Ficha Corrida

02/12/2012

Sobre Lula e Rosemary

Filed under: Lula,Rosemary Noronha — Gilmar Crestani @ 8:29 am

Paulo Nogueira1 de dezembro de 201253

Os inimigos cairão matando. Os eleitores não darão bola aos ataques. E Lula, como reagirá?

Rosemary

Pelo que se conhece até agora, a história de Lula e Rose pertence a um mundo antigo. Seria ridiculamente banal não fosse Lula ser Lula.

Nesse mundo antigo, longos casamentos eram mantidos quase sempre assim: a mulher cuidava da casa e dos filhos, e o marido pagava as contas. Num ambiente tão romântico quanto uma reunião do Rotary, o marido acabava com uma amante.

Desde que as contas continuassem a ser pagas e as aparências mantidas, estava tudo bem. Ou pelo menos parecia. As crianças não podiam prescindir de um lar clássico, era o que se pensava.

Rubem Braga captou, com fino humor, isso. Numa crônica, falou de um casal de velhinhos que andava de mãos dadas todos os dias pela orla da praia. “Ele a detestava, ela o desprezava”, escreveu Rubem.

Na política, reduto por excelência do conservadorismo, o fenômeno dos casamentos intermináveis sempre foi ainda mais forte.

Na França liberada, o primeiro presidente divorciado foi Nicolas Sarkozy. O presidente François Mitterrand passou todo o seu tempo no Palácio de Champs Elysée mantendo uma amante e uma filha num apartamento bancado pelo Estado. Um debate presidencial na tevê entre Mitterrand e seu adversário Chirac
foi mediado por uma jornalista que tinha um caso com ambos.

Na Casa Branca, Kennedy dizia que tinha dor de cabeça se passasse um dia sem sexo, e ele não estava se referindo às relações com a primeira dama Jacqueline.

Ainda na Casa Branca, décadas depois, Bill Clinton jurou que não tinha feito sexo com uma certa estagiária de 22 anos. E eles estão juntos, Hillary e Bill, provavelmente representando na vida real o casal da crônica imaginária de Rubem Braga.

Na Itália, o premiê Berlusconi usava o avião governamental para se deslocar com amigos e garotas bem pagas para sua mansão na Sardenha, palco de orgias grupais conhecidas como bunga-bunga.

Na história do Brasil, as histórias assim são rotineiras. Rute permaneceu com FHC mesmo quando ele achava – sem razão, afinal — ser pai do filho de uma jornalista da Globo. Todos os jornalistas sabiam e fofocavam sobre isso, mas ninguém publicou nada enquanto FHC foi presidente.

Era, em suma, o mundo velho.

Hoje, a aceitação social do divórcio e a conquista de espaço das mulheres mudaram tudo. Mas – no campo pessoal — é importante entender a história de Lula e Rose sob esta ótica, a antiga, e não a moderna. Atire a primeira pedra quem, da geração de Lula, não percorreu o mesmo caminho.

Tudo isso considerado e pesado, é inadmissível, naturalmente, premiar paixões com empregos pagos pelo contribuinte. Esposas à antiga podem suportar, mas o contribuinte não tem nada a ver com isso.

Se a reforma dos costumes chegasse mais rapidamente à política, ficaria mais fácil rastrear favorecimentos dessa natureza. O político A se separa para casar com seu amor B. Logo, B não recebe nenhum tipo de vantagem porque as coisas estão sob a luz do sol.

Os inimigos de Lula explorarão este caso com fúria, com hipocrisia e com impiedade. Darão ao episódio uma dimensão provavelmente muito acima da realidade. E martelarão, e martelarão, e martelarão.

A voz rouca das ruas tenderá, como em outras ocasiões, a dar seu desconto com aquela sabedoria que ninguém sabe exatamente de onde vem. “Ah, estão querendo ganhar no grito”, será provavelmente a reação dominante entre os admiradores de Lula, sobretudo naquele extrato que decide eleições, os 99%. “Por que não falam nas amantes dos outros e seus cargos?”

