Ficha Corrida

30/01/2015

Se o racionamento era por falta de chuva, chamem a Dilma

Alguém ainda deve lembrar que as chuvas iriam custar, na previsão do meteorólogo Geraldo Alckmin, R$ 3,5 bilhões de reais. Quando a Dilma entra em cena descobre-se de onde vem o choque de gestão. O que seria R$ 3,5 bilhões vira R$ 830 milhões…

Se isso já é muito para explicar o que acontece em São Paulo, ainda não é tudo. Como explicar que os papas da privatização precisam da ajuda do Governo Federal para fazerem funcionar uma empresa privatizada por eles? Estava escrito que um dia a  tal de privataria tucana sairia do armário e pediria recibo.

Revela-se deste modo em que consiste o tal choque de gestão e a meritismo tucano.  A SABESP é um exemplo pronto e acabado do que foi o atraso do Brasil nos 8 anos de FHC.

Não fossem as milhares de assinaturas da Veja, Estadão e Folha distribuídos pelas escolas públicas de São Paulo e esse sujeito já estaria pagando pelos descalabros de quase trinta anos de (des)governo tucano.

Dilma e Alckmin anunciarão obra de R$ 830 mi da Sabesp

:

Em volta antecipada da Costa Rica, presidente Dilma Rousseff vai receber nesta tarde o governador Geraldo Alckmin (PSDB) no Planalto para discutir investimentos visando aumentar a captação de água em São Paulo; com apoio financeiro do Governo Federal, Conselho de Administração da Sabesp aprovou a obra da interligação entre as represas Jaguari (afluente do Paraíba do Sul) e Atibainha (do Sistema Cantareira) para aumentar a segurança hídrica do Sistema Cantareira; empresa sinalizou recentemente que podia adotar racionamento de até cinco dias por semana na atual configuração

30 de Janeiro de 2015 às 05:18

SÃO PAULO – A presidente Dilma Rousseff antecipou nesta quinta-feira (29) sua volta para o Brasil da viagem que fazia à Costa Rica para o encontro da cúpula da Comunidade de Estados Latino Americanos e Carinhenhos (Celac) antes mesmo que o evento fosse encerrado. A presidente deverá chegar ao Brasil ainda nesta noite.

De acordo com matéria do Valor Econômico, o presidente do Equador, Rafael Correa, ainda falava no evento quando a presidente saiu do local, visivelmente contrariada e falando exasperadamente com os auxiliares presentes. Dilma foi direto ao aeroporto para regressar ao Brasil.

Na volta, a presidente deverá focar seus esforços na crise hídrica da região Sudeste, recebendo ainda na sexta à tarde Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, no Palácio do Planalto. Na terceira reunião dos dois desde que foram eleitos, eles deverão discutir investimentos para aumentar a captação de água em São Paulo e ainda anunciarão obras que deverão ficar prontas no ano que vem, no valor de R$ 830 milhões.

Na quarta-feira a petista se reuniu com os governadores de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, para discutir os problemas hídricos. Ainda na última semana, ela incluiu no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) as obras de ligação do rio Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, ao Sistema Cantareira.

Vale lembrar que no ano passado, durante a corrida eleitoral, Alckmin negou que houvesse racionamento e ainda declarou que não faltaria água no Estado. Na última semana, no entanto, a Sabesp declarou que pode haver racionamento de cinco dias sem água para dois de abastecimento caso eles verifiquem perigo de zerar a capacidade do Sistema Cantareira.

Sabesp

O Conselho de Administração da Sabesp aprovou o processo de contratação do empreendimento da interligação entre as represas Jaguari (Bacia do Paraíba do Sul) e Atibainha (Bacia do Sistema Cantareira). Segundo a companhia, o objetivo deste projeto é a recuperação e o aumento da segurança hídrica do Sistema Cantareira e, consequente atendimento da demanda por água da Região Metropolitana de São Paulo.

"A interligação permitirá aumentar a disponibilidade hídrica no sistema Cantareira em 5,13 m3/s (média anual)/8,5 m3/s (máxima) do reservatório Jaguari (afluente do Paraíba do Sul) para o reservatório Atibainha (do Sistema Cantareira)", disse a companhia em comunicado. De acordo com a Sabesp o orçamento estimado é de R$ 830,5 milhões e as obras serão executadas pela empresa, que está em tratativas com o Governo Federal para a obtenção de apoio financeiro.

