Ficha Corrida

24/11/2011

Caso Chevron obriga Brasil a pensar como potência

Filed under: Chevron,Texaco — Gilmar Crestani @ 9:37 am
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Apesar de o Brasil ter razões óbvias para estar aborrecido com a petroleira americana Chevron, o vazamento que a cada vez mais evidente imperícia da empresa causou motiva reflexão sobre quanto o país progrediu, pois o episódio insinua superioridade técnica e financeira da Petrobrás e revela postura soberana das instituições brasileiras em relação a uma poderosa transnacional que há uma década talvez nem fosse incomodada.

De acordo com o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, a Chevron está sendo punida devido à falta de equipamento adequado para estancar o vazamento, tendo sido obrigada a pedi-lo emprestado à Petrobrás, e por esconder informações, o que, mais do que desrespeito pelas leis brasileiras, pode ter relação com problemas econômicos que afetam o país-sede da empresa, sem falar em sua incapacidade técnica e falta de transparência.

Mas não é só isso. Vai ficando cada vez mais claro que chegou o momento de o Brasil começar a agir como potência não só do ponto de vista econômico, mas, também, do ponto de vista estratégico, pois lhe faltam os meios de patrulhar as suas cobiçadas águas territoriais e isso tira do país as condições de fazer valer a sua soberania por meios não-diplomáticos, o que toda grande nação precisa ter como fazer, se for o caso.

Recentemente, a imprensa noticiou o progressivo sucateamento do poderio bélico do país, se é que se pode chamá-lo assim. A defesa do território nacional seco também está ameaçada pela incapacidade da Força Aérea Brasileira de patrulhar e até de chegar rapidamente a eventuais zonas de conflito fronteiriças devido à obsolescência de suas aeronaves de caça. Enquanto isso, a compra das novas aeronaves empaca sem que se tenha notícia de quando será efetuada.

Nesse aspecto, a politização do assunto compra de novos caças pela imprensa, ano passado, terminou por fazer o governo congelar as tratativas. Devido à mesma imprensa querer determinar de que nacionalidade seriam as armas – que, obviamente, queria que fossem as fabricadas pelos Estados Unidos – o governo retrocedeu e a situação de fragilidade estratégico-militar foi se agravando.

O país tem recursos para se armar. É, atualmente, um dos mais desarmados da América Latina apesar de seus recursos financeiros serem muito maiores do que os de seus vizinhos. E é a política que o mantém inferiorizado belicamente, o que lhe retira também as condições estratégico-militares de seguir pleiteando o tão ambicionado assento definitivo no Conselho de Segurança da ONU.

Está faltando coragem ao governo de pôr o tema em pauta.

O episódio Chevron mostrou a importância e o peso do Brasil hoje no mundo. A poderosa transnacional foi devidamente enquadrada, teve suas atividades suspensas e, preocupada, manifestou-se no sentido de se submeter plenamente às determinações e demandas nacionais. O mundo leva o Brasil cada vez mais a sério, entende cada vez mais a sua importância. É preciso que o país também se leve a sério.

Caso Chevron obriga Brasil a pensar como potência | Blog da Cidadania

23/11/2011

Quando isenção é tomar partido

Filed under: A$$oCIAdos,Lei de Médios,PIG,Rede Globo de Corrupção — Gilmar Crestani @ 9:22 am
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Se jornalistas insultarem e caluniarem políticos sem prova alguma for sinônimo de liberdade de imprensa, o Brasil deve ser a pátria do jornalismo livre. Isso porque na imprensa brasileira o que mais se vê são colunistas furiosos com políticos acusados de corrupção aos quais chegam a tratar como condenados em última instância.

Aliás, vale lembrar que nem sendo inocentados pela Justiça os políticos dos quais a mídia não gosta passam a ser tratados como inocentes, sendo considerados culpados mesmo após a absolvição. José Dirceu, por exemplo, já foi inocentado de algumas acusações e a imprensa publicou as decisões da Justiça em pés de página, sem o destaque dado à acusação.

Todavia, caso recente ilustra bem como essa indignação do colunismo pátrio não passa de politicagem rasteira, verdadeira “pistolagem” contratada por certos políticos para atacarem seus adversários. O caso em tela é o do escândalo de centenas de milhões de reais envolvendo a construção da linha 5 do metrô de São Paulo.

O valor da roubalheira: R$ 300 milhões.

Porém, o assunto não causa a esses colunistas uma fração sequer da indignação que o ministro do Trabalho – só para ficarmos no alvo mais recente – vem lhes causando sob a acusação de ter voado em um jatinho supostamente providenciado pelo presidente de uma ONG acusada de corrupção.

Apesar de a decisão da Justiça de determinar a demissão do presidente do metrô paulistano ter derivado de uma iniciativa do jornal Folha de São Paulo, o assunto está sendo tratado por aquele jornal e pelo resto da mídia de uma forma inexplicavelmente discreta, respeitando o fato de que, até agora, não se pode condenar ninguém definitivamente.

Contudo, esses mesmos colunistas usam contra ministros de Dilma, por exemplo, linguagem que constrangeria qualquer torcida organizada de futebol e os tratam como condenados. Meras evidências são tratadas como provas. A simples abertura do processo judicial é tratada como condenação.

Quando um escândalo envolve tucanos e aliados, porém, esses mesmos colunistas não fazem nem mesmo análises. Fogem do assunto, ainda que alguns poucos, como Reinaldo Azevedo, da Veja, saiam em defesa dos seus protegidos.

Se o escândalo é tucano não há manchetes garrafais nas primeiras páginas, o Jornal Nacional se omite e colunistas se furtam até a analisar declarações saborosas como a de Geraldo Alckmin, que atribuiu ao antecessor José Serra a responsabilidade pelo caso do metrô ao dizer que está “à vontade” porque não era o governador quando o contrato da linha 5 foi assinado com as empreiteiras.

Esse escândalo deve submergir na mídia logo mais, assim como o das emendas parlamentares na Assembléia Legislativa de São Paulo, emendas que investigações insinuam que vêm sendo usadas pelo governo do Estado para subornar parlamentares, o que enquadra o caso no conceito midiático de “mensalão”.

Colunistas raivosos como Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Eliane Cantanhêde, Ricardo Noblat, Dora Kramer e tantos outros se tornam verdadeiros gatinhos diante da corrupção em governos tucanos como o de São Paulo, de Minas Gerais ou em qualquer outro governo estadual ou municipal administrado por partidos de oposição ao governo federal.

E o que mais espanta é que escândalos como o do metrô ou o das emendas não apenas envolvem cifras infinitamente mais altas do que as envolvidas nas acusações fracas contra um ministro como Carlos Lupi, mas também encerram indícios muito mais consistentes de envolvimento do Poder Executivo.

Ainda assim, esses colunistas mal tocam no assunto.

É lícito concluir, portanto, que veículos como Globo, Folha, Estadão ou Veja, só para ficarmos nos mais descarados, não combatem a corrupção, mas a alimentam, pois criam uma casta de corruptos com licença para roubar enquanto fustigam seus adversários políticos.

Este blog vem dando combate a essa anomalia já vai para quase sete anos. As hordas de internautas contratadas pela grande mídia e pelo PSDB para fustigar seus críticos na internet acusam o autor desta página de estar a serviço do PT, mas jamais conseguiram um só elemento que o ligue a políticos. E não foi por falta de procurarem.

Jamais encontrarão ligação alguma. Até forjá-la é difícil porque este blogueiro não se encontra com políticos, não telefona para políticos, não envia e-mails a políticos, não bajula políticos nas redes sociais… Enfim, este blogueiro sempre manteve distância da classe política e, sobretudo, do Estado e do dinheiro público.

Não que seja ilegal, imoral ou questionável ter proximidade com a classe política. Apenas não há interesse deste blog e de seu autor nesse tipo de relação. Por isso, podem continuar procurando porque jamais encontrarão algo que lhes permita fazer as suas famosas suposições acusatórias.

A grande verdade é que gostaria muito de poder fazer um trabalho mais isento, aqui. Gostaria de poder criticar os dois lados, pois tanto petistas quanto tucanos têm o que ser criticado. Todavia, se toda a grande imprensa fustiga um lado e acoberta o outro isso é anormal, é antirrepublicano e até criminoso.

Enquanto tivermos uma imprensa que se alia a alguns corruptos e com eles combate corruptos adversários, unir-se a ela em seu discurso maniqueísta, desonesto, mistificador, parcial e mentiroso equivale a ser tão corrupto quanto aqueles que ela denúncia de forma seletiva e que, às vezes, são acusados injustamente.

Os escândalos do metrô ou das emendas parlamentares em São Paulo ainda provam que há corrupção em qualquer administração pública e que a cobertura jornalística tem sido até correta, em alguma medida, pois não faz condenações prévias ou escandalizações, ainda que alguns digam que o Judiciário paulista é tucano e, portanto, precisa ser pressionado pela imprensa.

Em países como a França, por exemplo, a imprensa não poderia noticiar um escândalo como esse do metrô antes de uma decisão judicial. Todavia, não podemos nos esquecer de que a justiça francesa não é como a nossa, que a legislação francesa não propicia impunidade, o que torna a ação da imprensa daqui vital para pressionar o Judiciário a não se omitir ou até acobertar.

O que se quer, então? Que a imprensa não trabalhe para substituir um corrupto por outro no poder, para então acobertar os corruptos amigos.

O país que você quer, leitor honesto e apartidário que só busca a verdade, é um país em que todos sejam tratados pela lei e até pela imprensa como se fossem a mesma pessoa, seja para acusar na hora certa ou para não acusar antes da hora.

Enquanto um partido for tratado com dureza desproporcional e o outro com leniência irresponsável, todos estarão ameaçados, mesmo aqueles que estiverem do lado beneficiado, pois nunca saberão se em algum momento aquele benefício que recebem poderá mudar de lado, deixando-os na posição em que estão seus adversários hoje.

Um país civilizado é um país justo. País justo é aquele que não trata cidadãos, partidos, empresas, instituições, seja lá o que for com base em idiossincrasias políticas ou ideológicas ou interesses econômicos.

Contudo, vejo muita gente agir como se pertencesse ao estrato social e político que a imprensa e a Justiça beneficiam ao endossarem e apoiarem injustiças como as que este texto relata. É espantoso, porque essas pessoas só perceberão que estão de fora da festa no dia em que a parcialidade das instituições as atingir.

Não é porque você ganha vinte mil reais por mês, tem carros novos na garagem, um apartamento em um bairro “nobre” e uma casa na praia que faz parte dessa casta que está acima da lei e das próprias instituições. Você que apóia o que a imprensa faz, muitas vezes a troco de um pagamento irrisório para quem paga, saiba que um dia poderá estar do outro lado.

Viu a reação de Alckmin à decisão da Justiça que desfavoreceu seu governo, leitor? Fez pouco e já fala como se reverter a decisão que o manda demitir o presidente do metrô estivesse no papo. Cadê os colunistas que se indignaram com o ministro do Esporte apenas por ter sido indiciado ou com os indiciados no inquérito do “mensalão”, como se todos tivessem culpa provada?

Sumiram.

É injustiça da imprensa, é injustiça da Justiça, é injustiça dessa parte considerável da opinião publica (ou publicada) quando todos tratam casos semelhantes com tanta diferença. E essa diferença ainda pode pegá-lo, leitor injusto, pois, como dizia o Barão de Montesquieu, “Injustiça que se faz a um é ameaça que se faz a todos”.

Quando isenção é tomar partido | Blog da Cidadania

14/11/2011

A ‘Disneylandia’ do filho de FHC

Filed under: FHC,Isto é PSDB!,Paulo Henrique Cardoso — Gilmar Crestani @ 11:27 am
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Post publicado, originalmente, em 31 de julho de 2011 às 12:57

Este post foi publicado em 31 de julho deste ano e fez uma denúncia que hoje, 14 de novembro, vem à tona no jornal Folha de São Paulo, mas só após o governo ter aberto investigação sobre a esquisita sociedade do filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Paulo Henrique Cardoso, com o grupo Disney.

Abaixo, a matéria que saiu hoje na Folha e, em seguida, o post que este blog publicou em 31 de julho e que foi a primeira matéria jornalística a fazer a denúncia.

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FOLHA DE SÃO PAULO

Governo apura sociedade de filho de FHC na rádio Disney

14 de novembro de 2011

Ministro diz ter recebido informação de que grupo dos EUA comanda emissora
Paulo Henrique Cardoso não quis comentar o assunto, e o grupo americano afirma que o responsável é brasileiro

ELVIRA LOBATO
DO RIO

O Ministério das Comunicações investiga se o grupo americano Disney ABC -um dos maiores conglomerados de entretenimento do mundo- controla ilegalmente a rádio Itapema FM, de São Paulo, que usa o nome fantasia de “Rádio Disney”.

A emissora pertence a Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, em sociedade com a Disney. Oficialmente, Paulo tem 71% da emissora, e a Disney estaria dentro do limite de 30% de participação estrangeira permitido pela Constituição.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que o envolvimento do filho do ex-presidente não influenciou na investigação.

Procurado pela Folha, Paulo Henrique não quis dar entrevista, e delegou à Disney esclarecer sobre a gestão. O grupo disse que o comando da emissora é nacional.

Fundada em 1923, a Disney é dona da rede de TV aberta dos EUA ABC, de 72 estações de rádio, além de estúdios, gravadoras, produtoras, parques e canais pagos.

Pela legislação brasileira, o controle do capital das rádios tem de ser nacional, e a programação tem de ser comandada por brasileiros.

O ministério quer apurar se americanos têm ingerência sobre programação e operação da emissora, que funciona no prédio da Disney, e não no local informado à pasta.

A programação inclui música pop jovem, como Luan Santana e Justin Bieber.

Dois executivos da Disney no Brasil -o diretor financeiro Richard Javier Leon, americano, e o diretor-geral Miguel Angel Vives Vives, mexicano- têm procuração para autorizar empréstimos, emitir cheques e vender bens da emissora, o que denotaria poder de gestão.

Segundo Bernardo, procurações semelhantes têm sido usadas como artifício para transferir a gestão de emissoras a empresas ou pessoas que não podem ou não querem aparecer como controladoras. Ele disse que levará o caso ao Ministério Público.

Até 2007, a Rádio Itapema foi de Orestes Quércia (governador de SP morto em 2010), que ganhou a concessão no governo Sarney (1985-1990).

Ele negociou a emissora com o grupo RBS, que revendeu 71% à Rádio Holding e 29% à Walt Disney Company (Brasil). Paulo Henrique tem 99% da Rádio Holding. O 1% restante é do grupo Disney.

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Post publicado neste blog em 31 de julho de 2011

A perseguição da mídia a Lula e à sua família não terminou depois que ele deixou o poder. Desde a semana seguinte à posse de Dilma Rousseff, em janeiro, que os ataques ao ex-presidente miram todo e qualquer aspecto de sua vida particular – desde os valores que cobra para dar conferências (como faz seu antecessor Fernando Henrique Cardoso desde que deixou o poder) até as atividades privadas de seus familiares.

Essa perseguição obstinada, irrefreável e interminável acaba de ganhar mais um capítulo. Neste domingo, o jornal Folha de São Paulo expõe uma neta do ex-presidente-operário, Bia Lula, de 16 anos, que integra o elenco de uma peça de teatro que recebeu financiamento de 300 mil reais da operadora de telefonia OI. A matéria insinua que o financiamento só ocorreu devido à influência de Lula.

Este post, porém, não pretende questionar a função fiscalizadora da imprensa nas democracias e, sim, a seletividade nessa fiscalização. Não é ruim que a imprensa fiscalize a vida privada dos políticos desde que não faça isso em benefício de outros políticos, tornando-se partícipe do jogo político-partidário, o que lhe retira a credibilidade, razão pela qual esses conglomerados de mídia negam até a morte que têm qualquer preferência política.

Mas o que explica, então, que as atividades privadas dos filhos de um ex-presidente de determinado partido sejam devassadas dessa forma – não poupando nem uma garota de 16 anos ao lhe reproduzir a foto em uma matéria em que, ao fim e ao cabo, chama seu avô de ladrão (nas entrelinhas) – enquanto não acontece o mesmo com os negócios para lá de esquisitos do filho de FHC Paulo Henrique Cardoso, por exemplo?

Fico imaginando o que teria acontecido se Lula tivesse feito em relação ao seu filho o que fez o antecessor em relação ao dele, enquanto ambos  governavam…

Em 1996, Paulo Henrique Cardoso era casado com a filha do dono do Banco Nacional, cuja falência foi evitada por medida provisória editada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Aquela medida tornou possível a venda de parte boa do Banco Nacional para o Unibanco. A parte podre — de seis bilhões de dólares — ficou para o governo pagar. Este blogueiro se cansou de ler editoriais do Estadão defendendo a negociata.

Em 2000, dois anos antes de deixar o poder, FHC autorizou financiamento do seu governo à empresa do próprio filho, Paulo Henrique Cardoso, para montar o pavilhão brasileiro na Expo 2000 na Alemanha, na cidade de Hannover. Foram doados pelo governo federal, então, 14 milhões de reais. O Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal chiaram, inclusive. A imprensa, porém, deu algumas raras reportagens sobre o caso e nunca mais tocou no assunto, sobretudo depois que FHC deixou o poder.

A boa e velha hipocrisia da mídia dirá que tudo isso aconteceu faz tempo e tentará convencer os incautos de que naquela época foi feito um barulho sequer parecido com o que se faz hoje sob meras especulações e não sob fatos concretos como aqueles que pesavam sobre o filho do ex-presidente tucano. Contra Fábio Luís Lula da Silva, por exemplo, afirmam que financiamento da OI à empresa dele seria escandaloso. Mas alguém viu algum jornalista chamar de escandalosos os fatos sobre o filho de FHC?

E o pior é que PHC continua se metendo em negócios estranhos, para dizer o mínimo. A mídia deveria ter curiosidade sobre seus negócios porque seu pai é o líder máximo do maior partido de oposição, partido que controla governos estaduais poderosos como os de São Paulo (o mais rico do país) e Minas Gerais, sem falar da ascendência do ex-presidente sobre a grande mídia, o que faz dele político a ser agradado por empresas privadas.

Veja só, leitor, o negócio fechado no fim do ano passado pelo filho de um dos políticos mais poderosos e influentes do Brasil, um negócio sobre o qual a grande mídia não especulou nada, não quis saber nada e não publicou nada. Em 29 de novembro do ano passado a Rádio Disney estreou oficialmente no Brasil na frequência FM 91,3 MHz de São Paulo. A emissora foi negociada no começo do ano, quando a Walt Disney Company se uniu à Rádio Holding Ltda. e comprou a concessão. A Holding pertence a Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e detém 71% do negócio.

Walt Disney Company é um dos maiores grupos de mídia dos Estados Unidos e esse será o seu maior investimento no Brasil. Teve que se associar minoritariamente ao filho de FHC porque a legislação brasileira não permite que empresas estrangeiras controlem veículos de comunicação. Por isso precisa de um brasileiro…

O filho de Lula, dito “Lulinha” pela mídia, recebeu acusações explícitas e incessantes por receber financiamento de uma grande empresa. Por que foi diferente com o filho de FHC? O caso deles é bastante parecido, ora. Ambos têm sócios poderosos em empresas de comunicação – “Lulinha” produz conteúdo para uma televisão UHF e Paulo Henrique é sócio de um tubarão internacional numa rádio.

É injusto dizer que há irregularidades nesses negócios de familiares dos ex-presidentes. Para expor as famílias da forma como a Folha fez com a neta de Lula, deveria haver mais do que especulações. Tanto para a família do ex-presidente petista quanto para a do tucano. Os valores que eles cobram pelas palestras, idem. Mas se a mídia quer investigar, que faça com todos os políticos e não só com aqueles dos quais não gosta.

A ‘Disneylandia’ do filho de FHC | Blog da Cidadania

13/11/2011

Colunismo de insulto como o da Veja é uma invenção americana

Filed under: Grupos Mafiomidiáticos,Irving Kristol,Neocon — Gilmar Crestani @ 11:38 am
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“Canalha”, “sem-vergonha”, “farsante”, “vagabundo”, “ladrão”… Não, aqui não se irá aludir a um “barraco” qualquer em uma feira, a uma briga de torcidas em um estádio de futebol ou a algum chilique de algum proxeneta em algum prostíbulo, mas a um estilo pretensamente jornalístico de “comentários políticos” que se tornou regra na grande imprensa brasileira ao lado do que ela publica como noticiário “isento”, que, no mais das vezes, não passa de mais opinião, só que disfarçada.

Isso que pretendem que seja jornalismo só funcionou por aqui porque foi criado por “lá”, ou seja, nos Estados Unidos, país que influenciou decisivamente a edificação de um modelo político-institucional brasileiro no qual um sistema de determinados “contrapesos” torna os governos politicamente frágeis sob a “garantia” de que não podem ter muito poder porque estariam permanentemente tentados a cometer excessos.

O criador desse estilo que faz hoje a cabeça do colunismo brasileiro foi o americano Irving Kristol, nascido em Nova Iorque em 1920 e falecido em Falls Church em 2009. Foi escritor, jornalista e intelectual. Entrou para história como “padrinho do neoconservadorismo”, um movimento pseudo jornalístico que ganhou força nos Estados Unidos durante a segunda metade do século XX.

Em 1973, Michael Harrington, escritor americano então considerado a antítese de Kristol por ser socialista e ativista político, além de professor e comentarista de rádio, inventou o termo “neoconservadorismo” para descrever movimento de intelectuais de direita americanos que surgiu para combater posições do Partido Democrata consideradas por esse movimento como de viés “socialista”.  O “neoconservadorismo” pretendia ser uma “nova” forma de conservadorismo.

Pretendido por Harrington como termo pejorativo, o estilo “neocon” foi aceito por Kristol como uma boa descrição das idéias e políticas do movimento “jornalístico” que fundara e que se espalhou pelo Terceiro Mundo latino-americano, eternamente propenso a imitar a potência hegemônica. Assim, os “neoconservadores” adotaram o epíteto.

Um dos primeiros fac-símiles de Kristol no Brasil foi o histórico Paulo Francis, que deu origem a fac-símiles de si mesmo. Francis foi um ex-esquerdista que se dizia “convertido” à “luz da razão capitalista” e que manifestava suas opiniões políticas através de um estilo forte e irreverente, ainda que não usasse os termos chulos que, com o tempo, tornar-se-iam recorrentes no movimento “neocon” por “lá” e, consequentemente, depois também por aqui, e que costumam ser justificados por aqueles que os empregam como “indignação” diante da “corrupção”, a qual os “neocons” só enxergam nos adversários político-ideológicos.

Nos EUA, em meados da década passada, após intenso uso nas décadas anteriores o estilo “neoconservador” de colunismo político parecia condenado ao ostracismo devido ao senso comum que se formava de que aquilo não passava de uma tática para desmoralizar e desqualificar previamente os alvos dos ataques, que estavam sempre do mesmo lado. Ao fim da era George Walker Bush, o estilo “neocon”, que tanto o apoiara, com sua débâcle política e com as consequências desastrosas de seu governo começou a perder força.

Com a chegada do democrata Barack Obama à presidência dos Estados unidos em 2009, um negro “socialista” que encantara o país e que parecia que o tiraria da rota suicida em que mergulhara ao eleger Bush Junior no início da década, a ultradireita começou a erigir um forte foco de resistência aos “liberais”, o Movimento Tea Party, que encontraria forte liderança na ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, ex-candidata a vice-presidente na chapa de John McCain.

O Tea Party (Partido do Chá) não é um partido político, como o nome sugere, mas um movimento político populista, conservador e de ultradireita. Surgiu em 2009 no âmbito de uma série de protestos convocados pelas alas mais radicais do Partido Republicano, por grandes empresários e por movimentos religiosos fundamentalistas em resposta a leis do governo Obama como a de reforma do sistema de saúde, que pretendia dar ao povo americano um sistema público de saúde até então inexistente.

Com o surgimento do Tea Party, o então decadente estilo “neocon” ganhou mais do que sobrevida, ganhou força e ousadia. Estimulado por colunistas e escritores “neocons” como Glenn Beck, uma das vozes do movimento de ultradireita na mídia, um radical acusado de pertencer àquele movimento atacou a tiros a deputada democrata Gabrielle Giffords, do Arizona, que sobreviveu.

O recrudescimento do colunismo de insulto nos Estados Unidos a partir de 2009 revigorou seu congênere brasileiro, no qual todos os seus praticantes se dizem ex-esquerdistas que viram “a luz” e que, nos casos mais graves, valem-se da mesma terminologia chula, do deboche e dos ataques pessoais até à sexualidade dos alvos, tendo como sustentáculo para os crimes contra a honra que praticam reiteradamente um exército de advogados dos grandes grupos de mídia a que servem e uma horda de “amigos” no Poder Judiciário.

Como nos Estados Unidos, os alvos dos colunistas “neoconservadores” nacionais, que nada mais são do que pistoleiros pagos regiamente para fustigar os alvos políticos com insultos e insinuações, estão no poder central. E, como por “lá”, submetem-se bovinamente aos ataques em nome da “liberdade de imprensa”, ainda que a teoria jornalística jamais tenha comportado o insulto como técnica ou recurso.

Obama vem sendo engolfado pelos “neocons”, ainda que o “trabalho” deles esteja sendo facilitado pelo estado de penúria da economia americana. O presidente perdeu maioria no legislativo e tem visto sua impopularidade bater recordes, o que constitui a única diferença (temporária?) entre a política americana e a brasileira, pois, por aqui, há vários movimentos que buscam emular o Tea Party. Quanto ao colunismo do insulto, esse anda a todo vapor.

A grande similaridade entre o governo  Obama e o governo Dilma Rousseff, assim, está no mutismo desses líderes diante dos ataques midiáticos da ultradireita. O Brasil entrou nessa após o fim do governo Lula, presidido por um líder que respondia aos ataques dos “neocons” e, assim, dava à sociedade um outro lado da história. Fazia isso graças ao “púlpito” que o cargo de presidente da República oferece naturalmente a seus ocupantes, o que obriga a grande mídia a repercutir suas reações.

Se em determinado dia a mídia acusava ou insultava o governo Lula, naquele mesmo dia o ex-presidente, em algum evento público, respondia na mesma moeda, acusando a mídia de partidarismo político e de sabotadora do país por estar em busca de recolocar seus políticos preferidos no poder. Sem esse contraponto, hoje o país convive apenas com as acusações, desqualificações e insultos até à própria Dilma, que colunistas como Augusto Nunes, da Veja, vivem chamando até de “farsante” e outros mimos.

O que separa a situação política de Dilma da  situação de Obama é apenas o que os americanos chamam de “feel god factor”, ou sensação de bem-estar da sociedade devido à boa situação da economia. Mas, do ponto de vista político-administrativo, o governo brasileiro se encontra em situação até pior. Nem em minoria no legislativo e com baixa popularidade Obama tem visto seu governo ser literalmente desmontado pelos ataques dos adversários como vem ocorrendo com Dilma.

Colunismo de insulto como o da Veja é uma invenção americana | Blog da Cidadania

11/11/2011

Grandes operações da PM de SP não são contra bandidos

É óbvio, né. Se fosse, a ALESP teria ido parar na delegacia… E Bruno estaria com dois pés nas Covas…

Nas primeiras horas da última terça-feira, um efetivo de 400 policiais militares de São Paulo usou 50 veículos, dois helicópteros e um pequeno exército de jornalistas apoiadores para prender cerca de 70 garotos e garotas magrelos que ocupavam a reitoria da USP armados com livros e cadernos de alto calibre. Foram quase seis policiais militares para cada estudante.

Armados com fuzis, escopetas, bombas e o que mais se puder imaginar em termos de armamento pesado, a operação em tela foi uma das maiores que a Polícia Militar de São Paulo empreendeu neste ano. Cada um dos parrudos policiais militares armados até os dentes que se envolveram naquela operação teria condições de render, agora sim, pelo menos seis manifestantes.

As raras grandes operações que a polícia militarizada de São Paulo faz no Estado são sempre contra cidadãos rebelados, sim, mas que não são bandidos. Quem buscar na internet alguma operação desse porte contra o crime organizado ou desorganizado só encontrará operações de reintegração de posse ou de repressão a manifestações de rua.

Enquanto polícia como a do Rio de Janeiro empreende ocupações de favelas trocando tiros com criminosos fortemente armados e de altíssima periculosidade, a polícia paulista só investe contra famílias para retirá-las de habitações precárias que se equilibram em terrenos de grandes empresas ou de multimilionários, ou então contra manifestações legítimas da sociedade civil.

Quando se fala em operações policiais de porte em São Paulo, vêm a mente as reintegrações de posse que colocam mulheres, crianças e velhos pobres com seus móveis, roupas e utensílios domésticos no meio da rua ou a repressão à Marcha da Maconha ou as manifestações de professores da rede estadual em reivindicação por salários decentes.

Diante da situação de escandalosa insegurança pública que vige em São Paulo, não se entende onde ficam esses imensos contingentes de policiais quando não estão espancando jovens magricelos e professores ou enxotando famílias de seus barracos insalubres.

Há regiões no Estado de São Paulo, sobretudo na capital, em que nenhum desses jornalistas que vivem garantindo que o Estado está cada vez mais seguro ousaria dar as caras. Tanto quanto a polícia. A Cracolândia, por exemplo, incrustada como uma chaga no centro velho da capital, escandaliza muito mais devido à dimensão do caos que vige ali.

Apesar de outras cidades brasileiras terem pontos de tráfico e de consumo de drogas, nenhum tem a dimensão e a ousadia da Cracolândia paulistana. São centenas e centenas de mortos-vivos convivendo com traficantes de drogas procurados. É um local em que morre gente em ações violentas o tempo todo e onde qualquer um que passe pelo local pode ser vitimado.

Nos bairros pobres, as portas das escolas públicas atraem o tráfico e gangues violentas. Mesmo nas regiões mais abastadas da cidade, a elite se vê acossada em cada semáforo, ainda que trancada em seus carrões. A avenida Paulista se tornou uma selva até mesmo durante o dia. Mas é de noite que o bicho pega.

Gangues atacam cidadãos por qualquer razão. Este blogueiro ficou meses dormindo em um hospital naquela avenida para acompanhar a filha doente. Pelo menos uma vez foi ameaçado por uma dessas gangues na porta daquele hospital, ao sair de madrugada para comprar cigarros – eram quatro rapazes que frearam bruscamente o carro e que ameaçaram agredir sem razão inteligível.

Esses exércitos de policiais, porém, só dão as caras, em São Paulo, para combater cidadãos reivindicando direitos ou que sofrem os efeitos da pobreza e da desigualdade. É nesse contexto que a operação de desocupação da reitoria da USP se torna surreal. É como se a polícia paulista não tivesse nada de mais importante para fazer.

Como cada brucutu daqueles que invadiram a USP daria conta de render pelo menos uma meia dúzia daqueles garotos que não ofereceram resistência alguma e que se encolheram ordenadamente no chão ou contra a parede, estima-se que dez por cento do efetivo policial deslocado para aquela operação teria sido mais do que suficiente.

Além disso, é grave a suspeita de que aquela meia dúzia de Coquetéis Molotov exibida para a imprensa pela polícia sob alegação de que foram encontrados com os estudantes pode ter sido plantada pela própria polícia de forma a justificar o tamanho desproporcional da operação. Até agora, a polícia não apontou de quem seriam os artefatos.

Houve um linchamento dos estudantes pela imprensa, sobretudo pela tevê aberta e pela imprensa escrita, que praticamente não deram voz aos amotinados. Nos telejornais, alguns segundos para os advogados deles e longos minutos para seus acusadores e detratores, que se somavam às opiniões dos apresentadores.

A sociedade paulista está anestesiada. O povo de São Paulo tem que investir sem parar em segurança e, assim mesmo, todos sabem que podem sofrer ações criminosas e violentas a qualquer momento. Contudo, essa população não se espanta com a exibição de força de uma polícia que nunca está por perto quando se faz necessária.

Assassinatos, latrocínios, estupros, ataques de gangues, roubos, furtos… Tudo que é crime só faz aumentar em São Paulo. As estatísticas anunciadas pela polícia, apesar de refletirem tal situação, sofrem acusações incessantes de manipulação.

Isso sem falar que o povo paulista, como o senso comum reconhece, costuma nem se dar ao trabalho de prestar queixa de ações criminosas. Parece pouco polêmico afirmar que, em São Paulo, os alvejados pelo crime sempre argumentam que dar queixa na polícia “não adianta nada”. Ou seja, então: as estatísticas mal refletem a realidade de insegurança no Estado.

Essas dondocas que andam promovendo reuniões para criticar os estudantes da USP, para elogiar a desproporcional ação da PM e para articular a tal “marcha contra a corrupção” que promete sair às ruas no próximo dia 15, mal sabem que, por sua estupidez, no próximo semáforo poderão ser alvo de algum garoto de dez anos enlouquecido pelo crack.

Grandes operações da PM de SP não são contra bandidos | Blog da Cidadania

09/11/2011

Enquanto PM brinca de ditadura na USP, bandidagem se esbalda

Filed under: Invasão da Reitoria da USP — Gilmar Crestani @ 10:05 am
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O elevador para em um dos andares inferiores enquanto desce para a garagem. A vizinha embarca de cabeça baixa, emite um bom dia quase inaudível e permanece de perfil para nós. Geralmente simpática, está equidistante. A patroa puxa papo. A mulher não tem como deixar de se voltar e responder. Aí entendemos a razão da esquiva.

Um Band-aid se estende espalhafatosamente pela face esquerda. Tina, espontânea como de costume, espanta-se e solta um gemido, ao que a cutuco pedindo discrição. A vizinha baixa os olhos e, inevitavelmente, fica constrangida. A curiosíssima e indiscreta companheira não deixa por menos:

– Meu Deus! Está tudo bem?

Cutuco de novo, em vão. A curiosidade da companheira é tão grande quanto o coração. Seu tom carinhoso e solidário, porém, solta a língua da vizinha.

– Aconteceu alguma coisa, querida? A gente pode ajudar?