Resta saber como Lula, pessoalmente, reagirá. Os imperadores orientais costumavam largar tudo, concluído o seu trabalho, para meditar e relaxar em seus últimos anos, longe dos inevitáveis tumultos da vida no poder.

É uma hipótese atraente para Lula.

Com ou sem Rosemary, sua contribuição milionária ao combate à abjeta miséria no país já pertence à história. Ela está registrada nas estatísticas.

Em seus anos no poder, Lula despertou a atenção da sociedade para algo que ela não notava, ou fingia não notar: é insustentável, é vergonhoso um país com tantos miseráveis e excluídos. A consciência disso já se alastrou entre os brasileiros, e a rigor a causa anda hoje sem Lula.

Nenhum partido no Brasil moderno pode aspirar à relevância sem que em sua plataforma figure, com destaque, a luta contra a extrema iniquidade nacional. O emagrecimento assombroso do PSDB é prova disso.

Todos os ataques que serão feitos agora a Lula – com munição fornecida por ele mesmo, fique registrado – não mudarão isso.

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Paulo Nogueira é jornalista e está vivendo em Londres. Foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo

Diário do Centro do Mundo – Sobre Lula e Rosemary

O lado jornalístico da Folha

Filed under: FHC,Lula,Ombudsman Folha,Rosemary Noronha — Gilmar Crestani @ 8:18 am

Vou reproduzir as palavras da ombudsman, sem acrescentar nem tirar, para mostrar a parcialidade da Folha de São Paulo: “o filho fora do casamento de Fernando Henrique Cardoso, que só foi revelado pela Folha quando ele, já viúvo e ex-presidente, reconheceu o rapaz.” Primeiro, só é revelado o que estava escondido. Portanto, agora a Folha que escondeu. Então vamos para as mentiras: quando reconheceu já era rapaz. Reconheceu oficialmente, porque de fato já dava como seu. E de bebe a rapaz ninguém soube de nada… Há nesta história mais duas considerações: a amante era jornalista da Rede Globo e ficou alguns anos escondida na Espanha. Quem pagava as custas? A Rede Globo nunca revelou a história por qual motivo? Seria para ajudar um parceiro ou para fazer chantagem? E agora a pá de cal: o filho NÃO era de FHC. Os filhos legítimos de D. Ruth mandaram fazer exame de DNA e restou comprovado que não era filho do pai, mas só da mãe… E depois é o Lula que não sabe de nada…

SUZANA SINGER ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsman

Íntimo e pessoal

Apesar de invadir a privacidade de Lula, foi correto revelar o tipo de relacionamento que ele tinha com a ex-assessora

O noticiário político foi tomado por uma nova personagem: Rosemary Noronha, ex-assessora de Lula, indiciada pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção passiva e tráfico de influência.

Ontem, a Folha escancarou o que era antes insinuado em notas e colunas: que a influência dela vinha de um relacionamento íntimo com o ex-presidente.

Sem usar a palavra "amante", o jornal conta que, nas 23 viagens internacionais em que Rosemary acompanhou Lula, a então primeira-dama Marisa Letícia nunca estava. Segundo a reportagem, havia um esquema especial que permitia o acesso à suíte presidencial nessas escapadas. Seria um relacionamento de 19 anos, iniciado quando ela era bancária e ele candidato derrotado à Presidência da República.

A Folha invadiu a privacidade de Lula? Sim. Era necessário? Sim.

O jornalismo brasileiro costuma preservar a intimidade de seus políticos. Nunca tivemos um escândalo como o da Monica Lewinsky, a estagiária morena que quase provocou o impeachment de Bill Clinton, ou a descrição de festas dionisíacas como as promovidas por Silvio Berlusconi na Itália.

Os exemplos da história recente brasileira são quase pudicos: o bolero dos ministros Zélia e Cabral no governo Collor, o flagrante da carnavalesca sem calcinha ao lado de Itamar Franco e o filho fora do casamento de Fernando Henrique Cardoso, que só foi revelado pela Folha quando ele, já viúvo e ex-presidente, reconheceu o rapaz.

