Ficha Corrida

03/12/2011

Carta à ombudsman da Folha

Filed under: Chevron,FSP,Ipiranga,Texaco — Gilmar Crestani @ 10:50 am

Se a Folha de São Paulo ou qualquer outro veículo a$$oCIAdo ao Instituto Millenium publicar qualquer coisa que desagrade a Chevron, a Texaco e a Ipiranga cortariam toda espécie de “marketing”. A única forma de punir a Chevron será os consumidores deixarem de abastecer nas redes Texaco e Ipiranga. É a única língua que eles entendem, a do bolso.

Prezada Suzana Singer,

Na sua primeira coluna como ombusdsman, este blog criticou a declaração – já não me recordo de quem – que, de alguma forma, ali encampava-se: a de que blogueiros seriam “trogloditas” políticos. Com o mesmo proceder, registramos o seu diagnóstico de que a mídia tradicional tomara um “olé”  na blogosfera.

É possível que alguns sejam, como há trogloditas em qualquer atividade e em qualquer posição do espectro político. Nos blogs e  também nos jornais, rádios e televisões.

Mas há algo que está acima disso, para jornalistas, dentro ou fora de blogs: os fatos.

E houve um fato. Grave, gravíssimo.

Com toda a razão, você critica o papel da grande imprensa em apenas reproduzir, durante muito tempo, as declarações da Chevron, ANP e Ibama – feitas, em geral, por meio de nota oficial – e não haver investigação jornalística.

Dias depois de sua coluna apontar isso, tudo continua igual.

Ontem, este blog publicou um documento – oficial e público – que descrevia o plano de perfuração da Chevron. Nele, indicava-se claramente a previsão de instalação de uma sapata de sustentação e vedação a uma profundidade entre 2050 e 2600 metros de profundidade. E que esta não fora construída e, claro, testada, como previa o plano.

Na audiência realizada pela Câmara dos Deputados, o deputado Brizola Neto os reproduziu e indagou ao representante da Chevron a razão de não existir uma estrutura que estava prevista e é essencial para que, em caso de elevação da pressão do poço por tocar numa formação de petróleo ou gás, não haja derrame de fluidos.

O representante da Chevron, diante de toda a imprensa, disse duas coisas inacreditáveis. A primeira, que a cimentação de sapatas se dá depois do poço  ter atingido o seu alvo.  Qualquer engenheiro de poços dirá que isso não existe. A segunda, que o plano não havia sido seguido por tratar-se de um “poço pioneiro” e não de um poço de produção ou injeção  (feitos para injetar fluidos no reservatório e aumentar a recuperação da jazida pelos poços produtores).

Ora, o representante da ANP, logo a seguir, disse que o poço era o 12° dos doze que compõem o projeto autorizado pela Agência para a Chevron explorar o campo do Frade.

Pioneiro, o último?

Como fica evidente, não é preciso ser jornalista especializado em petróleo para que se acenda um alerta ao ouvir um dirigente de petroleira, em meio a um acidente grave, dizer que o último poço da série era o “pioneiro”. E, aliás, poços pioneiros, exatamente por desconhecer-se o terreno que ele irao cruzar, são feitos com mais cuidados, vagar  e precauções. Aliás, por isso mesmo, custam muito mais caro.

Tudo isso ocorreu diante de vários jornalistas profissionais.

Exceto na blogosfera, nada disso foi publicado.

Creio, portanto, que – diante disso e de sua crítica interna e pública- a redação da Folha deveria se sentir obrigada a, ao menos, expor esta contradição e, ouvindo especialistas em petróleo, esclarecer se é ou não procedente o que foi noticiado.

Não se trabalha, aqui, em busca de “furo”. Não há razões profissionais ou comerciais para pretender ser melhor ou mais rápido que qualquer colega ou publicação. Nada foi obtido através de fontes privilegiadas, apenas por documentos públicos e publicados na internet. Não fomos além de nossos modestos chinelos.

Numa época em que toda a imprensa se debruça, como deve fazer, sobre os “malfeitos” públicos, é decepcionante ver como um poço malfeito – e é por serem mal-feitas, no projeto ou na execução, que obras de engenharia provocam desastres -  não desperta nenhum interesse na grande mídia, que prefere derivar para temas consequentes: a poluição e o preparo do país para a exploração marinha de óleo.

Não pode, portanto, soar ofensivo ao jornalismo que se desenvolvam visões sobre a cumplicidade da mídia.

Outra vez, os fatos aparecem na blogosfera antes dos jornais, tal como aconteceu com a foto da mancha de petróleo. Um plano de perfuração pode não ser tão eloquente como uma foto de satélite, mas é ainda mais preciso e inquestionável.

Não pode ser normal que blogs – sem estrutura, sem pessoal e sem o poder de ligar para fontes e dizer que “é fulano, do jornal tal” – possam ter dado um “olé” na mídia tradicional e, mesmo depois de ela ter sido alertada, continuar a mesma situação.

E não se diga que se publicou sem responsabilidade, porque tudo o que se informou foi referenciado em informações comprovadas, que acabaram sendo citadas pela mídia: o Skytruth, o Wall St. Journal e, agora, o Estudo de Impacto Ambiental realizado a mando da Chevron.

Vou mostrar, no próximo post, como estamos sendo tratados como um bando de botocudos pela direção mundial da Chevron. E, em grande parte, o devemos isso à omissão de uma imprensa que depende de releases e de declarações espontâneas para dizer qualquer coisa.

Não investiga, não apura.

Nem mesmo quando os dados e documentos estão colocados publicamente, como o fizemos.

Se utilizarmos o mesmo critério de classificar como trogloditas aqueles que não se interessam pelos fatos e ficam aferrados a suas simpatias políticas – no caso, às petroleiras – não que tipo de adjetivo mereça o comportamento da mídia.

A menos que o sr. Ali Moshiri, boss da Chevron para a Botocúndia – como disse ao Valor e reproduzirei a seguir, tenha razão e seja um erro “fazer tanto barulho” por um vazamento “tão pequeno”.

Graças à nossa imprensa, sim, será sempre pequeno, qualquer que seja seu tamanho.

Foram 2.400 barris, ou 380 mil metros cúbicos, segundo a Chevron. Mas poderiam ser um, dois, cinco ou dez mil, de acordo com qualquer coisa que a petroleira diga, porque não temos ninguém, a não ser os blogueiros, para contraditar, exceto a blogosfera e um delegado de polícia.

A mídia dá às informações da Chevron algo que lembra a frase do contrabandista de um antigo comercial de TV:

– La garantía soy yo!

Um dos pioneiros – pioneiros de verdade – da luta pelo petróleo no Brasil, Monteiro Lobato, dizia que um país se faz com homens e livros. Não seria demais acrescentar: também com jornalistas e jornais.

PS. Como desde o primeiro momento, mesmo sob críticas de muitos comentaristas, sustentei e sustento o velho adágio gaúcho de que a luta não nos deve quitar a fidalguia, registro a atenção e a resposta rápida de Suzana Singer, agradecendo as informações e comunicando que estava repassando-as à redação. Ainda que possam, como já o fizeram, chamar de ingênuo, creio que é um bom princípio conservar o tratamento liso, sincero e franco. Em primeiro lugar, porque se trata de interesse público: há muita riqueza material e ambiental em jogo na questão de nosso petróleo marinho. Em segundo lugar, se criticamos a grande mídia por partidarismo não assumido (não há nada de errado no partidarismo assumido, no que não se traveste de neutralidade), não podemos agir de outra forma senão a apontar os seus erros e registrar quando, nela, alguém os reconhece. Por último, porque escolhi uma profissão, há mais de 30 anos, por considerá-la socialmente útil. E que, por ser assim, nos obriga a ir além de disputas políticas e defender, acima de tudo, a informação que permita à população formar os seus juízos e conceitos. O mais importante neste caso é que os brasileiros saibam porque ocorreu este acidente e possam responsabilizar aqueles que o causaram.

Tijolaço – O Blog do Brizola Neto

26/11/2011

O pistoleiro da Texaco

Filed under: Ali Moshiri,Chevron,Texaco — Gilmar Crestani @ 11:16 pm

 

Moshiri passa dos limites

Acabo de ler as declarações do Sr. Ali Moshiri à agência Reuters.

Ele acena com novos investimentos da Chevron no Brasil, mesmo estando esta empresa, no momento, impedida de perfurar no Brasil até a elucidação das causas do acidente no poço em que perfurava no campo de Frade, ao largo da costa do Rio de Janeiro.

Oferece US$ 3 bilhões de reais de investimentos nos próximos três anos, mas não oferece, neste momento, nem explicações sobre o que houve e nem sequer prosaicas desculpas pelo acontecido.

Continua arrogante e audacioso. E pior, indecoroso, porque acenar com investimentos, neste instante, soa como um “toma dez mil réis” vulgar.

Reclama que estava desde a véspera da proibição baixada pela ANP e a classifica como “precipitada”, mesmo tendo ocorrido 16 dias depois do início do vazamento e após a empresa ter sonegado e distorcido informações.

“Estou fisicamente no Brasil desde terça-feira, mas só recebi a notificação (de suspensão das perfurações) na quinta-feira. Neste período podíamos ter sentado e debatido as questões (técnicas)”, disse Moshiri.”, relata a Reuters.

O senhor Moshiri acha que está numa “ação entre amigos”, num convescote com as autoridades públicas, acha que o Brasil ia chamá-lo para tomar um chopinho e conversar sobre o acidente?

A empresa do sr. Moshiri demorou 11 dias para informar ao país onde perfura e ganha dinheiro que tinha havido um “kick”, ou seja uma  forte elevação de pressão no poço que, por conta da válvula preventiva (blowout preventer) não levou de roldão as instalações do poço no leito marinho, mas fez fendas no solo abaixo da aparentemente primeira e  única sapata de sustentação e selagem, permitindo a  passagem de óleo para a água.

“Poderíamos ter sentado e discutido as questões técnicas?”

O senhor Moshiri pensa que este é um país de beócios? Se quer discutir as questões técnicas, há um monte delas sobre as quais a Chevron ainda não se pronunciou.

Querem uma lista?

O subordinado de Moshiri confessou, na Câmara, como todos podem ver no vídeo acima que, na inspeção da aderência da sapata e vedação nesta sapata “nós não encontramos o cimento onde nós esperávamos”.  Mas sua empresa não esclarece se esta inspeção foi, como deveria ser , feita logo após a injeção de cimento ou se agora, depois do acidente. E, se feita na época correta, porque as falhas da cimentação não foram percebidos ou não foram corrigidas?

A Chevron não informa qual foi a pressão esperada e a alcançada de fato  na coluna de perfuração no momento do kick, nem em que velocidade ela se elevou, o que é fundamental para que os engenheiros de petróleo possam calcular se a implantação de sapatas era adequada à possibilidade de “kicks”, que  estão longe de serem incidentes raros.Não há qualquer dificuldade em fornecer estes dados, eles estão registrados eletronicamente no diário de perfuração.

Não informa também qual era a densidade e o volume  da lama que utilizava como peso para  contrapor à força ascencional do kick, nem as providências adotadas para adensá-la diante da elevação da pressão.

Não informa porque levou tanto tempo  para associar o vazamento ao “kick” e muito menos porque, muito tempo depois de saber que eram as deficiências de seu poço as responsáveis pelo derrame, a empresa divulgava uma nota oficial, reproduzida pelo G1, dizendo que “não houve qualquer  vazamento na cabeça do poço”  e omitia que, sim, havia vazamento no poço, embora este não fosse naquele ponto?

Aliás, as falhas de comunicação da empresa não se deram por inexperiência. A gerente de comunicação da Chevron é a sra. Lia Blower, que ocupou o mesmo cargo na Petrobras, durante o Governo FHC. Conhece a indústria do petróleo e sabe como ela deve transparência à sociedade. Se não deu as informações necessárias e evitou, por onze dias, que qualquer pessoa da empresa falasse com a imprensa é porque foi mandada fazer assim.

Temos milhares de poços perfurados no leito ocêanico e nenhum deles vazou, e muito menos desta forma. Não é, portanto, um risco imprevisível, uma fatalidade. É um erro técnico, e grave. Resta saber o que o motivou.

Portanto, Mr. Moshiri, baixe seu tom ao falar num país  que o recebe bem, e à sua empresa, como deve receber qualquer pessoa ou instituição estrangeira que se porte com responsabilidade. Aqui ninguém o mandou tirar o sapato por ser de origem árabe, porque somos civilizados e respeitosos com as pessoas e nos sentimos irmãos de todos os povos do mundo.

A Chevron tem, por enquanto,  uma concessão pública, não um enclave de petróleo num paiseco sem soberania. Embora muitos dos amigos de sua empresa não concebam o Brasil senão como colônia, não o somos.

Aliás, o senhor devia preocupar-se com a repercussão destes fatos também lá fora, porque seus superiores, a esta altura, devem estar contabilizando os danos de imagem que a Chevron teve e ainda vai ter, pelo mundo afora, por conta de seu procedimento.

Os senhores podem ser a segunda maior petroleira do mundo, mas não são mais intocáveis.

Tijolaço – O Blog do Brizola Neto

Chevron, a batalha da contra-informação

Filed under: Chevron,Contra-informação,Texaco — Gilmar Crestani @ 11:08 pm

O texto é tão descabido que fica evidente que não passa de um press release da própria interessada. Sem meias palavras, o Correio do Povo da cria a uma matéria para dizer que todas são iguais, e que a Petrobrás é a que mais vaza. Na capa, as digitais da Texaco: “Somente a Petrobras acumulou aumento de 163% em 2010 . Inacreditável, mas a matéria celular, pré paga, não aponta um único episódio em que houve vazamento pela Petrobrás. E para arrematar com Chevron de ouro, o CP informa que a companhia já investiu (mal) um saco de dólares. E quanto ela levou, de graça? O Correio do Povo está incorrendo em erro ou por má informação ou por más intenções. O Tijolaço sozinho fez mais que os bispos e seus subalternos do CP juntos.

Vazamentos de óleo crescem em ritmo alarmante no País

Somente a Petrobras acumulou aumento de 163% em 2010

Perfuração na Bacia de Campos foi suspensa<br /><b>Crédito: </b> Rogério Santana / Divulgação / CP

O recente episódio envolvendo vazamento de petróleo num dos postos da Chevron na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, se soma a números que já atingem níveis alarmantes no País e que devem merecer mais atenção às vésperas da exploração das camadas do pré-sal.
Somente a Petrobras acumulou, em 2010, um crescimento de 163% de aumento de algum tipo de vazamento em relação ao ano anterior. Em 2009, o volume de petróleo e de seus derivados derramado foi de 1.597 mil barris, enquanto, em 2010, esse número chegou a 4.201 mil barris, quase o dobro do que teria sido derramado pela Chevron recentemente. Esses números estão bem acima do chamado Limite Máximo Admissível usado pela estatal, que e de 3.895 mil barris. Por conta destes incidentes, a empresa recebeu 21 autos de infrações ambientais, totalizando mais de R$ 80 milhões em multas, valor 131% maior do que o autuado em 2009.
Para os especialistas na área, falta uma fiscalização mais rigorosa nos pequenos vazamentos, como os que acontecem em oleodutos, refinarias em terra, navios e bases. "Por serem pequenos, esses vazamentos não têm muito controle, mas devem ter um impacto ambiental grande", alerta a advogada ambientalista Beatriz Paulo de Frontin. Para Claudio Pinho, também especialista na área, as empresas não vêm investindo o suficiente na prevenção e combate a acidentes na exploração. "Estamos vivendo uma espécie de corrida tecnológica, com os equipamentos sendo desenvolvidos de forma difusa. A questão é que um vazamento só chama a atenção quando é concentrado", diz o especialista, que é autor de um livro sobre o tema. Já o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, João Carlos França de Luca, garante que "as indústrias investem muito em prevenção. É quase uma obsessão, pois os custos financeiros, o impacto negativo de sua imagem, os impactos ambientais, são muito grandes".
O presidente da Chevron para África e América Latina, o iraniano Ali Moshiri, considerou precipitada a decisão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) de suspender as atividades de perfuração da companhia no País. Ele espera resolver a questão com base no "bom relacionamento" com o governo.

Chevron está ”magoada” com a ANP

O presidente da Chevron para a África e a América Latina, o iraniano Ali Moshiri, disse que a empresa está "magoada" com a decisão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) de suspender as atividades de perfuração da empresa no país, após o vazamento de petróleo no Campo de Frade, no litoral fluminense. Ele considerou a decisão precipitada, mas espera resolver a questão com base no "bom relacionamento" com o governo. "Achamos que foi um julgamento precipitado. Estamos magoados porque fomos chamados de negligentes, após 100 anos de atuação no Brasil (desde 1915)", disse o executivo.
Quarta-feira passada, a ANP suspendeu as atividades de perfuração da Chevron até que sejam identificadas as causas e os responsáveis pelo vazamento e restabelecidas as condições de segurança na área.
Apesar da mágoa, Moshiri assegurou que a empresa mantém a intenção de investir 3 bilhões de dólares no Brasil em três anos, considerando a área de exploração e produção. A maior parte será no campo de Papa-Terra, na Bacia de Campos. Desde 1997, a companhia já investiu 2,1 bilhões de dólares no País.

Correio do Povo | Notícias | Vazamentos de óleo crescem em ritmo alarmante no País

Vaza! Ou os furos de cada um…

Filed under: A$$oCIAdos,Chevron,Palace 2,PIG,Texaco — Gilmar Crestani @ 8:23 am

A cobertura da imprensa sobre o acidente no poço do campo de Frade torna inevitável que se faça uma analogia com o acidente, ocorrido há quase 14 anos, quando desabou o edifício Palace 2, no Rio de Janeiro.

Hoje, quando em lugar de se discutir e investigar o acidente do poço, a discussão fica centrada na adequação dos planos de contingência – em si, um debate correto e necessário – temos uma inacreditável distorção.

Seria o mesmo que, naquela época, ficarmos tratando, essencialmente,  da qualidade da engenharia nacional e da atuação dos seus órgãos fiscalizadores, como o Crea e os departamentos de edificações da prefeitura.

E o prédio caiu não foi por isso, mas por um erro na obra. Como o poço vazou por um erro na sua perfuração.

Existem milhares de prédios com os 22 andares do Palace 2 (ou muitos mais ainda)  e milhares de poços como o da Chevron. Nenhum prédio caiu e nenhum poço vazou.

Só que agora nenhum órgão de imprensa se interessa em saber se os executivos da Chevron, como fizeram Sergio Naya e seus auxiliares, reduziram a segurança construtiva  para fazer economia. Nem mesmo referir-se à informação, jamais contestada, feita pelo Wall Street Journal, há três anos, de que os planos originais de exploração do campo foram alterados  e substituídos por outro, que previa, segundo o jornal a perfuração de poços “mais rápidos e mais baratos”.

Isso foi perguntado pelo deputado Brizola Neto ao senhor Charles Buck, presidente da filial da Chevron-Texaco no Brasil e ele limitou-se a responder que a economia era apenas financeira, não na segurança.

A areia do Palace 2 também era econômica financeiramente.

A imprensa passou “batido” por isso e por outra declaração deste senhor, a de que se verificou que a cimentação da sapata (ao que parece, a única) de sustentação e selagem do poço não estava adequada.

Não se espera que os jornalistas sejam especialistas em engenharia de petróleo. Muito menos que cheguem a conclusões apressadas sobre se é praxe o que fez a Chevron  e está tecnicamente correto. Não faço nenhuma afirmação sobre isso, nem  espero que a imprensa a faça.  Mas, sim, que reúna as informações disponíveis – e cobre as ainda indisponíveis -  e as levem aos especialistas.

Em especial, aos independentes das petroleiras.

E existem ótimos profissionais no Brasil para analisa-las.

Mostro, como exemplo, o trabalho realizado pelos engenheiros Paul Richard Perdomo, que foi da PUC do Rio, e José Ricardo Pelaquim, da Unicamp, orientados pelo chefe do departamento de Engenharia de Petróleo da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp, Celso Morooka.

Nele, estuda-se a metodologia de colocação de sapatas em poços de petróleo em águas profundas e define-se  a profundidade estimada para sua instalação capaz de as tornar eficientes diante da ocorrência de “kicks” como o que aconteceu no campo de Frade.

As profundidades, em todos os casos estimados no estudo, que você pode ver na imagem ao lado, clicando para ampliar,diferem em muito do que foi comunicado pela Chevron.

Lá está dito, literalmente e com meus grifos:

Segundo Adams (1985) a profundidade de assentamento do revestimento de superfície é calculada levando em conta as pressões de kick desenvolvidas durante as operações de controle de poço. A densidade equivalente da lama da coluna de fluidos no anular entre a coluna de perfuração e o diâmetro interno do poço gerada durante as operações de controle de kicks é a causa da maioria dos influxos subterrâneos. Quando acontecer um kick, a
pressão de fechamento (shut-in casing pressure) adicionada à pressão hidrostática equivalente da lama podem exceder a pressão de fratura da formação na sapata, portanto, induzindo uma fratura. Portanto, o objetivo do procedimento da seleção de profundidade de assentamento do revestimento de superfície será aquele que determina a profundidade da formação que possa suportar as pressões geradas por um volume de kick padrão,(mínimo volume de kick que uma sonda tem capacidade de detectar e o máximo volume que pode suportar).”

Não sei o que eles dirão, porque não consegui contato com eles . Mas a Veja foi ouvir o doutor Celso Morooka sobre o acidente no Golfo do México, mas não sobre o nosso, aqui.

Nenhum órgão de imprensa se mexeu para levar-lhe os dados. Quem quiser a imagem apresentada pela Chevron-Texaco na audiência da Câmara para mostrar aos especialistas, pode acessar aqui, já que nenhum jornalista se interessou em pegar uma cópia. A apresentação completa, para facilitar as coisas, está também aqui.

Como frisei, pode permitir a formulação de alguma hipótese de erro ou pode ser um procedimento normal.

Não sei e um jornalista não tem de possuir  competência técnica para saber. Mas tem e obrigação de  saber perguntar e o dever de reunir os elementos para que a pergunta possa ser feita.

Estão aí alguns que, se a mídia quiser, talvez lhe dê bom proveito.

Tijolaço – O Blog do Brizola Neto

25/11/2011

Chevron em cabeça de cavalo

Filed under: Chevron,Texaco — Gilmar Crestani @ 8:56 am
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A audácia de um poluidor

A se confirmarem as informações veiculadas agora à noite pelo Estadão, estamos diante de um caso de comportamento inaceitável de uma empresa estrangeira que, por acabar de protagonizar o mais grave acidente da exploração marítima de petróleo do qual já se teve  notícia no Brasil ainda quer vir “cantar de galo” sobre as autoridades brasileiras.

Diz o jornal  que o sr. Ali Moshiri – o mesmo que, segundo o Wall Street Journal, em 2008,  mandou jogar fora os planos técnicos da própria Chevron no campo de Frade e iniciar outro, com poços “mais simples e mais baratos” – entrou reclamando na audiência com o Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. Diz o Estadão que ele “reclamou que a empresa só soube da suspensão da autorização para novas perfurações por meio imprensa, antes de ser notificada oficialmente.

“A manchete da CNN foi: Chevron não pode mais operar no Brasil. Uma empresa do nosso porte não pode ser tratada dessa forma”, teria dito Moshiri ao ministro.”

Não, senhor Moshiri. A história é outra: é um país como o nosso que não pode ser tratado desta maneira.

Se a ANP merece crítica, não é essa. É o contrário, a de ter ficado de muita conversinha privada com a Chevron, antes de falar em público com a devida firmeza. A suspensão que ela anunciou ontem não foi apressada, foi demorada.

Diz o jornal que o Sr. Moshiri “baixou a bola” ao ser lembrado de que o problema central era o vazamento. E é, mas por enquanto.

Quem não está sendo respeitoso neste caso é o seu grupo empresarial, não as autoridades brasileiras.

O seu subordinado, presidente do ramo brasileiro da Texaco, George Buck, ao menos pediu desculpas – instado, aliás, a fazê-lo, pelo Deputado Giovani Cherini (PDT-RS), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara. Pediu desculpas  e só, nada mais.

O resto foram declarações vazias. Dizer que as preocupações eram com a segurança das pessoas, com o meio-ambiente e com o tamponamento do poço, bastaria mandar um assessor dizer.

Não se comprometeu em aceitar as multas.

Não forneceu informações técnicas detalhadas – amanhã a gente vai postar aqui a razão das perguntas técnicas apresentadas pelo deputado Brizola Neto – e foi genérico sobre o único dado objetivo que explica porque um evento relativamente normal nas perfurações – o “kick do petróleo (que pode ocorrer também com gás) – levou a um escape de óleo para o solo marinho e, daí, para o oceano.

Disse que a cimentação da sapata situada a 567 metros – embora, por três vezes, ele tenha dito 567 feet, ou pés, o que é um terço disso – não tinha se revelado adequada. Mas não disse quando isso foi percebido, se depois do acidente ou antes, quando são feitos os ensaios (Cement Bond Logging), logo após a sua implantação, o que exige uma parada – e cara parada – na atividade de perfuração, ou se depois do derramamento de óleo.

Mas este é assunto para um próximo e detalhado post. Por agora, é registrar e ver se o representante de um empresa que confessa ter a culpa por um vazamento de petróleo em nosso litoral tem o direito de chegar de topete em riste para dizer como as autoridades brasileiras devem agir.

E muito menos ouvir dele “boutades”  como a que registra a Carta Capital onde se  diz que Moshiri “culpou a “mãe natureza” pelo acidente provocado por sua empresa que provocou o vazamento de petróleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro.

Tijolaço – O Blog do Brizola Neto

24/11/2011

Pré-sal e a “diplomacia da canhoneira”. Ou o canudinho da Chevron

Filed under: Chevron,Democracia made in USA,Texaco — Gilmar Crestani @ 9:47 am
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Os Marines em Macaé. Os colonistas do PiG não aparecem na foto

A histórica decisão do Governo brasileiro de suspender as atividades da Chevron do Cerra em águas territoriais brasileiras  – clique aqui para ler “Essa é a Chevron a que o Cerra ia entregar o pré-sal” – remeteu o ansioso blogueiro a considerações em águas mais profundas.
Por exemplo, a recente artigo do New York Times sobre a versão contemporânea da “diplomacia da canhoneira”.
Os Estados Unidos começaram a usar as canhoneiras para fazer diplomacia em 1853, quando o comandante Perry entrou na Baía de Tóquio e obrigou o Japão a abrir os portos – ou seja, o neolibelismo (*) nasce na ponta de uma canhoneira…
A diplomacia da canhoneira de hoje se dá em torno das reservas de petróleo e gás do Mar da China Meridional:   
http://www.nytimes.com/2011/11/13/sunday-review/a-new-era-of-gunboat-diplomacy.html?_r=1&scp=1&sq=a%20new%20era%20of%20gunboat%20diplomacy&st=cse
http://www.nytimes.com/2011/11/20/world/asia/wen-jiabao-chinese-leader-shows-flexibility-after-meeting-obama.html?scp=3&sq=south%20china%20sea%20obama%20hillary&st=cse

Obama announced that 2,500 Marines would be stationed in Australia; opened the door to restored ties with Myanmar, a Chinese ally; and gained support for a regional free-trade bloc that so far omits Beijing.
The announcements appeared to startle Chinese leaders, who issued a series of warnings that claimed the United States was seeking to destabilize the region.

Numa recente viagem de seis dias à Ásia, Obama anunciou que vai estacionar 2.500 fuzileiros navais na Austrália; restabelecer relações diplomáticas com Miamar, um aliado da China; e conseguiu apoio para criar uma ALCA que, por enquanto, omite a China.
(A certa altura do governo de Bush, o filho, os americanos tentaram montar uma ALCA sem o Brasil, para pressionar o Brasil. O Nunca Dantes e seu grande chanceler Celso Amorim conseguiram vencer os Estados Unidos e o PiG (**), e a ALCA deu com os burros n’água.)
Os dirigentes chineses ficaram alarmados e fizeram advertências contra a tentativa americana de desestabilizar a região em torno do Mar da China Meridional.
Clique aqui e aqui para ler.
Ano passado, Hillary Clinton já tinha advertido que se aliaria ao Vietnã – velho rival da China – e às Filipinas para conter a expansão chinesa em cima dessas magníficas reservas de energia.
Diz a reportagem de Mark Lander do New York Times que a China não está sozinha nessa ambição marítima.
A Turquia está em crise com Chipre, Israel e a Grécia por causa dos campos de gás natural que repousam no Mediterrâneo oriental.
A Rússia, os Estados Unidos e o Canadá (onde já se viu o Canadá brigar com os Estados Unidos ?) disputam o controle do Ártico, onde há magníficos depósitos de óleo e gás.
“Isso tudo demonstra que uma crescente parcela de recursos de petróleo está no mar. Quando o petróleo está em terra, todo mundo sabe onde fica. Quando está no mar, a coisa fica mais obscura”.
Essas sábias palavras são de Daniel Yergin, um respeitado especialista em petróleo, citado pelo New York Times.
Hoje, um terço da produção mundial de petróleo vem do mar.
A China passou dos dois destroiers que tinha na era soviética para 13 modernos destroiers, hoje.
A exploração de petróleo no mar significa Marinha forte.
Significa, na opinião deste ansioso blogueiro, uma frota numerosa de submarinos nucleares e, de preferência, acompanhados de bomba atômica.
Bomba atômica.
Não, para usar.
Inglaterra, França, Paquistão, Índia, China, Rússia – todos eles têm bomba atômica e nunca usaram.
Como Israel, que tem mais de 100 artefatos e nunca usou.
É só para não deixar os outros usarem.
Não deixar usar, por exemplo, o canudinho.
Será que a Chevron do Cerra se arrebentou lá embaixo, porque tentava chupar o óleo pré-sal com canudinho ?
A resposta da Presidenta Dilma à Chevron do Cerra foi imediata.
Logo no início, quando o PiG (**) escondia a mancha da Chevron e começava a espalhar culpa pela Petrobrás, a Presidenta usou o Blog do Planalto para avisar:  – Chevron, eu sei que a culpa é sua.
Agora, o risco imediato é a Chevron do Cerra contratar o Sergio Bermudes ou o Marcio Thomaz Bastos – os dois advogados mais poderosos do Brasil – e recorrer ao Supremo para não pagar a multa.
A médio prazo, é o Obama sair do Iraque, do Afeganistão, e estacionar umas canhoneiras em frente a Macaé.
Na praia, com bandeirinhas americanas, os colonistas (***) do PiG a dar boas vindas aos fuzileiros navais.
Paulo Henrique Amorim

Pré-sal e a “diplomacia da canhoneira”. Ou o canudinho da Chevron | Conversa Afiada

A Bláblárina vai protestar contra a Chevron?

Filed under: Chevron,Marina Silva,Texaco — Gilmar Crestani @ 9:44 am
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A Bláblárina vai protestar contra a Chevron ?

Não
A Bláblárina se preserva para protestar contra a Petrobrás.
Sim
A Bláblárina defende o interesse nacional (do Brasil).

Clique aqui e vote !

A Bláblárina vai protestar contra a Chevron ? Não ! Sim ! Vote ! | Conversa Afiada

Caso Chevron obriga Brasil a pensar como potência

Filed under: Chevron,Texaco — Gilmar Crestani @ 9:37 am
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Apesar de o Brasil ter razões óbvias para estar aborrecido com a petroleira americana Chevron, o vazamento que a cada vez mais evidente imperícia da empresa causou motiva reflexão sobre quanto o país progrediu, pois o episódio insinua superioridade técnica e financeira da Petrobrás e revela postura soberana das instituições brasileiras em relação a uma poderosa transnacional que há uma década talvez nem fosse incomodada.

De acordo com o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, a Chevron está sendo punida devido à falta de equipamento adequado para estancar o vazamento, tendo sido obrigada a pedi-lo emprestado à Petrobrás, e por esconder informações, o que, mais do que desrespeito pelas leis brasileiras, pode ter relação com problemas econômicos que afetam o país-sede da empresa, sem falar em sua incapacidade técnica e falta de transparência.

Mas não é só isso. Vai ficando cada vez mais claro que chegou o momento de o Brasil começar a agir como potência não só do ponto de vista econômico, mas, também, do ponto de vista estratégico, pois lhe faltam os meios de patrulhar as suas cobiçadas águas territoriais e isso tira do país as condições de fazer valer a sua soberania por meios não-diplomáticos, o que toda grande nação precisa ter como fazer, se for o caso.

Recentemente, a imprensa noticiou o progressivo sucateamento do poderio bélico do país, se é que se pode chamá-lo assim. A defesa do território nacional seco também está ameaçada pela incapacidade da Força Aérea Brasileira de patrulhar e até de chegar rapidamente a eventuais zonas de conflito fronteiriças devido à obsolescência de suas aeronaves de caça. Enquanto isso, a compra das novas aeronaves empaca sem que se tenha notícia de quando será efetuada.

Nesse aspecto, a politização do assunto compra de novos caças pela imprensa, ano passado, terminou por fazer o governo congelar as tratativas. Devido à mesma imprensa querer determinar de que nacionalidade seriam as armas – que, obviamente, queria que fossem as fabricadas pelos Estados Unidos – o governo retrocedeu e a situação de fragilidade estratégico-militar foi se agravando.

O país tem recursos para se armar. É, atualmente, um dos mais desarmados da América Latina apesar de seus recursos financeiros serem muito maiores do que os de seus vizinhos. E é a política que o mantém inferiorizado belicamente, o que lhe retira também as condições estratégico-militares de seguir pleiteando o tão ambicionado assento definitivo no Conselho de Segurança da ONU.

Está faltando coragem ao governo de pôr o tema em pauta.

O episódio Chevron mostrou a importância e o peso do Brasil hoje no mundo. A poderosa transnacional foi devidamente enquadrada, teve suas atividades suspensas e, preocupada, manifestou-se no sentido de se submeter plenamente às determinações e demandas nacionais. O mundo leva o Brasil cada vez mais a sério, entende cada vez mais a sua importância. É preciso que o país também se leve a sério.

Caso Chevron obriga Brasil a pensar como potência | Blog da Cidadania

23/11/2011

Le Brésil suspend toutes les activités de forage de Chevron

Filed under: Chevron,Texaco — Gilmar Crestani @ 9:44 pm
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Agora os franceses devem estar pensado que, até que enfim, o Brasil virou um país sério. Pena que Charles de Gaulle não pode conhecer o Brasil de hoje. C’est la vie!

LEMONDE.FR avec AFP | 23.11.11 | 22h54   •  Mis à jour le 23.11.11 | 23h01

La marée noire au large de Rio, au Brésil, le 18 novembre 2011.

La marée noire au large de Rio, au Brésil, le 18 novembre 2011.AP/Rogerio Santana

Le Brésil a suspendu, mercredi 23 novembre, toutes les activités de forage du géant pétrolier américain Chevron dans le pays en raison d’une fuite de brut survenue debut novembre dans ses installations au large de Rio de Janeiro, a annoncé l’Agence brésilienne du pétrole (ANP). Une suspension qui sera maintenue "jusqu’à ce que les causes de la fuite de brut et les responsabilités aient été identifiées et que les conditions de sécurité dans la zone aient été rétablies", a annoncé l’agence dans un communiqué.

Cette fuite a été constatée le 9 novembre dans un puits de forage à 1 200 m de profondeur, près du champ pétrolifère de Frade, à 370 km au nord-est des côtes de Rio. L’ANP a estimé qu’ il y avait eu "négligence" de la part de Chevron dans l’étude des données fondamentales pour le forage du puits. La fuite a été colmatée et la nappe de pétrole a été réduite de 12 kilomètres carrés à 2 kilomètres carrés à la surface, selon les autorités brésiliennes.

L’ANP a également rejeté la demande faite par le concessionnaire Chevron pour forer un nouveau puits dans le champ pétrolifère de Frade dans le but d’atteindre les gigantesques gisements de pétrole dit "pre-sal", en eaux très profondes, sous une épaisse couche de sel, découverts récemment. Cela "impliquerait des risques de nature identique à ceux survenus dans le puits qui a provoqué la fuite, mais plus importants et aggravés du fait de la plus grande profondeur", a-t-elle justifié.

EXCUSES DE CHEVRON

Auparavant, le président de Chevron Brésil, George Buck, avait tenté de calmer la colère des Brésiliens et fait amende honorable devant la commission de l’environnement de la Chambre des députés : "Je présente mes sincères excuses à la population et au gouvernement brésiliens", a-t-il dit. "Nous allons soigneusement enquêter sur l’accident et présenter les résultats au peuple brésilien" pour que "cela ne se repoduise pas ni ici ni ailleurs", a assuré M. Buck.

Le gouvernement brésilien et l’Etat de Rio de Janeiro ont promis d’infliger des amendes maximums à Chevron. A Rio, le secrétaire à l’environnement de l’Etat, Carlos Minc, a déclaré que Chevron n’avait pas "opéré dans les conditions de confiance qui lui avaient été données".

Le président de Chevron Brésil a affirmé que 2 400 barils de pétrole (environ 317 tonnes) s’étaient répandus dans l’océan entre le 8 et le 15 novembre, mais l’ANP a estimé la fuite à 3 000 barils, et l’ONG écologiste SkyTruth à 29 904 barils (4 000 tonnes).

Pétrole

La marée noire au large de Rio, au Brésil, le 18 novembre 2011.Les faitsChevron devra payer de lourdes amendes pour la marée noire de Rio

L'ancien premier ministre socialiste Michel Rocard.BlogMichel Rocard : "Nous sommes en train de passer le pic pétrolier"

 Extraction de pétrole dans les sables bitumeux au Canada.BlogLe pétrole extrait des sables bitumineux pourrait être banni en Europe

Une station Total Access, à Rocquencourt, près de Paris.Les faitsTotal lance ses deux premières stations-service à bas prix

BlogPic pétrolier : un pessimiste répond à un optimiste

Le Brésil suspend toutes les activités de forage de Chevron – LeMonde.fr

Procurando Chevron em cabeça de bagre

Filed under: Chevron,Texaco — Gilmar Crestani @ 9:19 am
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Chevron: “o nosso negócio é o risco”

Acabo de postar, no blog Projeto Nacional, mais um trecho da reportagem do Wall Street Journal, em 2008, sobre os métodos e equipamentos usados pela Chevron no Campo de Frade.

“A equipe (técnica) de Frade queria perfurar mais poços para entender melhor o reservatório de óleo. Mr. Moshiri travou-a. O plano era muito caro e demorado. Ele apoiou um (outro) plano para perfurar menos, poços mais simples e  mais baratos.”

O repórter do WSJ mostra como o presidente para a África e América Latina, Ali Moshiri  seguidamente vetou as formas de avaliação propostas pelos geólogos da própria empresa, para economia de tempos e custos. “Nosso trabalho é correr riscos”, diz ele.

Ele compara a aposta da Chevron a um jogo de poquer sem as fichas necessárias.

Um carro não bate por estar em  velocidade imprudente, mas esta é o contexto que facilita a ocorrência do acidente.

No caso do autmóvel, porém, isso é motivo para ter a habilitação cassada. A Chevron-Texaco vai perder a carteira?

A Chevron está na marca do pênalti

Do site de O Globo, hoje:

– As melhores práticas internacionais não foram observadas e houve falsidade de informação. Não houve informação on-line e precisa à agência, o que prejudicou o trabalho. A ANP não foi tratada de forma correta pela Chevron – afirmou Haroldo Lima, após reunião comandada pela presidente Dilma Rousseff com a presença dos ministros Edison Lobão (Minas e Energia), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Celso Amorim (Defesa), além de técnicos.

– A empresa atuou em completa violação ao contrato de concessão e à própria legislação brasileira – reforçou Magda Chambriard, diretora da ANP, em relação à omissão de informações ao órgão regulador.(…)

Magda Chambriard considerou “inaceitável” o fato de a empresa ter fornecido imagens editadas à agência.

-Tivemos de ir até o local para fazer as imagens e ter noção do problema real – afirmou.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, também criticou a Chevron pelas informações imprecisas.

– A empresa diz que tem 16 barcos e a gente vai a campo e vê que há três ou quatro – afirma. – Para o governo brasileiro é inaceitável qualquer empresa que forneça qualquer informação que não condiga com a verdade – acrescentou.

Precisa mais?

Multar a Chevron é correto, mas não basta. Até porque ela vai pagar a multa com o dinheiro do nosso próprio petróleo, que sai dali direto para a exportação.

Entre janeiro e julho deste ano, o a Chevron Brasil (?) Upstream Frade Ltda. exportou US$ 802 milhões, segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. E vinha exportando cada vez mais, porque só no mês de julho deste ano  foram US$ 204 milhões, contra zero do mês de julho de 2010.

Tijolaço – O Blog do Brizola Neto

Escândalo Chevron: mentiras, multas irrisórias, politização e pré-sal

Filed under: Chevron,Texaco — Gilmar Crestani @ 8:14 am
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Escândalo Chevron: mentiras, multas irrisórias, politização e pré-sal

Petroleira norte-americana responsável por desastre ambiental escondeu das autoridades informação sobre fim de vazamento e tentou iludi-las com vídeo editado. Multas iniciais e pedido de indenização chegam no máximo a R$ 250 mi, quase nada para quem fatura US$ 200 bi. Para PSDB, governo demorou a agir. Partido não se indignou com ‘mentiras’, como fez com ministro, nem pediu CPI da Chevron, suspeita de buscar pré-sal alheio, como fez com Petrobras.

