Ficha Corrida

01/11/2011

Pré-Ocupando Wall Street

Filed under: Mário Amato,Ricardo Semler,Wall Street — Gilmar Crestani @ 9:51 am
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Ele deve estar lembrado da declaração do Presidente da FIESP, em 1989, Mário Amato, no caso de que Lula vencesse Fernando Collor de Mello: “Se Lula for eleito, 800 mil empresários deixarão o país.”

O Bill Gates alertou nestes dias: ser bilionário não é tudo isso. E agora sabemos que o Steve Jobs não conseguia decorar a casa por achar o design de móveis –em geral– insatisfatório.

Serve também para lembrar que terapia é muito mais barato do que helicóptero –para quem tem problemas de ego. E tem sentido para a pessoa comum, por que as questões de excesso dizem respeito até a quem tem pouco. É só questão de proporção.

A essência é uma só: os movimentos que tomam hoje o mundo, seja dos Indignados na Espanha ou do Occupy Wall Street, em 900 cidades do globo, refletem o mal estar da humanidade.

Não há demanda específica, e nem os membros das manifestações saberiam quando atingiram os seus objetivos. Tal qual o Forum Econômico Social, agrega dezenas de tendências e intermináveis questões. Rege-se pela democracia ateniense e por Woodstock: cada um tem importância igual, tudo é coletivo à la kibbutz, e o respeito às opiniões individuais é tão valorizado que nenhum consenso é desejável.

O nó górdio, porém, é visível. Trata-se da percepção, correta, de que a queda do muro de Berlim levou a um mundo onde os espertos e sortudos se deram bem. Quem já estava na pranchinha de surfe quando o tsunami do capitalismo arrochante surgiu, ganhou mais dinheiro e ajudou a concentração brutal de renda.

Hoje 400 famílias americanas (dá para reunir todos num grande churrasco) tem renda maior do que 150 milhões de americanos comuns. Milhões! Não é diferente no Brasil, e é pior ainda no BRICS como um todo.

Os EUA, o modelo mais puro de oportunidade para todos, comprovam que o capitalismo –deixado às suas próprias regras– suga o dinheiro do sistema e desemboca em poucos bolsos.

Os ricos não topam pagar mais imposto alegando que o dinheiro será malversado pelos governantes –que eles mesmo ajudaram a colocar lá. Um ciclo vicioso cômodo. Afinal, quem sustentou as carreiras longas dos deputados e goernadores mais corruptos da história do Brasil, a não ser a elite?

O incômodo global não tem data para terminar. Neste túnel não há ainda nesga de luz. Resta ter fé na capacidade de regeneração autóctone da humanidade. Mesmo que seja de forma destrutiva, no início. Assim não dá para ficar –assim não ficará a médio prazo.

Na avenida Paulista cabe rever a cabeça que também foi pré-ocupada com a idéia de que o capitalismo puro acabaria por resolver tudo. Longe disto, longe disto.

Ricardo Semler

Ricardo Semler, 52, é empresário. Foi scholar da Harvard Law School e professor de MBA no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Escreveu dois livros que venderam juntos 2 milhões de cópias em 34 línguas. Escreve às segundas-feiras, a cada duas semanas.

Folha.com – Colunistas – Ricardo Semler – Pré-Ocupando Wall Street – 31/10/2011

A postura do PIG

Filed under: Câncer,Chico Sá,PIG — Gilmar Crestani @ 9:44 am
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gianechinicancerEm que lugar estava o PIG quando foi votada a CPMF para saúde? Onde fica a solidariedade dos corruptores quando se trata de fazer investimentos sociais? Bolsa Família vira bolsa esmola. Os movimentos sociais são criminalizados Queriam o quê? É a consequência natural, do ovo da serpente só pode nascer filhotes de serpente. Surpresa ficava sua vó, jiboia!

E usa um termo caro aos Bolsonaros puro sangue: “lulismo-petismo”. Nunca li ele escrevendo: lúmpen-peessedismo ou bruno-covismo, ditabrandismo-folhismo.

Sabe por que a galinha canta quando põe ovos? Espanto. E Chico Sá está cantando, espantado, pela “postura” do PIG…

Sob anonimato, brasileiro não é solidário no câncer

É, tio Nelson, o brasileiro, quando protegido pelo anonimato, não é solidário nem no câncer.

E não estamos batucando na tecla e no lengalenga do politicamente correto. Corta essa.

O brasileiro não é solidário nem no câncer em muitas ocasiões.

É o que vemos nos comentários de blogs e redes sociais agora em relação à doença do ex-presidente Lula.

Nas ruas, nas famílias e na missa de corpo presente, ainda vale a comoção, a compaixão, piedade e outros sentimentos.

Sob o capa de um anônimo e furioso Batman, o ataque dos comentaristas é fulminante, a doença vira metáfora para o desabafo e a ira política dos fundamentalistas que enfrentam diuturnamente o lulismo-petista.

“Minha suspeita é que a interatividade democrática da internet é, de um lado um avanço do jornalismo e, de outro, uma porta direta com o esgoto de ressentimento e da ignorância”, escreveu Gilberto Dimenstein, espantado com as manifestações recebidas na caixa de comentários da sua coluna aqui na Folha.com.

Vasculhando as caixas postais de vários blogs e colunas que trataram sobre o assunto, observamos que não é um caso isolado. É tendência. Tem, mas está faltando a referida solidariedade. 

