Ficha Corrida

24/09/2015

Acobertamento que dispensa teoria do domínio do fato

mistério pubicoMais podres do Aécio Neves aparecem à luz. E, repetindo as últimas palavras do bardo alemão, ”luz, mais luz”… E é mais um exemplo da diferença de tratamento, dos pesos e medidas do MPF e do Poder Judiciário. É como se dissessem, ele é corrupto, mas é nosso corrupto. Então, não vem ao caso. Nada no mundo retira a fixação, a obsessão da caça ao Lula. Por mais que a todo momento sejam descobertas e reveladas as falcatruas do PSDB, os vociferantes combatentes da corrupção fazem um silêncio ensurdecedor.

A construção de aeroPÓrtos nas terras de familiares ficam assim explicadas, mas não vem ao caso, né.

Ontem na abertura do jogo do Inter com o Palmeiras, o clube apoiou a propaganda das 10 medidas do MPF de combate a corrupção. No site http://www.combateacorrupcao.mpf.mp.br/10-medidas abunda uma ausência, com qual das medidas o MPF pretende combater a corrupção nos governos do PSDB. Ou será que a 11ª primeira medida será designar Rodrigo de Grandis para assessorar Robson Marinho no TCE/SP?!

A desfaçatez do então governado Antônio Anastasia em relação ao seu tutor, Aécio Neves só existe porque, quando se trata de combater a corrupção da oposição, não vem ao caso…

Anastasia omitiu idas de Aécio ao Rio com aviões de MG

Informação enviada à Folha em 2014 não cita 70 viagens do ex-governador mineiro

AGUIRRE TALENTO RANIER BRAGONDE BRASÍLIA

A gestão de Antonio Anastasia (PSDB) no governo de Minas Gerais (2010-2014) omitiu a existência de viagens ao Rio, com uso de aeronaves oficiais do Estado, do antecessor e padrinho político, Aécio Neves (PSDB).

Conforme a Folha revelou nesta quarta (23), relatório do governo mineiro aponta que Aécio usou aviões oficiais para realizar 124 viagens de ida e volta ao Rio nos sete anos e três meses que governou o Estado, de 2003 a 2010.

Em nota divulgada na quarta, o sucessor de Anastasia, Fernando Pimentel (PT), afirma que os voos de Aécio foram regulares e segundo as normas vigentes. Pimentel disse que não emitiria juízo sobre a reportagem.

Em fevereiro de 2014, quando Aécio era pré-candidato à Presidência, a Folha pediu à gestão de Anastasia, por meio da Lei de Acesso à Informação, relatório de todas as viagens aéreas do ex-governador entre 2007 e 2010.

Em resposta, a Controladoria-Geral do Estado da gestão de Anastasia enviou planilha sem nenhuma informação sobre as viagens ao Rio –uma omissão de 70 viagens, segundo o relatório produzido agora pelo governo de Minas Gerais, comandado pelo PT.

A assessoria de Anastasia disse que a resposta enviada em 2014 listou viagens oficiais que resultaram em despesas com diárias e hospedagem para o governador ou servidores.

Segundo a assessoria de Aécio, as 124 viagens do então governador ao Rio incluíram compromissos familiares e oficiais.

"No caso específico do Rio, o senador sempre se esforçou para, ao menos uma vez ao mês, preferencialmente nos finais de semana e feriados –e não em dias de rotina administrativa– visitar sua filha adolescente à época e que reside naquela cidade", afirma.

27/07/2014

Serra escancara as pistas de como Aécio decolou na carreira

Aecioporto

EDITORIAIS

editoriais@uol.com.br

O pouso do tucano

Ainda que tenha sido feito de maneira legal na gestão de Aécio Neves, aeródromo contradiz discurso de ética e eficiência administrativa

O senador mineiro Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência da República, dedicou boa parte dos últimos dias à tentativa de justificar a construção de um aeródromo em Cláudio (MG), num terreno desapropriado pelo governo do Estado durante a gestão do tucano.

Revelado por esta Folha no último domingo, o episódio desde logo chamou a atenção. Primeiro, porque as terras pertenciam a Múcio Tolentino, tio-avô de Aécio e ex-prefeito de Cláudio. Depois, porque o uso da pista de pouso, pronta em 2010, dependia da autorização dos familiares do senador.

Com 1 km de comprimento e condições de receber aeronaves turbo-hélice de pequeno e médio porte (até 50 passageiros), o aeródromo custou R$ 13,9 milhões aos cofres públicos, sem contar a indenização pela desapropriação. O valor oferecido pelo Estado, R$ 1 milhão, é até hoje discutido na Justiça.

De acordo com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a pista ainda não teve sua operação liberada ao público. Mesmo assim, Fernando Tolentino, um dos filhos de Múcio, afirmou que ao menos um avião a utiliza por semana.

Entre os usuários estaria o próprio Aécio Neves. Seu refúgio favorito, a Fazenda da Mata, situa-se a 6 km dali. Nas inúmeras explicações que deu ao longo da semana, o tucano não confirma nem nega que tenha aterrissado em Cláudio. O candidato também se eximiu de dizer por que as chaves do local ficavam nas mãos de seus parentes.

Há mais, contudo. Nova reportagem desta Folha mostrou que, em 2001, o tio-avô de Aécio sofreu o bloqueio judicial da área onde está o aeródromo. O Ministério Público pede o ressarcimento dos gastos na construção de uma pista de pouso de terra em 1983, quando Tancredo Neves era o governador mineiro, e Múcio, prefeito de Cláudio.

Para quem não podia dispor de parte das terras, a desapropriação não chega a ser mau negócio. E a indenização, paga com recursos de Minas, poderá ser usada por Múcio para, caso seja condenado, quitar sua dívida com o governo mineiro.

Diante desses fatos, soam no mínimo inverossímeis as declarações de Aécio segundo as quais seus familiares não teriam se beneficiado pela obra. Também caem em descrédito as justificativas técnicas apresentadas pelo tucano.

Pela narrativa oficial, o aeródromo tem importância para as indústrias locais, e a pavimentação da pista de terra representava a opção mais econômica para o Estado.

Mais econômico, na verdade, teria sido não fazer obra nenhuma. A demanda por voos em Cláudio é pequena, e o aeroporto de Divinópolis fica a 50 km de distância.

Ainda que todo o processo tenha sido feito de maneira legal, como sustenta Aécio Neves, restará uma pista de pouso conveniente para o tucano e seus parentes, mas de questionável eficiência administrativa. Não é pouca contradição para um candidato que diz apostar na união da ética com a qualidade na gestão pública.

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