Ficha Corrida

18/04/2014

Rede Globo de Manipulação

E por que ninguém falou na histórica montagem da bolinha de papel que consagraria o Zé do Caixão Político, José Serra? E no Escândalo da Proconsult? E edição manipulada do debate entre Lula e Collor, o caçador de marajás da Globo e seus amestrados? E no DARF, a Globo já recolheu que sonegou?

Vale a pena ver de novo: o jornalismo macartista e o Manual da Globo da Entrevista Picareta

Postado em 17 abr 2014

por : Kiko Nogueira

globo denuncia

As repórteres do Globo que interrogaram os blogueiros que participaram da entrevista com Lula usaram uma técnica meio macartista, meio pegadinha do Mallandro. Nunca escreveram uma matéria sobre política, mas isso não vem ao caso porque o que importa é que elas cumpram ordens. Conceição Lemes escreveu suas respostas ao longo questionário no site do Viomundo. Eu recebi três perguntas.

A tentativa patética de querer desqualificar, primeiro, Lula e, depois, as pessoas que com ele estiveram resultou num traque maldoso. Lula não ocupa cargo público e convida quem quiser para seu instituto. Vai quem quer, também.

O episódio é emblemático sob vários aspectos — principalmente na maneira como a Globo continua tratando sua audiência: como idiota. Como se ninguém soubesse do vasto manancial de farsa jornalística produzida no lugar onde trabalham. Riquíssimo, didático, eloquente. Um monumento.

Para ficar apenas num exemplo, deveriam trocar ideias com Carlos Monforte, que declarou que “Lula pegou uns amigos blogueiros para dar esses recados, onde ele não foi questionado”. Monforte é, em si mesmo, um Manual da Globo de Como Fazer Entrevistas Picaretas.

Em 1994, foi co-protagonista do chamado “escândalo da parabólica”. Pouco antes de um bate papo com o então ministro da Fazenda Rubens Ricúpero, câmeras e microfones captaram a conversa entre os dois e o sinal foi enviado, sem intenção, por essas antenas.

A intimidade não era à toa: Monforte era primo da mulher de Ricúpero. As famílias se frequentavam. Avisou o telespectador disso? Evidentemente que não.

Sentindo-se em casa, Ricúpero fala que o IBGE é “um covil do PT”, xinga empresários de “bandidos” e imortaliza sua divisa: “Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. Se oferece para participar do Fantástico. “Eu estou disponível. Vou ficar aqui o fim de semana inteiro”.

E afirma que pode ser útil à Globo. “Há inúmeras pessoas que me escrevem e me procuram para dizer que votam nele [FHC] por minha causa. Para a Rede Globo, foi um achado. Em vez de terem que dar apoio ostensivo a ele, botam a mim no ar e ninguém pode dizer nada. Essa é uma solução, digamos, indireta, né?”

Ricúpero pediu demissão a Itamar Franco assim que a história foi divulgada. O Jornal Nacional deu a matéria, omitindo todos os fatos importantes e com o velho Cid Moreira discursando sobre isenção. Monforte ficou onde estava. Em 2011, ele entrevistaria, aí sim, Fernando Henrique Cardoso. O homem que cobrou “questionamentos” foi um doce de coco.

Cito-o literalmente: “Como foi acordar depois de oito anos de poder? Foi mais alívio ou saudade do ambiente palaciano?”; “Por que o senhor resolveu não seguir a vida política parlamentar?”; “É difícil tocar um instituto desse?”; “Depois de oito anos de governo, qual é sua melhor lembrança e a pior recordação?”

São clássicos do jornalismo partidário, sabujo, manipulador. Uma aula à disposição dos jornalistas macartistas desse Brasil varonil. E não é preciso escarafunchar nos arquivos e correr qualquer risco. Está no YouTube. Vale a pena ver de novo.

Sobre o Autor

Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

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04/02/2013

Ricúpero se recupera

Filed under: Bancos,Crise Financeira Européia,Rúbens Ricúpero — Gilmar Crestani @ 8:15 am

Depois do escândalo da Parabólica, este é um dos primeiros artigos do Rubens Ricúpero que assinaria embaixo. E digo porque. Ficam claras algumas questões que vem sendo discutidas nos espaços fora dos grandes grupos mafiomidiáticos. Ricúpero cita o documentário “grande demais para quebrar”. Por este sabe-se que o processo de transferência de poder do Executivo para os bancos (auto regulamentação) deu-se no auge do neoliberalismo. No Brasil sempre que alguém fala em “autonomia do Banco Central” está com a língua presa no tempo de Bush. Mora nessa filosofia o desejo tucano de se desfazer de todos os bancos públicos, a qualquer preço, literalmente. Salvaram-se Caixa e Banco do Brasil. Depois, com a Crise de 2008, ao invés de fazer como a Finlândia, que puniu os bancos, a Europa e os EUA deram ainda mais poder. Para mais escândalos. 

Pois foi com a CEF e BB que Dilma conseguiu reduzir os juros, contra o Financial Times e The Economist, Globo, Folha, RBS, Veja, Estadão, e as tarifas bancárias a níveis civilizados. É sintomático também que o FMI continua atacando a Argentina pela tentativa de tentar domesticar o sistema bancário. A censura que Lagarde tentou impor à  Argentina deveria ter sido imposto ao Fundo que ela dirige, o FMI, que nada fez e nada faz para melhorar os sistema. Antes pelo contrário. Tivesse Lula seguido o FMI e teria adotado austeridade, com mais juros e cada vez  mais altos, para segurar a Crise de 2008. Lula desonerou, forçou o empréstimo consignado, e com isso transformou o que lá fora é crise medonha em marolinha doméstica. Dilma deu sequência na domesticação do paleolítico sistema bancário, e aí mora a perseguição a Guido Mantega. Eles, EUA & Europa, não aprenderem, e isso explica porque os vira-bosta, com complexo de vira-lata também não.

Para entender o atrelamento da linhagem dos vira-latas basta ler o artigo do candidato a presidente pelo PSDB, Aécio Neves, nesta segunda, aqui, na Folha. Igual aos Bourbons, Aécio abre o texto citando a bíblia dos larápios financeiros: “O jornal "Financial Times", um dos mais respeitados no mundo na área financeira…” Respeitado, sim, mas só por ventríloquos como ele!

RUBENS RICUPERO

Iguais aos Bourbons

Como a realeza do Antigo Regime, governos dos EUA e da Europa pouco ou nada aprenderam com a crise

"Os Bourbons", escreveu Napoleão no começo dos Cem Dias, "não esqueceram nada e não aprenderam nada." Referia-se às lições da Revolução Francesa e tinha razão: com a queda de Carlos 10º, 15 anos depois, os Bourbons desapareciam para sempre da história da França.

Os governos dos EUA e da Europa são iguais aos Bourbons: pouco ou nada aprenderam com a crise financeira. Quando provocaram a crise, os cinco bancos "grandes demais para quebrar" possuíam ativos correspondentes a 43% da economia americana. Inexplicavelmente, o governo deixou que chegassem agora a 55%, aumentando ainda mais o risco sistêmico!

Em cada aniversário da crise, a tônica dos comentários é de surpresa com o tempo que está durando essa incerta superação. A mim o que espanta é outra coisa: a ausência quase total de mudanças significativas, como as realizadas por Franklin Roosevelt durante a Grande Depressão dos anos 30. As poucas reformas introduzidas na lei bancária dos EUA se encontram em permanente perigo de revogação devido ao poder do lobby financeiro.

No âmbito internacional, o G20 se viu condenado à irrelevância pela recusa de americanos e ingleses de permitir que ele se ocupe de sua razão de ser: a regulamentação de derivativos e produtos financeiros tóxicos, a reforma da arquitetura financeira com vistas a evitar a repetição de crises similares.

Como nada se fez para eliminar os incentivos aos bancos para assumirem riscos excessivos, os escândalos se repetem a cada dois ou três meses. Já não se trata dos esqueletos escondidos de antes da crise; agora, as estafas nascidas da inesgotável criatividade criminosa dos bancos pertencem todas ao período pós-crise. Uma das últimas, inimaginável até sua recente exposição, consistiu na conspiração de alguns dos maiores bancos mundiais para manipular a taxa Libor em escala planetária!

Nenhum dos celerados foi julgado e enviado à prisão; nenhum dos bancos admitiu culpa. Todos se safaram pagando multas bilionárias que não será difícil recuperar. Os governos de Washington e Londres, palmatórias do mundo em matéria de hipócrita condenação seletiva de delitos alheios, rivalizam no zelo suspeito de enterrar os escândalos sem julgamento público!

Os Bourbons sonhavam em voltar à "doçura de viver" pré-Revolução. Seus sucessores sonham com a "normalidade" pré-crise. Esquecem que, da mesma forma que a "doçura" do Antigo Regime, a "normalidade" do atual se ampara em três monstruosidades: desigualdade crescente, desemprego maciço e destruição do equilíbrio climático.

Um quarto dos empregos nos EUA paga salários abaixo da linha de pobreza. O desemprego na Europa atingiu 12%, 25% na Espanha e na Grécia, 60% entre os jovens!

Não é só o aquecimento global que constitui a maior falência de mercado da história, nas palavras do relatório Stern. A desigualdade e o desemprego não ficam atrás.

Querer resolver com maiores doses de mercado três problemas derivados de falhas de mercado é repetir a suicida incapacidade bourbônica de esquecer privilégios e aprender com as lições da história.

06/08/2012

Ricúpero está com Alzheimer?

Filed under: Parabólica do Ricúpero,Rúbens Ricúpero — Gilmar Crestani @ 8:31 am

Rúbens Ricúpero esqueceu, mas a Parabólica, não! Nem o youtube… Ele não é a pessoa mais indicada para vir dar lição de moral. O que ele anda escodendo agora?

RUBENS RICUPERO

Mensalão e Mãos Limpas

Não se espere dos processos contra a corrupção o poder miraculoso de mudar a política ou a sociedade

O início do julgamento do mensalão coincide com os 20 anos da operação Mãos Limpas, único escândalo político que se aproxima do brasileiro nas dimensões e características principais. Em ambos, a corrupção se destinava ao financiamento dos partidos, embora muito dinheiro tenha acabado em contas particulares das centenas de envolvidos.

Na Itália, um grupo de cinco promotores conduziu por dois anos uma investigação da qual resultaram 1.300 condenações e penas negociadas, e 150 absolvições cabais, fora as prescrições.

Houve episódios dramáticos como a "estação de suicídios" de vários empresários e políticos de relevo, a fuga e a morte no exílio do ex-primeiro-ministro Bettino Craxi, o desaparecimento de cinco dos maiores partidos -entre eles a Democracia Cristã, que governara o país durante décadas.

O abalo produzido pela "revolução dos juízes" acabou por destruir a Primeira República italiana, dando nascimento a partidos e movimentos improvisados, como a Liga Norte ou a Força Itália.

Não se pode negar que foi feita justiça, imperfeita como sempre, por meios judiciários regulares ou pela morte política.

Não obstante, o dia 17 de fevereiro de 2012, vigésimo aniversário do início da operação, quase passou em branca nuvem. A única lembrança foi o lançamento em Nápoles de uma pizza em honra da efeméride (na Itália não se brinca com comida, e pizza não tem o sentido pejorativo adquirido no Brasil).

É verdade que os italianos, mergulhados na crise econômica e no colapso desastroso do governo Berlusconi, possuíam preocupações mais graves e imediatas. Vale a pena assim tentar extrair do aniversário alguma lição que nos possa ser útil, sem ignorar a profunda diferença de contextos político e econômico-social entre os dois países.

A primeira é que os processos contra a corrupção se justificam por si próprios, pela necessidade de afirmar a justiça. Não se espere deles, a começar do atual, o que não podem dar: o poder miraculoso de mudar a política ou a sociedade.

Outra conclusão é que, mesmo quando produzem efeitos políticos, o sentido e o valor das mudanças dependerão não dos tribunais, mas da capacidade de reformar as instituições para evitar a repetição do mal.

Desse ponto de vista, nem na Itália, nem no Brasil se avançou no financiamento dos partidos, e a corrupção continua a derrubar ministros. Sem reformas, o escândalo se limita ao efeito destrutivo. É ilusório pensar que o vazio político e moral produzirá por si só um sistema melhor. Bobbio previu que a Segunda República começava mal e acabaria pior. Como, de fato, aconteceu com o desonroso naufrágio de Berlusconi e dos partidos que o apoiavam.

A melhor lição é a do poeta Leopardi: "Se queremos despertar e retomar o espírito da nação, nossa primeira atitude deve ser não a soberba nem a estima das coisas presentes, mas a vergonha".

Poucos anos de prosperidade bastaram entre nós para ofuscar o escândalo com triunfalismo beirando a soberba. Agora que o voo de galinha da economia nos deixou de crista caída, é bom ter a vergonha de reconhecer que nada, nem governabilidade nem êxitos econômicos e sociais, justifica a corrupção.

07/05/2012

Ética da parabólica! Mais um da Opus Dei é abortado

Filed under: Aborto,Arnaldo Jordy,PPS,Rúbens Ricúpero — Gilmar Crestani @ 8:39 am

A turma do ator da Bolinha de Papel, José Serra, que com tanta ênfase acusou Dilma de abortista, revela-se o que realmente são, hipócritas. No mínimo. É a ética da parabólica, de Demóstenes e Rubens Ricúpero. Veja o vídeo do professor de Ética de FHC conluiando com a Rede Globo:

Gravação mostra deputado Arnaldo Jordy (PPS) pedindo a mulher que aborte

Sábado 5, maio 2012

Uma gravação de três minutos, divulgada (Veja vídeo abaixo), mostra o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) pressionando uma mulher a abortar o filho supostamente dele. O diálogo entre os dois é áspero e a mulher, identificada como Josy, recusa-se a fazer o aborto e cobra de Jordy que lhe dê apoio durante a gestação.

No momento mais tenso, Josy argumenta: “Tu estás pensando que a minha vida é fácil, que eu vou pegar, chegar contigo e dizer `Tá bom, eu vou fazer o aborto?””. O deputado retruca: “Eu não tô dizendo que é uma decisão fácil, mas é uma decisão, Josy”. A discussão prossegue e Jordy promete pagar as custas do aborto e até psicólogo para ela “superar o trauma”. Sem acordo, ele tenta o argumento decisivo: “Josy, eu não tenho a menor condição! Eu pago três pensões. Isso é uma loucura!”

Josy insiste que tem dúvidas e medo, e diz que sua decisão é manter a gravidez. “Preciso saber se vou ter seu apoio, se tiver de carregar o bebê nove meses na barriga”, diz ela. O deputado tenta sua última cartada. “Uma criança é pro resto da vida, eu não tenho condições, Josy. Eu não tenho tempo nem de cuidar dos meus filhos que já estão aí”. Jordy é candidato a prefeito de Belém.

O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), informou que o órgão só levará o caso à análise se for provocado por um partido, por entidade civil ou por alguma decisão judicial. Segundo ele, o conselho nunca julgou um parlamentar por esse tipo de situação, embora aborto seja crime com pena de um a três anos de detenção prevista no Código Penal.

Para o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), líder da bancada evangélica no Congresso, trata-se de um episódio típico da vida privada, que nada tem a ver com a atuação parlamentar. Mas o castigo de Jordy, independentemente de processo no conselho, já está dado. “A essa altura já abortaram a candidatura dele”, ironizou o deputado, autor de uma proposta de emenda constitucional que torna o crime de aborto cláusula da Carta Magna.

Em nota, o deputado assume que a voz do áudio é sua mas alega que o diálogo mostra apenas seu cuidado com a gravidez, “não sobre abortar o filho”. Ele disse que a mulher, uma namorada casual, entrou com ação de alimentos “gravídicos” pedindo 40% de seus vencimentos, negada pela justiça. Informou ainda que moveu ação para comprovação de paternidade por meio de exame de DNA.

O deputado revelou que tem cinco filhos e participa ativamente da vida de todos. Mas explicou que é separado, “portanto solteiro” e por isso tem direito a se relacionar com mulheres maiores de idade. Atualmente com 26 anos, Josy está no oitavo mês de gravidez. “Esse relacionamento foi fortuito, mas tenho notas fiscais que demonstram que, desde o inicio, mesmo não tendo certeza se o filho é meu, venho ajudando”, garantiu. Ele disse que comprou carrinho de bebê e bercinho, além de pagar o plano de saúde da mãe.

Por Helena

Gravação mostra deputado Arnaldo Jordy (PPS) pedindo a mulher que aborte | Os Amigos do Brasil

13/10/2011

Chile, modelo en crisis y ofensiva estudiantil

Chile, de modelo da Direita, a modelo a ser combatido. Ninguém mais, que tenha massa encefálica pouco superior a um tucano, ainda acredita no “modelo chileno” de sucesso. A ditadura chilena, como todas as ditaduras, usam o método Rubens Ricúpero. Para refrescar a memória, a direita e seus ventríloquos vivem do sistema denunciado pela parabólica: mostrar o que é bom, esconder o que é ruim.

Chile, modelo en crisis y ofensiva estudiantil

Ángel Guerra Cabrera

l presidente de Chile, Sebastián Piñera, vio subir su popularidad e imagen internacional como la espuma a raíz del espectacular rescate de los mineros chilenos y la descomunal cobertura mediática que recibió. Barack Obama elogiaba a la sazón el chilean way; el llamado modelo chileno –que ya crujía visiblemente– pareció tomar un segundo aire y volvió a ser mencionado a todas horas como ejemplo de eficiencia por los loros mediáticos. Pero exactamente un año después Piñera está asediado por los conflictos sociales y su popularidad va en picada, la más baja ya de un presidente chileno. ¿Cómo es posible, si la economía está creciendo a un ritmo del 6 por ciento anual y, según la revista Forbes, Chile es el mejor país para hacer negocios de América Latina y uno de los 25 mejores en el mundo?

Lo que no se menciona por la mafia mediática es que también Chile es uno de los países con más alta desigualdad social y menor tributación de los ricos por lo que ese crecimiento lo absorbe una exigua minoría. Una de las naciones con más alto grado de privatización del sistema educacional, sólo 40 por ciento de los escolares recibe educación en colegios públicos gratuitos mientras que en las universidades los estudiantes deben solicitar créditos para estudiar pues no existe forma de hacerlo gratuitamente. De modo que un universitario al concluir los estudios puede estar endeudado en hasta 30 mil dólares. El crecimiento excluye a los indígenas mapuches a quienes arrebata sus territorios para enriquecer a las trasnacionales, y sus beneficios no llegan a los trabajadores del cobre ni a otros muchos sectores populares hartos de la precariedad laboral y los abusos del gobierno y los empresarios.

La prolongada huelga estudiantil de secundaria y universidades en reclamo de la educación pública, ha sido un gran potenciador de las luchas de todos esos grupos, las entreteje y da mayor visibilidad, a la vez que recibe el firme apoyo de ellas. Como insisten sus líderes Camila Vallejo y Giorgio Jackson, el movimiento estudiantil se caracteriza por su transversalidad, al haber ganado también la adhesión de profesionales, intelectuales, artistas, ecologistas, feministas; en suma, de la mayoría de la población. No menos de 80 por ciento se pronuncia en las encuestas en favor de las demandas de estudiantes y profesores y 87 por ciento votó a favor de ellas en el reciente plebiscito ciudadano organizado por el Colegio de Profesores de Chile, incluyendo apoyar la creación de la figura legal que obligaría al gobierno a consultar a la ciudadanía todos los asuntos importantes.

La lucha de los estudiantes cumple ya cinco meses, con 37 grandes movilizaciones de cientos de miles de participantes, un paro nacional solidario de trabajadores con un amplio acatamiento y un ministro de Educación renunciado pero su sustituto, Piñera y demás miembros del gobierno no dan la más mínima señal de estar dispuestos a acceder a su demanda principal: que el gobierno central vuelva a administrar la educación primaria y secundaria, que se prohíba a las instituciones privadas lucrar con la educación y que se garantice en la Constitución el derecho a una educación pública y de calidad. El presidente llegó a elogiar al movimiento estudiantil en la Organización de Naciones Unidas y sus representantes han negociado con él pero sin mover sus posturas un milímetro y recrudeciendo cada vez más la represión policiaca.

Cuando el inquilino de la Moneda afirmó, refiriéndose al reclamo de educación gratuita que nada es gratis en la vida, Camila Vallejo le retrucó que esa postura tampoco le saldrá gratis a él. Es la reticencia del mandatario a la gratuidad de la educación, la nueva ley criminalizadora del movimiento estudiantil que pretende pasar su ministro del Interior y la suspensión de becas en algunas universidades lo que llevó a los estudiantes a romper las negociaciones con el gobierno. Sus dirigentes han convocado a nuevas movilizaciones, cacerolazos, asambleas barriales y carnavales populares, culminando con un gran acto el 19 de octubre en la Plaza Italia.

Camila ha llamado a los estudiantes a prepararse para una lucha larga con distintas modalidades pues no se puede estar tres años en paro. El movimiento es un abridor de nuevas alamedas que ha llegado para quedarse y sería el orgullo de Salvador Allende y Miguel Enríquez, dos ilustres chilenos que buscaban la revolución, aunque por distintos caminos.

aguerra_123@yahoo.com

La Jornada: Chile, modelo en crisis y ofensiva estudiantil

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