Dilma e Alckmin anunciarão obra de R$ 830 mi da Sabesp | Brasil 24/7

01/01/2015

Folha se faz de tapete para Gérner Oliveira desfilar

Velha mídia, regada pelo PSDB, sustenta “manancial de incompetência”

PSDB MIDIAnA inacreditável Folha de São Paulo não tem o menor pudor, que dirá respeito, pela inteligência dos leitores. A Folha é o maior manancial de boatos favoráveis ao PSDB. Consegue, inclusive, transformar o principal responsável pela falta de investimento que levou ao primeiro grande racionamento d’água em São Paulo em “consultor”.

Um gênio que, falando de sua gestão de 2007 a 2010, nos governos José Serra & Geraldo Alckmin, consegue concluir: “nosso maior manancial é a incompetência”. Plac! Plac! Plac! Palmas e faça minhas as sua palavras.

De fato, acabou o mundo da fantasia do PSDB. Depois de quase trinta anos governando São Paulo, o PSDB consegue privatizar todas empresas e só os bancos suíços conseguem ver a cor do dinheiro.

A piada que rola na internet é que não há uma foto sequer de uma obra que leve cimento e tijolos de autoria do PSDB. Mas vender, doar, destruir eles sabem. A privatizações da SABESP e da Eletropaulo(AES) serviram para levar à São Paulo à crise d’água e à falta de luz.

Com tudo isso os paulistas conseguem eleger Geraldo Alckmin no primeiro turno graças à lavagem cerebral perpetrada pelos a$$oCIAdos do Instituto Millenium e as milhares de assinaturas distribuídas pelas escolas públicas de São Paulo de Veja, Estadão & Folha.

Nada de estranhar, já que a velha mídia fez, com ódio à esquerda, propaganda aberta e escancarada ao pior senador da república, conforme ranking da Veja. Pensando bem, não há melhor companhia ao pior jornalismo do que o pior senador da república.

ENTREVISTA GÉSNER OLIVEIRA

Nosso maior manancial é a incompetência, diz consultor

Para Gesner Olivera, ex-presidente da Sabesp, crise da água exige mudanças na sociedade e redução de consumo

EDUARDO GERAQUEFERNANDA MENADE SÃO PAULO

"Acabou o mundo da fantasia", decreta o economista Gesner Oliveira, consultor de recursos hídricos e ex-presidente da Sabesp (2007-2010).

Regiões como a Grande São Paulo, diz ele, vão precisar conviver com um cenário duradouro de escassez.

A reversão, na visão do especialista, não será feita apenas com obras. Diminuição das perdas na distribuição de água e redução de consumo são ações essenciais para que os paulistas tenham alguma segurança hídrica.

Defensor da participação do setor privado no segmento do saneamento básico, ele não vê incongruência em uma empresa de água distribuir lucros para acionistas, como é o caso da Sabesp.

"Há um debate internacional sobre a água como um direito universal, o que não seria compatível com a atividade privada. A população de vários países não tem serviços mínimos porque prevalece uma visão extremamente paternalista ou estadista do assunto", diz ele, para quem há um aspecto positivo da crise: ela é pedagógica para gestores e consumidores.

Leia a seguir trechos da entrevista de Oliveira, que também é professor do Departamento de Planejamento e Análise Econômica Aplicados à Administração da FGV

Folha – Como garantir que as pessoas tenham acesso à água se ela não for vista como direito?

Gesner Oliveira – É um serviço básico. Mas, sem investimentos privados, não há serviços necessários. As empresas brasileiras de saneamento que funcionam –Sabesp, Sanepar (PR) e Copasa (MG)– têm participação privada.

Esse seria um modelo a ser estendido para o resto do país?

Sim. O investimento de ampliação do sistema do Alto Tietê foi feito em dois anos. A Sabesp demoraria quatro anos para fazer essa obra.

Hoje não há rodízio, mas existe racionamento?

De jeito nenhum. Estamos vivendo uma situação de problemas de falta de água em função de uma opção, que me parece correta, de diminuição da pressão da água.

Muita gente reclama da falta de informação. Não dá para avisar quando faltará água por redução de pressão?

O esforço de comunicação é sempre útil e qualquer adicional é bem-vindo.

Faltou transparência durante a gestão da crise?

