Ficha Corrida

26/11/2014

Se nunca se roubou tão pouco por que aparece tanto corruptor?

corrupçãoO empresário e tucano autodeclarado, Ricardo Semler, escreveu um artigo polêmico na Folha de São Paulo deixado a tucanada depenada: Nunca se roubou tão pouco. Se nunca se roubou tão  pouco, como justificar que haja tanta notícia sobre corrupção?

Uma das explicações está na estatística das ações da Polícia Federal. Ao contrário de antes, a Polícia Federal deixou de arrancar plantações de maconha e perseguir “subversivo”. Mudou o foco, além do narcotráfico, como mostra a ADPF, também segue seu papel institucional na perseguição às saúvas, a corrupção corporativa.

Há outra explicação que, na verdade, é uma coincidência. Todas os grandes escândalos de corrupção recentes tem sua origem em métodos implantados pelo PSDB quando no Governo Federal. Tanto o mensalão como o petrolão têm suas raízes nos métodos implantados no PSDB. Isso não justifica a continuidade, mas também pode-se ver que não mágica, e que a limpeza da corrupção, não sua eliminação total, é um processo que tem a ver com a mudança de cultura. Não podemos esquecer que as principais figuras nas altas estruturas das instituições públicas têm uma origem muito nítida em altas camadas da sociedade. Há exceção, e por vezes a exceção deve-se à sua cooptação, como o foi com Joaquim Barbosa. Ao final descobre-se que as práticas de Assas Jb Corp são muito similares aos atuais implicados no petrolão. O padrão Miami de que fala Ricardo Semler:

Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse?

A Operação Abafa dentro da Lava Jato

Antonio Lassance, Carta Maior

Primeiro, foi o mensalão. Agora, é o “petrolão“. Em ambos os casos, o esquema de desvio de dinheiro público foi inventado desde o governo tucano de FHC – pelo menos -, mas só descoberto quando vieram os petistas.

Estamos aguardando Aécio Neves, que além de Senador é agora comentarista político do Jornal Nacional, aparecer no estúdio para confessar que continua com a ideia fixa de que tudo o que o PT fez e ampliou começou com FHC.

Há gente muito otimista quanto ao desfecho do atual escândalo, na linha de que não sobrará pedra sobre pedra e que todos serão tratados igualmente pela Polícia Federal do Paraná, pelo Ministério Público e pela Justiça.

Poderíamos citar Dante e sua Divina Comédia para recomendar a todos que deixem a esperança na porta, ao entrar; mas a situação combina mais com o bordão do compadre Washington (aquele do “sabe de nada, inocente”).

Pouco adianta a constatação do Ministério Público de que o esquema que assaltou a Petrobras existe há pelo menos 15 anos.

Se não houver a devida investigação para dar nome aos bois do período FHC, a constatação cai no vazio – ou melhor, na impunidade.

O problema não é se vai sobrar pedra sobre pedra, mas para onde serão dirigidas as pedradas, se é que alguém ainda tem alguma dúvida.

A apuração feita pela Operação Lava Jato não é neutra. Os investigadores da PF encarregados do caso não são neutros, muito pelo contrário.

A maioria é formada por um grupo de extremistas que foram flagrados em redes sociais vomitando comentários raivosos e confessando suas opções partidárias.
Se dependermos dessa gente diferenciada, não teremos Estado de Direito, mas Estado de direita.

O Código de Ética da associação nacional dos delegados da PF proíbe a seus membros a manifestação de preconceitos de ordem política. Mas alguém acha que esses vão sofrer qualquer reprimenda?

Alguém imagina que os deslizes, considerados ao mesmo tempo graves e primários por gente séria da própria PF, terão a punição que foi aplicada ao ex-delegado Protógenes Queiroz, que cometeu o crime hediondo de prender um banqueiro?

O PSDB tem sido zelosamente preservado nessa “investigação” que deveria feita na base do doa em quem doer. Balela.

A operação Lava Jato é só para petistas e, no máximo, para os peemedebistas. Para tucanos, impera a Operação Abafa.

O senador Álvaro Dias e o deputado Luiz Carlos Hauly, ambos tucanos do Paraná, citados por delatores, até agora estão absolutamente preservados.

O nome de Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB, já falecido, apareceu menos como uma revelação do que como um “boi de piranha”. Guerra já não pode confessar nada nem sob tortura.

PT e PMDB têm seus operadores. O PSDB também, mas onde estará o infeliz? Certamente, por aí, limpando sua conta e seus rastros.

Quase metade da lista de políticos citados pelos delatores é formada por apoiadores da campanha de Aécio Neves em 2014.

A sina persecutória dos delegados paranaenses chegou ao ponto de incriminar o atual Diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, sem qualquer prova, sem sequer testemunho. O crime do diretor estava apenas na pergunta dos investigadores.

Até mesmo um ex-diretor da PF nomeado por FHC considerou o episódio contra Consenza o cúmulo do absurdo, conforme relatado pelo jornalista Ilimar Franco em sua coluna.

Isso não se faz, a não ser com segundas e terceiras intenções. Não foi erro material”, como os investigadores alegaram, nem mera trapalhada, foi obra do comitê eleitoral da campanha tucana de terceiro turno.

As tartarugas do ministro da Justiça

Das duas tartarugas que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tinha que cuidar, uma já fugiu; a outra está escondida debaixo de seu nariz.

A defesa da autonomia da Polícia Federal, que é de uma obviedade gritante, não resolve uma dúvida crucial: a PF do Paraná tem autonomia para varrer a sujeira do PSDB para debaixo do tapete, ao sabor da preferência partidária de alguns investigadores?

Está claro que o comando da PF no Paraná tem autonomia suficiente para não ser aparelhada pelo PT, nem pelo PMDB, mas pode gozar de autonomia para ser aparelhada pelo PSDB?

Se depender do ministro Cardozo, claro que sim – é para isso que serve a autonomia – para que qualquer órgão público faça o que bem entender, com base nas conveniências de seus servidores.

Por sorte, ao alargarem o tamanho do escândalo, para que ganhasse ares superlativos – suficientes para serem aproveitados por uma oposição que, incapaz de ganhar eleições presidenciais, só vê saída no impeachment -, os investigadores cometeram um erro crasso. Comprometeram todo o sistema político. Excelente ideia.

A rigor, todo aquele que recebeu doações de qualquer dos envolvidos no escândalo deveria ter seu mandato cassado.

Considerando que a Polícia Federal paranaense chegou à conclusão de que não existe almoço grátis, de cada 10 parlamentares eleitos, pelo menos 4 deveriam ser impedidos de assumir o mandato. Agora, ou vai ou racha.

A investigação que Gilmar Mendes determinou que se faça contra as contas da campanha de Dilma, com uma força tarefa formada por TCU, Receita Federal e Banco Central, deve ter uma similar para Aécio e todos os demais candidatos, à exceção dos do PSOL, PSTU e PCO – os únicos que se livraram do pavoroso expediente de receber “doações” de empresas.

É uma pena que o anticomunismo dos investigadores encarregados da operação os impeça de chegar à conclusão, em seu relatório, de que ninguém presta na política nacional, salvo os comunistas. Todos os demais partidos, nessa lógica, estão infestados de ladrões.

Se negarem vinculação com o PSDB e continuarem a recusar simpatia aos comunistas, aos delegados paranaenses restará apenas o movimento Punk – se for essa a opção, contarão doravante com meu respeito.

Anedotário do Gilmar

Em qualquer escândalo, quem quer desviar para longe o faro da imprensa precisa dar carne aos leões. Só assim se consegue conduzir o olhar para longe de quem se quer proteger e em direção a quem se quer atacar.

Pela milésima vez, uma operação-abafa é feita para esconder a sujeira da corrupção praticada pelo PSDB para debaixo do tapete, tal como foi feita com os mensalões do PSDB e do DEM, com o apoio do oligopólio midiático.

No STF, o ministro Gilmar Mendes vai na mesma linha. Mantém trancada há sete meses uma decisão que já conta com maioria do STF para abolir o financiamento empresarial de campanhas. Com Natal, Ano Novo e Carnaval, a decisão sequestrada por esse pedido de vistas fará aniversário em breve.

Não satisfeito, o ministro ainda se deu ao luxo de nos brindar com a piada, contada com sua voz de coveiro, de que o mensalão deveria ter ido para o juizado de pequenas causas.

A gracinha ocupou as manchetes como se fosse um desabafo, quando não passa de deboche com as instituições.

O anedótico Gilmar Mendes finge que o problema não é com ele, nem com o financiamento de privado, nem com empreiteiras, nem com corruptos que são sócios de políticos e partidos. O único problema – dele, pelo menos – é com o PT. O resto pouco importa.

No exato momento em que Gilmar fazia sua graça, a segunda tartaruga sob os cuidados de José Eduardo Cardozo fugia velozmente em plena Esplanada dos Ministérios.

Enquanto isso, tucanos e democratas continuam se fazendo de freiras castas pregando no bordel, mas sem dispensar as notas dobradas das empreiteiras, presas em suas apertadas calcinhas.

Mas que fique bem claro: não são calcinhas vermelhas, são pretas. Aí pode, sem problema.

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A Operação Abafa dentro da Lava Jato

13/08/2011

Ameaça a Juízes

Filed under: RBS — Gilmar Crestani @ 8:30 am
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Geralmente as ameaças são contra magistrados de primeira instância. As altas Cortes passam incólumes, mas é onde o aparato de segurança é maior. Nunca ouvi dizer que Gilmar Mendes sofresse algum tipo de ameaça, embora o contrário fosse verdadeiro. Sei do caso de um Juiz que atuava na Região Metropolitana de Porto Alegre que mudava constantemente o itinerário, e quando dava, de carro. Tinha desmantelado um esquema fraudulento de um político queridinho da mídia. O larápio tinha mais poder. E visibilidade. E liberdade para fazer ameaças. Quando jornalistas da RBS se unem a políticos para usarem o Sistema Guardião para monitorarem a vida pessoal de políticos e crianças alguma coisa vai mal. Pode até sobrar para o Juiz que vier a condenar os pilantras. Já os pilantras… estão presos nas colunas sociais.

12/08/2011 19:39 – Atualizado em 12/08/2011 21:01

TJ do RS recebe pedidos para averiguar supostas ameaças a juízes todo mês

Juíza que foi morta com 21 tiros no Rio de Janeiro nunca havia pedido proteção policial

O Tribunal de Justiça (TJ) gaúcho recebe, pelo menos, um pedido por mês de averiguação de supostas ameaças a magistrados. Segundo o presidente do Conselho de Comunicação Social do TJ, Túlio de Oliveira Martins, grande parte dos registros é de juízes que atuam em varas criminais ou comarcas do interior e, geralmente, após o julgamento de casos polêmicos.
Nesta quinta-feira, a juíza criminal Patrícia Acioli, 47 anos, foi morta com 21 tiros no Rio de Janeiro. O corpo foi sepultado no fim da tarde desta quinta-feira. Patrícia nunca havia pedido proteção policial.
Túlio de Oliveira Martins explicou que, nesses casos, é feito um minucioso de rastreamento pela equipe do núcleo de inteligência do judiciário para confirmar a veracidade da ameaça. Quando isso ocorre, um conjunto de medidas é tomado para garantir a proteção do juiz.
Um levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontou que há pelo menos 87 juízes ameaçados no Brasil. Para a corregedora Eliana Calmon, existem falhas na segurança, mas ao mesmo tempo o conselho garante proteção quando é procurado por algum profissional. Segundo a corregedora, a morte da juíza Patrícia Lourival Aciolio não vai inibir a atuação dos juízes.

Correio do Povo | Notícias | TJ do RS recebe pedidos para averiguar supostas ameaças a juízes todo mês

21/06/2011

Empreiteiros & PIG S/A

Filed under: A$$oCIAdos,Cosa Nostra,Direita,Instituto Millenium — Gilmar Crestani @ 8:09 am
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Não poderia ser diferente. Se o PIG se esfalfa para condenar alguma coisa é porque há algum interesse dele, do PIG, em jogo. Ou de seus patrocinadores ideológicos. Muita gente foi pego sendo corrompida, a.FHC, d.Lula, mas os corruptores, nenhum. É assim, para os safados do PIG, só há corrupto passivo, o que corrompido, nunca o que corrompe. Ativos são ativos… do PIG.

20 de junho de 2011 às 22:20

Entendendo o noticiário: Empreiteiras combatem a lei anti-cartel

Política| 18/06/2011 | Copyleft

Empreiteira não aceita ‘em nenhuma hipótese’ lei anti-cartel na Copa

Aprovada na Câmara, lei de licitações especial para Copa do Mundo tem regra que governo chama de anti-cartel e empreiteiros boicotam. Em documento, associação de construtoras diz que não aceita “em nenhuma hipótese” mecanismo que é recomendado internacionalmente contra conluio entre empresas. Segundo um ministro, empreiteiras patrocinam noticiário negativo sobre lei especial. Objetivo seria desmoralizá-la para Congresso não aprovar. Construtoras preparam-se para fazer lobby no Senado.

André Barrocal, na Carta Maior

BRASÍLIA – As empreiteiras não aceitam “em nenhuma hipótese” uma regra que o governo chama de “anti-cartel” e propôs na lei de licitações especial que defende para obras da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. O dispositivo boicotado pelas construtoras autoriza o setor público a não revelar sua estimativa de custo de erguer uma determinada obra, antes de fazer o leilão para escolher quem vai tocá-la.

“Em nenhuma hipótese o orçamento previamente estimado pela Administração deverá ser fornecido somente após o encerramento da licitação”, diz a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em documento assinado pelo presidente da Comissão de Obras Públicas da entidade, Arlindo Moura. Para a CBIC, essa modelagem abriria possibilidade de uso de “informação privilegiada” por parte de alguma empresa.

O governo também usou palavras fortes para defender o mecanismo, aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (15/06). Para a presidenta Dilma Rousseff, ele combate “formação de cartel”. Para o ministro do Esporte, Orlando Silva, impede “conluio” entre empresas.

Os dois argumentaram, em entrevistas dadas na sexta-feira (17/06), que, ao esconder das empresas seus cálculos financeiros, o governo tira delas uma referência em torno da qual poderiam combinar os lances que farão num leilão. Os valores seriam conhecidos de início apenas pelos tribunais de contas, que fiscalizam as administrações públicas, e pelos órgãos de controle dos próprios poderes executivos.

A ocultação do orçamento em licitações, segundo Dilma e Silva, é recomendado internacionalmente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e aplicada na União Européia.

O governo considera este é um dos pontos fundamentais da lei de licitações exclusiva para Copa e Olimpíada que propôs ao Congresso, chamado burocraticamente de Regime Diferenciado de Contratação (RDC). O RDC tem normas mais draconianas do que a Lei de Licitações (8.666, de 1993) para, segundo o governo, tentar proteger melhor o interesse público contra o interesse das empreiteiras.

O projeto impede, por exemplo, que uma empresa assine contrato com o setor público e depois peça aumento de preço por causa de algum problema de engenharia surgido durante a obra. A possibilidade de fazer aditivos aos contratos está prevista na Lei de Licitações e, diz um técnico do governo, produz “aditivos infinitos” que só favorecem as construtoras.

Pelo RDC, somente a Federação Internacional das Associações de Futebol (Fifa) e o Comitê Olimpíco Internacional (COI) é que terão autoridade para pedir revisão de valores.

No documento em que condena a idéia de ocultação do orçamento, resultado de uma reunião de dirigentes da entidade realizada dia 18 de maio, a CBIC faz uma série de críticas ao RDC, mostrando que o setor não concorda com a essência da proposta.

Para o governo, este é o motivo de a aprovação do RDC na Câmara dos Deputados, especialmente no caso do “orçamento oculto”, ter sido noticiado de forma condenatória. Na imprensa, prevaleceu, num primeiro momento, a interpretação de que o governo queria “esconder” os gastos com Copa e Olimpíada.

Um ministro disse à Carta Maior que tal interpretação foi “com certeza” patrocinada pelos empreiteiros. Segundo um técnico do governo, “grandes empreiteiras” estariam por trás do balizamento do noiticiário sobre o RDC porque querem continuar se beneficiando de brechas na Lei de Licitações tradicional. O objetivo seria desmoralizar a ideia do RDC perante a opinião pública, para que o Congresso não o aprove.

Derrotadas na Câmara, as empreiteiras preparam-se agora para fazer lobby no Senado contra o RDC.

Entendendo o noticiário: Empreiteiras combatem a lei anti-cartel | Viomundo – O que você não vê na mídia

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