Ficha Corrida

23/11/2011

Mentiras e falsidades na rede

Filed under: DEMo,Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 6:59 am
Tags:

Quem não lembra das farsas montadas na campanha passada, depois que um tal de guru indiano-americano, Ravi Singh, esteve por aqui dando pitacos na campanha do Serra? A estratégia dele, inclusive, foi sair tentando se desassociar da merda que jogou no ventilador.  A Soninha Francine e Eduardo Graeff soltaram as manipulações grosseiras pela internet. Até a Globo teve participação especial na tragédia da bolinha de papel. Aliás, os dois mandatos do prof. Cardoso foi uma longa Noite de São Bartolomeu que massacrou o Brasil. Todo dia recebo e-mails com as manipulações tão grosseiras como a cara dessa dente do PSDB & DEM. Pode anotar, se há podridão tem dedo do PSDB & DEM.

Mentiras e falsidades na rede

A história da repórter de uma emissora de TV do Mato Grosso que levou uma bofetada na cara, desferida por um vereador em frente à câmera,  é um dos episódios mais tristes do jornalismo.  O vídeo correu mundo e o fato ganhou maior destaque depois que foi postado no Youtube .  Até hoje não sei como acabou a história e se o agressor sofreu algum tipo de punição.

Como a nossa Justiça não é lá muito confiável, é bem provável que o vereador boçal tenha passado incólume pelo episódio torpe e covarde de agredir alguém que fazia o seu trabalho e se dirigiu a ele de maneira gentil e educada. Antes que  fizesse qualquer pergunta, ela o chamou pelo nome ou apelido. Como resposta, a repórter Marcia Pache (foto) recebeu  o tapa no rosto desferido com toda força.  O Brasil inteiro já viu a cena, mas vai aqui o link  para aqueles que não a conhecem :

( Veja o vídeo )

Manipulação com a cara das famiglias PSDB & DEM!

Vista essa estupidez, não há o que comentar, as imagens falam mais alto.  Mas o que me leva a voltar a esse assunto é que, anos depois, esse vídeo continua circulando na rede, repassado às centenas, milhares de vezes, talvez,  atribuindo a agressão ao "vereador José Rainha, do PT". Na semana  que passou, o email voltou à minha caixa postal com os seguintes dizeres e formato:

"CENA COVARDE DE Vereador José Rainha do PT !!!

CENA COVARDE DO VEREADOR DO PT.

VEJA O NÍVEL DO POLÍTICO BRASILEIRO

O Vereador José Rainha do PT – em cena covarde de um bandido, A  reporter toma uma bofetada no rosto, ao cumprir o seu trabalho jornalístico. Esta cena embora distribuído á imprensa, ainda não foi publícado em nenhum jornal, rádio ou canal de televisão.

Vamos fazer a nossa parte divulgando, para que, todos tenham a oportunidade de saber o nível dos políticos brasileiros, principalmente do PT.

Isso só acontece por nossa culpa, esse bandido, foi eleito pelo povo.

Faça a sua parte; Divulgue !"

Omiti as imensas listas de internautas que receberam e repassaram a mensagem.

Não tenho nada com a história, nem procuração para defender quem quer que seja.  Mas não consigo reprimir, como profissional de internet, um certo sentimento de frustração ao perceber que uma extraordinária ferramenta de informação e análise, é usada como meio de espalhar mentiras e falsidades com objetivos politicos.

Se o leitor repassador de emails tivesse o cuidado de fazer uma mínima pesquisa na internet, veria que, no caso da repórter Marcia,  o agressor é o vereador Lourival Rodrigues, do DEM, cujo apelido Kirrarinha, virou "José Rainha, vereador do PT".  Não é surreal?  Há dezenas de matérias publicadas pela míidia e reproduzidas no Google com os nomes dos verdadeiros personagens da trama.

Penso que a maioria das pessoas repassa emails desse tipo por ingenuidade, porque se revolta ou se emociona com o apelo contido na mensagem, mas por trás dos ingênuos estão as cobras criadas que se aproveitam da mínima oportunidade para distribuir mentiras e falsidades na rede com objetivos políticos.

Muita gente já escreveu sobre os abusos cometidos diariamente na internet e sua impunidade, embora já existam decisões em nosso Judiciário punindo determinados crimes praticados na web.  Penso que atribuir irresponsavelmente a autoria de determinado evento a terceiros,  na rede de computadores, deveria constituir-se em crime passível de punicão, como qualquer outra previsto em nossas leis penais.  Quem sabe, assim, os criadores e repassadores pensariam duas vezes antes de espalharem  mentiras e falsidades na rede.

Mentiras e falsidades na rede | Direto da Redação – 10 anos

21/11/2011

A Comissão da Verdade e a Tortura

Filed under: Comissão da Verdade,João Batista Herkenhoff — Gilmar Crestani @ 8:53 am
Tags:

A criação da Comissão da Verdade repõe em debate a questão da tortura contra presos politicos no regime ditatorial. Ao sancionar a lei que criou a Comissão da Verdade, disse a Presidente Dilma Rousseff: "Hoje o Brasil inteiro se encontra, enfim, consigo mesmo, sem revanchismo, mas sem a cumplicidade do silêncio".

Serve de introito a este artigo uma decisão do Supremo Tribunal Federal, proferida em vinte e nove de abril de 2010.

Pretendo contribuir, através deste escrito, para uma discussão ética, que não se prende no tempo, não se localiza no calendário, porque é perene.

No infeliz nove de abril de 2010, o Supremo, por maioria, entendeu terem sido abrigadas pela lei de anistia todas aquelas pessoas que, durante o regime de exceção instaurado em 1964, torturaram opositores do regime. Cingiu-se o Supremo a uma interpretacão textual da lei de anistia. Fundamentou seu entendimento no princípio da segurança jurídica que estaria ameaçado se, por via da interpretação judicial, fosse dada dimensão restrita ao leque dos anistiados, deixando ao desamparo da anistia os torturadores.

Parece-me que, neste caso, a razão esteve com a minoria, ou seja com os dois ministros derrotados no seu entendimento: Ayres Britto e Ricardo Lewandovski. Entenderam esses magistrados que a tortura é crime comum, não é crime politico, daí que não foi abrangido pela anistia.

A decisão do Supremo, que tivesse posto a tortura fora da anistia, não levaria os torturadores do antigo regime, de imediato, para a prisão. Eles estariam ao desabrigo da anistia, mas teriam de ser submetidos a processo, com direito de defesa. A efetiva participação nos atos de tortura, relativamente a cada um dos acusados, teria de ficar configurada.

O que a consciência ético-jurídica nacional esperava do Supremo Tribunal é que decidisse: “Tortura não é crime politico, os torturadores não foram anistiados. Prossigam-se os processos para julgamento de todos aqueles acusados de terem praticado a tortura ou de terem sido coniventes com essa prática ignóbil.”

O que fica, do lamentável aresto do mais alto tribunal do país, é a afirmação de que a tortura, amplamente praticada numa fase de nossa História Contemporânea, teve a ressalva de crime politico, razão pela qual os praticantes da tortura foram anistiados.

Na verdade, e isto deve ser proclamado com todas as forças, em homenagem ao Brasil de amanhã – a tortura não é crime politico. Nenhuma razão política, nenhum credo, nenhum motivo que se alegue, nenhuma causa de qualquer natureza, nenhuma excludente, nada, absolutamente nada justificou, no passado, ou autorizará, no futuro, a prática da tortura. A tortura é um crime contra a humanidade, é sempre um escárneo à dignidade humana. Fere o torturado e degrada o torturador.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos repudia, de forma absoluta, a tortura: Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante. Observe-se o uso do pronome ”ninguém“, no texto. O mesmo pronome de significado total é utilizado nas diversas linguas em que a Declaração Universal é proclamada. Confira-se, por mera curiosidade, o repúdio à tortura, em seis idiomas:

NO ONE shall be subjected to torture or to cruel, inhuman or degrading treatment or punishment. (Inglês).

NADIE será sometido a torturas ni a penas o tratos crueles, inhumanos o degradantes. (Espanhol).

NUL ne peut être soumis à la torture ni à des traitements ou peines cruels, inhumains ou dégradants. (Francês).

NESSUN individuo potrà essere sottoposto a tortura o a trattamento o punizioni crudeli, inumani o degradanti. (Italiano).

NIEMAND darf der Folter oder grausamer Behandlung oder Strafe, unmenschlicher oder erniedrigender Behandlung unterworfen werden. (Alemão).

NINGÚ podrà ser sotmès a tortures ni a tractes o penes cruels, inhumans o degradants. (Catalão).

A tolerância para com a tortura jogaria por terra toda a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Transmitamos a nossos filhos e a nossos netos a rejeição veemente ao ato de torturar.

João Batista HerkenhoffJoão Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado, é professor da Faculdade Estácio de Sá de Vila Velha (ES), palestrante e escritor. Autor do livro: Filosofia do Direito (GZ Editora, Rio de Janeiro).

A Comissão da Verdade e a Tortura | Direto da Redação – 10 anos

Crise é pior do que 1929

É grave a crise econômica na Europa. Há analistas que dizem ser pior do que a de 1929. Não é só a Europa, mas os Estados Unidos estão em recessão. Como as duas áreas do planeta são consumidoras, e a China é uma das principais beneficiárias com a exportação de seus produtos de consumo, se a fonte secar ou mesmo o fluxo de consumo de produtos chineses for reduzido, a América Latina automaticamente será afetada. Não poderá contar, como agora, com a República Popular da China para escoar as commodities. Essa análise é feita por analistas que acompanham de perto o desenrolar dos acontecimentos.

Na Europa, depois da Grécia, a bola da vez é a Itália, que se encontra também em situação desesperadora. Depois de Silvio (bunga bunga) Berlusconi ocupa o cargo de presidente do Conselho de Ministros, que corresponde a primeiro-ministro, um tal de Mario Monti, ex-vice-presidente da Goldman Sachs, gigante do mercado.  Ou seja, a Itália, como a Grécia coloca um “técnico” para fazer o jogo sujo do capital financeiro, perdendo mesmo a sua soberania.

