Ficha Corrida

26/07/2016

Teoria da DependênCIA, de FHC & CIA

FHC & ClintonCom nojo dos nossos grupos mafiomidiáticos, vejo  todos os dias a RAI, Rede Internacional de Televisão Italiana. É uma espécie de fuga, confesso, e de saúde mental, gostaria de crer. Não perco os episódios “Un giorno nella Storia”. Hoje, por exemplo, falava de Vitaliano Brancati, um escritor siciliano que flertou com o início do fascismo mas que cedo renegou-o. Não é a todos que é dado a capacidade de identificar o ovo da serpente. Alguns só se dão conta depois de serem picados.

Poucos descobriram em FHC um agente dos interesses norte-americanos. Menos ainda foram os que denunCIAram seu trabalho de quinta coluna. Eleito e tendo feito das tripas  coração para destruir, com o PDV e a privataria, pouco se associou seus antecedentes teóricos com a prática no executivo.

Afinal, será que é tão difícil assim entender que a Teoria da Dependência é seu tributo aos seus finanCIAdores ideológicos. Se eu disser que só serei independente se depender de meu pai, dirão que sou louco, mas essa tem sido o projto de vida de FHC: o Brasil só se tornará um país independente se submeter aos EUA. FHC acredita que é melhor viver de migalhas, embaixo da mesa, do que tentar participar do banquete. Nunca uma personagem da história do Brasil encarnou tão bem o Complexo de Vira-Lata. Quando teve a oportunidade, FHC pôs em prática sua teoria, de subserviente. O modelo fracassou de público e crítica.

A eleição de Lula foi um giro de 180º. Pegou um time desacreditado em si e transformou em campeão da transformação social. Não só em termos econômicos, mas na esperança de chegar à universidade, de ter acesso aos serviços públicos, como saúde, mas, sua primeira iniciativa foi atuar para que os miseráveis pudessem fazer pelo menos 3 refeições por dia. Nem precisa dizer que sofreu todo tipo de boicote e ódio. Basta citar apenas dois episódios emblemáticos: Danusa Leão, musa da plutocracia, manifestando sua inconformidade com o fato de ter de dividir aeroportos internacionais com filhos de empregadas domésticas. O segundo exemplo foi dado por um funcionário da RBS, Luis Carlos Prates, representante máximo da cleptocracia midiática, que se mostrou inconformado com o fato de que, nos governos petistas, “qualquer miserável agora pode ter um carro”. 

As cinco famílias que dominam os tradicionais meios de comunicação (Civita, Frias, Mesquita, Marinho & Sirotsky) atuam como caranguejos no balde: quando um pobre caranguejo está buscando sair do balde, os outros o puxam pelas pernas. Bastou o Brasil respirar um pouco de democracia para que a plutocracia se insurgisse e construísse esse golpe paraguaio. Um golpe que coloca no comando da nação um exemplo clássico de quadrilha a serviço. Minam as esperanças e entregam o patrimônio, arduamente construído por todos os brasileiros,aos moldes dos antigos sátrapas persas.

E tudo isso se tornou possível, inclusive o golpe em curso, graças ao amestramento da manada de midiota que tem na Rede Globo sua égua madrinha. Tanto é assim que hoje a justiça já não é mais aquela ditada pelo STF, mas pelo Merval Pereira, o porta-boss da elite cleptocrata.

A vocação suicida da elite. Por Eleonora de Lucena

Por Fernando Brito · 26/07/2016

A natureza colonial de nossa elite, antes de significar a adesão à metrópole, implica a renúncia à ideia de ter um destino próprio. Ela  não se vê e não se quer como parte – privilegiada que seja – de uma nação, para o que é necessário compreender pertencer a um povo.

Num rabisco sociológico, não tem sentimentos de pertença – de ligação natural, de mesmo heterogênea, fazer parte de uma coletividade nacional. O prior, ainda seguindo este esboço, é que esta elite serve como referência para um grupo imensamente – e ponha imensamente num país com o grau de urbanização e o tamanho do Brasil – que a elas imita, porque a ele quer e crê pertencer.

Duro, mas preciso, o artigo da jornalista Eleonora de Lucena, na Folha de hoje, é um retrato agudo do comportamento desta elite, que não é apenas suicida, porque mata, ou tenta matar ao longo da história, a vocação do Brasil para ser uma das grandes – e certamente a de mais “biodiversidade” humana – nações deste planeta.

Escracho

Eleonora de Lucena*, na Folha

A elite brasileira está dando um tiro no pé. Embarca na canoa do retrocesso social, dá as mãos a grupos fossilizados de oligarquias regionais, submete-se a interesses externos, abandona qualquer esboço de projeto para o país.

Não é a primeira vez. No século 19, ficou atolada na escravidão, adiando avanços. No século 20, tentou uma contrarrevolução, em 1932, para deter Getúlio Vargas. Derrotada, percebeu mais tarde que havia ganho com as políticas nacionais que impulsionaram a industrialização.

Mesmo assim, articulou golpes. Embalada pela Guerra Fria, aliou-se a estrangeiros, parcelas de militares e a uma classe média mergulhada no obscurantismo. Curtiu o desenvolvimentismo dos militares. Depois, quando o modelo ruiu, entendeu que democracia e inclusão social geram lucros.

Em vários momentos, conseguiu vislumbrar as vantagens de atuar num país com dinamismo e mercado interno vigoroso. Roberto Simonsen foi o expoente de uma era em que a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) não se apequenava.

Os últimos anos de crescimento e ascensão social mostraram ser possível ganhar quando os pobres entram em cena e o país flerta com o desenvolvimento. Foram tempos de grande rentabilidade. A política de juros altos, excrescência mundial, manteve as benesses do rentismo.

Quando, em 2012, foi feito um ensaio tímido para mexer nisso, houve gritaria. O grupo dos beneficiários da bolsa juros partiu para o ataque. O Planalto recuou e se rendeu à lógica do mercado financeiro.

Foi a senha para os defensores do neoliberalismo, aqui e lá fora, reorganizarem forças para preparar a reocupação do território. Encontraram a esquerda dividida, acomodada e na defensiva por causa dos escândalos. Apesar disso, a direita perdeu de novo no voto.

