Ficha Corrida

26/10/2015

Os EUA e a Lava Jato

TioSam

EUA: por trás dos golpes, as garras, por Márcio Valley

Enviado por marcio valley dom, 25/10/2015 – 18:36

do blog do Marcio Valley

John Adams foi o primeiro vice-presidente dos Estados Unidos, tendo George Washington como presidente, e seu segundo presidente, governando no período de 1797 a 1801. Iluminista e republicano, está inserido num contexto histórico que representa o início do fim de uma longa tradição, cujo berço é Grécia clássica e seu filho dileto é o senado romano, na qual o pensamento filosófico e a arte da oratória ainda eram fortes na política. Tempos nos quais não havia esperança para um candidato a político alienado da razão, das verdades e das condições históricas de sua própria época, como hoje parece ser apanágio necessário de parcela considerável dos políticos brasileiros.

Adams disse uma obviedade que, proferida pela boca de um pensador que experimentou o poder, ganha densidade: “Existem duas maneiras de conquistar e escravizar uma nação. Uma é pela espada, a outra é pela dívida.”

E disse outra que merece profunda e necessária reflexão pelos brasileiros, que estamos numa grave turbulência democrática: "Democracia nunca dura muito e logo se desperdiça, exaure, e mata a si mesma. Nunca houve até agora uma democracia que não tenha cometido suicídio."

As palavras chave aqui são espada, dívida e escravidão.

A sociedade ocidental experimenta, como forma de organização política, a democracia submetida ao estado de direito, entendida a democracia como o direito do cidadão de participar do poder político, em oposição às ditaduras e tiranias, e o estado de direito como o cabedal jurídico que limita a atuação estatal ao garantir os direitos e liberdades individuais, impedindo o despotismo e o esmagamento do cidadão pelo peso do Estado.

Não se pode discordar da afirmação de Churchill de que a democracia é o pior dos regimes políticos, porém não existe nada melhor. De fato, a democracia dá voz potencial a todos os cidadãos na escolha do próprio destino, sendo que a participação nos rumos da coletividade é um dos principais fatores de elevação da autoestima. Mesmo para quem advogue o socialismo, a democracia deve ser considerada indispensável como meio de alcançar a felicidade comum, caso contrário pode-se repetir a farsa que foi a experiência soviética.

A democracia, como forma de governo, encontrou um sistema econômico que aparentemente com ela forma um par perfeito na direção dos negócios públicos e privados: o capitalismo. Baseado na propriedade privada, nenhuma pessoa que defenda o liberalismo, entendido como a liberdade de autodeterminação da própria vida, pode ser contra o capitalismo sem incorrer numa contradição em termos.

Ainda assim, democracia e capitalismo parecem estar fracassando no objetivo de estender à humanidade a qualidade de vida que deveria ser um efeito necessário do desenvolvimento humano. Por quê?

A resposta parece ser: democracia e capitalismo degeneraram por excesso de liberdade deste último.

Praticamente todas as ações humanas estão sujeitas a alguma restrição de liberdade individual, pois tal restrição é absolutamente necessária à manutenção da saúde do tecido social. Seria impossível viver numa sociedade que não penalizasse o homicídio, a apropriação indevida do patrimônio alheio e a violação da liberdade sexual, apenas para ficar nesses exemplos.

A democracia e o capitalismo, como produtos da ação humana, não podem ficar de fora dessa restrição nas respectivas atuações. E, na verdade, estão de fato sujeitos a diversas restrições.

O problema é que o capitalismo consegue escapar dessas amarras e, livre, corrompe a democracia.

Enquanto o capitalismo manteve-se essencialmente territorial, ainda era possível exercer sobre ele algum pouco controle, ante a necessidade do capital, e muitas vezes do próprio capitalista, de permanecer no local da produção. Obrigado a estar no local, devia alguma submissão às leis locais, ainda que mínima. Tal possibilidade de controle, ainda que bastante rarefeita, não mais existe. Atualmente, desvinculado de qualquer território específico, nenhum país é capaz de lhe restringir a liberdade.
A primeira vítima dessa liberdade é justamente a democracia.

Historicamente, os ricos sempre foram senhores do Estado, num primeiro momento como monarcas e, posteriormente, como eleitores privilegiados. Salvo poucas exceções, ou os ricos estão no poder diretamente ou o poder é exercido pelos escolhidos da riqueza. A estreiteza da relação riqueza-governo é de tal ordem que se chega a justificar a existência do Estado como instituição garantidora da propriedade, nada mais.

Democracia real, portanto, sempre foi e continua a ser uma utopia longínqua.

Mesmo quando se fala em democracia clássica grega, isso guarda pouca relação com o que se entende hoje por democracia popular. O comparecimento à praça da Ágora era exclusividade de cidadãos homens nascidos de pais atenienses, uma casta de privilegiados. Mulheres e estrangeiros residentes eram excluídos da democracia. Além disso, havia servidão e escravidão em Atenas, obviamente sem direito algum, o que por si contraria o sentimento que temos hoje em relação aos fins e objetivos da democracia.

Contudo, num único e breve momento da história, que não chegou a cem anos, um espirro histórico em quase cinco mil anos de civilização, uma parte da própria elite, talvez entediada pela mesmice, inaugurou uma nova forma de pensar que hoje designamos por Iluminismo.

Os iluministas eram membros altamente intelectualizados da elite, pensadores que puseram a razão acima dos temores mitológicos que até então dominavam a humanidade. Durante esse período, Nietzche chegou a decretar a morte de Deus. O filósofo só não previu que, tratando-se de um ser todo-poderoso, no final do século seguinte, Ele ressuscitaria, e com bastante disposição para angariar fundos, nas igrejas pentecostais.

Essa facção diletante e aborrecida da elite europeia começou a pensar em coisas como o abandono das barbaridades da Idade Média, do obscurantismo religioso e das arbitrariedades do Estado. Iniciou um processo de valorização do ser humano, visando à construção de uma nova sociedade, fundada axiologicamente no altruísmo social e na dignidade da pessoa humana. Havia um quê de utilitarismo no objetivo pretendido por essa elite de intelecto entendiado que ousou desafiar as repugnâncias de sua época. Não era, propriamente, o bem do indivíduo que se buscava, mas da sociedade. Afinal, uma sociedade com uma carga menor de carências individuais é certamente capaz de gerar um ambiente menos perigoso para circular, possivelmente com um grau de felicidade geral maior e mais cheirosa e bonita de se ver.

Embora o ciclo do pensamento iluminista tenha durado pouco, encerrando-se no despertar do século XIX, ecos dessa forma racionalista de pensar, pressupondo a valorização do ser humano, persiste até os dias de hoje e foi consagrada em instrumentos históricos notáveis, como a constituição americana e a carta dos direitos humanos. Nossa constituição é recheada de valores iluministas.

Esse espirro histórico durante o qual uma fração da parcela rica da sociedade foi confrontada com sua obrigação moral de cuidar dos desvalidos veio a causar, tempos depois, reforçada pela influência de outros eventos históricos importantes, como a ascensão das ideias de Marx e as grandes guerras, um pequeno, mas significativo relaxamento na sofreguidão pelo lucro.
Por um breve momento, repentinamente parecia que a sociedade humana tinha encontrado o caminho para o florescimento de grande parte dos indivíduos, um arranjo saudável entre a busca pelo lucro e a necessidade de excluir a experiência humana da miséria abjeta.

Durante esse piscar de olhos, nós parecíamos realmente ser a espécie mais inteligente do planeta.

A legislação trabalhista protetiva ganhou impulso, um patamar salarial mínimo é garantido, estipula-se um máximo de horas para o trabalho, o Estado passa a conceder assistência social aos desfavorecidos, o acesso a uma educação fundamental é garantida, assim como o acesso à saúde básica, além de outras iniciativas vocacionadas à eliminação da condição de vida degradante.

Um pouco depois disso, em meados do século XX, ao bem-estar da população veio agregar-se uma outra concessão do capital: a redução da miséria pelo incremento na renda. Foi a época dos baby boomers americanos e dos Trinta Gloriosos da França. Nesse momento histórico também se inclui os cinquenta anos em cinco de Juscelino, no Brasil.

Entretanto, quando tudo indicava que a democracia e o capitalismo iriam cumprir o desígnio para o qual estavam predestinados, de conduzir a humanidade ao paraíso na Terra, salvar o planeta da miséria, eis que se inicia um desagradável retrocesso e se reacende a fogueira quase apagada da degradação da condição humana. Perdem-se totalmente ou são mitigadas as conquistas históricas do desenvolvimento civilizatório iniciado a partir do final do século XIX.

A América Latina viu-se arrebatada por ditaduras, no Oriente Médio inicia-se um processo de desestabilização política que ainda continua, a Europa ser torna um fantasma do que chegou a ser do que poderia ainda ser.

Quem é o culpado? Quem estragou a festa da civilização?

O culpado mais provável é a ressurgência da ótica do poder absoluto que dominava o cenário na época da barbárie humana, dos faraós, czares e imperadores. Retorna a vontade do rico de usar o seu poder de forma absoluta, inquestionável, acima do bem e do mal. Poder absoluto que, hoje, se traduz na perspectiva do lucro a qualquer preço, pensamento bárbaro similar à conquista total e da terra arrasada, que se colocou no passado e se coloca no presente acima dos interesses da humanidade. Esse espírito deletério é representado por algo que é celebrado e olhado de forma positiva até por quem é sua vítima: a globalização da economia.

A globalização não é um movimento recente, as grandes navegações do século XVI já representavam esse intuito, e tampouco é culpada pelo problema, trata-se apenas de ferramenta extremamente útil para alcançar o real objetivo: lucratividade desmedida, poder sem limites.

A globalização é atualmente a maior responsável pela renovação da escravidão em roupagens modernas. Hoje o senhor do escravo não precisa mais construir senzalas e nem necessita morar na casa grande. Ele obtém o trabalho gratuito pagando, por exemplo, cinquenta centavos de dólar por uma camisa numa fábrica em Bangladesh, que emprega costureiras por 20 dólares mensais. A corporação fashion americana ou europeia pode afirmar, assim, que não é ela a responsável por pagar esse salário miserável a um trabalhador seu. Certamente.

Numa sociedade saudável, a globalização seria ótima, desde que entendida como a liberdade plena de deslocamento do ser humano no planeta, pessoas e seus patrimônios. No despertar da humanidade, a globalização era um fato, inexistiam fronteiras e impedimentos ao tráfego humano.

Nossa sociedade, porém, está muito longe de ser saudável. Alguém já afirmou que somente uma pessoa muito doente pode se dizer perfeitamente adaptada a essa sociedade degenerada. Nesse sentido, a inquietação, o inconformismo, é que seria sinônimo de inteligência e saúde mental.

A globalização, vista sob seu aspecto meramente econômico, admite apenas a liberdade de tráfego para o capital. Pessoas continuam locais e impedidas de atravessar fronteiras, vide o exemplo trágico dos refugiados, alvo da “piedade” europeia muitas vezes traduzida no afundamento de seus barcos.

Atualmente, o poder político real não está mais nas mãos dos presidentes das nações. Voltamos à era dos faraós, dos reis, dos imperadores. A única diferença é que, hoje, eles sentam em tronos incógnitos. Não se sabe mais quem são os reis e onde estão os seus castelos, porque eles perderam o ancestral orgulho de estar no comando. A nova onda do imperador é não ser admirado, somente temido. A invocação da genealogia e da heráldica tornaram-se anacrônicas e até perigosas para os soberanos num mundo apertado por sete bilhões de pessoas, em grande parte faminta, no qual matar milhares, em caso de convulsão, não é mais assim tão glamouroso. Hoje, nossos novos monarcas se apetecem somente pelo poder e pela riqueza. Alguns poucos, menos cerebrais, à isso acrescentam a vontade da fama.

Os novos reis não possuem um local definido, uma área geográfica, para a ação imperial. No antigo modelo, cada nação representava um pedaço do planeta dominado por seu próprio rei. O poder do rei estava adstrito ao território da nação. Isso é passado. Na atual divisão do poder, território nada mais significa. O comando não mais se divide entre nações e seus territórios, mas entre corporações e seus ramos de negócios. A economia está fatiada e cada uma das fatias representa um reino específico comandado por poucos monarcas absolutos. Há quem sustente que temos atualmente 147 reis, cada um deles comandando as corporações que encabeçam e que, em desdobramento, dominam todas as demais (http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=rede-c…).

O poder dos novos reis emana, tanto das riquezas do passado, decorrentes da acumulação primitiva, como das riquezas modernas, obtidas por empreendedorismo e oportunismo. Munidos da força dessas riquezas, manipulam a política como meio de controlar os sistemas monetário e financeiro, ou seja, a toda a economia. Não se trata de uma conspiração, mas de orientação identitária a partir de uma ideia contida no senso comum, de que a riqueza deve ser mantida nas mãos de quem as detém e ampliada ao máximo, independentemente das consequências. Embora não seja uma conspiração, em toda a plenitude da palavra, isso não significa que não se reúnam ocasionalmente para traçar diretrizes comuns. Fazem isso com frequência regular no Fórum Econômico de Davos, na reunião de Bilderberg e em outros grupos menores, mas não menos importantes, como a sociedade Skull & Bones, além de outros, alguns dos quais talvez nem chegue ao conhecimento do público.

Como todo rei, eles precisam de um exército. Esse exército, atualmente, se chama Estados Unidos da América.

Os Estados Unidos não são "o" império, como muitos pensam. São apenas o soldado do imperador, a interface do poder, a máscara com a qual é encenado o teatro farsesco da democracia e da liberdade. São também a espada de que nos alertava John Adams, com a qual é imposta a vontade absoluta dos reis a todos os países.

Os Estados Unidos, como braço armado dos imperadores, submete a economia mundial à vontade do poder de quatro modos distintos: (a) corrompendo os governos nacionais, (b) mediante a concessão de empréstimos condicionados a exigências futuras virtualmente impossíveis de cumprir, concedidos por instituições como Banco Mundial e FMI, (c) assassinando políticos de países estrangeiros que incomodem ou (d) pelo velho, tradicional e eficaz método de invasão armada.

Independentemente do método, o objetivo é o mesmo: fragilizar a nação-alvo e obrigá-la ao cumprimento da agenda corporativa. Um interesse presente é a venda de ativos do colonizado. A privataria tucana praticada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso não possui outra explicação. Um intuito marcadamente presente é o controle de recursos naturais, principalmente o petróleo. Outras vezes, o desejo é instalar bases militares americanas no país. Enfim, a submissão das demais nações é interessante sempre e pelos mais variados motivos, mas principalmente por interesse em recursos minerais ou de proteção aos produtos das corporações internacionais.

