Ficha Corrida

24/04/2011

A droga do Serra

Filed under: Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 7:24 pm
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Acordo antidrogas Brasil Bolívia EUA. Outra bolinha de papel do Cerra

    Publicado em 23/04/2011

Na foto, Cerra acusa a Bolívia de inundar o Brasil de cocaína

Saiu no Tijolaço do Brizola Neto:

Acordo antidrogas Bolívia-Brasil-EUA. Viu, Serra?
Pouco menos de um ano atrás, no furor de criar polêmicas que o projetassem eleitoralmente, o Sr. José Serra criou um sério incidente diplomático, ao acusar o governo boliviano de ser cúmplice do tráfico de drogas.
Agora, matéria da Folha diz que o governo brasileiro negociava “há anos” um acordo entre a Bolívia e os Estados Unidos para monitoramento e represssão ao plantio ilegal de coca – cuja produção, para a mascação, é um hábito de séculos das populações andinas, nada tendo a ver com cocaína.
O acordo, que deve ser assinado em um mês, exclui a prática anterior dos EUA – absurda – de enviar agentes americanos para realizarem o combate ao plantio. Mas a cooperação americana é bem-vinda, na forma de equipamentos de de georreferenciamento por satáelite (GPS) e interpretação de imagens de satélite, que serão geradas pelo Brasil. Os dados serão propriedade do Governo da Bolívia, mas abertos à agência antidrogas da ONU.
Qualquer pessoa de bom-senso imagina  o estrago que a irresponsabilidade e o eleitoralismo barato de Serra causaram nessa negociação, difícil, por envolver a soberania boliviana.
Se não o inviabilizou, felizmente, certamente o atrasou e dificultou.
O comportamento de Serra foi daninho e, na prática, retardou o combate ao cultivo ilegal. O mínimo que ele devia, agora, era pedir desculpas pela ofensa ao governo boliviano.

Acordo antidrogas Brasil Bolívia EUA. Outra bolinha de papel do Cerra | Conversa Afiada

05/03/2011

A Globo, o golpe e o futebol brasileiro

Filed under: Cosa Nostra,Instituto Millenium,PIG — Gilmar Crestani @ 6:15 pm
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Reproduzo artigo enviado pelo jornalista Gésio Passos, militante do Intervozes, via Altamiro Borges:


Fevereiro de 2011. Este mês será lembrado como marco do retrocesso do futebol brasileiro. Será mais um símbolo da força que a Rede Globo exerce sobre o povo brasileiro. E poderia não ser desta maneira. Se o futebol brasileiro fosse tocado por pessoas sérias, fevereiro de 2011 poderia simbolizar a guinada ao primeiro mundo do futebol. A capitalização do futebol pelos recursos da disputa pelo direito de transmissão do campeonato brasileiro significaria um novo período de bonança para os clubes de futebol: manutenção e retornos dos craques, atração de estrangeiros (principalmente dos craques latinos), a internacionalização do nosso futebol e a concorrência contra os gigantes clubes europeus. Isso tudo viria da organização do futebol brasileiro para seu desenvolvimento.
E é claro que vale ressaltar que isso só poderia ser possível depois que o Estado brasileiro impediu a continuidade do monopólio das transmissões de futebol. No final do ano passado, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica – órgão responsável por coibir abusos de poder econômico) acabou com a exclusividade da Globo sobre o contrato de transmissão dos jogos, obrigando o Clubes do 13 a abrir uma concorrência pública para os direitos de transmissão nas mais diversas mídias. Tudo caminhava de maneira bem transparente, os clubes prepararam um edital, ouviram os interessados e esperavam arrecadar uma soma bilionária para os campeonatos de 2012 à 2014. Mas as coisas não seriam tão simples. A Rede Globo não aceita que seus interesses sejam contrariados, nunca aceitou. E isso não é só no esporte, é na política, na economia, na cultura nacional. Em conluio com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), ela acaba de destruir o Clube dos 13. A partir do suborno e da chantagem, a Globo impediu que a “união dos grandes clubes brasileiros” pudesse democraticamente promover a concorrência e a livre negociação do seu maior produto, o campeonato brasileiro.
Um pouco de história
A Globo não aceita perder sua influência na vida dos brasileiros. A Rede Globo rejeita a democracia, rejeita a legalidade, rejeita os interesses públicos. E isso não é de hoje. É bom neste momento recordar a forma com que a Globo construiu seu império midiático. A Globo só chega hoje onde ela chega, com seu “padrão de qualidade”, influenciando a vida de todos os brasileiros, porque ela se aproveitou de todas as benesses de quem teve o poder no Brasil. A Globo só deixou de ser um grupo pequeno carioca (com um jornal e uma rádio) para se agigantar com a ditadura militar. De forma ilegal, ela se aliou ao grupo americano Time Life para a construção da TV Globo em 1962, com um aporte de 6 milhões de dólares. Depois de descoberta a maracutaia, a Globo desfez o acordo, mas já era tarde para a concorrência. Com o apoio dos militares, a Globo fez parte do projeto de integração nacional pelas telecomunicações, construindo a sua rede nacional de emissoras e chegando a todo país. A Globo foi um dos pilares para os 20 anos de ditadura militar no Brasil.
No processo de redemocratização do país, a Rede Globo só “abraçou” a mobilização popular quando a queda dos militares era iminente. A emissora não cobriu as diversas mobilizações pelas “diretas já”, chegando até o clássico caso do comício que reuniu milhões na Praça da Sé, em São Paulo, e a Globo noticiou que estava acontecendo uma comemoração do aniversário da cidade, enquanto os outros canais entravam com flash ao vivo das manifestações. Este foi um dos motivos da existência da palavra de ordem “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”. Isso sem contar outros casos como a manipulação do debate entre Lula e Collor em 1989, o apoio às privatizações e ao governo FHC e o ataque sistemático ao governo Lula. Além disso a Globo nega e impede qualquer proposta de regulação pública e debate público sobre as comunicações no país. Ela agiu contra a criação da Ancinav (agência que regularia o audiovisual brasileiro) em 2004, se negou a participar da Conferência Nacional de Comunicação e rejeita qualquer mudança na caduca legislação do setor. E assim a Globo mostra como ainda é uma das instituições mais poderosas do país. Apesar de que ao longo dos anos ela vem perdendo sua audiência e a influência na população brasileira.
A desmoralização das instituições
Hoje a Rede Globo está em confronto aberto com a Rede Record e seu mantenedor, o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. A Globo ainda se vê cada vez mais acuada pela convergência das mídias, com as jamantas das empresas de telecomunicações avançando pela TV por assinatura, internet e distribuição de conteúdos. E nesse cenário, porque ela iria respeitar uma determinação antimonopolista do Cade.
Para a Globo, a lei, a regulação, o interesse público sempre foram detalhes a serem esquecidos. E a atual disputa pelos direitos de transmissão é um caso notório. A Globo e o Clube dos 13 assinaram um Termo de Compromisso de Cessação em outubro de 2010 concordando com o fim da preferência na compra do campeonato e a venda separada por mídias. O Clube dos 13 cumpriu sua obrigação, mas a Globo não. Ela preferiu, à sua maneira corriqueira de agir, com um golpe. E sem nenhum constrangimento. Em nota oficial, a Globo afirma que é contra o edital do Clube dos 13, alegando que a existência da concorrência entre as emissoras e a separação do edital por mídia (TV aberta, TV por assinatura, PPV, internet, celular) inviabilizaria seu modelo de negócio. A Globo ainda publicou anúncios em todo país afirmando que está agindo em respeito ao torcedor. Ela desmoraliza o acordo com o Estado brasileiro e ainda tripudia da população.
Mas a emissora da família Marinho não aceita perder o jogo. Sua jogada é simples, rachar o Clube dos 13 e negociar individualmente com os clubes, em uma clara tentativa de manobra do acordo com o Cade. Corinthians, Flamengo, Botafogo, Fluminense, Vasco, Cruzeiro, Coritiba, Grêmio e Palmeiras e Santos já se submeteram ao poder Global e anunciaram não aceitar as negociação realizada pelo Clube dos 13. Apenas São Paulo, Atlético Mineiro, Internacional resistem até a abertura dos envelopes dos editais, em 11 de março. Em reunião com o presidente do Clube dos 13, nesta última terça-feira, o presidente do Cade, Fernando Furlan, disse que um provavél acordo entre os clubes e a emissora poderá ser alvo de um outro processo no órgão. Enquanto isto, Fábio Koff, presidente do Clube dos 13 ainda insiste em dizer que a entidade ainda tem a prerrogativa de negociar os direitos de transmissão de seus associados. Oficialmente, apenas o Corinthians confirmou sua retirada do C13. A desmoralização do futebol brasileiro segue em ritmo acelerado.

Altamiro Borges

01/03/2011

Quando as leis de mercado não interessam

Filed under: Instituto Millenium,PIG — Gilmar Crestani @ 12:00 pm
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Globo X Record: os próximos passos da briga pelo Brasileirão

A novela da disputa pelos direitos de transmissão dos Brasileirões de 2012 a 2014 terá capítulos eletrizantes já no início desta semana. Nos próximos dias, a Globo começa a negociar com cada um dos 20 clubes que integram o esfacelado Clube dos 13 – e com mais alguns times hoje na Segunda Divisão, mas que poderão subir no campeonato do ano que vem.

A negociação é a consequência mais direta da brigalhada que estava latente nos últimos meses, mas que eclodiu espetacularmente somente na semana passada. Não se trata de uma querela qualquer. Mobiliza duas paixões dos brasileiros – os times de futebol e as duas maiores emissoras de TV do país. E envolve valores bilionários: tanto no montante a ser pago por emissoras, operadoras de telefonia e portais pelos direitos de transmissão, quanto nos patrocínios que as grandes empresas passaram a despejar de forma crescente nos clubes de futebol nos últimos anos.
A partir desta segunda-feira (28), os negociadores da família Marinho – Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo Esporte, à frente – começam a se reunir com os presidentes de todos os 20 clubes que compõem o Clube dos 13. Vão pôr em prática a estratégia definida na quinta passada, em reunião que só terminou na madrugada seguinte. Partirão para o ataque imaginando flechar ao menos 15 dos 20 clubes que integram o Clube dos 13.
Os times de maior torcida são escancaradamente simpáticos à Globo – que, aliás, jogou de forma inédita para seduzi-los. Até Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo, se meteu diretamente no tema: chegou a falar ele mesmo com Patrícia Amorim, presidente do Flamengo.
O que a Globo vai propor, além de mais dinheiro do que paga hoje, é o estreitamento do que chama de parceria entre a emissora e os clubes. E que essa parceria já dura mais de uma década. Vai lembrá-los que sua audiência é quase três vezes maior do que a da Record – um argumento que sensibiliza os clubes. Enfim, a emissora vai apelar para o “em time que está ganhando não se mexe”.
Afinal, quem vai vencer esse cabo-de-guerra? O Clube dos 13 imagina que o temporal tende a cessar agora que o edital está nas ruas, embora a Globo não vá participar (o que não é pouca coisa). Os dirigentes da entidade acham que, quando no dia 11 de março os clubes derem de cara com a proposta da Record em torno dos R$ 500 milhões pelos direitos da TV aberta, cairão na real e desistirão de qualquer veleidade de negociar diretamente com as TVs.
Os tais R$ 500 milhões correspondem ao dobro do que hoje é pago. E, afirmam esses dirigentes nos bastidores, seriam suficientes para adoçar a boca e cofres dos cartolas. O Clube dos 13 aposta também que o Cade vetará qualquer negociação direta entre as partes. Argumenta que o acordo assinado no ano passado lhe dá plenos poderes para a negociação.
A Globo tem, naturalmente, outra visão. Considera que as duas principais exigências do Cade podem ser cumpridas quando se sentar à mesa com os clubes: um acordo sem cláusula de preferência para nenhuma emissora e que seja dividido por plataformas (TV aberta, fechada, pay per view, etc.). Conselheiros do Cade afirmam que uma negociação direta não é proibida. Mas que, claro, analisarão os eventuais contratos fechados com lupa.
Talvez o Clube dos 13, hoje rompido com a Globo, esteja simplificando demais esse xadrez futebolístico-televisivo. Mas a Globo tem bala para saciar a sede dos clubes? Cartolas têm dito aos quatro ventos que negociarão direto com a Globo para conseguir valores maiores do que o que o Clube dos 13 acena para eles.
Neste ponto, o Clube dos 13 argumenta que a conta não fecha. Se a Globo não quer pagar os R$ 500 milhões estabelecidos no edital, como pagaria mais a cada um dos clubes? (Fora os valores também mais altos das outras plataformas, tais como pay per view, TV por assinatura, internet)
A Globo não diz publicamente, nem é hora para isso, mas os tais R$ 500 milhões não seriam o grande problema – embora também o sejam. O que de fato a Globo não admite são outras condições que aparecem no edital do Clube dos 13. A emissora não quer, por exemplo, que as imagens sejam geradas pelo Clube dos 13, nem que a transmissão pela internet possa acontecer com um delay de apenas 45 minutos após o início da partida (mataria o pay per view, alega a Globo).
Impossível prever quem ganhará essa parada. A Globo aparentemente leva vantagens – tem poder, tradição no futebol. Mas é apenas um favoritismo momentâneo, que pode evaporar no momento seguinte. Não se pode menosprezar também a possibilidade de parte dos times fechar com a Record e parte com a Globo. Ainda que a Globo leve os clubes de maior torcida, o que parece mais lógico, em algum momento eles enfrentarão os de menor torcida – e, neste caso, as emissoras donas desses direitos de transmissão terão de se entender.
O que fica patente, no entanto, é que de modo atabalhoado ou não, a concorrência chegou para valer num campo em que a Globo sempre reinou absoluta. Se a líder de audiência ganhar, terá sido despendendo um suor nunca imaginado por ela e pelos telespectadores – se expondo como nunca e mostrando uma perda relativa de poder.
E talvez seja a última vez que conseguirá vencer a concorrência em várias plataformas de mídia. Os tempos, se não mudaram ainda, estão mudando. Mas isso a Globo sabe – o que importa para ela, neste momento, é vencer. Mesmo que de 1 a 0 e com gol na prorrogação.
Da Redação, com informações do Radar Online

Globo X Record: os próximos passos da briga pelo Brasileirão – Portal Vermelho

24/10/2010

Roseana, Paulo Renato, Aécio & Dilma!

Filed under: Isto é PSDB!,PIG — Gilmar Crestani @ 5:16 am
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Serrá preciso, ou impreciso, destruir o inimigo?

Do Blog do Mello

Partido de Safados, Debilóides e …Bolinhas de papel

Filed under: Isto é PSDB!,PIG — Gilmar Crestani @ 3:15 am
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As bolas de papel da democracia desejada

O Jornal Nacional de 21/10 não foi só uma tentativa patética de recriar o tiro que matou o Major Vaz. Os 7 minutos gastos na “fabricação” da fita adesiva que teria atingido o candidato tucano revelam desorientação no tempo e no espaço. A Rua Tonelero não fica em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro.