Conseguiu, todavia, atrair o centro, catalisando o medo que a recessão espalhou pela sociedade. Quando a maré virou, pelos erros do governo e pela persistência de oito anos da crise capitalista, os empresários pularam do barco governista, que os acolhera com subsídios, incentivos, desonerações. Os que poderiam ficar foram alvos da sanha curitibana. Acuada, nenhuma voz burguesa defendeu o governo.

O impeachment trouxe a galope e sem filtro a velha pauta ultraconservadora e entreguista, perseguida nos anos FHC e derrotada nas últimas quatro eleições. Privatizações, cortes profundos em educação e saúde, desmanche de conquistas trabalhistas, ataque a direitos.

O objetivo é elevar a extração de mais valia, esmagar os pobres, derrubar empresas nacionais, extinguir ideias de independência. Em suma, transferir riqueza da sociedade para poucos, numa regressão fulminante. Previdência, Petrobras, SUS, tudo é implodido com a conversa de que não há dinheiro. Para os juros, contudo, sempre há.

Com instituições esfarrapadas, o Brasil está à beira do abismo. O empresariado parece não perceber que a destruição do país é prejudicial a ele mesmo. Sem líderes, deixa-se levar pela miragem da lógica mundial financista e imediatista, que detesta a democracia.

Amargando uma derrota histórica, a esquerda precisa se reinventar, superar divisões, construir um projeto nacional e encontrar liderança à altura do momento.

A novidade vem da energia das ruas, das ocupações, dos gritos de “Fora, Temer!”. Não vai ser um passeio a retirada de direitos e de perspectiva de futuro. Milhões saborearam um naco de vida melhor. Nem a “teologia da prosperidade” talvez segure o rojão. A velha luta de classes está escrachada nas esquinas.

*Eleonora de Lucena é repórter especial da Folha e foi Editora-executiva do jornal de 2000 a 2010

A vocação suicida da elite. Por Eleonora de Lucena – TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

22/02/2016

Teoria da dependência

OBScena: Don Corleone e il capo di tutti i capi

FHC & MarinhoE assim fica demonstrada e provada a teoria da dependência vendida por FHC e comprada por beócios de todos os naipes. A independência de FHC, e não é só na teoria, depende da Brasif, da Miriam Dutra, do Fernando Lemos, do Rodrigo de Grandis, da RBS, da Folha, do Estadão, do Instituto Millenium, da Globo, do Merval Pereira, do Noblat, e da ignorância dos midiotas.

O que deu errado no crime perfeito da dupla FHC e Globo. Por Paulo Nogueira

por Paulo Nogueira 21 de fevereiro de 2016

Roberto Marinho celebra um feito do companheiro FHC

FHC e a Globo cometeram um crime quase perfeito.

Tiraram Mírian Dutra de cena numa operação ganha-ganha. FHC ganhou a presidência. A Globo ganhou o controle sobre um presidente que reinou oito anos.

Alguém pode imaginar o que significa esse controle? Num país cujas verbas publicitárias federais são brutalmente altas, é a garantia de dinheiro fácil e farto para uma emissora.

E o acesso ao dinheiro do BNDES? Um presidente nas mãos da Globo abriria os cofres do BNDES. Mírian tocou nisso em sua entrevista ao DCM. É repulsiva a foto na qual FHC e Roberto Marinho estão abraçados na inauguração de uma supergráfica do Globo financiada pelo BNDES, no final dos anos 90.

A descarada confraternização mostrava que as duas partes estavam certas de que o crime era perfeito.

E foi – até aparecer uma coisa chamada internet.

A internet rompeu o monopólio da mídia nas informações que chegam aos brasileiros.

Não fosse isso, Mírian não teria como publicar sua história. Bater na Folha? Esqueça. Na Veja? Conte outra piada. No Estadão? Hahaha.

Mas a barreira do silêncio não vigora na internet. E uma modesta revista digital, a Brazil com Z, se incumbiu de dar voz a Mírian.

Era tão forte o que ela tinha a dizer que a mídia foi obrigada a correr atrás – com vergonhoso atraso.

O pretexto usado por mais de vinte anos para não tocar no assunto era o triunfo da hipocrisia: era uma “questão privada”.

Ora, era privada apenas porque ninguém investigou o assunto.

Quem acredita que um pacto entre um presidente e a Globo é questão privada acredita em tudo, para usar a celebrada frase de Wellington.

A Globo protegeria FHC por simpatia e amizade?

Ora, ora, ora.

A Globo vendeu caro seu apoio aos militares em plena ditadura. Num livro com os documentos de Geisel, Roberto Marinho surge a certa altura cobrando novas concessões da ditadura com o argumento de que era seu “melhor amigo” na imprensa.

No livro o que se vê é um Roberto Marinho paranoico, para o qual uma empresa que não cresce logo declina.

Se com os generais foi assim, como terá sido com um presidente fraco?

FHC viveu o bastante – 83 anos agora – para ver a lama enfim emergir e lhe roubar a possibilidade de continuar a posar como um moralista perante brasileiros ingênuos e desinformados.

Quanto à Globo, o caso mostra quanto é ruim para uma empresa ser mimada com privilégios e vantagens infames.

A Globo jamais teve que ser competente. Caiu tudo para ela no colo.

Fosse competente, continuaria a pagar o mensalão de Mírian Dutra até o final de sua vida.

É monstruoso o preço da economia de custo que algum burocrata da Globo vislumbrou com a supressão do salário de Mírian.

A Globo é uma história de muita esperteza e pouca inteligência.

Mas, como diz o provérbio, a esperteza quando é demais come o dono.

Neste caso, comeu não só a Globo como FHC.

Roberto Marinho celebra um feito do companheiro FHC

Roberto Marinho celebra um feito do companheiro FHC

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-que-deu-errado-no-crime-perfeito-da-dupla-fhc-e-globo-por-paulo-nogueira/

30/05/2013

Se é bom para os EUA, é péssimo para o Brasil

Filed under: Isto é EUA!,Isto é PSDB!,Teoria da Dependência — Gilmar Crestani @ 11:05 am
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O governo dos EUA eliminou os intermediários. Depois que morreram Roberto Civita e Ruy Mesquita, e com a perda total de credibilidade de FHC, os EUA resolveram mandar o Vice para ver se o Brasil volta a ser quintal. Querem por que querem o Brasil volte adotar a Teoria da Dependência.Sem saudades dos tempos em que nossos ventríloquos faziam a alegria de Washington, pois sequer reclamavam de terem de tirar os sapatos para entrar na Casa Grande. Fossem acreditar nos colunistas do PSDB, teriam ficado em casa,pois o Brasil a se acreditar nos grupos mafiomidiáticos, está fundo do poço. Ao facilitarem os vistos os EUA estão mirando na venda de quinquilharias em lojas de Miami para nossos desempregados…

Brasil não é mais emergente, afirma Biden

Em visita ao Rio, vice dos EUA diz que brasileiros já se desenvolveram e fala em ‘nova era’ nas relações bilaterais

Para número 2 da Casa Branca, país provou não ser preciso escolher entre política social e economia de mercado

DENISE LUNAFÁBIO SEIXASDO RIO

O primeiro dia da visita de Joe Biden ao Brasil foi de exaltação à liderança regional do país e de sugestões para uma atuação ainda mais global–embora reconheça a ascensão internacional brasileira.

Além disso, o vice americano defendeu o estreitamento das relações comerciais e acenou para a facilitação de vistos de entrada nos EUA.

"O Brasil não é mais um país emergente. O Brasil emergiu, o mundo todo já notou", disse o vice, em pronunciamento para cerca de 500 pessoas no Píer Mauá (zona portuária do Rio). Foi seu primeiro evento público no país.

Disse que Barack Obama e ele creem no início de "uma nova era" nas relações dos EUA com as Américas Central e do Sul. "E nenhum parceiro é mais significativo nessa iniciativa do que o Brasil."

Por isso, argumentou, a presidente Dilma Rousseff foi convidada para se reunir com Obama em outubro: "Será a única visita de Estado a Washington em todo o ano".

Biden elogiou programas como Fome Zero e Bolsa Família, afirmando que o mundo vê o Brasil com inveja. "Vocês mostraram que não há a necessidade de escolher entre democracia e desenvolvimento, entre economia de mercado e política social."

E citou quatro pontos em que Brasil e EUA deveriam trabalhar mais próximos.

Começou com as relações econômicas, mencionando as colaborações entre Boeing e Embraer. "Os negócio entre os dois países ultrapassam US$ 100 bilhões por ano. Não há razão para que não cheguem a US$ 400 bilhões ou US$ 500 bilhões", declarou.

Falou ainda sobre a questão da energia. "Vocês são líderes mundiais em biocombustíveis, e estamos aprendendo com vocês", afirmou.

Elogiou a liderança do país na América do Sul, mas sugeriu que o Brasil participe mais de questões mundiais.

Por fim, tocou na questão dos vistos, destacando os esforços dos EUA para tornar mais rápidas as emissões das permissões de entrada para turismo, negócios e estudos.

À tarde, Biden também teve encontro fechado com a presidente da Petrobras, Graça Foster, e depois com empresários brasileiros, como Jorge Gerdau e Eunice Carvalho (Chevron), entre outros.

Ele reforçou o interesse dos EUA em intensificar parcerias entre empresas brasileiras e americanas em todas as áreas da economia, "além da energia e do aço", mas não tratou de nenhum tema específico.

"Podemos ir muito além na nossa cooperação. O Brasil é uma das nações mais poderosas do mundo, na frente de Índia, na frente da Rússia", disse Biden após a reunião.

Hoje, ele se reunirá com autoridades do setor de segurança e, ao lado da mulher, Jill Biden, irá ao morro Dona Marta. À noite, embarca para Brasília, onde terá encontro com Dilma amanhã.

26/05/2013

Agnelli traduz na prática a Teoria da Dependência de FHC

Filed under: Complexo de Vira-Lata,FHC,Roger Agnelli,Teoria da Dependência — Gilmar Crestani @ 10:32 pm
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Veja o que Agnelli, ex-Vale, tirou dos brasileiros

26 de Maio de 2013 | 14:04

O que Roger Agnelli, o queridinho de nossos analistas econômicos, tirou do nosso país quando encomendou na China e na Coreia a frota de supergraneleiros – aliás, um “mico” naval, que quase provoca um desastre em São Luiz – para a Vale?

Para saber é só ler a reportagem sobre o que está acontecendo na cidade capixaba de Aracruz – “Estaleiro ultrapassa papel em Aracruz”-, publicada hoje pela Folha.

Na cidade que só era conhecida pelas suas medonhas megaplantações de eucalipto para celulose, os coreanos da Jurong estão investindo R$ 1 bilhão para construir ali um estaleiro que vai produzir sete navios sonda – como o da foto – para a Petrobras usar no pré-sal, com capacidade para perfurar em águas profundíssimas, abaixo de três mil metros de lâmina d`água. Vai gerar seis mil empregos, a maioria qualificados,  e de ótimos salários numa cidade que tinha, pelo censo de 2010, 35 mil pessoas em idade ativa. Ou seja, quase 20% de todos os que têm idade para trabalhar.

Os navios de Agnelli só fizeram isso pelos chineses e pelos coreanos, com o dinheiro dos brasileiros.

Inclusive dos poucos impostos que pagava, percentualmente uma mixaria perto de outras empresas.

Mas era o “competente”, a alegria dos acionistas, da Mirian Leitão e da mídia em geral, que criticava e critica a decisão da Petrobras de fazer o máximo de encomendas aqui no Brasil, mesmo que isso tenha mais dificuldades e desafios.

Vai demorar um pouco mais e custar um pouco mais? Pode até ser, mas é salário para brasileiros, indústria para o país, progresso para o Brasil.

E os navios de Agnelli? Bem, eles só não viraram elefantes brancos porque não são brancos, porque estão é trazendo prejuízos para a empresa, pela falta de planejamento com que sua construção foi ordenada.

E muito mais para o Brasil, porque este crime não tem mais reparação.

Veja o que Agnelli, ex-Vale, tirou dos brasileiros | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

25/05/2013

Aula magna sobre blocos e interesses regionais

Filed under: Blocos Regionais,Isto é EUA!,Teoria da Dependência — Gilmar Crestani @ 9:52 pm
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O BRASIL E O PACÍFICO

(JB)-Não foi uma caminhada fácil, nem se iniciou ontem, mas o Brasil deixou para trás a situação acanhada, quando, de tempos em tempos, nossos ministros da Fazenda viajavam aos Estados Unidos, de chapéu na mão. A dívida externa nacional, sempre acumulada, pelos juros brutais, tinha que ser “rolada” de maneira humilhante. Os que procuraram escapar ao “contrato de Fausto com o diabo”, conforme Severo Gomes, sofreram a articulação golpista comandada de fora, como ocorreu a Vargas, a Juscelino e a João Goulart.    

Livramo-nos, durante o governo Lula, do constrangimento de abrir a contabilidade nacional aos guarda-livros do FMI, que vinham periodicamente ao Brasil dizer como devíamos agir, em relação à política fiscal ou na direção dos parcos investimentos do Estado. Ainda temos débitos com o exterior, mas as nossas reservas cobrem, com muita folga, os  compromissos externos.

Não obstante isso, os nossos adversários históricos não descansam. Ontem, na cidade colombiana de Cali, os governos do México, do Chile, da Colômbia e do Peru se reuniram para mais um passo na criação da Aliança do Pacífico — sob a liderança dos Estados Unidos e da Espanha — claramente oposta ao Mercosul. O Tratado que reúne, hoje, o Brasil, a Argentina, a Venezuela e o Uruguai — e que deverá ampliar-se ao Paraguai e à Bolívia — representa poderoso mercado interno, com um dinamismo que assegurará desenvolvimento autônomo e relações de igualdade com outras regiões do mundo.

Os norte-americanos, em sua política latino-americana, agem sempre dentro do velho princípio, que Ted Roosevelt atribuía aos africanos, de falar mansinho, mas levar um porrete grande. Ainda agora, preparam uma recepção de alto nível para a chefe de Estado do Brasil, que visitará Washington, em outubro — e será recebida com todas as homenagens diplomáticas. Ao mesmo tempo montam o esquema de cerco continental ao nosso país.

Sendo assim, foi importante a visita que fez anteontem a Washington o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, a convite do Instituto do Brasil, do Centro Woodrow Wilson, e do US Businness Council. O parlamentar, exibindo números bem conhecidos em Washington, mostrou que o Brasil deixou de ser país em desenvolvimento, para tornar-se uma potência consolidada. Ele argumentou que o Brasil é investidor importante na economia norte-americana, e, embora não o tenha feito, poderia lembrar que somos o país que tem o terceiro maior crédito junto ao Tesouro dos Estados Unidos.

Os espanhóis que, em troca do tratamento privilegiado que lhes damos no Brasil, tratam de nos prejudicar, estão exultando com a Aliança do Pacífico. No entender de seus analistas, a nova organização vai sufocar o Mercosul. Ainda que alguns de nossos parceiros estejam encontrando dificuldades ocasionais, a pujança conjunta supera, de longe, a economia dos países da Aliança. A economia mexicana depende de empresas norte-americanas, que se aproveitam de seus baixos salários e outras vantagens para ali montar seus automóveis e “maquiar” outros produtos.

A força da economia brasileira, na indústria de porte — em que se destaca a engenharia de excelência na construção pesada — reduz a quase nada a importância dos países litorâneos do Pacífico, em sua realidade interna. Os Estados Unidos os querem no Nafta, e é provável que consigam esse estatuto de vassalagem. Nós, no entanto, não podemos deixar os nossos vizinhos da América do Sul isolados, em troca de uma parceria com Washington que de nada nos serve.

É hora também de dar um chega pra lá com a Espanha de Juan Carlos, Rajoy e Emilio Botin, o atrevido presidente do Banco Santander, que consegue ser recebido no Planalto com mais frequência do que alguns ministros de Estado. O Brasil deve manter as melhores relações diplomáticas com os Estados Unidos, desde que as vantagens sejam recíprocas. Mas se, ao contrário deles, não levarmos o big steak, estaremos advertidos de que “os Estados Unidos não têm amigos: os Estados Unidos têm interesses”, conforme a frase atribuída a  Sumner Welles e repetida depois por Kissinger.

Mauro Santayana: O BRASIL E O PACÍFICO

01/01/2013

Fugindo da dependência

Filed under: Teoria da Dependência,Theotonio dos Santos — Gilmar Crestani @ 9:53 am

Enquanto um dos formuladores se reformula, o outro, a apropriador da teoria, o príncipe dos pilantras, continua achando que devemos tirar os sapatos para entrar nos EUA. Nem a égua madrinha nem a manada de leitores da Veja se deram conta do papelão em que se meteram.

Tapa cash CONTACTO: economia@pagina12.com.ar

“No tenemos…”

Por Natalia Aruguete

Economista y politólogo brasileño, Theotonio dos Santos fue uno de los principales formuladores de la teoría de la dependencia en América latina, durante las décadas del 60 y 70. Y hoy es uno de los máximos exponentes de la Teoría del Sistema Mundial. Este profesor emérito de la Universidad Federal Fluminense y presidente y coordinador del UNU-Unesco Red de Economía Global y Desarrollo Sustentable (Reggen), visitó Buenos Aires invitado por el Cemop. En esa oportunidad, Cash se reunió con Dos Santos para conocer su balance y perspectiva de la teoría de la dependencia y conocer su propuesta de fortalecimiento de la estrategia regional, que permitirá aprovechar las oportunidades que brinda para Sudamérica el “gran potencial” del actual contexto mundial.

¿Cree que en esta coyuntura se abren oportunidades para la región?

–En este momento nosotros tenemos un superávit comercial bastante elevado a partir de la ampliación de la demanda mundial de productos primarios, sobre todo por la expansión de China. India también empieza a ser un nuevo demandante importante. En los próximos 10 o 15 años, India y China continuarán en expansión, mientras que nosotros seguiremos siendo, teóricamente, los productores principales de materias primas para el mercado mundial. Tenemos reservas muy importantes, incluso en petróleo. Si contamos el descubrimiento del yacimiento en Brasil y Venezuela, que tiene el Orinoco, entre ambos reúnen tal vez la mayor reserva petrolífera del mundo. Y claro que Argentina también entra. El contexto mundial es un potencial muy grande.

¿Qué estrategias regionales se deberían implementar para aprovecharlo?

–Tenemos condiciones para actuar regionalmente y negociar a nivel mundial la adjudicación de esas reservas. Para eso debemos generar grandes estructuras negociadoras regionales; no tenemos que negociar como países aislados. Esto es interesante para los chinos.

¿Por qué?

–Para ellos es mejor negociar regionalmente que con países separados. Es una cuestión de poder. Un país que negocie separado con China puede ser obligado a parar sus acuerdos por efecto de intervención latinoamericana o europea. Hasta el momento, Estados Unidos no tuvo condiciones de impedir aproximaciones chinas. Lo ha intentado en el caso de Venezuela, pero no tuvo cómo impedir que ese país desarrollara acuerdos muy importantes con China. El principal cliente de Brasil es China.

¿Por qué cree que Estados Unidos no está logrando impedir el avance chino?

–Es un momento muy difícil para Estados Unidos, aunque no bien pueda recuperar su capacidad de presión –y si la región no llegara a estar potencializada como lo está– la capacidad de negociación de China con cada país podría reducirse mucho. Es por eso que ellos tienen mucho interés de reforzar la negociación regional. Además, los chinos manejan escalas muy grandes y el Estado es quien toma las grandes decisiones e impulsa las negociaciones. Entonces, la negociación con empresas para China es muy penosa.

¿Es penosa, además, por una concepción ideológica?

–Ideológicamente, sí. Pero también prácticamente, porque refuerza sectores sociales o de empresas que frente a los poderes del Estado son pequeños. El interés de China es reforzar su capacidad de negociación en escalas lo más grandes posibles. América latina está muy dividida aún, incluso dentro de cada país, y hay conexiones con China que las hacen empresarios en forma independiente. A ellos, eso no les interesa porque no está a la altura de su condición. Los chinos prefieren acuerdos regionales con Unasur, por ejemplo.

¿En qué se diferencian las estrategias china y norteamericana en su vínculo con América latina?

–Sucede que, pese a que el Estado norteamericano es tan poderoso y tiene una intervención grande en América latina, los grandes esquemas de negociación los manejan las empresas. La negociación regional no es un estilo propio de los norteamericanos, pero quizás, en la medida en que China avance a una escala más grande, los obligará también a buscar algún tipo de control interno del Estado. Europa también está buscando generar estas negociaciones colectivas, pero todavía subsisten intereses históricos muy grandes.

Además de los comerciales, ¿cuáles son los otros intereses que tienen los Estados Unidos en América latina y qué estrategias despliegan para alcanzarlos?

–En relación con los recursos naturales, Estados Unidos considera a América latina una región muy importante. Gran parte de los recursos están acá, y para ellos, la gestión de esos recursos es un problema de seguridad nacional. La concepción estratégica americana es muy agresiva, como lo ha sido históricamente. No sé si se volverán más realistas con el tiempo, cuando vean que no van a poder ejercer este poder tan colosal que creen tener.

¿En verdad no lo tienen?

–Desde el punto de vista militar, piensan que aún pueden llenar América latina de fortificaciones norteamericanas, cuando en Asia ya quedó demostrado que ellos no tienen condiciones para mantenerlo. Ya lo está demostrando en Europa: en dos o tres años, Estados Unidos retirará todas sus tropas de Europa. Lo más urgente es Medio Oriente, donde ya tienen que sacar sus tropas porque no tienen condiciones militares, ni económicas, ni financieras para mantenerlas. Se inaugura así un campo de intervención directa en América latina, que viene disfrazada de ayuda y acción social, pero la verdad es que están poniendo tropas para un futuro. La base de apoyo para tropas es muy alta, los soldados son profesionales, no hay más reclutas, y cada uno de ellos requiere de una aparatología tecnológica propia. Para las empresas americanas es muy bueno poder producir eso, pero no lo es para el Estado tener que financiarlo con el grado de deuda que tiene en este momento. A mí me parece que se están tomando decisiones subestimando la decadencia de Estados Unidos.

¿Cuál es la reacción de la región?

–Yo creo que la reacción se da más por el lado de los militares que de los gobiernos. No sé si el gobierno colombiano, por ejemplo, es favorable a un cambio de política sobre la cuestión de la paz. Las fuerzas armadas colombianas están sometidas a presiones de corrupción; el mismo problema lo tienen las fuerzas armadas mexicanas, que se están convirtiendo en un grupo que vive de la corrupción.

¿Cree que la estrategia de integración está permitiendo enfrentar los efectos de la crisis en América latina? ¿Qué nivel de institucionalidad se está logrando en ese terreno?

–Las instituciones que se están conformando (en la región) son nuevas y no tienen apoyo suficiente. El apoyo es aún inicial. No se ha podido dar el salto hacia una gestión regional. Nosotros necesitamos de ese salto porque eso consagraría nuestra capacidad de utilización de nuestro poder principal, que son los recursos naturales, para poder convertir los excedentes financieros que hoy tenemos en reservas. Tenemos que transformar esas reservas en medios de inversión, en grandes políticas. Primero, de infraestructura en la región para que pueda articularse y desarrollarse. Segundo, de desarrollo científico, tecnológico y educacional, que es uno de nuestros puntos más frágiles. La región tiene un rol muy importante en una nueva etapa de desarrollo científico y tecnológico.

¿Por qué?

–Por la biodiversidad de la que disponemos. Esa biodiversidad es una base material para el desarrollo científico de la biotecnología que va a ser la base de un nuevo patrón tecnológico en los próximos 20 o 30 años, con una dimensión regional extremadamente fuerte. No se trata simplemente de la gran diversidad natural que tenemos, sino de que esa diversidad ha sido objeto de un conocimiento milenario. Nosotros teníamos 60 u 80 millones de habitantes cuando llegó la invasión europea; todos eran alimentados, estaban comercialmente estructurados, con caminos quizá más completos que los que tenemos hoy, y tenían un desarrollo del conocimiento ambiental que podemos llamar científico. Ese conocimiento permitió que introdujéramos, en la economía mundial, gran parte de la dieta contemporánea. Los europeos, por ejemplo, comen lo que los indígenas descubrieron acá.

Además de lo deseable, ¿cree que Sudamérica está logrando crear una estrategia regional, aunque ésta requiera un tiempo de madurez?

–Tuvimos un Estado con un desarrollo interesante en los años ’30, ’40 y ’50, pero eso entró en crisis con los golpes de Estado. Hemos reducido nuestros estados gravemente desde los años ’90 y desde el 2000 se empezaron a reestructurar. Lo que ocurre es que la base material de ese Estado, la base política de ese Estado, tenía un desarrollo insuficiente de su base democrática. Pero hay una emergencia de subjetividad de las fuerzas sociales que no participaban de las decisiones y que están desarrollando sus propias concepciones. Venezuela está haciendo un esfuerzo muy grande en el desarrollo de las comunidades y el intento de articular las comunidades con el Estado. Pero la única elección que perdió Hugo Chávez fue en el cambio institucional donde se transfería parte del poder del Parlamento hacia las comunidades. En Chile se desarrolló una gran masa popular, una estructura de dirección de empresa con los trabajadores muy fuerte, con un cierto grado de relación entre ellos con los cordones industriales. Pero la articulación de eso con el Estado fue un proceso complejo, y muchos sectores –aun de la izquierda– consideraban que era peligroso desplazar el poder a esta masa. Es tiempo de una relación con masas humanas que tienen que expresarse, organizarse y actuar colectivamente y absorber estas individualidades.

¿En qué medida el nuevo aprovechamiento de oportunidades, que mencionó al comienzo, evidencia una profundización del perfil exportador en una coyuntura que describe como favorable para nuestra región? ¿Eso ayuda u obstaculiza un cambio de nuestro destino?

–El desarrollo es de ciertos sectores sociales; el resto de la población no participa. Además, esto está ligado al ciclo limitado de utilización de las materias primas, que se agotan y dejan rastros terribles. Chile ha vivido grandes ciclos de producción de productos que luego han caído y tiene regiones enteras abandonadas. Si rehaces la historia (de la región) e intentas darle a eso un contenido modernizador fuerte y llamar a toda la revolución como lucha contra eso, en el fondo es un intento de retraso con unos obreros que aceptan disciplinas y formas de organización muy inferiores respecto de épocas anteriores. En Argentina también el peronismo ha sido atacado por un pensamiento liberal que lo tildaba de ser una expresión de algo muy atrasado. El neoliberalismo presenta este mundo como la expresión de la modernidad que no contiene barrios de masa, pobreza. Es una lucha metodológica y teórica muy dura enfrentar este tipo de presentación de los hechos. El mundo está viviendo un desequilibrio colosal que descontenta a las masas, e incluso se ocupa de sacar las conquistas hechas en la primera posguerra, período en el que hubo un ascenso importante de las masas.

¿A qué se refiere con que la lucha es teórica y metodológica?

–Para nosotros hay un gran problema metodológico, teórico, político, de educación, de preparación ideológica, doctrinario. Necesitamos un Estado más fuerte para impedir que esa concepción del mundo se imponga. Con el control que tienen sobre la opinión pública, ellos pueden presentar eso como una cosa magnífica. Si lo piensas bien, en 2007 y 2008, la economía mundial se presentaba como una maravilla, el Fondo Monetario consiguió mantener su respeto a pesar de haber previsto situaciones económicas contrarias a las que se dieron. Y aun así, hoy se sigue aceptando sus predicciones. Ellos disponen de mecanismos muy fuertes de contención de la capacidad crítica de las personas, y con eso consiguen presentar una serie de victorias.

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24/09/2012

EUA e a Teoria da Dependência

EL PAIS › Exclusivo Página/12 en Estados Unidos

“EE.UU. IMPUSO A AMERICA LATINA UN MODELO QUE YA NO FUNCIONA”

Por Martín Granovsky

Erick Langer, director del Centro de Estudios Latinoamericanos de Georgetown, donde la Presidenta inaugurará el miércoles la Cátedra Argentina, critica el modelo neoliberal de los ’90 y advierte que Washington no ha tenido “aliados” en los países de la región, sino gobiernos “dependientes”

“El peronismo tiene la organización de base más fuerte en toda América latina”

En diálogo con Página/12, el director del Centro de Estudios Latinoamericanos donde funcionará la Cátedra Argentina que abrirá la Presidenta explica por qué habla quechua y las razones de la justicia social y los liderazgos políticos fuertes.

Por Martín Granovsky

Desde Nueva York

A los 57 años, nacido el 22 de mayo de 1955, Erick Langer es un historiador experto en América latina que dirige el influyente Centro de Estudios Latinoamericanos de la Universidad de Georgetown, en Washington. Langer aceptó hablar.

–Me parece muy interesante que el continente haya cambiado tanto en la última década y haya podido aprovechar desde el punto de vista económico un gran cambio mundial: la mayor presencia china.

–¿En qué aprovechó América latina a China en su opinión?

–China es un rival de los Estados Unidos que requiere materias primas de América latina. Eso contribuyó a que América latina pudiera enfrentar la crisis en mejores condiciones. No sin peligros, claro.

–¿Cuál sería el peligro?

–Que América latina no intensifique el proceso de elaboración de materias primas y siga exportando commodities. Es un desafío para todos los gobiernos de la región, sin excepciones. La ventaja es que a partir del 2000 América latina en general, y en particular Sudamérica, se liberaron de la dependencia respecto del modelo neoliberal de los Estados Unidos.

–¿En qué ve usted que ese modelo afectaba a la región?

–Creó un desasosiego de las clases medias y bajas en materia de distribución de la riqueza. Esa expresión no estaba, por supuesto, en el Consenso de Washington.

–El documento del Consenso exhortando a la desregulación y a desreglamentar la economía es de 1989. ¿No quedó nada?

–¿En la región? Prácticamente nada. Es un factor positivo para la región. –O sea: el crecimiento chino es un elemento positivo y la caída del Washington Consensus es otro punto bueno.

–Y le agrego un factor de peso: los Estados Unidos están muy preocupados por Medio Oriente y efectivamente no le han prestado mucha atención a América latina.

–Los académicos y los dirigentes políticos discuten siempre si eso es bueno o malo. Algunos sostienen que para América latina es mejor la situación cuando Washington se ocupa menos de ella.

–Bueno, en materia política hay un tema práctico a tener en cuenta. Le va a sonar casi redundante. Cuando Washington se ocupa menos, la injerencia es menor. La mayoría de las veces que los Estados Unidos pusieron la vista en otros sitios y no tanto en América latina, como en la Primera Guerra Mundial, la favorecida fue América latina. No pongo el ejemplo de la Segunda Guerra Mundial porque el fenómeno es mucho más complejo. Pero luego muchas veces el problema fue que los gobiernos del continente no fueron aliados de los Estados Unidos sino dependientes de Washington. No es lo mismo. Los Estados Unidos tenían el poder de imponerse. De imponer, incluso, un modelo que ya no funciona. Barack Obama se dio cuenta de eso, aunque su principal tema no sea América latina. Y antes de él, George Bush no estaba concentrado en América latina.

–Es decir que es bueno para la región que no haya una dedicación especial.

–¡Pero yo investigo América latina! ¿Usted quiere que me quede sin trabajo?

–Profesor, su curriculum en la parte de idiomas dice que habla quechua. ¿Dónde lo aprendió?

–En Stanford.

–¿Stanford, California?

–Exactamente. Ya me interesaba de antes la zona andina y después gracias al quechua pude hablar directamente en Bolivia para entrevistar a varios caciques andinos. Hace tiempo que no lo hablo, aunque lo entiendo bastante bien. ¿Sabe cuál es mi problema? ¿Con quién lo practico aquí?

–¿Por qué se interesó en la Sudamérica andina y en la zona del Chaco?

–Cuando era estudiante participé de un programa de intercambio y fui a Sucre. A un colegio jesuita. Me impactó de una forma tremenda vivir allá. Originalmente quería volver a Europa. Pasé en Alemania cinco años. Aquel viaje por Sudamérica fue increíble. Era junio, julio y agosto de 1973. Viajé por casi toda la región. Llegué a Chile cuando todavía estaba en el gobierno Salvador Allende. Estando en la Argentina, sólo de casualidad no fui uno de los presentes el 20 de junio de 1973, cuando volvió definitivamente Juan Domingo Perón. Me salvé de los tiros porque había decidido ir a Ezeiza y a último momento me llamaron unos amigos de Córdoba. Recorrí todo. Al Che Guevara lo habían matado poco tiempo antes.

–Claro, lo mataron en Bolivia en 1967, sólo seis años antes de su viaje. De su propio “Diario de motocicleta”. ¿Hasta dónde llegó?

–Hasta Medellín. De ahí volví en avión a los Estados Unidos. En Sucre y luego a través de mis investigaciones indagué en la resistencia campesina a lo que se podía llamar, grosso modo, la modernización. Para mí fue fascinante. Los investigadores no suelen tomar como objeto de estudio las regiones en declive sino en crecimiento. Hacen mal, porque es muy interesante. Yo traté de ver cómo se portaba la gente cuando todo iba peor y qué cambios sucedían, por ejemplo, de fines del siglo XIX al siglo XX, por el paso de la minería de la plata con centro en Potosí a la minería del estaño, que favoreció más al norte que al sur. El próximo proyecto incorporará el comercio en el norte de la Argentina, que investigué mucho en los últimos años. En el siglo XIX no había aún fronteras nacionales efectivas. Las fronteras económicas iban mucho más allá. Pensar en unidades nacionales en el siglo XIX es perder algunas perspectivas, como la de Bolivia, y no entender bien las relaciones y los cruces con el norte argentino, el chileno y el sur peruano. En ese momento me interesaron los chiriguanos. Pero ya mi tesis estaba avanzada y resolví dejar el tema para más adelante. Es gracioso, porque terminé publicando un libro 20 años después.

–Vi el título. Traducido sería Esperando peras del olmo: las misiones franciscanas en la frontera chiriguana en el corazón de Sudamérica, 1830-1949.

–Léalo, por favor. Espero que demuestre una madurez que antes no tenía como historiador. Mire, en aquel entonces ni se usaba la palabra “guaraní”. En el primer capítulo demuestro que el poder militar estaba a favor de los chiriguanos, y que con ese poder podían sacar el excedente de la sociedad criolla. En muchos casos fueron más poderosos que los propios criollos.

–Y todo por la rareza del intercambio en Sucre. Es una hermosísima ciudad poco conocida.

–Mejor que no la conozcan. Deje a Sucre así. Cuando me jubile quiero mudarme a Sucre y vivir en el casco viejo.

–Profesor, volvamos de los chiriguanos a los sudamericanos de hoy. ¿Usted comparte la visión que muestra, desde el punto de vista político, varias Sudaméricas ubicadas en extremos opuestos?

–Me parece que no hay una división tan tajante porque los procesos son muy parecidos. Tomemos de nuevo en consideración algunas realidades. Antes los chinos pensaban en Sudamérica como Chile porque los chilenos habían sido muy efectivos en venderse en China. Es decir que, en última instancia, no fueron tan diferentes a como terminaron siendo los demás, ¿no es cierto? En la actualidad Sudamérica tiene una realidad estable. Es una realidad común. Pero también, con sus diferencias, la protesta es un hábito común. Hay protestas antigubernamentales, más allá de los contenidos, en la Argentina, en Chile y en México. Y da la sensación de que a veces es difícil encasillar cada cosa como de derecha o de izquierda.

–¿Piensa también en la Argentina?

–Claro. A un gobierno de peronistas es difícil definirlo como de izquierda o de derecha. Hay un proceso político único a lo largo de la historia que no encaja muy bien en esos términos. Hablo desde la formación del peronismo. Juan Perón estaba muy convencido de los no alineados. El justicialismo es una mezcla de muchas ideologías. Aun hoy es difícil definir a los Kirchner como de izquierda y quedarse en eso como toda explicación. El peronismo tiene una organización de base mucho más fuerte que cualquier otro partido político en toda América latina y puede arrasar en las urnas. Se organiza muy bien. Recogió la herencia y la retórica de cuidar a los obreros, que es muy importante. Veamos una diferencia con mi país. En los Estados Unidos no existe una izquierda. Sí existe una derecha. En ese sentido, hoy la Argentina está volviendo a un cauce natural. Carlos Menem obviamente fue peronista pero tenía otras características y fue una excepción en esa trayectoria.

–Es justo la época del Consenso de Washington, que resumió las experiencias prácticas de Ronald Reagan y Margaret Thatcher.

–Sí, la década del ’90.

–Usted decía que hablar de izquierda o derecha no agota un análisis. ¿Y la noción de populismo lo satisface como concepto?

–Tampoco alcanza. Es muy difícil definir qué es populismo. Dicho ahora, es distinto de cuando un investigador lo aplicaba en los años ’30 o ’40, una época muy ligada al comienzo de las etapas de sustitución de importaciones industriales. Hoy puede haber experiencias de sustitución, pero siempre la base es la búsqueda de un tipo de relación con la economía mundial. Lo que sí se podría rescatar, y hay una herencia muy larga de Juan Manuel de Rosas en adelante, es la importancia que puede tener un jefe político que sea un personaje carismático. Esto hace que la política pueda volverse muy personalista. Ahí sí tendríamos una característica populista. De todos modos, la clave es si se trasponen o no los límites de la democracia. Mientras la oposición pueda ganar (si lo hace o no, es otro tema) está todo bien. No hablo sólo de la Argentina. Pasa en todos los países.

–¿Los opositores tienen la misma característica en todos lados?

–No. Pero sí hay un elemento común: la oposición está muy desorganizada en todos los países donde hay líderes fuertes.

–¿Hay líderes fuertes porque no hay oposición organizada o hay oposición desorganizada por la existencia de liderazgos fuertes?

–El populismo tiene una virtud y una desventaja: abarca muchas corrientes políticas. Y esas diferentes corrientes se manifiestan en el líder. En cambio la oposición no tiene muchos intereses en común y entonces las diversas corrientes no se unen. La única excepción debe ser Venezuela, donde la Mesa de Unidad Democrática se pudo unir frente a Hugo Chávez. Pero inclusive allí hay que ver si ganan. Y aun si ganaran habría que ver si podrían seguir unificados, porque están incorporando tendencias políticas diametralmente opuestas.

–¿Está haciendo un pronóstico electoral sobre el duelo entre Hugo Chávez y Henrique Capriles en las presidenciales del 7 de octubre?

–No me dedico a los pronósticos ni a especular. Es un campo ajeno al mío. A mí, como historiador, me resulta más fácil analizar hacia atrás que dedicarme a decir qué pasará en el futuro. Si supiera el resultado de las elecciones en Venezuela, quizá tendría otra profesión y quién sabe si no estaría más cerca de vivir en mi casita de Sucre.

–Bien. Lo dejo en el pasado. ¿Qué otro momento de la Argentina vivió, además del ’73 y la vuelta de Perón?

–Fui becario de la Fullbright en el 2000. Gobernaba Fernando de la Rúa. Vi la caída, con el corralito y el drama social. Y después se produjo la extraordinaria recuperación económica que ustedes experimentaron. De todos modos, hoy me parece que hay que observar mucho la velocidad relativamente menor de crecimiento de la economía china y evaluar si América latina es capaz de saltar hacia otro modelo que en el futuro no la haga depender de la venta de materias primas. No sé si usted sabe que, cuando conversan en privado, muchos dirigentes chinos equiparan a América latina con Africa.

–¿En qué se basan?

–En las perspectivas de utilización económica. No entienden las diferencias enormes. América latina es otro mundo, distinto de Africa. Pero eso piensan muchos dirigentes chinos.

–¿Por qué estuvo de acuerdo en crear la Cátedra Argentina?

–El embajador Jorge Argüello vino y me lo propuso. Me pareció bien. Pensamos en establecer un espacio académico porque nos parecía que la Argentina es un país sumamente importante en América latina. La Cátedra Argentina será una forma constructiva de poner la Argentina en el tapete para que la gente en Washington se dé cuenta de la complejidad del país. Para mejorar las relaciones es necesario mejorar la difusión y el conocimiento. El desconocimiento crea problemas. Es un proyecto de largo alcance. Esa Cátedra Argentina debe durar muchos años y no depender de la administración política de turno. Por eso necesitamos recursos. El mismo embajador me decía que él quería que siguiera adelante. Brasil ha ganado un gran espacio en Washington. Es lógico. Brasil está creciendo y tiene importancia mundial. Pero hay países tan importantes como Brasil y nuestro objetivo es mantener en pantalla también a la Argentina.

–¿Quiénes deberían mirar esa pantalla?

–Los estudiantes, por supuesto, y toda la comunidad académica. Pero, aún más allá, el conjunto de latinoamericanistas, de expertos en América latina, y funcionarios y dirigentes. Que conozcan más la Argentina y la tomen en cuenta, porque es importante para mantener buenas relaciones en América latina y el Cono Sur en general.

–¿Desde cuándo está en la Universidad de Georgetown?

–Desde 1999. Era el único latinoamericanista con una cátedra y no podía conseguir estudiantes graduados. Ahora tengo varios estudiantes de doctorado. Quería meterme en esto. Georgetown es más conocida como universidad que otras y tiene un componente de comunidad universitaria que me atrajo mucho.

–Su libro sobre los chiriguanos está relacionado con una misión franciscana. Pero usted trabaja en una universidad con tradición de estar ligada a la Compañía de Jesús.

–Aunque le agrego un dato: en los últimos diez años por primera vez en la historia de Georgetown no hay un presidente jesuita. Su presencia física disminuyó. Su espíritu es muy importante, porque se trata de una cultura universitaria que le presta atención al ser humano total, lo cual no se da en otras universidades. Para un profesor con trayectoria eso es apasionante. Todos enseñamos a los estudiantes, tanto de pregrado como de posgrado. También somos una universidad de investigación. Y no dejamos de lado el componente de justicia social. Trabajando sobre el tema de los movimientos indígenas me pareció que podía formar parte de un equipo que tuviera interés en temas de justicia social.

–Es uno de los temas comunes de Sudamérica.

–Sí. Se debe en buena medida a las críticas y los problemas del modelo neoliberal anterior, basado en el enriquecimiento de uno por sobre los demás. Un modelo que a la larga no funciona. Es una lucha que, como se habrá dado cuenta, también libramos en los Estados Unidos. Hay dos posiciones muy diferentes sobre cómo debería ser el Estado y a quiénes debería favorecer.

–El candidato republicano Mitt Romney acaba de reivindicar el principio de dejar a una parte de la población librada a su suerte.

–El famoso comentario sobre el 47 por ciento que depende del Estado. La libertad económica para todos está muy bien. Pero los mercados por sí mismos no alcanzan. Hace falta un Estado que regule para que los más poderosos y ricos no puedan aprovecharse de todo el resto.

martin.granovsky@gmail.com

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