André Barrocal e Najla Passos

BRASÍLIA – “É política do grupo preservar a segurança, a saúde das pessoas e o meio ambiente, bem como conduzir operações confiáveis e eficientes.” O grupo em questão, acredite, é o norte-americano Chevron, protagonista de um dos maiores desastres ambientais da história brasileira. Graças a operações nada confiáveis e eficientes com petróleo no Rio, a empresa é hoje alvo da Polícia Federal (PF) e da cobrança de indenização e de multas milionárias.
Recheado – segundo autoridades – de omissão de informações e inverdades, e com cheiro de atentado à soberania nacional diante de uma possível tentativa de explorar petróleo pré-sal alheio, o caso Chevron é revelador. Permite ver com nitidez como a legislação brasileira pode ser generosa com empresas privadas. E como a luta política entre governo e oposição às vezes ajuda a perder a noção de que algo verdadeiramente escandaloso está acontecendo.
No dia 8 de novembro, teve início um vazamento de petróleo de poço explorado pela multinacional a 1,2 mil metros de profundidade na Bacia de Campos, no litoral do Rio. No dia 12, a Chevron apresentou à Agência Nacional do Petróleo (ANP) um plano para “matar” o poço e acabar com o vazamento, aprovado no dia seguinte e implementado a partir do dia 16 – pelo menos, era isso que a Chevron dizia à ANP.
O plano, porém, dependia de um equipamento que só chegou dos Estados Unidos nesta segunda-feira (21), e isso a Chevron não contara antes.
Imagens submarinas que a empresa fornecera às autoridades para mostrar o fechamento do poço estariam incompletas e teriam sido editadas para iludir as mesmas autoridades. “Houve falsidade de informações”, disse o chefe da ANP, Haroldo Lima. “Isso é inaceitável”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
Os dois mais o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foram chamados pela presidenta Dilma Rousseff para uma reunião nesta segunda em que ela queria passar a história a limpo. Até então, Dilma tinha apenas divulgado uma nota, dia 11, na qual dizia que o governo estava acompanhando o caso e que haveria uma apuração rigorosa das responsabilidades.
Na reunião, Dilma ficou incomodada com a enrolação da Chevron e mandou a equipe levantar todos os contratos que a empresa tem com o governo, para verificar se é o caso de preservá-los.
Depois da conversa, a ANP informou que vai fazer pelo menos duas autuações contra a petroleira – uma pelas omissões, outra pela falta de equipamentos. Mais cedo, no Rio de Janeiro, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) também anunciara a aplicação de uma multa.
Pela lei atual, cada uma das multas pode chegar no máximo a R$ 50 milhões, uma ninharia para a Chevron mesmo que se some a autuação anunciada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), também no valor de R$ 50 milhões.
No ano passado, a multinacional faturou US$ 200 bilhões.No primeiro semestre de 2011, lucrou US$ 14 bilhões. Como comparação: em fevereiro, a mesma empresa foi condenada no Equador a pagar US$ 8 bilhões por um crime ambiental.
Talvez fosse mais adequado que a legislação atrelasse as multas ao faturamento das empresas, como o ministro da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, está defendendo em projeto de lei que pune corruptores com mais rigor. Para Hage, se a multa não pesar de fato no caixa das empresas, o comportamento ético delas não vai mudar. Um raciocínio que também pode servir para o comportamento ambiental.
“Para o tamanho do empreendimento [da Chevron] e do dano ambiental [que ela causou], o valor máximo da multa brasileira me parece muito pequeno”, disse o presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).
Nesta segunda (21), Rollemberg propôs – e aprovou – a realização de audiência pública no Senado no próximo dia 29 para escarafunchar o caso Chevron, com a presença de dirigentes da empresa e de autoridades.
Os adversários do governo Dilma – Rollemberg é aliado – também querem explorar o assunto politicamente. No domingo (20), um deputado oposicionista, Arnaldo Jardim (PPS-SP), informara que iria propor na Câmara a convocação da ANP e da Chevron para dar explicações. Nesta segunda (21), o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), divulgou nota em que diz que a sociedade “não consegue conceber” por que “somente agora” a presidenta tomou uma atitude.
Já as mentiras da Chevron denunciadas pelo governo não mereceram dos tucanos a mesma reação que tiveram com as confusas explicações dadas pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, sobre as relações dele com um empresário. Para o PSDB, Lupi teria cometido crime de responsabilidade por ter mentido.
O PSDB também não está a defender, por exemplo, uma CPI da Chevron, como fez contra a a Petrobras em 2009, para saber se a multinacional norte-americana tentou sugar petróleo pré-sal que não lhe pertencia. Essa é uma suspeita tanto da Polícia Federal, que abriu inquérito para apurar todo o caso e vai tomar os primeiros depoimentos de executivos da empresa nesta quarta-feira (23), quanto da ANP.
Para o delegado da PF que cuida do caso, Fabio Scliar, é estranho que a Chevron tenha sondas capazes de buscar petróleo a 7km de profundidade, sendo que o poço em que houve o acidente era "raso", de 1,2km – as camadas de pré-sal situam-se entre 5km e 7km.
“Vamos examinar a prazo curto o projeto dela de chegar ao pré-sal brasileiro legalmente”, disse Haroldo Lima, em referência a uma reunião da ANP marcada para quarta (23) que analisará uma proposta da Chevron de atuar em campos do pré-sal.
Coincidência ou não, o governo do Rio também resolveu se mexer nessa segunda (21). O secretário de Meio Ambiente, Carlos Minc, ex-ministro da área, informou que o estado vai entrar com uma ação civil pública cobrando R$ 100 milhões de indenização da Chevron. E que vai obrigar a empresa a se submeter a uma auditoria internacional para conferir se a empresa estava preparada para acidente. A auditoria deve custar R$ 5 milhões, e a própria auditada deverá pagar.

Carta Maior – Meio Ambiente – Escândalo Chevron: mentiras, multas irrisórias, politização e pré-sal

Por que José Serra não fala do vazamento de petróleo da Chevron?

Filed under: Chevron,José Serra,Texaco — Gilmar Crestani @ 7:21 am
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Já que o Greenpeace virou uma Graanbosta, que tal deixarmos de abastecer na rede Chevron brasileira, como protesto, na Texaco e Ipiranga? O lucro eles levam mesmo só para financiar o terrorismo de estado patrocinado pelos EUA.

Estranho o fato de o ex governador de São Paulo, José Serra (PSDB), não aparecer na imprensa para falar sobre o vazamento de petróleo da Chevron no Campo de Frade. na na bacia de Campos, no Rio de Janeiro.

Seria uma boa oportunidade para o Serra nos explicar também, um outro vazamento, o do site  WikiLeaks ,sobre os telegramas em que o  então candidato á presidência em 2010  planejava entregar  o Pré-Sal para os americanos…

A explicação, se faz importante neste momento em que a Policia  Federal investiga se a petroleira Chevron perfurou  além dos limites permitidos no campo de Frade,   na tentativa de  alcançar indevidamente a camada pré-sal.Técnicos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) admitiram ontem que discutem internamente essa possibilidade….. –de roubo do Pré-Sal–

Crime ambiental

Neste sábado (19),o secretário do Ambiente do Rio, Carlos Minc, disse que a Chevron, está usando jatos de areia para limpar a mancha de óleo vazado na bacia de Campos (RJ), o que seria ilegal.A denúncia do secretário foi feita ontem, após ele sobrevoar a área para observar o vazamento e os trabalhos de contenção e limpeza.

Ela consiste em jogar areia sobre o óleo para que ela se misture a ele e, com o peso, o leve ao fundo do mar. "É como empurrar a sujeira para debaixo do tapete", disse o delegado da PF Fábio Scliar, responsável pelo caso. "É mais um crime ambiental."

Americanos de olho na nossa riqueza

A descoberta do Pré-Sal, além de trazer a riqueza, o dinheiro e o combustível,vão dar um grande estímulo para o desenvolvimento científico no Brasil. Além do progresso tecnológico, também milhares de empregos.

Outra vantagem do Pré-Sal Brasileiro ter sido encontrado , foi o preço do petróleo: o Brasil vai explorar o seu petróleo a um preço caro, tendo muito lucro, ao contrário do que aconteceu na Arábia Saudita por exemplo que encontrou o seu petróleo, quando ele ainda não valia muito e vendeu quase todo o seu petróleo a preços baixos.

Para se ter uma idéia da diferença, quando a Arábia encontrou o seu petróleo, algumas decadas atrás, ele valia 5 dolares o barril, o petróleo hoje em dia vale pelo menos 80 dolares o barril.

Os especialistas preveem que até 2020, sejam criados 500.000 empregos diretos e indiretos com a exploração do Petroleo no Pré-Sal. Estes empregos vão vir de diversas áreas diferentes, e com profissionais de diversas especialidades

Os Amigos do Presidente Lula

22/11/2011

Chevron, go home!

Filed under: ANP,Chevron,Haroldo Lima,Texaco — Gilmar Crestani @ 8:44 am
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Haroldo Lima: Chevron pode ser proibida de operar no país

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, fez nesta segunda-feira (21) uma análise do desastre ocasionado pela empresa estadunidense Chevron, responsável pelo vazamento de óleo que atinge o Campo de Frade, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Haroldo disse que a Chevron pode até ser proibida de operar no país, a depender das investigações que estão sendo feitas pela própria agência.

 Haroldo Lima ANP

Haroldo: "Não vamos passar a mão na cabeça"

Segundo ele, a agência já está preparando duas multas para a empresa, uma delas pela falta de equipamento adequado para estancar o vazamento e a outra por ocultação de informações. O diretor-geral informou que “eles [diretores da empresa] mitigaram informações importantes sobre o vazamento e esconderam fotos que mostravam a real proporção do acidente”. Pelos cálculos da ANP, uma média de 330 barris por dia vazaram durante mais de uma semana – informou Haroldo.
Dos 28 pontos de vazamento, um ainda continua escapando e outros nove estão gotejando. A ANP informou que está acompanhando todo o processo, examinando as causas e avaliando os possíveis erros na operação da empresa. A agência está preparando uma terceira autuação, que deve ser divulgada até o final do dia.
Para haroldo, a Chevron não estava preparada para executar o plano de abandono do poço que foi apresentado. "A multa máxima para o acidente é de R$ 50 milhões, que considero um valor pequeno para o que houve. Vamos investigar se a empresa cometeu um erro deliberado ou se houve má-fé. A ANP vai investigar a fundo e não vamos ‘passar a mão na cabeça’", afirmou.
Dilma entra em campo

A presidente Dilma Rousseff deve se reunir ainda nesta segunda-feira (21) com o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, para falar sobre o vazamento. Lobão deve apresentar um relato da situação no local e das providências que já foram tomadas. O encontro não está na agenda da presidente.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Chevron responde por menos de 4% da produção nacional de petróleo. A empresa produziu, em setembro, uma média de 74,7 mil barris de óleo por dia, que corresponde a 3,5% da produção nacional, de 2,1 milhões de barris.
Em meses anteriores, a produção da Chevron não chegou a 4% do total nacional. Na área de exploração e produção de petróleo, a empresa norte-americana opera no país apenas o Campo de Frade, com 51,7% de participação no negócio. Entre seus parceiros no Frade, está a estatal brasileira Petrobras.
Campo de Frade

O campo de Frade produz desde 2009 e, até o final deste ano, a empresa previa concluir a perfuração de mais oito poços, para se somar aos 12 que já funcionavam no Campo de Frade desde o ano passado.
Segundo informações da própria Chevron, o Brasil é um mercado “chave” e “crescente” para lubrificantes. Por isso, a empresa mantém duas plantas industriais no país, com produtos voltados para o mercado nacional: uma no Rio de Janeiro, que produz 1 milhão de barris de óleo lubrificante, e outra em São Paulo, que fabrica graxas industriais e fluidos de arrefecimento.
A Chevron já atua há quase 100 anos no Brasil. A companhia começou a operar no país em 1915, quando recebeu uma licença do então presidente Wenceslau Braz, para vender produtos petrolíferos sob o nome Texaco (Texas Company).
Da redação com agências

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=169107&id_secao=1

A Chevron vaza

Filed under: Ana Amélia Lemos,Chevron,Texaco — Gilmar Crestani @ 8:15 am
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A onipresente entrevistada da RBS, Ana Amélia Lemos, deu ontem um declaração de amor ao Brasil. Falou em alto e bom som que o Brasil não está preparado para enfrentar os problemas causados pela Chevron. É evidente, com a Petrobrás não há problemas. A Chevron, Ana Ameba, não precisava estar ali. Sem a Chevron, não haveria vazamento. Aliás, Senadora Miss Lagoa Vermelha, a senhora por acaso saberia dizer se o Greenpeace ainda existe? Quem comprou o silêncio dos verdes ets de Varginha? Quanto a empresa para a qual a senhora trabalha ganha pra fazer às vezes de porta-voz dos interesses americanos?

Senado fará audiência pública sobre vazamento de petróleo da Chevron

Senador Rodrigo Rollemberg propôs audiência pública | Foto: Agência Senado/Flickr

Da Redação

O vazamento de petróleo da empresa norte-americana Chevron, na Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro, será tema de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado (CMA). A audiência, cuja data ainda será definida, foi solicitada pelo presidente da comissão, senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

Leia mais:
– Presidente da Chevron afirma que volume de petróleo vazado é de 382 mil litros

Ao apontar a gravidade do vazamento, Rollemberg afirmou, em reunião nesta segunda-feira (21), que é necessário discutir as medidas a serem tomadas para evitar acidentes como esse e as respectivas punições a serem aplicadas.

Devem ser convidados para o debate os ministros do Meio Ambiente (Izabella Teixeira) e de Minas e Energia (Edison Lobão), o subprocurador-geral da República Mário Gisi, além de representantes da Chevron e da organização não-governamental Sky Truth, uma das instituições que denunciou o vazamento.

Também devem ser convidados representantes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), entre outros.

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que também apontou a gravidade dos danos ambientais que podem ser provocados pelo vazamento, disse que é preciso discutir “a quantas anda o plano nacional de contingência, que ainda não foi implantado”. Um dos objetivos desse plano seria definir formas de atuação em caso de grandes vazamentos de petróleo.

Com informações da Agência Senado

Sul 21 » Senado fará audiência pública sobre vazamento de petróleo da Chevron

21/11/2011

Os crimes dos corruptores impunes

Filed under: Chevron,Fernando Brito,Texaco — Gilmar Crestani @ 9:32 am
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Fernando Brito: ‘Omissão criminosa da Chevron-Texaco, cumplicidade escandalosa da mídia’

por Conceição Lemes

No dia 10 de novembro, quinta-feira, a Agência Estado publicou esta nota:

“A unidade brasileira da petroleira norte-americana Chevron-Texaco informou que está trabalhando para conter um vazamento no campo Frade, na Bacia de Campos. “O vazamento se deve a uma rachadura no solo do oceano. É um fenômeno natural”, disse Heloisa Marcondes, porta-voz da Chevron-Texaco Brasil.

O campo de Frade, operado pela petroleira estadunidense Chevron-Texaco, fica a 350 km do Rio de Janeiro. O acidente, sabe-se só agora,  aconteceu na segunda-feira, 7 de novembro. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) tomou conhecimento no dia 9, mas só o tornou público no dia 10. O primeiro alerta público foi dado pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro) ainda na quarta-feira, 9.

Nos dias 11, 12, 13, 14 e 15, a mídia se limitou a reproduzir as notas oficiais da Chevron-Texaco e da Agência Nacional de Petróleo (ANP). E, ainda assim, em matérias pequenas, em pé de página, escondidas. Nenhuma cobrança maior. Aliás, nenhum grande veículo se empenhou para saber o tamanho e a causa do vazamento.

O jornalista Fernando Brito, do blog Tijolaço, do deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ), não engoliu a versão da empresa e desde o dia 11 começou, solitariamente, a questioná-la. De lá até hoje foram 21 artigos, denunciando o desastre ambiental, o comportamento da mídia e as mentiras da Chevron-Texaco.

“Desde o princípio, achei algumas coisas estranhas, a começar pelo fato de que não houve um tratamento escandaloso do assunto pela mídia, como certamente haveria se o campo em questão fosse operado pela Petrobras”, ironiza Fernando Brito.  “Ah, se fosse a Petrobras, já no dia 11, até os peixes do oceano estariam dando declarações contra a empresa.”

“Além disso, a Chevron-Texaco demorou a admitir o problema e, quando o fez, foi por uma nota marota, dizendo que se tinha detectado o vazamento ‘entre o campo de Frade e o de Roncador – que é operado pela Petrobras”, prossegue Brito. “Na verdade, o problema se deu bem próximo de uma de suas plataformas de perfuração, a Sedco706, da Transocean, a mesma proprietária da Deepwater Horizon, que provocou o acidente no Golfo do México.”

No dia 15, a Polícia Federal entrou no caso e a expectativa era de que a mídia não varreria mais para debaixo do tapete o óleo derramado. Realmente, não deu mais para a grande imprensa ignorar. Porém, não foi a fundo nas circunstâncias que o causaram, apesar de ter todas as condições e facilidades para fazê-lo.

A Sedco 706, plataforma de perfuração da mesma empresa do acidente do Golfo, nas proximidades da qual ocorreu o acidente da Chevron

O Tijolaço “furou” toda a imprensa. Foi quem primeiro duvidou da história contada pela Chevron-Texaco de que o derramamento de petróleo no mar era “fenômeno natural” e se devia a uma falha geológica. Foi também quem, com base nos cálculos feitos pelo geógrafo John Amos, do site SkyTruth, especializado em interpretação de foto de satélites com fins ambientais, alertou que o vazamento de petróleo no campo de Frade era muito maior do que a Chevron-Texaco afirmava. Foi ainda quem, ainda no dia 11 de novembro, levantou possibilidade de a empresa pretender fazer uma prospecção na camada do pré-sal , pelo fato de haver um pedido de perfuração até 5.200 metros, quando as ocorrências de petróleo em Frade se situam na faixa dos 2,5 mil metros abaixo do leito marinho.

Por isso, o Tijolaço começou a pedir que se apreendessem os diários de perfuração e os relatórios de cimentação, que mostram os locais e  a qualidade da vedação que se faz pelo lado externo da coluna de tubos do poço.

“É como um canudo (desses de doce) que você coloca numa tijela cheia de doce de leite molinho. Quando pressiona, o líquido sobe pelo canudo, mas também vaza pelo lado de fora dele. A cimentação, além de dar firmeza à coluna de tubos, faz essa vedação, de baixo para cima”, traduz Brito.  “Mas é um procedimento caro e toma tempo. Tempo, quando você tem uma sonda que custa centenas de milhares de dólares de aluguel diário, é dinheiro, e muito dinheiro. Lá no Golfo do México, a BP [British Petroleum], por economia, ‘pulou’ a verificação de uma dessas cimentações.”

Na última sexta-feira à noite, 18, ficou comprovado que Brito estava correto desde o começo, apesar de estar falando sozinho, contra a maré midiática. O presidente da Chevron-Texaco no Brasil, Charles Buck, revelou ao portal Energia Hoje que a empresa foi culpada pelo vazamento, por não aplicar técnicas adequadas de cimentação do revestimento da coluna de perfuração:

“O presidente da Chevron-Texaco no Brasil, George Buck, afirmou nesta sexta-feira (18/11) que a petroleira foi responsável pelo acidente que provocou o vazamento de óleo na última semana no campo de Frade, na Bacia de Campos. Segundo o executivo, a companhia subestimou a pressão do reservatório, provocando o acidente.

“É nossa culpa. Nós subestimamos a pressão do reservatório”, afirmou Buck. “O problema é que a pressão na formação foi maior do que a lama de perfuração poderia suportar. A modelagem do reservatório nos deu a informação incorreta sobre a pressão”.

“Um dia depois, a Petrobras informou à Chevron-Texaco que havia identificado uma mancha, confirmada na noite seguinte pela companhia norte-americana. A petroleira levou três dias para identificar o vazamento abaixo do revestimento e, no dia 13, fechar o poço com lama de perfuração de alta densidade. No dia 14, começou a cimentação”.

“A Chevron-Texaco cometeu erros técnicos básicos, perfurando uma extensão grande demais antes de nova cimentação. A razão principal desse erro é a redução de prazos e custos da operação”, denunciou Brito, nesse sábado, 19,  no Tijolaço. “Mas o erro mais grave, imperdoável, é que a Chevron-Texaco sabia a razão do vazamento desde o dia em que foram avistadas as manchas de óleo. Se é que não sabia antes, porque as manchas foram avistadas pelo pessoal da Petrobras e, aí, não dava mais para ter segredo.”

Em bom português: a grande imprensa “papou mosca”, de novo, num assunto de imensa gravidade. E a blogosfera, graças ao trabalho bem-feito, excelente, do jornalista Fernando Brito, colocou a Chevron-Texaco no mapa da mídia brasileira. Leiam a seguir a íntegra da entrevista que fiz com ele.

Viomundo – Enquanto a mídia se limitava a reproduzir os releases da Chevron-Texaco e da ANP [Agência Nacional de Petróleo], você desde o início denunciou que a história do vazamento do poço da Chevron-Texaco estava mal-contada. Alguma fonte o alertou para essa possibilidade? O que o levou, sozinho, ir contra a maré midiática?

Fernando Brito – Não tinha fonte privilegiada tampouco uma “gravação” caiu no meu colo (risos). O que eu fiz foi jornalismo. Apenas isso. Sou do tempo em que o jornalista não era a notícia, ele buscava a notícia, diferentemente do que acontece hoje, muitas vezes. Na hora em que li a nota da Agência Estado, fiz vários questionamentos. Fenda natural? De três mil metros de profundidade? Isso é coisa de filme de ficção. E como é que isso não apareceu nos estudos sísmicos e  ecossonográficos?

Já estava escrevendo, quando veio a notícia que a presidenta Dilma tinha mandado investigar. Pensei: aí tem, a presidenta não ia botar polícia com um derrame de “um baldinho” de óleo. Era o óbvio.

Mas não tinha ainda maiores informações. Então, registrei essa estranheza  e fiquei, essencialmente focado no tratamento mais do que discreto do assunto pela mídia brasileira. Porque, se o campo fosse operado pela Petrobras, já no primeiro dia, até os peixes do oceano estariam dando declarações contra e empresa. Aliás,  mesmo com o vazamento da Chevron-Texaco, o destaque nos jornais do dia 11 foi para a queda de 26% no lucro da Petrobras, mesmo sabendo que essa queda é essencialmente contábil, pela desvalorização cambial ocorrida desde agosto e que não se repetirá no último trimestre, dando à empresa um lucro recorde em sua história.

Como eu tinha muitas perguntas para as quais eu não tinha respostas, comecei a pesquisar no Google. Hoje em dia grande parte dos documentos vai parar na internet. Se os colegas souberem fazer as perguntas certas, vão descobrir muita coisa, muita mesmo.

Viomundo – Estranhou mais alguma coisa?

Fernando Brito – Várias. Primeira: a Chevron-Texaco  demorou para admitir o problema e, quando o fez, foi por uma nota marota, dizendo que havia sido detectado vazamento “entre o campo de Frade e o de Roncador – que é operado pela Petrobras -  quando, na verdade, ele se deu bem próximo de uma de suas plataformas de perfuração, a Sedco706, da  Transocean, a mesma proprietária da Deepwater Horizon, que provocou o acidente no Golfo do México.

Segunda: a história de que falha geológica seria a causa.  É improvável que falhas geológicas capazes de provocar um derramamento no mar não tivessem sido detectadas nos estudos sísmicos que precedem a perfuração.

Terceira: mesmo depois de a presidenta Dilma Rousseff ter determinado em 11 de novembro a investigação rigorosa do caso, a nossa imprensa, tão zelosa e meticulosa quando se trata da Petrobras, continuou a dar quase nenhuma importância ao caso da Chevron-Texaco, uma multinacional com boas relações com o senhor José Serra. Segundo o Wikileaks, lembra-se?, Serra havia prometido à senhora Patrícia Pradal, diretora de relações de governo da Chevron-Texaco, que iria rever a legislação brasileira do pré-sal.

Conversei sobre isso com o Brizola Neto e a gente decidiu mergulhar na história, com todos os riscos que isso trazia, porque nossos conhecimentos são, evidentemente, limitados.

Viomundo – E como descobriu que a plataforma Sedco 706, alugada pela Chevron-Texaco-Texaco para o campo de Frade, foi usada como “hotel marinho” para outra plataforma no Mar do Norte, em 1999?

Fernando Brito –  É o  Wall Street Journal que o diz, numa matéria de 2008.  Lá fiquei sabendo que a plataforma Sedco 706, que opera na área do acidente em Frade, tem hoje 35 anos de idade e que o equipamento “não era adequado para modernas perfurações em águas profundas. E não deveria ser utilizado mais para perfuração. Ela estava atracada no Mar do Norte, ligada a outro equipamento por uma passarela. Foi um quarto de dormir flutuante para os trabalhadores do petróleo, uma espécie de motel marinho”. Depois, sofreu um upgrade, que  a gente não sabe quanto teve de “guaribada”, porque o custo do aluguel dela – segundo o WSJ – ficou em 50% do que custa uma sonda de igual capacidade no mercado internacional.

Viomundo – Ontem, sábado, 19 de novembro, começou a circular a informação de que a Polícia Federal está  investigando se a Chevron-Texaco tentou atingir pré-sal, ao perfurar poço que vazou. Você, já no dia 11, levantou essa suspeita. Por quê?

Fernando Brito — No campo de Frade, um dos mais produtivos do Brasil, todas as ocorrências de petróleo estão  numa faixa – que os técnicos chamam de “play” — inferior a três mil metros.  Por que a Chevron-Texaco contratou uma sonda para perfurar até 7.600 metros de profundidade –  que é, em tese, mais cara – senão para chegar ao  pré-sal?

O registro de profundidade na ANP sugere que a empresa pretendia  prospectar a camada do pré-sal. E fica a pergunta se a Chevron-Texaco tinha ali estudos e equipamentos adequados para perfurar o pré-sal, como provavelmente pretendia fazer? Se isso tem ou não relação com o acidente é outra história. Não necessariamente tem. Mas é fácil de saber, com o diário de perfuração. É só ver o diâmetro do furo para saber o quão longe pretendiam ir.

Viomundo – Durante quantos dias a mídia praticamente ignorou o acidente no poço da Chevron-Texaco?

Fernando Brito – Cinco dias, 11 a 15 de novembro, quando então a Polícia Federal passou a investigar, aí não dava mais para esconder o óleo derramado embaixo do tapete.  Nesses dias, ou o assunto era ignorado pela mídia ou se reproduzia os press- releases da companhia.

“Chevron  mobiliza equipe global para conter vazamento”. Esse foi o título da matéria do Estadão no dia 13, reproduzida pela Exame (Abril), enquanto o G1, do grupo Globo, destacou: Frota de 17 navios tenta controlar mancha após vazamento no RJ

Ou seja, saiu o “Prêmio Esso de Jornalismo”, entrou o “Prêmio Chevron-Texaco” de cópia de press-releases. A falta de empenho da imprensa brasileira na apuração do acidente nos primeiros cinco dias foi um acinte ao jornalismo e ao interesse público.

Aliás, na primeira semana após o vazamento não havia uma ONG, um ambientalista, ninguém protestando, ninguém – além da presidenta Dilma – exigindo apuração completa do acidente.

Viomundo – Alguém da Chevron-Texaco falou sobre o acidente?

Fernando BritoNo primeiro dia, 10 de novembro, falou apenas Heloisa Marcondes, assessora de imprensa da Chevron-Texaco, e ainda falou besteira, dizendo que o vazamento era um “fenômeno natural”. Existir uma fenda marinha, em plena plataforma continental, capaz de, por si só, alcançar a profundidade de um depósito petrolífero não é natural, é , quando muito, sobrenatural.

Depois disso, somente nessa sexta-feira, dez dias após o problema vir a público, o presidente da Chevron-Texaco  no Brasil, senhor Charles Buck, subordinado ao senhor Ali Moshiri, presidente da empresa para a África e América Latina, deu uma entrevista coletiva. Até então, nenhum diretor da empresa havia dado entrevista. A empresa falou o tempo inteiro por meio de comunicados, reproduzidos fielmente pela mídia, sem qualquer aprofundamento ou dúvida.

O Energia Hoje, um site especializado registrou na sexta à noite, 18, com todas as letras que  Buck disse ser culpa da empresa o vazamento. O restante da mídia — acredite! –  omitiu esta declaração vital,  falou apenas num erro de cálculo.

Como assim, erro de cálculo? Alguém não sabia tabuada? Reduzir os pontos de cimentação é parte do cálculo de custos. Isso tem que ficar bem claro e deveriam ter sido ouvidos os engenheiros de petróleo para saber se é normal apenas uma cimentação num poço que já tinha 2.300 metros. Não houve, entre os 567 metros da primeira cimentação, nenhuma parada para colocação de sapatas intermediárias, quando da redução de diâmetro do furo, momento em que se faz a parada para cimentação e, depois, a análise de sua adequação?

É o oráculo de Houston falando aos pobres tupiniquins, incapazes de formular uma única pergunta. Veja, só na entrevista de Buck, finalmente, soubemos a que profundidade estava o poço! Houve uma cumplicidade escandalosa entre a nossa imprensa e a multinacional estadunidense. Tanto que, em determinado momento, eu perguntei: será que vamos ter que esperar que coloquem uma mensagem na garrafa, para que a nossa imprensa publique algo além de notas oficiais? (risos)

Curioso é que os colegas tenham ido perguntar sobre o vazamento à Petrobras, sócia minoritária e sem poder operacional sobre o campo.

Outra curiosidade: finalmente hoje,20 de novembro,  os sites dos grandes jornais publicam o que já tinha acontecido na sexta à noite, 18, e não quiseram publicar com todas as letras como o portal Energia Hoje: a Chevron-Texaco assumiu ser a responsável, a culpada, pelo vazamento de petróleo no campo de Frade.

Viomundo – Como você chegou ao geógrafo John Amos, do site SkyTruth especializado em interpretação de foto de satélites com fins ambientais?

Fernando Brito – Na verdade, primeiro cheguei a estas duas fotos, publicadas pelo  SkyTruth, que registram em dois momentos o que é identificado como sendo a mancha de óleo provocada pelo vazamento no poço da Chevron-Texaco. Cheguei até elas no dia 14 pela dica do leitor Henrique, que foi mais eficiente que toda a imprensa brasileira reunida.

Viomundo – E como chegou ao próprio John Amos? Como conseguiu que ele fizesse os cálculos sobre o tamanho do vazamento?

Fernando BritoO deputado Brizola Neto enviou para Amos, pelo twitter, as coordenadas dos poços constantes do relatório oficial da ANP sobre as perfurações em andamento e concluídas. Amos, um ativista ambiental que mantém  há dez anos o site SkyTruth, trabalhou em cima delas e publicou esta imagem sobre a mancha causada pelo vazamento de petróleo do poço da Chevron-Texaco no campo de Frade, ao largo do Rio de Janeiro.

Junto com essa imagem, Amos postou a seguinte conclusão:

“A  imagem de satélite  MODIS / Aqua da NASA, acima, foi tirada há três dias. Ela mostra uma mancha de óleo aparente originária do local de perfuração e que se estende por 2.379 quilômetros quadrados (o extremo sul da mancha fica aprisionado em um redemoinho no sentido horário interessante nas correntes oceânicas). De 1 micron de espessura, representa um volume de 628 mil galões (14.954 barris) de petróleo.

Supondo que o vazamento começou ao meio-dia em 8 de novembro (24 horas antes de termos observá-lo em imagens de satélite), estimamos uma taxa de vazamento de pelo menos 157 mil galões (3.738 barris) por dia. Isso é mais de 10 vezes maior do que a estimativa da Chevron-Texaco de 330 barris por dia”.

Viomundo – A foto e conclusão foram publicadas por Amos exatamente quando?

Fernando Brito – A foto foi tirada pelo satélite da Nasa em 12 de novembro, sábado, e publicada no dia 15 com a conclusão. No dia 15, por sinal, a ANP finalmente divulgou que uma reunião de emergência realizada no dia 13, domingo (por que só veio a público na terça?), aprovou-se o plano de emergência apresentado pela Chevron-Texaco para deter o vazamento e que a diretora da ANP, Magda Chambriard, esteve na Sala de Emergência da Chevron-Texaco acompanhando os trabalhos para conter o vazamento.

O site Skytruth provou que o vazamento não era de “umas gotinhas” inofensivas mas provocava uma mancha imensa. Portanto, a Chevrou mentiu inicialmente sobre a dimensão do vazamento de petróleo.  O Skytruth, vale lembrar, foi um dos primeiros a anunciar a dimensão do vazamento do Golfo do México em 2010.

Viomundo — Num dos artigos de 14 de novembro, você disse que a mesma plataforma Sedco 706 estava perfurando três poços simultaneamente no campo de Frade. Como assim, três poços ao mesmo tempo?

Fernando Brito – É que a Chevron-Texaco, para fazer economia, está fazendo perfurações “de batelada”. Isto é, cava uma seção de um poço, tampa, cava a seção inicial de outro, faz o mesmo e vai para um terceiro, para voltar, na mesma sequência, para cada fase posterior de perfuração. Isso está registrado no Estudo de Impacto Ambiental apresentado pela empresa e que o Ibama coloca na internet.

Não tenho condições técnicas de afirmar se isso agrega risco, porque o equipamento de perfuração é retirado e movido. O que eu posso dizer é que, nos mapas da ANP, não encontrei nenhuma outra petroleira que use este método. Também que até o momento a Chevron-Texaco não disse em qual dos três poços ocorreu o problema.

Viomundo – A Chevron-Texaco estava usando mesmo 17 embarcações para conter o vazamento?

Fernando Brito – Não, pelo que disse o delegado Fábio Scliar, da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal. Em entrevista publicada pelo G1 em 16 de novembro, o delegado Scliar afirmou:

“(…)técnicos da PF estiveram na plataforma nesta quinta-feira (15) e encontraram divergências sobre o que foi informado pela Chevron-Texaco sobre o vazamento. Entre elas estão a quantidade de navios que recolhem o óleo no local (a empresa afirmou que são 17 e a PF encontrou apenas um, de acordo com o delegado), o tempo para a selagem do poço e o tamanho da mancha de óleo. “Eles disseram que a mancha vem diminuindo e ela vem aumentando”.

Engraçado que ninguém perguntou à empresa quais eram os barcos. Se ela tivesse dito que eram 50, daria  no mesmo.

Viomundo – No dia 15, o vazamento do poço da Chevron-Texaco virou caso de polícia, passando a ser investigado pela Polícia Federal. E a mídia, como passou a agir?

Fernando Brito — Com a entrada da Polícia Federal no assunto, o escândalo do vazamento de petróleo começou a aparecer. E, com ele, as dimensões da mancha de vergonha que cobriu a grande imprensa brasileira.

Aliás, cada vez mais acontecem coisas estranhas neste caso do vazamento de petróleo no poço da Chevron-Texaco, no Campo de Frade. No dia 16, o Jornal Nacional da Rede Globo publicou uma extensa matéria sobre o assunto.

Ouviu o delegado Fabio Scliar, titular da Delegacia de Meio Ambiente da Polícia Federal, dizendo que investiga a possibilidade de que tenha havido erro na perfuração. Ouviu o geógrafo John Amos, da SkyTruth, que revelou – como havia antecipado três dias antes ao Tijolaço – que o vazamento podia ser dez vezes maior que o anunciado, e cobria uma área maior que o município do Rio de Janeiro.

Contava que a empresa responsável pela perfuração da Chevron-Texaco, a Transocean, era a mesma que perfurava o poço que causou o acidente no Golfo do México. A matéria terminava com um sobrevôo da área, em um avião da Chevron-Texaco, na companhia do diretor de meio-ambiente da empresa, que não quis gravar entrevista, mas disse ao repórter que a quantidade de óleo que vazava “era muito pequena”.

Estranhamente, porém, a matéria que foi colocada no site do Jornal Nacional foi cortada. Na verdade, decepada.Dos quatro minutos originais, ficaram dois. O delegado, o ambientalista, a foto de satélite com a mancha e a comparação com a área do Rio de Janeiro foram para o lixo.

Não dá para entender o que aconteceu. Não pode ser o tamanho do vídeo, porque a reportagem sobre o depoimento de Lupi [Carlos Lupi, ministro do Trabalho] teve quatro minutos e está lá, na íntegra.

Será que “alguém” se distraiu e só viu a matéria depois de ir ao ar? E aí, furioso, mandou cortar os hereges que ousaram colocar um delegado e um ambientalista dizendo que uma petroleira americana pode ter culpa no cartório por um grande desastre ambiental.

Por sorte, a gente estava gravando o JN com uma câmera manual, e postamos os dois  vídeos. O “decepado” e o trecho que eliminado do original.

Edição cortada na internet

E o trecho que foi eliminado do original veiculado pelo JN na TV

Viomundo – Ontem, eu li no Tijolaço o que você observou um pouco antes, ou seja, que a  Chevron-Texaco  assumiu a responsabilidade pelo vazamento. O que aconteceu finalmente? Já se sabe que poço estava perfurando e a que profundidade?

Fernando Brito – Você leu no Tijolaço, porque a imprensa continuou derivando para assuntos laterais. Ontem, quis até reproduzir a imagem da home da Folha, para mostrar que essa notícia havia saído no “pé” da página. Era tão no pé, mas tão no pé que nem reduzindo a página ao mínimo e virando a tela do computador para  poder caputrar uma extensão maior dava para reproduzir.

O senhor Charles Buck, presidente Chevron-Texaco no Brasil  falou o que quis, sem ser perguntado de nada. Não explicou porque o imenso intervalo de cimentação. Não foi perguntado se os outros poços da Chevron-Texaco têm um intervalo tão grande de vedação. Não foi perguntado sobre se há outras perfurações da Chevron-Texaco na área, como registra a ANP.

Sobretudo, não foi perguntado sobre a razão, uma vez que houve o “kick” – que é uma elevação de pressão e a subida de óleo ou gás pela coluna de perfuração – no dia 7  de novembro, a empresa só tornou isso público na noite do dia 18. Aliás, no mesmo dia, a empresa soltou uma nota dizendo que “reitera que não houve vazamento na cabeça do poço”.

Claro, ali tem um sistema que impede vazamento do que vem pelo tubo. Do que vai por fora do tudo, é a cimentação que veda. A cimentação que ela sabia estar muito distante do ponto onde a cabeça da sonda perfurava. E isso tem uma básica razão: redução de prazos e custos da operação.

Mas, no meu entender, o erro mais grave, imperdoável, é o fato de que a Chevron-Texaco sabia a razão do vazamento – a narrativa do presidente da empresa mostra claramente isso –, desde o dia em que foram avistadas as manchas de óleo. Se é que não sabia antes, porque as manchas foram avistadas pelo pessoal da Petrobras e, aí, não dava mais para ter segredo.

Em outras palavras. Houve um erro técnico que deve ser avaliado pelos peritos. Mas há um crime indiscutível de omissão de informações – com a  indulgência da nossa mídia – crime que é imperdoável, porque evidencia má-fé.

Viomundo – O que mais te marcou nessa cobertura?

Fernando Brito – A dupla ética de nossa imprensa. E o seu despreparo, que somado à marotice política, desvia o assunto. O tema agora é o “despreparo” do país para a exploração de petróleo no mar. Isso é uma mentira deslavada, que se prova com um só argumento: temos mais de 30 anos de exploração marinha e nunca houve um grande acidente, apesar de termos milhares de poços perfurados. O acidente da Petrobras na Baía da Guanabara foi num duto, não num poço. Grave, gravíssimo, porque se deu em águas abrigadas e junto do litoral. Mas vazamento em duto tem limite, o limite do que o duto contém, depois de fechadas as válvulas. No leito oceânico o limite, em tese, pode ser o da jazida de petróleo inteira.

Falam que não existe plano de emergência nacional, mas que plano pode funcionar se a empresa que está lá esconde o vazamento? Se os técnicos da Petrobras não tivessem visto o vazamento, quando íamos saber que existia? A Chevron-Texaco sabia do “kick” e que não havia revestimento de cimento na coluna senão bem na superfície. Sabia que tinha subido petróleo e ficou na moita, torcendo para ele não permear a camada superior do solo.

Mas eu concordo que não temos fiscalização, porque a ANP é valente com a Petrobras e ronrona quando se trata de outras petroleiras. Nem sempre por má-fé, mas também por saber que as multinacionais têm aqueles privilégios “Daniel Dantas”: nada de algemas, por favor.

Mas sabe qual é a maior fiscalização possível? É a imprensa. Você viu que, depois que ela entrou no assunto, mal ou bem, tudo se esclareceu. Um desastre destes custa milhões de indenização e muitos milhões mais em imagem. Aliás, tem de ficar claro que Chevron é Texaco.

Como cidadão, eu estou feliz que o vazamento tenha parado. Como profissional, tenho vergonha de termos ficado parados por tanto tempo.

E pior, cedendo à manipulação política e, agora, caminhando no sentido errado. Nós temos segurança, e boa, na perfuração de petróleo. Muito maior, aliás, do que a de países desenvolvidos, como provou o vazamento do Golfo. E temos porque a Petrobras investe muito, em lugar de colocar o lucro “uber alles”, acima de tudo. Mas a nossa elite obturada reclama, porque as outras petroleiras dão mais lucro e, portanto, são mais eficientes. Ninguém associa isso ao fato de a Chevron-Texaco economizar no cimento e ter por lá um robô cegueta, que não viu nada, ao ponto de a Petrobras ter emprestado os seus, para socorrê-la.

Mas está aí um bom mote para a nossa imprensa “defensora da segurança”. Que tal a empresa que for negligente como  a Chevron-Texaco perder a concessão do campo? Taí uma boa campanha para a mídia, tão zelosa.

PS do Viomundo: Para ler todos os artigos que o Tijolaço fez o assunto, clique AQUI.

Fernando Brito: ‘Omissão criminosa da Chevron-Texaco, cumplicidade escandalosa da mídia’ | Viomundo – O que você não vê na mídia

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