O padrão de governança da Sabesp é o melhor do Brasil. Mas a crise fez emitir um alerta geral, não só para o governo e para as empresas, mas para todos: não estamos mais no mundo da fantasia.

A empresa que cuida do dia a dia do saneamento não poderia ter se preparado melhor?

Com risco de ser chapa branca, digo que a Sabesp foi a empresa que fez o maior programa de água de reúso do hemisfério sul. Tem o maior programa de redução de perdas do Brasil e provavelmente da América Latina.

A Sabesp não tem uma previsão detalhada sobre a meteorologia dos seus sistemas?

Existe um grupo da USP que faz uma previsão voltada para o sistema Cantareira. O que aconteceu neste ano está totalmente fora de qualquer intervalo de previsão. O que está ocorrendo aqui é recorrente em Minas [Gerais], no Nordeste, na Califórnia e na África e exige, de uma maneira geral, outra estratégia.

Na Califórnia, o governo escancarou o problema. Aqui, a gravidade da crise não foi exposta por causa das eleições?

É difícil se dissociar da questão eleitoral, mas, em um longo prazo, temos que olhar para erros do passado. Desde os anos 1960 fomos negligentes na estratégia de ocupação de São Paulo. Nós deveríamos ter protegido as margens da Guarapiranga e do rio Tietê. Por que foram canalizados tantos córregos? Se você tivesse o rio Pinheiros e o rio Tietê navegáveis, com píeres, você teria muito lucro.

Como é possível aproveitar melhor o ciclo da água?

Primeiro, produzindo eficientemente. O Brasil perde, em média, 37% da água que produz, seja em perdas físicas, seja em perdas comerciais. Em Macapá, por exemplo, este índice é de 72%.

Depois, tratando a água. É muito importante a captação de água de chuvas. É preciso também fazer medição de consumo individualizada.

O governador falou que há "gastões" de água e sabe-se que condomínios têm dificuldades em reduzir o uso porque têm hidrômetros coletivos. Por que nunca houve uma política de mudança disso?

Porque ninguém se preocupa com isso. Há uma incompetência que é geral, da sociedade. A gente se acostumou a um mito de abundância [de água]. Então, precisa haver um choque cultural. As pessoas precisam se dar conta de que um banho de cinco minutos é algo razoável.

O componente ambiental não está demorando muito para entrar no contexto político?

Ele é crucial. As empresas não podem atuar como vendedoras de água, mas como companhias de meio ambiente. Mobilizar a população para proteger córregos, defender o reflorestamento, não jogar lixo nos rios.

E se não chover acima da média neste verão?

Considerado o absurdo desperdício de água, existe um bom espaço para a redução de consumo. A redução de consumo já foi equivalente a um novo sistema. Nós podemos ter mais um sistema sem sacrifício. Os hábitos brasileiros em relação à água ainda são carnavalescos.

É mais barato investir em obras ou redução de perdas?

Devemos reduzir perdas antes de construir sistemas. Em uma cesta de soluções, daria um peso maior na redução de consumo. Daria grande ênfase também na redução de perdas. Daria muita ênfase ainda na reciclagem de água.

Em São Paulo, a redução de perdas envolve diminuição das perdas físicas (redução de vazamentos com equipes especializadas na detecção nas tubulações menores). E reduzir perdas comerciais.

Reduzir perdas de 37% para 25% até 2025 no país renderia R$ 30 bilhões (três anos do que é investido em saneamento).

Gosto de usar o seguinte bordão: nosso maior manancial é a incompetência.

06/12/2014

Folha faz parecer falta d’água uma injustiça com a santa SABESP

PSDB OBRASnLouve-se a capacidade da Folha em transformar a SABESP em vítima. É um texto escrito a seco, mas que faz verter, nos leitores, lágrimas suficientes para abastecerem todo o Sistema Cantareira…

De tanta louvação, parece mais um press release da empresa que um testo jornalístico. Não informa, louva; não questiona, empolga.