Embora na superfície se tratem de solicitações americanas, o interesse subjacente, e principal, é das corporações. Apenas como exemplo, a guerra do Iraque favoreceu empresas de construção e petrolíferas, tendo o governo americano arcado com a totalidade do prejuízo. Na privatização brasileira, foram corporações que se beneficiaram do sucateamento de nossas estatais.

Constitui fato histórico reconhecido que o governo dos Estados Unidos atuou para desestabilizar governos de países soberanos, muitos deles pacíficos e amigos dos americanos, inclusive através de assassinatos políticos.

Foi assim em 1949, quando o governo americano auxiliou o golpe de estado que conduziu Husni al-Za’im ao comando da Síria. Alçado ao poder, Za’im implementou ações em benefício de corporações do petróleo.

Em 1953, os americanos, com apoio dos ingleses, derrubaram Mohammed Mossadegh, que fora democraticamente eleito presidente do Irã. Mossadegh ousou nacionalizar a indústria de petróleo iraniana, até então controlada por uma corporação britânica, porque entendia que essa riqueza mineral deveria beneficiar primeiramente o povo iraniano. Em seu lugar, ascendeu Mohammad Reza Pahlavi, um tirano autoritário, porém simpático ao poderio americano. Reza Pahlavi permaneceu no poder até 1979, quando uma revolução iraniana, liderada pelo Aiatolá Khomeini, o depôs.

Como agiram os americanos nesse episódio? Enviaram um emissário, munido de milhões de dólares, para corromper os adversários políticos de Mossadegh. Mossadegh, um democrata eleito, foi retratado pela imprensa como um tirano, enquanto Reza Pahlavi, um monarca absolutista despótico, era fantasiado de liberal.

Conduzido pela desonestidade da imprensa e por políticos corruptos totalmente desvinculados dos interesses do Irã, o povo aderiu ao golpe a auxiliou na queda de Mossadegh. Tiro no próprio pé, movido pela ignorância e pela fraude.

O modelo utilizado no Irã, contra Mossadegh, torna-se padrão para a derrubada discreta de governos incômodos: envio de poucos emissários americanos, preferencialmente um homem só, com acesso ilimitado a dinheiro, para corromper a imprensa e políticos locais.

O modus operandi é relatado por John Perkins, no livro Confissões de um Assassino Econômico, ele próprio tendo sido um desses agentes infiltrados.

Em 1954, na Guatemala, o governo de Arbenz Guzmán, eleito democraticamente presidente em 1951, desejava realizar uma ampla reforma agrária no país, em benefício de seu povo. Isso, porém contrariava amplamente os interesses de uma corporação americana do ramo de frutas. O governo dos EUA enviou emissários para corromper os políticos da oposição. Novamente a imprensa mundial agiu, passando a imagem de que Arbenz era um agente soviético. Arbenz foi deposto, sendo substituído por uma ditadura militar que atendia aos interesses da corporação prejudicada. Esse é considerado o primeiro dos vários golpes militares patrocinados pelos americanos na América Latina, Brasil inclusive.

Em 1963, no Iraque, o general Abd al-Karim Qasim, que havia liderado um golpe contra monarquia e proclamado a república, foi deposto e preso com apoio dos americanos. Qasim era nacionalista, o que sempre desagrada as corporações. De 1963 a 1968 há uma sucessão de golpes e assassinatos no poder iraquiano, sempre com suspeitas de participação dos americanos, até se estabilizar a presidência nas mãos de Ahmed Hassan al-Bakr do Partido Baath, auxiliado por um jovem político, que se tornará seu vice-presidente em 1979 e, finalmente, dez anos depois, passará a comandar o país, Saddam Hussein.
Saddam se tornaria marionete dos EUA em suas tentativas de derrubar o governo do Irã, iniciadas em 1980, novamente por interesses no petróleo.

Em 31 de março de 1964, João Goulart, democraticamente eleito vice-presidente do país e que assumiu de forma constitucional a presidência após a renúncia de Jânio Quadros, também sob a pecha de agente soviético e que também pretendia realizar uma reforma agrária no país, foi deposto por um golpe militar apoiado financeiramente pelo governo dos Estados Unidos. Como sempre, em seu lugar assumiu uma ditadura militar, que vigorou até 1984, vinte anos após.

Em 1981, Jaime Roldós, eleito democraticamente presidente do Equador em 1979, morreu num acidente de avião. Existem fortes suspeitas de que o acidente tenha sido obra do governo americano. Roldós, assim como Mossadegh no Irã, desejava, e estava adotando ações para esse fim, que o petróleo equatoriano beneficiasse o povo do Equador, o que desagradou as corporações do petróleo. Afirma-se que, não sendo possível desinstalar Roldós pela corrupção, restou a opção de simular um acidente de avião.

Hugo Chavez, eleito democraticamente para presidente da Venezuela em 1998, reelegendo-se em 2000 e novamente em 2006, foi duramente combatido pelo governo americano, com apoio integral da imprensa venezuelana. O discurso de Chavez era anti-neo-liberalismo e contrário à geopolítica americana. Em sua primeira eleição, Chavez encerrou um ciclo de 43 anos no poder de um conluio de políticos corruptos que englobava os três maiores partidos venezuelanos. Chavez utilizou o imenso poderia da Venezuela no petróleo como uma arma contra os americanos. Novamente um político nacionalista pretendendo utilizar o petróleo para ajudar o próprio povo. O percentual de venezuelanos classificados como pobres despencou de quase metade da população, 49,4% no ano de 1999, para menos de um terço, 27,8% no ano de 2010. A história revela que esse comportamento não agrada às corporações. Por isso, em 2002, com a imprensa totalmente contrária a Chavez, um golpe de estado o depôs, com fortes indícios de participação ativa dos americanos, que imediatamente reconheceram a legitimidade do governo golpista. Entretanto, ante a reação mundial negativa, o golpe foi um fracasso e, três dias depois, Chavez voltou ao poder.

Os exemplos de intervenção americana direta e indireta poderia continuar por longo tempo, como no golpe do Chile em 1973, na Argentina em 1976, na morte de Omar Torrijos do Panamá em 1981, na tragédia do Afeganistão, na invasão do Iraque em 2003, na Nicarágua e em El Salvador na década de 1980, Camboja, Vietnã e etc e etc…

Brasil. 2002. Um partido criado pelos trabalhadores e com origem nitidamente socialista elege o seu candidato para a presidência da república. O político de origem sindicalista e sem formação acadêmica, Luis Inácio Lula da Silva, após três tentativas infrutíferas, finalmente sobe a rampa do Palácio do Planalto, não sem antes se comprometer formalmente a não instalar um governo comunista no país, num documento denominado Carta aos Brasileiros, nítida concessão às corporações.

Lula surpreende os conservadores, pois sob seu governo a economia avança admiravelmente. De fato, no período de 2003 a 2010, o PIB brasileiro apresenta um aumento anual médio de 4% ao ano, enquanto o representante da elite neoliberal, o acadêmico laureado Fernando Henrique Cardoso, nos oito anos anteriores, obteve somente 2,3% ao ano. No último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2002, a taxa de desemprego era de 10,5% da população economicamente ativa. Lula a reduz para 5,3%. A arrecadação tributária bate recordes em cima de recordes, não por aumento da tributação, mas como reflexo de um incrível incremento no mercado interno. Lula liquida a dívida brasileira com o FMI e aumenta as reservas de US$ 37,6 bilhões para US$ 288,5 bilhões . A taxa de juros Selic cai de 25% ao ano para 8,75% ao ano. O Brasil atravessa sem grandes danos a maior crise econômica desde 1929, que foi a crise de 2008. O salário mínimo, que teve redução real (descontada a inflação) no governo FHC de cerca de 5%, consegue aumento real de cerca de 54% nos oitos anos do governo petista.

Enfim, Lula surpreendeu positivamente durante os oito anos de seu mandato. Contudo, somente obteve paz no primeiro mandato, de 2003 a 2006. A partir do final do primeiro mandato, todavia, passou a ser alvo de crítica feroz da grande imprensa e dos políticos de oposição, principalmente do próprio PSDB.

O que mudou?

Muitas coisas podem ter provocado essa mudança de atitude. Uma delas, talvez a mais relevante, foi o anúncio da descoberta de imensas jazidas de petróleo na camada do pré-sal, ocorrida justamente em 2006. Segue-se à descoberta o anúncio do governo petista de que essas jazidas de petróleo seriam resguardadas para o interesse nacional, inclusive com a possibilidade de criação de uma estatal específica para elas, a Petrosal, o que desagrada às grandes corporações de petróleo do mundo.

Petróleo, nacionalismo, interesses corporativos, ação desestabilizadora. A história se repete.

Um governo cujo sucesso, até então, e embora com um certo ar blasé, era reconhecido pela imprensa, numa reviravolta passa a ser alvo de uma campanha difamatória impiedosa dessa mesma imprensa. Ilícitos que, quando comprovados em governos passados, sequer mereciam manchetes, passaram a ser estampados na capa de jornais e revistas por meras suspeitas.

Adotou-se a prática da escandalização do banal, da manipulação dos fatos e da culpabilidade por dedução lógica.

O escândalo do mensalão transforma uma prática corriqueira em todos os partidos, incorreta, porém usual, de utilização das sobras do caixa 2 de campanhas para a conquista de apoio político, é manejado para parecer compra de votos. Se foi comprovada a compra de votos para votar a emenda da reeleição da Fernando Henrique Cardoso, obviamente interessado nessa emenda, e nada respingou na reputação de FHC, no mensalão afirma-se a compra de votos para aprovação de leis de interesse público, como leis da previdência e outras, sem que se pare para pensar porque um partido iria adotar tal prática para aprovação de projetos de interesse nacional. E ainda que se comprovasse o pagamento, e isso não foi provado, o erro estaria no partido que compra ou no político que precisa ser comprado para aprovar tais leis?

Sem conseguir evitar a reeleição de Dilma pelo PT, mesmo com o mensalão, a escandalização avança, provocando dissensões no próprio tecido social. Amigos deixam de se falar, parentes se dividem, pessoas brigam nas ruas por conta de opiniões contrárias, cadeirantes são agredidos por se manifestarem a favor do PT, velórios são vilipendiados pelo ódio político, pessoas públicas são agredidas em restaurantes em função de exercerem cargo no governo, sair à rua com uma estrelinha do PT aos poucos vai se transformando numa aventura mortal.

Nada impede a imprensa e um setor menos intelectualizado do PSDB de prosseguir nessa sanha acusatória. O governo se vê envolvido numa trama que envolve a grande mídia, um partido (PSDB) que representa os interesses neoliberais desejado pelas corporações, parcela do Ministério Público Federal e do judiciário federal simpáticos ao PSDB, com alguns de seus componentes inclusive tendo sido nomeados pelo próprio Fernando Henrique Cardoso.

A corrupção sistêmica, que Fernando Henrique Cardoso, recentemente, reconheceu existir desde o seu governo, e que soube e que nada fez pois sabia que isso seria mexer num vespeiro incontrolável, é atribuída ao único partido político que em toda a história brasileira agiu de forma republicana e deixou as instituições funcionarem no combate à corrupção.

Como se diz, o PT torna-se vítima de seu próprio republicanismo.

O povo, conduzido como massa de manobra, não percebe as discrepâncias no discurso oposicionista da moralidade seletiva e se agita contra o partido que forneceu as melhores condições jamais experimentadas pelos trabalhadores e pela parcela menos desfavorecida do país.

Contudo, por mais insana que se apresente a conduta da oposição tucana e da imprensa, não parece provável que assumiriam a possibilidade de causar uma ruptura social no país se não houvessem interesses ocultos muito mais sólidos.

A imprensa parece estar cavando a própria sepultura, ao enterrar sua credibilidade em toneladas de lama desveladas rapidamente pela internet. Um ato de suicídio dessa magnitude não pode representar um mero interesse em se livrar de um partido incômodo. Deve existir algo mais.

Quais são os verdadeiros interesses ocultos por trás desse movimento de desestabilização do governo brasileiro?

A equação possui governo de tendência socialista, petróleo, nacionalismo, escandalização pela imprensa e um partido político que atua de forma contrária aos interesses do próprio país.

Todas as vezes em que esses elementos estiveram presentes na mesma equação, os Estados Unidos da América atuaram em desfavor do governo nacional rebelde aos interesses das corporações.

Não há motivo algum para supor que agora fariam diferente.

Na eleição americana do ano 2000, Al Gore foi nitidamente alvo de uma fraude eleitoral que conduziu Bush filho ao poder. Poderia ter iniciado uma disputa jurídica acirrada para obtenção de recontagem. Republicanamente, porém, abdicou dessa disputa em nome da paz política dos Estados Unidos.

No Brasil, Aécio Neves, coloca a própria ambição política acima de um resultado político justo, honesto e reconhecido pelo seu próprio partido após realizar dispendioso e inútil esmiuçamento nas urnas eleitorais. Isso, todavia, não impede Aécio de assumir essa insanidade vexatória num comportamento que o fez ser apelidado corretamente por Jânio de Freitas de “taradinho do impeachment”.

Aécio Neves, cuja riqueza pessoal em grande parte é devida à ação política oligárquica de sua família e à sua própria atuação política, pois está envolvido na política desde antes de se formar na faculdade, se vende como um paladino da moralidade e da ética para maquiar o que é somente mera ambição política, egolatria e mania de grandeza. Se acha no direito de desestabilizar a nação em nome desses vícios de caráter, sendo ombreado nesse propósito por pessoa vaidosa que pensa incorporar a figura de estadista e de sábio político, Fernando Henrique Cardoso, mas que não revela a grandeza de impedir a luta fratricida que está se iniciando no Brasil.

Todavia, não se vê uma defesa contundente da democracia pelo “parceiro amigo” do Brasil, os EUA, que seriam capazes de adotar ações através das próprias corporações donas dos meios de comunicação brasileiros.

O silêncio dos americanos em relação a assuntos internos de outros países que com potencial de atingi-los, mesmo superficialmente, é revelador, pois sempre foi indicativo, não de neutralidade, mas de incitação, apoio material ou, no mínimo, posição favorável aos revoltosos.

O Brasil sempre foi um empecilho às corporações por sua inclinação a um alinhamento com os países sul-americanos e com outras nações menos privilegiadas.

Isso, por si só, já constitui uma ofensa ao imperialismo corporativo.

A gota d’água foi a política protecionista do pré-sal.

