Ficha Corrida

30/08/2016

Estupro à brasileira

OBScena: um dos muitos adesivos da Dilma distribuídos pelos estupradores golpistas

estupro adesivo-2Sim, porque sexo não é, né. Se não for consensual, é estupro. Saber perder é como saber ouvir um não. Aécio Neves não soube perder. Também não sabe ouvir NÃO. Juca Kfouri contou esta história. Então há uma lógica, quem bate em mulher também bate na democracia. Em bom português, dá golpe!

Como não dá para ler os jornais brasileiros, todos envolvidos no GOLPE, me informo pelos jornais do exterior. Hoje, por exemplo, o principal jornal de Buenos Aires, Pagina12, sacou, diante de uma quadrilha de homens brancos e ternos pretos, uma conclusão freudiana. É a cultura do estupro do machismo brasileiro. A figura da mulher Dilma foi vilipendiada, inclusive com a participação de algumas mulheres, como Ana Amélia Lemos, a Louro José do Senado. A imagem com áudio que correu o mundo na abertura da Copa do Mundo de 2014, no Itaquerão, mandava a Dilma tomar no cu. Não houve reação alguma por parte da emissora que transmitia, pelo contrário, regozijava-se.

O estupro como ferramenta política também foi usado, como descobriu e revelou a Comissão da Verdade, nos porões do DOI-CODI. Os finanCIAdores da Operação Bandeirantes – OBAN, participavam das sessões de tortura, estupro, morte e esquartejamento dos presos políticos. Talvez por isso as sessões eram noturnas e os corpos dilacerados eram depois levados por peruas camufladas para o Cemitério de Perus. Não por acaso, terra do pato da FIESP, desde sempre patrocinadora dos estupros coletivos da democracia.

A imprensa brasileira é maior responsável pela cultura do estupro. De todo tipo de estupro. Talvez por isso não tenha se indignado quando um dos políticos com maior déficit civilizatório, Marco Feliciano, foi denunciado por assédio sexual pela própria funcionária. Para a velha mídia o estupro de seus parceiros ideológicos passa batido, da mesma forma que passa batido a apreensão de um heliPÓptero com 450 kg de cocaína, mesmo que seu proprietário vire ministro. Ou talvez por isso.

A pior democracia é preferível a qualquer tipo de golpe, mormente quando seus defensores agem como estupradores.

Estupro a la democracia

Por Martín Granovsky

Cada 11 minutos una mujer es violada en Brasil. Si es negra, joven y pobre tiene más posibilidades de sufrir una agresión. Los estudios de Antropología les pusieron título a los datos: cultura del estupro.

Después de asistir a la sesión del Senado contra Dilma Rousseff, cualquiera puede reemplazar la palabra “mujer” por “Constitución” y la palabra “negra” por “democracia” y verá que la teoría puede aplicarse a la política sin forzar nada. Nada.

Los senadores de la oposición avanzaron un nuevo capítulo en la violación de las reglas del debido proceso. Vulneraron los derechos políticos de Dilma, que si no hay un milagro perderá la presidencia y quedará inhabilitada por ocho años para la política. Y aplastaron los derechos humanos de los brasileños: en octubre de 2014 votaron en primera y segunda vuelta por Dilma contra Aecio Neves y le dieron la victoria. Desde aquel alud de 54 millones de votos a hoy, con un golpe en marcha, pasaron menos de dos años.

“Ahora, la ruptura democrática se da por medio de la violencia moral y los pretextos constitucionales para que gane apariencia de legitimidad el gobierno que asume sin el amparo de las urnas”, dijo Dilma. “Se invoca la Constitución para que el mundo de las apariencias encubra hipócritamente el mundo de los hechos.”

No es un tema de forma, porque en democracia la forma es fondo. Una constelación formada por la gran banca internacional, los gigantes de la empresa brasileña, una parte de la Justicia, los megamedios, todos los parlamentarios del PSDB y la mayoría de los legisladores del PMDB tratan de construir apariencias para violar la Constitución.

Brasil no vive bajo un régimen parlamentario. Pero el Congreso censura a la Presidenta que tiene mandato hasta el 31 de diciembre de 2018.

Los diputados deben fundamentar su acusación contra Dilma como en cualquier proceso. Pero uno explicó la acusación honrando al oficial que torturó a la Presidenta cuando era guerrillera y otros dedicaron el voto a madres, hijos y cuadros.

Tal como denunciaron cuatro congresistas ante la Comisión Interamericana de Derechos Humanos, a Dilma hasta le restringieron el tiempo de sus testigos. Es decir, el derecho a defensa. Cuando fue notificado de que la petición había llegado a la CIDH, el canciller José Serra dijo: “Son unos brutos, diríjanse al Senado”. En política internacional la representación la asume el Poder Ejecutivo, no el Congreso. Un resumen y el texto completo de la petición a la CIDH pueden leerse aquí: http://bit.ly/2bzINaZ. Para brutalidades consultar a Serra.

Ayer mismo, en el Senado, varios senadores criticaron el desempeño de Dilma en el gobierno. Pero en un juicio político los senadores son jueces, no parlamentarios en medio de una interpelación. Los jueces preguntan y después sentencian. No replican.

El presidente de la Corte Suprema, Ricardo Lewandowski, encargado de dirigir las sesiones del Senado, dejó que alegremente los senadores esquivaran su papel de jueces. Pero corrigió a Dilma: “Le pido que no hable más nada del gobierno interino”, exigió tras las menciones de Rousseff al “gobierno usurpador” y “golpista”. “La condena exige pruebas cabales de que se haya cometido, dolosamente, un delito de responsabilidad fiscal”, explicó Dilma. “Sin delito, es golpe”, sintetizó.

Es equivocado pensar que el juicio político sin derechos es una cosa y la política otra. Son dos caras de lo mismo. Para observar lo que ocurre en Brasil no hace falta ningún diario del futuro. Ningún diario del lunes. Como citó la propia Rousseff, Temer ya impuso límites de gasto fiscal hasta el 2037 que ni siquiera las políticas sociales podrán perforar. Su gobierno también impulsó la baja de edad de imputabilidad y la tercerización laboral. “Van a precarizar”, anunció en el Senado Roberto Requiao, uno de los pocos del PMDB fieles al proyecto original. “En Brasil no se va a poder nacer ni trabajar.”

La Policía Federal busca meter preso a Lula, el único del PT en condiciones de competir en las presidenciales de 2018. Las policías militares (que en Brasil son las malditas provinciales) lubrican cada vez más el gatillo fácil o, como ayer, reprimen manifestantes en San Pablo. El futuro ya llegó.

Dilma, ayer, se equivocó de interlocutores. Les habló a los senadores, no al pueblo. Pero no es por sus debilidades políticas que los esclavócratas de Brasil quieren echarla. Es para ser fieles a la cultura del estupro que practican desde el siglo XVI.

martin.granovsky@gmail.com

Página/12 :: Contratapa :: Estupro a la democracia

11/03/2013

Instituto Millenium: “amo muito tudo isso!”

Filed under: Cidadão Boilesen,OBAN — Gilmar Crestani @ 8:08 am
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Os empresários paulistas e a tortura

Postado por Juremir em 11 de março de 2013História

O elo da Fiesp com o porão da ditadura

  • Documentos revelam o ‘Dr. Geraldo’, que fez a ligação dos empresários paulistas com o Dops durante sete anos

josé casado e chico otavio (Email · Facebook · Twitter)

Publicado: 9/03/13 – 18h30

Atualizado: 9/03/13 – 19h29

 Corpo de Albert Henning Boilesen, ao lado do Fusca, após ser morto a tiros em São Paulo: empresário defendia ajuda financeira e logística ao aparato da repressão política Foto: Reprodução

Corpo de Albert Henning Boilesen, ao lado do Fusca, após ser morto a tiros em São Paulo: empresário defendia ajuda financeira e logística ao aparato da repressão política Reprodução

“Dr. Geraldo”, escreveu o funcionário no livro de portaria. “Cargo: Fiesp”, completou. Eram 18h30m daquela segunda-feira, 19 de abril de 1971, quando Geraldo Resende de Mattos, o “Dr. Geraldo” da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, avançou pelo corredor central do Departamento de Ordem Política e Social (Dops). No prédio ícone da arquitetura ferroviária paulistana funcionava uma falange policial do mecanismo de repressão política operado pelo II Exército. Quatro meses antes, o general-comandante Humberto de Souza Mello dera sinal verde à matança de adversários do regime. E confirmou a ordem ao chefe do seu Estado-Maior.

O tratamento de “doutor” na delegacia era reverência policial à organização dos industriais. Os livros do Dops, há pouco revelados pelo Arquivo Público, indicam que a conexão entre o empresariado paulista e a polícia política do regime militar foi muito mais extensa do que até então se presumia.

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Mattos frequentava os andares do Dops onde funcionavam as seções de Política e de Informações, três a quatro vezes por semana no final do expediente. Essa foi sua rotina durante sete anos, de 1971 a 1978. Às vezes, passava mais tempo lá do que na federação. Tinha 52 anos e estava há 28 no Serviço Social da Indústria (Sesi), vinculado à Fiesp. Entrou como “auxiliar” e cresceu a partir de uma relação de confiança com o industrial Nadir Dias de Figueiredo, um dos fundadores dessas entidades.

Um homem do poder

Figueiredo era figura ímpar no empresariado paulista. Emergiu da Depressão de 1929 como proprietário de fábricas de vidros, lâmpadas e aparelhos de iluminação na região metropolitana de São Paulo. Com o irmão Morvan, ministro do Trabalho no governo Dutra (1946-1951), ajudara o engenheiro e senador Roberto Simonsen a erguer o mais influente condomínio sindical do patronato brasileiro (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). Com a morte de ambos, nos anos 50, Figueiredo desfrutou como ninguém do controle político dessas entidades.

Dono de um sorriso enigmático, fala mansa e sempre a bordo de um terno escuro, elegeu todos os presidentes da Fiesp durante três décadas, até 1980. Manejava com habilidade um colégio eleitoral de 94 eleitores, onde o voto dos antigos sindicatos de cordoalha e de chapéus para senhoras valia tanto quanto o das inovadoras indústrias automobilística e o da eletrônica.

Jardineiro da dissimulação, distanciava-se com polidez de jornalistas e pretensos biógrafos esgrimindo uma bem humorada recusa: “A metade do que eu teria para contar envolve outras pessoas, por isso é assunto confidencial. Sobre a outra metade, bem… iriam me chamar de mentiroso”. Nunca presidiu a federação. Escolhia presidentes e alocava um de seus filhos na posição de vice. Era o “emérito”, derrotado na revolução paulista de 1932, contra Getúlio Vargas, e vitorioso no golpe de 1964 contra João Goulart.

Naquela segunda-feira 19 de abril de 1971, foi atípica a visita do “Dr. Geraldo” da Fiesp ao Dops. Durou dez minutos. Saiu às 18h40m da delegacia onde imperava Sérgio Paranhos Fleury, ícone da corrupção e da violência policial, a quem o comando militar dera proeminência na máquina de repressão política. Fleury estava nas ruas, caçando terroristas que, quatro dias antes, assassinaram um diretor do Centro das Indústrias (Ciesp). Antes da semana acabar, comandaria a aniquilação do Movimento Revolucionário Tiradentes, integrante do consórcio guerrilheiro montado para execução do empresário Albert Henning Boilesen.

O dinamarquês Boilesen, de 54 anos, havia sido eleito na Fiesp/Ciesp com o aval de Nadir Figueiredo depois de chegar à direção do grupo Ultra. Eram vizinhos no charmoso bairro Jardim América. Na manhã de quinta-feira, 15 de abril, foi emboscado ao sair de casa. Metralhado, morreu na sarjeta.

Ativo colaborador do Departamento de Operações Internas (DOI) do II Exército, Boilesen se destacava nas reuniões da federação pela veemência na defesa de ajuda financeira e logística ao aparato de repressão política. Dias antes de ser assassinado propôs a criação de um braço armado, civil, em apoio ao regime militar. A Associação dos Combatentes Brasileiros não saiu do papel, mas o caixão do seu idealizador baixou ao túmulo escoltado por dois pelotões do Exército e na presença do comandante da Região Militar, general Dale Coutinho.

O empresário Boilesen e o auxiliar Mattos faziam parte de uma engrenagem civil-militar que reconhecia a legitimidade do “movimento revolucionário no uso de meios para atingir plenamente seus objetivos”, na definição de Theobaldo De Nigris, presidente da Fiesp com sucessivos mandatos garantidos por Nadir Figueiredo até 1980. O empresariado somava-se à luta contra as “falanges da subversão e do genocídio” — dizia a federação em manifestos.

Não há dados precisos, mas sabe-se que foi expressivo o fluxo de dinheiro para a repressão, a partir de coletas na Fiesp e em reuniões promovidas por Gastão de Bueno Vidigal (Banco Mercantil de São Paulo), João Batista Leopoldo Figueiredo (Itaú e Scania), Paulo Ayres Filho (Pinheiros Produtos Farmacêuticos), e o advogado Paulo Sawaia, entre outros. Empresas como Ultragaz, Ford, Volkswagen, Chrysler e Supergel auxiliaram também na infraestrutura, fornecendo carros blindados, caminhões e até refeições pré-cozidas.

Foram criados departamentos de espionagem de empregados recrutando agentes civis e militares. Nos arquivos do Dops há uma profusão de registros, listas e fichas individuais.

As relações entre empresários e chefes militares se solidificaram durante a conspiração contra Goulart. Cristalizaram-se na Operação Bandeirantes, em 1969, quando as atividades repressivas foram centralizadas no II Exército. O êxito da experiência da Oban levou à instituição do DOI-Codi na estrutura militar oito meses depois. A autonomia e o vínculo direto da máquina de repressão com o ministro do Exército, em Brasília, produziu a subversão da hierarquia na caserna. A partir daí, a anarquia, a tortura e a matança se tornaram institucionais.

Em São Paulo, generais e empresários esmeravam-se na lapidação de seu relacionamento com reuniões e solenidades cada vez mais frequentes. Na terça-feira 9 de dezembro de 1970, por exemplo, o chefe do Estado-Maior do II Exército, general Ernani Ayrosa, abriu o quartel para homenagear alguns dos seus mais destacados colaboradores.

Convidou Henning Boilesen e Pery Igel (Ultra), Sebastião Camargo (Camargo Corrêa), Jorge Fragoso (Alcan), Adolpho da Silva Gordo (Banco Português), Oswaldo Ballarin (Nestlé), José Clibas de Oliveira (Chocolates Falchi), Walter Bellian (Antarctica), Ítalo Francisco Taricco (Moinho Santista) e Paulo Ayres Filho (Pinheiros Farmacêutica), entre outros. Ayres Filho levou para casa uma insígnia do comando gravada em metal. Agradeceu em carta, encontrada pela historiadora Martina Spohr. Nela dizia compreender o gesto “mais como um prêmio pela minha lealdade perene aos ideais cristãos e inabalável fé na Liberdade, do que por qualquer contribuição pessoal que tenha prestado às causas e operações no presente”.

Naquele dezembro, o “Dr. Geraldo” também foi premiado: seu chefe, Nadir Figueiredo, colocou-o no conselho fiscal de uma de suas empresas.

Quatro anos depois, com a guerrilha urbana exterminada e a rural asfixiada no mato do Araguaia, o general-presidente Ernesto Geisel anunciou o retorno à democracia. Conservadores como Figueiredo sentiram-se desnorteados. O líder industrial decidiu ir à luta. E levou a Fiesp a uma campanha em aliança com grupos ultrarradicais, como o medievalista Tradição, Família e Propriedade (TFP), patrocinado pelo construtor Adolpho Lindenberg.

Figueiredo e Lindenberg coordenaram uma espécie de levante contra a abertura política, em 1978. Tentaram cooptar o general João Batista Figueiredo, já escolhido pelo presidente Geisel como seu sucessor. Levaram-lhe um manifesto empresarial a favor do regime. Perderam. Prevaleceu a volta aos quartéis.

Sem bússola, Nadir Figueiredo viu seu poder declinar na Fiesp. Saiu de cena em 1980, quando pela primeira vez saboreou a derrota numa eleição da federação. “Dr. Geraldo” acabou demitido pela nova diretoria. E a TFP acabou estilhaçada na luta interna.

Figueiredo só percebeu ter sido atropelado pela História pouco antes de morrer, em 1983. Foi quando viu na televisão um mineiro de sua cidade natal, São João Del Rey, liderando manifestações de rua por eleições diretas para presidente. Era Tancredo Neves.

Para a Fiesp, essa é uma página virada da sua história. “É importante lembrar que a atuação tem se pautado pela defesa da democracia e do estado de direito”, ressalta a atual direção em nota oficial. E acrescenta: “Eventos do passado que contrariem esses princípios podem e devem ser apurados”.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/o-elo-da-fiesp-com-porao-da-ditadura-7794152#ixzz2NA4XiGhJ
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Juremir Machado da Silva – Blogs – Correio do Povo | O portal de notícias dos gaúchos

23/04/2011

Momento Mário Amato do Estadão

Filed under: Estadão — Gilmar Crestani @ 9:04 am
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Quando Lula disputou com Collor, o então presidente da FIESP, num momento Regina Duarte, alegou que a única saída seria o aeroporto. 800 empresários sairiam do país. Eram os tempos de caçador de marajás. Do namoro da direita com o filhotinho Collor. Como se vê, a política do medo não é nova. E a direita é a que melhor sabe usar. Não é também mero acaso que os principais defensores do porte de arma também esteja na direita.

Até o reino mineral sabe que foi exatamente no período de 2001 a 2010 que país mais cresceu. Que se chegou, pela primeira vez, ao pleno emprego. Como o Estadão encampou a luta das empresas pela diminuição da carga tributária, sai-se com este besteirol que não enrola nem papel higiênico. Dá para entender, afinal a fonte de informação do Estadão é aquela mesma entidade que só encontra saída nos aeroportos. E, apesar de frequentarem aeroportos, não se deram conta que a melhoria no nível de emprego está lotando os aeroportos. Alguns dias atrás, o próprio Estadão divulgou que até empregadas domésticas agora estão podendo viajar de avião. Não faz muito também que o mesmo Estadão divulgou que um dos empecilhos do crescimento brasileiros era a falta de habilitação, pois estava faltando profissionais melhor capacitados para vários setores da economia que estava crescendo sem a contrapartida do melhoria da mão de obra. Mais uma vez o Estadão se perfila ao lado dos especuladores e dos financiadores da OBAN. Como na fábula da rã e do escorpião, é da natureza do Estadão.

O Senado e a guerra dos portos

23 de abril de 2011 | 0h 00

– O Estado de S.Paulo

A guerra fiscal das importações custou ao Brasil 771 mil empregos entre 2001 e 2010, segundo estimativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Custará muitos mais, se os 10 Estados envolvidos nessa campanha contra a economia nacional continuarem concedendo incentivos tributários à importação de bens industriais. A boa notícia é a disposição de um grupo de senadores de dar um basta a esse absurdo, por meio de mudanças na legislação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O próximo passo será uma audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, com participação do secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, de secretários estaduais de Fazenda e de representantes da indústria.

Enquanto empresários industriais batalham para defender seu espaço no mercado nacional, acossados por produtores estrangeiros favorecidos pelo câmbio e por vários outros fatores de competitividade, nem todos legítimos, governos estaduais conspiram contra a empresa nacional, oferecendo isenções ou reduções de impostos a firmas importadoras. O objetivo desses governos é atrair alguns negócios para seus Estados e assim favorecer a geração de renda e de emprego e, indiretamente, maior arrecadação de impostos.

Mas o saldo geral dessa política é negativo para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Não se promove o desenvolvimento destruindo a indústria e comprometendo a geração de empregos nos setores mais dinâmicos da economia, mas esse tem sido o efeito dessa política inadmissível.

A guerra fiscal entre Estados e até entre municípios é uma velha praga no Brasil. Há décadas, alguns governos estaduais e municipais tentam atrair investimentos oferecendo benefícios tributários a empresas. Esse expediente foi usado não só para atrair capitais nacionais, mas também como chamariz para companhias estrangeiras. Embora ilegal, essa guerra foi mantida com êxito por algumas décadas. Alguns Estados colheram benefícios dessa política durante algum tempo. Mas o número de envolvidos nessa guerra aumentou. Passou a haver leilões de atração de capitais e isso distorceu os critérios de investimento das empresas.

A guerra se tornou mais danosa quando os governos passaram a conceder incentivos à importação. O problema deixou de ser a transferência de capitais e de empregos entre Estados, porque os empregos e lucros industriais passaram a ser transferidos do Brasil para o exterior. Produtores e governos estrangeiros devem agradecimentos às administrações estaduais brasileiras comprometidas com essa aberração. Em outros países, alguns governos estaduais criam por sua conta barreiras contra produtos importados, ampliando as barreiras protecionistas criadas pelo governo central, normalmente o responsável principal, quando não o único, pela política de comércio exterior. Atuar em favor do competidor estrangeiro e em prejuízo do nacional é uma perversão desconhecida nos países onde vigora alguma racionalidade administrativa.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) reconheceu o "grave problema de desindustrialização" e propôs um projeto de resolução para reduzir a zero a alíquota do ICMS para transações interestaduais. Com essa medida, seriam eliminados os principais ganhos fiscais dos Estados envolvidos na guerra dos portos. A maior parte dos bens importados com incentivos é remetida a outros Estados. Sem essa circulação, seria menor o prejuízo causado à indústria nacional, mas, sem ela, os governos estaduais não teriam interesse em promover a guerra das importações.

É função do Senado cuidar dos assuntos de interesse da Federação e os senadores deveriam ter-se envolvido há mais tempo nesse debate. Neste caso, nem sequer se trata de conciliar interesses de diferentes Estados ou regiões. Nenhum governo estadual pode ter interesse legítimo em beneficiar a indústria de qualquer outro país em detrimento da empresa nacional e dos trabalhadores brasileiros. Se os senadores forem capazes de entender e de levar em conta os interesses mais amplos do País, essa guerra absurda será encerrada.

O Senado e a guerra dos portos – opiniao – Estadao.com.br

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