Ficha Corrida

13/05/2015

Domínio do Fato made in Assas JB Corp

Joaquim Barbosa devolverá os R$ 60 mil?

Por Altamiro Borges
Uma notinha no site da revista “Época” agitou as redes sociais nestes dias. Segundo relato do jornalista Murilo Ramos, “o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa recebeu R$ 60 mil por uma palestra de uma hora que proferiu em 13 de abril na cidade de Itajaí, Santa Catarina, cujo tema foi Ética e a administração. Quem arcou com as despesas – incluindo passagens, segurança e hospedagem – foi a Câmara de Vereadores do município, que delegou a contratação de Barbosa a terceiros. Para aceitar o convite, Barbosa impôs condições em contrato. Entre elas sigilo do valor cobrado pela palestra e a liberdade de deixar de responder a perguntas consideradas ‘inadequadas’. ‘O patrimonialismo faz parte do nosso DNA’, discursou Barbosa”.
De imediato, os internautas questionaram o valor da palestra e os gastos excessivos da Câmara dos Vereadores. O jornalista Paulo Nogueira, do imperdível blog “Diário do Centro do Mundo”, ironizou: “Que pecado o cidadão de Itajaí cometeu para ter que pagar 60 mil reais por uma hora de Joaquim Barbosa?”. O seu texto rapidamente bombou nas redes sociais. Vale conferir:
*****
E então temos o seguinte: o cidadão de Itajaí foi obrigado a pagar 60 mil reais por uma palestra de uma hora de Joaquim Barbosa.
Este é o Batman, o campeão da ética, “o garoto pobre que mudou o Brasil”, segundo a Veja, naquela que foi uma das mais idiotas chamadas de capa já produzidas por uma revista em toda a história em qualquer lugar do mundo.
Mil reais por minuto. Este, ficamos sabendo, é o preço de Barbosa. Vazou de alguma forma, porque segundo o contrato o valor era sigiloso.
Seria um assalto ao contribuinte de Itajaí de qualquer forma. Mesmo que a palestra fosse em praça pública, aberta a todos os interessados, há outras maneiras mais inteligentes de gastar 60 mil reais em 60 minutos, você há de convir.
Mas este é Joaquim Barbosa, o paladino que não hesitou em queimar 90 mil reais de dinheiro público numa reforma dos banheiros do apartamento funcional que utilizou por tão pouco tempo.
Repito: mas este é Joaquim Barbosa, o incorruptível que inventou uma empresa para sonegar impostos na compra de um apartamento em Miami.
Quando você prega moralidade e na sombra faz coisas impublicáveis, isso quer dizer que você é um demagogo.
Pois é exatamente este o título que deveria estar hoje no cartão de visitas de JB, ou nas propagandas de suas palestras: demagogo.
No STF, ele foi um péssimo exemplo para a sociedade. Deslumbrado com as lantejoulas cínicas da mídia, ele presidiu o julgamento mais iníquo do Brasil.
Joaquim Barbosa levou às culminâncias o conceito de justiça partidária, em que você julga alguém não pelo que fez ou deixou de fazer, mas pelo partido a que pertence.
Enquanto teve poder, foi mesquinho, intolerante – repulsivo. Não surpreende que seja admirado exatamente por pessoas com aquelas características, e abominado por progressistas de toda ordem.
Saiu do STF porque, com a chegada de novos ministros, ficou em minoria. Não teve sequer a coragem de defender suas ideias conservadoras e pró-1% em ambiente não controlado.
Estava na cara que ia fazer palestras.
A direita se defende e se protege: arruma palestras milionárias para aqueles que vão fazer pregações contra qualquer coisa parecida com a esquerda, e sobretudo contra Lula e o PT.
Mau exemplo no STF, Joaquim Barbosa continua a ser mau exemplo fora dele.
Entre palestras, arrumou tempo para fazer uma bajulação abjeta à Globo por seus 50 anos.
A emissora que foi a voz da ditadura se converteu, nas palavras de JB, na empresa generosa à qual os brasileiros devemos, pausa para gargalhada, a integração.
A emissora que é um símbolo da hegemonia branca, e que advoga ferozmente contra políticas de afirmação, foi colocada num patamar de referência em seu universo na inclusão de negros.
Joaquim Barbosa foi uma calamidade para o Brasil no STF, e longe dele, arrecadando moedas em palestras, continua a projetar sombras nada inspiradoras.
É, como Moro hoje, o falso herói, condição fatal de todos aqueles que a plutocracia, para perpetuar sua predação, tenta transformar em ídolo popular.

*****
Diante da repercussão negativa na internet, o próprio site da revista Época – que pertence à famiglia Marinho, dona da citada Rede Globo – apressou-se em tentar limpar a barra do midiático ex-presidente do STF. Numa nota intitulada “Barbosa diz que não sabia que o dinheiro era da Câmara”, Murilo Ramos registrou sem maiores questionamentos: “Barbosa disse que a sua empresa foi contratada por uma agência que organiza palestras e desconhecia sua relação com apoiadores privados e particulares. Para a imagem da Câmara de Vereadores, a contratação de Barbosa foi um ótimo negócio”. Para quem afirmou – em tom demagógico – que “o patrimonialismo faz parte do nosso DNA”, Joaquim Barbosa devia era devolver a grana dos munícipes de Itajaí. Será que ele topa?

23/07/2013

Se Barbosa entendesse de lei não seria Ministro do STF, seria Juiz

Filed under: Joaquim Barbosa — Gilmar Crestani @ 9:44 am
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Sobre a sociedade de Barbosa em uma offshore nos EUA

Enviado por luisnassif, ter, 23/07/2013 – 07:25

Sugerido por RONALD

Do blog do Esmael

“Barbosa não pode ter empresa nem aqui nem na Lua”

Segundo o advogado gaúcho Carlos Josias Menna de Oliveira, o ministro Joaquim Barbosa, além de desrespeitar o Estatuto dos Servidores Públicos da União, estupra a Lei da Magistratura, que também veda sociedade em empresas; para o causídico de Porto Alegre, o presidente do STF “não poderia ter empresa nem aqui nem na Lua”.

O advogado Carlos Josias Menna de Oliveira, de Porto Alegre, encaminhou e-mail ao blog dizendo que o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), à luz da Lei da Magistratura, não pode ter empresa aqui nem nos Estados Unidos.

“Ele [Barbosa] não pode ter empresa nem aqui nem na Lua”, afirmou o causídico gaúcho, citando a lei complementar nº 35, de 14 de março de 1979.

Na manhã deste domingo (21), este blog repercutiu a notícia de que Barbosa infringiu a lei de número 8.112/90, do chamado Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União, que deixa claro: “ao servidor é proibido (…) participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada”.

O presidente do STF comprou um imóvel avaliado em R$ 1 milhão em Miami, nos Estados Unidos, através de uma empresa offshore criada na Flórida com a finalidade de se obter benefícios fiscais (clique aqui para relembrar).

A seguir, leia a íntegra da Lei da Magistratura:

LEI COMPLEMENTAR Nº 35, DE 14 DE MARÇO DE 1979

Art. 35 – São deveres do magistrado:

VIII – manter conduta irrepreensível na vida pública e particular.

Art. 36 – É vedado ao magistrado:

I – exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de economia mista, exceto como acionista ou quotista;

II – exercer cargo de direção ou técnico de sociedade civil, associação ou fundação, de qualquer natureza ou finalidade, salvo de associação de classe, e sem remuneração;

Do Brasil 247

Sócio de offshore nos EUA, Barbosa viola estatuto do servidor no Brasil

Ao constituir uma empresa com fins lucrativos nos Estados Unidos, em maio do ano passado, para obter benefícios fiscais na compra de um apartamento avaliado em R$ 1 milhão em Miami, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, assumiu o risco de viver perigosamente; o Estatuto dos Servidores Públicos da União, em seu artigo 117, inciso X, veda a todos aqueles que exerçam carreiras de estado “participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada”; de acordo com os registros da Assas JB Corp, Barbosa é o presidente da sua offshore.

A compra de um imóvel avaliado em R$ 1 milhão por Joaquim Barbosa em Miami, feita através de uma empresa offshore criada na Flórida com a finalidade de se obter benefícios fiscais (leia mais aqui), pode trazer outros problemas para o presidente do Supremo Tribunal Federal. Embora Barbosa tenha dito, em nota, que a aquisição do imóvel foi feita “em conformidade” com a lei norte-americana, os problemas podem estar no Brasil. Isso porque a lei de número 8.112/90, do chamado Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União, prescreve de forma clara, em seu artigo 117, inciso X, que “ao servidor é proibido (…) participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada” (leia aqui o texto da lei).

Ainda que a empresa tenha como única finalidade gerir seus bens no exterior e evitar o pagamento de impostos numa eventual transmissão a herdeiros, Joaquim Barbosa está registrado, nos documentos da empresa, que podem ser consultados publicamente na Flórida (confira aqui), como seu próprio presidente. Ou seja: ele é o sócio-gerente da Assas JB Corp, contrariando o que determina a Lei 8.112/90.

Também no Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes é um dos sócios do IDP – Instituto Brasiliense de Direito Público. Mas a lei brasileira tem a figura do sócio não-gerente, o que cria brechas para que servidores tenham participações em sociedades.

Nos Estados Unidos, Barbosa disse ter criado sua empresa por orientação de um advogado. Consta dos registros da Assas JB Corp que a firma que prestou assessoria à empresa foi a Nobile Law Firm, localizada na Brickell Avenue, em Miami. Esta empresa pertence a uma ex-executiva do Citibank e do Bank of America, chamada Diane Nobile, que hoje presta consultoria financeira e advocatícia a endinheirados latino-americanos interessados em adquirir propriedades na Flórida.

Sobre a sociedade de Barbosa em uma offshore nos EUA | Brasilianas.Org

10/07/2013

Perguntar ao médico ou ao paciente?

Filed under: Médicos Sem Fronteira,Médicos sem Vergonha — Gilmar Crestani @ 8:16 am
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Se formos perguntar às categorias, o corporativismo fala mais alto. E não é só a dos médicos. Portanto, discurso corporativista do médico é igual ao do político. Nem a máfia faz diferente. A razão não comparece com medo de dar vexame em público.

Quando a questão é saúde, por que não vale a opinião do paciente? Se o médico, para receitar, vai pedir  raio X e/ou exame sangue por que não pode pedir a opinião dos pacientes a respeito da vinda de médicos do exterior para atender onde hoje eles não querem ir? Dos pacientes que hoje não tem acesso à médicos!

O acamado lá no interior de Cacimbinhas está preocupado com a estrutura hospitalar ou acesso a um profissional de saúde que pudesse prestar as primeiras informações? Se estrutura fosse condicionante, não haveria médico de família.

O que me espanta nesta questão dos médicos é que há muito doutor em rebimboca da parafuseta mas nenhuma palavra na linha da ética médica. Ao que parece, pelos cartazes e vozes que se levantam na internet, a formação humanística tem medo dos bisturis. Cortar na carne dos outros parece até prazeroso. É evidente que o lado mais sensível do ser humano continua sendo o bolso. Os médicos brasileiros ao levarem à rua seus discursos doentios estando explicitando conceitos mercantilistas que eram de domínio público mais cheirava à inveja. Hoje a população tem a respeito da categoria médica mais elementos que confirmam, não só o mercantilismo mais retrógrado, mas, pelo nível das manifestações de rua, um desequilíbrio emocial evidente.

Talvez o Brasil, de fato, precise importar não só médicos para a população desassistida, mas também psiquiatras para médicos e professores de ética e humanismo para não aparecem nus em público…

Até aqui, pelo que tenho lido, o diagnóstico indica degenerescência prematura da uma boa parte da classe médica. Verifico que ainda precisam aprender viabilizar receita de boa educação.  Falece-lhes, por contaminação monetária, a saúde da ética mais elementar.

Quem tergiversa pela falta de estrutura nunca esteve com problema de saúde sem poder consultar, por falta de acesso geográfico, um médico.

Médico de Dilma reforça coro contra vinda de estrangeiros

Kalil Filho diz ser ‘terminantemente’ contrário a programa lançado por governo

Não adianta jogar profissional importado em hospitais do interior se não existe estrutura, afirma cardiologista

CATIA SEABRANATUZA NERYDE BRASÍLIA

Em pelo menos um ponto a presidente Dilma Rousseff não seguiu as recomendações de seu cardiologista: a "importação" de médicos estrangeiros para o Brasil.

Médico de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cardiologista Roberto Kalil Filho se opõe à contratação de estrangeiros para atendimento em hospitais no interior do Brasil.

"Sou terminantemente contra", diz Kalil.

Segundo ele, o maior problema da transferência de médicos para regiões distantes está na falta de condições de trabalho. Em alguns casos, afirma, o profissional "não tem nem acomodação".

"Não adianta jogar os médicos [num hospital] se não houver estrutura. O médico pode ser da China, da Lua. Se não tiver seringa, se não tiver raio x, ele não vai conseguir atender ao paciente", diz.

Dilma oficializou anteontem um programa para fixar médicos no interior do país e nas periferias. Na falta de interessados brasileiros, serão abertas vagas para estrangeiros. Entidades médicas criticam a proposta, defendendo melhoria de estrutura na rede e a criação de uma carreira federal do médico.

Embora reconheça que a priorização de brasileiros atenue suas críticas, Kalil afirma que existem "outros caminhos para melhorar o atendimento" do SUS.

"Se os governos não conseguem há 30 anos melhorar as condições de trabalho, não é mandando médico para o extremo norte que vão resolver o problema", afirmou.

Segundo Kalil, a temporariedade da contratação e a garantia de que os estrangeiros não poderão ser transferidos amenizam sua resistência –por não tirar "emprego do médico brasileiro".

Citando reportagens que mostram falta de médicos em hospitais bem equipados, Kalil até reconhece que, em alguns casos, é necessário enviar médicos para lugares onde exista rede hospitalar.

Mas acrescenta que esse não é o cenário na maior parte da rede pública.

Kalil conta já ter manifestado sua contrariedade para o ministro Alexandre Padilha (Saúde). A Folha apurou que ele chegou a participar de pelo menos uma reunião com a própria presidente Dilma para discussão do modelo.

Seu papel, segundo integrantes do governo, foi estabelecer canal de interlocução com representantes médicos contrários ao programa.

Ao longo da negociação, o governo admitiu alterações no projeto, como a regra que prioriza a opção por médicos brasileiros. Essas mudanças, no entanto, não contemplaram as entidades médicas.

Kalil é doutor e professor livre-docente pela USP com especialização nos EUA. Ocupa atualmente a direção do centro de cardiologia do Hospital Sírio-Libanês. Eles não quis comentar a exigência para que alunos de medicina trabalhem dois anos no SUS.

22/06/2013

Se for um movimento apartidário contra a Globo, tô nessa!

Contra a RBS, já saímos. Mais de uma vez. A história está toda documentada no site Zero Fora. Sairia de novo, para pedir decência, respeito e punição ao estuprador de Florianópolis e a seus pais. Aos energúmenos que a RBS escala para direcionar seus interesses. Quando o Inter resolveu bancar seu contrato com a Andrade Gutierrez, defendendo seus legítimos interesses, sem dar arrego à RBS, os patrões escalaram Pedro Ernesto DenardiN para atacar o Inter. Fizeram de tudo para melar o contrato do Inter. Queriam para o Inter o mesmo que haviam conseguido para o Grêmio. Tanto o amistoso da Seleção como o Show do Roberto Carlos foram promoções da RBS, não do Gremio… Koff mostrou agora quantos milhões estavam sendo surrupiados do Grêmio. Era isso que a RBS queria para o Inter. Lembro como se fosse hoje o moleque de recados da RBS em gritos estridentes festejando o gol de Neymar sobre o Inter.

Hoje, no jogo da seleção, o magarefe dos microfones foi escalado novamente. Quando Neymar fez o gol, gritou, com espuma na boca, que ele havia chutado a corrupção no Brasil. Simples assim. Direto, a pedido do patrão, tentando direcionar a pauta dos movimentos populares. Ser contra a corrupção não é mérito, é obrigação, tanto quanto não dar pum em elevador. Ou alguém, além dos funcionários da RBS, é a favor? Pelo que fizeram Antonio Brito e Yeda Crusius, pode-se ter uma idéia do que se aprende por lá… O locutor é tão imbecil que pensa que todo mundo é imbecil como ele. Neymar, para quem não sabe, havia se vendido ao Barcelona, de quem havia recebido de adiantamento de R$ 28 milhões antes da decisão do Mundial de Clubes. Portanto, ele estava jogando contra o time que o havia contratado. Como sabemos, o Santos levou uma surra do Barcelona. Neymar foi uma nulidade em campo. O Inter havia vencido o Barcelona, o Corinthians venceu o Chelsea, mas o Santos de Neymar soçobrou de forma vergonhosa. Naquele jogo, Neymar jogou menos que o Gabiru no Guarani de Bagé. Só agora, depois de ter saído, ele confirmou que antes da final do Mundial já estava vendido ao Barcelona. Este é o cara que a RBS escalou para  dar um chute na corrupção… Estes são os parceiros para ensinar ética aos brasileiros. Não é só pelos 0,20 centavos das passagens, nem pelos R$ 28 milhões do Neymar. É pela bandidagem do gesto dos açougueiros dos microfones. Se houver uma manifestação para dar um chute na RBS, tô nessa!

Por JUCA KFOURI
Então o Barcelona, segundo o próprio Barcelona, antecipou, em novembro de 2011, R$ 28 milhões para Neymar, com o conhecimento do Santos?
Então Neymar e o Santos mentiram durante mais de um ano?
E, mais grave, porque mentir é praxe no mundo do futebol, Neymar disputou a final do Mundial de clubes contra o próprio Barcelona, em dezembro de 2011, já vendido ao clube catalão?
E ninguém vai preso?!

Editorial  do Globo: isso foi longe demais

Quando o MPL falou em “reforma”, a Globo vazou. O plano era derrubar a Dilma sem perder os dedos

Como lembra o amigo navegante Marcos, um dos momentos sublimes da liberdade de imprensa dos donos da imprensa no Brasil foi o editorial do Globo, no dia seguinte à intervenção militar em 1964: http://acertodecontas.blog.br/politica/editorial-do-jornal-o-globo-de-2-de-abril-de-1964-celebrando-o-golpe-militar/.
O título é uma obra prima da desfaçatez: “Ressurge a Democracia”.
Neste sábado de junho de 2013, depois do pronunciamento da Presidenta em rede nacional de  televisão – que ela deveria usar muito, muito mais, bem dentro do jornal nacional – o editorial do Globo é outro momento sublime do medo que cerca a Big House, quando vê povo nas ruas.
O PT não tem medo das ruas.
A Globo precisou encapuzar os microfones, depois de embolsar o movimento apartidário do passe livre.
Desde cedo nas manifestações, a Globo assumiu o protagonismo: 40′ de Golpe na veia.
E assim foi ao longo de toda a semana de manifestações.
Na quinta-feira, DEPOIS da redução das passagens, o William Bonner comandou  uma edição extra do jornal nacional, de três horas consecutivas – sim, porque as manifestações apartidárias chegam a tempo do horário nobre da Globo – que foi como “derrubar a grade”  e invadir o Palácio no Inverno.
Quando o PT e a CUT foram às ruas, a batata da Big House começou a assar.
A CUT foi para a companhia dos jovens apartidários e defendeu o marco regulatório da comunicação – aqui chamado de Ley de Meios -, os royalties do petróleo para a educação, e a reforma partidária com financiamento público e voto em lista.
Ai, a Big House sentiu o calor na nuca.
Ontem, sexta, ficou claro que o Golpe tinha saído do controle da própria Globo.
Ela achou que iria dar o Golpe mediático de 48 horas que derrubou o Chávez, provisoriamente.
Mas, aí, a coisa engrossou.
O vandalismo tomou conta do pedaço.
Com a ininterrupta e conivente cobertura da Globo, que esculhamba e Copa e com ela fatura.
A Globo já tinha conseguido atingir o prefeito petista de São Paulo.
A Globo já tinha atingido a Presidenta.
Se não deu para dar o Golpe agora, pelo menos tirou uma lasca do poder.
Já está no lucro.
E antes que os manifestantes cheguem ao coração sistema global, nada como um editorial indignado, construtivo e constitucional, como o de hoje: “ultrapassou os limites”, na pág 26 da edição nacional.
Um primor.
(Embora os redatores de 1964 fossem melhores…)
Limites legais e políticos foram ultrapassados,” diz o editorial apartidário.
Claro que foram.
Onde já se viu uma empresa privada que, sob concessão, explora o espectro eletromagnético incentivar, glamorizar, dar espaço e palanque ao Golpe ?
Violência pura, sem qualquer relação com a maioria absoluta dos manifestantes”.
Era essa a lenga-lenga dos âncoras da Globo: o movimento é uma gracinha, são jovens indignados contra “o que está aí”- ou seja, o Governo do PT – , apartidário, horizontal, pacifico – agora os vândalos, a irresponsabilidade política, isso é uma minoria que não toleramos !
Todos à rua, conclamava a cobertura ininterrupta, editorializada – “já chegaram à ponte Rio-Niterói ?”, “lá no fim da Presidente Vargas fica o Maracanã”.
Pintem os canecos.
Que a gente condena os vândalos e livra a cara de vocês.
…a existência de uma agenda ultrarradical para além do passe livre, como a proposta de uma ‘reforma urbana’, fachada de um programa lunática…” – protestou o editorial apartidário.
Aí, a coisa começou a assustar a Big House.
A jovem apartidária do MPL que propôs a “reforma urbana” propôs, na mesma entrevista, a “reforma agrária”.
Aí, não dá !
Aí, “ultrapassou os limites” !
Onde já se viu ?
Enquanto é para derrubar a Dilma, tudo jóia.
Na hora de derrubar meus interesses, aí, não, “não ultrapassar os limites “ é um  imperativo !
Ou seja, quando movimento apartidário começa a entrar numa agenda partidária, genuinamente política, e, portanto, responsável, aí pau no PT, no PC do B, no MST, como fizeram os “apartidários” na Avenida paulista, com o ódio à Dilma e ao Lula, que o Azenha e o Igor testemunharam, perplexos.
Algo que se aproxima da perniciosa ‘democracia direta’ chavista” … “subordinada a um Executivo cesarista”…
Quando a pauta deixa de ser apartidária, apolítica, é perigoso, é “democracia nas ruas”.
“Democracia nas ruas” só interessa à Globo enquanto foi para derrubar a Dilma.
Se os meninos do MPL se engraçarem em temas mais profundos, como uma Ley de Medios, aí, não, aí, eles terão a cobertura que tiveram durante as gestões Maluf, Pitta, Cerra e Kassab.
Ou seja, serão relegados à mais completa insignificância.
A validade do Passe Livre é o Golpe conta Dilma.
Se ameaçarem entrar na Big House … aí não !
Porque para a Globo, essas manifestações ingênuas, espontâneas, maio de 68, começam a ameaçar a Big House e, por definição, já acabaram:
“As ruas são apenas parte dos processos de mobilização política. Uma etapa que se esgota, como a atual se esgotou”, conclui o editorial apartidário.
Viu, quem mandou falar em reforma ?
jn, Bonner…  never more, MPL !

Em tempo: Globo contrata seguranças para repórteres: http://f5.folha.uol.com.br/televisao/2013/06/1299337-emissoras-contratam-ate-tres-segurancas-para-cada-reporter-que-cobre-protestos.shtml
Paulo Henrique Amorim

Editorial do Globo: isso foi longe demais | Conversa Afiada

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