Agora vemos o personagem Edgar, da peça “Bonitinha mas ordinária”, do tio Nelson Rodrigues, salivando, obsessivo, atribuindo a sentença ao Otto Lara Resende: ”O mineiro só é solidário no câncer.”

O mineiro aqui entra como parte pelo todo, claro, mas deixemos o próprio canalha Edgar com o verbo, de novo:

“Mas olha a sutileza, não é bem o mineiro, ou não é só o mineiro. É o homem, o ser humano. Eu, o senhor ou qualquer um, só é solidário no câncer. Compreendeu?”

É, tio Nelson, este último reduto da solidariedade está indo para o saco. Pelo menos no baile de mascarados da internet.

Escrito por Xico Sá às 12h46

http://xicosa.folha.blog.uol.com.br/arch2011-10-30_2011-11-05.html#2011_10-31_12_56_16-161644940-0

22/10/2011

É isso aí, Mano!

Filed under: Brasil,Cuba,Futebol — Gilmar Crestani @ 8:30 am
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A mídia, capitaneada pela Globo, odiava Dunga. Se não por seu estilo, porque não se submetia aos caprichos da Globo, era tinha vida própria. Treinava Seleção, não garotos propaganda. Não era cafetão para introduzir clandestinamente jogadores nos bastidores da Rede Globo. Perdeu uma partida. O homem da Globo na CBF, Ricardo Teixeira, ofereceu sua cabeça aos carrascos da Globo. Com mais um treinador com este, a Globo iria à falência, então escalou um Mano. Bonzinho, com figurino da Globo. Com os atletas patrocinados por empresas que também patrocinam a Globo. E onde Mano põe o olho, o da Globo, o futebol seca. Por onde passa, soçobram vítimas. Empatar com Cuba, aquela ilha com boicote econômico há 50 anos, não é uma tragédia. Tragédia é se submeter à Rede Globo. Ney Franco teve seu dia de Mano. E o clássico CUBRA ficou no 0 x 0…

Sob olhares de Mano, seleção só empata com Cuba

Brasil joga mal, desperdiça chances de gol e não sai do zero a zero contra adversário frágil

21 de outubro de 2011 | 21h 56
A seleção brasileira masculina de futebol conseguiu um feito histórico nesta sexta-feira. Conseguiu não sair de um empate sem gols com a frágil seleção de Cuba em sua segunda partida nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México.

Veja também:
link Nado sincronizado do Brasil conquista o segundo bronze
link Campeão mundial estreia com vitória no boxe

Atacante Henrique, retrato do Brasil, desperdiça várias chances contra seleção de Cuba - Juan Karita/AP

Juan Karita/AP

Atacante Henrique, retrato do Brasil, desperdiça várias chances contra seleção de Cuba

Com o segundo empate, a equipe do técnico Ney Franco coloca em risco a sua classificação à semifinal. Treinador da seleção principal, Mano Menezes assistiu o jogo das tribunas do Estádio Omnilife

Com apenas dois pontos, o Brasil está na terceira colocação do Grupo B, atrás da Argentina, que tem quatro, e da Costa Rica, que tem três.

Para avançar à semifinal, precisa obrigatoriamente vencer os costa-riquenhos no domingo. Ainda assim, tende a avançar de fase na segunda colocação e enfrentar os mexicanos, favoritos ao ouro, na semifinal.

Nesta sexta-feira, o time de Ney Franco pagou caro pelo excesso de gols perdidos. As chances foram várias, também com diversos jogadores: Misael, Henrique, Felipe Amorim, Leandro.

O maior erro, porém, foi do artilheiro do último Mundial Sub-20. Aos 19 minutos do primeiro tempo, Henrique recebeu ótimo passe de Felipe Amorim, com o gol aberto. Quis dominar a bola, ao invés de chutar direto, e acabou sendo desarmado.

Sob olhares de Mano, seleção só empata com Cuba – esportes – geral – Estadão

15/10/2011

O que é bom para os EUA é bom para o Brasil?

Filed under: Lixo Hospitalar — Gilmar Crestani @ 8:40 am
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O complexo de vira-latas venceu. De tanto exaltarem os produtos made in USA em detrimento aos nacionais, o coronelismo eletrônico não pode se queixar que o lixo vem parar aqui. E não é só lixo hospitalar, não. O lixo político veio antes. Lembram do “guru indiano” da campanha do José Serra. Veio dos EUA para ensinar disseminar o lixo da Opus Dei pela internet. Soninha Francine foi uma gari ao contrário, ao invés de recolher, espalhou.

Lixo hospitalar dos EUA é vendido no Nordeste

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FÁBIO GUIBU
ENVIADO ESPECIAL A SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE (PE)

Lençóis com nomes de hospitais dos EUA –iguais aos apreendidos pela Receita Federal no porto de Suape e classificados como lixo hospitalar– são vendidos por quilo em uma das principais vias de Santa Cruz do Capibaribe, cidade de 87,5 mil habitantes de Pernambuco, relata o repórter Fábio Guibu em reportagem publicada na Folha (disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Receita aciona Procuradoria contra lixo hospitalar em PE
Fiscalização encontra mais um contêiner de lixo hospitalar em PE
Contêiner com lixo hospitalar é apreendido em porto de PE

A Folha comprou nove peças (4 kg) na loja Império do Forro de Bolso. Parte delas tinha manchas e referências e unidades de saúde dos EUA, como Baltimore Washington Center ou Medline Industries Inc.