É muito possível, pelo que se extrai dos relatos históricos, que a tentativa de desestabilização do governo do PT, acentuado no governo da Dilma, possua garras de águia habilmente escondidas.

Garras que manipulam marionetes brasileiras.

no blog: http://marciovalley.blogspot.com.br/2015/10/estados-unidos-da-america-por-tras-dos.html

EUA: por trás dos golpes, as garras, por Márcio Valley | GGN

24/03/2014

Guerras do Petróleo

Todas as crises recentes nos mais diversos países têm algo a ver com a questão energética. Desde Irã em 1953, passando pelo Iraque/Kwait, Líbia, Egito, Síria, Ucrânia, Venezuela e, agora, Brasil. Coincidentemente, sempre com a participação, direta ou indireta, dos EUA. Foi assim antes, está sendo assim agora, e só não será no futuro se a Al-Qaeda lograr jogar mais alguns aviões pelos quatro cantos dos EUA.

No caso interno, o que se viu no final de semana é um bando de vira-latas latindo em vão. A reunião de maçons, assexuados de colarinho apertado, viúvas da ditadura, mortos-vivos zumbizando, órgãos da Opus Dei foi dizimada pela luz do sol. Pareceu mais um Incidente em Antares do que qualquer movimentação com lastro na realidade. Tudo bem, vamos deixar que os Fantasmas se divertem… Mas com um olho na Petrobrás, porque já houve uma tentativa de torná-la palatável aos olhos ianques, na vexaminosa tentativa de transforma-la em Petrobrax

A guerra pela Petrobras é pelo controle do Brasil

23 de março de 2014 | 20:12 Autor: Fernando Brito

tucanobrss

Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma.”

Carta Testamento de Getúlio Vargas, 24/08/1954

Há uma semana que o amigo leitor e a cara leitora não leem nada nas manchetes dos jornais que não seja a tal compra da refinaria de Pasadena  pela Petrobras.

Opiniões, valores, declarações, suspeitas…

E quais são as suspeitas, afinal?

Até agora, tudo o que que o  negócio que, no máximo, teria sido desvantajoso para a empresa diante das mudanças no mercado de petróleo – como pode ocorrer em qualquer grande empresa num ramo de risco.

margensAliás, o valor de uma refinaria, ligado à margem de lucro que ela produz ao refinar petróleo, é a gangorra que você vê aí no gráfico da Reuters, de 2011, mostrando que o ganho por barril refinado variou “apenas” entre mais de US$ 20 e US$ 5.  Quatro vezes, “só”.

É óbvio que os estudos que embasaram a compra da refinaria, que se aprofundaram depois de uma carta de intenções de setembro de 2005, levaram em conta as margens de lucro médias vigentes no período, sempre muito altas, exceto no final de 2006, logo após  sua compra quando houve – registra o Washington Post, “um colapso no lucro margens de refinarias de petróleo e uma queda de US $ 17 o barril nos preços do petróleo desde agosto”.

Como você vê no gráfico foi, como se previa, uma baixa pouco duradoura, numa expansão que continuou até a crise de 2008, quando, aí sim, as margens de lucro caíram de forma duradoura.

Portanto, foi, à época, um negócio dentro dos parâmetros de mercado.

É bom lembrar que, mesmo antes do pré-sal, época em que foi efetuada a compra, o Brasil tinha (e ainda tem) um enorme déficit em sua capacidade de refino.

Não se fazia nenhuma nova refinaria no país desde o início dos anos 80, exceto a pequena Clara Camarão, no Rio Grande do Norte. Isso não era fruto de uma incapacidade técnica ou financeira da Petrobras em fazer novas plantas, mas uma determinação do governo Fernando Henrique para forçar a entrada do capital estrangeiro no setor de refino.

Basta ler este parágrafo da revista Petroequímica, especializada no setor, de agosto de 2011.

“A Petrobras tem firmado com a Agência Nacional do Petróleo uma capacidade máxima de refino — 1,8 milhão de barris/dia até 2005, quando o consumo deverá estar girando em torno de 2,3 milhões de barris diários. Assim, a ANP quer abrir espaço para a concorrência – a rigor, hoje a Petrobras detém 98% desse mercado no país. “

Então, nos primeiros anos do Governo Lula, além de avançar nos projetos de novas refinarias, a Petrobras precisava de refino rápido, urgentemente. E comprar refinarias, na ocasião e hoje, ainda é mais barato que construí-las, mesmo que exigissem altos investimentos em sua modernização. Aliás, muito mais barato.

O que dá dinheiro, mesmo, no petróleo, é extrair e vender, tanto que as grandes empresas caíram fora do setor de refino faz tempo.

A Petrobras o amplia porque tem compromisso com o abastecimento interno e entende que a atividade de refino é um  forte motor da atividade econômica interna e porque as descobertas do pré-sal vão mudar o perfil majoritário do petróleo brasileiro de pesado para leve,

Toda essa informação é para que o leitor saiba que, fora de um clima de histeria e politicagem, a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras – teve todas as justificativas técnicas e financeiras para ser feita e a forma e valor de aquisição foi aprovado apenas depois de estudos e pareceres internos e externos  que a alicerçassem.

O assunto não é novo e sequer tem peso na politica de investimentos da companhia: menos de 1%  do que empresa investiu, seja no ano da primeira compra seja assumindo,  por determinação de corte arbitral, sua segunda metade.

A discussão técnico-econômica pode ser muita mais aprofundada, mas sempre vai refletir estes aspectos essenciais.

A questão virou, porém, político eleitoral.

Toma esse vulto, apenas, porque a Petrobras é, no fundo, o centro de nossa campanha eleitoral.

Ela tornou-se ainda mais  a coluna vertebral do processo de desenvolvimento nacional soberano, com o pré-sal.

Os mesmos compromissos e interesses que levaram José Serra a prometer a Chevron que desfaria o modelo de partilha e a hegemonia da Petrobras – como antes, fizeram FHC vender parte do capital da empresa na Bolsa de Nova York –  continuam existindo.

Mas é preciso fantasia-los de “defesa da moralidade” e da “eficiência da empresa”.

Como aquela conversa de dizer a uma mãe pobre que, entregando seu filho, ele será mais bem tratado e  terá  do bom e do melhor, querem que entreguemos nosso petróleo, agora abundante.

O dever de transparência que se tem nos negócios públicos não pode significar o abandono do que é essencial neste caso: a luta política pelo controle do maior patrimônio material de riqueza deste país, o petróleo.

Essa luta não nos dá o direito de sermos ingênuos ou primários.

Porque ela envolve um valor sagrado: a autonomia e o progresso do Brasil e de seu povo.

A guerra pela Petrobras é pelo controle do Brasil | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

23/03/2014

Ucrânia e a ignorânCIA amestrada

Filed under: Arapongagem made in USA,CIA,Criméia,NSA,Rússia,Ucrânia — Gilmar Crestani @ 12:31 pm
Tags:

 

No rastro de Nicolau I

Há paralelos claros entre a guerra da Crimeia de 1854 e o conflito atual. Como o czar, um autoritário Putin teme um contágio democrático

Orlando Figes 22 MAR 2014 – 21:59 BRT

“Basta conhecer a história da Crimeia e o que a Rússia e a Crimeia sempre significaram uma para a outra.” Assim Vladimir Putin justificou a anexação russa da Crimeia, em um discurso no Kremlin na terça-feira. “Nos corações e nas mentes das pessoas”, prosseguia o presidente russo, “a Crimeia foi sempre e continua sendo parte inseparável da Rússia”. Os líderes ocidentais não deveriam estar surpresos pela atitude implacável de Putin nessa “apropriação de terras”. Não estariam se conhecessem a história russa.

Como Putin salientou em seu discurso, o cristianismo russo tem sua origem na Crimeia. Segundo as crônicas medievais, foi em Quersoneso, antiga colônia grega da costa sudoeste da península, nos subúrbios da atual Sebastopol, que outro Vladimir, o príncipe de Kiev, foi batizado em 988, levando assim o cristianismo ao Rus de Kiev, a imprecisa confederação de principados eslavos da qual deriva a identidade nacional da Rússia.

A Crimeia esteve dominada durante 500 anos por tribos turcas e tártaras, mas depois da sua anexação por parte da imperatriz russa Catarina, a Grande, em 1783, os russos voltaram a cristianizá-la.

Para Catarina, a Crimeia era o paraíso meridional da Rússia, um jardim das delícias onde os frutos do seu Governo cristão ilustrado poderiam ser saboreados e mostrados ao mundo que estava além do mar Negro. Ela gostava de se referir à península por seu nome grego, Táuride, mais do que como Crimeia (Krym), seu nome tártaro. Pensava que desse modo vinculava a Rússia com a civilização helenística de Bizâncio.

A imperatriz concedeu terras à nobreza russa para que estabelecesse magníficas propriedades ao longo da montanhosa costa sul, que rivaliza em beleza com o Amalfi. A partir de então, a Crimeia passou a ser sem dúvida o lugar favorito para as férias da elite russa, preferência que milhares de turistas soviéticos conservaram no século XX.

A Crimeia era a linha tectônica que separava a Rússia do mundo muçulmano, divisão religiosa sobre a qual se assentou a formação do império russo. A partir de Sebastopol, a frota do mar Negro podia impor a vontade do czar ao Império Otomano, assegurando o controle da Rússia sobre os estreitos que conduzem ao Mediterrâneo.

Em 1854, o assédio a seus frágeis vizinhos turcos levou a Rússia a se envolver na Guerra da Crimeia contra todos os Estados ocidentais, exatamente da mesma forma como o assédio aos ucranianos a colocou à beira de uma nova Guerra da Crimeia 160 anos depois.

Entre aquela situação e a atual existem paralelos evidentes.

O czar Nicolau I havia exercido um governo autocrático ao longo de quase 30 anos. Ninguém ousava desafiá-lo. A oposição tinha sido silenciada pela censura e a repressão policial, sobretudo depois das revoluções democráticas europeias de 1848, que o czar temia que pudessem se estender para a Rússia.

Quatorze anos de autoritarismo exerceram em grande medida o mesmo efeito sobre Putin, evidentemente inquieto perante a possibilidade de que a revolução ucraniana pudesse dar nova vida à oposição democrática na Rússia.

O velho projeto do czar era dividir o Império Otomano para perpetuar sua fragilidade e sua subordinação à Rússia e mantê-lo à distância das potências ocidentais. Os planos de Putin para a Ucrânia provavelmente são os mesmos.

Nicolau I definia a missão da Rússia como a defesa dos cristãos ortodoxos que viviam sob domínio turco. Para ele, a Rússia era um império cristão que abrangia seus correligionários de outras nações. Foi assim que ele justificou a invasão dos Bálcãs sob controle dos turcos – no que foi o primeiro passo da Guerra da Crimeia – para libertar os sérvios e os búlgaros do domínio otomano e tomar Constantinopla, o centro de Bizâncio.

Os britânicos e os franceses saíram em socorro do Império Otomano, supostamente erguendo-se em favor dos princípios de liberdade e soberania territorial, mas na realidade movidos pelo desejo (alimentado pela fobia antirrussa da imprensa ocidental) de acabar com a “ameaça russa” contra a Europa.

De forma parecida, Putin define os interesses da Rússia como a defesa dos russos que vivem na Ucrânia. Como deixou claro na terça-feira, a razão para considerar catastrófica a ruptura da União Soviética é a enorme quantidade de russos que ficaram órfãos da sua pátria. “Milhões de russos foram dormir em um país e acordaram vivendo em outro.” Assim desculpa a invasão da Crimeia: libertar os russos do domínio ucraniano.

Quando entrou em guerra, Nicolau I estava furioso. Nenhum dos seus conselheiros foi capaz de refreá-lo quando se lançou contra os turcos, os britânicos e os franceses. Não suportava mais o Ocidente, a quem acusava de dupla moral e hipocrisia. Os franceses podiam arrebatar a Argélia dos otomanos (como fizeram em 1830), e os britânicos anexavam a cada ano um novo principado indiano, considerando essas ações justas; mas, quando os russos saíram em defesa dos seus correligionários nos Bálcãs, foram acusados de serem agressores que alquebravam o “equilíbrio de poder”.

O discurso proferido por Putin na terça-feira estava repleto de recriminações similares contra o Ocidente. Seus políticos “hoje dizem que uma coisa é branca, e amanhã que é preta”, afirmou com raiva. A propaganda do Kremlin – camuflada como informação no canal de TV Russia Today – acusa os líderes ocidentais de dupla moral e hipocrisia por apoiarem os referendos de Kosovo e Sudão do Sul, onde, argumenta, a mudança de regime seria útil aos seus interesses, mas opondo-se ao da Crimeia, onde não o é.

É difícil superestimar o profundo ressentimento dos russos em relação ao Ocidente. Eles se apressam em fazer referência à russofobia que, em certa medida, continua vigente como herança das posturas do século XIX e da Guerra Fria. A postura antiocidental de Putin fez sua popularidade aumentar na Rússia. Assim como Nicolau I, cujo retrato está pendurado na antessala do gabinete de Putin no Kremlin, o presidente está disposto a isolar seu país do Ocidente e possivelmente a lutar solitariamente contra este na defesa dos interesses da Rússia no mundo.

Mas, nesse ponto, as similitudes com o czar Nicolau começam a tomar um rumo diferente. Em 1854 o Ocidente era forte, e a Rússia, fraca. Com seu poderio industrial, os franceses e os britânicos estavam em condições de infligir uma humilhante derrota aos russos, mesmo precisando enviar suas tropas e seu material até a longínqua Crimeia.

Hoje em dia, o Ocidente está frágil. Não está preparado para fazer grande coisa no terreno militar, e pouco conseguirá de efetivo pela via das sanções econômicas para dissuadir Putin do seu provavelmente antigo projeto de dividir a Ucrânia ou lhe dar uma nova estrutura federal.

Há algo que o Ocidente possa fazer? Pode começar por contemplar a região do ponto de vista da Rússia; não aprovando as ações russas e não cedendo nem por um só instante na defesa dos princípios internacionais, mas compreendendo melhor a intensidade do que a Rússia sente em relação a esse tema complexo, porque uma coisa é certa: sem os russos, não há solução para a crise da Ucrânia.

Orlando Figes é autor de ‘Crimea: The Last Crusade’. Leia mais (em inglês): www.orlandofiges.co.uk

@orlandofiges

No rastro de Nicolau I | Internacional | Edição Brasil no EL PAÍS

23/02/2014

EUA x Rússia: de Bin Laden a neonazistas

Filed under: Neonazistas,Ucrânia — Gilmar Crestani @ 10:42 am
Tags:

 

Golpe de estado derruba presidente da Ucrânia; neonazistas a um passo do poder

Ukrainian Insurgent Army, onde já vimos isso antes?

Parlamento destitui Yanukovich e convoca eleições na Ucrânia
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O Parlamento ucraniano destituiu neste sábado (22) o presidente do país, Viktor Yanukovich, por "abandono de suas funções constitucionais" e convocou eleições presidenciais antecipadas para o dia 25 de maio.

Mais cedo –por volta das 16h10 locais e 11h10 no horário brasileiro–, Yanukovich foi à televisão para dizer que não tinha a intenção de renunciar. Durante discurso exibido pelo canal "UBR" –que acredita-se ter sido feito da cidade de Kharkiv, no nordeste do país–, ele denunciou um "golpe de Estado".

"Há um golpe de Estado no país", declarou. "Não tenho a intenção de apresentar minha demissão. Sou um presidente eleito legitimamente. Não tenho a intenção de sair do país", completou Yanukovich, que também disse que as decisões do Parlamento são "ilegítimas".

Em Kiev pela manhã, manifestantes tomaram o escritório de Yanukovich e declararam a ocupação de todos os edifícios da administração oficial. O policiamento ostensivo também deixou as ruas da capital do país.

Volodymyr Rybak, líder do Parlamento e aliado de Yanukovich, renunciou e foi substituído por Oleksander Turchynov, próximo da opositora Yulia Timoshenko.

SQN

22/02/2014

Manipulações da CIA mal na foto

Filed under: Manipulação,Venezuela — Gilmar Crestani @ 10:09 am
Tags:

 

Las falsas fotos sobre Venezuela

Por Sandra Russo

“Esto fue hecho por los ‘Humanistas’ pacíficos del Criminal fascista Régimen Asesino del PSUV. Merecen perdón?”, tuiteó esta semana, junto con una foto, Pedro Alvarez, cuyo perfil tiene la bandera venezolana. Las fotos son dos, en realidad, un antes y un después. El “antes” es de una foto carnet de un joven delgado y pálido. El “después” es el mismo joven pero completamente edematizado, hinchado hasta reventar, con los ojos cerrados por los moretones que lo vuelven morado. La foto, en realidad, no pertenece a un estudiante venezolano, sino a un joven español, Unai Romano, a quien en 2005 la policía de su país detuvo y torturó.

Daniela Frías, por su parte, tuiteó “Tú y yo somos venezolanos mi pana”, y sirve como epígrafe a la foto de una jovencita tomando por los hombros a un policía, y rompiendo a llorar mientras lo mira frente a frente. Esa foto, en realidad, procede de Bulgaria y fue tomada durante una de las protestas de estudiantes de 2013.

Otra foto difundida por Ya Cuba Twitea, prendida a numerosos hashtags como SOS o 12FVenezuelaPaLaCalle. El texto se limita a infundir retuiteos: “Que esta foto dé la vuelta al mundo”, expresa. La imagen es la de un joven estudiante arrastrado de atrás por dos policías totalmente pertrechados, uno agarrándolo del cuello y el otro doblándole el brazo. La imagen corresponde, en realidad, a una de las represiones policiales del año pasado en Santiago de Chile.

Por su parte, Raps Libertad! tuiteó: “Vean todos: la Mega inmensa rolo que hicieron en Tachira. Me quito el sombrero. Qué bárbaro”. La imagen es la de una infinita cadena humana toda vestida con remeras amarillas, que serpentea una ruta hasta perderse en el horizonte. El tuitero la presenta como una cadena humana de resistencia al gobierno de Maduro, pero la foto está, en realidad, tomada de una manifestación multitudinaria a favor de la independencia catalana, que tuvo lugar en septiembre de 2013.

Se podría seguir describiendo a lo largo de varias páginas las decenas de fotos falsas que en una inédita operación de acción psicológica tuvo lugar esta semana en las redes sociales de toda la región, pero quizá la que mejor resuma la impunidad con que se mueven los nuevos desinformadores sea una que retuiteó Amanda Gutiérrez. “Me llegó esto. Disculpen, pero debo compartirlo!”, dice, e ilustra con una foto de un estudiante arrodillado y obligado a practicarle sexo oral a dos policías. La foto es probablemente la más bizarra, porque aunque a lo que remite es a las escenas protagonizadas por el ejército norteamericano en Irak, ésta, protagonizada por latinos, está directamente sacada de una película porno.

Probablemente, como puede llegar a parecer en este último caso, muchísimos usuarios de Twitter opositores al gobierno venezolano tomaron las fotos como verdaderas, mientras hubo otros, al menos quienes armaron el enorme dispositivo de comunicación para fogonear la violencia en Venezuela y forzar el derrocamiento de Maduro, que planificaron torpemente la opereta, que no resistió ni un día la prueba de su veracidad. Desde varias latitudes, desde Venezuela pero también desde Estados Unidos y España, un día después de la difusión de las imágenes falsas ya se las había identificado y desenmascarado, pero, ops: la viralización de la mentira corre más rápido que su desenmascaramiento.

La operación desinformativa en las redes sociales tuvo su asidero en la realidad, por supuesto. Esta fue una semana de mucha violencia, que arrojó detenidos, heridos y muertos, uno de ellos una bella reina de Turismo de Carabobo, quien fue baleada en la cara desde una moto. ¿Quiénes estaban subidos a esas motos? No se sabe, pero la operación mediática y la base de sustento montada sobre las redes sociales lleva implícita la respuesta: un chavista al servicio del “régimen asesino” que se da por descontado en la mayoría de los comentarios periodísticos de los grandes medios.

Uno de los que desenmascaró una decena de esas fotos falsas que los tuiteros venezolanos hicieron pasar por documentos sobre “la represión del régimen” que circulaban por las redes sociales porque ellas se adjudican, precisamente, la “libertad” de la que el “régimen” priva a los medios tradicionales, fue el español Pascual Serrano, en un pormenorizado análisis publicado en eldiario.es y titulada “Venezuela y la orgía desinformativa”. El año pasado, Serrano escribió su último libro, La información jibarizada. Cómo la tecnología ha cambiado nuestras mentes. En él, Serrano, que además de participar activamente de las redes sociales fue uno de los fundadores del periódico digital Rebelión, aclara que en tanto usuario su intención al hacer ese análisis no es la de impugnar a las redes como vehículo de comunicación, sino más bien advertir que esos soportes no están funcionando como se preveía cuando se los celebraba como el tejido tecnológico de una nueva etapa de la comunicación, en la que el libre acceso y la posibilidad igualitaria de la palabra y de la imagen soplarían a favor de ésa y otras democratizaciones.

Esta catarata de falsedades sobre lo que sucede en Venezuela, difundidas por personas anónimas de las que ni siquiera se sabe su lugar de emisión, parece reforzar esa idea de Serrano, que señala como “un mito de la izquierda” aquella pretendida democratización, un “mito” que se debe revisar, a la luz de quiénes y cómo hacen uso político de las nuevas tecnologías, ya no por creatividad personal sino al amparo del anonimato y la viralización acrítica que promueven las redes, que vehiculizan, como en este caso y nunca con tanto descaro, el objetivo de cazar bobos y generar un clima de violencia más allá de las redes, en la realidad.

En el libro, Serrano plantea que el reduccionismo, la descontextualización y el anonimato de las redes no sirve de igual manera a una ideología que a otra. Lo que afirma es que el modelo de la información jibarizada le sirve a la derecha, siempre apta para los slogans, los climas, los malestares imprecisos. Las nuevas tecnologías han cambiado nuestras mentes, ahora ansiosas por comunicar lo que se desea en la mínima cantidad de caracteres. El problema, escribe Serrano, es que hay nuevas subjetividades que se están adaptando a esos soportes, y no es que escriban corto: piensan corto. Las ideas transformadoras, las que se inspiran en viejas tradiciones, las que anclan en luchas históricas, necesitan exhibir la complejidad del mundo y de los procesos políticos que lo surcan. Las redes sociales son sencillas de manejar, el poder no. “Detrás de la información jibarizada hay una ideología que gana y otra que pierde. Detrás de las nuevas tecnologías hay una tesis política que sale beneficiada y otra a la que perjudican –afirmó Serrano en una entrevista subida a YouTube–. El que quiere cambiar el modelo dominante necesita su espacio y su reflexión. El modelo dominante se preserva con algo escueto y descontextualizado. Creíamos que las nuevas tecnologías democratizarían la información, pero lo que han democratizado ha sido la desinformación.”

Página/12 :: Contratapa :: Las falsas fotos sobre Venezuela

21/02/2014

Soltura imediata a Bradley Manning e Edward Snowden?

Filed under: Barack Obama,Bradley Manning,CIA,Edward Snowden,Tio Sam,Venezuela — Gilmar Crestani @ 8:08 am
Tags:

tio samObama destoa do Brasil e exige soltura imediata de opositores

NATUZA NERYDE BRASÍLIA DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, classificou ontem de "inaceitável" a violência dos últimos dias na Venezuela e cobrou do governo de Nicolás Maduro que liberte os detidos.

"Pedimos o devido processo legal e a libertação imediata dos que foram presos enquanto expressavam pacificamente seu direito à liberdade de expressão", afirmou.

"Na Venezuela, em vez de tentar desviar a atenção de suas próprias carências, expulsando com falsas acusações diplomatas americanos, o governo deveria se concentrar em atender às reivindicações legítimas do povo venezuelano", disse Obama.

O presidente ganhou o coro inusitado da cantora Madonna, que publicou uma foto de Maduro na rede Instagram com a seguinte mensagem: "Aparentemente, não está familiarizado com a expressão direitos humanos’".

O tom duro de Obama contrasta com a tímida reação do Brasil à crise na Venezuela, criticada por entidades como a Human Rights Watch. A presidente Dilma Rousseff não se pronunciou publicamente até agora sobre o tema.

A diplomacia brasileira vem sendo questionada por ter dado aval a um comunicado do Mercosul que chamou de "ações criminosas" as manifestações da oposição venezuelana. Brasília, porém, preferia um comunicado mais ameno por parte do bloco. Nos bastidores, a ordem é manter distância da crise no país vizinho.

Segundo a Folha apurou com integrantes do Palácio do Planalto, havia uma defesa de que o bloco emitisse, sim, um documento conjunto, mas a versão sugerida pelo Brasil sinalizava um tom mais equilibrado. Analistas críticos à política externa de Dilma Rousseff viram no texto uma velada manifestação de solidariedade a Maduro.

Um sinal do incômodo gerado pelo episódio: a nota do Mercosul não foi publicada no site do Ministério das Relações Exteriores.

Além da proximidade política, há alegadas motivações econômicas para evitar atritos com Caracas. Se a Venezuela deixar de honrar compromissos com empresas brasileiras, o setor privado poderia levar um calote bilionário, conforme conta extraoficial do governo brasileiro.

Esse risco foi sentido no fim de 2013, quando Dilma enviou emissários a Caracas com o intuito de cobrar atrasos nos pagamentos de exportações.

Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria… Ucrânia… Venezuela!

Filed under: Arapongagem made in USA,CIA,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 7:28 am
Tags:

UcraniaA notícia boa é que a União Europeia, se entendi bem a estória, congelou os bens da CIA…

Choques põem Ucrânia à beira de guerra civil

Manifestantes e polícia rompem trégua; país tem dia mais sangrento desde independência, com ao menos 47 mortes

União Europeia retira vistos e congela bens de responsáveis por violência; Rússia envia representante a Kiev

DIOGO BERCITOENVIADO ESPECIAL A KIEV

A Ucrânia viveu ontem seu dia mais violento desde que se desmembrou da União Soviética, há 22 anos.

A trégua, que havia sido estabelecida no país após os confrontos desta semana, foi rapidamente desfeita pela troca de hostilidades entre o governo e opositores. Tiroteios na capital, Kiev, deixaram ao menos 47 mortos.

De acordo com informações do departamento de saúde da cidade, 75 já morreram desde a terça-feira, colocando em dúvida as já inconsistentes negociações entre o governo e a oposição.

A Ucrânia pode estar encaminhada, segundo a opinião de analistas, para uma guerra civil, com a separação entre a região leste, alinhada à Rússia, e o oeste, mais próximo da União Europeia.

A crise ucraniana começou em novembro passado, quando o presidente Viktor Yanukovich rejeitou um plano de integração à União Europeia. Ao preferir aproximar-se de sua aliada Rússia, ele revoltou parte da população –já descontente com a dependência econômica de Moscou–, que tomou a praça da Independência.

A posterior aprovação de leis repressivas, somada a embates com os manifestantes nas ruas, aprofundou o abismo entre o governo e a oposição, levando a Ucrânia a uma violenta divisão social. Hoje, protestos exigem a deposição de Yanukovich.

SANÇÕES

O presidente reuniu-se ontem, a centenas de metros desses embates, com uma delegação de ministros de três países da União Europeia (Alemanha, França e Polônia) para discutir uma solução política à crise.

O governo tem sido pressionado pelos europeus a evitar os confrontos violentos.

Pouco após a reunião, a União Europeia baniu vistos e congelou bens dos responsáveis pela violência nos protestos. Os EUA tomaram medidas similares anteontem.

De acordo com relatos, o encontro com os europeus durou cerca de quatro horas e deve continuar hoje. Há expectativas de que esse diálogo culmine no estabelecimento de um governo interino e na convocação para eleições antecipadas.

Yanukovich conversou também ao telefone com a chanceler alemã Angela Merkel, que exigiu o diálogo "urgente" com os opositores.

A solução política não é simples, porém, uma vez que a oposição na Ucrânia está enfraquecida e dividida.

A Rússia, aliada de Yanukovich, afirmou que as ações europeias e americanas são "chantagem" e que prejudicam a situação na Ucrânia.

PRISIONEIROS DE GUERRA

Em uma declaração recebida por manifestantes como absurda, o ministro ucraniano do Interior, Vitali Zakharchenko, elogiou a "contenção" e a "tolerância" das forças de segurança.

Ele afirmou, ainda, ter entregue à polícia armas de combate a serem usadas "de acordo com a lei". Segundo seu ministério, há ao menos 67 policiais detidos por manifestantes, no país.

A reportagem da Folha testemunhou alguns deles sendo transferidos na praça da Independência, escoltados por opositores como se fossem prisioneiros de guerra.

Apesar da declaração do ministro Zakharchenko, diversos opositores ouvidos pela reportagem nas ruas de Kiev descrevem a ação policial na cidade como sendo pouco contida ou tolerante.

Por outro lado, Oleh Mykhnyuk, comandante de um dos acampamentos da oposição, admitiu às agências de notícias que manifestantes atiraram coquetéis molotov contra policiais durante a trégua.

    12/12/2013

    E de repente acabou a rebeldia…

    Filed under: Imperialismo Colonial,Síria — Gilmar Crestani @ 9:07 am
    Tags:

    siria

    EUA e Reino Unido suspendem a ajuda militar aos rebeldes sírios

    Respondem assim à tomada de um arsenal por parte de uma milícia islamita

    O Exército Livre Sírio está enfraquecido em duas frentes, o regime e os jihadistas

    David Alandete Jerusalem 11 DEZ 2013 – 15:23 BRST

    Há apenas três meses, tratavam de convencer seus parlamentos da necessidade de um ataque contra o regime de Bachar el Asad para enfraquecê-lo e mudar o rumo da guerra na Síria. Nesta quarta-feira, afastaram-se um passo a mais dos rebeldes moderados, os mesmos que, no passado, foram elevados à categoria de interlocutores e representantes legítimos da cidadania síria. Os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha anunciaram a suspensão do envio de ajuda não letal – equipes de comunicação, coletes anti-balas, material médico – ao norte do país, após a Frente Islâmica, um grupo de nova formação, assaltar e saquear no sábado e no domingo vários arsenais do Exército Livre Sírio cerca da fronteira com Turquia.

    Segundo fontes diplomáticas norte-americanas no Oriente Médio, a medida foi tomada para evitar que algum tipo de material “acabasse em mãos erradas”, isto é, das milícias islamitas que foram ganhando terreno dos opositores moderados nos últimos meses. A Frente Islâmica, uma união de sete brigadas que há alguns meses apenas, cooperaram com o Exército Livre, assaltou no fim de semana o quartel do rebelde Conselho Militar Sírio e um depósito de armas na localidade de Bab ao Hawa, no noroeste da Síria. Segundo um relatório do Observatório Sírio de Direitos Humanos foram apreendidos um armamento antiaéreo e antitanque.

    Após um ano de guerra na Síria, em março de 2012, a Casa Branca começou a suspender o envio de ajuda militar aos rebeldes. Desde então, só autorizou pontualmente o envio de equipamento de assistência, não armas ou munição. Além disso, a CIA treinou vários grupos de rebeldes sírios na Jordânia, porém sem entregar-lhes qualquer armamento. Em uma visita a Jordânia, em março deste ano, o presidente norte-americano, Barack Obama, já expressou sua resistência a intensificar a ajuda aos rebeldes pela ascensão do jihadismo entre as categorias opositoras. “Me preocupa muito que a Síria se converta em um enclave para o extremismo, porque os extremistas são cultivados no caos, crescem em Estados frustrados, nos quintais do poder”, disse.

    O Exército Livre Sírio fica assim cada vez mais encurralado entre duas frentes. Por um lado, o regime não deixa de ganhar terreno com a tomada da localidade de Qusair, na fronteira com o Líbano, no final de maio. Por outro, os jihadistas têm se arraigado e impuseram sua lei nas zonas tomadas pelos rebeldes no norte do país, sobretudo em Alepo e Raqqa. “Esperamos que nossos aliados reconsiderem e esperem em poucos dias que a situação se esclareça”, disse em um comunicado o porta-voz do Exército Livre, Louay Meqdad.

    EUA e Reino Unido suspendem a ajuda militar aos rebeldes sírios | Internacional | Edição Brasil no EL PAÍS

    26/11/2013

    Óbvio ululante

    Filed under: Complexo de Vira-Lata,Irã,Isto é EUA!,Lula Seja Louvado — Gilmar Crestani @ 8:45 am
    Tags:

    Qualquer indivíduo que não seja invejoso ou não seja amestrado pela Veja sabe que tudo o que Lula fez ou faz é melhor. Mas enquanto os cães ladram, a caravana passa…

    CLÓVIS ROSSI

    O acordo Lula/Irã era melhor

    Ao contrário do novo pacto, proposta de 2010 dizia que urânio iraniano só poderia ser enriquecido no exterior

    O acordo, efetivamente histórico, alcançado domingo entre o Irã e as seis grandes potências me obriga a voltar ao acordo de 2010 entre Brasil, Turquia e Irã.

    Do ponto de vista das potências, o acordo que Luiz Inácio Lula da Silva e Celso Amorim ajudaram a costurar era melhor.

    Explico: o entendimento previa, expressamente, o envio de 1.200 quilos de urânio pobremente enriquecido para enriquecimento na Turquia, para ser depois devolvido ao Irã preparado a um nível tal que lhe permitiria o uso para fins medicinais, mas impossibilitaria a utilização para fazer a bomba.

    Convém lembrar que, desde sempre, o objetivo das potências que negociam com o Irã é impedir que o país persa chegue à bomba.

    É bom lembrar também que foi o presidente Barack Obama quem, em carta a Lula, considerou "fundamental" a menção aos 1.200 quilos, no acordo que o Brasil então começava a costurar.

    A lógica desse item é simples de explicar: retirando de seus estoques os 1.200 quilos, o Irã não teria material suficiente para continuar trabalhando na bomba, se essa for a sua real intenção, como suspeita o Ocidente, mas que Teerã nega uma e mil vezes.

    Por que o acordo de 2010 é melhor que o de domingo? Também simples de explicar: o novo entendimento não tira do Irã um único quilinho de urânio. Logo, evitar que o país continue a enriquecer urânio a níveis suficientes para chegar rapidamente à bomba vai depender, única e exclusivamente, das inspeções internacionais.

    No acordo Irã/Turquia/Brasil, ao contrário, o enriquecimento –e unicamente até o patamar de uso pacífico– seria feito no exterior, sem necessidade de inspeções, sempre complicadas e passíveis de burla.

    Parêntesis: não creio que o Irã pretenda burlar as inspeções com as quais se comprometeu no domingo. Seria convidar os EUA e as demais potências a restaurarem as sanções que tanto dano provocaram ao governo e à população. Danos tamanhos que forçaram o regime à negociação com uma predisposição inédita em dez anos de impasse.

    Ainda assim, o acordo de 2010 daria mais segurança aos que temem que os aiatolás estejam mentindo quando dizem que não querem a bomba, até porque ela seria anti-islâmica.

    Havia ainda no entendimento da era Lula um item que falava na "oportunidade de começar um processo prospectivo, que criará uma atmosfera positiva, construtiva, não-confrontacional, conducente a uma era de interação e cooperação".

    Ora, o acordo de domingo também cria essa "atmosfera positiva e construtiva", mas com três anos e meio de atraso.

    A vantagem do acordo de 2010 não significa reduzir a importância do que foi alcançado no domingo.

    Com todas as ressalvas que possam ser levantadas, prevalece a análise do sítio "Al Monitor":

    "A alternativa [ao acordo] seria mais sanções, que provavelmente resultariam em menos monitoramento, mais centrífugas, mais enriquecimento acima de 5% (…) e crescentes perspectivas de um ataque militar".

    crossi@uol.com.br

    01/09/2013

    Wikileaks: EUA têm planos para derrubar Assad desde 2006

    Filed under: Síria,WikiLeaks — Gilmar Crestani @ 7:46 pm
    Tags:

     

    Documento da diplomacia norte-americana aponta quais as fragilidades a serem aproveitadas para tirar presidente sírio do poder

    Ao anunciar, na tarde deste sábado (31/08), que autorizava a realização da intervenção militar na Síria, o presidente norte-americano, Barack Obama, colocou em prática um plano antigo de seu país. A ideia de uma ação do gênero contra o governo do presidente Bashar Al Assad já tinha sido planejada durante o mandato de George W. Bush, ainda em 2006, conforme mostram documentos vazados pelo site Wikileaks.
    Segundo o telegrama datado de 13 de dezembro de 2006, redigido pelo diplomata William Roebuck, “o regime sírio terminava 2006 mais forte domesticamente do que em dezembro de 2005”. Para o diplomata, o governo Assad era sustentado por uma pequena “claque”, imune às pressões externas e internas sofridas pelo líder sírio.
    Leia mais: Ataque à Síria não depende de relatório da ONU, mas de apoio do Congresso, anuncia Obama
    Porém, “a crescente confiança de Assad e o apoio desse pequeno grupo de poder poderiam levar o mandatário sírio a fazer más avaliações e cometer erros por conta das reações emocionais diante de desafios”. O diplomata cita o assassinato do ex-premiê libanês Hariri e a criação da Frente de Salvação Nacional como exemplos da reação irracional de Assad diante das crises. Segundo Roebuck, essa instabilidade emocional de Assad deveria ser explorada pelos EUA.
    Assad demonstrava preocupação em como era percebido no exterior e se havia confiança no seu processo de tomada de decisões. Para os diplomatas norte-americanos sediados em Damasco, as fraquezas de Assad residiam em como o líder sírio lidava com ameaças iminentes – fossem elas hipotéticas ou reais. Entre essas ameaças, estavam o conflito entre as reformas econômicas e a corrupção, a questão curda e o relacionamento com os radicais islâmicos no país.
    Leia mais: Missão da ONU não tem condição de definir quem fez ataque químico na Síria, diz perito
    De acordo com os diplomatas, havia uma oportunidade para explorar essas fragilidades de Assad e, assim, conseguir influenciar o círculo ao redor do mandatário sírio. A ideia era reverter o cenário da época: economia relativamente estável, oposição fraca e intimidada, e um cenário regional do Oriente Médio condizente com os interesses da Síria. O principal foco das ações para desestabilizar a presidência de Assad envolviam as tensões entre a Síria e o Líbano, “a inexperiência de Assad e o fato de que o círculo de pessoas de confiança do ditador sírio era muito pequeno”.
    O envolvimento da Síria no assassinato de Hariri e o constrangimento internacional causado pelo caso colocavam a reputação do país em questão. A divergência dentro do governo Assad sobre qual a melhor forma de influenciar o Líbano e o caso Hariri deveriam ser a principal instabilidade a ser explorada seja pela diplomacia ou por  “outros meios indiretos” O relatório Mehlis, conduzido pela ONU e que acusava a Síria de ter atrapalhado as investigações do caso Hariri, “causava angústia em Assad”.
    Irã
    Roebuck também menciona a aproximação de Assad com o Irã e como isso seria percebido dentro do mundo árabe como uma vulnerabilidade a ser explorada. “Assad caminha numa linha fina ao se aproximar do Irã sem que isso feche as portas para o relacionamento com outros vizinhos sunitas”, explica Roebuck. Os EUA deveriam explorar o medo sunita da crescente influência iraniana e xiita na Síria. O diplomata recomenda um “esforço coordenado com os governos de Arábia Saudita e Egito” para enfraquecer os xiitas e Assad.

    Leia mais

    O sectarismo e a corrupção são outras das brechas enxergadas por Roebuck para derrubar Assad do poder. Segundo a avaliação norte-americana, o poder é dominado pela família Assad e, em menor grau, pelos Makhluf, clã materno do presidente. As discussões sobre corrupção e suborno fazem com que a família Assad não seja imune a conspirações contra o governo. “Várias pessoas íntimas do regime cogitam como seria a Síria pós-Bashar Assad”, afirma o diplomata norte-americano”.
    Agência Efe

    Reunião entre Assad e outros dirigentes sírios com líderes iranianos, neste domingo (01/09)
    Ou seja, a ideia da diplomacia norte-americana era impor sanções e assim explorar a “lavagem de roupa suja dentro do regime Assad”. Segundo Roebuck, a Frente Nacional de Salvação da Síria sabia onde estavam os “esqueletos do armário” de Assad. Apoiar a FNS ajudaria a divulgar a corrupção e causar fissuras no governo sírio.
    Também seria explorada a ideia de que a Síria estaria sendo usada como base para ação de grupos terroristas como a Al Qaeda. No entanto, até mesmo o governo sírio se considera vítima desses grupos. Esse argumento deveria ser usado para demonstrar a instabilidade dentro da Síria. Assad sobreviveu quase 7 anos a essas “instabilidades”. Barack Obama parece empenhado em ajudar na sua queda a partir de agora.

    Opera Mundi – Wikileaks: EUA têm planos para derrubar Assad desde 2006

    17/04/2013

    Lección de Obama. A Aznar

    Filed under: José Maria Aznar,Liberdade made in USA! — Gilmar Crestani @ 9:26 am
    Tags:

    Por: José María Izquierdo

    Es tarea ingrata tener que leer a nuestros coros y danzas cómo elogian la unidad ciudadana y política en Estados Unidos tras el atentado de Boston. Y lo es porque en España, tras el salvaje atentado del 11-M de 2004, pasaron cosas que es difícil, muy difícil olvidar para quienes las vivieron o las vivimos.  Lo peor fue ver cómo José María Aznar, entonces presidente del Gobierno, corrió al teléfono para mentir a los directores de periódicos -para que su vez mintieran a los ciludadanos- asegurando que tenía pruebas incontestables de la autoría de ETA de aquella masacre que se llevó por delante 192 vidas. Intentaba librarse así, además, de asumir cualquier responsabilidad por haber apoyado la guerra de Irak en caso de que se tratara de terrorismo islámico. Una maniobra sucia, cobarde y deshonesta. Que tuvo en nuestros cornetas a sus principales soportes. Y todavía hoy hay quien echa mano de Boston para insistir en la conspiración del 11-M.

    Por lo demás, seguimos con el aborto. ¿Es una campaña para presionar al Gobierno, con oídos receptivos, bien es verdad, llevada a cabo con el beneplácito –y el apoyo- de la Iglesia y las muchas organizaciones ultracatólicas existentes en España? Pues claro. ¿Alguien lo duda?

    Abc dedica su primer editorial a la cuestión catalana: “Artur Mas no engaña a nadie”. Lo mismo de siempre, vamos. El segundo se titula “Lección ejemplar de EE.UU. tras Boston”. Dice cosas como éstas: “Estados Unidos está reaccionando con la ejemplaridad que demostró en el 11-S. Ninguna declaración política de corte sectario ni partidista. Ninguna presión sobre la Casa Blanca para exhibir urgentemente culpables. Ninguna discordia en las calles. Su fortaleza no se basa sólo en sus ejércitos o en su economía. También reside en sus profundos sentimientos de patriotismo y de unidad frente a la adversidad”. Abc debe querer decir que Barack Obama no está haciendo lo que hizo José María Aznar aquel 11 de marzo de 2004, como ya hemos contado. Tampoco está haciendo el Gobierno de Estados Unidos lo que hizo Aznar: negar a la oposición cualquier posibilidad de mostrarse unidos frente al terror. Por su cuenta, Aznar convocó una manifestación para demostrar que solo él, su partido y su gobierno luchaban contra el terrorismo. Tiene razón Abc: es verdad que el gobierno de Estados Unidos no está intentando hacer política de baja estofa a costa de los muertos por el terror.

