Ficha Corrida

13/05/2015

Domínio do Fato made in Assas JB Corp

Joaquim Barbosa devolverá os R$ 60 mil?

Por Altamiro Borges
Uma notinha no site da revista “Época” agitou as redes sociais nestes dias. Segundo relato do jornalista Murilo Ramos, “o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa recebeu R$ 60 mil por uma palestra de uma hora que proferiu em 13 de abril na cidade de Itajaí, Santa Catarina, cujo tema foi Ética e a administração. Quem arcou com as despesas – incluindo passagens, segurança e hospedagem – foi a Câmara de Vereadores do município, que delegou a contratação de Barbosa a terceiros. Para aceitar o convite, Barbosa impôs condições em contrato. Entre elas sigilo do valor cobrado pela palestra e a liberdade de deixar de responder a perguntas consideradas ‘inadequadas’. ‘O patrimonialismo faz parte do nosso DNA’, discursou Barbosa”.
De imediato, os internautas questionaram o valor da palestra e os gastos excessivos da Câmara dos Vereadores. O jornalista Paulo Nogueira, do imperdível blog “Diário do Centro do Mundo”, ironizou: “Que pecado o cidadão de Itajaí cometeu para ter que pagar 60 mil reais por uma hora de Joaquim Barbosa?”. O seu texto rapidamente bombou nas redes sociais. Vale conferir:
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E então temos o seguinte: o cidadão de Itajaí foi obrigado a pagar 60 mil reais por uma palestra de uma hora de Joaquim Barbosa.
Este é o Batman, o campeão da ética, “o garoto pobre que mudou o Brasil”, segundo a Veja, naquela que foi uma das mais idiotas chamadas de capa já produzidas por uma revista em toda a história em qualquer lugar do mundo.
Mil reais por minuto. Este, ficamos sabendo, é o preço de Barbosa. Vazou de alguma forma, porque segundo o contrato o valor era sigiloso.
Seria um assalto ao contribuinte de Itajaí de qualquer forma. Mesmo que a palestra fosse em praça pública, aberta a todos os interessados, há outras maneiras mais inteligentes de gastar 60 mil reais em 60 minutos, você há de convir.
Mas este é Joaquim Barbosa, o paladino que não hesitou em queimar 90 mil reais de dinheiro público numa reforma dos banheiros do apartamento funcional que utilizou por tão pouco tempo.
Repito: mas este é Joaquim Barbosa, o incorruptível que inventou uma empresa para sonegar impostos na compra de um apartamento em Miami.
Quando você prega moralidade e na sombra faz coisas impublicáveis, isso quer dizer que você é um demagogo.
Pois é exatamente este o título que deveria estar hoje no cartão de visitas de JB, ou nas propagandas de suas palestras: demagogo.
No STF, ele foi um péssimo exemplo para a sociedade. Deslumbrado com as lantejoulas cínicas da mídia, ele presidiu o julgamento mais iníquo do Brasil.
Joaquim Barbosa levou às culminâncias o conceito de justiça partidária, em que você julga alguém não pelo que fez ou deixou de fazer, mas pelo partido a que pertence.
Enquanto teve poder, foi mesquinho, intolerante – repulsivo. Não surpreende que seja admirado exatamente por pessoas com aquelas características, e abominado por progressistas de toda ordem.
Saiu do STF porque, com a chegada de novos ministros, ficou em minoria. Não teve sequer a coragem de defender suas ideias conservadoras e pró-1% em ambiente não controlado.
Estava na cara que ia fazer palestras.
A direita se defende e se protege: arruma palestras milionárias para aqueles que vão fazer pregações contra qualquer coisa parecida com a esquerda, e sobretudo contra Lula e o PT.
Mau exemplo no STF, Joaquim Barbosa continua a ser mau exemplo fora dele.
Entre palestras, arrumou tempo para fazer uma bajulação abjeta à Globo por seus 50 anos.
A emissora que foi a voz da ditadura se converteu, nas palavras de JB, na empresa generosa à qual os brasileiros devemos, pausa para gargalhada, a integração.
A emissora que é um símbolo da hegemonia branca, e que advoga ferozmente contra políticas de afirmação, foi colocada num patamar de referência em seu universo na inclusão de negros.
Joaquim Barbosa foi uma calamidade para o Brasil no STF, e longe dele, arrecadando moedas em palestras, continua a projetar sombras nada inspiradoras.
É, como Moro hoje, o falso herói, condição fatal de todos aqueles que a plutocracia, para perpetuar sua predação, tenta transformar em ídolo popular.

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Diante da repercussão negativa na internet, o próprio site da revista Época – que pertence à famiglia Marinho, dona da citada Rede Globo – apressou-se em tentar limpar a barra do midiático ex-presidente do STF. Numa nota intitulada “Barbosa diz que não sabia que o dinheiro era da Câmara”, Murilo Ramos registrou sem maiores questionamentos: “Barbosa disse que a sua empresa foi contratada por uma agência que organiza palestras e desconhecia sua relação com apoiadores privados e particulares. Para a imagem da Câmara de Vereadores, a contratação de Barbosa foi um ótimo negócio”. Para quem afirmou – em tom demagógico – que “o patrimonialismo faz parte do nosso DNA”, Joaquim Barbosa devia era devolver a grana dos munícipes de Itajaí. Será que ele topa?

20/09/2014

Depois do Boimate da Veja, o Ramate da Knorr

Filed under: Boimate,Incompetente,Inflação,Instituto Millenium,Privada,Recall,Tomate — Gilmar Crestani @ 12:16 pm
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inflaçao da epocaCoisas muito estranhas andam acontecendo no mercado de notícias e de alimentação. Depois que a VEJA descobriu o maior avanço científico jamais visto, a cruza do boi com o tomate, batizado de Boimate, parecia que a fome acabaria. Não é por acaso que em italiano tomate se chama pomodoro, maçã de ouro. No Brasil, a Veja saiu na frente, como de costume, comprovante com entrevistas de ambas as partes (o boi e o tomate). Depois foi a Ana Maria Braga que, para justificar o pedido de juros altos, elevava o tomate ao símbolo inflacionário. Agora a Knorr que mata o rato e tira o pelo, mas não evita de vende-lo.

O mesmo grupo (Globo) que publica a Vogue, que vende crianças em poses sensuais, também publica a Época, que elegeu o tomate como símbolo da escalada inflacionária no Governo Dilma.

Todos estes que estão aí, cavalgando na mentira, pisaram no tomate. Aos golpistas de sempre, vai toma te cru!

Anvisa interdita lote de extrato de tomate com pelo de roedor

O ESTADO DE S. PAULO

19 Setembro 2014 | 16h 57

Na imagem, o ser inteligente não usa colar!!

tomateResolução foi publicada nesta sexta-feira no Diário Oficial da União

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta sexta-feira, 19, a interdição cautelar de um lote do extrato de tomate da marca Knorr-Elefante após laudo de fiscalização apontar a presença de fragmentos de pelo de roedor. A resolução foi publicada nesta sexta no Diário Oficial da União.

A interdição, que tem duração de 90 dias, foi aplicada para o lote LG, com validade até 21 de maio de 2015. O produto é fabricado pela Cargill Agrícola S.A.

A Cargill informou que está tomando todas as medidas cabíveis para avaliar o caso junto à Anvisa e à Vigilância Sanitária de Minas Gerais para comprovar a adequação do produto. A empresa também afirmou que os demais lotes não foram afetados pela interdição e estão aptos à comercialização./COM AGÊNCIA BRASIL

22/04/2011

Época descendo a Serra

Filed under: Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 6:18 pm
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Época publica as relações "jumentais" de Daniel Dantas com José Serra

Pena que a revista Época das Organizações Globo não mostra os e-mails mais tenebrosos, mas mesmo assim o que foi publicado já é suficiente para entender muito bem o que se passava ali.
Em um email, do lobista Roberto Amaral para o serrista Andrea Matarazzo, comenta uma entrevista de Serra à revista Veja em 2002, classificando as posições de Serra como "jumentais".
Segue a reportagem:

O consultor, o motorista e Niger

ÉPOCA obteve os e-mails de Roberto Amaral, consultor do Opportunity, de Daniel Dantas, enviados ao secretário particular de José Serra

Wálter Nunes e Guilherme Evelin com Danilo Thomaz

Duas semanas atrás, ÉPOCA revelou segredos dos e-mails do consultor Roberto Figueiredo do Amaral – o ex-diretor da construtora Andrade Gutierrez que trabalhou, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, para o Opportunity, a marca dos fundos de investimento comandados pelo financista Daniel Dantas. As mensagens de Amaral a que ÉPOCA teve acesso foram enviadas entre 2001 e 2002, período em que ele assessorava Dantas na maior disputa societária da história do capitalismo brasileiro: a briga do Opportunity contra fundos de pensão e sócios estrangeiros pelo controle de empresas de telefonia. Elas revelam detalhes de como Amaral trabalhava e de como ele conduzia a defesa dos interesses de seus clientes. Vários dos e-mails eram endereçados aos ajudantes de ordens do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC negou a ÉPOCA tê-los recebido). Um outro personagem também chamou a atenção dos investigadores da Polícia Federal. Eles suspeitam que alguns e-mails eram dirigidos ao secretário particular de José Serra, então candidato à Presidência da República pelo PSDB.
Os e-mails foram apreendidos na casa de Amaral em dezembro de 2008, no curso da Operação Satiagraha. Desencadeada para investigar acusações de crimes financeiros contra Dantas e o Opportunity, a Satiagraha gerou um sem-número de controvérsias e diversas provas recolhidas na investigação foram questionadas pelos réus. A autenticidade das mensagens de Amaral foi atestada por uma perícia da PF e, desde junho de 2009, elas estão na Procuradoria-Geral da República, para onde foram remetidas pelo Ministério Público Federal em São Paulo, por conter alusões a autoridades com foro no Supremo Tribunal Federal. O procurador-geral Roberto Gurgel deverá decidir se há nelas indícios que justifiquem a instauração de uma nova investigação policial. O advogado de Amaral, José Luiz de Oliveira Lima, afirma que seu cliente não discute o conteúdo dos e-mails, pois eles teriam sido apreendidos de forma ilegal, “desprezando princípios processuais e constitucionais”. No momento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) discute a legalidade das provas obtidas pela PF na Satiagraha.
Ao analisar os e-mails, a PF e o Ministério Público Federal de São Paulo concluí­ram que Amaral recorria a codinomes e a mensagens cifradas para evitar a identificação de seus interlocutores. Segundo escreveu o procurador da República Rodrigo de Grandis, em denúncia aceita pela Justiça, Dantas era tratado por Amaral como “DD”. (Dantas negou, por meio de sua assessoria, ter sido autor dos e-mails.) Quando escreve a – ou sobre – Andrea Matarazzo, o então embaixador do Brasil na Itália, Amaral sempre se refere a ele como “Conde” (leia as mensagens ao final do texto) . Um outro nome frequente é “Niger”, em geral associado a e-mails enviados ao endereço luizpauloarcanjo@uol.com.br. Trata-se, de acordo com os investigadores da PF, do endereço eletrônico que era usado por Luiz Paulo Alves Arcanjo, secretário particular e motorista de Serra. Nos e-mails remetidos por Amaral a luizpauloarcanjo@uol.com.br, ele escreve como se falasse diretamente com Serra, menciona assuntos de interesse de Dantas e exige providências no âmbito do governo em relação a eles. Serra negou a ÉPOCA, por escrito, ter recebido ou tomado conhecimento desses e-mails (leia suas respostas) . Não há nenhuma prova de que ele tenha intercedido em favor das pretensões de Amaral. Em duas ocasiões, porém, as ações do governo FHC coincidiram com essas pretensões.
A primeira foi no começo de maio de 2002. No dia 30 de abril de 2002, Amaral enviou às 15h39, de seu endereço eletrônico rdo@uol.com.br, um e-mail a luizpauloarcanjo@uol.com.br. No e-mail, ele protesta contra a nomeação do economista Andrea Calabi para uma das cadeiras do Conselho de Administração do Banco do Brasil (BB), efetivada cinco dias antes. Ligado a Serra, Calabi fora presidente do BB e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas estava fora do governo FHC desde 2000. Naquele momento, Calabi era conselheiro da Telecom Italia e atuava na mediação da disputa societária que os italianos e a Previ, o fundo de pensão dos funcionários do BB, travavam contra Dantas pelo controle da Brasil Telecom. Ainda que a Telecom Italia e a Previ fossem aliadas, haveria um conflito potencial de interesses se Calabi assumisse posição em ambos os conselhos. Mas também não era de interesse de Dantas que ele mantivesse um posto estratégico no banco patrocinador da Previ. Amaral terminou seu e-mail com o texto a seguir grifado: “Cabe a vc resolver este assunto. Assim não dá. Estou engajado na sua campanha. Não preciso disto e isto é uma bofetada na minha cara”. Oito dias depois da mensagem, Calabi deixou o Conselho do BB. Ficou na função apenas duas semanas.

Fotos: Daniel Aratangy/revista Joyce Pascowitch e Renato Stockler/Na Lata/Editora Globo

IDEIA DO SERJÃO
De acordo com amigos de Roberto Amaral (à esq.), foi o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta quem deu a Serra (à dir.) o apelido de “Niger”. “Era uma referência àquela cerveja de Ribeirão Preto, escura e amarga”, dizem

A segunda ocasião aconteceu no início de junho de 2002. A frequência das mensagens enviadas por Amaral ao endereço eletrônico atribuído pela PF ao secretário particular de Serra aumentou de intensidade nos dias anteriores e posteriores à atribulada intervenção na Previ, decretada pelo Ministério da Previdência em 3 de junho de 2002. A intervenção tinha como objetivo declarado enquadrar a Previ numa norma legislativa sobre a composição de seus conselhos (deliberativo e fiscal), que ela não seguia e resistia a aplicar. A intervenção também interessava a Dantas, pois afastaria da Previ diretores que a haviam levado a uma posição de confronto com o Opportunity nas empresas de telefonia. Entre eles estavam diretores ligados ao PT, eleitos pelos funcionários do BB.
À 1h27 de 1o de junho de 2002, Amaral enviou a L.P., o rótulo por meio do qual os s programas de correio eletrônico identificam o endereço luizpauloarcanjo@uol.com.br, uma reportagem que informava a intenção do governo de adiar a intervenção na Previ. O título do e-mail era imperativo: “Mate a cobra e mostre o pau”. Seu texto faz recomendações: “O maior inimigo do bom é o ótimo. A intervenção tem que sair e já. O PT cada dia vai criar um fato novo de dentro da Previ. Por ser PT, simplesmente. Um situação é ele criar dentro da Previ. Outra escorraçado de lá e com um monte de pepinos para explicar. (…) A eleição está para você – sei o que estou dizendo e tenho 35 anos de janela – mas atos como este podem levá-lo para o brejo. Aja, por fv, e rápido”. Dois dias depois da mensagem, a intervenção na Previ saiu. No dia 4 de junho, Amaral enviou a L.P. um e-mail com cópia de uma notícia sobre a intervenção. O título era: “Vc é a pessoa de respostas mais rápidas que conheço”.
Vinte e quatro minutos depois de ter enviado esse e-mail, Amaral o reencaminhou ao endereço atribuído a Dantas pela PF. Acrescentou um comentário: “DD: Email para o Niger”. Um dia antes, Amaral enviara ao mesmo endereço uma mensagem em que tecia comentários sobre a intervenção na Previ: “Os objetivos de Niger são os mesmos que os nossos. Ele, Niger, desencadeou a intervenção. Ele vai querer que o interventor aja. Nós queremos que o interventor aja. Niger conhece bem o interventor”.
A referência a Niger nos e-mails encaminhados a luizpauloarcanjo@uol.com.br, segundo Amaral disse a interlocutores de sua confiança, tem uma explicação. Niger era um apelido malicioso que Sérgio Motta, o Serjão, ministro das Comunicações do governo FHC, dera ao amigo Serra. O apelido foi inspirado na cerveja Niger, famosa pelo gosto amargo e produzida em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, até meados da década de 90.
ÉPOCA procurou Luiz Paulo Arcanjo, o secretário particular de Serra, para comentar os e-mails enviados por Amaral. Arcanjo acompanha Serra, pelo menos, desde a década de 90. Foi seu assessor no Senado, nos ministérios do Planejamento e da Saúde, na prefeitura de São Paulo e no governo de São Paulo. Hoje, Arcanjo dá expediente no escritório político de Serra. É descrito como um funcionário da mais estrita confiança do ex-governador, aquele a quem outros assessores recorrem quando precisam localizar Serra. Questionado se usava o e-mail luizpauloarcanjo@uol.com.br, Arcanjo disse: “Pode ser, pode ser”. Depois, encerrou a conversa. Serra respondeu às perguntas de ÉPOCA por e-mail. Afirmou que, numa campanha eleitoral, “milhares de e-mails, bilhetes e faxes são enviados a assessores, assistentes e secretários de candidatos”. Negou que Arcanjo tenha sido intermediário das mensagens de Amaral e que ele as tenha recebido ou respondido.

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A sequência dos e-mails sobre intervenção na Previ

No início de junho de 2002 as mensagens enviadas por Amaral para luizpauloarcanjo@uol.com.br (endereço eletrônico que era usado por assessor de Serra, segundo a PF) passaram a ser mais frequentes. Amaral tratava nos emails da possibilidade de o Ministério da Previdência intervir na direção da Previ, que não havia se enquadrado a uma norma legislativa que regulamentava a composição do seus conselhos deliberativo e fiscal. A intervenção seria benéfica para Daniel Dantas, que queria ver fora do fundo de pensão diretores ligados ao PT que levaram a Previ a confrontar o Opportunity na briga pelo controle de empresas de telefonia.

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Os Amigos do Presidente Lula

A Época do Serra

Filed under: Colonista,PIG — Gilmar Crestani @ 12:08 pm
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Época mostra como Serra operava para Dantas. FHC deve estar em pânico

    Publicado em 22/04/2011

Saadi e Teixeira têm um encontro marcado na parede falsa do Dantas

Na edição desta Semana Santa – logo, de audiência baixíssima – a revista Época (das Organizações (?) Globo) publica, na pág. 44 – sem chamada na capa – reportagem de Wálter Nunes e Guilherme Evelin:
“O consultor, o motorista e Níger”, é o titulo (inútil).
“Época obteve os e-mails de Roberto Amaral, consultor do Opportunity, de Daniel Dantas, enviados ao secretário particular de José Serra.”

Ali se revela como o lobbista de Dantas mandava e-mails ao secretário e motorista do Padim Pade Cerra e resolvia o que tinha que resolver.
O secretário de Cerra impede que Andrea Calabi fique no Conselho do Banco do Brasil – como queria o passador de bola apanhado no ato de passar bola.
O secretário de Cerra consegue mudar a diretoria da Previ – como queria o passador de bola apanhado no ato de passar bola.
O secretário – vá ser poderoso assim na China ! -  tira da Previ os que pudessem atrapalhar o passador de bola a administrar a Brasil Telecom.
Provavelmente, o passador de bola não confia tanto assim no lobbista e no secretário de Cerra.
Tanto que foi direto ao assunto: jantou com o Farol de Alexandria no Palácio do Alvorada, a pedido de Nizan Guanaes, e lá completou a operação: mudou a diretoria da Previ; nomeou um sócio e advogado para presidir a instituição que deveria vigiá-lo, a CVM; e detonou o delegado Deuler Rocha, da Polícia Federal, que teve a má idéia de investigá-lo.
Quem mandou Deuler para a Ilha do Diabo foi o notável parlamentar Marcelo Lunus Itagiba, que presidiu a CPI dos Amigos de Dantas.
Cerra nega tudo na Época.
Embora os e-mails para o lobbista se refiram a um candidato presidencial em 2002.
O Cristovam Buarque é que não era.
Nem a Heloísa Helena.
A Época já tinha revelado como o lobbista de Dantas trabalhava com o presidente Fernando Henrique: através de ajudantes de ordem no Palácio.
FHC negou tudo.
Cerra não tinha secretário nem FHC, ajudante de ordem.
Só faltam dizer que a carteira de habilitação estava vencida.
(A propósito, o apelido “Níger” não tem a ver com o Paulo Preto, ou Afrodescente, outro herói das campanhas do Cerra. É como o Serjão – outro herói tucano, o “trator” – se referia ao Cerra: amargo como a cerveja Níger. Legal …)

Navalha
Só a Época e mais ninguém tem – por enquanto – acesso aos documentos do lobbista de Dantas, Roberto Amaral, apreendidos pelo delegado Ricardo Saadi, que substituiu o ínclito delegado Protógenes Queiroz na presidência da Operação Satiagraha.
A Época já tentou manipular os documentos do relatório do delegado Zamprogna, da PF, dirigido ao Ministério Público.
A Carta Capital foi lá, desmascarou a Época: mostrou que o Dantas estava atolado no relatório Zamprogna.
Agora, a Época faz uma leitura muito seletiva dos documentos de Roberto Amaral.
Este ansioso blog já revelou o que tem lá dentro dos documentos em posse da Época “Dantas, Cerra, FHC e Gilmar – está tudo lá”.
Este ansioso blogueiro também já informou que o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira, se comprometeu publicamente a requisitar à PF a integra do relatório do delegado Saadi.
Ai, amigo navegante, Dantas, Cerra, FHC e Gilmar serão submetidos ao escrutínio público – atividade muito salutar numa democracia.
Abrir a janela e deixar o sol entrar !
Antes, é claro, o Dr Macabu pode vir a sepultar a Operação Satiagraha, mesmo depois das revelações da Época que incriminam Dantas.
O Dr Macabu, se fizer isso, entrará para a História da Magistratura Universal.
Ao lado de momentos gloriosos do Judiciário brasileiro: os dois HC Canguru ao Dantas; o HC ao Dr Abdelmassih;  a desconstrução da Castelo de Areia pelo STJ.
O Cerra deve ter ficado muito feliz com a inebriante madrugada de Aécio Neves, no Leblon, do Rio.
(Já imaginou, amigo navegante, se fosse o Lula que estivesse naquela Land Rover ? )
A Época estragou a Semana Santa dele.
A Época tentou explodir a bomba atômica no Atol de Mururoa, para ninguém perceber.
Não adiantou.
Os fragmentos nucleares atingiram, em cheio, o  colo de Luiz Paulo Alves Arcanjo, motorista e secretário particular de Cerra, o homem que fazia (o que Dantas queria) e acontecia no Governo Cerra-FHc.
A Época traz mais batom na cueca do que em toda a extensão da praia do Leblon, de madrugada.

Paulo Henrique Amorim

Época mostra como Serra operava para Dantas. FHC deve estar em pânico | Conversa Afiada

10/04/2011

Gilmar Mendes fora de Época

Filed under: Cosa Nostra,Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 10:37 pm
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Bomba: Época revela que a AGU, sob Gilmar Mendes, advogou para Daniel Dantas

"No dia 4 de abril de 2002, a Anatel e a Advocacia-Geral da União (AGU) deram entrada a uma petição, na 31a Vara Cível da Justiça Estadual do Rio, principal foro onde TIW, fundos e Opportunity terçavam armas. Na petição, a Anatel e a AGU requeriam a admissão como assistentes do Opportunity na questão. Ao ser admitidas no caso, o processo seria transferido automaticamente da Justiça Estadual do Rio para a Justiça Federal."

Esse trecho acima a revista Época deixou escapar, e é a verdadeira notícia-bomba sem querer, em meio a reportagem desta semana, cujo foco era apenas o lobby de Dantas sobre FHC na ANATEL.
Para se situar na notícia: Gilmar Mendes foi Advogado Geral da União de 31 de janeiro de 2000 até 20 de junho de 2002, e o texto descreve uma manobra jurídica dos advogados de Daniel Dantas, com ajuda da AGU, para retirar um processo de um tribunal em que estavam perdendo a causa.
A notícia bomba leva à pergunta que não quer calar:
O que fazia a AGU de Gilmar Mendes, se metendo a advogar como assistente de um grupo PRIVADO (justamente o Opportunity), em uma empresa PRIVATIZADA, fora do interesse da União?
Segue o texto do trecho da reportagem da revista Época, onde mostra a AGU ingressando em uma manobra jurídicra do interesse do Opportunity:

…Em 2002, Dantas dedicava um lugar especial de suas atenções à Anatel. Por lei, qualquer mudança no controle das empresas de telefonia precisava ser previamente aprovada pela agência. Ter aliados – e, sobretudo, não ter inimigos – em posições influentes na Anatel era um trunfo para quem disputava o comando de empresas com faturamento na casa dos bilhões de reais. Na Anatel, a procuradoria-geral era um local estratégico para Dantas. O motivo era uma briga que ele travava com os fundos de pensão de empresas estatais e com a empresa canadense TIW pelo controle da Telemig Celular e da Amazônia Celular, duas empresas privatizadas pelo governo FHC em 1998.
O litígio entre Opportunity e TIW começara depois do leilão de privatização. Os canadenses haviam desembolsado mais de US$ 380 milhões na compra de duas empresas, acreditando que teriam participação em sua gestão. Após o leilão, descobriram que, apesar de ter 49% das ações, não teriam ingerência nas decisões das companhias, em virtude de uma complexa estrutura societária atribuída a Dantas. Apesar de deter menos de 1% do capital total, era o Opportunity que controlava as empresas, por intermédio de outra empresa chamada Newtel, cujos sócios eram o Opportunity e os fundos de pensão, mas não os canadenses. No meio da disputa entre os canadenses e o Opportunity, os principais fundos de pensão mudaram de direção e se aliaram à TIW. Eles queriam dissolver a Newtel e destituir o Opportunity do comando das empresas. Iniciou-se em 2000 uma batalha na Justiça Estadual do Rio de Janeiro que mobilizou alguns dos principais escritórios de advocacia do país e gerou mais de 30 ações. No meio desse imbróglio, a TIW e os fundos conseguiram algumas vitórias parciais. Uma liminar da Justiça do Rio lhes assegurava, temporariamente, o comando do conselho de administração da empresa holding da Telemig.
No dia 4 de abril de 2002, a Anatel e a Advocacia-Geral da União (AGU) deram entrada a uma petição, na 31a Vara Cível da Justiça Estadual do Rio, principal foro onde TIW, fundos e Opportunity terçavam armas. Na petição, a Anatel e a AGU requeriam a admissão como assistentes do Opportunity na questão. Ao ser admitidas no caso, o processo seria transferido automaticamente da Justiça Estadual do Rio para a Justiça Federal. Elas afirmavam que a dissolução da Newtel, pretendida pela TIW e pelos fundos de pensão, provocaria mudança no controle acionário das empresas – e que isso só poderia ser feito com a anuência prévia da agência. Argumentavam também que a dissolução da empresa poderia provocar desordem administrativa, com prejuízo na prestação de serviços…

Época "amarelou" e não mostrou o dinheiro que as Organizações Globo receberam do valerioduto
É preciso lembrar também, que a revista da Editora Globo mudou de assunto em relação à semana passada, fugindo de dar explicações, depois de Dantas desafiá-la a mostrar o dinheiro recebido através das agências de Marcos Valério pelas Organizações Globo.
Esta semana, a reportagem veio retratando Daniel Dantas como lobista e não como criminoso. Sacrifica a imagem de FHC, revelando passagens constrangedoras mas, nas entrelinhas, a reportagem serve ao jogo de Dantas, ao repetir a tese que é apenas dos advogados de Dantas de que a operação Satiagraha teria sido ilegal:

… delegado Protógenes Queiroz, recorreu a métodos ilegais de operação (usou, por exemplo, agentes da Agência Brasileira de Inteligência para fazer escutas telefônicas à revelia da direção da PF), foi afastado do caso e condenado, em novembro do ano passado, pela Justiça Federal à pena de prisão por crime de violação de sigilo funcional e fraude processual.