Como afirmou Mikis Theodorakis, o compositor grego de longa tradição política e que aos 14 anos perdeu um olho quando combatia na resistência antinazifascista, se a Grécia se submeter às exigências dos chamados "parceiros europeus" será "o nosso fim quer como povo quer como nação".

Theodorakis, que ao longo dos anos sempre combateu o bom combate, além de compor músicas belíssimas (quem não se lembra da trilha sonora de  Zorba, o grego?), alerta ainda que “se europeus não se levantarem, bancos trarão de volta o fascismo”. Gregos, italianos, espanhóis, portugueses, estadunidenses estão nas ruas protestando contra as investidas do capital financeiro, responsável pela crise e que exige dos trabalhadores o pagamento da fatura.

Embora os europeus não conheçam a fúria dos generais de plantão, como aconteceu na América Latina nos anos 70, com o apoio integral de sucessivos governos dos EUA, não se exclui a possibilidade de que o mesmo capital financeiro exija a instalação de governos fortes no velho continente. Em princípio estão tentando os técnicos ao seu serviço, mas se o caldo engrossar… 

Um parêntesis: a Grécia com o regime dos coronéis nos anos 70, Portugal com o famigerado Oliveira Salazar e a Espanha com o hediondo Francisco Franco assolaram os seus povos com ditaduras ao estilo Pinochet/Médici e outros do gênero. Os tempos são outros, claro, e figuras como as mencionadas não teriam mais vez, mas isso não impede que em situação de emergência o capital financeiro se valha de regimes fortes.

Na verdade, quem dita as cartas das finanças na Europa é a Alemanha. A primeira ministra Angela Merkel é a senhora dos anéis. Ela tem ditado regras aos demais países, cujos dirigentes pouco se importam com a perda de soberania, que muitos analistas consideram coisas do passado. Para estes dirigentes e os analistas de sempre, o que importa mesmo é a pós-modernidade. E a pós- modernidade é isto que está aí no cenário internacional. 

Mas já que falamos em repressão, um fato histórico vergonhoso, envolvendo as relações Brasil-Argentina, veio à tona. Documentos que se tornaram públicos indicam que por volta de 1982, o então embaixador brasileiro em Londres, Roberto Campos, defensor histórico do capital financeiro, batalhou no sentido de o então capitão Alfredo Astiz ficasse livre. Como se sabe, Astiz, o anjo da morte, que torturou e matou sem piedade, acabou de ser condenado a prisão perpétua.

Astiz, que literalmente se borrou quando foi preso nas Malvinas pelos britânicos, contou com os esforços de Roberto Campos no sentido de libertá-lo, segundo informa o jornal argentino Pagina 12. Tal fato demonstra também como a ditadura brasileira e argentina andavam juntas.  A diferença agora é que os torturadores assassinos argentinos estão sendo julgados, enquanto os similares brasileiros contam com a impunidade de uma lei de anistia promulgada em 1979, nos estertores da ditadura, mas ainda na vigência do regime ditatorial e sob pressão dos que tinham culpa no cartório.

No mais, exemplo de promiscuidade jornalística mais recente fica por conta da TV Globo na cobertura, na quinta-feira (17) do que está acontecendo na Bacia de Campos com o derramamento de petróleo pela empresa estadunidense Chevron-Texaco. Sem o menor constrangimento, o repórter sobrevoou o local num avião cedido pela própria Chevron-Texaco, passando a relatar o que era de interesse da referida empresa. Ou seja, dourando a pílula da agressão ao meio ambiente provocada pelo derramamento.

Os noticiários dos outros canais de televisão simplesmente diziam  que a Chevron-Texaco não tinha se pronunciado. Ficou caracterizada a exclusividade da TV Globo, mas com o noticiário divulgado em conformidade com a empresa estadunidense.

Eis mais uma faceta do jornalismo global. 

Mário Augusto JakobskindÉ correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes – Fantástico/IBOPE

Crise é pior do que 1929 | Direto da Redação – 10 anos

20/11/2011

A delação eletrônica

Filed under: Delação,George Orwell — Gilmar Crestani @ 7:05 am
Tags:

Notícia que vem da Espanha nos dá conta de que uma empresa local – a companhia de elevadores Schindler-Catalunha – teria instalado chips nos celulares de seus funcionários para controlar os seus movimentos (ou a ausência deles) durante o serviço. Segundo se denunciou, os chips emitem um sinal que provoca o disparo de um alarme toda vez que identifica falta de movimentos do trabalhador por um período de dez minutos. O telefone, para tanto, fica junto ao corpo do funcionário, podendo detectar , também, sua localização, graças a um GPS componente do sistema..    

Apresentada queixa por órgãos sindicais da Catalunha, a Secretaria de Trabalho ordenou a retirada dos chips, considerados instrumentos inadequados de controle.  A assessoria de comunicação da empresa – ao recorrer da ordem – afirma que o sistema é “mecanismo de proteção e não de controle”. Mas essa “proteção” está sendo dada, em sua maioria, a trabalhadores responsáveis por inspeções ou reparos nos escritórios ou residências dos clientes. Uma forma de pressão, segundo alegam os funcionários, para a efetivação do trabalho com velocidade. 

É ancestral o conflito entre a liberdade e o controle. O bom-senso recomenda que o controle só deva prevalecer se a liberdade em questão for manifestamente abusiva, voltada para o mal ou contrária ao interesse geral. Mas muitos se têm aproveitado dessas palavras para solapar os direitos humanos.

Nos anos 50 e 60, a UDN – partido político da direita organizada no Brasil – tinha como lema a frase : “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, que alguns atribuem a Aldous Huxley, autor de “Admirável mundo novo”. Evidentemente ela pretendia significar que é preciso estarmos vigilantes para que não nos retirem a liberdade. Na prática, porém, o que viam os brasileiros de então era a tentativa golpista, o desrespeito à democracia, com  repetidas ofensas aos poderes legalmente instituídos. Até que deu no que deu: a UDN, capitaneada por Lacerda e tantos outros, acabou mesmo sendo linha auxiliar do golpe militar de 1964, que a semântica direitista quis apelidar de revolução.

Um pouco antes disso, regimes políticos como o  stalinismo, o fascismo e o nazismo, com variações significativas enquanto ideologia, mas não no que dizia respeito à dicotomia liberdade x vigilância (ou controle) inspiraram George Orwell a escrever, em 1948,  o formidável “1984”  – número invertido, para caracterizar um futuro então antevisto -, que nos fala de uma hipotética Inglaterra , parte de um megabloco denominado “Oceania”,  na qual os cidadãos que cometessem uma “crimideia” (pensamento diferente daquele do partido governamental, liderado pelo “Grande Irmão”, o “Big Brother”) tendiam ao desaparecimento. O sexo com prazer era considerado crime, anotar e lembrar pensamentos ocorrentes era proibido e perigoso, apartamentos possuíam teletelas que vigiavam os moradores e seu comportamento. 

Estranha ironia: no nosso “Big Brother” caboclo, que provoca noites indormidas nos telespectadores, uma dúzia de pessoas consentem em abrir mão da sua liberdade e querem ser espionados por milhões, em troca de quinze minutos de fama e/ou do enriquecimento, para cuja obtenção vale tudo, inclusive alguns desvios de caráter expostos na TV aberta.

Alguém dirá que fugi do tema, ou que, se não fugi, estou exagerando.  Afinal, o que têm em comum os celulares alcaguetes da Espanha, o udenismo de meio do século passado, o livro do George Orwell e um “reality-show” de sucesso no Brasil? Para mim, tudo , pois colocam a nu um problema-ícone do mundo em que vivo. Em um tempo de individualismos, egocentrismos e do escancarar da vida pessoal que os meios eletrônicos estimulam, como distinguir a liberdade sadia do exibicionismo nefasto, como identificar os controles necessários e os arbitrários? Muitas vezes tenho falado aqui, por exemplo, dos mecanismos de controle social da informação, para evitar manipulações e disseminação de inverdades. É um tema que, como tantos outros do gênero, cabe inteirinho no assunto geral desta coluna.

Mas, voltando à Catalunha, creio que ali está um caso indiscutível de arbítrio, no qual, em nome da produtividade (leia-se: do lucro da empresa), esquecem-se valores primordiais da convivência humana, entregando-se às máquinas maravilhosas do mundo contemporâneo missões degradantes, que anteriormente se confiavam  aos capatazes e feitores. Por isso, para quem acha que o episódio espanhol é pouco significativo ou está longe demais,  quero terminar lembrando, com Brecht, que as pequenas ações negativas, se não denunciadas, podem se transformar em grandes tragédias:  "Primeiro levaram os negros, Mas não me importei com isso. Eu não era negro. Em seguida levaram alguns operários, Mas não me importei com isso. Eu também não era operário. Depois prenderam os miseráveis, Mas não me importei com isso, porque eu não sou miserável. Agora estão me levando. Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa comigo.".

Rodolpho Motta LimaAdvogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.

A delação eletrônica | Direto da Redação – 10 anos

18/11/2011

Doutor Honoris Causa do Câncer

Filed under: Câncer,Dr Lula,Urariano Mota — Gilmar Crestani @ 8:03 am
Tags:

 

A mais recente foto de Lula

Recife (PE) – Ao ver as últimas fotos de Lula na imprensa, com os cabelos e barba raspados por dona Marisa, a primeira coisa que vem na gente é um choque. A intimidade de Lula com o povo brasileiro é de tal sorte,  que vê-lo neste estágio de luta contra o câncer é o mesmo que rever um amigo caído em um leito de hospital. Depois, quando a gente atenta bem para a sua face, a sorrir, brincalhão, como a nos dizer “eu ainda vou provar um caldinho de feijão em Pernambuco, não desesperem”, bate na gente uma simpatia por esse homem provado pela dificuldade desde a infância.

