos cometem mais um desatino ao se alinhar às encrencas de Capriles.

Capriles teve tudo para ganhar, esta é a verdade. Mas não ganhou. Os chavistas sem Chávez, para usar uma comparação futebolística, eram como o Barcelona sem Messi.

E ainda assim Capriles perdeu – em eleições chanceladas por Jimmy Carter e acompanhas por observadores internacionais de reputação irreprochável.

Recontagem de votos, como ele exige? Ora, quem garante que numa recontagem o poderoso grupo de interesses que ele representa não promova alguma fraude? E então seria a vez de Maduro exigir a recontagem da recontagem. A exigência de Capriles — além do mais covarde, porque é inimiginável que ele a fizesse perante Chávez — é uma insanidade. Levaria a Venezuela a contar votos em vez de trabalhar para resolver tantos problemas.

Sem o charme e o carisma de Chávez, sem a sua presença para orientá-lo, sem experiência em palanque, sem traquejo político, Maduro ganhou uma disputa que, a rigor, tinha tudo para perder.

Ganhou por causa da semente da justiça social legada por Chávez.

Agora, seu desafio, como legítimo presidente, é cuidar que essa semente não se perca.

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TAGS » Capriles, Capriles recontagem de votos, dcm, eleições Venezuela 2014

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O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Diário do Centro do Mundo A irresponsabilidade de Capriles – Diário do Centro do Mundo

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