Com a Folha de seu lado o PSDB poderia ir ainda mais longe, quiçá entronizado como Família Real no Governo Paulista. Pena que seus quadros sejam tão ruins, mas tão ruins que não conseguem sequer fornecer água. E  para quem dizia que a culpa era da falta de chuvas, como entender os R$ 3,5 bilhões pedidos ao Governo Federal. Com este montante até eu faço chover…

Como disse o humorista José Simão, o PSDB não deixou nenhuma obra que vá tijolo e cimento. E as que já existiam, como a a SABESP, vendeu. Assim, os lucros com ficam os donos, os prejuízos eles passam o pires à Dilma…

CRISE D’ÁGUA 

Sabesp eleva custo de plano antidesperdício e reduz meta

Previsão era que perdas caíssem de 19,8% para 13%, mas agora objetivo são 16,8%

Projeto para Grande SP saltou de R$ 4,4 bi para R$ 6 bi; novo valor se deve à correção da inflação, diz empresa

ARTUR RODRIGUESFABRÍCIO LOBELDE SÃO PAULO

O plano de redução de desperdício de água da Sabesp para a Grande São Paulo ficou mais caro, mas teve diminuídas suas metas.

Orçado em R$ 3,3 bilhões em 2008 (R$ 4,4 bilhões em valores corrigidos), o custo previsto do programa iniciado em 2009 saltou para R$ 6 bilhões.

Atualmente, o índice de perdas na região é de 30,4%, incluindo de vazamentos a ligações irregulares –se considerada toda a área de atuação da empresa no Estado, o índice é de 24%.

A meta visa apenas a redução dos vazamentos, isto é, das perdas físicas. Esse percentual, atualmente, é de 19,8% na Grande São Paulo.

A expectativa da Sabesp em 2008 era que esse índice caísse a 13% em 2019. Apesar de ter ficado mais caro, o plano da empresa agora prevê que as perdas cheguem a 16,8% em 2019. A companhia afirma que os dados do projeto de 2008 foram revistos em 2012.

A Sabesp afirma já ter investido R$ 2,3 bilhões na redução de perdas. Mas no ritmo atual de resultados, nem a nova meta será atingida. Desde 2009, a queda não chegou a um ponto percentual.

A justificativa da empresa é que, abaixo dos 20%, as reduções ficam cada vez mais lentas e caras. O Ministério Público Estadual, porém, avalia se há irregularidades na atuação das empresas contratadas.

Especialista na área hídrica, o engenheiro Julio Cerqueira Cesar Neto afirma que, de fato, essas obras são caras e de longo prazo.

"É como uma pessoa obesa que perde muitos quilos. Quando chega a certo índice, fica mais difícil."

Mas o custo dessas intervenções vale a pena, afirma ele. "É como se a Sabesp criasse um novo sistema de abastecimento."

A Sabesp não explica o motivo da diminuição da meta. Afirma que, em 2009, o plano foi novamente orçado em R$ 4,1 bilhões e que houve correção inflacionária.

Entre as obras prioritárias projetadas estão a substituição e a reabilitação de tubulações da rede do Estado. A previsão era reparar 316 km anuais, em média, no Estado. Em 2013, foram apenas 182 km.

Outra defasagem está na substituição de ramais das tubulações. A proposta era trocar 423 mil por ano. No ano passado, foram só 255 mil.

Questionada, a Sabesp não informou os resultados dos outro anos.

04/05/2014

Quem consome volume morto pratica necrofilia?!

Sabesp forquilha_wifi - RadiestesiaA operação para sugar água ainda ‘intocável’

Operários trabalham a toque de caixa para a captação de reserva começar dia 15

03 de maio de 2014 | 17h 46

Fabio Leite – O Estado de S. Paulo

É preciso sair da rodovia e dirigir por 2,3 quilômetros em uma estradinha de terra batida, no limite entre as cidades de Piracaia e Joanópolis, a cerca de 100 quilômetros da capital paulista, para encontrar os litros de água que restam nas represas Jaguari-Jacareí. É no local, que virou um enorme vale por causa da pior estiagem dos últimos 84 anos, que cerca de 25 operários trabalham a toque de caixa para finalizar as obras de captação de uma reserva profunda até agora intocável, o chamado “volume morto” do Sistema Cantareira.

Inédita e polêmica, a retirada da água represada abaixo do nível mínimo de captação começa no próximo dia 15 de maio nos reservatórios que representam 80% da capacidade total do manancial, mas que estão com menos de 3% do volume armazenado. A escassez hídrica impressiona quem passa pelos 13 quilômetros da Rodovia José Augusto Freire (SP-36) entre as duas cidades do interior. Onde antes era possível encontrar jovens saltando da ponte sobre a água, agora moradores estacionam no acostamento para fotografar a mata que restou no solo.

