Ficha Corrida

13/03/2016

Riocentro

A cadela do fascismo, como profetizou Bertold Brecht, está sempre no cio.

E se o ovo da serpente fascista chocou é porque as instituições que deveriam zelar pelo respeito às leis falharam. Onde estavam a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Poder Judiciário que deixaram passar batido o atentado do Riocentro? Neste caso não há sequer a desculpa da lei de anistia, porque foi cometido depois da referida lei. O que prova que nossas instituições também estão impregnadas de autoritarismo excludente.

Se nossas instituições tivessem funcionado para punir os ditadores e seus crimes, inclusive as empresas que apoiaram o golpe e com ele se locupletaram, os fascistas que hoje engrossam a marcha dos zumbis pensariam duas vezes antes saírem do armário.

É por isso que, em pleno século XX, seres vivos com diplomas universitários ousam defender golpe militar e ditadura. A cadela do fascismo perdeu o pudor e trepa no meio da rua com uma matilha de cães raivosos. O suprassumo do despudor é que vestem camisas padrão FIFA com escudo da CBF. Entidades que dispensam maiores comentários em relação ao que há de pior em termos corrupção.

Tinha decidido abandonar este blog, depois de mais de vinte anos de luta na internet, para não me deixar contaminar pelo mesmo ódio com que atacam. Não há o mínimo de racionalidade. É só ódio. Ódio de perdedor intoxicado. Todas as pessoas com quem converso repetem o mesmo discurso surrado da Rede Globo. Ficam apopléticas quando ouvem razões que não saem dos meios golpistas. Qualquer pensamento fora do autorizado pelas cinco irmãs (Veja, Folha, Estadão, RBS & Rede Globo), desnorteia e só não mordem porque a boca já está cheia de baba.

Até a bispos da Igreja Católica resolveram se despirem da batina para insuflarem o ódio.

Eu que fui seminarista por seis anos vejo com muita tristeza que o demônio também comunga e veste batina. Diante de tanto sacrilégio, é uma lástima que não exista inferno. Caronte teria muito trabalho atravessando o caronte com sua barca repleta de pessoas que usaram o nome de Deus para blasfemarem. Conspurcam a fé com práticas fascistas.

No livro Batismo de Sangue do Frei Beto, que li quando ainda era seminarista, fica-se sabendo que o Bispo de Porto Alegre à época, D. Vicente Scherer, era um dos dedos dura da repressão. O mesmo que depois foi esfaqueado no Bairro Medianeira por meninos que assediava sexualmente.

Se os golpistas de 1964 continuam ativos é porque ninguém fez nada para puni-los. Em quase dezesseis anos de governo a esquerda continuou se conspurcando com a Rede Globo. Ninguém se importou em fazer com que a golpista perdesse a concessão pública. Pior, continuam jorrando publicidade para um grupo que sempre se locupletou, por todas as formas possíveis com o dinheiro público. A parceria no caso Miriam Dutra x FHC é apenas a cereja do bolo.

Pior do que os fascistas que saem dos armários como hienas são as pessoas que deveriam zelar pelo respeito às leis e às instituições públicas mas se aliam aos violadores. Como na Síndrome de Estocolmo, as vítimas da ditadura não se cansam de, iguais às mariposas, entrarem no cio toda vez que veem um holofote.

Os milhares de crimes impunes da ditadura é o estrume do qual brotam os fascistas que hoje querem derrubar exatamente uma pessoa sobre a qual não pesa uma vírgula de acusação, e que foi a grande vítima da ditadura, Dilma. Tudo para proteger verdadeiros toxicômanos, e toda sorte de corruptos que, não fosse seu governo republicano, ainda posariam de varões de Plutarco.

Os midiotas que compram por verdade o discurso golpista dos assoCIAdos do Instituto Millenium é uma manada de bovinos que se deixam amadrinhar por uma égua também no cio, a Rede Globo.

Como na fábula da rã e do escorpião, o golpismo é da natureza da Rede Globo. Além da sonegação, claro…

11/08/2014

Eu já via isso em 1987

Filed under: Grupo RBS,Grupos Mafiomidiáticos,Manipulação,RBS — Gilmar Crestani @ 3:27 pm
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RBSnMeu divórcio com a RBS aconteceu em 1987. Até esta época era assinante. Uma greve dos bancários da qual fazia parte mudou radicalmente. Uma assembleia no Gigantinho, com Olívio Dutra na direção do Sindicato, me fez tomar a decisão de nunca mais deixar Zero Hora entrar na minha casa. E não foram poucas as vezes que me procuraram e ainda me mandam e-mails. Naquela greve, como sempre, Zero Hora posicionou-se ao lado dos anunciantes, a FEBRABAN. Diuturnamente batia na categoria e defendia os bancos. No dia da assembleia, quando os funcionários da RBS chegaram para fazer as imagens, a categoria viramos as costas.

No dia seguinte, Zero Hora publicou nossa foto com a legenda de que teríamos, por divergência nos rumos da greve, virado as costas aos dirigentes. Mentira afrontosa. Não havia internet. Cancelei minha assinatura, escrevi e registrei carta, mas nunca saiu na ZH. A partir daquele fato tomei por bandeira desmistificar e desmentir, por quaisquer meios, as fantasiosas manipulações. O que não conseguiu fazer publicar na seção de cartas de ZH conseguia no moribundo Pasquim, no RJ. Anos depois fui convidado e colaborei com o Observatório da Imprensa por quase dois anos. Um telefonema dos Sirotsky pedindo minha cabeça ao Alberto Dines encerrou minha gratuita participação. Mas aí eu já tinha blog e não dependia de nada nem de ninguém.

Hoje alguns colegas pensam que faço a defesa do PT. Meia verdade. Minha bandeira sempre foi a desmistificação, o ataque às manipulações dos velhos grupos de mídia. O Pedrinho Guareschi fez vários estudos e publicou alguns livros mostrando como se processava a manipulação da RBS. A dissidência, de forma desorganizada, continua aumentado na Internet. Agora a UERJ resolveu acompanhar e denunciar a campanha d’O Globo (Manchetômetro).

A decadência e a morte da velha mídia decorre da liberdade que a internet trouxe. As manipulações que saem no matutino, duas horas depois estão desmentidas pelas redes sociais. Mesmo o PSDB, gastando milhões na distribuição de assinaturas da Veja, Folha e Estadão nas escolas e repartições públicas, conseguirá manter vivos quem se encontra respirando por aparelhos.

O que eu não conseguiu dizer, porque não tinha espaço na Zero Hora nem na seção de cartas, hoje publico e distribuo nas redes sociais. Mesmo quem não comunga com as minhas ideias mas se dão ao respeito em relação à diversidade, acabam por se dar conta do viés ideológico que perdura desde a ditadura nos meios de comunicação. Não é mero acaso mas é coincidência que a Folha ainda chame a ditadura de ditabranda.

Quando uma pessoa despida de preconceitos e que tem algum pingo de boa vontade se depara com a diferença de tratamento com que a Veja e a Rede Globo tratam do helicóptero com 450 kg de cocaína em relação à mudança do perfil de funcionário na Wikipédia logo se dá conta do tamanho da desproporcionalidade.

Veja, um político que foi objeto de investigação não pode participar do Governo Federal, mas viciado em cocaína pode aparecer na tela da Rede Globo (e via de consequência, RBS) todos os domingos.

Demissões na RBS: a ponta do iceberg

O que apareceu até agora das mudanças na RBS é a face mais visível de um plano estratégico, que não é coisa da cabeça do Duda Melzer.

Ele mesmo diz, em sua desastrada nota, que foi trabalho de um ano.
Com certeza, envolveu toda a cúpula da empresa e teve a influência de altas e renomadas consultorias externas.

As demissões, que não devem se limitar às 130 já anunciadas, apenas revelam o aspecto mais agressivo, mais impactante do processo. Não o essencial, certamente.

“Otimizar custos” é o sentido claro do corte de pessoal. Centralizar a produção de certos conteúdos, comuns aos diversos jornais impressos, como foi anunciado, é o caminho óbvio nessas circunstâncias.

Nada disso, porém, toca no essencial. São paliativos ante a questão central para a qual eles não têm resposta: como manter a hegemonia num “mercado” que se altera rápida e inevitavelmente.

Em seu diagnóstico,  cita-se apenas a internet como o agente das mudanças, o responsável pelos “novos hábitos de consumir de mídia”, como diz Duda Melzer.

O buraco é mais em cima. Não é só a tecnologia que determina as mudanças.
Há uma sociedade cuja qualidade política se altera, há um processo de organização e participação que avança na contra-mão dessa dominação dos meios informativos.

As grandes corporações de mídia não estão perdendo terreno porque fazem mal o que fazem (embora isso também seja verdadeiro, quando se trata de jornalismo).

A questão é que essas gigantescas e esclerosadas estruturas não dão mais conta das novas demandas por informação e diversidade que a sociedade hoje apresenta.

Esse jornalismo faccioso, sustentado por grandes anunciantes, não engana mais ninguém. Não adianta mudar de plataforma.

A crise na RBS é a ponta de um iceberg rumo ao qual navega impávido o Titanic de toda a dita “mídia nativa”, cevada na ditadura.

Demissões na RBS: a ponta do iceberg | Jornal Já | Porto Alegre | Rio Grande do Sul

03/04/2014

Não teria existido ditadura sem a participação das famíglias Frias, Mesquita, Civita, Marinho & Sirotsky

 

A imprensa e o golpe de 64

Postado em 30 Mar 2014

por : Paulo Nogueira

Um aliado dos generais

Um aliado dos generais

Folha, Globo e outros jornais estão fazendo especiais sobre os 50 anos do Golpe.

É uma tragédia e ao mesmo tempo uma comédia.

Qualquer esforço sério para falar do Golpe tem que tratar do papel crucial da mídia. O que jornais como o Globo, a Folha, o Estadão e tantos outros fizeram, portanto.

Alguma linha sobre o assunto?

Pausa para rir, ou para chorar. Você escolhe.

1964 não teria existido sem a imprensa, este é um fato doído para nós, jornalistas.

