Ficha Corrida

26/09/2014

Entenda porque Giannetti, assessor da Marina, quer entregar o pré-sal

EUA bombardeiam campos de petróleo em poder do EI

Pentágono disse que caças americanos, sauditas e dos Emirados destruíram 12 refinarias na Síria

EUA bombardeiam refinarias - AFP

Pentágono garante que debilitou maior parte das refinarias do EI

O ESTADO DE S. PAULO

26 Setembro 2014 | 07h 15

Porta-voz do Pentágono, o contra-almirante John Kirby, disse que caças americanos, sauditas e dos Emirados Árabes Unidos destruíram 12 refinarias

WASHINGTON – O Pentágono garantiu nesta quinta-feira que a "maioria" das refinarias controladas pelos jihadistas do autoproclamado Estado Islâmico (EI) na Síria foram debilitadas nos bombardeios de ontem.

O porta-voz do Pentágono, o contra-almirante John Kirby, disse em entrevista coletiva que caças americanos, sauditas e dos Emirados Árabes Unidos destruíram 12 refinarias móveis operadas pelo EI, uma das principais fontes de financiamento do grupo.

Apesar de Kirby ter garantido que o Pentágono ainda está avaliando a efetividade dos ataques, considera que os mesmos foram bem-sucedidos e são um passo essencial para privar os jihadistas de uma fonte de financiamento que, segundo analistas, proporciona mais de US$ 2 milhões por dia.

Kirby explicou que cada uma das instalações móveis tem capacidade para processar entre 300 e 500 barris de petróleo por dia, que eram depois vendidos pelos jihadistas no mercado negro.

"Assumimos que o EI provavelmente controla várias outras refinarias, estamos analisando essa situação, mas acredito que as 12 constituem a maioria", disse o porta-voz.

Kirby exibiu vídeos e fotografias dos ataques no centro-leste e no nordeste da Síria, nos quais era possível observar como, em alguns casos, parte das instalações petrolíferas, como as torres dos poços, foram poupadas para que a oposição possa operá-las de novo no futuro.

"O que está claro é que não vão poder ser operadas num futuro próximo", explicou Kirby diante das dúvidas suscitadas pela ausência de uma oposição moderada na Síria, que ainda não começou a ser treinada para ocupar o terreno controlado até agora pelo EI.

O Pentágono, que começou a atacar posições jihadistas na Síria nesta semana, informou que, por enquanto, não detectou "uma reação muito grande" entre os extremistas por consequência dos bombardeios nos últimos dias.

Na última rodada de ataques, foram lançadas 41 bombas teleguiadas e de "precisão", enquanto a maior parte dos aviões da missão – dez de um total de 16 – eram de bandeira saudita e dos Emirados Árabes.

Kirby disse que a estratégia na Síria é ir atrás da parte logística, financeira e de suprimentos do EI, enquanto no Iraque o objetivo é debilitar a parte militar e de infantaria.

Pela primeira vez, o porta-voz apresentou uma estimativa preliminar sobre o conteúdo da missão "ofensiva" contra o EI, que foi anunciada em 10 de setembro pelo presidente Barack Obama.

Segundo Kirby, o Pentágono está dedicando entre US$ 7 e 10 milhões por dia para essas missões, mas ainda estão tentando determinar um número mais concreto./ EFE

21/09/2014

Quem finanCIA?

eua vergonhaPelo andar da carruagem a CIA resolveu eliminar o intermediário Instituto Millenium e tomar para si as rédeas da condução do nosso pensamento. Antes eles finanCIAvam o IBAD, o iFHC, o Instituto Millenium. Por isso que se diz, depois da Wikileaks e do William Waack que os EUA não precisam invadir o Brasil.

A presença de FHC como padrinho, e Celso Lafer, aquele que tinha de tirar os sapatos para entrar nos EUA, não é só sintomático, é o retrato pronto de acabado da nova roupagem do entreguismo de sempre.

Há por aqui um exército grande o suficiente para entregar de mão beijada o que eles querem. Esses institutos/ongs disseminadas por aí, com recursos vindos à sorrelfa explicam porque a CIA tem o maior orçamento do mundo sem precisar declarar o destino.

Quando se fala em Instituto da Liberdade, que se atrela aos EUA, precisam primeiro explicar porque o país da liberdade deles criou um muro entre os EUA e o México!

O Muro de Berlim caiu para que os EUA construíssem um Muro Mexicano! Liberdade made in USA é isso aí!

Casa Ibiá, ao seu dispor, Tio Sam!

EUAGloboEconomistas abrem versão de ‘Casa das Garças’ em SP

Centro de Debate de Políticas Públicas reúne nomes de linhagem ortodoxa

Associados lançam agenda econômica, mas não querem ser vinculados a nenhum dos partidos políticos

THAIS BILENKYMARIANA CARNEIRODE SÃO PAULO

Uma casa na rua Ibiapinópolis, no Jardim Paulistano, já recebeu Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente pelo PSDB, Marina Silva, presidenciável pelo PSB, e Fernando Haddad, prefeito pelo PT. Na última sexta (19), foi a vez de um ex-integrante do Federal Reserve, o banco central americano, falar sobre a política monetária dos EUA.

É assim a nova rotina na Casa Ibiá, imóvel recuperado por iniciativa do empresário Marcos Lederman e que virou sede do CDPP. O Centro de Debate de Políticas Públicas é um "think-tank" (tanque de pessoas pensando, na tradução literal do inglês).

A arquitetura, a discrição dos integrantes e a linha de pensamento dos economistas faz com que o lugar se assemelhe à famosa Casa das Garças carioca. Enclave do debate econômico encrustado no Leblon, foi fundado por Edmar Bacha e Dionísio Dias Carneiro, saídos da PUC-Rio.

Pela época em que foi criada –em 2003, no fim da era FHC– e pela associação dos seus fundadores com o governo do PSDB, a Casa das Garças acabou rotulada como "ninho tucano". O CDPP, enfatizam seus associados, quer ser apartidário.

Foi FHC quem fez a palestra inaugural da Casa Ibiá, no fim do ano passado. Na plateia, estavam ex-ministros de seu governo, como Pedro Malan e Celso Lafer, lembra-se um dos presentes.

Foi um dos eventos que mais encheram o auditório, que comporta 50 pessoas. Também foi assim na apresentação de Marina Silva sobre sustentabilidade, feita antes de ela se tornar candidata pelo PSB. Até filhos dos associados foram neste dia.

O CDPP tem hoje 40 sócios e um site. Lá aparecem nomes como os de José Berenguer, presidente do JP Morgan no Brasil, José Olympio Pereira, do Credit Suisse, e Pedro Moreira Salles, um dos acionistas do Itaú Unibanco.

Dirigido pelo ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore, um dos sócios-fundadores, o clube vive da contribuição dos membros e por enquanto não aceita patrocínios. "Meu sonho é um dia chegar em alguma coisa parecida com o Peterson Institute", diz Pastore.

Foi no renomado "think-tank" americano onde nasceu, nos anos 1990, o "Consenso de Washington" –um receituário de reformas para os países da América Latina que incluíam privatização de estatais e abertura comercial e é considerado o marco do neoliberalismo na região.

ORTODOXIA NO DNA

A linhagem dos economistas reunidos na Casa Ibiá é ortodoxa, assevera Pastore, referindo-se a uma tendência que advoga a menor presença do Estado na economia.

"Não temos nenhum heterodoxo [no CDPP]. Isso dá uma noção do que a gente julga que seria o DNA [do grupo]." Comporta também pessoas que estiveram no governo do PT, como Marcos Lisboa, Joaquim Levy, Henrique Meirelles e Bernard Appy.

O clube começou com reuniões informais e jantares. Com o tempo, foi ganhando adeptos e se tornou necessária uma estrutura. Há dois anos, as reuniões passaram a ocorrer no Insper, até que a Casa Ibiá ficou pronta. Chegou-se a aventar um vínculo formal com a Casa das Garças, mas a ideia não avançou.

O primeiro produto do CDPP ficou pronto na última semana. O documento "Sob a luz do sol: uma agenda para o Brasil" faz um diagnóstico das "razões da perda de dinamismo da economia brasileira". A principal recomendação é dar maior transparência às políticas públicas.

Às vésperas da eleição presidencial, Pastore afirma que não há intenções de o documento servir de base para um programa de governo.

"Nossa ação para nesse ponto [de formulação da agenda]. Cada um que a use como julgar melhor."

Outro propósito é tentar "pescar" jovens pesquisadores nas faculdades paulistanas. O objetivo é oxigenar o debate entre gerações.

15/09/2014

Usando o nome de Deus para disseminar o ódio

ucrainianToda vez que ouço bandido usar o nome de Deus para disseminar o ódio religioso lembro do vazamento do WikiLeaks.

O vazamento de Julian Assange mostrava que a CIA estava financiado grupos para disseminar o ódio religioso no Brasil. Era e é uma estratégia de causar tumulto social. E, ultimamente, há muito tumulto soCIAl…. Todos os tumultos soCIAis mais recentes, da Líbia, Síria, Ucrânia, Egito, Venezuela tem a participação ativa da CIA.

O que é a criação do Instituto Millenium senão uma daquela tantas ONGs que recebem recursos a fundo perdido para promoverem a democracia… E, sabendo que os velhos grupos de mídia estão afundando, viram carne fresca a baixo custo para colocar o produto bem embrulhado no balcão.

O baixo nível político propicia que sejam induzidos a manifestações por interesses difusos que atendem claramente interesses de quem pretende faturar com distúrbios soCIAis…

A república de Malafaia

 

Postado em 12 set 2014 – por : Kiko Nogueira

Ele

O pastor Silas Malafaia segue e dissemina dois evangelhos: o do ódio e o da tagarelice.

Alguém fez um levantamento sobre sua atuação insalubre no Twitter. Não sei se os números estão corretos, mas numa avaliação superficial de seu batuque incessante no teclado o resultado não parece absurdo.

Entre 3 de março e 3 de setembro, ele teria feito apenas 59 menções a Jesus Cristo e 87 a homossexuais.

Ainda não houve um levantamento da quantidade de vezes em que fala no PT, mas é um assombro. Geralmente, junta as fixações. Por exemplo: “Petistas covardes usam a causa gay para me denegrir e mudar de assunto.”

Marina Silva está pagando por seu apoio. Pode ter sido um beijo da morte. Não é exagero apostar que, fora de sua paróquia, é um dos homens mais detestados do Brasil.

Malafaia deve ser levado a sério? Sim, na medida em que encarna uma direita religiosa que tem voto, influência, ambições — e que cresce.

Ele, juntamente com colegas como Marco Feliciano e outros pastores e bispos, sonha com um Brasil livre de abominações como gays, abortistas, “umbandistas” etc, e que tenha sua interpretação literal da bíblia como constituição.

Todos os jornalistas que o desagradam são canalhas, covardes e por aí vai. O mais recente foi um repórter do UOL. Mas já sobrou para um profissional da revista Forbes que o colocou numa lista dos religiosos mais ricos do país, com 300 milhões de reais.

“Safado, sem vergonha, bandido e caluniador tem em tudo que é lugar (…). Quando a Forbes faz uma declaração dessa, não é uma declaração qualquer. Eu vivo de que pessoas acreditem em mim”, vociferou ele no ano passado. Ameaçou processar a publicação. Nunca cumpriu.

Essa tática da vitimização costuma ser muito utilizada. Fundamentalistas como Malafaia gostam de gritar que são perseguidos, num clássico do sujeito que bate a carteira e berra “pega ladrão!”.

Malafaia é a culminância do poder do pentecostalismo nacional. Um extremista que quer impor sua visão a qualquer custo. Seu grupo existe para estabelecer suas crenças como força dominante na organização do direito, da política e da cultura.

Todo fanático é um inseguro. Sua fé está ligada a sua paixão doentia e a sua necessidade de se segurar em alguma coisa, muito mais do que à certeza de suas convicções.

Malafaia já afirmou que não quer um cargo político. Na verdade, não precisa. Ao declarar que não quer “fundar uma república evangélica”, está dando um aviso. Para Freud, aquilo que se nega é o que está sendo reprimido. Quando nega, ele afirma. Juntamente com a dedicação diuturna a gays e comunistas, tudo indica que esta é provavelmente uma de suas obsessões.

(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Sobre o Autor

Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

Diário do Centro do Mundo » A república de Malafaia

13/09/2014

É da CIA e de quem a finanCIA!

EUAGloboA escolha de Marina Silva, com seu pentecostalismo tacanho, abotoa a fechadura aberta pelo WikiLeaks. Alguém ainda há de lembrar dos vazamentos do Julian Assange. Num dos tantos papéis que veio à tona, havia um que dizia do interesse da CIA em provocar conflitos religiosos no Brasil. O estres com o massacre palestino deixou a comunidade judaica à flor da pele. Tanto que abraçaram a causa da Marina, afinal os fundamentalismos se beijam primeiro para se matarem depois. Houve até manifestações das Igrejas Evangélicas em apoio à causa Norte-Americana no Oriente Médio. Nem digo israelense, porque Israel não passa de uma base aérea Norte-Americana em função do petróleo daquela região que move a economia ianque. Tentou-se trazer para o Brasil o conflito pelo petróleo. E esta é o outro lado da mesma moeda. O petróleo do Oriente Médio e o Pré-Sal no Brasil são igualmente de interesse dos EUA.

Candidata apoiada pela CIA disputa eleição presidencial no Brasil

RedeCastorPhoto

Eleições no Brasil: Marina Silva e a CIA-EUA é “caso” antigo

12/9/2014, [*]  Nil Nikandrov, Strategic Culture

CIA-Supported Candidate Runs for Presidency in Brazil

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Marina Silva é atual candidata do Partido Socialista à presidência do Brasil. Em meados dos anos 1980s, ela já atraíra a atenção da CIA, quando frequentava a Universidade do Acre. Naquele momento, estudava marxismo e tornara-se membro do Partido Comunista Revolucionário, clandestino. Durou pouco aquele “compromisso”: ela rapidamente se transferiu para a “proteção do meio ambiente’ na Região Amazônica. Os serviços especiais dos EUA sempre tiveram interesse muito especial naquela parte do continente, na esperança de construírem meios para controlar a área no caso de emergência geopolítica.

A CIA fez contato com Marina Silva. Não por acaso, em 1985 ela alistou-se no Partido dos Trabalhadores (PT), o que lhe abriu novas possibilidades de crescimento político.