Amontoados no chão, os lençóis e fronhas eram vendidos a R$ 10 o quilo.

Funcionários alegaram problemas no sistema para não fornecer nota fiscal ou recibo e, depois da ligação por celular, fecharam a loja.

Tecidos de hospital só podem ser reaproveitados após rigorosa desinfecção.

A Receita não confirmou o nome do importador de lixo hospitalar.

Leia a reportagem completa na Folha deste sábado, que já está nas bancas.

Folha.com – Cotidiano – Lixo hospitalar dos EUA é vendido no Nordeste – 15/10/2011

09/03/2011

PSDB, os melhores quadros

PARA SEREM PENDURADOS NUM PRESÍDIO…

Alckmin x Serra: vídeo mostra que guerra está feia também na área de Segurança

publicada quarta-feira, 09/03/2011 às 16:17 e atualizada quarta-feira, 09/03/2011 às 16:19

Peço a atenção dos leitores para mais um capítulo da guerra entre os tucanos de São Paulo (sobre a disputa entre os “cosmopolitas” e os “caipiras”, já escrevi aqui).

Primeiro, algumas informações de fundo (na sequência trarei uma novidade factual, na forma de um vídeo que circula pela internet desde terça à noite). O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, é dos poucos remanescentes da equipe de Serra que foram mantidos por Alckmin. Como se sabe, Serra e Alckmin travam uma batalha surda pelo controle do PSDB paulista.

Ele é homem de Serra, mantido a contragosto por Alckmin…

Na época em que Alckmin montava seu gabinete, jornal paulista vazou a informação (plantada sabe-se lá com que interesses, mas podemos imaginar) de que a saída de Ferreira Pinto significaria a vitória da “banda podre” da polícia paulista. A reportagem saiu na “Folha” (o jornal costuma estar à disposição para as manobras de Serra), e foi assinada por Mario Cesar Carvalho. Guardem esse nome.

Depois disso, Alckmin ficou de mãos amarradas: se tirasse Ferreira Pinto, ganharia a pecha de beneficiar a “banda podre”. Se mantivesse Ferreira Pinto, teria cedido a pressões e manobras de um homem nomeado pelo antecessor Serra.

Alckmin optou pela segunda decisão. Mas mandou um recado a Ferreira Pinto (e a Serra), nomeando para a Secretaria de Transportes Saulo Abreu de Castro. Saulo era o homem forte da Segurança na gestão anterior de Alckmin como governador (2003/2006).  É como se Alckmin dissesse a Ferreira Pinto (e, indiretamente, a Serra): você ganhou o primeiro “round”, mas a qualquer momento o fantasma de Saulo pode avançar sobre a Segurança de novo!

Pois bem. Na última semana de fevereiro, Ferreira Pinto foi bombardeado. Lembram-se da imagem da escrivã humilhada por uma equipe da Corregedoria de Polícia? Assessores de Ferreira Pinto dizem, em off, que o vídeo pode ter partido da turma de Saulo – interessado em desgastar o atual titular da Segurança.

Ferreira Pinto foi para o contra-ataque. Como?

No último dia 1 de março, o jornal “Folha de S, Paulo”, em boa reportagem de Mario Cesar Carvalho (!), trouxe a informação de que um assessor da secretaria de Segurança recebia grana como consultor “vendendo” informaçõe sigilosas para particulares. O nome do assessor: Tulio Kahn. Quem nomeou Túlio para o cargo, no mandato anterior de Alckmin? Saulo de Castro.

Parece complicado esse emaranhado, mas é importante prestar atenção:  Saulo(=Tulio Khan)=Alckmin X Ferreira Pinto (=Serra).

O jornalista, de branco, e o secretário

Ontem, começou a circular um vídeo que mostra o secretario de Segurança Ferreira Pinto (aquele, nomeado por Serra, e mantido por Alckmin) circulando por um shopping de São Paulo. A imagem é do dia 25 de fevereiro (4 dias antes da reportagem da “Folha” ser publicada). Ferreira Pinto circula, com um envelope na mão, até que chega um homem, de jaqueta branca. Quem é esse homem? O jornalista Mario Cesar Carvalho.

Assistam o vídeo bem aqui ao lado, na janela de imagens do Escrevinhador.

A imagem mostra que o jornalista eo secretário andam juntos até um café, sentam numa mesa e conversam.

Qual a conclusão de quem acompanha essa área de Segurança? O secretário Fereira Pinto é que teria sido a fonte da “Folha”. Ou seja: Ferreira Pinto forneceu munição contra Tulio Khan, para atingir Saulo (o rival dele, que pode ocupar a secretaria de Segurança).

Hoje, jornalistas perguntaram a Ferreira Pinto se ele de fato se encontrou com o repórter da “Folha” no shopping. O secretário admitiu o encontro, mas não revelou o que havia no envelope, nem deu mais detalhes.

Antes que se façam insinuações feias, ninguém imagina que o envelope contivesse pagamento ou dinheiro. Nada disso. Imagina-se que continha informação que o Mario Cesar deve ter utilizado na reportagem.

O jornalsta da “Folha” não falou sobre o caso. E seu fosse ele não falaria. É o princípio básico do sigilo da fonte. Mario Cesar não fez nada de errado, ao contrário. O jornalista estava atrás de uma informação. Normalmente, é quando os políticos brigam que as informações circulam.

O incrível é outra coisa: um secretário vazar para o jornal informação que, no fim e ao cabo, atinge o próprio governo em que ele trabalha!