A trilha até a água leva inevitavelmente à obra do “volume morto” que acontece no túnel 7 da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). É lá que a empresa está instalando o conjunto de bombas flutuantes que vai sugar até 2 mil litros de água do fundo dos reservatórios e transpor por meio de tubulações especiais até a entrada do último túnel de captação. Dali, a água passa pelas represas Cachoeira, em Atibaia, Atibainha, em Nazaré Paulista, e Paiva Castro, em Mairiporã, até chegar à estação de tratamento Guaraú, na zona norte da capital paulista.

O mesmo procedimento está sendo feito no reservatório Atibainha, que tem 12% da capacidade do Jaguari-Jacareí, mas ainda está com cerca de 50% do volume armazenado e deve secar em “meados de julho”, segundo o comitê anticrise que monitora o Cantareira. As duas obras devem custar cerca de R$ 80 milhões. Ao todo, a Sabesp pretende captar cerca de 190 bilhões de litros da reserva profunda, praticamente metade dos 400 bilhões do volume captável. Pelos cálculos apresentados pela companhia, a quantidade é suficiente para abastecer a Região Metropolitana de São Paulo até o fim de novembro, quando se espera a volta da temporada de chuvas.

No mês passado, o Ministério Público Estadual (MPE) abriu um inquérito civil para apurar possíveis danos à saúde que podem ser causados pelo consumo da água do “volume morto”. A investigação teve como ponto de partida um relatório elaborado por especialistas em biologia e toxicidade em corpos d’água que afirmam que, quanto mais baixo o nível dos reservatórios, maior é a concentração de poluentes.

“Quando se cogita fazer o uso do ‘volume morto’, por causa das condições emergenciais de necessidades hídricas, antes que esteja disponível para o abastecimento público, deve passar por análise criteriosa e tratamento adequado para atendimento dos padrões normatizados de qualidade de água”, afirmam no documento Dejanira de Franceschi de Angelis e Maria Aparecida Marin Morales, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e Silvia Regina Gobbo, da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep).

Segundo a Sabesp, a água do “volume morto” não apresenta riscos à saúde e “será tratada dentro dos rígidos padrões de qualidade” seguidos pela companhia. Especialistas em recursos hídricos, como o professor Rubem Porto, da USP, e técnicos da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE) confirmam as boas condições de uso da água da reserva profunda.

Impacto. Outra preocupação levantada com o uso inédito do “volume morto” é o impacto da retirada da água na fauna do Cantareira. A suspeita levantada por ambientalistas também é investigada pelo Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema) de Piracicaba, que já sofreu com a mortandade de cinco toneladas de peixe por causa do baixo nível do rio que leva o nome da cidade e pertence à bacia hidrográfica onde fica o Cantareira.

Para a secretária-geral da ONG WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito, ainda há um ponto importante a ser esclarecido: “Quanto tempo o Sistema Cantareira vai levar para se recompor?”, indaga. “Corremos o risco de termos crises severas a cada semestre. Não dá para apostar que vai voltar a chover ou que outras obras podem resolver. A conta está no limite e é preciso utilizar outras ferramentas para recuperar os nossos mananciais.”

Segundo o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, o esgotamento do volume útil do Cantareira mostra à sociedade que a água é um bem finito e que precisa ser consumida com parcimônia. “Agora, na iminência de ficar sem água, espero que as pessoas comecem a entender a essencialidade dela e passem a usá-la com racionalidade. Não dá para ficar confiando que o tempo vai ajudar nem querer correr com os investimentos em infraestrutura hídrica agora.”

Somente nos últimos dois meses, o Sistema Cantareira perdeu 50 bilhões de litros, segundo cálculos feitos pelo comitê que monitora a crise do manancial, porque o consumo de água foi muito maior do que a produção. Embora a Sabesp tenha reduzido em 6 mil litros por segundo a retirada de água do Cantareira, com a política de bônus e com a reversão de água dos Sistemas Guarapiranga e Alto Tietê, o grupo técnico recomendou que a ANA e o DAEE determinem uma reserva estratégica a ser preservada ao fimde novembro, quando termina a captação prevista do “volume morto”. Segundo o secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, a quantidade de água disponível nos reservatórios garante o abastecimento de água na Grande São Paulo até março de 2015.

