Ficha Corrida

05/05/2015

O que todo defensor de ditadura deveria saber, se tivesse cérebro

No Brasil, como se sabe, os grupos mafiomidiáticos boicotou a Comissão da Verdade. E tinha motivos. Afinal, os assoCIAdos do Instituto Millenium participaram ativamente no golpe e depois do golpe para dar legitimidade aos golpistas. Não pararam nisso. Chegavam a participar nas sessões de tortura, estupro, assassinatos e no esquartejamento das vítimas para que os familiares não pudessem identifica-los. A Folha chama isso de ditabranda. Branda para o Frias que ia para as sessões de tortura e estupro, em sala escura junto como outros empresários, no DOI-CODI. Depois a Folha ainda emprestava as peruas para desovar os corpos dilacerados nas valas comuns do Cemitério de Perus. É por isso que eles odeiam Dilma. O Globo, que fez editorial saudando a chegada da ditadura, admitiu o erro, mas não se corrige. Continua com as mesmas práticas. Eles não se perdoam por Dilma ter sobrevivido à ditadura.

Não é mero acaso que na Argentina o Grupo Clarín, parceiro do Grupo Globo e demais membros dos do Instituto Millenium na SIP, esteve totalmente envolvida com a ditadura e dela se beneficiou para construir um monopólio odioso e odiado por todos os familiares das vítimas da ditadura argentina.

Ignacio Montoya Carlotto

Mariana Eliano 2 MAY 2015 – 23:12 CET

“Não sou um militante, mas o direito à identidade é fundamental”.

Após recuperar sua identidade, Ignacio Montoya Carlotto renunciou ao cargo de diretor da Escola Municipal de Música de Olavarría, que ocupou por seis anos. “É preciso ter a cabeça fresca, e agora estou meio travado, como um computador que pensa e repensa as mesmas coisas.” Começou um tratamento psicológico em junho, assim que contaram que era adotado.

Retrato de Ignacio Montoya Carlotto, neto de Estela de Carlotto, presidenta das Avós da Praça de Maio.

  • Foto:Mariana Eliano

Uma verdade que queima

Eles foram tomados de seus pais, privados de suas identidades e entregues em sua maioria a famílias ligadas ao regime militar que governou a Argentina entre 1976 e 1983

Filhos de militantes assassinados no regime militar argentino narram como encararam sua nova vida entre duas famílias, depois de recuperados pelas Avós da Praça de Maio

Raquel Garzón 2 MAY 2015 – 18:00 BRT

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Vitória e a filha, nascida em um dos mais emblemáticos centros clandestinos de detenção da Argentina. / Mariana Eliano

Chora feito criança, soluçando. Matías tem 37 anos e há 25 sabe que é filho de desaparecidos, vítimas da ditadura militar argentina, mas desmorona e leva vários minutos para se recuperar quando pensa em como vai contar ao seu filho Benjamim, que ainda nem completou dois anos, que ele e seu irmão gêmeo chamavam de “papai” o torturador Samuel Miara, que se apropriou das crianças em maio de 1977, poucos dias depois de a mãe deles os parir em La Cacha, um centro clandestino de detenção localizado na penitenciária de Caseros, em La Plata, capital da província de Buenos Aires. “Se há algo que não vou fazer com o meu filho é mentir para ele. Treinam você para mentir, para levar uma vida dupla”, conta ele no apartamento onde vive, na cidade de Rosario, a 300 quilômetros da capital do país.

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Tatiana recorda que Mirta, sua mãe, foi sequestrada diante dos seus olhos numa praça de Villa Ballester, quando ela tinha três anos e meio. “Vejo-a como em um filme mudo. Reconstruo o que ela diz: ‘Cuidem-se bem’”. Lá ficaram ela e Laura, sua irmã de três meses, até que a polícia as levou para um juizado de menores como NN (nomen nescio: sem identidade conhecida). Adotadas de boa fé por um casal, foram as primeiras netas recuperadas pelas Avós da Praça de Maio, em 1980. “Até os 12 anos eu achava que meus pais iam voltar”, contou Tatiana, grávida de Pedro, seu terceiro filho, que já terá nascido quando esta reportagem for publicada.

Vitória nasceu na Escola Superior de Mecânica da Marinha (ESMA, na sigla em espanhol), um dos mais emblemáticos centros clandestinos de detenção da Argentina, durante o cativeiro de sua mãe, Cori, cujos olhos ela herdou e transmitiu a Trilce, seu bebê de cinco meses. Militante social desde muito jovem, Viki viveu até os 27 anos acreditando ser filha de Esther e Juan Antonio Azic, o Piraña, um ex-integrante das forças de segurança que se tornou comerciante e acabou sendo condenado a 18 anos de prisão por sequestros e torturas. Foi restituída em 2004, e em 2007 se tornou a primeira neta recuperada a se eleger deputada nacional. Mas continua indo à penitenciária de Ezeiza para visitar aquele que se apropriou dela. Às vezes, leva a filha nos braços. “Apesar do que ele fez e do que é, um repressor, eu o amo”, define, com a voz embargada, na sala do seu apartamento do bairro de Boedo, um ambiente pintado de laranja furioso.

Ignacio, músico, vive em Olavarría, 350 quilômetros a sudoeste da cidade de Buenos Aires. Em 5 de agosto de 2014, ficou sabendo que é filho de Laura Carlotto e neto de Estela, a presidenta das Avós, que o procurava havia mais de três décadas, desde que soube que sua filha o havia parido em uma prisão clandestina. “Pobre mulher, será que um dia vai encontrá-lo?”, chegou a comentar com Celeste, sua mulher, ao vê-la dando uma entrevista na televisão, sem suspeitar que Guido, o neto que procurava, era ele mesmo. E, embora diga que recuperar sua identidade aos 36 anos foi “uma sacudida feliz” (“Choveram-me duas famílias”), admite que “leva um tempo até você reinterpretar a sua vida inteira” e que não é fácil assumir “da noite para o dia que seu rosto se transforme em um pôster”. Enquanto isso, a Justiça investiga ainda sua apropriação e a responsabilidade de Clemente Hurban, seu pai de criação, um trabalhador rural que mal terminou a escola primária e a quem Ignacio trata carinhosamente como “o velho”.

Tomados como botim de guerra pelos militares, 500 crianças nascidas entre 1975 e 1980 na Argentina foram privadas da sua identidade e entregues em sua maioria a famílias ligadas ao regime, que as registraram como filhos próprios, a fim de evitar que fossem educados em ambientes que o regime considerava “subversivos”. Filhos de militantes políticos sequestrados e assassinados pela ditadura que governou o país entre 1976 e 1983 (algumas fontes estimam em até 30.000 os desaparecidos), Matías Reggiardo Tolosa, Tatiana Sfiligoy, Vitória Donda Pérez e Ignacio Montoya Carlotto representam 4 dos 116 casos de netos recuperados até hoje pelas Avós de Praça de Maio, uma associação civil criada em outubro de 1977 por mulheres que encontraram forças para manter vivo o sonho de recuperar os filhos dos seus filhos. O EL PAÍS entrevistou os quatro para saber como se vive depois de uma verdade que arde e que obriga a reconstruir com retalhos e relatos alheios as histórias de seus pais, nas quais se misturam ideais, mentiras, torturas, morte e terrorismo de Estado. Todos eles são hoje mais velhos do que eram seus pais ao serem assassinados.

Ignacio Montoya Carlotto

Filho de Laura Estela Carlotto e Walmir Óscar Montoya, sequestrados em 1977.

Chamam-no de “o Messi dos netos”, apelido dado meio de brincadeira por outros jovens restituídos, criticando o fato de que desde que ele surgiu, em 5 de agosto de 2014, os outros ficaram ofuscados. “Se sua cabeça não está no lugar, uma notícia como esta te destrói, você começa a fazer bobagens”, diz, o mate pela metade, Ignacio, o neto que Estela de Carlotto, presidenta das Avós da Praça de Maio, esperou por 36 anos.

A busca empreendida por sua avó, Estela, começou quando ela soube, por meio do testemunho de sobreviventes, que sua filha Laura, militante do grupo armado Montoneros e sequestrada em novembro de 1977, tinha dado à luz –algemada, num hospital militar– um menino que chamou de Guido, em homenagem ao avô. Poucas horas depois foram separados, e a jovem foi assassinada dois meses mais tarde num confronto forjado. Os militares entregaram à família o corpo de Laura, mas não a criança.

A busca feita por Ignácio começou em 2 de junho do ano passado, dia de seu aniversário, quando uma pessoa próxima da família confirmou para Celeste Madueña, sua mulher, algo de que ele suspeitava: que tinha sido adotado. Ele entrou em contato, por e-mail, com as Avós. Disseram-lhe que apenas 1 a cada 1.000 casos acaba confirmado. Mesmo assim, conversou com seus “velhos”, Juana e Clemente Hurban, que ele continua a considerar assim. “Contaram-me que Carlos Francisco Aguilar, o dono do terreno em que eram caseiros, sabendo que não podiam ter filhos, lhes disse que havia uma mulher de La Plata que não queria criar o seu, e que poderia trazê-lo. Eles aceitaram e assinaram documentos que acreditavam que fossem de adoção. Falaram-lhes que era melhor não me contar nada. São pessoas muito simples, confiaram cegamente.” Aguilar morreu em março de 2014, e sua ausência parece ter relaxado o pacto de silêncio.

Junto assim pedacinhos, um quebra-cabeças de coisinhas lindas. Isso é meu, e assim posso vê-los como papai e mamãe

Ignacio, o neto 114

Em 5 de agosto, por meio do cruzamento do DNA dos envolvidos, comparado com as amostras do Banco Nacional de Dados Genéticos, criado durante a presidência de Alfonsín, em 1987, o país e o mundo se emocionaram com a aparição de Ignacio, o neto recuperado número 114, cuja avó é Estela de Carlotto. Todo argentino se lembra de onde estava quando soube a notícia, tamanha a capacidade de mobilização do caso.

“A situação é muito difícil, não só por ser algo tão íntimo e pelo peso da verdade, mas também por tudo que vem junto: as capas de revistas, as câmeras que te seguem e a expectativa em relação ao que você vai dizer”, relata. “É raro, por exemplo, ter que explicar que você é quem é e se chama como se chama. Não sou Guido. E às vezes recebo cartas de pessoas que me pedem explicações: ‘Como é que você não assume o símbolo que representa?’”. Ele acredita, mesmo assim, num responsabilidade cívica, que supera os incômodos: “Não sou um militante, mas o direito à identidade é fundamental, e faço o que posso para ajudar e incentivar que outros se animem a saber”.

Faz apenas oito meses que a vida de Ignacio deu um giro de 180 graus. Na primeira vez que se encontrou com Estela, sua avó, eles se abraçaram e começaram a chorar. “Foi em La Plata. Nós nos sentamos e começamos a conversar. A alguns quarteirões dali estavam meus primos: 14, mais seus cônjuges e filhos. Ela me perguntou se queria conhecê-los, e pedi um tempo. Fui no dia seguinte. A avó disse para eles: ‘Ele não gosta de ser abraçado nem acariciado, como fazemos entre nós’. Quando cheguei, estavam em fila, tensos. ‘Oi, tudo bem, sou fulano’. Cumprimentei todos, e uma entrou na fila duas vezes! Foi divertido. Vieram também algumas primas por parte do meu pai. Todos nos conhecemos ali, porque não havia certeza, até o DNA, sobre quem era o par da minha mãe. Foi um belo momento.”

Ignacio não fala de perdas, mas de luto e de uma história com um “início dolorosíssimo que tem essa passagem de luz”. “Não tive a chance de perguntar nada, encheram-me de informações. Coisas que sei que são certas, mas que estão filtradas por anos de repetição da história para que não seja esquecida. Mas aos poucos, com todas as viagens que fiz nestes meses, encontrei histórias e fui construindo uma imagem de Laura e de Walmir, que se conheceram na clandestinidade. Por exemplo, mostraram-me um postal que meu pai enviou para minha avó Hortensia, que hoje tem 92 anos. Está cheia de erros horríveis de grafia. E numa época eu era assim, uma tristeza escrevendo. Junto assim pedacinhos, um quebra-cabeças de coisinhas lindas. Isso é meu, e assim posso vê-los como papai e mamãe. Se não, é muito difícil: não os conheceu, não tem registro.”

O que lhe custa mais é defender seu espaço e sua intimidade da invasão implicada por se tornar uma pessoa pública. Agora que choveram chances “de tocar aqui ou ali, de viver em outro lugar”, escolheu a própria Olavarría, onde está construindo uma casa e onde Celeste e ele querem ter um filho (“estamos nesta”).

Chama de ruídos suas dúvidas de antes. “Tive e tenho uma vida feliz. Mas havia certas questões básicas: a semelhança física, por exemplo. Não nos parecíamos. E a música, porque morávamos no campo, a 45 quilômetros daqui, num lugar em que não havia energia elétrica até ano passado. Nem rádio havia. E um dia, quando fomos a uma cidade vizinha, eu tinha 8 ou 9 anos, ouvi uma orquestra típica que tocava um pouquinho de tudo –pasodoble, rock, pop…— foi um clarão, não pude acreditar no que ouvia”, lembra. E começou a estudar.

A música, ele agora sabe, fluía na família. Walmir Montoya, seu pai, era baterista: militante montonero sequestrado em 1977 e fuzilado num suposto confronto, seus restos enterrados como NN (sigla de nenhum nome) numa sepultura coletiva, e encontrados em 2006 pela Equipe Argentina de Antropologia Forense. Seu avô paterno era saxofonista, e seu avô materno, Guido, um amante da música, fã de jazz. “O sangue não é água”, diz Ignacio. Saboreia como refrão esse dito que tem equivalentes em vários idiomas, enquanto toca no piano Los niños que soñaban em colores, “uma valsinha jazzeada”, suave e bela, a primeira que compôs depois de saber quem é.

Tatiana Sfiligoy

Filha de Mirta Graciela Britos Acevedo e Óscar Ruarte, que continuam desaparecidos.

Havíamos visto a operação na esquina de casa, um grupo armado. E minha mãe decidiu ir à praça. Nos seguiram e não houve alternativa. Começou a nos beijar e a se despedir. Não me lembro de ter tido medo. E, sim, perplexidade. Essa foi a última vez que vi minha mãe”, conta Tatiana, lembrando aquele dia infernal de 1977.

Não julgo meus pais. A geração deles pensou que era possível uma mudança

Tatiana

Tinha 3 anos e meio. Seis meses depois, ela e sua meia-irmã Laura (filha de Alberto Jotar, também desaparecido, parceiro de Mirta Britos naquela época) foram entregues a um casal de boa-fé, Inés e Carlos Sfiligoy, que as adotou. Tatiana decidiu manter o sobrenome e os chama de mãe e pai. “Quando, em 1980, nos convocaram ao tribunal porque minhas avós haviam nos localizado e ambas as famílias se encontraram, houve um entendimento. ‘Que as partes se entendam’, disse o juiz, e o fizeram. Foi estabelecido um regime de visitas para minhas avós, que viviam em Córdoba. Isso me permitiu crescer e me apoiar em outros pais, sem cortar os laços com elas nem com meus primos e tios e sem ocultar a história dos meus pais biológicos. Isso foi atípico”, resume Tatiana. Casos como o dela — onde não houve roubo de crianças nem apropriação por aqueles que os criaram — são contados nos dedos.

Até os 18 anos, Tatiana não perguntou muito. Um dia, encontrou em um jornal um comunicado da Associação Argentina de Atores que incluía o nome de seus pais. “Tive um impacto muito grande e levei quase um ano para buscar mais dados.” Mas o fez. Viajou a Córdoba, onde Mirta e Óscar militavam nas organizações guerrilheiras FAL 22 e PRT-ERP. “Foi muito forte para mim e para seus companheiros. Me olhavam como se eu fosse um fantasma, porque me pareço com meus pais.”

Começou então para ela uma época de ativismo pelos direitos humanos. Estudou psicologia e participou dos primeiros escrachos organizados contra repressores pela associação HIJOS (filhos pela identidade e justiça contra o esquecimento e o silêncio, na sigla em espanhol), criada em 1995 para lutar contra a impunidade. “Os escrachos eram muito malvistos. Eram momentos muito importantes para os filhos de desaparecidos. Levou muito tempo, inclusive durante a democracia, para que a memória fosse uma política de Estado”, lembra.

Tatiana Sfiligoy tinha três anos e meio quando sua mãe, perseguida por paramilitares, a abandonou em uma praça com sua irmã bebê. / Mariana Eliano

O grupo HIJOS colocou recentemente em evidência as divisões que existem entre os militantes de direitos humanos em relação ao kirchnerismo, ao queimar em La Plata — em 24 de março, nos 39 anos do golpe de Estado — dois bonecos abraçados de Hebe de Bonafini, líder das Mães da Praça de Maio, e César Milani, atual chefe do Estado Maior do Exército argentino. O gesto simbolizava o repúdio diante das contradições do Governo de Cristina Kirchner, que defende ativamente uma política pela memória, mas nomeou Milani em 2013 e ainda mantém no cargo esse militar suspeito de crimes contra a humanidade.

A história é marcada na pele. “Não julgo meus pais. A geração deles pensou que era possível uma mudança. Era grande o compromisso e pouca a consciência da tragédia que se formava. Acho que nunca pensaram que seriam mortos”, reflete Tatiana. Depois da morte de suas avós, há cinco anos, os contatos com a família biológica são menos frequentes (“quase tudo é por Internet”). Com Laura, sua irmã, é quase a mesma coisa. “O processo dela foi diferente. Vive nos EUA. É paradoxal, porque não conheceu nossos pais, não lembra deles, mas sofre. Não os perdoa. É nisso que acontece o maior desencontro. Estamos falando outra língua. Tenho dois sobrinhos lá e é complicado.”

DNA obrigatório?

É possível obrigar alguém a enfrentar uma verdade que não deseja conhecer? A irmã mais nova de Victoria Donda nasceu em 1980, também apropriada, e foi chamada de Carla pelo casal Azic. Seu caso foi resolvido em 2008, quando, perante a sua negativa em fazer análises imunogenéticas, a Justiça ordenou que fossem obtidas amostras de DNA através de objetos pessoais da jovem. No dia 27 de maio daquele ano foi confirmado que se tratava de Laura, terceira filha do casal formado por Silvia Beatriz María Dameri e Orlando Antonio Ruiz, ainda desaparecidos. Existem precedentes da Corte Suprema argentina que declaram inconstitucional a extração forçada de sangue. Mas, pela existência de métodos não invasivos (análises de amostras de cabelo ou saliva), a Justiça tomou decisões priorizando o valor social da restituição da identidade de uma pessoa e a possibilidade de investigar o delito de sua apropriação.

Um caso muito controvertido foi o de Marcela e Felipe Noble Herrera, filhos adotivos de Ernestina Herrera de Noble, diretora do jornal Clarín, veículo que o kirchnerismo considera ser de oposição. Por causa de um processo iniciado por duas famílias (Lanuscou-Miranda e Gualdero-García) que atribuíam aos jovens a condição de filhos de desaparecidos, foi iniciada uma longa disputa judicial, que incluiu em 2010 o sequestro das roupas íntimas que os irmãos vestiam naquele momento. Para encerrar a “inédita perseguição política” que os jovens diziam viver, eles solicitaram em 2011 a comparação do seu DNA com todas as amostras existentes no Banco Nacional de Dados Genéticos. Todas as análises deram negativo.

Em 10 de março de 2014, a juíza federal Sandra Arroyo Salgado deu por terminadas as perícias no processo. Em março deste ano, Javier Gonzalo Penino Viñas, que tinha sido adotado ilegalmente pelo repressor Jorge Vildoza e recuperou sua identidade em 1999, depôs como testemunha de defesa no julgamento de sua apropriadora, Ana María Grimaldos, esposa de Vildoza, alegando seu direito de manter esse laço. Em 14 de abril, a Justiça condenou a apropriadora a seis anos de prisão. Dois dias antes disso, as Avós da Praça de Maio confirmaram o suicídio de Pablo Germán Athanasiu Laschan, que havia recuperado sua identidade aos 37 anos, em agosto de 2013, depois de se submeter voluntariamente ao exame. Pablo tinha sido registrado como filho próprio por um casal com estreitos vínculos com a ditadura. Seu apropriador está detido como parte de um processo por crimes contra a humanidade.

Matías Reggiardo Tolosa

Filho de María Rosa Ana Tolosa e Juan Enrique Reggiardo, desaparecidos em fevereiro de 1977.

“Eu perguntava às garotas com quem saía: “Você sabe quem eu sou?”, diz Matías enquanto conversamos rodeados pela cadeirinha de alimentação e os brinquedos de Benjamín. “Agora levo na gozação, mas, diante dessa pergunta, pensavam: a) é um assassino em série; b) é casado; c) é gay.” Em 2009, conheceu María, que não temeu ouvir a resposta; casaram-se três anos depois e nasceu o menininho cujas fotos forram as paredes.

Considera-se um homem feliz e até mesmo ri várias vezes ao longo da conversa. Mas nunca pôde acostumar-se a comemorar seu aniversário em 27 de abril, quando se presume que nasceu, durante o cativeiro de María Rosa Tolosa, sua mãe, que continua desaparecida. Ainda festeja a data em 16 de maio, dia em que ele e seu irmão gêmeo, Gonzalo, chegaram à casa do ex-subcomissário Samuel Miara, condenado em 2014 à prisão perpétua por delitos de lesa humanidade cometidos nos centros clandestinos de detenção Club Atlético, El Banco e Olimpo. Miara e sua mulher, Beatriz Castillo, os registraram em 1977 como filhos próprios. Até 1985 os meninos não suspeitavam de nada. Nesse ano, fugiram para o Paraguai: as Avós da Praça de Maio os descobriu pensando que eram outros gêmeos filhos de desaparecidos, os Rossetti Ross.

Foram extraditados em 1989, mas verificar sua identidade levou anos (“lembre que não havia ainda DNA, mas estudos de histocompatibilidade”), durante os quais continuaram vivendo por decisão judicial com os Miaras. Esse tempo foi muito difícil. “Eles nos disseram que tinham cometido um delito e que iriam ser presos. A Justiça estabeleceu um procedimento de forte controle. Durante toda a minha adolescência, e até completar 18 anos, tive de ir a cada 15 dias ver um psicólogo forense. Nós nos sentíamos como coelhinhos da Índia e sei que nosso caso é tratado ainda hoje em diferentes campos da psicologia.

Não é o mesmo restituir um menor de idade do que você descobrir quem é na idade adulta. O caso Miara ainda dói. Em 1994, os gêmeos chegaram às telas da televisão argentina; tinham 16 anos e acabavam de se mudar para morar com o tio materno, Eduardo Tolosa. Pediam para voltar com seus apropriadores, que na época sentiam ser seus pais, e a quem amavam. Por que? “Fomos obrigados a cortar todos os laços com nossa vida anterior: a cidade, os amigos, o colégio, os Miaras. No começo tentávamos falar de forma clandestina com eles, escapávamos. Chegaram a destacar policiais para nos seguirem. Estávamos aprisionados por ambos os lados. Tudo isso provocou um atraso muito significativo em nossa vontade de recuperar nossas origens”, recorda agora Matías.

Nós o vimos várias vezes na prisão. Quando vim morar em Rosário, pedi até que não falasse mais comigo

Matías, sobre o pai adotivo, Samuel Miara, condenado por crimes contra a humanidade

Depois do escândalo midiático (“ainda me parece uma loucura que nos tenham dado espaço; hoje, se você coloca um menor na televisão sem autorização, fecham a emissora”), Eduardo, que não queria negociar um regime de visitas com os apropriadores, renunciou à guarda dos sobrinhos e os garotos foram viver com uma família substituta até chegar à maioridade. Aos 21 anos, Matías e Gonzalo decidiram voltar a viver com Beatriz Castillo. “Sentia que não tinha outro lugar para onde ir”, explica Matías. “Eu a chamava de mamãe, mas sempre estava consciente do que tinham feito. Samuel estava preso por ter se apropriado de nós. A distância começa a se aprofundar nos meus 28 anos, porque comecei a me dar conta.”

Em junho de 2005, a Corte Suprema declara a inconstitucionalidade das leis do Ponto Final e Obediência Devida, que junto com os indultos do menemismo garantiam impunidade. Assim, militares cujo ajuizamento havia sido suspenso retornam aos tribunais. Miara volta à prisão para ser julgado por delitos de lesa humanidade. O processo foi muito lento e os gêmeos o visitavam. “Nós o vimos várias vezes na prisão. Falávamos de tudo, mas houve momentos em que meu irmão e eu o encurralamos um pouco, e essas conversas me fizeram sentir que eu não tinha por que passar por isso: estar com uma pessoa que é um psicopata e demonstra isso pra você, que diz coisas que te fazem mal, e que está na cadeia, além do mais, com outros repressores. A última vez que vi Miara foi em 2007, e Beatriz, em 2011. Quando vim morar em Rosário, pedi até que não falasse mais comigo. Mas continuou fazendo isso por um tempo.”

Sabe por relatos que Quique, seu pai, tinha um modo de falar sussurrado, como o seu, e que, como ele, amava literatura. “Se você é tirado de seus pais quando eles têm 24 anos, você não pode brigar com nada. Não pode chegar a essa distância natural que há na adolescência em relação aos pais. Embora você sempre se pergunte se eles poderiam ter agido de outra maneira para se salvar.”

Complexa e dolorosa para os irmãos Reggiardo Tolosa, sua experiência representou um antes e um depois nos casos de restituição. Diana Kordon, psicanalista que trabalhou com as Mães da Praça de Maio até 1990, e que hoje coordena a Equipe Argentina de Trabalho e Pesquisa Psicossocial, especializada no apoio às vítimas de traumatismos sociais, recorda que o consenso naquele momento era outro: “Não era só a mídia que debatia se tinham de ser restituídos ou não. Discutíamos entre profissionais. Era muito forte a pressão no sentido de que estávamos estimulando um novo trauma nas crianças. Agora é diferente: houve a legitimização do fato de que a apropriação existiu e é um crime condenável em termos sociais, mas também em relação às pessoas que a sofreram e suas famílias.

Matías Reggiardo Tolosa, cujos pais desapareceram em 1977. Já adolescente, ele soube que havia sido entregue a outra família quando bebê. / Mariana Eliano

Essa mudança na forma de olhar se evidencia também na quantidade de consultas anuais que as Avós recebem, um aumento de mais de 600% entre 2001 (109 consultas) e 2014 (678), com um pico de 117 apresentações em setembro em decorrência do efeito Guido, depois da restituição do neto de Estela de Carlotto, presidenta da instituição. “A apropriação é uma situação traumática porque rompe a cadeia genealógica e sua transmissão cultural, que vai muito além do sangue. A restituição, por sua vez, é um momento de grande crise, mas também a possibilidade de um grande encontro com a verdade”, define Kordon. Reconstruir laços com suas famílias de origem levou anos para Matías. O tempo sanou sua relação com Eduardo, seu tio materno, a quem reencontrou nas audiências do julgamento de Miara, finalmente condenado em 2013.

Embora com demora, voltou a relacionar-se com a família de seu pai: Guarda um álbum fotográfico de capa azul preparado em 2009 para ele por suas tias paternas. Na primeira página desse documento se lê: “Memórias de teu pai, Quique, Juan Enrique Reggiardo”, e se vê uma árvore genealógica desenhada à mão, que dá nome aos rostos das fotos.

Victoria Analía Donda Pérez

Filha de María Hilda Pérez e José María Laureano Donda, que continuam desaparecidos.

Sua vida mudou para sempre em 24 de julho de 2003, quando Juan Antonio Azic, a quem chamava de pai, tentou suicidar-se dando um tiro na cabeça com sua arma regulamentar. Ficou em coma três meses. A razão chegou pela imprensa: Azic figurava entre os repressores cuja extradição pedia o juiz espanhol Baltasar Garzón para julgá-los por crimes de lesa humanidade fora da Argentina, onde ainda vigoravam as leis de Ponto Final e Obediência Devida.

Analía (esse era seu nome naquela altura) sentiu que sua vida desabava e telefonou para as avós da Praça de Maio para desculpar-se por seu pai. Poucos dias depois, um grupo do HIJOS contatou-a para lhe dizer que suspeitavam que tinha sido apropriada por Azic e sua mulher, Esther, e que isso só poderia ser confirmado por uma análise de DNA. “Lembro-me da sensação de estar diante de um abismo, que tudo desabava. Via tudo escuro e tremia muito. Suponho que de medo. Foram dias em que tremi sem parar”, conta agora Victoria Donda com um fio de voz, enquanto prepara a mamadeira de Trilce, seu bebê.

“Demorei oito meses para me decidir a fazer o exame porque sentia que era dar uma prova para prenderem Juan, um homem que eu amava muito. Que amo muito. Apesar do que fez e das responsabilidades que lhe cabem por isso, porque é um repressor e por isso está preso, eu o amo”. Ainda o visita na penitenciária. Como são esses encontros? “Mais tranquilos, já não há nada que ocultar. De algumas coisas escolhemos não falar, mas é uma relação linda”.

Apesar do que fez e das responsabilidades que lhe cabem por isso, porque é um repressor e por isso está preso, eu o amo

Victoria

O exame demonstrou que era filha de María Hilda Pérez, Cori, e José María Donda, conhecido como Pato, integrantes do Montoneros, sequestrados em 1977. E também, que seu tio não é outro que o oficial da Marinha Adolfo Donda Tigel, hoje na prisão, responsável pela inteligência da ESMA, por onde passaram mais de 4.200 presos desaparecidos. Ali nasceu Victoria, separada de sua mãe com 15 dias de vida: foi a mãe que lhe deu o nome e, com ajuda de uma companheira que a assistiu no parto, perfurou suas orelhinhas com uma agulha cirúrgica e passou fiozinhos azul-claros por elas, segundo relatos de alguns sobreviventes. Essas vozes apontam seu tio como o delator de seus pais. Também foi ele que levou Eva Daniela, sua irmã mais velha, nascida em 1974, que estava aos cuidados de sua avó, Leontina, uma das fundadoras de Avós da Praça de Maio.

Adolfo Donda conseguiu tirar a guarda da menina e a criou como sua filha, afundando uma tragédia familiar que representa a de todo um país. Eva sente afeto de filha por esse tio-pai-apropriador que estava a par do sequestro da cunhada e do irmão e que a criou, mas permitiu – no cúmulo da crueldade ou da contradição – a entrega de sua outra sobrinha, Victoria, a quem inclusive se negou a conhecer.

Vitória e a filha, nascida em um dos mais emblemáticos centros clandestinos de detenção da Argentina. / Mariana Eliano

A relação entre as duas irmãs foi muito difícil durante anos. A mais velha das Donda chegou inclusive a participar, em 2009, de um ato da associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Terrorismo na Argentina, que conta os assassinatos de militares pela guerrilha. Recentemente o vínculo está se recompondo, alentado em parte pelo desejo de deixar para seus próprios filhos outra realidade afetiva. “Estamos nisso”, diz Victoria. “Visitamo-nos, vemo-nos. Saímos juntas. Está bom. Há coisas que é melhor não falarmos. Ela está em um processo pessoal também”, define.

A política foi a melhor terapia de Victoria. “Belicosa”, como gosta de se definir, é um rosto das ideias de esquerda que luta pela legalização da droga (“é o único modo de combater o narcotráfico”) e pelos direitos das mulheres. Assegura que quando Trilce, seu bebê, tiver condições de entender, contará tudo a ela, com Disney como aliado (para desgosto de seus companheiros de partido, o Livres do Sul). “Tenho pensado em assistir Enrolados com ela. O filme fala de uma apropriação porque Rapunzel foi afastada de seus pais e mentiram para ela sobre sua origem”.

Viki teve duas mães. Pelo menos é assim que sente. “Esther, a mulher de Juan, foi minha mãe e vai ser a avó de Trilce, não importa que tenha morrido há quatro anos. Mas minha mamãe biológica, Cori, também me fez falta: senti muitas saudades dela durante minha gravidez. Nunca a vi, é claro, mas precisava dela perto”.

E há cicatrizes. Desde 2003 sonha que está sendo sequestrada por homens sem rosto e falta um lugar onde honrar seus pais. “O que mais dói é a ausência da ausência; não saber onde estão meus pais. Que quando quero ir levar uma flor para eles tenho que ir a um rio”, diz, aludindo à morte de Cori, que foi “transferida”, eufemismo usado pelos militares para se referir aos prisioneiros que eram drogados e jogados ao Rio da Prata nos chamados “voos da morte”.

Enquanto a bebê sorri, muito contente com o movimento de gravadores e câmeras, Victoria fala do nome que escolheu para ela junto com Pablo, seu marido: “A canção de Trilce”, de Daniel Viglietti, uma de seus favoritas; o som, quase um doce, que não quer dizer nada e entretanto “soa como uma mistura de triste e doce”. Possivelmente um verso do poema homônimo de César Vallejo encerre outra chave da escolha quando repete teimoso: “Não tenhamos mais pena”.

Detalhe do mural dos desaparecidos na Escola Superior de Mecânica da Marinha (ESMA), o centro de detenção e tortura da ditadura militar argentina. / Mariana Eliano

Ditadura Militar Argentina: Uma verdade que queima | Internacional | EL PAÍS Brasil

12/08/2014

Ditadura: assassinato de pais, roubo dos bebês

Lembre-se, tudo isso foi possível, o roubo de bebês, graças ao apoio intelectual e logístico dos EUA. Essa é a “maior democracia” do Ocidente?!

Fue doloroso, pero la verdad me liberó

El rencuentro de Guido nos renueva la esperanza y nos llena de energía en esta lucha cotidiana que hace casi cuatro décadas iniciaron las Abuelas en soledad y que hoy está más fuerte que nunca

Carlos D’Elía Casco Argentina 11 AGO 2014 – 21:43 CEST3

Carlos D’Elía, en 1995, cuando fue hallado por su familia biológica.

Es increíble la emoción y alegría que en la Argentina y en muchos lugares del mundo ha generado la localización de Guido, el nieto de Estela de Carlotto. Con él, ya somos 114 los nietos recuperados por las Abuelas, pero aún se estima que cerca de 400 jóvenes no conocen su verdadera identidad. No hay dudas de que el de Guido —o Ignacio, como él prefiere que lo sigan llamando— no es un caso más. Es el nieto de Estela, la presidenta de Abuelas de Plaza de Mayo, y por eso la repercusión mediática es enorme, lo que, al mismo tiempo que altera la intimidad familiar, afortunadamente ha provocado un notable crecimiento de llamados y consultas a Abuelas de personas con dudas sobre su identidad.

La templanza y felicidad que mostró Guido durante su presentación nos hace bien a todos pero, principalmente, creo que le hace muy bien a él. Cuando lo escuché no pude evitar sentirme identificado con mucho de lo que decía, y recordé lo que me tocó vivir hace casi 20 años, cuando fui el nieto 52º que recuperaba su identidad. Aunque tengamos un origen similar, el haber nacido durante el cautiverio de nuestras madres o, como ocurrió en otros casos, el haber sido separados de sus padres siendo niños, todas las historias de nietos recuperados son diferentes y todos reaccionamos distinto también.

Me resultó muy difícil asimilar a los 17 años que quienes yo creía mis padres no lo eran”

Fue muy difícil para mí asimilar a mis 17 años —hoy tengo 36— que quienes yo creía mis padres en realidad no lo eran. Nunca antes había tenido dudas sobre ello. Ese momento marcó un antes y un después en mi vida, me tocó madurar de golpe. Todo ese tiempo, sin saberlo, mi familia biológica me había estado buscando incansablemente. Aún no me conocían y ya me querían. Cuando los resultados de los análisis genéticos confirmaron que yo era el hijo de Yolanda Casco y Julio D’Elía, finalmente pudimos conocernos —debí llamarme Martín, pero cuando me dieron elegir, preferí conservar el nombre Carlos—. Como mis padres, mi familia es uruguaya y vive repartida entre Montevideo y Salto. Empezaron a venir a visitarme a Buenos Aires y teníamos algunos encuentros al mes. Yo les pedí ir de a poco, les dije que necesitaba poder procesar todo lo que me estaba pasando, y pese a todos los años que habían pasado, respetaron mis tiempos. Nos unía la misma sangre, pero el vínculo no lo íbamos a construir de un día para el otro. Teníamos que conocernos, aprender a querernos… En realidad, yo tenía que empezar a quererlos; ellos siempre lo habían hecho.

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Yo había tenido una infancia muy feliz y me habían criado con mucho amor. Ese amor que sentía, y aún siento, por la familia que me había criado era muy fuerte y yo no quería perderlos. Que me hayan mentido durante tantos años me estaba haciendo mucho daño, pero siempre me habían dado mucho amor y elegí perdonar. Elegí sumar afectos, el de mi familia biológica y el de mi familia de crianza. A su manera, todos lo entendieron, priorizaron lo que a mí me hacía bien, lo que yo quería, y por eso me considero un gran afortunado. Con el tiempo, fui conociendo a mis padres a través de mi familia y sus amigos, y así aprendí a quererlos, a amarlos, y también a buscarlos como ellos lo hicieron conmigo. Saber lo que pasó fue doloroso pero la verdad me liberó y permitió que cicatricen las heridas. La verdad siempre te hace bien. Hoy, junto a mi mujer Inés y mis hijas Sol, Juana y Clara, viajamos frecuentemente a Uruguay y compartimos lindos momentos en familia. Son muchos los que nos quieren de un lado y de otro del Río de la Plata.

Este nuevo rencuentro, el de Guido, nos renueva la esperanza y nos llena de energía en esta lucha cotidiana que hace casi cuatro décadas iniciaron las Abuelas en soledad y que hoy, junto a todos los nietos, sigue adelante más fuerte que nunca.

Carlos D’Elía Casco es el nieto número 52 de los hallados por las Abuelas de la Plaza de Mayo

Fue doloroso, pero la verdad me liberó | Internacional | EL PAÍS

12/04/2014

Cadáveres assustam mortos-vivos (Paulo Brossard que o diga…)

Filed under: Baltasar Garzón,Ditadura,Franco,Paulo Brossard,Roubo de bebês — Gilmar Crestani @ 10:53 pm
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Paulo Brossard, que recentemente perpetrou um artigo defendendo a impunidade dos torturadores, foi o Ministro da Justiça do Coronel José Sarney. Cumpriu o edificante papel de procurar, no pasto, à laço, seus congêneres, os bois gordos. É que ele os reconhecia pelos chifres. Devido aos seus dotes com animais foi contratado pela RB$ para pastorear a manada que segue, bestificada e de modo bem bovino, as linhas amestradas da Zero Hora. Paulo Brossard era a oposição que ditadura gostava devido ao comportamento bovino.

Garzón, a los políticos: “¿Les dan miedo las víctimas del franquismo?”

El exjuez participa en un homenaje a los fusilados en la tapia del cementerio de La Almudena

Herreruela, 94 años: "Me duele el desconocimiento y el olvido al que nos quieren someter"

Natalia Junquera Madrid 12 ABR 2014 – 16:14 CET116

Baltasar Garzón saluda a Teófila Herreruela durante el homenaje hoy a los fusilados en la tapia del cementerio de La Almudena. / Fernando Alvarado (EFE)

"Se murió el dictador, se firmaron acuerdos, se aprobó una Constitución, se repitió un golpe de Estado, se consolidó una democracia, llegó el siglo XXI, pero nadie miró hacia las víctimas", ha denunciado Remedios Palomo, nieta de un alcalde republicano fusilado en la Guerra Civil, esta mañana en el acto de homenaje a los más de 2.600 fusilados en la tapia del cementerio de La Almudena, en Madrid. "El 26 de octubre de 2008, un hombre, un juez, se detuvo a mirar. Miró y vio esta y otras tapias. Estas fosas y aquellas cunetas. Tenía la justicia que necesitaban las víctimas y se dispuso a entregársela. No pudo ser. Y aunque la justicia ya no esté en su mano, Baltasar Garzón no ha dejado nunca de mirar hacia esta tapia y hacia aquellas cunetas. Quienes luchamos contra el olvido no debemos olvidar nunca quién fue la primera persona que miró hacia aquí, la que buscó justicia y perdió en el intento".

Tras la emocionada presentación de Palomo, y ante un público entregado, en el que abundaban muchos descendientes, ya ancianos, de los fusilados, Garzón ha recordado, con envidia, cómo hace unos días, mientras estaba en Buenos Aires, asistió a un homenaje a los exiliados del franquismo en la sede del Congreso argentino, un acto, que "contó con todo el apoyo de la cámara de los diputados y del senado y con una nutrida representación de la política" del país. Allí, en Argentina,  es "donde queda la única causa abierta del mundo para investigar los crímenes franquistas". "Ellos tratan de indagar donde nosotros fracasamos o donde no nos dejaron hacer, pero en esta ocasión la culpa no puede echarse a los políticos. La culpa la tuvieron los jueces, la justicia, que no supo estar a la altura de las víctimas".

"Dicen que en España ya hubo reconciliación, que ya se sabe todo, pero yo no sé nada. A mí no me enseñaron nada de la Guerra Civil en el colegio", ha denunciado. "Solo sé las historias que mi tío Gabriel me contaba sobre sus condenas a muerte. Jamás ha habido una política de memoria en España, ni de un Gobierno ni de otros. El miedo ha atenazado a unos y a otros. Siempre ha habido una justificación falsa. Y yo me pregunto: ¿a qué tienen miedo? ¿las víctimas dan miedo? ¿Qué es lo que puede suceder en España por que haya verdad, justicia y una verdadera reparación para las víctimas, en lugar de mendigarla cada día y que encima tengan que soportar que señores como [Rafael]  Hernando [diputado del PP], les digan que solo se acuerdan de sus familiares cuando hay subvenciones. ¡Es vergonzoso, repugnante!."

El exmagistrado de la Audiencia Nacional, procesado y finalmente absuelto por abrir una causa contra los crímenes del franquismo, ha comentado que en sus frecuentes viajes, especialmente a Latinoamérica, le preguntan por qué España no ha reparado convenientemente a las víctimas del franquismo. "No entienden lo que sucede en España, ni siquiera los gobiernos conservadores. Me dicen, ¿cuál es el problema, por qué no se hace justicia? Y el problema es que jamás se ha reconocido que el régimen franquista fuera un régimen fascista. Incluso ahora se dice que fue autoritario pero no totalitario. ¡Nos ha jodido!"." ¿No se dan cuenta de que nunca habrá una verdadera reconciliación, desde las tripas, hasta que no haya verdad, justicia y reparación para las víctimas?".

La intervención fue precedida por un largo aplauso, casi tan largo como el que recibió Teófila Herreruela, de 94 años. "Isabel Huelga tenía 62 años cuando fue ejecutada, el 31 de julio de 1939. Era madre de dos hijos, también en prisión". Herreruela se casó con uno de ellos, Antonio, pese a que el mismo día que sacaron a Isabel Huelga de la cárcel para fusilarla, cometieron la crueldad de decirle que habían sido ejecutados también. Era mentira. El pequeño, Joaquín, falleció años después en la cárcel de Porlier, de tuberculosis. Tenía 25 años. Y el mayor, Antonio, continuó en la cárcel  hasta el 16 de marzo de 1946. "Nos casamos el 9 de noviembre de 1945 en la prisión de Yeserías de Madrid", ha recordado Herreruela. "Estuvo siete años en prisión. Siete años sufriendo, unos tras las rejas y yo en la parte exterior, pero también presa". Antonio falleció el 10 de enero de 1960 por una enfermedad también contraída en la cárcel. Él y Teófila tenían tres hijos.

"Yo tengo 94 años y fui testigo de cómo el Régimen destruía vidas, saqueaba bienes… Recuerdo cuando ese ejército entró en Madrid vociferando desde sus camiones: ‘Nada tenéis que temer los que no tengáis las manos manchadas de sangre’. ¡Qué burda mentira! Muchos lo creyeron y cómo nada tenían que temer se quedaron en sus casas, como lo hicieron Isabel y sus hijos. Allí les detuvieron. No tenían por qué huir porque nada malo habían hecho. Pertenecer a un partido político no era un delito. Los que sí cometieron delito fueron ellos, que mataron a Isabel, se apoderaron de su casa…". Durante la II República, Huelga había sido funcionaria de prisiones en la misma cárcel en la que pasó sus últimas horas. "El sitio que fue su lugar de trabajo, la prisión de mujeres de Ventas, fue su lugar de reclusión y antesala de su muerte…" Estaba muy enferma cuando la mataron. "La sacaron de la enfermería para fusilarla ", ha explicado Herreruela.

Teófila ha concluido su discurso con un lamento: "Me duele el desconocimiento de lo sucedido e incluso el olvido al que nos quieren someter. Tengo 94 años y fui testigo de tanto horror. Nunca en mi vida de maestra pude explicar en clase la realidad de lo sucedido".

Celia Muñoz ha recordado a su padre, Gerardo Muñoz, maestro, ante la tapia de La Almudena donde eran fusiladas las víctimas, hoy repleta de claveles rojos y fotos de los ejecutados. "Lo mataron el 24 de junio de 1939. Dejó un verso escrito a su querida esposa, que dice todo en muy pocas palabras: ‘Cuando esto vean tus ojos, yo dejé de existir. Para todos, pero no para ti. La maldad de los hombres hizo presa en mis carnes. Padecí los horrores del odio y la barbarie. Recorrí mi calvario entero y con firmeza y solo tu sudario enjugó mi flaqueza. Vivimos honestamente nuestra vida. Digno llego a la muerte. Con honra. Nuestra canción eterna no se ha de interrumpir. Tú vives en la tierra. Yo siempre vivo en ti".

Garzón, a los políticos: “¿Les dan miedo las víctimas del franquismo?” | Política | EL PAÍS

03/04/2014

Como ditaduras constroem consensos

Um padre com 1.700 motivos para ser bem recebido… no Inferno. Se inferno existisse!

Una plaza para el cura que presenció 1.700 fusilamientos

Zaragoza dedica una plaza al capellán de la cárcel de Torrero entre 1936 y 1942

Natalia Junquera Madrid 1 ABR 2014 – 21:31 CET904

Gumersindo de Estella

"¡Tantos hombres para matar a tres mujeres!’, gritó una. Sonó la descarga cerrada. Les di la absolución, y antes de que el teniente descargara los tiros de gracia, me alejé caminando como un autómata”. El pelotón de fusilamiento ascendía a 24 hombres. Las tres mujeres eran Selina Casas, Margarita Navascués y Simona Blasco. Y el testigo que describe la atroz escena, un cura, Gumersindo de Estella, que presenció 1.700 fusilamientos en las tapias del cementerio de Torrero (Zaragoza) entre 1936 y 1942. “Como sacerdote y cristiano sentía repugnancia ante tan numerosos asesinatos y no podía aprobarlos”. Tampoco pudo impedirlos, pero dejó constancia de ellos en un estremecedor diario por el que ayer le homenajeó el Ayuntamiento de Zaragoza dedicándole una plaza en el cementerio de Torrero.

Gumersindo de Estella, nombre religioso de Martín Zubeldia (1880-1974), acompañaba a las víctimas en camioneta desde la cárcel hasta la tapia del cementerio y les daba la extremaunción entre el fusilamiento y el tiro de gracia. No solo presenció las ejecuciones, también el robo de niños, como describió en su diario: “¡Por compasión, no me la roben! Que la maten conmigo’, gritaba una. ‘¡No quiero dejar a mi hija con estos verdugos!’, exclamaba la otra. Se entabló una lucha feroz entre los guardias que intentaban arrancar a viva fuerza las criaturas del pecho y brazos de sus madres y las pobres madres que defendían sus tesoros a brazo partido”.

Los bebés tenían un año. Eran las hijas de Selina Casas y Margarita Navascués. Las acusaban de haber intentado escapar a la zona republicana el día anterior, 21 de septiembre de 1937. Dos monjas recogieron a las niñas después de que mataran a sus madres.

“Mi actitud contrastaba vivamente con la de otros religiosos, incluso superiores míos, que se entregaban con regocijo extraordinario y no solo aprobaban cuanto ocurría, sino que aplaudían y prorrumpían en vivas con frecuencia”, escribió Gumersindo de Estella en su diario. Había sido precisamente el enfrentamiento con sus superiores el que le había llevado a ser capellán de la cárcel de Torrero. Zubeldia discutió con el padre Ladislao Yabar, quien anunciaba con ceremonia: “Hoy comeremos gallinas requisadas en Gipuzcoa por nuestros valientes requetés”, y fue trasladado, como castigo, desde Pamplona a Zaragoza. Le costó casi un año que retiraran de la capilla el retrato de Franco que presidía el altar. Se retiró un tiempo por una úlcera. Cuando regresó, ya terminada la guerra, los fusilamientos seguían -cerca de 700 después de la contienda-  pero habían colocado unos sacos terreros tras la tapia porque las balas habían traspasado la pared y alcanzado los nichos.

En total, más de 3.543 republicanos fueron fusilados en aquel muro desde la madrugada del 19 de julio de 1936 hasta el 20 de agosto de 1946. No se dejó de matar ni un solo día, ni en nochebuena. En octubre de 2010 se inauguró en el cementerio una espiral con los nombres de todas las víctimas.

“Su diario es un documento único, extraordinario”, explica el catedrático de historia contemporánea Julián Casanova,autor de La Iglesia de Franco (Editorial Crítica). “Muestra la desazón desde dentro de un hombre de la Iglesia al ver el fervor guerrero de la institución, que se ha puesto al servicio de Franco”.

Zubeldia ocultó su diario hasta poco antes de su muerte, cuando hizo saber de él a otros sacerdotes. “Son cinco cuadernos, para nosotros, un tesoro”, explica el padre Tarsicio de Azcona, de 90 años. “Sufrió mucho. Él era un hombre del pueblo, un misionero popular”. El diario se publicó en un libro en 2003 gracias a Azcona y al también capuchino José Ángel Echevarría. El reconocimiento le llegó ayer, cuando se cumplían 75 años del final de la Guerra Civil, gracias a un acuerdo por unanimidad del Ayuntamiento de Zaragoza para dedicarle una plaza. El alcalde, Juan Alberto Belloch; Casanova y Azcona se reunieron para hablar de Gumersindo de Estella en el Teatro Principal.

01/04/2014

Guerra Civil Espanhola

Filed under: Franquismo,Guerra Civil Espanhola,Roubo de bebês — Gilmar Crestani @ 9:25 am
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La Guerra Civil que nunca se aprendió en las escuelas

Por: Julián Casanova | 01 de abril de 2014

Cartel de Arnau sobre un parte oficial del cuartel general del Generalísimo. / Biblioteca Nacional (BNE)

“En el día de hoy, cautivo y desarmado el Ejército rojo, nuestras tropas victoriosas han alcanzado sus últimos objetivos militares. La guerra ha terminado”, decía el último parte oficial emitido desde el cuartel general de Franco el 1 de abril de 1939, con la voz del locutor y actor Fernando Fernández de Córdoba.

Atrás había quedado una guerra de casi mil días, que dejó cicatrices duraderas en la sociedad española. El total de víctimas mortales, según los historiadores, se aproximó a las 600.000, de las cuales 100.000 corresponden a la represión desencadenada por los militares sublevados y 55.000 a la violencia en la zona republicana. El desmoronamiento del ejército republicano en la primavera de 1939 llevó a varios centenares de miles de soldados vencidos a cárceles e improvisados campos de concentración. A finales de 1939 y durante 1940 las fuentes oficiales daban más de 270.000 reclusos, una cifra que descendió de forma continua en los dos años siguientes debido a las numerosas ejecuciones y a los miles de muertos por enfermedad y desnutrición. Al menos 50.000 personas fueron ejecutadas entre 1939 y 1946.

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Los hechos más significativos de la Guerra Civil han sido ya investigados y las preguntas más relevantes están resueltas, pero esa historia no es un territorio exclusivo de los historiadores y, en cualquier caso, lo que enseñamos los historiadores en las universidades y en nuestros libros no es lo mismo que lo que la mayoría de los ciudadanos que nacieron durante la dictadura o en los primeros años de la actual democracia pudieron leer en los libros de texto del Bachillerato. Además, millones de personas nunca estudiaron la Guerra Civil porque no hicieron Bachillerato o porque nadie les contó la guerra en las asignaturas de Historia.

Setenta y cinco años después de su final, puede ser el momento de recordar cinco cosas básicas que todo ciudadano informado debería saber sobre la Guerra Civil, pero nunca le enseñaron.

1. ¿Por qué hubo una Guerra Civil en España?

En 1936 había en España una República, cuyas leyes y actuaciones habían abierto la posibilidad histórica de solucionar problemas irresueltos, pero habían encontrado también, y provocado, importantes factores de inestabilidad, frente a los que sus gobiernos no supieron, o no pudieron, poner en marcha los recursos apropiados para contrarrestarlos.

La amenaza al orden social y la subversión de las relaciones de clase se percibían con mayor intensidad en 1936 que en los primeros años de la República. La estabilidad política del régimen también corría mayor peligro. El lenguaje de clase, con su retórica sobre las divisiones sociales y sus incitaciones a atacar al contrario, había impregnado gradualmente la atmósfera española. La República intentó transformar demasiadas cosas a la vez: la tierra, la Iglesia, el Ejército, la educación, las relaciones laborales. Suscitó grandes expectativas, que no pudo satisfacer, y se creó pronto muchos y poderosos enemigos.

La sociedad española se fragmentó, con la convivencia bastante deteriorada, y como pasaba en todos los países europeos, posiblemente con la excepción de Gran Bretaña, el rechazo de la democracia liberal a favor del autoritarismo avanzaba a pasos agigantados. Nada de eso conducía necesariamente a una guerra civil. Ésta empezó porque un golpe de Estado militar no consiguió de entrada su objetivo fundamental, apoderarse del poder y derribar al régimen republicano, y porque, al contrario de lo que ocurrió con otras repúblicas del período, hubo una resistencia importante y amplia, militar y civil, frente al intento de imponer un sistema autoritario. Sin esa combinación de golpe de Estado, división de las fuerzas armadas y resistencia, nunca se habría producido una guerra civil. 

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Vista la historia de Europa de esos años, y la de las otras República que no pudieron mantenerse como regímenes democráticos, lo normal es que la República española tampoco hubiera podido sobrevivir. Pero eso no lo sabremos nunca porque la sublevación militar tuvo la peculiaridad de provocar una fractura dentro del Ejército y de las fuerzas de seguridad. Y al hacerlo, abrió la posibilidad de que diferentes grupos armados compitieran por mantener el poder o por conquistarlo. El Estado republicano se tambaleó, el orden quebró y una revolución radical y destructora se extendió como la lava de un volcán por las ciudades donde la sublevación había fracasado. Allí donde triunfó, los militares pusieron en marcha un sistema de terror que aniquiló físicamente a sus enemigos políticos e ideológicos. Era julio de 1936 y así comenzó la Guerra Civil española.

2. ¿Por qué la propaganda domina a la historia cuando se trata de la violencia?

Para los españoles, la guerra civil ha pasado a la historia, y al recuerdo que de ella queda, por la deshumanización del contrario y por la espantosa violencia que generó.

Los bandos que se enfrentaron en ella eran tan diferentes desde el punto de vista de las ideas, de cómo querían organizar el Estado y la sociedad, y estaban tan comprometidos con los objetivos por los que tomaron las armas, que era difícil alcanzar un acuerdo. Y el panorama internacional tampoco dejó espacio para las negociaciones. De esa forma, la guerra acabó con la aplastante victoria de un bando sobre otro, una victoria asociada desde ese momento a los asesinatos y atrocidades que se extendían entonces por casi todos los países de Europa.

La apelación a la violencia y al exterminio del contrario fueron además valores duraderos en la dictadura que se levantó sobre la Guerra Civil y que iba a prolongarse durante casi cuatro décadas. Por eso, la sociedad que salió del franquismo y la que creció con la democracia mostró índices tan elevados de indiferencia hacia la causa de las víctimas de la Guerra Civil y de la dictadura. Y sigue sin haber acuerdo fácil en esa cuestión, porque todas las complejas y bien trabadas explicaciones de los historiadores quedan reducidas a quién mató más y con mayor alevosía. En ese tema, todavía hoy, la propaganda, con sus habituales tópicos y mitos, suele sustituir al análisis histórico.

3. ¿Cómo se vio y se ve la Guerra Civil española en el exterior?

Pese a lo sangrienta y destructiva que pudo ser, la Guerra Civil española debe medirse también por su impacto internacional, por el interés y la movilización que provocó en otros países. En el escenario internacional desequilibrado por la crisis de las democracias y la irrupción del comunismo y de fascismo, España era, hasta julio de 1936, una país marginal, secundario. Todo cambió, sin embargo, a partir de la sublevación militar de ese mes. En unas pocas semanas, el conflicto español recién iniciado se situó en el centro de las preocupaciones de las principales potencias, dividió profundamente a la opinión pública, generó pasiones y España pasó a ser el símbolo de los combates entre fascismo, democracia y comunismo.

Lo que era en su origen un conflicto entre ciudadanos de un mismo país derivó muy pronto en una guerra con actores internacionales. La situación internacional era en ese momento my poco propicia para la República, y para una paz negociada, y eso marcó de forma decisiva la duración, curso y desenlace de la guerra civil española. La Depresión había alimentado el extremismo y minado la fe en el liberalismo y la democracia. Además, la subida al poder de Hitler y los nazis en Alemania y la política de rearme emprendida por los principales países europeos desde comienzos de esa década crearon un clima de incertidumbre y crisis que redujo la seguridad internacional.

Los mejores expertos sobre la financiación de la guerra y su dimensión internacional han destacado el desequilibrio a favor de la causa franquista de suministros de material bélico, pero también de asistencia logística, diplomática y financiera. Al margen de las interpretaciones canónicas de un lado o de otro, esos historiadores subrayan la trascendencia de la intervención extranjera en el curso y desenlace de la guerra. La intervención de la Alemania nazi y de la Italia fascista y la retracción, en el mejor de los casos, de las democracias occidentales condicionaron de forma muy importante, si no decisiva, la evolución y duración del conflicto y su resultado final.

Compañía del ejército fascista, de marcha por España durante la Guerra Civil. La foto fue tomada en 1937 por el teniente italiano Guglielmo Sandri.Pero  a España no sólo llegaron armas y material de guerra. Llegaron también muchos voluntarios extranjeros, reclutados y organizados en las Brigadas Internacionales por la Internacional Comunista, que percibió muy claramente el impacto de la Guerra Civil española en el mundo y el deseo de muchos antifascistas de participar en esa lucha. Frente a la intervención soviética y a las Brigadas Internacionales, los nazis y fascistas [en la foto, una compañía del ejército fascista de marcha por España en 1937, retratados por el teniente italiano Guglielmo Sandri] incrementaron el apoyo material al ejército de Franco y enviaron asimismo miles de militares profesionales y combatientes voluntarios. La guerra no era sólo un asunto interno español. Se internacionalizó y con ello ganó en brutalidad y destrucción. Porque el territorio español se convirtió en campo de pruebas del nuevo armamento que estaba desarrollándose en esos años de rearme, previos a una gran guerra que se anunciaba.

4. ¿Por qué se movilizaron tantos extranjeros en la guerra española?

Dentro de esa guerra internacional en suelo español hubo varias y diferentes contiendas. En primer lugar, un conflicto militar, iniciado cuando el golpe de Estado enterró las soluciones políticas y puso en su lugar las armas. Fue también una guerra de clases, entre diferentes concepciones del orden social, una guerra de religión, entre el catolicismo y el anticlericalismo, una guerra en torno a la idea de la patria y de la nación, y una guerra de ideas que estaban entonces en pugna en el escenario internacional. En la guerra civil española cristalizaron, en suma, batallas universales entre propietarios y trabajadores, Iglesia y Estado, entre oscurantismo y modernización, dirimidas en un marco internacional desequilibrado por la crisis de las democracias y la irrupción del comunismo y del fascismo. Por eso tanta gente de diferentes países, obreros, intelectuales y escritores, se sintió emocionalmente comprometida con el conflicto.

5. ¿Por qué ganó Franco la guerra?

Los militares sublevados en julio de 1936 ganaron la guerra porque tenían las tropas mejor entrenadas del ejército español, al poder económico, estaban más unidos que el bando republicano y los vientos internacionales soplaban a su favor. Después de la Primera Guerra Mundial y del triunfo de la revolución en Rusia, ninguna guerra civil podía ser ya sólo “interna”. Cuando empezó la Guerra Civil española, los poderes democráticos estaban intentando a toda costa “apaciguar” a los fascismos, sobre todo a la Alemania nazi, en vez de oponerse a quien realmente amenazaba el equilibrio de poder. La República se encontró, por lo tanto, con la tremenda adversidad de tener que hacer la guerra a unos militares sublevados que se beneficiaron desde el principio de esa situación internacional tan favorable a sus intereses.

La victoria incondicional de las tropas del general Francisco Franco, el 1 de abril de 1939, inauguró la última de las dictaduras que se establecieron en Europa antes de la Segunda Guerra Mundial. La dictadura de Franco, como la de Hitler, Mussolini u otros dictadores derechistas de esos años, se apoyó en el rechazo de amplios sectores de la sociedad a la democracia liberal y a la revolución, quienes pedían a cambio una solución autoritaria que mantuviera el orden y fortaleciera al Estado. 

Franco preside un desfile militar en los años cuarenta

Setenta y cinco años después, pocos creen ya que el objetivo del historiador es presentar a sus lectores “la verdad sin mancha ni pintura”, o que el pasado existe independiente de la mente de los individuos y lo que tiene que hacer el historiador, en consecuencia, es representarlo de forma objetiva. Que los hechos de la historia nunca nos llegan a nosotros en estado “puro” es algo que popularizó Edward H. Carr hace ya muchos años y había sido ya dicho por los historiadores norteamericanos de la “New History” a comienzos del siglo XX. Pero asumiendo que la verdad absoluta es inalcanzable, la función del historiador debería ser todavía, en palabras de François Bedarida, “la de descubrir modestamente las verdades, aunque sean parciales y precarias, descifrando parcialmente en toda su riqueza los mitos y las memorias”. Y algunas verdades relativas y bastantes certezas tenemos ya sobre la Guerra Civil, después de tantos intentos por reconstruir aquellos hechos y las vidas de los que los presenciaron, y por ampliar el foco, las fuentes y las técnicas de interpretación.

Además de difundir el horror que la guerra y la dictadura generaron y de reparar a las víctimas durante tanto tiempo olvidadas, hay que convertir a los archivos, museos y a la educación en las escuelas y universidades en los tres ejes básicos de la política pública de la memoria. Más allá del recuerdo testimonial y del drama de los que sufrieron la violencia, las generaciones futuras conocerán la historia por los libros, documentos y el material fotográfico y audiovisual que seamos capaces de preservar y legarles. Archivos, erudición, análisis, debates y buenas divulgaciones de los conocimientos. Eso es lo que necesitamos para seguir construyendo las partes del pasado que todavía quedan por rescatar. La propaganda y la opinión son otra cosa.

Julián Casanova es autor de España partida en dos. Breve historia de la guerra civil española (Crítica).

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15/03/2014

Juan Gelman in memoriam

Filed under: Juan Gelman,Roubo de bebês — Gilmar Crestani @ 8:15 pm
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Juan Ternura y Juan Coraje

Por Osvaldo Bayer

Apenas llegado a Buenos Aires recibo un sobre. Lo abro. Adentro trae una poesía. Del poeta y músico salteño Raúl Fernández. Se titula “Macarena” y está acompañada de una foto plena de ternura de nuestro gran poeta Juan Gelman abrazado a su nieta Macarena.

Recuerdo la emoción de Juan cuando por fin logró hallar a su nieta, hija del hijo de Gelman, desaparecido –junto a su esposa– por la dictadura militar del genocida Videla. Esa nieta fue buscada por años por su abuelo, nuestro poeta. Leí la poesía del poeta salteño y me emocionó.

Todo me hizo pensar en nuestro trágico pasado. Y recordé el coraje civil de nuestro poeta Juan Gelman. Se comprueba esto en la contratapa que escribió él para Página/12 el domingo 23 de agosto de 1998, titulada “De-samparos”. Allí critica abiertamente a la Corte Suprema de Justicia de la Nación. Con toda la valentía de un verdadero demócrata. Comienza así, sin pelos en la lengua: “Aún patalean los tiempos que hace más de 90 años Karl Kraus consideró de ‘enanos que manejan asuntos de gigantes’. Con el voto a favor de los doctores Julio Nazareno, Eduardo Moliné O’Connor, Augusto César Belluscio, Guillermo López y Adolfo Vázquez, la Corte Suprema de Justicia de la Nación falló que ‘No resulta admisible el recurso que Carmen Aguiar de Lapacó presentó para conocer el destino de su hija Alejandra, de-saparecida en el Centro Clandestino de Detención El Atlético, instalado en pleno San Telmo’. Dicho de otra manera, la búsqueda de la Verdad, pilar de toda Justicia, es ‘no admisible’ para el alto tribunal”.

Y prosigue Juan, el poeta: “‘Del error de los actos judiciales de los hombres, cuando está oculta la verdad’ es el título del capítulo VI del Libro XIX de la Ciudad de Dios, la obra que San Agustín dedicó a la exploración de asuntos terrestres y celestes. Es probable que alguno de esos seis jueces nuestros lo haya leído pero, si no es así, allí se dice, por ejemplo, ‘la ignorancia del juez viene a ser la calamidad del inocente’. Y también: ‘En semejantes densas nieblas como éstas de la vida política, pregunto: ¿se sentará en los estrados de juez un hombre sabio o no se sentará?’. Estas densas tinieblas de la política –continúa Gelman– son notorias en la Argentina de hoy: consisten en las presiones de las Fuerzas Armadas y del gobierno”. (Recordemos que era la presidencia de Carlos Menem.) San Agustín aconsejaba a los jueces que se dirijan a Dios con esta súplica: “Líbranos, Señor, de las necesidades”.

Y luego, Gelman hace historia: “Los argumentos empleados apuntan claramente a la impunidad. Se aduce que las leyes de Punto Final y de Obediencia Debida del ex presidente Alfonsín y los indultos de Menem cristalizan con el decreto que las dictaduras militares se dictaron a sí mismas y han clausurado la vía de las condenas penales para los represores”. Y les dice a los jueces: “Estos enterradores de la verdad desean matar el pasado, del mismo modo que las Fuerzas Armadas mataron el presente. Habría que equiparar sus sueldos al de los sepultureros de la Chacarita”. Con ese coraje civil, Gelman enfrenta a los máximos jueces de aquella época. Coraje civil que compartirá con la ternura de su carácter. Lo pudimos constatar cuando abrazó a su nieta Macarena, recuperada.

Juan Gelman es ya Juan Poeta, Juan Ternura y Juan Coraje.

Juan siguió siempre el camino de su coraje civil y de su alma poética.


MACARENA

SOLAS… las vocales y consonantes
SOLOS… los adjetivos y sustantivos
SOLOS… los sonetos versos endecasílabos, prosas y el poema
SOLOS… ante la ausencia de la pluma que construye la palabra,
Digna, profunda, y bella
Pero tan sólo… la vida tiene el don del milagro
A que la muerte perezca ante tanta luz
Que enceguece la eternidad y es poesía
Resurrecta, segundo a segundo, día a día.

Que la muerte descanse en paz, no hay lugar para ella
No sabe de pájaros, amaneceres y flores
No sabe del dolor de Padre, de Abuelo, de Poeta y de Amores.
Sólo esa luz diáfana y bella, la que habla sin odios
Y rencores, solo de lucha y de vida, es en ti MACARENA, la POESIA.

Humildemente de Argentina, Raúl G. Fernández (compositor)

Página/12 :: Contratapa :: Juan Ternura y Juan Coraje

02/01/2014

Bunge & Born: uma outra história argentina

El señor de todo

Por Mario Rapoport *

Bunge & Born, la primera multinacional argentina, una de las corporaciones más grandes del mundo en comercialización de commodities y en especial de soja, está de nuevo en la mira. Como sucedió en 1974 con el secuestro de los hermanos Born, dos de sus principales directivos; en los años ‘90, cuando la empresa puso dos ministros de Economía sucesivos para impulsar el programa neoliberal del presidente Menem; y ahora que se la acusa de complicidad en el secuestro de trabajadores en la época de la dictadura militar.

B&B ya existía en el país desde 1884 dedicada más que nada al comercio de cereales, pero no todos saben que el que le dio su mayor impulso y la convirtió en lo que hoy es, fue Alfredo Hirsch, un judío alemán que llegó a Buenos Aires en 1897 contratado por la sede principal de la compañía que operaba en Amberes. La carrera de Hirsch en Argentina fue tan fulgurante que en 1927 ya era el presidente de la compañía, y por veintiocho años iba a ser su directivo principal. Se dice que su hija Leonor tuvo un romance con el presidente Agustín P. Justo, lo que demuestra su fuerte vinculación con el poder político local.

“No cabe duda de que sin el paso de Alfredo Hirsch por el Grupo Bunge –confiesa un ex presidente de esa empresa, Salvador Carbó– éste no habría llegado a lo que fue cuando lo dejó y lo que también es ahora. Un grupo que cotiza en la Bolsa de Nueva York con una facturación de más de 26.000 millones de dólares, siendo el mayor exportador mundial de aceite de soja.”

B&B tenía en los años veinte a muchos familiares de Alfredo Hirsch en sus filas y a nuestras manos llegó una carta del 25 de julio de 1925, que uno de ellos, Max, le envía a su hermano Kurt, entonces en Europa, escrita apresuradamente mientras viajaba en un coche comedor hacia Charata (Chaco). En ella revela la magnitud de los intereses de B&B y del mismo Hirsch en esa región donde reinaba otra empresa tristemente célebre La Forestal, que en esos años, después de pasar por varias manos, la compartían capitales ingleses y alemanes. Con características semifeudales, incluso dinero propio o vales, de los que los trabajadores dependían totalmente (para su alojamiento, compra en almacenes, salones de baile, etc.) a medida que avanzaba el desmonte de los árboles de quebracho, se abandonaban viejos pueblos y se creaban otros, dejando detrás zonas desérticas. Varias huelgas y movimientos de los trabajadores tuvieron lugar en la empresa, que los reprimía con la ayuda de las autoridades locales, terminando muchos de ellos por años en prisiones o cárceles, tal como lo relata muy documentadamente en un libro imperdible Gastón Gori.

Según señala Max en su carta, La Forestal era la firma más grande del mundo en propiedad de bosques y tierras, 1.800.000 hectáreas, que estaban dedicadas principalmente a la explotación del tanino o extracto de quebracho. Y allí remarca que todos sus establecimientos se hallaban equipados con máquinas alemanas e inglesas y dirigidos por administradores e ingenieros europeos. Poseía varias fábricas de tanino y cientos de kilómetros de ferrocarriles propios y exportaba muchos rollizos de quebracho, sin tratar, a Estados Unidos.

La carta de Max sostiene que la compañía era ya en esa época completamente alemana y hace un balance de la penetración de los capitales de este origen en la región. B&B había instalado en esa zona varias fábricas bajo su supervisión cuyo objeto era la explotación del algodón, para lo cual disponían desmontadoras de algodón en bruto que trabajaban con máquinas Lummus de origen alemán y motores Otto a gas o semidiésel, aunque algunas disponían de productos ingleses o norteamericanos.

En Resistencia, la ciudad principal de la región, existían cinco fábricas de aceite, que era refinado en el lugar y se vendía como aceite comestible, y la mayor parte de las usinas tenían prensas Krupp. También había fábricas de aceite de ricino, de las cuales una era propiedad de otro industrial alemán, Hugo Stinnes. Max señalaba que Molinos Río de la Plata, el establecimiento creado por Hirsch y equipado totalmente por Krupp, era el más moderno de toda Sudamérica. Pero allí se hacía aceite de lino, nabo y maní no de algodón, por eso necesitaban crear establecimientos en el Chaco. “De todos modos –le decía a Kurt– sería muy interesante si te encontraras frecuentemente con don Alfredo, quien te puede contar todo ya que es el Señor de todo.”

Finalmente, se refería a la cría de ganado vacuno, que no eran de razas finas por la garrapata que afectaba a éstas. Pero los vacunos que se habían traído aguantaban bien las difíciles condiciones de la región. Jorge Born tenía en la zona 250.000 hectáreas, con 35.000 cabezas de ganado en una sola propiedad y Alfredo Hirsch había comprado 30.000 hectáreas.

No lo dice la carta, pero una demostración del poderío del Señor de todo, como lo calificaba el autor de la misma, la dio Hirsch cuando se transformó en el rey de los cielos de Buenos Aires construyendo entre 1931-1933 el edificio Comega (Compañía Mercantil Ganadera), también gracias a una empresa alemana, Geopé, en un lugar emblemático de la city porteña, Corrientes 222, desde cuya terraza se pudo ver en 1934 la llegada del dirigible germano Graf Zepellin, en febrero de 1936 el sepelio de Carlos Gardel y en 1937 la transformación final de la angosta calle Corrientes en una avenida.

Edificado en el lugar de la vieja residencia de Francisco Madero, aquel que creó el puerto que lleva su nombre, se demostró pronto inservible y hoy es un paseo de lujo. El Comega fue el primer edificio completamente construido en hormigón armado, con 21 plantas y cinco ascensores ultra modernos y llegó a ser uno de los más altos de la ciudad. Fue un pionero porque luego de su construcción se levantó el edificio Safico (Corrientes 456) y más tarde, en 1937, el Kavanagh (monumento histórico mundial de la ingeniería civil), todos ellos ejemplos en el mundo de la arquitectura Art Deco. Dedicado sólo al alquiler de oficinas, en su interior albergaba el Departamento de Administraciones Rurales de B&B, dedicado a la gerencia y auditoría de estancias, que se ocupaba no sólo de las de Hirsch y sus socios como Las Lilas, La Mechita, La Criolla, El Bonete, La Elisa, La Leonor, Bellamar, etc. sino también de las de muchos otros. Era el imperio Hirsch.

La carta no mencionaba esta última información pero terminaba de manera algo servil: “En cuanto a mi prometido viaje a Europa aparentemente es todavía un problema porque, como digo yo siempre: ‘el hombre piensa y Hirsch conduce’. ¿Quién sabe lo que tiene planeado para mí cuando vuelva a BA? ¿Quién sabe lo que tiene en la cabeza para el año que viene?”. En verdad, Alfredo Hirsch parecía tener a sus empleados, incluso a sus ejecutivos, en un puño. Una revelación temprana del espíritu de la empresa.

* Economista e historiador.

Página/12 :: Contratapa :: El señor de todo

18/12/2013

Parodiando Primo Levi: é isto uma mulher?

Filed under: Chile,Ditadura,Roubo de bebês,Violência — Gilmar Crestani @ 8:57 am
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Marta Cejas está acusada por asociación ilícita y torturas y fue denunciada por hechos ligados a una violación.

Una carcelera emblemática en Santiago

Recibirán sentencia nueve represores. La mujer de Musa Azar, Marta Cejas, está acusada de torturas y fue denunciada por “facilitar” una violación. Las querellas y la fiscalía plantean dudas sobre el desarrollo del juicio oral.

Por Alejandra Dandan

Mañana se conocerá una nueva sentencia en las causas de lesa humanidad en Santiago del Estero. Esta vez, el tribunal debe decidir condenas para nueve represores. Entre ellos, los principales responsables de la represión en la provincia, pero además una mujer, Marta Cejas, esposa de Musa Azar, ex jefe de la D-2 santiagueña. Cejas se halla en juicio por su rol como carcelera de las presas políticas, parte de la asociación ilícita y está acusada de torturas. En el juicio su figura fue simbólica porque quedó denunciada, además, por habilitar la violación de una prisionera. Este es uno de los puntos sobre los que se espera una decisión del tribunal. Los intentos de denunciar este tipo de delitos tuvieron complicaciones durante todo el debate. El TOF no incorporó la acusación contra Cejas y ahora se espera saber si al menos impulsará una investigación por el caso. Querellas y fiscales también esperan ver si condenarán a los represores por el único caso de violencia sexual que quedó en pie.

“El tribunal no aceptó durante el juicio todas las ampliaciones por delitos sexuales que habíamos pedido”, señala Cristina Torres, una de las sobrevivientes e integrantes de la querella. “En ese sentido creemos que lo que ocurrió fue un paso atrás con respecto a la megacausa que se hizo el año pasado, creo que en uno de los casos se expuso a la víctima a una situación muy traumática y quizá provocó mucho ruido en un contexto jurídico donde en todos lados suelen estar cada vez más claras las posiciones respecto de este delito.”

El juicio estuvo a cargo de las juezas Alicia Noli y Graciela Fernández, ambas de Tucumán, y de Luis Imas, de un Tribunal Oral Penal Económico de Buenos Aires. El debate reconstruyó lo que sucedió con 32 personas, 11 de ellas mujeres.

El tipo de fragmentación “por año” le dio tonos propios al debate. Por un lado, las querellas señalan que dificultó la construcción de la prueba porque los acusados no pueden ser pensados, por ejemplo, en función de un lugar y un espacio, como sucede con los debates centrados en el funcionamiento de los centros clandestinos. Pero, por otro lado, la sucesión de testimonios y sobre todo la dificultad que muchos testigos tuvieron para poner en palabras lo que sucedió abrió una lectura más profunda sobre los efectos “atroces”, como señaló la fiscalía, de lo que fue la etapa represiva posterior a 1975 en la provincia.

“Entre las víctimas de este juicio no hay desaparecidos, sino sobrevivientes, lo cual ha marcado una de las características, dado que fueron víctimas del período más atroz”, dice la fiscal Indiana Garzón. “Si lo comparamos con los que estuvieron detenidos en el período previo, lo que puede verse es que en 1976 (los autores) ya tenían muy aceitado el aparato de tortura y la zona liberada y podían hacer lo que querían.”

Uno de los puntos más importantes del debate fueron las denuncias sobre violencia sexual. Hubo tres casos. Todos distintos. Allí apareció la figura de Marta Cejas, también nuevos planteos jurídicos que intentan pensar caminos para esta figura y preguntas que abrió el funcionamiento del tribunal. Para querellas y fiscales, el tipo de intervención impidió que una de las mujeres pudiera terminar de hacer un planteo. Además, señalaron una falta de preparación para entender estos casos, que impidió a los jueces transformar en imputación la única forma del “decir” que encontraron las víctimas.

“Nos costó mucho poder dar cuenta de todo esto”, dice la fiscal Indiana Garzón. “Tuvimos una sola víctima que logró decir todo esto con este término: ‘Me violaron’, en un contexto donde esta práctica no constituyó un hecho aislado, sino que era una práctica sistemática que tenía que ver con la condición de mujer y con construir poder frente a esa mujer en una situación vulnerable”.

Uno de los casos con más dificultades es la de una víctima que había pedido que su nombre no saliera del tribunal, pero al otro día apareció publicado en los diarios. Ella fue con sus hijos a la audiencia. Cuando debió declarar que la torturaron y la violaron dijo: “Yo estoy muerta, no quiero acordarme de esto” y explicó que delante de sus hijos no podía decirlo. El año pasado otro tribunal aceptó incorporar un hecho similar como prueba, pese a esa media forma de decir. En este caso, no se aceptó. Pero además, volvieron a llamar a la víctima. La hicieron sentar en la sala. Tuvo que escuchar a uno de los defensores, hijo de un represor, decir que ella estaba diciendo todo lo que decía porque quería plata o por alguna otra cosa. Quiso responderle. Se puso mal. La sacaron de la sala y luego volvieron a llamarla. “En ese momento una de las juezas le preguntó en una forma muy legal y jurídica, si ella quería que se investigue o reafirmaba que había sido violada y en medio de toda la confusión –dice Cristina Torres–, la entrada y salida y las ganas de responderle al defensor, ella dijo en ese momento: ‘No, no, no’ y se entendió que no había sido violada cuando en realidad estaba contestando al defensor.”

Más allá del dato y del caso, fiscales y querellas toman el hecho para reflexionar sobre el manejo de estos casos. Otro de los casos que no prosperó fue el de una sobreviviente que ahora está fallecida. El tribunal no lo incorporó como parte de la acusación, pero se espera saber si al menos ordenará una investigación. “El esposo de esta mujer también fue víctima en el juicio y declaró que ella le contó que había sido violada”, dice Garzón.

Página/12 :: El país :: Una carcelera emblemática en Santiago

06/11/2013

Mídias só viram grupos com ajuda de ditadores

Enquanto se acham as provas, isto é, enquanto estiverem escondidas, a realidade não existe. Ela só passa a existir mediante a prova material. Se milhares de pessoas sumiram, jogadas de um avião dentro do Rio da Prata, se não houver prova, mesmo que as pessoas tenham sumido, não existe. A corrupção não existia porque quem teria o papel de publicar fazia parte e só existia em função da corrupção.

Fazem parte de grupos que nasceram e cresceram com ditadura: Grupo Clarín, Grupo Folha da Manhã (Folha,UOL), Grupo Abril, Grupo Estado (Estadão, Jornal da Tarde), Grupo Globo, Grupo RBS. A Folha achou por bem, em benefício próprio, mudar o nome de ditadura para ditabranda. O Globo admitiu que foi um erro apoiar a ditadura, mas não pediu perdão porque o único perdão seria devolver o que roubou. E a RBS está mais quieta que guri cagado.

Tem mais grupos e corruptos, mas estes são o principal legado da Ditadura. São estes grupos os encarregados de venderem a ideia de que na ditadura não havia corrupção. Mas qualquer ameba sabe que a ditadura é A corrupção. O resto é entulho. A Folha, no afã de defender seu parceiro de ditadura, diz que o governo argentino é inimigo do Clarín, não o contrário. Como foi a Suprema Corte que aplicou uma lei do Congresso, estes também não teriam de ser colocados como inimigos do Clarín? É por isso que estes velhos grupos mafiomidiáticos são risíveis. Acham que todo mundo é idiota.

Papéis revelam elo de Clarín e junta, diz governo argentino

Entre 1.500 documentos encontrados haveria registro de auxílio de militares para comprar empresa de papel-jornal

LÍGIA MESQUITADE BUENOS AIRES

O governo argentino disse ontem que, em meio a 1.500 documentos da ditadura descobertos na semana passada, há diversos mostrando que a junta militar nos anos 70 ajudou o Clarín a comprar parte da Papel Prensa, maior empresa de papel-jornal do país.

A revelação ocorre no momento em que o governo dá início a um processo para desmembrar o grupo de mídia, seu inimigo. A divisão será possível após decisão da Suprema Corte que validou a nova Lei de Mídia do país.

Os registros foram achados em 31 de outubro, mas a divulgação foi feita anteontem. O governo, porém, diz que só vai disponibilizar os documentos em seis meses.

No anúncio da descoberta, o ministro da Defesa, Agustín Rossi, se ateve principalmente aos registros relacionados à Papel Prensa, que tem como sócio majoritário o Clarín, com 49% das ações –o grupo La Nación, do jornal homônimo, tem 22,5%, e o Estado, 27,5%.

Segundo Rossi, os papéis mostram que há relação entre a venda da Papel Prensa, o "desaparecimento" de seu antigo dono, David Graiver (morto em um acidente aéreo em 1976), e as prisões de seus familiares na sequência.

O ministro disse que foram achados 13 documentos originais que falam sobre a empresa, com datas de 15/9/76 a 1/12/77, "o que demonstra que [o tema] era de discussão permanente na junta".

A venda da Papel Prensa para a Fapel, sociedade que era integrada por Clarín, La Nación e La Razón foi feita em novembro de 1976.

‘LESA-HUMANIDADE’

Em 2010, a presidente Cristina Kirchner afirmou que a venda da empresa foi ilegal. Na época, o governo apresentou um documento dizendo que a negociação teria ocorrido em meio a ameaças, torturas e prisões dos membros da família Graiver, e o Estado entrou com ação na Justiça contra Clarín e La Nación por crime "de lesa-humanidade".

Em maio deste ano, a bancada governista na Câmara apresentou um projeto de lei para desapropriar 24% das ações da Papel Prensa.

Caso isso aconteça, o Estado passará a ser o sócio majoritário da empresa.

Os grupos Clarín e La Nación afirmam que a negociação foi feita de forma legal e antes de terem acontecido as prisões e as torturas.

Entre os papéis encontrados no subsolo do Edifício Condor, sede da Força Aérea, estão 280 atas secretas da junta militar, do período de 1976 a 1983, e listas "negras" com nomes de artistas, jornalistas e intelectuais considerados "perigosos", como o escritor Julio Cortázar.

13/10/2013

O que o Papa põe em dúvida?

Filed under: Igreja Católica,Los Kikos,Opus Dei,Papa Francisco,Roubo de bebês — Gilmar Crestani @ 11:46 am
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O Papa não pôs em dúvida o apoio da Igreja ao franquismo. Só ficou em dúvida se pediria ou não perdão por isso. Aliás, a Igreja esteve ao lado do franquismo assim como de todas as ditaduras latino-americanas. Não é mero acaso que a linha ultraconservadora da Igreja Católica, e uma das mais ricas financeiramente falando, tem seu berço na Espanha. A Opus Dei só perde em conservadorismo à Los Kikos. No Brasil, a Opus Dei comando o Estado de São Paulo, e tem em José Serra, por seu obscurantismo religioso e político, o candidato ideal. A verdade é que, se não existir Inferno, muitos próceres da Igreja Católica deixarão de penar pelos crimes que cometeram em vida.

El Papa elude pedir perdón a las víctimas por el apoyo de la Iglesia al franquismo

Más de 25.000 asistentes participan en la ceremonia de entronización de los asesinados

El Pontífice pide a los fieles ser de “cristianos con obras y no de palabras”

El papa Francisco ha llamado a ser “cristianos con obras y no de palabras” y ha elogiado la vida de los mártires por ser “discípulos” que han aprendido “bien el sentido de amar hasta el extremo que llevó a Jesús a la cruz”. El Papa ha realizado estas declaraciones en un mensaje de tres minutos grabado con antelación y con el que ha dado comienzo a la ceremonia de beatificación de 522 mártires “de la persecución religiosa del siglo XX en España”, como lo denomina la Iglesia católica. En ella, ha eludido pedir perdón a las víctimas del franquismo por el apoyo de la Iglesia a la dictadura, como le había solicitado en una carta la Comisión de la Verdad, que reúne a unas 100 asociaciones de memoria histórica. Sectores de la sociedad civil como la Coordinadora por lo Laico y la Dignidad, y entidades cristianas de base habían pedido también a las autoridades eclesiásticas que el Papa aprovechara la celebración para pedir “perdón” por el apoyo de la Iglesia al golpe de Estado de 1936 contra a la República y por la complicidad con la dictadura franquista. Pero el Papa no ha realizado en su discurso ni una sola alusión a estas peticiones.

“Me uno de corazón a todos los participantes en la celebración, que tiene lugar en Tarragona, en la que un gran número de pastores, personas consagradas y fieles laicos son proclamamos beatos mártires”, ha afirmado el Papa entre aplausos de los más de 25.000 asistentes al acto, procedentes de toda España. “Imploremos la intercesión de los mártires para ser cristianos concretos, cristianos con obras y no de palabras; para no ser cristianos barnizados de cristianismo pero sin sustancia, ellos no eran barnizados, eran cristianos hasta el final”, ha añadido el Pontífice en alusión a los nuevos beatos.

El Papa no ha realizado en su discurso ni una sola alusión al golpe de estado de 1936 ni a la complicidad franquista, como pidieron diversas entidades cristianas

El acto ha sido organizado por la Conferencia Episcopal Española (CEE) y el Arzobispado de Tarragona. En esta ocasión, los elevados a los altares están agrupados en 33 causas. La más numerosa es la de Tarragona, con 147 mártires, entre ellos el obispo auxiliar Manuel Borrás, y 66 sacerdotes diocesanos. Este ha sido el motivo para elegir la ciudad de la celebración, explicó el arzobispo de la demarcación, Jaume Pujol Balsells. El acto, multitudinario, suscita recelo incluso en el seno de la Iglesia católica, entre los cristianos de base. El motivo es que la gran mayoría de los nuevos beatos, 520, fallecieron tras el estallido de la Guerra Civil y solo dos religiosos Paúles de León y Teruel murieron antes, el 13 de octubre de 1934. Aún con estos datos, la Conferencia Espiscopal huye del término “mártires de la Guerra Civil” porque, argumenta, “no fueron combatientes, ni estaban con las armas en la mano. Murieron por no renegar de su fe”, según el secretario y portavoz del episcopado, Juan Antonio Martínez Camino. Fuentes de la CEE justifican que la elección de la fecha y la ubicación ha sido “casual”, frente a las críticas que alertaban de una posible “exaltación españolista”.

Más de 25.000 personas han ido inundado desde las 7 de la mañana la antigua Universidad Laboral, fundada por el franquismo, y que estaba rodeada de grandes medidas de seguridad. La ciudad se ha paralizado: solo las matrículas de vehículos inscritos de antemano y debidamente acreditados podían acceder a la zona, lo que ha provocado grandes congestiones de tráfico. Los vehículos particulares, tenían vetada la entrada, y el Ayuntamiento ha fletado dos líneas de autobuses para desplazar a los invitados. Prueba de las restricciones es que los autobuses destinados a periodistas han partido con una hora de retraso al haberse estraviado el censo de la matrícula en los controles.

No se permite la entrada de banderas ni pancartas, aunque algunos asistentes han burlado la seguridad llevando camisetas con la bandera española estampada

Decenas de asistentes a la misa han aprovechado los momentos previos para confesarse en improvisadas sillas, al aire libre y a casi a centímetros de los demás congregados. Entre los asistentes figuran familiares y religiosos de las órdenes de los beatos, como las 300 Siervas de María de España y América Latina desplazadas a Tarragona. De esta congregación se beatifican cuatro religiosas y matizan que “solo es un acto religioso”. Unos sentados en la hierba, otros acomodados en sus sillas y algunos que aprovechan para confesarse en un cara con el sacerdote en medio de la avenida. De Menorca han llegado más de 100 personas, una treintena corresponde a la familia de Juan Huguet, uno de los mártires. Llevan una fotografía con un sospechoso lema: “Viva Cristo Rey”, que son las tres últimas palabras que dijo él un segundo antes de que le mataran al negarse a escupir a un crucifijo, han explicado sus familiares. Han venido dos de sus hermanos, hijos, sobrinos. “¿Resentimiento? Al contrario, en casa siempre hemos vivido el perdón”, explica Juan Huguet, uno de sus sobrinos, de 59 años. “Lo mató el brigada Marqués que había tomado la isla. Lo mararon en la cárcel, pero se convirtió y escribió una carta espectacular de arrepentimiento”, ha continuado narrando.

Algunos de los asistentes han contestado a las críticas que califican el acto de “político”. “No tiene nada que ver una cosa es un enfrentamiento civil y otra una persecución sistemática de liquidación. Igual que no tiene nada que ver la Guerra Mundial con el Holocausto”, ha concluido Huguet. Entre los invitados figura el presidente de la Generalitat, Artur Mas, el del Congreso de los Diputados, Jesús Posada, el ministro de Justicia, Alberto Ruiz-Gallardón, el ministro de Interior, Jorge Fernández Díaz, y el inspector general del Ejército, Ricardo Álvarez-Espejo.

En la ceremonia no se permite la entrada de banderas ni pancartas, aunque algunos asistentes han burlado la seguridad llevando camisetas con la bandera española estampada. Los cuerpos policiales han desplegado un gran dispositivo de seguridad ante la posible presencia de grupos ultraderechistas.

El Papa elude pedir perdón a las víctimas por el apoyo de la Iglesia al franquismo | Cataluña | EL PAÍS

01/10/2013

Até quando a ONU fechará os olhos para as vítimas da ditadura brasileira?

Filed under: Ditadura,Franquismo,ONU,Roubo de bebês — Gilmar Crestani @ 8:56 am
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Víctimas y querellantes presentaron el caso contra el franquismo en Buenos Aires.

Naciones Unidas contra el franquismo

Un documento del Grupo de Trabajo sobre Desapariciones Forzadas o Involuntarias de Naciones Unidas pide al Estado español que coopere con la Justicia argentina en la única causa abierta por crímenes del franquismo.

Por Adrián Pérez

Además de asumir su responsabilidad, el gobierno de Mariano Rajoy debe implementar un plan nacional de búsqueda de de-saparecidos, derogar la Ley de Amnistía, legislada en 1977, y juzgar las desapariciones forzadas de la dictadura de Francisco Franco. Son algunas de las sugerencias volcadas en un documento que el Grupo de Trabajo sobre Desapariciones Forzadas o Involuntarias de Naciones Unidas elaboró durante una visita a España que culminó ayer. Los especialistas también pidieron al Estado español que coopere con la Justicia argentina en la única causa abierta por crímenes del franquismo. Las recomendaciones del grupo de la ONU surgen luego de constatar la “situación de impunidad” de funcionarios civiles, judiciales y de las fuerzas de seguridad que cometieron delitos de lesa humanidad en el país ibérico y aún no fueron juzgados.

Luego de reunirse con autoridades y asociaciones de víctimas del franquismo, los expertos señalaron la necesidad de establecer, en la Justicia española, la imprescriptibilidad de las desapariciones forzadas o la determinación de que la prescripción sólo puede comenzar a computarse a partir del cese de la desaparición forzada. Creado por la Comisión de Derechos Humanos de la ONU, este grupo señaló que resulta esencial que el Estado actúe “con la debida urgencia y celeridad” en materia de de-sapariciones forzadas.

Sobre el marco legislativo, los especialistas de la ONU consideraron que España debe ratificar la Convención sobre la imprescriptibilidad de los crímenes de guerra y de los crímenes de lesa humanidad. En este sentido, instaron al Estado a formar a jueces y fiscales en la Declaración sobre la Protección de Todas las Personas contra las Desapariciones Forzadas y otros instrumentos de justicia internacional.

En materia de verdad y memoria, el grupo de trabajo consideró que la creación de una entidad estatal, con pleno apoyo institucional, encargada de ocuparse de todas las cuestiones relativas a las desapariciones forzadas, que incluya el establecimiento y la gestión de una base de datos central sobre desapariciones, es imprescindible. Su objetivo: reagrupar la información generada por distintas asociaciones de memoria histórica y grupos de investigación.

Asimismo, el grupo de trabajo recomienda que la base de datos elaborada por el Juzgado de Instrucción Penal Nº 5, con información sobre más de 114.000 victimas del franquismo, debería estar a disposición del público en forma inmediata. España, desde la perspectiva de los relatores de la ONU, debería fomentar la adopción de un plan nacional de búsqueda de personas de-saparecidas, la coordinación de las actividades de exhumación e identificación y actualización de los mapas de fosas desarrollados de acuerdo a Ley de Memoria Histórica. El Estado español, reza el texto, debería asumir el liderazgo y comprometerse de manera más activa y urgente para atender la demanda de miles de familiares que buscan conocer la suerte o el paradero de sus seres queridos desaparecidos durante la guerra civil y la dictadura.

En diálogo con Página/12, Ana Messuti, miembro del equipo de abogados que patrocina a las víctimas del franquismo, resaltó la importancia que el grupo de la ONU asigna a la lucha contra la impunidad. “Su apoyo a la querella argentina se observa claramente cuando se refiere a la situación de impunidad de los responsables de desapariciones forzadas durante la Guerra Civil y la dictadura”, señaló la letrada, desde Madrid. Carlos Slepoy y la abogada se reunieron con el grupo de trabajo el lunes de la semana pasada durante una hora y media. “Hablamos de la dificultad con la que tropiezan las víctimas al reunir la documentación probatoria necesaria: archivos inaccesibles, documentos modificados (muchas veces se ve claramente que han suprimido datos)”, enumera Messuti.

También señala que los especialistas se refieren a esa dificultad en sus recomendaciones, al mencionar la resistencia a desclasificar ciertos documentos y las barreras que deben sortear las víctimas para consultar información. Este informe es preliminar. El documento final será presentado en 2014 ante el Consejo de Derechos Humanos de la ONU. España está ante una posibilidad única: juzgar los crímenes del franquismo en ese país y saldar una deuda con su pueblo.

Página/12 :: El mundo :: Naciones Unidas contra el franquismo

25/09/2013

Primeiro mundo, ou de onde vem a Zara!

Filed under: Baltasar Garzón,Espanha,Franquismo,Roubo de bebês,Zara — Gilmar Crestani @ 9:04 am
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Deve ser por isso que a mais alta corte da Espanha, equivalente ao nosso STF, caçou Baltazar Garzón!

Víctimas del franquismo celebran que Argentina les abra sus consulados

Los querellantes lamentan que la fiscalía española estime que los crímenes han prescrito

Alejandro Rebossio Buenos Aires 24 SEP 2013 – 22:42 CET525

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Dario Rivas Cando, de 93 años, en su casa de Buenos Aires. / ENRIQUE MARCARIAN (REUTERS)

Familiares de víctimas del franquismo y sus abogados celebraron este martes la noticia de que Argentina abrirá sus consulados en todo el mundo para recibir demandas por crímenes del régimen, de acuerdo con lo que ordenó la juez que en Buenos Aires está a cargo de la causa, María Servini de Cubría. En cambio, criticaron a la Fiscalía de la Audiencia Nacional de España por opinar en contra de la orden de detención que Servini envió contra cuatro imputados por presuntas torturas durante el franquismo: el exguardia civil Jesús Muñecas Aguilar, el exinspector José Antonio González Pacheco, alias Billy El Niño, el excomisario Ignacio Giralte y el exescolta de Francisco Franco y la Casa Real Celso Galván, ya fallecido.

En el juzgado de Servini y fuentes del Ministerio de Relaciones Exteriores confirmaron que este departamento del Gobierno de Cristina Fernández de Kirchner había puesto en práctica la orden de la juez de abrir los consulados y así lo había informado el pasado viernes por una resolución interna a todas las delegaciones diplomáticas de su país. Esta medida había sido solicitada por los querellantes en marzo pasado porque algunas víctimas se habían encontrado con que el consulado argentino en Madrid no les tomaba declaración.

“El Gobierno [argentino] hizo lo que le correspondía”, dice Darío Rivas, de 93 años, hijo de un alcalde de Castro de Rei (Lugo) represaliado del franquismo que ha presentado una denuncia en la ciudad en la que reside desde los ocho años, Buenos Aires. “La jueza está actuando como la faculta la justicia internacional. A España no le cae bien, ya sabemos los personajes que se oponen”, opinó Rivas, que también criticó el escrito de la Fiscalía de la Audiencia Nacional, que esgrimió que los cuatro imputados están amparados en la Ley de Amnistía de 1977: “La amnistía no se puede oponer al juzgamiento de crímenes de lesa humanidad, que no prescriben. El fiscal quiere ser más que las leyes del mundo, es un franquista. Si prescribiesen, yo no hubiera podido haber hecho nada en Argentina. Esto es el resultado de 70 años de impunidad en España”, se quejó Rivas.

Uno de los abogados argentinos de las víctimas españolas, Máximo Castex, celebró la decisión del Gobierno de su país de abrir los consulados: “Se hace efectiva una posibilidad que venimos pidiendo, que se abran los consulados para recibir, como si el cónsul fuera un notario, las denuncias, que después se remiten a la juez. Es un nuevo canal para la presentación de las víctimas, para aquellas que no puedan viajar a Argentina. Otros preferirán presentarse cuando se haga la videoconferencia, que se suspendió en mayo. Con anterioridad a esta decisión del Ministerio de Exteriores, las víctimas se presentaban en el consulado en Madrid y no les recibían la denuncia”. En cuanto al escrito de la Fiscalía española, Castex dijo que desconocía si realmente existía, así como su contenido. “Primero hay que verlo y después emitir la opinión. Si llegan a esgrimir el argumento de que los delitos prescribieron, hay que decir que no es así porque son de lesa humanidad. Además, el fiscal puede opinar, pero no es el que decide si acepta o no la orden de detención. Eso lo hace el juez de allá”, explica el abogado argentino.

Víctimas del franquismo celebran que Argentina les abra sus consulados | Política | EL PAÍS

14/09/2013

Historias del horror

E porque não acrescentar o que os EUA fizeram e fazem o mesmo com crianças dos países que invadem ou quando simplesmente apoiam ditaduras como da Argentina, do Chile  e do Brasil.

Historias del horror

Por Osvaldo Bayer

Desde Bonn, Alemania

Hay hechos que avergüenzan a la humanidad y hay otros que hacen nacer esperanzas. Lo que en estos días ocurrió en Francia es un ejemplo de eso: el horror, pero la contrición. Ese reconocimiento del acto deshonroso. El presidente de Alemania, Joachim Gauck, fue a Oradour para pedir perdón por uno de los crímenes más abyectos de la historia del ser humano.

En 1944, las tropas alemanas que ocupaban Francia destruyeron totalmente la aldea de Oradour y dieron muerte a sus habitantes: 642 personas. A todos los hombres, las mujeres y los niños.

Sí, 207 niños. 207 niños, repetimos. 207. Niños. Es increíble. Jamás se va a poder disculpar un crimen tan abyecto. 207 niños. Fusilados. Lo podríamos escribir cien veces pero no lo lograríamos entender, y menos disculpar. Eso lo hicieron “hombres uniformados”. Hombres. El 10 de julio de 1944. Han pasado 69 años. El actual presidente de Alemania, Joachim Gauck, ha sido el primero que se ha atrevido a viajar a esa aldea francesa. Los franceses la tienen como monumento y la han dejado tal cual la destruyeron las tropas enemigas. Todo en ruinas, hasta la iglesia. Es un lugar para que quede constancia de lo que puede llegar a hacer un poder militar sobre otro. Y fusilar a la población: 181 hombres, 254 mujeres y 207 niños. 207 niños. 207.

En el acto que se llevó a cabo frente a las ruinas de la iglesia se abrazaron el presidente alemán, Gauck; el presidente francés, Hollande, y el único sobreviviente de la matanza, Robert Hébras, que hoy cuenta 89 años de edad.

El abrazo de los tres hombres duró varios minutos y se los vio a los tres plenamente emocionados. Luego, los tres depositaron flores en el cementerio de la aldea. Al final de los actos, el presidente alemán escribió en el Libro de Oro de Oradour, que es un libro de duelo, lo siguiente: “Con espanto, conmovido y con repulsión estuve yo ante lo que se llevó a cabo por orden del comando alemán. Y quiero dar testimonio de que hoy existe una Alemania pacífica y solidaria. Y así tiene que ser para siempre”.

En los ojos del presidente alemán había nuevamente lágrimas. Es que no podía ser para menos cuando vio cómo quedó en ruinas el lugar, con casas derruidas, autos y carros quemados en la calle, y tumbas, tumbas, tumbas… un monumento a la crueldad que jamás se podrá borrar.

En la aldea más próxima a Oradour, Tulle, el ejército nazi ahorcó a 99 habitantes, que fueron colgados de balcones, como venganza por un ataque que habían sufrido por parte de partisanos.

Pero, aparte de los detalles, lo que queda de esta lección es algo que no puede entenderse ni perdonarse: el fusilamiento de niños. 207. No queda otra cosa que repetirlo, que anunciarlo: ¡207 niños! ¡Doscientos siete niños! Porque no cabe en la cabeza de nadie, ni del más cruel.

Como argentino no puedo dejar de recordar lo que hicieron nuestros militares durante la última dictadura: el quitarle los niños a las mujeres prisioneras encintas, en el momento de dar a luz. Y luego llevarlas a aviones militares que arrojaban vivas a esas mujeres madres al Río de la Plata o al mar. Y, al mismo tiempo, esos niños que recién habían abierto sus ojos al mundo eran regalados con preferencia a familias de militares sin hijos. Me pregunto: ¿cuál es una crueldad mayor, la de los militares alemanes en Oradour o la de los argentinos? ¿Videla, Massera y Agosti y sus secuaces?

– – –

Así como el presidente alemán fue a Oradour a pedir perdón, así los comandantes actuales del Ejército, la Marina y la Aeronáutica deberían hacerlo al pueblo argentino ante el monumento a Nuestras Madres Desaparecidas, que deberíamos levantar los argentinos. Porque si bien en nuestro país se llevaron a cabo juicios a casi todos los responsables de esos crímenes abyectos y cobardes, falta todavía la contrición de las instituciones como tales. El presidente de la nación alemana era apenas un niño cuando ocurrieron esos crímenes, sin embargo llevó a cabo lo que correspondía como representante de la nación culpable. Lo mismo deben imitar ante nuestro pueblo esas instituciones militares. No va a ser un desdoro, sino un gesto de humildad para que jamás vuelvan a ocurrir crímenes tan crueles y vergonzosos. Un país que sigue mirando para otro lado cuando se le reprocha ese crimen que cometió con las minorías armenias es Turquía. Pero ya lo está pagando. Ultimamente fue candidata a ser sede de las Olimpíadas, pero quedó afuera. Y esto se debió en gran parte a los movimientos populares armenios que no cejan de luchar para que por fin Turquía reconozca el nefasto crimen cometido contra un millón y medio de armenios hace casi un siglo. Buenos Aires acaba de ser testigo de las marchas de protesta que hicieron los argentinos de origen armenio contra la presencia de Erdogan, el mandatario turco durante su estada en Buenos Aires. Pero, además, siguen en la propia Turquía las protestas. Ha sido una acción armenia de puro coraje. Es que ahora el racismo de los turcos ha llegado a límites imperdonables. Los diarios alemanes acaban de publicar lo que los turcos han llevado a cabo con el llamado Gezy Park, donde existía antes el cementerio armenio.

Señala el diario alemán Frankfurter Zeitung: “Donde están ahora el Hotel Divan y el Museo Militar hasta llegar al Hilton Hotel, era antes el cementerio armenio. Si se hace un foso en el Parque Gezy vamos a encontrar las tumbas armenias. Es que sobre ese cementerio erigieron hoteles de lujo y así ganaron una fortuna, utilizando el terreno del cementerio armenio y de la iglesia armenia. Acerca de eso ordenaron una campaña de silencio, ‘de eso no se habla’. Lo que los turcos hicieron con los armenios lo repitieron con los griegos y los arameos. Y ahora, desde hace treinta años, lo llevan a cabo con los kurdos. Lo vemos en la campaña de los diarios turcos. Todas las calles donde antes vivían los armenios ahora llevan los nombres de los genocidas turcos, lo mismo que las antiguas escuelas armenias tienen hoy el nombre de los genocidas turcos. Los armenios le acaban de gritar a Erdosian: ‘¡Terminen con los hoteles de lujo, basta con el museo militar y devuélvannos nuestro cementerio!’.”

La lucha de los pueblos por la vida. Y a veces se obtienen triunfos. Erdogan salió derrotado de la Argentina. Con esa realidad de su país, le votaron en contra. Nada de Olimpíadas en un Estado donde la represión es la política diaria. Como decimos siempre, puede durar a veces mucho, pero al final siempre triunfa la Etica.

Página/12 :: Contratapa :: Historias del horror

26/08/2013

Ditadura argentina teve apoio empresarial e midiático

Filed under: Argentina,Ditadura,Roubo de bebês — Gilmar Crestani @ 8:47 am
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EL PAIS › Nota de tapa

MI PASADO ME CONDENA

Por Alejandra Dandan

La historia del Grupo Azcuénaga, conformado por empresarios e intelectuales en apoyo a la dictadura, compromete aún más al dueño del Ingenio Ledesma Carlos Blaquier, cuyo procesamiento por crímenes de lesa humanidad acaba de ser confirmado por la Cámara Federal. Las nuevas pruebas que se incorporaron a la causa

Un petit hotel para la usina civil del golpe de Estado

Un certificado oficial revela que el dueño del Ingenio Ledesma, cuyo procesamiento por complicidad en delitos de lesa humanidad acaba de ser ratificado por la Cámara Federal de Salta, era propietario del inmueble donde se reunía en los ’70 el Grupo Azcuénaga.

Por Alejandra Dandan

La causa del Ingenio Ledesma incorporó una nueva prueba: el certificado del registro de propiedad de un petit hotel de la calle Azcuénaga 1673, en la Ciudad de Buenos Aires. El petit hotel es un lugar legendario en la historia de las articulaciones políticas previas al golpe. Dio nombre al llamado Grupo Azcuénaga, creado en 1973, desde donde tras la muerte de Perón salió la “mesa chica” de intelectuales orgánicos de la dictadura nucleados en lo que se conoció como “Grupo Perriaux”. Según el registro, la residencia perteneció a Carlos Pedro Blaquier entre 1971 y 1977. La Cámara Federal de Salta acaba de confirmar el procesamiento del dueño del Ingenio Ledesma en Jujuy por complicidad con crímenes de lesa humanidad. En su indagatoria, Blaquier negó conocer el llamado Grupo Azcuénaga. El documento, que muestra su relación con la casa de la calle Azcuénaga y por lo tanto con ese grupo, refuerza las pruebas de su vínculo con el gobierno militar, al mostrar su compromiso con “el grupo de apoyo y sostén teórico de la dictadura” de la que se aprovechó económicamente.

Lejos de Jujuy, el impulso que tenga la investigación sobre esta nueva prueba puede a su vez servir en Buenos Aires para destrabar otra causa que tramita sin pena ni gloria desde los años ’80. Se trata de una causa que intentó “desentrañar la complicidad civil” en la “rebelión” o golpe de Estado de marzo de 1976. Tuvo un avance en 2007 y un dictamen en 2011 del fiscal Federico Delgado, quien intentó darle algo de movimiento pero aún no lo logró (ver aparte).

El grupo

El Grupo Azcuénaga y el grupo Perriaux formaron parte de una serie de clubes y ateneos que emergieron con distintos nombres y, a grandes rasgos, con los mismos integrantes, a partir del primer peronismo. La historia de esas trayectorias fue reconstruida, entre otros, por Vicente Muleiro en su libro fundamental 1976: El golpe civil. Sus datos integran el análisis jurídico que hizo la Justicia federal de Jujuy para reconstruir las características del contexto histórico en que el Ingenio Ledesma aportó camionetas para los secuestros de marzo y julio de 1976.

Quienes aparecen en ambos grupos son funcionarios de las distintas dictaduras o empresarios que integraron grupos de lobby antes y después del golpe de marzo de 1976. Forman parte de lo que algunos describen como el sistema de “puertas giratorias”: un mecanismo que siempre dejó puertas abiertas y cruzadas entre los grupos económicos y el Estado.

Como indica uno de los investigadores de la causa en Buenos Aires, “a vuelo de pájaro y sin mayor rigor metodológico, esos ‘civiles’ son los mismos que protagonizaron el proceso de la deuda externa y los que, a la hora presente, están ligados al último canje de deuda y a los litigios que hacen bailar al país en Nueva York”.

En términos históricos, no fue lo mismo el Grupo Azcuénaga que el Perriaux, pero tuvieron un mismo origen. “El Grupo Azcuénaga se conforma en 1973 –dice Muleiro a Página/12– con el gorilaje desorientado tras el rotundo triunfo del peronismo. Se lo denomina así porque funcionaba en el petit hotel de Azcuénaga 1673. “Daban charlas, conferencias y había reuniones semanales con debates de dos horas. Pasaban unas 40 personas: abogados, militares, periodistas. A medida que el gobierno peronista, tras la muerte de su líder, entra en crisis y se debilita, la actividad del grupo se acelera. Uno de los contertulios era Jaime Perriaux, que saca de allí una ‘mesa chica’, que se reúne en Recoleta, donde sale la pata civil del videlismo con eje en José Alfredo Martínez de Hoz y la participación de Mario Cadenas Madariaga, Horacio García Belsunce (padre), Guillermo Zubarán, Enrique Loncan y Armando Braun.”

Perriaux era abogado, pero suele ser retratado como un intelectual, conservador, operador de acuerdos políticos, con dotes de filósofo, amigo y representante en Buenos Aires de Ortega y Gasset y alterado en el contexto de los años ’70 por “el ascenso del movimiento de masas”. Hombre de fortuna, fue representante de una empresa alemana llamada Staud y Cía, cruzada por sus relaciones con el nazismo. Perriaux fue ministro de Justicia de Levingston en 1970 y 1971, de Lanusse entre 1971 y 1973 y creador de la Cámara Federal en lo Penal, el “Camarón”, diseñado en los primeros años ’70 para perseguir a la oposición política, ya bajo la figura de la “subversión”. Amigo de José Alfredo Martínez de Hoz, fue además una figura clave en los acuerdos y consensos políticos entre los sectores de la derecha y el ala militar videlista antes del golpe.

Muleiro recuerda en su libro que, mientras se aceleraba las crisis en el peronismo tras la muerte de Perón, Perriaux convocaba a los integrantes de la “mesa chica” a reuniones en su estudio de Pueyrredón y Vicente López o en su fastuosa casa de Gelly y Obes.

En esa “élite” o “mesa chica” había otra figura clave: el general retirado del Ejército Hugo Mario Miatello, muy amigo de Videla, que había sido jefe de Inteligencia del Ejército en 1970 y jefe de la SIDE entre 1971 y 1973. Muleiro lo evalúa como figura en espejo de Perriaux. Especialista en técnicas de contrainsurgencia, “sovietología”, Perriaux trabó con él vínculos mientras ambos estuvieron en funciones en la gestión de Lanusse: uno en la SIDE y el otro en Justicia. En el Grupo era un enlace con el “ala militar”. “Como réplica anticipada y también paralela de la dupla Videla-Martínez de Hoz, otro monstruo bifronte representa la dupla cívico-militar que prohijó el golpe –dice Muleiro–. Es la que conformaron el abogado Jaime Perriaux como coordinador del núcleo duro de civiles que conspiraron y prepararon planes para el golpe de Estado y el general de inteligencia (Miatello), enlace ante su amigo Videla.”

Es siguiendo el camino de estos dos nombres y los de la “mesa chica” que el libro va describiendo en clave de prueba la intervención de los civiles en el golpe. Revisa las políticas de desgaste sobre el gobierno peronista impulsadas desde las organizaciones empresarias, los lockouts patronales, la construcción de consensos o la legitimación del golpe de Estado desde las usinas políticas y sobre todo desde los medios de comunicación.

Muleiro también revisa en ese sentido la autoría del programa económico que puso en marcha Martínez de Hoz, un dato que también fue analizado en busca de indicios en la causa de la “rebelión” en Buenos Aires. El libro señala reuniones, entre ellas una previa al golpe y que juntó al Perriaux con Martínez de Hoz y un equipo llamado “Equipo Compatibilizador Interfuerzas”. Recuerda una declaración de García Belsunce padre en el diario La Prensa o un editorial del diario La Nación de 1979 en el que se indica que “el plan económico comenzó a gestarse poco después de la muerte del ex presidente”, por cinco personas, que son las mismas que Muleiro menciona como integrantes de la “mesa chica” del Perriaux.

La lista

Entre esos nombres pueden pensarse dos grupos: una parte fue “orgánica” del Ministerio de Economía de la dictadura y otra aparece entre los grupos de poder que antes del golpe actuaron en el desgaste del gobierno peronista y luego se beneficiaron con las políticas económicas. O, como dice Muleiro, “recuperando el paraguas estatal para engordar sus negocios”. Estos son:

1) Mario Cadenas Madariaga, que será futuro secretario de Agricultura en el período de Jorge Videla.

2) Horacio García Belsunce (padre), abogado, había sido secretario de Hacienda en 1962 y 1963 y presidente, síndico y director de diversas empresas privadas, entre ellas, Acinplast, Maltería Quilmes, Philips, Santa Rosa, Coroplast y Fiat Argentina.

3) Guillermo Zubarán será secretario de Energía durante la presidencia de Jorge Videla.

4) Enrique Loncan, abogado y economista, en los años ’60 dictó clases en la Escuela Superior de Guerra, entre los años 1966 y 1970 fue embajador en Sudáfrica y luego asesor de la Cámara Argentina de Comercio. También presidió empresas mineras. Años después fue el fundador de Barrick Gold Exploraciones Argentina, puso en marcha el proyecto de La Alumbrera y fue director del Banco General de Negocios.

5) Armando Braun, de la Cámara Argentina de Comercio, es parte de Apege, la Asamblea Permanente de Entidades Gremiales Empresarias, caracterizada por sus campañas de desgaste, y donde confluyeron los sectores agropecuarios y comerciales cuyos integrantes todavía resuenan en el presente: la Sociedad Rural, Carbap, CRA, Jorge Zorreguieta. “La arremetida de la Apege fue intensa, durísima y pública”, escribe Muleiro sobre el combate al gobierno durante 1975 y los preparativos para el lockout de febrero de 1976. “Las figuras retóricas eran reiteradas y sonaban como tambores de guerra: ‘disolución nacional’, ‘camino al marxismo’, ‘falta de autoridad’, ‘violación de la propiedad privada’, ‘estatismo’, ‘privilegios irritantes’”. En febrero, Armando Braun decía: “De poco valen los esfuerzos y el sacrificio de vida de nuestras Fuerzas Armadas y de seguridad si deben luchar con el contrapeso de una política que alimenta las causas de la delincuencia subversiva”.

El procesamiento

Blaquier está procesado por haber entregado los vehículos a las fuerzas de seguridad para los secuestros de dirigentes sindicales y referentes sociales de la industria del azúcar en marzo y julio de 1976. La Cámara Federal de Salta confirmó ese procesamiento el viernes pasado. Las imputaciones están sostenidas sobre distintos testimonios pero, además, pruebas documentales. Estos elementos refuerzan lo que el derecho menciona como “responsabilidad objetiva” y “subjetiva” en el delito. La nueva prueba del certificado es vista como un elemento más para reforzar el “carácter subjetivo” de su intervención, su compromiso con el grupo de operadores que entendió que el golpe era necesario. Esto es importante sobre todo al cotejar los argumentos de la defensa, que luego de negar el aporte de camionetas ahora intenta mostrarlo en todo caso como un elemento “inocuo” de alguien que eventualmente colaboraba sin saber.

Esta línea del “compromiso” consciente está reforzada por otros antecedentes. Una solicitada de Ledesma en la que saludaba el primer aniversario del golpe. O la carta destinada a “mi querido Joe”, en la que Blaquier escribe a José Alfredo Martínez de Hoz y analiza cómo conseguir fondos entre los empresarios para sostener una campaña de prensa en el exterior que diluya las críticas hacia la Argentina. El regreso a la historia del Grupo Azcuénaga es así un nuevo elemento de peso.

Facsímil del certificado sobre la propiedad del inmueble de la calle Azcuénaga 1673.

Página/12 :: El país :: Un petit hotel para la usina civil del golpe de Estado

09/08/2013

Avós da Praça de Maio identificam 109 neto

Filed under: Abuelas de Plaza de Mayo,Ditadura,Roubo de bebês,SIP — Gilmar Crestani @ 9:34 am
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Sendo que dois estão nas mãos da dona do Grupo Clarin, maior grupo mafiomidiático argentino, que muito se beneficiou com a ditadura. Por sinal, parceiro estratégio dos a$$oCIAdos do Instituto Millenium junto a SIP

El nieto 109 de las Abuelas de Plaza de Mayo es chileno

El hombre, que ahora tiene 34 años es hijo de un matrimonio que huyó a Buenos Aires

Rodrigo Cea Santiago de Chile 8 AGO 2013 – 06:32 CET50

Después de 37 años sin conocer su verdaderonorigen, Pablo Germán Attanasiu Laschan descubrió que ese es su verdadero nombre gracias a la Comisión Nacional por el Derecho a la Identidad (Conadi) de Argentina. El anuncio de la recuperación del nieto 109 por parte de la agrupación de las Abuelas de Plaza de Mayo lo hizo Estela de Carlotto, titular del colectivo quien señaló que Attanasiu, hoy de 38 años y con domicilio en Capital Federal, fue contactado en abril pasado para someterse a pruebas genéticas de identidad.

De manera voluntaria, fue él el que acudió hace un mes a realizarse los análisis que lograron determinar –con un 99,9% de certeza– que es hijo de Ángel Athanasiu Jara y Frida Laschan Mellado, un matrimonio de chilenos que perteneció al Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR) y que huyó a Buenos Aires tras el golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet en 1973.

La pareja fue secuestrada en un hotel junto a su hijo –entonces de cinco meses y medio– en abril de 1976 por efectivos de seguridad del régimen de Jorge Videla en el contexto de la Operación Cóndor, el plan represivo coordinado durante las décadas de 1970 y 1980 por las dictaduras que gobernaron en distintos países Sudamérica.

Inscrito con una fecha de nacimiento falsa y como hijo de un matrimonio vinculado al régimen militar –el hombre actualmente está detenido por una causa de crímenes de lesa humanidad–, Pablo Attanasiu es el caso número 109 esclarecido por la agrupación Abuelas de Plaza de Mayo. Con alrededor de 30.000 personas desaparecidas durante la dictadura que rigió el país entre 1976 y 1983, se estima que los menores secuestrados fueron unos 500.

“Hay que darle tiempo, cuidarlo y acompañarlo”, comentó Estela de Carlotto sobre Attanasiu, quien –conmocionado aún por la noticia– no estuvo presente en la rueda de prensa en la que participaron otros nietos recuperados, como los candidatos a diputados Juan Cabandié y Victoria Montenegro. Por medio de una videoconferencia, dos tías de Attanasiu que viven en el sur de Chile manifestaron su alegría después de 37 años tratando de ubicar a sus familiares en cárceles y orfelinatos.

“La búsqueda es cada vez más urgente. Por eso, a quienes dudan de su origen, las Abuelas les decimos que el momento para resolver su identidad es ahora, que no esperen más. Saber quiénes son y de dónde vienen les va a quitar un peso de encima y les va a aliviar todo ese dolor que llevan adentro desde hace más de 30 años”, aseguró Estela de Carlotto en el comunicado que leyó en la sede de la organización.

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