Mais um indcativo de como as relações enre os tucanos estão envenenadas.

Por último, algumas observações adcionais…

Por que um secretário se encontraria com um jornalista num shopping, e não no gabinete na secretaria? Talvez, para evitar que assesores vissem o jornalista, e depois contassem a Tulio Khan.

O vídeo que compromete Ferreira Pinto vazou na internet num blog do Vale do Paraíba (base política de Alckmin); o titular do blog chama-se João Alkimin (!!!!).

É o estilo de Geraldo Alckmin. Deu o troco usando um blog do interior, para fritar Ferreira Pinto em fogo brando. Nada de escândalo. O que interessa é apagar – aos poucos e sem fazer marola – os vestígios do serrismo no governo paulista.

Eles se amam. E olhe que 2014 ainda está longe. Mas no meio do caminho há 2012.

Mais informações você encontra:

– no “Flit Paralisante“;

– ou no “Cabeça de Bacalhau“.

Leia outros textos de Plenos Poderes

Escrevinhador

08/03/2011

OJC

Filed under: Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 8:02 am
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Só faltou informar que o período coincide com o governo (ih!!) Cerra. Por outra, os alagamentos são Obras do Jênio Cerra… Aquele da bolinha de papel que a Globo transformou em meteorito da pedra lascada.

Em 4 anos, alagamentos praticamente triplicam na marginal Tietê

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DE SÃO PAULO

Os pontos de alagamento da marginal Tietê praticamente triplicaram de 2008 para 2011, considerando o primeiro bimestre de cada ano. Nesse período, foram 36 pontos em 2008 e 101 neste ano –27 intransitáveis, informa a reportagem de Cristina Moreno de Castro publicada na edição desta terça-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

A Folha levantou os pontos registrados pelo CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências, da prefeitura) em toda a extensão da marginal Tietê. Em 2009, foram 19 pontos e, em 2010, 57.

O monitoramento é feito da mesma forma que há quatro anos –não houve alteração na tecnologia do CGE nem na atuação da CET.

Luciana Travassos, doutora em ciência ambiental pela USP, diz que há várias hipóteses para a alta: bocas de lobo e galerias sem manutenção, falhas de drenagem da nova marginal, aumento da chuva ou das áreas de impermeabilização –tanto local, com a nova pista, pronta em março de 2010, quanto em toda a sub-bacia do rio Tietê.

Não há cálculos, por exemplo, sobre o quanto de área impermeabilizada surgiu no período e o quanto ela –e a área verde de 18,4 hectares suprimida– contribuem para os alagamentos.

Leia a reportagem completa na Folha desta terça-feira, que já está nas bancas.

Folha.com – Cotidiano – Em 4 anos, alagamentos praticamente triplicam na marginal Tietê – 08/03/2011

16/02/2011

A notícia do mau humor

Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 9:07 am
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A Folha, quando se trata de maltratar a informação, é insuperável. Se alguém ganhar na mega-sena, mas não for da sua base política, a manchete vai ser ranzinza, do tipo: “Ganhador da mega-sena ainda não pagou o IPTU”. Mesmo a Zona Sul, ou Barra da Tijuca, bairros nobres do Rio, ou Jardins ou Morumbi, em São Paulo, por mais que o poder público esteja presente, sempre vai faltar alguma coisa. A Folha não consegue fazer a comparação do que era com o que ficou pelo simples fato que isso implicaria em constatar que a intervenção do Estado no Complexo do Alemão está sendo um sucesso. A Folha poderia se ocupar em explicar porque a terra que já foi da garoa, e dos Demônios da Garoa, agora qualquer garoa é um caos.

O que a Folha pretendia dizer mas faltou competência e seriedade é que, por mais que se faça, o Complexo do Alemão é tão carente que sempre estará faltando alguma coisa. Mas, feche o nariz e sinta: 

16/02/2011 – 07h01

Complexo do Alemão ganha internet grátis, mas convive com falta de saneamento

Fabíola Ortiz
Especial para o UOL Notícias
Do Rio de Janeiro

De um lado, acesso universal e gratuito à rede sem fio de internet. De outro, quedas frequentes de energia, falta de saneamento básico e ausência de rede de coleta de lixo. Essas duas realidades coexistirão a partir de junho no Complexo do Alemão, no subúrbio do Rio de Janeiro. A comunidade, recém pacificada, está incluída no progama Rio Estado Digital, que em sua primeira fase levará internet para 40 dos 200 mil habitantes.

“A população tem que estar engajada e participando da discussão. Essa área é muito extensa, é a maior área que vamos fazer do Rio Digital. Só na Rocinha eram 80 antenas para 80 mil habitantes. No Alemão, serão 257 antenas para uma população duas ou três vezes maior”, disse ao UOL Notícias o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, que apresentou o projeto, nesta semana, aos líderes comunitários do complexo.

O investimento do governo do Rio será de R$ 5,5 milhões e fará a cobertura de uma área de três milhões de metros quadrados com a instalação de antenas para transmissão do sinal wi-fi. A população local vai poder captar o sinal com celulares, laptops ou desktops com placa de rede sem fio instalada. Nas áreas de sombra, as casas vão precisar de uma antena com custo entre R$40 e R$80.

O projeto de cobertura de internet wi-fi com parcerias da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e da PUC (Pontifícia Universidade Católica do Rio) no Complexo do Alemão deverá ser estendido também ao vizinho Complexo da Penha, onde juntos somam uma população de quase 400 mil pessoas. A rede será implantada em etapas ao longo de um ano, afirmou o secretário.

