Ficha Corrida

19/10/2015

Métodos da ditadura, por quem conheceu no ventre

rbsz zelotesImportante depoimento do Jorge Loeffler sobre os métodos usados pelos agentes da ditadura. As pessoas mais jovens, que se alimentam só da mídia golpista, os midiotas, acabam entrando de gaiato nas histórias dos golpistas. Os assoCIAdos estiveram, estão e sempre estarão ao lado de qualquer golpista. Como reza a fábula da rã e do escorpião, é da natureza da nossa direita e dos seus finanCIAdores ideológicos a aversão ao Estado Democrático de Direito. Como se vê pela contínua perseguição aos movimentos sociais, partidos de esquerda e qualquer um que queira melhorar um pouco que seja na nossa iníqua condição social, os grupos mafiomidiáticos, dominados por cinco famílias, as cinco irmãs (Civita, Frias, Mesquita, Marinho & Sirotsky), qualquer sinal de que possa haver um golpe paraguaio, lá estão elas aplicando a Lei Rubens Ricúpero: divulgar o que convém ao golpe, esconder o que pode inviabilizar o rumo dos golpistas.

Os pesos e medidas da mídia é o verdadeiro ovo da serpente. Graças a parcialidade dos golpista, pessoas inescrupulosas e desinformadas usam a democracia para pedir a volta da ditadura. Sem saberem, isso é crime que só anti-democráticos toleram. É desta natureza anti-povo que nasce o silêncio da mídia, por exemplo, em relação aos sigilos decretados pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, na vã tentativa de esconder as falcatruas na SABESP, mas também em relação aos crimes praticados no âmbito das corporações policiais. Imagine-se o que aconteceria se a Dilma também decretasse que as informações relativas à Petrobrás fossem mantidas em sigilo por 25 anos?! Mesmo sem nem mesmo sequer indício de qualquer deslize, a mídia e seus correligionários da direita querem destituí-la, para colocar gente como Eduardo CUnha, Aécio Neves, Paulinho da Força Sindical, Agripino Maia, Demóstenes Torres, Gilmar Mendes, Beto Richa, Fernando Francischini & Carlos Sampaio. Os golpistas sempre existiram e continuarão existindo enquanto houver uma imprensa militante em favor do atraso institucional. Hoje, os maiores crimes, a corrupção mais desenfreada acontece com o apoio de grupos empresariais midiáticos. Se na democracia a Operação Zelotes só anda com muito esforço de poucos abnegados, sem qualquer repercussão na mídia, numa ditadura seria não só impensável como os que a conduzem seriam presos, torturados, estuprados, mortos e esquartejados. É disso que se fala quando se mistura as cinco irmãs e ditadores. Pra eles, ditabranda; pra nós, assassinato!

40 anos da morte de Vlado: um depoimento de Clarice Herzog

Por jloeffler – No dia 19/10/2015 

Só mesmo pessoas destituídas de um mínimo de bom senso para estarem tentando incendiar o país e tudo pela ânsia de retorno ao Poder. Esses cretinos ou idiotas estão mexendo com fogo e não se dão conta disto. Digo tal por que infelizmente de agosto a dezembro de 1966 fui lotado no DOPS e ali vi algo que não gostaria e que por longos anos foi jogado nas minhas costas um covarde assassinato de um sargento do Exército que fora preso aqui no Estado. Estava no plantão ao final de uma tarde quando o sargento foi posto em liberdade, mas ao chegar à rua foi colocado num Gordini verde e duas semanas depois seu corpo em adiantado estado de composição foi encontrado no Guaíba. Ele foi assassinado por bandidos da ditadura. Esses agentes, a maioria dos quais da brigada militar eram bandidos da pior espécie, pois matar em defesa própria é algo que admito, mas assassinar a quem nem mesmo se conhece por que é o desejo de uma ditadura. Isto tem um nome: covardia associada a banditismo da pior espécie.
O Editor

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Publicado em Sexta, 16 Outubro 2015 18:42
Escrito por Eugênio Araújo (*)

Entrevista exclusiva a Paulo Markun, no ‘SP, Brasil’ vai ao ar na próxima segunda-feira, às 19h (canal 7 da NET e 61.4 da TV Digital Aberta). Conversa resgata aspectos importantes dos “Anos de Chumbo”

Quis o destino que justamente na semana em que as forças democráticas preparam homenagens ao jornalista Vladimir Herzog, corresse nas redações a morte do coronel Brilhante Ustra, chefe da repressão na ditadura militar.

As chagas deixadas por essa ditadura e detalhes dos momentos finais da vida de Vlado irão ao ar na próxima segunda-feira, às 19h, na voz da viúva do jornalista, Clarice Herzog.

Cabe acentuar a causa mortis de (Carlos Alberto) Ustra, o coronel torturador: falência múltipla de órgãos decorrentes de uma pneumonia, na quinta-feira, 15. Ele comandou o Departamento de Informações do 2º Exército, o temido DOI-Codi, em cujas dependências – segundo o livro Brasil: Nunca Mais – centenas de pessoas foram torturadas. Mais: sob o comando direto de Ustra, ao menos 45 brasileiros foram torturados e assassinados. São 45 histórias brutalmente interrompidas num momento em que o Estado Brasileiro calou boa parte da sociedade civil.

CLARICE HERZOG

clarice-herozogClarice Herzog conversou com Paulo Markun (Imagem: Reprodução/TV Câmara SP)

Pois a farsa que o DOI-Codi tentou imputar ao grande jornalista, então diretor da TV Cultura e que compareceu para prestar depoimentos nas instalações do 2º Exército, há exatas quatro décadas, foi a repugnante versão de suicídio. A Comissão da Verdade desmontou a falsidade de um laudo técnico elaborado na calada da noite. Somaram-se à verdadeira perícia depoimentos de jornalistas presos com Vlado. Ele foi morto numa terrível sessão de tortura e maus tratos.

Meu grande amigo jornalista e presidente do sindicato da categoria em São Paulo nos “Anos de Chumbo”, Audálio Dantas, contou detalhes dessa história macabra no livro As duas guerras de Vlado. Por sinal, Audálio revelou, com rara sensibilidade, como o menino Herzog e sua família sobreviveram à perseguição nazista na Europa. Com cenas dignas de “A vida é bela”, o garoto driblou botas e rifles, desembarcou com os pais na cidade de Santos (SP), construiu uma vida saudável aqui no Brasil e acabou morto nas mãos de torturadores a serviço da Ditadura Militar.

“Se as forças armadas reconhecessem o que realmente foi feito, teríamos mais credibilidade neste país”, desabafa Clarice Herzog, no emocionante relato feito ao jornalista Paulo Markun. Em sua entrevista, a mulher forte, corajosa e decidida conta que a família insistirá na Justiça para que o Exército reconheça a farsa montada.

Confira, abaixo, trecho da entrevista de Clarice Herzog ao ‘SP, Brasil’:

(*) Formado em Comunicação Social pela Cásper Líbero, com MBA pelo Curso Master, ligado à Universidade Navarra (Espanha), Prêmio Esso de Jornalismo e subdiretor de comunicação externa da Câmara Municipal de São Paulo.

Copiado de: http://portal.comunique-se.com.br/

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27/09/2015

Nossa elite midiática tem autoridade moral de dirigente da Volks

Filed under: Ditabranda,Ditadura,Estupro,Le Monde,Tortura,Volkswagen — Gilmar Crestani @ 2:15 pm
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Só não sei se as peruas que a Folha emprestava para levar os corpos dilacerados para o Cemitério de Perus também eram da Volks. A prova de que a ditadura fez muito sucesso por aqui se mede pelo empenho da nossa imprensa em revelar porque todo preso da ditadura era estuprado. O estupro está para a ditadura como a fidelidade de Miriam Dutra está para FHC.

Se nossa imprensa participou ativamente para derrubar Jango, da mesma forma que atua agora para derrubar Dilma, também é verdade que atuou para legitimar a ditadura, com a qual se locupletou. As cinco irmãs (Folha, Estadão, Globo, Veja e RBS) se consolidaram com a ditadura. Por que iriam querer revelar os crimes dos seus parceiros? Nem seria justo esperar que o fizessem. Esperava-se, sim, que os que não se beneficiaram com a ditadura não fossem coniventes. Neste quesito o STF pisou no Boimate. Comprou tomate por bife…

Da mesma forma que o STF aceitou a lei com a qual os ditadores se auto anistiaram, também protegeram os crimes praticados posteriormente à referida lei, como o caso da bomba no Riocentro. No popular, não deu em nada. A Folha chegou ao cúmulo da desfaçatez ao dizer que não tivemos uma ditadura, mas uma ditabranda. Tem a mesma lógica do livro do Ali Kamel, “Não somos racistas”… Da mesma forma e pelas mesmas razões com que se livraram os criminosos da ditadura, também se livraram da justiça os criminosos da privataria tucana. Se quisermos entender melhor o que isso significa, basta que olhemos para nosso lado. Carlos Menem e Alberto Fujimori, parceiros de todas as horas do rei da privataria, foram presos, mas por aqui o responsável foi levado por Roberto Marinho e José Sarney para a Academia Brasileira de Letras. Na Argentina, Chile e Peru, os ditadores sofreram as consequências da lei. Muito diferente do que houve por aqui. Não culpo torturadores, porque tinham prazer com os estupros que praticavam, mas qual será o prazer dos assoCIAdos do Instituto Millenium em tergiversar sobre o assunto?!

Le Monde lembra aliança da VW com os militares

publicado 27/09/2015

E ajuda a desmoralizar a Comissão da 1/2 Verdade.

fusca

Essa foi a ilustração que o Monde deu à reportagem sobre a tortura a Bellantani.

O respeitado jornal francês Le Monde publicou reportagem sobre a ligação sinistra da Volkswagen brasileira com o regime militar.
O artigo sai no contexto da crise que envolve a Volkswagen americana, que fraudou os testes de poluição em carros movidos a diesel e vai ter pagar multas bilionárias, depois de envenenar milhares de pessoas, mundo afora!
O Monde lembra aqui a experiência do operário metalúrgico Lucio Antonio Bellantani, que, aos 28 anos, o serviço de segurança da própria Volkswagen entregou à polícia por discutir política e defender a democracia.
Bellantani foi torturado para denunciar outros colegas "agitadores".
A certa altura das greves do Lula no ABC, diz o Monde, os militares receberam uma lista de 463 grevistas, entre eles, os da Volkswagen.
O depoimento de Bellantani foi recolhido pela Comissão da /1/2 Verdade brasileira.
O que o Monde não diz é que o Brasil se tornou o único pais latino-americano, vítima de um regime militar, que conseguiu desmoralizar uma Comissão de Verdade!
E quando foi se aprofundar nas relações das empresas – e bancos – com o regime militar, adotou a filosofia "sergio morinha": "não vem ao caso"!
Vive le Brésil !
Ao Monde:

Mardi 22 septembre, divers syndicats ainsi que le Forum des travailleurs pour la vérité, la justice et la réparation ont réclamé l’ouverture d’une procédure d’enquête contre le groupe, accusé d’avoir collaboré aux persécutions et aux tortures lors de la dictature militaire (1964-1985).
Le Forum est une émanation d’un groupe de travail issu de la Commission nationale de la vérité (CNV), chargée depuis 2012 d’enquêter sur les violations des droits de l’homme pendant les années noires du pays.
Selon les documents collectés par le Forum, le groupe allemand, présent au Brésil depuis plus de soixante ans, aurait collaboré avec la police militaire, donnant sans gêne les noms de salariés potentiellement perturbateurs au service d’ordre de l’Etat. Charge ensuite aux policiers de les arrêter et de les torturer.
Lucio Antonio Bellantani, 71 ans, fut l’une des victimes de ce « nettoyage ». Son témoignage, rapporté par le site du magazine CartaCapital, est sans équivoque. En 1972, alors âgé de 28 ans, il fut livré aux policiers militaires par le propre service de sécurité de « Volks ».
Son crime ? « Discuter politique avec d’autres collègues afin de les syndiquer et de lutter avec eux contre la dictature et pour la démocratie », raconte-t-il.
Cette audace lui a valu plus d’un mois de détention ponctué de séances de torture, l’obligeant à donner les noms de personnes liées au Parti communiste. Aujourd’hui, Lucio Antonio se bat pour que le pays accomplisse son devoir de mémoire, que l’on enseigne aux enfants cette période sombre du Brésil, afin que « jamais plus » l’histoire ne se répète, dit-il. Et de rêver à la construction d’un « mémorial », par le groupe.
Véritable institution au Brésil, Volkswagen, fabricant de la voiture populaire Fusca, nom local de la Coccinelle, est la première entreprise mise en cause. Elle ne sera sans doute pas la seule. « Nous avons collecté beaucoup d’éléments sur cette société, mais nous avons aussi des documents à même de prouver l’implication d’autres entreprises », indique Carolina Freitas, membre du Forum.
En 1980, lors de la grande grève de quarante et un jours – orchestrée par celui qui n’était encore qu’un syndicaliste chahuteur, Luiz Inacio Lula da Silva (président brésilien de 2003 à 2010) –, la police militaire aurait reçu les noms de 436 grévistes, de Volkswagen, mais aussi d’autres entreprises alentour paralysées par l’arrêt de travail. Contacté, le groupe allemand n’a pas donné suite à nos sollicitations.

Le Monde lembra aliança da VW com os militares — Conversa Afiada

09/07/2015

Os EUA sabiam porque foram eles que apoiaram

OBScena: printscreen da Folha convocando atos contra Dilma

folha-impeachmentSó um celerado pode pensar que na ditadura não havia corrupção. A ditadura era A corrupção! Corrupção do sistema democrático. Corrupção na associação de grupos como Folha & Globo com a ditadura, não só em termos ideológicos, mas também operacional. E aí não falo somente no uso das peruas da Folha para desovar os pedaços humanos que sobravam das orgias no DOI-CODI com a participação ativa e passiva de seus finanCIAdores ideológicos, como Frias, Brilhante UStra e o dono da Ultragás, Boilensen. Como o dono da Folha, segundo a Comissão da Verdade, assistia, in persona, as sessões de tortura, estupro e assassinato dos presos políticos, seus descendentes acharam por bem chamar tudo isso de ditabranda. É o DNA que passa de pai para filho. Claro, os EUA também sabiam disso. O eufemismo, quando se trata de crimes, é “desaparecidos”. Não é tortura, assassinato, estupro, esquartejamento é só “desaparecimento”…

Os EUA não só sabiam dos desaparecimentos como ajudavam a desaparecer. As malas de dólares entregues a institutos como IPES e o IBAD, comandos por ventríloquos de Washington como FHC.  Estes institutos faziam o que o hoje faz o Instituto Millenium; promovem internamente os interesses dos EUA mediante financiamento de movimentos do tipo MBL, a marcha dos zumbis, além de espionagem industrial para se apropriarem do pré-sal. O entreguismo da época é o mesmo de José Serra querendo entregar de graça o pré-sal à Chevron. Embora desta vez não seja clandestino, mas de forma escandarada, via projeto de lei, no Congresso, o método é o mesmo do da ditadura e revisitado no neoliberalismo do Consenso de Washington, tão bem encampado pelos 8 anos de governo FHC.

Tanto é verdade a participação de institutos como o Instituto Millenium, que os veículos a$$oCIAdos aos Millenium convocaram as marchas que incluíam bandeiras de golpe militar e ditadura. Se em 1964 o Globo festejava e saudava a ditadura em editorial, agora a convocação dos golpistas é ao vivo com cobertura idem. O clima de ódio, que está desaguando num fascismo crescente, tem sido fomentado pelos mesmos grupos de mídia que fomentam o golpe a a ditadura. E com patrocínio dos EUA, como mostrou Edward Snowden.

EUA sabiam sobre desaparecidos na ditadura militar

Documentos secretos americanos foram entregues à Casa Civil e podem ser consultados na internet a partir desta quinta-feira (9)

Enquanto família do ex-deputado Rubens Paiva ainda buscava seu paradeiro, telegrama já relatava sua morte

NATUZA NERY RUBENS VALENTEDE BRASÍLIA

Um conjunto de documentos secretos dos anos 70 agora liberados à consulta confirma que o governo dos Estados Unidos recebeu, antes de se tornarem claras para os familiares, informações privilegiadas sobre o destino de pelo menos três desaparecidos políticos durante a ditadura militar.

Trata-se do ex-deputado federal Rubens Paiva (1929-1971) e dos militantes de esquerda Stuart Edgard Angel Jones (1945-1971) e Virgílio Gomes da Silva (1933-1969).

Os papéis integram um acervo de 538 documentos que tiveram seu sigilo desclassificado parcial ou totalmente pelo governo Barack Obama em decorrência da viagem da presidente Dilma Rousseff aos EUA, no final do mês passado.

Os documentos foram entregues à Casa Civil e deverão ser liberados à consulta a partir desta quinta (9) no site do Arquivo Nacional.

Sobre o ex-deputado Rubens Paiva, um telegrama diplomático confidencial de fevereiro de 1971, cujo sigilo foi afastado somente em maio passado, afirma: "Paiva morreu durante interrogatório ou de um de ataque cardíaco ou de outras causas".

Para os americanos, se a notícia se tornasse conhecida, era certo que seus amigos iriam iniciar uma "campanha emocional e dura contra o governo brasileiro por todos os meios possíveis".

O autor do telegrama, o diplomata morto em 2003 e veterano da II Guerra John W. Mowinckel, ao final do texto pede que o embaixador norte-americano no Brasil desenvolva ações para "convencer" o governo brasileiro "de que algo deve ser feito para punir ao menos alguns desses responsáveis –punir por julgamento público".

Quando o telegrama foi escrito, a família seguia buscando informações sobre o paradeiro de Paiva. A versão oficial distribuída à imprensa pelo Exército era que Paiva fora resgatado por um grupo de terroristas e permanecia desaparecido. Várias investigações posteriores à ditadura concluíram que o deputado foi morto sob tortura logo após ter se apresentado para um depoimento. Seu corpo nunca foi encontrado.

Outro telegrama datado de 30 de setembro de 1969 e liberado em 6 de maio passado confirma a prisão, por equipes da Oban (Operação Bandeirante), do militante da esquerda armada Virgílio Gomes da Silva, mas ressalta que o nome dele não foi divulgado para a imprensa, e que "possivelmente a polícia vai não dar conhecimento público de que ele foi preso".

Virgílio morreu de tortura horas depois da prisão, segundo testemunhas, mas a versão oficial na época foi que ele permanecia foragido.

DESESPERO

Um telegrama de agosto de 1971 confirma que o cônsul dos EUA James Reardon recebeu da polícia brasileira a informação de que "Stuart Edgar Angel Gomes" havia sido preso pela polícia, mas acabara "escapando". "Advogado e família estão muito interessados, na verdade desesperados, para descobrir a fonte da informação de Reardon", diz o documento.

"Interessante ver como os órgãos de segurança do Estado americano tinham conhecimento do aparato repressivo. Impressiona o conhecimento detalhado que tinham desses crimes", disse à Folha o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

Sob seu comando está uma assessoria da Comissão da Verdade encarregada de organizar documentos inéditos.

30/05/2015

Ódio a José Dirceu é o véu de proteção à Marin

São antípodas. Um, tem a bênção da fina flor do fascio paulista, o outro, o ódio. Por coincidências do destino, para tirar a Copa da Rússia, a mesma polícia política dos EUA que perseguia Dirceu e apoiava Marin na ditadura, faz agora justiça por linhas tortas. E, como disse o melhor amigo do Eurico Miranda, Romário, pena que não tenha sido preso pela nossa polícia, mas pela polícia Suíça.

No Brasil todo corrupto igual à Marin tem mais chances de ser presidente do Tribunal de Contas de São Paulo, mesmo que condenado na Suíça, a exemplo de Robson Marinho, do que ser preso. Isto porque nosso Ministério Público é um Mistério Púbico, de modo que há mais chance de os corruptos receberem medalhas do que serem investigados. Quando José Maria Marin recebe medalha do Ministério Público ou Joaquim Barbosa recebe medalha do Aécio Neves entendemos porque nossos procuradores se  chamam Rodrigo de Grandis, ministro se chama Joaquim Barbosa mas nunca  Loretta Lynch.

Quando um assassino se torna inatacável é natural que grupos de mídia tratem ditadura de ditabranda, emprestem peruas aos ditadores e inventem fichas falsas. Os nossos bandidos são cultivadas nas altas rodas da fina flor do fascio. Só no Brasil os grupos mafiomidiáticos criam um Instituto para estimular a sonegação e a Receita vira mera espectadora.

Marin: aqui se faz, aqui se paga

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:
José Maria Marin (83) nasceu e cresceu no bairro paulistano de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. Na juventude, foi jogador profissional de futebol e chegou a jogar no São Paulo Futebol Clube, como ponta-direita. Porém, foi um jogador medíocre.
Marin atuou em pequenos clubes paulistas como o São Bento de Marília e o Jabaquara. No São Paulo, sua carreira foi curta; disputou apenas dois jogos oficiais e marcou um gol. Vendo que não tinha futuro no esporte, estudou direito e, em 1963, entrou na política.
Naquele ano, elegeu-se vereador por um partido de extrema direita, fundado pelo integralista Plínio Salgado, político, escritor, jornalista e teólogo que fundou e liderou a Ação Integralista Brasileira (AIB), partido de extrema-direita inspirado nos princípios do movimento fascista italiano.
Quando se instalou a ditadura, tratou de se filiar ao partido oficial, a Arena. Seu ódio à esquerda o tornou um dos mais virulentos políticos do período autoritário. A ele é atribuída a execução do então diretor de telejornalismo da TV Cultura, Wladimir Herzog, nas masmorras do DOI-CODI, em São Paulo – Marin acusava a emissora de ser reduto de comunistas.
Em 1978, tornou-se vice-governador biônico de São Paulo na chapa de Paulo Maluf – à época, a ditadura podia indicar presidentes, governadores e prefeitos de capitais em “colégios eleitorais” instalados no Legislativo, onde a ditadura sempre tinha maioria porque podia indicar parlamentares sem precisar de voto popular.
Entre 1982 e 1983, estava terminando o “mandato” de Maluf como governador e ele se afastou do cargo para disputar mandato de deputado federal. Marin, seu vice, governou São Paulo no lugar dele durante dez meses.
À época, o breve governo de Marin chegou a ser acusado de ser ainda mais truculento do que o de Maluf – a Polícia Militar, então, agia com uma violência que faz a de hoje parecer um grupo de balé.
Terminada a ditadura, Marin mostrar-se-ia tão medíocre como político quanto fora como jogador de futebol. Pelo voto direto, não conseguiu nada. Tentou ser senador por São Paulo e prefeito da capital paulista, mas sempre teve votações pífias.
Marin foi se estabilizar como “cartola” do futebol, onde os conchavos sempre dispensaram competência e apoio popular. Começou presidindo a Federação Paulista de Futebol e após a queda de Ricardo Teixeira acabou comandando a CBF.
Um dos episódios mais escandalosos envolvendo o ex-governador paulista, porém, aconteceu não faz tanto tempo. Em 2012, durante a premiação após o jogo final da Copa São Paulo de Futebol Junior, Marin roubou medalha que caberia ao jogador corintiano Mateus.
Após a trajetória de vida que acabamos de ver, Marin foi preso por agentes da Kantonspolizei (a polícia suíça) em Zurique, junto com outros dirigentes da FIFA suspeitos de corrupção. Agora será extraditado para os EUA, onde responderá por seus crimes no futebol.
Ver alguém como ele sendo preso, após uma história tão pouco edificante, chega a parecer a realização de um sonho. No fim da ditadura militar, Marin, Maluf e Reynaldo de Barros foram a face desfigurada do regime agonizante.
Porém, a felicidade de ver um corrupto e fascista como esse ir parar atrás das grades só não é uma felicidade completa por uma razão que quem bem explicou foi o ex-jogador e senador pelo Rio de Janeiro, Romário de Souza Faria.
Confira, abaixo, a manifestação do ex-craque sobre a prisão de Marin, no Facebook.

Apesar de estar começando a pagar por uma vida tão questionável, Marin tratou de fazer mal de novo ao Brasil – espera-se que pela última vez. Como diz Romário, é uma vergonha para este país que alguém como Marin nunca tenha sido punido por aqui, apesar de tantas denúncias que pesam contra si.
Mas há lugar para esperança de que esse tenha sido o último dano que José Maria Marin causou ao Brasil.

Altamiro Borges: Marin: aqui se faz, aqui se paga

26/04/2015

Folha ajudou ditadores a prender, torturar, estuprar, matar e esconder os corpos. E chamou isso de ditabranda!

OBScena: perua da Folha usada para desovar cadáveres vilipendiados pelos torturadores 

folha1A Rede Globo já admitiu que errou ao apoiar os ditadores. A Folha, pelo contrário, que prisão ilegal, tortura, estupro, esquartejamento não é só uma ditabranda. Deve ser por isso a Folha emprestava suas peruas para transportar os presuntos para as valas clandestinas do Cemitério de Perus.

Já que a Folha exige que Lula e Dilma devem pedir desculpas pelo roubo praticado na Petrobrás durante os seus governos, por que a Folha não exige que FHC peça desculpas pela compra da sua reeleição? Por que a Folha não cobra do grupo Estado que nada fizeram para impedir que o Diretor de Redação do Estadão, Pimenta Neves, assediasse moral e sexualmente a colega Sandra Gomide, a ponto de vir a assassina-la pelas costas. Nenhum Mesquita, apesar de ser um funcionário mais próximo da hierarquia, saiu a público para pedir desculpas pelo bárbaro crime praticado por pessoa de extrema confiança, a ponto de ser guindado ao posto de Diretor de Redação?

Por que a Folha não cobra da Rede Globo que peça desculpas pela sonegação biolionária que retira da mesa das crianças e dos postos de saúdes condições essenciais para suas vidas? Por que a Folha não cobra da Rede Globo explicações  a respeito do desvio de recursos do Criança Esperança?

Por que a Folha não cobra de seus colegas do Instituto Millenium que aparecem na Operação Zelotes como tendo perpetrado um assalto muitas vezes maior que o da Petrobrás? Seria por que a RBS é colega da ANJ e faz às vezes, como admitiu Judith Brito, oposição ao Governo Federal?

Por que a Folha não cobra do multimilionário Gerdau para que explique como ele conseguiu sonegar, sozinho, R$ 150 milhões de reais?

Por que a Folha não vai atrás do tesoureiro de seu partido, Márcio Fortes, para que explique a fortuna lavada no HSBC? O tesoureiro do PSDB precisa não só pedir desculpas, mas devolver os recursos e pagar os impostos devidos?

Por que cobra do Rodrigo de Grandis a respeito da mão amiga na hora difícil na vida de Robson Marinho, já condenado na Suíça pela corrupção em parceria com a Alstom e Siemens mas continua no TCE/SP?

Por que a Folha não cobra explicações do Geraldo Alckmin pelo racionamento d’água que “corre” um ano em São Paulo ao mesmo tempo em que se desenvolve a maior epidemia de dengue jamais vista na terra dos bandeirantes?

Por que a Folha não cobra das sucessivas administrações do PSDB que só legou o PCC em termos de segurança pública para os paulistas? Com o PCC os bandidos e as reeleições tucanas em São Paulo estão seguros!

A Folha deveria se lembrar que em editorial admitiu que o Poder Judiciário é complacente com seu partido, como já o fizera antes seu correligionário Jorge Pozzobom, e pedir para que explique porque só o PT?

EDITORIAIS

editoriais@uol.com.br

Falta pedir desculpas

Balanço da Petrobras registra prejuízo bilionário provocado por anos de inépcia e corrupção; Lula e Dilma ainda devem explicações

A publicação do balanço de 2014 da Petrobras é apenas o primeiro passo da longa caminhada de reconstrução da empresa depois do ciclo de desgraça a que foi submetida de 2004 a 2012: imprudência inaceitável, incompetência descomunal e corrupção voraz.

O prejuízo do período monta a R$ 50,8 bilhões, dos quais R$ 6,2 bilhões ligam-se diretamente aos desvios sistemáticos praticados nas principais diretorias da estatal –o cálculo baseou-se em depoimentos da Operação Lava Jato que apontaram propina de 3% nos contratos.

Os R$ 44,6 bilhões restantes decorrem de erros grosseiros no planejamento e na execução de projetos e, em menor medida, de pioras nas condições de mercado –a queda do preço do petróleo, por exemplo, reduz o valor de investimentos realizados em exploração.

O estouro nos custos não se relaciona apenas com a má gestão da última década, porém. Por certo o clima de euforia irresponsável e o uso político da estatal nos mandatos petistas contaminaram o corpo dirigente. Perdeu-se a noção de diligência no trato do dinheiro alheio.

Também é óbvio que as propinas incentivaram tal conduta. Projetos faraônicos e custos fora de controle, que resultam do ambiente delituoso que vigorou na empresa, agora se disfarçam nas ineficiências.

Vencida a etapa do balanço, a empresa precisa reformular seu plano de negócios a fim de preservar caixa e reduzir o endividamento, que chega a quase cinco vezes a geração de lucro operacional –o ideal é menos de três vezes.

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, indica que será firme na reestruturação. Cogitam-se cortes expressivos nos investimentos, gestão mais inteligente de ativos (inclusive com vendas e parcerias com o setor privado) e política financeira mais conservadora.

Também são desejáveis mudanças nas regras de exploração do pré-sal e na política de conteúdo nacional, que sobrecarregam a empresa sem que ofereçam em troca benefícios tangíveis para acelerar a exploração dos campos de petróleo.

Não fosse por um aspecto dos mais relevantes, seria possível afirmar que a longa crise começa a ser superada. Bendine, que chegou ao comando da Petrobras somente neste ano, agiu bem ao pedir desculpas e declarar-se envergonhado. Falta, agora, que os responsáveis políticos pelo maior escândalo de corrupção e má gestão da história nacional tenham a decência de fazer o mesmo.

Nada aconteceu por acaso. O ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff –que dirigiu o Conselho de Administração da Petrobras de 2003 a 2010– têm o dever de explicar ao país como se consumou tamanho desastre em suas gestões.

    17/12/2014

    Filhos da mentira não acreditam na verdade

    ditadruanA diferença que faz sentido na comparação levantada pela articulista da Folha não foi dita por razões óbvias. Ela é funcionária da Folha. Então vamos lá. A tortura nos EUA ocorreu na democracia, com liberdade de imprensa. No Brasil, além de terem ocorrido durante uma ditadura que, por razões óbvias, é decorrência natural do regime, há o agravante da participação da imprensa. Como revelou a Comissão Nacional da Verdade, a Folha de São Paulo não só apoiou ideologicamente, mas também financiou com dinheiro vivo e na logística. É mais do que conhecido o episódio das peruas que, ao invés de distribuírem jornais, faziam o transporte clandestino de presos capturados clandestinamente. Uma vez presos sem ordem judicial, eram levados para o pau-de-arara, torturados, estuprados, mortos e esquartejados e as partes eram distribuídas por valas comuns, também clandestinas, para que os familiares não pudessem identificar seus entes queridos. Por isso a Folha diz ainda hoje que não foi uma ditadura mas uma ditabranda

    Como que a população poderia e pode ficar contra a tortura se não só não era informada como quem deveria informar fazia parte do esquema? É bom lembrar que o jornal O Globo saudou a chegada da ditadura em editorial. Todas as cinco irmãs (Globo, Folha, Veja, Estadão & RBS), que agora atuam sob coordenação do Instituto Millenium, cresceram com a ditadura. Coincidentemente, junto com as grandes empreiteiras que agora foram pegas na Petrobrás.

    O apoio que a ditadura ainda tem no Brasil se deve a dois grupos distintos mas complementares: uma simbiose entre  os mal informados e os mal intencionados.

    Atribuir às forças de segurança a culpa pela existência da tortura nos dias de hoje é uma forma abjeta de retirar dos verdadeiros culpados a responsabilidade. Afinal, quem é responsável pelas forças de segurança? Os governos estaduais. Quando grupos como a Rede Globo, Folha, Estadão e RBS apoiam as atitudes das forças de segurança contra a população em geral e os movimentos sociais em particular, vê-se que o policial é apenas um executor de uma ordem explícita ou implícita que vem bem distribuídas entre os ocupantes do Poder de Estado e os meios de comunicação. Há um registro do comportamento de Arnaldo Jabor que mostra até que ponto uma pessoa pode descer o nível da mediocridade e ignorância. Quantos veículos de comunicação condenam as atitudes da Rachel Sheherazade? Onde mesmo trabalhava e trabalha Luis Carlos Prates?

    No RS a RBS fez algo ainda mais patético. Quando o agricultor Elton Brum foi assassinado pelas costas, a Zero Hora defendeu o assassinato com uma manchete para lá de sintomática: MST ganha seu mártir” (link: página 4 da edição de 22/08/2009). E, pior foi a emenda, quando abre à matilha de seguidores algo do tipo:Quem cometeu o maior equívoco no episódio da Fazenda Southal, quando morreu um agricultor: a BM ou o MST?” Veja, “assassinar” pelas costas virou equívoco. Força de segurança é para dar segurança, não para atirar pelas costas.

    Portanto, a diferença de reação entre o público norte-americano e o brasileiro em relação aos abusos do Estado muito se deve à diferença de tratamento pelos meios de comunicação aos abusos policiais. Como sempre, o jornalismo de aluguel joga na cara da própria vítima (“o povo ainda abraça a ‘mão dura”). Basta ver quem era o candidato queridinho da imprensa e que pregava a menoridade penal como forma de resolver o problema da violência. Por que não culpam quem vê na violência a solução da violência?! Coincidentemente, era o mesmo candidato que dirigia bêbado e, por isso teve a “carteira de habilitação apreendida”, e, quando secretário do avô, se autoconcedeu uma “carteira de policial”.

    Há também uma boa dose de hipocrisia sempre que um assunto como este envolve os EUA. Há sempre um certa condolência, uma comiseração dos puxa-sacos de plantão em relação ao grandão irmão do norte. O escritor chileno Ariel Dorfman já em 2009 denunciava as torturas da CIA. Será que a NSA, do Edward Snowden, não grampeava a CIA?!

    JULIA SWEIG

    Tortura no Brasil e nos EUA

    O que chama a atenção após os relatórios nos dois países é a diferença de reação do público a abusos do Estado

    Na semana passada, quando relatórios sobre tortura vieram a público no Brasil e nos EUA, os poucos observadores que tomaram nota de sua divulgação quase simultânea constataram os aspectos positivos da simetria: duas democracias grandes, cada uma delas com a força necessária para encarar seu lado sombrio.

    No caso americano, o relatório do Senado trata da tortura de estrangeiros cometida por americanos. O relatório da Comissão Nacional da Verdade focaliza brasileiros torturando brasileiros. Mas ambos examinam uma política do Estado possibilitada pelos escalões mais altos de seus respectivos governos. E as comparações param por ali, quase.

    Para começar, um resumo dos números. De acordo com o relatório do Comitê de Inteligência do Senado, 119 detentos foram encarcerados em prisões secretas, sendo 39 deles torturados por funcionários e contratados a serviço da CIA. Três deles foram submetidos ao "waterboarding", tendo sido quase afogados. Cinco deles que recusaram alimentos ou água foram sujeitos a um experimento chamado "reidratação retal". Quarenta e sete ficaram detidos por mais de um ano, e 26 não satisfizeram os critérios para detenção definidos pela própria CIA.

    A categorização feita pela Comissão Nacional da Verdade não é análoga, mas nos dá um senso da escala. Agentes do Estado identificados como responsáveis por violações graves: 377. Desaparecidos e mortos oficialmente confirmados, 434; mortos, 191; desaparecidos, 243; e o número citado pela comissão de brasileiros torturados durante o Estado Novo pode ter alcançado espantosos 20 mil.

    O que talvez chame mais a atenção é o contraste nas reações aos dois relatórios. Nos EUA, geralmente somos melindrosos em relação ao próprio uso da palavra "tortura". Algumas pessoas a colocam entre aspas. É mais frequente ouvir o eufemismo "técnicas de interrogatório aumentadas". Outros se colocam claramente na defensiva, protestando que, depois do 11 de Setembro, a CIA estava desesperada para prevenir um novo ataque. Ainda outros adotam uma postura agressiva de apoio; Dick Cheney disse aos americanos no domingo passado que "faria tudo de novo em um minuto".

    Temos ao menos um "falcão" republicano, John McCain, implorando a seu partido que leia o relatório e pregando o mantra do "nunca mais" de alguém torturado como prisioneiro de guerra no Vietnã.

    A defesa da senadora democrata Dianne Feinstein, que impeliu o relatório, o ultraje diante da imoralidade e ilegalidade da tortura e o problema de responsabilização ("accountability") da CIA têm sido palpáveis e implacáveis, pelo menos entre os democratas que não são candidatos à Presidência.

    Mas minha pesquisa superficial sobre as reações no Brasil ao trabalho histórico (embora atrasado) da CNV revela algo quase blasé. Nada de aspas. Nada de eufemismos. Por quê? A tortura por parte das forças de segurança brasileiras ainda é comum. O público ainda abraça a "mão dura". Deixando essas diferenças de lado, ambas as sociedades vão agora enfrentar a questão da impunidade.

    @JuliaSweig

    11/12/2014

    Só há dois tipos que apoiam ditadura: os mal informados e os mal intencionados

    Filed under: Assassinato,Ditabranda,Ditadura,Editorial da Folha,Estupro,Folha de São Paulo,Tortura — Gilmar Crestani @ 11:44 pm
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    Se, sabendo pelo que podes ler abaixo, continuas apoiando a ditadura, lamento dizer, mas o que tens de maior é o déficit civilizatório. Sendo assim, o que é mesmo que fazes melhor que um bandido do PCC?!

    Folha sai pela tangente e diz que “quase toda a imprensa” apoiou golpe; jornal chamou governo Médici de “respeitável”

    publicado em 11 de dezembro de 2014 às 9:45

    Captura de Tela 2014-12-11 às 09.35.48

    Comissão da Verdade desmascara a Folha

    Por Altamiro Borges, em seu blog

    Os barões da mídia agem como as famiglias mafiosas. Disputam o mercado, mas se unem na defesa da instituição criminosa.

    Nesta quarta-feira (10), todos os principais sites de notícias deram destaque para a entrega do relatório final da Comissão da Verdade, que aponta os responsáveis pelas torturas, mortes e desaparecimentos durante o sombrio período da ditadura militar no Brasil.

    Nos telejornais, até houve uma postura respeitosa diante da emoção da presidenta Dilma Rousseff, vítima de torturas, que chorou ao receber o relatório. Mas nenhum veículo da mídia monopolista citou uma importante conclusão da Comissão da Verdade: a de que o Grupo Folha apoiou a ditadura militar!

    Segundo o relatório, o império midiático da famiglia Frias não deu apenas apoio ideológico ao golpe militar e ao regime facínora dos generais. Ele também deu apoio financeiro e logístico aos golpistas — inclusive cedeu suas caminhonetes para a ação repressiva.

    No item sobre a colaboração de civis com o regime militar, elaborado por 11 pesquisadores do grupo de trabalho sobre o Estado Ditatorial-Militar, a Comissão Nacional da Verdade menciona o livro “Cães de guarda: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988″, da pesquisadora Beatriz Kushnir.

    Na página 320, o texto aponta os grupos empresariais que colaboraram com a famigerada Operação Bandeirantes e afirma que “constatou a presença ativa do Grupo Folha no apoio à Oban, seja no apoio editorial explícito no noticiário do jornal Folha da Tarde, seja no uso de caminhonetes da Folha para o cerco e a captura de opositores do regime”.

    A ação fascista da famiglia Frias sempre foi denunciada pelas vítimas da ditadura militar.

    Em 1971, três caminhonetes da Folha inclusive foram queimadas por militantes de esquerda como forma de protesto. Mas os barões da mídia, como as famiglias mafiosas, preferem esconder este fato histórico.

    PS do Viomundo: A decência exigiria dos jornalões que pedissem desculpas por sua atuação antes e durante a ditadura. A Folha prefere fugir de sua responsabilidade.

    PS2 do Viomundo: Comentário deixado no Viomundo em 2009 pela leitora Laura, depois que o jornal chamou a ditadura de “ditabranda”:

    laura (08/03/2009 – 05:46)
    A Folha fornecia suas peruas de distribuição de jornais, as C 14 para levar os presos sob metralhadoras para serem torturados ou morrer no DOI-CODI. Eu fui levada para lá, numa delas, beje. Quando vc via uma perua C 14 sabia que estava sendo perseguido. Essa a contribuição da Folha para a SUA “ditabranda”. Há que falar claramente qual é a “liberdade” da Folha de São Paulo, um jornal que mente.

    PS3 do Viomundo: Íntegra do editorial Banditismo, escrito por Octávio Frias de Oliveira depois que a resistência queimou carros da Folha durante o governo Médici, no auge da ditadura que matou, torturou e sumiu com pessoas (grifos nossos):

    Banditismo

    Publicado em 22 de setembro de 1971

    OCTAVIO FRIAS DE OLIVEIRA

    A sanha assassina do terrorismo voltou-se contra nós.

    Dois carros deste jornal, quando procediam ontem à rotineira entrega de nossas edições, foram assaltados, incendiados e parcialmente destruidos por um bando de criminosos, que afirmaram estar assim agindo em “represalia” a noticias e comentarios estampados em nossas paginas.

    Que noticias e que comentarios? Os relativos ao desbaratamento das organizações terroristas, e especialmente à morte recente de um de seus mais notorios cabeças, o ex-capitão Lamarca.

    Nada temos a acrescentar ou a tirar ao que publicamos.

    Não distinguimos o terrorismo do banditismo. Não há causa que justifique assaltos, assassinios e sequestros, muitos deles praticados com requintes de crueldade.

    Quanto aos terroristas, não podemos deixar de caracterizá-los como marginais. O pior tipo de marginais: os que se marginalizam por vontade propria. Os que procuram disfarçar sua marginalidade sob o rotulo de idealismo politico. Os que não hesitaram, pelo exemplo e pelo aliciamento, em lançar na perdição muitos jovens, iludidos, estes sim, na sua ingenuidade ou no seu idealismo.

    Desmoralizadas e desarticuladas, as organizações subversivas encontram-se nos estertores da agonia.

    Da opinião publica, o terror só recebe repudio. É tão visceralmente contrario às nossas tradições, à nossa formação e à nossa indole, que suas ações são energicamente repelidas pelos brasileiros e por todos quantos vivem neste país.

    As ameaças e os ataques do terrorismo não alterarão a nossa linha de conduta.

    Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve.

    E de maneira especial não há hoje, quando um governo serio, responsavel, respeitavel e com indiscutivel apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social — realidade que nenhum brasileiro lucido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama.

    O Brasil de nossos dias é um país que deseja e precisa permanecer em paz, para que possa continuar a progredir. Um país onde o odio não viceja, nem há condições para que a violência crie raizes.

    Um país, enfim, de onde a subversão — que se alimenta do odio e cultiva a violencia — está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da Imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma Imprensa que os remanescentes do terror querem golpear.

    Porque, na verdade, procurando atingir-nos, a subversão visa atingir não apenas este jornal, mas toda a Imprensa deste país, que a desmascara e denuncia seus crimes.

    Leia também:

    Alípio Freire e Beatriz Kushnir: A Folha e a ditadura

    Folha da Tarde: O jornal que matava nas manchetes

    Ivan Seixas viu carros da Folha diante de centro de torturas

    Luiz Antonio Dias: O papel da Folha e do Estadão no golpe de 64

    Frias visitava o DOPS, diz ex-delegado

    Beatriz Kushnir: Além de apoiar o golpe, mídia foi colaboracionista

    Rose Nogueira: A ficha (verdadeira) da Folha

    Beatriz Kushnir: Quem eram os cães de guarda

    Ivan Seixas: Otavião tinha medo de ser fuzilado

    Beatriz Kushnir: Como a mídia colaborou com a ditadura

    Folha sai pela tangente e diz que "quase toda a imprensa" apoiou golpe; jornal chamou governo Médici de "respeitável" « Viomundo – O que você não vê na mídia

    29/09/2014

    Gorila só tem coragem com arma na mão e com adversário algemado

    Filed under: Assassinato,Ditadura,Estupro,Golpe Militar,Gorilas,Milicos,Tortura — Gilmar Crestani @ 8:02 am
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    Caros senhores signatários do ‘Manifesto à nação brasileira’

    Se existe tanto orgulho e regozijo dos 21 anos de ditadura no Brasil, por que se calar diante das convocações da Comissão Nacional da Verdade?

    Caroline Silveira Bauer

    Arquivo

    Esta é uma carta escrita por uma historiadora, nascida no início da década de 1980, e que dedicou os últimos doze anos ao estudo da ditadura civil-militar brasileira. Embora não tenha vivido “integralmente este período” – o que me daria uma pretensa legitimidade enquanto testemunha – as credenciais de historiadora permitem que eu contraponha a memória dos senhores sobre a ditadura – porque não ousaria chamar seu pronunciamento de história – a partir de alguns questionamentos comuns a um pesquisador, ou parafraseando Brecht, a um operário que lê.
    Não me prolongarei em relação à tortura. Frente às evidências empíricas – documentais e testemunhais – de seu emprego como prática sistemática pela ditadura, de seu ensinamento em cursos de interrogatório (assumido anteriormente por generais que assinam esse manifesto), as teses de “casos pontuais” ou “excessos” carecem de legitimidade. A tortura foi regra, e não exceção durante o regime discricionário. E, se foram casos que não contavam com a aprovação da alta oficialidade, por que não foram investigados e os responsáveis punidos no momento em que as denúncias ocorriam? A impunidade também foi um erro, assim como os desaparecidos políticos?
    Me deterei, um pouco mais, na tentativa de lhes explicar a ineficácia argumentativa da “teoria dos dois lados”, ou “teoria dos dois demônios”, como ficou conhecida a tentativa de equiparação entre os crimes cometidos pelo Estado e os oriundos da violência revolucionária das organizações guerrilheiras. Os senhores realmente acreditam que o Estado e seu aparato de informações e repressão pode ser comparado a ações de guerra revolucionária?
    Em meus estudos, aprendi que, enquanto cidadã, eu posso delinquir – e, possivelmente, serei julgada e condenada pelos meus atos (a não ser que seja agraciada por uma lei de anistia, como a de 1979). No entanto, o Estado, cuja função última é garantir minha integridade e segurança, deve utilizar os recursos jurídicos existentes para pautar suas ações – e não cometer crimes, como o sequestro, a tortura, a morte e o desaparecimento. Mesmo que seus “inimigos” desejassem regimes socialistas e comunistas, e aos senhores lhes competia a defesa do “Estado brasileiro de organizações que desejavam implantar regimes espúrios em nosso país” ainda assim lhes cabia a exceção, a morte, o desaparecimento?
    Questiono-os mais uma vez, quanto aos “erros” cometidos: houve investigação, processo e condenação – algumas vezes, à prisão perpétua e à morte – de integrantes da esquerda armada; e os senhores, generais? Responderam aos seus “erros”? Será que os “dois lados” não valem, também, para a responsabilização penal? Afinal de contas, se os senhores assumem que foram anistiados – em bom juridiquês, isentos de punibilidade – isso não significa que os senhores admitem terem cometido crimes? – sim, por que como anistiar um crime que não existiu?
    Existe a possibilidade de comparar o tribunal penal militar ao qual foram submetidos os “subversivos” a uma comissão que não possui prerrogativas punitivas, apenas de averiguação de fatos, de uma “verdade histórica”? E, por falar em “verdade histórica”, para encerrar esse tópico, talvez seja importante lembrar que o trabalhismo, eixo da política de João Goulart, presidente à época do golpe civil-militar, está muito longe de uma ameaça comunista e/ou de subversão. Então, quem deu o primeiro passo? E, mesmo que houvesse guerrilha antes de 31 de março de 1964, existia a necessidade de uma quebra da ordem constitucional e supressão da democracia?
    Caros senhores, em que pese as críticas que podem ser feitas ao trabalho da Comissão Nacional da Verdade, se não há avanços em suas investigações é porque, em parte, não há colaboração dos senhores. Se existe tanto orgulho e regozijo dos 21 anos de ditadura, por que se calar diante das convocações da comissão? Não seria a possibilidade dos senhores manifestarem sua opinião, como em um legítimo regime democrático? Ainda sobre a comissão, creio que falte maiores informações para os senhores, mas não há pagamento de nenhuma indenização por dito órgão – apenas pela Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e pela Comissão de Anistia. Tal “bolsa ditadura” se trata de uma medida compensatória pela dificuldade ou impossibilidade de reparar as sequelas da tortura, os traumas do desaparecimento, e a ausência gerada pela morte. “Bolsa ditadura”, paga com o erário público, o mesmo que mantém as voluptuosas aposentadorias que os senhores recebem por cumprirem os ditames “do Exército de Caxias”.
    Quanto ao pedido de desculpas, talvez não lhes compita, mas sim à presidenta, comandante-em-chefe das Forças Armadas e representante do Estado brasileiro, que espero que assuma um compromisso ético e moral que não permita se orgulhar de um passado ditatorial, responsável por sequelas individuais e coletivas que impregnam a democracia. Os senhores podem manifestar-se individualmente, se assim desejarem e se os destinatários desse ato assim o quiserem, pois acredito que eles querem muito mais; nem desculpa, nem perdão: mas justiça!
    (*) Caroline Silveira Bauer é professora de História Contemporânea na Universidade Federal de Pelotas. Doutora pela Universidade Federal do Rio Grade do Sul e pela Universitat de Barcelona, é autora do livro "Brasil e Argentina: ditaduras, desaparecimentos e políticas de memória".

    27/09/2014

    Como funciona uma cabeça sem cérebro?

    ditadura era issoVou explicar. O bandido chega na casa do general. Prende o sujeito no banheiro, tortura, estupra, e depois faz guisado dele para que possa descer pela privada. O filho do general reage aos bandidos. Na cabeça destes gorilas, o culpado é filho que reage, não o bandido que invade a casa, expulsa os inquilinos, prende, tortura, estupra, mata e desova o resto em covas clandestinas. Vou dar de barbada que o gorila tenha razão, que a violência partiu da esquerda. Derrubar um governo com uso de tanques não é violência? Só na cabeça de um anencefálico cabe um raciocínio destes. Estes caras não são nada sem uma arma na mão. E com uma arma na mão até o Fernandinho Beira-Mar era macho!

    Meu deus, estes caras, com uma arma na mão se acharam reis da cocada preta. São excremento no lixo!

    Generais recusam desculpas por ditadura

    Manifesto ataca Defesa e Comissão da Verdade

    DE SÃO PAULO

    Um grupo de generais da reserva do Exército divulgou, na sexta (26), manifesto de repúdio ao ministro da Defesa, Celso Amorim, e com duras críticas à atuação da Comissão Nacional da Verdade.

    Assinado por 27 oficiais que tiveram postos de comando durante a ditadura militar (1964-85), o documento diz que Exército, Marinha e Aeronáutica não devem qualquer pedido de desculpas pelos crimes cometidos no período.

    "Abominamos peremptoriamente a recente declaração do senhor ministro da Defesa à Comissão da Verdade de que as Forças Armadas aprovaram e praticaram atos que violaram direitos humanos no período", afirma a nota.

    A manifestação é uma resposta a um ofício encaminhado por Amorim à Comissão da Verdade admitindo, pela primeira vez, que as Forças Armadas não têm condições de negar a ocorrência de mortes e crimes na ditadura.

    O manifesto dos generais diz que a violência no período partiu da esquerda armada e que a Comissão da Verdade "açula" as Forças Armadas ao investigar somente os crimes cometidos pelo Estado. "Temos orgulho do passado e do presente de nossas Forças Armadas. Se houver pedido de desculpas, será por parte do ministro. Do Exército de Caxias não virão! Nós sempre externaremos a nossa convicção de que salvamos o Brasil!", conclui a nota.

    A presidente Dilma Rousseff limitou-se a dizer que as leis precisam ser cumpridas.

    22/09/2014

    Gorilas sadomasoquistas: para dar prazer aos EUA, torturaram até índios

    Filed under: Aikewara,Assassinato,Índio,Ditadura,Gorilas,Tortura — Gilmar Crestani @ 7:49 am
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    ditadura era issoMilico quando rouba o poder só faz merda!

    YWYNUHU SURUÍ

    TENDÊNCIAS/DEBATES

    O primeiro povo indígena anistiado

    Por mais que haja reparação, nunca sairão da memória dos Aikewara as cenas de terror presenciadas na repressão à guerrilha do Araguaia

    Nós, Aikewara, povo tupi-guarani conhecido como "Suruí do Pará", escrevemos este artigo para que todos saibam por que na sexta-feira, 19 de setembro, nós nos tornamos o primeiro grupo de indígenas considerado anistiado político e por que esse dia é histórico para nós e para os povos indígenas deste país.

    Esperamos 40 anos para que o Estado brasileiro reconhecesse a violência sofrida por nós, dentro e fora de casa, sem saber o porquê da presença daqueles homens fardados na aldeia para "caçar" pessoas –pergunta que eles próprios, nossos pais e avós, se faziam: por que os "marehai" (forma como chamamos os militares na nossa língua) estavam matando aquelas pessoas no Araguaia?

    Durante três anos, de 1971 a 1973, os Aikewara viveram assustados quando ouviam qualquer barulho de carro ou avião. Logo pensavam que seriam mortos. Muitos tinham insônia, não conseguiam dormir tranquilos porque o tempo todo eram ameaçados por soldados do Exército brasileiro.

    As mulheres ficavam apavoradas ao ouvir a tradução de quem sabia falar um pouquinho de português, de que os soldados estavam ordenando que as crianças se calassem e, que se fizessem qualquer barulho, eles matariam todos. E todos os homens adultos da aldeia foram levados para servir de guias para os "marehai" na mata –que conhecemos bem porque é a nossa terra.

    Sem comer direito, andando por dias e dias, obrigados a levar cargas pesadas nas costas, aos empurrões, gritos e ameaças, dormindo ao relento na mata e adoecendo.

    Por mais que seja feita uma reparação, nunca sairão da memória do povo Aikewara as cenas de terror e tortura que todos na aldeia presenciaram e sofreram no período da repressão à guerrilha do Araguaia, sendo prisioneiros em suas próprias casas, mantidos em cárcere privado, sem direito de buscar o seu próprio alimento. Crianças, idosos e mulheres passavam fome porque lhes fora tirado o direito de ir e vir em nossa própria terra.

    Por muitos e muitos anos ouvimos essa história contada pelos nossos avós desde que éramos pequenos. Hoje somos pais e alguns já são avôs ou avós. Agora entendemos por que eles nos contavam e por que temos que continuar contando por meio de narrativas, maneira como são repassados os ensinamentos, as histórias do povo Aikewara para nossos filhos e netos.

    Em meio a tantas lindas histórias que aprendemos ouvindo para poder repassar adiante de geração em geração –para que nunca acabem–, não era dessa maneira que nós gostaríamos de fazer parte da história do nosso país.

    É triste saber que para viver na democracia foi preciso lutar e perder tantas vidas. Para ter liberdade foram perdidas vidas de verdadeiros heróis que não podem jamais ser esquecidos –e cujas lutas foram interrompidas com violência e mortes. Graças a essas corajosas pessoas é que podemos nos manifestar para fazer valer nossos direitos à saúde, à educação, à moradia e ao transporte de qualidade, garantidos na Constituição Federal.

    Agora reconhecidos como anistiados políticos pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, ainda esperamos a principal reparação que existe, e que é coletiva: a regularização e desintrusão da terra indígena Tuwa Apekuokawera, parte do nosso território, excluída há 40 anos. É só com a devolução e proteção do nosso território que poderemos voltar a viver mais tranquilamente depois de tudo o que nossos pais e avós sofreram.

    YWYNUHU SURUÍ, 30, é integrante do povo Aikewara e diretor da Escola Indígena Moroneikó, na Terra Indígena Sororó, sudeste do Pará

    20/09/2014

    Agilidade militar: a mentira é na hora; já a verdade demora 50 anos

    ditadura sanguináriaMilitares dizem não poder negar tortura

    Em ofício à Comissão da Verdade, comandos das três Forças admitem não ter como contestar crimes na ditadura

    Documentos são feitos por ordem da Defesa; para ministério, é 1º passo para reconhecer torturas e assassinatos

    ELIANE CANTANHÊDECOLUNISTA DA FOLHA

    O ministro da Defesa, Celso Amorim, encaminhou na sexta (19) à Comissão Nacional da Verdade (CNV) ofícios das três Forças Armadas admitindo, pela primeira vez, que não têm condições de negar a ocorrência de graves violações aos direitos humanos em instalações militares durante a ditadura (1964-85).

    Conforme a Folha apurou, o Comando da Aeronáutica afirma não ter elementos para contestar que houve graves violações nem o reconhecimento da responsabilidade do Estado, e o da Marinha alega que não tem provas para negar nem confirmar as violações apontadas pela CNV.

    O ofício do Comando do Exército não contradiz os dados de violações fornecidos pela comissão, alegando que não seria pertinente contestar decisões já tomadas pelo Estado brasileiro (que já reconheceu a existência de torturas e mortes no período) nem as circunstâncias configuradas em lei nesse sentido.

    Foi uma referência à lei que concedeu indenização às vítimas e às famílias de mortos e desaparecidos e à que criou a Comissão da Anistia.

    Na avaliação da Defesa, é um passo importante a mais no processo de reconhecimento público, pelas três Forças, de que houve torturas e mortes durante aquele regime e que o Estado brasileiro tem responsabilidade pelo ocorrido. A área civil dos sucessivos governos já reconhece essa realidade há anos.

    Apesar disso, há certa prudência diante da repercussão na própria CNV. A expectativa é que, em público, a comissão reaja dizendo que é necessário algo mais afirmativo e entre com novo ofício. Nos bastidores, porém, a previsão é que verá boa vontade por parte de Defesa e comandos.

    Em documento a subordinados em fevereiro, o general Enzo Peri, comandante do Exército, proibira que unidades militares dessem informações sobre crimes ou violências em suas dependências. No texto, Peri ordenou que qualquer informação referente ao tema só deveria ser respondida pelo gabinete.

    A determinação foi criticada pelo Ministério Público Federal, que investiga crimes e violências ocorridas na ditadura, e por integrantes da CNV, que reclamam das dificuldades e obstáculos que seriam criados pelas Forças.

    RESPOSTA

    Os ofícios dos três comandos foram feitos por ordem do ministro Amorim e em resposta a um pedido da comissão em 13 de agosto, perguntando se a Defesa e as três Forças "confirmam ou negam as informações apresentadas e comprovadas pela CNV".

    No pedido, a comissão listou 24 vítimas, as violações que sofreram, o local onde ocorreram e as provas –neste caso, processos na Justiça, documentos do Ministério Público ou inquérito policial.

    Dois dias depois, Amorim repassou o pedido aos comandantes, antecipando sua posição: a de que o Estado brasileiro é unitário e só caberia à Defesa e às Forças Armadas, a ela vinculadas, corroborar o reconhecimento já feito antes por outras instâncias do mesmo governo.

    Já era referência às leis dos mortos e desaparecidos e da Comissão da Anistia, agora também elencadas no ofício de resposta do Exército.

    Para o governo, a Defesa teve papel fundamental na própria criação da CNV, mantém diálogo direto com seus membros, abriu as portas das organizações militares onde houve violações nas décadas de 60 e 70, não fez nenhuma gestão para desestimular depoimentos de militares e, por fim, tem respondido às requisições de informações.

    11/09/2014

    Sabe porque a Folha não publicou isto na Ditadura?

    Folha ditaduraA Folha não publicava nada que desagradasse a ditadura simplesmente porque era parceira da ditadura. Na democracia prefere chamar a ditadura de ditabranda. A Folha acobertava os crimes dos milicos da mesma forma que hoje acoberta as falcatruas do PSDB e de seus financiadores ideológicos. O sistema era tão bom que qualquer pessoa que falasse algo que os gorilas não gostassem era preso sem qualquer ordem de prisão. Uma vez preso, milicos que têm orgasmo com sofrimento alheio eram escolhidos para torturarem. Depois de torturados, eram estuprados. Depois de mortos, esquartejados. Depois de esquartejados, espalhados em valas clandestinas. Para isso contavam com as peruas que a Folha usava para distribuir jornais, para não levantar suspeitas. A ditadura foi muito ditabranda para a Folha. Já para o deputado Rubens Paiva

    Isto também explica por que muito imbecil diz que na ditadura não havia corrupção nem violência. Sim, o que havia não publicavam. SIMPLES ASSIM!

    A TRAJETÓRIA DE RUBENS PAIVA

    Rubens Beyrodt Paiva
    Nasceu em Santos em 1929. Formou-se em engenharia pelo Mackenzie em 1954. Atuou na campanha "O petróleo é nosso"

    Deputado federal
    Em 1962, é eleito deputado federal pelo PTB-SP. Participa da CPI do Ipes-Ibad, instituição que articula o golpe militar

    Golpe e Exílio
    Após o golpe de 1964, Paiva é cassado com base no Ato Institucional nº 1 e se exila na Iugoslávia e depois na França

    Retorno e mudança
    Em 1965 volta ao Brasil. Leva sua família para o Rio, mas mantém contato com exilados

    Desaparecimento
    Em 1971 é levado por militares da Aeronáutica e desaparece. Militares alegam que ele foi resgatado por "terroristas"

    Revelação
    O médico Amílcar Lobo, que atuava no DOI-Codi, revela em 1986 que Rubens Paiva morreu por causa da tortura

    Farsa
    Em 2013, o coronel Raymundo Ronaldo Campos admite, para a Comissão da Verdade do Rio, a farsa para encobrir a morte

    Acusação
    Em 2014 a Comissão Nacional da Verdade acusa o general José Belham pela morte. Ele nega

    09/09/2014

    Campanha: bote um milico num fusca e mande-o pro RIOCENTRO!

    Para quem não entendeu, a Wikipédia desenha: Atentado do Riocentro!

    O antipetismo do Clube Militar e a vala comum do esquecimento, por Denise Ribeiro

    Roberto Bitenco…

    ter, 09/09/2014 – 08:36

    Por Denise Felipe Ribeiro (*)

    Após a derrocada dos regimes ditatoriais-militares no Cone Sul, a partir de meados dos anos 1980, teve início o processo de reconstrução democrática. Entre os grandes desafios aí colocados estão a pacificação, a mudança nas relações entre civis e militares e as questões relacionadas a como lidar com o passado autoritário. Foram então adotadas algumas medidas denominadas como políticas de justiça de transição, que buscam o estabelecimento da noção de não-repetição de atos arbitrários por parte do Estado e de uma maior confiança dos cidadãos nas instituições. Tais objetivos seriam alcançados por intermédio do conhecimento dos fatos (direito à verdade e à memória), da indenização aos que sofreram perseguições (reparação), da responsabilização daqueles que agiram de forma ilegal e perpetraram crimes contra a humanidade (restabelecimento do preceito de justiça e devido processo legal) e da reforma das instituições, particularmente os órgãos de segurança, para que estas sejam vocacionadas para a vida democrática.

    No Brasil, somente em 1995, o Estado reconheceu a sua responsabilidade pelas mortes e desaparecimentos ocorridos no curso do período ditatorial. No mesmo ano, foi criada a Comissão Especial de Anistia, que contemplou empregados do setor privado, de empresas públicas e mistas, dirigentes e representantes sindicais, e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. No final do governo FHC, a Lei 10.559/2002 responsabilizou o Estado por torturas, prisões arbitrárias, demissões, transferências por razões políticas, sequestros, compelimento ao exílio e à clandestinidade, banimentos e expurgos, determinando o pagamento de indenizações aos atingidos.

    Ao longo dos governos petistas, ainda que com uma série de limitações, as ações de justiça de transição têm sido postas em prática, particularmente no que diz respeito ao tema da memória e verdade. Projetos como o Direito à Memória e Verdade, de 2006, que registrou oficialmente as mortes e desaparecimentos, e as Caravanas da Anistia, que fazem julgamentos simbólicos públicos em várias cidades onde ocorreram perseguições, se inserem nas ações que propõem o conhecimento do passado como uma forma de garantir a não repetição dos fatos e trazer mudanças significativas nas instituições, tendo em vista a (re)construção democrática. A criação do projeto Memórias Reveladas, em 2009, ao reunir, preservar e facilitar o acesso à documentação referente ao período ditatorial se insere nesse conjunto de ações de promoção do direito à verdade e à memória. Ademais, em 2012, teve início uma das mais significativas ações de justiça de transição: a Comissão Nacional da Verdade.

    A despeito das cobranças feitas ao governo brasileiro pelas cortes internacionais de direitos humanos, especialmente a OEA, para que sejam investigados os crimes contra a humanidade perpetrados pelo regime civil-militar brasileiro, e punidos os agentes envolvidos, ainda existem muitas resistências contra as medidas de justiça de transição. Essas resistências têm feito com que, lamentavelmente, o governo brasileiro não tenha tomado as medidas exigidas pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso dos desaparecimentos do Araguaia. Entre os atores sociais que criticam de modo mais encarniçado essas políticas, encontram-se os setores das Forças Armadas que defendem publicamente o período ditatorial, sobretudo o Clube Militar. A instituição, criada em 1887, com participação na proclamação da República e nos debates sobre a exploração do petróleo que resultaram na criação da Petrobras, ficou mais marcada pelo protagonismo em movimentos golpistas, especialmente aquele que destituiu o Presidente João Goulart, em 1964. É essa instituição que todos os anos, no dia 31 de março, reúne os seus membros na sede do Rio de Janeiro para comemorar o que dizem ser a “revolução democrática”.

    O antipetismo, publicizado de maneira desinibida pela instituição militar, por meio de um recente manifesto de apoio à candidata Marina Silva, reflete e tenta disfarçar a enorme contrariedade em relação às medidas de justiça e verdade promovidas pelo governo federal. Não à toa, o manifesto foi publicado logo após a candidata pesebista ter se posicionado de modo contrário à revisão da Lei da Anistia e à punição de torturadores. O documento do Clube Militar vai ao encontro de outras ações como a do general Enzo Peri, comandante do Exército, que teria proibido a colaboração dos quarteis com as investigações da Comissão da Verdade.

    O que o apoio do Clube Militar à candidata Marina Silva tende a revelar, por trás do saliente antipetismo e de uma suposta contrariedade em relação a denúncias de corrupção, é o potencial compromisso da candidata de que todos os avanços acima mencionados sejam jogados na vala comum do esquecimento.

    (*) Denise Felipe Ribeiro – mestre em História (UFF) e profa. da SME-Rio, atua em pesquisas sobre a ditadura civil-militar de 1964 e o processo de Anistia.

    Imagens

    O antipetismo do Clube Militar e a vala comum do esquecimento, por Denise Ribeiro | GGN

    22/08/2014

    Vergonha: Poder Judiciário vira guarda-espalda de torturadores

    Filed under: Brilhante Ustra,Ditadura,Nancy Andrighi,Poder Judiciário,Tortura — Gilmar Crestani @ 8:57 am
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    Ministra do STJ vota a favor de Ustra

    ROLDÃO ARRUDA

    Quinta-Feira 21/08/14

    Em julgamento de recurso do coronel Ustra, relatora observou que Lei da Anistia pacificou o País e permitiu à sociedade olhar para o futuro

    O Superior Tribunal de Justiça (STJ) iniciou nesta quinta-feira, 21, o julgamento do recurso especial do coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que o reconheceu como responsável por torturas contra presos políticos nos anos da ditadura. Ao apresentar seu voto na abertura da sessão, a ministra Nancy Andrighi, relatora do processo, defendeu o pedido do coronel e a extinção da ação.

    De acordo com a ministra, a ação declaratória contra o militar não tem procedência. Nancy lembrou que ele também foi beneficiado pela Lei da Anistia de 1979. Destacou passagens da lei e afirmou que seu objetivo principal foi a pacificação nacional após o fim da ditadura.

    De acordo com informações publicadas no site Migalhas, especializado em questões jurídicas, a ministra disse que a lei foi “um passo importante e necessário para romper definitivamente com aquele triste passado, para reescrever a história pensando no futuro”.

    O caso está sendo julgado pela 3.ª Turma do STJ, que conta atualmente com quatro ministros. Ao comentar o voto da relatora, o defensor do coronel, advogado Paulo Esteves, disse que ela seguiu o que determinam as leis do País. “Prevaleceram a Constituição e a Lei da Anistia”, afirmou.

    Ustra comandou o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), do 2.º Exército, entre setembro de 1970 e janeiro de 1974. Segundo a Comissão Nacional da Verdade, aquele foi um dos principais centros de tortura de presos políticos no período da ditadura.

    Em 2008, os ex-presos políticos César Augusto Teles, Maria Amélia Teles e Criméia Alice Schmidt de Almeida, que foram torturados nas dependências daquela instituição militar, recorreram à Justiça para obter uma declaração legal apontando o coronel como responsável pelas violências. Queriam o estabelecimento de uma relação de responsabilidade civil entre os fatos relatados por eles e o militar.

    O caso chegou ao Tribunal de Justiça de São Paulo em 2012. Saiu dali a primeira decisão judicial de segunda instância, desde o fim da ditadura, em 1985, que declarou oficialmente que um agente do Estado foi responsável por torturas. Segundo os desembargadores paulistas, o coronel Ustra não cumpriu sua obrigação legal de preservar a integridade física e moral de pessoas mantidas sob a custódia do Estado.

    A ação cível, sem pedido de indenização, prisão ou suspensão de aposentadoria, foi a brecha legal encontrada pelas vítimas de torturas para atingir o coronel. Em todas as tentativas anteriores de responsabilizá-lo por violações de direitos humanos, seus advogados já haviam recorrido à Lei da Anistia, com sucesso.

    A decisão da ministra Nancy não constitui uma novidade no cenário jurídico. De maneira geral, as cortes superiores têm defendido que todos os agentes públicos acusados de violações de direitos humanos foram beneficiados pela Lei da Anistia.

    Pesa no comportamento das cortes a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que, ao julgar um questionamento feito pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sobre o alcance da lei, afirmou que beneficiou também os agentes públicos. Segundo o advogado Joelson Dias, que defende os ex-presos, a decisão do STF não é definitiva e o julgamento no STJ tende a ser favorável à familia Telles.

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    Leia também:

    Ditadura montou centros de extermínio

    Juiz federal extingue processo contra Ustra

    Senadores querem tombamento de edifício que abrigou centro de tortura

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    26/05/2014

    Ditadura é isso aí: – prazer de torturar estudantes!

    Filed under: Ditabranda,Ditadura,Riscala Corbaje,Tortura — Gilmar Crestani @ 8:27 am
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    ditadura era issoO meu desprezo pelos que, em pleno século XXI, ainda defendem a ditadura. O mais feroz dos animais seria capaz de regozijar com a tortura de seu semelhante. No caso das ditadura, há um agravante. É o voyeurismo do escroto que só consegue prazer ao saber que outro sofre. Literalmente, goza com o pau dos outros. O pior neste déficit civilizatório, é que a tortura se dá sobre inocentes cujo único crime é pensar diferente. Aí, para corrigir seu crime de ter idéias diferentes, é preso, e, depois de preso, torturado. Por isso que digo, com uma arma na mão, até Fernandinho Beira-Mar se achava general.

    Agente da ditadura diz ter torturado mais de 500

    Ao Ministério Público, Riscala Corbaje afirmou não ter peso na consciência

    Coronel reformado da PM, ‘Nagib’ comandou sessões de pau de arara e de eletrochoque entre 1970 e 1972, no Rio

    DO RIO

    Em depoimento recente ao Ministério Público Federal, o coronel reformado da Polícia Militar Riscala Corbaje confessou ter torturado mais de 500 presos entre 1970 e 1972, período durante o qual chefiou a equipe de interrogatório do Destacamento de Operações de Informações do 1º Exército, na Tijuca (Rio).

    Trechos do depoimento de Corbaje foram publicados ontem pelo jornal "O Globo". Corbaje, que usava o codinome "Nagib", disse que fazia os presos urrarem de dor no pau de arara, com o peso do corpo "em cima dos dois nervos que passam por debaixo da perna".

    "Você pega um estudante, bota ele com o peso do corpo numa barra de ferro e deixa ele 15 minutos pendurado no pau de arara. Não precisa dar choque. O cara urra de dor."

    O ex-agente, que segundo a reportagem está cego e doente, reclamou da pouca experiência do médico Amílcar Lobo, então um jovem tenente de 23 anos, e de sua incapacidade de avaliar as condições de saúde dos presos para que a tortura pudesse continuar.

    Corbaje admitiu ter participado também de sessões de eletrochoque. Ao encerrar seu depoimento, disse não se arrepender: "Não tenho o menor peso na consciência".

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