Os jornais construíram um Brasil fantasioso – de mentira, sejamos diretos – que chancelaria a ação dos militares.

Como mostrou o jornalista Mário Magalhães em seu blog nestes dias, o presidente João Goulart tinha alta popularidade em março de 1964.

Numa pesquisa do Ibope, não divulgada à época e nem por muitos anos, ele aparecia bem à frente na lista de intenções de voto para as eleições presidenciais de 1965.

Como não seria popular um presidente que tinha uma agenda pró-povo como Jango? Entre outras coisas, em seu governo foi criado o 13.o salário, que o Globo – numa hoje amplamente exposta e debochada primeira página – tratou como calamidade.

Mas o noticiário criava a sensação de que os brasileiros em massa eram contra Jango. O Globo conseguiu dizer que a democracia fora “restaurada” com o golpe que mataria tantas pessoas e faria de seu dono o homem mais rico do país.

Mesmo o grande jornal que mais tarde foi uma trincheira na oposição aos militares – o extinto Correio da Manhã – produziu duas manchetes que entrariam tristemente na história.

Uma delas dizia “Basta!” e a outra “Fora!” Como maus exemplos prosperam, a Veja copiaria o Correio da Manhã na capa em que, décadas depois, anunciou a saída de Collor. (E sonharia por oito anos repetir a cópia na gestão de Lula.)

O apoio da mídia à ditadura se manteria enquanto os militares foram fortes para beneficiar seus donos.

A campanha da Folha pelas eleições diretas só veio quando a ditadura cambaleava: politicamente, a insatisfação galopava, e a economia era um caos insustentável.

Antes, Octavio Frias se comportara de maneira bem diferente. Cedera carros da Folha para a caça a opositores da ditadura, o que o levou a temer ser justiçado como outro empresário que fez o mesmo, Henning Albert Boilesen, da Ultragás.

Frias mostrou também sua combatividade seletiva quando, depois de uma crônica de Lourenço Diaféria que dizia que o povo mijava na estátua do Duque de Caxias, patrono do Exército, recebeu uma ordem de um general para afastar o diretor de redação Claudio Abramo.

Afastou – não um mês, uma semana, um dia depois. Afastou na hora. Covardemente, ainda mandou retirar seu próprio nome – dele, Frias — da primeira página do jornal como “diretor responsável”.

Pôs o de Boris Casoy, escolhido para substituir Claudio por causa de seus notórios vínculos com a ditadura. Boris foi integrante do Comando de Caça aos Comunistas, o CCC. Não sabia escrever, mas isso era um detalhe.

Depois, quando a ditadura desabava, Frias autorizou valentemente a campanha das Diretas Já, tão enaltecida como nascida da grandeza de Frias ainda hoje por jornalistas de renome como Clóvis Rossi.

Não era fácil se jornalista naqueles dias, especialmente se você tivesse convicções.

Meu pai – Emir Macedo Nogueira – era editorialista da Folha em meados dos anos 60, quando eclodiu uma greve de fome entre os presos políticos em São Paulo.

Frias mandou meu pai escrever um editorial que afirmaria não haver presos políticos, só prisioneiros comuns.

Papai se recusou, e foi tirado da posição. Por que Frias não o mandou embora, às vezes me pergunto. Imagino que sejam duas as explicações: a primeira, papai tinha um talento excepcional. A segunda: uma demissão significaria que Frias levara a perseguição política para o interior da Folha.

Prova de quanto era dura a vida na redação, o editorial acabou sendo escrito por Claudio Abramo, um grande jornalista de esquerda, cheio de amigos entre os presos políticos em greve de fome.

Papai na Folha na década de 70: ele se recusou a escrever um editorial que afirmaria que não havia presos políticos

Papai na Folha na década de 70: ele se recusou a escrever um editorial que afirmaria que não havia presos políticos

Você pode imaginar o sofrimento que foi para Claudio escrever o que escreveu naquele dia.

Quando penso no papel desempenhado pela imprensa no golpe, tenho vergonha de ser jornalista. Mas aí me lembro de como o DCM é diferente de tudo aquilo e sigo adiante, para combater o bom combate.

Paulo Nogueira

Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Diário do Centro do Mundo » A imprensa e o golpe de 64

01/04/2014

Guerra Civil Espanhola

Filed under: Franquismo,Guerra Civil Espanhola,Roubo de bebês — Gilmar Crestani @ 9:25 am
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La Guerra Civil que nunca se aprendió en las escuelas

Por: Julián Casanova | 01 de abril de 2014

Cartel de Arnau sobre un parte oficial del cuartel general del Generalísimo. / Biblioteca Nacional (BNE)

“En el día de hoy, cautivo y desarmado el Ejército rojo, nuestras tropas victoriosas han alcanzado sus últimos objetivos militares. La guerra ha terminado”, decía el último parte oficial emitido desde el cuartel general de Franco el 1 de abril de 1939, con la voz del locutor y actor Fernando Fernández de Córdoba.

Atrás había quedado una guerra de casi mil días, que dejó cicatrices duraderas en la sociedad española. El total de víctimas mortales, según los historiadores, se aproximó a las 600.000, de las cuales 100.000 corresponden a la represión desencadenada por los militares sublevados y 55.000 a la violencia en la zona republicana. El desmoronamiento del ejército republicano en la primavera de 1939 llevó a varios centenares de miles de soldados vencidos a cárceles e improvisados campos de concentración. A finales de 1939 y durante 1940 las fuentes oficiales daban más de 270.000 reclusos, una cifra que descendió de forma continua en los dos años siguientes debido a las numerosas ejecuciones y a los miles de muertos por enfermedad y desnutrición. Al menos 50.000 personas fueron ejecutadas entre 1939 y 1946.

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Los hechos más significativos de la Guerra Civil han sido ya investigados y las preguntas más relevantes están resueltas, pero esa historia no es un territorio exclusivo de los historiadores y, en cualquier caso, lo que enseñamos los historiadores en las universidades y en nuestros libros no es lo mismo que lo que la mayoría de los ciudadanos que nacieron durante la dictadura o en los primeros años de la actual democracia pudieron leer en los libros de texto del Bachillerato. Además, millones de personas nunca estudiaron la Guerra Civil porque no hicieron Bachillerato o porque nadie les contó la guerra en las asignaturas de Historia.

Setenta y cinco años después de su final, puede ser el momento de recordar cinco cosas básicas que todo ciudadano informado debería saber sobre la Guerra Civil, pero nunca le enseñaron.

1. ¿Por qué hubo una Guerra Civil en España?

En 1936 había en España una República, cuyas leyes y actuaciones habían abierto la posibilidad histórica de solucionar problemas irresueltos, pero habían encontrado también, y provocado, importantes factores de inestabilidad, frente a los que sus gobiernos no supieron, o no pudieron, poner en marcha los recursos apropiados para contrarrestarlos.

La amenaza al orden social y la subversión de las relaciones de clase se percibían con mayor intensidad en 1936 que en los primeros años de la República. La estabilidad política del régimen también corría mayor peligro. El lenguaje de clase, con su retórica sobre las divisiones sociales y sus incitaciones a atacar al contrario, había impregnado gradualmente la atmósfera española. La República intentó transformar demasiadas cosas a la vez: la tierra, la Iglesia, el Ejército, la educación, las relaciones laborales. Suscitó grandes expectativas, que no pudo satisfacer, y se creó pronto muchos y poderosos enemigos.

La sociedad española se fragmentó, con la convivencia bastante deteriorada, y como pasaba en todos los países europeos, posiblemente con la excepción de Gran Bretaña, el rechazo de la democracia liberal a favor del autoritarismo avanzaba a pasos agigantados. Nada de eso conducía necesariamente a una guerra civil. Ésta empezó porque un golpe de Estado militar no consiguió de entrada su objetivo fundamental, apoderarse del poder y derribar al régimen republicano, y porque, al contrario de lo que ocurrió con otras repúblicas del período, hubo una resistencia importante y amplia, militar y civil, frente al intento de imponer un sistema autoritario. Sin esa combinación de golpe de Estado, división de las fuerzas armadas y resistencia, nunca se habría producido una guerra civil. 

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Vista la historia de Europa de esos años, y la de las otras República que no pudieron mantenerse como regímenes democráticos, lo normal es que la República española tampoco hubiera podido sobrevivir. Pero eso no lo sabremos nunca porque la sublevación militar tuvo la peculiaridad de provocar una fractura dentro del Ejército y de las fuerzas de seguridad. Y al hacerlo, abrió la posibilidad de que diferentes grupos armados compitieran por mantener el poder o por conquistarlo. El Estado republicano se tambaleó, el orden quebró y una revolución radical y destructora se extendió como la lava de un volcán por las ciudades donde la sublevación había fracasado. Allí donde triunfó, los militares pusieron en marcha un sistema de terror que aniquiló físicamente a sus enemigos políticos e ideológicos. Era julio de 1936 y así comenzó la Guerra Civil española.

2. ¿Por qué la propaganda domina a la historia cuando se trata de la violencia?

Para los españoles, la guerra civil ha pasado a la historia, y al recuerdo que de ella queda, por la deshumanización del contrario y por la espantosa violencia que generó.

Los bandos que se enfrentaron en ella eran tan diferentes desde el punto de vista de las ideas, de cómo querían organizar el Estado y la sociedad, y estaban tan comprometidos con los objetivos por los que tomaron las armas, que era difícil alcanzar un acuerdo. Y el panorama internacional tampoco dejó espacio para las negociaciones. De esa forma, la guerra acabó con la aplastante victoria de un bando sobre otro, una victoria asociada desde ese momento a los asesinatos y atrocidades que se extendían entonces por casi todos los países de Europa.

La apelación a la violencia y al exterminio del contrario fueron además valores duraderos en la dictadura que se levantó sobre la Guerra Civil y que iba a prolongarse durante casi cuatro décadas. Por eso, la sociedad que salió del franquismo y la que creció con la democracia mostró índices tan elevados de indiferencia hacia la causa de las víctimas de la Guerra Civil y de la dictadura. Y sigue sin haber acuerdo fácil en esa cuestión, porque todas las complejas y bien trabadas explicaciones de los historiadores quedan reducidas a quién mató más y con mayor alevosía. En ese tema, todavía hoy, la propaganda, con sus habituales tópicos y mitos, suele sustituir al análisis histórico.

3. ¿Cómo se vio y se ve la Guerra Civil española en el exterior?

Pese a lo sangrienta y destructiva que pudo ser, la Guerra Civil española debe medirse también por su impacto internacional, por el interés y la movilización que provocó en otros países. En el escenario internacional desequilibrado por la crisis de las democracias y la irrupción del comunismo y de fascismo, España era, hasta julio de 1936, una país marginal, secundario. Todo cambió, sin embargo, a partir de la sublevación militar de ese mes. En unas pocas semanas, el conflicto español recién iniciado se situó en el centro de las preocupaciones de las principales potencias, dividió profundamente a la opinión pública, generó pasiones y España pasó a ser el símbolo de los combates entre fascismo, democracia y comunismo.

Lo que era en su origen un conflicto entre ciudadanos de un mismo país derivó muy pronto en una guerra con actores internacionales. La situación internacional era en ese momento my poco propicia para la República, y para una paz negociada, y eso marcó de forma decisiva la duración, curso y desenlace de la guerra civil española. La Depresión había alimentado el extremismo y minado la fe en el liberalismo y la democracia. Además, la subida al poder de Hitler y los nazis en Alemania y la política de rearme emprendida por los principales países europeos desde comienzos de esa década crearon un clima de incertidumbre y crisis que redujo la seguridad internacional.

Los mejores expertos sobre la financiación de la guerra y su dimensión internacional han destacado el desequilibrio a favor de la causa franquista de suministros de material bélico, pero también de asistencia logística, diplomática y financiera. Al margen de las interpretaciones canónicas de un lado o de otro, esos historiadores subrayan la trascendencia de la intervención extranjera en el curso y desenlace de la guerra. La intervención de la Alemania nazi y de la Italia fascista y la retracción, en el mejor de los casos, de las democracias occidentales condicionaron de forma muy importante, si no decisiva, la evolución y duración del conflicto y su resultado final.

Compañía del ejército fascista, de marcha por España durante la Guerra Civil. La foto fue tomada en 1937 por el teniente italiano Guglielmo Sandri.Pero  a España no sólo llegaron armas y material de guerra. Llegaron también muchos voluntarios extranjeros, reclutados y organizados en las Brigadas Internacionales por la Internacional Comunista, que percibió muy claramente el impacto de la Guerra Civil española en el mundo y el deseo de muchos antifascistas de participar en esa lucha. Frente a la intervención soviética y a las Brigadas Internacionales, los nazis y fascistas [en la foto, una compañía del ejército fascista de marcha por España en 1937, retratados por el teniente italiano Guglielmo Sandri] incrementaron el apoyo material al ejército de Franco y enviaron asimismo miles de militares profesionales y combatientes voluntarios. La guerra no era sólo un asunto interno español. Se internacionalizó y con ello ganó en brutalidad y destrucción. Porque el territorio español se convirtió en campo de pruebas del nuevo armamento que estaba desarrollándose en esos años de rearme, previos a una gran guerra que se anunciaba.

4. ¿Por qué se movilizaron tantos extranjeros en la guerra española?

Dentro de esa guerra internacional en suelo español hubo varias y diferentes contiendas. En primer lugar, un conflicto militar, iniciado cuando el golpe de Estado enterró las soluciones políticas y puso en su lugar las armas. Fue también una guerra de clases, entre diferentes concepciones del orden social, una guerra de religión, entre el catolicismo y el anticlericalismo, una guerra en torno a la idea de la patria y de la nación, y una guerra de ideas que estaban entonces en pugna en el escenario internacional. En la guerra civil española cristalizaron, en suma, batallas universales entre propietarios y trabajadores, Iglesia y Estado, entre oscurantismo y modernización, dirimidas en un marco internacional desequilibrado por la crisis de las democracias y la irrupción del comunismo y del fascismo. Por eso tanta gente de diferentes países, obreros, intelectuales y escritores, se sintió emocionalmente comprometida con el conflicto.

5. ¿Por qué ganó Franco la guerra?

Los militares sublevados en julio de 1936 ganaron la guerra porque tenían las tropas mejor entrenadas del ejército español, al poder económico, estaban más unidos que el bando republicano y los vientos internacionales soplaban a su favor. Después de la Primera Guerra Mundial y del triunfo de la revolución en Rusia, ninguna guerra civil podía ser ya sólo “interna”. Cuando empezó la Guerra Civil española, los poderes democráticos estaban intentando a toda costa “apaciguar” a los fascismos, sobre todo a la Alemania nazi, en vez de oponerse a quien realmente amenazaba el equilibrio de poder. La República se encontró, por lo tanto, con la tremenda adversidad de tener que hacer la guerra a unos militares sublevados que se beneficiaron desde el principio de esa situación internacional tan favorable a sus intereses.

La victoria incondicional de las tropas del general Francisco Franco, el 1 de abril de 1939, inauguró la última de las dictaduras que se establecieron en Europa antes de la Segunda Guerra Mundial. La dictadura de Franco, como la de Hitler, Mussolini u otros dictadores derechistas de esos años, se apoyó en el rechazo de amplios sectores de la sociedad a la democracia liberal y a la revolución, quienes pedían a cambio una solución autoritaria que mantuviera el orden y fortaleciera al Estado. 

Franco preside un desfile militar en los años cuarenta

Setenta y cinco años después, pocos creen ya que el objetivo del historiador es presentar a sus lectores “la verdad sin mancha ni pintura”, o que el pasado existe independiente de la mente de los individuos y lo que tiene que hacer el historiador, en consecuencia, es representarlo de forma objetiva. Que los hechos de la historia nunca nos llegan a nosotros en estado “puro” es algo que popularizó Edward H. Carr hace ya muchos años y había sido ya dicho por los historiadores norteamericanos de la “New History” a comienzos del siglo XX. Pero asumiendo que la verdad absoluta es inalcanzable, la función del historiador debería ser todavía, en palabras de François Bedarida, “la de descubrir modestamente las verdades, aunque sean parciales y precarias, descifrando parcialmente en toda su riqueza los mitos y las memorias”. Y algunas verdades relativas y bastantes certezas tenemos ya sobre la Guerra Civil, después de tantos intentos por reconstruir aquellos hechos y las vidas de los que los presenciaron, y por ampliar el foco, las fuentes y las técnicas de interpretación.

Además de difundir el horror que la guerra y la dictadura generaron y de reparar a las víctimas durante tanto tiempo olvidadas, hay que convertir a los archivos, museos y a la educación en las escuelas y universidades en los tres ejes básicos de la política pública de la memoria. Más allá del recuerdo testimonial y del drama de los que sufrieron la violencia, las generaciones futuras conocerán la historia por los libros, documentos y el material fotográfico y audiovisual que seamos capaces de preservar y legarles. Archivos, erudición, análisis, debates y buenas divulgaciones de los conocimientos. Eso es lo que necesitamos para seguir construyendo las partes del pasado que todavía quedan por rescatar. La propaganda y la opinión son otra cosa.

Julián Casanova es autor de España partida en dos. Breve historia de la guerra civil española (Crítica).

La Guerra Civil que nunca se aprendió en las escuelas >> Historia[S] >> Blogs EL PAÍS

19/03/2014

Passeata pede volta da escravidão no Brasil

Filed under: Escravatura,Humor — Gilmar Crestani @ 7:24 am
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Há verossimilhança, mas, seguindo orientações do Millôr Fernandes, alerto que este é um texto de humor… Infelizmente, como diria Millôr, no Brasil surreal das marchas pela ditadura há sempre que se avisar quando o há ironia… Os que dizem marchar pela família e pela liberdade são os mesmos que dizimaram famílias, não sem antes te-las preso e torturadas.

Passeata pede volta da escravidão no Brasil

18/03/2014 12:44 | Categoria: Brasil

Passeata pede volta da escravidão no Brasil

"Não há provas de que os negros foram maltratados durante a escravidão", defendeu Bolsonaro

CASA GRANDE – Após exigir intervenção militar contra a invasão comunista programada para 2014, cidadãos esclarecidos do Morumbi organizaram uma passeata ordeira e pacífica pela volta da escravidão. "Ninguém aguenta mais essa classe C emergente. Hoje em dia contratar uma babá custa uma fortuna e as empregadas domésticas estão cheias de direitos. Agora querem carro. Assim vamos virar uma Venezuela!", explicou a empresária Yara Caetano. "O povo de Moema anda dizendo que mora na Vila Nova Conceição, onde já se viu!", completou a empreendedora.

Sob a batuta de Maycon Freitas, líder dos movimentos de junho, que admite estar 85% politizado, o grupo trotará pela Avenida Paulista de fraque, cartola, monóculos e polaina. "Peparamos gritos de ordem contra aquela protopetralha chamada Princesa Isabel", bradou Freitas, enquanto acendia uma fogueira para queimar a bruxa Marilena Chauí.

O grupo defende a volta da escravidão até que as relações entre patrões e empregados seja restabelecida. "É uma oportunidade para setores esclarecidos da sociedade brasileira se manifestar", cravou o agropecuarista Marcos Barbosa. "Ninguém aguenta mais esse clima de insegurança jurídica", arrematou.

No final da tarde, houve uma dissidência no movimento. Uma ala de coxinhas de vanguarda se descolou do grupo para exigir que o Brasil volte a ser colônia de Portugal. "Quando a família real portuguesa estava por aqui, ninguém falava em comunismo", discursou Andrea Matarazzo, brandindo no ar um exemplar do livro No País dos Petralhas.

Passeata pede volta da escravidão no Brasil | The piauí Herald | Blogs [revista piauí] pra quem tem um clique a mais

15/03/2014

Juan Gelman in memoriam

Filed under: Juan Gelman,Roubo de bebês — Gilmar Crestani @ 8:15 pm
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Juan Ternura y Juan Coraje

Por Osvaldo Bayer

Apenas llegado a Buenos Aires recibo un sobre. Lo abro. Adentro trae una poesía. Del poeta y músico salteño Raúl Fernández. Se titula “Macarena” y está acompañada de una foto plena de ternura de nuestro gran poeta Juan Gelman abrazado a su nieta Macarena.

Recuerdo la emoción de Juan cuando por fin logró hallar a su nieta, hija del hijo de Gelman, desaparecido –junto a su esposa– por la dictadura militar del genocida Videla. Esa nieta fue buscada por años por su abuelo, nuestro poeta. Leí la poesía del poeta salteño y me emocionó.

Todo me hizo pensar en nuestro trágico pasado. Y recordé el coraje civil de nuestro poeta Juan Gelman. Se comprueba esto en la contratapa que escribió él para Página/12 el domingo 23 de agosto de 1998, titulada “De-samparos”. Allí critica abiertamente a la Corte Suprema de Justicia de la Nación. Con toda la valentía de un verdadero demócrata. Comienza así, sin pelos en la lengua: “Aún patalean los tiempos que hace más de 90 años Karl Kraus consideró de ‘enanos que manejan asuntos de gigantes’. Con el voto a favor de los doctores Julio Nazareno, Eduardo Moliné O’Connor, Augusto César Belluscio, Guillermo López y Adolfo Vázquez, la Corte Suprema de Justicia de la Nación falló que ‘No resulta admisible el recurso que Carmen Aguiar de Lapacó presentó para conocer el destino de su hija Alejandra, de-saparecida en el Centro Clandestino de Detención El Atlético, instalado en pleno San Telmo’. Dicho de otra manera, la búsqueda de la Verdad, pilar de toda Justicia, es ‘no admisible’ para el alto tribunal”.

Y prosigue Juan, el poeta: “‘Del error de los actos judiciales de los hombres, cuando está oculta la verdad’ es el título del capítulo VI del Libro XIX de la Ciudad de Dios, la obra que San Agustín dedicó a la exploración de asuntos terrestres y celestes. Es probable que alguno de esos seis jueces nuestros lo haya leído pero, si no es así, allí se dice, por ejemplo, ‘la ignorancia del juez viene a ser la calamidad del inocente’. Y también: ‘En semejantes densas nieblas como éstas de la vida política, pregunto: ¿se sentará en los estrados de juez un hombre sabio o no se sentará?’. Estas densas tinieblas de la política –continúa Gelman– son notorias en la Argentina de hoy: consisten en las presiones de las Fuerzas Armadas y del gobierno”. (Recordemos que era la presidencia de Carlos Menem.) San Agustín aconsejaba a los jueces que se dirijan a Dios con esta súplica: “Líbranos, Señor, de las necesidades”.

Y luego, Gelman hace historia: “Los argumentos empleados apuntan claramente a la impunidad. Se aduce que las leyes de Punto Final y de Obediencia Debida del ex presidente Alfonsín y los indultos de Menem cristalizan con el decreto que las dictaduras militares se dictaron a sí mismas y han clausurado la vía de las condenas penales para los represores”. Y les dice a los jueces: “Estos enterradores de la verdad desean matar el pasado, del mismo modo que las Fuerzas Armadas mataron el presente. Habría que equiparar sus sueldos al de los sepultureros de la Chacarita”. Con ese coraje civil, Gelman enfrenta a los máximos jueces de aquella época. Coraje civil que compartirá con la ternura de su carácter. Lo pudimos constatar cuando abrazó a su nieta Macarena, recuperada.

Juan Gelman es ya Juan Poeta, Juan Ternura y Juan Coraje.

Juan siguió siempre el camino de su coraje civil y de su alma poética.


MACARENA

SOLAS… las vocales y consonantes
SOLOS… los adjetivos y sustantivos
SOLOS… los sonetos versos endecasílabos, prosas y el poema
SOLOS… ante la ausencia de la pluma que construye la palabra,
Digna, profunda, y bella
Pero tan sólo… la vida tiene el don del milagro
A que la muerte perezca ante tanta luz
Que enceguece la eternidad y es poesía
Resurrecta, segundo a segundo, día a día.

Que la muerte descanse en paz, no hay lugar para ella
No sabe de pájaros, amaneceres y flores
No sabe del dolor de Padre, de Abuelo, de Poeta y de Amores.
Sólo esa luz diáfana y bella, la que habla sin odios
Y rencores, solo de lucha y de vida, es en ti MACARENA, la POESIA.

Humildemente de Argentina, Raúl G. Fernández (compositor)

Página/12 :: Contratapa :: Juan Ternura y Juan Coraje

Não há obra honesta obtida com arma na mão

Filed under: Golpe Militar,Gorilas — Gilmar Crestani @ 12:55 pm
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A única vitória do Exército Brasileiro foi contra o Paraguai, simplesmente porque os exércitos da Argentina e Inglaterra primeiro mataram os paraguaios… E a melhor obra que retrata a campanha do Paraguai é Avante, soldados: para trás, do Dionísio da Silva.

Que vantagem há em ser militar, tomar o poder pela arma, prender aqueles que discordam, amarra-los, aproveitar que estão presos e torturá-los, estuprá-los  para depois matá-los?!

E se dissolvêssemos o Exército?

Postado em 14 Mar 2014

por : Paulo Nogueira

Para que eles servem?

A petulância assombrosa do general Paulo Chagas me perturba.

Quem ele pensa que é para insinuar que o Brasil precisa dos militares no poder? Não bastou a tragédia política, econômica e social que os generais no poder impuseram ao país por mais de duas décadas?

Os militares favelizaram o Brasil ao servirem de babás para os ricos e de carrascos para os pobres.

Foi monstruosa a concentração de renda sob eles, e quando eles bateram em retirada a situação já era completamente insustentável para a ditadura.

Ou saíam pelas próprias pernas ou seriam enxotados, para simplificar.

Ao ler as provocações de Chagas a propósito dos 50 anos do golpe, me veio à cabeça um texto do escritor e jornalista Antônio Callado publicado em novembro de 1964 no finado Correio da Manhã, então um grande jornal.

Callado (1917-1997) enxergou o óbvio: o melhor para o Brasil seria, simplesmente, dissolver o Exército.

Não somos bélicos. Não temos pretensões imperialistas. Para que o custo de manter um Exército?

Quando Callado escreveu, a questão era ainda mais atual. Fazia muito tempo que o Exército se intrometia na vida política, e o golpe de 1964 ainda não completara um ano.

“Devemos procurar na América Latina os meios de nos livrarmos do Exército”, escreveu ele.

Havia dois modelos, segundo Callado. Um era Cuba. Ele cita um autor cubano que conta que foi liquidado em Cuba “o velho Exército mercenário, estruturado e recrutado na base da submissão ao imperialismo, do serviço dos exploradores e da exploração do povo”.

Seus integrantes foram “licenciados ou reformados e pensionados, de acordo com a idade”.

Que tal?

O segundo exemplo oferecido por Callado era a Costa Rica, uma das democracias mais vigorosas do continente.

Em 1948, a Costa Rica dissolveu o “caro Exército” e instalou como única força armada uma polícia de 1600 homens. Callado notava o alto gasto da Costa Rica com educação, em vez de armas.

“Nosso Exército só serve para complicar as coisas”, escreveu ele.

Callado terminou o artigo com uma história reveladora. O “truculento” general Góis Monteiro tivera uma explosão de cólera ao saber que o Brasil, na segunda guerra, decidira ceder bases aos americanos.

Uma pessoa próxima quis saber a razão da indignação do general. Patriotismo, nacionalismo, alguma coisa do gênero?

A resposta era bem mais prosaica.

O general estava positivamente incomodado com a possibilidade de que os soldados americanos comessem as brasileiras. A honra das vaginas nacionais devia ser protegida.

Pausa para rir.

Pronto.

Clap, clap, clap póstumos para Callado.

De pé.

Paulo Nogueira

Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Diário do Centro do Mundo » E se dissolvêssemos o Exército?

20/01/2014

Todos choram por ti, Juan Gelman

Filed under: Juan Gelman — Gilmar Crestani @ 7:49 am
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Fui leitor assíduo do Juan Gelman no Página12, de Buenos Aires. Republiquei neste espaço inúmeros textos dele e a respeito dele. Para dar a dimensão do homem e do que passou, bastam dois. Este a seguir, publicado em 03/04/2012, e outro, mais abaixo, ontem no Página12, pelo também escritor, o argentino Mempo Giardinelli:

03/04/2012

Macarena Gelman: “Não há Justiça sem Verdade”

 

El poeta, el dólar y los golpes en la vida

Por Mempo Giardinelli

Como si no fueran suficientes los 40 grados ya habituales, en el hirviente verano porteño hay gente especializada en recalentar los ánimos echando leña al fuego sin cesar y como para que el país camine una vez más hacia confrontaciones en las que no ganará nadie y perderán todos, excepto los grupos concentrados que siempre han tenido la sartén por el mango y el mango también, como decía la inolvidable María Elena Walsh.

Es curioso que esto suceda justo cuando la sociedad argentina lamenta la pérdida del poeta Juan Gelman, vate de excelencia y reconocimiento universal que, sin embargo, ya ha sido mediáticamente cuestionado por típicos compatriotas de esos que siempre buscan pelos en la leche. Y sucede, además, justo a la par de la declaración por parte del Poder Ejecutivo de tres días de duelo nacional con bandera a media asta, gesto inusual que entraña una valoración que trasciende la figura y la obra de Gelman. Porque no es común en la historia de este país que un literato, un intelectual, sea honrado de forma semejante. Y más aún considerando que en vida fue no sólo un enorme poeta –en otro registro pero no inferior a Borges– sino también un militante político de izquierdas, que pasó por el Partido Comunista en su juventud, y en su madurez por el peronismo revolucionario y la dirigencia de Montoneros. Y quien fue, además, un luchador ejemplar por la causa de los derechos humanos en la búsqueda de sus familiares desaparecidos durante la dictadura.

Independientemente de la valoración humana, literaria y política que se haga de Gelman, no deja de ser impresionante el gesto del Gobierno, sobre todo en momentos en que las aguas de esta nación se ven turbias y los calores extremos sofocan espíritus como nunca antes. Claro que el horno en que se ha convertido la vida porteña no depende solamente del fenómeno climático que se conoce como calentamiento global. Al incendio que es la vida cotidiana colaboran también agentes típicamente argentinos, porteños y con fuertes y claros intereses de clase.

Expertos en recalentar la vida diaria, logran que este enero tenga como tema casi excluyente la cotización del dólar. O mejor dicho, la desmesura del supuesto valor de la divisa norteamericana, que al cierre de esta edición giraba en torno de los 12 pesos, un monto que delata la ferocidad de un pequeño mercado perverso que más allá de consideraciones económicas deviene, lisa y llanamente, instrumento de desestabilización. O dicho más claro, factor golpista.

No es exagerado decirlo, aunque algunas buenas almas puedan pensarlo. El golpismo en la Argentina estuvo siempre vinculado con frustraciones, y en este caso es palpable la de sectores que, a la vista del fortalecimiento de la democracia y sus instituciones, no podrían alcanzar jamás el poder político por vías constitucionales. Eso los hace inventar recursos innobles, como cuando un ajedrecista que está perdiendo la partida opta por patear el tablero. Siempre ha sido así, de igual modo que siempre este tipo de aseveraciones ha sido negada.

En el caso argentino son innumerables los episodios por el estilo que vivimos en los viejos tiempos, cuando era relativamente fácil convencer generales para que encabezaran golpes de Estado, civiles para que pusieran la cara y sacerdotes para que los bendijeran. Pero hoy todo ha cambiado y esos, felizmente, son sólo recursos del pasado.

Sin embargo, se sabe, el pasado siempre vuelve, al menos en algunas cuestiones. Y es lo que está sucediendo en la Argentina, por lo menos desde la crisis del también caliente verano de 2009. Cuando se vio que lo verdaderamente insoportable para esos grupos poderosos y borrachos de impunidad mediática es que se enfrentan a un gobierno que más allá de errores mantiene un nivel de iniciativa excepcional, como ningún otro en mucho tiempo. La toma de decisiones por parte del kirchnerismo es constante. Se podrá acordar o no en esto o en aquello, se podrá desinformar y se podrá mentir, pero no hay día sin que se hagan anuncios de obras, propuestas de leyes, inversiones. Y no se sostienen las tonterías acerca de si la Presidenta habla mucho o ahora no habla, ni las necias especulaciones acerca de una conducción más que obvia.

El golpe es, entonces y una vez más, la cuestión. Como en 2009 y como en cada uno de los cinco últimos años, el accionar de la colmena de desestabilizadores se basa en una imaginación calvinista, azuzada por el poder mediático y desenfrenada como si sus actores estuviesen enviagrados –valga el neologismo– o directamente drogados.

¿Que este texto exagera? Ni ahí, como dicen los chicos. Basta ver el “mercado” de divisas y su frenesí al alza, que no se condice con el estado real del país ni con los niveles de producción y de consumo.

Por eso ya se ve en el horizonte la próxima movida: los anuncios de sectores del llamado “campo” –inapropiada autodesignación como antónimo de una innominada “ciudad”– que ya se pintan las caras para librar nuevas batallas en contra de retenciones. Velan sus armas (tractores, granos retenidos, periodistas todo servicio) para recalentar el regreso de millones de argentinos de sus vacaciones. Como si no les alcanzaran los privilegios y las extraordinarias riquezas que acumularon en los últimos años, ellos sí que van por más. Es el poder lo que buscan, el añorado poder que tuvieron en otros tiempos, y para eso necesitan desplazar del poder al kirchnerismo, que ya se verá si está tan débil como parece por momentos o si todavía es capaz de marcar agenda y mantener la iniciativa política.

La muerte de un poeta deja, sobre toda sociedad y como ha sido siempre en la Historia, un sello estético que resulta marca de época. El dólar, siempre en la Argentina, es el más eficaz recurso desestabilizador de la vida de la ciudadanía. El golpe es la más infame acción antidemocrática. Y la negación del golpe, una vez más y como siempre, puede ser un inconsciente modo del suicidio político.

22/10/2013

Quanto todos os torturadores estiverem mortos, STF poderá mudar Lei da Anistia

Filed under: Lei da Anestia,STF — Gilmar Crestani @ 9:31 am
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Marco Aurélio Mello diz que STF pode mudar decisões sobre Lei da Anistia

Enviado por João Paulo Caldeira, ter, 22/10/2013 – 07:49

Da Folha

Com nova composição, STF pode rever Lei da Anistia, diz ministro

Marco Aurélio afirma que o atual plenário já alterou decisões tomadas pelo colegiado anterior

Ministro estima que embargos infringentes de réus do mensalão devam ser julgados a partir de abril de 2014

FLÁVIO FERREIRA

O ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello afirmou ontem que o tribunal poderá mudar suas decisões sobre a Lei da Anistia se o tema for julgado pela nova composição da corte.

A Lei da Anistia perdoa todos os que cometeram crimes por motivações políticas entre 1961 e 1979.

Com isso, ela impede a responsabilização quanto a crimes de natureza política cometidos durante o regime militar, tanto de agentes públicos quanto de opositores aos governos militares.

Indagado sobre a possibilidade de rediscussão da lei, o ministro disse que "o Supremo já disse que ela [Lei da Anistia] é constitucional. Agora, o Supremo de ontem era um, o de hoje é outro".

Marco Aurélio referiu-se ao julgamento realizado pelo STF em 2010 no qual o tribunal reconheceu a validade da lei. Dos sete ministros da corte que votaram pela manutenção da legislação em 2010, três já deixaram o tribunal.

O mais novo integrante do STF, Luís Roberto Barroso, afirmou em junho deste ano que o julgamento da Lei da Anistia poderia ser revisto. A Ordem dos Advogados do Brasil já anunciou que apresentará uma nova ação para reabrir o debate sobre a lei.

Após participar de evento sobre a reforma do Código Penal na FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), Marco Aurélio disse que a nova composição do STF já alterou decisões tomadas pela formação anterior do colegiado.

O ministro disse que a mudança no quadro de ministros do STF teve repercussão no julgamento do mensalão. "Por que foi tão momentosa a apreciação do cabimento ou não dos embargos infringentes? Porque houve a modificação. Se o colegiado fosse o mesmo, talvez não houvesse uma insistência tão grande em ter esses embargos."

O magistrado comentou o fato de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter quebrado o sigilo de um processo de extradição do STF ao divulgar um parecer com informações sobre o pedido de prisão de um argentino que ainda não foi detido pela polícia, como revelou a Folha.

"Isso não é bom em termos de colaboração internacional", disse. Ontem a Procuradoria Geral da República afirmou que houve equívoco ao dar publicidade ao parecer e que ele foi retirado da página da instituição na internet.

Segundo Marco Aurélio, o STF precisa julgar os embargos infringentes no caso do mensalão no primeiro semestre de 2014, para que os debates na corte não coincidam com as eleições de 2014. Ele disse acreditar que esse julgamento será realizado a partir de abril.

Marco Aurélio Mello diz que STF pode mudar decisões sobre Lei da Anistia | GGN

18/10/2013

O Nazismo caiu, mas os nazistas, não!

Filed under: Mercedes Benz,Nazismo — Gilmar Crestani @ 9:12 am
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Suprema Corte dos EUA analisa papel da Mercedes-Benz na ditadura argentina

Enviado por João Paulo Caldeira, sex, 18/10/2013 – 07:47

Sugerido por Marcel Santo

Da AFP

Suprema Corte dos EUA examina o papel da Mercedes na ditadura argentina

Washington — A Suprema Corte americana começará a examinar na terça-feira o caso envolvendo a Daimler AG para determinar se a montadora alemã deverá responder nos Estados Unidos a processos contra sua filial Mercedes, acusada de cumplicidade na violação dos direitos humanos durante a ditadura argentina.

Neste caso, 22 autores da ação – 21 argentinos e um chileno -, ex-funcionários ou familiares de empregados falecidos que trabalhavam na fábrica da Mercedes Benz na Argentina, acusam a direção da empresa alemã de ter colaborado com a ditadura argentina durante a chamada Guerra Suja, entre 1976 e 1983.

Os demandantes afirmam que os diretores da Mercedes-Argentina teriam identificado empregados opositores e os denunciado ao regime, permitindo assim violentas revistas policiais, prisões domiciliares, prisões arbitrárias, torturas e desaparecimento de funcionários provavelmente executados de forma sumária.

Os chefes de polícia responsáveis por estas ações eram então empregados pela Mercedes como chefes de segurança para encobrir seus atos, segundo o processo.

Os autores da ação invocam as leis americanas para obter indenizações por danos e prejuízos da casa da Mercedes: a lei de proteção de vítimas de torturas (TVPA) e um antigo texto de há mais de dois séculos conhecido como "Estatuto de Agravos" (Alien Tort Statue, ATS), que autoriza aos estrangeiros processar nos tribunais americanos questões relacionadas com a violação dos direitos humanos.

Conhecida por sua benevolência com o mundo empresarial, a Suprema Corte, de maioria conservadora, examina pela segunda vez em um ano a responsabidade em solo americano de companhias estrangeiras suspeitas de infrações do direito internacional cometidas fora de suas fronteiras.

Os nove juízes que formam a Suprema Corte decidiram a favor da gigante petrolífera Shell, acusada de cumplicidade nsa infrações aos direitos humanos na Nigéria, e não deu atendeu ao pedido dos litigantes que exigiam que o grupo holandês-britânico respondesse por seus atos nos Estados Unidos.

A Corte esperou para tomar esta decisão, em 17 de abril, antes de examinar o recurso da Daimler AG, que obteve êxito ante um tribunal de primeira instância, mas que foi rejeitado por um tribunal de apelações da Califórnia, onde o grupo tem uma filial.

Apoiada por organizações e grandes empresas, bancos e corporações na Alemanha e na Europa, mas também pelo governo de Barack Obama, a Daimler alega que "não tem qualquer conexão com os Estados Unidos".

Os litigantes, por sua parte, alegam que a Daimler possui a totalidade da Mercedes Benz-EUA, com sede na Califórnia, onde a Mercedes comercializa os carros da matriz no oeste americano.

"A questão colocada aos juízes é até que ponto este vínculo é significativo para permitir um processo judicial nos Estados Unidos", explica Lyle Denniston, do site especializado ScotusBlog.

Segundo especialistas, as ONGs de defesa dos direitos humanos se preocupam com o fato de que a Suprema Corte americana geralmente é favorável às grandes empresas.

Já o governo americano acredita que, permitir que as empresas estrangeiras sejam processadas penalmente, possa afetar as relações diplomáticas dos Estados Unidos e seus interesses comerciais e financeiros.

Suprema Corte dos EUA analisa papel da Mercedes-Benz na ditadura argentina | GGN

13/10/2013

O que o Papa põe em dúvida?

Filed under: Igreja Católica,Los Kikos,Opus Dei,Papa Francisco,Roubo de bebês — Gilmar Crestani @ 11:46 am
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O Papa não pôs em dúvida o apoio da Igreja ao franquismo. Só ficou em dúvida se pediria ou não perdão por isso. Aliás, a Igreja esteve ao lado do franquismo assim como de todas as ditaduras latino-americanas. Não é mero acaso que a linha ultraconservadora da Igreja Católica, e uma das mais ricas financeiramente falando, tem seu berço na Espanha. A Opus Dei só perde em conservadorismo à Los Kikos. No Brasil, a Opus Dei comando o Estado de São Paulo, e tem em José Serra, por seu obscurantismo religioso e político, o candidato ideal. A verdade é que, se não existir Inferno, muitos próceres da Igreja Católica deixarão de penar pelos crimes que cometeram em vida.

El Papa elude pedir perdón a las víctimas por el apoyo de la Iglesia al franquismo

Más de 25.000 asistentes participan en la ceremonia de entronización de los asesinados

El Pontífice pide a los fieles ser de “cristianos con obras y no de palabras”

El papa Francisco ha llamado a ser “cristianos con obras y no de palabras” y ha elogiado la vida de los mártires por ser “discípulos” que han aprendido “bien el sentido de amar hasta el extremo que llevó a Jesús a la cruz”. El Papa ha realizado estas declaraciones en un mensaje de tres minutos grabado con antelación y con el que ha dado comienzo a la ceremonia de beatificación de 522 mártires “de la persecución religiosa del siglo XX en España”, como lo denomina la Iglesia católica. En ella, ha eludido pedir perdón a las víctimas del franquismo por el apoyo de la Iglesia a la dictadura, como le había solicitado en una carta la Comisión de la Verdad, que reúne a unas 100 asociaciones de memoria histórica. Sectores de la sociedad civil como la Coordinadora por lo Laico y la Dignidad, y entidades cristianas de base habían pedido también a las autoridades eclesiásticas que el Papa aprovechara la celebración para pedir “perdón” por el apoyo de la Iglesia al golpe de Estado de 1936 contra a la República y por la complicidad con la dictadura franquista. Pero el Papa no ha realizado en su discurso ni una sola alusión a estas peticiones.

“Me uno de corazón a todos los participantes en la celebración, que tiene lugar en Tarragona, en la que un gran número de pastores, personas consagradas y fieles laicos son proclamamos beatos mártires”, ha afirmado el Papa entre aplausos de los más de 25.000 asistentes al acto, procedentes de toda España. “Imploremos la intercesión de los mártires para ser cristianos concretos, cristianos con obras y no de palabras; para no ser cristianos barnizados de cristianismo pero sin sustancia, ellos no eran barnizados, eran cristianos hasta el final”, ha añadido el Pontífice en alusión a los nuevos beatos.

El Papa no ha realizado en su discurso ni una sola alusión al golpe de estado de 1936 ni a la complicidad franquista, como pidieron diversas entidades cristianas

El acto ha sido organizado por la Conferencia Episcopal Española (CEE) y el Arzobispado de Tarragona. En esta ocasión, los elevados a los altares están agrupados en 33 causas. La más numerosa es la de Tarragona, con 147 mártires, entre ellos el obispo auxiliar Manuel Borrás, y 66 sacerdotes diocesanos. Este ha sido el motivo para elegir la ciudad de la celebración, explicó el arzobispo de la demarcación, Jaume Pujol Balsells. El acto, multitudinario, suscita recelo incluso en el seno de la Iglesia católica, entre los cristianos de base. El motivo es que la gran mayoría de los nuevos beatos, 520, fallecieron tras el estallido de la Guerra Civil y solo dos religiosos Paúles de León y Teruel murieron antes, el 13 de octubre de 1934. Aún con estos datos, la Conferencia Espiscopal huye del término “mártires de la Guerra Civil” porque, argumenta, “no fueron combatientes, ni estaban con las armas en la mano. Murieron por no renegar de su fe”, según el secretario y portavoz del episcopado, Juan Antonio Martínez Camino. Fuentes de la CEE justifican que la elección de la fecha y la ubicación ha sido “casual”, frente a las críticas que alertaban de una posible “exaltación españolista”.

Más de 25.000 personas han ido inundado desde las 7 de la mañana la antigua Universidad Laboral, fundada por el franquismo, y que estaba rodeada de grandes medidas de seguridad. La ciudad se ha paralizado: solo las matrículas de vehículos inscritos de antemano y debidamente acreditados podían acceder a la zona, lo que ha provocado grandes congestiones de tráfico. Los vehículos particulares, tenían vetada la entrada, y el Ayuntamiento ha fletado dos líneas de autobuses para desplazar a los invitados. Prueba de las restricciones es que los autobuses destinados a periodistas han partido con una hora de retraso al haberse estraviado el censo de la matrícula en los controles.

No se permite la entrada de banderas ni pancartas, aunque algunos asistentes han burlado la seguridad llevando camisetas con la bandera española estampada

Decenas de asistentes a la misa han aprovechado los momentos previos para confesarse en improvisadas sillas, al aire libre y a casi a centímetros de los demás congregados. Entre los asistentes figuran familiares y religiosos de las órdenes de los beatos, como las 300 Siervas de María de España y América Latina desplazadas a Tarragona. De esta congregación se beatifican cuatro religiosas y matizan que “solo es un acto religioso”. Unos sentados en la hierba, otros acomodados en sus sillas y algunos que aprovechan para confesarse en un cara con el sacerdote en medio de la avenida. De Menorca han llegado más de 100 personas, una treintena corresponde a la familia de Juan Huguet, uno de los mártires. Llevan una fotografía con un sospechoso lema: “Viva Cristo Rey”, que son las tres últimas palabras que dijo él un segundo antes de que le mataran al negarse a escupir a un crucifijo, han explicado sus familiares. Han venido dos de sus hermanos, hijos, sobrinos. “¿Resentimiento? Al contrario, en casa siempre hemos vivido el perdón”, explica Juan Huguet, uno de sus sobrinos, de 59 años. “Lo mató el brigada Marqués que había tomado la isla. Lo mararon en la cárcel, pero se convirtió y escribió una carta espectacular de arrepentimiento”, ha continuado narrando.

Algunos de los asistentes han contestado a las críticas que califican el acto de “político”. “No tiene nada que ver una cosa es un enfrentamiento civil y otra una persecución sistemática de liquidación. Igual que no tiene nada que ver la Guerra Mundial con el Holocausto”, ha concluido Huguet. Entre los invitados figura el presidente de la Generalitat, Artur Mas, el del Congreso de los Diputados, Jesús Posada, el ministro de Justicia, Alberto Ruiz-Gallardón, el ministro de Interior, Jorge Fernández Díaz, y el inspector general del Ejército, Ricardo Álvarez-Espejo.

En la ceremonia no se permite la entrada de banderas ni pancartas, aunque algunos asistentes han burlado la seguridad llevando camisetas con la bandera española estampada. Los cuerpos policiales han desplegado un gran dispositivo de seguridad ante la posible presencia de grupos ultraderechistas.

El Papa elude pedir perdón a las víctimas por el apoyo de la Iglesia al franquismo | Cataluña | EL PAÍS

01/10/2013

Pinochet, o ódio será sua herança

Filed under: Golpe Militar,Pinochet,Salvador Allende — Gilmar Crestani @ 8:06 am
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HORACIO GUTIÉRREZ

Allende e os 40 anos do golpe militar no Chile

Pinochet emerge potente para encarnar o contraexemplo. Uma maldição para a direita: sua sobrevivência passaria por "despinochetizar-se"

Em setembro, completaram-se 40 anos do golpe militar que derrubou no Chile o presidente socialista Salvador Allende. Interessante constatar como o 11 de setembro de 1973 –que dividiu o país em dois, temporal e simbolicamente– foi lá celebrado.

Nunca antes a data tinha sido objeto de tantos eventos: programas de TV, livros, recitais, exposições, passeatas, missas, ações judiciais, ao longo e largo do país. O que está acontecendo? Uma resposta pode ser o ano eleitoral em curso no Chile, que confronta candidatas presidenciais com ideários exatamente opostos: Michelle Bachelet, socialista, e Evelyn Matthei, da direita, ambas filhas de generais, a primeira com o pai assassinado por não aderir ao golpe, a outra com um pai que integrou a junta militar golpista.

Mas esse dado não explica tudo: já tinham ocorrido aniversários do golpe em época eleitoral e não provocaram a ressonância deste.

O que tanto se rememora? Nos eventos, proliferaram atos de "perdão" às vítimas; documentários revelaram detalhes das atrocidades da ditadura; peças de teatro preocuparam-se em restituir a dignidade dos humilhados; debates buscaram a genealogia do mal; palestras revisitaram o socialismo; inúmeras foram as homenagens a Allende, nenhuma a Pinochet. Foi Pinochet esquecido? Não. Emergiu potente, mas para encarnar, como nunca antes, o contraexemplo, aquilo que nunca mais deveria acontecer.

Uma maldição para a direita e sua candidata presidencial, obrigadas a emitir sinais de mudanças: sua sobrevivência passaria por "despinochetizar-se", o que significaria colaborar na erradicação de entulhos autoritários como a Constituição de 1980, além de incluir em seu ideário, sem constrangimentos, a democracia e o respeito aos direitos humanos como valores permanentes.

E Allende? Allende, claro, sempre fora recordado com afeto pela esquerda, mas desta vez notou-se sua irrupção num espaço público mais amplo, aparecendo com vigor e dignidade. Reaparece cheio de ideias para dar, pautando até a atual agenda do mundo popular: a construção de uma sociedade mais justa e plural, mesmo tendo o socialismo desaparecido do vocabulário político.

As massas obstinadas que concorreram aos mil eventos foram as que Allende sempre amou: os trabalhadores, os estudantes, os intelectuais, as minorias, com participação quiçá hegemônica das novas gerações. Não fosse pelas lembranças oficiais no passado recente, poder-se-ia gritar ao vento que Allende, como uma fênix, renascera literalmente das cinzas, contaminando com seu discurso subversivo as novas gerações que teimam em repetir publicamente valores caros a ele: rebelar-se contra toda exploração, hoje associada ao neoliberalismo imposto pela ditadura.

Todo Chile pôde ouvir em setembro, agora pela boca de jovens, que "os processos sociais não se detêm nem com o crime nem com a força" e que "novamente se abrirão as grandes avenidas por onde passará o homem livre para construir uma sociedade melhor". Para remate, verdadeira penitência para a direita, ressoaria o eco queimante há muito cantado pelas massas politizadas, infladas de superioridade moral: "Se siente, se siente, Allende está presente".

HORACIO GUTIÉRREZ, 56, graduado em economia pela Universidade do Chile, é doutor em história e professor de história da América na USP

25/09/2013

Primeiro mundo, ou de onde vem a Zara!

Filed under: Baltasar Garzón,Espanha,Franquismo,Roubo de bebês,Zara — Gilmar Crestani @ 9:04 am
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Deve ser por isso que a mais alta corte da Espanha, equivalente ao nosso STF, caçou Baltazar Garzón!

Víctimas del franquismo celebran que Argentina les abra sus consulados

Los querellantes lamentan que la fiscalía española estime que los crímenes han prescrito

Alejandro Rebossio Buenos Aires 24 SEP 2013 – 22:42 CET525

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Dario Rivas Cando, de 93 años, en su casa de Buenos Aires. / ENRIQUE MARCARIAN (REUTERS)

Familiares de víctimas del franquismo y sus abogados celebraron este martes la noticia de que Argentina abrirá sus consulados en todo el mundo para recibir demandas por crímenes del régimen, de acuerdo con lo que ordenó la juez que en Buenos Aires está a cargo de la causa, María Servini de Cubría. En cambio, criticaron a la Fiscalía de la Audiencia Nacional de España por opinar en contra de la orden de detención que Servini envió contra cuatro imputados por presuntas torturas durante el franquismo: el exguardia civil Jesús Muñecas Aguilar, el exinspector José Antonio González Pacheco, alias Billy El Niño, el excomisario Ignacio Giralte y el exescolta de Francisco Franco y la Casa Real Celso Galván, ya fallecido.

En el juzgado de Servini y fuentes del Ministerio de Relaciones Exteriores confirmaron que este departamento del Gobierno de Cristina Fernández de Kirchner había puesto en práctica la orden de la juez de abrir los consulados y así lo había informado el pasado viernes por una resolución interna a todas las delegaciones diplomáticas de su país. Esta medida había sido solicitada por los querellantes en marzo pasado porque algunas víctimas se habían encontrado con que el consulado argentino en Madrid no les tomaba declaración.

“El Gobierno [argentino] hizo lo que le correspondía”, dice Darío Rivas, de 93 años, hijo de un alcalde de Castro de Rei (Lugo) represaliado del franquismo que ha presentado una denuncia en la ciudad en la que reside desde los ocho años, Buenos Aires. “La jueza está actuando como la faculta la justicia internacional. A España no le cae bien, ya sabemos los personajes que se oponen”, opinó Rivas, que también criticó el escrito de la Fiscalía de la Audiencia Nacional, que esgrimió que los cuatro imputados están amparados en la Ley de Amnistía de 1977: “La amnistía no se puede oponer al juzgamiento de crímenes de lesa humanidad, que no prescriben. El fiscal quiere ser más que las leyes del mundo, es un franquista. Si prescribiesen, yo no hubiera podido haber hecho nada en Argentina. Esto es el resultado de 70 años de impunidad en España”, se quejó Rivas.

Uno de los abogados argentinos de las víctimas españolas, Máximo Castex, celebró la decisión del Gobierno de su país de abrir los consulados: “Se hace efectiva una posibilidad que venimos pidiendo, que se abran los consulados para recibir, como si el cónsul fuera un notario, las denuncias, que después se remiten a la juez. Es un nuevo canal para la presentación de las víctimas, para aquellas que no puedan viajar a Argentina. Otros preferirán presentarse cuando se haga la videoconferencia, que se suspendió en mayo. Con anterioridad a esta decisión del Ministerio de Exteriores, las víctimas se presentaban en el consulado en Madrid y no les recibían la denuncia”. En cuanto al escrito de la Fiscalía española, Castex dijo que desconocía si realmente existía, así como su contenido. “Primero hay que verlo y después emitir la opinión. Si llegan a esgrimir el argumento de que los delitos prescribieron, hay que decir que no es así porque son de lesa humanidad. Además, el fiscal puede opinar, pero no es el que decide si acepta o no la orden de detención. Eso lo hace el juez de allá”, explica el abogado argentino.

Víctimas del franquismo celebran que Argentina les abra sus consulados | Política | EL PAÍS

18/09/2013

Roberto Freire, herói (da direita) sem nenhum caráter

Filed under: Agente Laranja,Quinta Coluna,Roberto Freire — Gilmar Crestani @ 9:32 am
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A estranha história de Roberto Freire

Sebastião Nery

SEBASTIÃO NERY 17 de Setembro de 2013 às 11:17

Em 1970, no horror do Ai-5, o general Médici, mais feroz dos ditadores de 64, nomeou procurador do Incra o jovem advogado pernambucano Roberto João Pereira Freira, de 28 anos

O único político brasileiro da oposição (que se diz da oposição) que aplaudiu José Serra, o Elias Maluco eleitoral, por ter anunciado que agora é hora de destruir Lula, foi o senador Roberto Freire, presidente do Partido Popular Socialista (PPS, a sigla que sobrou do assassinato do saudoso Partido Comunista, melhor escola política brasileira do século passado). Disse: "Serra presta um serviço à democracia".

Para Roberto Freire, "desconstruir", destruir, eliminar o principal candidato da oposição e das esquerdas (com 42% nas pesquisas) é um "serviço à democracia". Gama e Silva nunca teve coragem de dizer isso. Armando Falcão também não. Nem mesmo Newton Cruz. Só o delegado Fleury. Ninguém entendeu. Porque não conhecem a história de Roberto Freire.
Aprovado pelo SNI

Em 1970, no horror do AI-5, quando tantos de nós mal havíamos saído da cadeia ou ainda lá estavam, muitos sendo torturados e assassinados, o general Médici, o mais feroz dos ditadores de 64, nomeou procurador (sic) do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) o jovem advogado pernambucano Roberto João Pereira Freire, de 28 anos.

Não era um cargozinho qualquer, nem ele um qualquer. "Militante do Partido Comunista desde o tempo de estudante, formado em Direito em 66 pela Universidade Federal de Pernambuco, participou da organização das primeiras Ligas Camponesas na Zona da Mata" (segundo o "Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro", da Fundação Getulio Vargas-Cpdoc).

Será que os comandantes do IV Exército e os generais Golbery (governo Castelo), Médici (governo Costa e Silva) e Fontoura (governo Médici), que chefiaram o SNI de 64 a 74, eram tão debilóides a ponto de nomearem procurador do Incra, o órgão nacional encarregado de impedir a reforma agrária, exatamente um conhecido dirigente universitário comunista e aliado do heróico Francisco Julião nas revolucionárias Ligas Camponesas?

Os mesmos que, em 64, na primeira hora, cassaram Celso Furtado por haver criado a Sudene, cataram e prenderam Julião, e desfilaram pelas ruas de Recife com o valente Gregório Bezerra puxado por uma corda no pescoço, puseram, em 70, o jovem líder comunista para "fazer" a reforma agrária.

Não estou insinuando nada, afirmando nada. Só perguntando. E, como ensina o humor de meu amigo Agildo Ribeiro, perguntar não ofende.

Sempre governista

Em 72, sempre no PCB (e no Incra do SNI!) foi candidato a prefeito de Olinda, pelo MDB. Perdeu. Em 74, deputado estadual (22.483 votos). Em 78, deputado federal, reeleito em 82. Em 85, candidato a prefeito de Recife, pelo PCB, derrotado por Jarbas Vasconcellos (PSB). Em 86, constituinte (pelo PCB, aliado ao PMDB e ao governo Sarney). Em 89, candidato a presidente pelo PCB (1,06% dos votos).

Reeleito em 90, fechou o PCB em 92, abriu o PPS e foi líder, na Câmara, de Itamar, com cujo apoio se elegeu senador em 94 e logo aderiu ao governo de Fernando Henrique. Em 96, candidato a prefeito de Recife, perdeu pela segunda vez (para Roberto Magalhães).

Agora, sem condições de voltar ao Senado, aliou-se ao PMDB e PFL de Pernambuco, para tentar ser deputado. Uma política nanica, sempre governista, fingindo oposição.

Agente de FHC

Em 98, para Fernando Henrique comprar a reeleição, havia uma condição sine qua non: impedir que o PMDB lançasse Itamar candidato a presidente. Sem o PMDB, a reeleição não seria aprovada. Mas o PMDB só sairia para a candidatura própria se houvesse alianças. E surgiram negociações para uma aliança PMDB-PPS, uma chapa Itamar-Ciro.

Fernando Henrique ficou apavorado. E Roberto Freire, agente de FHC, o salvou, lançando Ciro a presidente. Isolado, o PMDB viu sua convenção explodida pelo dinheiro do DNER, Itamar sem legenda e a reeleição aprovada.

Durante quatro anos, Roberto Freire saracoteou nos palácios do Planalto e da Alvorada, sempre fingindo independência, mas líder da "bancada da madrugada" (de dia se diz oposição, de noite negocia no escurinho do governo).

Quinta-coluna

No ano passado, na hora de articular as candidaturas a presidente, o PT (sobretudo o talento e a competência política de José Dirceu) começou a pensar numa aliança PT-PPS, para a chapa Lula-Ciro. Itamar disse que apoiava. O PSB de Arraes também. Fernando Henrique, o PSDB e Serra se apavoraram. Mas Roberto Freire estava lá para isso. Novamente lançou Ciro, para impedir uma aliança das oposições com Ciro vice de Lula.

Fora dos cálculos de FHC e Roberto Freire, Ciro começou a crescer. Mas, quando o PFL, sem Roseana, quis apoiar Ciro, dando espaços nos estados e na TV, Roberto Freire, aliado em Pernambuco de Marco Maciel, o líder da direita do PFL, vetou o PFL com Ciro. Como se chama isso? Uns, "agente". Stalin chamava "quinta-coluna".

A estranha história de Roberto Freire | Brasil 24/7

11/09/2013

Até o condor chorou

Filed under: Chile,Michellle Bachelet,Pinochet,Salvador Allende — Gilmar Crestani @ 9:01 am
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Bachelet participa de un homenaje a los detenidos desaparecidos en Villa Grimaldi.

Chile, 40 años despues

HASTA EL CÓNDOR LLORÓ

Por Mercedes López San Miguel

Actos de todos los sectores, homenajes a asesinados y desaparecidos, programas alusivos de radio y televisión que se repitieron todo el día, publicaciones especiales y hasta pedidos de perdón por parte de los altos tribunales reflejaron el repudio a la dictadura y un salto en la memoria
Escriben: Atilio Boron, Ariel Dorfman, Eva Giberti, Oscar González, Martín Granovsky, Marcelo Justo, Mercedes López San Miguel y Miguel Rojas

Chile hace catarsis cuarenta años después

Documentales transmitidos a toda hora, visitas guiadas por espacios de la memoria, pronunciamientos de políticos en torno del perdón, quejas por la Constitución heredada del pinochetismo: el golpe en la memoria colectiva de Chile.

Por Mercedes López San Miguel

Desde Santiago

Como si fuera una catarsis colectiva no hubo quien no tuviera ánimo de decir algo sobre el drama que ocurrió en Chile el 11 de septiembre de 1973. Documentales transmitidos por canales y radios a toda hora; visitas guiadas por espacios de la memoria, pronunciamientos de políticos en torno del perdón, quejas por la Constitución heredada del pinochetismo, carabineros desoyendo y desmontando una muestra con lienzos y murales de la organizaciones de derechos humanos que reclamaban, como hace 40 años, que se castigue a los responsables del terrorismo de Estado. Los carteles por el aniversario se mezclaron con imágenes de campaña. Porque habrá elecciones en noviembre y las dos mujeres y principales candidatas, Michelle Bachelet y Evelyn Matthei, fueron hijas de generales de la fuerza aérea, pero con un pasado antagónico.

La casa número 38 ubicada en una callecita empedrada de nombre Londres, cerca del Palacio de La Moneda, se convirtió entre 1973 y 1974 en un centro de detención y tortura en donde fueron asesinados 98 secuestrados de la dictadura de Augusto Pinochet. En la fachada un gran cartel señala “40 años de luchas y resistencia” acerca del lugar de tormento, en el que se usó la descarga eléctrica para interrogar en una sala del segundo piso y quebrar más rápido la voluntad de los detenidos. Ayer, en la víspera del aniversario del día que cambió la historia de este país, la casa despojada de objetos era visitada por numerosas personas. La organización Londres 38 puso a circular un video por las redes sociales en el que se muestra cómo en la madrugada del domingo pasado un grupo de carabineros sacó los lienzos colgados en los puentes del río Mapocho que llevaban la consigna: “¿Dónde están los desa-parecidos?”. El guía y militante de los derechos humanos Felipe Aguilera se indignó ante esta enviada por la remoción de la muestra, en la que trabajó durante semanas. “Los carabineros pasaron por encima de la autorización de los municipios y actuaron por fuera del estado de derecho. Enviamos una carta al gobierno pidiendo la restitución de los lienzos.”

A unas cuadras de ese espacio de la memoria, los transeúntes de la zona céntrica de la ciudad se mostraban proclives a recordar el derrocamiento de Salvador Allende como una fecha fatídica. Yeri Chávez, empleada en una empresa de acero, señaló que ella tenía 12 años, pero la imagen del bombardeo al edificio de La Moneda quedará grabada en su memoria. “Nunca más debiera ocurrir semejante abuso del poder en manos de un dictador. Ahora estamos libres de decir lo que queramos, existe libertad de expresión. Lo que pasó fue trágico.” Un hombre de 55 años, mientras daba algunas pitadas al cigarrillo, dijo que entre el ’80 y el ’90 todo dolía. “Estamos en camino de lograr la paz con nosotros mismos. Me acuerdo de que me contaban que mataban a las personas y las tiraban en basurales. Personalmente me dolió a mí cuando desaparecieron a estudiantes de la universidad”, dijo el ingeniero Jaime Flores.

Como uno de los lastres del pinochetismo, existen vacíos en los procesos judiciales. La socióloga Marta Lagos señaló que esto se vincula con el modelo chileno de reconciliación. “La transición fue posible porque no se exigió la verdad el día uno. La verdad estuvo congelada, en espera.” En la cercanía de la conmemoración del 11 de septiembre, el presidente conservador Sebastián Piñera afirmó que la Justicia no estuvo a la altura de las obligaciones y desafíos. “El Poder Judicial pudo haber hecho más, porque por mandato constitucional le correspondía cautelar los derechos de las personas y proteger las vidas. Por ejemplo, acogiendo los recursos de amparo que rechazó de forma masiva.” Sin embargo, a él se le cuestiona no haber hecho lo suficiente en la materia. Amnistía Internacional entregó ayer en el palacio presidencial un petitorio firmado por más de 25 mil personas para reclamar al gobierno chileno que elimine todas las barreras que protegen a los perpetradores de violaciones a los derechos humanos. “No es aceptable que 40 años después del golpe militar continúen existiendo dificultades para la búsqueda de la verdad, la justicia y la reparación en Chile. La ley de Amnistía sigue protegiendo a los violadores con inmunidad procesal, continúa habiendo largos retrasos en las actuaciones judiciales y las condenas no reflejan la gravedad de los crímenes cometidos”, señaló la organización.

Según cifras oficiales, el número de personas desaparecidas o asesinadas en Chile entre 1973 y 1990 superó las 3000 y cerca de 40.000 personas sobrevivieron al encarcelamiento por motivos políticos o la tortura. El Decreto Ley de Amnistía, aprobado en 1978, exime de responsabilidad penal a todas las personas que cometieron violaciones de derechos humanos entre el 11 de septiembre de 1973 y el 10 de marzo de 1978. Si bien algunas sentencias han eludido la aplicación de la norma, el hecho de que siga existiendo es incompatible con las obligaciones internacionales de Chile en materia de derechos humanos.

Aunque Piñera votó por el No a la continuidad de Pinochet en el referéndum del 5 de octubre de 1988 y él no se identifica con el ala pinochetista de la Alianza de derecha (UDI-Renovación Nacional), sí apoyó a la candidata Evelyn Ma-tthei, quien hasta hace poco se de-sempeñaba como su ministra de Trabajo. Matthei pertenece al partido más conservador de Chile, UDI, que alberga a simpatizantes del dictador, como ella. Evelyn y Michelle fueron hijas de generales de la fuerza aérea, con vidas cruzadas. Alberto Bachelet murió en 1974 por un ataque cardíaco, derivado de las torturas que sufrió por ser leal a Allende, mientras que Fernando Matthei, padre de Evelyn, integró la Junta Militar que gobernó Chile de 1973 a 1990 y se sospecha que tiene responsabilidad en la muerte de Bachelet.

También atravesado por la historia y con poco más de 40 años, el ex socialista y hoy candidato independiente Marco Enríquez Ominami es hijo del cofundador y secretario general del Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR), Miguel Enríquez. El candidato del Partido Progresista instó a Matthei a que rectifique. “Hemos querido invitar, sin odio y sin rencor, a que la candidata de los dos partidos que sostuvieron la dictadura militar, a que pida perdón. Es importante en esta elección, empujemos los pisos éticos.”

Y es que Matthei señaló que respecto de las violaciones a los derechos humanos ocurridas tras el derrocamiento de Allende, ella no tenía nada de por qué disculparse. “Yo tenía 20 años para el golpe, no tengo nada por lo que pedir perdón”, sostuvo tajantemente Matthei. Aludió así a las declaraciones del senador de la UDI, Hernán Larraín, quien hace unos días hizo un mea culpa por lo ocurrido con posterioridad al 11 de septiembre.

Sin escaparle al debate político, la ex mandataria y aspirante de Nueva Mayoría dio un discurso en el Museo de la Memoria el lunes –un espacio que se gestó durante su gobierno–, en paralelo al acto oficial que encabezó Piñera. “No existe reconciliación que se construya ante la ausencia de verdad, justicia o un duelo”, dijo Bachelet, la mejor posicionada para ganar las elecciones del 22 de noviembre, ante la mirada de referentes de familiares de víctimas de la dictadura, como Ana González, cuyo esposo, dos de sus hijos y su nuera fueron secuestrados por la policía secreta de Pinochet.

Chile ha vivido una catarsis de la que nadie quedó afuera.

mercelopez@pagina12.com.ar

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