Ficha Corrida

26/10/2015

José Maria Marin e os assassinatos da ditadura

Por que será que os golpistas usam camiseta Padrão FIFA da CBF? Por que será que levam cartazes para pedir saúde Padrão FIFA? Por que Padrão FIFA? Aliás, só poderia ser Padrão FIFA. A corrupção é o padrão golpista. A ditadura é a essência da corrupção, razão pela qual os golpistas tanto a defendem. Por que os golpistas não combatem a corrupção na CBF, na FIFA, mas odeiam o Mais Médicos, o Bolsa Família e todo e qualquer programa social?

O tiro no pé, por Marcelo Rubens Paiva

O tiro no pé, por Marcelo Rubens Paiva

dom, 25/10/2015 – 18:36

do Estadão

O tiro no pé, por Marcelo Rubens Paiva

Em 24 de outubro de 1975, há 40 anos, o diretor de jornalismo da TV Cultura Vladimir Herzog se apresentou ao DOI-Codi, depois de convocado. Os deputados da Arena, braço civil do regime militar, Wadih Helu, malufista veterano, e José Maria Marin, este mesmo que está preso na Suíça, acusado de participar de uma rede de suborno e lavagem de dinheiro nas entidades superiores do futebol, tinham discursado incriminando o jornalista a operar uma célula do Partido Comunista na emissora financiada pelo Estado.

Agentes do DOI estavam já à caça do PCB desde 1974, quando o general Ernesto Geisel tomou posse e anunciou a abertura política lenta e gradual, que levantou a ira da linha-dura, que achava cedo, já que “a missão dada pela sociedade civil” de combater o comunismo, ideal da “Revolução” (Golpe de 1964), não se havia completado.

O comandante do II Exército, general Ednardo D’Ávila Mello, denunciava que tinham comunistas infiltrados no governo de São Paulo, chefiado pelo banqueiro interventor Paulo Egydio Martins. O Exército já tinha desbaratado as organizações de esquerda que defendiam a luta armada e atuavam desde 1967 em guerrilha rural e urbana, como ALN, MR-8 e VPR. Quem não morreu estava no exílio ou preso ou na selva do Araguaia, como os guerrilheiros do PCdoB.

Faltava o velho inimigo dos militares, o PCB, que, em 1935, promoveu o Levante Comunista, a Intentona, chegou a ficar dias no poder em Natal, em que foi instaurado um governo revolucionário provisório. A luta foi sangrenta no Recife e, especialmente, no Rio de Janeiro. Derrotado, o movimento foi destroçado. O partido voltou à legalidade em 1945. Elegeu um senador, Luiz Carlos Prestes, e 17 deputados constituintes, como Jorge Amado e Carlos Marighella. Com duzentos mil filiados, teve seu registro cassado novamente em 1947.

Na “ilegalidade”, liderou o movimento sindical, apoiou o Governo Jango, mas não aderiu à tese da luta armada. Rachou a esquerda. Comunistas históricos e uma juventude inspirada pela Revolução Cubana montaram organizações de esquerda armada. O PC ficou fazendo seu trabalho pragmático de panfletagem, pichações, rodando o jornal Voz Operária, sem causar sérios danos ao regime.

Mesmo assim, os aparelhos de repressão, ociosos depois de anos de “combate ao terror”, como diziam, com uma máquina de moer carne à espera de qualquer inimigo, elegeu o PCB a vítima e fez um rapa. A impressão que se tinha era de que os militares pensaram numa “solução final”: eliminar opositores antes de devolver o poder aos civis.

Só da minha escola, Colégio Santa Cruz, em que, aliás, estudavam os filhos do governador e do prefeito, Olavo Setúbal, dois professores foram presos diante dos estudantes, que acompanharam perplexos seus mestres de literatura e história algemados caminharem escoltados de cabeça baixa pelos gramados da escola, até viaturas de chapa fria. Eram do PC.

A perseguição não fazia sentido. Mesmo em países da OTAN, no auge da guerra fria, partidos comunistas participavam da vida democrática, como França e Itália. Até nos Estados Unidos, que os combatiam, o PCUSA (Partido Comunista dos Estados Unidos) tinha sede em Nova York e registro desde 1919. Edita até hoje a (boa) revista Political Affairs e o jornal Peoples’s World, agora diário na web. Apoiou Obama nas eleições, como toda a esquerda americana (sim, ela existe e é grande). O capitalismo inteligente preferia ver seus adversários na legalidade.

Herzog ficou preso com Rodolfo Konder, que, de 1993 a 96, virou (um bom) secretário Municipal da Cultura de Paulo Maluf, levou um monte de comunista para trabalhar com ele, continuou com Celso Pitta até 2000 e morreu em 2014. Konder ficou pendurado tanto tempo no pau de arara que contava, com uma dolorida ironia, que se acostumara a ver as horas de cabeça pra baixo, já que tinha um relógio de parede na sala de tortura do DOI.

Konder viu Herzog e ouviu seus gritos. E ouviu o silêncio posterior. No dia seguinte, o SNI recebeu a mensagem: “O jornalista Vladimir Herzog suicidou-se no DOI-Codi II Exército”. Fotos foram distribuídas mostrando a cadeira em pé da qual ele teria se jogado. Pelo laudo do IML, instituto acostumado a forjar laudos para abafar casos de tortura, Herzog se enforcou com a cinta do macacão de preso, que amarrou na grade da janela a 1m63 de altura.

Quem passou pelo DOI logo notou a farsa: o macacão dos prisioneiros não tinha cinto, e tudo que se parecesse com uma corda era retirado, como cadarços. O rabino Henry Sobel, junto com especialistas na preparação do corpo para funerais judaicos, viu as marcas da tortura.

No dia 31, uma massa de pessoas marchou silenciosamente para a Praça da Sé. Na Catedral, um ato inter-religioso, liderado por Dom Paulo Evaristo Arns, rezou a missa com Sobel e o pastor James Wright. Não cabia mais ninguém na abafada catedral. O secretário de Segurança Pública, coronel Erasmo Dias, bloqueou a cidade com barreiras, travando o trânsito.

Na praça, Tropa de Choque cercava a igreja com cavalos e cachorros. Pedíamos educadamente licença e entrávamos. Dez mil pessoas se acotovelaram dentro. “Ratos”, como chamávamos os agentes do DOPS, nos fotografavam e filmavam. Parte dos manifestantes ficou pelas escadarias, encarando a polícia sem provocar. Ninguém estava com medo. O regime se esgotara. A nossa paciência, também. Foi primeira grande manifestação da sociedade civil unida contra a ditadura, que começava a ruir lenta e gradualmente.

O PCB assim com seu racha, o PCdoB, estão na legalidade já há décadas. O PCdoB até participa do governo federal. Já o PPS, oriundo do PCB, é oposição ao governo. Como o PSB, Partido Socialista Brasileiro. O PSTU, PSOL e o PCO seguem uma cartilha de esquerda independente. E o mundo continua a girar.

A morte de Herzog teve um propósito: nos uniu. Suicidaram a ditadura naquele dia. A intolerância ideológica persiste em poucos bolsões. Mas sob regras de um debate democrático que o Estado (e as Forças Armadas) garante.

O tiro no pé, por Marcelo Rubens Paiva | GGN

19/10/2015

Métodos da ditadura, por quem conheceu no ventre

rbsz zelotesImportante depoimento do Jorge Loeffler sobre os métodos usados pelos agentes da ditadura. As pessoas mais jovens, que se alimentam só da mídia golpista, os midiotas, acabam entrando de gaiato nas histórias dos golpistas. Os assoCIAdos estiveram, estão e sempre estarão ao lado de qualquer golpista. Como reza a fábula da rã e do escorpião, é da natureza da nossa direita e dos seus finanCIAdores ideológicos a aversão ao Estado Democrático de Direito. Como se vê pela contínua perseguição aos movimentos sociais, partidos de esquerda e qualquer um que queira melhorar um pouco que seja na nossa iníqua condição social, os grupos mafiomidiáticos, dominados por cinco famílias, as cinco irmãs (Civita, Frias, Mesquita, Marinho & Sirotsky), qualquer sinal de que possa haver um golpe paraguaio, lá estão elas aplicando a Lei Rubens Ricúpero: divulgar o que convém ao golpe, esconder o que pode inviabilizar o rumo dos golpistas.

Os pesos e medidas da mídia é o verdadeiro ovo da serpente. Graças a parcialidade dos golpista, pessoas inescrupulosas e desinformadas usam a democracia para pedir a volta da ditadura. Sem saberem, isso é crime que só anti-democráticos toleram. É desta natureza anti-povo que nasce o silêncio da mídia, por exemplo, em relação aos sigilos decretados pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, na vã tentativa de esconder as falcatruas na SABESP, mas também em relação aos crimes praticados no âmbito das corporações policiais. Imagine-se o que aconteceria se a Dilma também decretasse que as informações relativas à Petrobrás fossem mantidas em sigilo por 25 anos?! Mesmo sem nem mesmo sequer indício de qualquer deslize, a mídia e seus correligionários da direita querem destituí-la, para colocar gente como Eduardo CUnha, Aécio Neves, Paulinho da Força Sindical, Agripino Maia, Demóstenes Torres, Gilmar Mendes, Beto Richa, Fernando Francischini & Carlos Sampaio. Os golpistas sempre existiram e continuarão existindo enquanto houver uma imprensa militante em favor do atraso institucional. Hoje, os maiores crimes, a corrupção mais desenfreada acontece com o apoio de grupos empresariais midiáticos. Se na democracia a Operação Zelotes só anda com muito esforço de poucos abnegados, sem qualquer repercussão na mídia, numa ditadura seria não só impensável como os que a conduzem seriam presos, torturados, estuprados, mortos e esquartejados. É disso que se fala quando se mistura as cinco irmãs e ditadores. Pra eles, ditabranda; pra nós, assassinato!

40 anos da morte de Vlado: um depoimento de Clarice Herzog

Por jloeffler – No dia 19/10/2015 

Só mesmo pessoas destituídas de um mínimo de bom senso para estarem tentando incendiar o país e tudo pela ânsia de retorno ao Poder. Esses cretinos ou idiotas estão mexendo com fogo e não se dão conta disto. Digo tal por que infelizmente de agosto a dezembro de 1966 fui lotado no DOPS e ali vi algo que não gostaria e que por longos anos foi jogado nas minhas costas um covarde assassinato de um sargento do Exército que fora preso aqui no Estado. Estava no plantão ao final de uma tarde quando o sargento foi posto em liberdade, mas ao chegar à rua foi colocado num Gordini verde e duas semanas depois seu corpo em adiantado estado de composição foi encontrado no Guaíba. Ele foi assassinado por bandidos da ditadura. Esses agentes, a maioria dos quais da brigada militar eram bandidos da pior espécie, pois matar em defesa própria é algo que admito, mas assassinar a quem nem mesmo se conhece por que é o desejo de uma ditadura. Isto tem um nome: covardia associada a banditismo da pior espécie.
O Editor

_______________________________________________

Publicado em Sexta, 16 Outubro 2015 18:42
Escrito por Eugênio Araújo (*)

Entrevista exclusiva a Paulo Markun, no ‘SP, Brasil’ vai ao ar na próxima segunda-feira, às 19h (canal 7 da NET e 61.4 da TV Digital Aberta). Conversa resgata aspectos importantes dos “Anos de Chumbo”

Quis o destino que justamente na semana em que as forças democráticas preparam homenagens ao jornalista Vladimir Herzog, corresse nas redações a morte do coronel Brilhante Ustra, chefe da repressão na ditadura militar.

As chagas deixadas por essa ditadura e detalhes dos momentos finais da vida de Vlado irão ao ar na próxima segunda-feira, às 19h, na voz da viúva do jornalista, Clarice Herzog.

Cabe acentuar a causa mortis de (Carlos Alberto) Ustra, o coronel torturador: falência múltipla de órgãos decorrentes de uma pneumonia, na quinta-feira, 15. Ele comandou o Departamento de Informações do 2º Exército, o temido DOI-Codi, em cujas dependências – segundo o livro Brasil: Nunca Mais – centenas de pessoas foram torturadas. Mais: sob o comando direto de Ustra, ao menos 45 brasileiros foram torturados e assassinados. São 45 histórias brutalmente interrompidas num momento em que o Estado Brasileiro calou boa parte da sociedade civil.

CLARICE HERZOG

clarice-herozogClarice Herzog conversou com Paulo Markun (Imagem: Reprodução/TV Câmara SP)

Pois a farsa que o DOI-Codi tentou imputar ao grande jornalista, então diretor da TV Cultura e que compareceu para prestar depoimentos nas instalações do 2º Exército, há exatas quatro décadas, foi a repugnante versão de suicídio. A Comissão da Verdade desmontou a falsidade de um laudo técnico elaborado na calada da noite. Somaram-se à verdadeira perícia depoimentos de jornalistas presos com Vlado. Ele foi morto numa terrível sessão de tortura e maus tratos.

Meu grande amigo jornalista e presidente do sindicato da categoria em São Paulo nos “Anos de Chumbo”, Audálio Dantas, contou detalhes dessa história macabra no livro As duas guerras de Vlado. Por sinal, Audálio revelou, com rara sensibilidade, como o menino Herzog e sua família sobreviveram à perseguição nazista na Europa. Com cenas dignas de “A vida é bela”, o garoto driblou botas e rifles, desembarcou com os pais na cidade de Santos (SP), construiu uma vida saudável aqui no Brasil e acabou morto nas mãos de torturadores a serviço da Ditadura Militar.

“Se as forças armadas reconhecessem o que realmente foi feito, teríamos mais credibilidade neste país”, desabafa Clarice Herzog, no emocionante relato feito ao jornalista Paulo Markun. Em sua entrevista, a mulher forte, corajosa e decidida conta que a família insistirá na Justiça para que o Exército reconheça a farsa montada.

Confira, abaixo, trecho da entrevista de Clarice Herzog ao ‘SP, Brasil’:

(*) Formado em Comunicação Social pela Cásper Líbero, com MBA pelo Curso Master, ligado à Universidade Navarra (Espanha), Prêmio Esso de Jornalismo e subdiretor de comunicação externa da Câmara Municipal de São Paulo.

Copiado de: http://portal.comunique-se.com.br/

Praia de Xangri-Lá | Saiba tudo o que REALMENTE acontece em Xangri-Lá

30/05/2015

Ódio a José Dirceu é o véu de proteção à Marin

São antípodas. Um, tem a bênção da fina flor do fascio paulista, o outro, o ódio. Por coincidências do destino, para tirar a Copa da Rússia, a mesma polícia política dos EUA que perseguia Dirceu e apoiava Marin na ditadura, faz agora justiça por linhas tortas. E, como disse o melhor amigo do Eurico Miranda, Romário, pena que não tenha sido preso pela nossa polícia, mas pela polícia Suíça.

No Brasil todo corrupto igual à Marin tem mais chances de ser presidente do Tribunal de Contas de São Paulo, mesmo que condenado na Suíça, a exemplo de Robson Marinho, do que ser preso. Isto porque nosso Ministério Público é um Mistério Púbico, de modo que há mais chance de os corruptos receberem medalhas do que serem investigados. Quando José Maria Marin recebe medalha do Ministério Público ou Joaquim Barbosa recebe medalha do Aécio Neves entendemos porque nossos procuradores se  chamam Rodrigo de Grandis, ministro se chama Joaquim Barbosa mas nunca  Loretta Lynch.

Quando um assassino se torna inatacável é natural que grupos de mídia tratem ditadura de ditabranda, emprestem peruas aos ditadores e inventem fichas falsas. Os nossos bandidos são cultivadas nas altas rodas da fina flor do fascio. Só no Brasil os grupos mafiomidiáticos criam um Instituto para estimular a sonegação e a Receita vira mera espectadora.

Marin: aqui se faz, aqui se paga

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:
José Maria Marin (83) nasceu e cresceu no bairro paulistano de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. Na juventude, foi jogador profissional de futebol e chegou a jogar no São Paulo Futebol Clube, como ponta-direita. Porém, foi um jogador medíocre.
Marin atuou em pequenos clubes paulistas como o São Bento de Marília e o Jabaquara. No São Paulo, sua carreira foi curta; disputou apenas dois jogos oficiais e marcou um gol. Vendo que não tinha futuro no esporte, estudou direito e, em 1963, entrou na política.
Naquele ano, elegeu-se vereador por um partido de extrema direita, fundado pelo integralista Plínio Salgado, político, escritor, jornalista e teólogo que fundou e liderou a Ação Integralista Brasileira (AIB), partido de extrema-direita inspirado nos princípios do movimento fascista italiano.
Quando se instalou a ditadura, tratou de se filiar ao partido oficial, a Arena. Seu ódio à esquerda o tornou um dos mais virulentos políticos do período autoritário. A ele é atribuída a execução do então diretor de telejornalismo da TV Cultura, Wladimir Herzog, nas masmorras do DOI-CODI, em São Paulo – Marin acusava a emissora de ser reduto de comunistas.
Em 1978, tornou-se vice-governador biônico de São Paulo na chapa de Paulo Maluf – à época, a ditadura podia indicar presidentes, governadores e prefeitos de capitais em “colégios eleitorais” instalados no Legislativo, onde a ditadura sempre tinha maioria porque podia indicar parlamentares sem precisar de voto popular.
Entre 1982 e 1983, estava terminando o “mandato” de Maluf como governador e ele se afastou do cargo para disputar mandato de deputado federal. Marin, seu vice, governou São Paulo no lugar dele durante dez meses.
À época, o breve governo de Marin chegou a ser acusado de ser ainda mais truculento do que o de Maluf – a Polícia Militar, então, agia com uma violência que faz a de hoje parecer um grupo de balé.
Terminada a ditadura, Marin mostrar-se-ia tão medíocre como político quanto fora como jogador de futebol. Pelo voto direto, não conseguiu nada. Tentou ser senador por São Paulo e prefeito da capital paulista, mas sempre teve votações pífias.
Marin foi se estabilizar como “cartola” do futebol, onde os conchavos sempre dispensaram competência e apoio popular. Começou presidindo a Federação Paulista de Futebol e após a queda de Ricardo Teixeira acabou comandando a CBF.
Um dos episódios mais escandalosos envolvendo o ex-governador paulista, porém, aconteceu não faz tanto tempo. Em 2012, durante a premiação após o jogo final da Copa São Paulo de Futebol Junior, Marin roubou medalha que caberia ao jogador corintiano Mateus.
Após a trajetória de vida que acabamos de ver, Marin foi preso por agentes da Kantonspolizei (a polícia suíça) em Zurique, junto com outros dirigentes da FIFA suspeitos de corrupção. Agora será extraditado para os EUA, onde responderá por seus crimes no futebol.
Ver alguém como ele sendo preso, após uma história tão pouco edificante, chega a parecer a realização de um sonho. No fim da ditadura militar, Marin, Maluf e Reynaldo de Barros foram a face desfigurada do regime agonizante.
Porém, a felicidade de ver um corrupto e fascista como esse ir parar atrás das grades só não é uma felicidade completa por uma razão que quem bem explicou foi o ex-jogador e senador pelo Rio de Janeiro, Romário de Souza Faria.
Confira, abaixo, a manifestação do ex-craque sobre a prisão de Marin, no Facebook.

Apesar de estar começando a pagar por uma vida tão questionável, Marin tratou de fazer mal de novo ao Brasil – espera-se que pela última vez. Como diz Romário, é uma vergonha para este país que alguém como Marin nunca tenha sido punido por aqui, apesar de tantas denúncias que pesam contra si.
Mas há lugar para esperança de que esse tenha sido o último dano que José Maria Marin causou ao Brasil.

Altamiro Borges: Marin: aqui se faz, aqui se paga

28/05/2013

Como funcionava a verdade durante a ditadura

Filed under: Ditabranda,Ditadura,Folha de São Paulo,Vladimir Herzog — Gilmar Crestani @ 9:29 am
Tags:

E assim ficamos sabendo que os homens honrados que prendiam sem ordem de prisão, torturavam só para terem um orgasmo, matavam para dar prazer a outro homem, também enforcavam mortos para garantir que o morto não falaria nada sobre os agentes que “faziam meia” na sala ao lado. E por tudo isso a Folha achou por bem chamar de ditabranda! Dita branda era o caralho!

Fotógrafo volta ao local onde fez a foto de Vladimir Herzog morto

Silvaldo Vieira diz ter sido usado para forjar a cena de suicídio

PATRÍCIA BRITTODE SÃO PAULO

O fotógrafo Silvaldo Leung Vieira, 59, voltou ontem ao local onde fez, há quase 38 anos, uma das fotografias mais conhecidas da ditadura militar: a do jornalista Vladimir Herzog morto no antigo DOI-Codi de São Paulo –órgão de repressão do regime e onde hoje funciona uma delegacia.

Vieira tinha 22 anos quando, no dia 25 de outubro de 1975, foi chamado para a missão de fotografar Herzog.

Ao chegar ao local, conta, encontrou o jornalista pendurado por um cinto no pescoço, preso a uma janela e com os pés no chão. Diz que achou a cena estranha, mas que era sua obrigação retratar.

"O que me chamou mais atenção foram os pés no chão. Eu achei estranho aquilo porque é difícil cometer suicídio assim", disse.

Segundo testemunhas, Herzog foi torturado no local até a morte. Mas a versão apresentada pelo Exército foi que ele havia se suicidado.

Em entrevista à Folha em 2012, Vieira disse ter sido usado pelo regime militar para forjar a cena de suicídio.

Ontem, o fotógrafo reconheceu o local, mas não conseguiu identificar a sala onde registrou a morte de Herzog.

Na época, Vieira estava na segunda semana de um curso de fotografia da Polícia Civil e, junto com os demais alunos, foi colocado à disposição do Dops (Departamento de Ordem e Política Social).

"Eu achava que ia ser uma foto de treinamento, e de repente foi uma coisa ultra sigilosa", disse durante a visita.

O fotógrafo afirma que não sabia quem era Herzog e, no dia seguinte, quando ouviu comentários sobre o caso, acreditou que "havia participado de uma farsa".

Em março, após pedido da Comissão Nacional da Verdade, a família de Herzog recebeu um novo atestado de óbito, onde a causa da morte foi substituída de "asfixia mecânica" para "lesões e maus tratos durante o interrogatório".

Vieira dará hoje depoimento à Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo, que pretende esclarecer as circunstâncias da morte de Herzog.

27/05/2013

Herzog, um capolavoro da Ditadura

Filed under: Assassinato,Ditadura,Vladimir Herzog — Gilmar Crestani @ 8:00 am
Tags:

herzog

Fotógrafo do caso Herzog reconstituirá cena do crime

Ele diz ter sido usado para forjar suicídio

DE SÃO PAULO

O fotógrafo Silvaldo Leung Vieira, ex-funcionário da Polícia Civil de São Paulo e autor da fotografia do jornalista Vladimir Herzog morto em 1975, visitará hoje, às 11h, o local onde funcionou o extinto DOI-Codi –um dos principais órgãos da repressão na ditadura militar (1964-1985).

Vieira fará a visita a convite da Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo, que pretende reconstituir a cena do crime e esclarecer as circunstâncias da morte de Herzog.

Vlado, como era conhecido, compareceu espontaneamente ao DOI-Codi após ter sido procurado por agentes da repressão em sua casa e na TV Cultura, onde trabalhava como diretor de jornalismo. Ele foi torturado até a morte.

Na época, a versão oficial apresentada pelo Exército foi a de que ele havia se suicidado. Ficou famosa a fotografia de autoria de Vieira divulgada pelos militares, com a cena forjada de suicídio.

Na imagem, Vlado aparece pendurado por um cordão no pescoço, mas com os pés tocando o chão.

Em entrevista à Folha em 2012, o fotógrafo disse ter sido usado pelo regime militar para forjar a cena de suicídio.

Em março deste ano, após pedido da Comissão Nacional da Verdade, a família do jornalista recebeu um novo atestado de óbito, corrigindo a causa da morte.

Na certidão, passou a constar que Vlado morreu em decorrência de "lesões e maus tratos sofridos durante o interrogatório em dependência do 2º Exército (DOI-Codi)", em substituição a "asfixia mecânica por enforcamento".

Amanhã, a Comissão da Verdade da Câmara Municipal ouvirá depoimento de Silvaldo sobre o caso.

10/04/2013

José Maria Marin foi parido pela Folha e adotado pela Globo

Filed under: CBF,Grupos Mafiomidiáticos,José Maria Marin,Vladimir Herzog — Gilmar Crestani @ 8:21 am
Tags:

Quem foi que emprestou carros para os agentes da ditadura transportarem clandestinamente em rumo às salas de tortura e morte? A Folha. Quem foi que chamou a ditadura de ditabranda, a Folha. Quem deu apoio para que o parceiro Ricardo Teixeira fosse substituído pelo inefável José Maria Marin? A Globo. A seguir, a defesa do energúmeno e depois a manifestação do filho de Herzog, morto sob os auspícios do ditos brandos.

Antes, o vídeo com José Maria Marin roubando uma medalha:

JOSÉ MARIA MARIN

TENDÊNCIAS/DEBATES

O ASSUNTO É: VLADIMIR HERZOG

Campanha sórdida

É calúnia e difamação dizerem que fui responsável pela morte de Herzog. Princípios republicanos sempre me guiaram

"Nobre deputado Wadih Helu, realmente o assunto levantado por V. Exa. nessa tribuna deve merecer uma atenção toda especial não só desta Casa, mas, principalmente, por parte do sr. secretário de Estado da Cultura e por parte do sr. governador do Estado." ("Diário Oficial do Estado de São Paulo", em 9/10/1975, p. 62.)

É uma calúnia e difamação declararem que fui responsável pela tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog. E explico por quê. Em outubro de 1975 -38 anos atrás-, como deputado estadual, solicitei o aparte acima ao discurso que fazia o então deputado Wadih Helu para chamar a atenção de nossos governantes sobre o jornalismo parcial que, no meu entendimento, ocorria na TV Cultura.

Pedi providências do então secretário da Cultura, José Mindlin, e do próprio governador, Paulo Egydio, para esclarecer o sucateamento que ocorria em uma das poucas emissoras em que, à época, havia programas voltados à boa informação educacional e cultural para o povo paulista. Nada mais. Nesse aparte não pronunciei o nome de ninguém e me limitei apenas ao que a mídia comentava.

Os lamentáveis fatos que aconteceram depois nada têm a ver comigo, como insistem alguns. Só mentes doentias e perversas, ou cegas pela paixão, podem ver nessa simples recomendação qualquer acusação nesse ou naquele sentido.

Ou, pior, sustentar que dessa manifestação parlamentar possa ter nascido qualquer outra consequência, a não ser a simples apuração do motivo por que a TV Cultura havia interrompido a divulgação das obras e realizações feitas pelos governos estadual e municipal. Esse era o único objeto do discurso de Helu.

Nos anos que se sucederam, desempenhei cargos de significativa importância, como vice-governador de São Paulo, presidente da Federação Paulista de Futebol e governador de São Paulo no biênio de 1982-83. Tinha, portanto, visibilidade e, apesar disso, não sofri nenhuma crítica ou menção de que eu havia sido "responsável" pela morte de Herzog.

Um discurso genérico, feito numa Assembleia Legislativa, jamais poderia ter gerado coisa alguma, quanto menos uma prisão 20 dias depois. Mais: é sabido por todos que atuavam naqueles tempos que os deputados não tinham o menor poder sobre os órgãos de Estado.

Na época do regime militar, eu era, sim, deputado de um partido governista, tanto quanto muitos outros políticos que hoje apoiam o governo federal. Nem por isso esse ou aquele pode sofrer injustas ou agressivas acusações pelo histórico de vida pública que possuem. Ninguém deve negar a própria biografia. E a minha vida pública sempre foi -em todos os momentos- pautada pelos princípios republicanos que até hoje me guiam.

Quem faz de conta ignorar a história do Brasil não pode impunemente me caluniar ou difamar. Tenho orgulho de ter governado o maior Estado da Federação e, dentre tantas atitudes ali adotadas, ter extinguido o Dops de São Paulo e transmitido o cargo ao governador Franco Montoro, meu sucessor, de forma absolutamente democrática. Aprendi que liberdade e justiça devem andar lado a lado.

A minha atenção hoje está totalmente voltada ao futebol brasileiro. O meu maior desejo é cumprir com as minhas responsabilidades à frente da CBF. E, principalmente, conquistar a Copa das Confederações e o tão sonhado hexacampeonato na Copa do Mundo de 2014. Não estou medindo esforços.

Cheguei aos 80 anos com a certeza de que cumpri e continuo cumprindo decentemente todas as missões que me foram confiadas, sem nenhum arrependimento. Não permitirei que mentiras repetidas à exaustão pareçam verdades aos olhos de alguns. Hoje penso, respiro e vivo o futebol brasileiro 24 horas por dia. Assim é a minha vida e a minha história.

JOSÉ MARIA MARIN, 80, ex-governador de São Paulo (1982-83), é presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e do COL (Comitê Organizador Local da Copa)

 

IVO HERZOG

TENDÊNCIAS/DEBATES

O ASSUNTO É: VLADIMIR HERZOG

A Copa do Mundo é nossa, não dele

É intolerável que o anfitrião do principal evento esportivo de nossa história seja alguém que incitou a violência contra opositores da ditadura

Abro aspas: "Queremos prestar nossos melhores cumprimentos a um homem que, de há muito, vem prestando relevantes serviços à coletividade, embora nem sempre tenha sido feita justiça ao trabalho (…) Queremos trazer nossos cumprimentos e dizer do nosso orgulho em contar na polícia de São Paulo com o delegado Sérgio Paranhos Fleury".

Essa é apenas uma pequena parte do discurso proferido por José Maria Marin no dia 7 de outubro de 1976, quase um ano após a morte do meu pai. Poucos dias antes de seu assassinato, Marin havia subido à tribuna para pedir providências do Estado contra a TV Cultura, "a fim de que a tranquilidade volte a reinar não só nessa casa, mas principalmente nos lares paulistanos".

José Maria Marin não apenas incitou ações de violência contra os jornalistas que se opunham à ditadura brasileira (1964-1985), como também pediu o reconhecimento ao, para ele, exemplar trabalho executado pelos torturadores, sequestradores e assassinos daquele período.

Sérgio Fleury foi o principal agente do governo de comando das ações "secretas" do DOI-Codi em São Paulo. Centenas de pessoas foram presas e torturadas. Dezenas assassinadas. De algumas, até hoje, os familiares não têm informação sobre o paradeiro dos corpos.

O Brasil receberá o mundo para o maior evento esportivo de nossa história. O anfitrião dessa festa, nosso principal representante, será José Maria Marin. Ou não! Acredito que, à medida que revelarmos o caráter dessa pessoa, aqueles que estão à frente do nosso futebol e outros setores da sociedade pedirão sua saída.

É aceitável uma entidade privada ter na sua liderança uma pessoa de princípios que, suas próprias palavras o confessam, seguem na direção oposta à democracia e à defesa dos direitos humanos? Eu acho que não.

Há inúmeros casos de empresas que substituíram seus presidentes ao descobrirem fatos passados que conflitavam com os valores institucionais. A Fundação Livestrong, criada pelo ciclista Lance Armstrong, o removeu da presidência com a revelação do uso de doping.

Quais os valores dos representantes do nosso futebol?

A CBF, as 27 federações estaduais de futebol e os 20 clubes da série A têm agora conhecimento do passado de Marin. Cópias de seus discursos e da petição com mais de 53 mil assinaturas pedindo sua saída foram entregues a essas entidades.

Nosso país se orgulha da alegria e receptividade de seu povo. Um povo que sofreu as maiores demonstrações de intolerância da história da humanidade: o quase extermínio dos povos indígenas. Séculos de escravidão. E décadas de autoritarismo de um Estado não democrático.

Hoje, conquistamos a democracia com a contribuição de movimentos sociais e com inúmeras concessões (ainda difíceis de digerir), como a Lei da Anistia. Mas, dentre aqueles que violaram direitos humanos e executaram ações de tortura e assassinato, há não só os que não puderam ser trazidos à Justiça, como muitos que nem sequer têm seus nomes conhecidos.

Pensar em recompensar um desses personagens com a glória de ser o responsável por receber o mundo em nome do povo brasileiro na ocasião da Copa do Mundo é inaceitável. Intolerável. A Copa do Mundo é nossa. Não do Marin.

IVO HERZOG, 46, engenheiro naval, é filho do jornalista Vladimir Herzog

23/01/2013

Ué, OEA, mas nós não tivemos ditabranda?!

Brasil será investigado por caso Herzog

Comissão da OEA decidiu apurar denúncia sobre responsabilidade e omissão do país na morte do jornalista

Para governo brasileiro, interpretação atual da Lei da Anistia não permite a abertura de processo judicial

DE SÃO PAULO

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) vai investigar a responsabilidade do Brasil por não esclarecer as circunstâncias da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, durante a ditadura.

O caso foi admitido pelo órgão internacional em novembro passado e divulgado ontem por entidades ligadas aos direitos humanos, que fizeram a denúncia em 2009.

De acordo com a denúncia, o Brasil não cumpriu seu dever de investigar, processar e punir os responsáveis pela morte do jornalista.

A expectativa é que em até um ano a comissão da OEA conclua o processo e divulgue um relatório com recomendações ao governo brasileiro. Entre elas, poderá estar a abertura de um inquérito criminal para esclarecer as circunstâncias do caso.

Se o país não cumprir as recomendações, o caso deverá ser levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos, instância superior que poderá condenar o Brasil, como o fez em 2010 por causa dos mortos e desaparecidos na guerrilha do Araguaia.

ANISTIA

Quando foi notificado sobre a denúncia, no ano passado, o governo brasileiro argumentou que não poderia abrir um inquérito para investigar o caso porque o crime está anistiado.

A jurisprudência da OEA, contudo, afirma que a Lei da Anistia não pode ser usada para impedir investigação e punição dos responsáveis por grandes violações dos direitos humanos, como torturas e desaparecimentos forçados.

Vlado, como era conhecido, morreu após ser torturado no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operação de Defesa Interna), em São Paulo.

Na época, a versão do Exército para sua morte foi a de suicídio, mas no ano passado a Justiça determinou a correção de seu atestado de óbito, para constar que a morte ocorreu em decorrência de "lesões e maus tratos".

"A gente quer saber quem são os responsáveis pelo que aconteceu ao meu pai", afirma Ivo Herzog, filho do jornalista.

(PATRÍCIA BRITTO)

26/09/2012

E, apesar disso, a Folha ainda chama de ditatranda…

Filed under: Ditabranda,Folha de São Paulo,Vladimir Herzog — Gilmar Crestani @ 9:10 am

EDITORIAIS

editoriais@uol.com.br

Em memória de Herzog

No dia 31 de outubro de 1975, a catedral da Sé, no centro de São Paulo, recebeu uma pequena multidão para um culto ecumênico em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog. A reportagem da Folha calculou, na ocasião, que cerca de 8.000 pessoas estavam na igreja e mil, do lado de fora.

O ato religioso representou uma manifestação pública pioneira contra a ditadura militar. O regime sobreviveria ainda por uma década, mas em franca decadência.

O jornalista trabalhava na TV Cultura e era ligado ao Partido Comunista Brasileiro. Na sexta-feira, dia 24, fora levado por agentes às dependências do DOI-Codi, órgão subordinado ao estamento militar.

No domingo, dia 26, o 2º Exército emitiu nota na qual afirmava que Herzog se suicidara. Era notório que ele havia sido torturado.

A impostura, inscrita na certidão de óbito, foi mantida por 37 anos. Agora, por iniciativa da viúva Clarice Herzog e da Comissão da Verdade, a Justiça restabeleceu os fatos. Passará a constar do documento que a morte decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do 2º Exército.

A correção, determinada pelo juiz Márcio Bonilha Filho, da Segunda Vara de Registros Públicos de São Paulo, tem valor simbólico e histórico -e abre a perspectiva de outras reparações análogas.

Foi o primeiro resultado prático das atividades da Comissão da Verdade. Formada por sete membros, ela foi instaurada pela presidente Dilma Rousseff, em maio, para investigar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988.

O título da comissão, para ser rigoroso, contém uma hipérbole enganosa. Primeiro, porque a verdade histórica é esquiva e sujeita a controvérsia. Depois, porque a comissão, num passo criticável, afastou de sua alçada violações cometidas por organizações de esquerda.

Lembre-se que a lei 12.528, que criou o colegiado, dá margem a essa extensão das investigações pelo colegiado, descartada por iniciativa exclusiva de seus integrantes.

Sem dúvida que o objeto principal da comissão são os atos praticados por agentes públicos. Não há comparação possível entre a perseguição, a tortura e o assassínio organizados sistematicamente pelo Estado, de um lado, e ações de grupos armados de esquerda, de outro, mesmo nos casos em que levaram inocentes à morte -tampouco há motivo razoável para afastá-las do exame frio para registro da história.

À luz do espírito conciliatório da Anistia, os atos da comissão não podem legalmente se revestir de caráter jurisdicional, para condenar ou para absolver. Como no caso de Herzog, é preciso esclarecer os fatos e reconstituir a memória -o que deveria valer para todos.

30/03/2012

OEA notifica Brasil sobre morte de Vladimir Herzog na ditadura

Filed under: Ditadura,Golpe Militar,OEA,Vladimir Herzog — Gilmar Crestani @ 7:55 am

Se numa Ditabranda fazem isso, imagine numa ditadura… O Globo, com seu editorial saudando a vinda da ditadura, ajudou a colocar a corda no pescoço do Vladimir Herzog, depois de morto…

OEA notifica Brasil sobre morte de Vladimir Herzog na ditadura

Estado brasileiro deverá explicar por que não investigou e puniu torturadores

Thiago Herdy

Roberto Maltchik

Publicado:29/03/12 – 14h08

Atualizado:29/03/12 – 19h47


O jornalista Vladimir Herzog foi morto nas dependências do DOI-Codi em São Paulo, em 1975
Foto: Reprodução

O jornalista Vladimir Herzog foi morto nas dependências do DOI-Codi em São Paulo, em 1975Reprodução

SÃO PAULO e BRASÍLIA – A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) abriu oficialmente investigação sobre por que o Brasil não investigou e puniu os responsáveis pelo assassinato sob tortura do jornalista Vladimir Herzog, em 1975. O governo brasileiro recebeu na última terça-feira notificação da denúncia apresentada em junho de 2009 ao órgão internacional por quatro entidades brasileiras – o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL), a Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos (FIDDH), o Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e o Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo.

Veja também

As entidades acusam o governo brasileiro de não cumprir o "seu dever de investigar, processar, e sancionar os responsáveis pelo assassinato de Vladimir Herzog". Na denúncia, as entidades afirmam que o jornalista foi executado após ter sido arbitrariamente detido por agentes do DOI/CODI de São Paulo e lembram que a morte foi apresentada à família e à sociedade como um suicídio. O governo brasileiro terá dois meses para apresentar a sua defesa. Se a comissão considerar as explicações insuficientes, ela poderá enviar o processo para a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Em novembro, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil pelo desaparecimento de 62 militantes de esquerda na Guerrilha do Araguaia, entre 1972 e 1974, durante a ditadura militar. Para a Corte, as disposições da anistia não podem impedir a investigação e punição de responsáveis por "graves violações de direitos humanos, como a tortura, as execuções sumárias, extrajudiciárias ou arbitrárias".

A Advocacia Geral da União (AGU) informou que a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República recebeu nesta quinta-feira o comunicado da Comissão Interamericana de Direitos Humanos sobre o pedido de investigação da morte de Vladmir Herzog. A petição intitulada "Vladmir Herzog e outros", de número P-859-09, chegou à representação brasileira na Organização dos Estados Americanos, em Washnigton, na última terça-feira (27).

De acordo com a AGU, a petição já está sob análise do Departamento Internacional do braço jurídico do Executivo. "A referida petição encontra-se na fase de inicial de trâmite junto à Comissão Interamericana, em que são analisados os requisitos formais de admissibilidade do caso, de acordo com o Regulamento da Comissão. SDH, AGU e MRE trabalharão em conjunto para formular a resposta do Estado brasileiro”, informa a AGU.

A Secretaria de Direitos Humanos não se pronunciou sobre a notificação da OEA. A Presidência da República também não comentou o assunto.

As entidades divulgaram nesta quinta-feira informe conjunto em que dizem considerar que a notificação ao Estado brasileiro ocorre em "momento fundamental", quando "os órgãos competentes são chamados tomar decisões que podem assegurar a manutenção do Estado Democrático de Direito e a garantia da consolidação da democracia no Brasil".

A investigação oficial do Estado brasileiro sobre a morte de Herzog foi realizada por meio de Inquérito Militar, que concluiu pela ocorrência de suicídio. Seus familiares propuseram em 1976 uma ação civil declaratória na Justiça Federal que desconstituiu esta versão. Em 1992, o Ministério Público do Estado de São Paulo requisitou a abertura de inquérito policial para apurar as circunstâncias do fato, mas o Tribunal de Justiça considerou a Lei de Anistia um empecilho para a realização das investigações.

Em 2008, foi feita outra tentativa para iniciar o processo penal contra os responsáveis pelas violações cometidas. No entanto, o procedimento foi novamente arquivado, desta vez sob o argumento de que os crimes teriam prescrito.

OEA notifica Brasil sobre morte de Vladimir Herzog na ditadura – O Globo

06/03/2012

Miriam Porcão dá voz a leitão e leva Rocha na cara

Filed under: Ditadura,Miriam Porcão,Vladimir Herzog — Gilmar Crestani @ 9:24 am

 

Instituto Herzog emite Nota de Repúdio a fala de general da reserva

Vladimir Herzog apresentou-se voluntariamente ao DOPS

Da Redação

O Instituto Vladimir Herzog divulgou neste domingo (4) uma nota de repúdio às declarações do general da reserva, Luiz Eduardo Rocha Paiva, durante entrevista concedida à apresentadora Miriam Leitão durante o programa “Espaço Aberto”, da Globo News, que tinha como tema o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva e que foi apresentado na última quinta-feira (1).

No comunicado, a instituição discorda das afirmações do militar sobre a Comissão da Verdade, especialmente sobre a dúvida levantada sobre a responsabilidade do Estado na morte do jornalista Vladimir Herzog.

Herzog sob a guarda e responsabilidade do Estado

Durante a entrevista, Miriam Leitão lembrou que “Vladimir Herzog foi se apresentar para depor e morreu”, Rocha Paiva questionou afirmando “e quem disse que ele foi morto pelos agentes do Estado? Nisso há controvérsias. Ninguém pode afirmar.”

Na nota, o Instituto Vladimir Herzog lembra que alguém que se apresenta para depor está sob a guarda e a responsabilidade do Estado e de seus agentes, que tem a obrigação de assegurar a integridade física e a própria vida de um depoente e que, ao contrário da afirmação de Rocha Paiva, a Justiça brasileira reconheceu oficialmente, há 33 anos, após processo movido por Clarice Herzog e seus filhos, que Vladimir Herzog foi preso, torturado e assassinado nos porões da ditadura, por agentes do Estado.

Aqui, a Nota na íntegra:

Nota de Repúdio – Instituto Vladimir Herzog

O general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, em entrevista a Miriam Leitão, das Organizações Globo, disse ontem (1/3/2012) que a Comissão da Verdade, prevista em lei sancionada pela Presidência da República em Novembro de 2010, é “maniqueísta” e parcial porque seu objetivo é “promover o esclarecimento de torturas, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres”. Acha ele que, para assegurar a imparcialidade da comissão, ela também deveria investigar atos de violência cometidos por aqueles que combatiam a ditadura.

Depois de sugerir que os desaparecimentos do deputado Rubens Paiva e de Stuart Angel só sensibilizam até hoje a opinião pública porque eles pertenciam às “classes favorecidas”, o general Rocha Paiva mostra duvidar de que a presidente Dilma Rousseff tenha sido torturada na época da ditadura.

E, quando Miriam Leitão lembrou que “Vladimir Herzog foi se apresentar para depor e morreu”, Rocha Paiva questiona: “E quem disse que ele foi morto pelos agentes do Estado? Nisso há controvérsias. Ninguém pode afirmar.”

Como se alguém que se apresentara para depor não estivesse sob a guarda e a responsabilidade do Estado e de seus agentes. Como se assegurar a integridade física e a própria vida de um depoente, qualquer depoente, não fosse obrigação oficial fundamental do Estado e de seus agentes, a quem ele se apresentara. Como se a Justiça do Brasil já não houvesse reconhecido oficialmente, há 33 anos, em decorrência de processo movido pela viúva Clarice Herzog e seus filhos, que Vladimir Herzog foi preso, torturado e assassinado nos porões da ditadura, por agentes do Estado.

Além de tudo isso, posteriormente, em julgamento proferido no âmbito da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada pela Lei nº 9.140/96, o próprio Estado brasileiro ratificou o reconhecimento dessa prisão ilegal, tortura e morte.

Ao indagar, mais adiante, “Quando é que não houve tortura no Brasil?”, o general tenta justificar em sua entrevista os martírios que foram perpetrados pela ditadura deixando entender que torturar é uma atividade legitimada e consagrada pelos usos e costumes nacionais.

General, tortura nunca foi usos e costumes, nem no Brasil nem em lugar algum. Sempre foi e é a violação do império da lei, que condena quem tortura. Tanto que a nossa Constituição Federal é taxativa ao determinar que “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante” (art.5º, inciso III). E impor o respeito à lei – não violá-la – é o dever precípuo mais básico dos agentes do Estado. Esses agentes estão cobertos pelo manto institucional, portanto exercem um poder infinitamente maior que qualquer outro cidadão.

É por isso, por ser um crime cometido pelo Estado – não por cidadãos comuns, julgados pela Justiça comum – que as torturas e mortes perpetradas por agentes do Estado e sob sua bandeira são o que precisa ser investigado e exposto pela Comissão da Verdade. Não acobertado pelo Estado ou por qualquer de suas instituições.

E a imparcialidade da Comissão estará em agir à luz da Justiça e da lei ao investigar e expor os crimes cometidos pelo Estado e seus agentes – não ao talante de quem detém o poder.

Tudo isso torna claro que a manifestação do general Luiz Eduardo Rocha Paiva atenta contra o Estado Democrático de Direito, também preconizado na Constituição Federal do Brasil, que tem entre seus fundamentos “a dignidade da pessoa humana”, além da República Federativa do Brasil reger-se nas suas relações internacionais pelos princípios, entre outros, da “prevalência dos direitos humanos” (Constituição Federal, arts. 1º, III, e 4º, II).

INSTITUTO VLADIMIR HERZOG

Com informações do Portal Imprensa

Sul 21 » Instituto Herzog emite Nota de Repúdio a fala de general da reserva

06/02/2012

Herzog vive!

Filed under: Ditabranda,Ditadura,Vladimir Herzog — Gilmar Crestani @ 11:26 am

A mesma Folha de São Paulo que prefere chamar ditadura pelo eufemismo de ditabranda. As ditaduras são assim. É por isso que na ditadura não havia corrupção. Quem denunciava era morto. O prof. Cardoso modificou, quem “iria” denunciar era cooptado. E assim, vendeu-se um país por alguns espelhinhos. Mas ditadura é ditadura, só aceita quem foi currado na infância.

A volta do caso Herzog

Enviado por luisnassif, seg, 06/02/2012 – 08:36

Da Folha.com

Caso Herzog deve ser investigado, diz ministro da Justiça

LUCAS FERRAZ
RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA
MARIANA SCHREIBER
DE SÃO PAULO

Para autoridades do governo federal, a Comissão da Verdade deveria convocar para depor Silvaldo Leung Vieira, autor da imagem do jornalista Vladimir Herzog morto numa cela do DOI-Codi, em São Paulo, em 1975.

Em reportagem publicada ontem pela Folha, Silvaldo diz ter sido "usado" pela ditadura (1964-85) para forjar a cena de suicídio de Herzog, que, segundo testemunhas, morreu após ser torturado.

p>Reportagem sobre Herzog ajuda a enterrar versão de suicídio, diz filho
OAB-RJ diz que caso Herzog deve ser esclarecido na Comissão da Verdade
Folha localiza em Los Angeles fotógrafo da morte de Herzog

O depoimento reforça as contestações da versão oficial feitas por historiadores, parentes e testemunhas.

A comissão, ainda não instalada, foi criada no final de 2011 pela presidente Dilma Rousseff para apurar violações aos direitos humanos cometidas por agentes do Estado entre 1946 e 1988.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ser "absolutamente natural que fatos como esse sejam investigados pela comissão". Segundo o ministro, "a reportagem revela que há muitas coisas ainda a serem descobertas" sobre o período militar.

Para o coordenador do projeto do governo federal Direito à Memória e à Verdade, Gilney Amorim Viana, o depoimento de Silvaldo à Comissão da Verdade poderá ajudar a identificar os responsáveis pela morte de Herzog e pela montagem da cena.

Para ele, o fotógrafo é "uma testemunha independente", que "pode atestar que aquele cenário foi montado". "Ele quebra toda a versão da repressão", disse.

Tanto Viana como Susana Lisboa, membro da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos pela Ditadura Militar, creem que o caso abre a possibilidade de localizar fotógrafos que tenham registrado mortes semelhantes.

Eles citam os casos de Roberto Cietto (1969) e de Milton Soares de Castro (1967), ambos supostos suicidas.

Silvaldo pediu em 2008 à Comissão de Anistia, ligada ao Ministério da Justiça, indenização estimada em R$ 908 mil, entre outros pleitos.

Ele alega ter sido perseguido por sua atitude "questionadora" ao voltar a ser recrutado para fazer fotos como aquela. Em 1979, partiu para um autoexílio nos EUA.

Seu caso não foi julgado e, segundo Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia, não está entre as prioridades nem tem previsão de ser analisado. "A priori, ele foi um agente que colaborou com a repressão", afirmou.

Para Ivo Herzog, filho de Vladimir, a história deve ser investigada pela Comissão da Verdade. "Era um fato [a identidade de Silvaldo] que ninguém nunca tinha parado para pensar e investigar".

"Algumas pessoas ainda sustentavam a versão do suicídio. Essa versão não tem pé nem cabeça, mas acho que a reportagem ajuda a enterrar ainda mais", disse à Folha.

A volta do caso Herzog | Brasilianas.Org

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: