Ficha Corrida

12/08/2014

América Latina dá xeque-mate nos ventríloquos dos EUA

Filed under: Europa,Eurozona,Rússia,Ucrânia,Ventríloquo — Gilmar Crestani @ 9:17 am
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Bruselas critica que América Latina se aproveche del veto ruso a Europa

La Unión Europea adelanta medidas de apoyo a explotaciones de melocotón y nectarina

Ignacio Fariza Bruselas 11 AGO 2014 – 21:44 CEST915

 

El comisario europeo de Comercio, Karel De Gucht. / EFE

La celeridad de varios Gobiernos latinoamericanos por ofrecerse como socio comercial a Rusia no ha sentado nada bien en Bruselas. La Comisión Europea transmitirá a los representantes de “un grupo de países” del continente americano su desacuerdo con la rápida reacción tras las sanciones rusas a los productos agrícolas de la UE, EE UU, Australia, Canadá y Noruega y les emplazará a “reconsiderar” sus contratos en ciernes con un socio “no fiable” como Moscú, según confirmaron el lunes fuentes comunitarias.

Con este movimiento, la UE busca dar un toque de atención por un movimiento que no consideran leal, aunque los Veintiocho no pretenden enturbiar sus buenas relaciones diplomáticas y comerciales con países como Brasil o Argentina.

“Podemos entender que productores y exportadores, empresas privadas en definitiva, busquen nuevas oportunidades. Lo que no compartimos es que haya Gobiernos detrás”, subrayaron. Estas mismas fuentes remarcan que la UE no se inmiscuirá en contratos privados, pero sí “lamentan” la actitud de este grupo de países y advierten de la escasa integridad de Moscú como socio comercial. “Sacrificarían una relación económica a largo plazo por beneficios a corto plazo”.

De esa actitud, Bruselas recibió el lunes mismo otra buena muestra. En este caso, de Buenos Aires: “Argentina generará las condiciones para que el sector privado, con el impulso del Estado, pueda satisfacer la demanda del mercado ruso”, afirmó el jefe de gabinete del Gobierno argentino, Jorge Capitanich, informa Efe.

Con la firma de estos acuerdos comerciales, Rusia —el quinto mayor importador de alimentos del mundo— busca suplir parte de las carencias que su ruptura unilateral con la UE y EE UU podría dejar en su mercado interior. Solo en 2013, las compras de alimentos europeos, ahora vetadas, sumaron 5.252 millones de euros.

En Bruselas ya había sentado especialmente mal que los embajadores de Argentina, Chile, Ecuador y Uruguay en Moscú se reunieran con el máximo responsable del Servicio de Inspección Agrícola y Ganadera ruso, Serguéi Dankvert, pocas horas después de que el Kremlin decretase la prohibición sobre las importaciones.

Argentina insiste

en impulsar

las exportaciones agrarias a Rusia

Pese al malestar, el Ejecutivo comunitario optará por una queja de perfil bajo. En los próximos días, representantes diplomáticos europeos trasladarán la protesta a sus homólogos latinoamericanos y, por el momento, el aviso no trascenderá al ámbito político. La UE estudia canalizar el mensaje a través de las delegaciones de estos países ante las instituciones comunitarias o a través de las oficinas de representación de la Comisión Europea en las capitales latinoamericanas.

El descontento comunitario con las gestiones de varios Gobiernos latinoamericanos con Moscú llega en un momento decisivo en las negociaciones para la firma de un tratado de libre comercio entre la UE y Mercosur —el bloque regional que engloba a Argentina, Brasil, Paraguay, Uruguay y Venezuela—. Tras casi dos décadas de conversaciones, los países latinoamericanos esperan una propuesta europea y los próximos meses, con la llegada de un nuevo Colegio de Comisarios a Bruselas, se presumen claves. Aunque el Ejecutivo comunitario prefiere no relacionar el malestar de la UE con el potencial acuerdo con Mercosur, varios funcionarios europeos sí contrastaban el lunes su actitud con la “lealtad manifiesta” de países como Australia, Canadá o Noruega, que han hecho suyas las sanciones a Rusia.

Bruselas lidia también con un malestar interno, el de los productores agrarios. Hay ya programada una reunión para abordar el asunto, este jueves, pero el comisario de Agricultura, Dacian Ciolos, aseguró el lunes que, por lo pronto, se adelantarán “medidas de apoyo” a los productores de melocotones y nectarinas, que al veto ruso suman los efectos de “condiciones meteorológicas adversas”.

Bruselas critica que América Latina se aproveche del veto ruso a Europa | Economía | EL PAÍS

21/07/2014

UNASUR x Unabomber

Filed under: BRICS,Equador,EUA,Rafael Correa,Terrorismo de Estado,Unabomber,UNASUR — Gilmar Crestani @ 8:47 am
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A América Latina tem a UNASUR. Os EUA têm o UNABOMBER!

tio samENTREVISTA DA 2ª RAFAEL CORREA

Restauração conservadora ameaça ciclo progressista

Presidente do Equador diz que esquerda da América latina pode ser derrotada por direitas que ‘superaram aturdimento’

MÔNICA BERGAMOCOLUNISTA DA FOLHA

O presidente do Equador, Rafael Correa, 51, diz que uma "restauração conservadora" está em marcha na América Latina e que ela pode "pôr fim a esse ciclo de governos progressistas" no continente caso eles não estejam "atentos".

"As direitas nacional e internacional já superaram o aturdimento. Estão claramente articuladas", diz ele.

Correa esteve no Brasil na semana passada para participar da reunião da Unasul, que reúne países da América do Sul, com os Brics, integrados por China, Rússia, Brasil, África do Sul e Índia.

Diz que as medidas anunciadas pelos Brics podem "marcar o início de uma ordem social menos injusta" e que, para os EUA, a iniciativa "deve ser preocupante".

Defendeu a lei do Equador que regula os meios de comunicação. E afirmou que pode voltar a se candidatar à reeleição em 2017 –ele está no poder desde 2007 e segue com alta popularidade.

Correa recebeu a Folha em Brasília na quinta, dia do acidente com o Boeing que matou 298 pessoas na Ucrânia.

Leia, a seguir, um resumo da conversa:

Folha – Há poucas horas um avião caiu na Ucrânia e ainda não está claro em que condições. Há a suspeita de que tenha sido derrubado. Como vê a situação na região?

Rafael Correa – É um fato gravíssimo [a queda do avião]. O que ocorre na Ucrânia é um jogo geopolítico de grandes potências. Há o interesse da Europa no país, por seus recursos naturais. Com a Rússia ocorre algo similar. Esperamos que se solucionem os problemas.

Foi pura coincidência os EUA anunciarem novas sanções à Rússia bem no dia em que o presidente do país, Vladimir Putin, se reunia no Brasil com outros líderes dos Brics e da América do Sul?

Não quero elucubrar e tampouco tenho informações a respeito. Mas o que, sim, se deve ressaltar, é a dupla moral. Sancionam a Rússia, entre aspas, como se a humanidade tivesse nomeado um árbitro mundial. E onde estão as sanções por mais de meio século de embargo dos EUA a Cuba? Isso, sim, rompe todo o direito internacional.

Os EUA ficaram incomodados com a reunião dos Brics?

Se queremos um mundo multipolar, temos que conformar e aproximar blocos. Foi o que ocorreu agora, entre os Brics e a Unasul. Para o país hegemônico de um mundo unipolar, deve ser preocupante. Não me cansei de felicitar a [presidente] Dilma [Rousseff]. A reunião foi uma ideia brilhante. E pode marcar o início de uma ordem mundial menos injusta.

Mas as medidas anunciadas conseguirão criar de fato um contraponto à hegemonia dos EUA e seus aliados?

A união faz a força. Os Brics são 40% da população e 25% da produção mundial. Criaram uma nova arquitetura financeira para não depender do FMI nem do Banco Mundial. A Unasul deve fazer o mesmo –criando até, no futuro, a moeda única regional, para sermos menos dependentes dos centros de poder. Por que um juiz nos EUA pode quebrar a Argentina? Porque por eles passam todos os pagamentos [do mundo], que podem bloquear. Com um sistema alternativo, o sistema hegemônico perderia poder.

O senhor fala de moeda única desde 2006. O Banco do Sul, da Unasul, foi criado em 2007 e não funciona. A integração energética mal sai do papel.

Há coisas teoricamente impecáveis. Outra coisa é na prática, quando o tema envolve várias nações. Os Brics atuam há dez anos, são só cinco países e recém estão executando as coisas. Mas de fato não temos tempo a perder [na América Latina]. Temos que fazer coisas rapidamente. E não vamos rápido.

O senhor diz que há presidentes de países no continente que não têm interesse na integração sul-americana.

Não nos enganemos: a integração da América Latina, com visão independente, soberana e digna, é uma preocupação para os EUA. E já há uma restauração conservadora, da direita, das elites de sempre do continente, para brecar estes processos integracionistas e progressistas no interior de nossos países. E aí surgem contrapropostas à Unasul, como a Aliança do Pacífico [integrada por Chile, Peru, México e Colômbia], que é neoliberalismo puro.

Na última década, a bonança econômica mundial coincidiu com a chegada ao poder de lideranças de esquerda carismáticas como Lula e Hugo Chávez. Agora tudo mudou. A economia piorou. As lideranças não são as mesmas. O modelo não pode estar esgotado?

Começou um novo ciclo na América Latina quando Chávez chegou ao poder, em 1999, em plena noite liberal. Logo vieram Lula, Evo Morales na Bolívia, Tabaré Vázquez no Uruguai, Michelle Bachelet no Chile, Néstor Kirchner na Argentina, a revolução cidadã no Equador. Quem poderia imaginar, nos anos 90, que esses progressistas chegariam ao poder, quando a América Latina era puro Fujimori, Collor de Mello, Menem? Foi uma mudança de época. Mas temos dito: há uma restauração conservadora. A direita nacional e a internacional já superaram o aturdimento com a debacle do liberalismo e com nossos governos. Estão claramente articuladas. A direita equatoriana tem contato com a venezuelana, com a americana, que financia supostas ONGs, não sei se com a brasileira, tudo para nos combater.

Mas há os problemas reais internos de cada país.

Somos vítimas de nossos próprios êxitos. Olhe os espetaculares avanços no Brasil, sociais, de redução da pobreza. E veja os protestos que ocorreram contra Dilma e contra o Partido dos Trabalhadores. Há uma nova classe média que nos exige cada vez mais. Os meios de comunicação, que são instrumentos da direita, se aproveitam para dizer que nada vale, que o passado era melhor. Claramente há uma restauração conservadora que pode pôr fim a esse ciclo de governos progressistas. Precisamos estar muito atentos.

O senhor já disse que é preciso evitar personalismos na política. Pode concorrer a uma nova reeleição?

É preciso evitar. Mas, precisamente por essa restauração conservadora, há uma imensa responsabilidade sobre nossos ombros. Mas creia-me: como último recurso de nosso projeto está a minha reeleição em 2017.

A questão da imprensa é um tema sensível em qualquer parte do mundo e também na América Latina. Vários países, inclusive o Equador, aprovaram leis de regulação da comunicação.

O poder midiático se converteu em um poder político. Nossos adversários no Equador não são a direita, mas sim seus meios de comunicação. Nos apresentam como governos autoritários que perseguem jornalistas patrióticos que só querem dizer a verdade. E isso não é certo. Enfrentamos dia a dia a manipulação de informação de certos meios de comunicação em mãos da oligarquia. Sem nenhuma legitimidade democrática, querem impor a agenda política, querem submeter os governos, caluniam, manipulam. A sociedade tem que se defender disso.

O PT, que no Brasil lidera essa discussão, diz que se trata de garantir pluralidade, regulando concessões audiovisuais, o negócio, mas jamais o seu conteúdo. No Equador a lei não interfere também no conteúdo quando diz, por exemplo, que uma pessoa não pode ser "desprestigiada" na imprensa ou sofrer "linchamento midiático"?

Talvez nosso erro tenha sido não utilizar a palavra acosso em vez de linchamento. Mas está claramente descrito na lei o que é linchamento. E isso tem que ser regulado. Você não imagina os excessos que havia na imprensa do Equador. Se o diretor de uma empresa municipal cobrasse taxa de água de uma rádio, sofria um linchamento até ser tirado do cargo.

O excesso de um lado não pode criar, do outro, um desequilíbrio? O poder midiático é forte, mas o poder do Estado também o é.

Por isso há escrutínio público, há instâncias, uma Superintendência de Comunicação [Supercom], todos [os meios de comunicação] têm direito a defesa. E o que criticam? "Nos obrigaram a retificar [informações] 82 vezes." Não dizem que não mentiram! Estavam acostumados a mentir, a não dar direito de resposta, a ter o controle, a que os presidentes tremessem diante deles. Um projeto político ganhava as eleições, mas eles é que governavam, legislavam e julgavam. Acabou a festa. Quando lhe convém, a imprensa se denomina o quarto poder. E todo poder deve ser regulado pela sociedade, por meio de lei. Imagine-se o poder financeiro sem regulação, o poder político sem fiscalização. E até o poder religioso: de repente surge uma religião que permite sacrifícios humanos. E o único poder em que não se pode tocar é o midiático? Temos que superar esses tabus.

13/10/2013

Porque os Estados Unidos estão desunidos?

Filed under: EUA,Noam Chomsky,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 11:04 am
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Noam Chomsky e o labirinto americano

Noam Chomsky

Ele sustenta: na Síria, Washington adotou lógica da Máfia, e perdeu; no Congresso, Obama é vítima da ultradireita, que age como os nazistas

Entrevista a Harrison Samphir, no Znet | Tradução: Vinícius Gomes | Imagem de HikingArtist

Noam Chomsky é, aos 84 anos, um dos maiores intelectuais no mundo. Seu trabalho e suas realizações são bem conhecidos – ele é linguista norte-americano, professor emérito no Massachussets Institute of Technology (MIT) há mais de 60 anos, analista e ativista político constante, crítico original do capitalismo e da ordem mundial que tem como centro os Estados Unidos

Nesse entrevista, Chomsky debate a paralisação do governo norte-americano, por disputas incessantes no sistema político e, em especial, chantagem das forças de direita mais primitivas. Também aborda os sinais de perda de influência de Washington na Síria e da emegência, na América do Sul, de um conjunto de governos que afasta-se dos EUA, pela primeira vez em dois séculos.

Gostaria de começar com a paralisação recente do governo dos EUA. Por que ela é diferente dessa vez, se já aconteceu no passado?

Noam Chomsky: Paul Krugman fez há dias, no New York Times, um ótimo comentário a respeito. Lembra que o partido republicano é minoritário entre a opinião pública e controla a Câmara [House of Representatives, que junto do Senado representa o Legislativo nos EUA]. Está levando o governo à paralisação e talvez ao calote de suas dívidas. Conseguiu a maioria por conta de inúmeras artimanhas. Obteve uma minoria de votos, mas a maioria das cadeiras. Está se utilizando disso para impor uma agenda extremamente nociva para a sociedade. Foca particularmente a questão do sistema de saúde público.

Os EUA são o único, entre os países ricos e desenvolvidos, que não possue um sistema nacional de saúde pública. O sistema norte-americano é escandaloso. Gasta o dobro de recursos de países comparáveis, para obter um dos piores resultados. E a razão para isso é ser altamente privatizado e não-regulado, tornando-se extremamente ineficiente e caro. Aquilo que alguns chamam de “Obamacare” é uma tentativa de mudar esse sistema de forma suave – não tão radicalmente como seria desejável – para torná-lo um pouco melhor e mais acessível.

O Partido Republicano escolheu o sistema de saúde como alavanca para conquistar alguma força política. Quer destruir o Obamacare. Essa posição não é unânime entre os republicanos, é de uma ala do partido – chamada de “conservadora”, de fato, profundamente reacionária. Norman Orstein, um dos principais comentaristas conservadores, descreve o movimento, corretamente, como uma “insurgência radical”.

Então, há uma insurgência radical, que implica grande parte da base republicana, disposta a tudo – destruir o país, ou qualquer coisa, com o intuito de acabar com a Lei de Assistência Acessível (o Obamacare). É a única coisa a que foram capazes de se agarrar. Se falharem nisso, terão de dizer a sua base que mentiram para ela, ao longo dos últimos cinco anos. Por isso, estão dispostos a ir até onde for necessário. É um fato incomum – penso que único – na história dos sistemas parlamentaristas modernos. É muito perigoso para o país e para o mundo.

Como a paralisação poderia terminar?

Bem, a paralisação por si só é ruim – mas não devastadora. O perigo real surgirá nas próximas semanas. Há, nos Estados Unidos, uma legislação rotineira – aprovada todo ano – que permite ao governo tomar dinheiro emprestado. Do contrário, ele não funciona. Se o Congresso não autorizar a continuação da tomada de empréstimos, talvez o governo peça moratória. Isso nunca aconteceu e um calote do governo norte-americano não seria muito prejudicial apenas aos EUA. Ele provavelmente afundaria o país, de novo, numa profunda recessão – mas talvez também quebre o sistema financeiro internacional. É possível que encontrem maneiras para contornar a situação, mas o sistema financeiro mundial depende muito da credibilidade do Departamento do Tesouro dos EUA. A credibilidade dos títulos de dívida emitidos pelos EUA é vista como “tão boa quanto ouro”: esses papéis são a base das finanças internacionais. Se o governo não conseguir honrá-los, eles não possuirão mais valor, e o efeito no sistema financeiro internacional poderá ser muito severo. Mas para destruir uma lei de saúde limitada, a extrema direita republicana, os reacionários, estão dispostos a fazer isso.

No momento, os EUA estão divididos sobre como o tema será resolvido. O ponto principal a observar é a divisão no Partido Republicano. O establishment republicano, junto com Wall Street, os banqueiros, os executivos de corporações não querem isso – de maneira nenhuma. É parte da base que deseja, e tem sido muito difícil controlá-la. Há uma razão para terem um grande grupo de delirantes em sua base. Nos últimos 30 ou 40 anos, ambos os partidos que comandam a política institucional dos EUA inclinaram-se para a direita. Os democratas de hoje são, basicamente, aquilo que se costumava chamar, há tempos, de republicanos moderados. E os republicanos foram tanto para a direita que simplesmente não conseguem votos, na forma tradicional.

Tornaram-se um partido dedicado aos muito ricos e ao setor corporativo – e você simplesmente não consegue votos dessa maneira. Por isso, têm sido compelidos a mobilizar eleitores que sempre estiveram presentes no sistema político, mas eram marginais. Por exemplo, os extremistas religiosos. Os EUA são um dos expoentes no que se refere ao extremismo religioso no mundo. Mais ou menos metade da população acredita que o mundo foi criado há alguns milhares de anos; dois terços da população está aguardando a segunda vinda de Cristo. A direita também teve de recorrer aos nativistas. A cultura das armas, que está fora de controle, é incentivada pelos republicanos. Tenta-se convencer as pessoas de que devem se armar, para nos proteger. Nos proteger de quem? Das Nações Unidas? Do governo? Dos alienígenas?

Uma enorme parcela da sociedade é extremamente irracional e agora foi mobilizada politicamente pelo establishment republicano. Os líderes presumem que podem controlar este setor, mas a tarefa está se mostrando difícil. Foi possível perceber isso nas primárias republicanas para a presidência, em 2012. O candidato do establishment era Romney, um advogado e investidor em Wall Street – mas a base não o queria. Toda vez que a base surgia com um possível candidato, o establishment fazia de tudo para destruí-lo, recorrendo, por exemplo, a ataques maciços de propaganda. Foram muitos, um mais louco que o outro. O establishment republicano não os quer, tem medo deles, conseguiu nomear seu candidato. Mas agora está perdendo controle sobre a base.

Sinto dizer que isso tem algumas analogias históricas. É mais ou menos parecido com o que aconteceu na Alemanha, nos últimos anos da República de Weimar. Os industriais alemães queriam usar os nazistas, que eram um grupo relativamente pequeno, como um animal de combate contra o movimento trabalhista e a esquerda. Acharam que podiam controlá-los, mas descobriram que estavam errados. Não estou dizendo que o fenômeno vai se repetir aqui, é um cenário bem diferente, mas algo similar está ocorrendo. O establishment republicano, o bastião corporativo e financeiro dos ricos, está chegando em um ponto em que não consegue mais controlar a base que mobilizou.

Na política externa, as notícias sobre a Síria sumiram da mídia convencional, desde a aprovação do acordo para confiscar as armas químicas do arsenal de Assad. Você pode comentar esse silêncio?

Nos EUA, há pouco interesse sobre o que acontece fora das fronteiras. A sociedade é bem insular. A maioria das pessoas sabe bem pouco sobre o que acontece no mundo e não liga tanto para isso. Está preocupada com seus próprios problemas, não têm o conhecimento ou o compreensão sobre o mundo ou sobre História. Quando algo, no exterior, não é constantemente martelado pela mídia, esta maioria simplesmente não sabe nada a respeito.

A Síria vive uma situação muito ruim, atrocidades realmente terríveis, mas há lugares muito piores no mundo. As maiores atrocidades das últimas décadas têm ocorrido no Congo – na região oriental –, onde mais ou menos 5 milhões de pessoas foram mortas. Nós – os EUA – estamos envolvidos, indiretamente. O principal mineral em seu celular é o coltan, que vem daquela região. Corporações internacionais estão lá, explorando os ricos recursos naturais Muitas delas bancam milícias, que estão lutando umas contra as outras pelo controle dos recursos, ou de parte deles. O governo de Ruanda, que é um cliente dos EUA, está intervindo maciçamente, assim como Uganda. É praticamente uma guerra mundial na África. Bem, quantas pessoas sabem disso? Mal chega à mídia e as pessoas simplesmente não sabem nada a respeito.

Na Síria, o presidente Obama fez um discurso sobre o que chamou de sua “linha vermelha”: não se pode usar armas químicas; pode-se fazer de tudo, exceto utilizar armas químicas. Surgiram relatórios credíveis, afirmando que a Síria utilizou essas armas. Se é verdade, ainda está em aberto, mas muito provavelmente é. Nesse ponto, o que estava em jogo é o que se chama de credibilidade. A liderança política e os comentaristas de política externa indicavam, corretamente, que a credibilidade norte-americana estava em jogo. Algo precisava ser feito para mostrar que nossas ordens não podem ser violadas. Planejou-se um bombardeio, que provavelmente tornaria a situação ainda pior, mas manteria a credibilidade dos EUA.

O que é “credibilidade”? É uma noção bem familiar – basicamente, a noção principal para organizações como a Máfia. Suponha que o Poderoso Chefão decida que você terá que pagá-lo, para ter proteção. Ele tem de “bancar” essa afirmação. Não importa se precisa ou não do dinheiro. Se algum pequeno lojista, em algum lugar, decidir que não irá pagá-lo, o Poderoso Chefão não deixa a ousadia impune. Manda seus capangas espancá-lo sem piedade, ainda que o dinheiro não signifique nada para ele. É preciso estabelecer credibilidade: do contrário, o cumprimento de suas ordens tenderá a erodir. As relações exteriores funcionam quase da mesma maneira. Os EUA representam o Poderoso Chefão, quando dão essas ordens. Os outros que cumpram, ou sofram as consequências. Era isso que o bombardeio na Síria demonstraria.

Obama estava chegando a um ponto do qual, possivelmente, não seria capaz de escapar. Não havia quase apoio internacional nenhum – sequer da Inglaterra, algo incrível. A Casa Branca estava perdendo apoio internamente e foi compelida a colocar o tema em votação no Congresso. Parecia que seria derrotada, num terrível golpe para a presidência de Obama e sua autoridade. Para a sorte do presidente, os russos apareceram e o resgataram com a proposta de confiscar as armas químicas, que ele prontamente aceitou. Foi uma saída para a humilhação de encarar uma provável derrota.

Faço comentário adicional. Você perceberá que este é um ótimo momento para impor a Convenção sobre Proibição de Armas Químicas no Oriente Médio. A verdadeira convenção, não a versão que Obama apresentou em seu discurso, e que os comentaristas repetiram. Ele disse o básico, mas poderia ter feito melhor, assim como os comentaristas. A Convenção sobre Proibição de Armas Químicas exige que sejam banidas a produção, estocagem e uso delas – não apenas o uso. Por que omitir produção e estocagem? Razão: Israel produz e estoca armas químicas. Consequentemente, os EUA irão evitar que tal convenção seja imposta no Oriente Médio. É um assunto importante: na realidade, as armas químicas da Síria foram desenvolvidas para se contrapor às armas nucleares de Israel, o que também não foi mencionado.

Você afirmou recentemente que o poder norte-americano no mundo está em declínio. Para citar sua frase em Velhas e Novas Ordens Mundiais, de 1994, isso limitará a capacidade dos EUA para “suprimir o desenvolvimento independente” de nações estrangeiras? A Doutrina Monroe está completamente extinta?

Bem, isso não é uma previsão, isso já aconteceu. E aconteceu nas Américas, muito dramaticamente. O que a Doutrina Monroe dizia, de fato, é que os EUA deviam dominar o continente. No último século isso de fato foi verdade, mas está declinando – o que é muito significativo. A América do Sul praticamente se libertou, na última década. Isso é um evento de relevância histórica. A América do Sul simplesmente não segue mais as ordens dos EUA. Não restou uma única base militar norte-americana no continente. A América do Sul caminha por si só, nas relações exteriores. Ocorreu uma conferência regional, cerca de dois anos atrás, na Colômbia. Não se chegou a um consenso, nenhuma declaração oficial foi feita. Mas nos assuntos cruciais, Canadá e EUA isolaram-se totalmente. Os demais países americanos votaram num sentido e os dois foram contra – por isso, não houve consenso. Os dois temas eram admitir Cuba no sistema americano e caminhar na direção da descriminalização das drogas. Todos os países eram a favor; EUA e Canadá, não.

O mesmo se dá em outros tópicos. Lembre-se de que, algumas semanas atrás, vários países na Europa, incluindo França e Itália, negaram permissão para sobrevoo do avião presidencial do boliviano Evo Morales. Os países sul-americanos condenaram veementemente isso. A Organização dos Estados Americanos, que costumava ser controlada pelos EUA, redigiu uma condenação ácida, mas com um rodapé: os EUA e o Canadá recusaram-se a subscrever. Estão agora cada vez mais isolados e, mais cedo ou mais tarde, penso que os dois serão, simplesmente, excluídos do continente. É uma brusca mudança em relação ao que ocorria há pouco tempo.

A América Latina é o atual centro da reforma capitalista. Esse movimento poderá ganhar força no Ocidente?

Você está certo. A América Latina foi quem seguiu com maior obediência as políticas neoliberais instituídas pelos EUA, seus aliados e as instituições financeiras internacionais. Quase todos os países que se orientaram por aquelas regras, incluindo nações ocidentais, sofreram – mas a América Latina padeceu particularmente. Seus países viveram décadas perdidas, marcadas por inúmeras dificuldades.

Parte do levante da América Latina, particularmente nos últimos dez a quinze anos, é uma reação a isso. Reverteram muitas daquelas medidas e se moveram para outra direção. Em outra época, os EUA teriam deposto os governos ou, de uma maneira ou de outra, interrompido seu movimento. Agora, não podem fazer isso.

Recentemente, os EUA testemunharam o surgimento de seus primeiros refugiados climáticos – os esquimós Yup’ ik – na costa sul na ponta do Alaska. Isso coloca em mórbida perspectiva o impacto humano no meio ambiente. Qual é sua posição acerca dos impostos sobre emissões carbono e quão popular pode ser tal medida nos EUA ou em outro país?

Acho que é basicamente uma boa ideia. Medidas muito urgentes têm de ser tomadas, para frear a contínua destruição do meio ambiente. Um imposto sobre carbono é uma maneira de fazer isso. Se isso se tornasse uma proposta séria nos EUA, haveria uma imensa propaganda contrária, desencadeada pelas corporações – as empresas de energia e muitas outras –, para tentar aterrorizar a população. Diriam que, em caso de criação do tributo, todo tipo de coisa terrível aconteceria. Por exemplo, “você não será mais capaz de aquecer sua casa”… Se isso terá sucesso ou não, dependerá da capacidade de organização dos movimentos populares.

SQN

21/04/2013

Terrorismo de estado made in USA!

Filed under: Isto é EUA!,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 9:00 am
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istoéUSAMARK WEISBROT

O ASSUNTO É AMERICA LATINA

As mãos dos EUA sobre a região

A administração Obama não aceita que a região mudou e objetiva afastar governos de esquerda; também o Brasil precisa se manter vigilante

Acontecimentos recentes indicam que a administração Obama intensificou sua estratégia de "mudança de regime" contra os governos latino-americanos à esquerda do centro, promovendo conflito de maneiras que não eram vistas desde o golpe militar apoiado pelos EUA na Venezuela em 2002.

O exemplo mais destacado é o da própria Venezuela na última semana. No momento em que este artigo está sendo impresso, Washington está mais e mais isolada em seus esforços para desestabilizar o governo recém-eleito de Nicolás Maduro.

Mas a Venezuela não é o único país vitimado pelos esforços de Washington para reverter os resultados eleitorais dos últimos 15 anos na América Latina.

Está claro agora que o afastamento do presidente paraguaio Fernando Lugo, no ano passado, também teve a aprovação e o apoio do governo dos Estados Unidos.

Num trabalho investigativo brilhante para a agência Pública, a jornalista Natalia Viana mostrou que a administração Obama financiou os principais atores do chamado "golpe parlamentar" contra Lugo. Em seguida, Washington ajudou a organizar apoio internacional ao golpe.

O papel exercido pelos EUA no Paraguai é semelhante a seu papel na derrubada militar, em 2009, do presidente democraticamente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, caso no qual Washington dominou a Organização de Estados Americanos e a utilizou para combater os esforços de governos sul-americanos que visavam restaurar a democracia.

Na Venezuela, na semana passada, Washington não pôde dominar a OEA, mas apenas seu secretário-geral, José Miguel Insulza, que reiterou a reivindicação da Casa Branca (e da oposição venezuelana) de uma recontagem de 100% dos votos.

Mas Insulza teve de recuar, como teve de fazer a Espanha, única aliada importante dos EUA nessa empreitada nefanda, por falta de apoio.

A exigência de uma recontagem na Venezuela é absurda, já que foi feita uma recontagem das cédulas de papel de uma amostra aleatória de 54% do sistema eletrônico. O total obtido nas máquinas foi comparado à contagem manual das cédulas de papel na presença de testemunhas de todos os lados. Estatisticamente falando, não existe diferença prática entre essa auditoria enorme já realizada e a recontagem.

Jimmy Carter descreveu o sistema eleitoral da Venezuela como "o melhor do mundo", e não há dúvida quanto à exatidão da contagem.

É bom ver Lula denunciando os EUA por sua ingerência, e Dilma juntando sua voz ao resto da América do Sul para defender o direito da Venezuela a eleições livres.

Mas não apenas a Venezuela e as democracias mais fracas que estão ameaçadas pelos EUA.

Conforme relatado nas páginas deste jornal, em 2005 os EUA financiaram e organizaram esforços para mudar a legislação brasileira com vistas a enfraquecer o PT. Essa informação foi descoberta em documentos do governo americano obtidos graças à lei americana de liberdade de informação. É provável que Washington tenha feito no Brasil muito mais e siga em segredo.

Está claro que os EUA não viram o levemente reformista Fernando Lugo como um elemento ameaçador ou radical. O problema era apenas sua proximidade excessiva com os outros governos de esquerda.

Como a administração Bush, a administração Obama não aceita que a região mudou. Seu objetivo é afastar os governos de esquerda, em parte porque tendem a ser mais independentes de Washington. Também o Brasil precisa se manter vigilante diante dessa ameaça à região.

MARK WEISBROT, 58, é codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington, e presidente da Just Foreign Policy.

Tradução de CLARA ALLAIN

13/05/2011

América Latina avança, Venezuela na frente

Filed under: Brasil — Gilmar Crestani @ 9:40 am
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AL, la región con más desigualdades del mundo: AI; elogios a Venezuela

Foto

Haití tiene los índices de mortalidad infantil más altos en el hemisferio occidental, según estadística de la ONU difundida ayer. En la imagen, un español de Médicos sin Fronteras ausculta en un hospital de emergencia en Puerto Príncipe, controlado por esa ONG, a un niño con los pulmones infectadosFoto Ap

Armando G. Tejeda

Corresponsal

Periódico La Jornada
Viernes 13 de mayo de 2011, p. 32

Madrid viernes, 13 de mayo. América Latina continúa siendo la región con más desigualdades del mundo, a pesar de haber reducido un poco los índices de pobreza, sobre todo en Venezuela, señala el informe anual de Amnistía Internacional (AI), que este año celebra su 50 aniversario.

El documento divulgado este viernes advierte que todavía quedan numerosos y graves problemas que resolver: las consecuencias del conflicto bélico de más de 45 años en Colombia, la marginación de las comunidades indígenas y la tendencia de los gobiernos de la región a privilegiar los intereses económicos frente a los derechos humanos.

Latinoamérica, en su condición de subcontinente y con una población de unos 580 millones de habitantes, no logra superar su condición de región con más desigualdades del mundo, por encima de África y Asia. El año pasado hubo reducción de los índices de pobreza en países como Brasil, Argentina, México y Venezuela. No obstante,muchas de las naciones menos desarrolladas no experimentaron ninguna mejora tangible y, al finalizar 2010, América Latina seguía siendo la región con más desigualdades del mundo.

Susan Lee, directora del programa para América de AI, explicó que pese al auge económico que vive la región y la estabilidad financiera y social sin precedentes, prevalece en los gobiernos la tendencia de ignorar a la gente más humilde frente a los intereses económicos, incluidos los pueblos indígenas, y esto es una situación bastante preocupante para el futuro de la región.

Sostiene: Es frecuente que los gobiernos no garanticen el respeto de los derechos en la práctica, ni siquiera en el caso de quienes corren más riesgo de sufrir abusos, como las personas que viven en la pobreza, los pueblos indígenas, las mujeres y las niñas. Esta situación se da sobre todo cuando existen poderosos intereses económicos que consideran que respetar los derechos de las comunidades pobres y marginadas es contrario a sus objetivos económicos.

Tache a Colombia en derechos

Lee reconoció que los dos únicos países que no han registrado mejoras en la defensa de los derechos humanos son Colombia y México. En el caso de Colombia, son todavía muy críticos los estragos que provoca el conflicto armado interno, que hace que la población civil sufra la peor parte de las hostilidades. En el país caribeño, miles de personas fueron víctimas de desplazamiento forzado, homicidio ilegítimo, secuestro o desaparición forzada a manos de la guerrilla, las fuerzas de seguridad y los paramilitares.

Le preocupa especialmente el aumento de la violencia contra las mujeres y niñas, así como la sistemática negación de los derechos reproductivos, sobre todo –esto último– en países como Chile, El Salvador y Nicaragua, donde todavía se encarcela a cualquiera que practique un aborto o intente abortar, incluidas las niñas y las mujeres embarazadas por una violación o cuya vida corría peligro si continuaban el embarazo.

En relación a los ataques a la libertad de expresión, AI señaló que “casi 400 trabajadores de medios recibieron amenazas o sufrieron ataques, y al menos 13 periodistas murieron por agresores no identificados. Más de la mitad de estas muertes se produjeron en México, seguido de Honduras, Colombia y Brasil. En muchos casos se creía que las víctimas fueron objeto de represalia debido a sus esfuerzos por denunciar corrupción o las relaciones entre funcionarios y las redes de delincuentes.

El informe destaca que la proliferación del tráfico de armas ligeras causa el aumento general de la violencia, y que la corrupción endémica de las instituciones del Estado redujo su capacidad para responder a la delincuencia organizada: Los gobiernos se mostraron reacios a abordar este problema sistemático y prolongado. En cambio, recurrieron de forma creciente al ejército para responder a la delincuencia organizada y a otras amenazas para la seguridad.

Finalmente llama en especial la atención sobre la situación en Haití después de los desastres naturales que devastaron la isla, con saldo de 230 mil muertos y millones de personas sin hogar, de las cuales más de un millón aún siguen viviendo en casas de campaña o campamentos provisionales.

El informe puede consultarse completo en www.amnesty.org.

La Jornada: AL, la región con más desigualdades del mundo: AI; elogios a Venezuela

27/04/2011

Ministros latinoamericanos se reúnen en Caracas para crear un organismo paralelo a la OEA · ELPAÍS.com

Filed under: Cultura — Gilmar Crestani @ 8:57 am
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Representantes de más de 30 países de la región diseñan la "arquitectura" de lo que será la la Comunidad de Estados Latinoamericanos y el Caribe (CELAC)

AGENCIAS – Caracas – 26/04/2011

Los ministros de Exteriores de más de 30 países de América Latina y el Caribe han comenzado hoy una reunión extraordinaria para diseñar lo que será la la Comunidad de Estados Latinoamericanos y el Caribe (CELAC), organismo regional paralelo a la Organización de Estados Americanos. El encuentro se realiza en Caracas, bajo el auspicio del presidente Hugo Chávez, un firme defensor de la unidad latinoamericana, en un bloque independiente de Estados Unidos y Canadá, que también forman parte de la OEA.

"Este es el evento político de mayor importancia y de mayor potencial de transcendencia de todos los que han ocurrido en esta América nuestra en cien años y más", ha dicho Chávez al comienzo de la reunión.

En este encuentro, los ministros definirán las normas de procedimiento del CELAC y la cláusula democrática que tendrá el nuevo organismo. "El objetivo es construir un conjunto de propuestas, una doctrina latinoamericana-caribeña que pueda aportar ideas en un documento central a los jefes y jefas de Estado y Gobierno que se reunirán el 5 y 6 de julio", ha explicado el canciller venezolano, Nicolás Maduro.

La reunión de julio en Caracas y otra cumbre que tendrá lugar en Chile el año próximo forman parte del calendario para la constitución de la CELAC, que fue aprobado por los países de la región en la Cumbre del Grupo de Río de Cancún (México) en febrero del año pasado.

El vicecanciller de Chile, Fernando Schmidt, al frente de la delegación del país con el que Venezuela comparte la secretaría encargada de los trabajos de preparación del CELAC, ha destacado que en la reunión de hoy se está "construyendo la arquitectura reglamentaria básica" del nuevo organismo.

Ministros latinoamericanos se reúnen en Caracas para crear un organismo paralelo a la OEA · ELPAÍS.com

25/04/2011

Jornalismo, história e o papel do intelectual

Filed under: Cultura — Gilmar Crestani @ 8:53 am
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El periodismo, la historia y el papel del intelectual

Como periodista y escritor, Selser siempre antepuso la moral al realismo político, afirma el académico que lo estudió. En su momento, el autor argentino denunció la política estadounidense en su obra cúlmine, Cronología de las intervenciones extranjeras en América Latina. Aquí, Andrés Kozel desmenuza aquel trabajo como clave para entender el mundo pasado y el actual.

Por Mercedes López San Miguel

–¿Por qué la obra Cronología de las intervenciones extranjeras en América Latina, de Gregorio Selser, es en su opinión un monumento excepcional de la historiografía latinoamericana?

–Es la obra de su vida. La labor emblemática de una vertiente capital de la tradición latinoamericanista: el antiimperialismo de izquierda. La Cronología… nos permite asomarnos a lo que fue el archivo de Gregorio Selser, su material de trabajo. Selser armó un archivo descomunal con cables de noticias y recortes periodísticos con la ayuda de su mujer. En realidad, todas sus obras están basadas en ese material de archivo personal. La cronología de cuatro tomos es una especie de suma de todas las cronologías que fue haciendo desde que empezó a escribir, en los ‘50.

–¿Fue una búsqueda del autor el hecho de correr su voz de cronista? Se lee un cable seguido de otro, sin que aparezca su opinión.

–Yo creo que fue una decisión que obedece a muchas razones. Una, él trabaja sobre la base de una epistemología objetivista: él cree en los hechos. Los hechos deben ser dados a conocer tal como sucedieron. En ese sentido, hay quienes dicen que Selser es un positivista en el sentido historiográfico. Y de hecho lo es. Es un objetivista crítico, porque piensa que las verdades oficiales son coartadas ideológicas. El quiere destruir esa historia oficial. Quiere llamar la atención sobre un montón de aspectos que la historia oficial no cuenta. Cree que la mejor forma de hacerlo es presentando a los hechos brutalmente descarnados. La manera que tiene de hacerlo es sustrayendo su propia voz del relato. Para él, ésa es la mejor manera de combatir la historia, una historia hecha desde los poderes. Es cierto que no está su voz, pero está su mano. Hay decisiones autorales: desde la información que selecciona, la forma en que la ordena y las proporciones que les da a los temas, hasta aspectos más sutiles, como los adjetivos que usa en momentos estratégicos.

–¿Por ejemplo?

–Por ejemplo, al señalar la decisión equivocada de un político colombiano dice al final del cable: “Suicidio público”. Sus textos están atravesados por estos latigazos. También hay operaciones formales que desde el punto de vista discursivo son interesantes, como alusiones a situaciones anteriores y previsiones de lo que sucederá. Es como un director de orquesta que está todo el tiempo mostrando voces. La cronología no es sólo la compilación ordenada de cables de noticias. Es una especie de obra sinfónica. Selser recurre mucho a la cita de testimonios directos de políticos norteamericanos en el momento en que dicen barbaridades, que intentan explicar de modo absurdo las políticas que llevan adelante. Selser trata de llegar a identificar esos testimonios y los recorta, los ordena, los ubica en el lugar donde resaltan. Esto obedece a su búsqueda por denunciar la hipocresía y la perversión de la política exterior norteamericana.

–Selser separa este intervencionismo en cuatro etapas: de 1776 a 1848, de 1848 a 1898; de 1895 a 1945 y de 1945 a 1990. ¿Cuál fue su criterio?

–Condensa medio siglo en cada etapa, es una cuestión de proporciones. También en cada una de esas fechas hubo reordenamientos geopolíticos mundiales. La idea expansionista empieza a partir de la independencia en 1776. Intervencionismo hubo antes, pero a Selser le importa el papel de Estados Unidos. En 1848, Estados Unidos pelea en la guerra con México y se queda con parte de su territorio; es un corte fundado en términos históricos. Lo mismo con 1898: la guerra entre Estados Unidos y España por Cuba, y donde España se retira definitivamente de América. Washington empieza a pisar muy fuerte en el Caribe y Centroamérica. Entre 1848 y 1898 se trata de una modalidad de relación, donde además Estados Unidos, por más ambiciones territoriales que tuviera, pasa esos años atravesado por una Guerra de Secesión. Después de 1898 la potencia interviene sistemáticamente: establece un formato de relación del cual se va a derivar al resto de las relaciones con el continente. Esto se da hasta la llegada de Roosevelt, tras la relativa victoria de Sandino y el retiro de los marines de Nicaragua. En el ’45 cambia todo de vuelta, Washington ya es potencia gravitante a nivel mundial tras la Segunda Guerra Mundial. Vuelve a la autorreferencialidad. Junto con la Unión Soviética se dividen el mundo. El golpe de Guatemala en 1954 es un punto de inflexión. A partir de ahí, una generación de intelectuales latinoamericanos se vuelve antiestadounidense y radicaliza sus posturas.

–En esta obra la idea medular es el intervencionismo norteamericano: ¿qué puede aportar a estos tiempos?

–Por empezar, resaltaría el tipo de periodista e intelectual que fue Selser. Creo que para los periodistas es una figura muy notable, y vale la pena que hoy reflexionen sobre su trabajo, su afán por escribir cada acontecimiento tratando de situarlo en un contexto histórico. Quienes lo conocieron afirman que tenía una memoria descomunal y una capacidad de trabajo infinita, ayudado siempre por su esposa. Podía ubicar cualquier hecho en un telón de fondo histórico. Era una forma de trabajar que es periodística, porque está usando cables de noticias, preocupado por la información día a día –a diferencia de un historiador–, sin embargo, todo eso lo puede situar en un contexto macro. El golpe de Estado en Guatemala del ’54 le cambió la vida a Selser, como a muchos otros de esa generación, incluido el Che Guevara. Este golpe reveló que Estados Unidos intervenía descaradamente, que mentía, que decía una cosa por otra: decía que en Guatemala había un gobierno comunista, cuando en realidad no era así, estaba defendiendo los intereses de la compañía bananera. Mucha gente cambió la forma de ver a Estados Unidos. Luego de la Segunda Guerra Mundial, los Estados Unidos aparecían como los paladines de la libertad del mundo, que apoyaban los procesos de descolonización en Asia y Africa. Selser, al intentar explicar lo que pasaba en Guatemala, empezó a indagar en la historia de Centroamérica y ahí se encontró con Sandino. Ese procedimiento de intentar explicar un acontecimiento particular como una intervención norteamericana que sucedía en el presente lo llevó a estudiar el pasado. Eso lo repite en un montón de ocasiones. Después escribe un libro sobre Guatemala, sobre Santo Domingo; pasa lo mismo con Chile y Bolivia. Selser hace historia a partir de interrogantes fincados en el presente. Del periodismo salta a la historia.

–Hace el trabajo de un historiador.

–De un historiador particular, autodidacta, que no cumple con los mecanismos formales de la academia. Selser es un periodista que se viste de historiador porque lo necesita para sostener sus argumentos. Este mismo procedimiento lo repite análogamente en distintas investigaciones. La Cronología… es el fruto máximo o el soporte de todos sus argumentaciones. Es el soporte que armó a lo largo de décadas de trabajo y que en un momento decide publicarlo como tal, porque se da cuenta del valor que tiene en sí mismo.

–Según Selser, el rasgo expansionista de Estados Unidos se remonta a cuando declara su independencia.

–Ahí empiezan los intereses de ese país en expandirse. No necesariamente con hechos concretos. En el primer tomo aparecen ideas expansionistas. Por ejemplo, sobre la necesidad de anexar Cuba. Aparece primero en tanto idea. Es una especie de historia del destino manifiesto, de historia de la doctrina Monroe, de cómo se fue armando esa característica en la cultura estadounidense.

–Incluso en ese tomo habla de Haití, segundo país en independizarse en el continente después de EE.UU. y cuyo destino fue antagónico.

–Completamente antagónico. Haití terminó sumergido en la inviabilidad y Estados Unidos construyendo su prosperidad en gran medida a partir del expansionismo y en una política exterior hipócrita, como diría Selser.

–¿En qué sentido hipócrita?

–En general hay un doble discurso. A veces los políticos norteamericanos se sinceran y dicen las cosas como son, que son los que mandan en el mundo. Claro que hay otros políticos que son críticos, que denuncian las políticas de su país. Lo que sucede hoy es que en nombre de la democracia, en nombre de la libertad y la autodeterminación de los pueblos intervienen con armas de manera muy violenta. La intervención de Nicaragua en los años ’20 es el primer bombardeo contra una población civil antes de Guernica. Lo hicieron los norteamericanos. Lo mismo la invasión a Panamá en el ’89, la invasión de Dominicana en el ’60, son hechos muy ominosos. La intervención en Chile, que es innegable, en el ’73. Todo lo documenta Selser muy bien. Porque en Selser hay una dimensión moral muy fuerte. Selser por momentos parece un moralista, a diferencia de muchos otros estudiosos de la geopolítica, que suelen ser muy sensibles a la dimensión pragmática de la política. En ese sentido, eso lo lleva a meterse en tensiones ideológicas, retóricas, por lo cual se vuelve un autor interesante de estudiar. Es un hombre desgarrado. Para un estudioso que piensa en términos de la política real, los Estados Unidos son poderosos porque tienen políticos que piensan estrategias, que piensan de forma realista, que defienden sus intereses. Y entonces nosotros tendríamos que tener políticos así, que defiendan nuestros intereses. Selser no. Selser siempre antepone lo moral al realismo político, nunca habría subordinado lo moral a la política real. Lo coloca en una posición distinta, a diferencias de los realistas, que ponen ante todo la voluntad de poder. Ese rasgo moral a Selser lo vuelve atractivo, creíble y muy leído por los jóvenes. Los jóvenes ven en él una figura incuestionable en términos morales. La utopía de Selser es una política pura. Lo cual es difícil de sostener.

–¿Como ubica a Argentina en este intervencionismo norteamericano en América latina?

–No es el eje central de la Cronología. Hay dos libros importantes de él sobre Argentina: Argentina a precio de costo, sobre Frondizi, y dos tomos sobre el Onganiato. El piensa que Argentina no está fuera de esta lógica de la política estadounidense. Habría que destacar que Selser marca una periodización del intervencionismo norteamericano diciendo que en principio se circunscribe a México y Centroamérica y luego se va expandiendo. Y que recién después de la Segunda Guerra Mundial, cuando Estados Unidos se hace cargo de su lugar hegemónico y entramos en el mundo bipolar de la Guerra Fría, recién ahí reproducen esos formatos de relaciones que habían tenido con México y el Caribe en América del Sur. Desde el ’45 en adelante, Selser ve una presencia mayor de EE.UU. en Sudamérica y también en Argentina. Si uno revisa el tomo 4, las noticias sobre Argentina son lacónicas y casi sin opinión.

–¿A qué se puede deber?

–Argentina nunca vivió una intervención directa y militar. Solamente señala que en el caso del golpe de 1976, Kissinger y otros funcionarios norteamericanos dieron el visto bueno. Es poco comparado a lo que hay del golpe en Chile. En este caso intenta documentar la intervención norteamericana en la caída de Allende. Quizá porque para Selser la intervención en Argentina no fue tan rotunda, quizá porque a él le costaba hablar de Argentina, hablar de su propio país viviendo en el exterior. Quizá también haya una cuestión que tiene que ver con la propia revisión de la historia argentina a partir de su exilio en México.

–Selser vivió en México desde el ’76 hasta el ’91. ¿Cuánto le sirvió para la realización de sus obras?

–Es muy difícil para los latinoamericanos generar pensamiento crítico. Ha sido así durante muchos años a causa de las dictaduras, los golpes de Estado, las derechas vernáculas, fue difícil generar pensamiento crítico consistente. México fue una excepción a esa regla. Fue un lugar donde se cobijaron a los exiliados de distintos lugares y donde pudieron ponerse en relación. Entre el ’40 y el ’80 y pico. México, a diferencia de otros países, no vivía dictaduras. Selser en los ’80 fue un actor decisivo en esas redes culturales. Hay una cantidad de citas que hace en la Cronología que evidencian esa interacción con otros intelectuales, en el centro de la sensibilidad de izquierda mexicana. Una obra como la Cronología es impensable en el Paraguay de Stroessner. Se necesita un lugar que dé facilidades, que permita trabajar. Claro que había también una duplicidad del gobierno mexicano, un trato distinto para su gente y los brazos abiertos con los exiliados. Recordemos la matanza de Tlatelolco. México era un foro latinoamericano durante medio siglo.

–Selser se describe como cronista afiebrado e indignado, ¿qué debiera agregar a su cronología un cronista de la actualidad?

–Ahora hay un clima más favorable para discutir ciertos temas. Sin embargo, los datos duros no cambiaron. Es difícil hablar sobre la actualidad. Selser diría que hay diferencias respecto de intervenciones más brutales que hubo en América latina. Pero que el formato de relación se mantiene. Por ejemplo, Selser dice que con Roosevelt en el ’30 hay un cambio, pero no alteró los patrones fundamentales de la relación de EE.UU. con América latina. Creo que pensaría esta época de manera similar. Quizás incorporaría la discusión de si los Estados Unidos siguen siendo el único imperio o una potencia entre otras.

–¿Fue como un precursor de Wikileaks? Revelando cables, visibilizándolos,

–Sí, claro. Si él hubiera podido estar en el lugar de Assange habría hecho algo similar. Con una importante salvedad: no me imagino a Selser trivializando ese documento. El pathos suyo es grave. Habría tratado de analizarlo en clave profunda, estructural. Qué significa en términos de geopolítica y teniendo en el horizonte la liberación de los pueblos latinoamericanos. Nunca habría tomado ese material para el chisme. Lo hubiera puesto en un marco interpretativo. La dominación y cómo romper con ella. Esa tensión en la que él se ve como un cronista afiebrado en un drama. Al mismo tiempo, es un optimista tozudo. Es un militante quijotesco. Si toda la historia fue una sucesión de ignominias, de abyecciones, ¿en qué se fundamenta el optimismo? Pienso que él fundamentó el optimismo en la indignación. Y en la certidumbre, constatando infinitas veces la ignominia y comunicándola. Cuantas más veces se constate, cuantas más fuentes tenga, más repita en el espacio público esa historia, eso nos va a llevar a la transformación. Allí radica su optimismo. Es una idea que se puede compartir o no. Es interesante como modelo intelectual.

–Si tuviéramos que continuar la cronología, ¿en qué etapa estaríamos del archivo?

–Ya no es un mundo bipolar. O unipolar o multipolar, ésa es la discusión. Si el concepto de imperialismo sigue vigente o no. Hacia qué mundo se va. A Selser le habrían llamado la atención la desaparición de la URSS y también los procesos que se están dando en América latina que desafían la lógica hegemónica.

mercelopez@pagina12.com.ar

Página/12 :: Dialogos :: El periodismo, la historia y el papel del intelectual

24/04/2011

Preferimos morrer de êxito que de fome

Filed under: Direita,PIG,RBS — Gilmar Crestani @ 8:45 pm
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Os europeus não gostam. Acham que nosso êxito atual poderá nos fazer mal. Eu os entendo. Eles continuam, apesar de sermos europeus que não deram certo lá e que preferimos errar por aqui, nos achando sub do sub. Eles não se deram conta que os ventos favoráveis só apareceram com políticos com os quais não concordam. Bons tempos foram aqueles com Fugimori no Peru, Menen na Argentina e FHC no Brasil. Davam cartas e jogavam de mão. Dois dos três estão presos, e o que está solto deveria ter sido o primeiro a ser preso, por lesapátria. Não foi mero acaso que a amante foi exilada na Espanha, terra que mais se beneficiou com as privatizações brasileiras. A primeira empresa privatizada pelos deuses do neoliberalismo, foi a CRT. Coincidentemente, foi recepcionada por um consórcio entre RBS, ela mesma, e a Telefônica de Espanha. Também não foi mera coincidência que Antonio Britto, quando foi saído do Piratini, foi se desentoxicar na Espanha. Tinha motivos. Todos.

El riesgo de morir de éxito

Latinoamérica disfruta de la recuperación sin atender en exceso a las amenazas

ALICIA GONZÁLEZ 24/04/2011

"En este momento, Latinoamérica se divide entre los países para los que sopla el viento del Pacífico y los países para los que sopla el viento del Norte. Para los primeros, ligados al ciclo de materias primas y con una fuerte dependencia del comercio asiático, la economía va a toda máquina. Los segundos, con lazos más estrechos con las economías desarrolladas, aún tienen que consolidar el ritmo de recuperación. Pero ninguno puede confiarse". Es el análisis que un experimentado diplomático regional hacía en una reciente cena en Madrid sobre la situación en Latinoamérica, una vez que la región ha superado con éxito la peor crisis financiera global desde la Gran Depresión.

Es la misma tesis que defiende el Banco Interamericano de Desarrollo (BID) en el informe Una región, dos velocidades, que presentó en su reunión anual de gobernadores en Calgary (Canadá). Ahí se describe una región dividida en torno a dos polos: Brasil, como líder de los países exportadores de materias primas que comercia principalmente con otras economías emergentes, y México, con fuertes vínculos comerciales con Estados Unidos y la Unión Europea, y que arrastra tras de sí a Centroamérica, más dependiente de las remesas que envían a casa sus inmigrantes.

José Juan Ruiz, economista jefe para América Latina del Santander, matiza esa tesis: la diferencia entre ambos reside más en el destino de las exportaciones que en el peso de las mismas en el PIB [ver gráfico de la página 6]. Junto a Brasil se encontrarían economías como Argentina, Bolivia, Chile, Colombia, Ecuador, Paraguay, Perú, Uruguay y Trinidad y Tobago. A Venezuela, pese a ser un productor de materias primas, se le considera caso aparte.

"Es un entorno de fuerzas contradictorias, pero para eso está el margen de actuación de las políticas domésticas. Ambos deben aprovechar las oportunidades que se presentan y hacer cambios", defiende desde Washington Alejandro Izquierdo, autor del informe del BID junto a Ernesto Talvi.

Sean vientos del Este o vientos del Oeste -parafraseando el título de la novela de Pearl S. Buck-, lo cierto es que la brisa sopla favorablemente para la región latinoamericana. El crecimiento en 2010 alcanzó el 6,1%, y el Fondo Monetario Internacional (FMI) prevé que este año haya una ligera moderación hasta situarse en un todavía robusto 4,7% y en un 4,2% en 2012. "Después de la fuerte recuperación de 2010 [el PIB se contrajo un 1,7% en 2009], muchos analistas ven la actual ralentización como un hecho positivo y una vuelta al crecimiento tendencial", señala Guillermo Mondino, de Barclays Capital, en el informe trimestral de la entidad sobre mercados emergentes. "Frente a ese optimismo regional, los observadores externos se están preguntando qué puede ir mal. Nosotros pensamos que la región afronta riesgos en los dos lados del espectro y que las políticas que están en marcha no se dirigen a minimizar esos riesgos poco probables, pero que podrían ser muy dañinos", puntualiza Mondino.

El propio FMI ha advertido que observa un riesgo significativo de recalentamiento y de formación de burbujas en buena parte de la región. "Estas condiciones favorables también podrían desencadenar un descalabro en la demanda interna y el crédito en varias economías. Si no se controlan, podrían ocasionar un posible descalabro", sostiene la institución en el informe sobre Perspectivas económicas mundiales que ha presentado este mes.

El economista jefe del FMI, Olivier Blanchard, ha puesto nombres y apellidos a esos riesgos. Como ejemplos del posible recalentamiento, Blanchard citó el crecimiento de entre 10% y el 20% del crédito real en Colombia y Brasil, donde además el crédito per cápita casi se ha duplicado en los últimos cinco años.

La teoría económica identifica el recalentamiento evidente de la economía en esa situación en la que la capacidad productiva no puede seguir el ritmo de crecimiento de la demanda agregada y cuando las economías agotan la capacidad productiva ociosa. Ese bien puede ser el diagnóstico de la región. "La recuperación de la economía ha permitido cerrar rápidamente las brechas de capacidad ociosa y ya la mayoría de la región debería alcanzar un nivel del PIB superior al de tendencia a finales de 2011", apuntan los economistas del BBVA en su informe trimestral sobre la situación en Latinoamérica. "Mientras Argentina y Venezuela enfrentan una situación de sobrecalentamiento que se extiende ya por algunos años, Brasil, Chile y Perú se ubicarán ligeramente por encima de su PIB de tendencia a finales de año, mientras Colombia y México todavía tienen espacios para crecer antes de alcanzar su potencial", recalcan.

Con semejantes evidencias, la mayoría de los países de la región debería proceder con cierta urgencia a adoptar medidas para enfriar el crecimiento, pero la región tiene tradicionalmente dificultades con el ajuste del gasto público. "La política fiscal continúa ausente del esfuerzo de ajuste, con la excepción de Brasil", sentencia el informe del BBVA.

"Claramente, los países con mayor ritmo de crecimiento deben empezar a aplicar políticas fiscales contracíclicas, que frenen el recalentamiento que ya se observa, y deshacer la expansión de las cuentas públicas que pusieron en marcha durante la crisis", insiste Alejandro Izquierdo. "Para los países con menor ritmo de crecimiento, quizá lo más eficiente es repensar sus estrategias comerciales y ampliar mercados". [Izquierdo no cita países concretos "porque eso haría mi trabajo aquí más difícil"].

La necesidad de llevar a cabo ese ajuste fiscal puede agudizarse ante el repunte de la inflación, derivado de los altos precios de las materias primas y la fuerte entrada de capitales extranjeros a la región. Los precios se situarán por encima de los objetivos de los bancos centrales en la segunda mitad del año, según los economistas del BBVA, y en algunos casos (Argentina y Venezuela) rozarán cifras astronómicas, en torno al 25%. Las autoridades monetarias han respondido a las tensiones inflacionistas con subidas de tipos, aunque el sesgo sigue siendo expansivo, en opinión de la mayoría de los analistas.

"El margen de la política monetaria, sin embargo, es más difícil en economías tan abiertas y con tanta liquidez a nivel global. Puede ser incluso contraproducente, porque unos tipos de interés elevados atraen más capital extranjero, y eso se traduce en una apreciación de las divisas que los países tratan de frenar", apunta Izquierdo.

La entrada masiva de capitales se ha convertido en la gran batalla a librar por las principales economías latinoamericanas. Una inversión en muchos casos de corto plazo, que aprovecha el diferencial de tipos de interés y de tipo de cambio, y que está llevando a países como Brasil, Perú, México y, más recientemente, Chile a aplicar medidas para intentar frenar la entrada del capital más especulativo y, así, frenar en parte la apreciación de la divisa.

Según los datos del Instituto de Finanzas Internacionales (IIF, por sus siglas en inglés) -asociación que agrupa a los principales bancos privados del mundo-, los flujos de capital en la región aumentaron un 53% en 2010 hasta alcanzar los 220.000 millones de dólares, una cifra cuatro veces superior al déficit por cuenta corriente de la región y que convierte al año pasado en el segundo mejor ejercicio en términos de entradas de capitales, tras los 233.000 millones registrados en 2007.

El FMI se había opuesto históricamente a cualquier limitación en el libre flujo de capitales en el mundo, pero su reciente cambio de postura, justificado -dice- por las circunstancias excepcionales que atraviesan algunas regiones [ver página 7, entrevista con Nicolás Eyzaguirre], levanta las sospechas de los países emergentes, que defienden su derecho a utilizar cualquier medida a su alcance para frenar la entrada de lo que denominan capital golondrina.

"Nos oponemos a cualquier tipo de guía, código de conducta o marco de actuación que intente limitar, directa o indirectamente, las respuestas de los países que sufren repuntes en la entrada de capitales volátiles", advirtió el ministro de Finanzas de Brasil, Guido Mantega, en una de las reuniones celebradas en el marco de las asambleas de primavera del Fondo.

"Estas circunstancias exigen una intensa coordinación internacional o, de lo contrario, podemos entrar en guerras cambiarias que a todos nos interesa evitar", advierte el economista del BID.

Lo cierto es que en Latinoamérica confluyen en este momento unas condiciones internas de sólido crecimiento y relativo saneamiento de las cuentas públicas con unas condiciones externas de extremada liquidez sin precedentes y fuerte demanda de materias primas que obliga a la región a manejar con tino "la abundancia para evitar el colapso", como señala el documento de trabajo del FMI elaborado por Nicolás Eyzaguirre, Martin Kaufman, Steven Philips y Rodrigo Valdés. "Riesgos de una explosión de la demanda, elevados déficits por cuenta corriente y un exceso de intermediación financiera son amenazas de primer orden, comparables a las amenazas de la enfermedad holandesa", advierten los autores.

En economía, la enfermedad holandesa es un término acuñado en 1977 por el semanario The Economist para explicar la relación entre el aumento de la explotación de recursos naturales y la caída de la producción en el sector industrial. Un mecanismo por el que el aumento de los ingresos procedentes de las materias primas conlleva una apreciación de la divisa, lo que reduce el atractivo del resto de los productos nacionales, al hacerlos menos competitivos en términos de precios. Eso fue lo que le sucedió a Holanda en 1959 cuando descubrió un importante yacimiento de gas natural. Porque si no se sabe manejar apropiadamente la abundancia, las economías también pueden morir de éxito.

El riesgo de morir de éxito · ELPAÍS.com

24/02/2011

A revolução árabe e a esquerda latino-americana

Filed under: Ditadura,Tio Sam — Gilmar Crestani @ 11:00 am
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La revolución árabe y la izquierda latinoamericana

JOAQUÍN VILLALOBOS 22/02/2011

En los últimos 50 años, buena parte de la izquierda latinoamericana definió su identidad bajo el paradigma de la revolución social que estableció el modelo cubano, con salud y educación como sus grandes ejes de transformación. La democracia no fue considerada revolucionaria, sino "burguesa". Las derechas y sus dictaduras tampoco tuvieron como paradigma a la democracia, sino a la modernidad mediante el desarrollo económico. Ambas corrientes consideraron que si atendían las necesidades sociales o el progreso económico, las libertades democráticas no tenían importancia. Había en Latinoamérica solo un autoritarismo de izquierda en Cuba, el resto eran dictaduras de derecha. En la primera preferían expulsar a los opositores y en las segundas asesinarlos. El resultado, en ambos casos, fue pobreza sin libertades e inestabilidad durante décadas, con sociedades en conflicto permanente.

      Resolver la exclusión social a costa de la exclusión política conduce a conflictos permanentes

      Estados Unidos despreció igualmente a la democracia para Latinoamérica, la "alianza para el progreso" puso énfasis en el desarrollo económico y no en las libertades. Con el anticomunismo como política, realizó intervenciones, aisló a Cuba y respaldó dictadores, golpes de Estado, fraudes electorales y matanzas. Esta situación comenzó a cambiar con la política de derechos humanos del Gobierno de James Carter, que fue determinante en la caída del dictador Anastasio Somoza de Nicaragua en 1979. La posición de Carter fue visionaria en plantear los derechos humanos y la inclusión de la izquierda. Sin embargo, la reacción conservadora estadounidense trajo con la administración Reagan el conflicto más cruento que haya vivido el continente. Así, en Centroamérica, durante los 80, cientos de miles murieron en una guerra que, teniendo raíces propias, se interpretó como un apéndice de la guerra fría.

      Luego de múltiples luchas populares, los derechos humanos y la democracia comenzaron a convertirse en los valores hegemónicos de la política y en los factores de legitimación de los gobiernos. La izquierda llegó al poder y comenzó la alternancia. La transición comenzó hace aproximadamente 30 años a partir de cambios democráticos ocurridos en diferentes países. Este proceso a pesar de sus imperfecciones, ha permitido que el continente esté viviendo un prolongado período de estabilidad política que apunta a consolidarse.

      La caída del muro de Berlín, con la reacción en cadena que produjo en toda Europa del Este, fue una revolución anunciada. Lo que está ocurriendo en el mundo árabe no lo predijo nadie. Antes de Túnez y Egipto dominaba la idea de que la democracia era un valor occidental, culturalmente incompatible con la cultura árabe. Sin embargo, la movilización revolucionaria en los países árabes demuestra que el desarrollo de clases educadas, comunicadas e informadas es incompatible con el autoritarismo. Este logra espacio en sociedades con gran retraso político, económico y social. Detrás de cada crisis terminal de un régimen autoritario hay un conflicto de representación y participación en el poder de nuevos grupos sociales. La democracia está demostrando ser un valor cada vez más universal en la medida que el progreso económico transforma la estructura de clases de los países.

      En el momento en que los ciudadanos alcanzan un mayor nivel de educación, la crítica, el disenso y la diversidad de pensamiento se multiplican inevitablemente. Es imposible que todo mundo piense de la misma manera y las formas de pensar de las personas tienden a modificarse con el tiempo y con los cambios de condiciones. No pueden todos ser de derecha o de izquierda, creer en Dios o tener el mismo Dios, eso es absurdo. Cuando el número de ciudadanos con conciencia crítica aumenta sustancialmente se debilita la posibilidad de gobernar a partir de la superstición, la religión, el caudillismo, las dinastías familiares y las verdades únicas del dogmatismo político. La vieja alianza Iglesia, militares y terratenientes, que sostuvo la mayoría de dictaduras del continente, se acabó con el crecimiento de las clases medias y el surgimiento de nuevos grupos de poder económico.

      La democracia y los derechos humanos no son solo un asunto ético o ideológico, son una tecnología de gobierno que permite mantener cohesionada a la sociedad en medio de las diferencias y la natural diversidad que la compone. Esto es posible cuando hay clases sociales más educadas que entienden que la tolerancia entre contrarios es fundamental para la convivencia pacifica. Pero lo más importante es que ninguna sociedad polarizada en extremo y con divisiones profundas entre sus habitantes es viable ni tiene posibilidades de desarrollo. Por ello, la exclusión social que deriva en exclusión política es un asunto vital de resolver. América Latina no era viable sin la inclusión de las izquierdas, así como el mundo árabe no lo será sin la tolerancia hacia los islamistas hasta lograr su moderación.

      Cuando la sociedad se mantiene cohesionada puede utilizar todas sus capacidades y esto da lugar a una relación directa entre democracia y desarrollo. El empobrecimiento social, moral, intelectual, institucional y económico de Cuba tras 50 años de revolución, contrasta con el desarrollo social, educativo, económico e institucional de Costa Rica, Chile y Uruguay; los tres países con mayor vigencia y cultura democrática del continente. Algo igual ocurrió entre el fracaso de la Europa Oriental dominada por los comunistas y el exitoso desarrollo de la Europa Occidental bajo la influencia de la izquierda socialdemócrata. La actual situación de gran violencia, profunda crisis social, extrema pobreza y riesgo de ser estados fallidos de Haití, Guatemala, El Salvador y Honduras son el resultado de haber vivido las dictaduras más represivas y prolongadas del continente. Los riesgos autoritarios y la extrema polarización que viven Bolivia, Venezuela y Ecuador han resultado de haber excluido social y políticamente a una parte considerable de su población.

      Después de medio siglo de revolución cubana, la democracia ha demostrado ser más revolucionaria, más capaz de resolver la pobreza y más eficaz en lograr la participación ciudadana a través del voto y las organizaciones de la sociedad civil. En democracia si divides a tu país perderás. Resolver la exclusión social a costa de la exclusión política conduce a conflictos permanentes y a la pérdida de capacidades vitales para el desarrollo. Cuba ha perdido miles de científicos, escritores, artistas y emprendedores, una gran parte de ellos de izquierda y eso mismo está ocurriendo en Venezuela. La sangría intelectual cubana ha sido tal, que no se puede separar el exitoso desarrollo de Florida del exilio cubano.

      Es imposible que un pensamiento único derive en progreso. La clave del desarrollo está en la interacción dialéctica entre diversidad, diferencias, pesos, contrapesos, alternancias, aciertos y errores. Las libertades, las leyes y las instituciones son más importantes para los pobres que el paternalismo autoritario. No querer dejar los gobiernos, envejecer en el poder y heredarle a parientes el gobierno no es revolucionario. La izquierda latinoamericana necesita abandonar el mito cubano para asumir de una vez por todas a la democracia como su identidad. La dictadura cubana y las pretensiones autoritarias de Chávez son los últimos obstáculos a la madurez política del continente y a la continuación delavance de la misma izquierda. No hay régimen autoritario eterno, Castro y Chávez no permanecerán, como no permanecieron las dictaduras centroamericanas, las sudamericanas y ahora las árabes, no importa si son religiosas o liberales, de izquierda o de derecha, los pueblos siempre terminan hartos y las derrumban.

      Joaquín Villalobos fue guerrillero salvadoreño y es consultor para la resolución de conflictos internacionales.

      La revolución árabe y la izquierda latinoamericana · ELPAÍS.com

      16/02/2011

      A ONU esquenta o clima

      Filed under: Tio Sam — Gilmar Crestani @ 7:05 pm
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      Primeiro foi a história da preservação da Amazônias. Exatamente os países que destruíram suas matas querem que o Brasil sirva de pulmão para eles. Agora que o Brasil descobriu o Pré-Sal, quando as economias do norte dependem cada vez mais do Petróleo, querem nos condenar por termos. Oh raça!

      La ONU alerta de que Latinoamérica se ‘fosiliza’ en vez de usar renovables

      La jefa de Cambio Climático dice que China está ganando "la carrera verde"

      PABLO XIMÉNEZ DE SANDOVAL – Madrid – 16/02/2011

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      La secretaria ejecutiva de la Convención Marco de la ONU sobre Cambio Climático, Christiana Figueres, alertó ayer del riesgo de que Latinoamérica se quede estancada en tecnologías energéticas obsoletas cuando tiene enormes recursos naturales con los que puede "sacar provecho" económico de la reducción de gases contaminantes. Según Figueres, el continente posee el 35% de las aguas del mundo y sin embrago se da una "alarmante fosilización de las matrices energéticas". El resultado es que la región solo explota el 25% de la capacidad energética de su agua.

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          "Los beneficios para la economía van a ser para aquellos países que logren adaptar su legislación nacional al marco regulatorio de (la conferencia internacional de) Cancún", según afirmó Figueres. Se refería al riesgo de que la economía sufre lo que en inglés se llama lock in, o quedarse encerrado en "tecnología obsoleta", como llamó al gas natural y las centrales térmicas. "Chile ya alcanza niveles de emisiones de gases propios de los países europeos", alertó Figueres, como ejemplo de la senda para el crecimiento económico del continente. Latinoamérica "tiene el reto de explotar todas las opciones de energías renovables para el futuro", afirmó Figueres. Entre ellas, destacó la utilización sostenible de los bosques en lugar de la deforestación. Para Christiana Figueres, implementar los acuerdos contra el cambio climático no supone solo un reto para Latinoamérica, sino también una oportunidad económica, sobre todo a través del desarrollo de tecnologías para lo que se llama "mitigación" del impacto del cambio climático.

          La experta costarricense, que fue asesora de Endesa para Latinoamérica, nombrada el año pasado para el cargo de máxima responsable sobre el Cambio Climático en Naciones Unidas, lanzó esta advertencia durante unas jornadas de trabajo en al Secretaría General Iberoamericana ayer en Madrid. Junto a ella estuvieron la secretaria de Estado de Medio Ambiente de España, Teresa Ribera, y el secretario general iberoamericano, Enrique V. Iglesias.

          Al ser interpelada sobre la aportación de China contra el cambio climático, Figueres aseguró que este país está haciendo "esfuerzos domésticos impresionantes". "Otro gallo nos cantaría" si todos los países actuaran como China, llegó a afirmar. El gigante asiático "es líder en la industria solar y lo será en la eólica". Y recuperó su argumento para animar a Latinoamérica a abrazar cuanto antes la implementación de energías renovables como un nicho de actividad económica y desarrollo tecnológico. "China no lo hace por amor al planeta, sino por su propio interés. Quieren tener la tecnología para ganar la carrera de la economía verde".

          Durante la conferencia, Figueres explicó la trascendencia de los acuerdos de la cumbre de Cancún, celebrada a finales de noviembre pasado en la ciudad caribeña, unos acuerdos que resumió como "un gran paso para las naciones, pero un pequeño paso para el planeta". Según Figueres, en aquella cumbre se sentaron "los cimientos del esfuerzo colectivo más importante de la historia en reducción de gases contaminantes". Se consiguieron objetivos concretos de todos los países industrializados y de 37 países en desarrollo.

          Sin embargo, al hablar de que era un pequeño paso para el planeta se refería a que "todo el esfuerzo comprometido por esos 80 países sólo supone el 60% de lo necesario para cumplir los compromisos [de Cancún]". Es decir, en palabras de Figueres, "hay una brecha en el mismo acuerdo". La alta responsable de las Naciones Unidas se mostró también muy cauta sobre sus esperanzas para avanzar en mayores compromisos en la próxima cumbre, que se celebrará en Durban y dijo que era "un cuento de hadas" pensar que se pudiera alcanzar un acuerdo "vinculante, justo y ambicioso".

          En la sala se encontraba Juan López de Uralde, exdirector de Greenpeace en España que actualmente promueve un partido político ecologista, quien interpretó como pesimistas las palabras de Figueres. Esta le respondió que no veía "geopolíticamente posible" un compromiso mayor. "Estamos construyendo una catedral", dijo la experta. "El problema se formó durante 100 años. Ahora estamos paso a paso, ladrillo a ladrillo". En la lucha contra el cambio climático, "estamos construyendo catedrales", recalcó.

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