– Eu… Fui assaltada ontem, no trânsito.

– Nossa! Mas onde? Te agrediram?

– Ali no fim da Frei Caneca, no semáforo. Comecei a chorar e ele me espetou com o canivete. Quase pega no olho…

A esta altura, a voz da mulher já está embargada e os olhos, rasos d’água. A Tina a abraça e lhe acaricia os cabelos, pedindo “calma, calma, calma…”.

O elevador para no térreo e desembarcamos com a vizinha, apesar de que estávamos indo para a garagem. Sentam-se no sofá do hall do prédio e continuam a conversa.

– Você deu queixa?

– Pra que? Pra nada… Fui cuidar do machucado. Eu acho, acho que… E se ficar marca?

A mulher volta a chorar, agora copiosamente.

*

Chegamos tarde ao escritório. A vizinha nos tomou, pelo menos, uma meia hora. Já são nove e meia. Mas, enfim, manifestar solidariedade é uma obrigação, sobretudo entre vizinhos.

Não há vaga para estacionar. A universidade em frente à casa em que fica meu escritório consome cada vaga em um raio de pelo menos uns 500 metros ao redor. Começo a percorrer a redondeza e, surpreendentemente, encontro vaga menos distante do que de costume quando chego tarde.

Quando começo a manobrar para estacionar, minha passageira de todas as manhãs me adverte que pare porque a vaga está cheia de “cacos de vidro”. Paro o carro e desço para olhar. Não são cacos de um vidro qualquer, são cacos de um para-brisa ou de qualquer outra janela de um veículo.

A cena é comum em São Paulo. É difícil que alguém que possua um veículo nunca tenha sido vítima desse tipo de depredação de seu patrimônio. Não há semana em que não se encontre cacos de vidro de automóveis espalhados pela rua. O roubo de toca-fitas ou do próprio veículo é uma praga que só faz aumentar, por aqui.

*

Roubos, furtos, assassinatos, estupros, latrocínios, agressões racistas e/ou homofóbicas, tudo isso se tornou incontrolável, em São Paulo. Regiões movimentadas e centrais como a avenida Paulista, por exemplo, não têm policiamento. Aqui e ali, uma dupla de policiais entediados em guaritas adornadas com os motivos da Polícia Militar.

Não há policiamento, em São Paulo. Por conta disso, até na principal avenida da cidade os paulistanos podem ser vitimados por ataques de gangues, assaltos etc. É comum encontrar alguém consumindo drogas tranquilamente, por ali. Dia desses, passei por um casal que fumava um verdadeiro charuto de maconha despreocupadamente.

Quando se olha para os contingentes imensos que a Polícia Militar paulista costuma deslocar para reprimir manifestações de professores ou de alunos, por exemplo, a questão vem à mente: onde fica toda aquela polícia, no resto do tempo? Para desocupar a USP, cerca de QUATROCENTOS policiais. Helicópteros, viaturas, um verdadeiro aparato de guerra.

A imprensa, em vez de denunciar a falta de polícia para proteger os cidadãos, une-se ao pequeno exército de policiais militares que o governo tucano de São Paulo mobilizou para produzir cenas como a da imagem que encima este texto. Apontar um trabuco desses para um estudante… O governo paulista enlouqueceu. Seria ridículo, se não fosse trágico.

E os repórteres da grande imprensa hostilizando os estudantes? É papel da imprensa insultar manifestantes? A repórter do SBT que chamou os estudantes da USP de “maconheiros” estava lá para colher informações ou para ajudar a polícia que desguarneceu ainda mais as ruas para combater os “perigosos” garotos e garotas que ocuparam a reitoria da universidade?

Não dá para criticar os estudantes da USP. Pouco importa se o método que escolheram para protestar contra o aumento do efetivo da PM no campus foi equivocado. Quando o governo monta uma operação de guerra com um contingente policial desse tamanho enquanto a cidade pena nas mãos dos bandidos, tudo mais perde o sentido.

Esse episódio simboliza à perfeição o massacre que a educação sofre no Estado de São Paulo por obra dos governos fascistas do PSDB. E a polícia tucana, em vez de policiar a cidade, só dá as caras contra “perigosos” mestres ou alunos que ocupam o lugar dos criminosos nas mentes reacionárias que governam este Estado decadente.

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Charge

Enquanto PM brinca de ditadura na USP, bandidagem se esbalda | Blog da Cidadania

07/11/2011

Folha, Estado, Veja e televisões minimizam corrupção em SP

Filed under: Capitania Hereditária,Grupos Mafiomidiáticos,Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 7:21 am
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No último dia 12 de outubro, este blog cobriu ato público “contra a corrupção” que começou no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, e terminou no “Centro Velho” da cidade, na praça Ramos de Azevedo, diante do Teatro Municipal de São Paulo. A matéria reproduziu respostas a um questionário que esta página apresentou aos manifestantes. Aquele questionário foi elaborado de forma a identificar possível viés político-partidário e ideológico nos integrantes da manifestação.

Das 27 entrevistas feitas com os manifestantes, 26 apontaram forte viés político-partidário, deixando ver que o que ocorria ali era produto de campanha de partidos e entidades de oposição ao governo federal. Dessas 26 entrevistas que apuraram esse fato, sete se estenderam em breves conversas entre o entrevistador e os entrevistados. Só não foram relatadas antes porque o blog esperou pelo contato com fonte da Assembléia Legislativa que só ocorreu na semana passada.

Naquelas conversas com os manifestantes “contra a corrupção”, eles foram perguntados sobre se também estavam protestando contra o escândalo das emendas parlamentares na Assembléia Legislativa de São Paulo. Apesar de o entrevistador ter percebido que um dos entrevistados se fez de desentendido, os outros seis pareceram sinceros ao declararem que não sabiam de nada sobre esse escândalo, o que pode ser explicado pela discretíssima e rara cobertura do assunto pela imprensa.

Para quem não sabe, aliás, explica-se que há três meses o deputado estadual Roque Barbiere (PTB-SP) denunciou que ao menos “um terço” dos deputados estaduais paulistas “venderiam” a “prefeitos e empresas privadas” as emendas parlamentares ao Orçamento que os governos tucanos do Estado há muito distribuem a aliados e até a um pequeno contingente de deputados “de oposição” que fontes da AL informaram ao blog (na semana passada) que são tão governistas quanto os deputados assumidamente da base do governo.

Por conta disso, a base de apoio do governo Alckmin na AL-SP está conseguindo enterrar mais esse escândalo. Na última quinta-feira, os deputados governistas conseguiram derrubar, por seis votos a dois, o funcionamento do Conselho de Ética. Segundo um funcionário da AL (que preferiu não se identificar) ouvido pelo blog no último sábado, sem uma divulgação da imprensa igual à que é feita em relação a ministros do governo Dilma investigação relevante e profunda alguma ocorrerá, como nenhuma ocorre há muito tempo em São Paulo.

A explicação que esses veículos dão em off (através de alguns de seus jornalistas que freqüentam redes sociais como Twitter ou Facebook e entram em debates com quem questiona a omissão da imprensa nos escândalos tucanos) é a de que são escândalos “regionais” e que, por isso, receberiam cobertura tão “diferenciada”, um claro eufemismo para cobertura omissa porque, a bem dos fatos, não há, em relação ao PSDB, o jornalismo “investigativo” que chega a tentar invadir domicílios em busca de “provas” contra pessoas ligadas ao governo federal.

A cobertura e fiscalização pífias da imprensa em relação ao comportamento da oposição ao governo Dilma nos Estados em que essa oposição é governo – como em São Paulo ou em Minas Gerais – se dá sob o argumento de que seriam assuntos “regionais”. Todavia, tal falácia pode ser facimente desmontada meramente lembrando o que era feito pela imprensa quando a petista Marta Suplicy ou a ex-petista Luiza Erundina governaram a capital paulista. Então, críticas e denúncias ganhavam manchetes quase diárias nos jornais supracitados e nos telejornais de alcance nacional.

A imprensa, por essa razão, não investiga o escândalo das emendas parlamentares em São Paulo, um escândalo que lança suspeitas sobre os governos tucanos que se encastelaram no poder desse Estado há quase vinte anos, suspeitas comparáveis às que desencadearam o escândalo do mensalão federal porque insinuam que os governos tucanos paulistas subornam deputados para obterem deles favores em votações na Assembléia Legislativa.

À diferença das matérias investigativas que veículos como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e a revista Veja passaram a fazer todos os meses contra o governo federal desde o começo do governo Lula e que neste ano ganharam uma intensidade nunca vista em anos anteriores, com trabalhos de investigação se sobrepondo em várias frentes simultâneas, nenhuma das matérias sobre o governo de São Paulo, na última década, partiu da imprensa brasileira, mas, sim, da repercussão de denúncias antigas que circulam entre os aliados do governo federal ou da repercussão de investigações no exterior.

O caso Alstom é um exemplo. Contém denúncias sobre propina que teria sido paga pela empresa francesa Alstom a vários políticos do PSDB, entre eles o ex-governador Mario Covas, já falecido, e o atual governador de São Paulo, Geraldo Alkmin. As raras matérias que saíram na imprensa brasileira foram “chupadas” da mídia internacional, de veículos como Wall Street Journal e Der Spiegel, entre outros. A imprensa brasileira mesma, não investiga nada sobre esse caso.

Todavia, é um caso gravíssimo. Trata-se de escândalo que envolve muitos milhões de dólares e que tem alcance internacional. Fora do Brasil, as notícias correm soltas.  O assunto é tão sério que está sendo investigado pelo ministério público da Suíça, onde estão arrolados os nomes dos políticos tucanos aqui citados e de outros brasileiros envolvidos.

De acordo com o que consta em documentos enviados ao Ministério da Justiça do Brasil pelo ministério público da Suíça, no período que vai de 1998 a 2001 pelo menos 34 milhões de francos franceses teriam sido pagos em propinas a autoridades do governo do Estado de São Paulo através de empresas offshore (empresas criadas em paraísos fiscais, onde gozam de sigilo de suas contas bancárias que dificulta investigações).

Segundo o ministério público suíço, os pagamentos teriam sido feitos utilizando-se do esquema de contratos de “consultoria de fachada”. O valor das “comissões” supostamente pagas pela Alstom em troca da assinatura de contratos pelo governo de São Paulo chegaria a aproximadamente R$ 13,5 milhões. Segundo o Ministério Público da Suíça, pelo cruzamento de informações esses trabalhos de “consultoria” foram considerados como sendo fictícios.

No período de negociação e da assinatura dos contratos de consultoria estava à frente da Secretaria de Energia de São Paulo o então genro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, David Zylbersztajn, que deixou o cargo em janeiro de 1998 ao assumir a direção geral da Agência Nacional do Petróleo. O atual secretário de Coordenação das Subprefeituras da cidade de São Paulo, Andrea Matarazzo, que ocupou a secretaria por alguns meses, e o atual secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce, também estão envolvidos.

Para que se tenha uma idéia da enormidade do caso e para que se possa mensurar a enormidade da minimização que a imprensa brasileira faz dele, o TCE (Tribunal de Contas do Estado) julgou irregular uma compra de 12 trens da Alstom no valor de R$ 223,5 milhões feita sem licitação pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), empresa do governo de São Paulo. O contrato foi assinado em 28 de dezembro de 2005, no governo de Geraldo Alckmin.

Pergunta: você se lembra, leitor, de quando foi a última vez que recebeu uma única notícia da grande imprensa sobre esse caso?

O caso Alstom é apenas um dos muitos casos de corrupção que pesam sobre o partido que há quase duas décadas governa o segundo orçamento da União, o de São Paulo, que, como se sabe, é maior do que os orçamentos da maioria dos países da América Latina. Imagine o leitor o que faria a imprensa brasileira se houvesse um escândalo internacional contra o PT.

A imprensa daria ajuda inestimável ao ministério público suíço usando contra o PSDB esse “jornalismo investigativo” que descobre “provas” contra petistas e aliados toda semana. Contudo, é escandaloso o total desinteresse da imprensa brasileira sobre qualquer pedido de CPI entre as dezenas deles que hibernam nas gavetas da Assembléia Legislativa de São Paulo, que, agora se sabe, vem sendo banhada pelos impostos dos paulistas que acabam escorrendo para o setor privado através de nada mais, nada menos do que… ONGs.

É possível concluir, então, que a única forma de os governos federal, estadual e municipal serem fiscalizados pela imprensa é sendo governos petistas, pois só estes são alvos de investigação da imprensa. Essas campanhas “jornalísticas” contra ministros, com manchetes de capa e de primeira página tomando os telejornais todos os dias e com a Justiça sendo célere, só ocorrem desse jeito. Votar no PSDB, portanto, significa conceder a políticos uma espécie de licença para roubar sob as barbas da imprensa e da Justiça.

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05/11/2011

Entenda por que o IDH do Brasil subiu pouco

Filed under: IDH — Gilmar Crestani @ 10:36 am
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Posted by eduguim on 04/11/11 • Categorized as Análise

Injunções políticas do governo e da oposição estão desvirtuando o fundamental debate sobre o último relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que apontou avanço para lá de modesto do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O índice brasileiro passou de 0,699 na edição de 2010 para 0,718 na deste ano.

Apesar da melhora percentual de quase 3% no índice, que não é nada má – bastando considerar que, a continuar melhorando nesse ritmo, em uma década o país chegará ao seleto grupo de países de desenvolvimento humano “muito alto” –, o novo índice coloca o Brasil como 84º país com melhor qualidade de vida, quando, em 2010, apareceu como o 73º país.

A oposição federal se assanhou e saiu alardeando dados distorcidos, informando exatamente que o país teria caído no ranking dos países com melhor qualidade de vida sem contextualizar a informação. Já do lado governista, quem saiu a campo foi o ex-presidente Lula, que a mídia afirma que teria ficado “irado” com a posição em que o Brasil apareceu no relatório da ONU.

Teremos que tratar essa questão de forma desapaixonada caso queiramos entender o que está acontecendo de verdade com o nosso país. Para muitos, a questão se mostra “chata” devido ao emaranhado de índices e variáveis que precisam de análise muito apurada para dizerem alguma coisa,  mas sugiro que o leitor empreste bastante atenção a este texto.

Comecemos pela queixa de Lula, da qual decorreu a da ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, que disse ontem que “O resultado do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 2011 não reflete os avanços mais recentes do País em saúde, educação e transferência de renda”. Já a queixa da oposição é a de que nosso IDH teria “caído” da 73ª posição para a 84ª.

Tanto um lado como o outro desconsideram mudanças não só como a que ocorreu no cálculo do índice em 2010, mas ao longo da década. Avaliemos as posições de um lado e do outro.

Em primeiro lugar, a 73ª posição do ano passado, pela nova metodologia do PNUD (usada no relatório deste ano), seria 85ª e não 73ª. Há uma horda de militantes oposicionistas divulgando essa distorção. Mas, desta vez, a imprensa informou corretamente os dados e não fez muito carnaval sobre a estagnação do Brasil no ranking do desenvolvimento humano.

Contudo, a reclamação do governo Brasileiro, em última instância, apesar de ter um certo fundamento – a de que o PNUD continua usando dados ultrapassados (de 2006 ou 2004, há controvérsias) sobre saúde, educação, expectativa de vida, distribuição de renda e nível de pobreza –, não procede inteiramente.

Não está provado que a ONU só usa dados ultrapassados do Brasil. A informação oficial é a de que tampouco houve atualização de dados dos outros países ranqueados no relatório 2011. O que o governo faz, com sinal trocado, é o mesmo que fez o colunista da Folha de São Paulo Clóvis Rossi quando foi divulgada forte melhora do país no índice de Gini, que mede a desigualdade de renda.

O colunista em questão disse que a queda na desigualdade seria falsa porque não levaria em conta o dinheiro que os ricos ganham escondido, o que é uma bobagem porque não passaram a esconder dinheiro do fisco só agora e tampouco há um só argumento que mostre que só no ano passado começaram a esconder mais os seus lucros não declarados.

Não é bom desqualificar índices que, se não são perfeitos, ao menos permitem uma base de comparação, sendo absurda a tese de que a ONU estaria prejudicando o Brasil de alguma maneira que, da forma como é dita, parece conter má fé, o que não tem qualquer sentido pois a boa vontade com o Brasil hoje no mundo, é inegável.

Sendo assim, vamos entender por que o IDH do Brasil melhorou muito mais na década de 1990, pela qual passou mergulhado em crises econômicas, desemprego e recessão do que na década 2000, quando passou a experimentar o forte desenvolvimento que todos conhecem e que todas as estatísticas oficiais mostram.

O gráfico abaixo mostra como a melhora brasileira no ranking do desenvolvimento humano subiu mais na penúltima década do que na última.

Logo se apressarão os militantes oposicionistas para dizer que aí está a prova de que o governo FHC foi melhor do que o governo Lula, o que ninguém bom da cabeça dirá simplesmente porque todos os dados econômicos e sociais (desemprego, pobreza, educação, saúde, crescimento econômico etc.) disponíveis revelam que o Brasil melhorou exponencialmente na década passada, em relação à anterior.

Por que, então, só o IDH não reflete a forte melhora do Brasil na década passada? Como pode mostrar que na penúltima década o país melhorou mais rapidamente do que na última se até os oposicionistas e a imprensa concordam que não foi assim, apesar de atribuírem o desempenho do país, nos anos 2000, ao que teria “semeado” o governo FHC?

Muitos já sabem de parte da explicação, que é a mudança de metodologia do IDH a partir de 2010, com a criação do Índice de Pobreza Multidimensional (IPM). A imprensa está dando essa informação. Veja, abaixo, trecho de matéria do portal Terra:

A principal crítica do governo é ao Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), um dos indicadores complementares do IDH, divulgado no mesmo dia pelo Pnud. O IPM vai além da renda e avalia privações nas áreas de saúde, educação e padrão de vida para avaliar se uma pessoa é pobre. O índice considera privações em dez indicadores, como nutrição, acesso à água potável, saneamento, acesso à energia e anos mínimos de escolaridade. É considerado multidimensionalmente pobre o indivíduo privado de, pelo menos, um terço dos indicadores. Segundo o Pnud, 2,7% da população brasileira, cerca de 5 milhões de pessoas, estão incluídos nesse tipo de pobreza.

Contudo, a forte redução do ritmo de melhora do Brasil no IDH que se constata comparando os anos 1990 com os anos 2000 não se deve só à mudança de metodologia no ano passado, mas às profundas mudanças que o cálculo do índice sofreu ao longo da década passada inteira, mudanças que, acima das de qualquer outro indicador, deram peso muito maior à educação.

É de educação, pois, que se deve falar para entender por que há dez anos o Brasil melhora pouco no ranking de desenvolvimento humano da ONU.

Sim, o brasileiro ficou mais rico, a renda passou a ser melhor dividida, a saúde apresentou melhoras consistentes, o nível de empregou apresentou melhora inacreditável, colocando o Brasil com um dos mercados de trabalho mais atraentes em termos de oportunidades, mas em uma área este país permaneceu estagnado.

A educação, no Brasil, não melhora. E hoje, não só no ranking da ONU mas no mundo real, educação é o que conta.

Em qualquer parte do globo terrestre, atualmente, a nova geração vem dando importância nunca dada à educação, lutando para estudar como nunca. Em Angola, por exemplo, país de baixo desenvolvimento humano em que estive não faz muito tempo, a sociedade mergulhou de cabeça nos estudos para superar a pobreza. O mundo mergulhou nos estudos.

As posições do Brasil em todos os certames internacionais de aferição do estágio de cada país na educação continuam se mostrando tão medíocres quanto antes da era Lula, com melhoras laterais que em nada lembram a revolução do país na economia ou na redução da pobreza. Isso porque os esforços do governo federal são insuficientes, apesar de terem sido intensos.

O governo federal, na década passada, ampliou e democratizou como nunca o acesso ao ensino superior, implantou uma rede importantíssima de escolas técnicas, mas o que fez pouco influiu no conjunto do indicador educação porque a parte mais pesada desse indicador se refere à educação fundamental e média, que, invariavelmente, fica a cargo dos Estados e municípios.

Mas como, se há vários estados e municípios investindo alto em educação? Recentemente, um secretário de uma administração municipal da grande São Paulo revelou-me que a prefeitura de sua cidade comprou tablets para todos os alunos da rede pública. Imagine só, leitor. Disse-me, aliás, que há tanta verba para educação disponível que o município nem conseguiu gastá-la toda, por isso investiu nos tablets.

O grande problema da educação no Brasil, então, não é falta de investimentos em escolas e materiais. O problema deste país é que só onde não se gasta dinheiro em educação é na formação e na remuneração de professores. Aliás, quem quer ser professor, hoje, neste país? Para que? Para apanhar da polícia, como em São Paulo ou em Minas?

E mesmo em governos do PT há fortes reclamações dos professores da rede pública. Bahia e Rio Grande do Sul que o digam, ainda que em São Paulo e Minas vigore uma situação surreal em termos de remuneração dos professores, com salários menores do que são pagos em Estados pobres do Norte e Nordeste.

Aliás, até a educação privada – mesmo a educação privada de elite – brasileira é ruim. E tudo se deve não apenas aos baixos salários dos professores mesmo na rede privada, mas ao desprestígio da profissão de educador. Repito: quem quer ser professor, hoje, no Brasil? A profissão não atrai.

Professores mal formados que, muitas vezes, não conseguem escrever um mero bilhete usando a norma culta são produtos de cargas de trabalho extenuantes, de salários pouco atraentes que afastam os mais preparados, enfim, o desprestígio generalizado da profissão torna o magistério uma área que terminará por ter falta de profissionais.

Nesse aspecto, o governo central pouco pode fazer. A não ser que, em consonância com o poder Legislativo e até com a oposição, promova uma revolução na educação, o que não ocorrerá a curto ou a médio prazo porque fazê-lo passará por formar uma nova geração de mestres motivados e suficientemente preparados para transmitir conhecimento de verdade.

O Brasil está superando tudo – pobreza, baixo crescimento, desemprego, concentração de renda –, menos o péssimo nível de educação e a baixa cultura comum a todas as classe sociais, inclusive às mais abastadas, do que é prova termos um mercado editorial de livros incompatível com a dimensão sócio-econômica e até demográfica do país.

Para que não reste dúvida, portanto, reitero: enquanto os professores forem tratados pelo Estado e até pelos empresários da educação como um mal necessário e não como o centro dos esforços para melhorar a educação no país, continuaremos amargando por muito tempo, ainda, um desempenho pífio no ranking de desenvolvimento humano.

Tags: Educação, idh 2011, onu, PNUD, programa das nações unidas para o desenvolvimento

57 Comentário
  1. José do Ceará

    04/11/2011 • 12:51

    Eduardo, veja essa boa matéria do NASSIF: (Como o sistema financeiro “compra” os economistas)

    A cooptação dos economistas, por Belluzzo
    Enviado por luisnassif, sex, 04/11/2011 – 10:51
    Por Assis Ribeiro
    Da CartaCapital

    Os embalos da opinião econômica

    Por Luiz Gonzaga Belluzzo

    Professor da escola de economia de Paris, Bertrand Rothé abre seu artigo na revista Marianne com uma pergunta: por que os economistas midiáticos defendem com tanto ardor um sistema falido? Ele responde: porque eles são pagos pelos bancos. Um tanto rude, a resposta.

    Mas Rothé mata a cobra e mostra o pau. Diz o economista que, em 10 de agosto, o jornalLe Monde publicou no caderno Debates 22 depoimentos de especialistas na matéria. Nesse grupo de sabichões, 16 (76,6%) são ligados a instituições financeiras. A promiscuidade vai longe. Anton Brender, reputado economista da esquerda francesa, hoje diretor de estudos econômicos do Dexia Asset Management usou duas páginas do Nouvel Observateur para concluir que “não são os mercados que estão em causa, mas a impotência política.”

    A quase unanimidade, o realejo de opiniões banais encontra na mídia contemporânea um espaço ideal. Um jornalista do L’Expansion justificou a preferência pela ligeireza: “Os economistas de bancos sabem responder rápido, eles são pagos para isso. Esse já não é o caso dos universitários que se entregam à reflexão e cujas nuances são difíceis de transcrever.”

    Vamos às relações entre “impotência política”, descuidos midiáticos e captura dos economistas. Até mesmo um idiota fundamental é capaz de perceber que na construção da crise atual a “impotência política” tem origem na ocupação do Estado e de seus órgãos de regulação pelas tropas da finança e dos graúdos interesses, digamos, corporativos, aí incluídos aqueles das megaempresas de mídia. As tropelias do meliante Rupert Murdoch dão testemunho das ligações perigosas entre o mass media, a política e a polícia. No Brasil é o “puder”, já na pérfida Albion it’s power.

    O americano Robert Kaiser no livro So Damn Much Money listou 188 ex-congressistas registrados oficialmente como lobistas em Washington. A pesquisa de Kaiser revela como funciona a porta giratória entre os grandes negócios e a política. Estudo realizado por um grupo de advogados, o Public Citizen, flagrou na nobre ocupação de lobistas metade dos senadores e 42% dos deputados que deixaram o Congresso entre 1998 e 2004. No período 1998-2011 o setor financeiro gastou 84,5 bilhões de dólares com essa turma. Há “rachuncho” com o caixa das campanhas políticas.

    Não escasseiam relatórios oficiais, depoimentos, documentários e livros de gente oriunda dos mercados a respeito da invasão dos bárbaros na cidadela da política e das políticas. Nesse espaço que, generosamente, me reserva CartaCapital, já publiquei um artigo sobre o relatório do Congresso americano que expõe as tropelias dos agentes da finança na montagem da crise financeira.

    “No relatório do Congresso, o percurso em direção à crise é analisado mediante a narrativa de episódios esdrúxulos e de depoimentos patéticos de banqueiros, altos executivos e autoridades. A articulação entre as falas e as narrativas permite uma avaliação do papel desempenhado pelos vários fatores e protagonistas que levaram a economia global da euforia e da depressão: as inovações financeiras geradoras de instabilidade, a omissão sistemática das autoridades encarregadas de supervisionar os mercados de hipotecas e, finalmente, a farra da emissão de securities lastreadas em empréstimos imobiliários.

    Before Our Very Eyes, assim é denominado o primeiro capítulo do Relatório do Congresso. Em linguagem popular “Estava na Cara”. É difícil negar que, ao longo dos anos de gestação da crise, os olhos – os da mídia incluídos – estiveram vendados pela trava que os hipócritas apontam na visão alheia (Palavras de Cristo, de admirável sabedoria). Já no caso de muitos economistas eminentes, sempre procura-dos para opinar, os olhos estavam travados, mas as imagens e palavras do documentário de Charles Ferguson, Inside Job, sugerem que os bolsos estavam arreganhados para a grana que escorria das façanhas da haute finance.

    Ian Fletcher, autor do livro Free Trade Doesn’t Work, descreve formas mais sutis de cooptação dos economistas. Tais métodos, diz ele, não frequentam o ethos de bordel, com propostas do tipo “diga X e lhe pagarei Y”. Mas na faina de conseguir clientes, muitos economistas devem cultivar a reputação de sempre dizer aquilo que o freguês quer ouvir. “Certas ideias, como o aumento da desigualdade e problemas acarretados pelo livre-comércio devem ser evitadas. Elas não são economicamente corretas.” A mídia, em seus trabalhos de purificação da opinião pública, cuida de retirar tais “excentricidades” de circulação, assim como a polícia leva a enxovias os manifestantes de Ocupe Wall Street, uma súcia de desordeiros desatinados e desordeiras de barriga de fora.

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04/11/2011

Imprensa é quem “endeusa” Lula com os ataques vis que lhe faz

Filed under: Colonista,Grupos Mafiomidiáticos,Lucia Hippolito,PIG — Gilmar Crestani @ 10:07 am
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A mídia assustada com as serpentes? Ué, mas quem sai aos seus não degenera… Fosse assim, como dizem, que Lula deveria se tratar no SUS, só para ficar nos colonistas, então Lúcia Hippólito deveria falar somente de bêbados. Veja porque…

Imprensa é quem “endeusa” Lula com os ataques vis que lhe faz

Posted by eduguim on 03/11/11 • Categorized as denúncia

Eles estão se dizendo “indignados” e “chocados” com os ataques vis que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a receber nas redes sociais da internet logo após o anúncio de que está sofrendo de câncer. Um após o outro, os colunistas da grande imprensa vêm recitando um discursinho pasteurizado de que do lado dos que atacam Lula estão os “trogloditas”, mas do outro estão os que tentam “endeusá-lo”, como se isso, mesmo se fosse verdade, justificasse os ataques desumanos, selvagens e psicóticos a que o país assiste estarrecido.

Nos últimos dias, li sucessivos textos de colunistas do Estadão, da Folha e das Globos dizendo isso. Clóvis Rossi, Dora Kramer, Eliane Cantanhêde, Gilberto Dimenstein… E por aí vai. Esse neo bom-mocismo desses colunistas até quebrou um pouco o consenso que todos eles, em uníssono, costumam ter sobre política – consenso que é formulado nos “aquários” e por eles “decretado”, como se sabe.

Esses colunistas bonzinhos e sensíveis estão se contrapondo a outros como Reinaldo Azevedo ou Elio Gaspari, que andaram “fundamentando” a cobrança a Lula para que se trate no SUS com o “argumento” de que o ex-presidente um dia elogiou o sistema ao inaugurar um hospital, ou à comentarista da CBN Lucia Hippolito, que voltou novamente à ribalta ao acusar Lula de ser alcoólatra depois de ela ter feito uma tentativa de comentário naquela rádio, um tempo atrás, estando visivelmente alcoolizada.

Todos os citados e muitos outros que alguém certamente leu por aí, porém, têm algo em comum: vêm com a mesma história de que os “trogloditas” se contrapõem aos “fundamentalistas” que quereriam “endeusar” ou “santificar” Lula, o que é apenas uma estratégia para “explicarem” a conduta animalesca dessa gente covarde que se aproveita de um momento em que seu alvo preferido há décadas não pode nem falar para se defender para lhe fazer acusações e cobranças sem qualquer traço de racionalidade, sensibilidade e decência.

Quero que achem aqui ou em qualquer um dos blogs autoproclamados progressistas, que são os mais simpáticos a Lula, qualquer tentativa de “endeusá-lo” ou “santificá-lo”. Muito pelo contrário: à diferença de blogs realmente fundamentalistas como o de um Reinaldo Azevedo, principal incentivador da “teoria” de que Lula deveria se tratar no SUS, blogs como este permitem ataques de todos os tipos ao ex-presidente e muitos lhe fazem críticas pontuais. Nos blogs fundamentalistas de direita, só pode comentar quem concorda com os blogueiros.

A simpatia por Lula se cristaliza justamente por isso: alvo de ataques injustos, repulsivos, chocantes e desumanos, e de mentiras absurdas e facilmente desmontáveis que a mídia pensa que impede que sejam desmontadas, esse político que a tudo sempre suportou com estoicismo e dignidade acaba sendo transformado em uma eterna vítima e alvo da solidariedade de qualquer um que seja contrário à injustiça e à covardia independentemente de quem for o alvo.

Esse discurso hipócrita desses colunistas “bonzinhos” contrapõe os que nunca tentaram “endeusar” Lula coisa nenhuma, mas apenas defender um homem contra quem jamais foi levantada uma única acusação que tenha se provado verdadeira em suas décadas sucessivas de atuação política, àqueles que, como chacais ou abutres, só atacam vítimas fragilizadas e que não podem se defender. Fazem isso porque a culpa por esses dementes estarem se reproduzindo em escala geométrica é da mesma imprensa que lhes fornece a semente do ódio.

As críticas incessantes que a grande imprensa faz a todos os aspectos da figura humana de Lula, com ilações sobre seu caráter, com mentiras e distorções sobre sua atuação política, com a negação quase completa de qualquer mérito na obra imensa que realizou no país em seu período de oito anos na Presidência se contrapõem a esses mesmos colunistas “chocados” com a selvageria com que o atacam. Agora lhe reconhecem algum mérito, sim, mas fazem isso para se eximir da culpa que têm e que o jornalista Kennedy Alencar vocalizou com perfeição anteontem na rádio CBN.

Alencar acusou até os próprios colegas na Folha de São Paulo que estão formulando essa teoria maluca de “endeusamento de Lula” ao dizer que a imprensa tem culpa pela onda de ódio que se levantou contra o ex-presidente, ainda que, estatisticamente, essa onda nada represente diante de um quadro em que oitenta por cento da sociedade o aprova com entusiasmo. Por isso é que vivo dizendo que a grande imprensa ainda irá canonizar Lula, pois ao atacá-lo da forma baixa que se vê quase todo dia minimiza defeitos que qualquer ser humano tem.

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A campanha Respeitem Lula, o Estadista que Ergueu o Brasil continua. Você pode deixar seu comentário de apoioaqui ou pode aderir a ela no Facebook clicando aqui. Será mantida e lembrada por muito tempo, ainda. Quando tiver um bom número de adesões, imprimirei todos os comentários e enviarei ao ex-presidente. Até agora, no Facebook, quase 2.000 pessoas já aderiram. Adira você também e divulgue essa campanha justa e necessária.

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Assista, abaixo, ao comentário cristalino do jornalista Bob Fernandes sobre o assunto.

Imprensa é quem “endeusa” Lula com os ataques vis que lhe faz | Blog da Cidadania

Cobrem de Serra que use o metrô que tanto elogiou

Por que a RBS não cobra de Yeda, a cobra, para que ponha seus netos nas “escolas de lata”…

Cobrem de Serra que use o metrô que tanto elogiou

Posted by eduguim on 02/11/11

Apesar de que vários colunistas da grande imprensa tiveram um surto de honestidade como o de Kennedy Alencar – que condenou, na CBN, quem mandou Lula usar o SUS, que o defendeu da acusação de ter promovido maior corrupção e que garantiu que nunca foi rico –, ainda há muitos “jornalistas” da mesma grande imprensa incentivando a cobrança ao ex-presidente enfermo para que se trate no SUS.

O último desses “colunistas” da “grande imprensa” a estimular o preconceito contra Lula foi Elio Gaspari – sobre quem foi o primeiro, dou um chute de que só pode ter sido Reinaldo Azevedo. Tantos os jornalistas que dizem isso quanto todos os outros que vão na mesma linha de pensamento afirmam que Lula teria, sim, que se tratar no SUS só porque, um dia, elogiou um hospital público que inaugurou.

Bem, se é assim, estimo que a coisa vai ficar feia para os políticos que exercerem cargos públicos – e não precisa ser só de presidente, de governador ou de prefeito, mas também de senador, de deputado e de vereador, pois todos influem na qualidade dos serviços públicos.

Portanto, se Lula está obrigado a usar um serviço público que pessoas de melhor poder aquisitivo normalmente não usam, como o serviço público de saúde, por que o ex-governador e ex-prefeito de São Paulo José Serra, por exemplo, não estaria obrigado, por essa ótica enviesada, a usar o transporte público da capital paulista, que geriu e elogiou tantas vezes?

Agora, então, nesse vale-tudo, bastaria resgatar qualquer discurso de qualquer administrador público durante qualquer inauguração que tenha feito de algum serviço público como saúde, educação, transporte ou segurança – e na qual tenha elogiado a obra que estava entregando – e usar esse discurso para cobrar dele – por enquanto, só após deixar o cargo – que use aquilo que elogiou. Lindo, não?

Infelizmente, não vai rolar. Simplesmente porque, como disse o jornalista Kennedy Alencar ontem na CBN, “A imprensa tem uma parcela de culpa” na “crueldade” com o ex-presidente nas “redes sociais” porque, “muitas vezes, a imprensa, que faz um registro muito a quente da história, não vê as coisas em perspectiva, a complexidade que é o Brasil e o conjunto da obra do que foi o governo Lula”.

Abro um parêntese: quem não ouviu esse comentário de Kennedy Alencar, que trabalha na Folha de São Paulo, tem que ouvir de qualquer jeito. Ele diz, como nunca antes neste país, tudo aquilo que este blog vem dizendo há anos, que Lula combateu a corrupção muito mais do que FHC, que Lula não é rico e que está tentando amealhar agora, com suas palestras, o que nunca ganhou enquanto governou ou antes. E disse muito, muito mais. Não perca.

A acusação de Alencar à imprensa, é muito grave. Ele conhece a instituição a fundo por atuar nela, e está dizendo que é a responsável por barbaridades como a do sujeito que em vídeo no You Tube reproduzido abaixo prega a morte de Lula e o acusa de “ladrão”. Dementes como esse extraem essas idéias malucas da “fundamentação do ódio” que fazem “jornalistas” como Reinaldo Azevedo e Elio Gaspari.

Confira, abaixo, a direita sem máscara, em estado bruto, e decida quem é que promove o ódio neste país.

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A campanha Respeitem Lula, o Estadista que Ergueu o Brasil continua. Você pode deixar seu comentário de apoio aqui ou pode aderir a ela no Facebook clicando aqui. Será mantida e lembrada por muito tempo, ainda. Quando tiver um bom número de adesões, imprimirei todos os comentários e enviarei ao ex-presidente. Até agora, no Facebook, quase 1.800 pessoas já aderiram. Adira você também e divulgue essa campanha justa e necessária.

Cobrem de Serra que use o metrô que tanto elogiou | Blog da Cidadania

01/11/2011

Todo ex-governante vai ter que usar o SUS?

Filed under: FHC,SUS — Gilmar Crestani @ 11:17 am
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Posted by eduguim on 01/11/11 • Categorized as Crônica

O ódio a Lula criou até uma nova forma de preconceito, o preconceito médico-hospitalar. Pregam, agora, que ele se trate no SUS. Põem reportagens mostrando a situação da saúde pública e pregam que o ex-presidente trate nela o câncer de que sofre.

Nunca antes na história deste país pregaram que um ex-presidente se tratasse no sistema público de saúde. Não fizeram isso com Tancredo Neves ou com Itamar Franco – e olhem que a mídia nem gostava muito do Itamar.

FHC, que não é bobo nem nada, criticou os que estão pedindo que Lula use o sistema público de saúde. Disse-os “recalcados”. A última coisa que um homem nessa idade quer é ser cobrado a se tratar em um sistema de saúde que deixou igual ou pior do que o antecessor.

Essa demagogia insinua que Lula é o único responsável por a saúde pública ser ruim, no Brasil. O ineditismo da hipocrisia. Já que é assim, governadores e ex-governadores não deveriam ser cobrados, se adoecerem? Também não terão sido responsáveis pela saúde pública?

Aliás… E os prefeitos?

Mário Covas não era responsável pela saúde dos paulistas quando teve câncer e acabou falecendo? Alguém lhe fez essa cobrança? Jamais. São resmas de crônicas e colunas e até editoriais que se condoeram quando da triste notícia do câncer tucano.

Aliás, por que um ex-presidente – que, como todo ex-presidente, tem dinheiro para pagar pela saúde privada – aumentaria a fila na saúde pública para quem não pode pagar? Quem pode, apesar de ter direito de usar a saúde pública, será generoso pagando pela saúde privada.

Pois é. Câncer, agora, tem até partido. Mas será que farão isso com Fernando Henrique Cardoso, se ele adoecer? Cuidado, hipócritas: o político de que gostam está avançado na idade e ninguém está livre da doença. Mesmo tendo diploma de doutor.

Todo ex-governante vai ter que usar o SUS? | Blog da Cidadania

31/10/2011

Lula e os porões da política

Filed under: Câncer,Lula — Gilmar Crestani @ 10:41 am
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Ontem, assistimos, mais uma vez, ao espetáculo deprimente que é a política sendo feita sem pudor, sem tergiversações. A repercussão da doença de Lula na mídia revela que essa atividade se baseia, hoje, em absoluta falta de decência e de lealdade nos embates entre os que deveriam terçar idéias para melhorar a vida das pessoas.

Na busca por causar o maior abatimento moral possível ao adversário, vale tudo. Principalmente chocá-lo com ausência de um traço de humanidade em seus adversários e, assim, deixá-lo assustado ao imaginar a que ponto chegariam para destruí-lo.

Nos últimos dias, dois casos se encadearam em demonstrações análogas, ainda que em níveis extremamente desiguais, de como, não raro, a política passa até pelo ato supremo de tirar a vida de um adversário da forma mais selvagem que se possa conceber.

Um desses casos reside nos detalhes sobre como Muamar Kadafi, ex-ditador da Líbia, foi assassinado por seus adversários… políticos. O outro caso, de nível de virulência infinitamente menor, mas igualmente assustador, foi ver a forma como a mídia tratou a doença de Lula.

Melhor não entrar nos detalhes sobre o assassinato de Kadafi, pois ainda visualizo a imagem mental que se me formou ao saber das sevícias que sofreu antes de colocarem fim ao seu suplício. Sobre Lula, a mídia o acusou de supostamente ter se causado o mal que o acomete, e comemorou a possibilidade de a doença ter êxito onde seus adversários “humanos” falharam.

A política, como a conhecemos, não requer capacidade, honestidade, talento ou boas intenções; requer capacidade de ser canalha ao impensável, de trair sem culpa, de não ter piedade ou comedimento algum na busca por atingir o oponente. Para vencer o adversário, vale tudo. Principalmente cinismo, muito cinismo.

É uma atividade para profissionais com “couro duro”. Nesse aspecto, somente alguém que saiu de uma região miserável, que passou fome e privações de toda sorte, que sofreu humilhações que arrasariam moralmente qualquer pessoa pode suportar a deslealdade da política em suas manifestações menos contidas.

Enganam-se, porém, os que julgam que um tumorzinho conterá alguém que, apesar de tudo pelo que passou, fez do Brasil a terra de promessas mil que jamais sonhamos que se tornaria. A selvageria dos adversários é antiga, conhecida e previsível. Lula, portanto, só precisa se precaver contra a traição, que se confunde com a política.

Por fim, resta, apenas, uma dúvida: será que esses 80% dos brasileiros que pesquisas recentes mostraram que devotam carinho extremado a Lula estão gostando de ver a mídia comemorar a sua doença?

Lula e os porões da política | Blog da Cidadania

27/10/2011

Covarde!

Filed under: Dilma — Gilmar Crestani @ 9:17 am
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nternautas criticam governo por “covardia” diante da mídia

Posted by eduguim on 27/10/11 • Categorized as Análise

Desde a noite de terça-feira, blogs e redes sociais começaram a ser invadidos por onda de revolta contra desfecho da novela Orlando Silva que já se fazia previsível. Todavia, após sucessivas garantias da presidente Dilma, do PC do B e do próprio ministro de que a “presunção de inocência” deste prevaleceria sobre o bombardeio de acusações da  mídia, ontem a demissão se concretizou.

Foi a primeira vez, neste ano, que a militância governista na internet não se dividiu como ocorrera em demissões anteriores de ministros, com destaque para a primeira da série de demissões que ocorreria após a queda do ex-chefe da Casa Civil Antonio Palocci, quando a aquela militância rachou praticamente ao meio sobre a permanência dele no cargo.

O apoio a Orlando Silva foi esmagadoramente majoritário entre a militância governista na internet. Há poucos dias, milhares de tuiteiros já haviam levado esse apoio aos Trending Topics do Twitter. Na terça-feira, repúdio a declaração do deputado ACM Neto de que o ministro do Esporte afrontava o país por ter ido a audiência na Câmara ficou entre os cinco temas mais comentados naquela rede social.

Ao ir se materializando a rendição do ministro, do PC do B e do governo à mídia, uma onda de revolta de militantes governistas tomou as caixas de comentários dos grandes portais e blogs corporativos e as dos blogs e sites independentes, além dos comentários no Twitter e no Facebook. O alvo principal do mau-humor digital foi a presidente Dilma, em quem muitos prometeram “nunca mais votar”.

Além do prejuízo político previsível entre a sociedade que a rendição do governo pode gerar, o prolongamento da agonia do agora ex-ministro do Esporte soma-se à patética encenação de autoridade e de independência de um governo que, aos dez meses, parece cansado e sem autoridade, dependurado em bons resultados na economia que, em um momento de crise internacional, podem sumir rapidamente.

Para completar, internautas comentavam às dezenas, ontem, que a nova investida da mídia sobre o Enem sugere que o ministro da Educação, Fernando Hadadad, pré-candidato a prefeito de São Paulo deve ser o próximo alvo da caça midiática a ministros do governo Dilma.  O fator eleitoral confere verossimilhança à teoria. Um escândalo nesse ministério enterraria de vez a candidatura de Haddad. A conferir.

Internautas criticam governo por “covardia” diante da mídia | Blog da Cidadania

26/10/2011

A astúcia do “poste”

Filed under: Dilma — Gilmar Crestani @ 9:29 am
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Posted by eduguim on 25/10/11 • Categorized as Análise

Este blog tem sido crítico em relação ao governo Dilma. Apesar de alguns pensarem que aqui não se critica o governo por acharem que crítica é fazer acusações de corrupção sem provas, crítica não é isso. Aqui não se faz oposição partidária, como a mídia, mas críticas objetivas à condução política do governo e quaisquer outras que eventualmente precisem ser feitas.

Aqui se faz até críticas à condução administrativa desse governo. Por exemplo, no que diz respeito ao processo de construção de um marco regulatório para as comunicações, do qual o governo Dilma tem se omitido de uma forma inaceitável em um momento em que o mundo discute regras e leis para a mídia.

Só aqui na América do Sul, Argentina, Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai e Venezuela já reformularam – ou estão reformulando – suas legislações sobre a matéria, adequando as leis aos novos tempos da comunicação digital. Estão muito à frente do Brasil, nesse quesito civilizatório e republicano que é extinguir castas privilegiadas.

Aliás, o país de Primeiro Mundo que têm uma das legislações mais brandas entre seus pares, a Inglaterra, está equacionando novas regras inclusive para conteúdo dos veículos impressos, que, antes, era autorregulado por eles e que, em breve, deve deixar de ser.

A condução política e a Comunicação do governo Dilma também são ruins. O governo se manifesta pouco e de forma ambígua e despolitizada em busca de se converter em uma espécie de repartição pública, apesar de que governos são eleitos e sustentados pela política e de que governo nenhum é apolítico como este parece tentar se mostrar.

Todavia, não se pode deixar de constatar, em nome da honestidade intelectual, que da última investida da mídia partidarizada contra o governo Dilma, agora em relação ao ministério do Esporte e ao seu titular, transpareceu estratégia política que, ao menos desta vez – e meramente até aqui –, parece que vai dando certo.

Dilma fala pouco sobre política e só quando provocada e o governo silencia quando explode a gritaria dos adversários políticos assumidos e enrustidos, o que permite à mídia colocar palavras na boca e na pena da presidente da República como fez agorinha mesmo, quando noticiou à farta a demissão do ministro do Esporte, Orlando Silva.

Ano passado, porém, durante o processo eleitoral, os colunistas e comentaristas da grande mídia, em uma exibição deprimente de engajamento político, cunharam para a atual presidente a alcunha depreciativa “poste”, aludindo a que, no poder, ela se tornaria uma títere do ex-presidente Lula, o que, mais uma vez, os fatos negam.

Tome-se a relação de Dilma com a mídia partidarizada e enrustida ou com os inimigos políticos assumidos. Todos dedicam um ódio e uma fixação patológicos a Lula. Dilma, porém, vai às festas dos meios de comunicação que tanto a detrataram e ao seu padrinho político – o termo “padrinho” é lícito porque quem a elegeu foi o antecessor – e hoje mesmo ela recebe, na residência oficial, o líder máximo dos desafetos de Lula, Fernando Henrique Cardoso.

Parece lógico inferir que, se Lula controlasse Dilma, essa relação entre ela, de um lado, e a mídia e a oposição de outro, seria mais parecida com a que ele teve…

Uma das frases que marcaram a era Lula, aliás, foi dele mesmo. O ex-presidente dizia, reiteradamente, que se orgulhava de nunca ter almoçado ou jantado com donos de meios de comunicação durante a sua Presidência. Aliás, este blogueiro ouviu isso dele pessoalmente quando o entrevistou no Palácio do Planalto, ano passado.

Brasileiro pode não ter memória política para fatos, mas as picuinhas políticas ficam gravadas. Quando se passa meses a fio chamando uma personagem política de “poste” em jornais, rádios, televisão e na internet, como foi durante o ano passado, isso fica, sim, na cabeça das pessoas.

Como todos sabem que Lula e FHC são adversários, ver Dilma e o tucano confraternizando diz muito sobre aquela história midiática de que, se eleita, ela se tornaria um joguete. O que alguém lhe diz e que não se confirma vai tirando, pelo menos em seu inconsciente, a confiança que você tinha em quem disse, sobretudo se acreditou anteriormente nesse alguém.

Esse desmentido factual da mídia aconteceu de novo, agora de forma mais explícita e instantânea. No último fim de semana, a mídia foi infestada pela “demissão” virtual do ministro Orlando Silva. O blogueiro da Veja, Reinaldo Azevedo, chegou a garantir, no sábado, que de segunda-feira ele não passava, como ministro.

Ontem à tarde, a caminho de casa, o blogueiro estaciona o carro diante de um botecão para comprar cigarros. Um grupo de senhores maduros, mais para idosos, tomava cerveja e conversava. Enquanto esperava para ser atendido pelo caixa do estabelecimento, percebeu que debatiam, acaloradamente, se Orlando Silva ainda era ministro ou não.

Um deles garantia que a nora, que dizia “bem informada, havia lhe comunicado que lera “no jornal” que o “negão” não era mais ministro, ao que outro afiançava que a informação estava errada, que o Jornal Nacional dissera que o ministro continua no cargo. E emendou: “Cada hora dizem uma coisa”.

É curioso como na era da informação este país se vê tão pouco informado. As novas tecnologias deveriam fazer com que os que se interessam pela informação pudessem se informar como nunca fora possível. Todavia, o que acontece hoje é o contrário. Cada vez mais as pessoas duvidam de informações porque, ao que um diz, o outro desdiz. Sobretudo em política.

Pensando bem, no entanto, talvez isso seja bom, porque informações polêmicas precisam de questionamento e de múltiplas versões.

Prossegue, no entanto, a dúvida deste blog em relação ao acerto da estratégia política de Dilma. Mas, astuciosamente, desta vez ela deixou a mídia “rasgar a camisa”, como diz uma amiga, ao investir dessa forma descontrolada contra o governo, chegando ao absurdo de anunciar a demissão de um ministro. E depois a deixou se estatelar ao mantê-lo no cargo.

O episódio conferiu credibilidade a afirmações quase inaudíveis de Dilma – por conta da baixa ou distorcida divulgação da mídia – de que os outros ministros não foram demitidos, de que saíram porque quiseram e de que, se quisessem, poderiam ter permanecido nos cargos, pois ela os teria mantido, e de que só saíram porque fraquejaram diante dos ataques da mídia às suas famílias.

Dilma, porém, aprimorou a sua estratégia. Apesar de poucas declarações, desta vez ela manifestou um apoio bem maior a um ministro na berlinda midiática, por mais que tenha condicionado esse apoio ao não surgimento das provas que a revista Veja e seu delator haviam prometido contra Orlando Silva e que garantiam que iriam “nocauteá-lo”.

Seja como for, ontem a mídia se arrebentou ao ter sido obrigada a divulgar matéria como a que saiu no portal G1 no meio da tarde, que reconhecia, já no título, que Policial diz que não tem provas específicas contra Orlando Silva. Mais à noite, no Jornal Nacional, a reportagem sobre o caso tampouco pôde fugir de reconhecer o mesmo.

No alto da página, imagem da capa da revista Época em uma edição publicada no fragor da disputa eleitoral do ano passado, em que Dilma aparecia fazendo uma pergunta que, neste momento, adquire um sentido especial: “Você acha que sou um poste?”. Se tivesse que responder, diria que, de “poste”, essa mulher que governa o Brasil não tem nada.

A astúcia do “poste” | Blog da Cidadania

22/10/2011

Instituições de joelhos

Filed under: Grupos Mafiomidiáticos — Gilmar Crestani @ 9:06 am
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Posted by eduguim on 22/10/11 • Categorized as Opinião do blog

Ontem senti vergonha do Brasil porque finalmente caí na real: este país está longe de ter condições de assumir a posição que já poderia ter assumido há muito tempo no concerto das nações se esta não fosse uma terra em que ocorrem as barbaridades que vêm ocorrendo desde há uma semana com uma campanha difamatória repugnante, sem fundamento e endossada até pelas mais altas autoridades.

Desde as primeiras horas da manhã até quase o fim da noite de sexta-feira o país foi bombardeado por uma onda de boatos e notícias falsas sobre a presidente Dilma já ter se decidido a demitir o ministro do Esporte, Orlando Silva, com base nas denúncias levianas da revista Veja e de um policial militar que ficou milionário repentinamente.

Se fosse uma boataria anônima, porém, não haveria o que estranhar ou lamentar. Boateiros existem em qualquer parte. Todavia, tudo foi feito pela grande imprensa do país. Os portais iam amontoando acusações ao ministro-alvo a espaços de não mais do que uma hora, uma hora e pouco, enquanto chamadas nas home pages dos portais da mídia reiteravam garantias de que de ontem o alvo não passaria.

Propriedades de Silva ditas falsamente incompatíveis com a sua renda, declarações arrancadas da Fifa pela mídia após a entidade ser (des)informada pela matéria do Estadão, acusação contra a esposa do ministro do Esporte apresentada como “furo” de reportagem pelo Estadão apesar de ter se baseado em matéria divulgada à farta no Diário Oficial da União…

Mas isso não é o pior. Enquanto essa farsa vergonhosa esbofeteava o país, as instituições e autoridades da República assistiam a tudo ou acumpliciadas com a comédia ou, ao menos, paralisadas de medo – ou seria pavor? – de atraírem a fúria midiática, pois esta tem, hoje, poder de difamar e condenar qualquer um sem qualquer prova e sem que nada aconteça.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por exemplo. Recebeu pedido de Orlando Silva para que fosse investigado e, apavorado pela hipótese de a mídia dizer sobre si que era parcial, como fez quando não abriu investigação contra Antonio Palocci, enviou pedido de abertura de inquérito ao Supremo Tribunal Federal sem nem ouvir o acusado, mudando seletivamente o procedimento-padrão do Ministério Público.

O governo, em vez de desmentir imediatamente a matéria do Estadão que garantia que o ministro do Esporte já estaria “demitido” – até para preservar a imagem da presidente da República, que, poucas horas antes, garantia que não haveria demissão alguma enquanto não surgissem provas –, deixou que proliferasse a enxurrada de matérias anunciando sua demissão sumária.

O partido do governo, o PT, idem. Apavorado, deixou o aliado mais fiel durante o escândalo do mensalão, o PC do B, ser espancado e caluniado em praça pública sem uma mísera declaração contundente de apoio.

Em suma: nenhum mísero homem público ou instituição teve a coragem e a decência de desmentir e repudiar a onda de boatos falsos e as matérias dos colunistas e blogueiros da grande mídia que não param um minuto de chamar de corruptos não só os comunistas e o ministro, mas cada cidadão comum, sem partido mas com opinião e senso de justiça que se rebelou contra a vergonha midiática.

No meio de tudo isso, uma luz: o Partido Comunista do Brasil e seu ministro, unidos e uníssonos, garantiram que não haveria pedido demissão. Um sopro de coragem em meio à escandalosa covardia que se abateu sobre as instituições brasileiras diante de uma das farsas mais vergonhosas da história recente, da tentativa de destruir um cidadão sem um mísero elemento de prova.

Não, não estamos preparados para assumir o nosso papel no concerto das nações. Este país ainda não se civilizou suficientemente. Temos uma imprensa corrupta até o âmago, capaz de anunciar a demissão desonrosa de um cidadão e ministro de Estado com base em nada além da própria vontade, na certeza de que seria “obedecida”. E ainda insinuando que a presidente da República mentira ao dizer que demissão não haveria.

Um país não progride com uma imprensa tão corrupta e irresponsável que se porta como militante política, que inventa notícias, que inventa denúncias, que difama sem provas, que esconde e distorce fatos, e com instituições e homens públicos covardes, incapazes de se indignar e de defender a verdade e a justiça.

Neste sábado o país ainda tem pela frente nova armação da Veja, que promete para hoje, finalmente, provas que prometera apresentar na última segunda-feira e que até agora ninguém sabe, ninguém viu. Em seguida, nova onda de “notícias” sobre nova demissão “garantida” do ministro, pouco importando o que diga a chefe do Poder Executivo, a única que pode demitir alguém no governo federal.

Ontem senti vergonha deste país e ainda não me livrei dela. Mas o pior é a desesperança. Ainda não chegou a vez do nosso Brasil.

Instituições de joelhos | Blog da Cidadania

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