Ficha Corrida

01/02/2014

Rolezinho no IPTU. Aí pode, né STF!

Filed under: Imposto Progressivo,IPTU,Rolexzinho,Rolezinho,STF — Gilmar Crestani @ 8:05 am
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Fraude no IPTU de SP envolve ao menos 84 empresas, diz promotor

Ministério Público investiga se shoppings e universidades pagaram propina para reduzir imposto

Lista foi descoberta na casa de fiscal da máfia do ISS; prefeitura é cautelosa e afirma que apuração está no início

ROGÉRIO PAGNAN MARIO CESAR CARVALHODE SÃO PAULO

O Ministério Público de São Paulo investiga uma lista preliminar de 84 empreendimentos da capital suspeitos de pagamento de propina aos fiscais da máfia o ISS para obter, desta vez, a redução no valor do IPTU.

Nessa relação estão desde shoppings, universidades e grandes empreendimentos, diz a Promotoria. Os nomes dos contribuintes suspeitos não foram revelados.

Segundo o promotor Marcelo Mendroni, a fraude ocorria pelo menos desde 2009 e consistia, basicamente, na redução nos cadastros oficiais da metragem real de um determinado imóvel.

Com o registro menor de área, o contribuinte pagava menos imposto.

A diferença entre o real e o registrado era pago em propina, diz o promotor.

Por exemplo: se o valor do imposto correto era R$ 10 mil, mas, com a fraude, passava para a metade disso, a propina paga era de R$ 5.000.

A vantagem do contribuinte era pagar a propina uma vez, mas nos anos seguintes ter imposto menor. "Ele pagava no primeiro ano a diferença, mas nos anos subsequentes não. O contribuinte deixava de recolher aos cofre."

Mendroni disse não ter ainda o valor total do rombo, mas que "são muitos milhões de reais". A investigação iniciada nesta semana é um desdobramento da apuração da chamada máfia do ISS.

Em novembro, Promotoria e Controladoria apreenderam uma lista na casa do fiscal Luís Alexandre Magalhães, que integra a quadrilha.

Eram sequências numéricas. A lista foi enviada à prefeitura, que descobriu se tratar de cadastro de imóveis do Brás e do Pari (centro).

Investigação preliminar da prefeitura, em quatro imóveis da lista, apurou que a área anotada nos cadastros era muito menor do que a real.

Em um caso, citado por Mendroni, uma área de 6.000 m² aparece nos registros da prefeitura com 3.000 m². "Nós trabalhamos como a hipótese de que elas [empresas] não são vítimas, porque se locupletam de forma visível."

O secretário de Finanças, Marcos Cruz, e o controlador-adjunto, Marcelo Campos da Silva, foram cautelosos e disseram que a apuração está no início. Eles não confirmaram haver shoppings e universidades na lista.

24/01/2014

Quem inventou o consumismo, que explique!

Filed under: Rolezinho — Gilmar Crestani @ 7:57 am
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BARBARA GANCIA

"’Rolezinhos’ for dummies"

"Rolezinho" é tão invenção do PT quanto queijo suíço. Dilma e Zuckerberg tentam entender o fenômeno

Quem está por trás dos "rolezi­nhos"? E quais as intenções? Até onde essa turma quer chegar? São perguntas que valem um milhão. Ou zilhão, dependendo do que acontecer daqui até a Copa.

No sábado, a Folha mandou esta datilógrafa que vos fala cobrir um "rolezinho" marcado para ocorrer no shopping JK. Agi de acordo com as instruções, mas, infelizmente, não tive a boa sorte de ver de perto uma das manifestações mais eletrizan­tes (!) do funk ostentação do verão 2014.

Sabendo que a polícia não ia aliviar e que os shoppings haviam pe­dido liminar à Justiça, a meninada cancelou a fuzarca. Paralelamente e, sendo este um país livre, a Unea­fro (União de Núcleos para Educa­ção Popular de Negros), resolveu or­ganizar, por sua conta e com o apoio dos grupos estudantis e partidos de esquerda de sempre, um protesto chamando atenção para a violência usada contra a criançada nos "role­zinhos" anteriores.

Explico: nos "rolezinhos" nos shop­pings Itaquera e Interlagos, em que aparentemente houve um "furto tentado", 23 menores acabaram detidos sem que nenhum BO fosse lavrado. Soltos, eles seriam ouvidos novamente ontem no 66º DP e dis­pensados. O delegado chegou à conclusão de que não valia mais a pena perder tempo com a história.

Pois é, mas a Uneafro não concor­da. Segundo a entidade, shoppings fechados, presunção de crime sem ocorrência, borracha em cima de criançada, há crime cometido, sim. Estamos falando de discriminação e constrangimento ilegal.

A manifestação que vi no sábado no JK não podia ser mais inó­cua. Mães com crianças no colo, se­nhoras do samba… Onde foi que o JK sentiu-se ameaçado?

Ah, mas no baile funk da Penha…! Sei. Só que o baile funk da Penha que virou arrastão não nasceu de "rolezinho". Nasceu baile funk turbi­nado por destilado e droga. E aca­bou mal como sempre acabam. Era outra galera, outra idade. Os "rolezi­nhos" de que estamos falando –é de "rolezinhos" que todos estão falando, não?– esses não são infiltrados ou orquestrados por ninguém, garan­to. Por quê? Ora, porque os partici­pantes são alienados demais até pa­ra servir de massa de manobra.

Quer conhecer um "rolezeiro"? Olhe para o adolescente ao seu lado. O que você vê? Na maioria das ve­zes, um ser cujo único compromis­so é com a ostentação, não? Então é ele. Ele é o rei do camarote da ZL, o cliente da Petrossian de Paraisópo­lis. Passa pela cabeça que tenha algo a ver com o PSTU ou MTST? Necas! Mais fácil se unir ao PMR, o "Partido Mulheres Ricas".

Usar a internet para estudar? Nunca. Computador existe para acessar a rede e jogar joguinho. De­pois do "rolezinho" é direto para o WhatsApp. Por que houve tanto "ro­lezinho" em janeiro? Férias, ora!

Não há ninguém por trás dos "role­zinhos". O que há é "excesso de zelo" da polícia e de comerciantes vergo­nhosamente aflitos. Há também um desejo secreto por parte da so­ciedade de que uma limpeza étnica mágica varra a periferia e extermi­ne seletivamente só o que incomo­da. Como se fosse possível fazer so­brar só os pobres e pardos que estão aí para servir (manobristas, fren­tistas e garotos que carregam paco­tes no supermercado entre eles). Aqueles que não representam uma ameaça. O resto a gente lima, corta a cabeça e joga no rio.

"Rolezinho" é tão invenção do PT quanto terá sido o queijo suíço. Dil­ma está tentando entendê-lo como fenômeno, Mark Zuckerberg e Sla­voj Zizek também. Já houve "rolezi­nho" em Londres, Roma e em Frankfurt. Trata-se de uma excre­cência criada pelo apelo irresistível do mercado de consumo. Você não aprendeu a conviver com o pente­lho do Facebook? Pois então, se vira.

23/01/2014

PRADA, com diárias pagas com seus impostos

Filed under: Diárias,Joaquim Barbosa,Moralismo,Rolezinho,STF — Gilmar Crestani @ 12:23 am
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Uma imagem que não faria feio num filme com Al Capone. Voilá, o homem que economizou na compra de um apartamento, por dez dólares, em Miami, tora diárias pagas pelo STF. E assim acaba o rolezinho do capitão-de-mato dos golpistas sem voto. O moralista da vida alheia diz que pelo menos prega moral com cuecas Prada! Sorry, periferia!

A imagem de Barbosa em Paris: o diabo veste Prada

De férias na França, com diárias pagas pela União, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, aproveitou para fazer compras numa galeria de luxo em Paris, onde desfilam grifes como Prada, Fendi e Bottega Veneta; o fato de ser pago pelos contribuintes para desfrutar "la vie en rose" é, segundo Barbosa, uma "tremenda bobagem"; indagado sobre o interesse público das diárias, ele respondeu: "O interesse público é esse que vocês estão vendo, eu sou o presidente de um dos poderes da República"

Brasil 24/7

19/01/2014

Diversionismo ou empulhação?

Filed under: Clóvis Rossi,Diversionismo,Rolezinho — Gilmar Crestani @ 9:31 am
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Sempre a mesma história. O Brasil é campeão da desigualdade e tome pau. Se não tivermos mais desigualdades, suspeito que alguns jornalistas ficarão muito tristes. Isto porque DIMUIR fica como se nada fosse diante do fato de que ainda PERSISTEM desigualdades. E aí vem o que há de pior no tipo de jornalismo praticado pelos grupos mafiomidiáticos: quando há propostas concretas para diminuir estas desigualdades, pau em quem tenta. As cotas, os PROUNI, os ENEM, os SISU, o aumento do IPTU nas áreas valorizadas pela oferta de serviços públicos, para diminuir aos que moram onde o serviço público não chegou, não são trazidos à baila. São todas iniciativas que buscam diminuir as desigualdades, mas, por questões ideológicas, a mídia prefere bater contra quem as toma, talvez com o único intuito de poder dizer: continuam nossas desigualdades!

Enquanto não dermos um rolezão nos grupos mafiomidiáticos continuaremos atados à desigualdade social. A depender das famiglias Sirotsky, Marinho, Mesquita, Frias e Civita a Suécia seria vetada como meta a ser buscada. A desigualdade é o alimento dos a$$oCIAdos do Instituto Millenium. Se pudessem, ajudariam a reimplantar a escravidão, como fizeram com a ditadura, apenas para poderem se dizer contra!

 

CLÓVIS ROSSI

Rolezinhos em Davos?

Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta a desigualdade como o risco global mais inquietante

A presidente Dilma Rousseff tem um ponto favorável a apresentar em Davos, durante o encontro anual-2014 do Fórum Econômico Mundial: a suposta redução da desigualdade no Brasil.

Por partes:

1 – A crônica desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres aparece, pela terceira vez consecutiva, como o risco global com mais possibilidade de explodir, segundo o relatório "Riscos Globais" de 2014, preparado para o fórum por 700 peritos da academia, do mundo dos negócios e da política.

2 – No mundo rico, a desigualdade, além de crônica, é crescente. No Brasil, é crônica, mas decrescente, segundo a propaganda oficial.

Logo, o Brasil pode ser apresentado aos investidores, que formam a grande plateia de Davos, como um dos poucos países em que o risco global mais iminente está em queda.

Não é inteiramente verdade. O que diminuiu no Brasil foi a desigualdade entre assalariados.

Não há medição confiável sobre a desigualdade mais obscena, que é entre a renda do capital e a renda do trabalho.

Mas é razoável supor que esta até aumentou, dado que o governo dedica à, digamos, "bolsa-juros" (recebida pelos mais ricos) três vezes mais recursos que ao Bolsa Família, para os mais pobres.

Mas Dilma não precisa fazer essa ressalva, até porque ela não será cobrada pelo povo de Davos, que só se preocupa retoricamente com a desigualdade, exceção feita a umas poucas almas sensíveis.

De todo modo, o Brasil não é exceção quando o foco sobre desigualdade se fecha sobre os jovens.

O relatório do fórum se preocupa com o futuro da juventude, devido "à qualidade do acesso à educação, à marginalização das jovens gerações e ao alto nível de desemprego juvenil".

Os protestos de junho e os rolezinhos de agora mostram que a preocupação dos pesquisadores com os jovens se aplica também ao Brasil.

Menos mal que, no conjunto da América Latina, o desemprego juvenil seja menos brutal do que na média mundial (12,5% nestes trópicos, ante a média geral de quase 30%).

Ainda assim, suspeito que valha para o Brasil o comentário sobre a desigualdade no mundo feito sexta-feira para o jornal "El País" por Sandra León, professora da Universidade de York:

"O risco mais profundo e corrosivo da desigualdade se encontra na ruptura da coesão em que se sustenta a convivência social. Uma sociedade com amplas desigualdades está altamente incapacitada para alcançar um acordo básico sobre direitos e deveres".

Um segundo risco –este não presente no Brasil– é o de que a desigualdade leve à busca de alternativas políticas extremistas, como a neonazista Aurora Dourada da Grécia ou a xenófoba Frente Nacional francesa –ambas com chances de obter uma votação forte nas eleições para o Parlamento Europeu em maio deste ano.

No Brasil, a única novidade eleitoral dos últimos muitos anos foi Marina Silva, que está longe de ser extremista.

Tudo somado, os "rolezinhos" de certa forma pairarão sobre os Alpes suíços.

crossi@uol.com.br

Nós vamos invadir sua praia

Filed under: Grupos Mafiomidiáticos,Rolezinho — Gilmar Crestani @ 8:33 am
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O hoje direitista Róger, da banda Ultraje a Rigor, compôs aquela música que é a comprovação de que pimenta no dos outros é refresco. Róger sabia que Shopping é a praia de paulistano. Invadir a praia dos outros era tão legal, invadir sua praia, shopping, não é nada legal.

Tome-se o exemplo de Porto Alegre. Onde foram parar os campos que existiam atrás do Chocolatão? E aqueles do Cristal, onde hoje há uma floricultura e um estacionamento de ônibus, ao lado do Hipódromo? Também estão sumindo aqueles entre a Pereira Paiva e o Guaíba. Quando vim do interior jogava peladas nestes campos. Havia campeonatos neles. Sem espaço por aqui, meus conterrâneos, incluindo dois dos meus irmãos, criaram o Esporte Clube Campo Branco em Viamão.  Onde estão os espaços públicos de Porto Alegre?

A direita não se apropria só dos espaços. Também tenta capturar as manifestações de insatisfação. As manifestações de julho incluíam jogar merda na RBS e na Globo, tanto que seus funcionários não podiam acompanhar as manifestações com os logotipos dos respectivos grupos. Tentaram direcionar contra o Governo Federal, mas estava terminantemente proibido discutir a corrupção municipal, estadual ou empresarial. Os 650 milhões de sonegação da Rede Globo não poderia ser pauta, e isto explica a invisibilidade dos manifestantes que carregavam cartazes contra a corrupção dos grupos mafiomidiáticos.

‘Rolezinhos’ têm raízes na luta pelo espaço urbano

James Holston, professor da Universidade da Califórnia, prevê novos protestos

Antropólogo estuda a periferia de SP desde os anos 80 e diz que reação da PM e dos shoppings aos ‘rolês’ foi exagerada

ELEONORA DE LUCENADE SÃO PAULO

Como os protestos de junho passado, os "rolezinhos" são manifestações de uma cidadania insurgente cujas raízes estão na luta pelo espaço urbano que ocorre há décadas no Brasil. A análise é do antropólogo James Holston, professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA).

Pesquisador da periferia paulistana desde os anos 1980, ele avalia que a politização do movimento foi provocada pela repressão exagerada e pouco inteligente.

Autor de "Cidadania Insurgente" (Companhia das Letras, 2013), Holston tem ligações familiares com o Brasil e passa temporadas em São Paulo. Nascido em Nova York, estudou também filosofia e arquitetura.

Nesta entrevista, concedida por telefone desde os EUA, ele comenta o consumismo cantado no funk ostentação, trilha de "rolezinhos": "Do ponto de vista político, significa o triunfo de um capitalismo deslumbrado, como ocorre no Brasil nos últimos 20 anos em todas as classes".

Folha: Como o sr. avalia os "rolezinhos"?
James Holston – Os "rolezinhos" existem há tempos nas periferias. Frequentei muito o shopping Aricanduva por causa de minhas pesquisas na zona leste. O shopping é a praia do paulistano. Essa juventude não está excluída dos shoppings. Estão entre os melhores fregueses.
A diferença foi o número de pessoas. Deu medo nos lojistas. Passear, brincar, paquerar nos shoppings se politizou agora por causa da repressão policial e da reação dos donos de shoppings. Reprimir nos primeiros "rolezinhos" no fim de dezembro foi uma reação exagerada, pouco inteligente e pouco ágil. O "rolezinho" nunca teve esse aspecto politizado. Agora virou movimento, uma expressão de conquista de espaço.

O sr. estudou os movimentos nas periferias de São Paulo no século passado. Quais são as diferenças em relação ao que ocorre hoje?
Por décadas, o coração da politização das classes mais humildes do Brasil foi conquistar o espaço, o terreno da casa, o bairro, a autoconstrução, a luta. As classes altas também ocupam, conquistam, defendem, segregam seus espaços. As classes trabalhadoras fazem isso conquistando novos direitos de cidadania. Isso muitas vezes afronta as classes médias.
Há em São Paulo uma tensão em torno do espaço que há anos não existia. Antes as classes dominantes dominavam completamente. Agora, não. As classes mais humildes têm noção do direito de ocupar, de viver, de circular.

Como o sr. explica o funk ostentação, espécie de trilha sonora dos "rolezinhos"?
É uma releitura paulistana do funk carioca, passando pela Baixada Santista. A pauta mudou da criminalidade para o consumo.

Essa ideia de consumismo exacerbado não se choca com a herança política de luta por espaço, que era mais coletiva?
Claro. O consumo na autoconstrução nos bairros nos anos 1970, 1980, 1990 era mais coletivo: todo mundo trabalhando. Esse consumo de hoje é também de autoconstrução, mas, personalista. Do ponto de vista político, significa o triunfo de um capitalismo deslumbrado, como ocorre no Brasil nos últimos 20 anos em todas as classes.

E o que mostra a reação aos "rolezinhos"?
As elites sempre reprimiram as manifestações populares por conquista de espaço. A mensagem é de que o pobre tem que saber o seu lugar; pode circular humildemente, fazendo o seu serviço. Mas, se circula com ostentação, mostrando que é dono de sua própria vida, ofende e afronta a elite brasileira.

Há ligação com as manifestações de junho?
Há uma articulação politizada nos dois casos. A polícia tem que assumir uma culpa muito grande, pois teve uma reação exagerada. Os "rolezinhos" são continuidade dos movimentos de junho, pois têm a ver com ocupação de espaço, com circulação.
Há diferenças; não há homogeneidade. Os "rolezinhos" são mais focados no consumo, na produção cultural, têm menos organização política. Mas podem vir a ter.

Quais os reflexos políticos dos "rolezinhos"? Eles vão crescer ou murchar?
É difícil prever. A rapaziada dos "rolezinhos" não quer ser politizada em demasia. Querem voltar à praia do shopping, para paquerar, zoar. Não quer dizer que não possam evoluir, ou outros grupos possam adotar a tática. Acho que isso vai acontecer. Vai ser um ano quente e deveria ser. Porque as reivindicações de junho não foram atendidas e também não sumiram. O que vai acontecer com toda essa energia? Com a chegada da Copa, vai esquentar.

O gigante acordou?
Muitos disseram isso. Outros, que a periferia nunca dormiu. A cidadania insurgente está sempre presente. Esquenta e esfria dependendo de circunstâncias impossíveis de prever. O Brasil vibra nos últimos 50 anos de cidadania insurgente. É uma coisa ótima para sacudir uma sociedade de muita desigualdade.

18/01/2014

Da série curra de vira-lata: “coisas do Brasil”…

Filed under: Complexo de Vira-Lata,Isto é EUA!,Rolezinho — Gilmar Crestani @ 7:50 pm
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‘Rolezinhos’ acontecem há anos em shoppings dos Estados Unidos

Postado em 16 Jan 2014

por : Diario do Centro do Mundo

role brooklyn

Publicado originalmente na BBC Brasil.

Um encontro de adolescentes, convocado pelas redes sociais, realizado dentro de um shopping center – e que acabou em confusão e confrontos com a polícia.

A descrição, que poderia servir para um “rolezinho” em São Paulo, é na verdade de um “flash mob” ocorrido em 26 de dezembro no Brooklyn, em Nova York.

Assim como no Brasil, esses episódios têm despertado debates sobre o papel dos shopping centers, o direito de se reunir no local e as motivações desses jovens.

No Brooklyn, o Kings Plaza Shopping Center foi palco de um encontro de ao menos 300 jovens, convocados pelas redes sociais. Testemunhas disseram à imprensa local que eles gritavam, empurravam transeuntes e roubaram lojas. O shopping acabou fechando as portas por uma hora, informa o New York Post.

No dia seguinte, menores de idade não acompanhados de adultos foram barrados do local, despertando críticas dos que se sentiram tolhidos pela medida – e que queriam apenas fazer compras – e elogios dos que temiam novas cenas de confusão.

Dezenas de incidentes parecidos ocorreram em outras cidades americanas nos últimos anos. Em Chicago, em abril passado, centenas de jovens se juntaram no centro da cidade, convocados pelas redes sociais, e o episódio acabou em briga; a imprensa americana traz relatos parecidos de “flash mobs” realizados no mesmo mês no centro da Filadélfia e, em 2012, em uma loja do Walmart em Jacksonville, na Flórida.

Em 2011, também na Filadélfia, a prefeitura estabeleceu um toque de recolher para adolescentes, impedidos de ficar nas ruas após as 20h ou 22h (dependendo da idade dos jovens), na tentativa de evitar os encontros.

Não está claro se esses “flash mobs” em questão foram organizados com fins violentos, mas a maioria das reuniões – assim como no Brasil – ocorreu pacificamente.

‘Formas de se expressar’

Um episódio do tipo ocorrido em agosto de 2011 em Kansas City – e que resultou em três jovens feridos a tiros – levou um grupo de acadêmicos do Consórcio Educacional da cidade a pesquisar o fenômeno.

Após entrevistar 50 dos adolescentes que participaram do episódio, em 2012, uma das conclusões foi a de que os jovens “estão buscando formas de se expressar enquanto se conectam com outros (pela internet)” – e que qualquer ação oficial para lidar com o fenômeno deve levar isso em conta.

“Os jovens se envolveram em ‘flash mobs’ para se expressar, chamar atenção, serem vistos e lembrados e se expressarem”, diz a pesquisa.

Além disso, afirmam os pesquisadores, esses jovens estão “entediados” – e sua interação no mundo digital, onde os “flash mobs” são organizados, é uma importante forma de diminuir o tédio.

Por isso, toques de recolher como os implementados nos EUA terão pouca eficácia se não forem combinados “com atividades alternativas, acessíveis e divertidas” e incentivos a “flash mobs do bem”, sem atitudes violentas.

Ao mesmo tempo, muitos desses jovens também lidam com limitações econômicas, moram em bairros violentos ou negligenciados e se queixaram que só foram parar no noticiário quando ocuparam espaços centrais de Kansas City.

Questões sociais

O debate americano tem se estendido também para questões raciais e sociais.

O New York Times destacou que a maioria dos jovens que participaram de um “flash mob” na Filadélfia em 2010 eram negros, de bairros pobres, e agiram em bairros predominantemente brancos.

Em contrapartida, críticos dizem que a polícia alvejou sobretudo jovens negros quando agiu para conter distúrbios.

A ONG Public Citizens for Children and Youth, de apoio à juventude da Filadélfia, levantou na época a possibilidade de episódios do tipo serem uma consequência no corte de verbas a programas sociais que mantinham os jovens ocupados após as aulas.

“Precisamos de mais empregos para os jovens, mas programas pós-aulas, mais apoio dos pais”, disse a ONG ao New York Times.

Articulistas também debatem – assim como no Brasil – o papel dos shopping centers em subúrbios dos EUA, alegando que faltam espaços públicos comunitários, e citam a desilusão geral dos jovens com outros tipos de engajamento político ou social.

“É um grupo de jovens que sente raiva e impotência, e tenta obter um senso de poder”, disse à CNN o psicólogo Jeff Gardere.

Sobre o Autor

27/12/2013

Quando rolé vira crime, 450 kg de cocaína só pode virar… pó!

Filed under: Ódio de Classe,Criminalização Política,Racismo,Rolezinho — Gilmar Crestani @ 8:32 am
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A melhor análise sobre os rolezinhos foi da jornalista Eliane Brum, aqui!

Após ‘rolezinhos’, lojistas pedem PM em shoppings

Associação reivindica que policiais façam segurança nos estabelecimentos

Proposta envolve nova modalidade da Operação Delegada; Alckmin diz que ela ainda será avaliada

DE SÃO PAULO

Depois de ao menos quatro shoppings de São Paulo receberem encontros de jovens conhecidos como "rolezinhos", a associação de lojistas do setor pediu a presença de policiamento militar dentro dos estabelecimentos.

O presidente da entidade, Nabil Sahyoun, afirmou ontem que o setor pretende que, a partir de fevereiro ou março, policiais fardados façam a segurança dentro dos shoppings centers. Ele não detalhou quantas unidades receberiam os militares nem o horário em que eles atuariam.

"Shopping é um equipamento urbano inserido na cidade", diz. Para Sahyoun, a presença de policiais fardados poderia aumentar a segurança e também inibir a onda de "rolezinhos", combinados por meio de redes sociais.

Segundo a associação, os "rolezinhos" tiveram impacto negativo de 7% a 8% nas vendas do shopping Interlagos no domingo, quando ele recebeu uma dessas reuniões.

Sahyoun disse também que foi feito um monitoramento das redes sociais para saber quando e onde ocorreriam novos encontros. Os shoppings que seriam alvo da manifestação contrataram 200 seguranças extras.

A maneira para que os policiais atuem dentro dos estabelecimentos é aprovar uma nova modalidade de Operação Delegada –programa do governo estadual que autoriza militares a desempenhar sua função, fardados, em outros locais durante o período de folga. Hoje, ela existe em convênio com prefeituras.

Para que a operação pudesse se estender para os shoppings, uma nova lei teria de ser aprovada pela Assembleia Legislativa.

Ontem, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que a Secretaria de Segurança Pública recebeu um pedido e que estuda o que fazer.

"O dr. [Fernando] Grella vai examinar. Tem uma proposta de shoppings, de eles remunerarem os policiais, isso vai ser avaliado", afirmou.

Alckmin, no entanto, fez ressalvas. "O policiamento nosso é publico, portanto o policiamento dentro do shopping deve ser privado. O nosso é publico, portanto ele é fora. Mas nós podemos estudar outras formas de fazer."

HISTÓRICO

Os "rolezinhos" começaram no dia 7 deste mês, quando 6.000 jovens se encontraram no shopping Metrô Itaquera, zona leste. Na semana seguinte, o local foi o shopping Internacional de Guarulhos, na Grande SP, onde –mesmo sem crimes registrados– 23 foram detidos.

No final de semana anterior ao Natal, outros dois shoppings "sediaram" o encontro, também sem nenhuma ocorrência criminal: Campo Limpo e Interlagos, ambos na zona sul.

(MARIANA BARBOSA E PAULO GAMA)

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