Nenhuma decisão da justiça, até agora, dá direito à revista de escrever o que escreveu, como se fosse verdade factual. Pelo contrário, todas as decisões anteriores validaram a operação, e Protógenes só foi condenado (e ainda recorre) justamente pela intromissão de uma equipe da TV Globo na gravação do flagrante do suborno.

Os Amigos do Presidente Lula

09/04/2011

Época traz indícios de ligações Dantas-FHC | Brasilianas.Org

Filed under: Cosa Nostra,Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 5:41 pm
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Época traz indícios de ligações Dantas-FHC

Enviado por luisnassif, sab, 09/04/2011 – 09:50

O financista, o consultor e a "pessoa"

ÉPOCA revela os segredos dos e-mails de Roberto Amaral, o consultor que trabalhou para o Opportunity, de Daniel Dantas, durante o governo FHC

Wálter Nunes e Guilherme Evelin

Daniel Aratangy/revista Joyce Pascowitch

O CONSULTOR

l foi executivo da empreiteira Andrade Gutierrez por 30 anos. Ali, aprendeu a trafegar entre os políticos e amealhou contatos que mais tarde seriam mobilizados em favor de seus clientes

Entre maio e junho de 2002, o advogado carioca André Leal Faoro viveu o dilema de deixar a família e trocar as delícias do Rio de Janeiro pela aridez de Brasília e por um cargo na administração pública federal. Faoro fora convidado para assumir a procuradoria-geral da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A proposta fora feita pelo economista Luís Guilherme Schymura, que substituiu Renato Guerreiro, o primeiro presidente da agência. Pelo convite, Faoro entraria no lugar do mineiro Antônio Bedran e seria responsável pela preparação dos pareceres jurídicos e pela representação na Justiça da agência reguladora do setor de telecomunicações. Mas o convite acabou não sendo realizado formalmente. Há duas semanas, num restaurante no centro do Rio de Janeiro, Faoro rememorou as circunstâncias do convite e lembrou que Schymura nunca lhe explicou por que a proposta não fora adiante.

O episódio parece apenas um lance trivial na rotina das substituições na burocracia brasiliense. Mas, enquanto André Faoro ruminava o convite de Schymura, uma poderosa rede de influências foi mobilizada para evitar sua nomeação. Na linha de frente dessa operação, estava um dos personagens mais ativos e menos conhecidos da história recente da política brasileira: o paulista Roberto Figueiredo do Amaral. Por 30 anos, Amaral trabalhara como executivo da construtora Andrade Gutierrez, em São Paulo. Como diretor da empreiteira, desfrutara o convívio dos mais influentes políticos paulistas e fizera história por sua desenvoltura no opaco mundo das empreiteiras e suas tratativas em busca de contratos de obras públicas. Paulo César Farias, o tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor, considerava Amaral “um mestre”. Sérgio Motta, ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique Cardoso, seu amigo, o chamava, em tom de brincadeira, de “gênio do mal”.

   Reprodução

Ao Planalto
Roberto Amaral enviava mensagens ao endereço eletrônico dos ajudantes de ordens do presidente FHC.
No dia 8 de março de 2002, ele enviou o e-mail ao lado. Uma semana antes, a PF fizera uma busca e apreensão no escritório da Lunis, de Jorge Murad, marido de Roseana Sarney. FHC diz não ter recebido esses e-mails

O caso Anatel

Os e-mails relativos à ação para manter Antônio Bedran na procuradoria da agência

  Reprodução

   Reprodução    Reprodução

No começo dos anos 2000, Amaral atuava como consultor do Opportunity, marca que reúne os fundos de investimentos comandados pelo financista baiano Daniel Dantas. Na ocasião, Dantas se tornara o protagonista da maior disputa societária da história recente do capitalismo no Brasil. Ele brigava com fundos de pensão e sócios estrangeiros pelo controle de empresas de telefonia privatizadas pelo governo FHC. Dantas buscava decisões favoráveis das autoridades em Brasília e arregimentara os serviços de Amaral para que ele o auxiliasse em sua contenda bilionária . “Eu precisava de alguém que me explicasse como funciona o Brasil do poder, e o Roberto era o homem ideal”, disse Dantas numa entrevista recente publicada na revista Piauí. Essas lições sobre o funcionamento do Brasil do poder e o estilo e a estratégia de Amaral ficam evidentes numa série de e-mails obtidos por ÉPOCA, que ele enviou e receb

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A correspondência eletrônica foi apreendida por agentes da Polícia Federal em dezembro de 2008, quando eles vasculharam os endereços de Amaral como parte da Operação Satiagraha, a mais rumorosa e polêmica ação da história recente da PF. Na casa de Amaral, os federais acharam um disco rígido de computador, que guardava e-mails numa quantidade suficiente para encher dez CDs. Tais e-mails serviram de prova em uma denúncia do Ministério Público, aceita pela Justiça em julho de 2009. Segundo a PF, que atestou a autenticidade dos e-mails por meio de uma perícia técnica, a correspondência registra a comunicação entre Amaral e Dantas (Dantas nega isso). E também inclui, de acordo com a PF, mensagens enviadas por Amaral a próceres da República e aos ajudantes de ordens do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Por envolver autoridades com foro privilegiado, os e-mails encontram-se, desde 2009, sob a análise do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que estuda se eles contêm indícios que justifiquem a abertura de uma investigação policial.

Desencadeada em 2008, para investigar acusações de crimes financeiros contra Dantas e o Opportunity, a Operação Satiagraha gerou um sem-número de controvérsias. Dantas foi preso duas vezes – ambas por ordem do então juiz federal Fausto De Sanctis, de São Paulo – e solto duas vezes – ambas por decisão do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. O prende e solta causou uma crise sem precedentes no Judiciário brasileiro. O comandante da operação na ocasião, delegado Protógenes Queiroz, recorreu a métodos ilegais de operação (usou, por exemplo, agentes da Agência Brasileira de Inteligência para fazer escutas telefônicas à revelia da direção da PF), foi afastado do caso e condenado, em novembro do ano passado, pela Justiça Federal à pena de prisão por crime de violação de sigilo funcional e fraude processual. Como consequência desses métodos, diversas provas recolhidas na investigação foram questionadas pelos réus.

Quando os agentes vasculharam a casa de Amaral e apreenderam os e-mails, a Satiagraha já estava sob o novo comando, do delegado Ricardo Saadi. Sua equipe extraiu diversas novas conclusões que embasaram a denúncia apresentada pelo Ministério Público – e depois aceita pelo próprio juiz De Sanctis. Uma das dificuldades da PF, ao analisar os e-mails, foi decifrar seus remetentes, destinatários e conteúdos. De acordo com a denúncia, a PF concluiu que Dantas e Amaral, em suas comunicações, recorriam a vários endereços eletrônicos, codinomes secretos e frases elípticas, na tentativa de evitar ser descobertos. “Com o temor de ser identificados em suas mensagens, Roberto Amaral e Daniel Valente Dantas se tratavam por outros nomes ou por siglas, sendo que o primeiro, na maioria das mensagens eletrônicas, era tratado como “Rogério”, ou “Rogério Antar”, e o segundo por “DD”, “OVS”, ou “Olhos Verdes Sensuais”, escreveu o procurador Rodrigo de Grandis na denúncia. Segundo o texto de De Grandis, Amaral usava os endereços amaralbr@terra.es, rdo@uol.com.br e lexus3333@hotmail.com para suas mensagens. Dantas, de acordo com a PF, usava principalmente o e-mail sjward@ attglobalnet. Por meio de nota enviada por sua assessoria, Dantas afirmou que “não se correspondeu diretamente com Roberto Amaral”. O advogado José Luís de Oliveira Lima, que defende Amaral, disse que seu cliente não comentaria o conteúdo dos e-mails, porque a Satiagraha teria sido “produzida de forma ilegal, desprezando princípios processuais e constitucionais”. No momento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) discute a legalidade das provas obtidas pela PF na Satiagraha.

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Em 2002, Dantas dedicava um lugar especial de suas atenções à Anatel. Por lei, qualquer mudança no controle das empresas de telefonia precisava ser previamente aprovada pela agência. Ter aliados – e, sobretudo, não ter inimigos – em posições influentes na Anatel era um trunfo para quem disputava o comando de empresas com faturamento na casa dos bilhões de reais. Na Anatel, a procuradoria-geral era um local estratégico para Dantas. O motivo era uma briga que ele travava com os fundos de pensão de empresas estatais e com a empresa canadense TIW pelo controle da Telemig Celular e da Amazônia Celular, duas empresas privatizadas pelo governo FHC em 1998.

O litígio entre Opportunity e TIW começara depois do leilão de privatização. Os canadenses haviam desembolsado mais de US$ 380 milhões na compra de duas empresas, acreditando que teriam participação em sua gestão. Após o leilão, descobriram que, apesar de ter 49% das ações, não teriam ingerência nas decisões das companhias, em virtude de uma complexa estrutura societária atribuída a Dantas. Apesar de deter menos de 1% do capital total, era o Opportunity que controlava as empresas, por intermédio de outra empresa chamada Newtel, cujos sócios eram o Opportunity e os fundos de pensão, mas não os canadenses. No meio da disputa entre os canadenses e o Opportunity, os principais fundos de pensão mudaram de direção e se aliaram à TIW. Eles queriam dissolver a Newtel e destituir o Opportunity do comando das empresas. Iniciou-se em 2000 uma batalha na Justiça Estadual do Rio de Janeiro que mobilizou alguns dos principais escritórios de advocacia do país e gerou mais de 30 ações. No meio desse imbróglio, a TIW e os fundos conseguiram algumas vitórias parciais. Uma liminar da Justiça do Rio lhes assegurava, temporariamente, o comando do conselho de administração da empresa holding da Telemig.

No dia 4 de abril de 2002, a Anatel e a Advocacia-Geral da União (AGU) deram entrada a uma petição, na 31a Vara Cível da Justiça Estadual do Rio, principal foro onde TIW, fundos e Opportunity terçavam armas. Na petição, a Anatel e a AGU requeriam a admissão como assistentes do Opportunity na questão. Ao ser admitidas no caso, o processo seria transferido automaticamente da Justiça Estadual do Rio para a Justiça Federal. Elas afirmavam que a dissolução da Newtel, pretendida pela TIW e pelos fundos de pensão, provocaria mudança no controle acionário das empresas – e que isso só poderia ser feito com a anuência prévia da agência. Argumentavam também que a dissolução da empresa poderia provocar desordem administrativa, com prejuízo na prestação de serviços. “O Conselho Diretor na Anatel decidira sobre as participações societárias da Newtel em empresas de telecomunicações. A procuradoria-geral da agência ingressou em juízo para sustentar a eficácia da decisão administrativa. Como a Anatel é uma autarquia pública federal, o processo, por força de lei, tramita na Justiça Federal”, disse Bedran, em resposta a ÉPOCA na semana passada. Ele permaneceu na Anatel até o final do 2010, no posto de conselheiro. Embora, na disputa judicial em torno da Telemig, a medida adotada pela Anatel tenha favorecido o Opportunity, não há, na correspondência recolhida pela PF, nenhuma evidência de que Bedran tenha sido movido em suas decisões por algo além de suas convicções ou do interesse público.

A petição da Anatel e da AGU iniciara uma discussão sobre que esfera judicial tinha competência para julgar a disputa – a Justiça do Rio ou a Federal. No dia 29 de maio de 2002, Amaral recebeu um e-mail do endereço sjward@attglobal.net, com a informação de que estava em curso uma “articulação para a substituição de Antônio Bedran por André Faoro, advogado da TIW, na Anatel”. Entre 1999 e 2004, André, filho de Raymundo Faoro, célebre presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) durante a ditadura militar, atuara como advogado do escritório Tozzini Freire, do Rio, contratado pelos canadenses da TIW. A nomeação de Faoro para o lugar de Bedran representava, portanto, uma ameaça aos interesses do Opportunity na disputa, uma vez que ele tinha laços próximos com os canadenses. Do ponto de vista do interesse público, havia também um argumento forte: não seria correto nomear um antigo advogado da TIW para a procuradoria-geral da Anatel, em meio a uma disputa em que os canadenses eram uma das partes – e a agência reguladora teria influência decisiva. “Sei que é urgente”, respondeu Amaral. “Vou entrar no assunto agora, no mais alto nível. Pare qualquer articulação que envolva este assunto.”

A sequência de mensagens trocadas por Amaral, entre os dias 29 e 30 de maio de 2002, mostra que sua providência, depois de descobrir que Faoro fora convidado para a Anatel, foi enviar um fax a alguém a quem ele se refere como “a pessoa”. A leitura das mensagens sugere que tal fax teria sido enviado. Em sua versão final, “mais incisiva”, segundo a descrição feita num e-mail enviado por Amaral, ele seguia com uma advertência contra a nomeação de Faoro para o lugar de Bedran: “Vão te contar mil histórias, mas é evidente que André Faoro não pode ser nomeado advogado da Anatel, no lugar de Antônio Bedran. Foi advogado dos canadenses contra o Opportunity. É evidente o conflito de interesses”.

No dia 4 de junho de 2002, Amaral comunicou a OVS, rótulo por meio do qual os programas de correio eletrônico identificam o endereço sjward@attglobal.net, que tivera uma conversa por telefone à 1h30 da Espanha, país onde ele mantinha uma residência na cidade da Marbella. Amaral iniciou seu e-mail com uma mensagem curta, de estilo telegráfico: “PESSOA AGORA 1.30 H SPAIN”. Desdobrou então o conteúdo de sua conversa em quatro tópicos. No primeiro, escreveu: “André não irá. Bedran ficará”.

Quem seria essa pessoa, a quem o e-mail de Amaral atribui a obtenção de informação tão estratégica? Esse é um mistério não esclarecido. Com base em e-mails enviados por Amaral aos ajudantes de ordens da Presidência da República, os investigadores da PF e os procuradores do Ministério Público levantam a suspeita de que a “pessoa” seria um código para se referir ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

No material apreendido na casa de Amaral, há vários e-mails dirigidos aos endereços eletrônicos de dois militares que davam expediente na antessala de FHC: o major da Aeronáutica Carlos Eduardo Alves Silva (carlosedu@planalto.gov.br) e o capitão de fragata da Marinha Marcos Jorge Matusevicius (MarcosJM@planalto.gov.br, mjmat@ig.com.br, marcosjm@sagres.com.br). Os dois são citados no livro A arte da política, de FHC. Ali, FHC descreve a importância dos ajudantes de ordens no dia a dia da Presidência. “Quem não conhece os meandros do poder não tem ideia o quanto é de vital importância contar com esse pelotão quase anônimo. É ele quem apara arestas, ajuda a implementar decisões e, principalmente, aguenta as pressões de todos que desejam ter acesso ao presidente”, escreveu FHC.

Os e-mails de Amaral sugerem que ele recorria aos endereços eletrônicos dos ajudantes de ordens para remeter mensagens dirigidas diretamente a FHC. No dia 8 de março de 2002, Amaral enviou para o endereço do major Carlos Eduardo um e-mail com o título: “Vc já está na história”. O texto é direto: “Mando-lhe um forte abraço. A era FHC já está na história. Infelizmente, até o final do governo será preciso administrar os pequenos canalhas. Vc terá páginas e páginas na história. Sarney, uma anotação como o pai de um estranho plano econômico, que mandava delegado federal laçar bois no pasto, conduzindo o país à moratória com uma inflação incontrolável”.

Matusevicius e Carlos Eduardo receberam outros e-mails que reforçam a suspeita de que a “pessoa” seja FHC. Em 12 de maio de 2002, às 2h07, Amaral enviou uma mensagem a Matusevicius em que anexou a capa da edição do dia anterior do jornal Correio Braziliense. Cinco minutos depois, Amaral reencaminhou a OVS o e-mail endereçado a Matusevicius. Escreveu: “DD: email à pessoa”. Há registro também de e-mails enviados por Amaral a Matusevicius em que ele faz uma consulta sobre a renovação de seu contrato com Dantas: “Estou para renovar contrato com DD. Pergunto, em caráter pessoal e baseado em uma amizade de mais de 15 anos, se existe alguma coisa que vc ache que eu deva saber”.

Na semana passada, a reportagem de ÉPOCA mostrou os e-mails enviados por Amaral a Matusevicius, que atualmente trabalha como assessor da diretoria de praticagem do Porto de Santos. Ele reconheceu os endereços eletrônicos como seus. Matusevicius também reconheceu que era sua uma mensagem enviada a Amaral a partir de seu e-mail oficial no Palácio do Planalto, em que ele fornecia seu antigo endereço residencial em Brasília como destino para correspondências. Todos os e-mails enviados para o presidente, segundo Matusevicius, eram endereçados aos ajudantes de ordens. “Não existe um e-mail do presidente. Então toda vez que alguém queria mandar algum complemento de informação, algum documento, nós entregávamos nossos cartões”, disse. “A gente ali servia como intermediário no trâmite de documentação.” Matusevicius afirmou, porém, que não se lembrava de Amaral. Perguntado sobre como os ajudantes de ordens repassavam os recados recebidos por e-mail, disse que havia vários despachos diários com FHC. “O ajudante de ordens acompanha o presidente durante todo o seu dia. Chegou documento, você entrega o documento, e o presidente despacha para o pessoal da Casa Civil.” A reportagem de ÉPOCA também falou com o coronel Carlos Eduardo Silva, hoje adido de defesa da Embaixada do Brasil em Buenos Aires. Ele reconheceu como seu o endereço usado nos e-mails de Amaral, mas afirmou não se lembrar de Amaral nem de receber e-mails destinados a FHC.

O ex-presidente Fernando Henrique também conversou com ÉPOCA. Ele afirmou conhecer Amaral e disse que não tem “intimidade maior com ele”. “Eu não recebi e-mail nenhum do Roberto Amaral na Presidência”, disse FHC. “Ele pode ter mandado para os meus ajudantes de ordens, mas eu nunca recebi nem respondi. Não me lembro também de ter recebido qualquer fax dele. Eu não usava esse instrumento de trabalho.” FHC disse também que Dantas não precisaria de Amaral para falar com ele. “O Daniel Dantas falou comigo. Ele tinha lá suas demandas, como todo mundo. Quando se está na Presidência, o que mais se ouve é pedido. É pressão, porque o pessoal acha que presidente da República resolve, mas não resolve nada.” 

Época traz indícios de ligações Dantas-FHC | Brasilianas.Org

20/03/2011

Melhor uma Bruna autêntica do que uma Raquel domesticada

Filed under: Rede Globo — Gilmar Crestani @ 8:51 am
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Raquel Pacheco: "Reconheço todos os meus erros"

Mas, em resposta aos leitores de ÉPOCA, Bruna Surfistinha diz que não se arrepende

Redação Época

Lançado nos cinemas há menos de um mês, o filme Bruna Surfistinha já foi visto por mais de 1,5 milhão de espectadores. O livro que lhe deu origem, a biografia O doce veneno do escorpião, é um best-seller com mais de 250 mil exemplares vendidos. Raquel Pacheco tinha 17 anos quando decidiu fugir de casa e virar a garota de programa de pseudônimo Bruna Surfistinha. A Bruna, Raquel deve o dinheiro, o marido e a popularidade. Por causa de Bruna, Raquel não fala com os pais há oito anos. Em entrevista feita pelos leitores de ÉPOCA, diz que não se arrepende das escolhas que fez. Mas não recomenda seu caminho: “Se alguma menina sentir-se incentivada a seguir a minha trajetória, é por ter a mente muito fraca”.

ENTREVISTA – RAQUEL PACHECO

Foto: Carol do Valle
QUEM É
Raquel Pacheco, de 26 anos, é casada. Foi atriz pornô e prostituta, com o pseudônimo Bruna Surfistinha
O QUE FEZ
Em 2003, criou um blog para contar suas histórias profissionais. Publicou dois livros: O doce veneno do escorpião (2005), que inspirou o filme Bruna Surfistinha (2011), e O que aprendi com Bruna Surfistinha (2006)

"Oficializar a prostituição diminuiria a exploração, mas é difícil
imaginar alguém disposto a registrar essa condição em carteira"

Como está sua vida atualmente? Está casada, feliz, quais suas atividades? Vc se arrepende de alguma coisa que fez no passado? Maria Claudia O. de Paiva, São Paulo, SP
Raquel Pacheco – Sou casada há quase seis anos e estou vivendo uma das minhas melhores fases. Por causa da estreia do filme, estou focada na Bruna, minha "criatura", então estou aproveitando as boas oportunidades que estão surgindo. Não sei se algum dia me arrependerei de algo, mas por enquanto isto ainda não aconteceu. Acredito que nada acontece por acaso. Cometi muitos erros, mas não consigo ver a minha vida sem eles.

Quem você culpa por ter tomado esse rumo em sua vida? Geralmente muitas jovens se prostituem alegando problemas de ordem econômica, o que não foi o seu caso. Que tipo de lição ficou depois de tanto sofrimento? Valeu a pena, mesmo com fama e dinheiro, passar por tudo isso? Nazareno Santo, Itaituba, Pará
Raquel –
Eu não culpo ninguém, todas as minhas decisões partiram de mim. Não precisava me prostituir, mas escolhi tomar esse rumo porque, naquela época, acreditei ser uma boa opção. Com 17 anos eu não tinha a menor noção das consequências que essa escolha poderia me trazer. A maior lição que tive é que não podemos julgar as pessoas e aprendi a respeitar todas as diferenças que existem. Aprendi que as pessoas são livres para ser ou fazer o que bem quiserem e que ninguém tem o direito de julgar os outros. Fazendo um balanço com todos os altos e baixos que enfrentei, vejo que, embora eu tenha caído em todas as armadilhas da vida, valeu a pena ter passado por tudo pelo amadurecimento e por ter aprendido a gostar de mim.

Raquel, da vida como garota de programa, do que você sente falta e do sente mais tristeza, raiva ou algo assim daquela época? Gabriela Martins, Goiânia, GO
Raquel –
Eu sinto falta de amizades que tive naquela época. Sou muito grata por algumas pessoas que conheci na prostituição, mas nunca mais nos vimos. Não guardo mágoa de ninguém, nem mesmo das inimizades. Dos momentos ruins, ficaram os aprendizados.

Raquel, sei que você ja fez filmes adultos, vulgo "pornôs". Você ainda faz esses tipos de filmes, se arrependeu? Daniel Gomes, Montes Claros, MG
Raquel –
Gravei dois filmes pornográficos quando ainda não era conhecida. Na época, não imaginava que eu, como Bruna Surfistinha, faria sucesso. Faz sete anos que os fiz, mas a produtora agiu de maneira muito oportunista. Nunca mais fiz e não farei, embora tenha recebido uma proposta muito boa.

Raquel, seu filme estrelado por Débora Secco deixou uma lacuna no que se refere aos seus filmes adultos. Houve algum motivo para não ser retratado? Wesley Tomaz de Oliveira, Franca, SP
Raquel –
O filme Bruna Surfistinha é uma adaptação do livro ´O doce veneno do escorpião´. Quando assinei o contrato com a produtora e meses depois tive contato com o roteiro pronto, já sabia que o filme não retrataria todos os momentos da minha vida. Por ser uma adaptação, não há a obrigação de ser extremamente fiel à história do livro.

Você afirma ter saído de casa porque se achava deslocada da família e da escola. Hoje em dia, depois que isso virou passado, você acredita que possa ter sido uma "rebeldia de adolescente" quando fez, ou continua acreditando que fez a coisa certa? Se arrependeu de ter virado garota de programa ou consegue analisar este período como uma fase de experiência, mesmo tendo sido dolorosa? Maísa Di Paschoal, Londrina, PR
Raquel –
A minha rebeldia foi algo que influenciou muito minha decisão de fugir da casa dos meus pais para me prostituir. A educação que os meus pais me deram foi muito conservadora e a proteção era extrema. E, rebelde, quis me libertar e explorar um mundo que não conhecia. Mas, não me arrependo desta decisão. Não consigo ver a minha vida sem os meus erros.

Você não conversa mais com sua mãe, certo? Nesse momento, o que você gostaria de dizer a ela? Gleidson Rodrigues da Silva, Campo Grande, MS
Raquel –
Os meus pais ainda não me aceitaram novamente, ainda não conseguiram me perdoar. Faz cinco anos que fiz minha última tentativa de reaproximação, coloquei no final da carta todos os meus contatos, mas eles nunca me procuraram. Se eu tivesse oportunidade neste momento de dizer algo à minha mãe, diria que reconheço todos os meus erros e o fato de ter sido uma péssima filha, e que ela faz muita falta. Não houve qualquer dia nestes oito anos que não nos vemos que eu não tenha pensado neles. Se eles me deram muitas chances quando eu era adolescente, queria que me dessem apenas uma agora que já sou adulta.

Raquel, não entendi direto sobre a sua saída de casa para ir num lugar onde poderia oferecer perigo. A não ser que seus pais adotivos não fossem carinhosos e batessem em você…. Gostaria que explicasse a tua relação com seus pais. Marcelo Gomes de Andrade, Guarulhos, SP
Raquel –
Os meus pais adotivos me amaram da maneira deles, não posso culpá-los de nada. Na adolescência, por ser rebelde e depressiva, coloquei na cabeça que eles não me amavam. O fato deles não me deixarem fazer coisas típicas de uma adolescente, como namorar, confundia a proteção extrema com falta de amor. Não aceitava as regras que eles me impunham. Além disso, houve um crise de geração entre nós e eles não souberam acompanhar a minha. Sou da geração que sair na adolescência para beijar várias bocas é normal. Eles são da geração que o normal para uma mulher era casar jovem, com o primeiro namorado, e virgem. A falta de diálogo em casa também prejudicou o nosso relacionamento.

Eu gostaria de saber se algum dia a Bruna sentiu prazer ao atender alguém? Eduardo, Rio de Janeiro, RJ
Raquel –
Poucas vezes senti prazer, principalmente porque sempre encarei a prostituição como um trabalho e, por isso mesmo, deixava minha satisfação em segundo plano. O meu prazer mesmo estava em satisfazer o cliente, ter certeza de que ele tinha gostado da minha companhia.

No filme não aparece, em nenhum momento, a importância do uso da camisinha. Será mesmo que isso não é importante em um filme que é destinado e focado no público adolescente? Geraldo Ramos Junior, São Paulo, SP
Raquel –
Acredito que a educação sexual e o incentivo do uso da camisinha tenham que ser ensinados em casa. Os pais que têm esta obrigação. Nunca conversei sobre sexo com a minha mãe, mas, mesmo assim, desde a minha pré-adolescência ela sempre fez questão de conversar comigo sobre as doenças sexualmente transmissíveis e a importância do uso de camisinha. E ela me alertou tanto que até mesmo em minha primeira relação sexual, que foi com um namorado, uma pessoa em quem confiava, não deixei de usar. Além disso, no filme não há sexo explícito.

Você não teve medo de pegar aids pelos programas ou compartilhando seringa? Você disse que gostava de fazer programas, mas o gosto compensa o perigo de pegar doença ou levar surra de algum louco? Eu acho que você teve sorte! Maria, Uberlândia, MG
Raquel –
Não tive medo de pegar aids porque me protegia, era eu quem colocava camisinha no cliente, tendo então garantia que tinha sido colocada da maneira correta e não de qualquer jeito. Nunca aconteceu de alguma estourar. Não compartilhei seringa em nenhum momento, pois as drogas que consumi não precisavam de uma. Quanto a levar surra de algum louco, realmente tive muita sorte por isso nunca ter ocorrido, mas não precisa ser garota de programa para correr este tipo de risco.

Bruna, você sofreu algum tipo de violência com clientes? Calotes? Samantha, Campinas, SP
Raquel –
Sofri violência verbal de alguns clientes. Em relação a calotes, tive o azar de pegar algumas notas falsas. Recebi mais de um cheque sem fundo, mas corri atrás dos meus direitos e consegui receber os valores. E uma vez me pagaram com cheque roubado, fiz queixa em uma delegacia porque o tinha depositado em minha conta, então meu gerente me alertou a fazer um B.O. para não ter nenhum tipo de problema, mas não consegui recuperar o valor.

Raquel, muitas pessoas estão criticando o filme por fazer apologia à prostituição e incetivar meninas imaturas em conflitos com os pais a se tornarem garotas de programa. Que conselhos você daria a essas meninas, que por algum motivo acham que a prostituição pode ser um saída fácil? Você acha que a sua história pode servir de exemplo ou o melhor caminho seria dar mais valor à família e às oportunidades oferecidas pelos pais? Camilla, Niterói, RJ
Raquel –
Quem diz que o filme faz apologia à prostituição certamente não o assistiu. Sempre fiz questão de deixar claro que, se prostituição fosse boa, eu jamais teria parado. Assim como sempre deixo claro o quanto minha família faz falta. E não tê-la mais é a consequência cara que pago até hoje. Se hoje estou bem e há um filme baseado em minha vida, é por questão de sorte, pois sei que a minoria das garotas de programa consegue ter um final feliz. Ainda assim, se alguma menina se incentivar com a minha trajetória, é porque possui uma mente muito fraca e imatura.

Raquel, o que leva um homem casado, pai de família, com uma vida constituída, a procurar mulheres na rua? Mulheres que eu digo podem ser garotas de programa, ou até mesmo amantes. Por que, mesmo tendo sexo em casa, carinho, ainda assim procuram os braços de outras mulheres? Seria desvio de caracter ou só sexo mesmo? Letícia, Niterói, RJ
Raquel –
Os homens conseguem separar sexo de amor com uma facilidade incrível. Para eles, o fato de fazer sexo com outra mulher não é considerado traição, pois não há o envolvimento, só vontade carnal. Muitos buscam uma garota de programa para realizar alguma fantasia que eles não têm coragem de pedir para a esposa, pois têm medo da reação dela. Por exemplo, fui várias vezes "Bruno", fazendo então a inversão de papéis. Há muitos homens que têm curiosidade e querem ser penetrados, mas jamais pediriam isto à própria mulher. E eu concordo que, se pedissem à elas, a maioria não aceitaria fazer. Muitos também querem coisas simples que não recebem da parceira, pois não são todas as mulheres que gostam de fazer sexo anal e oral… Ou melhor, que gostam de fazer sexo.

O que você acha sobre a legalização da profissão garota de programa no Brasil levando-se em consideração que esse movimento traria direitos/deveres para os envolvidos, mas também levaria a uma maior popularização das atividades, estimulando, talvez, a difusão do turismo do sexo no país? Beatriz, São Bernardo do Campo, SP
Raquel –
A legalização é um assunto delicado porque há prós e contras. Entre todas as garotas de programa que conheci, poucas diziam ser a favor disso, pois não gostariam de ter o registro na carteira de trabalho, já que a maioria tem a prostituição como o maior segredo de sua vida. Particularmente, acredito que a legalização seria muito bom, pois se a prostituição é uma das profissões mais antigas, por que não torná-la uma profissão reconhecida? A exploração diminuiria e as prostitutas seriam mais respeitadas.

Você acha que a atriz Deborah Secco foi a melhor opção para interpretá-la neste filme? Marcio Ferreira Vieira, Niterói, RJ
Raquel –
Quando os testes para o elenco começaram, eu tinha alguns nomes de atrizes em mente, incluindo a Deborah. Quando a vi pela primeira vez me interpretando no set de gravação, já tive certeza que a escolha do diretor por ela foi a melhor possível. Não consigo imaginar outra atriz no meu papel.

Qual foi a sua avaliação da atuação da atriz Debora Secco no filme? Você se sentiu identificada com a personagem criada pela atriz? Chegaram a conversar para trocar impressões? Maria Terezinha Santellano, Alegre, RS
Raquel –
Nós nos conhecemos apenas quando as gravações já haviam começado. Tanto ela quanto o diretor não queriam que a Bruna do filme fosse uma caricatura minha. A Deborah então quis criar a Bruna dela antes de me conhecer pessoalmente. Mesmo assim, eu consigo me ver do início ao fim do filme. Todas as minhas amigas já assistiram o filme e comentaram isso também.

Raquel, quando seu livro saiu, eu e meu marido estávamos passando por um período em que o sexo tinha ficado em segundo plano. Como gosto muito de ler, li o seu livro e mudei o meu pensamento. Afinal, eu era esposa e não irmã de meu marido, e meu casamento mudou para melhor. Você tem consciência do que o seu livro pode causar na vida de um casal? Silvania Costa, Pará de Minas, MG
Raquel –
Não tenho consciência do que meu livro pode causar na vida de um casal, mas fico feliz por saber que, assim como aconteceu com você, consegui salvar muitos casamentos, mesmo que de uma maneira indireta.

Gostaria de saber se você tem noção da celebridade que se tornou, e o quanto você significa para uma legião de fãs espalhados pelo Brasil. Isso te assusta? O que diria para as pessoas que te têm como ídola? Douglas Buzzerio, Piracicaba, SP
Raquel –
Ainda me assusto com a repercussão que causo e com a quantidade de fãs que tenho. Quando resolvi me expor na mídia, jurava que em menos de seis meses cairia no esquecimento e não pensei na possibilidade de ter fãs. Até hoje não me sinto celebridade, não fiquei deslumbrada com a fama, tenho os pés no chão. Ainda acredito que cairei no esquecimento a qualquer momento. Mas tenho um carinho muito grande pelos meus fãs, faço o possível para retribuir a atenção, mesmo que virtualmente, e espero não decepcioná-los.

Imagino que, por ter se tornado uma pessoa pública e por todo mundo conhecer sua história, você sofra algum tipo de preconceito, comentários maldosos, tratamento moralista. Gostaria de saber como você lida com essas coisas no dia a dia – na padaria, no cabeleireiro, na rua etc. Marina Meirelles, São Paulo, SP
Raquel –
Se eu me importasse com críticas ruins, não teria saído do anonimato, pois quando decidi dar a cara à tapa, estava preparada para ser apenas criticada. Até hoje as críticas acontecem de maneira virtual, pois as pessoas que têm tempo para criticar a vida alheia, mais do que desocupadas, são covardes. Ninguém teve coragem de me criticar olhando em meus olhos, apenas longe de mim. Mesmo assim, assumo que no início da minha exposição chorei algumas vezes ao ler comentários bem pesados, mas logo aprendi que ninguém perde tempo com aquilo que diz não gostar. Hoje encaro muito bem isso, as críticas me mostram também que quem me conhece, não me esquece. Elas geram polêmica e ajudam a manter meu nome em evidência.

Por que escolheu entrar no submundo da prostituição? Você se arrepende de ter vendido o seu corpo? O que você aconselharia às pessoas sobre sua vida? Como você lida com a imagem da Bruna dentro de sua verdadeira identidade de Raquel? Há conflitossobre o seu passado? Você é feliz ? Você gosta de viver um "personagem"? Quando o "personagem" sai de cena, o que resta na vida de Raquel ? Pio Barbosa Neto, Fortaleza, CE
Raquel –
Sei separar muito bem as duas. Em uma época, pensei em abandonar meu pseudônimo assim que parasse de fazer programas. Mas, assim que parei, em menos de um mês, meu primeiro livro foi publicado e tornou-se um sucesso. Percebi então que não faria sentido abandonar o nome pelo qual fiquei conhecida. Mesmo assim, no segundo livro, quis arriscar e assinar como Raquel, mas aconteceu justamente o que imaginava: muitas pessoas começaram a achar que Raquel era alguém que estava aproveitando o sucesso da Bruna. O problema é que, ao contrário de mim, há muitas pessoas que não conseguem separar as duas. Nunca tive a Bruna exatamente como uma personagem, pois em nenhum momento deixei a Raquel completamente de lado. Tenho a Bruna como minha criatura. Sou muito bem resolvida com o meu passado, mesmo pagando algumas consequências ainda. Quanto a ser feliz, é muito relativo, pois a visão que tenho sobre felicidade é muito complexa, é algo que não podemos parar de buscar, mas a verdade é que nunca estaremos satisfeitos com nossa própria vida, sempre estará faltando algo, pois é impossível termos tudo o que queremos. A vida é feita de escolhas. Não gosto da pergunta com o verbo ser, mas com o estar. Prefiro perguntar e responder: "Você está feliz?". E hoje eu posso responder que sim, estou muito feliz!

Sociedade – NOTÍCIAS – Raquel Pacheco: "Reconheço todos os meus erros"

26/02/2011

Quem disse que Dilma fala pouco?

Filed under: PIG — Gilmar Crestani @ 5:23 pm
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Aquela que o pig batizou de “poste” botou a boca no trombone.  E depois ainda disseram que Dilma, sim, era discreta. Ficava trancada trabalhando enquanto Lula saia por aí deitando falação. Poste sim, mas com alto falante pendurado. Eis aí um bom motivo para os amores destilados pelo PIG a velha guerrilheira…

Quem disse que Dilma fala pouco? O PIG!

Em seus primeiros 55 dias de mandato, a presidenta falou 38% a mais que Lula, o governante que foi criticado por discursar demais

Ricardo Mendonça

Foram raras as análises sobre as primeiras semanas do novo governo que deixaram de destacar a “discrição”, o “comedimento” e o “recato” da presidenta Dilma Rousseff em relação ao antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, ambos do PT. Muitos críticos consideraram um alívio o fim do mandato de um presidente que não saía do palanque e parecia estar constantemente em campanha, falando e palpitando publicamente muito mais do que seria desejável e apropriado para um presidente da República. Por sua moderação nas aparições públicas, Dilma passou a ganhar elogios justamente por falar menos que o ex-presidente.

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Com quase 80% de popularidade, fortemente engajado na última campanha presidencial e com uma oferta jamais vista antes de câmeras, microfones e gravadores à disposição, Lula provavelmente foi o governante que mais discursou no período final de mandato desde a proclamação da República, em 1889. No segundo semestre de 2010, era comum a ocorrência de dois ou três pronunciamentos por dia. Em 14 de outubro, uma quinta-feira, Lula chegou a fazer seis discursos seguidos para plateias distintas, possivelmente um recorde para o intervalo de 24 horas.

Um levantamento estatístico sobre as falas públicas de Lula e Dilma nos primeiros 55 dias de governo de cada um, porém, mostra um Lula menos palavroso e uma Dilma mais loquaz. Da posse até a semana passada, quem falou mais, na comparação direta, foi Dilma. E sua vantagem não pode ser considerada pequena. Em quantidade de palavras, ela falou exatamente 38% a mais que o Lula do início de 2003. Em números absolutos, bateu o antecessor com uma vantagem de 10.684 vocábulos.

Esse tipo de levantamento só pode ser feito com esse grau de precisão porque a Secretaria de Imprensa da Presidência divulga em seu site as transcrições de todas as intervenções públicas do ocupante do cargo máximo da nação desde o dia 1º de janeiro de 2003, data da posse de Lula. A conta que hoje dá vantagem a Dilma leva em consideração os discursos lidos e improvisados, pronunciamentos em rede de TV, entrevistas concedidas à imprensa e ao programa de rádio Café com o presidente, agora rebatizado como Café com a presidenta.

Entre a posse e o dia 24 de fevereiro de 2003, Lula fez 17 discursos, deu apenas uma entrevista (uma rápida coletiva ao lado do então presidente da França, Jacques Chirac) e não participou de nenhum programa oficial de rádio (o Café com o presidente só foi criado no fim de 2003). No intervalo equivalente, Dilma fez 16 discursos, mas concedeu seis entrevistas e participou de três Cafés com a presidenta. Mesmo sem os programas de rádio, ela continuaria na frente de Lula, com 8.750 palavras de vantagem.

Se Dilma fala mais que Lula, como surgiu a impressão de uma presidenta calada no Planalto? Para o cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a quem foram apresentados os resultados desse levantamento, a explicação pode estar no conteúdo das falas de cada um. “É possível que a retórica do Lula tenha muito mais impacto midiático que a retórica da Dilma”, diz. “É surpreendente notar que ela discursou mais, mas repare que ela não dá declarações polêmicas, não faz provocações.”

Outra hipótese de Maluf diz respeito ao tamanho simbólico de cada personagem. “Goste-se ou não da figura política, todos são obrigados a admitir que Lula tem uma tremenda história. Ele fundou o PT, perdeu três eleições antes de chegar lá, sempre liderou a oposição. Então é possível que as falas de Lula tenham sido muito mais reproduzidas, repercutidas e analisadas que as falas de Dilma, mesmo as não polêmicas. Parece natural que Lula tenha gerado mais expectativa.”

A medição aritmética dos discursos de Lula e Dilma também permite comparar a frequência de uso de determinados termos nos discursos de cada um. Com isso, é possível identificar diferenças de estilo, expressões que marcam o momento histórico e até mudanças de prioridades. Um dos casos mais evidentes ocorre com a palavra “fome”, muito repetida no discurso de Lula. Levando em consideração a expressão “Fome Zero”, programa de segurança alimentar que recebeu enorme ênfase em 2003, Lula citou esse vocábulo 117 vezes em seus primeiros 55 dias de governo, enquanto Dilma, até agora, só usou “fome” em seis ocasiões. A presidenta, em compensação, vence Lula com folga no uso da palavra “miséria”: 27 a 12.

Há casos de palavras usadas com regularidade por Lula que até agora não apareceram na boca de Dilma – pelo menos nos pronunciamentos oficiais. Desde a posse, ela não fez nenhuma referência à “reforma agrária” ou ao “PT”. O discurso de Lula também era recheado de citações a Deus, com expressões como “graças a Deus” ou “se Deus quiser”. Com Dilma, isso diminuiu.

No sentido inverso, a presidenta recorre mais a “educação”, “saúde”, “saneamento” e “direitos humanos”. A palavra “crack”, repetida 12 vezes por ela, não foi citada nenhuma vez por Lula. Como era de esperar, “mulher” e “mulheres” são mais frequentes agora. E ela também vence Lula no uso de expressões que remetem à ideia de avanço econômico, como “crescimento” e “energia”. O PAC, que não existia em 2003, já apareceu 35 vezes.

Para o cientista político Marcus Figueiredo, as substituições de palavras nos discursos oficiais têm forte relação com a conjuntura política vivida por cada um. “O discurso da fome está superado porque o Bolsa Família resolveu bastante esse problema”, diz. “O mesmo ocorre com a reforma agrária, que era um foco bem mais forte de conflitos nos anos 1990 e início dos anos 2000, mas, de certa forma, foi encaminhada ao longo do governo Lula.”

Em algumas situações, nem a conjuntura ajuda. É o que ocorre com a palavra “meio ambiente”, por exemplo. É difícil imaginar outro tema que tenha conquistado tanto espaço ao longo da última década. Mas nem isso parece ter sido suficiente para que o tema entrasse com força no discurso oficial. Lula falou “meio ambiente” apenas duas vezes no início de seu mandato. Dilma fez três citações. Testes com “Amazônia”, “natureza” ou com a palavra “sustentável” dão resultados parecidos. “Esse é um caso típico de agenda governamental”, diz Figueiredo. “O que aparece no discurso do governante é a agenda do governante, não necessariamente a agenda da sociedade.”

Algumas mudanças são curiosas. Na transição Lula-Dilma, o empresário José Alencar deixou de ser vice-presidente da República, mas agora, vítima do câncer, passou a ser mais lembrado e homenageado nos discursos oficiais. Dilma o citou 16 vezes, seis a mais que Lula. Outra mudança curiosa ocorre com as expressões de tratamento. A palavra “companheiro” e sua variante de gênero, bordão tradicional dos petistas, eram repetidas à exaustão por Lula. Dilma não abandonou o termo, mas tem preferido chamar os outros de “querido” ou “querida”.

Apesar de ter falado mais que Lula no início do mandato, seria exagero dizer que Dilma discursa em demasia. Para o cientista político Fernando Abrucio, colunista de ÉPOCA, a comparação direta só favorece a presidenta hoje porque Lula, no início de 2003, falava muito menos que o necessário. “Ele era criticado por não dar entrevista, lembra? Depois, em 2010, mudou completamente e passou a ser criticado pelo excesso.” Abrucio afirma que em momentos de ajuste fiscal, como o atual, é natural que o governante fale pouco. “Quando Dilma começar a colher resultados de suas políticas, certamente vai falar mais do que fala hoje”, diz. Se a frequência de seus discursos aumentar na mesma proporção do padrão Lula, ela ainda corre o risco de virar a tagarela do Planalto.

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