“O grande receio é o vandalismo. Na avenida Brasil (importante via expressa da cidade que também recebeu o Rio Digital), dos 58 quilômetros de cabo de fibra ótica, 20 foram roubados. Ou seja, 40% do projeto foi roubado. No Alemão, a comunidade era dominada por duas facções. Já tínhamos um grande estudo, a parte técnica da cobertura estava avançada, mas não a parte social”.

O presidente da associação de moradores da Fazendinha, uma das 14 favelas do Alemão, vê com bons olhos a inclusão digital, pois a mensalidade é alta da internet cobrada pelas empresas privadas que oferecem o serviço. O valor chega a custar R$100 por mês.

“Tem muita gente desempregada que não tem condição de pagar nem uma lan house. A inclusão digital gratuita para a comunidade é muito benvinda. Vai facilitar a vida. Mas é importante ter um curso básico para usar a internet. Quase todo mundo tem um computador dentro de casa, até mexem no Orkut, mas tem muitos que nem sabem desligar o computador”, disse Williams Florêncio da Silva, 40.

Extorsão do gatonet

A chegada da internet também é um alívio para a moradora da comunidade dos Mineiros, Sheila Santos, 34, pois a partir de agora não precisará pagar pelo chamado ‘gatonet’ – um serviço pirata de internet muito comum nas favelas cariocas dominadas por facções criminosas.

Como sua casa situa-se em cima do morro longe da rua principal, ela teve que pagar cerca de R$ 500 para a instalação do serviço irregular.

“Antes era o gatonet, mas não tem essa de defesa do consumidor. Tem muitos moradores aqui na comunidade com computador. Como a minha casa é longe da rua, eu e a minha amiga nos juntamos e pagamos R$ 500 para o homem instalar o gato em casa. Ele disse que cobrava o metro do fio”, disse.

Sem coleta de lixo e luz

Apesar da chegada do serviço gratuito da internet, lideranças comunitárias reclamam ainda da falta de serviços básicos como a coleta de lixo nas comunidades e a constante falta de luz que deixa às escuras vários pontos do Alemão, principalmente as localidades mais próximas à serra da Misericórdia.

“Falta manutenção nos postes, muitos transformadores estão queimados. Durante o dia falta luz umas quatro vezes. E à noite dá sensação de insegurança, pois os becos e vielas estão escuros”, relata Francisco Aguiar, 43, representante da associação de moradores da comunidade dos Mineiros, próximo ao bairro Inhaúma, um dos sete que circundam o Complexo do Alemão.

A coleta de lixo da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) geralmente passa três vezes por semana, segundo relatos de moradores. Mas, nesta segunda-feira que seria a data marcada para o caminhão da companhia retirar o entulho, até o início da noite, ainda não havia sinal da empresa que recolheria o lixo que ficou acumulado desde a última sexta-feira na rua Canitá, uma das principais do Alemão.

A reportagem do UOL Notícias percorreu nesta segunda-feira as ruas e becos de algumas favelas que compõem o Alemão e presenciou grande quantidade de lixo nas caçambas para o recolhimento e também muitos despejos de resíduos sólidos e esgoto a céu aberto a escorrer pelas escadas, valas e pequenas vielas por onde passam diariamente moradores e crianças.

Outro lado

Segundo informações da Secretaria municipal de Habitação, já foram investidos R$ 171 milhões em obras no Alemão, especialmente nas localidades de Nova Brasília e ao longo da rua Joaquim de Queiroz, uma das principais do Alemão no acesso à Grota. Estas obras estão incluídas no programa Morar Carioca que prevê a urbanização de todas as favelas da cidade até 2020, com um investimento total de R$ 8 bilhões, em parceria com o governo federal.

Em dezembro do ano passado, após a pacificação do Alemão, foi dado o início do Morar Carioca na localidade que prevê cerca de R$ 400 milhões em obras de urbanização e infraestrutura nos complexos da Penha e do Alemão.

Já a assessoria da Emop (Empresa de Obras Públicas do Rio de Janeiro) informou que foram feitas algumas intervenções pontuais de saneamento no Alemão, especialmente na construção dos conjuntos habitacionais e no teleférico que ligará todos os morros. Segundo a Emop, foram instalados 24.291 metros de rede de esgoto e 15.404 mil metros de rede de drenagem em todo o Alemão no período de 2008 a 2010, quando as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) começaram na região.

Já a Light, empresa responsávelpelo abastecimento de energia elétrica para o Rio deJaneiro, informou através de nota que sempre distribuiu energia elétrica para o Complexo do Alemão e que está elaborando um projeto de eficiência energética para a comunidade, com previsão de implantação para 2011.

De acordo com o comunicado, antes da ação de pacificação do governo do estado, “havia desorganização elétrica, com risco, inclusive, de acidentes graves, além de ligações clandestinas, que prejudicam o fornecimento de energia elétrica”. A entrada das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras) com previsão para este ano vai facilitar a “regularização dos clientes, a criação de novos endereços e a distribuição de contas de luz vão facilitar a reintegração dos moradores como cidadãos”.

A Light informou ainda que estão sendo realizadas melhorias e modernização de toda a rede elétrica, “com troca e colocação de postes, substituição da fiação existente por cabos compactos e blindados, troca de transformadores e colocação de medidores”.

Já a Comlurb informou que a coleta de lixo no Complexo do Alemão é feita diariamente na maioria das localidades e, em determinados pontos, mais de uma vez. ao dia. De acordo com a nota divulgada pela assessoria do órgão, “nas áreas onde o caminhão coletor não tem acesso, são disponibilizadas caixas estacionárias onde os moradores depositam o lixo, que são trocadas três vezes na semana, como a descida do Morro dos Mineiros, próximo à Rua Canitar, em que duas caixas são trocadas toda segunda, quarta e sexta-feira”.

A administração da Comlurb informou ainda que está estudando ampliar esse atendimento, pois tem verificado um aumento do volume de resíduos acumulados.

Complexo do Alemão ganha internet grátis, mas convive com falta de saneamento – 16/02/2011 – UOL Notícias – Cotidiano

06/02/2011

O jornalicídio da Folha

Filed under: Isto é PSDB!,PIG — Gilmar Crestani @ 6:22 am
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Ninguém que tenha um mínimo de informação desconhece as relações umbilicais entre a Folha e o PDSB. Vem de tempos. E continuou aberta e escancarada nas últimas eleições. Então, a Folha pode ser tudo (e é) mas jamais será petista. Então, a crítica que fazem agora aos programas e personagens do PSDB, vem atrasada. Muito atrasada, mas foi retardada conscientemente. Nós, que não dispomos de espaço em jornais, já sabíamos. Aqui no RS, as relações da Yeda Crusius com a RBS alertou a quem tem um mínimo de bom senso, que não poderia ser coisa boa. Deu no que deu. Um governo desastrado e eivado de corrupção. Aliás, como diz o ditado, quem sai aos seus não degenera… A fruta (podre) nunca cai longe do pé…

Concluindo, que Fernando Rodrigues nos desculpe, mas ele chegou atrasado. Só mal informados ou mal intencionados não sabiam disso.

O programocídio do PSDB

FERNANDO RODRIGUES – FOLHA SP

BRASÍLIA – O programa do PSDB na TV na quinta-feira não foi ruim. Foi péssimo. Sobretudo se a métrica usada for quantificar o número de novos militantes que a legenda obteve depois de aparecer dez minutos no horário nobre.
O comercial teve o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nos cinco minutos iniciais. Explicou para uma plateia colocada dentro de um estúdio que o PSDB foi criado para “renovar nossa política”. Em seguida, apareceu Siqueira Campos, governador tucano do Tocantins, que pode ser tudo, menos renovação naquele Estado.
Contradições são inerentes ao processo político. Eis aí Lula e Dilma Rousseff de braços dados com José Sarney e Fernando Collor. Mas no caso do PSDB o partido se presta a expô-las ao máximo, quase num processo de autoflagelação.
O programa está disponível para quem não assistiu no site da legenda (psdb.org.br). Vale o ingresso. O maior partido de oposição do país dá uma aula de falta de rumo e desconexões de discurso.
O presidente nacional tucano, Sérgio Guerra, promete que os congressistas da sigla “denunciarão o desperdício do dinheiro público”. Em seguida, aparece o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, o mesmo que requereu uma aposentadoria por ter sido governador do Paraná no passado remoto.
A propaganda tucana segue o modelo ortodoxo de mostrar e dar voz aos políticos da sigla -essa é uma praxe entre todas as agremiações. Tudo num horário no qual os brasileiros chegam em casa e estão acostumados a assistir a uma novela ou a um telejornal. É intragável.
O PSDB hoje se esvai numa luta interna entre serristas e aecistas, observados por alckmistas. Todos se arriscam a cometer o mesmo partidocídio já adotado pelo Democratas. Ao final do programa de quinta-feira, alguém fala: “As coisas só mudam de verdade quando a gente muda”. Esse é um bom conselho para o próprio PSDB.

fernando.rodrigues@grupofolha.com.br

23/12/2010

A máfia do osso

Filed under: Cosa Nostra,PIG — Gilmar Crestani @ 9:25 am
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PIGUm celetista da Folha de São Paulo pensa ter encontrado (+) uma forma de atacar Lula. Fernando Rodrigues escreveu no jornal do seu Frias: “Nunca é demais lembrar que (Lula) foi o mandatário que mais bem (sic) utilizou a comunicação de massas. (…) Quando assumiu, em 2003, havia 499 veículos recebendo dinheiro para veicular propagandas do governo. Em 2008, já eram 5.297 jornais, revistas, portais de internet, rádios e TVs desfrutando desse auxílio luxuoso”. A informação é incompleta. Um copo meio vazio. E sabe-se que meia verdade pode constituir-se numa mentira inteira.

O que está em jogo é a briga de cachorro pelo osso governamental. São exatamente aquelas pessoas que defendem a iniciativa privada mas que são sustentadas pela publicidade obrigatória e da cooptação pela  distribuição de publicidade oficial. E a briga pela reserva de mercado lembra as disputas mafiosas

Os 449 veículos que recebiam de forma exclusiva a propaganda do governo anterior pertenciam a quantas famílias?  No RS, 80% dos veículos pertencem a famiglia Sirotsky. E em Santa Catarina? Quantos veículos tem a Globo? E Record? E a Band? Então porque não simplificar: 05 (cinco) famiglias recebiam toda a publicidade do governo prof. Cardoso. Eram cinco (Frias, Mesquita, Marinho, Sirotsky, Civita). E Lula simplesmente estendeu a “bolsa família”,´ponde leite na mamadeira de outras crianças…

Quem não chora, não mama.

Eles, os beneficiários de sempre, têm razão em reclamar. Lembro de que esta tentativa de “espraiar” a distribuição de verbas da publicidade governamental começou com Olívio Dutra. A justificativa é tão singela tanto quanto sua verdade. Se uma estrada está sendo construída em Cacimbinhas, porque o edital tem de ser publicado na Zero Hora? O jornal semanal de Cacimbinhas não atende melhor a  seu público? A criação do Campus da UERGS nas Missões precisa ser divulgado somente através da  RBS? Por que as rádios e jornais das Missões não seriam também veículos apropriados para fazerem a divulgação. O modelo concentrador, que Fernando Rodrigues defende, tirou da miséria e transformou em donos do Brasil, durante a ditadura, não mais que cinco famiglias, hoje reunidas entrono da facção Instituto Millenium.

Quem melhor que o saite Praia de Xangri-Lá para falar da praia de Xangrilá? Ou O Informativo, para falar de Lajeado? E tem uma outra razão que a razão dos monopolistas desconhece. O dinheiro que é distribuído para os pequenos veículos do interior, será reinvestido no local onde habitam seus proprietários. É a comunidade que sai no lucro. É a isso que me refiro…

Eu fui assinante de revistas e jornais (Istoé Senhor, Visão, Veja, Folha de São Paulo, Zero Hora) mas me considerava não só desinformado mas ofendido pelas meias verdades que publicavam. Recebia informações com um único viés, a dos donos. Hoje não assino porra nenhuma e me considero melhor informado sobre o que está acontecendo. Aliás, hoje, os veículos que assinei no passado, só têm uma serventia; indicarem o caminho que devo evitar. Esse jornalismo ranheta que sobe encima das tamancas para pregar moral de cueca está com os dias contados. Ainda sobrevive porque uma ex-funcionária concedeu ao ex(?)-patrão as senhas do Sistema Guardião. Essa promiscuidade está com os dias contados. Agora imagine se a senha também fosse dada aos jornais do interior, às blogs?! Será que O Informativo, de Lajeado, não teria denunciado o uso do Sistema Guardião pelo conterrâneo Ricardo Lied, que perseguia Fernando Schimitt, político do Vale do Taquari?!

A única informação relevante trazida pelo funcionário da Folha é de que existe pelo menos 5.297 veículos espalhados pelo Brasil que merecem crédito. A democracia também se dá pela pluralidade de veículos. Ao bater contra a pluralidade, a Folha demonstra porque investe como pittbull contra um simples site, que tripudiava encima das diabruras da folha, o Falha de São Paulo.

13/12/2010

Falha de São Paulo

Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 6:10 pm
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Ou de como agem os membros da facção Instituto Millenium!

O Rolha de São Paulo, que tapa o nariz para falar (bem) da ditadura, e reclamar da liberdade de expressão, buscou impedir judicialmente o humor. Mal-humorada, com seu bocão econômico, quis aplicar em Bocchini a lei da mordaça à moda Frias! Veja e me diz se ao invés do “Erramos”, a Folha não devesse usar “Falha”…

04/12/2010

Carrasco pode ser dono de jornal?

Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 9:58 am
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Mais um episódio edificante que marcou o surgimento dos membros da facção Instituto Millenium!
Morte de Bacuri e a cumplicidade da Folha

Carrasco pode ser dono de jornal?Do blog "Limpinho e cheiroso", via http://altamiroborges.blogspot.com/:
Na próxima terça-feira, dia 7 de dezembro, às 19 horas, na Câmara dos Vereadores de São Paulo, Eduardo Leite, o Bacuri, receberá, in memoriam, o título de Cidadão Paulistano por iniciativa dos vereadores Juliana Cardoso e Ítalo Cardoso.
Para quem não o conheceu, trata-se de mais um dos casos de absoluta crueldade da repressão. Na madrugada da véspera de ser retirado do Dops para ser assassinado, a repressão lhe entregou – na cela onde estava sozinho – um exemplar da Folha da Tarde que noticiava sua “fuga”.
Para que jamais esqueçamos a história, a Folha da Tarde era aquele pasquim que o senhor Otávio Frias – pai do senhor Otávio Frias Filho – cedeu graciosamente ao esquadrão da morte durante os dois anos finais dos 1960 e que assim continuou até o final dos anos de 1970.
Bacuri tem uma das histórias mais bonitas de nossa resistência. Quando foi preso, sua companheira – a camarada Denize – estava grávida. Meses depois, nasceu a Maria Eduarda.
Quem não puder comparecer ao evento, envie uma mensagem dirigida a essas duas mulheres para o endereço da Denize Crispim Perez: zdenize@gmail.com
Leia a seguir, o texto sobre Bacuri que está no sítio Tortura Nunca Mais:
Cumplicidade entre a mídia e a repressão
O relato abaixo serve para demonstrar a ação combinada e orgânica entre a repressão da ditadura militar de 64 e os órgãos da mídia oligárquica no Brasil.
O assassinato de Eduardo Collen Leite, o “Bacuri”, é um dos mais terríveis dos que se tem notícia, já que as torturas a ele infligidas duraram 109 dias consecutivos, deixando-o completamente mutilado. Quando o corpo foi entregue aos familiares estava sem orelhas, com olhos vazados e com mutilações e cortes profundos em toda a sua extensão.
Foi preso no dia 21 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro, pelo delegado Sérgio Fleury e sua equipe, quando chegava em sua casa. Passou pelo Cenimar/RJ e DOI-Codi/RJ, onde foi visto pela ex-presa política Cecília Coimbra, já quase sem poder se locomover.
Do local da prisão, Eduardo foi levado a uma residência particular onde foi torturado. Seus gritos e de seus torturadores chamaram a atenção dos vizinhos, que avisaram a polícia. Ao constatar de que se tratava da equipe do delegado Fleury, pediram apenas para que mudassem o local das torturas.
Após ser torturado na sede do Cenimar, no Rio de Janeiro, Eduardo foi transferido para o 41° Distrito Policial, São Paulo, cujo delegado titular era o próprio Fleury.
Novamente transferido para o Cenimar/RJ, Eduardo permaneceu sendo torturado até meados de setembro, quando voltou novamente para São Paulo, sendo levado para a sede do DOI-Codi. Em outubro, foi removido para o Dops paulista, sendo encarcerado na cela 4 do chamado “fundão” (celas totalmente isoladas).
Em 25 de outubro, todos os jornais do País divulgaram a nota oficial do Dops/SP relatando a morte de Joaquim Câmara Ferreira (comandante da ALN), ocorrida em 23 de outubro. Nesta nota, foi inserida a informação de que Bacuri havia conseguido fugir, sendo ignorado seu destino. Foi encontrado nos arquivos do Dops a transcrição de uma mensagem recebida do Dops/SP pela 2ª seção do IV Exército, assinada pelo coronel Erar de Campos Vasconcelos, chefe da 2ª Seção do II Exército, dizendo “que foi dado a conhecer a repórteres da imprensa falada e escrita o seguinte roteiro para ser explorado dentro do esquema montado”.
O tal roteiro falava da morte súbita de Câmara Ferreira após ferir a dentadas e pontapés vários investigadores. E mais adiante diz “Eduardo Leite, o Bacuri, cuja prisão vinha sendo mantida em sigilo pelas autoridades, havia sido levado ao local para apontar Joaquim Câmara Ferreira (…) Aproveitando-se da confusão, Bacuri (…) logrou fugir (…)”. Estava evidenciado o plano para assassinar Eduardo Collen Leite
O testemunho de cerca de 50 presos políticos recolhidos às celas do Dops paulista (entre eles, o gaúcho Ubiratan de Souza, da VPR) neste período prova que Eduardo jamais saíra de sua cela naqueles dias, a não ser quando era carregado para as sessões diárias de tortura. Eduardo era carregado porque não tinha mais condições de manter-se em pé, muito menos de caminhar ou fugir, após dois meses de torturas diárias.
O comandante da tropa de choque do Dops/SP, tenente Chiari da PM paulista, mostrou a Eduardo e a inúmeros outros presos políticos, no dia 25, os jornais que noticiavam sua fuga.
Para facilitar a retirada de Eduardo de sua cela, sem que os demais prisioneiros do Dops percebessem, o delegado Luiz Gonzaga dos Santos Barbosa, responsável pela carceragem do Dops àquela época, exigiu o remanejamento total dos presos, e a remoção de Eduardo para a cela n° 1, que ficava defronte à carceragem e longe da observação dos demais presos. Seu nome foi retirado da relação de presos, as dobradiças e fechaduras de sua cela foram lubrificadas de forma a evitar ruídos que chamassem a atenção.
Os prisioneiros políticos, na tentativa de salvar a vida de seu companheiro, montaram um sistema de vigília permanente. Aos 50 minutos do dia 27 de outubro de 1970, Eduardo foi retirado de sua cela, arrastado pelos braços, pela falta total de condições de pôr-se em pé, com o corpo repleto de hematomas, cortes e queimaduras, sob os protestos desesperados de seus companheiros.
Segundo testemunho de Ubiratan, todos os presos chegaram junto às grades e estendiam braços e mãos para cumprimentar ou simplesmente tocar em Bacuri, ao mesmo tempo que vibravam talheres e copos metálicos no ferro das grades numa demonstração de protesto pela iminente morte de um companheiro. Todos sabiam que Bacuri seria executado.
Eduardo não foi mais visto. Os carcereiros do Dops, frequentemente questionados sobre o destino de Bacuri, só respondiam que ele havia sido levado para interrogatórios em um andar superior. Os policiais da equipe do delegado Fleury respondiam apenas que não sabiam; apenas o policial conhecido pelo nome de Carlinhos Metralha é que afirmou que Eduardo estava no sítio particular do delegado Fleury. Tal sítio era usado pelo delegado e sua equipe para torturar os presos considerados especiais ou os que seriam certamente assassinados e, por isso, deveriam permanecer escondidos.
Em 8 de dezembro, 109 dias após sua prisão, e 42 dias após seu sequestro do Dops, os grandes jornais do País publicavam nota oficial informando a morte de Eduardo em “um tiroteio nas imediações da cidade de São Sebastião”, no litoral paulista. Era evidente o conluio entre a repressão e a mídia, nesta farsa montada para eliminar Eduardo Leite.
A notícia oficial da morte de Eduardo teve um objetivo claro: tirar as condições da inclusão de seu nome na lista das pessoas a serem trocadas pela vida do embaixador da Suíça no Brasil, que havia sido sequestrado em 7 de dezembro. Seu nome seria incluído nessa lista e seria impossível soltar o preso Eduardo que, oficialmente, estava foragido e, além do mais, completamente desfigurado e mutilado pela tortura.
As informações são do grupo Tortura Nunca Mais e de Ubiratan de Souza.

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