    Manuel Martín Ferrand quiere, de nuevo, vendernos a Esperanza Aguirre como la gran dama de la política española. Lean: “Esperanza Aguirre, uno de los pocos notables de la política española que asistirá a tan significativo funeral, ha dicho de Thatcher que ‘ningún político de los últimos 60 años ha sido más fiel a sus principios’ como ella lo fue. Es toda una oración fúnebre que aumenta su valor aquí y ahora, en donde los políticos -los unos y los otros- funcionan según el soplo de las encuestas al modo con que lo hacen las veletas por el impulso cambiante del viento”. Pero el exceso, ya lo he dicho muchas veces, lleva al ridículo: “Es curioso que, como Esperanza Aguirre, la baronesa Thatcher también fuera ministra de Educación”. Exactamente como Mariano Rajoy. Incluso como Alfredo Pérez Rubalcaba. ¿Y?

    Pretende Gabriel Albiac, nuestro corneta filósofo, llevar a nuestros corazones –porque espero que tan débil razonamiento no apunte a nuestros cerebros- que en realidad el terrorismo de ayer de Boston parte de un par de impulsos iniciales: de Ernesto Che Guevara, como ya propuso “en abril de 1967”, y del “jardín de Alá”, donde se dieron de bruces “los sueños más locos de la revolución”. Es posible que los autores de la matanza sean guevaristas -¿existe aún tal cosa?- o terroristas islámicos. Pero habrá que recordarle a Albiac -siempre con Spinoza y sin tiempo para leer los periódicos- que en 1995, Timothy McVeigh voló el edificio Federal Alfred P. Murrah en Oklahoma City: 168 muertos, entre ellos 19 niños menores de seis años, y cerca de 700 heridos. Ya recuerdan ustedes que McVeigh no era precisamente, ni guevarista ni islamista…

    La Razón hace su editorial sobre la nueva ley del aborto, todavía en preparación, y las relaciones con la Santa Sede, en un totum revolutum que responde, es cierto, a la confusión creada por el propio Gobierno y la Iglesia. Mientras Rajoy estaba con el Papa, el cardenal Rouco instaba en Madrid al Gobierno a que acabara ya con la ley del aborto. Ruiz Gallardón no tardó en atender al presidente de la Conferencia Episcopal y se apresuró a contar algunas de las variaciones que están estudiando sobre la ley anterior. No sé si Gallardón obedecía a Rouco, pero un poquito más de inteligencia no hubiera estado mal. Insistirá La Razón en lo que quiera, pero su defensa de esas nuevas normas no deja de ser un ejercicio de hipocresía vomitiva. Por decirlo suavemente. Porque si para ellos el aborto es un crimen, ¿qué justifica que se permitan 10.000 en lugar de 100.000? Esto es, ¿se trata de pasar de 100.000 asesinatos a 10.000 asesinatos? ¿Es eso?

    Hablando de Boston, Inocencio Arias desliza, cual insidia ponzoñosa, esta frase: “Habrá un resurgimiento de la solidaridad nacional, escasa simpatía hacia brotes de dudosa democracia –que unos manifestantes, por comprensible que fuera su queja, cercaran al Congreso diciendo que no dejarían salir en tres días a los padres de la patria produciría una indignación colectiva…”. ¿Dejará alguna vez esta derecha de la que tanto disfrutamos de utilizar el terrorismo como denigrante arma política?

    Alfonso Ussía trata uno de sus clásicos: Cristina Fernández, la presidenta argentina, “esa señora alicatada hasta el techo”, en una de las elegantes frases del señorito faltón. Recuerdo al Papa argentino: “Es posible, pero no probable, que Su Santidad regalara a la señora Fernández un catecismo con los Diez Mandamientos, y que de su puño y letra, le subrayara el Séptimo, que le prohíbe robar y apropiarse de los bienes ajenos, por muy Presidenta de la República Argentina que sea. Así pues, llame a los robados y reúnase con ellos. Argentina será la gran beneficiada, vistos los resultados de la gestión del choriceo peronista. Y se lo agradecerán los miles de trabajadores que antes dependían de una empresa seria y ahora están sometidos a la sinvergonzonería de unos políticos sin escrúpulos”.

    El Mundo titula así su editorial: “El mal blindaje de la doctrina de los estigmas”. Tras superar el pasmo inicial -¿de qué irá tal cosa?- y si uno se decide a su lectura, se advierte rápidamente que se refiere al recurso presentado ayer por la infanta Cristina. La imputación, viene a decir, es ya en sí misma un acto de castigo. No le convence a El Mundo, que sigue apostando por la comparecencia de la infanta: “Habría que recordar a la defensa que una imputación no es una condena -ni siquiera una acusación- y que lo que ha hecho el juez Castro es llamarla a declarar para que aclare su papel en Nóos. Es lo mínimo que podía hacer antes de cerrar la instrucción. Y ello es así porque el juez no tenía la opción de citarla como testigo por un motivo fundamental: la Infanta disfruta de la prerrogativa de declarar por escrito si no hay imputación y, por ello, no se la puede repreguntar”. En consecuencia, acaba el editorial, “El juez ha aplicado correctamente, a nuestro juicio, el principio de igualdad ante la ley y podría perfectamente levantar esa imputación si el testimonio de la Infanta fuera convincente. Ahora, la Audiencia debe decidir y sólo cabe esperar que actúe conforme a Derecho, sin atender a ninguna circunstancia extrajudicial”.

    No deja de sorprender que apenas asome Venezuela a la pluma de nuestros amigos. Un editorialillo de El Mundo: “Las protestas por las sospechas de fraude electoral en Venezuela, que se han saldado con varios muertos, han servido de excusa a Maduro para instigar un procedimiento penal contra Capriles. Su intención es encarcelarlo por golpista. Los tics que está mostrando el sucesor de Chávez son preocupantes. Si actúa así antes de jurar el cargo, cabe hacerse una idea de cómo se comportará cuando gobierne. Maduro también ha arremetido contra España de forma gárrula y amenazante. Esa actitud debería hacer reflexionar al Gobierno sobre la conveniencia de que el Príncipe Felipe acuda a su toma de posesión. Maduro será siempre un presidente en entredicho al haber impedido revisar un recuento de votos sobre el que hay denuncias de manipulación”.

    Claro que siempre nos queda Libertad Digital. Carmelo Jordá: “Chávez nos podía gustar más o menos tirando a nada, pero compararlo con un pajarito era ofensivo. No digo yo que hubiese sido mejor para Maduro decir que el jefe se le había aparecido en forma de gorila, que habría sido demasiado obvio, pero ahí estaban el rinoceronte, el ocelote o el elefante en cacharrería. Con una simple visita al zoo lo habríamos apañado. Lo malo de cuando le das el poder a alguien como Maduro es que acaba cagándola, como los pajaritos  y si le das todo el poder en un país en el que el Estado lo controla prácticamente todo, lo normal es que lo deje al borde de una guerra civil, que es como está Venezuela ahora mismo. Y lo está no porque Capriles reclame a los suyos, que son la mayoría, que salgan a la calle, sino porque un incompetente (des)controlado desde La Habana ha hecho un pucherazo que más que puchero ha sido olla podrida”.

    Elegancia, ante todo, elegancia.

    LAS FACHADAS

    Fachadas

    En La Razón continúan con la ley del aborto: “Acreditar el riesgo para la madre evitaría hasta 100.000 abortos al años”. Una cifra, por cierto, absolutamente enloquecida. En España se contabilizaron 113.000 abortos en 2011. ¿Se evitarían con esa medida el 90%?  ¿Lo dice en serio La Razón? Sumarios: “La propuesta del Gobierno para probar de forma fehaciente el peligro físico y psicológico para la embarazada frenaría el ‘coladero legal”, y “El PSOE amenaza y redacta una propuesta formal para romper el acuerdo con la Santa Sede si el Gobierno cambia la ley”. Foto, también, para Isabel Pantoja. Y otra careta pequeña para el atentado de Boston. Abc dedica la foto de portada a ese espectáculo jurídico-lúdico, francamente bochornoso, de la Audiencia de Málaga: “Pantoja esquiva la cárcel”; “Condenada a dos años de cárcel por blanquear 1,14 millones de Julián Muñoz”. Titular informativo: “Oriol Pujol justifica el tráfico de influencias por patriotismo catalán”. Sumario: “El líder de Convergencia negó cualquier trato de favor en la trama de las ITV”. Que no sé, la verdad, si una cosa no es contradictoria con la otra: ¿lo negó o lo hizo por patriotismo? Y vuelta de tuerca a la ley del aborto, con un titular que espero que nunca llegue a cumplirse. Por aberrante: “El Gobierno fijará con qué malformaciones se permitirá abortar”. ¿Se dan cuenta del extravío del sentido común? ¿Decidirá Ruiz-Gallardón y no la madre? ¿Defienden tal desatino? El Mundo elige una vía distinta: “La Infanta alega que imputarla es ya ‘una condena provisional”. Otra careta: “Oriol Pujol dice que intervino en las ITV ‘por interés de país”. Y aún una tercera: “El FMI echa por tierra la previsión de crecimiento, paro y déficit del Gobierno”. La Gaceta, con un ataque de fe: “Es posible una política cristiana”. “Lehetséges a keresztény politika”, subraya con acierto a continuación. Texto: “Viktor Orban, presidente de Hungría, visita España. El mandatario magiar denuncia que los países europeos han apartado los valores cristianos de la vida pública”. ¿Les hablamos de Orban? Mejor lo dejamos…

    EL AFAMADO MUSEO EL OJO IZQUIERDO
    (Documentos y testimonios de la vida en las cavernas)

    "De cómo el atentado de Boston demuestra la farsa del 11-M"

    Luis del Pino, Libertad Digital,  16 de Abril de 2013

    Lección de Obama. A Aznar >> El ojo izquierdo >> Blogs Política EL PAÍS

    Sobre el autor

    JOSÉ MARÍA IZQUIERDO (Madrid, 1946) fue redactor
    jefe de Diario 16, subdirector de Informaciones y
    corresponsal de EFE en La Habana. En 1983
    se incorpora a EL PAÍS como jefe de Edición,
    donde fue redactor jefe y subdirector. En 1989
    se incorpora como director de los Servicios
    Informativos a Canal+. En 1995 vuelve a
    El País como director adjunto.
    Desde setiembre de 2005 hasta
    noviembre de 2009 fue director
    de los Informativos Cuatro y de CNN+.

    24/03/2013

    Mario Chamanovitch não le o jornal onde trabalha?

    Filed under: Abu Ghraib,Isto é EUA!,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 11:12 am
    Tags: ,
    Ver também: Os bárbaros da CIA vem do norte

    ‘A guerra mudou mais os EUA que o Iraque’

    Para Seymour Hersh, jornalista que revelou torturas em Abu Ghraib, conflito levou à perda de moralismo nos EUA

    Eleitor de Obama, ele acredita que pouco mudou no governo democrata em relação aos direitos humanos

    LUCAS FERRAZEM WASHINGTON

    O jornalista americano Seymour Hersh, 75, foi o autor de uma das mais bombásticas revelações sobre a atuação americana na guerra do Iraque: as torturas e humilhações contra prisioneiros na prisão de Abu Ghraib.

    O local, palco de inúmeras brutalidades no regime de Saddan Hussein (1979-2003), continuou vivendo dias sombrios durante a ocupação americana.

    A série de reportagens publicadas entre abril e maio de 2004 na revista "New Yorker", em que detalhou -inclusive com fotos- as práticas, causou grave crise no governo do então presidente George W. Bush e incendiou a discussão sobre os métodos e a legitimidade da ação americana no Oriente Médio.

    Dez anos depois das primeiras bombas caírem sobre Bagdá, Hersh diz que o conflito foi decisivo para mudar a política americana.

    "Nós não conseguimos mudar o Iraque, mas o Iraque mudou os EUA", disse em entrevista à Folha, em seu escritório em Washington.

    "Claro que para o Iraque foi um desastre. Mas aqui nenhum político fala sobre moralidade. Ninguém fala mais em ‘nós devemos’, esse moralismo não existe mais."

    A mudança dessa mentalidade, que marcou fortemente os anos de George W. Bush, parecia impossível de acontecer, segundo Hersh. "Os americanos se levantaram contra isso, para mim foi algo maravilhoso."

    Repórter com mais de 50 anos de carreira, Seymour Hersh conhece os caminhos do poder da capital americana. O submundo do serviço secreto e as ações das Forças Armadas são algumas de suas especialidades desde o início da carreira.

    Em 1969, como repórter freelancer, foi de sua autoria a reportagem que revelou o massacre de My Lai, no Vietnã. Um ano antes, o Exército americano dizimou a pequena aldeia vietnamita, matando principalmente mulheres e crianças. Foi o maior massacre de civis da guerra do Vietnã.

    Como ocorreu em relação ao Iraque quase quatro décadas depois, o episódio ajudou a mudar a visão dos americanos sobre o conflito no Vietnã. Ele, contudo, se diz cético em relação aos efeitos dessas revelações na opinião pública americana.

    "Logo após My Lai, uma pesquisa de opinião mostrou que metade dos americanos acreditava no episódio, enquanto a outra metade não. No Watergate [escândalo que resultou na renúncia do presidente Richard Nixon] ocorreu o mesmo. Mesmo após as primeiras reportagens, Nixon foi reeleito. Não acho que isso muda algo. As matérias sobre Abu Ghraib vieram em abril, antes da eleição que reconduziu George W. Bush."

    Autor de várias obras sobre a história dos EUA, como uma biografia do ex-presidente John Kennedy, e premiado com o prestigioso Pulitzer, Seymour Hersh trabalha atualmente em um novo livro. Seu tema é o ex-vice-presidente Dick Cheney e o sistema de inteligência que orbitava em torno do segundo homem do governo Bush.

    GOVERNO DEMOCRATA

    A influência de Cheney foi determinante para os EUA invadirem o Iraque sob a falsa alegação de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa. "Nós fomos lá, isso é imoral. Não apenas errado, mas imoral."

    Eleitor de Barack Obama, ele diz que pouco mudou na conduta do governo democrata em relação aos direitos humanos -para ele, os EUA continuam a adotar em outros países atitudes contrárias aos próprios valores de sua Constituição.

    "Nada mudou em relação a isso [direitos humanos]", diz. "Obama é melhor e mais inteligente do que Bush, mas tudo continua muito difícil."