Argumenta-se que o eleitorado brasileiro, ao contrário do norte-americano, não liga para questões morais. Mas essa é uma hipótese nunca testada, porque a imprensa daqui não cobre esse tipo de assunto. Será que um candidato flagrado com outro homem em uma casa noturna gay, por exemplo, não perderia votos?

Num caso como esse, caberia discutir se a sexualidade do político tem relevância pública. Já o relacionamento Rose-Lula é diferente, porque resvala para a esfera pública.

Se o ex-presidente tiver incensado Rosemary por causa de um romance, isso teve consequências políticas. Segundo a PF, a então chefe de gabinete da Presidência em São Paulo conseguiu, entre outras coisas, colocar, em postos-chave do governo, amigos corruptos, que vendiam pareceres jurídicos favoráveis a empresários.

A decisão da Folha, de abordar o tema, está de acordo com o "Manual da Redação", que afirma: "a vida privada só tem relevância jornalística se estiver crucialmente ligada a fato de interesse ou legítima curiosidade públicos".

Só que o trabalho não terminou. Foi relevante mostrar ao leitor de onde emanava o poder de Rosemary, mas, a partir de agora, detalhes de alcova, por mais tentadores, não interessam. O importante é investigar se o ex-presidente esteve envolvido no suposto esquema criado pela sua então assessora.

Se nada for encontrado, é hora de deixar os peixes pequenos de lado -a "chinelagem", na definição da Polícia Federal- e centrar atenção nos grandes negócios investigados na Operação Porto Seguro. Como aconselha o personagem do Garganta Profunda, aos dois jornalistas, no filme sobre o Watergate: "Sigam o dinheiro".

IMPRENSA A FAVOR DA POLÍCIA?

A pesquisa Datafolha sobre violência, divulgada no domingo passado, mostra que uma parcela considerável dos paulistanos está insatisfeita com a cobertura jornalística do aumento dos homicídios.

Menos da metade (41%) considerou a imprensa imparcial, interessada apenas em "informar sem tomar posição". Para 33% dos entrevistados, a cobertura foi favorável à polícia e 16% responderam que foi contra os policiais.

Se a cobertura anda ruim, parte da culpa é da Secretaria de Segurança Pública, que se fechou "para não atrapalhar as investigações".

A população, que está amedrontada, percebeu isso: 71% disseram que o governo do Estado esconde informações sobre as mortes. Sem dados de qualidade, o noticiário se limita a registrar "morreram 15 na noite de ontem", "13 foram mortos", "chacina com nove vítimas"…

01/12/2012

Rosemary e o ódio a Lula

Filed under: Golpismo,Grupos Mafiomidiáticos,Lula,Polícia Federal,Rosemary Noronha — Gilmar Crestani @ 10:21 am

A PF invadiria os escritórios da Policarpo Junior como invadiram da Presidência da República? É fato, o domínio é da Veja!

Por Altamiro Borges

Quase concluído o show do julgamento do “mensalão petista”, cronometrado para interferir nas eleições de outubro, um novo caso excita a mídia golpista e o seu braço partidário demotucano. A Operação Porto Seguro da PF revelou que agentes públicos – entre eles, Rosemary Noronha, chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo – estavam metidos em atos de corrupção e tráfico de influência. De imediato, a presidenta Dilma demitiu os onze supostos envolvidos. Mas a carga inflamável prosseguirá por bom tempo!

O caso é, aparentemente, grave e exige rigorosa apuração. Segundo o que já vazou na imprensa, a investigação da Polícia Federal teve início em março de 2011, quando um auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) confessou um esquema de corrupção na venda de pareceres técnicos para empresas. Ele envolveria a chefe do gabinete da Presidência, o advogado-geral adjunto da União, José Weber, e os diretores das agências reguladoras da aviação civil (Anac) e das águas (ANA), os irmãos Rubens e Paulo Vieira, entre outros.