Gilson Caroni Filho

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Quando as redações da grande imprensa, em campanha aberta pela candidatura Serra, erigem o preconceito como norma de juízo, a mentira não é apenas abominável: é suicida. A opinião pública brasileira dispõe, hoje em dia, dos elementos necessários para julgar os acontecimentos políticos, sociais, econômicos e culturais sem se deixar levar pelo filtro ideológico de conhecidas técnicas de edição. Há muito tempo, a sociedade aprendeu a aquilatar a qualidade ética da informação oferecida, os desvios de apuração e o descompromisso do noticiário com a verdade factual.
O Jornal Nacional de quinta-feira, 21/10, não foi apenas uma tentativa patética de recriar o tiro que matou o Major Vaz. Os sete minutos gastos na “fabricação” da fita adesiva que teria atingido o candidato tucano revelam desorientação no tempo e no espaço. A Rua Tonelero não fica em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro. Além disso, passados 56 anos, não há lugar para atores políticos com indefinição ideológica evidente. Serra não é Lacerda; falta-lhe talento. O PSDB não é a UDN; tem lastro histórico mais precário. Mas em ambos, no candidato e em seu partido, convivem a vergonha de serem ostensivamente autoritários e o medo de serem inteiramente democrático. A face dupla do moralismo udenista, transposto para 2010, realça o desbotamento de um Dorian Gray mal-acabado.
A campanha oposicionista padece de velhos vícios e truncamentos de origem. Parece acreditar que o povo, em toda a parte, é uma entidade incapaz e como tal deve ser tratado, sob pena de hecatombe social iminente. Deve-se também ameaçar a esquerda com a hipótese sempre latente de um golpe de Estado. E lembrar aos setores populares, principalmente à nova classe média, que se eles não tiverem juízo virão aí os bichos papões e, com eles, os massacres dos Kulaks, as igrejas fechadas, os asilos psiquiátricos, a supressão da liberdade, em suma, o socialismo sem rosto humano.
Essa agenda está superada, mas seu simples ressurgimento deve nos remeter a pontos importantes. Se atualmente é difícil calar organizações que expressam as demandas dos seus membros e representados, como é o caso do MST, do movimento estudantil e do mundo do trabalho, muitos obstáculos ainda têm que ser ultrapassados.
Exigir liberdades democráticas não é uma gesticulação romântica, desde que se dêem consequências às suas implicações. É preciso apostar na organização crescente das forças sociais com o objetivo de consolidar uma saída definitivamente nacional e popular para temas que vão da questão agrária ao controle social dos meios de comunicação.
A análise histórica mostra que, quando não avançamos na democracia concreta, damos aos seus adversários tempo para que se reorganizem, utilizando as oficinas de consenso para caluniar, difamar, fazer o que for necessário, para deter o ímpeto vital que lhes ameaça.
Nos dias de hoje, é preciso senso crítico sempre atilado, não se deixar envolver pela vaga e traiçoeira tese do aperfeiçoamento democrático a qualquer preço, pois as forças retrógadas costumam cobrar bem caro por nossas distrações ou equívocos. Por tudo isso, a eleição de Dilma Rousseff é um passo decisivo para erradicarmos de vez o cartorialismo econômico, a indiferença moral e a incompetência administrativa que marcaram vários governos até 2003.
Na Rua Tonelero, o futuro vislumbrado é o de um país que realizará suas potencialidades. O que importa saber é que atores são capazes de assegurar uma democracia com ênfase social, assentada também nos direitos individuais e na liberdade econômica. Nesse cenário, as bolinhas de papel passeiam na calçada. O vento-e não mais o cálculo político-dita o rumo de cada uma delas.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

23/10/2010

Zé do Caixão & Zoofilia da Globo

08/07/2010

Futebol de qualidade, na escrita, só no Terra Magazine

Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 9:36 pm
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Seleção está ruim com Dunga, mas pode piorar

Sírio Possenti
De Campinas (SP)

Olha quem está falando

Sócrates errou um pênalti contra a França em 1986 (nenhum peladeiro cobraria tão mal, é só ver os jogos do bairro) e perdeu uma disputa de cabeça na entrada da área em 1982, apesar de sua altura. Da disputa saiu o terceiro gol de Paolo Rossi, com Júnior dando a ele condições de jogo. Estava distraído. Foi tão grave quanto a arrumada de meia de Roberto Carlos em 2006. Mas o tempo passa, como dizia Fiori Gigliotti .

Muller errou um gol feito contra a Argentina em 1990. Mas culpam o Dunga por ter sido driblado por Maradona, que antes passou por outros três! Deveria ter feito uma falta em Maradona, dizem. Sempre lembramos os gols sofridos, nunca os gols perdidos. Klose, o que sabe fazer gols, perdeu pelo menos cinco, diante dos goleiros.

Estou “criticando”? Não. Apenas acho que coisas assim podem acontecer com qualquer um. Alguém sempre vai errar. Ponto.

Neto chutou até um juiz! Edmundo não só fez a suas em campo, como atropelou um monte de gente numa noitada. E eles pedem bom comportamento ao Felipe Melo (que obviamente é burro – basta ver sua explicação para a pisada no holandês -, mas este é outro capítulo).

Dunga pedia atitude à seleção de 2006 contra a França (comentando jogos na BAND!), mas esqueceu que estava em campo na final de 1998, contra a mesma França, comandando um time com pouca atitude. Sua principal ação de comando naquela Copa foi cabecear o Leonardo. Devia ter se antecipado ao Zidane.

Se

Se Juan acertasse aquele chute depois do passe de Daniel Alves, se Kaká tivesse marcado na sua jogada mais característica, se Júlio Cesar tivesse saído bem naquela bola, se Juan mandasse aquela outra bola para a lateral e não para escanteio, o Brasil teria vencido a Holanda por 3 a 0. Não, não: se tudo isso tivesse acontecido, talvez Felipe Melo não tivesse acertado um lançamento espetacular, e o resultado teria sido 2 a 0.

Conspiração

Um adepto das teorias conspiratórias diria que, durante o intervalo de Brasil x Holanda, o pessoal da Fifa e da CBF foi ao vestiário dar uma bronca no time do Dunga, porque jogava bem e estava ganhando. Foi lembrar a todos que o combinado era perder – ganhar, só em 2014, como os patrocinadores combinaram. Foi por isso que o Júlio César saiu mal (ele nunca fez isso nos últimos dez anos) e que Juan inventou um escanteio, quando podia ou jogar para a lateral ou sair jogando.

Superstição

Para os supersticiosos, o que determinou a derrota do Brasil foi jogar de azul. Nesta copa, todos os azuis se ferraram: bleus, azzurri e verde-amarelos de azul. A vitória do Uruguai sobre Gana só aconteceu porque o azul deles é fraquinho, o celeste lá deles – mesmo assim, foi daquele jeito. E os meio azuis da Argentina se ferraram de verde amarelo no jogo com a Alemanha (aliás, sabe-se que os deuses do esporte punem a diversão à custa da derrota dos outros, e os argentinos tinham abusado, na véspera).

(O Uruguai perdeu para a Holanda, mas acho que não foi por causa da cor da camisa; e foi em outra fase da competição).

O jogador da Copa

Como trabalho duro desde criança, meu jogador da Copa é o volante alemão Schweinsteiger. No meu time, Ronaldinho e Robinho são focas. Bons para fazer embaixadas em propagandas…

Descobri um ótimo argumento a meu favor no artigo de Régis Bonvicino no Aliás de domingo. Comentando o célebre texto de Pasolini sobre futebol prosa (o da Europa) e o futebol poesia (o nosso; seu dado era a seleção de 70), Bonvicino mostra que: a) Pasolini opera a partir de velhos preconceitos: nós seríamos melhores porque fazemos poesia; eles é que nos vêem como os que só servem para dar-lhes diversão (no limite, é uma versão das mulatas para turistas europeus); eles são eficientes, sérios, trabalhadores; nós sabemos fazer festa; nem nossas democracias prestam; até a corrupção deles é melhor que a nossa; b) sua tese, antiga, prenuncia a substituição da arte (a do próprio cinema de Pasolini) pelo espetáculo “popular”; este é o lugar do futebol, que não é arte coisíssima nenhuma. Um jogo é como um show de rock, não como um filme (Teorema, por exemplo) ou um poema.

Saudades

Vendo as últimas Copas do Mundo, bateu enorme saudade das colunas de João Saldanha e de Nelson Rodrigues. A mídia esportiva regrediu mais que o futebol.

Piada

Piada adaptada: – Qual é a diferença entre o peixe gato e um jornalista esportivo (na derrota)? – Um vive nas profundezas e se alimenta de detritos. O outro é um peixe.

Se os jogadores errassem em campo tanto quanto os comentaristas nos microfones, perderíamos todas de goleada. Acabo de ouvir o mesmo cara dizer três vezes que a Espanha deve vencer o Uruguai. Mas o adversário é o Paraguai! O bom Milton Leite (que está afetado pelas pretensões humorísticas que estão fazendo escola no canal – e nada é pior que humor ruim!!) repetiu diversas vezes que a Argentina ganhou do México por 2 a 0.

Antes do intervalo, um cara diz na mesa redonda que Dunga não tinha opções: olhava para o banco e Ronaldinho não estava lá. Depois do intervalo, lembra que Ronaldinho não joga bem há muito tempo (desde 2006, eu diria).

Um coleguinha diz, comentando o jogo do Brasil, que o time do Dunga tem muito volante. Comentando o da Argentina, que o time é mal armado, que tem só um volante, que assim o time fica vulnerável.

Em encontro com colombianos que estavam na África do Sul, uma repórter da Globo disse que a Colômbia não tinha feito sua estréia na Copa porque não tinha se classificado. Se lhe perguntassem o que é Jabulani, o que será que ela responderia?

As notícias sobre enchente e carnaval e as mesas redondas sobre jogos da Copa (e outras) poderiam ser gravadas. Ninguém ia notar que são velhas.

Corinthiano

Voltando à dura realidade: corinthianos dirão que um time com Josué, Kaká, Luis Fabiano, Júlio Batista e Grafite não poderia mesmo vencer. É muito Marco Aurélio…

História (1)

Todo mundo repete todos os dias que Telê sim, que Telê isso, Telê aquilo. Que era o mestre do futebol arte. Todos esquecem que seus times sempre tinham um brucutu como volante. E alguém explica por que ele cortou Renato Gaúcho por causa de uma escapadinha? A disciplina valia mais que o talento? Ora, mas isso é Dunga. E por que, depois, não escalou Falcão, preferindo Elzo, logo ele, que amava o futebol-arte? Alguém aí sabe quem foi Elzo? Ou será que Telê queria um banco com boas opções?

História (2)

Em solidariedade a Renato Gaúcho, Leandro se recusou a ir ao México. E mais ninguém. Onde estava Sócrates, que entrava em campo com faixas de protesto na cabeça, mas não protestou contra a decisão de Telê?

História (3)

Ruim com Dunga? Muito ruim. Mas acho que ainda pode piorar. A Globo voltou com tudo. Basta considerar o que significa a entrevista exclusiva do presidente da CBF, que tirou o seu da reta, para quase empregar linguagem de vestiário.

Sírio Possenti é professor associado do Departamento de Linguística da Unicamp e autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua, Os limites do discurso, Questões para analistas de discurso e Língua na Mídia.

07/03/2010

O que querem Globo, Folha e Veja?

Filed under: Cosa Nostra,PIG — Gilmar Crestani @ 11:56 pm
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Gilberto Maringoni: o que querem Globo, Folha e Veja?
Vale a pena refletir mais um pouco sobre os significados e consequências do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, realizado pelo Instituto Millenium em São Paulo, na segunda-feira, 1º de março.

Por Gilberto Maringoni, na Carta Maior

Aqui ó, pr'oceis!

Aqui ó, pr'oceis!

A grande questão é: por que os barões da mídia resolveram convocar um evento público para discutir suas ideias? Ta bom, vamos combinar. A R$ 500 por cabeça não é bem um evento público. Mas era aberto a quem se dispusesse a pagar.

No subsolo do luxuoso hotel Golden Tulip estavam o que se poderia chamar de agregados da Casa Grande dos monopólios da informação, como intelectuais de programa e jornalistas de vida fácil. Todos expuseram suas vísceras, em um strip-tease político e moral inigualável. Um espetáculo digno de nota. Nauseabundo, mas revelador.

Uma observação preliminar: os donos, os patrões, os proprietários enfim, tiveram um comportamento discreto e comedido ao microfone. Não xingaram e não partiram para a baixaria. Quem desempenhou esse papel foram os seus funcionários.

Nisso seguem de perto um ensinamento de Nelson Rockfeller (1908-1979), relatado em suas memórias. Quando resolveu disputar as eleições para governador de Nova York, em 1958, falou de seus planos à mãe, Abby Aldrich Rockefeller. Na lata, ela lhe perguntou: “Meu filho, isso não é coisa para nossos empregados?”.

Os patrões deixaram o serviço sujo para os serviçais. Estes cumpriram o papel com entusiasmo.

Objetivos do convescote

Os propósitos do Fórum não são claros. Formalmente é a defesa da liberdade de expressão, sob o ponto de vista empresarial. Quem assistiu aos debates não deixou de ficar preocupado. Aos arranques, os pitbulls da grande mídia atacaram toda e qualquer tentativa de se jogar luz no comportamento dos meios de comunicação.

Talvez o maior significado do encontro esteja em sua própria realização. Não é todo dia que os donos da Folha, da Globo e da Abril se juntam, deixando de lado arestas concorrenciais, para pensarem em táticas comuns na cena política nacional.

Um alerta sobre articulações desse tipo foi feita por Cláudio Abramo (1923-1987), em seu livro A Regra do Jogo, publicado em 1988. A certa altura, ele relata uma conversa mantida com Darcy Ribeiro (1922-1997), no início de março de 1964. “Alertei-o de que dias antes, o dr. Julinho [Mesquita, dono de O Estado de S. Paulo] havia visitado Assis Chateubriand [dos Diários Associados], e que aquilo era sinal seguro de que o golpe estava na rua. Porque a burguesia é muito atilada nessas coisas, não tem os preconceitos pueris da esquerda. Na hora H ela se une”.

Pois no Instituto Millenium estavam unidos Roberto Civita [Abril], Otávio Frias Filho [Folha] e Roberto Irineu Marinho [Globo]. Sem mais nem porquê.

Não se pode dizer que a turma resolveu botar o golpe na rua. Mas é sintomática a realização do evento quase no mesmo dia em que a candidatura de Dilma Roussef empatou com a de José Serra, de acordo com o Datafolha. Ou que ele aconteça quando os partidos conservadores – PSDB e DEM – estejam às voltas com crises sérias.

O que isso quer dizer? Quer dizer que as representações institucionais da direita brasileira estão se esfarelando. Seu candidato não sabe se vai ou se não vai. Apesar de o governo Lula garantir altos ganhos ao capital financeiro, deixando intocada a política econômica neoliberal, este não é o governo dos sonhos da plutocracia pátria. Elas não suportam conviver com a ala popular, minoritária na gestão do ex-metalúrgico. Deploram a política externa, a não-criminalização dos movimentos sociais e a possibilidade de um governo Dilma acatar indicações das várias conferências temáticas realizadas nos últimos anos, como a de Direitos Humanos e a de Comunicação (Confecom).

Incômodo com a Confecom

Falar nisso, há um nítido incômodo com os resultados da Confecom. A grande mídia não tolera que o tema da democratização das comunicações tenha entrado na agenda nacional.

A reação a tais movimentações sociais tem mudado substancialmente a imprensa brasileira. Para pior, vale sublinhar. Para perceber isso, vale a pena fazer uma brevíssima recuperação histórica.

Nos anos anteriores a 1964, a grande mídia – O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, Folha de S.Paulo e Diários Associados, entre outros – tornou-se propagandista e operadora do golpe militar. Colheu desgaste e sofreu censura, anos depois.

O primeiro órgão a notar que, para viabilizar seus propósitos empresariais, necessitava mudar de comportamento foi a Folha de S.Paulo. Com um jornal sem importância antes até o inícios dos anos 1970 e acusado de auxiliar o aparato repressivo da ditadura, seus proprietários perceberam que para mudar sua inserção no mercado valeria a pena abrir páginas para a oposição democrática.

O projeto editorial de 1984 do jornal dizia o seguinte:

“A Folha é o meio de comunicação menos conservador de toda a grande imprensa brasileira. (…) É com certeza o que encontra maior repercussão entre os jovens. Foi o que primeiro compreendeu as possibilidades da abertura política e o que mais se beneficiou com ela, beneficiando a democratização. É o jornal pelo que a maioria dos intelectuais optou. É o mais discutido nas escolas de comunicação e nos debates sobre a imprensa brasileira”.

Ou seja, percebendo que a democratização lhe granjeava dividendos comerciais, o jornal deu espaço para lideranças, intelectuais e temas identificados com a mudança, em tempos finais da ditadura.

Topo da pirâmide

Vinte e três anos depois, em 11 de novem,bro de 2007, a Folha publicaria uma pesquisa sobre seu público, intitulada “Leitor da Folha está no topo da pirâmide social brasileira”. Logo na abertura, a matéria destaca:

“O leitor da Folha está no topo da pirâmide da população brasileira: 68% têm nível superior (no país, só 11% passaram pela universidade) e 90% pertencem às classes A e B (contra 18% dos brasileiros). A maioria é branca, católica, casada, tem filhos e um bicho de estimação”.

Saem de cena os “os intelectuais”, “os debates sobre imprensa brasileira” e entram os endinheirados. Do ponto de vista empresarial é isso mesmo. Jornal tem de vender e veicular anúncios a quem tem alta capacidade de consumo.

Mas para atender a essa lógica, movimentações editoriais são feitas. Ao invés de se priorizar um limitado pluralismo anterior, passam-se a criar cadernos e atrações voltados para os novos desígnios do público. E a linha editorial e os colunistas passam a ser cada vez mais conservadores.

A Folha beneficiou-se e soube utilizar em proveito próprio do formidável impulso democrático da sociedade brasileira dos anos 1980. Quase três décadas depois, percebe que a continuidade desse movimento não lhe interessa. E se insurge contra ele, com seus pares empresariais, entrando de cabeça nos fóruns do Instituto Millenium.

Golpe em marcha?

Articulações desse tipo são geralmente danosas à democracia. Sempre que ficam carentes de representações, as classes dominantes (chamemos as “elites” por seu nome real) entram no jogo institucional de forma truculenta e atabalhoada. Buscam impor sua vontade a ferro e fogo, uma vez que as regras do convívio político não lhes interessam mais. Seus impulsos são sempre pela ruptura dessas regras. Pelo golpe.

Foi o que aconteceu na Venezuela, em 2002. Com a falência dos partidos de direita e com a avassaladora legitimidade do governo Hugo Chávez, as oligarquias locais – em associação com a Casa Branca, com a cúpula das forças armadas e com a grande mídia – partiram para a ignorância. E se deram mal.

Não é pouca coisa a afirmação do ex-filósofo Roberto Romano, durante o Fórum do Instituto Millenium: “O aspecto ditatorial do Plano Nacional dos Direitos Humanos passaria em branco, não fosse o descontentamento manifestado pelos militares”. Logo quem o professor de Ética (!) invoca como paladinos da democracia…

A tática golpista vingará por aqui? Pouco provável, pois seus defensores encontram-se isolados. O destempero exibido por alguns palestrantes durante o evento – notadamente Romano, Jabor, Reinaldo Azevedo, Marcelo Madureira, Sidnei Basile, Denis Rosenfield e Demetrio Magnoli – é uma patente demonstração de seu reduzido apoio social.

No entanto, não se pode subestimar essa turma. Como interpretar a delirante intervenção de Arnaldo Jabor, ao dizer que “a questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”? Como chegar a tal objetivo se não pela quebra da democracia?

* Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP)

11/02/2010

RCTV = Globo

Filed under: Cosa Nostra — Gilmar Crestani @ 6:14 am
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Detrás de la “guerra” de RCTV y Chávez

Por Modesto Emilio Guerrero *

Pedro Carmona, o mascote dos golpistas venezulanos!

Pedro Carmona, o mascote dos golpistas venezulanos!

De lo que no cabe duda, es de que en la Venezuela bolivariana hay una batalla (también podría llamarse sin remilgos “guerra”) entre Radio Caracas Televisión (RCTV) y el gobierno de Hugo Chávez. No es la única, pues el gobierno ha ingresado en una zona de turbulencias en lo económico, social, político e internacional. Pero ésa es clave. El asunto es por qué: qué la motiva, cuáles sus fuerzas motrices, quiénes son los protagonistas, por qué RCTV es el hilo conductor de esta “guerra”.

El solo hecho de que esta empresa televisiva desaparezca y reaparezca multiplicada por otros canales, y que el gobierno le pise los talones desde 2002, no sólo cierra la discusión sobre su libertad de expresión (mayor mientras más desaparece), también obliga a pensar sobre dos derechos iguales, el de RCTV a atacar con métodos conspirativos al gobierno de Chávez y el de derecho de éste a defenderse.

Vista la cosa en estos términos, no habría nada de que sorprenderse cuando se registra en la prensa mundial que el canal salió del aire por segunda vez desde 2007. Ya había salido cuatro veces entre 1976 y 1984 por violar cinco leyes y dos reglamentos. (Libro Blanco sobre RCTV, pág. 11, Ccs. 2007.)

Esta vez fue igual, y su presidente, Marcel Granier, respondió como jefe político: “Buscan callar la voz de protesta del pueblo venezolano ante el fracaso de la gestión gubernamental, no nos vamos a someter a una tiranía”. (http://notidiariooscar.blogspot.com)

Entonces, el asunto no es jurídico ni mediático. RCTV cumple la ley y ejerce sus derechos cuando quiere y no lo hace cuando no quiere. Acudió a la ley en 2008 para legalizarse como canal internacional, y dejó de hacerlo este año para ser bandera y consigna de la oposición con dos fechas a la vista: elecciones legislativas 2010 y presidenciales 2012. El canal es funcional e instrumental al objetivo político de sus dueños, de la misma manera que los diarios partidarios lo son respecto a sus jefaturas o Comités Centrales.

El secreto hay que buscarlo en el desplazamiento tectónico vivido por los dueños del canal. RCTV y Venevisión controlaron desde 1958 hasta 1998 los ministerios de Comunicaciones, de Turismo y Departamentos del Ministerio de Educación, Conatel, la Corporación Venezolana de Fomento, además del Instituto Nacional de Hipódromos de Venezuela. Allí nacía el 74 por ciento de la facturación publicitaria de ambos (Fuentes: revistas Resumen y Dinero, Libro Blanco sobre RCTV, 2007; Prof. Franz J. Lee, Investigación, Universidad de los Andes; Tomás Eloy Martínez, Radio, prensa y TV, entre el desequilibrio y el estancamiento, en el libro: Venezuela una Ilusión de Armonía, Cedice Ccs. 1982).

Detrás de RCTV están tres familias de la burguesía venezolana y un grupo político clave, los Phelps, Granier/Sapene y Arria, tres sectores muy favorecidos por cuatro de los seis gobiernos de AD desde 1958. Carlos Andrés Pérez fue (y es) el presidente más asociado económica y políticamente al canal de Granier. El golpe de 2002 sirvió para verlos juntos en Miraflores y en la pantalla.

Desde el punto de vista comunicacional, RCTV es el partido político de derecha más beligerante del país, y quizá el más fuerte. Alta audiencia hasta 2007, el primero entre los de cable hasta enero de 2010. Mantiene motivada a la mayoría de la base social opositora. Se ve en las calles. Este canal es un hilo conductor de la vida política y mediática venezolana desde su nacimiento, pero desde 2002 es otra cosa.

Ocupa, de facto, junto a otros medios, el lugar protagonista que Acción Democrática y Copey tuvieron desde 1958. AD no convoca a más del 5,6 por ciento y Copey ya es un dato histórico (Encuesta IVAD, Caracas, 6 de febrero de 2010).

El joven Marx, que no podía conocer a Chávez ni a Granier, descubrió un detalle que los invoca, en sus estudios sobre el Derecho en la historia: “Entre dos derechos iguales, la única solución es la guerra”. En Venezuela, uno de los dos bandos actúa bajo un nombre: RCTV.

Periodista y escritor venezolano de Quién inventó a Chávez; Venezuela 10 años después, Tres sistemas de medios en la Venezuela Bolivariana, entre otros.

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