    A prisão de Guantánamo, em Cuba, mantida pelos EUA há décadas, é um exemplo.

    "Muitos saíram de lá, mas a prisão continua em funcionamento. Alguns presos estão em Guantánamo há 11, 12 anos, isso tem um custo. Os americanos estão preocupados? Talvez uma parte muito pequena, mas a grande maioria não se importa com isso."

    Quando eleito, em 2008, uma das primeiras promessas de Barack Obama era fechar a prisão, que segue aberta, abrigando prisioneiros suspeitos de terrorismo.

    20/03/2013

    Civilidade? Será que foi isso mesmo que o ocidente introduziu, literalmente, nos Iraque?!

    Filed under: Bush,Iraque,José Maria Aznar,Terrorismo de Estado,Tony Blair — Gilmar Crestani @ 9:34 am
    Tags:

    Com a palavra, os três patetas e seus vira-bostas nos grupos mafiomidiáticos:

    Defensa confirma que el vídeo de los malos tratos se rodó en una base en Irak

    El Ejército envía al juez sus primeras investigaciones sobre la grabación

    El País Madrid19 MAR 2013 – 20:40 CET96

    Enviar vídeo

    El vídeo difundido por EL PAÍS que muestra a cinco soldados españoles maltratando a dos prisioneros iraquíes en los primeros meses de 2004 podría haber sido grabado en Base España en Diwaniya (Irak), tal y como señalaba este diario, según las primeras investigaciones que el Ejército de Tierra ha llevado a cabo por instrucción del ministro de Defensa, Pedro Morenés, tras conocer la información.

    Según ha señalado Defensa en una nota, "de poder analizarse el vídeo original, los distintivos que los agresores portan en sus uniformes podrán llevar a la identificación de su unidad de procedencia". El departamento que dirige Morenés señala que al menos se podría reconocer a dos de los agresores "de no haberse velado intencionadamente sus rostros".

    más información

    Las conclusiones preliminares ya han sido enviadas al juez decano de Madrid para que adopte, en su caso, las acciones legales correspondientes sobre los presuntos responsables. Según el artículo 69 del Código Penal Militar, el maltrato a presos de guerra puede conllevar hasta 25 años de prisión. El Ejército de Tierra ha hecho constar que "prestará la máxima colaboración a la Justicia para el esclarecimiento de los hechos y la depuración más completa de las responsabilidades".

    De acuerdo con la investigación previa, el Ministerio de Defensa asegura que "ninguno de los jefes de los contingentes destacados en Irak tiene ni tuvo constancia y ni siquiera sospecha de que se infligieran malos tratos a prisioneros" y asegura que, por el contrario, "siempre se les dio un trato correcto y concorde, en todo momento, con la legislación vigente y con las Reglas de Entrenamiento en vigor".

    El Ejército de Tierra ha rechazado "enérgicamente" los malos tratos a prisioneros de guerra y ha recordado que en los más de 20 años de la participación de militares españoles —más de 132.000— en operaciones internacionales "en los más diversos y duros escenarios", las poblaciones locales siempre han reconocido su labor. "Un caso aislado de supuestos malos tratos no puede empañar la labor de tantos soldado", ha señalado Defensa.

    Defensa confirma que el vídeo de los malos tratos se rodó en una base en Irak | Política | EL PAÍS

    17/03/2013

    España en Irak: del error al horror | Política | EL PAÍS

    Filed under: Bush,Iraque,José Maria Aznar,Terrorismo de Estado,Tony Blair — Gilmar Crestani @ 9:53 pm
    Tags:

    A Folha preferiu uma cobertura laudatória do papel norte-americano na invasão, massacres, assassinatos. A única questão em aberto em relação à Folha é quanto ela ganhou para este triste papel. Compare com esta matéria do El País o que disse o jornalão dos Frias, AQUI!

    España en Irak: del error al horror

    Diez años después del inicio de la guerra de Irak salen a la luz las pruebas del maltrato infligido a dos reclusos locales

    El manual del Ejército instaba a utilizar "la violencia mínima imprescindible antes y después de la detención"

    Miguel González 17 MAR 2013 – 02:03 CET5477

    Enviar vídeo

    Vídeo de soldados españoles golpeando a un detenido en Diwaniya.

    Un general que ocupó durante cuatro años el más alto mando de las Fuerzas Armadas solía presumir, con cierta temeridad, de que ninguno de los miles de militares españoles que en el último cuarto de siglo han desarrollado misiones en el exterior ha hecho nada de lo que haya que avergonzarse. Lo decía después de que se conocieran imágenes de marines estadounidenses orinando sobre cadáveres o soldados alemanes mofándose de calaveras en Afganistán. Hasta ahora, se ha visto a los militares españoles repartiendo comida a los niños o curando a civiles en zonas de conflicto. También, aunque menos, se les ha visto combatir. Todo eso lo han hecho. En cambio, no se les ha visto nunca infligir malos tratos a prisioneros. Y muchos preferirían que nunca se les viera hacerlo. Pero eso no significa que no haya sucedido.

    El vídeo que hoy difunde EL PAÍS muestra a cinco soldados españoles entrando en una celda. En el suelo, sobre una manta, con dos botellas de agua a su lado, hay un hombre. Uno de los soldados le ordena a gritos que se incorpore. El hombre, postrado, no parece entenderle. A su lado hay otro detenido que a mitad de la grabación, que dura 40 segundos, es arrojado sobre el primero. Tres de los soldados la emprenden a patadas con ambos. Otros dos observan desde la puerta de la celda. Un sexto graba la escena. Uno de los militares los patea con especial saña. En dos ocasiones parece a punto de marcharse, pero se vuelve para descargar toda la fuerza de su bota sobre los cuerpos indefensos. De las víctimas solo se escuchan jadeos y gemidos. Un militar, que durante la paliza se ha quedado mirando desde el quicio de la puerta, comenta al final: "¡Jo! A este se lo han cargado ya".

    Cronología de la guerra

    ampliar foto

    Blair, Bush y Aznar en las Azores. / Sergio Pérez

    No a la guerra. Miles de ciudadanos se lanzaron a las calles a principios de 2003 para intentar evitar que Estados Unidos atacara Irak. Las manifestaciones fueron masivas en España. El Gobierno de George W. Bush afirmaba que Irak poseía armas de destrucción masiva y tenía lazos firmes con Al Qaeda. El 5 de febrero, su secretario de Estado, Colin Powell, había presentado ante el Consejo de Seguridad de la ONU los “hechos”. Irak debía expiar las muertes norteamericanas en los atentados del 11-S. Era el preludio de una guerra que ocasionó miles de muertes y que se fundamentó en una mentira.

    Cumbre de las Azores. El presidente de Estados Unidos, George W. Bush, se reúne con el de España, José María Aznar, y los primeros ministros de Reino Unido, Tony Blair, y de Portugal, José Manuel Durão Barroso. Los mandatarios deciden lanzar un ultimátum a Sadam el 16 de marzo. Mientras tanto, países como Francia, Alemania o Rusia piden prudencia.

    Comienza la invasión. Fue el 19 de marzo de 2003, el martes hará 10 años. El presidente Bush promete el ataque a objetivos concretos para desarmar Irak y liberar a su gente. Hasta abril, se libra una guerra convencional, liderada por tropas estadounidenses y británicas, acompañadas de efectivos de una coalición de países. Los primeros soldados españoles llegaron el 30 de julio. Hubo 11 bajas.

    Cae Bagdad. En abril los tanques norteamericanos llegan a la capital de Irak. Ciudadanos y soldados estadounidenses derriban la descomunal estatua de 12 metros que se alzó en honor de Sadam en la plaza del Paraíso. Bush declara la victoria en mayo, lo cual no significa una declaración legal del fin de la guerra, que tampoco tuvo un inicio oficial.

    Captura de Sadam. Estados Unidos anuncia que ha capturado a un desaliñado Sadam Husein al sur de Tikrit, su ciudad natal, el 13 de diciembre. Se hallaba oculto en un zulo. Será juzgado por un tribunal iraquí y ahorcado por crímenes contra la humanidad en diciembre de 2006.

    Los abusos de Abu Grhaib. La cadena CBS y The New Yorker destapan los abusos de soldados estadounidenses hacia los prisioneros en la cárcel de Abu Grhaib. En 2010 WikiLeaks difunde 400.000 cables del Gobierno estadounidense que dejan al descubierto más aspectos oscuros del conflicto.

    España retira sus tropas. Tan solo un día después de su toma de posesión como presidente del Gobierno español, el 18 de abril de 2004, José Luis Rodríguez Zapatero informa de la retirada de las tropas españolas en Irak. El repliegue se completa en mayo.

    Se recrudece el conflicto. A finales de 2003, los insurgentes contraatacan y comienzan las luchas entre milicias rivales. El conflicto se agudiza con los enfrentamientos entre suníes y chiíes. Ante el fortalecimiento de la resistencia, EE UU envía nuevas tropas al comienzos de 2007.

    Retirada de EE UU. Barack Obama anuncia que la retirada de las tropas de combate se hará el 31 de agosto de 2010. Se quedan 50.000 soldados como fuerzas de transición. Alrededor de un millón habían servido en Irak desde 2003. La misión de EE UU en Irak pasa de ser llamada Operación Libertad Iraquí a Nuevo Amanecer. El 18 de diciembre de 2011 se marchan los últimos 500 soldados. Dejan atrás un país en ruinas.

    La escena está grabada en Diwaniya, la base principal de las tropas españolas en Irak, en los primeros meses de 2004. La participación en la guerra de Irak, de cuyo inicio se cumple una década el próximo día 20, tiene algo que la hace radicalmente diferente a la de Bosnia o Afganistán: no solo se hizo sin el aval de la ONU y con la abrumadora oposición de la opinión pública española, sino que llevó a los militares españoles a colaborar con las fuerzas estadounidenses de ocupación. Ante el vacío de poder dejado por la disolución del Estado iraquí y del partido Baaz de Sadam Husein, la llamada CPA (Autoridad Provisional de la Coalición), en la que había oficiales y diplomáticos españoles por decisión del entonces presidente José María Aznar, se convirtió en Gobierno ocupante.

    "Para hacer cumplir las leyes impuestas por la CPA" y puesto que "las fuerzas de la coalición representan la ley y el orden en Irak", en septiembre de 2003, solo un mes después de que llegase a Irak la Brigada Plus Ultra, con 1.300 españoles, se distribuyó entre sus mandos un documento de la Sección de Inteligencia del Estado Mayor titulado Procedimiento de detención y actuación con el personal detenido. La guía, a la que ha tenido acceso EL PAÍS, ordenaba que "durante y después de la detención se empleara la violencia mínima imprescindible" y que se mantuviera "en todo momento el respeto a los derechos del detenido". Los motivos para practicar una detención eran muy amplios. "Cualquier persona puede ser detenida si crees que representa una amenaza contra las fuerzas de la coalición" o si "tienes la sospecha razonable de que ha cometido un delito", se instruía a los militares. El manual incluía un catálogo de derechos del detenido y advertía de que "no podrá invocarse circunstancia alguna como justificación de la tortura o de otros tratos o penas crueles, inhumanos o degradantes". Tampoco nadie podía ser sometido, "durante su interrogatorio, a violencia, amenanazas o cualquier otro método de interrogación que menoscabe su capacidad de decisión o juicio". Lo que no existía es control judicial alguno, y el propio manual confiaba en "el buen juicio y sentido común" del oficial al mando.

    Los detenidos por delitos comunes eran entregados a la policía local iraquí, a través de la policía militar de EE UU; mientras que los detenidos por delitos contra la coalición (es decir, los insurgentes) eran conducidos al Centro de Detención de Brigada de Base España.

    Los papeles de Wikileaks sobre la guerra de Irak, difundidos en otoño de 2010, incluyen dos referencias a este centro de detención, al que denomina Detention Facility. En uno de ellos, de 7 de enero de 2004, se alude a un registro de una casa en el noroeste de Diwaniya, donde se encontraron armas "que podrían ser usadas contra las fuerzas de la coalición". Un hombre y una mujer fueron arrestados, y el primero, conducido a Base España "para ser interrogado en profundidad". El segundo, fechado el 11 de febrero de 2004, da cuenta de un atentado con un artefacto adosado a una bicicleta contra militares españoles que patrullaban a pie en Diwaniya. La explosión causó seis heridos, y dos presuntos insurgentes fueron llevados a Base España "para un interrogatorio adicional".

    Según testigos consultados por EL PAÍS, el centro de detención era un barracón con cinco celdas situado a la entrada de la base, cerca del edificio del cuerpo de guardia. El manual disponía que en cada calabozo hubiera un camastro, aunque en la filmación no aparece cama alguna, a lo sumo una manta o una fina colchoneta sobre el suelo de cemento. En varias operaciones se capturó a más de cinco insurgentes, lo que obligaba a compartir celdas. En total, varias decenas de iraquíes pasaron por el Detention Facility español.

    La custodia de los prisioneros estaba a cargo del cuerpo de guardia; una sección de 30 hombres encargada de la vigilancia de la base. El oficial al mando registraba las entradas y salidas de los detenidos. Los soldados se encargaban de entregarles la comida, acompañarles al aseo e impedir la entrada a quien no estuviera autorizado. El problema es que los miembros del cuerpo de guardia carecían de formación para custodiar detenidos. Es más, este cometido lo hacían en turnos de 24 horas y lo alternaban con la escolta de convoyes o las patrullas. Es decir, un soldado que hubiera sido objeto de un ataque podía estar al día siguente custodiando a su presunto agresor."La tentación de tomarte la justicia por tu mano era grande", reconoce un soldado que estuvo en Irak.

    El manual del Ejército instaba a utilizar “la violencia mínima imprescindible antes y después de la detención”

    Las tropas españolas llegaron en misión "de paz, reconstrucción y ayuda humanitaria" a una "tranquila zona hortofrutícola", como calificó el entonces ministro de Defensa, Federico Trillo, las provincias iraquíes de Al Qadisiya y Nayaf, donde se desplegó la Brigada Plus Ultra, para la que se reclutaron también contingentes centroamericanos. En solo 10 meses de misión, de agosto de 2003 a mayo de 2004, España sufrió 11 bajas mortales en Irak.

    El conflicto abierto estalló cuando el imán chií Múqtada al Sáder rompió con las nuevas autoridades y llamó a sus fieles, agrupados en el Ejército del Mahdi, a la guerra santa contra las fuerzas de la coalición. Para los españoles no fue una sorpresa. En el manual de área elaborado en junio de 2003 por el Centro de Inteligencia y Seguridad del Ejército de Tierra (CISET) ya se advertía de que Al Sáder "es el más peligroso para los intereses de la coalición internacional, por su intención declarada de establecer un Estado islámico".

    Los jefes de la brigada española intentaron mantener un difícil equilibrio entre las distintas facciones e incluso se opusieron a que se desmantelase por la fuerza un tribunal islámico en Nayaf. Pero la intervención unilateral de las tropas norteamericanas, que detuvieron al lugarteniente de Al Sáder sin informar siquiera al mando español, avivó un incendio que ya no sería posible apagar. El 4 de abril de 2004 fue atacada por una multitud en armas la base Al Andalus, el destacamento español en Nayaf. En los siguientes 50 días se produjeron 40 acciones de combate; con un muerto (del batallón salvadoreño, que compartía base Al Andalus con los españoles) y 21 heridos por parte de la Brigada Plus Ultra, y al menos ocho muertos y 23 heridos del lado de la insurgencia. Sobre la base de Diwaniya llovieron al menos 227 proyectiles de mortero, sin causar bajas, aunque uno cayó en el tejado del alojamiento femenino. Los dos prisioneros golpeados en la grabación habrían sido detenidos con material de mortero.

    ampliar foto

    En este clima de creciente tensión imperaba la ley del silencio en algunas unidades, sobre todo en las más pequeñas, donde la relación entre mandos y tropa era más estrecha. "Si alguien intentaba matar a uno de mis soldados y él disparaba primero, yo no le pedía muchas explicaciones", recuerda un suboficial.

    En teoría, los detenidos debían permanecer en Base España un máximo de 72 horas. Estaba previsto habilitar una zona en la prisión de Diwaniyah para el internamiento preventivo de los insurgentes por un periodo de hasta 15 días, pero este proyecto nunca se puso en marcha, por lo que la única manera de sacarlos de la base era ponerlos en libertad o trasladarlos a la cárcel de Abu Ghraib, tristemente famosa por las vejaciones y torturas a las que fueron sometidos los allí presos. Pero ni siquiera esto resultaba fácil. Según reconoce un antiguo mando del contingente español, no siempre se podía organizar un convoy para llevar prisioneros a Bagdad y, además, Abu Ghraib estaba saturada, por lo que los estadounidenses intentaban que los prisioneros se quedaran en las brigadas el mayor tiempo posible.

    Dos sucesos vinieron a complicar aún más el trato con los detenidos: el primero fue el asesinato de los siete agentes del Centro Nacional de Inteligencia (CNI), que cayeron en una emboscada en la carretera que unía Diwaniyah y Bagdad el 29 de noviembre de 2003. Desde ese momento, el servicio de inteligencia se quedó sin un equipo permanente en zona. Los agentes secretos viajaban periódicamente a Irak, pero su máxima preocupación era investigar la muerte de sus compañeros. El manual sobre detenciones les atribuía el cometido de realizar un "interrogatorio adicional […] cuando las características del detenido o la información que nos pueda estar negando lo aconsejen".

    El segundo suceso fue el asesinato del comandante de la Guardia Civil Gonzalo Pérez, quien recibió un balazo en la cabeza cuando dirigía una redada contra una banda de delincuentes comunes en la localidad de Hamsa, a 40 kilómetros de la base. El 3 de febrero de 2004, después de 13 días en coma, falleció en Madrid.

    En la terminología de la coalición, el comandate Gonzalo Pérez era el Provost Marshall, de quien dependía la liberación de un detenido o su traslado a Abu Ghraib. "El Provost Marshall será el responsable de la coordinación de todos los elementos implicados en el proceso [de captura, custodia y entrega de insurgentes] y la corrección del mismo", decía el manual.

    Los sospechosos eran llevados a la cárcel de Abu Ghraib tras unos días en el centro de detención de Base España

    La brigada contaba también con un experto en Derecho, un oficial del Cuerpo Jurídico Militar, pero el protocolo de detenciones no le asignaba ningún papel decisorio: "El Aseju [Asesor Jurídicio] informará cuando sea requerido acerca de la pertinencia de la detención llevada a cabo y también sobre las acciones subsiguientes que procedan".

    Solo se conoce una denuncia por malos tratos contra el contingente español. La del iraquí Flayeh Al Mayali, que fue detenido el 22 de marzo de 2004 como "cooperacdor necesario" en el asesinato de los agentes del CNI, de quienes era traductor. El 27 de marzo -sobrepasado de largo el plazo de detención de 72 horas- fue trasladado a Bagdad. Cuando en febrero de 2005, libre de cargos y sin haber sido juzgado, salió de Abu Ghraib reivindicó su inocencia en declaraciones a El Heraldo de Aragón y aseguró que, durante su interrogatorio en Base España, le pusieron una capucha, le ataron las manos a la espalda y le pegaron. De noche, no le dejaban dormir y en el viaje a Bagdad le insultaron y golpearon con fusiles, agregó. "Recibí un trato inhumano y degradante, como si fuera un perro".

    Las denuncias de Al Mayali nunca se investigaron. El Ministerio de Interior le prohibió la entrada en España y Defensa ni siquiera informó de su detención, como era preceptivo, al juez de la Audiencia Nacional Fernando Andreu, a pesar de que apenas un mes antes había archivado provisionalmente la causa por el asesinato de los siete agentes del CNI debido a la ausencia de autor conocido.

    El general Fulgencio Coll, que estuvo al mando de la Brigada Plus Ultra II y luego fue jefe del Estado Mayor del Ejército de Tierra, asegura que no tuvo "en absoluto" ninguna noticia de que en Base España se maltratase a algún detenido y aún hoy se niega a creerlo: "Tengo plena confianza en la gente que estaba a mis órdenes". Reconoce que la custodia de detenidos "no era una misión que nos gustara, pero hubo que asumirla". Eso sí, sus instrucciones eran "cumplimentar cuanto antes el atestado y meterlos en el primer convoy para Bagdad". Mantenerlos en la base era un problema añadido para un contingente que ya estaba "sobrecargado de trabajo" y no daba abasto para cumplir todas las misiones encomendadas.

    La tentación de tomarte la justicia por tu mano era grande”, admite un soldado que estuvo destinado en Irak

    José Bono, ministro de Defensa en el primer Gobierno de Zapatero, asegura que desde el momento en que tomó posesión de su cargo tuvo hilo directo con el contingente español en Irak y no le consta que se produjera ningún caso de maltrato. "No puedo asegurar rotundamente que no sucediera antes, pero estoy convencido de que a mi antecesor [Federico Trillo] no le llegó esa información", alega.

    Bono tenía otros motivos para preocuparse. Nada más aterrizar en La Moncloa, el 18 de abril de 2004, Zapatero le mandó la inmediata retirada de las tropas españolas de Irak. Bono tuvo una tensa conversación con el jefe del Pentágono, Donald Rumsfeld -quien le recriminó haberse enterado de la noticia a través del secretario de Estado, Collin Powell- y algo más que un roce con el jefe del Ejército de Tierra, el general Luis Alejandre, quien le daba la impresión de resistirse a cumplir sus ordenes. La relación con EE UU no se recuperó hasta la salida de Bush de la Casa Blanca, ya en enero de 2009, mientras que el desencuentro con Alejandre acabaría llevado a su destitución, junto al resto de la cúpula militar, en junio de 2004.

    La Operación Jenofonte (la retirada de Irak) no duró diez días, como quería Bono, sino casi un mes, pero el 21 de mayo cruzó la frontera con Kuwait el último de los militares españoles. Para ellos estaba claro que no venían de una misión de paz, como sostuvo hasta el final Trillo, sino de un conflicto duro y cruel del que ninguno de sus principales protagonistas salió completamente inmaculado. La conducta de un grupo de bárbaros de uniforme, amparados en la impunidad de la noche y la indefensión de sus víctimas, no debe empañar la imagen de las Fuerzas Armadas y ni siquiera salpicar a los más de 5.000 militares españoles que cumplieron con su deber en Irak, pero ignorar el horror solo conduciría a repetir el error. –

    España en Irak: del error al horror | Política | EL PAÍS

    Quanto a CIA pagou por esta peça laudatória?

    Os caras voltam ao cenário de uma guerra que durou uma década e não encontram nem ouvem nenhuma família destroçada, nenhuma vítima, nenhuma revolta. Afinal, mesmo tendo sido saqueado o Museu com peças dos tempos dos Sumérios, o que importa são a presença da Heineken, talvez levada pelo James Bond, Daniel Craig. Produtos do consumo ocidental são indícios de civilização no lugar que já foi o berço da civilização. Quem nunca ouviu falar na Babilônia, ou de Babel?! Nenhuma palavra sobre o assassinato, ou queima de arquivo, de Saddam Hussein, chefe de estado parceiro dos EUA na guerra contra o Irã. Nenhuma palavra dos três patetas que iniciaram a guerra: Tony Blair, José Maria Aznar e a égua-madrinha, Bush. Falar do Iraque sem mencionar a crise porque passam os países dos três patetas é patético. Qual foi o legado destes em termos de civilidade?!

    Corrupção e política instável emperram melhorias no país

    Crescimento do PIB foi de 10,2% em 2012, e desemprego diminuiu de 25% em 2004 para 16% no ano passado

    Em bairros da capital, Bagdá, ruas voltaram a ter vida, inclusive noturna, e classe média cresceu e consome

    SÉRGIO DÁVILAENVIADO ESPECIAL A BAGDÁ

    Dez anos depois da invasão do Iraque por uma força militar liderada pelos Estados Unidos, que levou ao fim a ditadura de Saddam Hussein (1937-2006), o país está melhor do que era antes, mas pior do que poderia ser.

    As condições de vida em Bagdá, por exemplo, são certamente superiores às de 2003. Em bairros da capital como Karrada e Mansour, as ruas voltaram a ter vida, inclusive noturna, e a classe média cresceu e consome.

    A rua Saddon corta Karrada. É o equivalente local da Oscar Freire, se a via paulistana tivesse sido submetida por décadas a duas guerras, um bloqueio econômico internacional, uma ditadura sangrenta e uma invasão.

    Hoje, lado a lado com ruínas, falta de calçamento e pontos de checagem com policiais armados de fuzis, ela abriga prédios comerciais em terrenos de R$ 14 mil o m², concessionárias Chevrolet, Kia e Hyundai e lojas de eletrônicos com as últimas da LG, Samsung e Panasonic.

    É onde está também o clube social Al Wiyah, em que familiares e amigos se encontram para jantar, tomar sorvete e beber cerveja Heineken, vodca Absolut, tequila mexicana, num congraçamento entre sunitas e xiitas moderados e ricos.

    E é o caso também do Teatro Nacional de Bagdá, atingido por um míssil em 2003. Antes, as peças eram monotemáticas, narrando vida e glória de Saddam Hussein, ele próprio autor de algumas. Hoje, o cartaz é "Dois Jeitos", uma sátira política sobre corrupção no governo impensável em outros tempos.

    Há também mais mulheres nas ruas, e elas se cobrem menos. A explicação é mais econômica que religiosa: como antes faltava dinheiro para arrumar cabelo e usar roupas boas, vestir burca era mais prático; hoje não falta mais, ou falta menos.

    Segundo o CIA World Factbook, o crescimento real da economia iraquiana foi de 10,2% em 2012 e de 6,9% por ano, em média, desde a invasão. E o desemprego caiu de 25% em 2004 para 16% em 2012. O número de celulares per capita cresceu dez vezes em dez anos, e as linhas são vendidas com menos burocracia que em São Paulo.

    Os motores disso são o petróleo -o Iraque é o terceiro maior exportador do mundo- e o dinheiro que foi despejado no período pelo governo dos EUA para a reconstrução, US$ 60 bilhões, quase a metade do PIB atual do país.

    Do total acima, 13,3% foram desviados pelos locais. Corrupção é um dos problemas do país, onde o governo é o maior empregador e a iniciativa privada começa a se organizar para viver sem o guarda-chuva ianque.

    O outro é a instabilidade política, estimulada pelo sistema parlamentar implantado pelos norte-americanos para acomodar os três principais grupos que formam o país -cenário que se agravou com a retirada das tropas dos EUA, em 2010.

    Nouri al Maliki, o primeiro-ministro, é xiita, como a maioria da população. O presidente, Jalal Talabani, é curdo, como a região norte, rica em petróleo. Um dos vice-presidentes até 2012, Tariq al Hashimi, é sunita, como era Saddam Hussein.

    No ano passado, Maliki mandou prender Hashimi, que se refugiou no norte. A expectativa agora é ver se o primeiro-ministro cederá à tentação de se perpetuar no poder nas eleições parlamentares do ano que vem.

    A indefinição alimenta a violência das ruas. Extremistas da Al Qaeda infiltrados entre sunitas se explodem em grandes concentrações de pessoas ou alvos do governo, como aconteceu na quinta-feira passada, quando pelo menos 18 morreram.

    Ajustes de contas entre grupos religiosos e políticos são tão comuns quanto as chacinas nas periferias das grandes cidades brasileiras.

    Não é incomum ouvir o tuf-tuf de armas com silenciadores, seguido da queda do corpo inerte de um alvo. Só na segunda-feira passada, seis pessoas foram assassinadas desse modo.

    Há milhares de bloqueios de concreto e paradas de checagem obrigatória, outro alvo dos terroristas. A chamada Zona Verde, antes área dos palácios de Saddam, depois do comando norte-americano e hoje sede do governo, permanece inacessível ao cidadão comum.

    Em muitas regiões da capital do país, o esgoto ainda corre a céu aberto. Mesmo nas áreas mais ricas, é comum a falta de energia pelo menos dez horas por dia, o que faz do gerador portátil um objeto tão comum nos lares como a televisão.

    "Falam da falta de eletricidade, mas antes todos tinham de passar o dia no único cômodo com ar-condicionado; hoje, são vários aparelhos numa casa", diz um prestador de serviços que pediu para não ser identificado por ser filho de diplomatas sunitas da época do governo de Saddam.

    Ele tinha 18 anos quando a ditadura caiu e está feliz com a nova realidade. Acaba de comprar um Dodge Charger 2012 por R$ 50 mil. "Meus pais passam o dia reclamando e falando do passado, mas não querem saber de trabalhar", afirma.

    Com ele concorda o empresário curdo xiita Abu Hassen "Primeiro curdo, depois xiita", brinca, referindo-se à etnia do norte do país e a um dos ramos dos muçulmanos. "Antes, Saddam matava 3.000 por dia e ninguém podia falar nada. Hoje, morrem 20 e a imprensa diz que o país está no fim."

    Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

    %d blogueiros gostam disto: