Ficha Corrida

14/09/2014

Desfaçatez da RBS & Ana Amélia tem raízes na matriz, Rede Globo

Às vezes parece aquele velho ditado, a melhor defesa é o ataque. No dia em que a diretora da sucursal da RBS em Brasília (09/06/1986) se vestia de fantasma para acumular o cargo em comissão no gabinete do marido, Zero Hora tripudiava pra cima dos gaúchos com um editorial de irretocável cinismo:  “A obrigatoriedade do concurso para provimento efetivo de cargos públicos é constantemente ignorada pela política do nepotismo, do apadrinhamento e do favorecimento”.

A moralidade de ocasião da Globo fez escola na filial gaudéria. A reunião do coronelismo eletrônico entorno da famiglia Marinho (Sarney no Maranhão, Jereissati no Ceará, Alves no RN, Collor em Alagoas & Sirotsky no RS) deu frutos enquanto detinham o monopólio. Hoje, com a internet, a hipocrisia continua porque o uso do cachimbo entorta a boca. Contudo, de nada adianta. A manada que seguia cegamente os hipócritas vem diminuindo sensivelmente. Eles continuam se achando reis da cocada preta.

Criaram, à moda da máfia siciliana, o Instituto Millenium para coordenar tudo o que poderíamos saber e como saber. Inobstante as críticas, partiram para outro momento à boçalidade, tentando patrulhar o Poder Judiciário, já que o capitão-de-mato fugiu do páreo. A perda de um moleque de recados deixa outro totalmente descontrolado, a ponto de chamar o Tribunal onde atua de Tribunal Nazista. Um dia alguém ainda vai fazer um levantamento completo do prejuízo institucional que foi a nomeação de Gilmar Mendes por FHC.

A hipocrisia da Ana Amélia Lemos tem raiz na mesma hipocrisia de quem tem  a desfaçatez de escrever um livro “Não somos racistas”.

Globo descobre que Tijolaço publica… fatos

14 de setembro de 2014 | 11:14 Autor: Miguel do Rosário

paulo_roberto

Essa é para morrer de rir.

Ou chorar, não sei bem.

O jornalismo brasileiro entrou no terreno da comédia absurda. Ou seria tragédia bufa?

O Globo publica hoje, com chamada na capa do site, uma matéria bizarra.

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O surrealismo não é a publicação da matéria em si, mas o seu tom conspiratório e venenoso.

O jornal descobriu que houve alteração no perfil de wikipédia de Paulo Roberto Costa, feita por alguém usando a rede da Petrobrás.

Eu já mostrei, aqui no Tijolaço e no Cafezinho, que as redes de todas as estatais, e de todas as corporações, inclusive da Globo, alteram perfis de wikipédia.

(Confira aqui como alguém usando a internet da Globo alterou perfis no Wikipédia de jornalistas como Fausto Wolff, Rui Castro e Fernando Morais. E aqui para ver como alguém usando a rede do governo de SP inseriu uma difamação grosseira contra Raul Seixas, em seu verbete no Wikipédia; essa história foi incluída, ó ironia, no verbete da Miriam Leitão!)

Criminalizar isso seria como criminalizar o uso de whatsupp por um funcionário público. Ou, para falar de algo mais antigo, condenar alguém porque mandou um email para um jornal, usando a internet de uma corporação, pública ou privada.

O problema na alteração dos verbetes no wikipédia dos jornalistas Sardenberg e Miriam Leitão foi a deselegância e a estupidez de usar a rede do Planalto para inserir informações negativas sobre jornalistas críticos ao Planalto.

Mas não há crime algum.

A Globo quer impor, ao serviço público brasileiro, o mesmo ambiente de falta de liberdade individual que impõe a seus funcionários, que são proibidos até mesmo de externarem posições políticas em redes sociais?

A Globo quer mandar no Brasil? Quer ser o juiz do que é certo e errado?

Estatais de São Paulo, Minas, do país inteiro, fazem, regularmente, centenas de alterações em perfis do wikipédia, que é um sistema aberto e livre, onde qualquer um pode incluir ou alterar o que quiser.

Como que confirmando esse clima pesado, o próprio Globo publica hoje matéria em que menciona o “medo” de servidores da Petrobrás de assinarem qualquer contrato.

O medo de assinar um contrato irregular é saudável, e todos os servidores devem ter mesmo, mas o que a matéria sugere é algo pior: o medo dos servidores de, mesmo não fazendo nada de errado, serem expostos na mídia.

A falta de regulamentação da mídia brasileira, e a ausência do direito de resposta, nos transformou numa sociedade em estado de chantagem permanente.

Está começando a afetar até mesmo a produtividade econômica das empresas, conforme admite, cinicamente, a reportagem do Globo.

A mídia pode destruir a reputação de qualquer um, mesmo que não se tenha feito nada de errado.

Entretanto, o mais surreal vem a seguir.

A “alteração” no verbete de Paulo Roberto Costa na Wikipédia foi a inclusão de um capítulo, apagado em seguida, intitulado “Ex-diretor começou no primeiro governo de FHC”

A matéria da Globo admite que as informações contidas nesse capítulo são verdadeiras. O próprio Paulo Roberto Costa teria afirmado, segundo a matéria, que trabalha na Petrobrás desde o final da década de 70, e recebeu suas primeiras indicações políticas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

O Globo, então, reproduz o trecho “incluído” (e retirado minutos depois):

“Tem sido divulgado à opinião pública que Paulo Roberto Costa, agora no epicentro de um escândalo de corrupção, teria começado sua carreira na Petrobras em 2004 – portanto, no governo Lula –, quando foi nomeado diretor de Abastecimento. Isso não é verdade. Ele entrou na Petrobras muito antes, em 1979, quando participou da instalação das primeiras plataformas de petróleo na Bacia de Campos (RJ). Suas primeiras indicações políticas dentro da estatal ocorreram quando o PSDB ganhou a presidência da República.”, afirma o perfil modificado.

As informações sobre as posições que Costa assumiu na estatal desde que entrou em 1979 até seu desligamento correspondem ao que o próprio declarou em junho deste ano durante sessão na CPI da Petrobras no Senado, antes de ser preso.

“Em 1995, logo no primeiro ano da presidência de FHC, ele foi indicado como gerente geral do poderoso Departamento de Exploração e Produção do Sul, responsável pelas Bacias de Santos e Pelotas.Nos anos seguintes, sempre sob gestão dos tucanos, Paulo Roberto Costa foi beneficiado por várias indicações políticas internas da Petrobras. Em 1996 foi gerente geral de Logística. De 1997 a 1999 respondeu pela Gerência de Gás. De maio de 1997 a dezembro de 2000 foi diretor da Petrobras Gás – Gaspetro. De 2001 a 2003 foi gerente geral de Logística de Gás Natural da Petrobras. E de abril de 2003 a maio de 2004 (agora, sim, no início do governo Lula), foi diretor-superintendente do Gasoduto Brasil-Bolívia”.

Qual o problema em introduzir uma informação autêntica num site da wikipédia?

Nenhum.

Quer dizer, há um problema sim. A pessoa que a introduziu copiou o texto do Tijolaço!

E aí o Globo dá o nome do autor do artigo que a pessoa usando a rede da Petrobrás usou.

Parte das modificações foram retiradas de um outro texto publicado pelo blogueiro Miguel do Rosário no site “Tijolaço”. Miguel foi um dos nove entrevistadores escolhidos para conversar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril deste ano. A escolha dos blogueiros foi feita pelo instituto do petista. No texto inserido no perfil do Wikipedia, a escolha de Paulo Roberto da Costa é justificada como “caminho natural”.

Outro problema, e agora falo sem ironia, é que, o autor da alteração chupou o texto do Tijolaço sem citar a fonte. Eu deveria me chatear com isso, mas tenha em mente que o autor retirou o texto em seguida, deixando apenas a informação bruta de que Costa obteve nomeações políticas dentro da Petrobrás durante o governo FHC.

A tentativa do Globo de envenenar o texto é evidente.

Ou será que eu é que estou ficando paranoico? Talvez.

Blog + Lula + Paulo Roberto Costa. Tudo bandido, é isso que o Globo quer dizer?

Diz a matéria que: ”Miguel foi um dos nove entrevistadores escolhidos para conversar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril deste ano. A escolha dos blogueiros foi feita pelo instituto do petista.”

No meio da matéria sobre Paulo Roberto Costa, do nada, eu viro um personagem!

Lula, um cidadão sem nenhum cargo público, mas uma personalidade com enorme projeção nacional e internacional, decidiu dar uma entrevista para a blogosfera.  Como ele deveria  escolher os blogueiros? Tinha que pedir autorização à Globo? Abrir um edital?

Já que a Globo quer falar de mim, bem que podia mencionar alguns furos que eu dei, como a sonegação bilionária da Globo e o uso ilegal, por Joaquim Barbosa, de um apartamento funcional do Judiciário como sede da empresa que criou nos Estados Unidos, a Assas JB Corporation.

Bem, de qualquer forma, estou muito satisfeito.

Com ou sem veneno, os trechos reproduzidos pela reportagem trazem fatos. E diferentemente da Veja (e dos jornais que a reproduzem acriticamente), meus textos vem sempre lastreados em documentos, cuja íntegra eu costumo disponibilizar aos leitores.

É o que fiz no caso da sonegação da Globo.

É o que faço novamente agora.

O documento abaixo é um  documento público da Petrobrás.  A Globo vive obtendo documentos “sigilosos” da estatal, mas frequentemente ignora seus documentos não-sigilosos.

Você poderá ler, na página 13, a biografia profissional de Paulo Roberto Costa dentro da estatal. A imagem no início do post traz uma parte do texto.

Verá também que Costa obteve as primeiras indicações políticas a partir de 1995, primeiro ano do governo FHC.

Eu considero essa informação importante porque a mídia está tentando pintar Paulo Roberto Costa quase como um “petista”. Ou como se ele tivesse entrado na Petrobrás pelas mãos de Lula.

Não é verdade. Ele assumiu seus primeiros cargos importantes de direção sob a gestão FHC.

Se roubava naquela época, se roubou na era Lula, não sei. Quem pode dizer isso são os investigadores, a Justiça e sobretudo e acima de tudo, os autos do processo.

O fato é que Paulo Roberto Costa tinha cargos de direção na Petrobrás, por indicação política, desde 1995, e somente foi demitido, investigado e preso no governo Dilma.

O governo FHC não investigava ninguém. A Polícia Federal era inoperante e desestruturada. Era uma zorra total.

Se houve investigação séria e se haverá punição exemplar contra Paulo Roberto Costa, então o mérito é da presidente Dilma, que, antes de qualquer matéria na imprensa, o demitiu e o prendeu.

De qualquer forma, obrigado Globo pela menção ao Tijolaço e à minha pessoa, e, sobretudo, por publicarem trechos de meu artigo. Modéstia à parte, é a única coisa que se salva da matéria.

Abaixo, os documentos mencionados.

Globo descobre que Tijolaço publica… fatos | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

23/05/2014

Calma! Passô! Passô!

Filed under: Copa 2014,Grupos Mafiomidiáticos,Manada,Manipulação,Tijolaço — Gilmar Crestani @ 11:01 pm
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Hoje de manhã, como faço todas as manhãs, me deparei com a manchete fora de contexto da Folha sobre a Copa. Confesso que fiquei atônico, sem entender o que estava se passando. Fui conferir se não não era um site fake, uma Falha de São Paulo. Não. Não era. Por razões diversas, outros blogs sujos também fizeram leituras diferentes sobre o mesmo fenômeno sobrenatural. A pergunta que subjaz a todos os que acompanham a histeria hidrófoba da mídia em relação à Copa é como foi possível uma campanha obcecada contra a Copa sem qualquer lastro com a realidade e tenha sido engolida sem qualquer análise pela manada que segue bovinamente tudo o que a velha mídia manda fazer. Tanto o Nassif como o Tijolaço tiveram a mesma perplexidade. Embora tenhamos enveredado pelos vias diversas, o ponto de chegada é o mesmo: quem vai se responsabilizar pelos imensos prejuízos causados à imagem do Brasil, à conta do psiquiatra do Paulo Coelho, a todos os imbecis que ficam imprecando contra a Copa sem apresentar um único argumento com fundamento senão a repetição daqueles que torcem contra a Copa com o único sonho de, como isso, tentar prejudicar Dilma. Se preciso fosse, e se resolvesse em dividendo eleitoral, jogariam novamente Bomba no Riocentro… 

A seguir, o que publiquei esta manhã. Abaixo, na sequência, o texto do Tijolaço:

As empresas de mídia atreladas aos partidos de oposição vislumbraram nos tumultos contra a Copa uma forma de alavancar o peso morto de seus candidatos. O IBOPE de ontem sepultou de vez os morto-vivos como Aécio Neves. Hoje, a Folha saiu de sua contumaz crítica aos gastos para a Copa. Em nenhum momento a Folha divulgou que não há dinheiro público nos investimentos dos estádios, apenas empréstimos, que por serem empréstimos devem ser pagos, do BNDES. Até aí, as cinco famiglias (Civita, Frias, Mesquita, Marinho & Sirotsky) do Instituto Millenium também se valem dos empréstimos do BNDES. Os investimentos públicos das três esferas (Federal, Estaduais e Municipais) estão voltados às obras de mobilidade urbana. As ruas, viadutos, calçamentos continuarão existindo depois da Copa. São o legado. A Folha nunca publicou, por razões óbvias, que não há nenhum centavo do orçamento Federal destinado à construção dos Estádios. Pior do que a manipulação dos grupos mafiomidiáticos atrelados à direita hidrófoba é a manada que não usa nenhum dos dois neurônios antes de distribuírem desinformações.

Quando um Ministro do Governo Dilma dá alguma declaração que possa ser explorada politicamente pela oposição, como aquela do Guido Mantega dizendo que o Governo trabalha para que os preços não subam, a Folha dá em manchete para acusar o governo de “intervencionismo econômico”. Quando os eventuais futuros ministros do candidato Aécio Neves falam que está muito alto o salário mínimo, ou que precisam privatizar a Petrobrás e o Banco do Brasil e provocar mais arrocho salarial, aí a Folha fecha-se em copas.

Se o custo da Copa equivale a um mês de gastos com educação, os milhões sonegados pela Globo e pelo Itaú, custeariam a educação por quantos meses?!

Quando se cai na real, a conversa sobre a Copa é outra

23 de maio de 2014 | 08:55 Autor: Fernando Brito

graficocopa

Com anos de atraso, a Folha publica hoje um levantamento feito pelos repórteres Gustavo Patu, Dimmi Amora e Filipe Coutinho que, como e diz nas conversas informais, “baixa a bola” dos “gastos absurdos com a Copa do Mundo”.

É o que dá ter raros momentos de jornalismo correto na mídia brasileira, porque não é nenhum “furo”, mas apenas a compilação de dados que são e sempre foram públicos.

A começar pela abertura do texto escrito pelos três:

Mesmo mais altos hoje do que o previsto inicialmente, os investimentos para a Copa representam parcela diminuta dos orçamentos públicos.

Alvos frequentes das manifestações de rua, os gastos e os empréstimos do governo federal, dos Estados e das prefeituras com a Copa somam R$ 25,8 bilhões, segundo as previsões oficiais.

O valor equivale a, por exemplo, 9% das despesas públicas anuais em educação, de R$ 280 bilhões.

Em outras palavras, é o suficiente para custear aproximadamente um mês de gastos públicos com a área.

E eles próprios se encarregam de dizer que nem sequer é assim, porque estes gastos diluíram-se pelos últimos sete anos e, sobretudo, porque uma parte ( a maior parcela, 32%) é feita com financiamentos de bancos públicos (quase toda do BNDES) e vai retornar.

Adiante falarei dela.

Bem, do gráfico publicado, conclui-se que o Governo Federal gastou R$ 5,8 bi diretamente com a Copa: R$ 2,7 bi na modernização e ampliação dos aeroportos, R$ 1,9 em segurança pública – quase tudo equipando, a fundo perdido, as polícias estaduais -, R$ 600 mil em portos, R$ 400 mil em telecomunicações  e R$ 200 milhões em gastos diversos.

Aeroportos e portos, além de serem serviços públicos essenciais ao desenvolvimento econômico, geram receitas de tarifas e concessões.

Nenhum tostão, como você vê, em estádios.

Do dinheiro dos estádios, um total de R$ 8 bilhões, perto da metade veio de financiamentos federais, através do BNDES, de duas formas: debêntures e empréstimos.

Debêntures são “letras” financeiras e, no caso do estádio, seus tomadores pagam 6,2%% de juros mais a inflação do período.

No caso dos empréstimos, os tomadores, além de oferecer garantias, têm de pagar  TJLP (taxa de juros de longo prazo), que de 2009 para cá variou entre 6,25% e 5%, mais  1,4% (taxa  BNDES + intermediação financeira), mais risco de crédito (até 4,18%), além da taxa que o o tomador pagará a o banco operar o crédito. No total, portanto, pagam juros muito semelhantes (em geral um pouco maiores, em alguns momentos frações de centésimo menores) que a taxa de juros com que o Governo capta dinheiro no mercado.

Isso quer dizer que não houve empréstimo subsidiado pelo Governo Federal?

Sim, houve,  maiores. E continuam existindo, independente de Copa.

São os recursos para obras de mobilidade urbana que, só nos empreendimentos ligados à Copa, receberam  R$ 4,4 bilhões.

Como é isso: o BNDES financia contrando TJLP + 2% no caso de o empréstimo ser tomado por Estados e Municípios ou por TJLP + 1% + risco de crédito de até 4,18% no caso do financiamento ser feito por empresa privada.

Convenhamos que  é uma forma muito mais adequada de o banco usar seus recursos em favor da população do que, como fez em 2002, aplicar R$ 281 milhões (R$ 1 bilhão, hoje, corrigidos pela taxa Selic) na Net, então propriedade dos Marinho (a família mais rica do Brasil), que estava enforcada de dívidas.

No caso dos Estados e Municípios, a grande maioria, boa parte dos gastos vem  das contrapartidas locais para obras de mobilidade (R$ 2,4 bi, ou 41%) e os restantes R$ 3,3 bilhões em gastos diretamente com obras dos estádios e com as do seu entorno (ruas, praças, pátios, passarelas).

Os números insuspeitos publicados pela Folha vêm na mesma linha daquilo que ontem se comentou aqui.

Tirando os gastos imprevistos de três governos estaduais (Sérgio Cabral , com o Maracanã, Agnelo Queiroz, com o Mané Garrinha e Aécio Neves-Anastasia como Mineirão, que começou as obras ainda na gestão do atual candidato do PSDB à Presidência), os outros dois estádios que custaram muito mais do que o inicialmente previsto, o Beira-Rio e o Itaquerão, foram  tocados pela iniciativa privada.

Há uma hidrofobia de direita implantada na mídia e em parte da classe média que eclipsa qualquer capacidade de exame racional dos fatos.

Se eu fosse um obtuso irracional, que não reconhecesse o direito de uma categoria profissional essencialíssima , como a dos professores, poderia dizer que se gastou muito mais que aquele “um mês”  de Educação que a Copa custou com as greves e paralisações (em geral, justas) do magistério.

E isso seria uma apelação, porque eu estaria colocando nos direitos dos professores a “culpa” das nossas históricas carências no setor.

Colocar na Copa a “culpa” pelos problemas da educação, da saúde, da assistência social, da habitação é, igualmente, uma estupidez.

Que só tem um fundamento, embora a maioria dos que fazem isso não o percebam: as eleições.

Quando se cai na real, a conversa sobre a Copa é outra | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

26/06/2013

Quem tem medo perde a hora

Filed under: Dilma,Tijolaço — Gilmar Crestani @ 9:02 am
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E quem sabe, faz a hora, não espera acontecer!

25 de Jun de 2013 | 22:37

Primeiro, foi José Eduardo Cardoso. Agora, Aloisio Mercadante.

Os dois tentando dizer que a Presidenta Dilma Rousseff não sugeriu uma Constituinte restrita para fazer a reforma política.

Pode até não ter condições políticas de fazer, tal é a ousadia democrática da proposta.

Mas está certíssima em querer e mais ainda em propor, como propôs ontem.

Nem o Congresso nem a mídia têm condições de barrar, na opinião pública, a simpatia que a proposta despertou.

Até Joaquim Barbosa, na entrevista dada hoje, deixou claro que, sem povo, não haverá vontade política de mudar, será conchavo das elites políticas. E o novo Ministro do Supremo, Luis Roberto Barroso, disse não ver problemas numa constituinte convocada com votação popular.

Um dos lugares mais hostis ao Governo Dilma e a Lula – quem lê, sabe – são os comentários dos leitores da Folha Online.

Pois até lá, como você vê na imagem, a proposta de Dilma tem a simpatia da maioria.

Se este grupo de temerosos frustrar o desejo da presidenta de chamar o povo para o processo político triunfar prestará um grande desserviço ao Brasil.

Se o povo, pelo plebiscito, não puder transferir para um órgão autônomo o poder de reorganizar a vida político-representativa do País, por mais que um plebiscito decida fazer A, B ou C medidas, isso vai cair na máquina de moer intenções do Congresso e criança sai de lá toda tortinha.

Além, é claro, de fazer o Governo – principal avalista das propostas perante a população – absorver os ônus de uma mudança que faça tudo permanecer igual.

Quem tem medo perde a hora | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

17/03/2013

Ministério do Trabalho e Emprego

Filed under: Eliane Cantanhêde,Tijolaço — Gilmar Crestani @ 7:26 am
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A porta-voz do PSDB é tão boa no que faz para o PSDB, que ninguém, dos idiotas do seu partido, se dá ao respeito de contra-argumentar. De fato, o Ministério do Trabalho e Emprego, ocupado pelo PDT, esteve tão mal que o Emprego no Brasil é um problema…. Puxa vida, pela primeira vez na História o Brasil convive com o pleno emprego. Deve ser por isso que o Ministério anda “tão desprestigiado”… Ao invés de atacar a máfia do Lupi e seus capangas ávidos pela boquinha no governo, é sintomático que o alvo seja alguém que ousou usar da “liberdade de expressão”, sem intermediários, através do Tijolaço. O problema do Brizola Neto não foi seu desempenho no Ministério, mas o papel diuturno em desmascarar os mascarados do tipo Cantanhêde. Se no Ministério incomodava, fora muito mais. Bem retorno, Tijolaço!

ELIANE CANTANHÊDE

Voltas que o mundo político dá

BRASÍLIA – Dilma fechou, nestes dois anos, um círculo nada virtuoso no Ministério do Trabalho. Rodou, rodou e voltou para o mesmo lugar.

Ao assumir o governo, nomeou para o Trabalho o chefão do PDT, Carlos Lupi. Quando umas histórias do ministro com ONGs vieram à tona, ela já surfava na onda da "faxina" e despachou Lupi de volta para a praia.

Depois de meses de interinidade, quando ninguém dava mais bola para o ministério, Dilma decidiu conter preventivamente protestos de sindicalistas contra a falta de ministro e anunciou o sucessor, Brizola Neto, na véspera do Dia do Trabalho de 2012.

Agora, menos de um ano depois, lá se vai Brizola Neto e Dilma volta à estaca zero, nomeando mi-nistro o secretário-geral do PDT, Manoel Dias, que é ligado a… Carlos Lupi, o "faxinado".

Há duas questões aí. A mais evidente é que Dilma quer o apoio do PDT -aliás, seu velho partido- em 2014. E quem manda no PDT é Lupi, não Brizola. Outra é que, cá pra nós, Brizola Neto não foi nenhuma maravilha como ministro.

Seria uma indelicadeza dizer que já vai tarde, mas não é exagero reconhecer que chegou cedo demais.

Ao ser nomeado, era o mais novo dos então 38 ministros, não tinha uma formação excepcional, não unia o próprio PDT e enfrentava resistências nas centrais sindicais.

Então, por que foi escolhido? E eu é que sei? Só sei que as duas credenciais do moço eram o sobrenome famoso, identificado com o trabalhismo muito antes do surgimento do Partido dos Trabalhadores, e um blog apropriadamente chamado de "Tijolaço", pelo qual ele xingava tudo, todos e todas que ousassem criticar o governo -sobretudo o de Lula.

Sai Brizola Neto, chega Manoel Dias (ou volta Lupi), mas nada, de fato, muda. O Ministério do Trabalho, coitado, anda tão ou quase tão desprestigiado quanto a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Qualquer um serve.

23/03/2012

Quanto prejuízo com o (auto-imposto) silêncio do Tijolaço

Filed under: ANP,Chevron,Tijolaço — Gilmar Crestani @ 8:30 am

 

ANP confirma Tijolaço: Chevron economizou no poço

O Tijolaço descumpre sua promessa de silenciar enquanto não há definição  sobre os nomes indicados pelo PDT para o Ministério do Trabalho por uma razão que está acima da política: a verdade.

Agora à tarde, Sílvio Jablonski, assessor de diretoria da ANP, afirmou que, se a petroleira não tivesse deixado uma área não revestida do poço, estendendo o revestimento por mais 400 metros além do que foi realizado, não teria havido o vazamento de 2.400 barris de petróleo, detectado em 8 de novembro.

Ou seja, que a ela não cumpriu os planos de exploração que haviam sido registrados perante os órgãos fiscalizadores que, obviamente, não podem ter um fiscal “morando” em cada plataforma.

É a primeira confirmação oficial do que foi informado aqui, neste blog, no dia 30 de novembro, ou quase quatro meses atrás:

O que a Chevron não disse à imprensa, aos deputados e à sociedade é que deveria existir uma segunda sapata situada algumas centenas de metros abaixo daquela, capaz de sustentar a coluna de tubos de 9 5/8  polegadas e vedar o espaço entre estes tubos e a perfuração de 12 1/4  polegadas, impedindo a ascensão do petróleo por fora da tubulação.

Esta sapata – que seria também submetida, segundo o plano, a “testes de selo”, para verificar sua capacidade de vedação – simplesmente não foi construída.

Veja no quadro do projeto apresentado pela Chevron que ela estaria situada entre 2050 a 2600 metros  (a sigla TVDSS significa True Vertical Depth Sub Sea, profundidade real submarina) e deveria ser capaz de resistir a pressões súbitas (explosões) de mais de seis mil PSI, ou algo como 420 quilogramas-força por centímetro quadrado.

Esta sapata e a vedação jamais existiram, apesar de o poço já ter atingido 3.329 metros de profundidade. Evidentemente, também não o teste de selo.

Só a partir daí, segundo o plano apresentado pela Chevron, é que a perfuração seria feita com a broca de 8 ½ polegadas, que é o diâmetro convencional da chamada “fase final” de um poço de petróleo, aquela que toca o reservatório subterrâneo de óleo. Esta fase não possui revestimento, o que é chamado de “poço aberto” no jargão técnico. No seu depoimento á Comissão de Meio Ambiente, o presidente da Chevron-Brasil (?), o Sr. Charles Buck, admitiu que a broca usada no momento do acidente era a de 8 ½ polegadas.

Na perfuração executada pela Chevron, a situação era de “poço aberto” a partir de 567 metros abaixo do solo marinho. Embora o ponto provável de ruptura tenha sido abaixo da sapata situada neste nível, pode ter ocorrido em outro, em razão da grande extensão – comprimento vertical + horizontal, conhecido tecnicamente como TD(MD) –  aumentada pelo fato de o poço fazer duas longas curvas (dog legs, na linguagem técnica) e ter um trecho horizontal. Se os diagramas apresentados pela Chevron tiverem proporção correta, é possível estimar esta extensão em mais de três quilômetros sem  revestimento ou vedação.

E isso numa formação geológica cheia de fraturas e fissuras, o que é admitido no estudo e provocou até a mudança de direção de três poços perfurados em Frade.

Mas o que poderia ter feito a Chevron não implantar a sapata de sustentação e vedação?

Não é possível dizer, mas é natural que se avalie a vantagem de não o fazer: economia.

Uma sapata com esta resistência  custa algo como R$ 1 milhão, o que somado ao tempo de parada na perfuração, em razão dos custos fixos, pode quadruplicar, pelo menos, de valor. Só o aluguel da sonda  – mesmo a “baratinha” que utilizaram – é equivalente a cerca de R$ 500 mil por dia e ela não pode perfurar enquanto não se completa a cimentação, espera-se o tempo de “pega”  do cimento e se realizam os testes de selagem.

Infelizmente, o “jornalismo investigativo” brasileiro parece ter pouco “apetite” pela apuração de casos que envolvem grandes interesses privados, como o da indústria petroleira e, sobretudo, a multinacional.

Estamos vendo as hipóteses mais absurdas sendo veiculadas pelos jornais para explicar os vazamentos – aparentemente residuais – no campo operado pela empresa americana. Fala-se até em “afundamento” de uma imensa calota de solo marinho por conta de fissuras e- acreditem – em novos “vazamentos naturais”.

Mas ninguém, até agora, se preocupou em comparar o que fez a Chevron e o plano de exploração que ela mesma fez aprovar pelas autoridades públicas, e que está disponível para quem se interessar.

E parece que nossos grandes jornais não se interessam, mesmo.

Tijolaço – O Blog do Brizola Neto

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