Em 1994, Marina Silva foi eleita para o senado brasileiro, com fama de ativista apaixonada a favor da proteção ao meio ambiente. Foi quando começaram a circular informações sobre laços entre Marina Silva e a CIA. Em 1996, ela recebeu o Goldman Environmental Prize. [1]E recebeu inúmeras outras importantes condecorações: é praxe, quando se trata de “candidatos” que a CIA tem interesse em promover, que o “candidato” seja coberto de medalhas e condecorações.

Marina Silva serviu como Ministra do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até que, interessada em”‘voos mais altos” e, preterida, ela abandonou o Partido dos Trabalhadores e mudou-se para o Partido Verde, de início dedicada a protestar contra políticas ambientais apoiadas pelo PT. Foi realmente um choque, na política brasileira, que a ex-ministra tenha mudado tão completamente de lado, depois de quase 30 anos de atividade a favor do Partido dos Trabalhadores.

Nas eleições de 2010, a candidata da CIA obteve quase 20 milhões de votos, como candidata do Partido Verde; na sequência, para as eleições de 2014, aceitou lugar na chapa de Campos, como vice-presidenta, quando fracassaram seus esforços para criar seu “não partido”, mas “rede”, chamada “Sustentabilidade”. Dilma Rousseff, candidata do PT contra a qual se alinhavam já em 2010 todas as demais candidaturas, trazia planos para dar continuação às políticas independentes do presidente Lula. Nada disso interessava a Washington em 2010, como tampouco interessa hoje, em 2014.

Daquele momento até hoje, as relações entre Brasil e EUA só fizeram piorar, resultado do escândalo da espionagem & escutas clandestinas. A Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou a presidenta Dilma Rousseff e membros de seu gabinete. A presidenta brasileira chegou a cancelar visita oficial que faria aos EUA, como sinal de protesto. Os EUA jamais apresentaram pedido de desculpas ou comprometeram-se a pôr fim às atividades de espionagem. A presidenta Dilma, então, agiu: denunciou as atividades da Agência de Segurança Nacional e da CIA dos EUA na América Latina e tomou medidas para aumentar a segurança nas comunicações e controle sobre representantes dos EUA ativos no Brasil. Obama não gostou.

As eleições presidenciais no Brasil estão marcadas para 5 de outubro de 2014. E Washington está decidida a fazer de Dilma Rousseff presidenta de mandato único. Não há dúvida alguma de que os serviços especiais já iniciaram campanha para livrar-se da atual governante brasileira. Começaram a agir com movimentos de protesto ditos “espontâneos”, que encheram algumas ruas e foram amplamente “repercutidos” na imprensa-empresa, nos quais os “manifestantes” pedem mudanças (aparentemente, qualquer uma, desde que implique “mudança de regime”) e o fim das “velhas políticas” [de fato, nenhuma política é ou algum dia será “mais velha” que o golpismo orquestrado pela CIA no Brasil e em toda a América Latina (NTs)]. Ouviram-se grupos de jovens em protestos contra a propaganda e os símbolos dos partidos políticos, especialmente do PT.

Não se sabe até hoje de onde surgiram os recursos com os quais Marina Silva começou a organizar sua “rede” Sustentabilidade. A nova “organização” visava a substituir os partidos tradicionais, que a candidata declarou “velhos”. Tendo obtido 19 milhões de votos, o que lhe valeu o 3º lugar nas eleições passadas, ela contudo não conseguiu cumprir todas as exigências legais para criar oficialmente sua nova “rede”. Até que a tragédia que matou Eduardo Campos e seis outras pessoas, perto de São Paulo, mês passado, deu a Marina Silva uma surpreendente segunda chance para tentar chegar à presidência do Brasil. Para conseguir ser a primeira mulher mestiça a chegar à presidência do Brasil, terá de derrotar a primeira mulher que chegou lá antes dela, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, PT; além o candidato Aécio Neves do PSDB, partido pró-business, que hoje amarga um 3º lugar nas pesquisas. A Casa Branca tem-se sentido frustrada.

Dia 13 de agosto de 2014, a campanha eleitoral presidencial no Brasil foi lançada em área de incerteza, quando um jato que conduzia o candidato do partido socialista, Eduardo Campos, tombou sobre bairro residencial de Santos, próximo de São Paulo. Morreram o candidato e seis outras pessoas, passageiros e da tripulação, no acidente que pode ter acontecido por causa do mau tempo, quando o Cessna preparava-se para pousar. As mortes geraram uma onda de comoção nacional, que provavelmente evoluirá para especulações sobre o efeito que terão nas eleições do próximo 5 de outubro de 2014. A presidenta Rousseff declarou três dias de luto oficial por Campos, ex-ministro do governo do presidente Lula. A aeronave passara por manutenção técnica regular e nenhum problema foi detectado. De estranho, só, que o gravador de vozes da cabine do avião não estava operando, o que gerou suspeitas. O gravador operara normalmente e gravara várias conversações na cabine, mas nada gravou no dia da tragédia. O avião já passara por vários proprietários (empresários norte-americanos e brasileiros, representantes de empresas de reputação duvidosa), antes de chegar à campanha dos candidatos Eduardo Campos e Marina Silva.

Para alguns comentaristas brasileiros e dos EUA, há forte probabilidade de que tenha havido um atentado, que resultou no assassinato de Eduardo Campos. Antes da tragédia, o avião foi usado pela agência antidrogas dos EUA, Drug Enforcement Administration (DEA). Enviados de antigos proprietários do avião tiveram acesso ao local do acidente, sob os mais diferentes pretextos. Difícil não conjecturar se teria havido agentes dos EUA por trás da tragédia. Mas ainda não se sabe exatamente sequer o que aconteceu. Saber quem fez, se algo foi feito,  demorará ainda mais.

O avião decolou do Rio de Janeiro, onde opera uma estação da CIA, em território do consulado dos EUA. Não há dúvidas de que aquele escritório é usado pela Agência. Talvez os serviços especiais do Brasil devessem dar atenção especial a personagens que rapidamente deixaram o país, imediatamente depois da tragédia em Santos. A morte de Eduardo Campos teve efeito instantâneo sobre a candidatura do Partido Socialista: Eduardo Campos jamais passara dos 9-10% de preferência nas pesquisas, mas Marina Silva rapidamente surgiu com 34-35%, na votação em primeiro turno. Agora, se prevê que a eleição seja levada para o segundo turno.

O principal problema de Marina Silva é que é sempre difícil entender quais seriam suas reais intenções e projetos. É uma espécie de “imprecisão” que se observa constantemente no discurso de candidatos promovidos pelos EUA. Marina Silva  mudou de lado, sempre muito dramaticamente, inúmeras vezes. Ao unir-se a Eduardo Campos, por exemplo, a candidata várias vezes se manifestou a favor de manter bem longe do Brasil as ideias de Chavez (Hugo Chavez – falecido presidente da Venezuela, conhecido pelas convicções socialistas e políticas de esquerda). Mas ela serviu ao governo do presidente Lula, conhecido e muito respeitado defensor do chavismo. (…)

De fato, ao tempo em que a campanha avança e as eleições aproximam-se, Marina Silva vai-se tornando cada vez mais neoliberal. Já disse que não vê sentido em fazer dos BRICS um centro de poder multipolar, nem em apressar a implementação de medidas já decididas dentro do bloco, como criar um banco de desenvolvimento, um fundo de reserva, etc. Já manifestou “dúvidas” sobre o Conselho Sul-Americano de Defesa, e diz, em discussões com assessores íntimos, que quer dar menos atenção ao MERCOSUL e à UNASUL (União das Nações Sul-Americanas, união intergovernamental em que se integram duas uniões aduaneiras, o MERCOSUL e a Comunidade de Nações Andinas, como parte do processo de integração sul-americana). Para Marina Silva, mais importante é desenvolver relações bilaterais com os EUA.

Fato é que os brasileiros estão já habituados a quase 20 anos de progresso social no país, com os governos do presidente Lula e da presidenta Rousseff. A população é ouvida, as reformas acontecem, o que foi prometido está sendo construído, o Brasil vive tempos de estabilidade e de avanços.

Se Marina Silva chegar à presidência (George Soros, magnata norte-americano, investidor e filantropo, tem alimentado a campanha dela com quantidade significativa de fundos), deve-se contar com o fim de vários programas sociais e políticos, o que pode vir a gerar grave descontentamento popular. Há quem diga que os escritórios dos EUA no Brasil estão repletos de agentes dos serviços especiais, encarregados de “gerar” “protestos” naquele país.

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Nota dos tradutores:

[1] Conheça o Goldman Environmental Prize; além de Marina Silva, outro brasileiro recebeu esse prêmio, um “Carlos Alberto Ricardo”, fundador da ONG Instituto Socioambiental, em 1992.

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[*] Nil Nikandrov é um jornalista sediado em Moscou cobrindo a política da América Latina e suas relações com os EUA; crítico ferrenho das administrações neoliberais sobre as economias nacionais latino-americanas. Especializou-se em desmascarar os esforços feitos pela CIA e outros serviços de inteligência ocidentais para minar governos progressistas na América Latina. Autor de vários livros – tanto de ficção e estudos documentais – dedicados a temas latino-americanos, incluindo a primeira biografia em língua russa de Hugo Chávez.

SQN

02/09/2014

Vírus ou cavalo de tróia: do Stuxnet a Marina Malafaia

Marina MalafaiaMINHA HISTÓRIA – MIKKO HYPPÖNEN

Arma de governo

Especialista em vírus conta como uma força-tarefa revelou, aos poucos, o principal malware feito por um Estado, o Stuxnet, instalado pelos EUA em usina no Irã

ALEXANDRE ARAGÃODE SÃO PAULO

Quando conseguimos o código, não nos demos conta da importância. Percebemos que era um caso interessante, mas não tínhamos ideia de que havia infectado um sistema de enriquecimento nuclear –nem sabíamos que havia sido encontrado no Irã.

Foi em 2010, quando tivemos acesso ao Stuxnet original. Ele foi encontrado por uma pequena empresa de antivírus de Belarus. As companhias do Leste Europeu prestam muitos serviços de segurança para o Irã porque não têm restrições em fazer negócios com aquele país, ao contrário do resto da Europa.

Começamos a prestar mais atenção porque o vírus explorava uma falha de dia zero –vulnerabilidade de um sistema, como o Windows, que não haviam sido notadas antes. Falhas de dia zero são raras, valiosas e interessantes.

Só então encontramos outras falhas dia zero sendo exploradas. Não havíamos nunca, jamais, visto malware que explorava mais de uma falha dia zero. O Stuxnet explorava três. O que é completamente único. E isso imediatamente diz que não é normal.

Então começamos a nos dar conta de que o que tínhamos na mão era tão grande e complicado, e provavelmente foi tão caro para ser desenvolvido, que a fonte era um governo. Também encontramos dicas de que o vírus fora encontrado no Irã e tinha a ver com o programa nuclear.

Um amigo meu da empresa Computer Associates, da Austrália, foi o primeiro a declarar em uma lista de e-mails que, com base no que havia sido descoberto até então, era seguro dizer que tratava-se de uma operação do governo dos Estados Unidos contra o programa nuclear iraniano.

Ele enviou esse e-mail e, dois minutos depois, enviou outro dizendo que gostaria que todos soubessem que ele nunca teve tendências suicidas –só para o caso de ser encontrado morto. Isso é o quão paranoicos estávamos.

CONFIGURAÇÃO

A não ser que a rede infectada esteja configurada de forma específica, o código não faz nada. A rede precisa de um modelo específico de conversores de energia que precisam estar conectados em grupos específicos.

É a digital do sistema. É assim que o vírus sabe que está na usina certa. Se não encontrar essa configuração, não faz nada. Se o terminal de uma fábrica de alimentos em São Paulo for infectado, nada acontecerá porque a configuração é outra.

A pergunta passou a ser: "Há alguma instalação iraniana com essa configuração?". Procuramos fotos no site da Presidência do Irã.

Encontramos uma do então presidente Mahmoud Ahmadinejad olhando o monitor de uma usina. Demos zoom. O computador à frente mostra a disposição da usina –que casa exatamente com a do Stuxnet. Foi assim que provamos. Depois, descobrimos por meio de outras fontes que estávamos certos.

O governo americano restringiu o vírus porque não queria causar dano, por exemplo, dentro do próprio país ou em outro lugar. Quando um sistema é infectado, a primeira coisa que o vírus faz é checar a data. Se passou de junho de 2012, não faz nada. O Stuxnet expirou.

31/08/2014

Marina desequilibra orçamento da CIA

Desde sempre a CIA é o instrumento através do qual os EUA finanCIA ONGs e grupos políticos ao redor do mundo. Foi assim, para implantar a ditadura no Brasil, que a Folha chama de ditabranda. Há o famoso escândalo Irã-Contras, quando a CIA contrabandeou armas para o Irã e com o dinheiro financiou os “ONGs” e “Marinas” para lutarem contra o governo Nicaraguense. E o que foi tal de Primavera Árabe e a derrubada do governo da Ucrânia, para colocar um ventríloquo dos EUA, senão uma operação comandada por John McCain, como denunciou jornalista francês.

As manifestações de junho de 2013 tem, pela falta de objetivos, pelos interesses difusos, as digitais da CIA, que, via facebook, notoriamente um instrumento que trabalha em regime de compartilhamento com a CIA, o ponto alto do modus operandi que vem sendo utilizado em várias partes do mundo. Há já uma tese defendida por site norte-americano (Strategic Culture) de que a queda do avião com Eduardo Campos, cuja providência divina, coincidentemente, avisou apenas Marina, teria sido derrubado pela CIA.

Teoria da Conspiração ou mera coincidência? O fato concreto é que, depois de alguns anos, como foi agora o caso da Primavera Árabe, a CIA acaba admitindo seu papel na desestabilização de governos. O Pré-Sal é o tipo de coisa com a qual os EUA mantém sempre um intere$$e primordial, a ponto de desencadear guerras em todos os países produtores. Não é mera coincidência que Marina Silva tenha dito, acima de outros pontos de interesse de seu eventual governo, que não vai mais priorizar o Pré-Sal.  Por quê?!

Marina ganhou R$ 1,6 mi com palestras em três anos

Candidata do PSB revela valores, mas mantém identidade de clientes em segredo

Presidenciável criou empresa após deixar o Senado e transformou palestras em sua fonte de renda principal

AGUIRRE TALENTOFERNANDA ODILLADE BRASÍLIA

Sem cargo público, mas com um capital eleitoral de quase 20 milhões de votos depois de perder a última eleição presidencial, a ex-senadora Marina Silva abriu em março de 2011 uma empresa para proferir palestras e faturou R$ 1,6 milhão com a atividade, até maio deste ano.

Marina sempre manteve em segredo os detalhes sobre a atividade que virou sua principal fonte de renda desde que deixou o Senado. Agora candidata à Presidência da República, ela aceitou revelar o valor de seus rendimentos após questionamento daFolha.

Em pouco mais de três anos, Marina diz que assinou 65 contratos e fez 72 palestras remuneradas. Ela se recusa a identificar os nomes das empresas e das entidades que pagaram para ouvi-la, alegando que os contratos têm cláusulas de confidencialidade.

No ano passado, a própria Marina pediu a entidades que a tinham contratado para não divulgar seu cachê, como a Folha informou em outubro.

Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que também cobram por palestras desde que deixaram o cargo, mantêm igualmente em segredo valores e identidades de clientes.

O faturamento bruto da empresa de Marina lhe rendeu, em média, R$ 41 mil mensais. O valor é mais que o dobro dos R$ 16,5 mil que ela recebia como senadora no fim de seu mandato, em 2010.

Os rendimentos da empresa de Marina aumentaram ano a ano, saltando de R$ 427,5 mil em 2011 para R$ 584,1 mil no ano passado.

Em 2014, por causa das eleições, Marina assinou só um contrato, de R$ 132,6 mil, para apresentações em quatro países da América do Sul. As últimas cinco cinco palestras foram gratuitas –antes do início oficial da campanha eleitoral, em julho–, segundo informou sua assessoria.

O valor do último contrato remunerado fechado pela empresa de Marina se aproxima do valor total dos bens que ela declarou à Justiça Eleitoral como candidata à Presidência da República.

Ela estimou em R$ 135 mil o valor de seu patrimônio pessoal, que inclui uma casa e seis terrenos em Rio Branco, a empresa criada para contratar sus palestras e uma conta no Banco do Brasil. Em 2010, Marina estimou o valor de seus bens em R$ 149 mil.

SALA FECHADA

Com capital de R$ 5.000 e sede em Brasília, a empresa M. O. M. da S. V. de Lima foi registrada em 2011 com as iniciais do nome completo da candidata: Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima.

A empresa tem a ex-senadora como única proprietária e foi criada como de pequeno porte exclusivamente para ela proferir palestras e participar de seminários e conferências. Segundo a assessoria de Marina, a empresa tem somente um funcionário.

Para que se enquadre como de pequeno porte, o negócio precisa ter faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 3,6 milhões, de acordo com exigências da legislação específica.

A empresa funciona numa sala de cerca de 40 m² alugada por R$ 1.507,30 mensais, ao lado do Instituto Marina Silva, que intermedeia palestras gratuitas e ocupa outras cinco salas no mesmo edifício.

Na sexta-feira (28), a Folha visitou a sede da empresa, que estava fechada. Os funcionários do instituto abriram o escritório, que tem uma antessala e uma sala de reuniões, onde se encontra uma mesa oval com sete cadeiras.

Criado para cuidar de projetos da área ambiental e atividades como a digitalização do acervo de Marina, o instituto é uma associação privada mantida com a renda da ex-senadora e com doações.

Entre as principais doadoras está a herdeira do banco Itaú Neca Setúbal, que atualmente coordena o programa de governo da candidata.

30/08/2014

Marina & CIA Ltda

Filed under: CIA,EUA,Marina Silva,Terrorismo de Estado — Gilmar Crestani @ 10:36 pm
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marina carpideira

Eduardo Campos foi assassinado pela CIA?

Tudo sugere ação da CIA e assassinato de candidato à presidência, no Brasil

Wayne Madsen, Strategic Culture http://goo.gl/e3YWDM Tradução: Vila Vudu

A queda do avião que matou o candidato à presidência do Brasil Eduardo Campos, que estava em segundo, na disputa eleitoral, atrás só da atual presidenta, abalou fortemente as chances de reeleição de Dilma Rousseff. Sucessora de Campos na corrida presidencial, ex-líder do Partido Verde, Marina Silva – ‘homem’ de George Soros, está agora com alguma chance de vir a derrotar Rousseff, no caso de a eleição chegar a um segundo turno. O fim do governo de Rousseff sinalizaria vitória para as atividades clandestinas do governo Obama para eliminar de cena vários governos progressistas em toda a América Latina.

Revisão do período pós-2ª Guerra Mundial revela que, de todos os meios que os serviços de inteligência usaram para eliminar pessoas que viam como ameaças econômicas e políticas, o assassinato por derrubada de avião está em segundo lugar; antes, só assassinatos por armas de fogo; depois, vêm acidentes de automóvel e envenenamento, como modus operandi preferencial da Agência Central de Inteligência dos EUA, CIA, para seus assassinatos políticos.

Os seguintes casos são os principais sobre os quais pesam muitas suspeitas de terem sido resultado de ação de uma ou mais agências de inteligência dos EUA, para pôr fim a carreiras políticas que ameaçavam o avanço dos EUA como potência imperial:

– a morte do secretário-geral da ONU Dag Hammarskjold;

– do presidente de Ruanda Juvenal Habyarimana;

– do presidente do Burundi Cyprien Ntaryamira;

– do primeiro-ministro português Francisco Sá Carneiro;

– do presidente do Paquistão Muhammad Zia Ul-Haq;

– de Sanjay Gandhi, pouco antes de ser oficializado no posto de primeiro-ministro da Índia;

– do presidente do Sindicato Norte-americano Unido dos Trabalhadores da Indústria Automobilística Walter Reuther;

– do ex-senador pelo Texas John Tower; e

– do senador por Minnesota Paul Wellstone.

A América Latina, em particular, tem sido atacada pela praga de desastres de aviões que mataram líderes que ameaçavam afastar o continente da influência política dos EUA: os presidentes Jaime Roldós Aguilera do Equador e Omar Torrijos do Panamá. Esses dois presidentes morreram em 1981; Roldós morreu apenas uns poucos meses antes de Torrijos. John Perkins, autor de Confissões de um Assassino Econômico e ex-membro da comunidade de inteligência dos EUA, apontou os EUA como ativos nesses dois assassinatos por derrubada de avião.

Esse histórico do envolvimento dos EUA e assassinatos aéreos torna ainda mais suspeito o que aconteceu dia 13 de agosto com o Cessna 560XLS Citation em Santos, Brasil, incidente no qual morreram Eduardo Campos, do Partido Socialista Brasileiro, mas homem pró-business, assessores seus e a tripulação do avião. O momento em que aconteceu, em plena campanha eleitoral, que então indicava vitória fácil para a atual presidenta, levantou questões significativas entre investigadores no Brasil e no público em geral.

Desde a introdução do modelo em 1996, o modelo Cessna 560XLS Citation mantém currículo de aeronave perfeitamente segura. A morte repentina de Campos mudou o rumo da campanha presidencial no Brasil, para uma direção que pode ser benéfica para os EUA e a agenda de longo curso da CIA na América Latina.

Até aqui, já surgiram questões sobre a legalidade da documentação e da propriedade da aeronave (prefixo PR-AFA). O histórico da propriedade e dos registros da aeronave é extremamente ‘anormal’; e, além disso, não há nenhuma gravação de conversas acontecidas na cabine, aparentemente por mau funcionamento do gravador de vozes da cabina. Muitos brasileiros já começam a perguntar-se se o avião teria sido sabotado: em vez de mostrar gravações da conversa da tripulação que levava o candidato Campos, o gravador só conservou gravações de voz de um voo anterior. O avião voava uma rota Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, para a cidade de Guarujá, no estado de São Paulo, quando caiu sobre um quarteirão residencial na cidade de Santos.

O avião era operado pela empresa Af Andrade Empreendimentos & Participações Ltda., que tem sede em Ribeirão Preto, estado de São Paulo, mas cedido, em operação de leasing, pela Cessna Finance Export Corporation, uma divisão da Textron, dos maiores fornecedores para o Departamento de Defesa dos EUA. A empresa Cessna é divisão da Textron. O gravador de vozes que não funcionou na cabine foi fabricado por outro fornecedor contratado da Defesa e Inteligência dos EUA, L-3 Communications. Os negócios da AF Andrade são centrados na propriedade de uma destilaria. Porta-voz da AF Andrade disse que a aeronave, de $9 milhões, não havia passado por qualquer inspeção recente, mas assegurou que a manutenção era feita regularmente.

O porta-voz da AF Andrade não soube especificar quem é, afinal, o proprietário da aeronave, só falou doleasing; disse que a aeronave estivera à venda e fora comprada por um grupo de “empresários e importadores” de Pernambuco, estado do qual Campos foi governador.

Acabou-se por descobrir que o avião fora comprado por um consórcio que incluía Bandeirantes de Pneus Ltda de Pernambuco. Essa empresa disse que havia negociações em andamento para transferir a propriedade do avião, quando aconteceu o acidente; e que a Cessna Finance Export Corporation ainda não aprovara os direitos finais de leasing. Observadores brasileiros creem que o Cessna sinistrado seria um “avião fantasma”, com propriedade ‘confusa’, precisamente para ser usado em operações clandestinas que envolveriam a CIA. Aviões cuja situação de propriedade e dos documentos de registro era também quase inextrincável eram usados pelaCIA no processo de ‘entregas especiais’ de muçulmanos sequestrados para serem interrogados e ‘desaparecidos’ nos “pontos negros” de prisões norte-americanas por todo o mundo.

A Comissão Nacional de Segurança de Transportes dos EUA [orig. U.S. National Transportation Safety Board (NTSB)] enviou uma equipe ao Brasil para investigar a queda do avião. Mas, se o trabalho da NTSB em acidentes como dos voos  TWA 800 e American Airlines 587 indica alguma coisa, a agência só tem fama por encobrir ações criminosas.

Campos foi substituído na chapa eleitoral por Marina Silva, do movimento financiado e dirigido por George Soros e suas “sociedade civil” e “globalização”. Silva, que milita no movimento religioso pentecostal “Assembleia de Deus”, é militante pró-Israel e muito mais pró-business e pró-EUA que Rousseff, do Partido dos Trabalhadores do Brasil que se posiciona bem à esquerda da Assembleia de Deus. Recentemente, Rousseff, com os demais presidentes dos países BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul) criaram um novo banco de desenvolvimento que desafia a supremacia do Banco Mundial, controlado pelos EUA. A criação desse banco enfureceu Washington e Wall Street. (…)

Pesquisas recentes têm apontado avanço de Marina Silva. Evidentemente, essas pesquisas de ‘intenção de voto’ nada têm nem de científicas nem de independentes, e são ferramentas que as agências de inteligência e as empresas comerciais sempre usam para influenciar a opinião pública e gerar “programação preditiva” em populações inteiras. (…)

Marina Silva está sendo apresentada como candidata da “Terceira Via” (chamada, agora, em 2014, “Nova Política”) no Brasil.

“Terceira Via”/”Nova Política”  é movimento internacional que tem sido usado por políticos associados a grandes empresas, muitos dos quais financiados por Soros, para infiltrar-se e assumir o controle de partidos historicamente trabalhistas, socialistas e progressistas. Alguns dos nomes mais notáveis da “Terceira Via” são Bill Clinton, Tony Blair, Gerhard Schroeder da Alemanha, Justin Trudeau do Canadá, presidente François Hollande da França, primeiro-ministro francês Manuel Valls, primeiro-ministro Matteo Renzi e ex-primeiro-ministro Romeo Prodi da Itália, José Sócrates de Portugal, Ehud Barak de Israel, e inúmeros nomes do Partido Verde (PV), do Partido Socialista (PSB) e do Partido da Social-Democracia no Brasil (PSDB), dentre os quais Marina Silva, Aécio Neves, o falecido Eduardo Campos e o ex-presidente [e atual NADA] Fernando Henrique Cardoso.

Mas, quando se mostra mais vantajoso do ponto de vista eleitoral assassinar um “Novo Político” para promover o avanço de outro, não parece haver problema algum nessa “Nova Política”, em eliminar alguém como Campos, para fazer avançar político mais populista (e mais controlável), como Marina Silva, sobretudo se estão em jogo interesses de Israel e de Wall Street.

O Cessna no qual viajava e no qual morreu o primeiro-ministro de Portugal Sá Carneiro voava para um comício eleitoral, em campanha de reeleição, no Porto. Esse desastre de avião destruiu as possibilidades futuras de uma Aliança Democrática de esquerda, porque os seguidores de Sá Carneiro que o sucederam não tinham, nem de perto, o carisma do primeiro candidato.

Na sequência, um Mario Soares pró-OTAN e “socialista-só-no-nome” tornou-se primeiro-ministro e empurrou Portugal pela tal “Terceira Via”, subserviente à União Europeia e à globalização. À época da morte de Sá Carneiro, o embaixador dos EUA em Portugal era Frank Carlucci, funcionário da CIA, cujas impressões digitais foram encontradas, em 1961, no assassinato do ex-primeiro-ministro Patrice Lumumba no Congo. No governo Reagan, Carlucci foi nomeado vice-diretor da CIA, Conselheiro de Segurança Nacional e Secretário da Defesa. Carlucci é também presidente emérito do Carlyle Grupo, conhecido pelas ligações com a CIA.

A suspeita morte de Campos no Brasil-2014 parece ser cópia-carbono do assassinato e descarte rápido de Sá Carneiro, com Rousseff como alvo final da ação e Marina Silva e seus financiadores globais como principais beneficiários.

SQN

27/08/2014

EUA: cultura da violência e morte só exporta violência e morte

Filed under: Isto é EUA!,Terrorismo de Estado,Violência — Gilmar Crestani @ 9:13 am
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Una niña mata accidentalmente a su instructor de tiro en Arizona con una Uzi

El accidente se produjo en el campo de tiro de la hamburguesería Bullets and Burgers

Los padres de la menor grababan las clases de su hija con el móvil

El País Madrid 27 AGO 2014 – 10:59 CEST175

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Sheriff del condado de Mohave

Una niña de nueve años ha matado por accidente a su instructor de tiro, mientras este le explicaba cómo utilizar un arma automática, en Arizona (Estados Unidos). Tras el primer disparo en la zona de tiro, la menor perdió el control de la Uzi, un popular modelo de subfusil de fabricación israelí, y una de las balas alcanzó la cabeza de Charles Vacca, de 39 años, hiriéndolo de muerte.

Según informó el condado de Mohave en una nota de prensa, los hechos se registraron poco antes de las 10.00 del domingo (hora local), en un campo de tiro al aire libre situado a las afueras de la localidad de White Hills, en Arizona. Tras recibir el impacto, Vacca fue trasladado en helicóptero hasta un centro médico en Las Vegas, Nevada, donde los facultativos pudieron mantenerlo con vida hasta las últimas horas de la tarde, cuando falleció. Era padre, veterano de guerra y originario de Lake Havasu City.

La niña se encontraba con sus padres en el campo de tiro –que también funciona como hamburguesería y es un reclamo turístico a la hora de visitar Las Vegas– en el momento en que sucedió el accidente, en un estado donde es común que los niños aprendan cómo utilizar armas de fuego a edades tan precoces como los nueve años. Los padres grababan un vídeo durante las lecciones de su hija, por lo que la policía pudo ver los detalles de la tragedia, que quedó registrada en uno de sus móviles.

En la grabación se ve cómo Vacca le enseña a la menor a coger el arma con las dos manos y a dirigirla hacia el blanco, ubicado a unos metros. Tras ello, el instructor le indica a la niña que dispare, a lo que ella obedece y él la felicita. Son sus últimas palabras. Es en el segundo tiro cuando algo sale mal; la menor pierde el agarre que tenía con ambas manos y el arma se gira hacia la izquierda, disparándose justo a la cabeza del instructor.

El gerente del campo de tiro Bullets and Burgers, Sam Scarmardo, que recuerda a Vacca como un tipo "concienzudo y muy profesional", ha explicado a la cadena estadounidense NBC que la edad mínima para practicar en la mayoría de los campos de tiro es de ocho años, siempre que se haga bajo la supervisión de los padres.

Una niña mata accidentalmente a su instructor de tiro en Arizona con una Uzi | Internacional | EL PAÍS

24/08/2014

Espontaneidade made in USA

ucrainianO maior orçamento secreto do mundo mostra resultado. A CIA, com suas mãos de várias vias com a Microsoft, Facebook, Google e organizações não governamentais – ONGs, cumpre o que promete. Com dinheiro na mão e uma manada sedenta para ser manipulada ao redor do mundo, a CIA deita e rola nos movimentos sociais com antolhos. Foi assim a Primavera Árabe, Turquia, Síria, Ucrânia, Venezuela e, junho do ano passado, Brasil. Os a$$oCIAdos do Instituto Millenium até tentaram direcionar, mas algo deu errado e até a Rede Globo levou esterco na cara. Não foi diferente na RBS, mas, no fundo, exceções que confirmavam a regra. Um pouquinho de diversionismo só ajuda a esconder os verdadeiros interesses. Quando o Banco Itaú e a Multilaser patrocinam xingamentos contra a Presidenta do Brasil na abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão, há por trás, um incentivo, da CIA. Ela sabe a quem, quando e ao que recorrer.

Articulista francês aponta McCain como "orquestrador" da Primavera Árabe

dom, 24/08/2014 – 09:13

Sugerido por Rogerio Maestri

Venho insistindo há tempos na tese que tanto a Primavera Árabe como as demais manifestações "espontâneas” em diversas partes do mundo (no Brasil também) tem por trás manipulações de governos estrangeiros.

Muitos me taxam de adepto da teoria da conspiração e paranoico! Mas finalmente há quatro dias foi publicado na Rede Voltaire um artigo com o seguinte título: “John McCain, chefe de orquestra da «primavera árabe», e o Califa”. Não gosto de simplesmente postar artigos de outros, mas como a minha posição já é conhecida vou colocar a introdução do mesmo e o link para o artigo, lá mostra claramente como surgiu “espontaneamente” a revolução “democrática” na Síria que originou o EI.

John McCain, chefe de orquestra da «primavera árabe», e o Califa

Por Thierry Meyssan, da rede Voltaire/voltairenet.org

Todos notaram a contradição dos que qualificavam, recentemente, os membros do Emirado islâmico como «combatentes da liberdade» na Síria, e se indignam hoje com as suas barbaridades no Iraque. Mas, se este discurso é incoerente em si, ele é perfeitamente lógico no plano estratégico: os mesmos indivíduos que sendo, ontem, apresentados como aliados devem sê-lo hoje como inimigos, mesmo se estão sempre às ordens de Washington. Thierry Meyssan revela os bastidores da política dos E.U. através do caso pessoal do senador John McCain, chefe-de-orquestra da «primavera árabe» e interlocutor de longa data do Califa Ibrahim.

Barack Obama e John McCain são adversários políticos, como o representam, ou colaboram em conjunto na estratégia imperialista do seu país?

John McCain é conhecido como o chefe de fila dos republicanos, candidato mal- sucedido à presidência norte-americana em 2008. Isto não é, como o veremos, senão uma parte da sua real biografia, a que lhe serve de cobertura para conduzir acções secretas em nome do seu governo.

Na altura do ataque «ocidental» eu estava na Líbia, aí, pude consultar um relatório dos serviços de inteligência exterior. Nele podia ler-se que a Otan tinha organizado, a 4 de fevereiro de 2011, no Cairo, uma reunião para lançar a «Primavera Árabe» na Líbia e na Síria. De acordo com o documento, ela tinha sido presidida por John McCain. O relatório detalhava a lista de participantes líbios, cuja delegação era liderada pelo No. 2 do governo da época, Mahmoud Jibril, que mudara abruptamente de campo, à entrada para esta reunião, para se tornar o chefe da oposição no exílio. Lembro-me que, entre os delegados franceses presentes, o relatório citava Bernard-Henry Lévy, embora oficialmente este nunca tenha exercido qualquer função no seio do governo francês. Muitas outras personalidades participaram neste simpósio, entre as quais uma enorme delegação de Sírios vivendo no exterior.

No final desta reunião, a misteriosa conta do Facebook Syrian Revolution 2011 (Revolução síria 2011-ndT) convocava protestos diante do Conselho do Povo (Assembleia Nacional) em Damasco, a 11 de fevereiro. Embora esta conta pretendesse à época ter mais de 40.000 followers(seguidores) apenas uma dúzia de pessoas responderam ao seu apelo, para os flashes dos fotógrafos e de centenas de policias (policiais-Br). A manifestação dispersou pacificamente, e os confrontos não começaram senão mais de um mês depois, em Deraa [1].

Em 16 de fevereiro de 2011 uma manifestação que se desenrolava em Benghazi, em memória dos membros do Grupo islâmico combatente na Líbia [2], massacrados em 1996 na prisão de Abu Selim, degenerou em tiroteio. No dia seguinte, uma segunda manifestação, desta vez em memória das pessoas mortas ao atacar o consulado da Dinamarca por alturas das caricaturas de Maomé, degenerou igualmente em tiroteio. Nesta precisa altura, membros do Grupo islâmico combatente na Líbia vindos do Egipto, enquadrados por indivíduos encapuçados e não identificados, atacavam, simultaneamente, quatro bases militares em quatro cidades diferentes. No seguimento de três dias de combates, e atrocidades, os contestatários lançaram o levantamento da Cirenaica contra a Tripolitânia [3]; um ataque terrorista que a imprensa ocidental apresentou, mentirosamente, como uma «revolução democrática» contra «o regime» de Muammar el-Qaddafi.

Em 22 de fevereiro John McCain estava no Líbano. Ele encontrou-se lá com membros da Corrente do Futuro (o partido de Saad Hariri), que encarregou de supervisionar as transferências de armas para a Síria, por conta do deputado Okab Sakr [4]. Depois, deixando Beirute, ele inspecionou a fronteira síria e escolheu as aldeias, nomeadamente Ersal, que deveriam servir como base de retaguarda para os mercenários na guerra que se preparava.

As reuniões presididas por John McCain foram, claramente, o ponto de partida de um plano, previsto de longa data, por Washington; plano que previa o ataque da Líbia e da Síria simultaneamente pelo Reino Unido e pela França, de acordo com a doutrina da «liderança de bastidores» e o anexo do Tratado de Lancaster House, de Novembro de 2010 [5].

A viagem ilegal à Síria, em maio de 2013

Em maio de 2013 o senador John McCain dirigiu-se, ilegalmente, para perto de Idleb, na Síria, através da Turquia, para aí se reunir com líderes da «oposição armada». A sua viagem só foi tornada pública após o seu regresso a Washington [6].

Esta deslocação fora organizada pela Syrian Emergency Task Force (Força-Tarefa de Emergência Síria) a qual, contrariamente ao seu título, é uma organização sionista dirigida por um funcionário palestino da AIPAC [7].

John McCain na Síria. No primeiro plano, à direita, reconhece-se o director da Syrian Emergency Task Force. No enquadramento da porta, ao centro, Mohammad Nour.

Nas fotografias difundidas então, nota-se a presença de Mohammad Nour, porta-voz da Brigada Tempestade do Norte (da frente Al-Nosra, quer dizer da Al-Qaida na Síria), que havia sequestrado e detinha 11 peregrinos xiitas libaneses em Azaz [8]. Interrogado sobre a sua proximidade com os sequestradores, membros da al-Qaida, o senador alegou não conhecer Mohammad Nour, o qual se teria infiltrado por sua própria iniciativa nesta (tomada de-ndT) foto.

O caso deu um grande sururu, e as famílias dos peregrinos raptados apresentaram queixa, perante a justiça libanesa, contra o senador McCain por cumplicidade no sequestro. Por fim, foi alcançado um acordo e os peregrinos foram libertados (liberados-Br).

Vamos supôr que o senador McCain tenha dito a verdade, e que ele tenha sido explorado por Mohammad Nour. O objeto da sua viagem, ilegal, à Síria era o de se encontrar o estado-maior do Exército sírio livre. Segundo ele, esta organização era composta «exclusivamente por sírios», combatendo pela «sua liberdade» contra a «ditadura alauíta» (sic). Os organizadores da viagem publicaram esta fotografia para confirmar a reunião.

John McCain e o estado-maior do Exército sírio livre. No primeiro plano, à esquerda, Ibrahim al-Badri, com o qual senador está em vias de conferenciar. Precisamente a seguir, o brigadeiro-general Salim Idriss (de óculos).

Se nela podemos ver o brigadeiro-general Salem Idriss, chefe do Exército sírio livre, também aí se pode ver Ibrahim al-Badri (em primeiro plano, à esquerda), com quem o senador está em vias de conferenciar. De regresso desta viagem surpresa, John McCain, afirmou que todos os responsáveis do Exército sírio livre são «moderados nos quais se pode confiar» (sic).

Ora, desde 4 de outubro de 2011, Ibrahim al-Badri, também conhecido como Abu Du’a, figurava na lista dos cinco terroristas mais procurados pelos Estados Unidos (Rewards for Justice-Recompensas para Justiça- ndT). Uma recompensa, podendo ir até aos $ 10 milhões de dólares, era oferecida a quem ajudasse na sua captura [9]. No dia seguinte, 5 de outubro de 2011, Ibrahim al-Badri foi colocado na lista do Comité de sanções da Onu como membro da Al-Qaida [10].

Além disso, um mês antes de receber o senador McCain, Ibrahim al-Badri, com o nome de guerra de Abu Bakr al-Baghdadi, criou o Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL)— ao mesmo tempo que pertencia, ainda, ao estado-maior do muito «moderado» Exército sírio livre—. Ele reivindicou o ataque às prisões de Taj e de Abu Ghraib no Iraque, de onde fez evadir entre 500 e 1.000 jihadistas que se juntaram à sua organização. Este ataque foi coordenado com outras operações, quase simultâneas, em outros oito países. Em cada ocasião os jihadistas evadidos juntaram- se a organizações combatendo na Síria. Este caso é de tal maneira estranho que a Interpol emitiu uma nota, e pediu a assistência dos 190 países membros [11].

Pela minha parte, eu sempre afirmei que não havia, no terreno, nenhuma diferença entre o Exército sírio livre, a frente Al-Nosra, o emirado islâmico etc. Todas estas organizações são formadas pelos mesmos indivíduos, que mudam de bandeira permanentemente. Quando se reivindicam ser do Exército sírio livre eles arvoram a bandeira da colonização francesa, e só falam em derrubar o «cão Bachar». Quando eles dizem pertencer à Frente Al-Nosra carregam a bandeira da Al-Qaida, e declaram espalhar o seu Islão(Islã-Br) no mundo. Finalmente, quando eles se dizem do Emirado Islâmico brandem, então, o estandarte do Califado, e anunciam que limparão a região de todos os infiéis. Mas, qualquer que seja a etiqueta, eles cometem os mesmos crimes: estupros, torturas, decapitações, crucificações.

No entanto, nem o senador McCain, nem os seus acompanhantes da Syrian Emergency Task Force (Força Tarefa de Emergência síria) forneceram ao Departamento de Estado as informações, em sua posse, sobre Ibrahim al-Badri, nem reclamaram o acesso a esta recompensa. Nem sequer informaram, também, o Comité anti-terrorista da Onu.

Em nenhum país do mundo, qualquer que seja o seu regime político, se aceitaria que o líder da oposição esteja em contacto directo, amigável e público, com um tão perigoso terrorista, procurado por toda a gente.

Quem é pois o senador McCain?

Mas além de John McCain não ser simplesmente o líder da oposição política ao presidente Obama, também ele é, na realidade, um dos seus altos-funcionários!

Ele é, com efeito, presidente do International Republican Institute (Instituto Republicano Internacional-ndT) (IRI), o ramo republicano do NED/CIA [12], desde Janeiro de 1993. Esta pretensa «ONG» foi criada, oficialmente, pelo presidente Ronald Reagan para estender certas atividades da CIA, em cooperação com os serviços secretos britânicos, canadianos (canadense-Br) e australianos. Contrariamente às suas alegações é, de facto, uma agência inter-governamental. O seu orçamento é aprovado pelo Congresso, numa rubrica orçamental dependente da Secretaria de Estado.

E, é por isso, porque é uma agência conjunta dos serviços secretos Anglo-saxões, que vários Estados no mundo lhe interditam toda a actividade no seu território.

Acusados de ter preparado o derrube do presidente Hosni Moubarak, por conta dos Irmãos muçulmanos, os dois empregados do International Republican Institute (IRI) no Cairo, John Tomlaszewski (segundo à direita) e Sam LaHood (filho do secretário dos Transportes de um governo democrata, o americano-libanês Ray LaHood), (segundo à esquerda), refugiaram-se na embaixada dos Estados Unidos. Ei-los aqui, ao lado dos senadores John McCain e Lindsey Graham, aquando da reunião preparatória da «primavera árabe» para a Líbia e para a Síria. Eles acabarão libertados pelo Irmão Mohamed Morsi, assim que este se tornou presidente.

A lista das intervenções de John McCain por conta do departamento de Estado é impressionante. Ele participou em todas as revoluções coloridas dos últimos vinte anos.

Para não dar senão alguns exemplos, ele preparou, sempre em nome da «democracia», o golpe de Estado fracassado contra o presidente constitucional Hugo Chávez na Venezuela [13], o derrube (derrubada-Br) do presidente constitucional Jean-Bertrand Aristide no Haiti [14], a tentativa de derrube do presidente constitucional Mwai Kibaki no Quénia [15] e, mais recentemente, a do presidente constitucional ucraniano Viktor Yanukovych.

Não interessa em que estado do mundo, logo que um cidadão toma a iniciativa de derrubar o regime de outro Estado, ele poderá ser felicitado se nisso for bem- sucedido, e que o novo regime se mostre um aliado, mas ele será severamente condenado se as suas iniciativas tiverem consequências nefastas para o seu próprio país. Ora, nunca o senador McCain foi inquietado pelas suas ações anti-democráticas, em estados onde ele fracassou e que se voltaram contra Washington. Na Venezuela, por exemplo. É que, para os Estados Unidos John McCain não é um traidor, mas sim um agente (secreto).

E um agente que dispõe da melhor cobertura que se possa imaginar: ele é o opositor oficial de Barack Obama. Nesta condição ele pode viajar para qualquer lugar no mundo (é o senador norte-americano que mais viaja), e encontrar-se com quem ele quiser sem temer. Se os seus interlocutores aprovam a política de Washington ele promete-lhes mantê-la, se a combatem, ele atira a responsabilidade para cima do presidente Obama.

John McCain é conhecido por ter sido prisioneiro de guerra no Vietname (Vietnã-Br), durante 5 anos, e aí ter sido torturado. Ele foi vítima de um programa concebido não para extrair informações, mas para incutir uma confissão. Tratava-se de transformar a sua personalidade, para que ele fizesse declarações contra o seu próprio país. Este programa, estudado a partir do exemplo coreano, para a Rand Corporation, pelo professor Albert D. Biderman, serviu de base às pesquisas conduzidas em Guantanamo, e em outros lugares, pelo Dr. Martin Seligman [16]. Aplicado sob George W. Bush a mais de 80.000 prisioneiros permitiu transformar vários de entre eles, para fazer, assim, verdadeiros combatentes ao serviço de Washington. John McCain, que havia “rachado” no Vietname, compreende-o, pois, perfeitamente. Ele sabe como manipular, sem escrúpulos, os jihadistas.

Qual é a estratégia dos norte-americana com os jihadistas no Levante?

Em 1990, os Estados Unidos decidiram destruir o seu antigo aliado iraquiano. Após terem sugerido ao presidente Saddam Hussein, que considerariam o ataque ao Koweit como um caso interno iraquiano, eles aproveitaram o pretexto deste ataque para mobilizar uma vasta coligação (coalizão-Br) contra o Iraque. Porém, devido à oposição da URSS, eles não derrubaram o regime, contentaram-se sim em controlar a zona de exclusão aérea.

Em 2003, a oposição da França não foi suficiente para contrabalançar a influência do Comité para a Libertação do Iraque. Os Estados Unidos atacaram de novo o país e, desta vez, derrubaram o presidente Hussein. Evidentemente, John McCain era um dos principais responsáveis do Comité(Comitê-Br). Depois de ter entregue, durante um ano, a uma sociedade privada o cuidado de pilhar o país [17], eles tentaram parti-lo em três Estados separados, mas tiveram que renunciar a isso diante da resistência da população. Eles tentaram de novo em 2007, com a resolução Biden-Brownback, mas voltaram a falhar [18]. Daí, a estratégia atual, que tenta conseguir isso por meio de um actor não-estatal: o Emirado Islâmico.

Neste documento, publicado em setembro de 2013, o embaixador do Catar em Tripoli informa o seu ministério, que um grupo de 1.800 Africanos foi formado na jihade, na Líbia. Ele propõe encaminhá-los, em três grupos, para a Turquia, afim de que eles se juntem ao Emirado islâmico na Síria.

A operação foi preparada durante muito tempo, antes mesmo da reunião de John McCain com Ibrahim al-Badri. Assim, correspondência interna do Ministério catariano das Relações exteriores (Negócios Estrangeiros-Pt), publicada pelos meus amigos James e Joanne Moriarty [19], mostram que 5. 000 jihadistas foram formados, às custas do Catar, na Líbia da Otan em 2012, e que 2,5 milhões de dólares foram atribuídos, na mesma altura, ao futuro califa.

Em janeiro de 2014, o Congresso dos Estados Unidos realizou uma reunião secreta, na qual votou, em violação do direito internacional, o financiamento até Setembro de 2014 da Frente Al-Nosra (Al-Qaida), e do Emirado Islâmico no Iraque e no Levante [20]. Embora se desconheça, com detalhe, o que foi realmente acordado aquando desta sessão, revelada pela agência de notícias britânica Reuters [21], e que nenhum média (mídia-Br) norte-americano ousou passar devido à censura, é altamente provável que a lei inclua uma secção sobre o armamento e treino de jihadistas.

Envaidecida com este financiamento norte-americano a Arábia Saudita reivindicou, no seu canal público de televisão, Al-Arabiya, que o Emirado Islâmico estava colocado sob a autoridade do príncipe Abdul Rahman al-Faisal, irmão do príncipe Saud al Faisal (Ministro dos Negócios Estrangeiros) e do príncipe Turki al-Faisal (embaixador saudita nos Estados Unidos e no Reino Unido) [22].

O Emirado Islâmico representa uma nova etapa no mercenarismo. Ao contrário dos grupos jihadistas que combateram no Afeganistão, na Bósnia-Herzegovina e na Chechénia, junto a Osama bin Laden, ele não constitui uma força de reserva, mas é um verdadeiro exército em si. Ao contrário dos grupos precedentes, no Iraque, na Líbia e na Síria, agrupados pelo príncipe Bandar Ben Sultan, eles dispõem de sofisticados serviços integrados de comunicação, que fomentam o alistamento, e de administradores civis, formados nas grandes escolas ocidentais capazes de tomar em mãos, imediatamente, a administração de um território.

Armas ucranianas, chispando de novas, foram comprados pela Arábia Saudita, e comboiadas pelos serviços secretos turcos que as remeteram para o Emirado islâmico. Os detalhes finais foram coordenados com a família Barzani, aquando de uma reunião de grupos jihadistas em Amã, a 1 de Junho de 2014 [23]. O ataque conjunto ao Iraque, pelo Emirado Islâmico e pelo Governo regional do Curdistão, começou quatro dias mais tarde. O emirado islâmico capturou a parte sunita do país, enquanto o governo regional do Curdistão aumentava o seu território em mais de 40%. Fugindo das atrocidades dos jihadistas as minorias religiosas deixaram a zona Sunita, preparando assim a via para a partição do país em três.

Violando o acordo de defesa Iraquiano-americano o Pentágono não interveio, e deixou o emirado islâmico prosseguir a sua conquista e os seus massacres. Um mês depois, enquanto os peshmergas do governo regional curdo haviam recuado sem batalha, e quando a emoção da opinião pública mundial se tornou demasiado forte, o presidente Obama deu a ordem para bombardear posições do Emirado islâmico. No entanto, segundo o general William Mayville, diretor de operações no Estado-maior: «Estes bombardeamentos são pouco susceptíveis de afectar as capacidades globais do Emirado Islâmico, ou as suas atividades noutras regiões do Iraque ou da Síria» [24]. Obviamente, eles não visam destruir o exército jihadista mas, apenas, garantir que cada actor não ultrapasse o território que lhe foi atribuído. Além disso, de momento, eles são puramente simbólicos e não destruíram senão um punhado de veículos. Na realidade tem sido a intervenção dos curdos do PKK, turco e sírio, nisto, que parou a progressão do Emirado Islâmico e, abrindo um corredor, permitiu às populações civis escapar ao massacre.

Numerosa desinformação circula a propósito do Emirado Islâmico e do seu califa. O jornal quotidiano Gulf Daily News fingiu que Edward Snowden havia feito revelações neste sentido. [25] No entanto, verificação feita, o antigo espião norte-americano não publicou nada a este respeito. O Gulf Daily News é publicado no Barein, um Estado ocupado por tropas sauditas. O artigo visa, apenas, limpar a Arábia Saudita e o príncipe Abdul Rahman al-Faisal das suas responsabilidades.

O Emirado Islâmico é comparável aos exércitos mercenários do século XVI europeu. Eles conduziam guerras religiosas em nome dos senhores que lhes pagavam, às vezes de um lado, às vezes de outro. O Califa Ibrahim é um condottiere moderno. Embora esteja às ordens do príncipe Abdul Rahman, (membro do clã dos Sudeiris), não seria de espantar que ele continue a sua epopeia na Arábia Saudita, (após um breve desvio no Líbano, ou seja no Koweit), e parta assim o bolo da sucessão real, favorecendo o clã dos Sudeiris contra o príncipe Mithab (filho, e não irmão do rei Abdallah).

John McCain e o Califa

Ibrahim al-Badri, aliás Abu Du’a, aliás Abou Bakr Al-Baghdadi, aliás Califa Ibrahim, mercenário do príncipe Abdul Rahman al-Faiçal, financiado pela Arábia saudita, pelo Catar e pelos Estados Unidos. Ele pode praticar todos os horrores, que as Convenções de Genebra proíbem os Estados de cometer .

Na última edição do seu magazine o Emirado Islâmico consagrou duas páginas a denunciar o senador John McCain, como «o inimigo» e «o cruzado», recordando o seu apoio à invasão norte-americana do Iraque. Temendo que essa acusação passasse em claro, nos Estados Unidos, o senador emitiu, imediatamente, um comunicado qualificando o Emirado de « o mais perigoso grupo terrorista islâmico no mundo » [26].

Esta polémica destina-se apenas a distrair a «galeria». Nós bem gostaríamos de acreditar nela…, se não existisse esta fotografia de maio de 2013.

Thierry Meyssan

Tradução

Alva

Articulista francês aponta McCain como "orquestrador" da Primavera Árabe | GGN

Os abutres vem do norte

eua vergonhaLobby anti-Argentina ganha força nos EUA

O melhor resumo dos ataques à Argentina, vindo dos EUA, está num texto despretensioso, do uruguaio Eduardo Galeano, sobre outros assuntos:

Guerras mentirosas

Campanhas publicitárias, esquemas de marketing. O alvo é a opinião pública. Guerras são vendidas da mesma maneira que carros: através da mentira.

Em agosto de 1964, o presidente norte-americano Lyndon Johnson acusou os vietnamitas de atacar dois navios de guerra dos EUA no Golfo de Tonkin.

Então, o presidente invadiu o Vietnã, enviando aviões e tropas. Ele foi aclamado por jornalistas e políticos, e sua popularidade disparou. Os democratas no poder e os republicanos fora do poder se tornaram um único partido unido contra a agressão comunista.

Depois de a guerra ter massacrado vietnamitas em grandes números – a maioria sendo mulheres e crianças – o secretário de defesa, Robert McNamara, confessou que o ataque no Golfo de Tonkin nunca ocorreu.

Os mortos não voltaram à vida.

Em março de 2003, o presidente norte-americano George W. Bush acusou o Iraque de estar prestes a destruir o mundo com suas armas de destruição em massa, “as armas mais letais já construídas”.

Então, o presidente invadiu o Iraque, enviando aviões e tropas. Ele foi aclamado por jornalistas e políticos, e sua popularidade disparou. Os democratas no poder e os republicanos fora do poder se tornaram um único partido unido contra a agressão terrorista.

Depois de a guerra ter massacrado iraquianos em grandes números – a maioria sendo mulheres e crianças –, Bush confessou que as armas de destruição em massa nunca existiram. “As armas mais letais já inventadas” foram seus próprios discursos.

Na eleição seguinte, ele foi reeleito.

Em minha infância, minha mãe costumava me dizer que a mentira tem perna curta. Ela estava mal informada.

Outro aspecto pouco falado sobre esta questão diz respeito aos assim chamados “investimentos de risco”. O capital especulativo ganha dinheiro correndo riscos, certo? Errado. Como se pode ver, a especulação não pode correr riscos. Se perder, sempre haverá um juiz nos EUA para impedir prejuízo. E aí “democratas no poder e os republicanos fora do poder se tornaram um único partido unido contra riscos da especulação”.

Em anúncios de jornal e TV, ‘fundos abutre’ que processaram governo em Buenos Aires tentam humanizar credores

Grupo atrai democratas, republicanos e doador eleitoral Paul Singer, cujo fundo lucrou com dívida de Congo e Peru

ISABEL FLECKDE NOVA YORK

"Conheça os abutres’ da Argentina", diz o anúncio de página inteira publicado na última semana no "New York Times" e no argentino "La Nación" pela ATFA (American Task Force Argentina), maior lobby dos credores que não aceitaram renegociar a dívida e ganharam, na Justiça americana, direito a receber US$ 1,3 bilhão do país.

Logo abaixo do texto, há a foto de argentinos que ainda não receberam: Norma Lovato, 85, Horácio Vazquez, 57, Maria Elena Corral, 77. Esta última, diz o anúncio, "investiu nos títulos argentinos como ato de patriotismo".

O anúncio faz parte de uma ofensiva do ATFA em jornais, sites e redes de TV americanos iniciada no fim de julho, quando ficou configurado o segundo calote do país sobre sua dívida em 13 anos.

Segundo o Center for Responsive Politics (CRP), que monitora a atividade de lobby nos EUA, a ATFA tinha gasto, até junho, US$ 740 mil, quase três quartos do US$ 1 milhão que foi investido em todo o ano de 2013.

"Eles estão mais agressivos, em parte porque os fundos abutres têm perdido a batalha pela opinião pública desde a decisão da Suprema Corte [em junho]", diz Mark Weisbrot, do progressista Centro de Pesquisa Econômica e Política (Washington).

No entanto, a diretora-executiva do CPR, Sheila Krumholz, afirma que as campanhas para humanizar os credores "abutres" (como o governo argentino os chama)têm tido efeito positivo em quem não acompanha o imbróglio da dívida argentina.

Em junho, a Suprema Corte respaldou a decisão do juiz Thomas Griesa de que a Argentina só poderia pagar os 92% de credores que aceitaram renegociar a dívida em 2005 e 2010 se pagasse os 8% que recusaram a operação.

A decisão colocou o país tecnicamente em calote.

Desde então, a presidente Cristina Kirchner mobilizou países em reuniões na ONU e na Organização dos Estados Americanos, publicou anúncios na mídia e culpou Griesa pelo ocorrido.

BIPARTIDÁRIA

A ATFA, que se apresenta como "aliança de organizações para um acordo justo" sobre a dívida argentina, reúne 30 membros, em sua maioria pequenas associações do setor agropecuário nos EUA.

Seu principal "apoiador" é o fundo Elliott, do multimilionário Paul Singer, do qual é subsidiário o NML –o maior entre os "fundos abutres" que levaram a Argentina à corte.

Para apoiar Singer, um dos maiores doadores do Partido Republicano, a ATFA tem na diretoria três influentes democratas: Robert Shapiro, ex-assessor de campanha e subsecretário de comércio do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001); a ex-embaixadora dos EUA na ONU sob Clinton Nancy Soderberg e Robert Raben, que ocupou altos postos no Departamento de Justiça.

Para Krumholz, esse "bipartidarismo" não é contraditório. "Singer sabe que, num governo democrata, precisará de pessoas de dentro do partido para fazer as coisas avançarem. Não são associações ideológicas", diz.

Singer –69 anos, nome na lista da Forbes das 400 pessoas mais ricas dos EUA e ativista pró-casamento gay desde que o filho se assumiu– é conhecido pelo "faro" para títulos de países à beira da quebra que podem dar lucro.

Em 1996, ele comprou por US$ 11,4 milhões títulos do Peru, pelos quais receberia na Justiça, em 2000, US$ 58 milhões. Da República do Congo, obteve US$ 90 milhões após pagar menos de US$ 20 milhões por papeis do país nos anos 90.

Eduardo Galeano, curto, fino e certeiro

 

Eduardo Galeano e um século de desastres

agosto 19, 2014 15:26

Eduardo Galeano e um século de desastres

Enigmas, mentiras, vidas e morte – de Fidel Castro a Muhammad Ali, de Albert Einstein a bonecas Barbie. Olhando para os desastres do século 20, seria possível irmos além?

Por Eduardo Galeano, em Tom Dispatch, de seu livro “Espelhos – uma história quase universal” | Tradução: Vinicius Gomes

Stalin

Ele aprendeu a escrever no idioma da Georgia, sua terra natal, mas no seminário, os monges o fizeram falar russo.

Anos mais tarde, em Moscou, seu sotaque do sul do Cáucaso ainda o entregava.

Então, ele decidiu se tornar mais russo do que os russos. Não foi o Napoleão, que saiu da ilha de Córsega, mais francês que os franceses? Não foi Catarina, a Grande, que era alemã, mais russa do que os russos?

Então, o georgiano Iosif Dzhugashvili escolheu um nome russo. Ele se autonomeou Stalin, que significa “aço”.

O homem de aço esperava que seu filho fosse feito de aço também: desde a infância, seu filho Yakov foi forjado a fogo e gelo e moldado por marteladas.

Não funcionou. Ele era o filho da mamãe. Aos 19 anos, Yakov não aguentava mais, não podia suportar mais.

Ele puxou o gatilho.

O tiro não o matou.

Ele acordou no hospital. No pé da cama, seu pai comentou: “Nem mesmo isso você faz direito”.

Fotografia: o olho mais triste do mundo

Princeton, New Jersey, Maio de 1947.

Fotógrafo Philippe Halsman pergunta a ele: “Você acha que haverá paz?”

E enquanto o obturador clica, Albert Einstein diz, ou melhor, murmura: “Não”.

As pessoas acreditam que Einstein ganhou o Prêmio Nobel por sua teoria da relatividade, que ele foi o criador da frase “tudo é relativo”, e que ele foi o inventor da bomba atômica.

A verdade é que não deram a ele o Nobel por sua teoria da relatividade, nem pronunciou tais palavras. Tampouco inventou a bomba, apesar de que Hiroshima e Nagasaki não teriam acontecido se ele não tivesse descoberto o que descobriu.

Ele sabia muito bem que suas descobertas, nascidas pela celebração da vida, foram usadas para aniquilá-la.

As idades de Josephine

Aos nove anos de idade, ela trabalha limpando casas em St. Louis, às margens do rio Mississippi.

Aos 10, ela começa a dançar na rua em troca de moedas. Aos 13, ela se casa.

Aos 15, se casa novamente. Do primeiro marido, ela não guarda nem mesmo uma lembrança ruim. Do segundo, ela guarda o sobrenome, pois gosta de como ele soa.

Aos 17, Josephine Baker dança o Charleston na Broadway. Aos 18, ela cruza o Atlântico e conquista Paris. A “Vênus de Bronze” faz sua performance nua, usando nada mais do que um cacho de bananas.

Aos 24, ela é a mulher mais fotografada no planeta. Pablo Picasso, de joelhos, a pinta. Para parecer com ela, as jovens donzelas pálidas de Paris esfregavam creme de nogueira, que escurece a pele.

Aos 30, ela tem problema em alguns hotéis, pois viaja com um chimpanzé, uma cobra, uma cabra, dois papagaios, vários peixes, três gatos, sete cães, uma chita chamada Chiquita, que usa um colar de diamantes, e um porquinho chamado Albert, que ela banha em um perfume Je Reviens.

Aos 40, ela recebe a medalha de Honra da Legião, por seus serviços à Resistência Francesa durante a ocupação nazista.

Aos 41 e em seu quarto marido, ela adota 12 crianças de diversas cores de pele e diversas origens, que ela chama de “minha tribo arco-íris”.

Aos 45, ela retorna aos EUA. Ele insiste que qualquer um, brancos ou negros, se sentem juntos em seus shows. Senão, ela não se apresentaria. Aos 57, ela divide o palco com Martin Luther King e fala contra a discriminação racial diante de um imenso público na Marcha a Washington.

Aos 68, ela se recupera de uma calamitosa falência e no Teatro Bobino, em Paris, ela celebra cinqüenta anos nos palcos.

E ela morre.

O pai do computador

Alan Turing era motivo de piadas por não ser um cara durão, um He-Man com pelos no peito.

Ele choramingava, grasnava, gaguejava. Ele usava uma velha gravata como cinto. Ele raramente dormia e passava dias sem se barbear. E ele corria de uma ponta da cidade para outra enquanto juntava complicadas fórmulas matemáticas em sua mente.

Trabalhando para a inteligência britânica, ele ajudou a encurtar a Segunda Guerra Mundial ao inventar uma máquina que decifrava os impenetráveis códigos militares usados pelo alto comando alemão.

Nesse ponto, ele já tinha sonhado com um protótipo para um computador eletrônico e já tinha estabelecido as fundações teóricas para os sistemas de informações atuais. Depois disso, ele liderou a equipe que construiu o primeiro computador a operar com programas integrados. Ele jogou intermináveis partidas de xadrez contra o computador e perguntava a ele questões que enlouqueceram a máquina. Ele insistia que o computador lhe escrevesse cartas de amor. A máquina respondeu emitindo mensagens que eram bem incompreensíveis.

Mas foi a polícia de carne e osso de Manchester que o prendeu em 1952 por indecência.

No julgamento, Turing alegou ser culpado por ser homossexual.

Para ficar fora da cadeia, ele aceitou passar por um tratamento médico que o curasse de sua aflição. O bombardeio de drogas o deixou impotente. Seios cresceram nele. Ele ficou recluso e deixou de ir à universidade. Ele ouvia sussurros, sentia olhares às suas costas.

Ele tinha o hábito de comer uma maçã antes de ir dormir.

Em uma noite, ele injetou a maçã com cianeto.

Imperador Vermelho

Eu estava na China três anos antes do fracasso do Grande Salto para Frente. Ninguém fala a respeito. Era um segredo de Estado.

Eu vi Mao prestar uma homenagem a Mao. Na Praça Tiananmen, o Portal da Paz Celestial, Mao presidiu diante de uma imensa parada, liderada por uma imensa estátua de Mao. O Mao de gesso mantinha sua mão no alto, e o Mao de carne e osso respondia ao gesto. Em um oceano de flores e balões coloridos, a multidão reverenciava os dois.

Mao era a China e a China era seu reino. Mao exortava a todos a seguirem o exemplo dado por Lei Feng e Lei Feng exortava a todos que seguissem o exemplo dado por Mao. Lei Feng, um jovem comunista de existência dúbia, passava seus dias consolando os doentes, ajudando as viúvas e dando sua comida aos órfãos. Em suas noites, ele lia os trabalhos completos de Mao. Quando dormia, ele sonhava com Mao, o seu guia para cada passo. Lei Feng não tinha namorada, nem namorado, pois ele não perdia tempo com frivolidades e nunca ocorreu a ele que a vida pode ser contraditória ou a realidade, diferente.

Fidel

Seus inimigos dizem que ele foi um rei não coroado que confundiu unidade com unanimidade.

E, nisso, os seus inimigos estão certos.

Seus inimigos dizem que se Napoleão tivesse um jornal como o Granma, os franceses nunca teriam ouvido falar do desastre de Waterloo.

E, nisso, os seus inimigos estão certos.

Seus inimigos dizem que ele exerceu o poder falando muito e ouvindo pouco, pois ele era mais acostumado a ouvir ecos do que vozes.

E, nisso, os seus inimigos estão certos.

Mas algumas coisas que seus inimigos não dizem: não foi para posar para os livros de História que ele estufou o peito contra a munição dos invasores; ele encarou furacões como um igual, de furacão para furacão; ele sobreviveu 637 atentados contra sua vida; sua energia contagiosa foi decisiva para tirar o país da condição de colônia; e não foi por conta de uma maldição do diabo ou por um milagre de deus, que o novo país conseguiu sobreviver a dez presidentes dos EUA, com seus guardanapos no colo, prontos para devorá-lo com garfo e faca.

E seus inimigos nunca mencionam que Cuba é um dos raros países que não competem na Copa do Mundo dos Capachos.

E eles não dizem que a Revolução, punida pelo crime de dignidade, é o que conseguiu ser e não o que desejava se tornar. Nem dizem que a muralha, separando desejo de realidade, cresceu ainda mais e mais graças ao bloqueio imperial, que sufocou a democracia “à cubana”, militarizou a sociedade e deu à burocracia – sempre pronta com um problema para cada solução – o álibi que precisava para justificar e se perpetuar.

E eles não dizem que, apesar de toda essa tristeza, apesar de toda agressão externa e o alto controle interno, essa aflita e obstinada ilha criou a sociedade menos desigual na América Latina.

E seus inimigos não dizem que sua proeza veio do sacrifício de seu povo e, também, da vontade teimosa e do velho senso de honra do cavaleiro que sempre lutou do lado dos perdedores, como seu famoso colega nos campos de Castile.

Ali

Ele foi uma borboleta e uma abelha. No ringue, ele flutuava e picava.

Em 1967, Muhammad Ali, nascido Cassius Clay, se recusou a vestir um uniforme.

“Não tenho nada contra nenhum vietcongue”, ele disse. “Nenhum vietnamita nunca me chamou de ‘preto’”.

Eles o chamaram de traidor. Eles o sentenciaram a cinco anos de prisão e o barraram de lutar boxe. Eles tiraram seu título de campeão do mundo.

A punição se tornou seu troféu. Ao lhe tirarem a coroa, eles o transformaram em rei.

Anos depois, alguns estudantes universitários lhe pediram para recitar alguma coisa. E, para eles, improvisou o poema mais curto na história da literatura:

“Eu, nós”.

Muros

O Muro de Berlim foi notícia todos os dias. Da manhã até a noite, nós líamos, víamos, ouvíamos: o Muro da Vergonha, o Muro da Infâmia, a Cortina de Ferro…

No final, um muro que merecia cair, caiu. Mas outros muros brotaram e continuaram brotando ao redor do mundo. E, apesar de serem muito maiores que aquele em Berlim, nós raramente ouvimos sobre eles.

Pouco é dito sobre o muro que os EUA estão construindo ao longo da fronteira com o México, e menos ainda é dito sobre as barreiras de arame farpado cercando os enclaves da Espanha em Ceuta e Melila, na costa africana.

Praticamente nada é dito sobre a Muralha na Cisjordânia, que perpetua a ocupação israelense em terras palestinas e será 15 vezes maior do que aquela em Berlim. E nada, absolutamente nada, é dito sobre o Muro de Marrocos, que perpetua o controle das terras natais dos nativos do Saara pelo reino de Marrocos, e é 60 vezes o comprimento do Muro de Berlim.

Por que alguns muros são gritantes e outros são mudos?

Barbie vai à guerra

Existem mais de um bilhão de Barbies. Apenas os chineses as superam.

A mais amada mulher do planeta nunca nos decepcionaria. Na guerra contra o mal, a Barbie se alistou, bateu continência e marchou para o Iraque.

Ela chegou ao fronte usando uniformes sob medida para operações em terra, água e ar – revisados e aprovados pelo Departamento de Defesa dos EUA.

A Barbie é acostumada a mudar de profissões, estilos de cabelo e roupas. Ela foi uma cantora, uma atleta, uma paleontóloga, uma ortodontista, uma astronauta, uma bombeira, uma bailarina, e quem sabe mais o quê. Todo novo trabalha exige um novo visual e um guarda-roupa novo para que toda garota no mundo seja obrigada a comprar.

Em fevereiro de 2004, a Barbie quis mudar de namorados também. Por quase meio século, ele se manteve de maneira estável com Ken, cujo nariz é a única protuberância em seu corpo, quando um surfista australiano a seduziu e a convidou a cometer o pecado do plástico.

Mattel, a fabricante, anunciou uma separação oficial.

Foi uma catástrofe. As vendas caíram. A Barbie podia mudar ocupações e vestuário, mas ela não tinha direito algum de dar o mau exemplo.

A Mattel anunciou a reconciliação oficial.

Guerras mentirosas

Campanhas publicitárias, esquemas de marketing. O alvo é a opinião pública. Guerras são vendidas da mesma maneira que carros: através da mentira.

Em agosto de 1964, o presidente norte-americano Lyndon Johnson acusou os vietnamitas de atacar dois navios de guerra dos EUA no Golfo de Tonkin.

Então, o presidente invadiu o Vietnã, enviando aviões e tropas. Ele foi aclamado por jornalistas e políticos, e sua popularidade disparou. Os democratas no poder e os republicanos fora do poder se tornaram um único partido unido contra a agressão comunista.

Depois de a guerra ter massacrado vietnamitas em grandes números – a maioria sendo mulheres e crianças – o secretário de defesa, Robert McNamara, confessou que o ataque no Golfo de Tonkin nunca ocorreu.

Os mortos não voltaram à vida.

Em março de 2003, o presidente norte-americano George W. Bush acusou o Iraque de estar prestes a destruir o mundo com suas armas de destruição em massa, “as armas mais letais já construídas”.

Então, o presidente invadiu o Iraque, enviando aviões e tropas. Ele foi aclamado por jornalistas e políticos, e sua popularidade disparou. Os democratas no poder e os republicanos fora do poder se tornaram um único partido unido contra a agressão terrorista.

Depois de a guerra ter massacrado iraquianos em grandes números – a maioria sendo mulheres e crianças –, Bush confessou que as armas de destruição em massa nunca existiram. “As armas mais letais já inventadas” foram seus próprios discursos.

Na eleição seguinte, ele foi reeleito.

Em minha infância, minha mãe costumava me dizer que a mentira tem perna curta. Ela estava mal informada.

Enigma

Eles são os membros mais importantes de nossa família.

Eles são glutões, devoradores de gás, petróleo, milho, cana-de-açúcar e qualquer outra coisa que surja em seu caminho.

Eles mandam em nosso tempo: os banhando, os alimentando, os abrigando, falando sobre eles e abrindo caminhos para eles.

Eles se reproduzem mais rápido que nós, e são 10 vezes mais numerosos do que eram meio século atrás.

Eles matam mais pessoas que guerras; não, ninguém condena os assassinos, muitos menos os jornais e canais de televisão que vivem de suas propagandas.

Eles roubam nossas ruas. Eles roubam nosso ar. Eles riem quando nos ouvem dizendo “Eu dirijo”.

Achados e perdidos

O século 20, que nasceu proclamando a paz e a justiça, morreu banhado em sangue. Ele nos passou um mundo muito mais injusto daquele que herdou.

O século 21, que também nasceu enaltecendo a paz e a justiça, está seguindo os passos de seu predecessor.

Na minha infância, eu tinha certeza que tudo que se perdia no mundo acabava indo parar lá em cima, na Lua.

Mas os astronautas não encontraram nenhum sinal de sonhos perigosos ou promessas quebradas ou esperanças traídas.

Senão na Lua, onde elas podem estar? Talvez ela nas nunca tenham se perdido. Talvez elas estejam escondidas aqui na Terra. Esperando.

Eduardo Galeano e um século de desastres | Portal Fórum

22/08/2014

Veja o que os vira-latas querem trazer dos EUA ao Brasil

Filed under: Isto é EUA!,Racismo,Terrorismo de Estado,Violência — Gilmar Crestani @ 9:08 am
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Degradada, Ferguson é ‘uma Detroit menos devastada’

Cidade onde jovem negro foi morto por policial branco reproduz êxodo e abandono da antiga capital da indústria automobilística

Tensão diminui após onda de protestos, e governo do Missouri anuncia saída gradual de Guarda Nacional

RAUL JUSTE LORESENVIADO ESPECIAL A FERGUSON

O McDonald’s da avenida West Florissant virou um epicentro da cobertura dos distúrbios raciais na pequena Ferguson, Estado do Missouri, onde jornalistas e moradores buscam internet, tomadas, algo de ar-condicionado e refúgio do gás lacrimogêneo da polícia.

Mas ele já era um ponto de encontro de aposentados, crianças e muitos jovens da região, a mais pobre da cidade de 21 mil habitantes. Encontrar frutas ou alimentação saudável nesse deserto alimentar é raridade –os poucos restaurantes bons (e caros) estão a vários quilômetros dali. Sobram restaurantes fast-food e guloseimas por todos os lados.

A obesidade é comum (Michael Brown, 18, morto com seis tiros por um policial no dia 9, tinha 140 kg em 1,93 m), e quase 40% dos jovens negros entre 18 e 29 anos não têm emprego.

O desemprego na grande St. Louis é de 26% entre os negros, 6% entre os brancos.

Todos os ônibus circulando pela cidade avistados pela Folha tinham 100% dos passageiros negros –mas entre um e outro, a espera pode superar 40 minutos.

Como o nível de tensão após a morte de Brown diminuiu, o governo do Missouri anunciou nesta quinta-feira (21) a retirada gradual da Guarda Nacional da cidade.

ÊXODO BRANCO

Com o êxodo dos moradores brancos, altos índices de violência (enquanto eles estão em declínio acentuado no resto do país) e vários "vazios" urbanos, Ferguson e boa parte da região metropolitana de St. Louis lembram uma versão menos devastada de Detroit, a cidade que já foi capital mundial da indústria automobilística e hoje parece em ruínas.

Em 1990, 75% da população de Ferguson era branca; hoje representa apenas 29%. Tudo leva a crer que o êxodo branco vai continuar.

Detroit viu sua população encolher de 2 milhões nos anos 50 para os 700 mil de hoje. Grandes empresas foram para os subúrbios, e áreas centrais ficaram pobres. Após os distúrbios raciais de 1967, com o mesmo trinômio saques-incêndios-repressão policial pesada, a fuga continuou. Hoje, 80% da população de Detroit é negra, e dois terços trabalham nos subúrbios.

St. Louis já foi a quarta maior cidade americana, na virada do século 19 para o 20, abrigou a Olimpíada (e a Feira Universal) de 1904 e foi sede de gigantes como a Anheuser Busch (da cerveja Budweiser). Mas viu sua população encolher de 850 mil em 1950 para os atuais 318 mil (e continua a cair).

Metade é negra e mora no norte da cidade. Brancos e imigrantes (especialmente bósnios, vietnamitas e mexicanos), ao sul. Colonizada por escravocratas do Sul quando os EUA compraram a Louisiana da França, St. Louis teve conjuntos habitacionais separados para negros e brancos até os anos 50.

Quarta cidade mais violenta do país em número de homicídios (Detroit é a segunda), St. Louis viu o êxodo de sua população partir em busca de segurança em seus subúrbios. Ferguson era um típico subúrbio branco até meados dos anos 90.

Politicamente, a maioria negra da cidade não se manifesta ainda. A eleição do prefeito James Knowles, republicano e branco, teve comparecimento de apenas 12% dos eleitores da cidade.

EUA: o Haiti é aí

Nem poderia ser diferente no berço da filosofia nazista. É público e notório que a ideologia da super raça, da superioridade ariana, nasceu nos EUA mas encontrou terreno fértil na loucura visionária de Adolf Hitler. Não é mero acaso também que os EUA seja o berço do fundamentalismo religioso destas igrejas do criacionismo. Por aí se entende a adesão da fundamentalista Marina ao ideário que cai como uma luva nos interesses dos EUA.

O vira-latismo, sempre pronto a prostrar diante dos interesses norte-americanos faz de conta que não vê a falta de democracia na política ianque. E eles estão sempre prontos para fazerem missões humanitárias nas terras onde há petróleo. Chegou a vez da ONU de propor uma missão humanitária para proteger os afrodescendentes norte-americanos.

Uma estranha e amarga fruta americana

Jota A. Botelho

sex, 22/08/2014 – 07:12

Por Jota A. Botelho


Foto: Reuters

Cartoon de Patrick Chappatte no The International New York Times
Os últimos acontecimentos nos Estados Unidos, na cidade de Ferguson/Missouri, com assassinatos de jovens negros pela polícia local reacende o racismo no país. Esses eventos nos remente quase que instantaneamente a Abel Meeropol, que escreveu o poema "Strange Fruit", sob o pseudônimo de Lewis Allan, para expressar seu horror com os linchamentos que ocorriam na América nos anos 30 e 40 e que depois virou canção, cuja primeira gravação se deu com a belíssima voz de Billie Holiday, em 20 de abril de 1939.

Reprodução do Single "Strange Fruit", com Billie Holiday, da Sonet Records/Suécia,
originalmente gravada pela Commodore Records/EUA, em 20 de abril de 1939.

A FOTOGRAFIA QUE POSSIVELMENTE INSPIROU ABEL MEEROPOL


Fotografia de Lawrence Beitler do linchamento de Thomas Shipp e Abram Smith em Marion, Indiana, ocorrido em 7 de agosto de 1930.
REGISTROS DA GRAVAÇÃO


Sessão da Commodore Records de 20 de Abril de 1939, onde Billie Holiday gravou "Strange Fruit" aos 23 anos de idade. Photo: copyright © the Estate of Charles Peterson.

Frank Newton & Café Society Band (Commodore) – Os músicos que participaram da primeira gravação com Billie Holiday em 1939: Frank Newton (trompete), Tab Smith (saxofone alto), Kenneth Hollon e Stanley Payne (saxofone tenor), Sonny White (piano), Jimmy McLin (guitarra, foto acima), John Williams (baixo) e Eddie Dougherty (bateria).
SOBRE A CANÇÃO
“Strange Fruit”  fala dos negros que eram enforcados e dependurados nas árvores, numa época em que o racismo era um dos cancros a manchar a história do povo norte-americano. Logo se tornou uma poética canção de protesto contra a discriminação racial. Na voz de Billie Holiday, a canção adquiriu imensa força expressiva, afetando profundamente todos que a ouviam. Nos anos 30 e 40, os Estados Unidos estava extremamente dividido entre negros e brancos, progressistas e reacionários, no qual Holiday ousou levar o terror dos linchamentos para dentro dos cafés e boates.
A versão em português

Fruta estranha
Autor: Lewis Allan (Abel Meeropol)
Versão: Carlos Rennó

“Árvores do Sul dão uma fruta estranha
Folha ou raiz em sangue se banha
Corpo negro balançando lento
Fruta pendendo de um galho ao vento

Cena pastoril do Sul celebrado
A boca torta e o olho inchado
Cheiro de magnólia chega e passa
De repente o odor de carne em brasa

Eis uma fruta para que o vento sugue
Pra que um corvo puxe, pra que a chuva enrugue
Pra que o sol resseque, pra que o chão degluta
Eis uma estranha e amarga fruta.”

CAPA DO SINGLE GRAVADO POR LADY DAY

Billie Holiday – "Strange Fruit" – Commodore Records, 1939


Capa do The Jazz Museum in Harlem’s Savory Collection com a primeira gravação de "Strange Fruit" por Billie Holiday’. No lado A, a canção "Strange Fruit", e no lado B, a canção "Fine And Mellow", ambas da gravadora Commodore Records, registradas em 20 de abril de 1939.

TRÊS VERSÕES DE STRANGE FRUIT, por Billie Holiday
O Single da Commodore Records, 1939
1- Lado A: Strange Fruit


Lado B: Fine And Mellow

2- Strange Fruit, com a letra original
"Southern trees bear a strange fruit
Blood on the leaves and blood at the root
Black bodies swingin’ in the Southern breeze
Strange fruit hangin’ from the poplar trees

Pastoral scene of the gallant South
The bulging eyes and the twisted mouth
Scent of magnolia, sweet and fresh
Then the sudden smell of burning flesh

Here is the fruit for the crows to pluck
For the rain to gather, for the wind to suck
For the sun to rot, for the tree to drop
Here is a strange and bitter crop".



Billie Holiday: trabalhando no estúdio em NY, 1957.
3- Strange Fruit, 1957

****
SOBRE A CANÇÃO:
# Wikipédia
# Comentários sobre o livro Strange Fruit

Uma estranha e amarga fruta americana | GGN

21/08/2014

Cheiro de podre no ar… e não é dos aviões de carreira…

Os de carreira o Aécio fungou…. Quando mais investigam, mais sujeira aparece. Será por isso que a velha mídia sempre abraça uma ideia desde que ela nasça podre?!

Por enquanto, a melhor biografia já escrita a respeito de Marina Silva.

Marina Silva, George Soros… e mais um suspeito acidente de avião

As eleições presidenciais no Brasil marcadas para outubro estavam sendo dadas como resolvidas, com a reeleição da atual presidenta Dilma Rousseff. Isso, até a morte, num acidente de avião, de um candidato absolutamente sem brilho ou força eleitoral próprios, economista e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Dia 13/8, noticiou-se que o avião que levava Campos – candidato de centro, pró-business, que ocupava o 3º lugar nas pesquisas, atrás até do candidato do partido mais conservador (PSDB), Aécio Neves, também economista e defensor da ‘’austeridade’’ – espatifara-se numa área residencial de Santos, no estado de São Paulo, Brasil. Campos era candidato do Partido Socialista Brasileiro, antigamente da esquerda, mas hoje já completamente convertido em partido pró-business.
Como aconteceu nos partidos trabalhistas da Grã-Bretanha, da Austrália e Nova Zelândia, nos liberais e novos partidos democráticos canadenses, e no Partido Democrata dos EUA, interesses corporativos e sionistas infiltraram-se também no Partido Socialista Brasileiro e o converteram num partido da “Terceira Via”, pró-business e só muito fraudulentamente ainda denominado partido “socialista”.
Já é bem visível que os EUA tentam desestabilizar o Brasil, desde que a Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou correspondência eletrônica e conversações telefônicas da presidenta Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores (PT) e vários de seus ministros, o que levou ao cancelamento de uma visita de estado que Rousseff faria a Washington; e com o Brasil hospedando o presidente russo Vladimir Putin e outros líderes do bloco econômico dos BRICS em recente encontro de cúpula em Fortaleza.

O Departamento de Estado dos EUA e a CIA só fazem procurar pontos frágeis no tecido social do Brasil de Rousseff, para criar aqui as mesmas condições de instabilidade que fomentaram em outros países na América Latina (Venezuela, Equador, Argentina – na Argentina mediante bloqueio de créditos para o país, em operação arquitetada por Paul Singer, capitalista-abutre sionista) – e na Bolívia.
Mas Rousseff, que antagonizou Washington ao anunciar, com outros líderes BRICS em Fortaleza, o estabelecimento de um banco de desenvolvimento dos países BRICS, para concorrer contra o Banco Mundial (controlado por EUA e União Europeia) parecia imbatível nas eleições de reeleição. A atual presidenta era, sem dúvida, candidata ainda imbatível quando, dia 13 de agosto, Campos e quatro de seus conselheiros de campanha, além do piloto e copiloto, embarcaram no avião Cessna 560XL, que cairia em Santos, matando todos a bordo.
A queda do avião empurrou para a cabeça da chapa do PS a candidata que concorria como vice-presidente, Marina Silva. Em 2010, Silva recebeu inesperados 20% dos votos à presidência, como candidata de seu Partido Verde. Esse ano, em vez de concorrer sob a legenda de seu partido, Marina optou por agregar-se à chapa pró-business, mas ainda dita “socialista” de Campos. Hoje, Marina já está sendo apresentada – talvez com certo exagero muito precipitado! – como melhor aposta para derrotar Rousseff nas eleições presidenciais de outubro próximo.
Marina, que é pregadora cristã evangélica em país predominantemente cristão católico romano, também é conhecida por ser muito próxima da infraestrutura da “sociedade civil” global e dos grupos de “oposição controlada” financiados por George Soros, capitalista e operador de hedge fund globais. Conhecida por sua participação nos esforços para proteção da floresta amazônica brasileira, Marina tem sido muito elogiada por grupos do ambientalismo patrocinado pelo Instituto Open Society [Sociedade Aberta], de George Soros. A campanha de Marina, como já se vê, está repleta de palavras-senha da propaganda das organizações de Soros: “sociedade sustentável”, “sociedade do conhecimento” e “diversidade”.

Marina Silva – Olimpíadas de Londres/2010
Marina exibiu-se ao lado da equipe do Brasil na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. O ministro dos Esportes do Brasil, Aldo Rebelo, disse que a exibição de Marina naquela cerimônia havia sido aprovada pela Família Real Britânica, e que ela “sempre teve boas relações com a aristocracia europeia”.

Marina Silva e Marco Feliciano… Parceiros?
Em 1996, Marina recebeu o Prêmio Ambiental Goldman, criado pelo fundador da Empresa Seguradora Goldman, Richard Goldman e sua esposa, Rhoda Goldman, uma das herdeiras da fortuna da empresa de roupas Levi-Strauss.
Em 2010, Marina foi listada, pela revista Foreign Policy, editada por David Rothkopf, do escritório de advogados Kissinger Associates, na lista de “principais pensadores globais”.
O mais provável é que jamais se conheçam todos os detalhes do acidente que matou Campos. Participam hoje das investigações sobre o acidente a National Transportation Safety Board (NTSB) e a Federal Aviation Administration, do governo dos EUA. Membros dessas duas organizações com certeza serão informados do andamento das investigações e passarão tudo que receberem para agentes da CIA estacionados em Brasília, os quais tudo farão para ter o título “Trágico Acidente” estampado no relatório final.
A CIA sempre conseguiu encobrir sua participação em outros acidentes de avião na América Latina que eliminaram opositores do imperialismo norte-americano naquela parte do mundo. Dia 31/7/1981, o presidente Omar Torrijos, do Panamá, morreu quando o avião da Força Aérea panamenha no qual viajava caiu perto de Penonomé, Panamá. Sabe-se que, depois que George H. W. Bush invadiu o Panamá em 1989, os documentos da investigação sobre o acidente, que estavam em posse do governo do general Manuel Noriega foram confiscados por militares norte-americanos e desapareceram.

Super King Air- 200, Beechcraft
Dois meses antes da morte de Torrijos, o presidente Jaime Roldós do Equador, líder populista que se opunha aos EUA, havia também morrido num acidente de avião: seu avião Super King Air (SKA), operado como principal aeronave de transporte oficial pela Força Aérea do Equador, caiu na Montanha Huairapungo na província de Loja. No avião, também viajavam a Primeira-Dama do Equador, e o Ministro da Defesa e esposa. Todos morreram na queda do avião. O avião não tinha Gravador de Dados do Voo, equipamento também chamado de “caixa preta”. A polícia de Zurique, Suíça, que conduziu investigação independente, descobriu que a investigação feita pelo governo do Equador encobria falhas graves. Por exemplo, o relatório do governo do Equador sobre a queda do SKA, não mencionava que os motores do avião estavam desligados quando a aeronave colidiu contra a parede da montanha.

Cessna Citation 560XL
Como o avião de Roldós, o Cessna de Campos também não tinha gravador de dados de voo. Além disso, a Força Aérea Brasileira anunciou que duas horas de conversas gravadas pelo gravador de voz da cabine de voo do Cessna em que viajava Campos não incluem qualquer conversa entre o piloto, copiloto e torre de controle naquele dia 13 de agosto. O gravador de voz da cabine a bordo do fatídico Cessna 560XL foi fabricado por L-3 Communications, Inc.de New York City. Essa empresa L-3 é uma das principais fornecedoras de equipamento de inteligência e espionagem para a Agência de Segurança Nacional dos EUA, a mesma empresa que fornece grande parte das capacidades de escuta de seu cabo submarino, mediante contrato entre a ASN (Agência de Segurança Nacional – NSA em inglês) e a Global Crossing, subsidiária da L-3.
Embora Campos não fosse inimigo dos EUA, sua morte em circunstâncias suspeitas, apenas poucos meses antes da eleição presidencial, substituído, como candidato, por elemento importante na infraestrutura política coordenada por George Soros, cria alguma dificuldade eleitoral para a presidenta Rousseff, que Washington, sem dúvida possível, vê como adversária.

A "pedra no sapato" de Soros, da CIA e dos EUA
Os EUA e Soros pesquisam já há muito tempo várias vias para invadir e desmontar, por dentro, o grupo das nações BRICS. A tentativa de Soros-CIA para pôr na presidência da China um homem como Bo Xilai foi neutralizada, porque os chineses conseguiram capturá-lo e condená-lo por corrupção, antes.
Com Rússia e África do Sul absolutamente inacessíveis para esse tipo de ardil, restam Índia e Brasil, como alvos dos esforços da CIA e de Soros para fazer rachar e desmontar o grupo BRICS. Embora o governo do direitista Narendra Modi na Índia esteja apenas começando, há sinais de que pode vir a ser a cunha de que os EUA precisam para desarticular os BRICS. Por exemplo, a nova Ministra de Relações Exteriores da Índia, Sushma Swaraj, é conhecida como empenhada e muito comprometida aliada de Israel.

Outubro de 2013 – cria-se o "Cavalo de Tróia"
No Brasil, hoje governado por Rousseff, a melhor oportunidade para infiltrar no governo um dos “seus” parece ser, aos olhos da CIA e Soros, a eleição de Marina Silva. Seria como um “Cavalo de Tróia” infiltrado no comando de um dos países do grupo BRICS, em posição para atacar por dentro aquele bloco econômico, mais importante a cada dia.
A queda do avião que matou Eduardo Campos ajudou a empurrar para muito mais perto do Palácio da Alvorada, em Brasília, uma agente-operadora dos grupos financiados por George Soros.

6960 visitas – Fonte: Rede Castor

Marina Silva, George Soros… e mais um suspeito acidente de avião – PlantaoBrasil.com.br

Todas as guerras no Oriente Médio tem a ver com a disputa por Petróleo

Pre-sal (2)Há uma história elucidativa do papel criminoso das cinco irmãs do Petróleo. E aconteceu na Itália. O Ministro da Energia italiano resolveu bater de frente com as companhias de petróleo. O que elas fizeram? Se aliaram à máfia e abateram o Ministro em pleno voo, literalmente: Enrico Mattei. Está lá na Wikipédia, para quem quiser ler. Se puderes ler em italiano, a versão é completa: http://it.wikipedia.org/wiki/Enrico_Mattei.

São as mesmas razões que levam os EUA a finanCIArem golpes na Venezuela, e a se a$$oCIArem ao PSDB para abocanharem o Pré-Sal. A disputa nestas eleições também tem a ver com o destino do Pré-Sal. Não é mero acaso o encontro de FHC e Serra com a Chevron, prometendo que em caso de o PSDB ganhar as eleições a Petrobrás será convertida em Petrobrax e vendida a preço de banana, como fizeram com a Vale do Rio Doce. Para se ter uma idéia, o leilão para exploração de alguns aeroportos, por 20 anos, rendeu mais que a venda da Vale. Depois de 20 anos, os aeroportos retornam. A Vale, não!

Não não enganemos. Onde há petróleo, lá haverá distúrbio e guerra. E sabemos quem finanCIA!

Não falemos do petróleo: um artigo de Robert Fisk

Postado em 19 ago 2014

por : Diario do Centro do Mundo

Publicado no Unisinos.

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Iraq_ISISNo Oriente Médio, os primeiros disparos de cada guerra definem a narrativa que todos seguimos obedientemente. Do mesmo modo, esta grande crise, desde a última grande crise no Iraque. Os cristãos fogem por suas vidas? É preciso salvá-los. Yazidis morrendo de fome nas montanhas? Demos-lhes comida. Islamistas que avançam sobre Erbil? Vamos bombardeá-los. Bombardear seus comboios, “artilharia” e seus combatentes, e bombardear uma, duas até que…

Bom, a primeira pista sobre o prazo de nossa última aventura no Oriente Médio chegou no fim de semana, quando Barack Obama disse ao mundo – na mais encoberta “ampliação da missão” da história recente – que “não acredito que iremos resolver este problema (sic) em semanas, isto levará tempo”. Então, quanto tempo? Pelo menos um mês, obviamente. E talvez seis meses. Ou talvez um ano? Ou mais? Após a Guerra do Golfo de 1991 – ocorreram, na realidade, três desses conflitos nas últimas três décadas e meia, com outro em processo –, os estadunidenses e britânicos impuseram uma zona de “não voo” sobre o sul do Iraque e o Curdistão. E bombardearam as “ameaças” militares que descobriram no Iraque de Saddam para os próximos 12 anos.

Obama assentou as bases – a ameaça de “genocídio”, o “mandato” estadunidense por parte do impotente governo em Bagdá para atacar os inimigos do Iraque – para outra guerra aérea prolongada no Iraque? E caso seja assim, o que o faz – ou nos faz – pensar que os islamistas, ocupados em criar seu califado no Iraque e Síria, irão brincar neste cenário alegre? O presidente dos Estados Unidos, oPentágono e o Comando Central – e, suponho, o infantilmente chamado comitê Cobra britânico – realmente acreditam que o ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante), apesar de sua ideologia medieval, se sentará nas planícies de Nínive para esperar ser destruídos por nossas munições? Não.

Os rapazes do ISIS ou Estado Islâmico ou califado, seja lá como queiram ser chamados, simplesmente desviarão seus ataques para outras partes. Se o caminho para Erbil está fechado, irão tomar o caminho de Alepo ou Damasco, que os estadunidenses e os britânicos estarão menos dispostos a bombardear ou defender, porque isso significaria ajudar o regime de Bashar al Assad da Síria, a quem devemos odiar quase tanto como ao Estado Islâmico. No entanto, se os islamistas procurarem capturar Alepo, sitiar Damasco e empurrar para o outro lado da fronteira libanesa – a cidade mediterrânea de maioria sunita de Trípoli parece um objetivo chave –, seremos obrigados a ampliar nosso precioso “mandato” para incluir mais dois países, entre outras coisas porque bombardeariam a nação ainda mais merecedora de nosso amor e proteção que o Curdistão: Israel. Alguém pensou nisso?

E depois, é claro, está o inominável. Quando “nós” libertamos o Kuwait, em 1991, todos nós tínhamos que recitar – uma, duas vezes – que esta guerra não era pelo petróleo. E quando “nós” invadimos o Iraque, em 2003, novamente tivemos que repetir, até a saciedade, que este ato de agressão não era pelo petróleo – como se os marinheiros estadunidenses tivessem sido enviados à Mesopotâmia, cuja principal exportação eram os espargos.

E agora, enquanto protegemos a nossos queridos ocidentais em Erbil, socorremos aos yazidis nas montanhas do Curdistão e lamentamos as dezenas de milhares de cristãos que fogem das maldades do ISIS, não devemos – não fazemos isso e não faremos – mencionar o petróleo. Pergunto-me por que não. Não é, por acaso, importante – ou simplesmente um pouco relevante – que o Curdistão represente 43,7 bilhões de barris dos 143 bilhões de reservas do Iraque, assim como 25,5 bilhões de barris de reservas comprovadas e de três até seis trilhões de metros cúbicos de gás? Conglomerados de petróleo e gás globais surgiram em massa no Curdistão – daí, os milhões de ocidentais que vivem em Erbil, ainda que sua presença seja, em grande medida, inexplicável –, para investir mais de 10 bilhões de dólares.

Mobil, Chevron, Exxon e Total estão no local – e não permitiremos que o ISIS se meta com empresas como estas – em que os operadores de petróleo se caracterizam por concentrar 20% de todos os lucros.

De fato, relatórios recentes sugerem que a produção atual de petróleo curdo de 200.000 barris por dia chegará a 250.000, nos próximos anos – a disposição dos garotos do califado se mantém na linha, é claro –, o que significa, de acordo com a agência Reuters, que se o Curdistão iraquiano fosse um país real e não apenas um pedaço do Iraque, estaria entre os 10 países ricos em petróleo mais importantes do mundo. O que, sem dúvida, vale a pena defender. Porém, alguém mencionou isto? Algum repórter da Casa Branca incomodou Obama com apenas uma pergunta sobre este fato destacável?

Claro, nós sentimos pelos cristãos do Iraque – ainda que nos importassem bem pouco, quando sua perseguição começou após a nossa invasão de 2003 -. E devemos proteger as minorias dos yazidis, como prometemos – mas, falhamos –.  Proteger ao 1,5 milhão de cristãos armênios de seus assassinos muçulmanos, na mesma região há 99 anos. Porém, não esqueçamos que os mestres do novo califado do Oriente Médio não são tontos. Os limites de sua guerra se estendem muito além de nossos “mandatos” militares. E eles sabem – ainda que não o admitamos – que nosso verdadeiro mandato inclui essa palavra indizível: petróleo.

Diário do Centro do Mundo » Não falemos do petróleo: um artigo de Robert Fisk

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