19/03/2014

São Paulo culpa São Pedro

Folha de São Paulo, 19/03/2014:

LUGAR ERRADO

LUGAR ERRADO

No local conhecido como Beco do Batman, na Vila Madalena, carro sobe sobre outro depois de ser arrastado pela chuva em São Paulo; no sistema Cantareira, quase não choveu, e reservatório recuou para 14,9%

Na manchete, acima, da Folha de São Paulo, fica evidente que a culpa pela falta de água vai acabar caindo nas costas do parceiro de São Paulo, em São Pedro. A Folha lastima que a chuva tenha caído na Vila Madalena, ao invés de encher os cântaros da Cantareira…  Tudo para tirar das costas da incompetência tucana a imprevidência administrativa. A outra manchete é ainda mais sintomática:

Jornal Cidade, de Uruguaiana, denuncia aumento da tarifa na primeira fatura após privatização.Só se surpreende com os tucanos e seus comparsas privatistas os anencefálicos. Em 06/06/2001, após o apagão de FHC e com a privatização do sistema elétrico, denunciei no Observatório da Imprensa que o bem que os tucanos não teriam condições de fornecerem à população, apesar de sua abundância, seria a água. Dito e feito. Em parceria com um dos braços da Odebrecht, a Foz do Brasil, o prefeito de Uruguaiana, protegido por forte campanha da RBS,  privatizou o fornecimento de água e na primeira fatura a conta já veio sem cuspe (foto ao lado).

O que os privatistas veem como solução, eu vejo como confissão. De incompetência! 

É a tal de parceria que enriquece a Alstom, a Siemens, a Odebrecht e os Robson Marinho da vida. A justiça brasileira, em parceria com os grupos mafiomidiáticos, está cega para o PSDB, mas a justiça suíça, não.

Em termos de PSDB & Grupos MafioMidiáticos o que se pode dizer é que esta parceria não deixa legado de nenhuma obra que se use tijolo e cimento. Deixa contas na Suíça, empresas nas Ilhas Cayman, depósitos em paraísos fiscais. Não surpreende que o PSDB vá a Dilma buscar a solução pela sua incompetência. Aliás, são os mesmos que vivem criticando a transposição do Rio São Francisco agora passam o pires ao Governo Federal.

A seguir trecho do artigo que publiquei no OI em 2001 sobre este assunto:

A próxima é a água

Bonaparte nasceu para a história com a expulsão dos austríacos do norte da Itália. Enriqueceu Paris na proporção do butim que extorquiu aos italianos. Para a história restou o famoso dito italiano: "Non, tutti i francesi sono ladri, ma buona parti". Daqueles tempos a esta parte, poder-se-ia dizer que nem todos no governo do professor Cardoso são ladrões, mas boa parte. Nem todos na imprensa se fizeram de moucos, mas boa parte, posto que esta também era parte interessada na repartição do bolo. Palavra esta apropriada para a comemoração dessa vitória de Pirro, haja vista que nele se acendem velas…

Janio de Freitas, na Folha de 3/6/01, escreveu que já nos anos 70 existia crise de energia. A dar crédito, os áulicos que a cortejaram enquanto jovem hoje apontam o dedo à crise balzaquiana: eu acuso! Profetas do passado, com a mão que afagavam agora apedrejam.

Tudo indica, pelos menos há quem comente na ONU que a água, num futuro não muito distante, será um bem mais escasso que o ouro. O governo do professor Cardoso, mesmo depois da Waterloo da energia, treina seu granadeiro da Advocacia-Geral para privatizá-la. Nesse ritmo, em breve teremos de pagar o ar que respiramos à White Martins. O Projeto de Lei 4.147, em discussão no Parlamento, passa batido na imprensa. Desconhecimento ou má-fé, parecem todos olhos e ouvidos do rei. Nada vêem, nada escrevem sem seu consentimento. É claro, uma notinha, uma matéria perdida em algum caderno sempre sai. É o álibi.

Se o governo do professor Cardoso não se sente em condições de garantir a água aos brasileiros, que pelo menos nos poupe de tanta incompetência, peça sua beca e retorne à Sorbonne. Mas, o que é pior, está mais fácil chamar a Corte do que a imprensa à realidade.

(*) Funcionário público federal, e-mail <crestani@ieg.com.br>

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