O script seguido por Dilma

Diante das denúncias, a presidenta Dilma seguiu o script do seu primeiro ano de gestão, quando exonerou sumariamente sete ministros linchados pela mídia. Ela também abriu sindicâncias internas para investigar o esquema. A rápida reação, porém, não acalmou a mídia golpista e a oposição demotucana. Na prática, estas não estão preocupadas com a corrupção – até porque são mais sujas do que pau de galinheiro. O episódio serviu apenas para reavivar o seu ódio ao ex-presidente Lula, maior responsável pela eleição de Dilma.

Rosemary Noronha foi trabalhar no gabinete da Presidência por indicação de Lula, em 2003. Antes, ela trabalhara 12 anos com o ex-ministro José Dirceu. Aproveitando-se da sua proximidade com os dois líderes petistas, ela teria sugerido nomes para várias funções no governo – inclusive o do seu filho e do seu ex-marido. Diante deste fato, bastante grave e que revela toda a força do patrimonialismo no país, a oposição demotucana e a mídia concluem, sem qualquer prova, que Lula também está metido neste esquema corrompido.

Estadão e o dono do escândalo

A mídia nem disfarça seu intento. Em editorial intitulado “O dono do escândalo”, o Estadão já concluiu que o ex-presidente é o culpado pelos “crimes de Rose”. É como se alguém responsabilizasse a famiglia Civita por ter mantido durante tanto tempo no comando do seu diário o jornalista Pimenta Neves, que assassinou cruelmente a ex-namorada Sandra Gomide, em agosto de 2000, num haras na cidade de Ibiúna, no interior de São Paulo. Num primeiro momento, inclusive, o Estadão deu proteção ao assassino! Tráfico de influência?

O Estadão não aceita sequer a explicação do ex-presidente, que se disse “apunhalado pelas costas”. E sugere que ele seja investigado e, quem sabe, processado. “Ao se declarar ‘apunhalado pelas costas’, Lula faz como fez quando o mensalão veio à tona, e ele, fingindo ignorar a lambança, se disse ‘traído’. Resta saber se, desta vez, tornará a repetir mais adiante que tudo não passou de uma ‘farsa’ – quem sabe, uma conspiração da Polícia Federal com a mídia conservadora, a que a sua sucessora no Planalto afinal sucumbiu”.

Folha teme pelo governo de SP

No mesmo rumo, o jornal da famiglia Frias, a mesma que cedeu seus veículos aos órgãos de repressão no período da ditadura militar, festeja a eclosão do novo escândalo de corrupção. No editorial “Porto inseguro”, a Folha solta rojões: “O pior da tormenta parecia superado pelo PT. O julgamento do mensalão se encaminhava para um anticlímax, após as pesadas penas de prisão para alguns líderes seus já em marcha para o ostracismo… A Operação Porto Seguro, no entanto, veio varrer as expectativas de calmaria”.

O jornal nem esconde que o julgamento do “mensalão” visou interferir nas eleições e lamenta que não tenha atingido o seu intento. “O PT colheu bom resultado nos pleitos, dadas as circunstâncias, com a vitória em São Paulo. A popularidade da presidente Dilma Rousseff não se abalou”. Daí a sua alegria com a descoberta, pela Polícia Federal (é bom frisar!), de um novo escândalo de corrupção. Para o jornal, o caso desgasta Lula, que “nunca aposentou o apetite pelo poder” e pode até disputar o governo de São Paulo. Haja medo!

"Calunistas" com passe livre para matar

O ódio ao ex-presidente fica mais explícito nos textos de alguns “calunistas”, mais realistas do que os reis e com passe livre para matar. O blogueiro psicopata da Veja já decretou que Rosemary é a “mulher do Lula”, numa insinuação maldosa que ele nunca fez a respeito da “mulher de FHC”! Também apavorado com as eleições em São Paulo, ele sugere que Lula indique “a sua mulher” como vice. “É tão longeva a parceria de ambos que certamente trabalhariam de modo muito afinado caso o eleitorado acolha o casal”, rosna o pitbull.

Já Josias de Souza, o colunista da Folha que transita no ninho tucano, conclui que o ex-presidente é um mentiroso, quando diz que foi “apunhalado” pela ex-chefe do gabinete da Presidência. “Tido como gênio da arte da política, ele revela-se, a cada novo escândalo, um precário formador de equipes. Vivo, o cronista Nelson Rodrigues diria que, nessa matéria, Lula é um débil mental de babar na gravata”. De fato, tem muito gente babando, mas é de ódio contra o ex-presidente! O clima não vai ser acalmar nem com as festanças do final do ano.

Altamiro Borges: Rosemary e o ódio a Lula

30/11/2012

A hora da verdade para Lula e o PT

Filed under: FHC,Policarpo Júnior,PT,Ricardo Kotscho,Rosemary Noronha — Gilmar Crestani @ 10:27 pm

Vou reproduzir aqui o que escrevi esta manhã a respeito da nova baforada do prof Cardoso:

Como o despeitado sabujo da mídia perdeu a memória, vou refrescá-la com alguma pitadinhas. FHC conhece uma pessoa que diz ser sua filha chamada Luciana Cardoso? Ele sabe que enquanto esteve presidente e mesmo depois ela esteve na folha de pagamento do Senado sem nunca comparecer ao trabalho simplesmente porque, segundo ela, “aquilo era uma bagunça”? Por acaso Lula comprou a própria reeleição? E poderia enfileirar um série de patrimonialismos da era FHC mas vou me abster para nominar apenas um caso de como se davam as relações de FHC com a “res publica” ou seria púbica?! FHC teve um affaire com uma jornalista da Rede Globo. A Globo teria feito chegar ao conquistador de subúrbio que a a funcionária estava grávida. O que fez o consórcio FHC & Rede Globo? Exilaram a moça na Espanha para esconder o produto das “relações púbicas”. O que mais rolou em termos de chantagem não se sabe, o certo é que FHC não era o pai da criança, mas isso também foi uma constante na sua vida. O plano real também não era dele, mas do Itamar Franco… Os filhos de D. Ruth resolveram pedir o DNA, afinal conheciam a mãe melhor que o pai, e descobriram, vejam só, que não era filho do pai, só da mãe.

Acusar os outros daquilo que são useiros e vezeiros é uma constante no PSDB. Não foi José Serra que acusou Dilma de ser favorável ao aborto, para ficar de bem com a Opus Dei, sendo que a própria mulher dele havia cometido aborto? Bem que D. Judith Brito e demais a$$oCIAdos do Instituto Millenium poderiam abandonar esta ideia de cerco e caça a Lula e nos tratar como seres inteligentes, que, ao contrário deles, temos memória e fazemos uso.

E acrescento agora: o que não eliminar de o PT vir a pública dar explicações sobre Rosemary ou de Odair Cunha explicar porque deu marcha ré para proteger a quadrilha comandada pela Veja (Policarpo & Carlinhos Cachoeira). Ao proteger as falcatruas da Noronha e aliviar para cima da quadrilha encabeçada por Carlinhos Cachoeira & Policarpo Junior (Veja) o PT dá tiro no próprio pé.

pt A hora da verdade para Lula e o PT

Atualizado às 16h de 30.11

Caros leitores,

pelos comentários enviados até agora, dá para perceber como o tema do texto abaixo provocou opiniões polêmicas, com muitos discordando de mim, o que só mostra duas coisas: a riqueza da democracia e do debate na internet, em que não há espaço para a unanimidade, ao contrário do que ocore com o pensamento único da grande imprensa.

Só esqueci de responder uma coisa ao leitor Fernando Aleador, que me levou a escrever este post: imparcialidade não existe no jornalismo.

Todos os jornalistas e donos de meios de comunicação têm lado. Só escrevo o que penso e sinto, sem pedir licença nem querer agradar ou desagradar a ninguém.

Nem precisava dizer isso para quem acompanha meu trabalho há quase 50 anos, mas para os que estão chegando agora é bom repetir: meu lado é o do Lula, do PT e o da maioria do povo brasileiro, que venceu 500 anos de opressão e hoje vive num país melhor e mais justo.

Ricardo Kotscho

***

"Por que o bloguista inexplicavelmente não conta nada sobre Rosemary e o possível envolvimento do ex-presidente Lula em algumas operações ilícitas? Aonde está a sua imparcialidade de jornalista?", pergunta o leitor Fernando Aleador, em comentário enviado às 04h57 desta sexta-feira.

Tem toda razão o leitor.

Demorei para escrever e dar esta resposta porque, para mim, estes últimos foram os dias mais difíceis da minha já longa carreira, posto que os fatos envolvem não só velhos amigos meus, como é do conhecimento público, mas um projeto político ao qual dediquei boa parte da minha vida.

Simplesmente, não sabia mais o que dizer. Ao mesmo tempo, não podia brigar com os fatos nem aderir à guerra de extermínio de reputações e de desmonte da imagem do ex-presidente Lula e do PT que está em curso nos últimos meses.

A propósito, escrevi no começo de novembro um texto que se mostrou premonitório sob o título "O alvo agora é Lula na guerra sem fim", quando o STF consumou a condenação dos ex-dirigentes do PT José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares.

De uma hora para outra, a começar pelo julgamento do mensalão, até chegar às revelações da Operação Porto Seguro, o que era um projeto vitorioso de resgate da cidadania reconhecido em todo o mundo levou um tiro na testa e foi jogado na sarjeta das iniquidades.

"O que me intriga é saber por que agora, por que assim e por que tamanha insistência. É claro que o esforço para acabar com a corrupção é legítimo e louvável, mas não terminaram recentemente de sangrar o PT até a entrada do necrotério? Quem estaria sedento por mais?", pergunta-se a colunista Barbara Gancia, na edição de hoje da Folha, e são exatamente estas as respostas que venho procurando para entender o que está acontecendo.

Talvez elas estejam na página A13 do mesmo jornal, em que se lê: "FHC acusa Lula de confundir interesses públicos e privados". Em discurso num evento promovido pelo PSDB no Jóquei Clube de São Paulo, na quinta-feira, o ex-presidente pontificou, mesmo correndo o risco de falar de corda em casa de enforcado:

"Uma coisa é o governo, a coisa pública, outra coisa é a família. A confusão entre seu interesse de família ou seu interesse pessoal com o interesse público leva à corrupção e é o cupim da democracia".

Sem ter o que propor ao eleitorado, após sofrer três derrotas consecutivas nas eleições presidenciais, e perder até mesmo em São Paulo na última disputa municipal, o PSDB e seus alíados na mídia e em outras instituições nacionais agora partem para o vale-tudo na tentativa desesperada de eliminar por outros meios o adversário que não conseguem vencer nas urnas.

Nada disso, porém, exime o ex-presidente Lula e o PT de virem a público para dar explicações à sociedade porque não dá mais para fazer de conta que nada está acontecendo e tudo se resume a uma luta política, que é só dar tempo ao tempo.

A bonita história do partido, que foi fundamental na redemocratização do país, e a dos milhões de militantes que ajudaram a levar o PT ao poder merecem que seus líderes venham a público, não só para responder a FHC e às denúncias sobre a Operação Porto Seguro publicadas diariamente na imprensa, mas para reconhecer os erros cometidos e devolver a esperança a quem acreditou em seu projeto político original, baseado na ética e na igualdade de oportunidades para todos.

Chegou a hora da verdade para Lula e o PT.

É preciso ter a grandeza de vir a público para tratar francamente tanto do caso do mensalão como do esquema de corrupção denunciado pela Operação Porto Seguro, a partir do escritório da Presidência da República em São Paulo, pois não podemos eternamente apenas culpar os adversários pelos males que nos afligem. Isso não resolve.

Mais do que tudo, é urgente apontar novos caminhos para o futuro, algo que a oposição não consegue, até porque não há alternativas ao PT no horizonte partidário, para uma juventude que começa a desacreditar da política e precisa de referências, como eu e minha geração tivemos, na época da luta contra a ditadura.

Conquistamos a democracia e agora precisamos todos zelar por ela.

A hora da verdade para Lula e o PT | Ricardo Kotscho

27/11/2012

Por que Lula e não Dilma?

Filed under: Dilma,Grupos Mafiomidiáticos,Lula,Rosemary Noronha — Gilmar Crestani @ 7:53 am

Uma coisa que me intriga no noticiário da Operação Porto Seguro que pegou Rosemary  Noronha é porque o nome de Lula vem primeiro que o de Dilma. Afinal, ela é funcionária de Lula ou de Dilma. Ela é assessora de Lula ou da Dilma. Ela trabalha no escritório de Lula ou da Presidência? É evidente que ela é funcionária do Executivo Federal, no escritório da Presidência, e a Presidência é exercida por Dilma. O que parece evidente que não importa o que aconteça, Lula será sempre o culpado. É o tal de ódio visceral ao “grande molusco”. E aí vem a outra ponta do negócio, o tal de domínio do fato. Por aí eles teriam que saber de tudo. Agora vejamos na mídia como eles agem quando sabem de tudo: Pimenta Neves era Diretor de Redação do Estadão, e colega de Sandra Gomide, também do Estadão. A famiglia Mesquita não sabia de nada do assédio moral e sexual que levou ao assassinato desta por aquele? A famiglia Sirotsky de Florianópolis sabe tudo de estupro alheio, mas não conhecia estupradores na própria casa? Por que uns tem de saber tudo e outros, nada?

Rosemary não é encontrada; Lula não comenta

DE BRASÍLIA

A ex-chefe do escritório regional da Presidência em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, foi procurada diversas vezes entre a tarde de domingo e o início da noite de ontem para comentar sobre seu passaporte e a operação da PF, mas não foi localizada.

Foi deixado recado na secretária do celular utilizado por Rose, mas não houve retorno. Contatado, um assessor de Rose na Presidência disse que iria repassar o recado da reportagem.

A assessoria do Instituto Lula informou que só o Ministério das Relações Exteriores poderia explicar a expedição do passaporte diplomático em nome de Rose. Sobre as tarefas desempenhadas por ela nas viagens, respondeu: "As perguntas podem ser feitas para a chefia de pessoal do Itamaraty, que coordenava as comitivas".

O Itamaraty confirmou que o pedido da Presidência ocorreu em 2007 com a justificativa de que Rose iria "participar do escalão avançado da viagem de uma autoridade brasileira ao exterior".

Também informou que o passaporte foi dado em caráter excepcional, "em função do interesse do país".

A propósito da resposta, que atribuiu o pedido do passaporte à Presidência, a Folhavoltou a enviar pergunta ao Instituto Lula, mas não houve resposta até a conclusão desta edição. (ML e RV)

24/11/2012

O bebê de Rosemary

Filed under: Golpismo,Lula,Paulo Nogueira,Rosemary Noronha — Gilmar Crestani @ 11:30 pm

O diálogo entre Rosemay e o cruzeirista e colocador de botox foi encontrado, está na íntegra aqui:

“X – ‘Tô viabilizando tudo.
Y – Eu sei,
meu filho. Por isso que eu conto com você.
X – Nós estamos indo no nosso limite de irresponsabilidade
Y – Não, não…
X – (Ri alto.) Eu dei uns três bi de fiança aqui hoje.”

Sobre o caso Rosemary

Paulo Nogueira24 de novembro de 20124

Acima de tudo, ela é mais uma escada pela qual se tenta pegar novamente Lula

Rosemary

Lula é, certamente, o homem mais odiado pelo chamado 1%, para usar a já histórica expressão do Movimento Ocupe Wall St. (Para os 99%, o posto é de Serra, com o surgimento de uma concorrência potencial em Joaquim Barbosa, o Batman.)

É impressionante o júbilo com que é celebrada pelo 1% qualquer notícia que possa servir de munição contra Lula, o lulismo, o lulo-petismo e outras designações criadas pelos obsequiosos porta-vozes de um grupo pequeno mas barulhento que torce e trabalha para que o Brasil jamais se torne uma Dinamarca, ou uma Noruega, ou uma Finlândia.

São sociedades harmoniosas, não divididas entre 1% e 99%, como o Brasil. Apenas para registro, o Brasil campeão mundial da desigualdade – com todos os problemas decorrentes disso, a começar pela criminalidade – foi obra exatamente deste grupo.

O Estado brasileiro foi durante décadas uma babá do 1%. Calotes em bancos públicos eram sistematicamente aliviados em operações entre amigos – mas com o dinheiro do contribuinte. Cresci, como jornalista, nos anos 1980, com o Jornal do Brasil transformando dívidas com o Banco do Brasil em anúncios.

Este é apenas um caso.

O BNDES foi sequestrado, também, pelo 1%: a inépcia administrativa de tantas empresas familiares mal-acostumadas com a reserva de mercado era premiada com operações de socorro financeiro. Sempre com o dinheiro do contribuinte.

Apenas para registro também, lembremos que a reserva de mercado sobrevive ainda – não me pergunte por que – na mídia que tanto clama por competição, mas para os outros.

O 1% detesta Lula, não porque Lula tenha nove dedos, ou seja metalúrgico, ou fale errado, ou torça pelo Corinthians. Detesta Lula porque ele não representa o 1%. Se representasse, todos os seus defeitos seriam tratados como virtudes.

Não votei em Lula nem em 2002 e nem em 2006. Portanto, não tenho mérito nenhum na sua chegada à presidência e na consequente mudança de foco do governo – ainda que cheia de erros — rumo aos 99%.

Mas não sou cego para não enxergar o óbvio. O maior problema do Brasil – a abjeta desigualdade social – começou ao menos a ser enfrentado sob Lula.

Hoje, quando homens públicos em todo o mundo elegem a desigualdade social como o mal maior a debelar, parece óbvio que Lula tinha mesmo que prestigiar os 99% ao se tornar presidente.

Mas nenhum presidente na era moderna nacional viu o óbvio. Mesmo ao brilhante Fernando Henrique Cardoso – de quem ninguém pode subtrair o mérito por derrubar a inflação – escapou o óbvio. Tente encontrar alguma fala de FHC, na presidência, sobre o drama da iniquidade social.

É dentro desse quadro de colossal ódio a Lula que se deve entender a forma com quem está sendo tratado o caso de Rosemary Nóvoa de Noronha, indiciada por corrupção pela Polícia Federal em suas funções como chefe do escritório do gabinete da presidência em São Paulo.

Rosemary foi demitida imediatamente por Dilma, e agora vai responder pelas suas supostas delinquências, como um cruzeiro e uma plástica na faixa, pelo que foi noticiado.

Mas ela é personagem secundário na chamada Operação Porto Seguro. O protagonista é Lula, que a indicou. Nos artigos sobre a história, Lula ocupa o pedestal. “A mulher do Lula”, escreveu alguém.

Rosemary é uma escada pela qual, mais uma vez, se tenta pegar Lula. Estaria Lula envolvido na plástica suspeita de Rosemary? E no cruzeiro? O dinheiro terá vindo do valerioduto?

Chega a ser engraçado.

Tenho para mim o seguinte. Se os lulofóbicos dedicassem parte da energia que consomem em odiá-lo na procura honesta de formas de convencer os eleitores de que são mais capazes que Lula para combater a desigualdade social, eles já estariam no Planalto a esta altura, e do jeito certo, numa democracia: pelas urnas.

Diário do Centro do Mundo – Sobre o caso Rosemary

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