Mais adiante, a foto desperta a reflexão de que a partir dela muitos brasileiros vão retirar do câncer o seu aspecto macabro, definitivo e definidor, como até hoje todos o vemos.  O colunista aqui bem conhece a doença, da juventude até hoje em parentes, amigos e numa pessoa próxima demais para o seu gosto. Em todos conhece a via-crúcis, que  vai do autoengano à desesperança, até a exclusão voluntária do mundo dos saudáveis. E no entanto, Lula, na foto, está a nos sorrir e nos puxar para cima, “enfrentem, nada está definido, vamos adiante”. Não desse em nada, só a sua imagem deveria receber prêmio dos institutos de oncologia, porque deixa em todos a luz da esperança.

Por fim, é da natureza de uma foto de alguém em tratamento de câncer, dela vêm outras imagens, de Lula no Recife, em Água Fria, lembro:

Súbito houve um estouro, não de fogos, nem de boiada. Houve um rumor que cresceu, que se tornou incontrolável, que mais parecia um orgasmo coletivo. Sofrido, querido e esperado. É Lula! É Lula! Todos gritaram. Os berros se fizeram ouvir mais alto, ensurdecedores. Mulheres, meninos, homens chamavam a atenção do Presidente, queriam chamá-lo, e ele não sabia para que lado se dirigir. Na hora uma idéia tenebrosa me ocorreu: se caísse um raio aqui, todos morreriam felizes. Mas essa idéia não atingiu palavras. Lula veio para o nosso lado. Era ele que avançava para o círculo estreito onde todos lhe queriam tocar a mão. Aos gritos. Aos prantos. Aos empurrões.

A última vez em que vi algo semelhante em Água Fria foi em 1965, no último dia de carnaval. Tocou Vassourinhas e não havia força que contivesse o gozo da multidão em fúria.  Lembro. E mais lembro das  coisas mais duras da sua vida. Por exemplo, quando o Lula menino pegou da boca de um colega o chiclete mascado. Ou a intensidade da dor de ver a mulher falecer de parto,  como tantos pobres do Brasil veem, e jamais têm a sua dor expressa. Não sei por que, mas no sudeste e sul do país se perdem a dimensão de que Lula, o personagem, o político, é maior que o PT, é maior que o sindicalismo, porque ele vem com a força da história, como uma encarnação da força que o povo tem. Dos muitos severinos, joões, marias e lindus.  

Daí que causa espanto o nível de comentários que na imprensa além Nordeste há para a notícia da sua mais recente foto:

“JAMAIS o povo isento desejou a morte de um ex-presidente até desejar a de Lula. Realmente o governo Lula foi um marco na história do Brasil.

Lula: a grade maioria dos brasileiros quer mais é que você vá para o inferno. Abrace o capeta porque Deus desistiu de você faz tempo. Você ferrou com a vida da maioria da população, só ricos se beneficiaram com seu governo… Quero ver você agora enganar o diabo!

O grande medo é que o câncer crie ‘vida’ própria e inteligência, coisa que o hospedeiro não tem, e passe a dominar a situação, e daí a tchurma tem medo de perder a sua boquinha, pois ninguém sabe o que o câncer tem em mente, qual sua ideologia… O consolo é que a gente sabe que o câncer o evolui, mas o mula não…

Tenho pena mesmo é daquele cachorro arrastado pelo dono. Esse aí da foto teve o que merece…”

Ao ler esses comentários raivosos nos sites da imprensa no sudeste, vem na gente a vontade de deixar um conselho: não desejem tanto mal a Lula, porque se as suas pragas pegam, o mal lhes vem em triplo. Quanto mais dramas, problemas ou pequenas tragédias ocorrem a esse homem, mais ele cresce como pessoa e político. Respeitá-lo, gostar da sua história é mais sensato. Não sejam loucos de querer a sua morte morrida ou matada, entre dores, tragédia ou tiros. Pois se tal acontecer, vão ter que conviver o resto das suas vidas com São Lula. Imaginem o que seria render-lhe graças em todos os terreiros e templos do Brasil. Os loucos e raivosos estariam preparados? Melhor desejar a Lula o que a maioria do povo agora deseja: força,  eterno Presidente.

Urariano Mota – RecifeÉ pernambucano, jornalista e autor de "Soledad no Recife", recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do cabo Anselmo, executada pela equipe do Delegado Fleury com o auxílio de Anselmo.

A mais recente foto de Lula | Direto da Redação – 10 anos

Se é bom para os EUA

Filed under: Democracia made in USA,Herman Cain — Gilmar Crestani @ 7:44 am
Tags:

Não sei se a redação está correta, mas há uma afirmação segundo a qual “o que é bom para os EUS é bom para o Brasil”. Pelo que se viu na campanha passada, depois de tantas gafes, como aquela da bolinha de papel, há de fato um grande contingente de brasileiros que acredita, sim, nesta bobagem. São os vira-latas.

De minha parte, se a ignorância é boa para os EUA, que fiquem pra eles e seus vira-latas latinos!

I don’t speak Cuban

Bristol (EUA) – Depois de ser acusado de assédio sexual e entrar em morte cerebral quando foi perguntado sobre a Líbia, a última façanha do candidato a candidato pelo Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, Herman Cain,  foi perguntar, em um restaurante na Flórida, “como se diz “delicious” em cubano”?

Expliquemos. Nos Estados Unidos, os candidatos são escolhidos em primárias, que começarão em mais algumas semanas, e Herman Cain, ex-Executivo-Chefe da Godfather Pizza, vem obtendo surpreendente apoio. Há quase sempre o chamado “negro Pai Tomás” para fingir que o Partido Republicano não é racista e Herman Cain pertence a esta tradição, adotando pontos-de-vista extremamante conservadores.

Entre outras coisas, apresentou um plano econômico, batizado de 9-9-9, que aumentaria o imposto de renda para a classe média e pobre, reduzindo o dos ricos. Era a favor de um fosso separando os Estados Unidos do México, de preferência com crocodilos dentro, para impedir a entrada de imigrantes ilegais, mas quando sua companheira de campanha Michele Bachman sugeriu a alternativa de uma cerca, disse que ela deveria ser eletrificada.

Foi acusado de assédio sexual por quatro mulheres. Ao dar carona para uma delas, meteu a mão por baixo de sua saia, fazendo-a deslizar para  aquela terra prometida um pouco mais ao norte,   enquanto puxava a cabeça da moça em direção ao seu território varonil. Segundo um cômico na televisão, Herman Cain pretendia iniciar a jovem em sua política 69-9-9.

No meio de tudo isto veio a entrevista, que vocês já devem ter assistido no YouTube, com um jornal de Milwaukee. Ao ser perguntado se concordava com a política de Barack Obama em relação à Líbia, o cérebro de Herman Cain sofreu uma espetacular pane, dolorosamente registrada por mais de cinco minutos por impiedosa camera. Ao fim de  longo silêncio, acabou admitindo que “há muita coisa girando em minha cabeça”.

Recentemente, Herman Cain disse que “do jeito que as coisas vão, a China acabará possuindo a bomba atômica”, algo que o país tem desde 1964.

Agora ele foi levado a um restaurante hispânico em Miami, onde lhe serviram croquettes,  croquetas em espanhol.  Ele provou, gostou e perguntou: “How do you say delicious in Cuban?”. Para tornar as coisas piores, foi indagado sobre a política dos “pés secos”. Ela refere-se ao fato de que os cubanos que conseguem por os pés em terra firme nos Estados Unidos  ganham  o direito de permanência. “Wet foot, dry foot?”, ficou Herman Cain a repetir, sem entender, enquanto seus assessores o levavam para longe.

Mas Herman Cain sente-se à vontade num Partido em que há outros candidatos tão absurdos quanto a já mencionada Michele Bachman e o texano Ricky Perry, também famoso por outro espetacular colapso cerebral em recente debate, além de inúmeras gaffes.

Tudo isto seria cômico, se não fosse trágico, pois estes mesmos personagens já se declararam a favor de aplicar a tortura do “waterboarding” a suspeitos islâmicos, enquanto outros um pouco mais alfabetizados, como Mitt Romney, não afirmam explicitamente que a adotarão, mas negam que o procedimento, criado pela Inquisição Espanhola, seja ilegal.

A última tirada de Mitt Romney foi garantir que, se for eleito, declarará guerra ao Irã. Romney, Cain, Bachman e Perry dizem que os Estados Unidos são um país “excepcional”. Em que sentido devemos entender a palavra?

I don’t speak Cuban | Direto da Redação – 10 anos

14/11/2011

O mecenas das ditaduras

Filed under: Mecenas,Roger Noriega,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 8:32 am
Tags:

WikiLeaks vazou a informação de que os EUA estavam patrocinando quem entrasse na deles de provocar a difamação de religiões, particularmente a islamita. Quem era o porta-voz da CIA para se a$$ociar a bandidagem midiática? Pois é, o melhor amigo da conta bancária da Veja. Os a$$oCIAdos do Instituto Millenium são regiamente bem servidos para cumprir o papel gerido pelo elemento objeto deste artigo. Assim como a Suíça lava mais banco, a Veja lava mais biografias. Nem Bolsonaro teria tamanha cara de pau, mas tudo tem a ver com o calibre de quem patrocina, o mecenas da morte.

Um pregador de golpes de Estado

O nome dele é Roger Noriega (foto), um linha-dura que ocupou o cargo de subsecretário do Departamento de Estado no governo de George W. Bush e de embaixador dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA).

Notoriamente vinculado ao complexo industrial militar norte-americano, Noriega volta e meia é convocado pela mídia de mercado para dar recados de grupos que se utilizam de expedientes de todos os tipos na defesa de poderosos interesses econômicos.

Pois bem, a revista Veja, sempre ela, divulgou entrevista em que Noriega faz previsões suspeitas envolvendo o Brasil. Segundo este estimulador de golpes nas Américas, o Brasil dá cobertura e serve de base para o terrorismo internacional.  

Noriega, que segue como funcionário do Departamento de Estado, ainda por cima acusa o Brasil de ser complacente e apoiar o terrorismo na Tríplice Fronteira. Esta região, por sinal, volta e meia aparece no noticiário com matérias requentadas acusando a existência de células terroristas árabes.

A própria revista Veja já publicou matérias do gênero em várias ocasiões. Aí vem Noriega para voltar ao tema que o governo brasileiro já investigou e concluiu a improcedência das acusações.

Dá ou não dá para desconfiar que a nova investida de Noriega é suspeita?

Além de fazer duras críticas aos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, Evo Morales e Rafael Correa do Equador, Noriega previu nas páginas da Veja que o Brasil será alvo de atentados durante a Copa do Mundo, sugere ainda que o governo mude sua política externa e rompa os elos com os três dirigentes sul americanos mencionados.

Noriega, que em abril de 2002 foi um dos estimuladores da tentativa de golpe de estado contra o presidente Hugo Chávez, está mais uma vez se intrometendo indevidamente em assuntos internos de um país soberano e no fundo tenta provocar pânico ao fazer previsões com base em coisa alguma, o que também levanta a suspeita segundo a qual serviços de inteligência dos EUA, a CIA e outros, podem estar preparando algum atentado terrorista para incriminar os governos dos países que não rezam pela cartilha de Washington. Ele na prática procura preparar a opinião pública a aceitar o argumento de que Venezuela, Bolívia e Equador representam um perigo para o Brasil.

E, de quebra, Noriega ainda afirma que as embaixadas do Irã incrementam células terroristas na América Latina.

Pelos antecedentes deste funcionário do Departamento de Estado todo o cuidado é pouco. Nesse sentido, representantes de vários movimentos sociais reunidos em Brasília chamaram atenção para as declarações de Noriega. Pediram providências imediatas do governo brasileiro e chegaram até a pedir que o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, seja considerado persona non grata. Para estes movimentos, a adoção de tal medida seria uma forma de demonstrar que o Brasil não aceita passivamente intromissões indevidas em questões internas. 

Não contente com a entrevista publicada na Veja, Noriega andou fazendo declarações de caráter golpista em outras plagas.  Empolgado com o desfecho das ações militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia, Noriega mais uma vez deitou falação contra o governo constitucional da Venezuela.

Fez mais uma previsão, a de que Chávez não teria mais de seis meses de vida e que a sua morte provocaria o caos no país petrolífero devido a confrontos entre apoiadores e opositores do presidente venezuelano, o que justificaria uma intervenção militar dos EUA. No portal Inter American Security Watch, ao pregar abertamente a intervenção ele declara textualmente que “as autoridades dos Estados Unidos devem estar preparados para lidar com o impacto de uma situação de turbulência a curto prazo em um país onde se compra 10 por cento do nosso petróleo”.

Não é a primeira vez que Noriega se manifesta sobre a doença de Chávez. No mês de setembro chegou a afirmar que “deveríamos nos preparar para um mundo sem Chávez”. As declarações de Noriega então entraram em contradição com a dos médicos de Chávez assegurando que ele reagia bem ao tratamento a que vinha sendo submetido contra o câncer,

Por coincidência ou não, poucas horas antes da declaração de Noriega sobre o estado de saúde de Chávez, o governo venezuelano denunciava a presença de um submarino no litoral do país.

Na verdade, Noriega exerce a função de estimulador de setores golpistas latino-americanos e se os governos silenciarem a respeito, o referido funcionário do Departamento de Estado continuará ocupando espaços na mídia de mercado para sugerir retrocessos e tentar fazer com que o continente retorne ao período tenebroso dos anos 70.

Roger Noriega é mesmo uma figura nefasta ao processo democrático latino-americano.

Em tempo: o recorde da semana em termos de deturpação da história ficou por conta de um colunista de O Globo que comparou o ato público organizado pelo governo do Estado do Rio contra o projeto ilegal sobre os royalties do petróleo com a passeata dos 100 mil. O que disse Zuenir Ventura é realmente uma ofensa à geração 68 que lutou com o que estava ao seu alcance contra a ditadura.

Mário Augusto JakobskindÉ correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes – Fantástico/IBOPE

Um pregador de golpes de Estado | Direto da Redação – 10 anos

10/11/2011

Insanidade de Israel põe o mundo em tensão

Filed under: Benjamin Netanyahu,Israel,Mário Augusto Jakobskind — Gilmar Crestani @ 7:36 am
Tags:

O mundo está em estado de tensão. Além da crise grega, que ocupa grandes espaços na mídia de mercado com advertências dos neoliberais sobre reflexos de uma quebra do país em outras partes do mundo, o primeiro-ministro de Israel, o militarista Benyamin Netanyahu mostrou mais uma vez a sua cara. Primeiro, ao cortar a contribuição anual de Israel à Unesco em represália ao ingresso da Palestina no organismo da ONU para a cultura, além da suspensão da cota destinada ao país que Israel não quer reconhecer e usa sofismas para não deixar claro a sua posição. Os EUA fez a mesma coisa que Israel em relação à Unesco.

Como se não bastasse, o governo de Netanyahu ampliou a represália ao anunciar a construção de mais assentamentos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia. Se um acordo de paz entre israelenses e palestinos estava difícil, com o novo anúncio a paz torna-se praticamente inviável. No fundo é exatamente isso que quer Netanyahu tendo sido o ingresso da Palestina na Unesco mero pretexto para fortalecer o projeto do Grande Israel.  

Em seguida, o mundo ficou sabendo que Netanyahu e seu ministro da Defesa Ehud Barak estão tentando convencer os seus pares para uma possível ação militar contra o Irã. Conseguiram a adesão do racista que ocupa o Ministério do Exterior, Avigdor Lieberman. O presidente Shimon

Perez admitiu que a possibilidade de uma ação militar estava ficando mais próxima. Mas nem todos estão convencidos e pode ter sido por isso que a informação vazou. 

O governo israelense usa como argumento o fato de o Irã estar preparando uma bomba atômica, o que é negado por Teerã. Pelo que se sabe, o único país da região que possui ogivas nucleares é Israel, mas protestos nesse sentido são tímidos e se limitam até agora a movimentos pacifistas. Os Estados Unidos, onde o loby sionista é forte, na pratica aceita a realidade de Israel nuclear. E convenhamos, um país controlado por um governo de extrema direita, como o de Netanyahu, torna-se um perigo para o mundo ter ao seu alcance bombas nucleares. Mas sobre isso os dirigentes ocidentais silenciam.

O noticiário em torno de uma possível ação militar contra o Irã já provocou a advertência de Teerã, que garante estar em condições de responder a um ataque com graves consequências para os países que decidirem a ação, Israel e os Estados Unidos. A OTAN por enquanto limitou-se a afirmar que não pretende agir no Irã. Em outras ocasiões a organização dizia o mesmo e acabava aderindo.

A única coisa que pode deter a insanidade de Netanyahu e do complexo industrial militar estadunidense é exatamente a possível resposta iraniana. O Irã, diga-se de passagem, pode ter o controle do estreito de Ormuz onde passa o petróleo do Golfo Pérsico que vai para o Ocidente. Na advertência iraniana foi lembrado que o estreito de Ormuz, da mesma forma que o território israelense, está ao alcance dos mísseis de Teerã.

Quer dizer, se a insanidade do extremista Netanyahu realmente prevalecer, o ataque de Israel ao Irã afetará muitos outros países e poderá resultar numa crise mundial sem precedentes.

Analistas acreditam que como o Ocidente não quer pagar para ver o que aconteceria depois de uma ação militar nos moldes contra o Irã, o noticiário alarmista objetiva na prática conseguir o apoio para a ampliação de ações diplomáticas visando maior isolamento do regime dos aiatolás e do presidente Ahmadinejad. Mas mesmo assim, todo cuidado é pouco, porque o governo israelense já agiu em outras ocasiões de forma isolada, como em 1981 ao atacar um complexo nuclear do Iraque. E quem garante que os EUA não estão estimulando Israel a realizar uma aventura militar?

Como o Irã não é o Iraque e está em melhores condições para reagir a um ataque, o Ocidente prefere por enquanto agir com mais cautela. A próxima semana poderá ser decisiva, porque a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) divulgará mais um relatório sobre a questão nuclear no Irã. Analistas já estão prevendo que a AIEA poderá confirmar a existência de um programa militar que levará a bomba atômica iraniana. Por enquanto são apenas especulações. O governo do Irã já acusou a AIEA de preparar um relatório mentiroso. Resta aguardar então o desenrolar dos acontecimentos.

Já na Grécia, depois do anúncio do primeiro ministro George Papandreu sobre a possível realização de um referendo para o povo decidir se o país aceita ou não o pacote econômico neoliberal, Nicolas Sarkozy e Angela Merkel subiram pelas paredes. Ameaçaram mundos e fundos se isso acontecesse, demonstrando que não são tão democratas como dizem, pois quem teme a palavra do povo não é propriamente democrata. Na verdade os dirigentes só aceitam o que diz o mercado, que por sua vez é incompatível com qualquer tipo de consulta popula.

Com a intensificação das pressões, Papandreu voltou atrás com a ideia da convocação do referendo e conseguiu um voto de confiança no Parlamento. Agora pode convocar um governo de união nacional, que a oposição mais a direita não aceita, porque quer antecipar as eleições gerais.

É possível que Papandreu apelou para o referendo como jogada política, mas de qualquer forma colocou no tabuleiro a possibilidade. O que está em questão verdadeiramente é o fato da União Europeia exigir que o povo grego pague a conta da crise provocada pelo capital financeiro.

Os gregos, heroicamente, saem diariamente às ruas para dar o recado: não aceitam as medidas draconianas contra os trabalhadores. Reduzir salários, aumentar o tempo para a aposentadoria e acabar com outras conquistas sociais, fora as privatizações e enfraquecimento do Estado é a receita europeia para enfrentar a crise que os trabalhadores não são responsáveis. Só resta ao povo grego reagir às imposições neoliberais.

Mário Augusto JakobskindÉ correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes – Fantástico/IBOPE Insanidade de Israel põe o mundo em tensão | Direto da Redação – 10 anos

O emprego por uma noite de sexo

Filed under: Complexo de Vira-Lata,Herman Cain — Gilmar Crestani @ 7:33 am
Tags:

Agora passo a entender o complexo de vira-latas do brasileiro em relação ao americanos. É que esses vira-latas brasileiros sonham em “procurar” emprego nos EUA… A Pedigree da matriz é melhor que a ração nacional. Não importa se consegue ou não, o sonho é a possibilidade de um encontro com os Herman Cain de lá. Se o jogo é duro, melhor,  do umbigo para baixo é braguilha. Deve ser a tal de meritocracia…

Dessa vez o bicho pegou para Herman Cain, o candidato-sensação entre os que postulam o direito de enfrentar Barack Obama na eleição do ano que vem.  De obscuro participante dos debates entre os diversos pretendentes republicanos, Herman foi catapultado para um destacado espaço na mídia, quando divulgou  seu plano de restauração da economia americana baseado no 9-9-9, coisa que muita gente não entendeu até hoje.

Mas foi essa curiosidade pelo projeto 9-9-9 que o guindou à posição de estrela ascendente,  e em poucas semanas ele disparou nas pesquisas e assumiu a liderança entre os republicanos tradicionais, como o moderado Mitt Romney e o radical Rick Perry. Cain deixou os dois para trás e assumiu a ponta da corrida presidencial.

Negro e sem passado político – nunca exerceu nenhum cargo eletivo – o ex-executivo de uma rede de pizzarias e da NRA , a Associação Nacional de Restaurantes (na tradução em português), Cain esbanjava simpatia e seria, talvez,  o candidato ideal para enfrentar Obama, o que seria mais uma situação inédita na terra do Tio Sam: dois negros disputando a presidência do país.

Isso não é impossível de acontecer, mas agora ficou extremamente difícil para Herman Cain depois que começaram a pipocar contra ele denúncias de “comportamento sexual agressivo e inadequado”, quando exercia o posto de executivo na tal NRA, com sede em Washington.

As primeiras acusadoras não tiveram coragem de mostrar a cara, falaram através de advogado, segundo o qual elas teriam firmado um contrato de confidencialidade quando receberam indenizações para não levarem o escândalo adiante.

Mas eis que nesta segunda-feira, a coisa se complicou definitivamente para Cain.   Apareceu uma quarta acusadora,  só que desta vez com a cara na mídia, bem falante  e contando com riqueza de detalhes como o executivo da NRA tentou trocar um emprego por uma noite de sexo.

Sharon Bialek (foto), 50 anos, mãe solteira, contou  que, por volta de 1995/6, procurou Herman Cain, então dirigente máximo da NRA, onde ela já havia trabalhado, para pedir-lhe o emprego de volta. Ele prometeu que a contrataria, sim, em melhores condições do que a posição anterior que ela ocupava.  Sharon não teve dúvidas, embarcou de Chicago, onde mora, e desceu em Washington, para encontrar o amigo.
Depois de uns drinks no hotel, Cain levou-a para jantar em um restaurante italiano. E logo após os comes e bebes, já no carro, ele colocou a mão por baixo da saia de Sharon tocando-lhe a genitália enquanto tentava empurrar a cabeça dela em direção à sua virilha.
Entre surpresa e decepcionada, Sharon o repeliu admoestando-o:  “o que você está fazendo, você sabe que tenho um namorado” . A resposta dele foi dolorosamente implacável: “mas você não quer o emprego?”  Enojada, ela pediu-lhe que a deixasse no hotel onde estava hospedada.
As declarações de Sharon, diante de centenas de repórteres e câmeras de TV,  foram juramentadas em cartório e ela espera com isso  abrir caminho para que outras mulheres que foram assediadas por Herman Cain saiam da sombra e mostrem a face.
Claro, a Cain só restou negar as acusações, mas pelo andar da carruagem tudo indica que ele está liquidado politicamente. Pesquisa entre os eleitores republicanos, após mais esta denúncia, revelou que ele caiu 9 pontos em sua popularidade e perdeu a liderança para Mitt Romney.

Por falar em eleição, um ano antes da eleição presidencial de novembro do ano que vem, o cenário eleitoral nos Estados Unidos é, no mínimo, curioso. Uma pesquisa da NBC News/Wall Street Journal, divulgada nesta segunda-feira, revela que apesar de todo pessimismo reinante no país, Obama tem todas as condições para se reeleger.
A pesquisa indicou que quase 75 por cento dos entrevistados consideram que a nação está indo na direção errada e que a administração Obama ficou aquém de suas expectativas.

No entanto, apesar das opiniões contrárias ao seu trabalho na Casa Branca, Obama segue na frente dos republicanos na corrida presidencial. Na simulação contra o líder nas pesquisas republicanas, Mitt Romney, Obama tem seis pontos de frente. E contra Herman Cain, o segundo colocado, a diferença é de 15 por cento.

Mas,  como falta um ano ainda para o acerto de contas com os eleitores, tudo pode acontecer. Eleição, como no futebol, é uma caixinha de surpresas, parodiando um velho comentarista do esporte bretão

O emprego por uma noite de sexo | Direto da Redação – 10 anos

Cada vez menor o complexo de vira-latas

Filed under: Complexo de Vira-Lata,IDH — Gilmar Crestani @ 7:24 am
Tags:

Eu conheço gente que só lê Veja, e passa o dia latindo, como um vira-lata defendendo um osso, que o brasileiro é vagabundo, mas que os americanos, sim, têm um c… deste tamanho!

Divulgados os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) apurados pelas Nações Unidas, digam o que disserem os mal intencionados, a verdade é que estamos caminhando no sentido positivo. E o caminho escolhido pelos governos mais recentes do país, no sentido de reduzir as desigualdades sociais, é o único capaz de nos colocar na posição que todos almejam. 

Dias antes da divulgação do IDH, foram apresentados os números do desemprego no Brasil, apontando 2011 como mais um ano em que se estabelecem invejáveis  índices no âmbito do trabalho. Até setembro, os desempregados brasileiros representavam , na média anual,  6,2% , mas em igual período do ano anterior esse número era de 7,1%. Essa média anual era de 12,3% em 2003 e nos últimos anos vem registrando sucessivas quedas: foi de 8,2% em 2009 e 6,7% em 2010. Enquanto isso, o índice ronda os 10% nos EUA e na zona do Euro (em média), onde na Espanha chega a 22% e a 17% na Grécia.

Embora  dados estatísticos sempre possam ser objeto de manipulação, no caso do Brasil os  números da diminuição do desemprego estão em absoluta consonância com outros indicadores. Uso essa palavra e me recordo de uma charge, relativa a outros tempos do país, em que a expressão “indicador de desemprego” era usada para referir-se ao dedo indicador do patrão demitindo trabalhadores…

No presente, ao contrário, e sem exageros ufanistas (que nunca ajudam) , a expressão tem assegurado o seu valor positivo, porque vem acompanhada de elementos que a justificam. Está aí a nova classe média – aquela que, para desprazer de alguns, já está fazendo suas viagens de avião, já está inserida no mundo digital da comunicação, já está dotando seus lares de um relativo nível de conforto. Os componentes  dessa classe média e o seu comportamento social  são  uma consequência  indiscutível  dos números registrados no âmbito do emprego.  

Há muito a fazer no Brasil, no plano social, no tocante à redução das desigualdades. E não é por acaso que a presidenta Dilma elegeu o combate à pobreza como sua busca maior. Gostem ou não da frase os ressentidos com o êxito de políticas como essas, que redundaram na redução do nível de desemprego, a verdade é que nunca  na história medianamente recente do país se perceberam com tão grande clareza os seus avanços sociais, que repercutem no mundo todo e nos colocam em condição de ser um dos  protagonistas do século XXI. O Brasil tem o respeito do mundo, e isso até o mais ferrenho adversário do atual projeto governista – de Lula para cá – teria obrigação de reconhecer.

Atravessamos um período de turbulência econômica em 2008 – fruto da ganância, do desequilíbrio e do descompromisso social que marcam o sistema econômico predominante no planeta – e conseguimos passar por ele sem grandes danos, graças a uma ousada estratégia econômica. Lembro-me de Lula sendo objeto de escárnio pelos especialistas de plantão quando, estimulando o consumo entre os brasileiros,  afirmou que o tsunami mundial seria uma marolinha para nós. Mas será que,  considerados os poucos problemas que enfrentamos,  não foi isso mesmo que aconteceu?

Aponta-se para um futuro próximo em que o nosso país estará entre as 5  grandes economias de todo o planeta, algo inimaginável  há bem pouco tempo, em que aqui predominava um tipo de pensamento subserviente, o tal “complexo de vira-lata” (imortalizado pelo Nelson Rodrigues)  que nos cravava como condenados à passividade dos colonizados. Esse pensamento, no âmbito do trabalho, encontrava vertente na aceitação preconceituosa  da afirmação de que os brasileiros eram, desde os seus ancestrais índios, um povo que não gostava de trabalhar… E ainda tem seguidores entre aqueles que afirmam que projetos sociais de natureza assistencial levam a nossa gente a não querer trabalhar… 

Voltando à questão do desemprego,  é claro que, enquanto cidadãos conscientes, devemos nos engajar na luta pelo emprego total, ainda que utópica, e, mais que isso, pela remuneração condigna para todos os que trabalham, uma outra luta tão velha quanto o mundo,  que opõe exploradores e explorados. Aqui, cabe lembrar a saga das mulheres contra a desigualdade salarial que o resíduo machista ainda lhes quer impor. E, mais que tudo, não podemos um segundo sequer nos desligar do combate a essa iniquidade ímpar das relações humanas, chamada “trabalho escravo”, ainda muito presente entre nós. Mesmo assim,  podemos e devemos comemorar avanços nessa área. Cada trabalhador empregado não é apenas alguém capaz de garantir sua subsistência e a de sua família, mas um indivíduo socialmente integrado, apto a participar dos destinos da nação, como verdadeiro cidadão.

É sempre bom terminar considerações desse tipo lembrando Gonzaguinha e um fragmento de sua antológica composição “O homem também chora”:  “Um homem se humilha / Se castram seu sonho / Seu sonho é sua vida / E vida é trabalho… /E sem o seu trabalho / O homem não tem honra / E sem a sua honra /Se morre, se mata…”

Rodolpho Motta LimaAdvogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.

Cada vez menor o complexo de vira-latas | Direto da Redação – 10 anos

04/11/2011

Lula, o marqueteiro do câncer | Direto da Redação – 10 anos

Filed under: Câncer,Lula,SUS,Urariano Mota — Gilmar Crestani @ 8:16 am
Tags:

Urariano Mota – Recife – É pernambucano, jornalista e autor de "Soledad no Recife", recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do cabo Anselmo, executada pela equipe do Delegado Fleury com o auxílio de Anselmo.

Lula, o marqueteiro do câncer

Recife (PE) – A julgar pelos comentários apaixonados que gerou, o câncer na laringe de Lula foi, é um sucesso. Das chamadas redes sociais, do Twitter, do Facebook, do Youtube a todo o universo do mar, terra, ar, e internet, o câncer do ex-presidente veio provar, do modo mais paradoxal, que Lula está hoje ainda mais vivo e bulindo. Penso que até as sondas espaciais, os laboratórios distantíssimos em órbita, que rondam além do nosso sistema planetário, já transmitem para os ETs que no Brasil há um cara que, ao ser presenteado com um câncer, virou mais notícia que todos os astros do esporte, da televisão e do cinema.

O Jornal Nacional se vê obrigado a noticiar a doença, sério, grave (é do estilo),  ainda que em doses homeopáticas, louco de raiva, possesso, por não fazer do caso uma grande telenovela jornalística. Lembram-se da magnífica obra-prima do horror no acidente da TAM? Os capítulos tinham nomes: “O maior desastre da aviação brasileira … Duas tragédias em dez meses… Tristeza e indignação na madrugada em São Paulo… A aflição das famílias das vítimas em Porto Alegre… O medo de quem mora próximo a Congonhas”.  Mas desta vez, não abusem por favor, creiam na criação, se o Jornal Nacional está sem os próximos capítulos, pelo menos possui o título geral: “Lula, o pau de arara que nasceu para o câncer”. Imaginem como isso prepararia bem o lindo obituário, já pronto: “Lula, enfim, descansa em paz!” Desgraçado, que nós também. 

Como isso é possível? Como é que Lula, fora da presidência, quando, e guardo a esperança de que os verbos dos seus adversários, inimigos, estejam nesta gradação: quando o queriam e desejavam e apostavam que ele estivesse desaparecido, se possível morto, pois para Deus nada é impossível, como pode o ameno barbudo voltar com tal onipresença, da terra à lua? Eis que na pesquisa na web, entre os comentários mais entusiasmados e criadores, descobri a razão. Escolho para vocês estas pérolas, das quais limpo o português mais sujo:  

“Nada de novo, pessoal. Trabalho com marketing há mil anos e sei o que houve. O que fazer quando a sua imagem está a ponto de detonar (quase dez ministros detonados), com o processo do mensalão em andamento, inflação crescente, o diabo, o que é que se faz? Cria-se um fato novo! O povo precisa ter pena do cara,  não é mesmo? Que câncer, que nada! Isso é pura armação de um bandido mentiroso e que não tem saída. Só um câncer arranjado. Matei? O cara é muito malandro, ele não está nada com câncer, é pura jogada dos marqueteiros da petralha. Matei?”

Ao que outro mais culto, com as luzes e o método arguto do que o bravo imagina ser a ciência política, desvendou melhor as patas do caranguejo:

“A divulgação manipulada do estado de saúde prevalece igual ao do líder venezuelano Hugo Chávez. O conhecimento público do seu câncer o favorece na reeleição do ano que vem, entendem? É mais um mistério que ainda envolve a gravidade da doença, talvez porque sua veiculação dispararia a sucessão de um líder egocêntrico demais para deixar herdeiros. Mataram a charada?”

E finalmente, esta pepita de ouro que ilustra o sucesso internacional do câncer de Lula no mundo e na história: 

“Devagar, pessoal, o ‘universo’ está dando uma boa mão para nós terráqueos e limpando a terra dos esquerdistas. Senão, vejamos: o Kadaffi já morreu, o Fidel Castro está agonizando, o Hugo Chaves está agonizando, o Kim Jong-il da Coreia do Norte está agonizando, agora o Lula está com o câncer. Viva o câncer!”.

A essas linhas bárbaras, que festejavam a morte geral na esquerda, reagiu rápido uma leitora espirituosa, como se fosse a voz da consciência entre caranguejos, animais e fúria: 

“Tudo agonizando, não é? E o Capitalismo também…. Ahahahahaha”

Em resumo, amigos: nunca se viu, em toda história, um marqueteiro do câncer como Lula. Sucesso universal e absoluto.

*****************************

Lula e o SUS

A repercussão do câncer de Lula na internet remete ao clima de baixarias que inundaram as redes sociais nas eleições 2010. Não à toa. Lula é peça-chave no jogo político, e a boçalidade destampada no período eleitoral continua a ser alimentada à farta.
O ex-presidente fez bem ao tornar logo público o tumor na laringe. Agiu com a transparência que se espera de quem deixou o Planalto com índice de a…provação de 87%. Não se trata apenas de um drama pessoal. Embaralha qualquer cenário que se vislumbre para as eleições municipais de 2012 e, obviamente, para a sucessão presidencial de 2014.
É nesse contexto que desponta nas redes sociais a campanha “Lula, faça o tratamento pelo SUS”. Ela renova o ódio reacionário que marcou a disputa eleitoral do ano passado, em que o auge foi a exortação do afogamento de nordestinos em São Paulo.
Lula poderia ir a um hospital público, como o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, mas preferiu o Sírio-Libanês, onde seus médicos trabalham – também ali se trataram de câncer o então vice-presidente José Alencar e a então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. Aliás, é desejável que ele não ocupe vaga de quem depende da rede pública de saúde.
Por que a campanha para Lula se tratar pelo SUS? Só ressentimento e ignorância explicam tamanha estupidez. Algum mimimi se no lugar do petista estivesse um tucano de densa plumagem? E se Lula fosse ao Instituto do Câncer não receberia tratamento de ótima qualidade, como todos que lá estão? O mais curioso é ver que o sujeito que quer Lula num leito público também comemorou o fim da CPMF, cuja extinção beneficiou uma parcela de brasileiros que, da classe média para cima, deixaram de entregar 0,1% sobre o valor de cada movimentação financeira para a saúde pública.
O ódio dessa minoria contra Lula escandaliza agora alguns de seus críticos sensatos na imprensa. Mas não se trata de cobrar comportamento decente de leitores, quando parte da mídia é responsável por fomentar essa raiva e dela se beneficia. Basta recordar como foi a cobertura do título honoris causa concedido a Lula pela Sciences Po.
Choca que a galera vomite nas redes tanta escrotidão com a mesma — ou até mais — desinibição que em círculos íntimos. A parada, porém, é mais profunda. Não é uma questão de compostura, mas classe. Melhor, classes. Num clima que transborda o ódio de quem sente as referências de exclusividade social se esvair, ainda que muito, mas muito lentamente.

Contribuição da leitora Patty Pssos, de Salvador, Bahia. Email: patyspassosm@gmail.com

Lula, o marqueteiro do câncer | Direto da Redação – 10 anos

Os feitos e os mal-feitos na Capitania Hereditária do PSDB

Filed under: Isto é PSDB! — Gilmar Crestani @ 7:29 am
Tags:

Leila Cordeiro – Começou como repórter na TV Aratu, em Salvador. Trabalhou depois nas TVs Globo, Manchete, SBT e CBS Telenotícias Brasil como repórter e âncora. É também artista plástica e tem dois livros de poesias publicados: "Pedaços de mim" e "De mala e vida na mão", ambos pela Editora Record. É repórter free-lancer e sócia de uma produtora de vídeos institucionais, junto com Eliakim Araujo, em Pembroke Pines, na Flórida.

Chama o ladrão!

Depois dizem que não dá para morar no Rio por causa da violência.  Porque  no Rio não se pode andar nas ruas, porque no Rio os arrastões pegam todo mundo em túneis e avenidas, porque no Rio as balas perdidas atingem inocentes a toda hora. Tudo bem,   ninguém discute.  Mas não dá para esconder que a violência em São Paulo está igual ou pior que a carioca.

Pelo andar dos acontecimentos a terra da Garoa está fazendo jus ao nome de suas principais vias de acesso à cidade chamadas de Marginais,  quando o assunto é criminalidade. A quantidade de ocorrências policiais é tanta que chega a não caber nas primeiras páginas de sites e jornais de papel. São tantos e tão diferentes os tipos de crimes que deixam qualquer um com medo de andar pelas ruas da maior metrópole da América Latina.

Em agosto último, estava eu aguardando a mala na esteira  do aeroporto internacional de São Paulo, quando fui abordada por um senhor de cabeça branca que me perguntou qual tipo de relógio eu estava usando e se portava bolsa ou bagagem que chamasse a atenção com laptop dentro. Respondi que não,  que não estava usando nada “de marca”  como o pessoal costuma dizer no Brasil.

O tal senhor  pediu-me desculpas pela abordagem, mas que, ao me reconhecer e sabendo que moro fora do Brasil, sentiu-se na obrigação de me avisar de um novo golpe na praça.

Ele contou-me que  andava a pé em uma rua movimentada dos Jardins, quando um homem se aproximou, sorridente, e deu-lhe um abraço como só grandes amigos se dão. Nesse abraço, ele já sentiu o cano de uma arma em suas costas, enquanto o “amigo” sorria e lhe dizia entredentes para sorrir também e fingir que o conhecia. A cena durou menos de um minuto, e o “amigo”  saiu levando  carteira, relógio e a bolsa com o laptop. E ainda se despediu sorrindo e falando “aparece lá em casa”.

Esse é apenas mais um golpe entre tantos que os paulistanos e inocentes turistas têm que enfrentar no dia a dia violento e perigoso nas ruas da capital paulista. Que o diga o turista francês, agredido sem nenhuma razão na tradicional Rua Augusta.

Por volta das duas da manhã, enquanto  atravessava a rua com dois amigos, saindo de um restaurante, o francês sentiu uma pancada tão forte no rosto que pensou ter batido num poste.  Mas não foi nada disso. Ele foi agredido por alguém que usava um “soco inglês”  que lhe deixou sangrando com uma fratura  que mereceu uma cirurgia de emergência Hospital das Clínicas.  O agressor desapareceu e o pobre francês acha que, pela gratuidade da agressão, deve ter sido confundido com um  homossexual, o que, segundo a polícia, é perfeitamente possível, pois há muitos outros casos de agressão desse tipo,  registrados na mesma área, a maioria deles praticados pelos chamados “skinheads”, sempre com motivação homofóbica.

O turista francês comentou que,  antes de ir à São Paulo, passou pelo  Rio de Janeiro, onde circulou por ruas de grande movimento, passou perto das favelas cariocas e áreas pobres da cidade e não teve nenhum problema. Foi tê-lo  numa região paulista considerada de classe alta e com fama de ser bem policiada.   Ironia do destino?

Bem, mas pra terminar a coluna, não os casos de violência que são intermináveis, li  a história de um outro homem que, ao passar pela portaria do prédio onde mora, no Morumbi, foi rendido por um bando de assaltantes que realizava naquele momento um arrastão nos apartamentos. O  porteiro e os moradores que passavam eram levados para um quartinho no andar térreo, como manda o figurino desse tipo de assalto, que virou rotina nas duas principais metróploes brasileiras.

Mas o interessante nessa história, é que o morador resolveu ir à delegacia de polícia dar queixa do roubo, do qual ele e os demais moradores tinham sido vítimas. Em conversa informal com os policiais que estavam de serviço, nosso personagem ouviu deles o conselho mais absurdo e bizarro que poderia imaginar:

“O senhor deveria se mudar do Morumbi, é um bairro muito perigoso e quase todos os dias tem assalto ou nas ruas ou nos prédios”.

Chama o ladrão, chama o ladrão…

Chama o ladrão! | Direto da Redação – 10 anos

31/10/2011

Por mim, nem pagando iria

Filed under: Antonio Tozzi,Democracia made in USA — Gilmar Crestani @ 7:39 am
Tags:

Que saudades dos tempos em que se tinha de tirar os sapatos nos aeroportos para entrar nos EUA… Fazer o quê, o completo de vira-lata é muito forte entre os invertebrados.

EUA abrem as portas para os brasileiros

Miami (EUA) – Está cada vez mais próxima a suspensão da exigência do governo americano para que os brasileiros possam viajar para os Estados Unidos sem precisar submeter-se às longas filas nos consulados e na embaixada dos EUA no Brasil.

Um forte lobby vem sendo feito no sentido de terminar com esta exigência como forma de atrair ainda mais brasileiros para a terra do Tio Sam. E não é à toa. Nos últimos cinco anos, os vistos concedidos aos brasileiros pelos postos consulares dos EUA no Brasil aumentaram 234% – mais do que qualquer outro país do mundo. Vale lembrar que China e Índia também registraram fortes aumentos, mas o Brasil lidera com folga.

Para se ter uma ideia da avalanche de vistos, o consulado dos EUA em São Paulo é o que mais emite vistos de entrada para o país em todo o planeta. E os números não param de surpreender. Em 2010, visitaram os EUA 1,1 milhão de brasileiros, dos quais 500 mil estiveram na Flórida, onde gastaram cerca de um bilhão de dólares.

O Departamento de Comércio, o Departamento de Turismo e o governador da Flórida, Rick Scott – que, recentemente, chefiou uma missão comercial e passou uma semana em São Paulo e Rio de Janeiro -, estão na linha de frente para que esta exigência seja suspensa, a fim de incentivar mais brasileiros a conhecer as maravilhas da América do Norte.

Segundo cálculos de especialistas do setor de Turismo, em 2016,aproximadamente três milhões de brasileiros devem vir para cá. Obviamente, os roteiros mais procurados são Miami, com suas praias e vida noturna agitada, Orlando e seus parques temáticos, New York, com a infinidade de opções culturais e gastronômicas, e Los Angeles, com o apelo de ser a meca do cinema mundial. Mas, o país vem sendo cada vez mais explorado pelos turistas brasileiros. Uma reportagem da revista Time disse que até mesmo estações de esqui em Vermont estão procurando pessoas que falam português tal o número de brasileiros inscritos em seus cursos de esqui.

Mas, apesar da forte corrente pra frente, existe a força contrária. Segundo as leis americanas, somente podem ter isenção de vistos nações com índice de rejeição de vistos de 3% ou menos. O Brasil tem um percentual em torno de 5%. Ou seja, é necessário convencer os parlamentares a modificar a legislação para facilitar a aprovação. Além do Brasil, outros países da América Latina, como Argentina e Chile, também podem ser beneficiados.

Há, ainda, outro óbice a ser vencido. O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla erm inglês) teme que, em caso de abertura, muitos brasileiros que ainda acreditam no “sonho americano” possam embarcar no primeiro avião e desembarcar em qualquer aeroporto do país achando que vai ficar rico.

Ledo engano. Vir para cá atualmente sem perspectivas de viver de maneira legal é uma das piores decisões a serem tomadas. Os EUA passam por uma crise econômica, com alto índice de desemprego, e uma forte onda anti-imigrante, como se fossem os imigrantes os responsáveis pelos problemas pelos quais o país vem passando e não os “gênios” de Wall Street. Outra coisa: os sistemas de monitoramento do Serviço de Imigração estão bem mais aperfeiçoados, portanto, ficar além do tempo permitido pelas autoridades  imigratórias não chega a ser uma ideia inteligente.

Por fim, outra questão. Por que motivo o governo americano abriria mão do generoso faturamento proporcionado pelo pagamento das taxas cobradas para a emissão dos vistos? Os defensores da eliminação desta exigência têm a resposta na ponta da língua: “Simples. Porque, com a vinda de mais turistas e pessoal de negócios, o dinheiro que vai entrar nos EUA compensa com muita vantagem a receita obtida com o pagamento das taxas cobradas para emissão dos vistos”.

É algo a se conferir.

Antonio Tozzi – MiamiFoi repórter do Jornal da Tarde e do Estado de São Paulo. Vive nos Estados Unidos desde 1996, onde foi editor da CBS Telenotícias Brasil, do canal de esportes PSN, da revista Latin Trade e do jornal AcheiUSA.

EUA abrem as portas para os brasileiros | Direto da Redação – 10 anos

O ENEM, ou de como identificar corruptores

Filed under: Corruptores,ENEM,Rodolpho Motta Lima — Gilmar Crestani @ 7:34 am
Tags:

Rodolpho Motta Lima Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.

O ENEM, a cidadania e as redes sociais

E eis que se deu a esperada  prova do ENEM, versão 2011. Como professor e ator dentro desse processo, não quero deixar de opinar. Parecia que, desta vez, do ponto de vista administrativo, sua aplicação tinha tido um número de problemas bem menor do que nas edições  anteriores, mas o episódio do Ceará – de vazamento de questões para alunos de um determinado colégio  – acabou manchando o brilho do certame.

O Ministério de Educação, nesse caso específico, tem razões para supor que o problema tenha sido gerado  por ato delituoso no âmbito do próprio colégio envolvido – pré-teste copiado e divulgado indevidamente -    e rejeita a tese da elaboração de uma nova prova nacional, argumentando, analogicamente, com procedimentos do SAT – teste de seleção americano semelhante ao ENEM – que, quando se defronta com fatos da espécie, apenas cancela e refaz a prova das pessoas atingidas, já que o sistema da TRI – Teoria de Resposta ao Item  – garantiria o princípio da isonomia pela formulação de provas com o mesmo nível de abrangência e dificuldade. De qualquer forma, tem o Ministério que defrontar-se, agora, com desconfortáveis pedidos de anulação.

Casos como esse, e outros, só robustecem minha opinião de que o ENEM, sem perder as suas características e mantendo os seus objetivos, poderia e deveria ser regionalizado.  Em um país de dimensões continentais como o nosso e para um universo que, neste ano,  esteve em torno de cinco milhões de candidatos, será sempre possível que ocorram situações pontuais em que os prejudicados propugnem pela anulação integral do concurso. A regionalização constituiria a diversidade, mas mantida a unidade, porque a TRI, complexo modelo matemático de aplicação eficaz em muitas partes do mundo, permite a efetiva comparação entre indivíduos da mesma população que tenham sido submetidos a  provas diferentes.

Em ocasião anterior, já tive oportunidade de externar minha posição favorável ao ENEM, pelo que ele traz de novo para o cenário da educação. Sou totalmente contrário à volta do vestibular tradicional. O ENEM traz em si sementes que, prosperando, tendem a alterar o comportamento das escolas, do ponto de vista metodológico e pedagógico. A partir de matrizes de competências e habilidades, o ENEM está ditando uma  nova forma de propor questões,  calcadas em princípios de contextualização e de interdisciplinaridade que tentam afastar do que é cobrado a questiúncula inútil, o problema de algibeira ou as chamadas “pegadinhas”. Ele está obrigando, assim, a um repensar geral daquilo que se faz em sala de aula, provocando uma revisão do tradicional enfoque essencialmente “conteudístico” , substituído por um tratamento muito mais voltado para a formação de um competente “leitor do mundo”   do que para o estímulo aos recursos de memorização, a “decoreba” que a pedagogia moderna rejeita.

Podemos atestar esse viés mais amplo do ENEM na sua prova  de Linguagens:  o que até bem pouco tempo era, na tradição do vestibular, tão somente uma prova de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira transformou-se, no ENEM, em um conjunto coerente de questões que incorporam, além de aspectos linguísticos e literários propriamente ditos,  o processo de produção e recepção das Artes em geral, o exame dos  chamados gêneros digitais,  seu impacto e função social,  e a linguagem corporal, com suas práticas de integração social e formação da identidade.

Quem se debruçar com atenção na análise das questões propostas pelo ENEM, verificará, também, que elas se voltam para assuntos que permitem a caracterização da prova como uma “prova cidadã”, pelos objetivos de sua formulação.

Voltando à prova de 2011, vale mencionar, aqui, como elemento relevante do exame, a redação. O ENEM tem sempre proposto, em suas redações, temas de natureza social, que envolvem, além da análise crítica pelos candidatos – com argumentação que se quer consistente e coerente -  um posicionamento que encaminhe soluções de intervenção .  O tema, agora, foi “Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado”. Como sempre faz, a banca disponibilizou “textos motivadores” e solicitou que fosse apresentada, em um trabalho dissertativo-argumentativo com uso da norma padrão, “proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos”.

Esse é um tema muito caro ao jovem, muito próximo a ele e sobre o qual , no geral,  possui domínio que lhe permita escrever com propriedade a respeito. Além disso, a  própria prova abriu um leque de opções para desenvolvimento do assunto, por meio dos  textos auxiliares  que serviram de “dicas” para diferentes caminhos de abordagem. Enquanto um deles mencionava o acesso à rede como um direito fundamental do ser humano (declarado pela ONU) e falava da  mobilização mundial no sentido do  acesso livre e gratuito, outro procurava explorar, com dados estatísticos, a crescente participação das pessoas em redes sociais, como “parte da própria socialização  do indivíduo do século XXI”.

Não faltaram aos textos, contudo, elementos propícios ao juízo crítico sobre a Internet, em afirmações que convidavam os usuários a “saber ponderar o que se publica nela” ou advertiam quanto ao fato de que a rede – sendo social -  não pode acobertar anonimato, devendo os que extrapolam os limites do razoável pagar caro pelas suas ações. Uma “tirinha” que também compôs o rol dos textos auxiliares levava a pensar – com humor cáustico – em como se estão estabelecendo na sociedade,cada vez mais, mecanismos de monitoramento das pessoas.

É claro que não se podem  esquecer, aqui em nosso país,  os milhões de ainda excluídos das redes sociais, aqueles aos quais ainda é negada a inserção plena na sociedade e o amplo acesso ao mundo que a internet possibilita. E é evidente, por isso mesmo, que muitos dos nossos jovens participantes da prova do ENEM devem ter apresentado, no tratamento do tema, uma visão mais restrita do que aqueles que têm nas redes sociais algo pertinente ao seu cotidiano. Pertinente e muitas vezes  perigoso, pela tensão entre a  conveniência de, em nome da segurança pessoal,  observar-se uma certa privacidade, e a necessidade, marca do tempo em que vivemos,  de uma exposição escancarada de hábitos e posturas. De qualquer forma, por carência ou até por excesso, todos devem ter tido o que dizer.  

Não resisto, aqui, a uma observação final:  como educador no Rio de Janeiro, onde o acesso é mais amplo,  percebo -  assunto, talvez, para outra coluna -  que a internet,  embora esteja efetivamente incorporada ao dia a dia dos jovens em geral como instrumento que facilita a aproximação em torno de  interesses comuns (através do Orkut, MSN, Facebook, Twitter), ainda não atua conforme se espera na ampliação do universo cultural dos alunos ou como veículo auxiliar dos seus estudos, seja porque ainda é tênue a sua presença como recurso institucional disponível  no próprio ambiente escolar, seja porque no âmbito doméstico predomina, por parte dos pais, a omissão quanto a estímulos  nesse sentido. Há quem diga até que a internet está minimizando o hábito da leitura regular dos bons textos literários e contribuindo para que os jovens escrevam menos, quantitativa e qualitativamente. De qualquer forma, e como muitos já disseram repetidas vezes, o problema não está na internet, esse excepcional veículo de integração, mas no uso restrito e às vezes pouco positivo que dela se faz.

O ENEM, a cidadania e as redes sociais | Direto da Redação – 10 anos

Receita para derrubar ministro

Mário Augusto Jakobskind É correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes – Fantástico/IBOPE

 

Uma semana das mais movimentadas aconteceu nestas plagas. No sábado, por exemplo, os brasileiros ficaram sabendo que Lula está com câncer na laringe e já começou a especulação sobre as perspectivas de participação política do ex-presidente, que continua bastante influente. Aguarde-se o desenrolar dos acontecimentos.

O blog Brasil reproduziu documentos do site WikiLeaks revelando  que o global William Waack, figura também de proa no famigerado Instituto Millenium, é informante do governo estadunidense. O texto assinala que Waack foi indicado por membros do governo dos EUA para “sustentar posições na mídia brasileira afinadas com as grandes linhas da política externa americana”. Diogo Mainardi também aparece na lista de informantes dos EUA, da mesma forma que o colunista da Folha de S. Paulo, Fernando Rodrigues.

A TV Globo em nota oficial negou a denúncia contra Waack   classificando-a de “absurda”. Mas desmentidos da Globo têm pouco valor, até porque a prática informativa da Vênus Platinada fala mais do que qualquer desmentido.

No Ministério dos Esportes saiu o seis para entrar o meia dúzia, ou seja, Aldo Rebelo no lugar de Orlando Silva e com a agravante de que o novo titular da Pasta vem sendo acusado pelos movimentos sociais de como relator do Código Florestal favorecer o pessoal do agronegócio.

Para ter uma ideia de quanto Rebelo é cultuado pelos grandes proprietários de terra basta mencionar o comentário da senadora Kátia Abreu, também dirigente do Conselho Nacional de Agricultura quando soube que o deputado do PC do B tinha sido nomeado para ficar no lugar do camarada Orlando Silva: “Aldo Rebelo faz parte de um time do bem! Parabéns ao governo pela escolha”. É o caso de perguntar: quem escala este time mencionado pela porta-voz do agronegócio? 

A novela dos Esportes possibilitou à oposição de direita colocar as mangas de fora e procurar desgastar o governo Dilma Rousseff.  Convenhamos, é de uma hipocrisia sem tamanho o deputado Antonio Carlos Magalhães e o senador Álvaro Dias se proclamarem arautos da moralidade, quando se sabe que os respectivos partidos que eles integram quando controlavam o governo federal não primavam propriamente por práticas cristalinas, haja vista as privatizações das estatais.  

ACM aparece quase diariamente nas telas da Globo vociferando contra o governo federal e pregando a moralidade. Álvaro Dias, uma figura vinculada ao que há de pior em matéria de reacionarismo no Estado do Paraná, não faz por menos. Como tanto o Partido Democratas, a denominação atual do PFL, o que é uma piada, como o PSDB estão completamente sem bandeiras, qualquer tipo de denúncia serve, mesmo as surgidas a partir da revista Veja, uma publicação que prima pela manipulação da informação e pela falta de credibilidade.

No fundo, bem lá no fundo, Dem e PSDB continuam inconformados pelo fato de com o terceiro mandato presidencial consecutivo encontrarem-se afastados do controle do Estado e consequentemente sem possibilidade de abocanhar os cargos para os correligionários.

A Revista Veja agora também vinculada a capitais sul-africanos que apoiavam o apartheid, é linha auxiliar dos partidos de direita que já estão de olho no embate eleitoral em 2014 quando Dilma Rousseff completará os quatro anos de mandato. A Editora Abril também perdeu vantagens com o governo federal na área do livro didático. Em compensação, no Estado de São Paulo, governado pelo PSDB desde muito tempo, a história é bem outra. Ou seja, ganham muitos milhões de reais com os livros, mas praticamente ninguém contesta o fato.

No caso de Orlando Silva, a primeira matéria que apareceu na mídia foi via Veja, completamente sem provas e que aqueceu os anais oposicionistas. O tal PM, de nome João Dias,  ficou de comparecer na Câmara dos Deputados para fazer mais denúncias, mas na última hora acabou não indo, isso depois de um grande empenho da oposição para que acontecesse o depoimento. 

Enquanto a Polícia Federal continua a aguardar provas concretas sobre a participação de Orlando Silva no esquema de corrupção com as ONGs, a Folha de S. Paulo apareceu com matéria tentando agora envolver um irmão de Aldo Rebelo nas denúncias sobre falcatruas no Ministério dos Esportes. Soa realmente estranho o fato de a denúncia, com base apenas no depoimento do PM delator, também sem provas, só aparecer depois da nomeação de Aldo Rebelo.

Também soa estranha a condenação de antemão de um acusado de corrupção, como o ex-ministro Orlando Silva, só pelo fato do Supremo Tribunal Federal (STF) passar a cuidar das denúncias. Isso não significa que já houve a condenação, como quer fazer crer a mídia de mercado. Açodamento dessa natureza acaba desembocando no fascismo.  

Depois do episódio que culminou com a demissão de Orlando Silva, já se pode pensar em um trabalho jornalístico mais aprofundado. Sugestão de título: Receita para demitir um ministro. Começa com matéria na Veja, fazendo dobradinha com a Época, desmentidos daqui e dali, repercussão nos espaços midiáticos das Organizações Globo, do Fantástico ao Jornal Nacional, e demais órgãos da imprensa conservadora, sobretudo as revistas semanais, até alcançar o desgaste político do denunciado. 

Somam-se a isso as convocações dos mesmos meios de comunicação de mercado em conjunto com as Federações de Indústrias do Rio e São Paulo para atos públicos de combate à corrupção, inclusive com vassouras verde amarelas distribuídas a granel, e o jogo está feito.  

Mas informações sobre o quanto o Brasil vem gastando com a dívida pública, nem pensar. Afinal, tudo que compromete o modelo econômico e a estratégia de favorecimento ao capital financeiro, a mídia de mercado silenciará totalmente e se voltará para o varejo, de forma a produzir matérias para iludir incautos. Para se ter uma ideia dos gastos mencionados, no ano passado corresponde a 45% do orçamento brasileiro, que foi de 1,414 trilhão de reais. Então, só para o pagamento dos juros e amortizações o total é de 635 bilhões de reais, o que corresponde a quase R$ 2 bilhões diários.

Receita para derrubar ministro | Direto da Redação – 10 anos

Próxima Página »

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: